MUNDOS
BIBLIOGRAFIA
01- A ALMA É IMORTAL, pag. 230 02 - A GÊNESE, cap. vi; xv, 4
03 - A PLUR. DOS MUNDOS HABITADOS, pag. 314 04 - ANÁLISE DAS COISAS, pag. 40
05 - ANIMAIS NOSSOS IRMÃOS, pag. 24, 97 06 - APOCALIPSE, pag. 81
07 - CATECISMO ESPÍRITA 37, 39 08 - CORAGEM, pag. 91
09 - ENIGMAS DA PSICOMETRIA, pag. 79 10 - FLORAÇÕES EVANGÉLICAS, pag. 50

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

MUNDOS – COMPILAÇÃO

01 - MUNDOS

A Vida em Outros Mundos
Eurípedes Kühl

O escritor Eurípedes Kühl realizou uma intensa pesquisa para falar sobre a vida em outros mundos, sob o ponto de vista do Espiritismo. Ele reuniu os resultados na matéria a seguir, que pode servir de orientação para quem quiser se aprofundar no tema.

Há vida em outros mundos?

Desde que a Astronomia comprovou que a Terra é um planeta a girar em órbita cativa ao Sol, solidariamente com outros planetas, o homem fez a pergunta acima, que muito mais passou a ser repetida quando ficou provado que a quantidade de sóis e planetas é incontável.

Como é a vida em outros mundos, não há um único homem que possa afirmar e comprovar – só devanear, sonhar, ensaiar. Contudo, espíritos mais evoluídos que os terrestres, ao menos, podem informar, mediunicamente.

Nesta oportunidade, estaremos trazendo para os leitores a resposta dada por vários estudiosos, cada um a seu modo. Considerando o caráter eminentemente científico desta revista, que apropria do Espiritismo o que ele oferta sobre vários temas, inicialmente registraremos as premissas espíritas dessa tão apaixonante quanto instigante questão.

Isso posto, socorrendo-nos da síntese, passemos às respostas.

O Livro dos Espíritos
Questões 55 a 59:

Sim! Há vida em todos os globos que se movem no Espaço!;
Deus povoou de seres vivos os mundos e pensar ao contrário será duvidar de Sua sabedoria [por que o Criador faria coisas (mundos) inúteis?];
a constituição física dos habitantes difere de mundo a mundo, embora a forma corpórea, em todos os mundos seja a mesma da do homem terrestre, com menor ou maior embelezamento e perfeição, segundo a condição moral dos habitantes;
mundos afastados do Sol têm outras fontes de luz e calor, adequados à constituição dos respectivos habitantes; muitos mundos têm fontes próprias, tais como a eletricidade, com outros empregos, sem compreensão terrena.
Questões 172 a 188:

a existência corporal na Terra é das mais grosseiras e das mais distantes da perfeição;
as diversas existências físicas do homem podem ser na Terra bem como em outros mundos; o início dessas existências não terá sido aqui, bem como seu término também não o será;
a multiplicidade de vidas na Terra proporciona uma enorme gama de aprendizados ao Espírito;
em cada mundo há uma gradação de valores morais dos seus habitantes;
o conhecimento de detalhes físicos e morais sobre os habitantes de outros mundos perturbaria aos terrestres, daí não lhes ser revelado ainda; (grifamos)
infância e duração da existência nos mundos superiores à Terra são mais curtas, aquelas, e mais longas, estas, dado que corpos mais sutis têm menos fatores a miná-los;
o perispírito (corpo que reveste o espírito) é formado de matéria específica de cada mundo, sendo que os espíritos puros têm envoltórios “extremamente” etéreos:
Obs.: disseram os espíritos a Allan Kardec, quanto ao grau de evolução dos habitantes do Sistema Solar:

Marte: inferior à Terra;
Júpiter: muito acima de ambos (na coleção da Revista Espírita, muitos espíritos que habitaram na Terra disseram estar em Júpiter);
Sol: não tem habitantes; contudo, é local de reunião de espíritos superiores.
O Livro dos Médiuns
1ª Parte, Cap. I, n° 2:

Por que injustificável privilégio este quase imperceptível grão de areia (a Terra), que não avulta pelo seu volume, nem pela sua posição, nem pelo seu papel que lhe cabe desempenhar, seria o único planeta povoado de seres racionais? A razão se recusa a admitir semelhante nulidade do infinito e tudo nos diz que os diferentes mundos são habitados.
1ª Parte, Cap. I, n° 100:

em mundos mais adiantados o homem se põe em comunicação com os espíritos com maior facilidade e os vê com freqüência.
2ª Parte, Cap. XXVI, n° 296:

as descrições que os espíritos fazem sobre outros mundos devem ser vistas com extrema cautela (grifamos); os bons espíritos dão uma que outra informação sobre os habitantes de diferentes mundos, com o objetivo precípuo do nosso melhoramento moral.
O Evangelho Segundo o Espiritismo
Cap. III, n° 3 e 4:

há mundos cujas condições morais dos seus habitantes são inferiores às da Terra; em outros, são da mesma categoria; há mundos mais ou menos superiores e, finalmente, há aqueles nos quais a vida é, por assim dizer, toda espiritual;
classificação dos mundos (puramente pedagógica) segundo seu estado moral e destinação:
mundos primitivos: primeiras encarnações da alma;
mundos de expiação e provas: domínio do mal (a Terra é desta classificação);
mundos de regeneração: as almas ainda têm o que expiar, mas ali encontram repouso das fadigas;
mundos ditosos: predomínio do bem;
mundos celestes ou divinos: habitação dos Espíritos depurados; neles, reina exclusivamente o bem.
A Gênese
Cap. XI, n°s 7 a 9:

desde toda a eternidade Deus criou mundos materiais e seres espirituais, pois se assim não fora tais mundos careceriam de finalidade;
os seres são criados simples e ignorantes, tendo por final a evolução, rumo à angelitude;
antes da existência da Terra mundos sem conta haviam sucedido a mundos...
Revista Espírita
Publicação mensal, de 1858 a 1869 sob a direção de Allan Kardec. Já no primeiro ano, Kardec advertia que os textos publicados seriam aqueles referentes aos fatos que chegassem ao seu conhecimento – comunicações mediúnicas (na maioria) e cartas de leitores. A publicação seria realizada desde que contivesse um fim útil aos demais leitores. Dos textos, abstrairia suas próprias idéias, deles sendo apenas editor, ou “inventariante”.

Dessa forma, tudo o que fez publicar ali, contou sim com sua judiciosa seleção, mas não necessariamente expressando seu pensamento. É de se deduzir que, no mínimo, atribuiu aos textos o beneplácito do possível.

