MORAL
BIBLIOGRAFIA
01- A agonia das religiões - pág. 115 02 - A alma é imortal - pág. 202
03 - A evolução anímica - pág. 63, 74 04 - A pluralidade dos M. Habitados - pág. 274, 276
05 - Agenda cristã - pág. 15 06 - Antologia do perispírito - ref. 125, 958
07 - Catecismo Espírita - pág. 92, 44ª lição 08 - Ciência e espiritismo - pág. 77, 122
09 - Cristianismo e Espiritismo - pág. 44 10 - Depois da morte - pág. 240
11 - Curso Din.de Espiritismo - pág. 44 12 - Deus na Natureza- pág. 289
13 - Estude e viva - pág. 134 14 - Estudos espíritas - pág. 163
15 - Florações evangélicas - pág. 11

16 - História do Espiritismo - pág.151

17 - Magnetismo espiritual - pág. 102 18 - Nas pegadas do Mestre - pág. 179
19 - No invisível - pág. 121 20 - No mundo maior- pág. 63
21 - O consolador - pág. 122 22 - O espirito da verdade - pág. 194, 210
23 - O espirito e o tempo - pág. 157 24 - O Evangelho S. o Espiritismo - cap. xiii, 9
25 - O grande enigma - pág. 231 26 - O Livro dos Espíritos - intr iv q.52, 100,146
27 - O Livro dos Médiuns - q. 195, 226, 291 28 - O mestre na educação - pág. 62
29 - O porquê da vida - pág. 70 30 - Obras póstumas - pág. 70, 90, 250
31 - Passes e radiações - pág. 62 32 - Sexo e evolução - pág.172

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MORAL – COMPILAÇÃO

14 - Estudos espíritas -Joanna de Ângelis - pág. 163

22 - MORAL - CONCEITO

— Conjunto de regras que constituem os bons costumes, a Moral consubstancia os princípios salutares de comportamento de que resultam o respeito ao próximo e a si mesmo. Decorrência natural da evolução, estabelece as diretrizes seguras em que se fundam os alicerces da Civilização, produzindo matrizes de caráter que vitalizam as relações humanas, sem as quais o homem, por mais avançado nos esquemas técnicos, poucos passos teria conseguido desde os estados primários do sentimento.

Da constante necessidade de defender-se e defender as primeiras comunidades, ainda na fase agrária, surgiram as medidas ora restritivas, ora estimulantes entre os chefes e os subalternos e nas relações recíprocas dos indivíduos, do que resultavam produtivos empreendimentos e proveitosos aprestos no concerto de interesses. Da observação pura e simples, aglutinaram-se experiências que se transformaram, a pouco e pouco, em regras para as trocas comerciais e os acertos políticos entre os diversos grupos, evoluindo para os costumes que se fixaram nas gerações sucessivas, em forma de leis e estatutos.

Impostas por uns, espontaneamente aceitas por outros, desprezadas por muitos, as diretrizes morais evoluíram e se transformaram em Civilização e Cultura, conduzindo às diversas formas de governo superior e à manutenção da ordem pelo indivíduo, em relação a outro, à comunidade, ao Estado e reciprocamente.

Dividida em teoria e prática, a primeira busca determinar o bem supremo, enquanto a outra se encarrega de expor os múltiplos deveres, que constituem os princípios práticos, basilares da vida. Observando suas regras o homem pratica o bem e evita o mal.

DESENVOLVIMENTO

— À medida que a necessidade do crescimento comunitário fomentava o povoamento de novas terras, encorajando a organização social em bases de progresso, a Moral, a princípio arbitrária, depois racional e lógica, sempre esteve presente, sustentando a disciplina e, simultaneamente, tanto o equilíbrio individual como o coletivo, constituindo preocupação fundamental de pensadores e governos, para a preservação dos princípios conquistados a duras penas, nas experiências da evolução.

