NÚCLEOS EM POTENCIAÇÃO
BIBLIOGRAFIA
01- BUSCA DO CAMPO ESP. P/CIÊNCIA, pag. 78, 137 02 - CORRELAÇÕES ESPÍRITO-MATÉRIA, pag. 15
03 - DINÂMICA PSI, pag. 24, 78, 100, 175 04 - ENERGÉTICA DO PSIQUISMO, pag. 72, 79
05 - FORÇAS SEXUAIS DA ALMA, pag. 46 06 - O GÊNIO CELTICO E O MUNDO INVISÍVEL, pag. 222
07 - PALINGÊNESE, A GRANDE LEI, pag. 86, 106 08 - PSICOLOGIA ESPÍRITA - Volume II, pag. 78

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NÚCLEOS EM POTENCIAÇÃO – COMPILAÇÃO

01 - NÚCLEOS EM POTENCIAÇÃO

VÓRTICES ESPIRITUAIS: NÚCLEOS EM POTENCIAÇÃO

Os núcleos em potenciação representariam pontos vorticosos, ocupando dimensão superior em relação à matéria, fazendo parte da zona do inconsciente (zona espiritual), em região específica (inconsciente passado). Seriam unidades PSI, de variáveis potencialidades em virtude dos graus evolutivos em que se encontram.5 Esses graus estariam representados pelas aquisições que as múltiplas personalidades (corpos físicos) podem oferecer a uma determinada organização espiritual dentro de sua vivência evolutiva. Assim, através das experiências, os núcleos em potenciação iriam acumulando, em potencial, as aptidões das realizações que a vida possa oferecer. Pela diversidade das experiências os núcleos seriam variáveis em potencialidades. No seu conjunto representaria a própria energética psíquica espiritual, numa determinada gama vibratória, embora cada núcleo ou conjunto de núcleos possam ter a sua íntima condição.

Os núcleos em potenciação, dessa forma, poderiam ser avaliados em face das nossas medidas mentais. Se possuem aquisições, principalmente no bem e nos ângulos positivos da vida, serão núcleos evoluídos, de carga positiva e harmonicamente atuantes. Entretanto, encontrando-se nas faixas instintivas, pouco evoluídos ou mesmo sobrecarregados de experiências negativas, serão fontes de energias em faixas afastadas do bem e do amor. Todos eles refletiriam os seus impulsos na zona consciente ou personalidade, com o manancial de que se acham investidos.

Diante da posição psicológica do homem dos nossos dias, podemos anotar que os núcleos em potenciação mais carentes, menos evoluídos, são os que se refletem com maior insistência na periferia consciencial. Tudo por necessidades construtivas a fim de afirmar a própria evolução; é o núcleo carente buscando ampliação de potencialidades.

Todos esses núcleos estariam coligados, vibratoriamente, e ajuntados pelo parentesco evolutivo. Essas "diminutas unidades" seriam distribuídas aos milhões, nos campos do psiquismo profundo, pelas suas constantes formações, e representadas por aptidões adquiridas e indestrutíveis; por isso, fazendo parte do espírito com sua condição de imortalidade.

Se fôssemos ao ponto de desejar avaliar a estrutura dessas unidades PSI, poderíamos dizer que na sua constituição entrariam pequeníssimos núcleos, os nucléolos em potenciação, a sustentarem o potencial energético do núcleo. É como se fossem pequenos vórtices, uns dentro dos outros, penetrando em degraus dimensionais cada vez mais afinados, à medida que se acercassem do centro do núcleo em potenciação. Toda essa energética seria atributo de dimensões superiores às conhecidas, mesmo da 4ª dimensão, onde se encontram os ritmos do som, da eletricidade, luz, raios Roentgen etc. Assim, poderíamos nomear essa dimensão mais avançada, de dimensão-PSI, não mais a 4ª e sim uma 5ª dimensão, onde os núcleos em potenciação teriam o campo ideal de suas manifestações. No dizer de P. Ubaldi: não existiriam nem 4ª ou 5ª dimensões, e sim dimensões de uma nova estruturação, sempre com representação trina. Logo, a 4ª e 5ª dimensões fariam parte da 1ª e 2ª posições dum novo sistema.

Para entendermos os aspectos de suas possíveis apresentações poderíamos dizer que os núcleos em potenciação, em contato uns com os outros, unidos por fios de específicas energias, típicos filamentos, tomariam a forma de um rosário onde as "contas" seriam os próprios núcleos em potenciação. Com isso, o filamento unificante desses núcleos, enrodilhado sobre si mesmo, um verdadeiro novelo, constituiria um fio sem fim. Existiriam tantos núcleos quantas fossem as aquisições e experiências incorporadas para as regiões espirituais, ampliando a "fiação" que também seria energia daquela faixa.

