MISSIONÁRIOS
BIBLIOGRAFIA
01- A caminho da luz - pág. 106 02 - A mansão Renoir - pág. 171
03 - Amor e ódio - pág. 92 04 - Após a tempestade - pág. 78
05 - As aves feridas na Terra voam - pág. 22 06 - Conversa firme - pág. 109
07 - Devassando o invisível - pág. 117 08 - Emmanuel - pág. 25
09 - Entre a Terra e o céu - pág. 177 10 - Estudos sobre mediunidade - pág. 151
11 - Ide e pregai- pág. 16 12 - Joana D'Arc - pág. 227
13 - Justiça Divina - pág. 55 14 - Mensagens de além-túmulo- pág. 53
15 - Nosso Lar - pág. 179

16 - O cavaleiro de Numiers - pág. 64

17 - O consolador - pág. 81, 194 18 - O Evangelho S.o Espiritismo - cap. VI,8
19 - O grande enigma - pág. 229 20 - O probl.do ser do destino e da dor - pág. 157
21 - Obreiros da vida eterna - pág. 173 22 - Os funerais da Santa Sé - pág. 38
23 - Pão Nosso - pág. 77, 117 24 - Revista Espírita 1860 - pág. 113

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MISSIONÁRIOS – COMPILAÇÃO

01- A caminho da luz - Emmanuel - pág. 106

XII - A VINDA DE JESUS
A MANJEDOURA
A manjedoura assinalava o ponto inicial da lição salvadora do Cristo, como a dizer que a humildade representa a chave de todas as virtudes. Começava a era definitiva da maioridade espiritual da Humanidade terrestre, de vez que Jesus, com a sua exemplificação divina entregaria o código da fraternidade e do amor a todos os corações.

Debalde os escritores materialistas de todos os tempos vulgarizaram o grande acontecimento, ironizando os altos fenômenos mediúnicos que o precederam. As figuras de Simeão, Ana, Isabel, João Batista, José, bem como a personalidade sublimada de Maria, têm sido muitas vezes objeto de observações injustas e maliciosas; mas a realidade é que somente com o concurso daqueles mensageiros da Boa Nova, portadores da contribuição de fervor, crença e vida, poderia Jesus lançar na Terra os fundamentos da verdade inabalável.

O CRISTO E OS ESSÊNIOS

Muitos séculos depois da sua exemplificação incompreendida, há quem o veja entre os essênios, aprendendo as suas doutrinas, antes do seu messianismo de amor e de redenção. As próprias esferas mais próximas da Terra, que pela força das circunstâncias se acercam mais das controvérsias dos homens que do sincero aprendizado dos espíritos estudiosos e desprendidos do orbe, refletem as opiniões contraditórias da Humanidade, a respeito do Salvador de todas as criaturas.

O Mestre, porém, não obstante a elevada cultura das escolas essênias, não necessitou da sua contribuição. Desde os seus primeiros dias na Terra, mostrou-se tal qual era, com a superioridade que o planeta lhe conheceu desde os tempos longínquos do princípio.

CUMPRIMENTO DAS PROFECIAS DE ISRAEL

Do seu divino apostolado nada nos compete dizer em acréscimo das tradições que a cultura evangélica apresentou em todos os séculos posteriores à sua vinda à Terra, reafirmando, todavia, que a sua lição de amor e de humildade foi única em todos os tempos da Humanidade. Dele asseveraram os profetas de Israel, muito tempo antes da manjedoura e do calvário:

— "Levantar-se-á como um arbusto verde, vivendo na ingratidão de um solo árido, onde não haverá graça nem beleza. Carregado de opróbrios e desprezado dos homens, todos lhe voltarão o rosto. Coberto de ignomínias, não merecerá consideração. E' que Ele carregará o fardo pesado de nossas culpas e de nossos sofrimentos, tomando sobre si todas as nossas dores.

Presumireis na sua figura um homem vergando ao peso da cólera de Deus, mas serão os nossos pecados que o cobrirão de chagas sanguinolentas e as suas feridas hão de ser a nossa redenção. Somos um imenso rebanho desgarrado, mas, para nos reunir no caminho de Deus, Ele sofrerá o peso das nossas iniqüidades. Humilhado e ferido, não soltará o mais leve queixume, deixando-se conduzir como um cordeiro ao sacrifício. O seu túmulo passará como o de um malvado e a sua morte como a de um ímpio. Mas, desde o momento em que oferecer a sua vida, verá nascer uma posteridade e os interesses de Deus hão de prosperar nas suas mãos."

A GRANDE LIÇÃO

Sim, o mundo era um imenso rebanho desgarrado . Cada povo fazia da religião uma nova fonte de vaidades, salientando-se que muitos cultos religiosos do Oriente caminhavam para o terreno franco da dissolução e da imoralidade; mas o Cristo vinha trazer ao mundo os fundamentos eternos da verdade e do amor. Sua palavra, mansa e generosa, reunia todos os infortunados e todos os pecadores.

