NEUTRINOS
BIBLIOGRAFIA
01- ENFOQUES CIENT. NA DOUT.ESPÍRITA, pag 182 02 - PSI QUÂNTICO, pag. 47, 104
03 - PSIQUISMO: FONTE DA VIDA, pag. 38 04 - UNIVERSO E VIDA, pag. 20

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

NEUTRINOS – COMPILAÇÃO

01 - NEUTRINOS

Neutrinos são partículas extremamente pequenas, com massa quase zero e, como você poderia imaginar, carga neutra.

Sendo assim, eles são imunes às forças eletromagnéticas e respondem muito pouco à gravidade. Eles quase nunca colidem com outras partículas, geralmente passando através dos átomos que compõem a matéria.

Essas características são muito interessantes. Como essas partículas podem facilmente viajar através da matéria, mesmo um planeta, sem parar, diminuir de velocidade ou perder direção, os pesquisadores buscam uma forma de explorar sua capacidade de comunicação.

Agora, pela primeira vez, eles conseguiram usar neutrinos para enviar uma mensagem através do solo, soletrando a palavra “neutrino” em um código binário (de 1 e 0) de partículas.

Os feixes de neutrino normalmente vêm em pulsos, um a cada 2,2 segundos. Para fazer um “1”, os cientistas deixaram o feixe de neutrinos enviar seu sinal normalmente para o detector. Para fazer um “0”, eles pararam o feixe, fazendo-o perder um pulso. Assim, foram capazes de soletrar “neutrino” de uma forma que poderia ser lida por outros cientistas.

Para enviar essa mensagem, os pesquisadores utilizaram um acelerador de partículas do Laboratório Fermi, que fica em Illinois, EUA, para criar feixes de neutrinos. Essas partículas resultam da colisão em alta velocidade de prótons em uma parede de átomos de carbono.

Em seguida, eles enviaram este raio de neutrinos em direção a um detector de neutrinos, o Minerva, a cerca de um quilômetro dali, enterrado em uma caverna.

Detectando neutrinos

Como neutrinos raramente interagem com outras partículas, são extremamente difíceis de detectar. O Minerva contém camadas de diferentes materiais e, à medida que os neutrinos passam por elas, ocasionalmente, colidem com o núcleo de algum átomo, criando outras partículas que são visíveis para o detector.

Como já dissemos, a probabilidade de um neutrino colidir em algo é muito pequena. “Mas se você tem uma massa suficientemente grande no detector, isso irá ocorrer com boa frequência para obter um sinal. Um em cada 10 bilhões de neutrinos cria um evento de colisão”, disse o líder do estudo, Dan Stancil, engenheiro elétrico da Universidade Estadual da Carolina do Norte.

Aplicações

A técnica poderia ser útil um dia em situações onde métodos normais de comunicações não funcionam. Por exemplo, em um submarino em profundidade. “A água do mar tem condutividade elétrica, e, como resultado, ondas de rádio não penetram muito profundamente. Ter alguma forma de receber mensagens no fundo do mar seria interessante”, diz Stancil.

As moléculas na água em torno de um submarino poderiam servir bem como um detector de neutrinos. Como a criação de neutrinos hoje exige um poderoso acelerador de partículas, eles seriam capazes apenas de receber mensagens, não enviá-las.

Um dispositivo de comunicação como esse também poderia ser útil em caso de uma catástrofe que destruísse a infraestrutura existente.

No entanto, esse tipo de comunicação ainda está longe de ser prática. Além do sistema ser complexo e exigir aceleradores de partículas, que são caros, a intensidade do sinal de neutrinos diminui com a distância.

Ficção científica ou possibilidade real?

Ano passado, uma equipe do laboratório de física CERN, em Genebra, na Suíça, disse que os neutrinos viajaram mais rápido que a luz. A descoberta controversa desmentiria uma das teorias mais bem sucedidas da física, a teoria geral da relatividade de Einstein, que afirma que nada pode viajar mais rápido que a velocidade da luz.

Se (e apenas se) isso for verdade, objetos que podem quebrar este limite de velocidade cósmica poderiam também viajar para trás no tempo. Ou seja, os neutrinos podem ser viajantes do tempo.

Isso significa que um sistema de comunicações de neutrinos poderia enviar mensagens para o passado ou futuro.

No entanto, a maioria dos especialistas acha que os resultados do CERN foram uma anomalia causada por um erro de análise. Então, melhor não ter muitas esperanças.

fonte: http://hypescience.com/

02 - NEUTRINOS

Um Diálogo Fraterno sobre Ciência & Espiritismo III
Ademir Xavier e Alexandre Fontes da Fonseca

(Continuação do Artigo iniciado no Boletim 476)

9) O que significa dizer que algo é comprovado pela ciência? Quem emite esta comprovação?

[Ademir] O termo "comprovado pela ciência" é de utilização popular e não tem paralelo preciso na atividade científica.

Em geral significa dizer que a "ciência" - talvez confundida como a atividade dos cientistas ou pela opinião deles - endossa essa ou aquela crença ou proposição. Podemos dizer que a ciência "comprovou" que a Terra gira em torno do Sol? Podemos dizer que, dentro das ciências, há um ramo da física ou da astronomia que tem um modelo muito bem sucedido onde a Terra órbita o Sol e não o oposto. Esse modelo é a base para a crença por parte dos cientistas de que a Terra se move em torno do Sol.

A crença popular da comprovação não segue dessa cadeia de raciocínio: vem da autoridade conferida aos cientistas. Como esses dizem que a Terra gira em torno do Sol, então diz-se que a "ciência comprovou" que a terra gira em torno do sol de fato.

