MIGRAÇÕES
BIBLIOGRAFIA
01- A REENCARNAÇÃO COMO LEI BIOLÓGICA, pag. 93 02 -

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MIGRAÇÕES – COMPILAÇÃO

01 - MIGRAÇÕES

Emigrações e imigrações dos espíritos (itens 35 a 37) (Estudo 77 de 136)

1.- No intervalo de suas existências corporais, os espíritos ficam no estado de erraticidade e formam a população espiritual da Terra. Pelas mortes e pelos nascimentos dos corpos físicos, as duas populações, terrestre e espiritual, trocam de posição incessantemente. Há, pois, diariamente, emigrações do mundo corpóreo para o mundo espiritual e imigrações deste para aquele: é o estado normal.

2.- Em determinadas épocas ditadas pela sabedoria divina, essas emigrações e imigrações operam-se em grandes quantidades, em virtude de revoluções que ocasionam a partida simultânea de grande número de espíritos, logo substituídos por equivalentes quantidades de encarnações. Os flagelos destruidores e os cataclismos devem, portanto, considerar-se como ocasiões de chegadas e partidas coletivas, meios providenciais de renovamento da população corporal do globo, de ela se retemperar pela introdução de novos elementos espirituais mais depurados.

3.- Na destruição de grande número de corpos que se verifica por essas catástrofes, nada mais há do que rompimento de vestiduras. Nenhum espírito perece: eles apenas mudam de planos. Em vez de partirem isoladamente, partem em bandos. Essa a única diferença, visto que, por uma causa ou por outra, fatalmente têm que partir, cedo ou tarde.

4.- As renovações rápidas, quase instantâneas, que se produzem no elemento espiritual da população, por efeito dos flagelos destruidores, apressam o progresso social. Sem as emigrações e imigrações que de tempos a tempos lhe vêm dar violento impulso, só com extrema lentidão esse progresso se realizaria.

5.- Essa transfusão que se efetua entre a população encarnada e desencarnada de um planeta, igualmente se efetua entre os mundos, quer individualmente, nas condições normais, quer por massas, em circunstâncias especiais. Há, pois, emigrações e imigrações coletivas de um mundo para outro, donde resulta a introdução, na população de um deles, de elementos inteiramente novos.

6.- As novas raças de espíritos que vêm se misturar às existentes constituem novas raças de homens. Como os espíritos nunca mais perdem o que adquiriram, trazem consigo sempre a inteligência e a intuição dos conhecimentos que possuem, o que faz que imprimam o caráter que lhes é peculiar à raça corpórea que venham animar. Para isso, só necessitam de que novos corpos sejam criados para serem por eles usados. Em chegando à Terra, integram-lhe, a princípio, a população espiritual. Depois, encarnam, como os outros.

QUESTÕES PARA ESTUDO

a) O que são "emigrações e imigrações dos espíritos" e quais os tipos existentes?

b) Qual o objetivo das migrações coletivas?

c) E das migrações entre os Planetas?

02 - MIGRAÇÕES

O Espiritismo entre os Druidas
Revista Espírita, abril de 1858

Sob esse título: O velho novo, o senhor Edouard Fournier publicou, no Século, há uns dez anos, uma série de artigos tão notáveis, do ponto de vista da erudição, quanto interessantes sob o aspecto histórico. O autor, passando em revista todas as invenções e descobertas modernas, prova que se nosso século tem o mérito da aplicação e do desenvolvimento, não tem, pelo menos para a maioria, o da prioridade. À época em que o senhor Edouard Fournier escrevia o seu folhetim, não havia, ainda, a questão dos Espíritos, sem o que não teria deixado de nos mostrar que tudo o que se passa hoje não é senão uma repetição do que os Antigos sabiam muito bem, e talvez melhor do que nós. E o lastimamos por nossa conta, porque as suas profundas investigações lhe teriam permitido pesquisar a antigüidade mística, como pesquisou-se a antigüidade industrial; fazemos coro para que um dia dirija para esse lado suas laboriosas pesquisas. Quanto a nós, nossas observações pessoais não nos deixam nenhuma dúvida sobre a antigüidade e a universalidade da doutrina que os Espíritos nos ensinam. Essa coincidência entre o que nos dizem hoje e as crenças dos mais recuados tempos, é um fato significativo da mais alta importância. Faremos notar, todavia, que, se encontramos por toda parte traços da Doutrina Espírita, em nenhuma parte a vemos completa: parece haver sido reservado à nossa época coordenar esses fragmentos esparsos entre todos os povos, para chegar à unidade de princípios, no meio de um conjunto mais completo e, sobretudo, mais geral de manifestações, que parecem dar razão ao autor do artigo que citamos mais acima, sobre o período psicológico no qual a Humanidade parece entrar.

A ignorância e os preconceitos, quase por toda parte, desfiguraram essa doutrina, cujos princípios fundamentais estão misturados a práticas supersticiosas de todos os tempos, exploradas para sufocar a razão. Mas sob esse montão de absurdos, germinam as mais sublimes idéias, como sementes preciosas ocultas sob os estorvos, e não esperando senão a luz vivificante do Sol para alçar seu vôo. Nossa geração, mais universalmente esclarecida, descarta os estorvos, mas um tal cultivo não pode se cumprir sem transição. Deixemos, pois, às boas sementes, o tempo de se desenvolverem, e às más ervas o de desaparecerem. A doutrina druídica nos oferece um curioso exemplo do que acabamos de dizer. Essa doutrina, da qual conhecemos somente as práticas exteriores, se elevava, sob certos aspectos, até as mais sublimes verdades; mas essas verdades eram apenas para os seus iniciados: o vulgo, terrificado pelos sangrentos sacrifícios, colhia com um santo respeito o visgo sagrado do carvalho, e não via senão a fantasmagoria. Isso se poderá julgar pela citação seguinte, extraída de um documento tanto mais precioso quanto é pouco conhecido, e que lança uma luz inteiramente nova sobre a verdadeira teologia de nossos pais.

"Entregamos, à reflexão dos nossos leitores, um texto céltico publicado há pouco e cuja aparição causou uma certa emoção no mundo sábio. É impossível saber, ao certo, quem lhe foi o autor, nem mesmo a que século remonta. Mas, o que é incontestável, é que pertence à tradição dos bardos do país de Galles, e essa origem basta para lhe conferir um valor de primeira ordem.