Escolheu os ambientes mais pobres e mais desataviados para viver a intensidade de suas lições sublimes, mostrando aos homens que a verdade dispensava o cenário suntuoso dos areópagos, dos fóruns e dos templos, para fazer-se ouvir na sua misteriosa beleza. Suas pregações, na praça pública, verificam-se a propósito dos seres mais desprotegidos e desclassificados, como a demonstrar que a sua palavra vinha reunir todas as criaturas na mesma vibração de fraternidade e na mesma estrada luminosa do amor.

Combateu pacificamente todas as violências oficiais do judaísmo, renovando a Lei Antiga com a doutrina do esclarecimento, da tolerância e do perdão. Espalhou as mais claras visões da vida imortal, ensinando às criaturas terrestres que existe algo superior às pátrias, às bandeiras, ao sangue e às leis humanas. Sua palavra profunda, enérgica e misericordiosa, refundiu todas as filosofias, aclarou o caminho das ciências e já teria irmanado todas as religiões da Terra, se a impiedade dos homens não fizesse valer o peso da iniquidade na balança da redenção .

A PALAVRA DIVINA

Não nos compete fornecer uma nova interpretação das palavras eternas do Cristo, nos Evangelhos. Semelhante interpretação está feita por quase todas as escolas religiosas do mundo, competindo apenas às suas comunidades e aos seus adeptos a observação do ensino imortal, aplicando-a a si próprios, no mecanismo da vida de relação, de modo que se verifique a renovação geral, na sublime exemplificação, porque, se a manjedoura e a cruz constituem ensinamento inolvidável, muito mais devem representar, para nós outros, os exemplos do Divino Mestre, no seu trato com as vicissitudes da vida terrestre.

De suas lições inesquecíveis, decorrem consequências para todos os departamentos da existência planetária, no sentido de se renovarem os institutos sociais e políticos da Humanidade, com a transformação moral dos homens dentro de uma nova era de justiça econômica e de concórdia universal.

Pode parecer que as conquistas do verdadeiro Cristianismo sejam ainda remotas, em face das doutrinas imperialistas da atualidade, mas é preciso reconhecer que dois mil anos já dobaram sobre a palavra divina. Dois mil anos em que os homens se estraçalharam em seu nome, inventando bandeiras de separatividade e destruição.

Incendiaram e trucidaram, em nome dos seus ensinos de perdão e de amor, massacrando esperanças em todos os corações. Contudo, o século que passa deve assinalar uma transformação visceral nos departamentos da vida. A dor completará as obras generosas da verdade cristã, porque os homens repeliram o amor em suas cogitações de progresso.

CREPÜSCULO DE UMA CIVILIZAÇÃO
Uma nuvem de fumo vem-se formando, há muito tempo, nos horizontes da Terra cheia de indústrias de morte e destruição. Todos os países são convocados a conferirem os valores da maturação espiritual da Humanidade, verificada no orbe há dois milênios.

O progresso científico dos povos e as suas mais nobres e generosas conquistas são reclamados pelo banquete do morticínio e da ambição, e, enquanto a política do mundo se sente manietada ante os dolorosos fenômenos do século, registram-se nos espaços novas atividades de trabalho, porque a direção da Terra está nas mãos misericordiosas e augustas do Cordeiro.

O EXEMPLO DO CRISTO

Sem nos referirmos, porém, aos problemas da política transitória do mundo, lembremos, ainda, que a lição do Cristo ficou para sempre na Terra, como o tesouro de todos os infortunados e de todos os desvalidos. Sua palavra construiu a fé nas almas humanas, fazendo-lhes entrever os seus gloriosos destinos. Haja necessidade e tornaremos a ver a crença e a esperança reunindo-se em novas catacumbas romanas, para reerguerem o sentido cristão da civilização da Humanidade.

É, muitas vezes, nos corações humildes e aflitos que vamos encontrar a divina palavra cantando o hino maravilhoso dos bem-aventurados. E, para fechar este capítulo, lembrando a influência do Divino Mestre em todos os corações sofredores da Terra, recordemos o episódio do monge de Manilha, que, acusado de tramar a liberdade de sua pátria contra o jugo dos espanhóis, é condenado à morte e conduzido ao cadafalso.

No instante do suplício, soluça desesperadamente o mísero condenado: — "Como, pois, será possível que eu morra assim inocente? Onde está a justiça? Que fiz eu para merecer tão horrendo suplício?"

Mas um companheiro corre ao seu encontro e murmura-lhe aos ouvidos: — "Jesus também era inocente!..." Passa, então, pelos olhos da vítima, um clarão de misteriosa beleza. Secam-se as lágrimas e a serenidade lhe volta ao semblante macerado, e, quando o carrasco lhe pede perdão, antes de apertar o parafuso sinistro, ei-lo que responde resignado: — "Meu filho, não só te perdôo como ainda te peço cumpras o teu dever."