Há que se separar aqui duas coisas:

(1) a estruturação do paradigma se faz em uma linguagem específica que, em geral, está fora do alcance dos leigos. O paradigma em si prevê um conjunto de fenômenos e descreve a Natureza de uma forma específica que só é acessível ao profissional;

(2) a opinião dos cientistas. Cai-se agora em uma questão de autoridade: quem tem mais autoridade, um astrônomo ou um físico (na questão acima)? E se compararmos com a opinião de um físico de partículas? E se utilizarmos a opinião de um biólogo?

Está bastante claro que o que a ciência descreve não pode depender da opinião dos cientistas, embora a opinião popular se reporte explicitamente a tal opinião. Assim o julgamento popular é bastante deficiente e, como conseqüência disso, muitas "comprovações" carecem de sentido, principalmente quando se referem a opinião de cientistas que divergem sobre determinado assunto ou quando dizem respeito a opinião derivada de modelos (paradigmas) que foram revistos.

[Alexandre] O Ademir separou bem as concepções que existem quanto à expressão "comprovação científica". Em geral, as pessoas atribuem às opiniões dos cientistas (mormente os grandes premios-Nobel) um valor especial. De fato, não existe uma definição precisa para “comprovação cientifica” que possa ser apresentada numa frase.

Eu gostaria de colocar essa questão da seguinte maneira. Quando é que um resultado de uma pesquisa qualquer pode ser considerado como cientificamente válido? Aí entra a questão já bem apresentada pelo Ademir sobre os paradigmas de cada ciência. Cada paradigma define seus métodos específicos de validação de um resultado. Eu tenho usado a expressão "comprovação científica" nesse sentido.

Vou dar um exemplo interessante cujos detalhes eu não domino completamente mas a idéia é clara e está em acordo com o que o Ademir explicou. Recentemente, os cientistas divulgaram que o neutrino tem massa. Isto é, isso foi comprovado cientificamente. Mas notem que ninguém pegou um punhado de neutrinos e pos numa balança. A forma pela qual eles concluíram que o neutrino tem massa envolve muita teoria. Se não me engano a medida experimental foi a contagem do número de um determinado tipo de neutrino que, dependendo do resultado significaria que os neutrinos tem massa, porque uma certa teoria explica que se ele tiver massa o número de um determinado tipo de neutrino será maior (daqueles que vem do Sol).

Então aqui vemos que o paradigma determinou COMO o experimento deveria ter sido feito para determinar se o neutrino tem ou não massa. O experimento foi feito e a massa do neutrino foi enfim descoberta. Houve uma comprovação científica em termos do paradigma que dirige esse ramo da física.

Outro ponto que acabou se tornando algo quase que obrigatório é a questão da publicação de artigos em revistas científicas "per reviewed". Este é um ponto delicado e discutível, mas, geralmente, quando uma pesquisa é publicada numa revista científica, ela se torna, digamos assim, meio caminho andado rumo a ser considerada "comprovada cientificamente". Na verdade, a publicação confere um status de que a pesquisa foi analisada de acordo com os métodos definidos pelo paradigma em questão. Porém, o que a gente vê, é que ou esse artigo será verificado por outros cientistas e citado como correto, ou outros cientistas encontrarão erros nesse artigo e vão citá-lo por isso em futuras pesquisas. Assim, um assunto pode ser considerado como "comprovado" após os debates científicos ocorridos ao nível das publicações (artigos), confirmando ou refutando cada resultado. De qualquer forma, a publicação de um artigo, mesmo que em revista de impacto menor, reflete o trabalho de cada cientista.

Nesta história de "comprovação cientifica" existe também dois aspectos. Um é o trabalho puramente teórico. Este, para ser válido, deverá satisfazer os métodos e ferramentas teóricas previstos pelo paradigma em questão. O segundo aspecto é a verificação dos fatos, experimentalmente (quando isso é possível) ou através da observação. Notem que o Ademir mencionou sobre grandes descobertas que primeiro foram previstas teoricamente e, depois, foram confirmadas experimentalmente como, por exemplo, o aspecto ondulatório do elétron e a existência do posítron (anti-partícula do elétron). Esses são grandes exemplos mas eu gostaria de ressaltar que muitos outros exemplos de previsões teóricas que não se confirmaram existiram e, naturalmente, caíram no esquecimento por não terem dado certo.

Assim, quem ou, melhor, o que determinou que uma previsão teórica estava correta ou não? Resposta: os fatos (Kardec foi muito sábio nesse ponto!). Se ninguém tivesse medido (querendo ou não) ou observado a existência do posítron, isso não teria o valor que tem hoje. Portanto, a "comprovação" dos fatos tem um peso maior do que uma "comprovação" puramente teórica e é justamente o fato que dita o valor de uma teoria.

Perdoem-me a extensão mas os detalhes ajudam a explicar pontos importantes. Considerem o exemplo simples de um objeto que deixamos cair no chão, a partir de uma determinada altura. A mecânica clássica explica isso muito bem. Se eu soltar uma bola de gude de uma altura de 1 metro a mecânica de Newton prevê com uma precisão muito grande a posição do centro da bola de gude em cada instante até tocar o chão. Mas será que as mesmas equações me explicam, também com precisão, a posição do centro de uma folha de papel que cai da mesma altura? A resposta é não pois, no caso do papel a força de resistência do ar não pode ser desprezada (como foi no caso da bola de gude). Esse tipo de consideração é muito comum em física: toda hora os físicos tentam descobrir onde eles podem simplificar algumas equações para facilitar o estudo de um conjunto (limitado) de fenômenos. Então, eu não posso usar as equações obtidas para a bola de gude no caso do papel. Nesse caso, eu tenho que incluir a força de resistência do ar para obter uma melhor explicação ou predição do fenômeno. Em seguida eu pego uma folha de papel e faço a experiência de modo a verificar se a teoria (equações) está correta. Muitas vezes, o experimento diz que as equações estão erradas e torna o cientista a reformular as suas equações levando em conta algum outro termo para tentar explicar os dados.

