MULTIPLICAÇÕES DOS PÃES
BIBLIOGRAFIA
01- A GÊNESE, pag. 48 02 - A SOMBRA DO OLMEIRO, pag. 56
03 - ALERTA, pag. 112 04 - ANTÔNIO DE PÁDUA, pag. 77
05 - FONTE VIVA, pag. 299 06 - JESUS PERANTE A CRISTANDADE, pag. 95
07 - NA SEARA DO MESTRE, pag. 180 08 - O ESPÍRITO DO CRISTIANISMO, pag. 65
09 - O PASSE ESPÍRITA, pag. 14 10 - OS MILAGRES DE JESUS, xii
11 - SÍNTESE DE O NOVO TESTAMENTO, pag. 109,117 12 - UMA ANÁLISE CRÍTICA DA BÍBLIA, pag. 218

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MULTIPLICAÇÕES DOS PÃES – COMPILAÇÃO

01 - MULTIPLICAÇÕES DOS PÃES

Transfiguração, Multiplicação dos pães, e "Ressurreições" operadas por Jesus

Autor: Therezinha Oliveira

A Transfiguração (Mt. 17 1/8, Mc. 9 2/8 e Lc. 9 28/36. )
Resumamos as narrativas evangélicas:

Jesus levou Pedro, Tiago e João em particular a um alto monte, com o propósito de orar.

Enquanto ele orava:

seu rosto se modificou, resplandecia como o sol;
suas vestes tomaram-se brancas como a luz.
E apareceram Moisés e Elias (ambos já desencontrados) e conversavam os três sobre sua partida, que ele estava para cumprir em Jerusalém.

Explicação espírita do fenômeno
A transfiguração é "uma transformação fluídica, uma espécie de aparição perispirítica, que se produz sobre o próprio corpo do vivo" ; "geralmente é perceptível a todos os assistentes e com os olhos do corpo, precisamente por se basearem na matéria carnal visível". Pode-se dar pela vontade da própria pessoa ou sob influência externa. (Vide Allan Kardec, "A Gênese", cap. XIV, item 39; e a "Revista Espírita" de março de 1859.) Quando orou, Jesus se expandiu perispiritualmente, superpondo ao corpo novo aspecto e apresentando grande irradiação. A luminosidade propagou-se às suas vestes e através delas.

Quanto à presença de Moisés e Elias, foi um fenômeno de materialização (Pedro, Tiago e João eram médiuns de efeitos físicos), que será estudado em aula posterior.

A multiplicação de pães e peixes
Relatam os evangelistas que Jesus por 2 vezes multiplicou pães e peixes para atender à multidão que o seguira até uma região "deserta" (longe de cidades) e ali ficara ouvindo-o e recebendo curas mas, por não se terem munido de alimentos, estavam a ponto de passar fome.

A primeira multiplicação é relatada por Mt, 14 vs. 13/23, Mc. 6 vs. 30/44, Lc. 9 vs, 10/17 e Jo. 6 vs, l/15. A segunda somente por Mt. 15 32/39 e Mc. 8 1/10.

As diferenças entre as duas são pequenas, pois em ambas Jesus:

aproveitou o de que dispunham (alguns pães e peixes) ;
mandou que o povo se assentasse em grupos (ordenou a multidão);
orou (tomando os pães e peixes, ergueu os olhos aos céus e os abençoou);
depois fez a repartição entre os discípulos e estes para o povo;
todos comeram à vontade (milhares de homens, além das mulheres e crianças) ;
e ainda sobraram muitos cestos com pedaços de pão e de peixe, que Jesus mandou recolher para nada se perder.
Como explicar esse fenômeno?
Kardec entende que não houve o fenômeno materialmente ("A Gênese", cap. XV, item 48). A passagem seria simbólica, representando que Jesus "alimentou" espiritualmente a multidão que, magnetizada por sua presença e atenta à sua palavra, nem sentiu a falta de alimento físico. Assim queria Jesus que os discípulos também "alimentassem" o povo, quando lhes disse:

"Não é preciso que se retirem; dai-lhes vós de comer".

Também se pode pensar que, além dos poucos pães e peixes trazidos pelos discípulos, outras pessoas tivessem mais alimentos consigo e, ante o exemplo de doação generosa, acabaram por entregá-los também para a repartição entre todos. Aí, deu e sobrou.

Entretanto, não seria impossível um fenômeno de efeitos físicos, materializando substâncias. Em "O Livro dos Médiuns" (cap. VIII, Do Laboratório do Mundo Invisível), vemos que os espíritos podem não só reproduzir aparência de alimentos mas fazer que essas substâncias materializadas dêem até "a impressão de saciedade", quando ingeridas.

Mas para que teria Jesus realizado um fenômeno de efeitos físicos assim, multiplicando pães e peixes? Talvez com o objetivo de ensinar que precisamos pensar no próximo, no que ele necessita, e ajudar a atender essa necessidade; fazer isso orientando e ordenando o povo, doando o que nos for possível, buscando também o auxílio espiritual (orou antes de multiplicar) e não desperdiçando recursos (mandou recolher o que sobrasse).

Qual foi a repercussão?
Foi grande. A multidão, depois, queria proclamar rei a Jesus.

Mas ele não aceitou. E advertiu a todos: "Trabalhai não pela comida que perece mas pela que permanece para a vida eterna", ou seja, que procurassem assimilar sua mensagem, seus ensinos e exemplos.

Ressurreições
No Velho e no Novo Testamentos, há relatos de ressurreições, isto é, de pessoas que estavam mortas e voltaram a viver.

Como aceitar tais relatos se, à luz da Ciência, fatos assim são impossíveis e também não mais os vemos ocorrer nos dias de hoje?

O que a Ciência constata são casos em que as pessoas sofreram:

morte clínica: com parada cardíaca, perda da respiração, da consciência e dos movimentos; ' - letargia (do latim, letargia): perda momentânea da sensibilidade e do movimento, dando ao corpo aparência de morte real;
catalepsia (do grego, katálepsis): perda momentânea, algumas vezes espontânea, da sensibilidade e do movimento em determinada parte do corpo.
São, os três, estados patológicos ou anômalos. Geralmente a pessoa pode se recuperar deles, em minutos ou dias, havendo as condições e ajuda adequadas.

Explicação espírita de tais estados
Havendo desligamento parcial do perispírito, o espírito deixa de tomar contato, temporariamente, com determinada região do corpo ou no seu todo, porque lhe falta o elemento de ligação com ele.

