NIRVANA
BIBLIOGRAFIA
01- A CAMINHO DA LUZ, pag. 77 02 -

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

NIRVANA – COMPILAÇÃO

01 - NIRVANA

Perfeição Espiritual ou Nirvana?

Outro dia, perguntaram se o Espiritismo concorda ou discorda da idéia do Nirvana, a denominação budista do ponto máximo da evolução do Espírito. Achei que era uma ótima pergunta, já que a Filosofia Espírita coincide com o pensamento oriental em muitos pontos, porém ambos têm algumas diferenças entre si que nem sempre são percebidas.

Primeiro, é preciso entender bem o significado que comumente se empresta à palavra Nirvana. Entre os ocidentais, Nirvana é mais aceito como a diluição do Eu, a perda da individualidade, a integração final com o Todo.

Com isto, a Doutrina Espírita não concorda, já que ela nos considera imortais e esta diluição representaria nossa extinção, pois que deixaríamos de existir como individualidades.

No entanto, alguns filósofos orientais consideram Nirvana como um estado de paz e plenitude, libertação definitiva dos limites impostos pela personalidade, sem perda da individualidade. Uma integração com o Cosmo sem necessidade de auto-desintegração.

Esta visão está mais de acordo com o Espiritismo.

Podemos dizer, com respaldo nos ensinamentos dos Espíritos Superiores que à medida que evoluímos, que nos aproximamos da perfeição, vamos ficando cada vez mais parecidos uns com os outros.

Enquanto somos pouco evoluídos, somos muito diferentes, por que cada um de nós evoluiu em determinados aspectos, enquanto que o outro evoluiu de outro jeito e isto cria variedades ao infinito. Contudo a perfeição é uma só: é o desenvolvimento máximo de todas as qualidades. E quando se é um ser perfeito em meio a seres perfeitos, é como se fôssemos moléculas de água no oceano. Não há mais sentido em ser a molécula-Ana, a molécula-João, etc. Deixa-se de existir como personalidade, mas a individualidade permanece.

No entanto o exemplo da molécula no oceano, embora seja adequado, não ilustra exatamente a perfeição, por que entre moléculas é possível conceber uma separação física, separação esta que deixa de existir no campo da matéria sutil e do pensamento.

A própria matéria segundo a teoria quântica, não tem limites claramente definidos, de maneira que as coisas não estão tão separadas quanto parecem. Mas mesmo sendo possível fechar um pensamento dentro da cabeça. Apesar de manter suas características e sua integridade, um pensamento interpenetra e é interpenetrado por outros pensamentos e influências.

Este tipo de interpenetração é que poderia ser confundida com diluição, mas o que ocorre de fato é que a integridade do ser individual se mantém sempre, tanto de acordo com alguns pensadores do Oriente quanto com a Doutrina Espírita.

RITA FOELKER

02 - NIRVANA

Para fundamentar devidamente a nossa opinião relativa à estagnação do espírito chinês, examinemos ainda as suas interessantes e elevadas concepções religiosas. De um modo geral, é o culto dos antepassados o principio da sua fé.

Esse culto, cotidiano e perseverante, é a base da crença na imortalidade, porquanto de suas manifestações ressaltam as provas diárias da sobrevivência.

As relações com o plano invisível constituem um fenômeno comum, associado à existência do indivíduo mais obscuro

. A idéia da necessidade de aperfeiçoamento espiritual é latente em todos os corações, mas o desvio inerente à compreensão do Nirvana é aí, como em numerosas correntes do budismo, um obstáculo ao progresso geral.

O Nirvana, examinado em suas expressões mais profundas, deve ser considerado como a união permanente da alma com Deus, finalidade de todos os caminhos evolutivos; nunca, porém, como sinônimo de imperturbável quietude ou beatifica realização do não ser.

A vida é a harmonia dos movimentos, resultante das trocas incessantes no seio da natureza visível e invisível. Sua manutenção depende da atividade de todos os mundos e de todos os seres.

Cada individualidade, na prova, como na redenção, como na glória divina, tem uma função definida de trabalho e elevação dos seus próprios valores.