Porque eu escrevi isso acima? Vemos que os resultados teóricos pertencentes a um domínio ou disciplina cientifica são subconjuntos do conjunto maior de teorias (leis complementares) ligadas ao paradigma dessa disciplina. Mas vemos que as leis complementares de um subconjunto pode não valer dentro de outro subconjunto e isso precisa estar bem claro na mente dos cientistas para não enfiarem os pés pelas mãos, usando equações de um campo no subconjunto errado. Esse o ponto que eu queria destacar que eu vou comentar mais abaixo.

Agora o ponto que nos interessa de perto. Quando nós temos uma idéia, ou tese, ou proposição, ou algum resultado de pesquisa, precisamos utilizar os métodos específicos da disciplina científica associada ao assunto para "comprovar", isto é, demonstrar a validade de nossa idéia, tese, ou resultado de pesquisa.

Essa questão se torna difícil e delicada quando um assunto pertence a fronteira entre duas ou mais ciências. Por exemplo, ao usarmos física ou matemática para explicar certas propriedades do DNA, é preciso satisfazer tanto os critérios e métodos dos paradigmas da física utilizados, quanto aqueles da biologia e da química. Se eu for muito específico na física e não prestar atenção às informações biológicas o meu trabalho não será aceito como válido, cientificamente.

A mesma coisa tem que valer para com as tentativas de relacionar-se a física e o espiritismo. Devemos aplicar o rigor de cada uma das ciências envolvidas (física e espiritismo) se quisermos obter um resultado válido perante os paradigmas de ambas. É preciso ter um cuidado mais que redobrado ao utilizar (ou tentar utilizar) definições e equações da física para descrever algo de ordem espiritual pois precisamos verificar se as equações que usamos, que pertencem a um determinado subconjunto de fenômenos físicos, podem ser aplicados no fenômeno espírita que pretendemos. Esse é o ponto que é muito delicado, requer muita discussão por não sabermos bem o que é o mundo espiritual, ou melhor, o que são os fluídos que o compõem? E nesse ponto é que eu faço o meu alerta (artigo física quântica I: alerta) de que não se publicou ainda as explicações que permitirão a nós analisarmos se a idéia ou tese proposta tem valor científico de acordo com a física e o espiritismo.

Notem que eu não posso afirmar que elas não são válidas. Mas sem ver a explicação delas elas tem o mesmo valor de uma opinião (vide comentários do Ademir sobre opinião, mesmo a de um cientista).

Uma opinião não pode ser divulgada como uma tese "comprovada". Os leitores leigos não sabem discernir e tomam por "comprovação científica" as afirmativas feitas pelos cientistas, mesmo sendo eles espíritas, e mesmo tendo elas sido feitas com a mais nobre das intenções. Todo cidadão tem o direito de possuir e crer nas teses que quiser, nas teorias e idéias que quiser. Mas ninguém tem o direito de divulgá-las como verdades relativas a uma ciência sem satisfazer os critérios e métodos determinados pelos paradigmas da mesma. O máximo que alguém pode fazer é divulgar sua idéia dizendo ser uma idéia particular, uma opinião que ela acredita ser verdade, mas que não pode ser tomada ainda como "cientificamente comprovada" e que ela pode e deve ser analisada pelos demais companheiros que se interessarem.

De fato, uma coisa é o que a comunidade científica "pensa" ser o que é ciência. Outra coisa é o que ela realmente é ou deveria ser.

O ponto central é que é necessário que as idéias novas sejam publicadas junto com a explicação das mesmas ou com fatos que a suportem.

Se uma idéia é puramente espírita, isto é, pertence e está ligada apenas ao paradigma espírita a explicação da idéia proposta só depende dos conceitos pertencentes ao Espiritismo.

Portanto, explicações para Jesus, os espíritos, a reencarnação, a mediunidade só dependem do paradigma espírita e isso não está em conflito com o conceito de ciência.

Chibeni já demonstrou que do ponto de vista filosófico mais rigoroso, a Doutrina Espírita é uma Ciência legítima, com seu próprio paradigma e métodos. Os artigos do prof. Chibenni podem ser obtidos em: http://www.geocities.com/chibeni

Se a idéia é puramente ligada a física ou à química ou à biologia, as formas de se defender as novas idéias e pesquisas (ou investigações) só dependem de cada uma dessas ciências em separado.

Se uma idéia nova é o que a gente chama de interdisciplinar, então isso significa que ela está ligada a mais de uma ciência ao mesmo tempo. Por exemplo, o estudo da estrutura tridimensional do DNA envolve física, biologia e química. Então, nesses casos, as idéias e pesquisas novas devem ser explicadas e embasadas de acordo com os paradigmas atuais de todas as ciências envolvidas.

Por fim, o ponto onde quero chegar é que se uma idéia nova está ligada ao mesmo tempo, ao Espiritismo e a qualquer outra ciência básica, como a física, por exemplo, essa idéia nova deve ser explicada de acordo tanto com o Espiritismo quanto com a física. A idéia nova não pode satisfazer apenas aos critérios de uma das ciências envolvidas. Ela deve satisfazer os critérios e rigores das duas.

No Espiritismo estamos acostumados a passar todas as mensagens recebidas mediunicamente pelo crivo da razão, e quando não podemos fazer essa análise, devemos passar pelo crivo do consenso universal. Ou seja se um espírito desencarnado, não importa quem seja ou em nome de quem esteja escrevendo, transmitir uma mensagem sobre assunto novo, o correto é por de molho e esperar por outras mensagens de espíritos em outros lugares e por outros médiuns. Mas se um assunto novo é transmitido por um "espírito encarnado" por que não aplicar o mesmo cuidado?

