METADES ETERNAS
BIBLIOGRAFIA
01- A CRISE DA MORTE, pag. 168 02 - ALQUIMIA DA MENTE, pag. 292
03 - DE FRANCISCO DE ASSIS PARA VOCE, pag. 95 04 - DO PAÍS DA LUZ (Volume I), pag. 66
05 - EXPIAÇÃO, pag.131 06 - LAÇOS ETERNOS, pa.g 272
07 - NA SOMBRA E NA LUZ, pag. 113, 215 08 - NOSSO LAR, 103
09 - O CONSOLADOR, pag. 185, 233 10 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS, q. 291, 298, 299
11 - OS MENSAGEIROS, pag. 92 12 - PÉROLAS DO ALÉM, pag. 22

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

METADES ETERNAS – COMPILAÇÃO

01 - METADES ETERNAS

As metades eternas
Revista Espírita, maio de 1858

Extraímos a passagem seguinte de uma carta de um dos nossos assinantes.

".... Perdi, há alguns anos, uma esposa boa e virtuosa, e, apesar dos seis filhos que me deixou, encontrava-me em um isolamento completo, quando ouvi falar das manifestações espíritas. Logo me encontrei no meio de um pequeno círculo de bons amigos ocupando-se, cada noite, desse objeto. Aprendi, então, nas comunicações que obtivemos, que a verdadeira vida não é sobre a Terra, mas no mundo dos Espíritos; que minha Clémence ali se encontrava feliz, e que, como os outros, ela trabalhava pela felicidade daqueles que havia conhecido neste mundo. Ora, eis o ponto sobre o qual desejo ardentemente ser esclarecido por vós.

"Disse uma noite à minha Clémence: Minha cara amiga, por que, apesar de todo o nosso amor, nos ocorria de nem sempre ver a mesma coisa nas diferentes circunstâncias da nossa vida em comum, e por que estávamos sempre forçados a nos fazer concessões mútuas para vivermos em boa harmonia?

"Ela me respondeu isto: Meu amigo, éramos bravas e honestas pessoas; vivemos em conjunto, o que se pode dizer o melhor possível sobre essa Terra de provas, mas não éramos nossas metades eternas. Essas uniões são raras sobre a Terra; são encontradas, entretanto, mas são um grande favor de Deus; os que têm essa felicidade, sentem gozos que te são desconhecidos.

"Podes me dizer - repliquei -, se tu vês a tua metade eterna? -Sim, disse ela, é um pobre diabo que vive na Ásia; não poderá estar reunida a mim, senão em 175 anos (segundo a vossa maneira de contar). - Estareis reunidos na Terra ou em um outro mundo? - Na Terra. Mas escuta: não posso te descrever bem a felicidade dos seres assim reunidos; vou pedir a Héloise e Abailard consentirem te informar. - Então, senhor, esses dois seres felizes vieram nos falar de sua felicidade inefável. "Por nossa vontade, disseram, dois não fazem senão um; viajamos nos espaços; gozamos de tudo; nos amamos com um amor sem fim, acima do qual não pode haver senão o amor de Deus e dos seres perfeitos. Vossas maiores alegrias não valem um único dos nossos olhares, um único dos nossos apertos de mão."

"O pensamento das metades eternas me deleita. Parece-me que Deus, criando a Humanidade, a fez dupla, e que disse, em separando as duas metades de uma mesma alma: Ide para os mundos e procurai as encarnações. Se bem o fizerdes, a viagem será curta, e permitirei vos reunirdes; se for de outro modo, os séculos se passarão antes que gozeis dessa felicidade. Tal é, me parece, a causa primeira do movimento instintivo que leva a Humanidade a procurar a felicidade; felicidade que não se compreende e que não se dá o tempo de compreender.

"Desejo ardentemente, senhor, ser esclarecido sobre essa teoria das metades eternas, e ficaria feliz em encontrar uma explicação a esse respeito em um dos vossos próximos números..."

Abailard e Héloise, que interrogamos sobre esse ponto, nos deram as respostas seguintes:

P. As almas foram criadas duplas? - R. Se tivessem sido criadas duplas, as simples seriam imperfeitas.

P. É possível que duas almas possam se reunir na eternidade e formarem um todo? - R. Não.

P. Tu e tua Héloise formais, desde a origem, duas almas bem distintas? - R. Sim.

P. Formais ainda, neste momento, duas almas distintas? - R. Sim, mas sempre unidas.

P. Todos os homens se encontram nas mesmas condições? -R. Segundo sejam mais ou menos perfeitos.

P. Todas as almas estão destinadas ase unirem, um dia, com uma outra alma? - R. Cada Espírito tem uma tendência a procurar um outro Espírito que lhe seja conforme; chamas isso de simpatia.

