NATAL
BIBLIOGRAFIA
01 - Antologia da espiritualidade - pág. 55 02 - Antologia mediúnica do natal - toda a obra
03 - As aves feridas na terra voam - pág. 78 04 - Celeiros de bênçãos - pág. 13, 182
05 - Do país da luz - vol. 4 - pág. 199, 268 06 - Dos Hippies aos problemas do mundo - pág. 16
07 - Espírito e vida - pág. 200 08 - Fonte viva - pág. 399
09 - Lampádario espírita - pág. 139 10 - Luz da esperança - pág. 98
11 - Na era do Espírito - pág. 160 12 - Na seara do mestre - pág. 24
13 - Nas pegadas do mestre - q 536 - pág. 736 14 - O Redentor - pág. 19
15 - Os funerais da Santa Sé - pág. 190 16 - Os mensageiros - pág. 214
17 - Passos da vida - pág. 13 18 - Pensamento e vontade - pág. 120
19 - Pérolas do além - pág. 172 20 - Segue-me - pág. 95, 99, 123
21 - Repositório de sabedoria - pág. 102 22 - Universo e vida - pág. 44
23 - Oferenda- pág. 197 24 - Jesus Cristo, a luz do mundo
25 - Revista das religiões - edição 16  

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NATAL – COMPILAÇÃO

05 - DO PAÍS DA LUZ - FERNANDO LACERDA - ESPÍRITOS DIVERSOS - PÁG. 199

ÍTEM XXXVIII - JÚLIO DINIZ: Natal, Natal! Nasceu o Redentor! Que ele dê paz ao Mundo, e a ti, meu querido amigo, luz à tua alma e paz à tua vida! Isto te disse eu em 1906, como sincera aspiração da minha alma agradecida e cristã. Isto repito agora, com mais fervor, com mais humildade perante Deus. Que Ele dê a paz ao Mundo e à tua vida, que ambos carecem bem dela. O mundo, quanto mais proclama a paz, mais se lança na guerra; a tua vida, quanto mais pela paz anseia, mais guerra a assola. Como é hoje diferente o dia de Natal em nossa terra! Em poucos lares se verá fumegar a chaminé à meia noite; em poucas lareiras haverá o lume caricioso, para transmitir o calor aos que, inteiriçados, mas alegres, esperavam cantando ou rezando a hora solene, para irem ao presbitério ver nascer o menino. Em poucas casas haverá a ceia grande e tradicional, em poucas haverá paz, em poucas a inquietação ou o sofrimento deixará de adejar como morcego sombrio e de mau agouro. Em poucos presbitérios nascerá o menino! Os sinos não tangerão, enviando pelas quebradas, na quietação da noite, os sons festivos. Não mais flores, não mais incenses, não mais luzes, não mais poesia nas igrejas! Agora a tristeza cobre a alma cristã, em nossa terra, com o denso véu negro da desolação!


Em muitos lares faltam ausentes que não podem comparecer à reunião santificada da família! Muitos estão órfãos! Em alguns não há fogo, em outros não há paz, em outros não há pão! Lágrimas, só lágrimas é que rolarão em abundância pelas faces maceradas dos que em vão olham para a porta cerrada, sem esperança de que por ela entre a alegria! Como tudo isto põe estremecimentos de dor em nossa alma! Como ambições insofridas, como a desorientação espancam da nossa terra florida o seu encanto cristão, o conforto das almas simples, a resignação das almas padecentes! E todos a pregarem a paz! Como vai já longe o tempo em que o eco conduzia, através das serranias, o som festivo dos sinos das aldeias, que ia perder-se no espaço, entoando salmos de bronze em louvor do menino nascido, levando, na vibração de cada badalada, cânticos de alegria, aspirações de felicidade. E as crianças e os velhos lá iam, embuçados e brancos da nevada, felizes com o trino da campana, beijar o pequeno menino Jesus que o seu padre lhes apresentava sorrindo.


Era sempre o mesmo menino Jesus. Eles é que eram diversos de ano para ano; eram romeiros novos, que os outros se iam esquecendo na jornada, cansados de fadigas, exaustos pelas dores, e haviam aparecido aqui, nestas regiões onde não nasce o menino, mas onde se adora a Jesus na plenitude da sua graça, da sua bondade anunciando a alegria e a festa da freguesia e do seu amor. Aqui não vem a guerra dos homens destruir-Ihe o culto! Como é desolador que a insânia dos homens se extênue tanto em destruir a própria felicidade! E olho para ti, olho para o teu lar. Ambos órfãos! Ele órfão do teu carinho, tu órfão do seu conchego. Lá, saudades e lágrimas. Aqui... Como é triste tudo isto! Como faz pena olharmos e vermos o que aí se passa! Não estranhes que andemos afastados. E' doloroso vermos ruínas. Ruínas de uma terra que foi nossa; ruínas de uma felicidade que aí amamos; ruínas de uma fé que aí nos fortaleceu! Ruínas, só ruínas!


E' hoje a festa da família em nossa pátria terrena! A festa da família! A desgraça tem às vezes ironias cruéis! A festa da família! Quem há em Portugal que creia sinceramente que hoje se realize nos lares portugueses a festa da família? Nos lares, onde há lágrimas em vez de risos, onde há a inquietação em vez da paz, onde reina o desespero em lugar da confiança, onde se não espera, onde se não pode crer, onde se não pode orar! Natal! Natal! Nasceu o Redentor! Que ele leve a paz à nossa terra e a felicidade a todos os lares, ora apagados, ora aflitos, onde se soluça e se não sorri, onde a dor avassala as almas e os corações e os lábios não balbuciam, por medo, o doce nome do Nazareno.

ÍTEM LII - Julio diniz. A NOITE DE NATAL EM PORTUGAL: Outro Natal amanhã. E, se nesse mundo não há peito humano onde bata coração bom, que não rememore o dia consagrado ao nascimento do Justo, aqui não há também quem não levante hosanas na festa que a Humanidade dedica ao Mestre. Tenho Sido eu quem, nos anos anteriores, tem vindo comemorar, por ti, aí nesse mundo, a solenidade querida de nossos corações. Seja eu ainda quem venha este ano também. Os outros companheiros que me pleiteiam o encargo. A festa é de paz, o momento é de saudade. Requer palavras tristes a, recordação do Natal da nossa terra; requer consolações; e eles, valentes habituados à peleja, onde se vibram frases como espadeiradas, entendem que só um médico, ainda que seja eu, pode trazer emolientes e anestesiantes às dores que no dia de Natal torturarão os corações amargurados dos portugueses. Eu, médico e triste, talvez melhor do que eles, possa compre­ender a agonia da saudade e, não podendo elevar um hino de alegria onde muito se sofre, poderei deixar mais um carme saudoso de tempos que não voltam mais!

Natal! Natal! Que triste evolução tem feito, desde que te falo, a nossa comemoração! Era de festa este dia! Em cada lar português havia uma capelinha, em que pontificava o Amor, na festa do Menino Jesus. Era o grande dia da família. Esperava-se por ele o ano inteiro, acumulando saudades que nessa noite se desfaziam com a chegada dos ausentes queridos. A sua noite era a maior do ano; a festa dessa noite era a festa maior. Havia lume em todas as lareiras; havia ceia abundantíssima em todas as mesas, ainda nas mais indigentes; havia risos nos lábios, alegrias nos corações e paz nas almas. Parecia que a suavíssima bondade do Cristo descia das regiões iluminadas e vinha, como orvalhada de luz, rociar as consciências e espargir a felicidade. Cantava-se, ria-se, orava-se e, noite velha, lá ia a família em bando, ao badalar alegre do sino da igreja, em devaneios de amor, em devaneios de saudade, a visitar o Menino Jesus que ia nascer. As badaladas quebravam festivamente a calada da noite; e lá iam todos, com as almas em festa, pelos carreiros, atravessando as quebradas das serranias brancas de neve, tão brancas como se anjos as tivessem ido atapetar de prata, enquanto que, da chaminé de cada cabana, subia em espiral um fiozinho de fumo branco, que parecia querer levar ao céu a notícia de que naquela noite havia festa e ceia naquele lar.