Sobre o tema “Vida em outros mundos”, não o detalhou nos livros com os quais codificou o Espiritismo, fazendo-o na Revista Espírita. Por si só, tal fato autoriza-nos imaginar que o mestre lionês, na missionária tarefa de codificar a Doutrina dos Espíritos, optou por dividir sua dedicação em dois projetos:

o primeiro, lançar bases espirituais, filosóficas e científicas do Espiritismo, o que fez nas chamadas “obras básicas”;
o segundo, publicar, em paralelo, fatos concernentes ou que de alguma sorte pudessem a ela (à Doutrina dos Espíritos) se ligar – fê-lo na Revista Espírita.
É sob esse enfoque que encontramos inúmeros textos na coleção da Revista Espírita, dando pormenores da vida em outros mundos, como por exemplo:

Revista Espírita - Março/1858
Marte: vida inferior à da Terra (Obs.: esse registro corrobora a longa “nota de rodapé” inserta na questão n° 188 de O Livro dos Espíritos, de Abril/1857);

Urano: habitantes com moral mais elevada do que a dos terrestres;

Júpiter: o mais avançado dos planetas do Sistema Solar. Seus habitantes:

corpos de conformação semelhante à terrena, mas de maior leveza;
deslocam-se roçando ao solo, sem fadiga (como os peixes e as aves);
na morte, os corpos não são submetidos à decomposição pútrida: dissipam-se;
alimentam-se de frutas, plantas e emanações nutritivas do meio ambiente;
expectativa de vida: cerca de 500 anos (quase não há doenças);
infância: dura apenas alguns dos nossos meses;
linguagem: quase sempre de espírito a espírito (mas há, também, a linguagem articulada);
ocupações: puramente intelectuais;
vidência (segunda vista): permanente, para a maioria dos habitantes;
animais: mais inteligentes que os animais terrestres, mas sem se aproximar do nosso nível; são encarregados dos trabalhos manuais;
arquitetura: na Revista Espírita de Agosto/1858, em anexo, foi distribuído detalhado desenho de uma habitação em Júpiter (a casa de Mozart), desenho esse realizado por médium desenhista, muito elogiado por Kardec; entrevistado, mediunicamente, Mozart declarou que tem Cervantes e Zoroastro por vizinhos.
Revista Espírita - Maio/1859
Chopin está residindo em um dos mundos atribuídos a espíritos errantes; esses mundos assemelham-se aos acampamentos terrenos, destinados a repouso temporário; os habitantes desses mundos podem deles se afastar, quando queiram.
Revista Espírita - Outubro/1860
Marte é a primeira encarnação dos demônios mais grosseiros; são seres rudimentares; sua vida é curta; não são canibais, mas sua vida beira a vida da “idade da pedra”, da Terra; lá, os mares são “furiosos” e não permitem a navegação (Obs.: Vemos aqui outra nota corroborando a questão 188 de O Livro dos Espíritos).
Revista Espírita - Agosto/1862
“O planeta Vênus” é um ditado mediúnico espontâneo, do espírito Georges, o qual comparece em vários números da Revista Espírita. Disse ele sobre Vênus:

ar: sutil, como o das altas montanhas terrenas; impróprio para os terrestres; mar profundo e calmo; divisões, querelas e guerras são desconhecidas; artes sublimes substituem a indústria terrestre;
habitantes: semelhantes aos da Terra; têm adoração constante e ativa ao Ser Supremo, sem cultos;
alimentação: à base de frutas e de lacticínios; ignoram nutrição por carne; não existem doenças;
expectativa de vida: infinitamente mais longa do que não o é a prova terrestre; a velhice é o apogeu da dignidade humana;
vestes: uniformes, grandes túnicas brancas.
Perfil Moral
Até aqui, caro leitor, todos os nossos passos foram dados na sólida companhia de Kardec. Redobramos nossa admiração por tão competente quanto amiga companhia. Com imenso respeito a todas as religiões, é-nos inescapável verificar que somente o Espiritismo se debruçou sobre o tema que estamos focando, de tamanha transcendentalidade.

Daquilo que encontramos, tanto nas chamadas “obras básicas do Espiritismo”, quanto na Revista Espírita, podemos inferir que:

1° – Por zelo e prudência, os registros, eventuais análises, reflexões e pareceres mencionados por Kardec foram precedidos de expressões do tipo: “este livro (O Livro dos Espíritos) foi escrito por ordem e mediante ditado de Espíritos superiores...”; “do ensino dado pelos Espíritos...”; "todos os Espíritos afirmam e a razão diz que assim deve ser...”; “antes de entrarmos nos detalhes das revelações que os Espíritos nos fizeram...“; “vamos apresentar as respostas que os Espíritos deram...”; “idéias desenvolvidas nesta obra, algumas delas são pessoais, outras hipotéticas, outras são esboços...”; “essa descrição (dada por um Espírito sobre Vênus), sem dúvida, não tem nenhum dos caracteres de uma autenticidade absoluta, e também não a damos senão a título condicional...”.

2° – Assim, lecionando cautela e sabedoria, Kardec, ao tratar da habitabilidade nos diversos mundos, foi econômico quanto a detalhes da vida material neles, trilhando quase que exclusivamente pelo perfil moral dos seus habitantes.

3° – Imaginamos que é por essa causa que não há especificidade na Codificação do Espiritismo (feita por Kardec) sobre as condições físicas da vida nos diferentes mundos. O que temos ali é sempre o enfoque do comportamento, no bem ou no mal, endereçando cada espírito para um mundo consentâneo com seu histórico vivencial-moral, consubstanciando débito e crédito. Em razão desse patrimônio moral, edificado em multiplicadas existências, o espírito terá passaporte para o mundo cuja vida e habitantes se lhe adeqüem em sintonia, e onde, por bondade de Deus, lá o aguardam meios e novas oportunidades de crescimento moral.

Agora, despedindo-nos de Kardec, mas ainda nos trilhos espíritas, vamos caminhar com outras companhias.

Obras Psicografadas
De início, pela abençoada mediunidade de Francisco Cândido Xavier, poderemos “ir a outros mundos” e ver como é a vida (física e moral) por lá.

Cartas de Uma Morta
Livro do espírito Maria João de Deus (mãe de F.C.Xavier), de 1935, cuja segunda edição, de 1937, aparenta ser “edição própria”. Desse livro há uma 8ª edição, de 1978, da LAKE, SP/SP, a cargo do Departamento Editorial Caminheiros do Bem. Nessa obra encontramos dois capítulos referentes a Saturno e a Marte.

Saturno:

saturninos são incontestavelmente superiores aos terrestres; não há vícios, nem guerras; utilizam a eletricidade na sua plena possibilidade;
têm habitações de estilo gracioso;
a autora espiritual viu seres estranhos, extraordinariamente feios, evolucionando-se nos ares, em “gracis movimentos”;
os habitantes dedicam-se mais à espiritualidade;
as moléstias incuráveis lhes são desconhecidas;
a vegetação: é diferente da terrena, pois é azulada;
os mares são rosados.
Marte:

habitantes: têm grande espiritualidade: sem guerras, só vibrações de paz;
os homens são mais ou menos semelhantes aos terrícolas, mas os seus organismos possuem diferenças apreciáveis: além dos braços, têm ao longo das espáduas umas ligeiras protuberâncias, à guisa de asas, que lhes prodigalizam interessantes faculdades volitivas;
o ar é muitíssimo mais leve; conhecem os enigmas profundos da eletricidade, que usam com maestria;
as edificações são análogas às da Terra;
a vida em Marte é mais aérea – poderosas máquinas;
embora existam oceanos, há pouca água; sistemas de canalização; poucas montanhas.
Emmanuel
Livro do autor espiritual cujo nome é o título da obra (1938, Ed. FEB, RJ/RJ). Consta no prefácio:

"(...) assim como Marte ou Saturno já atingiram um estado mais avançado em conhecimentos, melhorando as condições de suas coletividades, o vosso orbe (a Terra) tem, igualmente, o dever de melhorar-se, avançando, pelo aperfeiçoamento das suas leis, para um estágio superior, no quadro universal”.