O desligamento perispiritual pode se dar por causas orgânicas ou espirituais (inclusive por influência de outrem). Mas enquanto os laços fluídicos não se desataram totalmente e o corpo ainda tem vitalidade, sem lesão irreversível nos órgãos, será possível fazer a pessoa retomar ao normal:

restaurando as condições do funcionamento orgânico;
auxiliando fluidicamente (magnetismo humano ou espiritual) ;
estimulando o espírito à ação sobre o corpo;
afastando o espírito perturbador (se houver).
Mas, ao tempo de Jesus, se uma pessoa caísse em estado letárgico não haveria no local um médico que a examinasse e soubesse reconhecer que ela estava viva. (Quase não havia "doutores" na Palestina, naquela época, e muitos dos que assim se consideravam eram rabinos e, às vezes, curandeiros ; conheciam-se poucos remédios genuínos, se bem que se usassem várias ervas medicinais).

Por isso, as pessoas em estado letárgico acabavam sendo consideradas mortas. E como o sepultamento de cadáveres era feito no próprio dia da morte (às vezes de modo imediato: Atos 5, 1/11), podia não dar tempo de a pessoa se recuperar da letargia.

Após estes esclarecimentos, leiamos e analisemos os 3 casos em que Jesus "ressuscitou" pessoas, que foram:

o filho da viúva de Naim (Lc. 7 vs. l1/17);
a filha de Jairo, chefe da sinagoga de Cafarnaum (Lc. 8 40/42 e 49/56) ;
Lázaro (Jo. l 1, 1/45).
Observações:
No caso da filha de Jairo e de Lázaro, Jesus afirma textualmente que a pessoa não está morta mas dorme. Também ocorreria o mesmo quanto ao filho da viúva de Naim.
Jesus orou antes de "ressuscitar" Lázaro; certamente o fez também nas outras vezes mas, ou não foi em voz alta, ou não ficou relatado.
Os discípulos estavam sempre por perto; mas provavelmente se utilizava Jesus dos fluidos de Pedro, Tiago e João (médiuns de efeitos físicos), pois estes apóstolos foram os únicos que admitiu entrassem com ele para fazer a "ressurreição" da filha de Jairo.
Jesus se encaminhou para o túmulo de Lázaro, que "era uma gruta, a cuja entrada tinham posto uma pedra". Esclarece bem o evangelista João, pois o sepultamento, entre os judeus, não era feito sob a terra (como o fazemos atualmente) mas nas rochas, em cavernas naturais ou artificiais, fechando-se a entrada por meio de pedras, para proteger de eventual ataque de animais. Preferiam sepultar em lugares distanciados das habitações, fora dos muros da c idade.
Portanto, apesar de sepultado logo após a sua "morte", Lázaro não estava sob a terra mas numa gruta, com oxigenação suficiente para sobreviver ao estado letárgico em que caíra.
"Senhor, já cheira mal, porque já é de quatro dias", disse Marta, irmã de Lázaro, quando Jesus mandou removessem a pedra da entrada do sepulcro. Era o que Marta pensava mas não a realidade, pois Lázaro não morrera, e seu corpo, em estado letárgico, não estava em decomposição.
Nos três casos, Jesus falou diretamente à pessoa para que se levantasse. Em espírito, podiam ouvi-lo e agir sobre o corpo, após haverem recebido a ajuda fluídica de Jesus. No caso da menina, Lucas diz expressamente: "voltou-lhe o espírito" (quer dizer que estava afastado) e então "ela imediatamente se levantou".
(Vide "O Livro dos Espíritos", 2a parte, cap. VIII, pergs. 422/424 e "A Gênese", cap. XV, itens 37 a 40.) Por mais admirável que a "ressurreição" física nos pareça, ela é de efeito temporário, pois um dia o "ressuscitado" terá de desencarnar mesmo.

Que haverá "ressurreição" espiritual para todos nós, além da morte do corpo, é verdade, pois continuaremos a viver em espírito. Porém, em que estado despertaremos nesse além? Felizes ou infelizes, conforme nossos pensamentos, sentimentos e ações.

Que mais nos importa, então? É a "ressurreição" moral, o despertamento nosso em espírito, para sairmos da "morte espiritual" (erro, inércia, vício, usura, etc.) na direção da vivência correta e plena de nossas potencialidades espirituais.

02 - MULTIPLICAÇÕES DOS PÃES

MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES

48.- A multiplicação dos pães é um dos milagres que mais têm intrigado os comentadores e alimentado, ao mesmo tempo, as zombarias dos incrédulos. Sem se darem ao trabalho de lhe perscrutar o sentido alegórico, para estes últimos ele não passa de um conto pueril. Entretanto, a maioria das pessoas sérias há visto na narrativa desse fato, embora sob forma diferente da ordinária, uma parábola, em que se compara o alimento espiritual da alma ao alimento do corpo.

Pode-se, todavia, perceber nela mais do que uma simples figura e admitir, de certo ponto de vista, a realidade de um fato material, sem que, para isso, seja preciso se recorra ao prodígio. É sabido que uma grande preocupação de espírito, bem como a atenção fortemente presa a uma coisa fazem esquecer a fome. Ora, os que acompanhavam a Jesus eram criaturas ávidas de ouvi-lo; nada há, pois, de espantar em que, fascinadas pela sua palavra e também, talvez, pela poderosa ação magnética que ele exercia sobre os que o cercavam, elas não tenham experimentado a necessidade material de comer.

Prevendo esse resultado, Jesus nenhuma dificuldade teve para tranqüilizar os discípulos, dizendo-lhes, na linguagem figurada que lhe era habitual e admitido que realmente houvessem trazido alguns pães, que estes bastariam para matar a fome à multidão. Simultaneamente, ministrava aos referidos discípulos um ensinamento, com o lhes dizer: «Dai-lhes vós mesmos de comer.» Ensinava-lhes assim que também eles podiam alimentar por meio da palavra.

Desse modo, a par do sentido moral alegórico, produziu-se um efeito fisiológico, natural e muito conhecido. O prodígio, no caso, está no ascendente da palavra de Jesus, poderosa bastante para cativar a atenção de uma multidão imensa, ao ponto de fazê-la esquecer-se de comer. Esse poder moral comprova a superioridade de Jesus, muito mais do que o fato puramente material da multiplicação dos pães, que tem de ser considerada como alegoria. Esta explicação, aliás, o próprio Jesus a confirmou nas duas passagens seguintes.

O fermento dos fariseus

49.- Ora, tendo seus discípulos passado para o outro lado do mar, esqueceram-se de levar pães. - Jesus lhes disse: Tende o cuidado de precatar-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus. - Eles, porém, pensavam e diziam entre si: É porque não trouxemos pães.

Jesus, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Homens de pouca fé, por que haveis de estar cogitando de não terdes trazido pães? Ainda não compreendeis e não vos lembrais quantos cestos levastes? - Como não compreendereis que não é do pão que eu vos falava, quando disse que vos guardásseis do fermento dos fariseus saduceus?