Era noite de felicidade aquela, como não havia outra igual nas nossas aldeias sitiadas pelo inverno áspero. E hoje? O inverno ainda as sitia com a sua aspereza; mas a felicidade abandonou aqueles lares. Estão também sitiadas pelos sofrimentos. Lá só se blasfema e chora. Não mais se canta, não se ri mais; os sinos estão mudos e mortos; as igrejas ermas; as quebradas, como grandes túmulos de trevas, não são mais despertadas pelo som dos sinos, pelos toques de instrumentos populares, pelos cantos, nem pelas risadas. Os anjos ainda semeiam a neve alvíssima, ainda; mas ela hoje cai mais nos corações que nos caminhos. Os corações, em que havia capelas a Jesus, estão fechados pela Dor. Que má ação pagará à justiça de Deus o povo que só no socalco da Cruz tinha cimentado o alicerce da sua grandeza e as raízes da sua independência? Que vento abrasador veio queimar as almas simples e crentes dos filhos da minha terra?


Hoje, a grande noite da alegria é a maior da Dor. Noite infinda, noite eterna, em vez de preces há soluços, em vez do tilintar argentino dos risos, há os sons pungentíssimos do choro. Não se sente mais o calor da lareira, que fazia a grande ceia e aquecia os corpos regelados, na espera da meia-noite. Não se aguarda com a ansiedade de outrora a chegada alegre de um retardatário, nem se escuta mais o apelo longínquo do sino do presbitério a chamar os fiéis do Cristo para a grande romaria do amor. Não se vêem mais os fiozinhos de fumo a erguerem-se para o céu. Nos lares não há mais festa. Em cada um reina só a dor. Os ausentes não voltam. As portas estão cerradas, como que temendo que, se fossem abertas, entrasse por ela nova lufada de desgraça. Não há fogo nem luz. Para chorar, chora-se bem no escuro. Às trevas do lar corresponde a treva de cada alma. Para a festa da Dor, como para a festa da paixão cristã, basta só aceso um círio. E' o da saudade! Saudade pelo Deus banido, saudade pela paz extinta, saudade pela felicidade perdida, saudade pelos membros da família ausentes, que não voltam mais! Que não voltam mais!!! Saudade, só saudade!


E através das lágrimas, cada olhar busca, no escuro dessa noite em agonia, a imagem do ente amado, exilado em longes terras, fugido como celerado; ou procura divisar, por detrás de grades sinistras, o olhar do parente ou do amigo, embaciado de lágrimas e alucinado de sofrimentos! Não é mais de festa, na minha terra, a festa do Redentor! Os lares não têm pão, nem alegria; as igrejas não têm mais rosmaninho, nem luzes. Para amar a Jesus, há-de cada um esconder-se, como para praticar um delito, em contraste com aqueles que, para o ofenderem, passam a vida a despertar ruidosamente a atenção geral, para que mais pública, mais solene seja a ofensa, como se a grandeza do ato perdesse com a míngua de espectadores . Os corações na minha pátria estão doentes. Não venho a sacudi-los, corno o vento sacode ulmeiros. Venho, como enfermeiro amigo, a trazer-lhe lenitivo. Lembrar felicidades que passaram é mitigar penas, é ainda ser feliz. E' evocar, pela saudade, aquilo que dourou a nossa vida, é reconstruir, numa visão amiga, tudo que se quebrou; recobrar tudo que se perdeu, reviver tudo que fugiu.

E' projetar, com essa visão, uma centelha de luz na escuridão em que se vive. Ah! assim eu pudesse! Assim eu pudesse, como amiga fada de lenda, fazer que em cada coração onde reside a pena houvesse um momento em que passasse, nessa visão do pensamento, a noite de Natal com os seus encantos e com os seus prazeres; com o seu Menino Jesus no seu rústico presepe da igreja aldeã, o brasido da lareira, a ceia abundante, o tanger de instrumentos, o som do sino a quebrar o adormecimento da noite, os ranchos cantando e rindo, os velhinhos arrastando felizes a carga dos seus anos trabalhados, para irem beijar mais uma vez o Menino; a alegria ruidosa dos recém-chegados de longas ausências ao lar da família, os anjos a pratear os caminhos, toda essa vida que se foi, toda essa festa dos povos, onde, na grande noite, o frio regelava os corpos e a f é e a alegria aqueciam as almas e reconfortavam a vida!


Mas, não posso! Vejo que a dor se aninhou em todos os corações: — nos crentes, pela perseguição à sua fé e pelos sofrimentos dos entes que amam; nos descrentes, pelo ódio que os assoberba, pela inquietação que os atormenta. E a saudade, com o seu manto de lágrimas, vem cobrindo a todos. Todos olham para a paz de outrora como para um bem que se perdeu. O presente é de tristeza e de dúvida; o futuro é de temor. A desolação paira em todas as almas; e nós, olhando daqui, pungidos de saudade infinita e de infinita mágoa, perguntamos a Deus: — até quando, Senhor, a Tua justiça pesará sobre o povo que outrora tanto te amou e te serviu e que hoje, por orgulho ou demência de uns e por fraqueza de outros, te baniu e deixou banir do seu lar, da sua Terra? Natal, Natal! Que magoada saudade envolve agora a alma portuguesa!

06 - DOS HIPPIES AOS PROBLEMAS DO MUNDO - CHICO XAVIER - PÁG. 19

ÍTEM 3 - Significação do Natal:
FREITAS NOBRE: Desejo, antes de tudo, transmitir uma série de apelos e de considerações que nos foram trazidas através do telefone durante todo o dia de hoje, inclusive no Recife, de onde falou o deputado Fernando Lira. Em primeiro lugar, para dizer aos companheiros da TV-4 o entusiasmo pelo nível do programa. Em segundo lugar, para homenagear não a Chico Xavier, mas homenagear àqueles milhares de adeptos de Chico Xavier que, através do Brasil, instalaram creches, asilos, sanatórios, hospitais e que dão pelas suas mãos, com seus corações, aquela assistência que, deve muito ao estímulo deste grande coração que é Chico Xavier. E vai então a primeira pergunta: estamos na semana do Natal. Todos falam do Natal. Todos tentam interpretar o Natal. Para a doutrina espírita e para Chico Xavier, que apresentação especial, que significação especial tem o Natal?

CHICO XAVIER: Os espíritos amigos nos tem ensinado por muitas vezes que, ante o Natal, reformulamos os nossos votos de cristianização da nossa vida pessoal e coletiva, diante de Nosso Senhor Jesus Cristo a quem nossas vidas estão entregues em nome de Deus, Aquele, que em sua infinita misericórdia, nos conserva junto de Seu coração infinitamente amoroso, como tutelados no planeta terrestre, abençoando-nos, orientando-nos, tolerando-nos as fraquezas e encaminhando-nos para uma vida melhor. Devemos com toda a sinceridade, asseverar que sem Jesus Cristo em nossas vidas (seja qual for a interpretação que venhamos a dar aos seus ensinamentos), não estaremos muito longe de uma regressão para as selvas. Por isso, o Natal é importante, continuará a ser importante. Embora muitas vezes cercado de incompreensões humanas, o Natal há de ser o coração de Nosso Senhor Jesus Cristo forçando no mundo, assim como estamos vendo o coração maravilhoso de nosso divino mestre palpitando na alegria de toda São Paulo, em festiva comemoração para a passagem do natalício d'Aquele que é o maior amor das nossas vidas.