Novas Mensagens
1939, Ed. FEB, RJ/RJ

O autor espiritual (Humberto de Campos) traz um capítulo inteiro sobre visita (em espírito) que fez a Marte:

Marte tem cidades fantásticas pela sua beleza inaudita: avenidas extensas e amplas, sendo as construções análogas às da Terra; a vegetação, de tonalidade vermelha, é muito mais exuberante do que a terrena;
Marte é “um irmão mais velho e mais experimentado na vida; seus habitantes sempre oram ao Senhor do Universo, em benefício da humanidade terrena”;
habitantes têm arcabouço físico algo diferente do terrestre;
alimentação: através das forças atmosféricas;
(viu) máquinas aéreas possantes que se balouçavam no pé das nuvens; muitas dessas nuvens são produzidas artificialmente, para atender reinos mais fracos da natureza.
Ainda outro espírito, por outro médium, discorreu profusamente sobre Marte:

A Vida no Planeta Marte
O Espírito Ramatís, em psicografia de Hercílio Maes, é autor desse livro (1ª Ed. 1955, Livraria Freitas Bastos, RJ/RJ), que já no nascedouro se tornou polêmico, eis que traz um fantástico leque de detalhes sobre a vida em Marte, em caminho oposto ao registrado por Allan Kardec, como já vimos anteriormente (em O Livro dos Espíritos e na Revista Espírita). Diz-nos esse autor espiritual:

a humanidade que habita Marte (de um a um e meio milhões de habitantes) é mais evoluída que a terrestre: não há violência, vícios ou paixões inferiores; seus habitantes possuem faculdades de telepatia e psicometria. Assim, a linguagem, quase sempre, ocorre por telepatia; têm cabelos poéticos e resplendentes, quais anjos; têm protuberâncias semelhantes a asas, ao longo das espáduas; na velhice, o espírito parte para o espaço, antes do aniquilamento vital;
alimentação: inteiramente vegetariana;
migrantes: vários seres que viveram algum tempo em Marte não se adaptaram e, em conseqüência, migraram para mundos “aquém de Marte”; alguns perambulam na Terra;
relações conjugais no matrimônio: o encontro sexual se dá pelos “plexus abdominais”, sem impurezas do sexo orgânico; as mulheres estão livres da délivrance (delivramento);
moralmente, Marte está mil anos à frente da Terra; no campo científico, quinhentos anos;
transportes: 75% são feitos por via aérea, absolutamente em segurança; existem aeronaves para viagens interplanetárias, tripuladas ou não.
Autor Encarnado - Às Margens do Rio Sagrado
Livro de autoria de Edgard Armond (1ª Ed. 1979, Editora Aliança, SP/SP). Num capítulo inteiramente dedicado a Saturno, diz-nos o autor:

Saturno é um mundo de paz;
habitantes: seres evangelizados; seus órgãos de percepção são mais elevados; seus corpos são eterizados, suportando longos períodos de atividades sem alimentação (esta, feita de sucos vegetais e respiração);
atividade religiosa: intensa, em comunhão com o Plano Espiritual Superior;
casas não têm portas; “arquitetura” espiritual; construções, em geral, são de material translúcido e flexível (em muitos casos são edificadas construções por mentalização de técnicos selecionados);
tráfego intenso, silencioso e suave.
Ensaios Científicos de Pensadores Consagrados
Antes, devemos refletir que nós, seres humanos, só podemos discorrer sobre aquilo que os sentidos nos mostrem, possibilitando-nos, por analogia e pela lógica, comparar e deduzir. Daí, partindo do conhecido temos chegado ao desconhecido. É assim que através dos séculos o homem vem edificando seu aprendizado terreno, aplicável à vida física.

Agora, como falar da vida em outros mundos? Para tanto, melhor será nos equiparmos da razão, de parelha com a fé, e analisarmos o que alguns cientistas ensaiaram a respeito. Eis alguns exemplos:

Nicolas Camille Flammarion (1847-1925), célebre astrônomo francês.

A Pluralidade dos Mundos Habitados
Essa obra (1ª Ed. Na França, em 1862, traduzida da 23ª edição e publicada em português pela Livraria Garnier Irmãos, RJ/RJ) trata das condições de habitabilidade das terras celestes, discutidas do ponto de vista da Astronomia e da Fisiologia, fazendo abstração do Espiritismo, daí advindo que seu caráter eminentemente científico dirige-se aos incrédulos.

Obs.: Kardec, em duas ocasiões, elogiou esse livro (na RE de Jan/1863, e na de Set/1864). Fica o convite para o leitor que queira pesquisá-la. É obra de fôlego.

Uranie
Livro escrito provavelmente em 1864, cuja primeira edição em português é de 1951, pela Federação Espírita Brasileira, sob o título Urânia. Nessa obra, muito descritiva, Flammarion ensaia:

o número de universos é infinito;
Marte e Vênus têm habitantes pensantes;
Júpiter está em período primário de preparação orgânica;
Saturno será habitado por seres incompatíveis com os organismos terrestres;
Marte é semelhante à Terra, mais adiantado na senda do progresso;
habitantes são muito superiores aos da Terra; são maiores e mais leves que os terrestres; transportam-se por navegação aérea (frotas movidas pela eletricidade); são de origem sextúpede: bípedes, bimanos e bialados (duas asas); têm doze sentidos, que lhes permitem comunicação direta com o universo;
não há alimentação: sua nutrição se dá por renovação celular, através de respiração similar à das árvores terrestres;
construções são edificadas pelo pensamento;
todos os trabalhos materiais são executados por máquinas e sob direção de algumas raças aperfeiçoadas de animais;
concepções e nascimentos lembram mais algo parecido com a fecundação das flores;
a luz sobre os habitantes de Marte não produz a respectiva sombra;
Marte já mandou sinais para a Terra, mas sem resposta;
Vênus é um mundo análogo à Terra e menos privilegiado ainda; as estações rápidas produzem bruscas variações de temperatura.
Pierre Simon (1749-1827), dito marquês de Laplace. Célebre astrônomo, matemático e físico francês.

Exposição do Sistema do Mundo
Livro editado na França, em 1796. No Capítulo VI o autor analisa e reflete:

“A ação benfazeja do Sol faz desabrochar os animais e as plantas que cobrem a Terra, e a analogia nos leva a crer que ela produz efeitos semelhantes sobre os outros planetas: porque não é natural pensar que a matéria da qual vemos a fecundidade se desenvolver de tantas maneiras, seja estéril sobre um tão grande planeta como Júpiter que, como o globo terrestre, tem seus dias, suas noites, seus anos, e sobre o qual as observações indicam as mudanças que supõem forças muito ativas... O homem, feito para a temperatura de que ele goza sobre a Terra, não poderia, segundo toda a aparência, viver sobre os outros planetas. Porém, não deve haver aí uma infinidade de organizações relativas às diversas temperaturas dos globos e dos universos? Se a única diferença dos elementos e dos climas põe tanta variedade nas produções terrestres, quanto mais devem diferir as dos planetas e dos satélites!”

Muitas Moradas
Vemos que vários foram os pronunciamentos sobre a vida em outros mundos, havendo evidente contradição entre Kardec e eles, especialmente no que diz respeito a Marte.

A questão se faz espinhosa. Deixamos ao leitor a análise, reflexão e aceitação, ou não, de tudo aquilo que trouxemos para este texto.

De nossa parte, do pouco que aprendemos daquilo que a vida tem para nos ensinar, consideramos integralmente válidas as assertivas escritas em O Livro dos Espíritos. Quanto às opiniões que com elas possam colidir, não as invalidamos, a priori: nós as deixamos no "armário da razão", cujo senhor é o Tempo, para que ele, quando estivermos em patamar espiritual bem mais elevado, nos mostre se elas devem ser alocadas na "prateleira dos devaneios" ou na da Verdade.

E, finalizando, para balbuciar tímida resposta à pergunta que abre essa leitura, refletimos na grandeza da natureza, que aqui mesmo na Terra nos leva a um profundo respeito e amor filial ao Criador, deduzindo que sim: há vida pujante em outros mundos (são muitos: bilhões, trilhões, quem sabe?).