Esses núcleos teriam nos genes cromossomiais as telas ideais de suas manifestações e o local por onde todas as experiências da vida física fossem absorvidas. Dessa forma, os genes dos cromossomos e os núcleos em potenciação do inconsciente ou zona espiritual constituiriam, respectivamente, os pontos de chegada e partida da vivência energética PSI.
Se tentarmos apresentar outro aspecto do núcleo em potenciação, que seria a sua estrutura funcional, diríamos que eles estariam constituídos com o teor energético das três camadas do inconsciente ou zona espiritual (gravura 1) — o inconsciente puro, o inconsciente passado e o inconsciente atual.

Apresentação esquemática das expansões energéticas do núcleo em potenciação
A gravura 3 nos mostra o esquema do núcleo em potenciação com suas camadas irradiantes, porém as vibrações variariam de acordo com a posição em que se encontram nas regiões do psiquismo profundo. Pelo esquema da mente humana (gravura 1), a distribuição dos núcleos pela zona do inconsciente passado variaria de acordo com a sua própria carga energética.

Os mais evoluídos, isto é, os mais bem constituídos em aptidões estariam mais em contato com o inconsciente puro; os menos evoluídos, mais pobres de aquisições, estariam situados na porção mais externa em contato com o inconsciente atual. Com isso, a sua composição variaria de acordo com a sua situação. Os que se encontram mais para a zona do inconsciente puro seriam núcleos com maior carga energética do inconsciente puro e, por isso, mais evoluídos. Os que estivessem mais próximos do inconsciente atual seriam os menos evoluídos, os mais carentes, os mais necessitados de construção e, portanto, mais afinizados em vibrações com a organização física como que lá buscando os campos das experiências.

Os núcleos em potenciação quanto mais para o centro do inconsciente, mais quintessenciados, mais purificados, e quanto mais para a periferia, mais condensados, mais facilmente vibrando com a matéria do corpo físico. São esses núcleos mais periféricos que sustentariam a vida celular da organização física pelas telas dos genes cromossomiais, embora sendo influenciados e orientados pelos mais evoluídos, situados mais para o centro do psiquismo.

Por tudo, os núcleos em potenciação seriam a verdadeira estrutura do psiquismo de profundidade, onde suas energias, arregimentadas nas experiências multimilenares, constituiriam um campo vibratório transcendendo à vida física. Os fatores e experiências múltiplas do meio externo, absorvidos sob forma de aptidões, são como que incorporados às suas fontes de imortalidade, prosseguindo sempre num processo evolutivo na busca de um amor integral, a representar mecanismo de constante realização cósmica.

NÚCLEOS PSI-SEXUAIS E CORRELAÇÕES COM A ZONA FÍSICA

Partindo do conhecimento, já exposto, que essa hipótese de trabalho possa oferecer, a respeito dos núcleos em potenciação, podemos dizer que a sua estrutura funcional se perderia em dimensões superiores onde as energias do Espírito se espraiam. É claro e lógico que a zona consciente do intelecto humano fica absolutamente isolada (conscientemente), por não possuir elementos específicos que possam detectar aqueles campos vibratórios superiores. Compreende-se, também, que os núcleos em potenciação devam apresentar variações de acordo com a região em que se encontram e do setor a que pertencem.

Núcleos PSI-sexuais com suas respectivas irradiações até a superfície corpórea.

Todas as atividades da psique estariam na dependência das informações desses campos do inconsciente, no caso o inconsciente passado. Essa região do inconsciente apresenta um farto e expressivo campo de atividades, onde poderíamos anotar as variações de suas energias de conformidade com os núcleos em potenciação a que pertencem. As fontes mais próximas da periferia, fazendo limites com o inconsciente atual, seriam os campos de energias mais condensadas, mais afinizadas com a matéria. As fontes energéticas mais internas, fazendo limites com o inconsciente puro, seriam de energias mais quintessenciadas, mais evoluídas, de modo a incentivarem e mesmo orientarem os campos mais externos. É nesse setor mais interno (gravura 4), acoplado aos campos do inconsciente puro, que teriam nascimento as energias ditas sexuais, pelas suas condições de impulsão criativa.