08 - Emmanuel - Emmanuel - pág. 25

II - A ASCENDÊNCIA DO EVANGELHO
Nenhuma expressão fornece imagem mais justa do poder d'Aquele a quem todos os espíritos da Terra rendem culto do que a de João, no seu Evangelho — "No princípio era o Verbo..." Jesus, cuja perfeição se perde na noite imperscrutável das eras, personificando a sabedoria e o amor, tem orientado todo o desenvolvimento da Humanidade terrena, enviando os seus iluminados mensageiros, em todos os tempos, aos agrupamentos humanos e, assim como presidiu à formação do orbe, dirigindo, como Divino Inspirador, a quantos colaboraram na tarefa da elaboração geológica do planeta e da disseminação da vida em todos os laboratórios da Natureza, desde que o homem conquistou a racionalidade, vem-lhe fornecendo a idéia da sua divina origem, o tesouro das concepções de Deus e da imortalidade do espírito, revelando-lhe, em cada época, aquilo que a sua compreensão pode abranger.

Em tempos remotos, quando os homens, fisicamente, pouco dessemelhavam dos antropopitecos, suas manifestações de religiosidade eram as mais bizarras, até que, transcorridos os anos, no labirinto dos séculos, vieram entre as populações do orbe os primeiros organizadores do pensamento religioso que, de acordo com a mentalidade geral, não conseguiram escapar das concepções de ferocidade que caracterizavam aqueles seres egressos do egoísmo animalesco da irracionalidade. Começaram aí os primeiros sacrifícios de sangue aos ídolos de cada facção, crueldades mais longínquas que as praticadas nos tempos de Baal, das quais tendes notícia pela História.

AS TRADIÇÕES RELIGIOSAS

Vamos encontrar, historicamente, as concepções mais remotas da organização religiosa na civilização chinesa, nas tradições da Índia védica e bramânica, de onde também se irradiaram as primeiras lições do Budismo, no antigo Egito, com os mistérios do culto dos mortos, na civilização resplandecente dos faraós, na Grécia com os ensinamentos órficos e com a simbologia mitológica, existindo já grandes mestres, isolados intelectualmente das massas, a quem ofereciam os seus ensinos exóticos, conservando o seu saber de iniciados no círculo restrito daqueles que os poderiam compreender devidamente.

OS MISSIONÁRIOS DO CRISTO

Fo-Hi, os compiladores dos Vedas, Confúcio, Hermes, Pitágoras, Gautama, os seguidores dos mestres da antiguidade, todos foram mensageiros de sabedoria que, encarnando em ambientes diversos, trouxeram ao mundo a idéia de Deus e das leis morais a que os homens se devem submeter para a obtenção de todos os primores da evolução espiritual. Todos foram mensageiros d'Aquele que era o Verbo do Princípio, emissários da sua doutrina de amor.

Em afinidade com as características da civilização e dos costumes de cada povo, cada um deles foi portador de uma expressão do "amai-vos uns aos outros". Compelidos, em razão do obscurantismo dos tempos, a revestir seus pensamentos com os véus misteriosos dos símbolos, como os que se conheciam dentro dos rigores iniciáticos, foram os missionários do Cristo preparadores dos seus gloriosos caminhos.

A LEI MOISAICA

A lei moisaica foi a precursora direta do Evangelho de Jesus. O protegido de Termutis, depois de se beneficiar com a cultura que o Egito lhe podia prodigalizar, foi inspirado a reunir todos os elementos úteis à sua grandiosa missão, vulgarizando o monoteísmo e estabelecendo o Decálogo, sob a inspiração divina, cujas determinações são até hoje a edificação basilar da Religião da Justiça e do Direito, se bem que as doutrinas antigas já tivessem arraigado a crença de Deus único, sendo o politeísmo apenas uma questão simbológica, apta a satisfazer à mentalidade geral.

A legislação de Moisés está cheia de lendas e de crueldades compatíveis com a época, mas, escoimada de todos os comentários fabulosos a seu respeito, a sua figura é, de fato, a de um homem extraordinário, revestido dos mais elevados poderes espirituais. Foi o primeiro a tornar acessíveis às massas populares os ensinamentos somente conseguidos à custa de longa e penosa iniciação, com a síntese luminosa de grandes verdades.

JESUS

Com o nascimento de Jesus, há como que uma comunhão direta do Céu com a terra. Estranhas e admiráveis revelações perfumam as almas e o Enviado oferece aos seres humanos toda a grandeza do seu amor, da sua sabedoria e da sua misericórdia. Aos corações abre-se nova torrente de esperanças e a Humanidade, na Manjedoura, no Tabor e no Calvário, sente as manifestações da vida celeste, sublime em sua gloriosa espiritualidade.

Com o tesouro dos seus exemplos e das suas palavras, deixa o Mestre entre os homens a sua Boa Nova. O Evangelho do Cristo é o transunto de todas as filosofias que procuram aprimorar o espírito, norteando-lhe a vida e as aspirações. Jesus foi a manifestação do amor de Deus, a personificação de sua bondade infinita.

O EVANGELHO E O FUTURO

Raças e povos ainda existem, que o desconhecem, porém não ignoram a lei de amor da sua doutrina, porque todos os homens receberam, nas mais remotas plagas do orbe, as irradiações do seu espírito misericordioso, através das palavras inspiradas dos seus mensageiros.

