MERECIMENTO
BIBLIOGRAFIA
01- Ação e Reação - pág. 223, 246 02 - O Livro dos Espíritos - q. 119, 1999, 222
03 - Pérolas do Além - pág. 161 04 - Repositório de sabedoria- pág. 86
05 - Intervalos - pág. 52  

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MERECIMENTO – COMPILAÇÃO

01 - AÇÃO E REAÇÃO - ANDRÉ LUIZ - PÁG. 223, 246

(...) Foi quando Silas, recomendando-nos cooperação, abeirou-se dele e aplicou-lhe passes magnéticos, esclarecendo-nos logo após: - Ainda pela utilidade que sabe imprimir aos seus dias, Adelino mereceu a limitação da enfermidade congenial de que é portador. Tendo sofrido, por longo tempo, o trauma perispírito do remorso, por haver incendiado o corpo do próprio pai, nutriu em si mesmo estranhas labaredas mentais que, como já lhes disse, o castigaram intensamente além-túmulo...

Renasceu, por isso, com a epiderme atormentada por vibrações calcinantes que, desde cedo, se lhe expressaram na nova forma física por eczema de mau caráter... Semelhante moléstia, em face da dívida em que se empenhou, deveria cobrir-lhe todo o corpo, durante muitos e angustiosos lustros de sofrimento, mas, pelos méritos que ele vai adquirindo, a enfermidade não tomou proporções que o impeçam de aprender e trabalhar, porquanto granjeou a ventura de continuar a servir, pelo seu impulso espontâneo na plantação constante do bem.

A essa altura, talvez porque o dono da casa se dispusesse ao refúgio dos travesseiros, o Assistente convidou-nos à retirada. De volta à Mansão, prosseguiu nosso amável mentor tecendo brilhantes comentários em tomo do «amor que cobre a multidão dos pecados», como ensinou o Apóstolo, quando Hilário, interpretando-me as indagações, considerou de improviso:

— Assistente, com uma elucidação assim tão clara, é justo aspiremos a saber determinadas minudências que a ela digam respeito. Poderemos, acaso, inteirar-nos quanto à situação de Martim Gaspar, o genitor que padeceu o martírio do fogo em sua carne? Porque Silas se detivesse em silêncio, meu colega continuou:

— Terá ciência do trabalho renovador de Adelino? Devotar-lhe-á, ainda, menosprezo e ódio?— Martim Gaspar — respondeu por fim o interlocutor —, infatigável que era na violência, foi igualmente tocado pelos exemplos de nosso amigo. Observando-lhe a transformação, abandonou as companhias indesejáveis a que se adaptara e rogou asilo, em nosso instituto, vai para alguns anos, onde aceitou severas disciplinas...— E onde se encontra agora? — insistiu Hilário, ansioso — porventura será permitido vê-lo, para anotar-lhe as alterações?

Nesse instante, porém, varávamos a entrada do santuário de nossas obrigações, e Silas, sem mais possibilidades de alongar-se, afagou os ombros de nosso companheiro, dizendo: - Acalme-se Hilário. É possível estejamos de regresso ao assunto em breves horas. Despedimo-nos, conservando as anotações, à maneira de estudo interrompido, aguardando sequência. (...)

(...) Assinalando-nos a atitude inequívoca de compreensão e de obediência, como não podia deixar de ser, o chefe da instituição continuou em tom afável, depois de ligeira pausa: — Imaginemos que fossem analisar as origens da provação a que se acolheram os acidentados de hoje... Surpreenderiam, decerto, delinquentes que, em outras épocas atiraram irmãos indefesos do cimo de torres altissimas para que seus corpos se espatifassem no chão; companheiros que, em outro tempo, cometeram hediondos crimes sobre o dorso do mar, pondo a pique existências preciosas, ou suicidas que se despenharam de arrojados edifícios ou de picos agrestes, em supremo atestado de rebeldia, perante a Lei, os quais por enquanto, somente encontram recurso tão em tão angustioso episódio para transformarem a própria situação.

Quantos milhares de irmãos encarnados possuímos nós, em cujas contas com os Tribunais Divinos figuram débitos desse jaez? Entretanto, não desconhecemos que nós, consciências endividadas, podemos melhorar nossos créditos, todos os dias. Quantos romeiros terrenos em cujos mapas de viagem constam surpresas terríveis, são amparados devidamente para que a morte força da não lhes assalte o corpo, em razão dos atos louváveis a que se afeiçoam!...