Somente a partir de Sócrates passou a Moral a ser considerada pela Filosofia. Indubitavelmente muitas vezes a Moral esteve sujeita a hábeis guerreiros, que a submetiam aos próprios caprichos, da mesma forma que o pensamento padeceu não poucas aflições sob o predomínio de conciliábulos nefandos de odientos políticos que, ardilosos no manejo das situações, sabiam como manter-se, engendrando normas de tirania com que asfixiavam ou tentavam dominar os idealistas e filósofos, a fim de se manterem venais, na cúpula sempre transitória da governança.

A resposta, porém, da vida à dominação e à arbitrariedade é a pequena duração da organização humana fisiológica e o repúdio, quando não o desprezo da posteridade. Muitos sofistas, aferrados à negligência, ainda hoje tentam desconsiderar as linhas da moralidade, confundindo-as com os preconceitos e as conveniências dos hábitos sociais, nem sempre, é verdade, relevantes ou enobrecidos, assoalhando que, em variando entre os muitos povos, a Moral é uma questão de opinião sem valor...

Todavia, em qualquer período em que o lar esteve sob o estigma da dissolução dos costumes, a sociedade se corrompeu e a Civilização malogrou, consumida pelo desprestígio generalizado, dentro e fora das suas fronteiras, do que redundou o desaparecimento, malgrado o fastígio atingido, reduzindo-se a escombros, abatida pela guerra da dominação estrangeira, vencida que já estava pelo vírus da desordem interna...

Observando-se as conquistas do homem através do conhecimento, fácil é constatar-se que as regras morais são, também, medidas de higiene e saúde, com comprometimentos profundos nas atitudes e ações do próprio Espírito. Sendo o homem um animal em evolução, a disciplina do instinto e o desdobramento dos recursos da inteligência, bem como a necessidade da preservação da vida, impõem, a princípio, a disciplina, depois, a lei e, por fim, a Moral, que se converte em nobilitante comportamento com que se liberta das constrições primitivas e se põe em sintonia com as vibrações sutis da Espiritualidade, para onde ruma na condição de Espírito imortal que é.

A história da Filosofia é uma constante busca de uma concepção otimista do mundo. E nesse capítulo a Moral é relevante. De Hermes, com as suas asseverações espirituais, a Lao-tse, de Confúcio, com os princípios da família e da sociedade fundamentando a Moral numa filosofia da Natureza, otimista, a Zoroastro e Maomé, na concepção dualista da vida, de Sócrates, Platão e Aristóteles com os conceitos políticos, morais e espirituais, às leis apresentadas por Moisés, em Jesus a Moral assume relevante proposição, que modifica a estrutura do pensamento humano e social, abrindo o campo a experiências vigorosas, em que medram as legítimas aspirações humanas, que transitam do poder da força para a força do amor...

Jesus se preocupa com a perfeição íntima, ética, intransferível, dos homens, conclamando-os a realizarem o "reino de Deus" interiormente, numa elaboração otimista.

CONCLUSÃO

— Certamente a moral cristã ainda não colimou os seus objetivos elevados, conquanto os vinte séculos passados. Todavia, diante dos esforços do Direito e da acentuada luta pacífica das organizações mundiais, a Moral, em diversas apreciações tornadas legais, sancionadas por governos e povos, atingirá, não obstante as dificuldades e transições do atual momento histórico, o seu fanal nos dias do porvir, propondo ao homem moderno, na moderação e na equidade, nos costumes corretos, aceitos pelo comportamento das gerações passadas, a vivência do máximo postulado do Cristo, sempre sábio e atual:

"Fazer ao próximo o que desejar que este lhe faça", respeitando e respeitando-se, para desfrutar a consciência apaziguada e viver longos dias de harmonia na Terra, com felicidade espiritual depois da destruição dos tecidos físicos pelo fenômeno da morte.

ESTUDO E MEDITAÇÃO:

" Que definição se pode dar da moral?"
"A moral é a regra de bem proceder, isto é de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus."
"Como se pode distinguir o bem do mal ?" "
O bem é tudo que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é infringi-la."(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questões 629 e 630.)