P. Há, nessa união, uma condição de sexo? - R. As almas não têm sexo.

Tanto para satisfazer o desejo do nosso assinante quanto para a nossa própria instrução, dirigimos as questões seguintes ao Espírito de São Luís.

1. As almas que devem se unir, estão predestinadas a essa união desde a sua origem, e cada um de nós tem, em alguma parte do Universo, sua metade eterna à qual estará, um dia, fatalmente reunido? - R. Não existe união particular e fatal entre duas almas. A união existe entre todos os Espíritos, mas em graus diferentes, segundo a categoria que ocupam, quer dizer, segundo a perfeição que adquiriram: quanto mais são perfeitos, mais são unidos. Da discórdia nascem todos os males dos humanos; da concórdia resulta a felicidade completa.

2. Em qual sentido se deve entender a palavra metade, da qual certos Espíritos, freqüentemente, se servem para designarem os Espíritos simpáticos? - R. A expressão é inexata; se um Espírito fosse a metade de outro, separado deste, seria incompleto.

3. Dois Espíritos perfeitamente simpáticos, uma vez reunidos, o são por toda a eternidade, ou podem se separar e se unir a outros Espíritos? - R. Todos os Espíritos estão unidos entre si; falo daqueles que atingiram a perfeição. Nas esferas inferiores, quando um Espírito se eleva, não é mais simpático àqueles que deixou.

4. Dois Espíritos simpáticos são o complemento um do outro, ou essa simpatia resulta de uma identidade perfeita? - R. A simpatia que atrai um Espírito para um outro, é o resultado da perfeita concordância de seus pendores, de seus instintos; se um devesse completar o outro, perderia sua individualidade.

5. A identidade necessária para a simpatia perfeita, não consiste senão na semelhança de pensamentos e de sentimentos, ou bem ainda na uniformidade de conhecimentos adquiridos? - R. Na igualdade dos graus de elevação.

6. Os Espíritos que não são simpáticos hoje, podem vir a sê-lo mais tarde? - R. Sim, todos o serão. Assim, o Espírito que está hoje em tal esfera inferior, em se aperfeiçoando, alcançará a esfera onde reside tal outro. Seu reencontro ocorrerá mais prontamente se o Espírito mais elevado, suportando mal as provas às quais se submeteu, se demorou no mesmo estado.

7. Dois Espíritos simpáticos podem cessar de o serem? - R. Certamente, se um for preguiçoso.

Essas respostas resolvem perfeitamente a questão. A teoria das metades eternas é uma figura que pinta a união de dois seres simpáticos; é uma expressão usada mesmo na linguagem vulgar, em falando de dois esposos, e que não é preciso prender à letra; os Espíritos que dela se serviram não pertencem, seguramente, à mais elevada ordem; a esfera das suas idéias é, necessariamente, limitada, e puderam tomar seu pensamento pelos termos dos quais se serviam durante sua vida corpórea. É preciso, pois, rejeitar essa idéia de que dois Espíritos, criados um para o outro, devem um dia, fatalmente, se reunir na eternidade, depois de estarem separados por um lapso de tempo mais ou menos longo.

02 - METADES ETERNAS

AS ALMAS GÊMEAS OU METADES ETERNAS

Como surgiu a idéia de Almas-Gêmeas?

O conceito de alma-gêmea ou metades eternas tem a sua origem em um diálogo de Platão, intitulado O Banquete . O termo grego com que se designaria o fato de um ser ter,ao mesmo tempo, duas natureza sexuais é androginia ou hermafroditismo. A primeira palavra é formada por dois radicais gregos: andros, que significa homem e ginecon, que quer dizer mulher. A segunda resulta da associação de dois termos tampém gregos : Hermes e Afrodite.