"Sabe-se, com efeito, que o país de Galles se constitui, ainda em nossos dias, no mais fiel abrigo da nacionalidade gaulesa, que, entre nós, experimentou modificações tão profundas. Apenas roçado pela dominação romana, que aí não toca senão por pouco tempo e fracamente; preservado da invasão dos bárbaros pela energia dos seus habitantes e pelas dificuldades do seu território; submetido, mais tarde, pela dinastia normanda, que deveu, todavia, lhe deixar um certo grau de independência, o nome de Galles, Gallia, que sempre ostentou, é um traço distintivo pelo qual ele se prende, sem descontinuidade, ao período antigo. A língua kymrique, falada outrora em toda a parte setentrional da Gaule, jamais cessou de aí estar em uso, e muitos dos costumes são igualmente gauleses. De todas as influências estrangeiras, a do Cristianismo foi a única que encontrou meio de aí triunfar plenamente; mas não o foi sem muitas dificuldades relativamente à supremacia da Igreja romana, cuja reforma do décimo-sexto século não fez mais do que determinar a queda, desde há muito tempo preparada, nessas regiões cheias de um sentimento indefectível de independência.

"Pode-se mesmo dizer que os druidas, convertendo-se inteiramente ao Cristianismo, não se extinguiram totalmente no país de Galles, como na nossa Bretagne, e em outros países de sangue gaulês. Tiveram, por conseqüência imediata, uma sociedade muito solidamente constituída, votada principalmente, em aparência, ao culto da poesia nacional, mas que, sob o manto poético, conservou com fidelidade notável a herança intelectual da antiga Gaule: foi a Sociedade bárdica do país de Galles, que, depois de se manter como sociedade secreta durante toda a duração da Idade Média, por uma transmissão oral dos seus monumentos literários e da sua doutrina, à imitação das práticas dos druidas, decidiu, entre o décimo-sexto e o décimo-sétimo século, confiar à escrita as partes mais essenciais dessa herança. Desse fundo, cuja autenticidade está assim atestada por uma cadeia tradicional ininterrupta, procede o texto do qual falamos; e seu valor, em razão dessas circunstâncias, não depende, como se vê, nem da mão que teve o mérito de colocá-lo por escrito, nem da época na qual a sua redação pôde ter adquirido sua última forma. O que nele respira, acima de tudo, é o espírito dos bardos da Idade Média, que, eles mesmos, eram os últimos discípulos dessa corporação sábia e religiosa que, sob o nome de druidas, dominou a Gaule, durante o primeiro período da sua história, quase do mesmo modo que o clero latino durante o da Idade Média.

"Estar-se-ia mesmo privado de toda luz sobre a origem do texto, do qual se trata, se não se o tivesse colocado, bastante claramente, no caminho, em face do seu acordo com as informações que os autores, gregos e latinos, nos deixaram relativamente à doutrina religiosa dos druidas. Esse acordo constitui pontos de solidariedade que não sofrem nenhuma dúvida, porque se apóiam sobre as razões tiradas da própria substância do escrito; e a solidariedade assim demonstrada pelos artigos capitais, os únicos dos quais os Antigos nos falaram, se estende, naturalmente, aos desenvolvimentos secundários. Com efeito, esses desenvolvimentos, penetrados do mesmo espírito, derivam necessariamente da mesma fonte; fazem corpo com o fundo e não podem se explicar senão por ele. E, ao mesmo tempo que remontam, por uma geração tão lógica, aos depositários primitivos da religião druídica, é impossível lhes assinalar algum outro ponto de partida; porque, fora da influência druídica, o país do qual provêm não conheceu senão a influência cristã, que é inteiramente estranha a tais doutrinas.

"Os desenvolvimentos contidos nas tríades, estão mesmo tão perfeitamente fora do Cristianismo que o pouco de emoções cristãs, que escapam aqui e ali, em seu conjunto se distinguem do fundo primitivo à primeira vista. Essas emanações, ingenuamente saídas da consciência dos bardos cristãos, puderam, se assim se pode dizer, se intercalar nos interstícios da tradição, mas não puderam nela se fundir. A análise do texto é, pois, tão simples quanto rigorosa, uma vez que pode se reduzir em se apartar tudo o que traz a marca do Cristianismo, e, uma vez operada a triagem, deve-se considerar como de origem druídica tudo o que ficar visivelmente caracterizado por uma religião diferente da do Evangelho e dos concilies. Assim, para não citar senão o essencial, partindo desse princípio bastante conhecido de que o dogma da caridade, em Deus e nos homens, é tão especial ao Cristianismo quanto o da migração das almas o é ao antigo druidismo, um certo número de tríades, nas quais respire um espírito de amor que a Gaule primitiva jamais conheceu, se trairiam imediatamente como sinais de um caráter comparativamente moderno; ao passo que as outras, animadas por um sopro diferente, deixam ver tanto melhor a marca da alta antigüidade que as distingue.

"Enfim, não é inútil fazer observar que a própria forma do ensinamento contido nas tríades é de origem druídica. Sabe-se que os druidas tinham uma predileção particular pelo número três, e o empregavam especialmente, assim como no-lo mostram a maioria dos monumentos gauleses, para a transmissão de suas lições que, mediante essa forma precisa, se gravavam mais facilmente na memória. Diogène Laérce nos conservou uma dessas tríades que resume, sucintamente, o conjunto dos deveres do homem para com a Divindade, para com seus semelhantes e para consigo mesmo: "Honrar os seres superiores, não cometer injustiça, e cultivar em si a virtude viril." A literatura dos bardos propagou, até nós, uma multidão de aforismos do mesmo gênero, tocando todos os ramos do saber humano: ciência, história, moral, direito, poesia. Não há de mais interessantes nem de mais próprias para inspirarem grandes reflexões do que aquelas das quais aqui publicamos o texto, segundo a tradução que foi feita pelo senhor Adolphe Pictet.