02 - MUNDOS

Diferentes Categorias de Mundos Habitados

Autor: Allan Kardec

Do ensino dado pelos Espíritos, resulta que muito diferentes umas das outras são as condições dos mundos, quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes. Entre eles há-os em que estes últimos são ainda inferiores aos da Terra, física e moralmente; outros, da mesma categoria que o nosso; e outros que lhe são mais ou menos superiores a todos os respeitos. Nos mundos inferiores, a existência é toda material, reinam soberanas as paixões, sendo quase nula a vida moral. A medida que esta se desenvolve, diminui a influência da matéria, de tal maneira que, nos mundos mais adiantados, a vida é, por assim dizer, toda espiritual.

Nos mundos intermédios, misturam-se o bem e o mal, predominando um ou outro, segundo o grau de adiantamento da maioria dos que os habitam. Embora se não possa fazer, dos diversos mundos, uma classificação absoluta, pode-se contudo, em virtude do estado em que se acham e da destinação que trazem, tomando por base os matizes mais salientes, dividilos, de modo geral, como segue: mundos primitivos, destinados às primeiras encarnações da alma humana; mundos de expiação e provas, onde domina o mal; mundos de regeneração, nos quais as almas que ainda têm o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta; mundos ditosos, onde o bem sobrepuja o mal; mundos celestes ou divinos, habitações de Espíritos depurados, onde exclusivamente reina o bem. A Terra pertence à categoria dos mundos de expiação e provas, razão por que aí vive o homem a braços com tantas misérias.

Os Espíritos que encarnam em um mundo não se acham a ele presos indefinidamente, nem nele atravessam todas as fases do progresso que lhes cumpre realizar, para atingir a perfeição. Quando, em um mundo, eles alcançam o grau de adiantamento que esse mundo comporta, passam para outro mais adiantado, e assim por diante, até que cheguem ao estado de puros Espíritos. São outras tantas estações, em cada uma das quais se lhes deparam elementos de progresso apropriados ao adiantamento que já conquistaram. aram Élhes uma recompensa ascenderem a um mundo de ordem mais elevada, como é um castigo o prolongarem a sua permanência em um mundo desgraçado, ou serem um relegados para outro ainda mais infeliz do que aquele a que se vêem erem um impedidos de voltar quando se obstinaram mal.

O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 3.

03 - MUNDOS

Diferentes categorias de mundos habitados

Apresentamos nesta edição o tema no 27 do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, que está sendo aqui apresentado semanalmente, de acordo com programa elaborado pela Federação Espírita Brasileira, estruturado em seis módulos e 147 temas.

Se o leitor utilizar este programa para estudo em grupo, sugerimos que as questões propostas sejam debatidas livremente antes da leitura do texto que a elas se segue. Se destinado somente a uso por parte do leitor, pedimos que o interessado tente inicialmente responder às questões e só depois leia o texto referido. As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final da lição.

Questões para debate

1. Jesus referiu-se em algum momento de suas pregações à existência de outros mundos habitados?

2. É a mesma a constituição física dos diferentes globos que circulam no Universo?

3. Existem em outros planetas indivíduos inferiores aos habitantes da Terra?

4. Segundo o Espiritismo como podem ser classificados os diferentes mundos habitados?

5. Dentre os diversos planetas existentes no Universo, qual é a situação da Terra?

Texto para leitura

Povoamento dos mundos
1. Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos eles para o objetivo final da Providência. Acreditar que só os haja no planeta que habitamos é duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa a1guma inútil. Certamente, a esses mundos o Pai há de ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Nada, aliás, existe, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos trilhões de mundos semelhantes.

2. Quando Jesus disse: "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, já eu vo-lo teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar. Depois que me tenha ido e que vos houver preparado o lugar, voltarei e vos retirarei para mim, a fim de que onde eu estiver, também vós aí estejais" (João, 14:1 a 3), o Mestre estava nos ensinando o princípio da pluralidade dos mundos habitados, de uma maneira cristalina, para não deixar dúvidas.

A constituição física dos diversos planetas
3. A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito e oferecem, aos Espíritos que neles encarnam, moradas correspondentes ao adiantamento dos mesmos Espíritos. Em função disto, diversa é a constituição física de cada mundo e, conseqüentemente, dos seus habitantes. Cada mundo oferece aos que o habitam condições adequadas e próprias à vida planetária. As necessidades vitais num planeta poderão não ser as mesmas, e até opostas, noutro.

4. O mundo que habitamos faz parte de um séquito de planetas e asteróides que acompanham o Sol em sua viagem pela vastidão incomensurável do espaço. Mesmo assim, as distâncias entre os planetas que formam o nosso sistema planetário são imensas. Para se ter idéia, enquanto a Terra gasta aproximadamente 365 dias para promover uma volta ao redor do Sol, existem planetas que gastam para completar uma revolução ao redor do mesmo Sol entre 88 dias e 25 anos terrestres.

5. Nosso sistema planetário não ocupa, porém, senão um ponto ínfimo no universo. Haja vista que ele pertence a um grupamento estelar, ou galáxia, chamada Via-Láctea, onde existem bilhões de estrelas, algumas das quais tão grandes, mas tão grandes, que uma só ocupa espaço igual ao ocupado pelo Sol e quase todos os planetas que este arrasta consigo. (N.R.: A estimativa mais recente feita pelos astrônomos revela que existem na Via-Láctea cerca de 400 bilhões de estrelas.)

As diferentes categorias dos mundos habitados
6. Dos ensinos dados pelos Espíritos resulta que muito diferentes umas das outras são as condições dos mundos, quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes. Entre eles há os em que seus habitantes são inferiores aos da Terra, física e moralmente. Outros possuem a mesma categoria que o nosso e muitos lhe são mais ou menos superiores.

7. Nos mundos inferiores, a existência é toda material e as paixões reinam soberanas, sendo quase nula a vida moral. À medida que esta se desenvolve, diminui a influência da matéria, de tal maneira que nos mundos mais adiantados a vida é, por assim dizer, toda espiritual.

8. Evidentemente, não podemos fazer uma classificação absoluta das categorias dos mundos habitados, mas Kardec nos oferece uma que nos permite uma visão geral sobre o assunto:

A) Mundos primitivos – Nos mundos primitivos, destinados às primeiras encarnações da alma humana, a vida, toda material, se limita à luta pela subsistência, o senso moral é quase nulo e, por isso mesmo, as paixões reinam soberanas. A Terra já passou por essa fase.

B) Mundos de expiação e provas – Nesses mundos o mal predomina. É a atual situação da Terra, razão por que aí vive o homem a braços com tantas misérias.

C) Mundos de regeneração – São mundos em que as almas que ainda têm o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta.

D) Mundos ditosos ou felizes – São os planetas onde o bem sobrepuja o mal e, por isso, a felicidade impera.

E) Mundos celestes ou divinos – São as habitações de Espíritos depurados, onde exclusivamente reina o bem, visto que todos que aí vivem já alcançaram o cume da sabedoria e da bondade.

Respostas às questões propostas

1. Jesus referiu-se em algum momento de suas pregações à existência de outros mundos habitados? R.: Sim. Quando o Mestre disse: "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, já eu vo-lo teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar”, ele estava nos ensinando o princípio da pluralidade dos mundos habitados, de uma maneira cristalina, para não deixar dúvidas.