Os que aprenderam os bens da vida e quantos os ensinam com amor, multiplicam na Terra e nos Céus os dons infinitos de Deus. A Caminho da LUz

03 - NIRVANA

As Quatro Nobres Verdades - Parte 15
Carlos Alberto Iglesia Bernardo

VI - Anexos
Vocabulário
O Budismo tem uma história de 2.500 anos, sendo que parte de seu vocabulário vem das filosofias muito mais antigas da Índia, cujas origens se perdem na noite dos tempos. Desta maneira é preciso ter em mente que qualquer tradução para o nosso idioma é sempre aproximada, que não temos termos exatos para traduzir palavras que acumulam significados de milênios de estudos ininterruptos.

Na relação abaixo indicamos se os termos são usados por apenas uma das duas doutrinas, ou se são comuns as duas. No texto procuramos indicar as variações de sentido quando existirem.


--------------------------------------------------------------------------------

Animismo:
Espiritismo - Como o homem nada mais é do que um espírito encarnado, ele tem as mesmas capacidades que um espírito liberto, apenas reduzidas pelo efeito do corpo físico. Desta maneira existem fenômenos, bastante similares aos mediúnicos, que tem sua origem no próprio "sensitivo" - ele não atua propriamente como médium, pois não está atuando como intermediário, mas nem por isso estes fenômenos são menos válidos para o estudo do espírito e do mundo espiritual.

Também pertencem a esta categoria, os fenômenos produzidos pelo espírito encarnado sob o controle do seu inconsciente.

Bhiksu:
Budismo - Monge, pessoa que se retirou da vida cotidiana para se dedicar a meditação e ao estudo. Não é um sacerdote, apenas uma pessoa que dedica sua vida ao ideal Budista de libertação do sofrimento pela estrita observância dos ensinamentos de Buda. As práticas religiosas, ou rituais a que se dedica, longe de serem fins em si mesmos, são métodos para exercício da concentração. A palavra, pelas suas origens, também tem o sentido de monge mendicante.

Bodhichitta:
Budismo - Em seus livros, como por exemplo no "A Arte de Lidar com a Raiva" (editora Campus) o Dalai Lama define Bodhichita como a aspiração altruísta de alcançar a iluminação total, em benefício de todos os seres.

Bodhisattva:
Budismo - No Budismo Mahayana é o ser ideal, aquele que atingiu todas as condições para pretender o Nirvana, mas que adia sua libertação no objetivo de permanecer em contato com este mundo sofredor. Ele se coloca a serviço dos seres por um período de tempo que nada pode determinar, ou mesmo pode não ter fim, ajudando-os a encontrarem o próprio caminho de libertação do sofrimento. O aspirante a Bodhisattva busca atingir o despertar em benefício dos outros, e este conceito é o ponto principal que caracteriza a escola Mahayana em contraposição a escola Theravada.

Buda:
Budismo - Iluminado, que atingiu a libertação da ignorância. Titulo respeitoso dado a Sidarta Gautama, embora não seja exclusivo dele - todos os seres tem a capacidade de um dia tornarem-se iluminados (Budas). A palavra que designa tal capacidade do ser é algumas vezes (mal-) traduzida por "Budeidade".

Caminho do Meio:
Budismo - É uma expressão também usada para designar o Budismo, pois esta doutrina procura se afastar tanto dos extremos do ascetismo como do apego excessivo as coisas materiais.

Causa e Efeito:
Budismo e Espiritismo - Os nossos atos e pensamentos são ações que, dentro das leis naturais do Universo, trarão uma reação. Dentro do ordenamento moral do Universo, os atos que trazem sofrimento aos outros seres, tem como reação natural o sofrimento de quem os praticou e do mesmo modo, os atos que resultam no bem trazem o bem como retorno;

Os Budistas consideram a lei de causa de efeito como a lei básica do Universo, enquanto que os Espíritas a consideram como uma das leis através da qual Deus age sobre o Universo. Para os Espíritas outra lei universal, de igual importância, é a lei que rege o progresso do espírito.