O mito dos andróginos contado por Platão, em linhas gerais, é o seguinte : em tempos imemoriais ( tempos míticos ) os homens que viviam sobre a terra possuíam dupla sexualidade, sendo, a um só tempos masculinos e femininos. Esses homens eram ousados, tão ousados que chegaram a desafiar os deuses imortais. Os deuses, assustados com a possibilidade de um ataque humano à morada dos deuses no Monte Olimpo reuniram-se em assembléia para discutir como anular a ameaça humana. Depois de muitos e acalorados debates, chegaram à conclusão de que , como legítima defesa de suas prerrogativas, só havia uma coisa a fazer: separar os humanos, pois era a sua dupla natureza que os fazia fortes.Por certo separados seriam muito mais fracos e não pensariam mais em ameaçar os deuses.

Assim resolvido, os deuses vieram à terra e cortaram, no meio certo, os andróginos deixando o umbigo como a marca da ousadia deles. O plano divino deu resultado porque os homens separados passaram, desesperadamente, a procurar as suas metades e, não as encontrando, ficaram infelizes e nada melhor para enfraquecer alguém do que a infelicidade. Mutilados, incompletos, sofridos, buscando sempre a metade perdida e,quase sempre, equivocando-se neste busca, o homem vive o drama da incompletude,deixando, assim, de ser uma ameaça para os imortais.

Esta questão passou a ser discutida no meio espírita depois que Emmanuel , em seu romance Há Dois Mil Anos,psicografado por Francisco Cândido Xavier trouxe esta questão à baila com o nome de Alma-gêmea. No romance, a personagem Lívia,esposa do protagonista seria a sua alma - gêmea. A discussão não chegou,felizmente, a ser um problema sério que pudesse causar divisões no meio espírita. Houve apenas pessoas que não concordavam que pudessem haver espíritos que completasse um ao outro a ponto de serem almas- gêmeas. O que Allan Kardec tem a nos dizer sobre esta questão?

A resposta se encontra no volume I da Revista Espírita do seguinte modo : Um homem viveu com sua esposa por muitos anos e, depois da desencarnação desta, conseguiu um contato mediúnico com ela. Nessa oportunidade, ele lhe perguntou se ela era a sua metade eterna. A mulher respondeu que não e que o espírito com que ele possuía maior afinidade estava encarnado na terra, vivendo, no Oriente, duras experiências.

O homem ficou muito abalado com o que ouvira porque, certamente, não estava esperando uma resposta como aquela uma vez que, enquanto viveram casados na terra, se amavam e se respeitavam. Assim, escreveu para Allan Kardec,pedindo esclarecimentos sobre a questão. Kardec responde ao missivista na Revista Espírita depois de ter consultado o Espírito que, na terra foi o Rei da França e canonizado como São Luiz e os espíritos Abelardo e Heloísa, casal conhecido por sua tragédia amorosa.

A resposta dos espíritos consultados a respeito da existência de almas-gêmeas foi negativa. Firmaram eles que os espíritos são criados individualmente e não aos pares. Falam, porém, em simpatias e afinidades que pode haver entre os espíritos, estreitando entre eles laços amorosos. Assim a expressão alma-gêmea deveria ser entendida como um figura de linguagem, uma metáfora que expressaria mais fortemente uma relação entre espíritos com grande afinidade.

A proposta de Jesus é que amemos uns aos outros como a nós mesmos,que repartamos igualmente nosso amor uns com os outros e a teoria das almas gêmeas possui um caráter demasiadamente exclusivista e,sendo assim, não seria adequada para quem acredita na promessa do Cristo de que, um dia,haverá um só rebanho e um só pastor.

Por José Carlos Leal

03 - METADES ETERNAS

Almas gêmeas e metades eternas

Apresentamos nesta edição o tema no 72 do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, que está sendo aqui apresentado semanalmente, de acordo com programa elaborado pela Federação Espírita Brasileira, estruturado em seis módulos e 147 temas.

Se o leitor utilizar este programa para estudo em grupo, sugerimos que as questões propostas sejam debatidas livremente antes da leitura do texto que a elas se segue.

Se destinado somente a uso por parte do leitor, pedimos que o interessado tente inicialmente responder às questões e só depois leia o texto referido. As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto abaixo.