O Evangelho do Divino Mestre ainda encontrará, por algum tempo, a resistência das trevas. A ma-fé, a ignorância, a simonia, o império da força conspirarão contra ele, mas tempo virá em que a sua ascendência será reconhecida. Nos dias de flagelo e de provações coletivas, é para a sua luz eterna que a Humanidade se voltará, tomada de esperança. Então, novamente se ouvirão as palavras benditas do Sermão da Montanha e, através das planícies, dos montes e dos vales, o homem conhecerá o caminho, a verdade e a vida.

13 - Justiça Divina - Emmanuel - pág. 55

MISSÕES - Reunião pública de 27-3-61 1ª Parte, cap. III, item 14
Aspiras à posição dos grandes administradores; entretanto, não sopesas as responsabilidades que lhes requeimam a fronte, quais invisíveis anéis de fogo. Anelas o renome dos grandes juizes, mas não sabes em quantas ocasiões padecem, agoniados, para não caírem nos erros de consciência.

Desejas a fama dos grandes cientistas; contudo, não indagas quanto ao preço que pagam à disciplina, para manterem fidelidade às suas obrigações. Queres as vantagens dos grandes industriais; no entanto, desconheces a imensa luta em que se desgastam. Abraça a atividade singela que o mundo te reservou, respeitando a importância da vida.

Se a experiência de sacrifício te chama a decifrar-lhe os segredos, lembra-te do alicerce que se esconde no solo, preservando a segurança da construção.

Se o apostolado familiar é a renúncia que te compete, recorda que não existem personalidades notáveis, entre os homens, sem o devotamento silencioso de mães e pais, professores e companheiros que se apagam, pouco a pouco, a fim de que elas se levantem na evidência terrestre, à feição das obras-primas de estatuária, em pedestais obscuros.

O arado que semeia é irmão da pena que escreve. A cozinha dedicada à química do alimento é outra face do laboratório consagrado à química das aplicações científicas. Diante da Lei, todas as tarefas do bem são missões de caráter divino.

Atende, pois, de coração alegre, ao dever que te cabe, e, se ninguém na Terra dá conta de teus passos, ignorando-te a presença, nem por isso abandones o trabalho humilde que a vida te confiou, na certeza de que Deus é também o Grande Anônimo, a ensinar-nos, na base de toda a sabedoria e de todo o amor, que o mais alto privilégio é servir e servir.

17 - O consolador - Emmanuel - pág. 81, 194

Perg. 125 - Reconhecendo que os nossos amigos do plano espiritual estão sempre ao nosso lado, em todos os trabalhos e dificuldades, a fim de nos inspirar, quais os maiores obstáculos que a sua bondade encontra em nós, para que recebamos o seu socorro indireto, afetuoso e eficiente?
- Os maiores óbices psíquicos, antepostos pelo homem terrestre aos seus amigos e mentores da espiritualidade, são oriundos da ausência de humildade sincera nos corações, para o exame da própria situação de egoísmo, rebeldia e necessidade de sofrimento.

Perg. 128 - A vida do irracional está revestida igualmente das características missionárias?
- A vida do animal não é propriamente missão, apresentando, porém, uma finalidade superior que constitui a do seu aperfeiçoamento próprio, através das experiências benfeitoras do trabalho e da aquisição, em longos e pacientes esforços, dos princípios sagrados da inteligência.

18 - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - cap. VI,8; XXi, 4

MISSÃO DOS ESPIRITAS - ERASTO Paris, 1863
4. Não percebeis desde já a formação da tempestade deve assolar o Velho Mundo, e reduzir a nada a soma das iniquidades terrenas? Ah! bendizei o Senhor, vós que tendes fé na soberana justiça, e que, novos apóstolos da crença revelada vozes proféticas superiores, ides pregar o novo dogma da reencarnação e da elevação dos Espíritos, segundo o bom ou mau de penho de suas missões e a maneira por que suportaram as provas terrenas.

Deixai de temores! As línguas de fogo estão sobre as vossas cabeças. Ó verdadeiros adeptos do Espiritismo, vós sois os eleitos de Deus! Ide e pregai a palavra divina. É chegada a hora ei deveis sacrificar os vossos hábitos, os vossos trabalhos, as futilidades, à sua propagação. Ide e pregai. Os Espíritos elevados estão convosco. Falareis, certamente, a pessoas que não que escutar a palavra de Deus, porque essa palavra as convida incessantemente ao sacrifício.

Pregareis o desinteresse aos avarentos, a abstinência aos lutos, a mansidão aos tiranos domésticos e aos déspotas — palavras perdidas, bem sei, mas que importa! É necessário regar com suor o terreno em que deveis semear, porque ele não frutificará, não produzirá, senão sob os esforços incessantes da enxada e da charrua evangélicas. Ide e pregai!

Sim, vós todos, homens de boa fé, que tendes consciência de vossa inferioridade, ao contemplar no infinito os mundos espaciais, parti em cruzada contra a injustiça e a iniquidade. Ide e aniquilai o culto do bezerro de ouro, que dia-a-dia mais se expande. Ide, que Deus voz conduz! Homens simples e ignorantes, vossas línguas se soltarão, e falareis como nenhum orador sabe falar. Ide e pregai que as as populações atentas receberão com alegria as vossas palavras consolação, de fraternidade, de esperança e de paz.