03 - NEUTRINOS

Módulo 06 - Física e Espiritismo (Propriedades da Matéria)

1. FÍSICA E ESPIRITISMO I: PROPRIEDADES DA MATÉRIA

Nas aulas anteriores, falamos sobre o conceito de Ciência, sobre pesquisas puramente espíritas e pesquisas multidisciplinares, isto é, que envolvem conceitos de alguma disciplina científica e o Espiritismo. Hoje, iniciaremos uma série de aulas sobre as contribuições e problemas, acertos e equívocos no uso de conceitos da Física na tentativa de explicar ou entender alguns conceitos Espíritas. Na aula de hoje, falaremos sobre as afirmativas dos Espíritos Superiores, contidas no Livro dos Espíritos [1], que só podem ser entendidas com o intermédio da teoria conhecida como Mecânica Quântica.

Vejamos as seguintes questões do Livro dos Espíritos [1]:

22. Define-se geralmente a matéria como sendo o que tem extensão, o que é capaz de nos impressionar os sentidos, o que é impenetrável. São exatas estas definições?

“Do vosso ponto de vista, elas o são, porque não falais senão do que conheceis. Mas a matéria existe em estados que ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil que nenhuma impressão vos cause aos sentidos. Contudo, é sempre matéria. Para vós, porém, não o seria.” (Grifos nossos).

Como exemplo do que está grifado acima, sabemos hoje da existência de um tipo de partícula subatômica chamada neutrino. Essa partícula foi descoberta quando se estudou o chamado decaimento1 de um neutron em um proton mais um elétron. Ela é tão leve e interage tão pouco com a matéria densa que em um único segundo mais de 100 trilhões de neutrinos vindos do sol atravessam nosso corpo sem percebermos. Portanto, como os Espíritos disseram acima, a matéria pode ser tão sutil que nenhuma impressão nos causa.

34. As moléculas têm forma determinada?

“Certamente, as moléculas têm uma forma, porém não sois capazes de apreciá-la.”

a) - Essa forma é constante ou variável?

“Constante a das moléculas elementares primitivas; variável a das moléculas secundárias, que mais não são do que aglomerações das primeiras porque, o que chamais molécula longe ainda está da molécula elementar.” (Grifos nossos). A questão sobre a forma de átomos e moléculas é, de fato, algo impossível de se resolver com precisão. Portanto, mesmo com todo o avanço científico, somos incapazes de apreciá-la. A ciência possui modelos para a estrutura e forma dos átomos e moléculas (como o modelo do átomo de Rutherford, que é formado por pequenas esferas (elétrons) que circulam em torno do núcleo, de forma similar a um sistema solar), mas por razões que a teoria quântica apresenta, é impossível determinar com precisão absoluta a forma, o tamanho ou as dimensões de um átomo ou partícula.

A partícula que delimita a fronteira do átomo é o elétron. Segundo a teoria quântica, é possível calcular a chamada densidade de probabilidade da posição de um elétron em um átomo. Nos locais onde essa densidade de probabilidade é maior, temos maior chance de encontrarmos um elétron. Portanto, a região espacial onde essa densidade de probabilidade atinge seus valores máximos pode ser usada como definição para os limites espaciais de um átomo. Por exemplo, a região espacial onde há maior probabilidade de encontrarmos o elétron quando ele está na chamada camada K (que representa o estado quântico em que o elétron possui menor energia) possui a forma de uma casca esférica. Na camada L, temos outro tipo de formato para essa região e assim por diante. O conjunto de todas as regiões onde os elétrons tem mais probabilidade de serem encontrados é chamado de nuvem eletrônica de um átomo. Através dela podemos definir a forma espacial do átomo. Notem que isso define apenas a forma mais provável pois, na verdade, os elétrons em torno de um núcleo podem ocupar regiões diferentes do espaço.

Quanto mais primitiva, ou melhor, mais simples é uma molécula, mais simples é a função densidade de probabilidade associada à sua núvem eletrônica o que, por sua vez, torna mais simples a sua forma de acordo com a definição apresentada. Moléculas mais complexas como as proteínas, por exemplo, admitem muitos tipos de formas, onde cada uma delas corresponde a algum tipo de função química ou biológica.

36. O vácuo absoluto existe em alguma parte no Espaço universal?

“Não, não há o vácuo. O que te parece vazio está ocupado por matéria que te escapa aos sentidos e aos instrumentos.”

(Grifos nossos).

O neutrino que é produzido em reações nucleares dentro de uma estrela viaja por enormes distâncias no Universo sem quase interagir com nenhum outro objeto físico. Só isso já bastaria para confirmar o fato de que o que nos parece o vazio (o espaço interestelar) está ocupado por matéria que escapa aos nossos intrumentos.

Mas o chamado Princípio de Incerteza de Heisenberg levou a uma descoberta ainda mais fascinante: é possível a ocorrência de processos de criação e destruição de partículas em um curto intervalo de tempo. Nas proximidades de um núcleo pesado, partículas surgem e desaparecem literalmente do nada desde que esse processo seja suficientemente rápido. Portanto, em regiões que deveriam estar vazias de matéria, ocorre constantemente esse processo de criação e destruição de partículas “enchendo” o vazio com partículas de matéria que, a rigor, escapa aos nossos sentidos.

2. DIFERENÇA CIENTÍFICA ENTRE LIVROS E ARTIGOS

No Movimento Espírita, o livro possui um papel extremamente importante na difusão dos conhecimentos espíritas. Obras mediúnicas psicografadas por Chico Xavier, Divaldo P. Franco, Raul Teixeira e outros, se tornaram leitura necessária a todo aquele que deseja não só estudar aprofundadamente os conceitos espíritas, mas também trabalhar na seara espírita de modo eficiente.