08 - FONTE VIVA - EMMANUEL- ÍTEM - 180 - O NATAL - PÁG. 399

ÍTEM 180 - NATAL:
"Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra e boa-vontade para com os homens." — (LUCAS, 2:14.)
As legiões angélicas, junto à Manjedoura, anunciando o Grande Renovador, não apresentaram qualquer palavra de violência.
Glória a Deus no Universo Divino.
Paz na Terra.
Boa-vontade para com os Homens.
O Pai Supremo, legando a nova era de segurança e tranquilidade ao mundo, não declarava o Embaixador Celeste investido de poderes para ferir ou destruir.
Nem castigo ao rico avarento.
Nem punição ao pobre desesperado.
Nem desprezo aos fracos.
Nem condenação aos pecadores.
Nem hostilidade para com o fariseu orgulhoso.
Nem anátema contra o gentio inconsciente.
Derramava-se o Tesouro Divino, pelas mãos de Jesus, para o serviço da Boa-Vontade.
A justiça do "olho por olho" e do "dente por dente" encontrara, enfim, o Amor disposto à sublime renúncia até à cruz.
Homens e animais, assombrados ante a luz nascente na estrebaria, assinalaram júbilo inexprimível ...
Daquele inolvidável momento em diante a Terra se renovaria.
O algoz seria digno de piedade. O inimigo converter-se-ia em irmão transviado. O criminoso passaria à condição de doente. Em Roma, o povo gradativamente extinguiria a matança nos circos. Em Sídon, os escravos deixariam de ter os olhos vazados pela crueldade dos senhores. Em Jerusalém, os enfermos não mais seriam relegados ao abandono nos vales de imundície.
Jesus trazia consigo a mensagem da verdadeira fraternidade e, revelando-a, transitou vitorioso, do berço de palha ao madeiro sanguinolento.
Irmão, que ouves no Natal os ecos suaves do cântico milagroso dos anjos, recorda que o Mestre veio até nós para que nos amemos uns aos outros. Natal! Boa Nova! Boa-Vontade!... Estendamos a simpatia para com todos e comecemos a viver realmente com Jesus, sob os esplendores de um novo dia.

09 - LAMPADÁRIO ESPÍRITA - JOANNA DE ÂNGELIS - PÁG. 139

ÍTEM 33 - Exaltação do Natal
Se já consegues perceber a sublime mensagem do Natal de Jesus, faze um exame dos benefícios que fruis com o conhecimento e dos resultados produzidos na tua vida. Refaze, mentalmente, o caminho percorrido, desde que a sinfonia do Natal permeou teu espírito de alegrias, e considera as tuas atitudes. Embalado pelo cântico da esperança cristã, rememora quantas lágrimas estancaste, quantos companheiros soergueste da queda moral lastimável, quantos corações vitalizaste com a fé clara e pura, quantas vezes silenciaste se ultrajado, se perseguido, se instado ao revide, quanto desculpaste reatando liames de afeto com o ofensor, quanto confiaste embora aparentemente perdido, quanto pudeste perseverar nos propósitos sadios, apesar das tentações de toda ordem!. . . Tens elegido a serenidade como companheira nas horas difíceis, o amor como sustentáculo das tuas aspirações, a caridade como normativa fraternal e a fé como lâmpada sempre acesa no curso das tuas horas?!


O Natal evoca o Rei Divino descendo à Terra para amar, como uma lição viva e inconfundível de como se devem conduzir os amados que conseguem amá-Lo. Esses, os que ensaiam amá-Lo, experimentam gáudio pelo Seu nascimento, mas não convertem a alegria em estroinice nem a gratidão afetuosa em repasto exagerado, motivando desequilíbrios e abusos de variada contextura. Buscam, à semelhança d'Ele, aqueles que não têm tido ensejo de ser amados nem socorridos e cujos leitos de dores se encontram à mercê das escuras tormentas da aflição em que eles se debatem, convertendo os sentimentos de que se encontram possuídos em alavancas de socorro e proteção. Não se queixam, nem lamentam, pois que têm os olhos n'Aquele que tudo cedeu e todas as honras desdenhou para exaltar o amor e elevá-lo à condição de astro-rei no arquipélago das conquistas humanas. Se ainda não consegues sentir a glória do Natal de Jesus vibrar nas íntimas fibras do teu ser, porque a tua coleta há sido de desencantos e tristezas, perversidades e incompreensões, ou porque as amarras do cepticismo cedo te enovelaram aos pélagos da indiferença pelas questões transcendentais do espírito, evoca a história daquele Homem que medrou como lírio imaculado em chavascal odiento e não se conspurcou, que viveu sitiado pelo sofrimento de todos e não desanimou, que sofreu zombaria e apodo de toda natureza e não descreu, que se viu a sós quando mais era convocado ao testemunho ímpar e não se fez amargo nem decepcionado.


Recorda-O, simples e majestoso, face crestada pelo sol, cabelos ao vento, pés sangrentos, esguio e nobre, misturado à plebe, enxugando suor e lavando feridas, limpando raízes morais, acolitado por mulheres mutiladas nos ideais da maternidade e reduzidas à condição mais dolorosa, e por homens vencidos por impostos exorbitantes ou dominados por misérias sem nome... Elegeu esses, os sem-ninguém, à condição de amigos, sem se voltar contra aqueles outros, também infelizes, momentaneamente guindados ao poder ou enganados pela ilusão. A cruz em que o cravejariam mais tarde, simbolizou-a sempre, de braços abertos, aconchegando ao peito afável quantos desejassem paz e, descrentes, necessitassem de luz e vida. Evoca-O, e deixa que cheguem ao teu espírito e o penetrem, neste Natal, as vibrações d'Ele, o Amigo por quase todos esquecido, que jamais se esqueceu de ninguém. Aquieta o turbilhão que te atordoa, e, enquanto se espraiam no ar as sutis vibrações do Natal de Jesus, escuta a voz dos anjos e alça-te dos sítios sombrios onde te demoras para as culminâncias do amor clarificador de rotas em homenagem ao Governador da Terra, quando da sua visita, no passado, para que, agora, novamente Ele te possa visitar, sendo o conviva invisível e presente na formosa festa de paz em que se converteria tuas horas de agora em diante. O Natal é mensagem perene que desceu do Céu para a Terra e que agora, em ti, se levanta da Terra na direção do Céu.

11 - NA ERA DO ESPÍRITO - ESPIRITOS DIVERSOS - PÁG. 160


ÍTEM 28 - Chico Xavier - Como Consideramos Jesus:
Do que posso pessoalmente compreender, dos ensinamentos dos Espíritos Amigos, consideramos Jesus Cristo como sendo Espírito de evolução suprema, em confronto com a evolução dos chamados terrícolas que somos nós outros. Não o senhor do sistema solar, com todo o respeito que temos à personalidade sublime de Jesus, mas consideramo-lo como supremo orientador da evolução moral do Planeta. E os Espíritos como Buda, como Zoroastro, como aqueles outros grandes instrutores da índia e da Grécia, por exemplo, que eram considerados orientadores ou chefes de grandes movimentos mitológicos, serão ministros do Cristo, pois temos ainda outra definição para classificá-los, dentro nossos parcos conhecimentos a respeito da nossa História no lado espiritual da vida. Vemos que Jesus convidou doze discípulos, Eram discípulos humanos tanto quanto nós, para que não fôssemos instruídos por anjos, pois senão nada entendei da Doutrina do Cristo. Teríamos de entender a discípulos também humanos, frágeis portadores de deficiências como as nossas, embora respeitemos, nos doze, personalidades eminentemente elevadas em nossa posição atual na Terra. Mas, do plano espiritual Ministros do Senhor cooperaram, cooperam e cooperarão sempre para que a nossa personalidade se consolide cada vez mais no plano físico.


Nós estamos, vamos dizer, no limiar da era do espírito, mas estamos ainda sacudidos por grandes calamidades psicológicas, como a Terra no seu início, como habitação sólida, esteve movimentada por grandes convulsões. Psicologicamente estamos sacudidos por esses movimentos que dificultam a nossa compreensão. Mas os Ministros do Senhor estão cooperando para que alcancemos a segurança, com a estabilidade precisa, para que o Planeta seja realmente promovido a mundo de paz e felicidade para todos os seus habitantes. (Não sei se expliquei bem). O Criador, a nosso ver, conforme ensinam Espíritos Amigos que nos visitam — é o Criador. Não podemos ainda ter outra definição de Deus mais alta do que aquela de Jesus Cristo quando o chamou de Pai Nosso. Além disso, a nossa mente vagueia como se estivéssemos em águas demasiadamente profundas, sem recursos para tatear a terra sólida. Pai Nosso, Deus Criador do Universo. Então, a força que Deus representa ter-se-ia manifestado em Jesus Cristo para que ele, como um grande engenheiro, de mente quase divina, pudesse realizar prodígios sob a inspiração de Deus na plasmagem, na estruturação do mundo maravilhoso que habitamos. Mas não consideramos Jesus como criador, conquanto o respeito que lhe devemos.