Os núcleos responsáveis pelas forças sexuais, embora originários nas vizinhanças do inconsciente puro, não ficariam limitados a essa região. Suceder-se-iam em cadeia até as vizinhanças do inconsciente atual, embora mantendo contatos de seus campos (gravura 4). Dessa posição, emitiriam energias que venceriam as barreiras do inconsciente atual, para adaptações, a fim de alcançarem a zona corpórea na afirmação do sexo a que pertencem em determinada etapa palingenética. Os núcleos em potenciação dessa categoria, quanto mais para a periferia (próximos do inconsciente atual), seriam mais "personificados" e carregados de energias adaptadas aos órgãos sexuais do corpo; isto é, esses núcleos mostrariam a predominância da polaridade sexual que o corpo físico revela. Ao passo que os núcleos mais internos (próximos ao inconsciente puro) seriam mais "impessoais", com uma carga de energia de maior totalidade, onde as duas forças (masculinidade e feminilidade) se encontrassem ajuntadas, como que fundidas.

Diante de tal proposta, percebe-se que, quanto mais no centro do inconsciente, mais a força criativa revela-se de totalidade; quanto mais na periferia, mostra-se com predominância masculina ou feminina. Esse campo energético espiritual ou do inconsciente, embora mostrando-se, também, como energia sexual, seria bem diverso daquele que se mostra nos órgãos genésicos da região corpórea.

Com isso, queremos dizer que a energética sexual, quanto mais interna, mais sutil, a ponto de, num esforço de expressão, traduzirmos como energia supersexual. Assim, fazemos diferença dessa energética: quanto mais interna, mais integralizada e evoluída apresentando um máximo potencial, quanto mais externa, já sendo distribuição através do inconsciente atual para as células corpóreas, mais dividida, dicotomizada, mais condensada e mais afinizada com a matéria. Quanto mais internas, mais apresentam as forças totalizadoras do sexo, num verdadeiro bloco ou conjunto, a ponto de serem absolutamente "impessoais"; quanto mais externas, mais expressam a força sexual direcionada numa das posições do sexo (masculino ou feminino); daí a sua personificação.
Esses núcleos em potenciação, pelas suas fontes irradiantes, influenciariam os seus vizinhos destinados a outros misteres. É como se os núcleos em potenciação sexuais irradiassem um colorido específico e influenciassem os demais com a sua própria tonalidade (gravura 4).

Nessa conceituação das energias do inconsciente (ou Espírito) estamos a ver e perceber que os campos das forças sexuais seriam bem expressivos e, na zona consciente, os mais variados ângulos emocionais apresentar-se-iam com colorido sexual pelo envolvimento daquelas fontes específicas, forças da própria alma, jamais sendo o resultado de exclusivas atividades dos órgãos sexuais da organização física. Portanto, não deve haver confusão com atividades sexuais ligadas diretamente aos órgãos sexuais e às energias sexuais que carregamos em nosso Espírito, embora as atividades sexuais na periferia sejam orientadas por essas forças do Espírito. Como essas forças sexuais do Espírito, para as quais preferimos a denominação de "forças criativas", banham e envolvem as demais fontes dos múltiplos e inúmeros núcleos em potenciação do inconsciente passado, muitas das atividades do psiquismo podem mostrar a influência daquele colorido. É bastante comum nas artes a influência e derrame dessas energias, ligadas aos campos sexuais internos, através de símbolos e imagens várias.

Achamos que Freud ao perceber as forças do inconsciente, na zona intelectual que é a mais periférica, sentiu o colorido do componente sexual. Como analisava o inconsciente em face da organização física e mesmo como o resultado desse trabalho consciencial, só poderia ter tirado ilações psicológicas nessa zona mais condensada, com símbolos mais personificados e com exclusiva tonalidade dessa região. Por isso, viu o sexo em tudo, porém o sexo periferia, o sexo resultante do trabalho hormonal do corpo físico, criando a sua psicologia nesta faixa com horizontes profundamente limitados.

O inconsciente para Freud era consequência funcional das unidades neuroniais. Freud, realmente, fez a abertura dos véus da alma. Muitos têm procurado elevar essas posições ligadas ao sexo, enquanto que outros apenas exaltam instintos primitivos, salientando erotismo com hipertrofia na licença, fundamentando-se em grande parte na filosofia de Marcuse.