Já em Ciência, o livro também possui um papel importante tanto na divulgação quanto no ensino. No entanto, livros de divulgação e livros texto destinados aos estudantes possuem status diferentes e se originam de forma diferente. Livros de divulgação como, por exemplo, aqueles que o famoso físico Stephen Hawking e outros cientistas escrevem, têm como objetivo esclarecer o público leigo sobre um determinado assunto científico. Um livro texto é aquele que resultou de muitos trabalhos de pesquisa em determinada área e que de tanto serem confirmados, se tornaram básicos a ponto de fazerem parte da grade curricular de um curso científico. O livro texto, apesar de possuir uma forma didática de expor o conhecimento, não se dedica ao público leigo e quase sempre requer do leitor (o estudante) algum conhecimento adquirido em determinados métodos de análise. Por exemplo, os livros texto de Física requerem que o estudante já tenha algum domínio em cálculo diferencial e integral. Mas o ponto mais importante é que os livros texto sobre determinado assunto só surgem após a publicação de inúmeros artigos científicos sobre um determinado assunto demonstrando que o mesmo está bem estabelecido e possui muitas aplicações. O livro texto não contém opiniões de seus autores pois deve refletir apenas o conhecimento científico em sua forma mais simples e segura. Já o livro de divulgação, se por um lado possui algumas informações científicas, por outro, contém muitas opiniões, pensamentos próprios e toda uma série de reflexões pertencentes ao autor e que não constituem resultados de algum trabalho de pesquisa.

Portanto, o valor de um livro de divulgação científica é muito menor do que o de um livro texto no tocante ao conteúdo científico ou a validade do conteúdo científico. Ao escrever um conceito científico em termos compreensíveis ao leitor leigo em ciência, importantes partes do próprio conceito se perdem pelo simples fato de que a linguagem técnica, muitas vezes, é a única que o representa de forma precisa. As editoras, quase sempre, publicam esses livros com objetivo de obter lucros e não estão preocupadas (nem são obrigadas a tal) com a veracidade científica do que é publicado. Já para publicar um livro texto, há que verificar se os autores seguiram a risca os resultados científicos confirmados pela comunidade científica através de diversas publicações científicas.

Como exposto em aula anterior (aula 4, Boletim 486), os artigos científicos passam por um processo de avaliação conhecido como análise por pares. Nesse processo, cada artigo é submetido a um ou mais árbitros anônimos para apreciação e emissão de um parecer positivo ou negativo quanto à publicação do mesmo de acordo com critérios exclusivamente científicos. Isso permite que os resultados dos artigos publicados tenham alguma validade dentro de determinados limites científicos. Com o tempo, as pesquisas são confirmadas ou refutadas através de novos artigos, de autoria de outros cientistas e isso vai consolidando o conhecimento a respeito de determinada área ou assunto.

Em contrapartida, existem os periódicos destinados a publicação de artigos de divulgação científica, isto é, destinados ao público leigo. Temos, por exemplo, a revista Scientific American [2], com sua versão em português [3], a seríssima revista Pesquisa FAPESP [4] e outras mais antigas e conhecidas como a Super Interessante [5], etc. Apesar da subjetividade referente às opiniões dos autores ser um pouco menor nesses artigos de divulgação do que num livro de divulgação, as explicações dos conceitos científicos são feitas, também, de forma “mastigada” o que as tornam explicações incompletas. Portanto, artigos científicos têm muito mais valor científico do que artigos de divulgação científica. Raramente artigos de divulgação científica são citados em artigos científicos e, mesmo assim, isso acontece apenas com algumas poucas revistas de divulgação como a prestigiada Scientific American.

Portanto, em Ciência, podemos hierarquizar as publicações de acordo com o seu valor científico em: 1) livros texto; 2) artigos científicos; 3) artigos de divulgação científica e; 4) livros de divulgação científica.

Na próxima aula, comentaremos as implicações dessas diferenças em trabalhos de pesquisa espírita.

1. Um decaimento é um tipo de processo ou reação em que uma partícula se desfaz gerando outras.

Referências
[1] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, Editora FEB, 76a Edição (1995).

[2] http://www.sciam.com

[3] http://www2.uol.com.br/sciam

[4] http://revistapesquisa.fapesp.br

[5] http://super.abril.com.br

03 - NEUTRINOS

A FÍSICA QUÃNTICA EM BUSCA DA PARTICULA DIVINA

O artigo de Luís de Almeida foi considerado pelo dr. Hernani Guimarães Andrade como o mais erudito e informativo trabalho sobre a relação entre a Física e o Espiritismo já escrito em português.

Luís de Almeida
Matéria publicada no Portal do Espírito

A Física continua a dar ao Espiritismo – ainda que os físicos de tal não se apercebam, ou melhor, não queiram por enquanto se aperceber – uma contribuição gigantesca na confirmação dos postulados espíritas, que de maneira nenhuma nós, os espíritas, poderemos subestimar. Existe uma ciência espírita, com uma metodologia de ciência, assentada nas questões espirituais, mais do que possamos imaginar, e a prova disso é O Livro dos Espíritos – uma obra atual – um manancial para a física moderna, trazendo-nos um novo conceito básico sobre a visão macro e microcósmica de Deus (ao defini-Lo como “a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”) do Espírito e da Matéria propriamente dita.

A física moderna nos leva ao encontro do Espírito e de Deus. A física quântica pode constituir uma ponte entre a ciência e o mundo espiritual, pois, segundo ela, pode-se “reduzir” a matéria, de forma subjetiva e no domínio do abstrato, até à consciência – causa da “intelectualidade” da matéria. A consciência transforma as possibilidades da matéria em realidade, transformando as possibilidades quânticas em fatos reais. Essa consciência deve apresentar uma unidade e transcender o tempo, espaço e matéria. Não é algo material; na realidade, é a base de todos os seres.