Questões para debate

1. A teoria das “metades eternas” é verdadeira?

2. Que se deve entender por “almas gêmeas”?

3. Por que as almas gêmeas nem sempre permanecem juntas na realização de suas tarefas?

4. As almas gêmeas têm sempre o mesmo grau evolutivo?

5. O conceito de “almas gêmeas” significa o mesmo que “metades eternas”?

Texto para leitura

A expressão metades eternas constitui uma simples figura
1. A questão 298 d’ O Livro dos Espíritos nos diz que “não há união particular e fatal de duas almas”. “A união que há é a de todos os Espíritos, mas em graus diversos, segundo a categoria que ocupam, isto é, segundo a perfeição que tenham adquirido.”

2. Na questão seguinte da mesma obra, lê-se que não existem “metades eternas”. Se um Espírito fosse a metade de outro, separados estariam ambos incompletos. “A teoria das metades eternas encerra uma simples figura, representativa da união de dois Espíritos simpáticos. Trata-se de uma expressão usada até na linguagem vulgar e que se não deve tomar ao pé da letra.”

3. Reportando-se ao assunto, Emmanuel nos diz, nas questões 323 e seguintes do livro O Consolador, que, no sagrado mistério da vida, cada coração possui no Infinito a alma gêmea da sua, companheira divina para a viagem à gloriosa imortalidade.

As almas gêmeas se buscam, sempre que separadas

4. Criadas umas para as outras – afirma Emmanuel –, as almas gêmeas se buscam, sempre que separadas. A união perene é para elas a aspiração suprema e indefinível. Milhares de seres, se transviados no crime ou na inconsciência, experimentam a separação das almas que os sustentam, como a provação mais ríspida e dolorosa, e, no drama das existências mais obscuras, vemos sempre a atração eterna das almas que se amam intimamente. Quando se encontram, no acervo dos trabalhos humanos, sentem-se de posse da felicidade real para os seus corações – a da ventura de sua união. E a única amargura que lhes empana a alegria é a perspectiva de uma nova separação pela morte, perspectiva essa que a luz da Doutrina Espírita veio dissipar.

5. Não sabemos esclarecer a razão da atração existente entre dois Espíritos, a ponto de torná-los almas gêmeas. Para nós, o primeiro instante da criação do ser está mergulhado ainda num suave mistério, assim como a atração profunda e inexplicável que arrasta uma alma para outra, no instituto dos trabalhos, das experiências e das provas, no caminho infinito do Tempo.

6. Nem sempre as almas gêmeas se encontram no mesmo plano evolutivo. No livro Diário dos Invisíveis, de Zilda Gama, o Espírito de Victor Hugo diz que almas criadas na mesma era, iniciando “úteis peregrinações em mundos primitivos, e, depois, separadas em pontos diversos do globo terrestre, conservam, umas das outras, reminiscências indeléveis”. Às vezes, não se encontram em algumas de suas jornadas terrenas – quando uma delas comete delitos graves e retarda seu cinzelamento psíquico; outras há, porém, que, logo nos primórdios de uma existência, se reúnem e se reconhecem, fitando-se longamente, agrilhoadas, às vezes, pelo afeto de íntimo parentesco, nascidas sob o mesmo teto.

Almas gêmeas nada têm a ver com metades eternas

7. Acrescenta Victor Hugo (Espírito): “Quando compreendem que se revêem enfim, que os seus Espíritos foram germinados no mesmo instante, perlustraram o mesmo carreiro, tornaram-se gêmeos pelos laços perpétuos da afinidade – um júbilo intenso irradia-se nos seus íntimos qual uma alvorada espancando bruscamente as trevas de uma noite que parecia intérmina... Sim, as trevas em que jaziam antes de se reverem, pois as almas isoladas, incompreendidas, enquanto lhes falta a consócia que as deixou mutiladas, o lúcido fragmento que as integra por um consórcio celeste – o Amor, o vínculo estelífero que as torna inseparáveis por toda consumação dos séculos – ficam imersas em penumbra, asfixiadas em desalento, envoltas em brumas polares...”

8. No livro Renúncia, obra psicografada por Chico Xavier, Emmanuel conta-nos a história da luminosa entidade espiritual Alcíone, que se afasta, temporariamente, da elevada esfera onde residia para auxiliar sua alma gêmea Pólux. A história de Alcíone e Pólux é expressivo exemplo de Espíritos evolutivamente muito distanciados um do outro, mas que, por serem almas gêmeas, mantêm-se intimamente ligados.

