MISERICÓRDIA
BIBLIOGRAFIA
01- Amizade - pág. 64 02 - Calma - pág. 37, 70
03 - Caminho, verdade e vida - pág. 117, 277 04 - Chão de flores - pág. 95
05 - Contos desta e doutras vidas - pág. 166 06 - Coragem - pág. 61, 129
07 - Escrínio de luz - pág. 185 08 - Espírito e vida - pág.25, 106
09 - Jesus no lar - pág. 67 10 - Justiça divina - pág. 33, 151,157, 184
11 - Luz acima - pág. 151 12 - Missionários da luz - pág. 146
13 - Nas pegadas do mestre - pág. 70 14 - O Espírito da Verdade - pág. 60, 107
15 - O Evangelho S.o Espiritismo - pág. cap. X

16 - O Livro dos Espíritos - q. 116, 222, 1009 concl. ix

17 - O sermão da montanha - pág. 27 18 - Oferenda - pág. 116, 143
19 - Pão nosso - pág. 87, 103 20 - Poetas redivivos - pág. 71
21 - Pontos e contos - pág. 117 22 - Renúncia - pág. 211
23 - Vinhas de luz - pág. 191 24 - Voltas que a vida dá - pág. 23, 32

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

MISERICÓRDIA – COMPILAÇÃO

03 - Caminho, verdade e vida - Emmanuel - pág. 117, 277

51 - MENINOS ESPIRITUAIS
"Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, pois é menino." — Paulo. (hebreus, 5:13.). Na apreciação dos companheiros de luta, que nos integram o quadro de trabalho diário, é útil não haja choques, quando, inesperadamente, surgirem falhas e fraquezas. Antes da emissão de qualquer juízo, é conveniente conhecer o quilate dos valores espirituais em exame.

Jamais prescindamos da compreensão ante os que se desviam do caminho reto. A estrada percorrida pelo homem experiente está cheia de crianças dessa natureza. Deus cerca os passos do sábio, com as expressões da ignorância, a fim de que a sombra receba luz e para que essa mesma luz seja glorificada. Nesse intercâmbio substancialmente divino, o ignorante aprende e o sábio cresce.

Os discípulos de boa-vontade necessitam da sincera atitude de observação e tolerância. É natural que se regozijem com o alimento rico e substancioso com que lhes é dado nutrir a alma; no entanto, não desprezem outros irmãos, cujo organismo espiritual ainda não tolera senão o leite simples dos primeiros conhecimentos. Toda criança é frágil e ninguém deve condená-la por isso.

Se tua mente pode librar no vôo mais alto, não te esqueças dos que ficaram no ninho onde nasceste e onde estiveste longo tempo, completando a plumagem. Diante dos teus olhos deslumbrados, alonga-se o infinito. Eles estarão contigo, um dia, e, porque a união integral esteja tardando, não os aban­dones ao acaso, nem lhes recuses o leite que amam e de que ainda necessitam.

131 - HOMENS E ANJOS
"Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor." — (II pedro, 2:11.)
É lastimável observar o grande número de pessoas que estão sempre dispostas a proferir sentenças blasfematórias, umas para com as outras. A leviandade domina-lhes as conversações, a mesquinhez corrompe-lhes as atividades nos mais diversos setores da vida.

Exceção feita aos sinceros cultivadores da luz religiosa, quase todos os homens se conservam à porta de situações ásperas em que o esforço difamatório lhes envenena a vida. Alimentam antipatias injustas para com os irmãos de atividade profissional, pelo próximo que lhes não aceita as idéias, pelos companheiros que se não afinam com os seus princípios. E como a lei é de compensação e troca, receberão dos colegas e dos vizinhos as mesmas vibrações destruidoras. Guerras silenciosas, nesse sentido, têm, por vezes, secular duração.

Entretanto, o homem jactancioso está sempre rodeado pela ação benéfica de Espíritos iluminados e generosos, que, quanto mais revestidos de poder divino, mais se compadecem das fragilidades humanas, estendendo-lhes mãos acolhedoras para o caminho e jamais pronunciando juízos condenatórios diante do Senhor.