"A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto, são qualidades do homem virtuoso. Infelizmente, quase sempre as acompanham pequenas enfermidades morais que as desornam e atenuam. Não é virtuoso aquele que faz ostentação da sua virtude, pois que lhe falta a qualidade principal: a modéstia, e tem o vício que mais se lhe opõe: o orgulho. A virtude, verdadeiramente digna desse nome, não gosta de estadear-se. Adivinham--na; ela, porém, se oculta na obscuridade e foge à admiração das massas (...)." (O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. XVII, item 8.)

21 - O consolador - Emmanuel - pág. 122

Perg. 204 -A alma humana poder-se-á elevar para Deus tão-somente com o progresso moral, sem os valores intelectivos?
- O sentimento e a sabedoria são as duas asas com que a alma se elevará para a perfeição infinita. No círculo acanhado do orbe terrestre, ambos são classificados como adiantamento moral e adiantamento intelectual, mas, como estamos examinando os valores propriamente do mundo, em particular, devemos reconhecer que ambos são imprescindíveis ao progresso, sendo justo, porém, considerar a superioridade do primeiro sobre o segundo, porquanto a parte intelectual sem a moral pode oferecer numerosas perspectivas de queda, na repetição das experiências, enquanto que o avanço moral jamais será excessivo, representando o núcleo mais importante das energias evolutivas.

22 - O espirito da verdade - Espíritos Diversos - pág. 194, 210

84 - PRÓ OU CONTRA - Cap. XVII — Item 4
"Quem não é comigo é contra mim." — Jesus. - (LUCAS, 11:23.)
Entre o bem e o mal não existe neutralidade.
De igual modo, não há miscibilidade ou transição entre a verdade e a mentira.
Escondemo-nos na sombra ou revelamo-nos na luz.
Quem não edifica o bem, só por essa omissão já está forjando o mal, em forma de negligência.

Quem foge à realidade cairá inevitavelmente no engano de consequências imprevisíveis.
Importa considerar, entretanto, a relatividade das posições individuais, nos quadros da vida coletiva, para não encarcerarmos a própria conduta em opiniões inamovíveis.
Desse modo, busquemos sempre, acima de tudo, a verdade fundamental que dimana do Criador, e o bem maior, relativo ao interesse espiritual de todas as criaturas.

Partindo desse princípio basilar, sentiremos a realidade do esclarecimento justo do Senhor:
— "Quem não é comigo é contra mim."
A necessidade mais imperiosa de nossas almas é sempre aquela do culto incessante à caridade pura, sem condições de qualquer natureza. Quem estiver fora dessa orientação, respira a distância do apostolado com Jesus.

Para assegurar-nos a firme atitude na senda reta, trazemos dentro de nós a consciência, à feição de porta--voz do roteiro exato.
Nos mínimos sucessos de cada dia, define-te, pois, com clareza, para que te não abandones à neblina dos vales de indecisão.
Estacionamento no mal, ou ascensão para o bem.

Com Jesus ou distante dele. Isto significa que estarás ao lado do Cristo, desprezando agora as supostas facilidades que gerarão depois as dificuldades reais, ou abraçando, hoje, a cruz do caminho que, amanhã, conferir-te-á o galardão do imarcescível triunfo.
EMMANUEL

92 - ESPIRITISMO E VOCÊ
Cap. XVII — Item 4
Recentemente você teve os primeiros contactos com a Doutrina Espírita e agora se deslumbra com as novas perspectivas espirituais da existência. Ideais redentores. Relações pessoais enriquecidas. Conversações edificantes. Leitura nobre. Promissores ensejos de servir à fraternidade.

Recorde, no entanto, os imperativos da disciplina, em todos os empreendimentos, para que a afoiteza não lhe crie frustrações. Tornar-se espírita não é santificar-se automaticamente, não significa privilégio e nem expressa cárcere interior. É oportunidade de libertação da alma com responsabilidades maiores ante as Leis da Criação. Ê reencarnar-se moralmente, de novo, dentro da própria vida humana. Convicção espírita é galardão abençoado no aprendizado multimilenar da evolução.