"Dessa série de tríades, as onze primeiras estão consagradas à exposição dos atributos característicos da Divindade. Foi nessa seção que as influências cristãs, como era fácil de se prever, tiveram maior ação. Se não se pode negar que o druidismo tenha conhecido o princípio da unidade de Deus, pode ser mesmo que, em conseqüência de sua predileção pelo número ternário, pôde se elevar a conceber, confusamente, alguma coisa da divina triplicidade; todavia, é incontestável de que o que completa essa alta concepção teológica - saber a distinção das pessoas e particularmente da terceira - deveu restar perfeitamente estranho a essa antiga religião. Tudo concorda em provar que os seus sectários estavam muito mais preocupados em estabelecer a liberdade do homem, do que em estabelecer a caridade; e foi mesmo em conseqüência dessa falsa posição de seu ponto de partida que pereceu. Também parece permitido se relacionar a uma influência cristã, mais ou menos determinada, todo esse início, principalmente a partir da quinta tríade.

"Em seguida aos princípios gerais, relativos à natureza de Deus, o texto passa a expor a constituição do Universo. O conjunto dessa constituição está superiormente formulado em três tríades que, mostrando os seres particulares em uma ordem absolutamente diferente da de Deus, completam a idéia que se deve formar do Ser único e imutável. Sob formas mais explícitas, essas tríades não fazem, de resto, senão o que já se sabia pelos testemunhos dos Antigos, da doutrina sobre a circulação das almas passando, alternativamente, da vida para a morte e da morte para a vida. Pode-se considerá-las como o comentário de um verso célebre da Pharsale, na qual o poeta se exclama, dirigindo-se aos sacerdotes da Gaule, que, se o que ensinam é verdadeiro, a morte não é senão o meio de uma longa vida: Longae vitae mors media est.

DEUS E O UNIVERSO
I. - Há três unidades primitivas, e de cada uma delas não se poderia ter senão uma só: um Deus, uma verdade, um ponto de liberdade, quer dizer, o ponto onde se encontra o equilíbrio de toda a oposição.

II. - Três coisas procedem de três unidades primitivas: toda vida, todo bem e todo poder.

III. - Deus é, necessariamente, três coisas, a saber: a maior parte da vida, a maior parte da ciência, e a maior parte do poder; e não poderia ter uma maior parte de cada coisa.

IV. - Três coisas que Deus não pode não ser: o que deve constituir o bem perfeito, o que deve querer o bem perfeito, e o que deve cumprir o bem perfeito.

V. - Três garantias daquilo que Deus fez e fará: seu poder infinito, sua sabedoria infinita, seu amor infinito; porque não há nada que não possa ser efetuado, que não possa se tornar verdadeiro, e que não possa ser desejado por um atributo.

VI. - Três fins principais da obra de Deus, como criador de todas as coisas: diminuir o mal, reforçar o bem, e pôr em evidência toda diferença; de tal sorte que se possa saber o que deve ser, ou, ao contrário, o que não deve ser.

VII. - Três coisas que Deus não pode não conceder: o que há de mais vantajoso, o que há de mais necessário, e o que há de mais belo para cada coisa.

VIII. - Três poderes da existência: não poder ser de outro modo, não ser necessariamente outro, não poder ser melhor pela concepção; e é nisso que está a perfeição de toda coisa.

IX. - Três coisas prevalecerão necessariamente: o supremo poder, a suprema inteligência, e o supremo amor de Deus.

X. - As três grandezas de Deus: vida perfeita, ciência perfeita, poder perfeito.

XI. - Três causas originais dos seres vivos: o amor divino de acordo com a suprema inteligência, a sabedoria suprema pelo conhecimento perfeito de todos os meios, e o poder divino de acordo com a vontade, o amor e a sabedoria de Deus.

OS TRÊS CÍRCULOS
XII. - Há três círculos da existência: o círculo da região vazia (ceugant), onde, exceto Deus, não há nada de vivo, nem de morto, e nenhum ser que Deus não possa atravessá-lo; o círculo da migração (abred), onde todo ser animado procede da morte, e o homem o atravessou; e o círculo da felicidade (gwynfyd), onde todo ser animado procede da vida, e o homem o atravessará no céu.

XIII. - Três estados sucessivos de seres animados: o estado de descida no abismo (annoufn), o estado de liberdade na humanidade, e o estado de felicidade no céu.

XIV. - Três fases necessárias de toda existência com relação à vida: o começo em annoufn, a transmigração em abred, e a plenitude em gwynfyd; e sem essas três coisas ninguém pode existir, exceto Deus.

"Assim, em resumo, sobre esse ponto capital da teologia cristã, de que Deus, pelo seu poder criador, tira as almas do nada, as tríades não se pronunciam de modo preciso. Depois de mostrarem Deus em sua esfera eterna e inacessível, mostram simplesmente as almas nascendo no fundo do Universo, no abismo (annoufn); daí, essas almas passam no círculo de migrações (abred), onde seu destino se determina através de uma série de existências, conforme o uso bom ou mau que fizerem da sua liberdade; enfim, elas se elevam ao círculo supremo (gwynfyd), onde as migrações cessam, onde não se morre mais, onde a vida se passa doravante na felicidade, conservando em tudo sua atividade perpétua e a plena consciência da sua individualidade. É preciso, para isso, com efeito, que o druidismo caia no erro das teologias orientais, que conduzem o homem a se absorverem finalmente no seio imutável da Divindade; porque distingue, ao contrário, um círculo especial, o círculo do vazio ou do infinito (ceugant), que forma o privilégio incomunicável do Ser supremo, e no qual nenhum ser, qualquer que seja o seu grau de santidade, jamais é admitido penetrar. É o ponto mais elevado da religião, porque marca o limite colocado ao vôo das criaturas.