Eles então compreenderam que ele não lhes dissera que se preservassem do fermento que se põe no pão, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus. (S. Mateus, cap. XVI, vv. 5 a 12.)

O pão do céu

50.- No dia seguinte, o povo, que permanecera do outro lado do mar, notou que lá não chegara outra barca e que Jesus não entrara na que seus discípulos tomaram, que os discípulos haviam partido sós - e como tinham chegado depois outras barcas de Tiberíades, perto do lugar onde o Senhor, após render graças, os alimentara com cinco pães; - e como verificassem por fim que Jesus não estava lá, tampouco seus discípulos, entraram naquelas barcas e foram para Cafarnaum, em busca de Jesus. - E, tendo-o encontrado além do mar, disseram-lhe: Mestre, quando vieste para cá?

Jesus lhes respondeu: Em verdade, em verdade vos digo que me procurais, não por causa dos milagres que vistes, mas por que eu vos dei pão a comer e ficastes saciados. -Trabalhai por ter, não o alimento que perece, mas o que dura para a vida eterna e que o Filho do Homem vos dará, porque foi nele que Deus, o Pai, imprimiu seu selo e seu caráter.

Perguntaram-lhe eles: Que devemos fazer para produzir obras de Deus? -Respondeu- lhes Jesus: A obra de Deus é que creiais no que ele enviou.

Perguntaram-lhe então: Que milagre operarás que nos faça crer, vendo-o? Que farás de extraordinário? - Nossos pais comeram o maná no deserto, conforme está escrito: Ele lhes deu de comer o pão do céu.

Jesus lhes respondeu: Em verdade, em verdade vos digo que Moisés não vos deu o pão do céu; meu Pai é quem dá o verdadeiro pão do céu, - porquanto o pão de Deus é aquele que desceu do céu e que dá vida ao mundo.

Disseram eles então: Senhor, dá-nos sempre desse pão.

Jesus lhes respondeu: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome e aquele que em mim crê não terá sede. - Mas, eu já vos disse: vós me tendes visto e não credes.

Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim tem a vida eterna. -Eu sou o pão da vida. - Vossos pais comeram o maná do deserto e morreram. - Aqui está o pão que desceu do céu, a fim de que quem dele comer não morra. (S. João, cap. VI, vv. 22-36 e 47-50.)

51.- Na primeira passagem, lembrando o fato precedentemente operado, Jesus dá claramente a entender que não se tratara de pães materiais, pois, a não ser assim, careceria de objeto a comparação por ele estabelecida com o fermento dos fariseus: «Ainda não compreendeis, diz ele, e não vos recordais de que cinco pães bastaram para cinco mil pessoas e que dois pães foram bastantes para quatro mil? Como não compreendestes que não era de pão que eu vos falava, quando vos dizia que vos preservásseis do fermento dos fariseus?»
Esse confronto nenhuma razão de ser teria, na hipótese de uma multiplicação material. O fato fora de si mesmo muito extraordinário para ter impressionado fortemente a imaginação dos discípulos, que, entretanto, pareciam não mais lembrar-se dele.

É também o que não menos claramente ressalta, do que Jesus expendeu sobre o pão do céu, empenhado em fazer que seus ouvintes compreendessem o verdadeiro sentido do alimento espiritual. «Trabalhai, diz ele, não por conseguir o alimento que perece, mas pelo que se conserva para a vida eterna e que o Filho do Homem vos dará.» Esse alimento é a sua palavra, pão que desceu do céu e dá vida ao mundo. «Eu sou, declara ele, o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome e aquele que em mim crê nunca terá sede.»

Tais distinções, porém, eram por demais sutis para aquelas naturezas rudes, que somente compreendiam as coisas tangíveis. Para eles, o maná, que alimentara o corpo de seus antepassados, era o verdadeiro pão do céu; aí é que estava o milagre. Se, portanto, houvesse ocorrido materialmente o fato da multiplicação dos pães, como teria ele impressionado tão fracamente aqueles mesmos homens, a cujo benefício essa multiplicação se operara poucos dias antes, ao ponto de perguntarem a Jesus: «Que milagre farás para que, vendo-o, te creiamos? Que farás de extraordinário?»
Eles entendiam por milagres os prodígios que os fariseus pediam, isto é, sinais que aparecessem no céu por ordem de Jesus, como pela varinha de um mágico. Ora, o que Jesus fazia era extremamente simples e não se afastava das leis da Natureza; as próprias curas não revelavam caráter muito singular, nem muito extraordinário. Para eles, os milagres espirituais não apresentavam grande vulto.

("A Gênese", capítulo XV, itens 48 a 51)

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

a) Qual a explicação que Kardec considera mais provável para o episodio da "multiplicação dos pães"?

b) O que seria o fermento dos fariseus e saduceus?

c) Qual o significado dado por Jesus para "pão do céu"?

03 - MULTIPLICAÇÕES DOS PÃES

Amílcar Del Chiaro Filho

Capítulo XIV - A Multiplicação dos Pães e Peixes – Outras Passagens
Em Mateus 14:13-21 — Marcos 6:30-34 — Lucas 9:10-17 e João 6:1-14 narram a primeira multiplicação dos pães e peixinhos. Esta é uma passagem que muitas pessoas aceitam sem questionar, porque aceitam milagres. Outros não aceitam de maneira alguma. Como espíritas não acreditamos em milagres, mas também não somos cépticos, por isso vamos examinar alguns ângulos possíveis:

Em primeiro lugar concordamos com Pastorino, que considera exagero do entusiasmo dos discípulos fixar o número dos que foram alimentados em 5.000 homens, fora as mulheres e as crianças. Sem nenhuma base para o cálculo vamos considerar hipoteticamente que no total havia 8 ou 10 mil pessoas. É verdadeiramente um exagero, se considerarmos que as aldeias teriam poucas centenas de habitantes, seria necessário esvaziar inúmeras aldeias e não se chegaria ao número astronômico, já citado.

Entre os fenômenos mediúnicos existe o "transporte". Ou seja, os espíritos transportam objetos de fora para dentro da sala de reunião, mesmo com as portas fechadas. Há, também, o fenômeno de materialização. O objeto transportado se materializa no local. Examinemos o transporte. Os espíritos subordinados a Jesus poderiam transportar os pães e peixinhos fritos até o local. Mas de onde tirariam. O pão era feito pela dona de casa para o consumo de uma semana. Se houvesse estabelecimentos para vender pão, certamente os proprietários sofreriam grande prejuízo, assim como as famílias, que ficariam sem o pão da semana.