Desse modo, nem prevenção nem invigilância constituem caminhos para semelhante conquista. Urge sustentar perseverança e paciência na execução justa de todos os deveres. Evite arrancar abruptamente as raízes defeituosas, mas profundas, de suas atividades; empreenda qualquer renovação pouco a pouco. Contenha os ímpetos de defesa intempestiva das suas idéias novas; sedimente primeiro os próprios conhecimentos. Espiritismo é Claridade Eterna.

Gradue a intensidade da luz que você vislumbrar, para que seus olhos não sejam acometidos pela cegueira do fanatismo.Muitos irmãos nossos ainda se debatem nas lutas de subnível, porque não se dispuseram a aceitar a realidade que você está aceitando, mas, também, outros muitos palmilharam o lance da experiência que hoje você palmilha e nem por isso alcançaram êxitos maiores, na batalha íntima e intransferível que travamos conosco, em vista da negligência a que ainda se afazem.

Crença não nos exime da consciência. Acertar ou cair são problemas pessoais. Tudo depende de você. Quem persiste na ilusão, abraça a teimosia. Quanto mais se edifica a inteligência, mais se lhe acentua o prazer de servir. Obedeça, pois, ao chamamento do Senhor, emprestando boa-vontade ao engrandecimento da redenção humana, através do trabalho ativo e incessante nos diversos setores em que se lhe possa desenvolver a colaboração.

Conserve-se encorajado e confiante. Alegria serena, em marcha uniforme, é a norma ideal para atingir-se a meta colimada. Eleve anseios e esperanças, tentando sublimar emoções e cometimentos. Acima de tudo, consolide no coração a certeza de que a revelação maior é aquela que nos preceitua o dever de procurar com Jesus a nossa libertação do mal e, em nosso próprio benefício, compreendamos a real posição do Mestre como Excelso Condutor de nosso mundo, em cujo infinito amor estamos construindo o Reino de Deus em nós. André Luiz.

24 - O Evangelho S. o Espiritismo - Allan Kardec - cap. xiii, 9

A CARIDADE MATERIAL E A CARIDADE MORAL
IRMÃ ROSÁLIA
Paris, 1860
9. "Amemo-nos uns aos outros e façamos aos outros o que quereríamos que nos fosse feito." Toda a religião, toda a moral, se encerram nestes dois preceitos. Se eles fossem seguidos no mundo, todos seriam perfeitos. Não haveria ódios, nem ressentimentos. Direi mais ainda: não haveria pobreza, porque, do supérfluo da mesa de cada rico, quantos pobres seriam alimentados! E assim não mais veriam, nos bairros sombrios em que vivi, na minha última encarnação, pobres mulheres arrastando consigo miseráveis crianças necessitadas de tudo.

Ricos! Pensai um pouco em tudo isso. Ajudai o mais possível infelizes; dai, para que Deus vos retribua um dia o bem que houverdes feito; para encontrardes, ao sair de vosso invólucro terrestre, um cortejo de Espíritos reconhecidos, que vos receberão no limiar de um mundo mais feliz.

Se pudésseis saber a alegria que provei, ao encontrar no além aqueles a quem beneficiei, na minha última vida terrena! Amai, pois, ao vosso próximo; amai-o como a vós mesmos, pos já sabeis, agora, que o desgraçado que repelis talvez seja um irmão ,um pai, um amigo que afastais para longe. E, então, qual não será o vosso desespero, ao reconhecê-lo depois no mundo dos Espiritos!

Ouero que compreendais bem o que deve ser a caridade moral, que todos podem praticar, que materialmente nada custa, e que não obstante é a mais difícil de pôr em prática.