Acho formidável o que o Prof. Herculano Pires disse. Quer dizer que Jesus seria o demiurgo da Terra. E o demiurgo do sistema solar será, então, um demiurgo da mais alta potência construtora. A esse respeito peço licença para dizer que certa feita, indagando de Emmanuel qual a posição de Jesus no sistema solar, ele me respondeu que ficasse, a respeito de Deus, com a expressão do Pai Nosso dita por Jesus e não perguntasse muito, porque eu não tinha mente capaz de entrar no domínio desses conhecimentos com a segurança precisa. Eu insisti e ele então desdobrou um painel à minha vista, num fenômeno mediúnico. Apareceu então a Terra na Comunidade dos Mundos do nosso sistema evolutivo em torno do Sol. O nosso Sol, depois, em outra face do painel, evoluindo para a constelação que se não me engano, é chamada de Andrômeda. Depois, essa constelação, arrastando o nosso sistema e outros, evoluía em direção a outra constelação que já não tinha nome na minha cabeça. Essa outra constelação avançava para outra muito maior dentro da nossa galáxia.

Depois, apareceu a nossa galáxia, imensa, como se uma lente de alta potencialidade estivesse entre os meus olhos e o painel. E a nossa galáxia evoluía com outras galáxias em torno de uma nebulosa enorme e que Emmanuel me disse que passava a evoluir, em torno de outras nebulosas. Então, a minha cabeça ficou cansada e eu pedi para voltar, como se tivesse saído de um foguete da Terra e me perdesse pelo espaço a fora e sentisse uma vontade louca de voltar a ser gente e ficar outra vez no meu lugar. Porque tudo está dentro da Ordem Divina. Cada mundo, cada sistema, cada galáxia, orientados por Inteligências Divinas, e Deus para lá disso tudo, sem que possamos fazer-lhe uma definição. Senti uma vontade enorme de voltar para a minha cama e tomar café quente!

14 - O REDENTOR - EDGARD ARMOND - PÁG. 19

CAP. 3 - O NASCIMENTO DO MESSIAS - AS PROFECIAS:
As profecias sobre o nascimento do Messias cumpriram-se em quase todos os detalhes e o próprio Jesus, nos diferentes atos de sua curta vida pública de três anos, a elas se referia sempre e lhes dava constantes testemunhos, colaborando para seu cumprimento. Isso fazia não só para prestigiar os profetas, como canais que eram da revelação, como para demonstrar que esta antecede sempre os acontecimentos relevantes da vida da humanidade e que, uniformemente, expressam-se os mandatários siderais pela boca dos profetas ou médiuns. As profecias hebréias, referentes ao advento do Messias redentor, confirmavam outras anteriores, proferidas em outras regiões do mundo de então, no sentido de um nascimento miraculoso, contrário às leis naturais, através de uma virgem, sem contatos humanos que, conforme referiam, ocorrerá com outros missionários religiosos ou fundadores de movimentos espiritualizantes como, por exemplo, Zoroastro, Krisna, Buda.


Essa concordância permitia supor que os profetas hebreus deixaram-se influenciar por essas notícias que, gravadas em seus subconscientes, vieram à tona no transe das revelações, ou que, então, foram realmente verdadeiras, como verdadeiras foram todas as demais que proferiram sobre, por exemplo: a fixação de Jesus na Galiléia, da qual fez centro para seus movimentos e pregações; os sofrimentos do Messias; seus sacrifícios; a traição de Judas; as atormentações e torturas na noite de sua prisão; a morte na cruz; a ressurreição, etc. Mas, se todas as profecias hebréias foram confirmadas, esta, entretanto, do nascimento virginal não o foi mas, ao contrário, até hoje vem se tornando motivo de controvérsias entre cristãos. Quando o excelso Missionário, custodiado pelos seus luminosos assistentes espirituais, aproximou-se da atmosfera terrestre, no crucial sofrimento da redução vibratória para adaptação ao nosso mundo material denso, onde seus assistentes já lhe haviam preparado o nascimento físico, quatro grupos de iniciados maiores, pertencentes àquelas correntes a que já nos referimos atrás, pressentiram essa aproximação e também se prepararam para apoiar e receber condignamente tão sublime visitante; foram eles: os sacerdotes do Templo-Escola do Monte Horeb na Arábia, dirigido por Melchior; os Ruditas, solitários dos Montes Sagros, na Pérsia, cujo culto era baseado no Zend-Avesta de Zoroastro e cujo chefe era Baltazar; os solitários do Monte Zuleiman, junto ao Rio Indo, dirigidos por Gaspar, Senhor de Srinagar e príncipe de Bombaim; e finalmente, os Essênios, da Palestina, que habitavam santuários e mosteiros isolados e inacessíveis, nas montanhas desse país, da Arábia e da Fenícia.


A esses iniciados foi revelado mediunicamente a próxima encarnação do Messias, há tanto tempo esperado. Melchior, Baltazar e Gaspar foram os visitantes piedosos que a tradição evangélica chama de "Reis Magos" e que visitaram o Menino-Luz nos primeiros dias do seu nascimento, em Belém. Foram tidos como magos porque vieram da direção do oriente, onde ficavam a Caldéia, a Assíria, a Pérsia, a Índia e onde a ciência da astrologia, da magia teúrgica e de outras espécies eram praticadas livremente. Aliás, o próprio Evangelho justifica os títulos, pondo na boca de um dos magos, à sua chegada a Jerusalém, a seguinte frase: "Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Vimos sua estrela no oriente e viemos adorá-lo". (Mateus 2:2) Para a encarnação do anjo planetário, o vaso carnal escolhido e já compromissado desde antes de sua reencarnação na Terra, foi Maria, virgem hebréia de família sacerdotal, filha de Joaquim e Ana. Moravam em Jerusalém, fora dos muros, junto ao caminho que ia para Betânia. Ele era de Belém, da tribo de Levi, da família de Aarão, e ela de Nazaré, da tribo de Judá, da família de Davi. Já estavam ambos em idade avançada quando lhes nasceu uma filha que foi chamada Maria, cujo nome significa beleza, poder, iluminação. Com a morte de seus pais foi ela internada por parentes no Templo de Jerusalém, junto às Virgens de Sião, que nas grandes festividades cantavam em coro os salmos de Davi e os hinos rituais, pois que as jovens descendentes de tais famílias tinham esse direito e podiam ser educadas primorosamente no Templo, consagrando-se, caso o quisessem, a seus serviços internos.


Dois anos depois, segundo revelações mediúnicas, José, carpinteiro residente em Nazaré, cidadezinha da província da Galiléia, usando de um direito que também lhe pertencia por descender da família de Davi, tendo enviuvado de sua mulher Débora, filha de Alfeu e ficado com cinco filhos menores, bateu às portas do Templo pedindo que lhe fosse designada uma esposa. Nestes casos, a designação era feita pela sorte e a indicada foi Maria. A expectativa por um Messias nacional, nesse tempo, era geral na Palestina, região agravada pela pesada ocupação romana, que repercutia também, fundamentalmente, no Templo, por causa da redução de autoridade e de prestígio do clero, até então dominante e arbitrário; e uma tarde, dias antes de sua indicação, estando Maria sozinha em uma das dependências do Templo, recordando o quanto também sofrera seu progenitor com essa situação e as preces que fazia pela libertação de Israel, adormeceu e teve um sonho, ou melhor dito, uma visão (pois era dotada de aprimoradas faculdades psíquicas) durante a qual um anjo a visitou e a saudou como predestinada a gerar o Messias esperado.


Atemorizada, guardou silêncio sobre o ocorrido, mas seus temores aumentaram quando, como era de praxe, foi escolhida pela sorte para esposa do pretendente José, também pertencente à família de Davi, em cuja linhagem, pelas Escrituras, o Messias nacional deveria nascer. Este fato, para ela, foi uma evidente confirmação da visão que tivera e das palavras do anjo que a visitara, e seu Espírito ingênuo e místico compreendeu que sua aquiescência àquele consórcio era imperativa. A partir de sua chegada a Nazaré e após as comemorações rituais das bodas, cerimoniais que, segundo os costumes, duravam vários dias, dedicou-se aos afazeres domésticos sem poder, contudo, esquivar-se à lembrança dos acontecimentos do Templo; e a vida do casal, desde o primeiro dia, ressentiu-se daquelas apreensões e temores. Foi-se retraindo o mais que pôde da vida social e das intimidades domésticas, recolhendo-se a prolongadas meditações e alheamentos, a ponto de provocar reprovações de conhecidos, parentes e familiares.