Toda vez que fores compelido a analisar os esforços alheios, recorda a palavra de Pedro. Não te esqueças de que as entidades angélicas, mananciais vivos e sublimes de força e poder, nunca enunciam sentenças acusatórias contra ti, diante de Deus.

05 - Contos desta e doutras vidas - Irmão X - pág. 166

36 - Carta singular
Diante do irmão Licínio Mendonça, jazia a carta que ele assinara, em se comunicando com a genitora :"Querida Mãe: peço à senhora me abençoe. Regressando da festa do seu lindo aniversário, depois de muito meditar, resolvi escrever-lhe. Setenta e oito anos, hein mamãe? Graças a Deus, temos a senhora conosco, firme como o jequitibá que vovó plantou à frente do moinho.

Apesar de querer mais um século para a senhora, na atual existência, rogo me perdoe se venho tratar aqui de um assunto sério. E' o problema do tempo e das boas obras, mamãe. Conforme a senhora sabe, sou espírita, há mais de vinte anos, e penso muito na desencarnação.

A senhora tem outra crença, mas, no fundo, procuramos o mesmo Cristo; não acha que devemos refletir, enquanto temos saúde e raciocínio, na distribuição correta dos bens que nos foram confiados ? Completarei cinquenta janeiros no mês que vem; contudo, meus planos estão prontos.

Formei quatro cafezais em minhas terras do noroeste, que estão produzindo a contento, minhas chácaras de Itaim vão indo com excelentes lucros. Além disso, com as rendas dos meus apartamentos de São Paulo e de minhas casas em Campinas, organizei cinco lojas, que estão melhorando o meu patrimônio. Mas, a senhora julga que tenho apego a dinheiro? Absolutamente nenhum.

Desde que me tornei espírita, desejo fundar uma instituição beneficente que recolha velhinhos e crianças ao desamparo. Já tenho comigo vinte projetos diferentes para as construções; no entanto, preciso aumentar o capital. Não quero uma obra mambembe, dessas que andam por aí. Por outro lado, sou contra a vadiagem. Para velhos, mulheres e meninos que estendem a mão na rua, não dou um tostão.

Esse negócio de repartir migalhas é fazer comida de passarinho e estimular a velhacaria. Necessitamos de estabelecimentos seguros. Nada de criar vagabundos e vigaristas, em nome da caridade. Nesse ponto, não cedo. Ainda agora, na semana passada, o Pinheiro me pediu uns cobres para certa mulher que tentou envenenar dois filhos e suicidar-se em seguida, a pretexto de fome. Não dei bola. Se ela quiser dinheiro, que vá trabalhar. Essa beneficência de teatro é coisa de esmola. Quero uma organização eficiente, que resolva os problemas, em vez de agravá-los.

Para o conjunto de edificações que pretendo levantar, já percebo o rendimento aproximado de quatro milhões e quinhentos mil cruzeiros por mês; entretanto, isso é pouco. E' indispensável, pelo menos, duplicar essa quantia para começar. Ultimamente, porém, mamãe, venho refletindo na situação da senhora. Desde que o papai desencarnou, desejo solicitar que a senhora auxilie o espírito dele, com o serviço ao próximo.

Com os juros dos depósitos bancários e com o produto das fazendas que ele deixou no Paraná, é possível fazer muito. Que a senhora não aceite o Espiritismo, vá lá! Mas a senhora é cristã e deve amparar as obras cristãs. Não convém deixar tanto dinheiro sem aplicação definida na assistência aos que sofrem. A senhora me desculpe, mas peco-lhe fazer, desde já, um testamento em favor das casas de caridade da sua simpatia.

Mamãe, pense no Além!... Convença-se de que ninguém morre. No mundo espiritual, a pessoa responde pelas propriedades que ajunta. Faça uma visita aos insititutos benemerentes, mamãe! Estude o que lhe proponho. Logo que puder, consulte o nosso advogado. Não deixe o assunto para depois. Urgência, mamãe! A senhora, viúva, e eu também, temos grandes responsabilidades.