2. É a mesma a constituição física dos diferentes globos que circulam no Universo? R.: Não. As diferentes moradas a que Jesus se referiu correspondem ao adiantamento dos Espíritos que nelas se encarnam. Em função disto, diversa é a constituição física de cada mundo e, conseqüentemente, a dos seus habitantes.

3. Existem em outros planetas indivíduos inferiores aos habitantes da Terra? R.: Sim, do mesmo modo que há em determinados planetas Espíritos superiores aos que habitam a Terra.

4. Segundo o Espiritismo, como podem ser classificados os diferentes mundos habitados? R.: Os mundos que circulam no espaço infinito classificam-se em cinco categorias: mundos primitivos, mundos de expiação e provas, mundos de regeneração, mundos ditosos ou felizes e mundos celestes ou divinos.

5. Dentre os diversos planetas existentes no Universo, qual é a situação da Terra? R.: Planeta ainda muito novo, a Terra está, segundo o Espiritismo, situada na categoria de mundo de expiação e provas.


Bibliografia:

O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, item 55.
O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, cap. 3, itens 2 a 4.
Páginas de Espiritismo Cristão, de Rodolfo Calligaris, págs. 16 a 19.

04 - MUNDOS

RICHARD SIMONETTI

1 – O Espiritismo admite a existência de vida fora da Terra?
Antes que a ciência humana e as religiões tradicionais admitissem essa possibilidade, revelam os Espíritos, na questão 88, de O Livro dos Espíritos, que são habitados todos os mundos que giram no espaço e que a Terra está muito longe de ser o único planeta que asila vida inteligente.

2 – Não há exagero na afirmativa de que todos os mundos são habitados? Está demonstrado que já no nosso sistema planetário, somente a Terra guarda condições para a vida.
Sim, sob o ponto de vista biológico. Há que se considerar, entretanto, a vida espiritual. Todos os mundos são habitados por Espíritos, na dimensão espiritual, constituindo populações situadas em variados estágios de evolução.

3 – Diríamos, então, que Marte, Júpiter, Saturno e os demais planetas de nosso sistema, são habitados por Espíritos?
Pode parecer estranha essa idéia, mas verdadeiramente estranho seria imaginar que Deus houvesse criado miríades de mundos, apenas para infeitar o Universo ou para contemplação do Homem, como imaginavam os teólogos na Antiguidade.

4 – Há, na Terra, Espíritos originários de outros planetas do sistema solar?
Certamente. Há migrações envolvendo Espíritos que chegam e que partem, atendendo à dinâmica da evolução. Na medida em que a população terrestre evolui pode abrigar espíritos de planetas que guardam compatibilidade, da mesma forma que saem daqui Espíritos para estágios em planetas superiores ou inferiores, sob orientação dos poderes que nos governam.

5 – As obras de ficção científica abordam com freqüência a possibilidade de a Terra ser invadida um dia por alienígenas. Isso poderia acontecer?
Se um dia recebermos a visita de seres extraterrestres, de planeta localizado à distância de nosso sistema solar, certamente suas intenções não serão belicosas. A tecnologia necessária para vencer as grandes distancias e os problemas decorrentes, somente será alcançada por civilizações em alto estágio de desenvolvimento intelectual que fatalmente se fará acompanhar pelo desenvolvimento moral. Banida estará dessas civilizações a ambição de poder e domínio que caracterizam a inferioridade humana.

6 – E quanto à aparência. Seriam monstruosos, como costuma situar a ficção científica?
A beleza obedece a padrões de simetria que são universais. Seres mais evoluídos fatalmente terão uma harmonia de formas, belos, ao olhar humano, ainda que diferentes. Temos um exemplo típico na comparação entre os hominídeos que viveram a 200 mil anos e o homem de hoje.

7 – Há um grande movimento científico, na atualidade, envolvendo vários países, no sentido de se estabelecer contato com seres de outros mundos através da radioastronomia, que capta as ondas hertezianas. Acontecerá?
Sem dúvida. Mais cedo ou mais tarde, os grandes radiotelecópois captarão mensagens de outros mundos. Mas não pensemos em troca de mensagens ou diálogos. Considerando que a velocidade limite do unvierso é trezentos mil quilômetros por segundo, e que supostos planetas com vida inteligente situam-se a milhares de anos-luz, teríamos diálogos entremeados por pausas de milhares de anos.

8 – O Espiritismo teria uma contribuição a respeito do assunto, favorecendo contatos extraterrestre.
Segundo Emmanuel, no livro A Caminho da Luz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, há um planeta do sistema capela, na constelação de cocheiro, a 42 anos-luz da Terra, habitado por uma civilização capaz de nos enviar mensagens, via rádio. O difícil é convence os cientistas de que não se trata de mera fantasia e que deveriam acentar seus radiotelescópios na direção daquele planeta.

05 - MUNDOS

Diferentes categorias de mundos habitados:

O homem que já conquistou a Lua e hoje já pesquisa outros mundos, comove-nos pensar que a Doutrina Espírita se referia à pluralidade dos mundos habitados, já há quase um século e meio atrás. Nos ensina Emmanuel no livro “Pluralidade dos Mundos Habitados”, psicografado por Francisco Cândido Xavier, que: “acresce notar ainda, que os veneráveis orientadores da Nova Revelação, guiando o pensamento de Allan Kardec, fizeram-no escrever a sábia declaração: “Deus povoou de seres vivos todos os mundos, concorrendo esses seres ao objetivo final da Providência...”

Acreditar que só os haja no planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil. Certo, a esses mundos há de Ele ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de mundos semelhantes.

Quando Jesus disse: 1. Não se turbe o vosso coração. - Credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, já eu vo-lo teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar. - Depois que me tenha ido e que vos houver preparado o lugar, voltarei e vos retirarei para mim, a fim de que onde eu estiver, também vós aí estejais. ( S. JOÃO, cap. XIV, vv. 1 a 3.), estava nos ensinando o princípio da pluralidade dos mundos habitados.

A “Casa do Pai” é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito e oferecem, aos Espíritos que neles encarnam, moradas correspondentes ao adiantamento dos mesmos Espíritos. O mundo que habitamos faz parte de um séquito, de um cortejo de planetas e asteróides que acompanham o sol em sua viagem pela vastidão incomensurável do espaço.

Em virtude das diferentes distâncias que separam esses planetas do centro do sistema, o tempo que gastam para completar uma revolução ao redor do sol varia entre 88 dias e 250 anos terrestres.
Nosso sistema planetário, todavia, não ocupa senão um ponto ínfimo no Universo. Haja vista que ele pertence a um agrupamento estelar, ou galáxia, chamada Via-Láctea, onde existem mais ou menos 40 bilhões de estrelas, algumas das quais tão grandes, mas tão grandes, que uma só toma espaço igual ao ocupado pelo Sol e quase todos os b planetas que este arrasta consigo.

E a Via-Láctea não é o único agrupamento de estrelas no espaço. Graças aos modernos telescópios, sondas, etc., os astrônomos puderam verificar que o Universo se expande cada vez mais, com a formação de novas galáxias, calculando-se hoje, em mais de 100 milhões o número das que já podem se vistas, sem falar daquelas que nos escapam à observação.

Nos ensina Joanna de Ângelis, no livro “No Limiar do Infinito”, psicografado por Divaldo Pereira Franco, no capítulo referente à Pluralidade dos mundos habitados que: “Cálculos muito pessimistas, examinando o Sol, que é uma estrela envelhecida de Quinta grandeza a sustentar hoje os planetas conhecidos, e que os mantém com a sua energia, fazem crer que nesse Universo de sóis mais poderosos, se lhes fossem dados dois planetas apenas para cada um, teríamos 200 bilhões em movimentação em nossa galáxia.