Vivia como dentro de um enlevo permanente, no qual vozes misteriosas lhe falavam das coisas celestiais, de alegrias sobre-humanas, de sofrimentos e de dores que lhe estavam reservadas no futuro, exatamente como, bem se lembrava, estava escrito nas Escrituras Santas do seu povo. Por fim, sentindo-se grávida, confessou seus temores a José, de cuja paternal bondade estava certa poder esperar auxílio e compreensão. Surpreendido pela revelação, José, dentro da sensatez que lhe era atributo sólido, guardou silêncio, aguardando o perpassar dos dias; mas estando evoluindo para termos finais a gestação e não podendo confiar em estranhos ou parentes ali residentes, resolveu levar a jovem esposa para Belém onde ela ficaria sob os cuidados maternais de sua tia Sara. Pois foi ali, naquela cidade histórica, por ter sido onde Samuel sagrou a Davi como rei, que deu-se o nascimento transcendente do Messias Redentor, ao qual foi dado o nome de Jesus. Este fato tão relevante ocorreu no ano 747 da fundação de Roma e 1° da era cristã, conforme admitimos por conveniência expositiva.


(Belém é nome modernizado; o nome antigo era Efrata. Nas profecias se lê, segundo Miquéias 5:1: "Somente a ti, Bethleem-Efrata, embora sejas pequena ante as muitas de Judá, de ti é que virá Aquele que será o soberano de Israel e cuja origem vem de longe, da eternidade". Ao narrar a vida de Jesus e devido a divergências existentes nos calendários; para simplificar as coisas e evitar interpretações diferentes, adotamos o sistema de considerar o ano l o primeiro a partir do nascimento; ano 33 o de sua crucificação, etc., desprezando, o calendário oficial, que considera tenha ele se verificado no ano 7 de nossa era e 747 da fundação de Roma). Contam as escrituras que o evento se deu num estábulo, o que não é de se estranhar, tendo em vista a pobreza e a exiguidade das habitações do povo naquela época, e o fato de que os estábulos nem sempre eram lugares destinados a conter o gado, servindo também de depósito de material, forragem, etc. É de se admitir que os hóspedes tenham sido acomodados em um compartimento desses, mais afastado do bulício da casa e da curiosidade dos estranhos. Em Belém se encontram ainda vários estábulos desse tipo, que servem, ora para habitação, ora para depósito de combustível e forragem, ora ainda de acomodação de pastores nómades, quando vêm à cidade a negócios.

20 - Segue-me - Emmanuel - pág. 95, 99, 123

MENSAGEM DO NATAL - "Glória a Deus nas alturas paz na Terra e boa vontade para com os homens" - (Lucas, 2:14)

O cântico das legiões angélicas, na Noite Divina, expressa o programa do Pai acerca do apostolado que se reservaria ao Mestre nascente. O louvor celeste sintetiza, em três enunciados pequeninos, a plataforma do Cristianismo inteiro. Glória a Deus nas Alturas, significando o imperativo de nossa consagração ao Senhor Supremo, de todo o coração e de toda a alma.

Paz na Terra, traduzindo a fraternidade que nos compete incentivar, no plano de cada dia, com todas as criaturas. Boa vontade para com os homens, definindo as nossas obrigações de serviço espontâneo, uns à frente dos outros, no grande roteiro da Humanidade. O Natal exprime renovação da alma e do mundo, nas bases do Amor, da Solidariedade e do Trabalho. Dantes, os que se anunciavam, em nome de Deus, exibiam a púrpura dos triunfadores sobre o acervo de cadáveres e despojos dos vencidos.

Com o Enviado Celeste, que surge na Manjedoura, temos o Divino vencedor arrebanhando os fracos e os sofredores, os pobres e os humildes para a revelação do Bem Universal. Não amaldiçoa. Não condena. Não fere. Fortalece as boas obras. Ensina e passa. Auxilia e segue adiante. Consola os aflitos sem esquecer-se de consagrar o júbilo esponsalício de Cana. Reconforta-se com os discípulos no jardim doméstico, todavia não desampara a multidão na praça pública.

Exalta as virtudes femininas no Lar de Pedro, contudo não menospreza a Madalena transviada. Partilha o pão singelo dos pescadores, mas não menoscaba o banquete dos publicanos. Cura Bartimeu, o cego esquecido, entretanto não olvida Zaqueu, o rico enganado. Estima a nobreza dos amigos, contudo não desdenha a cruz entre os ladrões. Cristo, na Manjedoura, representava o Pai na Terra. O cristão no mundo é Cristo dentro da vida.

Dantes, exércitos e armadilhas, flagelos e punhais, chuvas de lodo e lama para a conquista sanguinolenta. Agora, porém, é um Coração armado de Amor aberto à compreensão de todas as dores, ao encontro das almas Natal! Glória a Deus! Paz na Terra! Boa Vontade para com os Homens! Se já podes ouvir a mensagem da Noite Inesquecível recorda que a Boa Vontade para com todas as criatura é o nosso dever de sempre.

NATAL - As legiões angélicas, junto à Manjedoura, anunciando o Grande Renovador não apresentaram qualquer ação de reajuste violento. Glória a Deus no Universo Divino. Paz na Terra. Boa Vontade para com os Homens.

O Pai Supremo, legando a nova era de segurança e tranquilidade ao mundo, não se declarava o Embaixador Celeste investido de poderes para ferir ou destruir. Nem castigo ao rico avarento. Nem punição ao pobre desesperado. Nem desprezo aos fracos. Nem condenação aos pecadores. Nem hostilidade para com o fariseu orgulhoso.

Nem anátema contra o gentio inconsciente. Derramava-se o Tesouro Divino, pelas mãos de Jesus, para o serviço da Boa Vontade. A justiça do "olho por olho" e do "dente por dente" encontrara, enfim, o Amor disposto à sublime renúncia até à cruz. Homens e animais, assombrados ante a luz nascente na estrebaria, assinalaram júbilo inexprimível... Daquele inolvidável momento em diante a Terra se renovaria. O algoz seria digno de piedade. O inimigo converter-se-ia em irmão transviado.

O criminoso passaria à condição de doente. Em Roma o povo gradativamente extinguiria a matança nos circos. Em Sídon os escravos deixariam de ter os olhos vazados pela crueldade dos senhores. Em Jerusalém os enfermos não mais sofreriam relegados ao abandono nos vales de imundície. Jesus trazia consigo a mensagem da verdadeira fraternidade e, revelando-a, transitou, vitorioso, do berço de palha ao madeiro sanguinolento. Irmão, que ouves no Natal os ecos suaves do cântico milagroso dos anjos, recorda que o Mestre veio até nós para que nos amemos uns aos outros. Natal! Boa Nova! Vontade!... Estendamos a simpatia a todos e comecemos a viver realmente com Jesus, sob os esplendores de um novo dia.

PÁGINA DO NATAL - "Luz para alumiar as nações" ( Lucas, 2:32)

Há claridades nos incêndios destruidores que consomem vidas e bens. Resplendor sinistro transparece nos bombardeios que trazem a morte. Reflexos radiosos surgem do lança-chamas. Relâmpagos estranhos assinalam a movimentação das armas de fogo. No Evangelho, porém, é diferente.

Comentando o Natal assevera Lucas que o Cristo é a Luz para aluminar as nações. Não chegou impondo normas ao pensamento religioso. Não interpelou governantes e governados sobre processos políticos. Não disputou com os filósofos quanto às origens do homem. Não concorreu com os cientistas na demonstração de aspectos parciais e transitórios da vida. Fez luz no Espírito eterno.

Embora tivesse o ministério endereçado aos povos do mundo, não marcou a sua presença com expressões coletivas de poder, quais exército e sacerdócio, armamentos e tribunais. Trouxe claridade para todos, projetando-a de Si mesmo. Revelou a grandeza do serviço à coletividade por intermédio da consagração pessoal ao Bem Infinito. Nas reminiscências do Natal do Senhor, meu amigo, medita no próprio roteiro.