Consideremos que os espíritos assistentes do Mestre, utilizassem a matéria disseminada no espaço e materializassem os pães e peixinhos. Isto tem sido feito em pequena escala nas sessões de materialização, e, sem dúvida, Jesus teria condições de fazer ou mandar fazer em grande escala. Contudo, temos uma solução mais simples: muitas pessoas teriam levado lanches e estavam escondendo só para si. Com as palavras de amor e fraternidade de Jesus, e o gesto humilde do rapazinho que entregou os seus pães e peixinhos fritos, todos dividiram com todos, o que traziam. Então não houve milagre? Houve sim! O milagre da fraternidade, da solidariedade.

Metaforicamente podemos aceitar que o pão do espírito, a Doutrina ensinada por Jesus, alimenta multidões, e ainda sobra muita coisa, não terminando nunca.

Mateus 14:23-33 — Marcos 6:47-52 e João 6:16-21 narra o episódio em que Jesus anda sobre a água. Para o Espiritismo o fenômeno é facilmente explicado pela levitação (fenômeno de efeito físico – objetivo). Entretanto há um aspecto interessante. Pedro pede para ir até onde Jesus está e devido as ondas e o vento, se apavora e começa a afundar. Jesus estende-lhe a mão e salva-o Quando atravessamos quadras dolorosas da vida, perdemos a fé, a confiança em nós mesmos, e começamos a afundar. Neste momento surge alguém superior a nós, e estende-nos a mão, impedindo o nosso naufrágio no mar revolto da vida

João, num longo capítulo, narra o que ficou registrado no seu Evangelho, como O Pão da Vida – (texto privativo de João). São 71 versículos, mas vamos nos ater à essência. É um trecho vivo, polêmico e dinâmico do Evangelho. Jesus afirma : Eu sou o pão que desceu do céu. Eu sou o pão da vida. Mais à frente, do versículo 53 até o 58 Jesus escandaliza os seus seguidores dizendo que quem não comer da sua carne, não saboreá-lo, não teria vida imanente (eterna).

Este trecho do Evangelho fica muito difícil de ser entendido se nos apegarmos à letra. Mas, se ficarmos no simbólico, não fica tão difícil. Certamente, Jesus não se referia ao seu corpo de carne, ou ao seu sangue, mas sim, ao corpo da sua doutrina. O simbolismo do pão é muito interessante.

Quando comemos o pão, ele tem que ser, antes, mastigado, depois engolido e passa pelo processo da digestão, e depois de digerido transforma-se em sangue que circula por todo o corpo, dando vida e vigor a todas as células

Assim deve ser a nossa vivência em relação ao Cristianismo do Cristo, e não dos seus vigários. Ele deve ser assimilado pelo nosso entendimento e fazer parte da nossa vida tão intimamente quanto o sangue do nosso corpo.

Infelizmente, até agora os cristãos tem entendido o cristianismo de forma infantilizada. Paulo de Tarso afirmou a uma das igrejas fundadas por ele, que os alimentava com leite porque não suportariam o alimento sólido. Até hoje, não são muitos os que podem comer o alimento sólido da verdade. Mesmo no Espiritismo são muitos os que ainda tomam a papinha infantil. Herculano Pires diz que são mamadores das cabras celestes. Pedro de Camargo – Vinícius – tem pensamento semelhante ao nosso. Assim como o pão nutre o corpo, a Doutrina de Jesus nutre a alma. Assim como o pão precisa ser mastigado, digerido, o pão espiritual precisa ser meditado, entendido

Moisés fez de um povo escravo, por tanto, sem cultura e organização, que só tinha um elo comum a uni-los, a crença monoteísta, uma nação. Mas para isto, deve combater hábitos arraigados no íntimo deste povo, e dar-lhe, até mesmo, noções de justiça, responsabilidade, higiene. Para que seus preceitos fossem aceitos obedecidos mais facilmente, ele afirmava que eram divinas, ou seja, ordenação do próprio Jeová..

Vamos dar um exemplo fácil de ser entendido. O povo judeu guerreou com muitos inimigos, e todos esses exércitos que enfrentaram o povo de Moisés, arrastavam atrás de si, grupos de prostitutas e jogadores, mais uma ralé de desocupados. A promiscuidade e a sujeira era muito grande, o que provocava doenças, como desintiria, e infecções nos ferimentos, enfraquecendo e provocando a morte de muitos soldados.

Com o exército hebreu não acontecia isto, porque era proibida a permanência e mesmo a visita de prostitutas e jogadores no acampamento. Por determinação religiosa nenhum judeu podia partir o pão sem lavar as mãos, para as suas necessidades naturais, como defecar, o soldado trazia como parte do seu equipamento uma pazinha, para cavar um buraco na terra, fazer as suas necessidades e cobri-la com a terra. Para reforçar esse preceito religioso, Moisés afirmava que Jeová visitava o acampamento durante a noite e não deveria pisar em excrementos humanos. Lavar as mãos para partir o pão e fazer as refeições, era medida higiênica, reforçada como mandamento religioso.

Em Mateus 15:1-11 e Marcos 7:1-10 vem relatada a querela levantada pelos fariseus, porque os discípulos de Jesus comiam sem lavar as mãos. Jesus admoesta os fariseus, dizendo que eles obedeciam preceitos de homens e com isso se desobrigavam de seguir os preceitos morais ou divinos, como o de amparar os pais na velhice.

O Mestre tem uma colocação mais viril quando afirma que não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas o que sai da boca, porque procede do coração.

Na seqüência, os discípulos informa ao Mestre que os fariseus ficaram escandalizados com sua colocação sobre o comer sem lavar as mãos, e Jesus faz outra severa admoestação, dizendo: Toda planta que o Pai Celestial não plantou será arrancada.

O ensinamento sobre a contaminação pelo que sai pela boca e não pelo que é ingerido, é de fácil entendimento, e mais fácil fica, ao sabermos que havia vários alimentos proibidos aos judeus, além da proibição taxativa de não tocar os alimentos com as mãos por lavar.

Do coração (simbolicamente), procedem os adultérios, homicídios, prostituições, corrupções, mentiras, calúnias, furtos, etc.

Pastorino, na sua abordagem esotérica esclarece que não é somente os alimentos ingeridos que não contaminam o homem, mas tudo que vem de fora. Vejamos o que ele diz: Não é apenas o alimento ingerido ou as bebidas, mas nem mesmo as vibrações mentais de outras criaturas, nem pensamentos externos, nem acusações caluniosas, nem ataques físicos ou morais: imperturbável em sua paz intrínseca e profunda, o eu-maior sobreestá a tudo, pairando em outra atmosfera. O que vem de dentro contamina o homem, isto é, o que vem do coração (sentimento). Todo pensamento criado pelo espírito, antes de atingir o alvo,, atravessa a aura de quem pensa e nela imprime as suas vibrações.

O que sai do coração que pode contaminar o homem, pode ser atos cometidos, palavras (vibrações sonoras), e pensamentos (vibrações mentais).