Quantas intercessões da prece ardente conquistam moratórias oportunas para pessoas cujo passo já resvala no cairel do sepulcro?!... quantos deveres sacrificiais granjeiam, para a alma que os aceita de boamente, preciosas vantagens na Vida Superior, onde providências se improvisam para que se lhes amenizem os rigores da provação necessária?! Bem sabemos que, se uma onda sonora encontra outra, de tal modo que as "cristas" de uma ocorram nos mesmos pontos dos 'Vales" da outra, esse meio, em consequência aí não vibra, tendo-se como resultado o silêncio.

Assim é que, gerando novas causas com o bem, praticado hoje, podemos interferir nas causas do mal, praticado ontem, neutralizando-as e reconquistando, com isso, o nosso equilíbrio. Desse modo, creio mais justo os recursos ao nosso alcance. A caridade e ao estudo nobre, a fé e o bom ânimo, a arte e a meditação construtiva constituem temas renovadores, cujo mérito não será lícito esquecer, na reabilitação de nossas idéias e, consequentemente, de nossos destinos. (...)

02 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - ALLAN KARDEC - QUESTÕES: 119, 199, 222, 646, 692, 709, 736, 789, 806, 896

Perg. 119 - Deus pode livrar os Espíritos das provas que devem sofrer para chegar à primeira ordem?
- Se eles tivessem sido criados perfeitos, não teriam merecimento para gozar dos benefícios dessa perfeição. Onde estaria o mérito, sem a luta? De outro lado, a desigualdade existente entre eles é necessária à sua personalidade; e a missão que lhes cabe, nos diferentes graus, está nos desígnios da Providência, com vistas à harmonia do Universo.

Como na vida social todos os homens podem chegar aos primeiros postos, também poderíamos perguntar por que motivo o soberano de um país não faz de cada um dos seus soldados um general; por que todos os empregados subalternos não são superiores; por que todos os alunos não são professores. Ora, entre a vida social e a espiritual existe a diferença de que a primeira é limitada e nem sempre permite a escalada de todos os seus degraus, enquanto a segunda é indefinida e deixa a cada um a possibilidade de se elevar ao posto supremo.

Perg. 199 - Por que a vida se interrompe com frequência na infância? - A duração da vida da criança pode ser, para o seu Espírito, o complemento de uma vida interrompida antes do termo devido e sua morte é frequentemente uma prova ou uma expiação para os pais.

Perg. 199a - Em ue se transforma o Espírito de uma criança morta em tenra idade?- Recomeça uma nova existência.

Perg. 646 - O mérito do bem que se faz está subordinao a certas condições, ou seja, há diferentes graus no mérito do bem? - O mérito do bem está na dificuldade; não há nenhum em fazê-lo sem penas e quando nada custa. Deus leva mais em conta o pobre que reparte o seu único pedação de pão, que o rico que só dá do seu supérfluo. Jesus já o disse, a propósito do óbulo da viúva.

Perg. 692 - O aperfeiçoamento das raças animais e vegetais pela Ciência é contrário à lei natural? Seria mais conforme a essa lei deixar as coisas seguirem o seu curso normal? - Tudo se deve fazer para chegar à perfeição. O próprio homem é um instrumento de que Deus se serve para atingir os seus fins. Sendo a perfeição o alvo para que tende a Natureza, favorecer a sua conquista é corresponder àqueles fins.

Perg. 709 - Aqueles que, em situações críticas, se viram obrigados a sacrificar os semelhantes para matar a fome cometeram com isso um crime? Se houve crime, é ele atenuado pela necessidade de viver que o instinto de conservação lhes dá?
- Já respondi, ao dizer que há mais mérito em sofrer todas as provas da vida com abnegação e coragem. Há homicídio e crime de lesa-natureza, que deve ser duplamento punido.

Perg. 736 - Os povos que levam ou excesso o escrúpulo no tocante à destruição dos animais têm mérito especial?
- É um excesso num sentimento que em si mesmo é louvável, mas que se torna abusivo e cujo mérito acaba neutralizado por abusos de toda espécie. Eles têm mais temor supersticioso do que verdadeira bondade.