Tens suficiente luz para a marcha? Que espécie de claridade acendes no caminho? Foge ao brilho fatal dos curtos-circuitos da cólera, não te contentes com a lanterninha da vaidade que imita o pirilampo em voo baixo dentro da noite, apaga a labareda do ciúme e da discórdia que atira corações aos precipícios do crime e do sofrimento. Se procuras o Mestre Divino e a experiência cristã lembra-te de que, na Terra, há clarões que ameaçam, perturbam, confundem e anunciam arrasamento... Estarás realmente cooperando com o Cristo, na extinção das trevas, acendendo em ti mesmo aquela sublime luz para alumiar!

23 - OFERENDA - JOANNA DE ÂNGELIS - PÁG. 197

PERMANENTE NATAL

Toda a urdidura das paixões humanas e dos interesses imediatistas, através dos quase dois milênios, não conseguiu ensombrar-Lhe o majestoso berço de luz. Os conflitos engendrados pelas opiniões precipitadas e maquinações escolásticas não lograram diminuir a excelsa pureza da Sua vida.

O vigor e a força da Sua palavra, apoiados na mansuetude e na pacificação, têm vencido os séculos que se ensanguentam e enlutam, sem tornar-se, embora os dominadores transitórios do mundo, mensagem de força.

Tudo quanto a Ele se refere é pulcro e poético, não obstante portando energia vitalizadora com que Sua voz supera o clamor das multidões desvairadas, no suceder dos tempos.

Elegendo a pobreza e a humildade, Ele engalanou a história com os mais expressivos tesouros de dignificação humana e engrandecimento moral, oferecendo as mais importantes páginas do heroísmo e da santificação na Terra.

O poema que cantou, musicado pelo amor, à medida que se sucederam os evos mais ecoa na acústica das almas, arrebatando os homens e levando-os a uma união sinfônica de todas as aspirações e ansiedades numa só emoção: a da harmonia perfeita!

Insuperável, Jesus prossegue o triunfador diferente nas canchas e arenas do mundo. Crisna, Buda, Confúcio, Hermes, Sócrates e Platão, precursores da Sua mensagem, preparam a gleba do pensamento para que Ele ensementasse a palavra de vida libertadora.

Zoroastro ontem e Bahá Ulláh hoje, Francisco de Assis e Allan Kardec. Seus embaixadores, destacando-se da multidão dos construtores da fé, no mundo, se encarregaram de mantê-Lo insculpido no metal nobre dos sentimentos humanos. Os guerreiros passaram pela Terra, temidos e odiados...

Os construtores de povos transitaram na História, arbitrários, entre lauréis e pavores... Os governantes violentos brilharam por um pouco nos cenários do mundo e se apagaram no silêncio do túmulo...

Ele, todavia, herói particular e guerreiro do amor, elaborou um código sublime com o qual vem erguendo a Humanidade, afável e sobrevivente aos destroços dos tempos de todos os tempos...

Jesus é o protótipo da perfeição, que constitui "Modelo e Guia" para a criatura humana na sua áspera marcha ascencional. Sobrepairando todas as conjunturas, prossegue o condutor nosso e alvo para todos nós, que Lhe buscamos seguir as pegadas.

Seu Natal, em um momento da Humanidade, extrapola do calendário e torna-se o instante em que cada alma Lhe dá guarida na manjedoura do mundo íntimo, facultando Seu nascimento e vida, a partir de então.

Apesar desse permanente Natal, aquele marco poderoso da Sua chegada, que dividiu e sulcou profundamente a historiografia da vida terrestre, continua sendo a claridade inapagável de um berço tosco que se fez via-láctea iridescente, incrustada no velário da noite moral, social e humana, em que a Divindade reafirmou, num ato de amor, o Seu amor pelas criaturas, enviando às sombras dominadoras do planeta terrestre o Filho Amado, para uma perfeita identificação entre a criatura e o Seu Criador, para todo sempre.

24 - JESUS CRISTO, A LUZ DO MUNDO - PAULO A. GODOY - pág. 57

"E darás à luz um filho e chamarás o seu nome Jesus, porque ele redimirá o seu povo dos seus pecados." - (Mateus, 1:21)

Todos os anos, no dia 25 de dezembro, o mundo cristão comemora mais uma passagem do nascimento, na Terra, do Maior dos Missionários: Jesus Cristo.

Essa auspiciosa data representa um acontecimento de transcendental importância, pois o advento de Jesus em nosso Planeta foi a maior das dádivas propiciadas pelos Céus, facultando aos homens, dessa maneira, o conhecimento dos preceitos evangélicos, que constituem uma bússola para os que se propõem a seguir as pegadas do grande Mestre.

O que tão generosa dádiva representa para a Humanidade?

— Através dela, o gênero humano tomou conhecimento de uma diretriz segura suscetível de equacionar os problemas que afligem o mundo. O Evangelho encerra em seu bojo a fórmula ideal para solucionar esses problemas, por mais insignificantes que sejam;

— Por ela, o homem compreendeu que Deus é uno, indivisível, sendo o Pai misericordioso, a essência mais requintada da justiça, que faz o sol brilhar para bons e maus e a chuva beneficiar justos e injustos;

— Que todos ficassem compreendendo que Jesus não é Deus, mas o Filho Ungido de Deus; que desceu ao mundo para levantar uma ponta do véu que encoberta a verdade;

— Por essa dádiva, ficou evidenciado que o advento de Jesus Cristo não significou que tomaria sobre os seus ombros os pecados de todos os homens; porém Ele ensinou como devem proceder as criaturas, para se liber
tarem das taras do pecado e palmilharem o caminho do Bem, fazendo com que a vida se espelhe no amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmas.

Com a revelação cristã, os homens compreenderam que existem muitas moradas na Casa do Pai, autenticando a teoria da multiplicidade dos mundos habitados.

Aqui é imperioso lembrar que jamais nenhum poder político, militar, religioso ou de qualquer outra natureza sobrepujou a amplitude do poder do qual o Cristo se tornou o vexilário, poder esse que se estendeu:

— Entre os pequeninos da Terra, os quais se compenetraram de que herdarão o Reino dos Céus somente os manos, os pobres de Espírito e os humildes;

— Entre os grandes, os potentados, que se capacitaram de que jamais conquistarão o Reino dos Céus os violentos, os atrabiliários e os que se insurgem contra a vontade de Deus;

— Entre os escribas e fariseus hipócritas, que contornaram o Céu e a Terra, para conquistarem um novo discípulo, e depois o fizeram mais merecedor de reprimendas que de elogios;

— Entre os Apóstolos, para que se cientificassem de que, para serem seguidores do Grande Mestre, que viera trazer à Terra a mais grandiosa das mensagens, não eram necessários a erudição e o inócuo palavreado, bastando ter dedicação e senso de obediência e humildade;

— Entre os conquistadores romanos, para que aprendessem que os poderes políticos do mundo eram transitórios e repletos de turbulências, enquanto os poderes espirituais seriam permanentes e pranhe de mansuetude;

— À Maria Madalena, dando-lhe a certeza de que muitos pecados lhe foram perdoados, porque ela muito havia amado;

— Ao publicano Zaqueu, sendo-lhe garantido que a redenção espiritual o havia atingido, porque ele se despreendera de grande parte dos bens terrenos, em benefício dos pobres, cientificando-se das palavras do Mestre de que "onde estiver o tesouro dos homens, ali estará também o seu coração";

- Aos Apóstolos Tiago e João, sendo-lhes asseverado que somente ao Pai Celestial, era dado decidir sobre quem se assentaria à sua direita e à sua esquerda, no Reino dos Céus;

- Ao Apóstolo Paulo, garantindo-lhe que grande seria o seu galardão nos Céus, após a portentosa missão que viera desempenhar na Terra.

- A Nicodemos, ensinando-lhe que ninguém veria o Reino dos Céus, sem que nascesse de novo, dando-lhe assim, a mais decisiva prova da reencarnação;

- Também aos Apóstolos, confirmando-lhes que João Batista era a reencarnação do profeta Elias, comprovando-lhes, desta forma, que, no âmbito da Justiça Divina, a reencarnação é a mais sábia e justa das leis.