Codificação Espírita:
Espiritismo - O conjunto da obra de Allan Kardec. Se convencionou chamar este conjunto de "codificação" devido ao fato destas obras, que reúnem os trabalhos de pesquisa e análise desenvolvidos por Allan Kardec no estudo das comunicações espíritas, formarem a base da Doutrina Espírita.

Dalai Lama:
Budismo - "... Já disse, na introdução " - do livro que estamos citando - " as palavras dalai-lama significam diferentes coisas para diferentes pessoas, e que para mim eles se referem apenas ao cargo que ocupo. A rigor, dalai é um vocábulo mongol que significa 'oceano', e lama é um termo tibetano que corresponde à palavra hindu guru, significando 'superior'. Juntas, as palavras dalai e lama são as vezes traduzidas como 'oceano de sabedoria'. Mas isso, acho eu, é fruto de um mal-entendido. Originalmente, Dalai era uma tradução parcial de Sonam Gyatso, nome do terceiro Dalai Lama: Gyatso significa 'oceano' em tibetano. Outro e infortunado mal-entendido se deve ao fato de os chineses darem à palavra lama o sentido de 'hou-fou', que tem a conotação de 'Buda-vivo'. Isso é um erro. O budismo tibetano não reconhece tal coisa. Apenas admite que determinados seres, dos quais o Dalai-Lama é um, podem escolher a forma de sua reencarnação. Essas pessoas são chamadas tulkus (encarnações)." Dalai Lama, "Liberdade no Exílio - Uma autobiografia do Dalai Lama do Tibet", Ed. Siciliano.

Dharma:
Budismo - Geralmente, nos livros Budistas se refere a doutrina de Buda. " Mas também pode ser usada com significado muito mais amplo - ordem universal cósmica; lei eterna; moral; dever; virtude, retidão; justiça. (Vocabulaire de l'Hindouisme de Herbert et Varenne). Os autores registram Dharma com outros significados tais como Personificação da Lei; Deus presidindo ao dharma, etc.

No Ramakrishna-Vedanta Wordbook; a brief Dicitionary of Hinduism, editado por Usha, Brahmacharini, consta que literalmente significa "aquele que mantém sua verdadeira natureza" e que a palavra denota mérito, moralidade, justiça, verdade, dever religioso, ou o caminho da vida que uma natureza do homem lhe impõe (which a man's nature imposes upon him), etc.

Muitas vezes, a palavra é empregada no sentido do caminho da vida próprio de um ser, como quando se diz que cada indivíduo deve cumprir seu próprio dharma." (Élzio).

Espírita:
Espiritismo - Que tem relação com o Espiritismo, partidário do Espiritismo, aquele que crê nas manifestações dos Espíritos. Allan Kardec, cap. Vocabulário Espírita, O Livro dos Médiuns.

Espiritismo:
Doutrina fundada sobre a crença na existência dos Espíritos e das suas manifestações. Allan Kardec, cap. Vocabulário Espírita, O Livro dos Médiuns.

Espírito:
Espiritismo - No sentido especial da Doutrina Espírita: os Espíritos são os seres inteligentes da criação que povoam o Universo além do mundo material e constituem o mundo invisível. Não são seres de uma criação especial, mas as próprias almas dos que viveram na Terra ou em outras esferas tendo deixado seu envoltório corporal. Allan Kardec, cap. Vocabulário Espírita, O Livro dos Médiuns.

O mundo invisível está além do material não só em sentido espacial, mas também qualitativo, interpenetrando-o. Comentário de Herculano Pires ao verbete "Espírito" na sua tradução do "O Livro dos Espíritos".

Karma:
Budismo - A palavra significa ação, mas, por extensão, compreende também ao resultado da ação. Não há diferença assim de causa e efeito. (Elzio)

As vezes é empregada significando "lei de Causa e Efeito" (vide tópico correspondente) e outras como o resultado atual das ações passadas.