9. É importante, porém, que fique claro o conceito de almas gêmeas. Como esclarece Emmanuel em Nota colocada na parte final de O Consolador, com a expressão “almas gêmeas” ele não quis dizer “metades eternas”. Em verdade, assevera o notável Instrutor espiritual, a tese é mais complexa do que parece ao primeiro exame e sugere mais vasta meditação às tendências do século, no capítulo do “divorcismo” e do “pansexualismo”, mas ninguém pode estribar-se no enunciado para desistir de veneráveis compromissos assumidos na escola redentora do mundo, sob pena de aumentar os próprios débitos.

Respostas às questões propostas

1. A teoria das “metades eternas” é verdadeira? R.: Segundo o ensino espírita, não existem “metades eternas”. Se um Espírito fosse a metade de outro, separados estariam ambos incompletos. A teoria das metades eternas encerra uma simples figura, representativa da união de dois Espíritos simpáticos.

2. Que se deve entender por “almas gêmeas”? R.: Almas gêmeas são, segundo Emmanuel, almas que se buscam, sempre que separadas, e para as quais a união perene é a aspiração suprema.

3. Por que as almas gêmeas nem sempre permanecem juntas na realização de suas tarefas? R.: No livro Diário dos Invisíveis, de Zilda Gama, o Espírito de Victor Hugo diz que isso se dá quando uma delas comete delitos graves e retarda seu cinzelamento psíquico, mas pode ocorrer também que o fato esteja ligado à necessidade que têm os Espíritos de passar por inumeráveis provas em seu processo evolutivo. A separação seria uma dessas provas.

4. As almas gêmeas têm sempre o mesmo grau evolutivo? R.: Não, nem sempre elas se encontram num mesmo nível evolutivo.

5. O conceito de “almas gêmeas” significa o mesmo que “metades eternas”? R.: Não. Como esclarece Emmanuel em Nota colocada na parte final de O Consolador, com a expressão “almas gêmeas” ele não quis dizer “metades eternas”. Em verdade, assevera o notável Instrutor espiritual, a tese é mais complexa do que parece ao primeiro exame e sugere mais vasta meditação às tendências do século, no capítulo do “divorcismo” e do “pansexualismo”, mas ninguém pode estribar-se no enunciado para desistir de veneráveis compromissos assumidos na escola redentora do mundo, sob pena de aumentar os próprios débitos.

Bibliografia:

O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, itens 298, 299 e 303.

O Consolador, de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier, questões 323 e 325, e Nota na pág. 233.

Renúncia, de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier, 4.a edição, págs. 15 e 25.

Diário dos Invisíveis, por diversos Espíritos, psicografado por Zilda Gama, 2.a edição, págs. 129 e 130.

03 - METADES ETERNAS

Qual a diferença entre almas gemeas e metades eternas?

No espiritismo, "almas gemeas" tem o significado de almas que possuem muita afinidade em comum. Essa afinidade mútua pode, ou não, ter sido desenvolvida atraves de reencarnações em que ambas estiveram juntas.

Fora do espiritismo, em outras doutrinas de cunho espiritualista, o conceito de almas gemeas é similar ao de "metades eternas": 2 almas que, na origem, eram uma só e que, por algum motivo, essa alma singular foi partida, dividindo-se em duas, as quais desde então procuram-se mutuamente, ao longo das multiplas encarnações. Ressaltamos que o espiritismo não compartilha dessa opiniao, pois as almas sao singulares desde o inicio de sua criação e assim permanecem ao longo das encarnações.

Caso queira mais detalhes, sugerimos os livros "Emmanuel", pág.185 questão 323 , e "O Livro dos Espíritos", questão 299.

04 - METADES ETERNAS

VII – Relações Simpáticas e Antipáticas dos Espíritos – Metades Eternas

291. Além da simpatia geral, determinada pelas semelhanças, há afeições particulares entre os Espíritos?

— Sim, como entre os homens. Mas o liame que une os Espíritos é mais forte na ausência do corpo, porque não está mais exposto às vicissitudes das paixões.

292. Há aversões entre os Espíritos?

— Não há aversões senão entre os Espíritos impuros, e são estes que excitam entre vós as inimizades e as dissensões.

293. Dois seres que foram inimigos na Terra conservarão os seus ressentimentos no mundo dos Espíritos?

— Não; compreenderão que sua dissensão era estúpida e o motivo, pueril. Apenas os Espíritos imperfeitos conservam uma espécie de animosidade, até que se purifiquem. Se não foi senão um interesse material o que os separou, não pensarão mais nele por pouco desmaterializados que estejam. Se não houver antipatia entre eles, o motivo da dissensão não mais existindo, podem rever-se com prazer.