"O traço mais característico dessa teologia, se bem que seja um traço puramente negativo, consiste na ausência de um círculo particular, tal qual o Tártaro da antigüidade paga, destinado à punição sem fim das almas criminosas. Entre os druidas, o inferno propriamente dito não existe. A distribuição dos castigos se efetua, aos seus olhos, no círculo das migrações pelo compromisso das almas em condições de existência mais ou menos infelizes, onde, sempre senhoras da sua liberdade, expiam suas faltas pelo sofrimento, e se dispõem, pela reforma dos seus vícios, a um futuro melhor. Em certos casos, pode mesmo ocorrer que as almas retrocedam até aquela região de annoufn, onde tomam nascimento, e à qual não parece muito possível dar outra significação que a da animalidade. Por esse lado perigoso (a retrogradação), e que nada justifica, uma vez que a diversidade das condições de existência no círculo da humanidade, basta perfeitamente à penalidade de todos os graus, o druidismo teria, pois, chegado a deslizar até à metempsicose. Mas esse extremismo deplorável, ao qual não conduz nenhuma necessidade da doutrina do desenvolvimento das almas pelo caminho de migrações, parece, como se julgará pela seqüência das tríades relativas ao regime do círculo de abred, não ter ocupado, no sistema da religião, senão um lugar secundário.

"À parte algumas obscuridades, que se prendem talvez às dificuldades de uma língua cujas profundezas metafísicas não nos são ainda bem conhecidas, as declarações das tríades, tocando as condições inerentes ao círculo de abred, derramam as mais vivas luzes sobre o conjunto da religião druídica. Nela se sente respirar o sopro de uma originalidade superior. O mistério que oferece à nossa inteligência o espetáculo da nossa existência presente, nela toma um jeito singular que não se vê em nenhuma parte, e se diria que um grande véu se rasgando, adiante e atrás da vida, a alma se sente, de repente, nadar, com uma força inesperada, através de uma extensão indefinida que, em seu cativeiro entre as portas espessas do nascimento e da morte, ela não era capaz de supor por si mesma. A qualquer julgamento que se detenha, sobre a verdade dessa doutrina, não se pode deixar de convir que não seja uma doutrina poderosa; e, refletindo no efeito que devia, inevitavelmente, produzir sobre as almas inocentes tais aberturas sobre a sua origem e o seu destino, é fácil se dar conta da imensa influência que os druidas, naturalmente, haviam adquirido sobre os espíritos de nossos pais. No meio das trevas da antigüidade, esses ministros sacros não podiam deixar de aparecer, aos olhos das populações, como os reveladores do céu e da terra.

"Eis o texto notável, do qual se trata:

O CÍRCULO DE ABRED
XV. - Três coisas necessárias no círculo de abred: o menor grau possível de toda a vida, e daí seu começo; a matéria de todas as coisas, e daí o crescimento progressivo, o qual não pode se operar senão no estado de necessidade; e a formação de todas as coisas da morte, e daí a debilidade das existências.

XVI. - Três coisas nas quais todo ser vivo participa, necessariamente, pela justiça de Deus: o socorro de Deus em abred, porque sem isso ninguém não poderia conhecer nenhuma coisa; o privilégio de ter parte no amor de Deus; e o acordo com Deus quanto ao cumprimento pelo poder de Deus, tanto quanto for justo e misericordioso.

XVII. - Três causas da necessidade do círculo de abred: o desenvolvimento da substância material de todo ser animado; o desenvolvimento do conhecimento de toda coisa; e o desenvolvimento da força moral .para superar todo contrário e Cythraul (o mau Espírito) e para se livrar de Droug (o mal). E sem essa transição de cada estado de vida, não poderia isso ter cumprimento por nenhum ser.

XVIII. - Três calamidades primitivas de abred: a necessidade, a ausência de memória, e a morte.

XIX. - Três condições necessárias para se chegar à plenitude da ciência: transmigrar em abred, transmigrar em gwynfyd, e recordar-se de todas as coisas passadas, até em annoufn.

XX. - Três coisas indispensáveis no círculo de abred: a transgressão da lei, porque isso não pode ser de outro modo; libertação pela morte, diante de Droug e Cythraul; o crescimento da vida e do bem pelo afastamento de Droug na libertação da morte; e isso pelo amor de Deus que abarca todas as coisas.

XXI. - Três meios eficazes de Deus em abred, para dominar Droug e Cythraul e superar sua oposição com relação ao círculo de gwynfyd: a necessidade, a perda da memória e a morte.

XXII. - Três coisas são primitivamente contemporâneas: o homem, a liberdade e a luz.

XXIII. - Três coisas necessárias para o triunfo do homem sobre o mal: a firmeza contra a dor, a transformação, a liberdade de escolher; e com o poder que tem o homem de escolher, não se pode saber, antecipadamente, com certeza onde irá.

XXIV. - Três alternativas oferecidas ao homem: abred e gwynfyd, necessidade e liberdade, mal e bem; o todo em equilíbrio, o homem pode, à vontade, se ligar a um ou ao outro.

XXV. - Por três coisas o homem cai sob a necessidade de abred: pela ausência de esforço até o conhecimento, pelo desapego ao bem, pelo apego ao mal. Em conseqüência dessas coisas, desce em abred até seu análogo, e recomeça o curso da sua transmigração.

XXVI. - Por três coisas o homem desce de novo, necessariamente, em abred, se bem que, a todo outro respeito esteja ligado ao que é bom: pelo orgulho, cai até annoufn: pela falsidade, até o ponto de demérito equivalente, e pela crueldade, até o grau correspondente de animalidade. Daí transmigra de novo para a humanidade, como antes.

XXVII. - As três coisas principais para se obter no estado de humanidade: a ciência, o amor, a força moral, no mais alto grau possível de desenvolvimento, antes que sobrevenha a morte. Isso não pode ser obtido anteriormente ao estado de humanidade, e não pode ser senão pelo privilégio da liberdade e da escolha. Essas três coisas são chamadas de três vitórias.

XXVIII. - Há três vitórias sobre Croug e Cythraul: a ciência, o amor, e a força moral; porque o saber, o querer e o poder, cumprem o que quer que seja em sua conexão com as coisas. Essas três vitórias começam na condição de humanidade e continuam eternamente.

XXIX. - Três privilégios da condição do homem: o equilíbrio do bem e do mal, e daí a faculdade de comparar; a liberdade na escolha, e daí o julgamento e a preferência; e o desenvolvimento da força moral, em conseqüência do julgamento, e daí a preferência. Essas três coisas são necessárias para cumprir o que quer que seja.