Médium:
Espiritismo - (Do latim: medium = meio; intermediario; medianeiro) Pessoa que pode servir de intermediária entre os espíritos e os homens; aquele que em um grau qualquer sente a influência dos Espíritos de modo ostensivo. Todas as variedades de médiuns apresentam uma infinidade de graus em sua intensidade. Dicionário de Filosofia Espírita, L. Palhano Jr.

Mediunidade:
Espiritismo - É uma faculdade inerente ao homem que permite a ele a percepção, em um grau qualquer, da influência dos Espíritos. Não constitui um privilégio exclusivo de uma ou outra pessoa, pois, sendo uma possibilidade orgânica, é hereditária e depende de um organismo mais ou menos sensitivo. Só se classificam pessoas como médiuns, se a mediunidade se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade. Essa faculdade não se revela, da mesma maneira, em todos. Geralmente os médiuns têm uma aptidão especial para os fenômenos desta, ou daquela ordem, donde resulta que formam tantans variedades quantas são as espécies de manifestações. Dicionário de Filosofia Espírita, L. Palhano Jr.

Nirvana:
Budismo -Literalmente a palavra tanto pode significar "ser extinguido" (extinção), "cessar por sopro", quanto "resfriar por sopro". O nirvana constitui a mais elevada e última meta de todas as aspirações budistas, a extinção do "fogo" de, ou o resfriamento da "febre" da avidez, ódio e delusão (os três principais males no pensamento budista); e com estes também a libertação última e absoluta de todo renascimento futuro, velhice e morte, de todo sofrimento e miséria. Dhammapada, trad. Nissim Cohen, Ed. Palas Athena.

Perispírito:
Espiritismo - (do grego, perí, ao redor) - Envoltório semi-material do Espírito. Entre os encarnados, serve de liame ou intermediário entre o Espírito e a matéria. Entre os espíritos errantes, constitui o corpo fluídico do Espírito. Allan Kardec, cap. Vocabulário Espírita, O Livro dos Médiuns.

Reencarnação:
Budismo e Espiritismo - A continuação da existência do ser em um novo corpo material como conseqüência da lei de ação e de reação. Há uma sutil diferença conceitual entre o Espiritismo e o Budismo neste ponto. Para os Budistas, o ser em sua essência é apenas um fluxo de consciência, ao qual se agregam diversos elementos conforme o resultado da lei de causa e efeito. Não há propriamente um ser individual se reencarnando, mas seu fluxo de consciência (que resulta de uma existência para outra - e mesmo no mundo espiritual entre as encarnações - na propagação de uma consciência individual, responsável por seus atos). Para o Espiritismo, há um espírito imortal que se reencarna conforme suas necessidades de progresso espiritual. Ao espírito puro - cuja essência nos escapa - se agregam o perispiríto que é o instrumento através do qual ele atua no mundo material.

Samsara:
Budismo - Ciclo ou Roda de Renascimento. A fase da existência do ser em que ele está preso ao ciclo de renascimentos, de uma vida após a outra. O Espiritismo não tem uma palavra específica para este conceito.

Sangha:
Budismo - O conjunto dos monges budistas. Não é uma classe sacerdotal, tal qual a hierarquia da Igreja Católica ou os Brahmanes Hindus. É simplesmente o conjunto das pessoas que se retirou da vida comum para se dedicar a meditação e aos estudos da doutrina Budista. Pode-se dizer que corresponde ao ideal Budista de vida, mas fora isso, não há distinções fundamentais entre leigos e sangha.

Shakyamuni:
Budismo - O sábio do clã dos Shakya, outro dos nomes dados a Buda;

Sidarta Gautama:
Budismo - O nome próprio de "Buda". Também se encontram "Sidharta" e "Siddharta";

Sutra:
Budismo - A palavra "Sutra" era usada na Índia, na época do surgimento do Budismo, para indicar um conjunto de palavras ou frases importantes reunidas em um conjunto único. Como muitos ensinamentos de Buda foram reunidos na forma de Sutras, o significado da palavra acabou se estendendo ao longo do tempo, vindo a ser usada para designar genericamente todos os textos que trazem sermões de Buda. Algumas vezes também é usada para outros textos Budista, inclusive modernos, que são recitados.