Perg. 789 - O progresso reunirá um dia todos os povos da Terra numa só nação?
- Não em uma só nação, o que é impossíve, pois da diversidade dos climas nascem costumes e necessidades diferentes, que constituem as nacionalidades. Assim serão sempre necessárias leis apropriadas a esses costumes e a essas necessidades. Mas a caridade não conhece latitudes e não faz distinção dos homens pela cor. Quando a lei de Deus constituir por toda a parte a base da lei humana, os povos praticarão a caridade de um para outro, como os indivíduos de homem para homem, vivendo felizes e em paz, porque ninguém tentará fazer mal ao vizinho ou viver às suas expensas.

Perg. 806 - A desigualdade das condições sociais é uma lei natural?
- Não; é obra do homem e não de Deus.
Perg. 806a - Essa desigualde desaparecerá um dia? - Só as leis de Deus são eternas. Não a vês desaparecer pouco a pouco, todos os dias? Essa desigualdade desaparecerá juntamente com a predominância do orgulho e do egoísmo, restando tão somente a desigualdade do mérito. Chegará um dia em que os membros da grande família dos filhos de Deus não mais se olharão como de sangue mais ou menos puro, pois somente o Espírito é mais puro ou menos puro, e isso não depende da posição social.

Perg. 896 - Há pessoas desinteressadas, mas sem discernimento, que prodigalizam os seus afazeres sem proveito real, por não saberem empregá-los de maneira razoável. Terão por isso algum mérito?
- Têm o mérito do desinteresse, mas não o do bem que poderiam fazer. Se o desinteresse é um virtude, a prodigalidade irrefletida é sempre, pelo menos, um falta de juízo. A fortuna não é dada a alguns para ser lançada ao vento, como não o é a outros para ser encerrada num cofre. É um depósito de que terão de prestar contas, porque terão de responder por todo o bem que poderiam ter feito e não o fizeram; por todas as lágrimas que poderiam ter enxugado com o dinheiro dado aos que na verdade não estavam necessitados.

03 - PÉROLAS DO ALÉM - EMMANUEL - - pág. 161

A culpa e o mérito crescem, quando o discernimento se desenvolve. Abel Gomes

05 - INTERVALOS - EMMANUEL - PÁG. 52

FÉ, TRABALHO E MERECIMENTO. A fé vitoriosa é aquela que procura no trabalho o merecimento indispensável à realização que pretende atingir. Esperança ociosa é simples divagação. Vejamos o ensinamento expressivo da Natureza, a fim de que não nos demoremos sob a neblina das fantasias e dos sonhos, retardando o próprio passo, indefinidamente, no vale escuro da indecisão.

A semente decerto guarda consigo o plano precioso da árvore veneranda que será um dia, mas, para isso, aceita a humilhação de si mesma na intimidade do solo, e, desde a própria germinação, não perde tempo em digressões descabidas, de vez que aproveita o sol e a chuva, o orvalho e o vento para crescer, florir e frutificar, sem repouso.

A fonte, sem dúvida, conserva em seu nascedouro o projeto sublime de arrojar-se à excelsitude do oceano, entretanto, para equacionar semelhante problema, não se imobiliza no viciado espelho do charco. Avança, humilde e resignada, beneficiando montes e planícies, plantas e animais, aderindo aos ribeiros e aos rios, em cujo seio abençoado e fecundo atinge a serenidade gloriosa do mar imenso.

Tudo, na vida universal, é harmonia que decorre do trabalho vivido, em sua mais elevada expressão. Todos os seres irmanam-se, uns aos outros, no plano gigantesco da perfeição que nos escapa, por agora, em sua visão magnificente de conjunto, e, para escalarmos os domínios da felicidade e da luz, é imprescindível atender à função que nos compete, no mecanismo da existência.

Se procuras, assim, entesourar a fé, não acredites possas fazê-lo, namorando altares de pedra ou cultivando exclusivismo que será sempre adoração a nós mesmos nas linhas congeladas do menor esforço. Busquemos o lugar de serviço que o mundo nos reserva. Esqueçamos conveniências pessoais e apelos inferiores que nos compelem a viver entre os tóxicos letais do tempo perdido.

Lembremo-nos de que a vela acesa dentro da noite é infinitamente mais valiosa que o lustre de ouro e diamantes, lamentavelmente apagado. Trabalhemos hoje para merecer amanhã.

E, nesse programa de crescimento espiritual para a eternidade, a fé viva será luz do Senhor brilhando no templo de nossa alma, valendo-se do divino combustível de nosso próprio coração.