Recordemos o professor de Lyon em O Livro dos Espíritos (na questão 23):

23. Que é o Espírito?

- “O princípio inteligente do Universo”.

a) Qual a natureza íntima do Espírito?

- “Não é fácil analisar o Espírito com a vossa linguagem. Para vós, ele nada é, por não ser palpável. Para nós, entretanto, é alguma coisa”.

Tanto é assim que os físicos teóricos postulam a existência de uma “partícula”, que seria a partícula “fundamental”, que ainda não foi encontrada, mas a qual o Prêmio Nobel da Física, Leon Lederman, denomina a “partícula divina”. Partícula essa decisiva, pois é ela que determina a massa das restantes, bem como a coesão dada pela gravidade dos 90% do universo ainda desconhecido.

Leiamos Kardec em O Livro dos Espíritos:

25. O Espírito é independe da matéria, ou é apenas uma propriedade desta, como as cores o são da luz e o som o é do ar?

“São distintos uma do outro; mas, a união do Espírito e da matéria é necessária para intelectualizar a matéria”.

26. Poder-se-á conceber o Espírito sem a matéria e a matéria sem o Espírito?

- “Pode-se, é fora de dúvida, pelo pensamento”.

Cabe lembrar que os físicos, a partir das pesquisas do norte-americano Murray Gel Mann nos aceleradores de partícula, já admitem a existência de um domínio externo ao mundo cósmico dito material onde provavelmente existam agentes ativos também chamados frameworkers, capazes de atuar sobre a energia do Universo, modulando-a e dando-lhe formas de partícula atômica, ou seja, por outras palavras, o espírito, chamado também “Agente Estruturador” por vários físicos teóricos.

Retomemos novamente o mestre liones em O Livro dos Espíritos:

76. Que definição se pode dar dos Espíritos?

- “Pode dizer-se que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do mundo material”.

536. São devidos a causas fortuitas, ou, ao contrário, têm todos um fim providencial, os grandes fenômenos da Natureza, os que se consideram como perturbação dos elementos?

- “Tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus”.

b) Concebemos perfeitamente que a vontade de Deus seja a causa primária, nisto como em tudo; porém, sabendo que os Espíritos exercem ação sobre a matéria e que são os agentes da vontade de Deus, perguntamos se alguns dentre eles não exercerão certa influência sobre os elementos para os agitar, acalmar ou dirigir?

- “Mas evidentemente. Nem poderia ser de outro modo. Deus não exerce ação direta sobre a matéria. Ele encontra agentes dedicados em todos os graus da escala dos mundos”.

A TEORIA DAS SUPERCORDAS E A DIMENSÃO PSI.

Outra teoria quântica que vem de encontro à existência de tema “partícula divina consciencial” no final da escala das partículas subatômicas é a teoria das supercordas. Essa teoria foi melhorada e é defendida por um dos físicos teóricos mais respeitados da atualidade, Edward Witten, professor do Institute for Advanced Study, em Princeton, EUA. De maneira bastante simples e resumida, a teoria das supercordas postula que os quarks, mais ínfima partícula subatômica conhecida até o momento, estariam ligados entre si por “supercordas” que, de acordo com sua vibração, dariam a “tonalidade” específica ao núcleo atômico a que pertencem, dando assim as qualidades físico-químicas da partícula em questão.

Querer imaginá-las é como tentar conceber um ponto matemático: é impossível, por enquanto. Além disso, são inimaginavelmente pequenas. Para termos uma idéia: o planeta Terra é dez a vinte ordens de grandeza menor do que o universo, e o núcleo atômico é dez a vinte ordens de grandeza menor do que a Terra. Pois bem, uma supercorda é dez a vinte ordens menor do que o núcleo atômico.

O professor Rivail esclarece em O Livro dos Espíritos:

30. A matéria é formada de um só ou de muitos elementos?

- “De um só elemento primitivo. Os corpos que considerais simples não são verdadeiros elementos, são transformações da matéria primitiva”.

Ou seja, seria a vibração dessas infinitesimais “cordinhas” a responsável pelas características do átomo a que pertencem. Conforme vibre essas “cordinhas” dariam origem um átomo de hidrogênio, hélio e assim por diante, que por sua vez agregados em moléculas, dão origem a compostos específicos e cada vez mais complexos, levando-nos a pelo menos onze dimensões.

Corrobora Allan Kardec em O Livro dos Espíritos:

79. Pois que há dois elementos gerais no Universo: o elemento inteligente e o elemento material, poder-se-á dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente, como os corpos inertes o são do elemento material?

- “Evidentemente. Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente, como os corpos são a individualização do princípio material”.

64. Vimos que o Espírito e a matéria são dois elementos constitutivos do Universo. O princípio vital será um terceiro?

- “É, sem dúvida, um dos elementos necessários à constituição do Universo, mas que também tem sua origem na matéria universal modificada. E, para vós, um elemento, como o oxigênio e o hidrogênio, que, entretanto, não são elementos primitivos, pois que tudo isso deriva de um só princípio”.

Essa teoria traz a ilação de que tal tonalidade vibratória fundamental é dada por algo ou alguém, de onde abstraímos a “consciência” como fator propulsor dessas cordas quânticas. Assim sendo, isso ainda mais nos faz pensar numa unidade consciencial vibrando a partir de cada objeto, de cada ser.

Complementa Kardec em O Livro dos Espíritos:

615. É eterna a lei de Deus?

- “Eterna e imutável como o próprio Deus”.

621. Onde está escrita a lei de Deus?

- “Na consciência”.