Que importam as ciladas que armarem no vosso caminho? Somente os lobos caem nas armadilhas de lobos, pois o pastor saberá defender as suas ovelhas contra os carrascos imoladores. Ide, homens que sois grandes perante Deus, e que, mais felizes do que Tomé, credes sem querer ver e aceitais os fatos da mediunidade, mesmo quando nada conseguistes obter por vós mesmos. Ide, o Espírito de Deus vos guia!

Marcha, pois, para a frente, grandiosa, falange da fé! e os pesados batalhões dos incrédulos se desvanecerão diante de ti, como as névoas da manhã aos primeiros raios do sol. A fé é a virtude que transporta montanhas, disse Jesus. Mas, ainda mais pesadas que as maiores montanhas, são as jazidas da impureza e de todos os vícios da impureza no coração humano. Parti, pois, cheios de coragem, para remover essas montanhas de iniqüidades que as gerações futuras não devem conhecer, senão como pertencentes a idade das lendas, da mesma nianeira como só imperfeitamente conheceis os períodos anteriores à civilização pagã.

Sim, as revoluções morais e filosóficas vão eclodir em todos os pontos do Globo. Aproxima-se a hora em que a luz divina brilhará sobre os dois mundos. Ide, pois, levando a palavra divina aos grandes, que a desdenharão; aos sábios, que desejarão prová-la; e aos simples e pequeninos, que a aceitarão, pois principalmente entre os mártires do trabalho, nesta expiação terrena, encontrareis entusiasmo e fé.

Ide, que estes receberão jubilosos, agradecendo e louvando a Deus, a consolação divina que lhes oferecerdes; e, baixando a fronte, renderão graças pelas aflições que a Terra lhes reservou. Arme-se de decisão e coragem a vossa falange! Mãos à obra! O arado está pronto, e a terra preparada: arai!

Ide e agradecei a Deus a gloriosa tarefa que vos concedeu. Mas, cuidado, que entre os chamados para o Espiritismo, muitos desviaram da senda! Atentai, pois, no vosso caminho, e buscai a verdade. Perguntareis, então: Se entre os chamados para o Espiritismo, muitos se transviaram, como reconhecer os que se acham no bom caminho?

Responderemos: Podeis reconhecê-los pelo ensino e pela prática dos verdadeiros princípios da caridade; pela consolação que distruírem aos aflitos; pelo amor que dedicarem ao próximo; pela sua abnegação e seu altruísmo. Podeis reconhecê-los, finalmente, pela vitória dos seus princípios, porque Deus quer que a Sua lei triunfe, e os que a seguem são os escolhidos, que vencerão.

Os que, porém, falseiam o espírito dessa lei, para satisfazerem sua vaidade e sua ambição, esses serão destruídos.

MISSÃO DOS PROFETAS
4 - Atribui-se geralmente aos profetas o dom de revelar o futuro, de maneira que as palavras profecia e predição se tornaram sinônimas. No sentido evangélico, a palavra profeta tem uma significação mais ampla, aplicando-se a todo enviado de Deus, com a missão de instruir os homens e de lhes revelar as coisas ocultas, os mistérios da vida espiritual. Um homem pode, portanto, ser profeta sem fazer predições.

Essa era a idéia dos judeus, no tempo de Jesus. Eis porque, ao ser levado perante o sumo sacerdote Caifás, os Escribas e os Anciãos, que estavam ali reunidos, lhe cuspiram no rosto e lhe deram socos e bofetadas, dizendo: "Cristo, profetiza, e dize quem foi que te bateu". Houve profetas, entretanto, que tiveram a preciência do futuro, seja por intuição ou por revelação providencial, a fim de transmitirem advertências aos homens. Como essas predições se realizaram, o dom de predizer o futuro foi considerado como um dos atributos da qualidade de profeta.

19 - O grande enigma - Léon Denis - pág. 229

(...) Acabamos de passar em revista as ruínas a que o século XX já assistiu. Falemos agora das renovações que prepara e que executará. É sempre na ordem intelectual que as grandes renovações começam. As idéias precedem e preparam os fatos. É a lógica da História e a lei do progresso humano.

O abuso dos métodos e dos processos de análise tem estado a ponto de nos perder. Conseqüentemente, é mister preparar as grandes sínteses, as concepções de conjunto. Eis que se estabelece um novo ponto de vista para todas as coisas. Para aplicar métodos novos são precisos homens novos. Para a ciência livre de amanhã, são necessários espíritos livres.

Enquanto os homens destas gerações, submetidos à disciplina da Igreja ou da Universidade, não tiverem desaparecido, apenas se poderá esboçar a obra de redenção do espírito humano. A Igreja com suas confissões e a Universidade com seus exames quebrantaram a elasticidade da Alma e oprimiram os surtos do pensamento.