(Publicado no Boletim GEAE Número 444)

04 - NIRVANA

NIRVANA

Essa expressão, diversamente comentada, tem causado muitos equívocos. Em conformidade com a doutrina secreta do Budismo, o Nirvana não é, como ensina a Igreja do Sul e o Grã-sacerdote do Ceilão, a perda da individualidade e o esvaecimento do ser no nada, mas sim a conquista, pela alma, da perfeição, e a libertação definitiva das transmigrações e dos renascimentos no seio das humanidades. [...]

Referência:
DENIS, Léon. Depois da morte: exposição da Doutrina dos Espíritos. Trad. de João Lourenço de Souza. 25a ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. - pt. 1, cap. 2

05 - NIRVANA

NIRVANA

Qual foi a verdade que Buda alcançou debaixo de sua figueira? Suas idéias fundamentais eram profundamente pessimistas, como já vimos. Tudo o que existe no mundo é (a) sem autonomia, (b) transitório, e, em conseqüência, (c) pleno de sofrimento. Assim, ele não via esperança enquanto o homem estivesse preso nesse ciclo. Contudo, existe algo eterno, algo fora do sofrimento. O budista chama a isso de nirvana. Essa palavra significa, na verdade, "apagar", uma referência ao fato de que o desejo "se extingue" quando se atinge o nirvana. A imagem representa o desejo como uma chama que se apaga quando o combustível termina — o combustível é a luxúria humana, o ódio e a ilusão.

As descrições do nirvana em textos budistas costumam ser expressas em termos negativos. Uma vez que o nirvana é o oposto direto do ciclo do renascimento, uma vez que ele não pode ser comparado a nada em nossa vida diária, só é possível dizer o que o nirvana não é. Poderíamos talvez descrever o nirvana como uma quinta dimensão, divorciada de nossa existência quadridimensional. Poucos textos budistas, porém, descrevem o nirvana em termos positivos.

Uma condição para alcançar o nirvana é que o budista encontre a iluminação (bodhi), exatamente como ocorreu com o Buda debaixo de sua figueira. Logo, as boas obras por si sós não bastam para o nirvana. Entretanto, um estilo de vida irreprochável pode levar a bons renascimentos, que mais tarde poderão possibilitar o encontro da iluminação. Buda, segundo se conta, nasceu 547 vezes antes de finalmente chegar lá.

Um estado em que todo o carma já foi esgotado e a lei do renascimento foi rompida — é isso que o nirvana descreve. Assim, o nirvana é uma condição que se pode experimentar aqui e agora. Pode ser tão intensa que o budista sente que ela está queimando o mundo inteiro. E quando ele enfim volta para o mundo, tudo o que encontra são cinzas frias.

O nirvana final, que a pessoa atinge quando morre, é irreversível. Por vezes ele é designado no budismo por um termo especial, parinir-vana, isto é, "extinção absoluta", ou "extinção última".

ÉTICA

Quando o Buda alcançou a iluminação depois de sua meditação, o deus Brahma foi até ele e lhe pediu que levasse seus ensinamentos para outras pessoas. E mais uma vez Buda sentiu compaixão pelos seres humanos e por todos os outros seres vivos. "Contemplou o mundo com olhar de Buda" e decidiu "abrir o portão da eternidade" para os que quisessem ouvir. Buda decidiu se tornar guia do ser humano.

Essa atitude serve de exemplo para outros budistas, pois a vida de Buda é um ideal que os exorta a se comportar eticamente. A compaixão e o amor são centrais na ética budista. Não só as ações, mas também os sentimentos e afetos são importantes. A caridade que fazemos não apenas afeta os outros, mas contribui para enobrecer nosso próprio caráter.

Os cinco mandamentos

Para a vida diária o budismo tem cinco regras de conduta:

1. Não fazer mal a nenhuma criatura viva.
2. Não tomar aquilo que não lhe foi dado (não roubar).
3. Não se comportar de modo irresponsável nos prazeres sensuais.
4. Não falar falsidades.
5. Não se entorpecer com álcool ou drogas.