"Assim, em resumo, o início dos seres no seio do Universo ocorre no ponto mais baixo da escala da vida; e se não é levar muito longe as conseqüências da declaração contida na vigésima-sexta tríada, pode-se conjecturar que, na doutrina druídica, esse ponto inicial está considerado como situado no abismo confuso e misterioso da animalidade. Daí, por conseqüência, desde a própria origem da história da alma, há necessidade lógica do progresso, uma vez que os seres não estão destinados por Deus para demorarem numa condição tão baixa e tão obscura. Entretanto, nos estágios inferiores do Universo, esse progresso não se desenrola seguindo uma linha contínua; essa longa existência, nascida tão baixo para se elevar tão alto, se quebra em fragmentos, solidários no fundo da sua sucessão, mas do qual, graças ao defeito de memória, a misteriosa solidariedade escapa, ao menos por um tempo, à consciência do indivíduo. São as interrupções periódicas no curso secular da vida, que constituem o que chamamos a morte; de sorte que a morte e o nascimento que, por uma consideração superficial, formam acontecimentos tão diferentes, não são, em realidade, senão as duas faces do mesmo fenômeno, uma voltando para o período que se acaba, a outra para o período que se segue.

"Desde então a morte, considerada em si mesma, não é, pois, uma calamidade verdadeira, mas um benefício de Deus, que, rompendo os hábitos muito estreitos que havíamos contraído com nossa vida presente, nos transporta em novas condições e dá lugar, por aí, para nos elevarmos mais livremente a novos progressos.

"Do mesmo modo que a morte, a perda de memória que a acompanha não deve ser tomada não mais que por um benefício. É uma conseqüência do primeiro ponto; porque se a alma, no curso dessa longa vida, conservasse claramente essas lembranças de um período a outro, a interrupção não seria mais do que acidental, e não haveria, propriamente dito, nem morte, nem nascimento, uma vez que esses dois acontecimentos perderiam, desde então, o cará ter absoluto que os distingue e faz a sua força. E mesmo, não parece difícil perceber diretamente, tomando o ponto de vista dessa teologia, em que a perda da memória, no que toca aos períodos passados, pode ser considerada como um benefício relativamente ao homem, em sua condição presente; porque se esses períodos passados, como a posição atual do homem em um mundo de sofrimento se lhe torna a prova, foram infelizmente manchados de erros e de crimes, causa primeira das misérias e das expiações de hoje, é, evidentemente, uma vantagem para a alma de se encontrar descarregada da visão duma tão grande multidão de faltas e, ao mesmo tempo, de 'remorsos muito acabrunhantes que delas se originam. Não o obrigando a um arrependimento formal senão relativamente às culpas da sua vida atual, compadecendo-se, assim, de sua fraqueza, Deus lhe concede, efetivamente, uma grande graça.

"Enfim, segundo esse mesmo modo de considerar o mistério da vida, as necessidades de todas as naturezas às quais estamos sujeitos neste mundo, e que, desde o nosso nascimento, determinam, por uma sentença por assim dizer fatal, a forma da nossa existência no presente período, constituem um último benefício tão bastante sensível quanto os outros dois; porque são, em definitivo, essas necessidades que dão, à nossa vida, o caráter que melhor convém às nossas expiações e às nossas provas e, por conseguinte, ao nosso desenvolvimento moral; e são também essas mesmas necessidades, seja de nossa organização física, seja de circunstâncias exteriores ao meio no qual estamos colocados, que, em nos conduzindo forçosamente ao termo da morte, nos conduzem, por isso mesmo, à nossa suprema libertação. Em resumo, como dizem as tríades em sua enérgica concisão, está aí todo o conjunto e as três calamidades primitivas, e os três meios eficazes de Deus em abred.

"Entretanto, mediante qual conduta a alma se eleva, realmente, nesta vida, e merece alcançar, depois da morte, um mundo superior de existência? A resposta que o Cristianismo dá a essa questão fundamental é conhecida de todos: é sob a condição de desfazer, em si, o egoísmo e o orgulho, de desenvolver, na intimidade da sua substância, as forças da humildade e da caridade, únicas eficazes, únicas meritórias diante de Deus: Bem-aventurados os brandos, disse o Evangelho, bem-aventurados os humildes! A resposta do druidismo é bem diferente, e contrasta claramente com esta. Segundo suas lições, a alma se eleva na escala das existências sob a condição de fortificar, pelo seu trabalho, sobre ela mesma, sua própria personalidade, e é um resultado que ela obtém naturalmente, pelo desenvolvimento da força do caráter junto ao desenvolvimento do saber. É o que exprime a vigésima-quinta tríade, que declara que a alma cai na necessidade de transmigrações, quer dizer, em vidas confusas e mortais, não somente pela manutenção de más paixões, mas pelo hábito da frouxidão no cumprimento de ações justas, pela falta de firmeza na adesão ao que prescreve a consciência, em uma palavra, pela fraqueza de caráter; além desse defeito de virtude moral, a alma está ainda retida, em seu vôo para o céu, por falta do aperfeiçoamento do Espírito. A iluminação intelectual, necessária para a plenitude da felicidade, não se opera simplesmente, na alma bem-aventurada, por uma irradiação nela, do alto, toda gratuita; ela não se produz na vida celeste se a alma, ela mesma, não soube fazer esforços nesta vida para adquiri-la. Também a tríade não fala unicamente da falta de saber, mas da falta de esforços para saber, o que é, no fundo, como para a precedente virtude, um preceito de atividade e de movimento.

"Em verdade, nas tríades seguintes, a caridade se encontra recomendada, no mesmo título que a ciência e a força moral; mas aqui ainda, como ao que toca à natureza divina, a influência do Cristianismo é sensível. É a ele, e não à forte mas dura religião dos nossos pais, que pertence a pregação e a intronização, no mundo, da lei da caridade em Deus e no homem; e se essa lei brilha nas tríades, é por uma aliança com o Evangelho, ou, por melhor dizer, por um feliz aperfeiçoamento da teologia dos druidas pela ação da dos apóstolos, e não por uma tradição primitiva. Retiremos esse divino raio, e teremos, na sua rude grandeza, a moral da Gaule, moral que pôde produzir, na ordem do heroísmo e da ciência, poderosas personalidades, mas que não soube uni-las entre si com a multidão dos humildes (1). (1) Extraído do Magasin pittoresque, 1857.