As vocações e as inteligências retraíram-se; ninguém teve o tempo e o espaço necessário para sentir e viver plenamente. Prepara-se, entretanto, o trabalho de renovação. O século XIX e o começo do XX viram aparecer os precursores. Os gênios não tardarão em vir.

Em cada época da História, conta-se certo número de Espíritos que pertencem mais ao século seguinte do que àquele em que vivem. Shakespeare escreveu: "Os grandes acontecimentos projetam diante de si sua sombra, antes que sua presença abale o Universo."

Ora, os precursores viram esta sombra grandiosa desenhar-se-lhes no caminho, em formas móveis e poderosas; pressentiram os fatos e adivinharam as leis. Era o sinal de sua eleição intelectual e de sua vocação; mas, havia ali também a razão do seu isolamento, de seu abandono, de seus sofrimentos em meio à multidão que os não podia compreender.

Acontecimentos surgiram com grandeza trágica. Durante mais de um quatriênio os povos se chocaram com abalos formidáveis. A guerra prosseguiu em sua obra de ruína e de morte, ao mesmo tempo que varria muitos erros, ilusões e quimeras. Ao sopro da tempestade, rasgaram-se as nuvens e apareceu um canto de céu azul. O décimo nono século foi o século da Matéria; o vigésimo será o do Espírito.

O décimo nono, perscrutando a Natureza, fez surgir desconhecidas energias; o vigésimo revelar-nos-á forças espirituais superiores a tudo quanto o homem sonhou, e o estudo dessas forças nos conduzirá à solução do problema da vida e da morte. Os precursores são grandes diante da História! São eles que esclarecem a marcha da Humanidade na imensa estrada de seus destinos.

Assemelham-se aos concorrentes do stadium antigo, de que fala Lucrécio, e que passaram de mão em mão o facho da inspiração. Sem eles, as renovações intelectuais do mundo não encontrariam os caminhos abertos, nem os espíritos preparados. Entre eles podemos citar, de nossos dias: Allan Kardec, Jean Reynaud, Flammarion, Victor Hugo, Crookes, Myers, Lodge, etc.

O livro de Myers, sobre a Personalidade humana, termina por uma bela síntese experimentalista. O autor demonstra que é preciso, primeiramente, explicar o homem ao próprio homem. O aprender a conhecer o homem leva ao conhecimento de Deus e do Universo. É o que havia recomendado o poeta inglês Pope, em seu Ensaio sobre o homem.

Mas as gerações passam, e é sempre esquecido esse estado essencial do homem interior. O século XIX consagrou incalculáveis recursos, imensos laboratórios ao estudo do universo material; estendeu prodigiosamente o campo de suas observações e de suas experiências; mas, o mundo ignorava ainda a constituição íntima do ser humano e as leis de seu destino.

Encontraram-se, pois, nossos legisladores na impossibilidade de governar. Como, com efeito, dirigir homens, administrar povos, quando se ignora ou se finge ignorar o grande princípio da vida? Daí surgiu o mal-estar de que sofre hoje nosso país.

O formidável problema do trabalho, com suas múltiplas dificuldades, tem por origem esse erro capital. Não quiseram ver na pessoa humana mais que um corpo a nutrir e explorar, e, partindo daí, só houve a preocupação das necessidades materiais. A luta pela vida tornou-se tão brutal quanto o era no tempo dos bárbaros.

O mal é grande, e não será sanado com sistemas empíricos. Nem no Socialismo, sob a fórmula atual, nem no Catolicismo, serão encontrados os remédios. Faz-se mister, em primeiro lugar, descobrir as causas para nos atermos a elas. Ora, estas são, por assim dizer, constitucionais ao homem. Seus erros, eis o que é preciso corrigir; suas paixões, eis o que é preciso combater, agindo menos sobre as massas do que sobre o indivíduo.

É ao todo, com efeito, que se deve esclarecer e corrigir; é preciso cultivar e desenvolver o homem interior em cada personalidade viva, se quisermos passar do reino da Natureza ao do Espírito. Para a ciência nova, são necessários homens que conheçam a fundo as leis superiores do Universo, o princípio da vida imortal e a grande lei da evolução, que é uma lei de amor, e não uma lei de bronze, conforme o disse Haeckel.

Existe uma doutrina, ao mesmo tempo — velha quanto o mundo, e jovem quanto o futuro, porque é eterna, sendo a Verdade; uma doutrina que resume todas as noções fundamentais da vida e do destino; é o Espiritismo, e o livro de Myers, acima citado, é o seu comentário científico.

O Espiritismo faz erupção no mundo; espalha-se por toda parte. Qual é a sociedade sábia, a revista hebdomadária, o jornal cotidiano, que não se ocupa de seus fenômenos, de suas manifestações, ainda que para os negar, criticar, mascarar ou combater? O Espiritismo é a questão do momento presente, o problema universal. Não é mais possível quedar indiferente em face dele.

E é precisamente porque essa invasão espiritual enche os dois mundos e preocupa o pensamento humano, que acreditamos dever insistir sobre os deveres que nos incumbem para com essa nova fé, essa ciência, jovem e forte, que oferece provas irrefutáveis da vida, depois da morte, e contém, em gérmen, todas as ressurreições do futuro!...