Jung foi mais longe ao perceber que, além das forças sexuais, existiam outros campos influenciadores das atividades psíquicas onde os "arquétipos" seriam as fontes de origem dos mesmos. Reconheceu os valores daqueles eventos e analisou as forças do inconsciente em suas devidas posições a influenciarem a psique consciente. Com a sua maneira de ver sentiu a dinâmica do inconsciente como uma totalidade (libido) pelos arquétipos e símbolos e suas respectivas emersões na zona consciente, inclusive os de tonalidade sexual. Na posição das forças sexuais existem, tanto no campo masculino quanto no feminino, as duas faces onde uma delas é sobrepujada e envolvida. Para Jung o homem traz consigo, na profundidade do inconsciente, a sua imagem feminina, como a mulher a sua imagem masculina. São como que contrastes em equilíbrio. A imagem masculina Jung chamou de "animus" e a feminina de "anima". Desse modo, o homem carrega, também, o seu "anima", como a mulher o seu "animus". As forças de manifestação dessas imagens do inconsciente (contrastantes com a zona consciencial) são inesgotáveis e variáveis em tonalidades, e as medidas de cada situação psíquica interna poderiam revelar-se através dos sonhos como projeção dessas imagens.

A feminilidade da zona inconsciente do homem, como a masculinidade da zona inconsciente da mulher projetam-se na vida consciente comum, nas mudanças de humor, com os coloridos correspondentes à força do inconsciente que representam. Assim, o "anima" seria, em linguagem jungueana, o arquétipo do feminino, como o "animus" o arquétipo do masculino. No "anima" estaria a mãe, a professora, a estrela de cinema, a apresentação de um ideal de mulher, os caprichos de expressão feminina; tudo isso, dependendo da fase da vida em que o indivíduo se encontra, porquanto a projeção do "anima" estará relacionada com o arcabouço psicológico de determinada idade. O mesmo para a mulher em relação ao "animus" representado pelo pai, pelo mestre, pelo herói dos contos ou mesmo do cinema, pelo atleta etc., e os reflexos nas produções artísticas.

Caso de estudo interessante, à luz da psicologia junguista, é o célebre quadro de Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. A interpretação do famoso sorriso da dama, A Gioconda, que não corresponderia ao modelo, se é que realmente o teve, seria o reflexo da alma feminina — o "anima" — do grande artista. No pensamento junguista, quando a mulher apresenta tonalidade masculina de disputa de direção em empresas, de discussões e outras revelações tipicamente masculinas, seria o efeito de seu "animus" projetando na tela consciente a sua própria imagem da zona inconsciente. No caso do homem, a emersão de seu "anima" na zona consciente resultaria em atitude de maior sensibilidade, fácil aceitação de ideias e mesmo certa submissão em face de determinadas situações. O homem apresentaria atitudes mais delicadas, por isso mesmo com maior sensibilidade.

Quando essas forças — "animus" e "anima" — estão bem conjugadas são mediadores equilibrados e construtivos entre o consciente e o inconsciente. E a natureza, tanto a masculina quanto a feminina, estará sempre buscando o seu outro lado complementar para realizações e afirmações. Esse pensamento junguista oferece uma psicologia dinâmica, mais substanciosa e muito mais lógica.

As mais recuadas filosofias pressentiram essas energias da alma com a sua necessária dualidade. A gravura 5 constituiu uma das representações mais antigas da humanidade. De origem chinesa — taigitu — tem tido inúmeras interpretações, porém, a ideia central desse tipo de mandala traduz uma dualidade em constante equilíbrio. Podemos dizer que são campos de polarizações opostas com seu habitual movimento evolutivo; isto é, à medida que os instintos, como forças da alma, fossem maturando para posições mais positivas, os vórtices que constituem os seus campos vibratórios se iriam aperfeiçoando e, consequentemente, as forças sexuais que por aí trafegam.

A dualidade desses campos, apesar de suas polaridades, não constitui um contraste perene, mas um equilíbrio buscando harmonia na própria razão evolutiva. Assim, a filosofia chinesa denominava uma das zonas de Yin e a outra de Yang, representando as posições opostas da vida: em Yin estaria um polo de nascimento (início de consciência), em Yang o caminho de sua expressão maturativa, a pura Luz; dum lado a sombra, do outro a luz; dum polo, o masculino, do outro, o feminino.

Transferindo a esquemática para a zona do inconsciente ou espiritual, situemos, nesses dois campos, respectivamente, a zona masculina e a feminina. Cada uma dessas zonas possui em seu bojo uma pequena área do outro campo, a traduzir a existência de diminuta fonte de energia sexual oposta (gravura 5). Tanto a zona masculina, quanto a feminina possuem em seu seio, em equilíbrio harmônico, pequeno campo sexual de outra polarização. Se o indivíduo for do sexo masculino possui, além de sua energética sexual de predominância, uma pequena fonte de potência sexual feminina, sem maiores influências em sua organização pelos seus limitados influxos. Os que estiverem na faixa feminina, também apresentarão uma pequena fonte sexual masculina limitada e como que dominada. Daí, concluir-se que, tanto os campos masculinos quanto os femininos possuem dentro de seus próprios conteúdos forças sexuais opostas, porém dominadas. Isto quer dizer que a zona em evidência, masculina ou feminina, mantém a luz de sua preponderância enquanto que a oposta fica como que temporariamente na sombra, porém com pequenos reflexos nos outros campos. É nesse equilíbrio de forças que a evolução se vai afirmando; nos casos de desvios patológicos dessas fontes haverá desenvolvimento de forças destoantes, cujas reações-respostas, que sempre mostram atitudes desarmônicas, visam, em última análise, ao restabelecimento dos conteúdos do psiquismo de profundidade.