Atribuindo-se por probabilidade a hipótese de somente 1% deles ter as mesmas condições e idades correspondentes à Terra, teríamos 2 bilhões de planetas com condições que caracterizam o nosso berço de origem. Dando-se a possibilidade remotíssima de que apenas 1% deles tivesse condições de vida semelhante à nossa, defrontaríamos, aproximadamente, com cerca de 20 milhões de planetas iguais ao nosso com vida inteligente.

Não é portanto temerário afirmar-se que a vida inteligente não é exclusivo patrimônio da pequenez do planeta terrestre. Tal afirmação já não repugna à inteligência nem à cultura: a da pluralidade dos mundos habitados, mundos esses departamentos da “Casa do Pai”, nos quais o espírito evolui, progride, aprimora-se na busca da perfeição incessante.”

Ä Diferentes categorias de mundos habitados – Instrução dos Espíritos: Do ensino dado pelos Espíritos, resulta que muito diferentes umas das outras são as condições dos mundos, quanto ao seu grau de adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes.

De um modo geral, os mundos poderiam ser classificados em superiores e inferiores, classificação essa que nada tem de absoluta; é, antes, muito relativa. Tal mundo é inferior ou superior com referência aos que lhe estão acima ou abaixo, na escala progressiva.

Entre eles há-os em que estes últimos são inferiores aos da terra, física e moralmente; outros, da mesma categoria que o nosso; e outros que lhe são mais ou menos superiores a todos os respeitos. Nos mundos inferiores, a existência é toda material, reinam soberanas as paixões, sendo quase nula a vida moral. A medida que esta se desenvolve, diminui a influência da matéria, de tal maneira que, nos mundos mais adiantados, a vida é, por assim dizer, toda espiritual.

Nos mundos intermédios, misturam-se o bem e o mal, predominando um ou outro, segundo o grau de adiantamento da maioria dos que os habitam. Embora se não possa fazer, dos diversos mundos, uma classificação absoluta, pode-se contudo, em virtude do estado em que se acham e da destinação que trazem, tomando por base os matizes mais adiantados, dividi-los, de modo geral, da seguinte forma:

· Mundos Primitivos: destinados às primeiras encarnações da alma humana.

· Mundos de Expiação e Provas: Mundo ainda inferior, onde os Espíritos encarnam afim de prosseguir em seu estágio evolutivo, passando a maioria por provas, e, conforme a necessidade, por expiações, com o intuito de se despojarem de suas imperfeições.

· Mundos de Regeneração: Nesses mundo há a aurora da felicidade. Ainda tem de suportar provas, porém, sem as pungentes angústias da expiação. Os Espíritos haurem novas forças, repousando das fadigas da luta.

· Mundos Ditosos ou Felizes: Onde o bem sobrepuja o mal.

· Mundos Celestes ou Divinos: habitação de Espíritos depurados, onde exclusivamente reina o bem.

Mundos Primitivos: Sendo os mundos destinados às primeiras encarnações dos Espíritos, são de certo modo rudimentares os seres que os habitam. Revestem a forma humana, mas sem nenhuma beleza. Seus instintos não têm a abrandá-los qualquer sentimento de delicadeza ou de benevolência, nem as noções do justo e do injusto. A força bruta é, entre eles, a única lei. Carentes de indústrias e de invenções, passam a vida na conquista de alimentos. Deus, entretanto, a nenhuma de suas criaturas abandona; no fundo das trevas da inteligência jaz, latente, a vaga intuição, mais ou menos desenvolvida, de um Ente supremo. Esse instinto basta para torná-los superiores uns aos outros e para lhes preparar a ascensão a uma vida mais completa, porquanto eles não são seres degradados, mas crianças que estão a crescer.

Mundos de Expiações e Provas: A Terra pertence à categoria dos mundos de expiação e provas, razão por que aí vive o homem a braços com tantas misérias, porém segundo orientação da própria espiritualidade, passa o Planeta por uma transição para outro estágio que é a Regeneração. Se o nosso Planeta for tomado por termo de comparação, pode-se fazer idéia do estado de um mundo inferior, supondo os seus habitantes na condição das raças selvagens ou das nações bárbaras que ainda entre nós se encontram, restos do estado primitivo do nosso orbe.

Segundo nos relata Santo Agostinho, na Instrução dos Espíritos, Cap. 3.º de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, n.º 11, em se referindo à terra: “No vosso, precisais do mal para sentirdes o bem; da noite, para admirardes a luz; da doença, para apreciardes a saúde.”

Mundos Regeneradores: Nada melhor do que neste momento, a palavra esclarecedora de Santo Agostinho, conforme consta em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. III, itens 17 e 18:
“17. Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes. A alma penitente encontra neles a calma e o repouso e acaba por depurar-se. Sem dúvida, em tais mundos o homem ainda se acha sujeito às leis que regem a matéria; a Humanidade experimenta as vossas sensações e desejos, mas liberta das paixões desordenadas de que sois escravos, isenta do orgulho que impõe silêncio ao coração, da inveja que a tortura, do ódio que a sufoca. Em todas as frontes, vê-se escrita a palavra amor; perfeita equidade preside às relações sociais, todos reconhecem Deus e tentam caminhar para Ele, cumprindo-lhe as leis.

Nesses mundos, todavia, ainda não existe a felicidade perfeita, mas a aurora da felicidade. O homem lá é ainda de carne e, por isso, sujeito às vicissitudes de que libertos só se acham os seres completamente desmaterializados. Ainda tem de suportar provas, porém, sem as pungentes angústias da expiação. Comparados à Terra, esses mundos são bastante ditosos e muitos dentre vós se alegrariam de habitá-los, pois que eles representam a calma após a tempestade, a convalescença após a moléstia cruel.

Contudo, menos absorvido pelas coisas materiais, o homem divisa, melhor do que vós, o futuro; compreende a existência de outros gozos prometidos pelo Senhor aos que deles se mostrem dignos, quando a morte lhes houver de novo ceifado os corpos, a fim de lhes outorgar a verdadeira vida. Então, liberta, a alma pairará acima de todos os horizontes. Não mais sentidos materiais e grosseiros; somente os sentidos de um perispírito puro e celeste, a aspirar as emanações do próprio Deus, nos aromas de amor e de caridade que do seu seio emanam.

18. Mas, ah! nesses mundos, ainda falível é o homem e o Espírito do mal não há perdido completamente o seu império. Não avançar é recuar, e, se o homem não se houver firmado bastante na senda do bem, pode recair nos mundos de expiação, onde, então, novas e mais terríveis provas o aguardam. Contemplai, pois, à noite, à hora do repouso e da prece, a abóbada azulada e, das inúmeras esferas que brilham sobre as vossas cabeças, indagai de vós mesmos quais as que conduzem a Deus e pedi-lhe que um mundo regenerador vos abra seu seio, após a expiação na Terra. - Santo Agostinho. (Paris, 1862.)”

Mundos Ditosos ou Felizes: “Nos mundos que chegaram a um grau superior, as condições da vida moral e material são muitíssimo diversas das da vida na Terra. Como por toda parte, a forma corpórea aí é sempre a humana, mas embelezada, aperfeiçoada e, sobretudo, purificada. O corpo nada tem da materialidade terrestre e não está, conseguintemente, sujeito às necessidades, nem às doenças ou deteriorações que a predominância da matéria provoca. Mais apurados, os sentidos são aptos a percepções a que neste mundo a grosseria da matéria obsta. A leveza específica do corpo permite locomoção rápida e fácil: em vez de se arrastar penosamente pelo solo, desliza, a bem dizer, pela superfície, ou plana na atmosfera, sem qualquer outro esforço além do da vontade, conforme se representam os anjos, ou como os antigos imaginavam os manes nos Campos Elíseos.