Estamos sozinhos para administrar o que é nosso. De minha parte, acredito que, dentro de poucos anos, terei equacionado o problema de minha fundação. Somente me preocupa a atitude da senhora. Pondere, mamãe. Não quero dizer que a senhora está velha, mas é imperioso zelar por nossa tranquilidade de consciência, enquanto a memória anda boa.

Espero ir vê-la, na primeira oportunidade, a fim de conversarmos com mais segurança. Muito carinho e um beijo na testa com todo o coração do seu filho. Licinio

Esta era a carta que ele acabara de escrever à mãezinha, quando a morte o surpreendeu numa crise de angina, sem que nos fosse possível auxiliá-lo a reacomodar-se no corpo irrecuperável.

Com tantos planos de serviço e com tantos recursos, Licínio, que soubera traçar considerações tão oportunas sobre a aplicação de finança e tempo, largara o veículo físico, na condição de espírita, sem que as instituições espíritas lhe conhecessem a existência. E, no dia seguinte, quando a veneranda senhora Mendonça chegou de automóvel para os funerais, encanecida mas empertigada, deu-nos a impressão de que ainda teria muito tempo na Terra, para viver forte e rija.

06 - Coragem - Espíritos Diversos - pág. 61, 129


18 - MISERICÓRDIA SEMPRE

Conta-se que Jesus, após haver lançado a parábola do Bom Samaritano, entraram os apóstolos no exame da conduta dos personagens da narrativa. E porque traçassem fulminativas reprovações, em torno de alguns deles, o Cristo prosseguiu no ensinamento para lá do contato público:

— "Em verdade, — acentuou o Mestre, — referindo-nos ao próximo, ante as indagações do doutor da Lei, à frente do povo, a lição de misericórdia tem raízes profundas. Quem passasse irradiando amor na estrada, onde o viajante generoso testemunhou a solldariedade, encontraria mais amplos motivos para compreender e auxiliar.

Além do homem ferido e arrojado ao pó, claramente necessitado de socorro, teria cuidado de apiedar-se do sacerdote e do levita, mergulhados na obsessão do egoísmo e carecentes de compaixão; simpatizar-se-ia com o hoteleiro, endereçando-lhe pensamentos de bondade que o sustentassem no exercício da profissão; compadecer-se-ia dos malfeitores, orando por eles, a fim de que se refizessem, perante as leis da vida, e, tanto quanto possível ampararia a vítima dos ladrões, estendendo igualmente mãos operosas e amigas ao samaritano da caridade, para que se lhe não esmorecessem as energias nas tarefas do bem."

E, diante dos companheiros surpreendidos, o Mestre rematou:—. "Para Deus, todos somos filhos abençoados e eternos, mas enquanto a misericórdia não se nos fixar nos domínios do coração, em verdade, não teremos atingido o caminho da paz e o reino do amor."
EMMANUEL

42 - PASSOS DE LUZ

Nas tribulações ou discórdias que nos agravem os problemas da vida, recordemos a necessidade de certo donativo, talvez dos mais difíceis na beneficência da alma; - o primeiro passo para o reajuste da harmonia e da segurança. Isso significa para nós um tanto mais de amor, ainda mesmo quando nos vejamos ilhados no espinheiro vibratório da incompreensão.

Por vezes, é o lar em tumulto reclamando a tranquilidade, à face do desentendimento entre criatura queridas. Noutras circunstâncias, são companheiros respeitáveis, em conflito uns com os outros. Em algumas situações, é o estopim curto da agressividade exagerada nesse ou naquele amigo, favorecendo a explosão da violência.

Em muitos lances do caminho, é o sofrimento de algum coração brioso e nobre, mas ainda tisnado pelo orgulho-a ferir-se. Nessas horas, quando a sombra se nos estende a vida, em forma de perturbação ou desafio a lutas maiores, bem-aventurados sejam todos aqueles que se decidam ao primeiro passo da benevolência e da humildade, da tolerância e do perdão, auxiliando-nos na recomposição do caminho.