De um modo geral, Jesus Cristo trouxe à Terra uma mensagem de esclarecimento e de demonstração do seu amor pelos seus irmãos terrenos, ao deixar as Regiões sublimadas do mundo celestial para vir a este Planeta enfrentar o ódio e a incompreensão de homens recalcitrantes, que não entrariam no Reino dos Céus e não deixariam que outros entrassem, demonstrando assim, a incoerência de muitas teorias terrenas.

Tais como o pecado original, as penas eternas, o pecado irremessível, a existência de Inferno como lugar circunscrito para a aplicação de penalidade incompatíveis com as leis sábias e misericordiosas de Deus.

25 - REVISTA DAS RELIGIÕES - EDIÇÃO 16- PÁG. 40

NATAL, A CELEBRAÇÃO DA ESPERANÇA

Tudo começou com o nascimento de Jesus - e então a data tornou-se uma festa universal.

Se há uma data que não passa em branco nos calendários do mundo inteiro, certamente é 25 de dezembro. Talvez poucos se lembrem do motivo original da celebração, mas a maioria a comemora. Afinal, o Natal tornou-se a maior festa de todos os tempos, ultrapassando as fronteiras da fé e dos templos e remetendo a símbolos não religiosos, como a ceia em família, a troca de presentes e enfeites variados. Para muita gente, trata-se de mais um feriado, talvez um dia um tanto diferente dos demais. Mas, para cristãos de todo o planeta, festejar o Natal tem uma conotação especial: significa relembrar o nascimento de Jesus, aquele que mudou para sempre os rumos da humanidade.

A data mais importante do calendário cristão, porém, é a Páscoa, pois retoma a vitória de Cristo sobre a morte. Por isso, fica muito mais fácil recordar as imagens do doloroso martírio na cruz ou do Jesus ressuscitado e diáfano, em sua mais divina manifestação conforme a concepção cristã, do que a figura do Jesus bebê, deitado na manjedoura, em toda a sua fragilidade de ser humano. No entanto, por trás das origens do Natal, da escolha da época de sua comemoração e do impacto de seu significado no universo das religiões existe um panorama de fé surpreendente que vale a pena desvendar.

Acredite se quiser: a data levou mais de quatro séculos para ser incluída de forma irrestrita entre as celebrações da Igreja. Aliás, gerou controvérsias sobre se deveria ser comemorada ou não. Alguns dos primeiros pensadores cristãos omitiam-na da lista das festividades religiosas. Outros faziam a reprimenda de que somente pecadores, e não santos, comemoravam aniversários. Segundo a historiadora das Religiões Eliane Moura da Silva, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi somente depois de disputas teológicas nos séculos 4 e 5 que o Natal tornou-se afirmação de fé no mistério da encarnação - Deus se teria feito homem para salvar a humanidade.

QUEM FOI PAPAI NOEL?

Ele se encontra no imaginário cristão entre a figura inacessível do Deus "adulto" e a criança, representada pelo Cristo menino. Sua gordura está associada a saúde e generosidade; a barba, à imagem sábia do Pai celeste. A lenda original mescla temas do paganismo nórdico com a figura real do bondoso São Nicolau, arcebispo do Mosteiro de Mirna, na atual Turquia, nascido em 430 e conhecido por distribuir presentes à criançada no Natal.

No século 6, relatos sobre milagres realizados por Nicolau levaram à sua santificação. Foi nesta época que surgiram as primeiras referências ao traje vermelho - cor que, durante muito tempo, foi de uso exclusivo dos bispos. Na época da Reforma Protestante, a figura já arraigada do bom velhinho teve de ser dissociada do santo católico e ganhou vida própria.

COMO SURGIU A ÁRVORE DE NATAL?

O costume de enfeitar árvores em cerimônias religiosas remonta aos egípcios, 4 mil anos antes de Cristo. Os romanos também homenageavam Saturno, deus da Agricultura, com árvores enfeitadas. Os celtas costumavam decorar carvalhos com maçãs em suas festividades. A escolha do pinheiro de Natal no Cristianismo é um resquício cultural do norte da Europa.

No rigor do inverno, era a única árvore que se mantinha verde, representando a fé do cristão num mundo de obscuridade. Uma das lendas conta que o religioso alemão Martinho Lutero, no século 16, teria enfeitado um pinheiro com velas pensando em reproduzir o provável céu estrelado da noite em que Jesus nasceu. A luz das velas simboliza a esperança que Cristo trouxe ao mundo. O costume se firmou na Alemanha e daí se espalhou.

QUAL É A ORIGEM DA CEIA NATALINA?

As ceias religiosas têm origem remota. "Não existe celebração ritualística sem comida", diz a psicóloga Denise Gimenez Ramos, da PUC-SP. A idéia da ceia como ritual já está presente desde o início do Cristianismo, repetindo o gesto de Jesus que reuniu os apóstolos e com eles partilhou pão e vinho, dizendo: -"Este é o meu corpo, este é o meu sangue."

Quando o Natal começou a ser celebrado pelos cristãos, no século 4, a ceia tornou-se símbolo de partilha e de confraternização. Mas a tradição se fixou por influência dos cristãos ortodoxos, que costumam jejuar na véspera do Natal e, no dia da celebração, festejam o nascimento de Cristo com uma ceia especial. O peru foi introduzido no jantar natalino por influência da comemoração do Dia de Ação de Graças anglo-saxão.

POR QUE SE TROCAM PRESENTES?

A justificação cristã apóia-se na adoração dos reis magos ao Menino Jesus, quando lhe ofertaram ouro, incenso e mirra. Assim, o presente seria tanto um símbolo terreno das dádivas que Deus oferece ao homem quanto um sinal de confraternizações entre as pessoas.

Muitos pesquisadores, porém, acreditam que a tradição se inspirou também numa antiga festa pagã do Império Romano, chamada Saturnália. Tratava-se de uma comemoração em homenagem a Saturno, deus da Agricultura, que durava uma semana e terminava em 25 de dezembro. Durante a festa, imperadores costumavam receber regalos. O ritual acabou se espalhando: todos os cidadãos passaram a trocar, na época da comemoração, presentes e votos de felicidade entre si.

Se festejar o nascimento do Messias provocava discussões acirradas entre os primeiros cristãos, também a data a ser comemorada não era um ponto pacífico. "É impossível precisar o dia e o lugar do fato", diz o teólogo e padre Antônio

Manzatto, da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo. Teólogos do Egito, por volta do ano 200, fIxaram-na no dia equivalente ao 20 de maio do nosso calendário. Um século mais tarde, grupos cristãos na Síria comemoravam-na em 20 de abril. Também esta data não era aceita tranqüilamente: podiam-se encontrar cristãos no século 4 festejando-a em 28 de março. Em Belém, naquela época, o nascimento de Cristo não era nem mesmo comemorado.

A data que apaziguou os ânimos dos cristãos, nos idos do ano 400, acabou sendo a de uma comemoração pagã: a Festa do Sol Invicto, em 25 de dezembro, que marcava o solstício de inverno no Hemisfério Norte. Foi uma manobra inteligente da Igreja para legitimar o Cristianismo em expansão no decadente Império Romano. "O Natal surgiu como resposta à exigência de afastar os fiéis das celebrações pagãs e idolátricas do Sol Invicto", afirma Eliane.

O que firmou a data de fato no imaginário cristão foi a identificação de Cristo com o corpo celeste. "Cristo marca o nascimento da luz do mundo", afirma o padre Manzatto. Santo Agostinho (354-430) considerava essa identificação herética. Já seu contemporâneo São João Crisóstomo a via como legítima, afirmando que, se o motivo da celebração era o nascimento do Sol, tratava-se do Sol da Justiça. Isso ainda confIrmava a profecia de Isaías, expressa numa passagem lida até hoje em muitas missas católicas de Natal: "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz." Para a sensibilidade cristã, Jesus vinha trazer um novo reino, um reino que não era deste mundo. Um dos símbolos de realeza nas mais diversas culturas sempre foi o do Sol.