Pastorino enumera duas listas de atos ou simples desejos, dos quais, destacaremos alguns: adultérios ou desejos sexuais, (com o ato material realizado, ou não), em relação a uma outra pessoa comprometida com outra. Prostituição ou desejos sensuais ou atos sexuais que não estejam fundamentados no amor. Furtos de qualquer espécie: físicos ou intelectuais, ( de idéias de outrem, fazendo passar por suas

Lucas em 6:39 põem na boca de Jesus essas palavras: por ventura pode um cego guiar outro cego? Não cairão ambos no barranco?

Jesus falou tal coisa em referência aos cegos do conhecimento espiritual, e que, pretensiosamente, se intitulam guias da humanidade. O destino do guia, e dos guiado, é o barranco. O que significa que sofrerão as conseqüências das ignorância. Há guias de médiun e de centros espíritas que se enquadram nesse ensinamento. São cegos espirituais guiando outros cegos. E todos rumam para o barranco, onde cairão, se não lhes forem abertos os olhos.

Em Mateus 16:13-20 Marcos 8:27-30 e Lucas 9:18-21 encontramos uma passagem muito interessante porque suscita vários ensinamentos. É quando Jesus, em conversa aberta com os discípulos, pergunta o que o povo fala sobre ele, quem pensam que ele é. Os discípulos citam vários personagens, incluindo Elias, Jeremias, deixando claro que conheciam a lei da reencarnação, pois os dois viveram muitos séculos antes de Jesus. Estranhamente, citaram, também, João O Batista, pois eram contemporâneos.

Jesus indaga diretamente os discípulos: e vós, que dizeis que sou? Pedro adianta-se aos demais e responde que ele é o Cristo (Messias). Jesus elogia Pedro, chama-o de bem-aventurado, por que não foi a carne e o sangue que te revelou, mas meu Pai, que está nos céus. Depois Jesus afirma que fundará a sua igreja sobre os ombros de pedra. Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja. A seguir as palavras: Tudo que ligares sobre a Terra será ligado no céu. A igreja Católica Apostólica Romana aproveitou essas palavras para criar alguns dogmas. Vamos examinar Pastorino e depois Rohden.

Pastorino levanta a suspeita de interpolação (acréscimo) porque a igreja criou as prerrogativas dos sacerdotes de perdoar pecados ou condenar e também a instituição do papado. Para a Igreja Jesus deu investidura a Pedro, que por herança passou a seus sucessores. Essa posição foi veementemente combatida e foi imposta pela força das armas dos Imperadores Romanos, que no ano 369 estabeleceu Dâmaso, Bispo de Roma, como juiz e soberano de todos os bispos.

Pastorino faz uma longa exposição sobre a palavra "ekklesia", comumente traduzida por igreja, e apresenta mais de uma dezena de significados possíveis, inclusive "aprisco", porém, opta pela palavra "comunidade", já que o Mestre pregava em praça pública, nas praias, montes ou nas casas de amigos. Diz ele que em hipótese alguma a palavra grega ekklesiapode corresponder ao que se conhece hoje por igreja.

Quanto ao Hades, em hebraico, Sheol, designava a habitação dos desencarnados, astral inferior, (umbral) . Os latinos chamavam de "lugares baixos", ínferus, mas que nada tem a ver com o atual sentido de inferno. Ilustra o autor com uma passagem de Vergalho (Eneidas 6-106 onde o poeta conta que Enéas penetrou as "portas do Hades" inferni janua, encontrando ali os romanos mortos que aguardavam a reencarnação.

As chaves representam autoridade e já aparece no Velho Testamento (Isaias 22:22) e também Apocalipse 3:7 – refere-se a quem possui a chave – o que abrir fica aberto – o que fechar fica fechado.

Pastorino não aceita a tradução comum – "o que ligares ou o que desligares", mas sim, abrir e fechar. Pastorino recorre a Clemente Romano, bispo entre 100 e 130, em Roma, que diz que tendo Jesus dado as chaves do Reino dos Céus a Pedro, e disse: "o que abrires fica aberto; o que fechares fica fechado".. Ligar e desligar, diz Pastorino, refere-se mais ao perdão. Quando perdoamos, desligamos, quando não perdoamos mantemos os laços de ódio, vingança, rancor com os adversários. Desliga-se perdoando. Desligar (perdoar), na Terra, à caminho com o adversário, será ratificado no mundo espiritual.

Carlos Torres Pastorino afirma que houve transferência do versículo 18 do Capítulo 18 para o versículo 18 do capítulo 16, de Mateus, já que Marcos e Lucas não fazem tal citação. Marcos, possivelmente sobrinho de Pedro, mas certamente seu tradutor nas pregações, já que Pedro só falava o aramaico, ouviu os ensinamentos de Jesus da boca do apóstolo, se essas palavras tivessem sido pronunciadas por Jesus, em relação a Pedro, certamente Marcos saberia.

OBS. Não é admirar essa observação de Pastorino, porque encontramos num opúsculo de Pinheiro Martins, algumas transposição de textos. O autor conta que uma criteriosa tradução da Bíblia para o inglês — a New English Bible — feita por homens especialista no assunto, informam que encontraram 30 mil erros de tradução e mais de 2000 interpolações (Interpolação significa, alteração feita no texto, colocando-se neles palavras ou frases que antes não existiam)

Em 1956, veio a público por intermédio do Prof. Victor Martin, da Universidade de Genebra, a descoberta de um texto de João em melhor estado (antes havia sido descobertos fragmentos de papiro de textos de João, descobertos no Egito), proveniente também do Egito e em grego. Dos textos do Evangelho de João, em bom estado, é o mais antigo: data cerca de 150 anos depois de Cristo e é conhecido pelo código "P 66". Pois bem, esse exemplar mais antigo do Evangelho de João ignora totalmente passagens famosas que foram incluídas no texto posteriormente. Exemplo disto é o fim do versículo 3 e todo versículo 4 do capítulo 5 - do Evangelho de João. Essas frases foram colocadas posteriormente no texto original como uma glosa visando apenas explicar porque nos pórticos do tanque de Betesda havia tantos enfermos, cegos, coxos e paralíticos. Outra passagem que não existia em João é a narração da multiplicação dos pães e dos peixes, seguida pelo do milagre de Jesus andando sobre as águas do mar da Galiléia. Os versículos 11 a 35 do capítulo 6 que contem essas narrativas nas Bíblias atuais, simplesmente não existe no "P 66". Também a bela passagem sobre a mulher adúltera, que Jesus livrou de ser apedrejada, não existiria no texto original. Os 11 versículos que contém essa narrativa (Jo. 8:1-11 faltam em muitos manuscritos gregos antigos. E finalmente, todo o capítulo 21 foi acrescentado no Evangelho de João — originalmente ele terminava no versículo 31 do capítulo 20. Leon Denis comenta em Cristianismo e Espiritismo: Se reconhecermos que foi acrescentado um capítulo inteiro a esse evangelho, seremos levados a concluir que numerosas interpolações poderiam ter sido feitas igualmente. De fato é o que se verifica.