Comentário de Kardec: Da mesma maneira que dois escolares, chegando à idade da razão, reconhecem a puerilidade de suas brigas infantis e deixam de se malquerer.

294. A lembrança das más ações que dois homens cometeram, um contra o outro, é obstáculo à sua simpatia?

— Sim, ela os leva a se distanciarem.

295. Que sentimento experimentam, após a morte, aqueles a quem fizemos mal neste mundo?

— Se são bons, perdoam, de acordo com o vosso arrependimento. Se são maus, podem conservar o ressentimento, e por vezes vos perseguir até numa outra existência. Deus pode permiti-lo, como um castigo.

296. As afeições dos Espíritos são suscetíveis de alteração?

— Não, porque eles não podem enganar-se, não usam mais a máscara

sob a qual se ocultam os hipócritas, e é por isso que as suas afeições são inalteráveis, quando eles são puros. O amor que os une é para eles fonte de uma suprema felicidade.

297. A afeição que dois seres mantiveram na Terra prossegue sempre no mundo dos Espíritos?

— Sim, sem dúvida, se ela se baseia numa verdadeira simpatia: mas se as causas de ordem física tiverem maior influência que a simpatia, ela cessa com as causas. As afeições, entre os Espíritos, são mais sólidas e mais duráveis que na Terra, porque não estão subordinadas ao capricho dos interesses materiais e do amor-próprio.

298. As almas que se devem unir estão predestinadas a essa união desde a sua origem, e cada um de nós tem, em alguma parte do Universo, a sua metade, à qual algum dia se unirá fatalmente?

— Não; não existe união particular e fatal entre duas almas. A união existe entre os Espíritos, mas em graus diferentes, segundo a ordem que ocupam, ou seja, de acordo com a perfeição que adquiriram: quanto mais perfeitos, tanto mais unidos. Da discórdia nascem todos os males humanos; da concórdia resulta felicidade completa.

299. Em que sentido se deve entender a palavra metade, de que certos Espíritos se servem para designar os Espíritos simpáticos?

—A expressão é inexata; se um Espírito fosse a metade de outro, quando separado estaria incompleto.

300. Dois Espíritos perfeitamente simpáticos quando reunidos ficarão assim pela eternidade ou podem separar-se e unir-se a outros Espíritos?

— Todos os Espíritos são unidos entre si. Falo dos que já atingiram a perfeição. Nas esferas inferiores, quando um Espírito se eleva, já não tem a mesma simpatia pêlos que deixou.

301. Dois Espíritos simpáticos são o complemento um do outro, ou essa simpatia é o resultado de uma afinidade perfeita?

— A simpatia que atrai um Espírito para outro é o resultado da perfeita concordância de suas tendências, de seus instintos; se um. devesse completar o outro, perderia a sua individualidade.

302. A afinidade necessária para a simpatia perfeita consiste apenas na semelhança dos pensamentos e sentimentos, ou também na uniformidade dos conhecimentos adquiridos?

— Na igualdade dos graus de elevação.

303. Os Espíritos que hoje não são simpáticos podem sê-lo mais tarde?

— Sim, todos o serão. Assim, o Espírito que está numa determinada esfera inferior, quando se. aperfeiçoar, chegará à esfera em que se encontra o outro. Seu encontro se realizará mais prontamente se o Espírito mais elevado, suportando mal as provas a que se submetera, tiver permanecido no mesmo estado.

303 – a) Dois Espíritos simpáticos podem deixar de sê-lo?

— Certamente, se um deles é preguiçoso.

Comentário de Kardec: A teoria das metades eternas é uma imagem que representa a união de dois Espíritos simpáticos. E uma expressão usada até mesmo na linguagem vulgar e que não deve ser tomada ao pé da letra. Os Espíritos que dela se servem não pertencem à ordem mais elevada. A esfera de suas idéias é necessariamente limitada, e exprimiram o seu pensamento pelos termos de que se teriam servido na vida corpórea É necessário rejeitar esta idéia de que dois Espíritos, criados um para o outro devem um dia fatalmente reunir-se na eternidade, após terem permanecido separados durante um lapso de tempo mais ou menos longo.