Relembramos, ao terminar, o caráter sensível do Espiritismo moderno. Não é um sistema novo que se vem juntar a outro, nem um conjunto de teorias vãs. É um ato solene do drama da evolução que começa uma revelação que ilumina, ao mesmo tempo, as profundezas do passado e do futuro, que faz surgir do pó dos séculos as crenças adormecidas, as anima com uma nova chama e, completando-as, as faz reviver.

É um sopro poderoso que desce dos Espaços e corre sobre o mundo; sob sua ação, todas as grandes verdades se revelam. Majestosas, emergem do crepúsculo das idades, para desempenhar o papel que o pensamento divino lhes assinala. As grandes coisas se fortificam no recolhimento e no silêncio. No olvido aparente dos séculos, colhem energias novas. Retraem-se e preparam-se para os empreendimentos futuros.

Acima das ruínas dos templos, das civilizações extintas e dos impérios desmoronados, acima do fluxo e do refluxo das marés humanas, uma voz poderosa se eleva; e esta voz clama: Os tempos são vindos, os tempos são chegados! Das profundezas estreladas descem à Terra os Espíritos em legião, para o combate da luz contra as trevas.

Não são mais os homens, os sábios e os filósofos que trazem uma doutrina nova. São os Gênios do Espaço que vêm e sopram em nossos pensamentos os ensinos chamados a regenerar o mundo.

São os Espíritos de Deus! Todos quantos possuem o dom da clarividência os percebem — pairando acima dos seres da Terra, tomando parte em nossos trabalhos, lutando ao nosso lado para o resgate e a ascensão da Alma humana. Grandes feitos se preparam. Que se ergam os trabalhadores do pensamento, se querem participar da missão oferecida por Deus a todos os que amam a Verdade e a ela servem.

23 - Pão Nosso - Emmanuel - pág. 77, 117

33 - TRABALHEMOS TAMBÉM
"E dizendo: Varões, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões."- (A tos, 14:15)
O grito de Paulo e Barnabé ainda repercute entre os aprendizes fiéis. A família cristã muita vez há desejado perpetuar a ilusão dos habitantes de Listra. Os missionários da Revelação não possuem privilégios ante o espírito de testemunho pessoal no serviço. As realizações que poderíamos apontar graça ou prerrogativa especial, nada mais exprimem senão o profundo esforço deles mesmos, no sentido de aprender e aplicar com Jesus.

O Cristo não fundou com a sua doutrina um sistema de deuses e devotos, separados entre si; criou vigoroso organismo de transformação espiritual para o bem supremo, destinado a todos os cor sedentos de luz, amor e verdade. No Evangelho, vemos Madalena arrastando dolorosos enganos, Paulo perseguindo ideais salvadores, Pedro negando o Divino Amigo, Marcos em luta com as próprias hesitações; entretanto, ainda aí, contemplamos a filha de Magdala, renovada no caminho redentor, o grande perseguidor convertido em arauto da Boa Nova, o discípulo frágil conduzido à glória espiritual e o companheiro vacilante transformado em evangelista da Humanidade inteira.

O Cristianismo é fonte bendita de restauração da alma para Deus. O mal de muitos aprendizes procede da idolatria a que se entregam, em derredor dos valorosos poentes da fé viva, que aceitam no sacrifício a dadeira fórmula de elevação; imaginam-nos em tronos de fantasia e rojam-se-lhes aos pés, sentindo-se confundidos, inaptos e miseráveis, esquecendo que o Pai concede a todos os filhos as energias necessária vitória.


Naturalmente, todos devemos amor e respeito aos grandes vultos do caminho cristão; todavia, por isto mesmo, não podemos olvidar que Paulo e Pedro, como tantos outros, saíram das fraquezas humanas para os dons celestiais e que o Planeta Terreno uma escola de iluminação, poder e triunfo, sempre que buscamos entender-lhe a grandiosa missão.

53 - EM CADEIAS
"Pelo qual sou embaixador em cadeias; para que possa falar dele livremente, como me convém falar". - Paulo (Efésios, 6:20)

Observamos nesta passagem o apóstolo dos gentios numa afirmativa que parece contraditória, à primeira vista. Paulo alega a condição de emissário em cadeias e, simultaneamente, declara que isto ocorre para que possa servir ao Evangelho, livremente quanto convinha.

O grande trabalhador dirigia-se aos companheiros de Éfeso, referindo-se à sua angustiosa situação de prisioneiro das autoridades romanas; entretanto, por isto mesmo, em vista do difícil testemunho, trazia o espírito mais livre para o serviço que lhe competia realizar.

O quadro é significativo para quantos pretendem a independência econômico-financeira ou demasiada liberdade no mundo, a fim de exemplificarem os ensinamentos evangélicos. Há muita gente que declara aguardar os dias da abundância material e as facilidades terrestres para atenderem ao idealismo cristão.