Em nosso conceito, dos núcleos em potenciação sexuais partem as forças totalizadoras do sexo, embora na periferia do consciente elas se afirmem de acordo com a necessidade evolutiva daquela etapa reencarnatório. Com isso, poderão aparecer, tanto no homem como na mulher, impulsos do sexo oposto em tonalidades cabíveis e compreensíveis e nos casos em que não haja distorções doentias dessas energias do psiquismo. A expressão da energética sexual estará sempre relacionada com o panorama evolutivo e a necessidade de vivência consciencial da faixa sexual de predominância. Portanto, a oscilação sexual, entre seus dois polos, estará ligada à posição evolutiva de cada ser e às variações que essas cargas específicas sofrem em determinada fase da vida, no corpo físico, e respectivo arcabouço psicológico que o indivíduo apresenta.

Achamos que Jung, por ter penetrado no inconsciente com maior acuidade do que Freud e pelas experiências paranormais de que participou, devia ter concluído, dentro do panorama científico, pela imortalidade dos campos do inconsciente. Chegou-se a essa conclusão não nos informou com precisão, apenas deixou transparecer em seu último livro de Memórias alguns coloridos a respeito.
De tudo, podemos concluir que Freud abriu os véus da alma aos estudos universitários. Jung sondou e avaliou muitos dos campos do inconsciente ou energético espiritual. Outros virão, a fim de colocar, na psicologia de nossos dias, a grande equação sobre imortalidade e palingênese.

As forças sexuais do ser, pelos conceitos expostos, existem tanto no homem quanto na mulher, no psiquismo de profundidade, de modo duplo, bissexual, integralizado. À medida que nos aproximamos da periferia da estrutura psíquica, essas forças sexuais tendem a dividir-se e a se expressarem na tonalidade de sua própria necessidade (construção evolutiva) na zona consciente; porém, na profundidade, quanto mais para o centro da alma, no inconsciente puro, mais unida, mais integral, de carga completa, bissexual. Se ajustarmos esses conceitos num esquema de imortalidade, ao lado de suas construções nos movimentos reencarnatórios, compreenderemos o valor da energética PSI-sexual no mecanismo evolutivo da vida, além de explicarmos toda a fenomenologia da psicologia dinâmica, cujos fatos estão encarcerados num cipoal de explicações intelectivas sem um eixo de pensamento coordenador. O próprio Jung, diante das forças evolutivas do inconsciente e em constantes renovações (reencarnações), criou o inconsciente coletivo para explicar o manancial pretérito que o homem carrega em sua totalidade psicológica. Por não ter incorporado a ideia das renovações do EU, com as respectivas absorções de experiências que as reencarnações propiciam, tomou caminhos de complexidade intelectiva para poder sustentar a temática em questão. Por ter percebido a volumosa energia do psiquismo, desgarrou-se dos conceitos freudianos, que apenas abordavam os reflexos dessas energias na tela consciencial de conformidade com a teoria da sexualidade.

02 - NÚCLEOS EM POTENCIAÇÃO

Aborto

Todo e qualquer argumento para que um país aceite em sua legislação o aborto é devido à falta total de conhecimento do que é a vida verdadeira do Espírito, vidas sucessivas da perfeição e das Leis Divinas.
Kardec afirma na Codificação que quando alguém diz ser materialista é porque desconhece a perfeição das Leis Naturais, a Reencarnação e a sua Justiça.
O pequenino feto no útero materno é uma vida completa não apenas biológica, mas principalmente espiritual.
É um Espírito que volta a existência terrena e quase sempre programada pelos próprios pais.
A falta de orientação sobre a reencarnação, a imortalidade do Espírito, a deseducação total sobre sexualidade, o envolvimento cada vez maior de idéias erradas sobre o conceito de liberdade levam a essa prática tão dolorosa. Mas isso sempre ocorreu desde os tempos mais remotos, o aborto sempre sofreu controvérsias. A China antiga possuía receita para abortar. Hipócrates, que viveu 400 anos antes de Cristo, o maior médico da Antigüidade, dizia que jamais ajudaria uma mulher a abortar, sua ética médica está resumida no juramento que até hoje os médicos prestam antes de iniciar a arte de curar.