SEGUINDO ESTA TEORIA E EMBARCANDO NA IDÉIA LANÇADA POR ANDRÉ LUIZ em Evolução em Dois Mundos, segundo a qual somos co-criadores dessa consciência universal, e cada vez mais responsáveis por gerir o estado vibracional das nossas próprias “cordinhas” – a chamada dimensão Psi, por vários investigadores espíritas – à medida que delas nos conscientizarmos, chegaremos à harmonia perfeita quando realmente entrarmos em sintonia com a consciência geradora que está em nós, e também no todo, vulgarmente conhecida por Deus, ou como alguns físicos teóricos sustentam “O Supremo Agente Estruturador”.

Leiamos o Codificador em O Livro dos Espíritos:

5. Que dedução se pode tirar do sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si, da existência de Deus?

- “A de que Deus existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base? É ainda uma conseqüência do princípio – não há efeito sem causa”.

7. Poder-se-ia achar nas propriedades íntimas da matéria a causa primária da formação das coisas?

- “Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades? É indispensável sempre uma causa primária”.

Interpretemos Allan Kardec em A Gênese, Cap. II - A Providência:

20 - A providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Ele está em toda parte, tudo vê, tudo preside, mesmo às coisas mais mínimas. É nisto que consiste a ação providencial.

“Como pode Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo imiscuir-se em pormenores ínfimos, e preocupar-se com os menores atos e os menores pensamentos de cada indivíduo?” Esta a interrogação que a si mesmo dirige o incrédulo, concluindo por dizer que, admitida a existência de Deus, só se pode admitir, quanto à sua ação, que ela se exerça sobre as leis gerais do Universo; que este funcione de toda a eternidade em virtude dessas leis ás quais toda criatura se acha submetida na esfera de suas atividade sem que haja mister a intervenção incessante incessante da Providência.

Esta consciência única do raciocínio quântico transforma-se em dois elementos: um objetivo e outro subjetivo. O subjetivo chamamos de ser quântico, universal, indivisível. A individualização desse ser é conseqüência de um condicionamento. Esse ser quântico é a maneira como pensamos em Deus, que é o ser criador dentro de nós.

Voltemos ao gênio de Lyon em A Gênese, Cap. II - A Providência:

- Sendo Deus a essência divina por excelência, unicamente os Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização o podem perceber. Pelo fato de não o verem, não se segue que os Espíritos imperfeitos estejam mais distantes dele do que os outros; esses Espíritos, como os demais, como todos os seres da Natureza, se encontram mergulhados no fluido divino, do mesmo modo que nós o estamos na luz.

Geralmente, nós interpretamos Deus como algo unicamente externo. Pensamos em Deus como um ser separado de nós. Isso é a causa dos conflitos. Se Deus também está dentro de nós, podemos mudar por nossa própria vontade. Mas se acreditamos que Deus está exclusivamente do lado de fora, então supomos que só Ele pode nos mudar e não nos transformamos pela nossa própria vontade. Não podemos excluir a nossa vontade, dizendo que tudo ocorre pela vontade de Deus. Temos de reconhecer o deus que há em nós, como afirmou o Doce Amigo há dois mil anos. Então seremos livres.

Allan Kardec atesta em A Gênese Cap. II - A Providência:

24 - (...) Achamo-nos então constantemente, em presença da Divindade; nenhuma das nossas ações lhe podemos subtrair ao olhar; nosso pensamento está em conta ininterrupto com o seu pensamento, havendo, pois, razão para dizer que Deus vê os mais profundos refolhos do nosso coração. Estamos nele, como ele está em nós, segundo a palavra do Cristo.

Para estender a sua solicitude a todas as criaturas, não precisa Deus lançar o olhar do Alto da imensidade. As nossas preces, para que ele as ouça, não precisam transpor o espaço, nem ser ditas com voz retumbante, pois que, estando de contínuo ao nosso lado, os nossos pensamentos repercutem nele.

Concluímos com Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, resumindo toda esta teoria da física moderna de forma magistral, simplesmente espantosa, acreditem.

27. Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito?

- “Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse. Está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de
divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá”.

Luís de Almeida é dirigente do Centro Espírita Caridade por Amor, da cidade do Porto, Portugal, com página na Internet: www.terravista.pt/PortoSanto/1391

Portal do Espírito: www.espirito.org.br/index.asp

SUPERCORDAS

A Teoria das Supercordas é considerada uma das mais complexas e belas hipóteses para explicar a estrutura básica do nosso universo. Ela parte do pressuposto de que, na verdade, as partículas que compõem os átomos (quarks, elétrons, neutrinos entre outras do zôo subatômico), na verdade não são compostas por algum tipo de “matéria”, mas são o resultado da vibração de uma “corda”.

Segundo essa hipótese, tal “corda” seria infinitamente pequena, parecendo-se com um ponto, e todas as características da partícula (como massa, spin, carga e outras) seriam fruto de uma “vibração” dessa corda. Ela estaria contida num ambiente multidimensional (alguns cientistas falam até em onze dimensões, além das quatro em que vivemos – largura, comprimento, altura e tempo) e, portanto, teríamos acesso só a alguns dos aspectos que as formam.

As equações que cercam a teoria das supercordas são tão complexas que ainda não existem soluções para elas, visto que ainda não foram obtidas ferramentas matemáticas novas que possibilitem solucioná-las, deixando o mistério sobre a teoria ainda maior. (AlexAlprim)

(Revista Espiritismo e Ciência 9, páginas 10-17)

04 - NEUTRINOS

Tenho dúvidas a respeito da natureza física do mundo espiritual, sei que as colônias são feitas de matéria, mas de uma matéria bastante sutil. Minha dúvida é se os aviões e foguetes podem ser vistos pelos habitantes das colônias espírituais.
Assim como os espiritos desncarnados podem ver os encarnados, também podem ver objetos feitos de matéria densa, como aviões e similares. A dificuldade se encontra em conseguir interagir, enxergar, ouvir, etc, o que provem de um plano evolutivo superior `aquele no qual se encontra o espirito, pois a faixa "vibracional", digamos assim por falta de melhor palavra, é "superior" a qual ele consegue sintonizar. Autores espiritas, como Hernani Guimaraes Andrade, acreditam que o plano espiritual estaria em uma outra dimensao, talvez quarta, enquanto nos vivemos em um mundo de 3 dimensoes, apenas. Se o amigo deseja aprofundar-se neste assunto, podera ler os livros deste autor: "Psi Quantico", "Espírito, Perispirito e
Alma" e "Materia Psi". Todavia alerto que assim como nao sao faceis de encontrar, tambem nao sao faceis de entender... De qualquer forma o texto a seguir é interessante.