O evangelho de Marcos também recebeu interpolações. Basta observar as duas cópias mais antigas que possuímos do evangelho de S. Marcos, terminam com o versículo 8 do capítulo 16. Os últimos 12 com o relato da ressurreição e da subida ao céu, de Jesus, foram acrescentados mais tarde. Além disso há vários versículos interpolados pois faltam em manuscritos gregos. Outra interpolação famosa é o acrescentamento do adjetivo sanctus em spiritus pela vulgata latina. Além do sanctus foi colocado um artigo definido (o espírito santo) onde deveria ser (um espírito santo).

Huberto Rohden procura demonstrar que a Igreja Católica Apostólica Romana tinha interesse em utilizar as palavras de Jesus para reforçar a sua autoridade, principalmente quando quis centralizar o poder nas mãos do Bispo romano. Com a queda do Império Romano as figuras de Papa e Imperador se confundiram numa só. Rohden, como Pastorino, afirmam que não foi Pedro, homem de carne e osso, que sabia ser Jesus, o Cristo de Deus, mas a sua essência espiritual, o seu Cristo interior, a divindade do Pai que habitava nele como habita em todas as criaturas. O que sabia era a sua intuição superior. Acrescentamos nós: sabia pela sua mediunidade.

Rohden explica que a rocha da igreja é o Cristo e nenhum outro fundamento. Esta foi também a opinião de Paulo e de vários Pais da igreja. Sobre o perdoar e não perdoar, ou ligar e desligar, Rohden é de opinião que nem o texto grego do 1º século, nem o latino dos séculos seguintes, fala em perdoar. O grego usa o vocábulo "aphíemí", que quer dizer, desligar, soltar, libertar. O interessante é que Rohden coloca sobre a palavra perdoar (latim – perdonare), é composto de per e + donare = a doar. O mesmo significado tem a palavra em inglês e em alemão. Inglês – forgive. For + Give = dar - Alemão Vergeben. Ver + geben = dar. Rodhen ensina que quando o ofendido não se dá por ofendido, desliga-se do ofensor.

Pessoalmente, resumimos assim: a igreja Católica usou as palavras de Jesus e adaptou-as para reforçar a sua autoridade. Na nossa opinião Jesus não fundou nenhuma igreja, mas baseou a sua doutrina na Revelação = mediunidade, e esta igreja está no íntimo, no coração de cada cristão verdadeiro. Entendam que a nossa afirmação está no campo do simbolismo, porque Jesus não autorizou nem o Templo de Salomão, nem o dos samaritanos, no Monte Garizin.

Concordamos com Pastorino sobre o deslocamento do versículo 18 do capítulo 18 de Mateus, para o capítulo 16: 19 do mesmo autor.

Obs. Cap. 18:18 – Em verdade vos digo que tudo que ligardes na terra, será ligado no céu e tudo que desligardes na terra será desligado no céu.

Cap. 16:19 - e eu te darei as chaves do Reino dos Céus e tudo o que ligares na terra será ligados no céu, e tudo que desligares na terra será desligado no céu.

Ao perdor, o ofendido desliga-se do ofensor, mas este continua ligado à ofensa até resgatá-la.

O acontecimento que se deu na seqüência, demonstrou que os ombros de Pedro eram muito frágeis para suportar o peso da igreja do Cristo, porque, ao tentar dissuadir o Mestre de ir a Jerusalém e ser preso e executado (sacrifício espontâneo), Jesus manda que Satanaz (adversário) se retire para a retaguarda.

Templos, não importa que seja catedral ou capela ou centros espíritas, é local de reunião para homens místicos, que vive a horizontalidade. O coração, o sentimento, a mente superior é o verdadeiro templo para o homem que vive a verticalidade. O universo é o verdadeiro Templo para o homem cósmico.

Consideremos, porém, que Jesus freqüentava o Templo de Jerusalém e as Sinagogas nas cidades por onde passava, obedecendo os preceitos do Judaísmo, portanto, é natural que freqüentemos centros espíritas, participando das suas atividade, contudo, que desenvolvamos cada vez mais a nossa união interior com Deus.

Mateus 16:24-28 - Marcos 8:34-38 e Lucas 9:23-27 abordam a passagem que em que Jesus disse, que quem quiser segui-lo que tome a sua própria cruz e siga- o. A passagem é um pouco complicada. Jesus afirma que voltará em toda a sua glória, para recompensar os seus seguidores. Diz, mesmo, que alguns dos seus ouvintes não experimentará a morte até que ele retorne. Estas palavras deu aos seguidores de Jesus a idéia que ele voltaria em pessoa, muito breve, mas sobretudo que voltaria pessoalmente. Outra dificuldade é o "não experimentar a morte". Se aceitarmos que Jesus falava ao espírito, e não ao corpo, temos que convir que o espírito é imortal mesmo sem essa promessa. Quanto ao corpo, todos que ouviram aquelas palavras morreram, até o discípulo amado, João.

Tomar a cruz já era um simbolismo conhecido, pois era o castigo dos romanos aos criminosos, e os romanos aplicava este suplício largamente, na Palestina. O condenado carregava a sua cruz, ou a parte superior, horizontal, da cruz, até o local da execução. Além disso, como já vimos anteriormente, a cruz era o símbolo da iniciação de povos antigos, inclusive essênios.

Aprendamos que discípulo é aquele que palmilha o caminho trilhado pelo Mestre, e não aqueles que apenas aprendem os seus ensinamentos. É preciso viver os ensinos, senti-los, saboreá-los.

Ser aluno é diferente de ser discípulo. Para ser discípulo e seguir um Mestre é preciso querer. Não pode ser por dever (imposição), mas, pelo querer, (aceitação).

Quem vive apenas para as coisas do mundo perde o sabor das coisas espirituais. Prejudica a sua alma (mente, inteligência, vontade).

Huberto Rohden, no livro – Filosofia Cósmica do Evangelho, tece um bonito comentário, sobre "quem perder a sua vida, ganhá-la-á", do qual, discordamos apenas da parte em que ele diz que o ego humano; só pode ser imortalizado pelo eu divino. Porém, ele é muito feliz quando diz que o sofrimento redentor, é o voluntariamente aceito. Entendemos nós, que ele não é buscado, procurado, mas aceito, concordado.

Afirma Rohden que não se redimem, nem os revoltados, nem os que se resignam passivamente ao sofrimento. Diz ele, que não é o sofrimento em si que redime e espiritualiza o homem, mas sim , a atitude positiva, afirmativa, que o homem assume em face do sofrimento.