Essas regras de conduta costumam ser chamadas de cinco mandamentos, porém o budismo não reconhece nenhum ser superior capaz de dar ordens à humanidade sobre como viver. Assim, as regras não dizem "farás isso" ou "não farás aquilo". Elas são formuladas da seguinte maneira: "Tentarei ensinar a mim mesmo a não fazer mal a nenhuma criatura viva".

1. NÃO FAZER MAL A NENHUMA CRIATURA VIVA.

Esta é considerada a mais importante das cinco virtudes. Nem um outro ser humano nem os animais devem ser prejudicados.

O ser humano é o mais importante, já que é superior aos animais. Os budistas consideram o pacifismo um ideal, embora nem todos os budistas sejam pacifistas. Também os países budistas já travaram guerras, e muitas pessoas acreditam que essa regra pode ser quebrada quando se trata de autodefesa. Entretanto, um texto budista afirma que o soldado profissional que morrer em batalha renascerá no inferno ou então como animal.

Para o budista, a vida começa na concepção; desse modo, o aborto infringe essa primeira regra. Só que os métodos anticoncepcionais normalmente são permitidos.

O suicídio também é uma violação da regra, mas não se a pessoa sacrificou sua vida por outra vida. Durante a Guerra do Vietnã, vários monges budistas atearam fogo às próprias vestes para despertar a consciência internacional.

Não há um vegetarianismo coerente no budismo, ainda que muitos monges excluam a carne de sua dieta. Supõe-se que Buda também concordou que se comesse carne, desde que a pessoa estivesse certa de que o animal não fora morto especialmente para ela. Matar uma mosca com um tapa é pior. Como vemos, o motivo e a intenção são relevantes.

2. NÃO TOMAR AQUILO QUE NÃO LHE FOI DADO.

Isso não se refere simplesmente ao roubo, mas também à trapaça de todos os tipos. Podemos considerar que é uma regra acerca da correção nos negócios e da ética no trabalho.

3. NÃO SE COMPORTAR DE MODO IRRESPONSÁVEL NOS PRAZERES SENSUAIS.

Essa regra se refere às atividades sexuais que podem prejudicar os outros: estupro, incesto e adultério. A atitude para com o adultério varia segundo os costumes locais. O budismo não abrange apenas sociedades monogâmicas, mas também culturas cuja tradição engloba a poligamia e a poliandria. Já o homossexualismo é sempre considerado uma quebra dessa regra.

Essas três primeiras regras se relacionam às atividades humanas e se incluem no item "perfeita conduta" do caminho das oito vias. O item "perfeita fala" abrange a próxima regra.

4. NÃO FALAR FALSIDADES.

A verdade é extremamente importante no budismo, mas essa regra não trata apenas da mentira. Ela também alerta contra as respostas maldosas, a fofoca, a ira e as conversas fúteis. O homem deve falar com seus semelhantes de modo verdadeiro, amigável e devotado. Até mesmo ficar em silêncio faz parte da perfeita fala.

5. NÃO SE ENTORPECER COM ÁLCOOL OU DROGAS.

Ficar entorpecido ou embriagado implica não poder se concentrar nas regras que devem ser seguidas. O budismo não é tão rigoroso contra o álcool quanto o islã.

Outras regras mais estritas

Em certos períodos, alguns leigos se submetem a uma disciplina mais estrita. Alguns vão mais longe, seguindo as mesmas regras que se aplicam aos monges e monjas noviços. Nesse caso, as cinco regras passam a incluir, por exemplo, a abstinência sexual (celibato). Além disso, há outras cinco regras:

* Não comer em horas proibidas (por exemplo, após o meio-dia).
* Afastar-se de todos os divertimentos mundanos.
* Abdicar de todos os luxos (como jóias, perfumes etc).
* Não dormir numa cama macia nem larga.
* Não aceitar nem possuir ouro, prata ou dinheiro.