Onde estiveres, com quem seja, em qualquer tempo e tanto quanto puderes, dá de ti mesmo esse acréscimo de bondade, recordando o acréscimo de misericórdia, que todos recebemos de Deus, a cada trecho da vida. Alguém nos injuria? Suportar com mais paciência. Aparece quem nos aflija?

Disciplinar-nos sempre mais na compreensão das lutas alheias. Em Surjem prejuízos? Trabalhar com mais vigor. Condenações contra nós? Abençoar e servir constantemente. Em todas as situações, nas quais o mal entreteça desequilíbrio, tenhamos a coragem do primeiro passo, em que a serenidade e o amor, a humildade e a paciência nos garantam de novo a harmonia do Bem.
EMMANUEL

09 - Jesus no lar - Néio Lúcio - pág. 67

A COROA E AS ASAS

Comentava-se, na reunião, as glórias do saber, quando o Cristo, para ilustrar a palestra, contou, despretensioso:- Um homem amante da verdade, intelectual conduz à divina sabedoria, atirou-se à elevação da montanha da ciência, empenhando todas as forças que possuía no decisivo cometimento.

A vereda era sombria qual obscuro labirinto; contudo, o esforçado lidador, olvidando dificuldade e perigos, avançava sempre, trocando de vestuário para melhor acomodar-se às exigências da marcha. De tempos a tempos, lançava à margem da estrada uma túnica que se fizera estreita ou uma alpercata que se lhe afigurava inservível, procurando indumentária nova, até que, um dia, depois de muitos anos, alcançou a desejada culminância, onde um representante de Deus lhe surgiu ao encontro.

O emissário cumprimentou-o, abraçou-o e revestiu-lhe a fronte com deslumbrante coroa de luz. Todavia, quando o vencedor do conhecimento quis prosseguir adiante, na direção do Paraíso, recomendou-lhe o mensageiro que voltasse atrás dos próprios passos, a ver o trilho percorrido e que, de sua atitude na revisão do caminho, dependeria a concessão de asas com que lhe seria possível voar ao encontro do Pai Eterno.

O interessado regressou, mas, agora, auxiliado pela fulgurante auréola de que fora investido, podia contemplar todos os ângulos da senda, antes inextricável ao seu olhar. Não conteve o riso, diante das estranhas roupagens de que os viajadores da retaguarda se vestiam. Aqui, notava tuna túnica rota; acolá, uma sandália extravagante. Peregrinos inúmeros se apoiavam em bordões quebradiços, enquanto outros se amparavam em capas misérrimas; entretanto, cada qual, com impertinência infantil, marchava senhor de si, como se envergasse a roupa mais valiosa do mundo.

O vencedor da ciência não suportou as impressões que o quadro lhe causava e abriu-se em frases de zombaria, reprovando acremente a ignorância de quantos seguiam em vestes ridículas ou inadequadas. Gritou, condenou e fez apodos contundentes. Dirigiu-se à comunidade dos viajantes com tamanha ironia que muitos renunciaram à subida, retornando à inércia da planície vasta.

Após amaldiçoar a todos, indistintamente, voltou o herói coroado ao cume do monte, na expectativa de partir sem detença ao encontro do Pai, mas o Anjo, muito triste, explicou-lhe que a roupagem dos outros, que lhe provocara tanto sarcasmo inútil, era aquela mesma de que ele se servira para elevar-se, ao tempo em que era frágil e semicego, e que as asas de luz, com que deveria erguer-se ao Trono Divino, somente lhe seriam dadas, quando edificasse o amor no imo do coração.