A Doutrina Espírita não consiste somente na crença das manifestações dos Espíritos, mas em tudo o que nos ensinam sobre a natureza e o destino da alma. Se, pois, se quiser se reportar aos preceitos contidos em O Livro dos Espíritos, onde se encontra formulado todo o seu ensinamento, impressionar-se-á com a identidade de alguns princípios fundamentais com os da doutrina druídica, dos quais um dos mais salientes e sem contradita, é o da reencarnação. Nos três círculos, nos três estados sucessivos dos seres animados, encontramos todas as fases que apresenta a nossa escala espírita. O que é, com efeito, o círculo de abred ou da migração, senão as duas ordens de Espíritos que se depuram em suas existências sucessivas? No círculo de gwynfyd, o homem não transmigra mais, goza da suprema felicidade. Não é a primeira ordem da escala, a dos Espíritos que, tendo cumprido todas as provas, não têm mais necessidade de encanação e gozam da vida eterna? Anotemos, ainda, que, segundo a doutrina druídica, o homem conserva o seu livre arbítrio; se eleva gradualmente pela sua vontade, sua perfeição progressiva e as provas que suporta, de annoufn ou abismo, até a perfeita felicidade em gwynfyd, com a diferença, no entanto, de que o druidismo admite o retorno possível nas classes inferiores, ao passo que, segundo o Espiritismo, o Espírito pode permanecer estacionário, mas não pode degenerar. Para completar a analogia, teríamos que acrescentar à nossa escala, abaixo da terceira ordem, o círculo de annoufn, por caracterizar o abismo ou origem, desconhecida das almas, e, acima da primeira ordem, o círculo de ceugant, morada de Deus, inacessível às criaturas. O quadro seguinte torna essa comparação mais sensível.

03 - MIGRAÇÕES

IMIGRAÇÃO DE ESPÍRITOS

Falar-vos-ei esta noite das imigrações de Espíritos adiantados, que vêm encarnar-se em vossa Terra. Já novos mensageiros tomaram o bastão de peregrino; já se espalham aos milhares em vosso globo; por toda a parte estão dispostos pelos Espíritos que dirigem o movimento de transformação por grupos, por séries. Já a Terra treme ao sentir em seu seio aqueles que ela outrora viu passar através de sua humanidade nascente. Ela se alegra de os rever, porque pressente que vêm para a conduzir à perfeição, tornando-se guias dos Espíritos ordinários, que necessitam ser encorajados por bons exemplos.

Sim: grandes mensageiros estão entre vós. São os que se tornarão os sustentáculos da geração futura. À medida que o Espiritismo vai crescer e desenvolver-se, os Espíritos de uma ordem cada vez mais elevada virão sustentar a obra, em razão das necessidades da causa. Por toda a parte Deus espalhou esteios para a doutrina: eles surgirão no tempo e no lugar. Assim, sabei esperar com firmeza e confiança; tudo o que foi predito acontecerá, como diz o santo livro, até um iota.

Se a transição atual, como acaba de dizer o mestre, levantou as paixões e fez surgir a escória dos Espíritos encarnados e desencarnados, ela também despertou o desejo ardente, numa porção de Espíritos de uma posição superior nos mundos dos turbilhões solares, de virem novamente servir aos desígnios de Deus para esse grande acontecimento.

Eis por que eu dizia há pouco que a imigração de Espíritos superiores se operava em vossa Terra para atirar a marcha ascendente de vossa humanidade. Assim, redobrai de coragem, de zelo, de fervor pela causa sagrada. Sabei-o: nada deterá a marcha progressiva do Espiritismo, pois poderosos protetores continuarão vossa obra. (Espírito de Mesmer - Revista Espírita de 1865).

04 - MIGRAÇÕES

O reino de Deus e o paraíso perdido

Apresentamos nesta edição o tema no 78 do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, que está sendo aqui apresentado semanalmente, de acordo com programa elaborado pela Federação Espírita Brasileira, estruturado em seis módulos e 147 temas.

Se o leitor utilizar este programa para estudo em grupo, sugerimos que as questões propostas sejam debatidas livremente antes da leitura do texto que a elas se segue.

Se destinado somente a uso por parte do leitor, pedimos que o interessado tente inicialmente responder às questões e só depois leia o texto referido. As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto abaixo.

Questões para debate

1. Adão e Eva foram os primeiros seres humanos a habitar a Terra?

2. A migração de Espíritos entre os diferentes planetas constitui uma regra ou é uma exceção?

3. Que ensina o Espiritismo acerca dos exilados de Capela?

4. Qual é o significado, segundo o Espiritismo, da alegoria pertinente à árvore da ciência?

5. Os exilados de Capela já retornaram ao seu planeta de origem?

Texto para leitura

As migrações de Espíritos entre os planetas é fato comum
1. Moisés relata no Gênesis a história de Adão e Eva, que teriam sido – segundo a interpretação literal das Escrituras – os primeiros seres humanos a habitar a Terra. Criados por Deus, eles viviam num jardim de delícias: o Éden bíblico, mas, tentados pela serpente, comeram o fruto proibido da árvore da ciência e foram expulsos do paraíso para a Terra, onde sua sobrevivência dependeria, a partir de então, do seu próprio trabalho.

2. Essa explicação, adequada ao nível de compreensão do povo judeu da época de Moisés, não pode ser aceita como verdade absoluta nos tempos atuais, em que o progresso intelectual e científico é muito mais apurado. Com efeito, as teorias que identificam nos seres humanos o resultado do aprimoramento biológico, ao longo dos milênios, de organismos primitivos que povoaram inicialmente a Terra, são hoje amplamente difundidas, aceitas pela comunidade científica e confirmadas pelo Plano Espiritual.

3. As recentes descobertas da Antropologia e da Arqueologia não só têm confirmado essas teorias como fornecido argumentos em favor da tese do povoamento simultâneo de várias regiões do planeta, por meio de povos que, embora oriundos de uma única raça – a raça humana –, apresentavam característicos físicos distintos, o que explica sua origem diversificada e seu desenvolvimento independente.