Mateus 17:1-9 - Marcos 9:2-8 e Lucas 9:-28-36 narram a transfiguração de Jesus. O lado objetivo da passagem é fácil de ser entendido: Jesus subiu a um monte, o Tabor possivelmente, levando consigo Pedro, Tiago e João (possivelmente por serem os melhores médiuns) e ali se transfigurou, e Moisés (Moisés viveu 1500 anos a. C.) e Elias (Elias viveu 900 anos a. C.)se materializaram e conversaram com Jesus. O que aconteceu foi uma Sessão mediúnica de efeitos físicos, ou materialização. Os médiuns foram os três discípulos e os acontecimentos foram muito parecidas com as sessões mediúnicas já citadas. Os três discípulos dormiram oprimidos de sono (os médiuns de efeitos físicos entram em profundo transe sonambúlico), mas estavam desdobrados espiritualmente e consciente, assistiram a tudo em detalhes. Uma nuvem os envolveu. (o ectoplasma pode ter a forma de um cordão de algodão, ou nevoeiro, neblina)

Qual a razão de Moisés e Elias se apresentarem para conversar com Jesus? Del Chiaro em artigo que intitulou, A Síntese de Três Eras, afirma que Moisés estava presente para, com aquela manifestação mediúnica, retirar o selo que colocou na boca dos mortos, quando proibiu essas manifestações, castigando com a morte, quem desobedecesse. Como morto ilustre, vinha mostrar que os túmulos estão vazios. Elias, foi no passado um profeta vigoroso, popular e estava ali representando o futuro, com o advento da Doutrina Espírita. Mas, porque ele não se apresentou como João, O Batista, que havia sido degolado há pouco tempo? Sabemos que o espírito desencarnado podem dar ao seu perispírito a aparência que preferir. Ora, os discípulos eram homens simples, sem muita coragem, pois é fácil lembrar como se desesperaram quando viram Jesus andando sobre as águas e pensaram que fosse um fantasma. Talvez, a figura de João pudesse apavorá-los. Jesus representava ali, o eterno presente.

Como a interpretação esotérica de Pastorino é um pouco complicada, vamos ficar com a de Del Chiaro:

Subimos, elevamo-nos em vibrações quando abandonamos, por instantes, as preocupações do mundo. Este subir desperta nossa luz ou potencialidades, e por momentos somos integrados ao universo e podemos entrar em comunhão com espíritos superiores, que vela, de longe, pelo nosso progresso. Porém, por mais sublimes que sejam esses momentos, temos que descer para a planície e viver a vida comum das pessoas, mas incomum para nós, graças ao aprendizado, aio conhecimento.

Em Mateus 17:10-13 e Marcos 9:10-13 relatam a conversa de Jesus com os discípulos quando estes perguntaram sobre a vinda de Elias antes do advento do Messias. Jesus dá, mais uma vez, testemunho da reencarnação, dizendo que Elias já veio, e não foi reconhecido. Os discípulos entenderam que ele falava de João, o Batista.

Lucas 10:1-16 relata que Jesus reuniu 72 discípulos e enviou-os em duplas, às localidades que ele deveria visitar para anunciar que o Reino dos Céus está próximo. É neste passo do Evangelho que Jesus fala da grandeza da seara e o pequeno número de trabalhadores. Na verdade, até hoje os trabalhadores são poucos, porque não muitos os que compreendem a essência do Cristianismo, e os encargos da função de trabalhadores da seara.

Pastorino cita vários documentos históricos que se contradizem no número de novos apóstolos enviados por Jesus. Alguns dizem 70 e outros 72, eles foram enviados aos pares, como já havia acontecido com os 12. Jesus aconselha e determina que não levem bolsa, nem alforges. O que seria impossível nos tempos atuais, porque os costumes mudaram. Na sua conversa com os emissários, Jesus faz comparações entre Corazin e Betsaida — Tiro e Sidon, e também Cafarnaum e Sodoma. Jesus afirma que se o que ocorreu em Corazin e Betsaida (as maravilhas que ele realizou) tivesse ocorrido em Tiro e Sidon, aquelas cidades teriam se convertido. (é preciso saber que Tiro e Sidon eram cidades pagãs).

Cafarnaum foi a cidade em que Jesus fixou residência ao sair de Nazaré. Sodoma, juntamente com Gomorra, foram as cidades destruídas por Jeová, devido a depravação dos seus habitantes. (segundo a Bíblia)

Na explicação oculta da passagem, Pastorino revela o significado dos nomes das cidades mencionadas pelo Mestre: Corazin significa O Segredo. Betsaida – Casa dos Frutos. Diz Pastorino que os discípulos procuravam os frutos em segredo (iniciação interna). Tiro significa Força. Sidon = Caçada, e propõem se Jesus chegou a pensar se , não teria maior êxito se lançasse a humanidade numa caçada à Força. Ou ainda se em vez de Cafarnaum (cidade do Consolador, ele agisse em Sodoma = aridez, isto é, com dureza, se os resultados não seriam melhores.

Outra curiosidade é que Pastorino faz interessantes cálculos matemáticos, dizendo que cada discípulo de Jesus deveria conquistar mais 12, capazes de entender a mensagem do Cristo. Ele baseia-se em Paulo, que disse que os discípulos eram os 72, mais 432 = 504 (Corinthios 15:5-6. Jesus apareceu aos 12 e depois a mais de 500 irmãos de uma só vez. Afirma Pastorino que quando Jesus desencarnou, deixou 516 discípulos, já iniciados e prontos para o trabalho de divulgação do Evangelho. Afirma ele que se a humanidade estivesse preparada, em poucos anos a Terra estaria transformada. Sendo que cada discípulo, enviado em dupla deveria conquistar mais 12 – na 12ª vez em que as duplas fossem enviadas atingiria 4 bilhões 533 milhões 564 mil 672 irmãos.

04 - MULTIPLICAÇÕES DOS PÃES

Multiplicar pães

"Quantos pães tendes? Informaram-se e disseram-lhe: Cinco pães e dois peixes... Então tomou os cinco pães e os dois peixes e, com os olhos erguidos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e peixes e dava-os aos discípulos para que servissem a multidão... Todos comeram até saciarem.” ( Marcos: 30)

O episódio da multiplicação dos pães e peixes, narrado pelo Novo Testamento, é, incontestavelmente, uma notável e rica lição que Jesus delegou à humanidade para servir de norte e bússola às nossas ações quotidianas.

Naquele momento histórico o Cristo não transferiu aos seus discípulos a tarefa de socorrer a multidão faminta, que O buscava sedenta de consolo e alimento. Apenas solicitou que informassem quantos pães e peixes tinham e, após, procedeu à multiplicação dos dois gêneros, permitindo que mais de cinco mil pessoas se alimentasse.

Sem dúvida, um ensinamento profundo e valioso. Ele deu solução ao problema.