Faltavam-lhe piedade e entendimento; que ele voltasse demoradamente ao caminho e auxiliasse os semelhantes, sem o que jamais conseguiria equilibrar-se no Céu. Alguns minutos de silêncio seguiram-se indevassáveis...O Mestre, todavia, imprimindo significativa ênfase às palavras, terminou:

— Há muitas almas, na Terra, ostentando a luminosa coroa da ciência, mas de coração adormecido na impiedade, salientando-se no sarcasmo pueril e na censura indébita. Envenenadas pela incompreensão, exigentes e cruéis, fulminam os companheiros mais fracos no entendimento ou na cultura, ao invés de estender-lhes as mãos fraternais, reconhecendo que também já foram assim, tateantes e imperfeitos... Enquanto, porém, não se decidirem a ajudar o irmão menos esclarecido e menos afortunado, acolhendo-o no próprio, com sinceridade e devotamento, não receberão as asas com que lhe será lícito partir na direção do Céu.



10 - Justiça divina - Emmanuel - pág. 33, 151,157, 184



CAÍDOS - REUNIÃO PÚBLICA DE 17/02/61 - 1ª PARTE, CAP. VII, ÍTEM 10
Aproxima-te dos caídos para ajudar. Não suponhas, contudo, que eles sejam apenas os companheiros que encontras na estrada, em decúbito, vitimados de inanição ou de desalento. Assestaas lentes do espírito e surpreenderás os que jazem prostrados, embora garantam o corpo em condição vertical, à maneira de torre inútil.

Entretanto, é preciso compreender para discernir. Há os que caíram amando, sem saber que o afeto insensato os arrojaria nas trevas. Há os que caíram em rijas cadeias, por ignorarem que as flores genuínas do lar costumam viver no adubo do sofrimento. Há os que caíram auxiliando, por desconhecerem que a caridade real pede apoio à renúncia.

Há os que caíram por devotamento à dignidade, transformando a Justiça em gládio de intolerância. Há os que caíram nos duros freios do orgulho, imaginando-se mais limpos e mais nobres que os seus irmãos. Há os que caíram no fogo das paixões delinquentes, ateado por eles mesmos à própria senda.

Há os que caíram nas grades do ódio, por olvidarem que o perdão é sustento da vida. E há ainda aqueles outros que caíram na miséria da usura, como se pudessem comer o dinheiro que acumularam chorando... Cada um deles traz a dor nos recessos da alma por elemento de correção.

Não lhes agraves, assim, o suplício moral, alargando-lhes as feridas. Todos somos viajores nas trilhas da Terra, carregando fardos de imperfeições.

Hoje, podes estender os braços e levantar os que desfalecem. Amanhã, porém, é novo dia de caminhada e, embora tenhamos a obrigação de orar e vigiar, nenhum de nós sabe realmente se vai cair.

JORNADA ACIMA - Reunião pública de 13-10-61 19 - Parte, cap. VI, item 13

Ergue a flama da fé na imortalidade, e caminha! Os que desertaram da confiança gritar-te-ão impropérios, entrincheirados na irresponsabilidade que lhes serve de esconderijo. Demagogos do desânimo, dirão, apressados, que o mundo nunca se desvencilhará da lei de Caim; que os tigres da inteligência continuarão devorando os cordeiros do trabalho; que a mentira, na História, prosseguirá entronizando criminosos na galeria dos mártires; que a perfídia se anteporá, indefinidamente, à virtude; que a mocidade é carne para canhões e prostíbulos; que as mães amamentam para o sepulcro; que as religiões são fábulas piedosas para consumo de analfabetos; que as tenazes da guerra te constringirão a cabeça, sufocando-te a voz no silêncio do horror...

Tentarão, decerto, envolver-te na nuvem do pessimismo, induzindo-te a esquecer o presente e o futuro, na taça de tranquilidade e prazer em que anestesiam o pensamento. Contudo, reflete levemente e perceberás que os trânsfugas do dever, acolhidos à negação e infantilizados no medo, simplesmente desfrutam a paz dos entrevados e a alegria dos loucos.

Ora por eles, nossos irmãos que ainda não amadureceram o entendimento para a altura da vida, e segue adiante. Na escuridão mais espessa, acende a chama da prece, e, onde todos se sentirem desalentados, fala, sem revolta, a palavra de esperança que desenregele os corações mumificados no desconsolo. Um gesto de bondade sobre a agonia de alguém que oscila, à beira do abismo, e uma gota de bálsamo espremida com amor numa ferida que sangra bastam, muitas vezes, para renovar multidões inteiras.