4. A simbologia da narrativa bíblica reflete fenômeno usual no processo de desenvolvimento e evolução dos orbes e dos Espíritos que os habitam. Os mundos progridem através do crescimento em moralidade e sabedoria dos seres que neles vivem. Quando um planeta atinge uma fase de culminância em sua transição evolutiva, os Espíritos que não acompanharam o progresso geral do orbe e se tornaram ali elementos de perturbação do bem-estar da coletividade são conduzidos a mundos menos adiantados, onde aplicarão sua inteligência e a intuição dos conhecimentos adquiridos em benefício do progresso da humanidade que os habita.

5. Tais Espíritos expiarão, no contato com as difíceis condições de vida do seu novo ambiente e entre povos mais atrasados, as faltas passadas e o endurecimento voluntário, sofrendo o guante da dor que os impulsionará à renovação. Essas migrações entre os diversos mundos do Universo são periódicas e podem efetuar-se com os elementos de um povo ou de um planeta.

Os exilados de Capela exerceram na Terra um papel importante
6. No Gênesis, Moisés registra as reminiscências de um grupo de Espíritos, personificados por Adão e Eva, que migrou para a Terra, proveniente de um planeta do sistema orbital da estrela chamada Cabra ou Capela, pertencente à constelação do Cocheiro. Há milênios – informa Emmanuel em seu livro “A Caminho da Luz” – esse planeta capelino, que guarda muitas afinidades com a Terra, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos. Alguns milhões de Espíritos rebeldes lá se encontravam dificultando a consolidação das penosas conquistas de um povo que, no geral, era imbuído de virtudes e fizera jus à concórdia, para a edificação dos seus elevados programas de trabalho.

7. As grandes comunidades espirituais, diretoras do Cosmo, deliberaram, então, localizar aquelas entidades rebeldes, que se haviam tornado pertinazes no crime, aqui neste mundo longínquo, onde aprenderiam a realizar, na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coração, ao mesmo tempo que impulsionariam o progresso intelectual dos seus irmãos inferiores.

8. Na dor do seu exílio e da separação de seus entes queridos, foram eles recebidos por Jesus, que, com suas amorosas advertências, despertou-lhes as esperanças de redenção no porvir e os convidou à cooperação fraterna para o aprimoramento dos povos primitivos que habitavam nosso planeta. A eles, Jesus prometeu a assistência cotidiana e sua vinda futura, para indicar-lhes o caminho que lhes possibilitaria o retorno ao paraíso perdido.

9. Com o auxílio daqueles Espíritos aflitos e endividados, que reencarnaram nas regiões da Terra já habitadas pelos povos primitivos, as falanges de Jesus procederam ao aperfeiçoamento dos caracteres biológicos dos seres humanos que aqui encarnariam e lançaram as bases do progresso e da civilização no planeta. Vivendo entre povos primitivos, ainda em situação de barbárie, os exilados de Capela sentiram-se degredados, conduzidos a ambiente rude, para expiar suas faltas; mas, intuitivamente, almejavam o retorno ao paraíso perdido, cuja lembrança na esfera da intuição propagou-se através das gerações e foi relatada nas páginas bíblicas de forma alegórica.

10. A figura de Adão deve ser compreendida, portanto, como símbolo da humanidade terrena. Sua desobediência às determinações divinas representa a infração das leis do bem, em que incorreram os homens, particularmente os exilados do sistema capelino, ao se deixarem dominar pelos instintos materiais. A árvore da ciência é uma alegoria relativa à possibilidade de o homem discernir entre o bem e o mal, através do progresso intelectual e do conseqüente desenvolvimento do seu livre-arbítrio, que acarreta a responsabilidade por seus atos.

Muitos exilados de Capela ainda continuam na Terra
11. O fruto da árvore da ciência, que floresce no meio do “jardim das delícias”, corresponde ao produto da evolução material e se constitui no objeto dos desejos materiais do homem. Comer o fruto é deixar-se vencer pelas sensações da matéria, em detrimento das conquistas espirituais que cumpre realizar.

12. A árvore da vida simboliza a vida espiritual, é referência às conquistas em moralidade e demais bens do Espírito, que o orbe capelino efetivara e de que os exilados já não poderiam aproveitar por se haverem desarmonizado com o ambiente espiritual daquele planeta.

13. A serpente simboliza, pelas suas formas e modo de locomoção, a sinuosidade dos maus conselhos que, contornando os obstáculos da consciência, conseguem atingir o ser, ao encontrar os resquícios da inferioridade no âmago do seu coração.

14. Desse modo, os ensinamentos espíritas relativos à chamada raça adâmica esclarecem o mito registrado no Gênesis e fornecem explicação racional para as reminiscências das promessas da vinda do Messias, encontradas em diversas comunidades terrenas.

15. Grande número dos Espíritos exilados só pôde retornar ao seu orbe de origem depois de muitas existências na Terra. Alguns, todavia, ainda se encontram por aqui, devido ao seu endurecimento no mal.

Respostas às questões propostas
1. Adão e Eva foram os primeiros seres humanos a habitar a Terra?

R.: Não. As recentes descobertas da Antropologia e da Arqueologia têm fornecido argumentos em favor da tese do povoamento simultâneo de várias regiões do planeta, por meio de povos que, embora oriundos de uma única raça – a raça humana –, apresentavam característicos físicos distintos, o que explica sua origem diversificada e seu desenvolvimento independente.

2. A migração de Espíritos entre os diferentes planetas constitui uma regra ou é uma exceção?

R.: As migrações entre os diversos mundos do Universo são periódicas e podem efetuar-se com os elementos de um povo ou de um planeta.

3. Que ensina o Espiritismo acerca dos exilados de Capela?

R.: Os chamados exilados de Capela são uma referência a um grupo de Espíritos, personificados por Adão e Eva, que migraram para a Terra, provenientes de um planeta do sistema orbital da estrela chamada Cabra ou Capela. Há milênios – informa Emmanuel em seu livro “A Caminho da Luz” – esse planeta capelino, que guarda muitas afinidades com a Terra, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos. Alguns milhões de Espíritos rebeldes lá se encontravam dificultando a consolidação das penosas conquistas de um povo que, no geral, era imbuído de virtudes e fizera jus à concórdia, para a edificação dos seus elevados programas de trabalho. As grandes comunidades espirituais, diretoras do Cosmo, deliberaram, então, localizar aquelas entidades rebeldes em nosso planeta, onde aprenderiam a realizar, na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coração, ao mesmo tempo que impulsionariam o progresso intelectual dos seus irmãos inferiores.