Hoje, fala-se em aborto eugênico, quando o feto tem má formação. A doutrina demonstra que essas más formações são necessárias para o reequilíbrio do Espírito. A Eugenia gerou tristes problemas na Alemanha Nazista. Em 1939 foi decidido que seriam mortas ou esterilizadas as pessoas com defeitos congênitos. Aos poucos, o valor da vida caiu tanto, que matavam crianças que urinavam na cama, as que tinham orelha mal formada ou dificuldades em aprender.
A doutrina tem resposta para tudo isso, as más formações do feto estão ligadas às provas e expiações pelas quais o Espírito têm que passar. O aborto eugênico elimina a possibilidade de resgate.

Processo Científico

Jorge Andréa, no livro Dinâmica Psi, faz a abordagem do processo inicial da gestação quando o espermatozóide penetra o óvulo, transformando-o no ovo. São 300 milhões de espermatozóides para apenas uma célula feminina; 48 horas após a concepção, se pudéssemos ver, notaríamos que poucos continuam vivos.
O que acontece com os milhões? Perderam-se? Ler no livro as págs. 181 e 182.
Sendo o aborto a perda do produto de conjugação, essas energias sofrem processos que se refletirão na organização feminina – ler pág. 182.
Os espermatozóides, ao serem ejetados, no paroxismo do êxtase sexual, levariam consigo energias que permitiriam os seus respectivos deslocamentos nos condutos femininos. Mas, a quantidade dessas células, em cada ejaculação, é imensa; por isso, acreditamos que os espermatozóides, aos milhões, envolvendo o ovo, e após o seu desaparecimento em volta do mesmo, continuaria a coroa ovular a ser sustentada e envolvida com as energias específicas dessas células.
Essas energias poderiam servir na solidificação de um campo de defesa, um verdadeiro escudo ou couraça vibratória, a fim de que o Espírito reencarnante, desse modo, protegido, utilizasse, para sua definitiva fixação nos cromossomos das células embrionárias, mais precisamente nos genes, por onde o código genético teria a sua expressão.
Se pudéssemos ter uma visão do ovo nesta fase inicial, 48 horas após a fecundação, quase não veríamos tantos espermatozóides vivos, porém, a medalha ovular com intensa aura protetora a impedir que vibrações de outra categoria perturbassem a harmonia do mais expressivo evento biológico.
Sendo o aborto a perda do produto de conjugação, as energias aí contidas devem sofrer processos que se refletirão na organização feminina, com maior intensidade se houver provocações. O Espírito, designado por motivos vários, a ocupar o cadinho reencarnatório o faz, na maioria das vezes, em estado de sono, para não interferir no processo -–é a nossa condição evolutiva que assim o exige.

No livro Gestação Sublime Intercâmbio, do Dr. Ricardo Di Bernardi, nos mostra todos os processos de um aborto:

1º- Aborto Espontâneo:
Ele nos mostra que ninguém é inocente pai – mãe – filho estão ligados nos processos da Lei de Causa e Efeito – ler no livro pg. 115.

2º - Abortos aparentemente espontâneos provocados mentalmente pela mãe:
já concebemos a força do pensamento em criar o belo e destruir. As ações mentais da gestante têm profunda repercussão sobre as ligações energéticas do Espírito reencarnante com o seu embrião. Há mães que odeiam o fato de estarem grávidas, motivadas por várias circunstâncias: dificuldade de relacionamento com o marido, situação sócio – econômica de penúria, etc.

3º - Abortos aparentemente espontâneos provocados mentalmente pelo Espírito: Isto é provocado pelo Espírito reencarnante que tem medo de nascer.

a. Espíritos que necessitam renascer com severas limitações físicas.
Apesar de terem sido orientados antes pelos mentores espirituais da importância e necessidade desse processo.

b. Antipatia e/ou ódio que sentem em relação àqueles com os quais irão conviver.
Necessidade da ligação familiar para reajustes do passado. Podemos verificar o caso de Segismundo no livro Missionários da Luz, de André Luiz.

Como isso ocorre? Há Espíritos que se posicionam mentalmente em uma forma constante de recusa, principalmente quando a aversão é justamente com a mãe; os laços fluídicos que prendem as energias do reencarnante ao perispírito materno podem romper-se, ocorrendo o aborto, pois o fluido vital do embrião em desenvolvimento se funde com o corpo perispiritual do Espírito, provocando o afastamento do feto sem espírito. Não é espontâneo - é provocado pelo Espírito.