Sobretudo, nos mais aflitivos transes da provação, não percas a paciência. Não consegues emendar os companheiros desarvorados, mas podes restaurar a ti mesmo. Embora contemplando assaltos e violências, ruínas e escombros, avança jornada acima, apagando o mal e fazendo o bem.

Criatura alguma, na Terra, escapará da grandeza fatal da justiça e da morte; no entanto, sabemos todos que a justiça, por mais dura e terrível, é sempre a resposta da Lei às nossas próprias obras, e que a morte, por mais triste e desconcertante, é sempre o toque de ressurgir.

FALIBILIDADE - REUNIÃO PÚBLICA DE 23/10/61 - 1ª PARTE, CAP. IX - ÍTEM 12
Ante as devastações do mal, apóia o trabalho que objetive o retorno ao bem. Até que o espírito se integre no Infinito Amor e na Sabedoria Suprema, em círculos de manifestação que, por agora, nos escapam ao raciocínio, a falibilidade é compreensível, no campo de cada um, tanto quanto o erro é natural no aprendiz em experiência na escola.

A educação não forma autômatos. A Ordem Universal não cria fantoches. Onde haja desastres, auxilia a restauração. Mobiliza as forças de que dispões, sanando os desequilíbrios, ao invés de consumir ação e verbo, atitude e tempo, grafando a veneno o labéu da censura. Anotaste lances calamitosos nos delitos que o tribunal terrestre não é capaz de prever ou desagravar.

Viste homens e mulheres, cercados de apreço público, aniquilarem existências preciosas, derramando o sangue de corações queridos em forma de lágrimas; surpreendeste cidadãos abastados e aparentemente felizes, que humilharam os próprios pais, reduzindo-os à extrema pobreza, ao preço de documentos espúrios.

Assinalaste pessoas açucaradas e sorridentes que induziram outras ao suicídio e à criminalidade, sem que ninguém as detivesse ; identificaste os que abusaram do poder e do ouro, erguendo tronos sociais para si próprios, à custa do pranto que fizeram correr, muitas vezes com o aplauso dos melhores amigos, e conheceste carrascos de olhos doces e palavras corretas que escamotearam a felicidade dos semelhantes, abrindo as portas do hospício ou da penitenciária para muitos daqueles que lhes confiaram os tesouros da convivência, sem que o mundo os incomodasse.

Apesar disso, não necessitas enlamear-lhes o nome ou incendiar-lhes a senda. Todos eles voltarão ao quadro escuro das faltas cometidas, através de continuadas reencarnações, em dificuldades amargas, nos redutos da prova, a fim de lavarem a consciência. Se a maldade enodoa essa ou aquela situação, faze o melhor que possas para que a bondade venha a surgir.

Segue entre os homens, abençoando e ajudando, ensinando e servindo...Todas as vítimas das trevas serão trazidas à luz e todos os caídos serão levantados, ainda que, para isso, a esponja do sofrimento tenha de ser manejada pelos braços da vida, em milênios de luta. Isso porque as Leis Divinas são de justiça e misericórdia e a Providência Inefável jamais decreta o abandono do pecador.

COMPAIXÃO E JUSTIÇA - REUNIÃO PÚBLICA DE 4/12/61, 1ª. PARTE, CAP. VII, ÍTEM 29
O Amor Universal favorece o levantamento da escola, mas, se te negas a aprender, ninguém te pode arrancar às trevas da ignorância. A Divina Presciência estabelece regras e meio para a higiene, mas, se desertas do cuidado para contigo, albergarás, no próprio corpo, largo pasto à imundície.

A Infinita Bondade inspira a elaboração do remédio que te alivie ou cure as doenças, nessa ou naquela circunstância difícil, mas, se recusas o medicamento, continuarás sofrendo o desequilíbrio. A Eterna Sabedoria promove a fabricação de extintores e encoraja a educação de bombeiros, mas, se ateias fogo na própria casa, padecerás, de imediato, os resultados do incêndio.