A caridade moral consiste em vos suportardes uns aos outros o que menos fazeis nesse mundo inferior, em que estais momentaneamente encarnados. Há um grande mérito, acreditai, em saber calar, para que outro mais tolo possa falar; isso é também uma forma de caridade. Saber fazer-se de surdo, quando uma palavra irônica escapa de uma boca habituada a caçoar; não ver o sorriso desdenhoso com que vos recebem pessoas que, muitas vezes erradamente, estão às vezes muito abaixo: eis um merecimento que não é de humilde, mas de caridade, pois não se incomodar com as faltas alheias é caridade moral.

Essa caridade, entretanto, não deve impedir que se pratique a outra. Pelo contrário: pensai, sobretudo, que não deveis desprezar o vosso semelhante; lembrai-vos de tudo o que vos tenho dito; é necessário lembrar, incessamentemente, que o pobre repelido talvez seja um Espírito que vos foi caro, e que momenteamente se encontra numa posição inferior à vossa. Reencontrei um dos pobres do vosso mundo a quem pude, por felicidade, beneficiar algumas vezes, e ao qual tenho agora de pedir, por minha vez.

Recordai-vos de que Jesus disse que somos todos irmãos, e pensai sempre nisso, antes de repelirdes o leproso ou o mendigo. Adeus! Pensai naqueles que sofrem, e orai.

26 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - intr iv questões: 52, 100,146

Perg. 52 - De onde vêm as diferenças físicas e morais que distinguem as variedades de raças humanas na Terra?
-Do clima, da vida e dos hábitos. Dá-se o mesmo que se daria com duas crianças da mesma mãe, que, educadas uma longe da outra e de maneira diferente, não se assemelhassem em nada quanto ao moral.

100. Observações Preliminares: A classificação dos Espíritos funda-se no seu grau de desenvolvimento, nas qualidades por eles adquiridas e nas imperfeições de que ainda não se livraram.

27 - O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - questões:. 195, 226, 291

195. 5°) Segundo as qualidades morais do médium: Mencionamô-los sumariamente, lembrando-os apenas para completar o quadro, pois serão tratados a seguir em capítulos especiais: Da influência moral dos médiuns.

226. 1. O desenvolvimento da mediunidade se processa na razão do desenvolvimento moral do médium?
-Não. A faculdade propriamente dita é orgânica e, portanto, independente da moral. Mas já não acontece o mesmo com o seu uso, que pode ser bom ou mau, segundo as qualidades do médium.

2. Sempre se disse que a mediunidade é um dom de Deus, uma graça, um favor divino. Por que, então, não é um privilégio dos homens de bem? E por que há criaturas indignas que a possuem no mais alto grau e a empregam no mau sentido? - Todas as nossas faculdades são favores que devemos agradecer a Deus, pois há criaturas que não as possuem. Podias perguntar porque Deus concede boa visão a malfeitores, destreza aos larápios, eloquência aos que só a utilizam para o mal. Acontece o mesmo com a mediunidade. Criaturas indignas a possuem, porque dela necessitam mais do que as outras para se melhorarem. Pensas que Deus recusas os meios de salvação aos culpados? Ele os multiplica nos seus passos, coloca-os nas suas próprias mãos. Cabe a eles aproveitá-los, Judas, o traidor, não fez milagres e não curou doentes, como apóstolo? Deus lhe permitiu esse dom para que mais odiosa lhe parecesse a traição.

3. Os médiuns que empregam mal as suas faculdades, que não as utilizam para o bem ou que não as aproveitam para a sua própria instrução, sofrerão as consequências disso? - Se as usarem mal, serão duplamente punidos, pois perdem a oportunidade de aproveitar um meio a mais de se esclarecerem. Aquele que vê claramente e tropeça, é mais censurável que o cego que cai na valeta.

28 - O mestre na educação - Vinícius - pág. 62

12 - INSTRUÇÃO E EDUCAÇÃO
É preciso não confundir instrução com educação. A educação abrange a instrução, mas pode haver instrução desacompanhada de educação. A instrução relaciona-se com o intelecto: a educação com o caráter. Instruir é ilustrar a mente com certa soma de conhecimentos sobre um ou vários ramos científicos. Educar é desenvolver os poderes do espírito, não só na aquisição do saber, como especialmente na formação e consolidação do caráter.