4. Qual é o significado, segundo o Espiritismo, da alegoria pertinente à árvore da ciência?

R.: O fruto da árvore da ciência, que florescia no meio do “jardim das delícias”, corresponderia ao produto da evolução material e se constituiria no objeto dos desejos materiais do homem. Comer esse fruto equivaleria a deixar-se vencer pelas sensações da matéria, em detrimento das conquistas espirituais que nos cumpre realizar.

5. Os exilados de Capela já retornaram ao seu planeta de origem?

R.: Em parte, sim. Alguns, todavia, ainda se encontram por aqui, devido ao seu endurecimento no mal.

Bibliografia:

A Gênese, de Allan Kardec, cap. 11, itens 38 a 49, e cap. 12, itens 2 a 26.

A Caminho da Luz, de Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, pág. 34.

05 - MIGRAÇÕES

“O Melhor é Viver em Família” - Aperte mais este laço

“De todos os institutos sociais existentes na Terra, a família é o mais importante, do ponto de vista dos alicerces morais que regem a vida.” Emmanuel - (livro Vida e Sexo)

A palavra família reaviva em nós as sensações de segurança e aconchego, tal a importância do grupo familiar como estrutura capaz de nos sustentar nas lutas da vida.
O momento atual, conturbado pela inversão de valores no campo moral, requer mais atenção à preservação da harmonia familiar, valioso antídoto à instalação do desequilíbrio no organismo social.
O lar terreno, na visão espírita, representa oportunidade de aprendizado e prática das leis divinas, propiciando o encontro de Espíritos amigos de outras existências, assim também devido reajuste com os desafetos de existências passadas.

Vejamos abaixo alguns enfoques da Codificação Espírita em relação à família:

Questão 775. (Livro dos Espíritos.) Qual seria, para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família?

“Uma recrudescência do egoísmo”.

“Há, pois, duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos espíritos, através das varias migrações da alma” (Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIV - item 8)

Os estabelecimentos de ensino, propriamente do mundo, podem instruir, mas só o instituto da família pode educar. É por essa razão que a universidade poderá fazer o cidadão, mas somente o Lar pode edificar o homem. (O Consolador.)

Tenhamos atitudes nobres tais como: renúncia, perdão, dedicação, respeito, assim como a analise de nosso comportamento no lar em que fazemos parte, para que possamos dizer: “O melhor é viver em família”.

 

06 - MIGRAÇÕES

RICHARD SIMONETTI

1 – O Espiritismo admite a existência de vida fora da Terra?

Antes que a ciência humana e as religiões tradicionais admitissem essa possibilidade, revelam os Espíritos, na questão 88, de O Livro dos Espíritos, que são habitados todos os mundos que giram no espaço e que a Terra está muito longe de ser o único planeta que asila vida inteligente.

2 – Não há exagero na afirmativa de que todos os mundos são habitados? Está demonstrado que já no nosso sistema planetário, somente a Terra guarda condições para a vida.

Sim, sob o ponto de vista biológico. Há que se considerar, entretanto, a vida espiritual. Todos os mundos são habitados por Espíritos, na dimensão espiritual, constituindo populações situadas em variados estágios de evolução.

3 – Diríamos, então, que Marte, Júpiter, Saturno e os demais planetas de nosso sistema, são habitados por Espíritos?
Pode parecer estranha essa idéia, mas verdadeiramente estranho seria imaginar que Deus houvesse criado miríades de mundos, apenas para infeitar o Universo ou para contemplação do Homem, como imaginavam os teólogos na Antiguidade.

4 – Há, na Terra, Espíritos originários de outros planetas do sistema solar?

Certamente. Há migrações envolvendo Espíritos que chegam e que partem, atendendo à dinâmica da evolução. Na medida em que a população terrestre evolui pode abrigar espíritos de planetas que guardam compatibilidade, da mesma forma que saem daqui Espíritos para estágios em planetas superiores ou inferiores, sob orientação dos poderes que nos governam.

5 – As obras de ficção científica abordam com freqüência a possibilidade de a Terra ser invadida um dia por alienígenas. Isso poderia acontecer?

Se um dia recebermos a visita de seres extraterrestres, de planeta localizado à distância de nosso sistema solar, certamente suas intenções não serão belicosas. A tecnologia necessária para vencer as grandes distancias e os problemas decorrentes, somente será alcançada por civilizações em alto estágio de desenvolvimento intelectual que fatalmente se fará acompanhar pelo desenvolvimento moral. Banida estará dessas civilizações a ambição de poder e domínio que caracterizam a inferioridade humana.

6 – E quanto à aparência. Seriam monstruosos, como costuma situar a ficção científica?

A beleza obedece a padrões de simetria que são universais. Seres mais evoluídos fatalmente terão uma harmonia de formas, belos, ao olhar humano, ainda que diferentes. Temos um exemplo típico na comparação entre os hominídeos que viveram a 200 mil anos e o homem de hoje.

7 – Há um grande movimento científico, na atualidade, envolvendo vários países, no sentido de se estabelecer contato com seres de outros mundos através da radioastronomia, que capta as ondas hertezianas. Acontecerá?

Sem dúvida. Mais cedo ou mais tarde, os grandes radiotelecópois captarão mensagens de outros mundos. Mas não pensemos em troca de mensagens ou diálogos. Considerando que a velocidade limite do unvierso é trezentos mil quilômetros por segundo, e que supostos planetas com vida inteligente situam-se a milhares de anos-luz, teríamos diálogos entremeados por pausas de milhares de anos.

8 – O Espiritismo teria uma contribuição a respeito do assunto, favorecendo contatos extraterrestre.

Segundo Emmanuel, no livro A Caminho da Luz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, há um planeta do sistema capela, na constelação de cocheiro, a 42 anos-luz da Terra, habitado por uma civilização capaz de nos enviar mensagens, via rádio. O difícil é convence os cientistas de que não se trata de mera fantasia e que deveriam acentar seus radiotelescópios na direção daquele planeta.