A Providência Vigilante suscita a formação de recursos para o cultivo e defesa da gleba, mas, se foges do trabalho, a breve tempo terás, no próprio campo, vasta coleção de espinheiros e serpentes. Deus dá a semente, mas pede serviço para que o pão apareça; espalha ensinamentos, mas pede estudo para que haja aprimoramento do espírito.

Não procures enganar a ti mesmo, aguardando compaixão sem justiça. Anota os fenômenos da existência e reconhecerás que a vida te concede guias e explicadores, estradas e máquinas; no entanto, exige que penses com a própria cabeça e andes com os próprios pés. Afirma Allan Kardec: "Certo, a misericórdia de Deus é infinita, mas não é cega".

E Jesus, encarecendo a responsabilidade que nos supervisiona os caminhos, adverte-nos no versículo trinta e três do capítulo treze, no Evangelho de Marcos: "Olhai, vigiai e orai..".

Observemos que o apelo à prudência não inclui simplesmente o "vigiai" e o "orai", e, sim, começa, com ampla objetividade, pelo imperativo categórico: "Olhai".


14 - O Espírito da Verdade -Espíritos Diversos - pág. 60, 107

24- CAMINHA ALEGREMENTE - CAP. VIII - ÍTEM 1
"Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus e de que nenhuma raiz de amargura, brotando vos perturbe e, por ela, muitos de contaminem". - Paulo (Hebreus, 12:15)

Raízes de amargura existirão sempre, nos corações humanos, aqui e ali, como sementes de plantas inúteis ou venenosas estarão no seio de qualquer campo. Contudo, tanto quanto é preciso expulsar a erva daninha para que haja colheita nobre e farta, é indispensável relegar ao esquecimento os problemas superados e as provações vencidas, para que reminiscências destruidoras não brotem no solo da alma, produzindo os frutos azedos das palavras e das ações infelizes.

Mãos prestimosas arrancarão o escalracho, em torno da lavoura nascente, e atitudes valorosas devem extirpar do espírito as recordações amargas, suscetíveis de perturbar o caminho. Se alguém te trouxe dano ou se alguém te feriu, pensa nos danos e nas feridas que terás causado a outrem, muitas vezes sem perceber.

E tanto quanto estimas ser desculpado, perdoa também, sem quaisquer restrições. Observa a sabedoria de Deus na esfera da Natureza. A fonte dissolve os detritos que lhe arrojam. A luz não faz coleção de sombras.

Caminha alegremente e constrói para o bem, porque só o bem permanecerá. Seja qual for a dor que hajas sofrido, lembra-te de que tudo amanhã será melhor se não engarrafares fel ou vinagre no coração.

Emmanuel

43 - CRÍTICA - CAP. XII - ÍTEM 2

Se você está na hora de criticar alguém, pense um pouco, antes de iniciar. Se o parente está em erro, lembre-se de que você vive junto dele para ajudar. Se o irmão revela procedimento lamentável, recorde que há moléstias ocultas que podem atingir você mesmo. Se um companheiro faliu, é chegado o momento de substituí-lo em trabalho, até que volte.

Se o amigo está desorientado, medite nas tramas da obsessão. Se o homem da atividade pública parece fora do eixo, o desequilíbrio é problema dele. Se há desastres morais nos vizinhos, isso é motivo para auxílio fraterno, porquanto esses mesmos desastres provavelmente chegarão até nós.

Se o próximo caiu em falta, não é preciso que alguém lhe agrave as dores de consciência. Se uma pessoa entrou em desespero, no colapso das próprias energias, o azedume não adianta. Ainda que você esteja diante daqueles que se mostram plenamente mergulhados na loucura ou na delinquência, fale no bem e fuja da crítica destrutiva, porque a sua reprovação não fará o serviço dos médicos e dos juízes indicados para socorrê-los, e, mesmo que a sua opinião seja austera e condenatória, nisso ou naquilo, você não pode olvidar que a opinião de Deus, Pai de nós todos, pode ser diferente.

André Luiz