Doenças Congênitas e Aborto

Existem microorganismos que ao serem contraídos pela gestante têm ação letal sobre as células embrionárias, determinando o aborto espontâneo. A grande polêmica que se estabelece em alguns círculos é relativa à indicação ética ou moral dos abortos. Sem entrar no ponto de vista da constituição brasileira, abordaremos do ponto de vista espírita.
O caso da rubéola congênita que fora da gravidez chega até a passar despercebida pela pouca monta dos sintomas que ocasiona, durante o 1º trimestre da gestação é o verdadeiro terror dos pais. As crianças podem nascer sem visão, problemas cardíacos e limitações neurológicas e nada disso ocorreria se uma simples vacina fosse aplicada após os dez meses de idade ou até a época pré-nupcial. O que acontece é que a grande maioria das gestantes que contraem rubéola não apresentam filhos com os defeitos citados, só um percentual pequeno será acometido.
A que se deve esse fato? Se for verdade que esse dano ocorre pela estrutura do DNA também é verdade que a predisposição do Espírito reencarnante está intimamente ligada a esse processo.
O Espírito que já viveu aqui na terra inúmeras vezes traz gravado energeticamente em núcleos de potenciação os registros de suas aquisições anteriores e seus desatinos, que ao se unir com o óvulo espelhará, no mesmo, o nível do seu processo evolutivo. Em resumo: O merecimento do Espírito é que determinará sua imunidade ou não.
Com relação aos pais, só terão filhos acometidos de má formação congênita, aqueles que foram preparados para isso. Mesmo a nível inconsciente, todos são trabalhados pela espiritualidade, principalmente durante o sono físico. A expulsão da entidade reencarnante só determinará o agravamento dos débitos perante a Lei Universal.

Estupro e Aborto

A lei brasileira permite, a Doutrina esclarece porquê não devemos fazê-lo.
A vítima é alguém que traz gravada em si mesma marcas profundas de atitudes prejudiciais a seus irmãos. Atitudes violentas, agressivas de crimes nesta área. O agressor, em seu desequilíbrio patológico, entra em sintonia com a vítima de hoje, pois nela existe algo que tem ressonância com sua enfermidade psíquica.
O reencarnante é um ser que vive na mesma faixa de desequilíbrio. Um Espírito que pelo ódio se imantava magneticamente na aura dessa jovem. E como mãe e filho aprenderão a amar, o passado será esquecido.
Jamais o estupro foi programado, no entanto, o crime existindo, a espiritualidade sempre fará o máximo para, do mal, ser possível resultar algum bem.
O aborto provocado só aumentará os traumas e desequilíbrios em todos os envolvidos. (L. E. questão 861)

Ana Gaspar

03 - NÚCLEOS EM POTENCIAÇÃO

Jorge Ândrea dos Santos
> Bases espíritas na Psicologia

A psicologia, sem sombras de dúvidas, sofre grande impulso científico com o advento dos trabalhos de Freud, logo seguindo-se Jung com maior riqueza científica.

No final do século XIX e início deste, era voz corrente entre os estudiosos e laboradores da psicologia que, se abandonássemos as idéias freudianas, inapelavelmente cairíamos em Jung, porquanto, nesta época, os descortinadores dos véus da alma mostravam-se, com certa eficiência, dentro das razões científicas. Entretanto, novas escolas e modificações nos conceitos dos criadores da psicologia profunda muito deve a Jung, não só pela retomada das idéias freudianas onde ele parou, mas, principalmente, pelo enriquecimento de conceitos e hipóteses de trabalho. Jung divergiu de Adler, também seu contemporâneo por este ter tomado rumos que se afastavam da psicanálise – em reentronizando o EU, fez uma espécie de volta da psicologia à superfície do psiquismo, valorizando, quase com exclusividade, a zona consciente, sem a devida penetração na energética de profundidade como exigência de uma época. Jung, ao contrário, ofereceu bons mergulhos no inconsciente criando muitas luzes, mas, mesmo assim, deu violentas paradas por faltarem lastros científicos de elementos outros que tinha receio de admitir oficialmente – a imortalidade do inconsciente (Espírito) e o processo renovador das reencarnações.

Todas essas discussões mostravam as fraquezas da psicologia profunda diante das estruturas de suas hipóteses. Os mais atilados de antanho e dos nossos dias, não combatem a idéia do inconsciente, pois reconhecem as autenticidades desse bloco de energias que carregamos; discutes-se, sim, principalmente nos dias atuais, a origem da zona inconsciente e sua estruturação.