Isto, contudo, é contra-senso. O serviço de Jesus se destina a tudo lugar. Paulo, entre cadeias, se sentia mais livre na pregação da verdade. Naturalmente, nem todos os discípulos estarão atravessando esses montes culminantes do testemunho. Todos, porém, sem distinção, trazem consigo as santas algemas das obrigações diárias no lar, no trabalho comum, na rotina das horas, no centro da sociedade e da família.

Ninguém, portanto, tente quebrar as cadeias em que se encontra, na mentirosa suposição de que se canditará a melhor posto nas oficinas do Cristo. Somente o dever bem cumprido nos confere acesso à legítima liberdade.

24 - Revista Espírita 1860 - Allan Kardec - pág. 113

A teoria da formação da Terra pela incrustação de vários corpos planetários já foi dada em várias épocas, por certos Espíritos e através de médiuns desconhecidos uns dos outros. Não somos adeptos dessa doutrina, que confessamos não ter sido ainda suficientemente estudada para sobre ela nos pronunciar­mos, mas confessamos que merece um sério exame. As reflexões que ela nos sugere não passam de hipóteses, até que dados mais positivos venham confirmá-las ou desmenti-las. Enquanto se espera, é uma balisa que pode pôr a caminho de uma grande descoberta, guiar nas buscas, e talvez um dia os cientistas encontrem nela a solução de muitos problemas.

Mas, dirão certos críticos: Não tendes confiança nos Espíritos e duvidais de suas afirmações? Como inteligências desprendidas da matéria, não podem remover todas as dúvidas da Ciên­cia e lançar a luz onde reina a obscuridade? Esta é uma questão séria, que se liga à própria base do Espiritismo, e que não poderíamos resolver no momento, sem repetir o que já temos dito a respeito; acrescentaremos apenas algumas palavras, a fim de justificar nossas reservas.

Para começar, responderemos que nos tornaríamos sábios muito facilmente se tratássemos apenas de interrogar os Espíritos para conhecer tudo quanto se ignora. Deus quer que adquiramos a Ciência pelo trabalho, e não encarregou os Espíritos de no-la trazer preparada, favorecendo a nossa preguiça. Em segundo lugar, a humanidade, como os indivíduos, tem a sua infância, sua adolescência, sua Juventude e sua idade viril.

Encarregados por Deus de instruir os homens, devem, pois, os Espíritos proporcionar-lhes ensinos para o desenvolvimento da inteligência; não d ira o tudo a todos e, antes de semear, esperam que a terra está pronta para receber a semente, a fim de fazê-la frutificar. Eis por que certas verdades que nos são ensinadas hoje não o foram aos nossos pais, que também interrogavam os Espíritos; e por que, ainda, verdades para as quais não estamos maduros, só serão ensinadas aos que vierem depois de nós. Nosso equívoco está em nos julgarmos chegados ao topo da escada, quando apenas nos achamos a melo caminho.

Digamos de passagem que os Espíritos têm duas maneiras Instruir os homens. Podem fazê-lo tanto se comunicando diariamente, o que ocorreu em todos os tempos, como o provam nossas histórias sagradas e profanas, quanto encarnando-se entre eles, para o desempenho das missões de progresso. Tais o esses homens de bem e de gênio, que aparecem de tempos os tempos, como fachos para a humanidade, fazendo-a avançar alguns passos.

Vede o que acontece, quando esses mesmos homens vêm antes da era propícia para as idéias que devem espalhar: são desconhecidos em vida, mas seu ensino não se perde. Depositado nos arquivos do mundo, como precioso grão posto de reserva, um belo dia sai do pó, no momento em que frutificar.

Desde então compreende-se que, se não tiver chegado o tempo necessário para dispemlnar certas idéias, será em vão que interrogaremos os Espíritos: eles não podem dizer senão o que Ihes é permitido. Há, porém, outra razão, que compreendem perfeitamente todos os que têm alguma experiência do mundo espírlta.

Não basta ser Espírito para possuir a Ciência universal, pois assim a morte nos faria quase Iguais a Deus. Aliás, o simples bom senso se recusa a admitir que o Espírito de um selvagem, um ignorante ou de um malvado, desde que separado da matéria, esteja no nível do cientista ou do homem de bem. Isto não seria racional.

Há, pois, Espíritos adiantados, e outros s ou menos atrasados, que devem superar ainda várias etapas, passar por numerosas peneiras antes de se despojarem todas as imperfeições. Disso resulta que, no mundo dos espíritos, são encontradas todas as variedades morais e intelectuais existentes entre os homens e outras mais. Ora, a experiência prova que os maus se comunicam tanto quanto os bons. Os que são francamente maus, são facilmente reconhecíveis ; mas há também os meio sábios, falsos sábios presunçosos, sistemáticos e até hipócritas.

Estes são os mais perigosos, porque afetam uma aparência séria, de ciência e de sabedoria, em favor da qual proclamam, em meio a algumas verdades e boas máximas, as mais absurdas coisas. E para melhor enganar, não receiam enfeitar-se com os mais respeitáveis nomes. Separar o verdadeirodo falso, descobrir a trapaça oculta numa cascata de palavras bonitas, desmascarar os impostores, eis, sem contradita, uma das maiores dificuldades da ciência espírita. (...)