O intelectualismo não supre o cultivo dos sentimentos. "Não basta ter coração, é preciso ter bom coração", disse Hilário Ribeiro, o educador emérito cuja extraordinária competência pedagógica estava na altura da modéstia e da simplicidade que lhe exornam o formoso espírito.

Razão e coração devem marchar unidos na obra do aperfeiçoamento do espírito, pois em tal importa o senso da vida. Descurar a aprendizagem da virtude, deixando-se levar pêlos deslumbramentos da inteligência, é erro de funestas consequências. Sobre este assunto, não há muito, o presidente dos Estados Unidos da América do Norte citou um julgado da "Suprema Corte de Justiça" de Massachusetts, no qual, entre outros princípios de grande importância, se enunciou o de que "o poder intelectual só é a formação científica, sem integridade de caráter, podem ser mais prejudiciais que a ignorância. A inteligência, superiormente instruída, aliada ao desprezo das virtudes fundamentais, constitui uma ameaça".

Convém acentuar aqui que a consciência religiosa corresponde, neste particular, ao fator principal na formação dos caracteres. Já de propósito usamos a expressão — consciência religiosa — ao invés de religião, para que se não confundam idéias distintas entre si. Religiões há muitas, mas a consciência religiosa é uma só. Por essa designação entendemos o império interior da moral pura, universal e imutável conforme foi ensinada e exemplificada por Jesus-Cristo. A consciência religiosa importa em um modo de ser, e não em um modo de crer.

É possível que nos objetem: mas, a moral cristã é tão velha, e nada tem produzido de eficiente na reforma dos costumes. Retrucaremos: não pode ser velho aquilo que não foi usado. A moral cristã é, em sua pureza e em sua essência, desconhecida da Humanidade. Sua atuação ainda não se fez sentir ostensivamente. O que se tem espalhado como sendo o Cristianismo é a sua contraf ação. Da sanção dessa moral é que está dependendo a felicidade humana sob todos os aspectos.

O intelectualismo, repetimos, não resolve os grandes problemas sociais que estão convulsionando o mundo. O fracasso da Liga das Nações é um exemplo frisante; e, como esse, muitos outros estão patentes para os que têm olhos de ver. Bem judiciosas são as seguintes considerações de Vieira sobre o inestimável valor da educação sob seu aspecto moral: 'Em todas as ciências é certo que há muitos erros, dos quais nasce a diferença de opiniões; em todas as ciências há muitas ignorâncias, as quais confessam todos os maiores letrados que não compreendem nem alcançam.

Pois se veio a Sabedoria divina ao mundo, por que não alumiou estes erros, porque não tirou estas ignorâncias? Porque errar ou acertar em todas as matérias, sabê-las ou não as saber, pouco coisa importa é acertar a ser bom: e isto é o que nos veio ensinar o Filho de Deus.

Nem ensinou aos filósofos a composição dos continentes, nem aos geômetras a quadratura do círculo, nem aos mareantes a altura de Leste a oeste, nem aos químicos o descobrimento da pedra filosofal, nem aos médicos as virtudes das ervas, das plantas e dos mesmos elementos; nem aos astrólogos e astrônomos o curso, a grandeza, o número e as influências dos astros: só nos ensinou a ser humildes, só nos ensinou a ser castos, só nos ensinou a fugir da avareza, só nos ensinou a perdoar as injúrias, só nos ensinou a sofrer perseguições pela causa da justiça, só nos ensinou a chorar e aborrecer o pecado e amar e exercitar a virtude; porque estas são as regras e as conclusões, estes os preceitos e os teoremas por onde se aprende a ser bom, a ser justo, que é a ciência que professou e veio ensinar o Filho de Deus. (...)