É óbvio que ninguém, em sã consciência e plena lucidez de raciocínio, se proporá a sair pela vida fazendo multiplicações de pães ou outros itens alimentícios, mas de forma alguma estamos impedidos de multiplicar os nossos talentos e recursos, de forma a contribuir para a melhoria do mundo que habitamos.

Multiplicando os pães da paciência conseguiremos conviver com as mais adversas situações e suportar os mais intrincados problemas, aqueles que desafiam o equilíbrio das nossas emoções.

Multiplicando os pães da perseverança haveremos de caminhar com coragem em defesa dos nossos ideais, onde a felicidade e a paz, por certo, figuram com meta e objetivo.

Multiplicando os pães da tolerância seguiremos firmes na compreensão das diferenças que nos cercam, principalmente no âmbito familiar, onde devemos entender que cada criatura traz consigo a própria individualidade, pensando e reagindo de modo próprio, como nós fazemos também.

Multiplicando os pães do altruísmo teceremos a teia das nossas ações sempre voltadas para o bem, onde o ser humano, em quaisquer situações e momento, será eleito como a preocupação máxima e interesse maior das nossas realizações.

Multiplicando os pães da fé e da confiança nunca deixaremos de acreditar piamente que não estamos sozinhos, mesmo que aparentemente o mundo nos mantenha isolados, pois do olhar da Providência Divina ninguém está alheio.

Multiplicando os pães do amor veremos todas as criaturas do caminho como irmãos a serem considerados dignos merecedores da nossa solidariedade e respeito.

Multiplicando os pães da alegria contagiaremos aqueles que seguem conosco, informando a eles que o otimismo e a esperança são conquistas que não podem deixar de residir no íntimo dos nossos corações.

Multiplicando os pães do silêncio, saberemos como conter a palavra descortês e, às vezes, descuidada, que se lançada poderá destilar o fiel da crítica ou o azedume do comentário menos feliz, além de evitar, muitas vezes, sérias contendas ou terríveis e inoportunas discussões.

Multiplicando os pães da humildade teremos plenas condições de combater as investidas deletérias do orgulho que tanto sofrimentos causam no seio social, e segurar os ataques perigosos do egoísmo, essa chaga nefasta que aprisiona os nobres sentimentos humanos.

Nem sempre temos condições de realizar grandes obras ou feitos, mas, por certo, temos absolutas possibilidades de fazer pequenas coisas, aquelas que realmente somam, formando a atmosfera de uma vida melhor para todos.

05 - MULTIPLICAÇÕES DOS PÃES

O Pão do Céu

50. No dia seguinte, o povo, que permaneceu no outro lado do mar, notou que daquele lado não havia barca, e que Jesus não entrara na que seus discípulos haviam tomado, que os seus discípulos haviam partido sós, _ e como tinham chegado depois outras barcas de Tiberíades, perto do lugar onde o Senhor, depois de render graças, os alimentara com cinco pães; _ e como verificassem, depois, que Jesus ali não se encontrava, nem tampouco seus discípulos, entraram nessas barcas, e vieram a Cafarnaum buscar a Jesus. _ E tendo-o encontrado além do mar, lhe disseram: Mestre, quando vieste para cá?

Jesus lhes respondeu: Em verdade, em verdade vos digo, vós me procurais, não por causa dos milagres que tendes visto, mas porque eu vos dei pão para comer, e ficastes saciados. _ Trabalhai a fim de ter, não a comida que perece, mas aquela que permanece para a vida eterna, e que o Filho do homem vos dará, porque é nele que o Deus Pai imprimiu seu selo e seu caráter.

Ao que lhe disseram: Que faremos nós para fazer as obras de Deus? _ Jesus lhes retrucou: A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou.

Perguntaram-lhe então. Que milagre operarás que nos faça crer, vendo-o? Que farás de extraordinário? _ Nossos pais comeram o maná no deserto, conforme está escrito: Ele lhes deu de comer o pão do céu.

Jesus lhes respondeu: em verdade, em verdade vos digo que Moisés não vos deu o pão do céu; meu Pai é quem dá o verdadeiro pão do céu, _ porquanto o pão de Deus é aquele que desceu do céu e que dá vida ao mundo.

Disseram, eles então: Senhor, dá-nos sempre desse pão.

Jesus lhes respondeu: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim não terá jamais sede. _ Porém eu já vos disse: vós me tendes visto e não credes.

Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim tem a vida eterna. _ Eu sou o pão da vida. _ Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. _ Aqui está o pão que desceu do céu, a fim de que quem dele comer não morra. (S. João, cap. VI, vers. 22-36 e 47-50).

51. Na primeira passagem, Jesus, lembrando o fato produzido anteriormente, de modo claro dá a entender que não se tratava de pães materiais; de outro lado, a comparação que estabeleceu com o fermento dos fariseus teria sido sem objetivo. "Não compreendeis ainda, diz ele, e não vos recordais que cinco pães bastaram para cinco mil homens, e que sete pães bastaram para quatro mil homens? Como é que não compreendeis que não vos falo do pão, quando vos disse que deveis tomar cuidado com o fermento dos fariseus?" Este confronto não teria nenhuma razão de ser na hipótese de uma multiplicação material. O fato deveria ter sido bastante extraordinário em si mesmo para ter atingido a imaginação de tais discípulos, os quais, todavia, não pareciam recordar-se.

É também o que não menos ressalta, do discurso de Jesus acerca do pão do céu, no qual ele se esforça para fazer compreender o sentido verdadeiro da nutrição espiritual: "Trabalhai, diz ele, não para ter a comida que perece, mas aquela que dura por toda a vida eterna, e que o Filho do homem vos dará." Essa alimentação é a sua palavra, que é o pão vindo do céu e que dá vida ao mundo. "Eu sou, diz ele, o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim não terá sede."

Porém, tais distinções eram demasiado sutis para as naturezas brutas dos que o ouviam, e que só compreendiam as coisas tangíveis. O maná que nutria o corpo de seus ancestrais era para eles o verdadeiro pão do céu; ali estava o milagre. Se, pois, a multiplicação dos pães tivesse se realizado materialmente, como é que esses mesmos homens, em cujo proveito ele se havia realizado apenas há poucos dias, teriam sido tão pouco impressionados com ele, para dizer a Jesus: "Qual milagre, pois, fizestes, a fim de que vendo-o, nós vos acreditemos? Que fizeste vós de extraordinário?" É que eles entendiam por milagres, os prodígios que os fariseus exigiam, isto é, sinais no céu, realizados sob ordem, como sob a varinha de um mágico. Aquilo que Jesus fazia era demasiado simples, e não se afastava das leis da Natureza; mesmo as curas não tinham um caráter demais estranho, bastante extraordinário; os milagres espirituais não tinham suficiente substância para eles.