Os homens conservam, a seu grado, os traços de suas passadas migrações e se mostram a seus amigos tais quais estes os conheceram, porém, irradiando uma luz divina, transfigurados pelas impressões interiores, então sempre elevadas. Em lugar de semblantes descorados, abatidos pelos sofrimentos e paixões, a inteligência e a vida cintilam com o fulgor que os pintores hão figurado no nimbo ou auréola dos santos.

A pouca resistência que a matéria oferece a Espíritos já muito adiantados torna rápido o desenvolvimento dos corpos e curta ou quase nula a infância. Isenta de cuidados e angústias, a vida é proporcionalmente muito mais longa do que na Terra. Em princípio, a longevidade guarda proporção com o grau de adiantamento dos mundos. A morte de modo algum acarreta os horrores da decomposição; longe de causar pavor, é considerada uma transformação feliz, por isso que lá não existe a dúvida sobre o porvir. Durante a vida, a alma, já não tendo a constringi-la a matéria compacta, expande-se e goza de uma lucidez que a coloca em estado quase permanente de emancipação e lhe consente a livre transmissão do pensamento.

10. Nesses mundos venturosos, as relações, sempre amistosas entre os povos, jamais são perturbadas pela ambição, da parte de qualquer deles, de escravizar o seu vizinho, nem pela guerra que daí decorre. Não há senhores, nem escravos, nem privilegiados pelo nascimento; só a superioridade moral e intelectual estabelece diferença entre as condições e dá a supremacia. A autoridade merece o respeito de todos, porque somente ao mérito é conferida e se exerce sempre com justiça. O homem não procura elevar-se acima do homem, mas acima de si mesmo, aperfeiçoando-se. Seu objetivo é galgar a categoria dos Espíritos puros, não lhe constituindo um tormento esse desejo, porem, uma ambição nobre, que o induz a estudar com ardor para os igualar. Lá, todos os sentimentos delicados e elevados da natureza humana se acham engrandecidos e purificados; desconhecem-se os ódios, os mesquinhos ciúmes, as baixas cobiças da inveja; um laço de amor e fraternidade prende uns aos outros todos os homens, ajudando os mais fortes aos mais fracos. Possuem bens, em maior ou menor quantidade, conforme os tenham adquirido, mais ou menos por meio da inteligência; ninguém, todavia, sofre, por lhe faltar o necessário, uma vez que ninguém se acha em expiação. Numa palavra: o mal, nesses mundos, não existe.

A eterna luz, a eterna beleza e a eterna serenidade da alma proporcionam uma alegria eterna, livre de ser perturbada pelas angústias da vida material, ou pelo contacto dos maus, que lá não têm acesso. Isso o que o espírito humano maior dificuldade encontra para compreender. Ele foi bastante engenhoso para pintar os tormentos do inferno, mas nunca pôde imaginar as alegrias do céu. Por quê? Porque, sendo inferior, só há experimentado dores e misérias, jamais entreviu as claridades celestes; não pode, pois, falar do que não conhece. A medida, porém, que se eleva e depura, o horizonte se lhe dilata e ele compreende o bem que está diante de si, como compreendeu o mal que lhe está atrás.

12. Entretanto, os mundos felizes não são orbes privilegiados, visto que Deus não é parcial para qualquer de seus filhos; a todos dá os mesmos direitos e as mesmas facilidades para chegarem a tais mundos. Fá-los partir todos do mesmo ponto e a nenhum dota melhor do que aos outros; a todos são acessíveis as mais altas categorias: apenas lhes cumpre a eles conquistá-las pelo seu trabalho, alcançá-las mais depressa, ou permanecer inativos por séculos de séculos no lodaçal da Humanidade. (Resumo do ensino de todos os Espíritos superiores.)”

Mundos Celestes ou Divinos: Morada dos Espíritos Puros. Dentro da relatividade dos mundos, chegaram ao grau máximo de evolução.

Ä Progressão dos Mundos:

“O progresso é lei da Natureza. A essa lei todos os seres da Criação, animados e inanimados, foram submetidos pela bondade de Deus, que quer que tudo se engrandeça e prospere. A própria destruição, que aos homens parece o termo final de todas as coisas, é apenas um meio de se chegar, pela transformação, a um estado mais perfeito, visto que tudo morre para renascer e nada sofre o aniquilamento. Os Espíritos que encarnam em um mundo não se acham a ele presos indefinidamente, nem nele atravessam todas as fases do progresso que lhes cumpre realizar, para atingir a perfeição.

Quando, em um mundo, eles alcançam o grau de adiantamento que esse mundo comporta, passam para outro mais adiantado, e assim por diante, até que cheguem ao estado de puros Espíritos. São outras tantas estações, em cada uma das quais se lhes deparam elementos de progresso apropriados ao adiantamento que já conquistaram. É-lhes uma recompensa ascenderem a um mundo de ordem mais elevada, como é um castigo o prolongarem a sua permanência em um mundo desgraçado, ou serem relegados para outro ainda mais infeliz do que aquele a que se vêem impedidos de voltar quando se obstinaram no mal.

Ao mesmo tempo que todos os seres vivos progridem moralmente, progridem materialmente os mundos em que eles habitam. Quem pudesse acompanhar um mundo em suas diferentes fases, desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos destinados e constituí-lo, vê-lo-ia a percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas de degraus imperceptíveis para cada geração, e a oferecer aos seus habitantes uma morada cada vez mais agradável, à medida que eles próprios avançam na senda do progresso. Marcham assim, paralelamente, o progresso do homem, o dos animais, seus auxiliares, o dos vegetais e o da habitação, porquanto nada em a Natureza permanece
estacionário. Quão grandiosa é essa idéia e digna da majestade do Criador!

Quanto, ao contrário, é mesquinha e indigna do seu poder a que concentra a sua solicitude e a sua providência no imperceptível grão de areia, que é a Terra, e restringe a Humanidade aos poucos homens que a habitam! Segundo aquela lei, este mundo esteve material e moralmente num estado inferior ao em que hoje se acha e se alçará sob esse duplo aspecto a um grau mais elevado. Ele há chegado a um dos seus períodos de transformação, em que, de orbe expiatório, mudar-se-á em planeta de regeneração, onde os homens serão ditosos, porque nele imperará a lei de Deus. - Santo Agostinho. (Paris, 1862.)

Como bem nos orienta Emmanuel, no livro “Religião dos Espíritos”, no capítulo referente à “Pluralidade dos mundos Habitados”, que: “temos, assim, no Espaço Incomensurável, mundos-berços e mundos-experiências, mundos universidades e mundos-templos, mundos oficinas e mundos-reformatórios, mundos-hospitais e mundosprisões ...” E complementado, o Espírito Joanna de Ângelis, no livro “No Limiar do Infinito”, no capítulo referente à pluralidade dos mundos habitados, assevera que: “Mundos e mundos gravitando no infinito, desde os que se encontram em estado de gases incandescentes aos mais sublimes, esperando por nós, como disse Jesus.

Entesourando o amor na alma, a luz do divino amor desatará uma cascata de claridades infinitas, para o vôo eterno de cada Espírito, na direção da luz, porque na Luz gerados todos seguiremos para a Luz geradora que é o nosso Pai”.