Celebrar um rei ainda bebê talvez soe estranho, mas faz sentido dentro do arcabouço simbólico do ser humano. "O indivíduo possui diversos arquétipos (padrões de comportamento comuns a todos). Um deles é o da Criança Eterna, associado à alegria, renovação, criatividade, esperança. Por isso, é possível encontrar nas religiões a celebração da criança, como é o caso de Jesus ou Buda meninos", diz a psicóloga Denise Gimenez Ramos, da PUC de São Paulo.

O Cristo na manjedoura, portanto, marcava a esperança dos primeiros cristãos no advento do reinado do Messias. A esperança, é claro, não poderia deixar de recair sobre um ser extraordinário. A excepcionalidade, no caso, era representada pela filiação de Jesus (nascido de Maria e concebido do Espírito Santo). "No mito do herói, o protagonista tem um pai divino e uma mãe terrena", conta Denise. "Por isso, o Natal lembra a transcendência do ser humano." Tal idéia encontra eco na afirmação cristã de que "Deus se fez homem para que o homem se fizesse Deus".

COMEMORAÇÂO CRISTÂ

Esperança e alegria podem ser sinônimos de espírito natalino, mas o que muitos não sabem é que a celebração começa, tanto na Igreja Católica quanto na Ortodoxa, com um período de ascese e de recolhimento. Para os católicos, o Natal é precedido de quatro semanas de penitência, chamado de "tempo do advento". Já o cristão ortodoxo se prepara para a festa do advento com um jejum entre os dias 18 de dezembro e 6 de janeiro. Primeiro, abstenção de laticínios; depois, de carne. Nos últimos três dias da preparação, o ortodoxo passa literalmente a pão e água. "O jejum mais importante, no entanto, é o da língua", diz o padre Valério Lopes, da Catedral Ortodoxa Grega de São Paulo. "De nada adianta a abstenção de alimentos se o espírito não jejuar também."

A celebração católica do Natal tradicionalmente acontecia à meia-noite do dia 24 para o 25 de dezembro, com a Missa do Galo. Hoje, porém, a cerimônia solene se mantém, mas costuma ocorrer mais cedo. A troca de presentes era originalmente reservada para 6 de janeiro, dia da Festa da Epifania, recordando a adoração de Cristo pelos reis magos. Os sábios do Oriente teriam presenteado o Menino Jesus com ouro, incenso e mirra, representando respectivamente sua divindade, sua humanidade e seu sofrimento redentor. Na Igreja Ortodoxa, contudo, 6 de janeiro é a data reservada para a comemoração da vinda do Pantokrator (o "governador de todas as coisas", em grego).

Para a maioria dos cristãos evangélicos - com algumas variações -, o Natal também é festejado com cultos ou ritos especiais, trocas de presentes e ceia como símbolos de partilha. Entre os adventistas, por exemplo, a solidariedade faz parte da celebração natalina, segundo o pastor Ronaldo Alberto de Oliveira, da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Moema, São Paulo. Em 25 de dezembro, diz ele, é costume os templos de maior porte oferecerem uma grande ceia para pessoas necessitadas e solitárias. O trabalho social também está presente no Natal dos mórmons. "É tradição nossa ajudar as pessoas necessitadas a terem um Natal feliz", afirma Fernando de Assis, assessor da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. A cerimônia natalina entre os fiéis, contudo, é realizada no núcleo familiar e não no templo. Os mórmons entoam hinos e orações, trocam presentes e compartilham a ceia. Os testemunhas-de-jeová, por sua vez, não festejam o Natal. "Os primeiros cristãos não celebravam o nascimento de Jesus porque consideravam a comemoração do aniversário um costume pagão", diz o membro-ancião Walter Freoa. "Além disso, os evangelhos não dizem nada sobre a data exata do nascimento de Cristo."

E OS NÃO CRISTÃOS?

Para os judeus, Jesus não é visto como Messias ou Salvador. Portanto, a celebração do dia em que ele nasceu não está entre os costumes judaicos. "O Judaísmo não reconhece um 'Filho de Deus' que se destaca e se eleva acima dos outros seres humanos. A convicção judaica é a de que todos os homens são iguais. Somos todos filhos de Deus, criados à Sua imagem", diz o rabino Henry Sobel, presidente da Congregação Israelita Paulista. No Judaísmo, a relação de Deus sempre se deu com o povo profético; portanto, as festas judaicas celebram antes temas universais, como a libertação do cativeiro no Egito (o Pessach, a Páscoa judaica), o Yóm Kippur, Dia do Perdão, e o Rosh Hashand, ano-novo judaico.

No Islã, Cristo (ou Seyydina'Issa, na transliteração do árabe) é considerado profeta e mensageiro. Mesmo assim, não há comemoração do Natal. "Existem dois feriados religiosos oficiais no Islã", diz o sheik Jihad Hassan, vice-presidente da Assembléia Mundial da Juventude Islâmica na América Latina. "A festa do desjejum, Eid el-Fitr, ao final do Ramadã (o mês do jejum), e, dois meses e dez dias depois, o Eid el-Adha, o encerramento da peregrinação a Meca. Tanto o jejum quanto a peregrinação possuem o sentido de purificação, ao final dos quais vem a recompensa espiritual, simbolizada por uma festa."

No caso do Candomblé, crença de matriz africana, também não se festeja o Natal. "As crenças africanas surgiram antes do Cristianismo", afirma o babalorixá Cido de Oxum, do Templo Elê de Oxum, da zona leste paulistana. Em vez de Jesus, a religião celebra Obaluayê (também chamado de Omolu), o "Rei dono da Terra", um ser mítico que teria vivido entre 4 e 5 mil anos antes do início da Era Cristã. A festa ocorre em agosto, quando são servidos pratos típicos da culinária afro-brasileira, como acarajé, abaná e inhame assado. Já a Umbanda, nascida no século 19 do sincretismo do Candomblé africano com a crença católica e com o Espiritismo, naturalmente encontrou um lugar para Cristo no rol de suas divindades - ele é associado a Oxalá, considerado o maior orixá de todos. "O ritual cumprido pelos médiuns umbandistas no Natal é o de agradecimento a Pai Oxalá e a todos os orixás, as entidades que comandam as forças da natureza, conta Mãe Marilene, do Templo de Umbanda Caboclo Sete Pedreiras, em São Paulo.

A tradição cristã do Natal também está bem longe das religiões orientais, como o Budismo em suas várias vertentes. Entretanto, se nessa crença não se celebra o nascimento de Jesus, pelo menos comemora-se o de Buda. Para a linha tibetana, em 23 de maio são festejados o nascimento, a iluminação e a morte de Sidarta Gautama. No Zen Budismo, o nascimento de Buda é lembrado em 8 de abril. Em procissão, os adeptos carregam uma imagem de Buda quando bebê em cima de um elefante branco, banham a imagem com chá e enfeitam o altar com flores. A "água doce" e as flores simbolizam o jardim no qual Buda teria nascido. Em 8 de dezembro, comemora-se a iluminação do Mestre, quando teria atingido o Nirvana. Na cerimônia, budistas comungam uma tigela de arrroz e feijão que simboliza a busca pela sabedoria alcançada por Buda.

O Hinduísmo também não contempla uma celebração específica para Jesus, apesar de ele ser considerado por muitos um avatar (encarnação) de Vishnu, uma das divindades hindus mais importantes. Porém, uma das comemorações da crença, chamada Diwali (Festas das Luzes), na qual as mulheres indianas enfeitam as calçadas com lamparinas e adereços coloridos, tem uma simbologia próxima ao espírito natalino cristão: festeja-se o nascimento da luz do mundo, quando as trevas prevaleciam. E os fiéis brasileiros do Movimento Hare Krishna, também de tradição indiana, não comemoram o Natal à maneira cristã, mas promovem uma ceia de confraternização no dia 25 para lembrar a data.

Seja nas crenças cristãs, seja nos credos que não se apóiam na figura de Jesus, o sentido primeiro do Natal está, de certo modo, presente - na essência, todas as religiões celebram a esperança em um mundo constantemente renovado pelo exercício do amor. E mesmo que, ao longo dos séculos, o Natal tenha sido encarado por muitos como uma festa secular, a lembrança do bebê na manjedoura estará sempre viva: a luz que afasta, de vez, a escuridão.

Álvaro Oppermann