CIENTISTAS DESCOBREM A MATÉRIA INVISÍVEL

Extraído do livro "Além da Matéria Densa" de Alberto de Souza Rocha Ed Correio Fraterno

"Cientistas do Instituto Max Planck descobriram que existe no Universo um outro tipo de matéria, invisível e registrável apenas pela força da gravidade. Para o Professor Leo Stodolsky, Diretor do Instituto, o fenômeno poderá significar uma segunda 'revolução copernicana'. Na primeira, no século XVI, o astrônomo Nicolaus Copernicus descobriu que o Sol, e não a Terra, era o centro do nosso sistema planetário. Agora, os cientistas estão convencidos de que a matéria que conhecemos não é a mais importante na construção do Universo." Com esse destaque inicial, "o Globo" (Rua lrineu Marinho 35-20231 Rio de Janeiro - RJ) publicou longa reportagem do jornalista Graça Magalhães - Ruether, seu correspondente na Alemanha, com chamada de primeira página e um título expressivo: "Alemães descobrem Matéria Invisível". (l ) Lê-se então: "Que teria sido assim tão significativo? ora, já se sabe que os neutrinos são partículas invisíveis que voam no Espaço com a velocidade da luz. Mas a questão a esse respeito está em reconhecer se essas partículas têm massa ou não. Pois, agora, desejam algo mais: conhecer os elementos que entram nessa matéria invisível"...

Atente-se bem para esse tópico da nota:

"Agora os cientistas estão convencidos de que a matéria que conhecemos não é a mais importante na construção do Universo".

Para os que estudam seriamente o Espiritismo e que meditam sobre o que se contém nas obras da Codificação não há efetivamente novidade senão esta: a de que a ciência está chegando onde nós já havíamos chegado certamente por outros caminhos, os da revelação. É claro que os cientistas elaboram
teorias, criam denominações precisas e apropriadas, fazem um notável trabalho de pesquisa que lhes honra a inteligência.

Homologam verdades ainda que muitas vezes provisórias. Contudo, numa outra linguagem, é natural, já está muita cousa afirmada por antigos conceitos filosóficos. É o nosso caso. Senão, vejamos: Em "o Livro dos Espíritos" a questão de número 22 previa essa abertura conceitual: "Define-se matéria como sendo aquilo que tem extensão, que pode impressionar os sentidos e é impenetrável. É exata esta definição? Resposta: "- Do vosso ponto de vista, sim, porque falais daquilo que percebeis. Mas a matéria existe em estados que não conheceis." Isso foi escrito em1857. Poderíamos dizer, que não conheceis ainda.., E prossegue: "Ela pode ser tão etérea e sutil que não produza impressão aos vossos sentidos; entretanto,
será sempre matéria..." Falamos adiante (questão de número 27) de um "fluido universal" sem o qual a matéria permaneceria em permanente estado de dispersão e não adquiriria as propriedades que a gravidade lhe dá. Na questão de número 36 encontramos: "- O vazio absoluto existe em alguma pane
do Espaço Universal? Resposta: "- Não, nada é vazio. o que é vazio para ti está ocupado por uma matéria que escapa aos teus sentidos e aos teus instrumentos." Isso de instrumentos naturalmente à época.

Volta ao assunto "A Gênese" (1868) em seu Capítulo VI falando-nos da unidade na diversidade, da unidade na constituição íntima, ou seja, de uma única substância primitiva a que dá o nome de matéria cósmica, matéria elementar, primitiva, ou finalmente Fluido Cósmico Universal. Declara adiante que essa
matéria quintessenciada não é uniforme, que por sua vez também sofre modificações. Enfim, que todas as substâncias são transformações dessa matéria primitiva que constitui o substrato material do Universo.

Ainda é com "A Gênese" que vamos encontrar, já no Capítulo XIV - 3: "- No estado de eterização, o fluido cósmico não é uniforme. Sem deixar de ser etéreo, sofre modificações tão variadas no seu gênero e mais numerosas, talvez, que no estado de matéria ponderável. Tais modificações constituem fluidos distintos que, embora se derivando do mesmo princípio, são dotados de propriedades especiais e dão oportunidade aos fenômenos particulares do mundo invisível." Mais adiante: "Dentre esses fluidos, alguns estão intimamente ligados à vida corpórea e, de cedo modo, pertencem ao meio terrestre. Na falta de uma percepção direta, podem-se observar os efeitos." E que estão sendo agora percebidos senão essencialmente os seus efeitos?

Abra-se "Evolução em Dois Mundos" e se lerá que o "fluido cósmico é o plasma divino, hálito do Criador ou força nervosa do Todo Sábio (...) com que constróem os Sistemas da Imensidade, em serviço de Co-criação, em plano maior." E, importante: "- Toda matéria é energia tornada visível e toda energia, originariamente, é força divina de que nos apropriamos para interpor os nossos propósitos aos propósitos da Criação." A dúvida que nos resta será esta: o Espiritismo antecipadamente confirma as conquistas da
Ciência; ou a Ciência, porque progride, confirma o Espiritismo.

(1) A matéria de "O Globo" foi publicada no caderno Ciência e Vida, à página 8, no dia 24 de dezembro de 1987