À Mundos Transitórios:

Martins Peralva no seu Livro “O Pensamento de Emmanuel”, no capítulo referente aos Mundos Habitados, tece um comentário que merece uma reflexão mais acurada: “O ensino dos Espíritos, ao ditarem a codificação do Espiritismo, confirma plenamente a referência de Nosso Senhor Jesus Cristo, de “que na casa de meu Pai há muitas moradas” Podemos conceituar de três maneiras, para efeito de estudo, a palavra “morada”, mencionada no Evangelho:

· Os mundos que formam o Universo, onde outras humanidades realizam a marcha evolutiva;

· As diversas zonas espirituais, superiores ou inferiores, além das fronteiras físicas, onde a vida palpita com a mesma intensidade das metrópoles humanas;

· Os vários departamentos da mente, onde se demoram pensamentos e reações, dramas e tragédias, anseios e realidades do Espírito.”

Antes de adentrarmos especificamente no conceito e explicações referentes aos mundos transitórios, mister se faz algumas definições, para facilitar o nosso entendimento:

Espírito Errante: - Espírito que se encontra na erraticidade, desencarnado, à espera de uma oportunidade para reencarnar.

Erraticidade: - (Do francês erraticité). Estado dos Espíritos errantes ou erráticos, isto é, não encarnados, que vivem durante o intervalo de suas existência corpóreas. Kardec escreveu o seguinte sobre a erraticidade: “estado dos Espíritos errantes, isto é, não encarnados, durante os intervalos de suas diversas existências corporais. A erraticidade não é um sinal absoluto de inferioridade para os Espíritos. Há Espíritos errantes de todas as classes, salvo os da Primeira Ordem ou Espíritos Puros que não precisam mais reencarnar para melhorarem-se. Os Espíritos errantes são felizes ou infelizes segundo o grau de sua purificação.

É nesse estado que o Espírito sem o véu material do corpo que o vestia, percebe suas existências anteriores e os erros que o afastam da perfeição e da felicidade infinita. É então, que escolhe novas provas, a fim de progredir mais rápido (O Livro dos Espíritos, n.º 223 e seguintes). Na situação errante como na corpórea, os Espíritos tendem a formar núcleos coletivos onde interagem e acabam por formar seus próprios ambientes. A Lei da Afinidade é que rege essa questão, visto que os Espíritos afins se buscam.

Mundos Transitórios são mundos que servem de estações ou ponto de repouso aos Espíritos Errantes. São mundos particularmente destinados aos seres errantes, mundos que lhes podem servir de habitação temporária, espécies de acampamentos onde descansam. São entre os outros mundos, posições intermédias, graduada de acordo com a natureza dos Espíritos que a elas podem ter acesso e onde gozam de maior ou menor bem-estar.

Os Mundos Transitórios não são habitados por seres corpóreos. Estéril é neles a superfície. Os que os habitam de nada precisam. Essa esterilidade, no entanto é transitória, tendo já a própria Terra, durante a sua formação, figurado entre os mundos transitórios.

No que toca as diversas regiões espirituais, sabemos que comunidades redimidas habitam zonas mais elevadas da Espiritualidade, às quais obreiros dedicados são periodicamente conduzidos em processo estimulante do esforço pessoal. Em faixas vibratórias mais ligadas à Terra, estacionam, temporariamente, almas ainda vinculadas às sensações e problemas da vida física, uma vez que o peso específico de suas organizações perispirituais, apresentado certa densidade, lhes não permitem as grandes ascensões. Tais regiões ou esferas espirituais de diferentes graus evolutivos, vão desde simples posto a verdadeiras cidades espirituais.

Nosso Lar:

Colônia Espiritual situada nos planos vizinhos da esfera terrestre. Encontramos no Livro “Nosso Lar”, primeira obra de uma série de livros ditados pelo Espírito André Luiz e psicografados por Francisco Cândido Xavier, informações importantíssimas acerca da vida no plano espiritual. Neste momento, de forma especial, encontramos no capítulo intitulado “Notícias do Plano”, as seguintes informações referentes à Colônia Nosso Lar:

“ Antiga fundação de portugueses distintos desencarnados no Brasil, no século XVI.

A princípio, enorme e exaustiva foi a luta... Há substâncias ásperas nas zonas invisíveis à terra, tais como nas regiões que se caracterizam pela matéria grosseira... Os trabalhos primordiais foram desanimadores, mesmo para os Espíritos fortes. ... Os fundadores não desanimaram porém.

A colônia, que é essencialmente de trabalho e realização, divide-se em seis Ministérios, orientados, cada qual, por doze Ministros. ... Os Ministérios do Nosso lar são enormes células de trabalho ativo. Nem mesmo alguns dias de estudos oferecem ensejos à visão detalhada de um só deles. A Instituição é eminentemente rigorosa, no que concerne à ordem e à hierarquia. Nenhuma condição de destaque é concedida aqui a título de favor.

A lei do descanso é rigorosamente observada, para que determinados servidores não fiquem mais sobrecarregados, que outros; mas a lei do trabalho é também rigorosamente cumprida”.
Concluímos, assim, que as colônias ou regiões espirituais, são locais destinados aos Espíritos desencarnados, ainda necessitados de reencarnações e intimamente ligados a este ou aquele planeta pelas ações cometidas no passado. Os mundos transitórios fazem parte dos corpos celestes, espalhados pelo Universo, podendo ser um planeta, um satélite, ou algo similar.

Os Exilados de Capela e a formação da Cultura Ocidental:

Nos mapas zodiacais, que os astrônomos terrestres compulsam, examinam, lêem em seus estudos, observa-se desenhada uma grande estrela na Constelação de Cocheiro, que recebeu, na Terra, o nome da Cabra ou Capela. A sua luz gasta cerca de 42 anos para chegar à face da Terra, considerando-se, desse modo, a regular distância existente entre a Capela e o nosso planeta. Há muitos milênios, um dos orbes da Capela, que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos.

Alguns milhões de Espíritos rebeldes lá existiam, no caminho da evolução geral, dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e virtudes, mas uma ação de saneamento geral os alijaria, os desvencilharia daquela humanidade, que fizera jus à concórdia perpétua, para a sublimação dos seus elevados trabalhos.

As grandes comunidades espirituais, diretoras do Cosmo, deliberaram, então, localizar aquelas entidades, que se tornaram pertinazes, obstinadas, persistentes no crime, aqui na Terra longínqua, onde aprenderiam a realizar, na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coração e impulsionando, simultaneamente, o progresso dos seus irmãos inferiores. Foi assim que Jesus recebeu, à luz do seu reino de amor e de justiça, aquela turba,aquela multidão, de seres sofredores e infelizes.

Aquelas almas aflitas e atormentadas reencarnaram, proporcionalmente, nas regiões mais importantes, onde se haviam localizado as tribos e famílias primitivas, descendentes dos primatas. Com a sua reencarnação no mundo terreno, estabeleciam-se fatores definitivos na história etnológica dos seres. (etnologia – estudo e conhecimento, sob o aspecto cultural, das populações primitivas).
Com essas entidades, nasceram no orbe os ascendentes das raças brancas. Em sua maioria, estabeleceram-se na Ásia, de onde atravessaram o ístmo (faixa de terra que liga uma península a um continente) de Suez para África, na região do Egito, encaminhando-se igualmente para a longínqua Atlântida, de que várias regiões da América guardam assinalados vestígios.

Aqueles seres dacaídos e degradados, à maneira de suas vidas passadas no mundo distante da Capela, com o transcurso dos anos reuniram-se em 04 grandes grupos que se fixaram depois nos povos mais antigos, obedecendo às afinidades sentimentais e lingüísticas que os associavam na Constelação do Cocheiro. Formaram desse grupo:
· O Grupo dos Árias
· A Civilização do Egito
· O Povo de Israel
· As Castas da Índia