Se Adler fez um retorno à zona consciente, Jung mergulha no estofo do bloco anímico. Freud fica numa posição intermediária com o mérito de ter sido o responsável pela abertura dos véus da alma. Foram, justamente, essas três escolas que possibilitaram os sentimentos onde o movimento psicanalítico tomava assento. Em seu movimento inicial, na Europa, houve muitas discussões, especulações, desconfianças, confianças excessivas, de modo a redundar num mar de hipóteses e interpretações; mas, com o tempo, se foi fixando e tomando um sentido baseado nas escolas que lhe modelaram os fundamentos.

Freud foi o pioneiro pela descoberta das atividades do inconsciente (a idéia do inconsciente é bem mais antiga); por ser mais um pesquisador deu pouca atenção à terapêutica nestes arraiais em que os médicos procuravam arrecadar novos conceitos. Tanto assim que Alexander, uma das grandes estrelas da psiquiatria, disse: "Essa tradição de pesquisa talvez seja uma das razões pelas quais o método de tratamento psicanalítico mudou muito pouco desde sua origem". Acrescentamos: o método, com sua evolução natural dentro dos conceitos psicológicos, seria mais um método antropológico do que terapêutico; método que buscará, nas novas aquisições por virem, a descoberta do próprio Espírito.

Jung, ao mergulhar no psiquismo, define o inconsciente coletivo, seus arquétipos e símbolos, faltando-lhe homologar o lastro imenso do pretérito, resultado de autênticas vivências sempre reedificadas pelo mecanismo reencarnatório. A estrutura do inconsciente, apresentada por Jung em 1902, foi o resultado de um estudo atento e bem penetrante sobre o desenvolvimento anímico de uma sonâmbula. Jung percebeu a existência dos mecanismos do inconsciente, mas esbarrou no processo de imortalidade. Isolando esta proposta, além da difícil aceitação pelo meio científico, criou, com sua enciclopédica cultura, uma psicologia de difícil entendimento. Em 1916, fez novo retoque sobre a conceituação do inconsciente e nos dá uma palavra final sobre o assunto, em 1928, assim mesmo afirmando que cabe ao futuro uma melhor avaliação de sua energética. Entretanto, deixou bem demarcado que a mente possui legados de conteúdos históricos, verdadeiras moldagens arcaicas que se tornam presentes na zona consciente, por diversos motivos, principalmente os de caráter emocional. Muitos quadros clínicos da psiquiatria, lastreados em exaltação emocional manifesta, podem remover para a zona periférica do psiquismo (zona consciente) aqueles blocos de energias internas como se fora uma drenagem.

Tudo isso vem mostrar uma verdade psicológica que só poderá ser entendida com a idéia de perenidade do inconsciente; o que vale dizer, de imortalidade. Inconsciente imortal, com seus conteúdos históricos, só poderá ser compreendido como o Espírito perene, lastreado nas experiências reencarnatórias. Dentro do pensamento espírito (imortalidade, reencarnação, comunicações entre Espíritos) melhor compreenderemos a abertura freudiana e a construção junguiana, apesar das suas ainda limitadas proposições.

Até hoje os psicologistas não conseguem bem entender Jung sobre os arquétipos, a ponto de Ramon Sarró dizer que os arquétipos não podem ser "a decantação de vivências de nossos antepassados pré-históricos. Serão produtos das atividades da imaginação? Mas, que é a imaginação? Mas, qualquer que seja o pensamento sobre os arquétipos a realidade dos mesmos não pode ser negada". A personalidade Maná, abordada por Jung, com suas estruturas arquetípicas, mostra a importância desses fatos psicológicos. Personalidade Maná – ser pleno de qualidades ocultas – em termos junguianos é merecedora de análise: "Reconheço que em mim atua um fator psíquico que se oculta diante de minha vontade consciente. Inspira-me idéias extraordinárias, ao lado de produzir afetos e caprichos em minha natureza. Sinto-me importante diante desses fatos e o que considero pior, estou atado a esses fatos de modo a admirá-los". Muitos consideram e traduzem essa confissão como típica de um temperamento artístico e mesmo filosófico. Acentua ainda Jung: "A personalidade Maná é dominante no inconsciente coletivo, é o arquétipo do homem poderoso em forma de herói, mago, santo, curandeiro, dono de homens e Espíritos, amigo de Deus".

Não podemos deixar de ver e sentir o tácito reconhecimento de Jung dos processos espirituais na psicologia, embora tendo de contorná-los e aproximá-los da ciência de seu tempo. Basta, para isso, analisar a essência da Doutrina Espírita.

Foram as expansões dos arquétipos que propiciaram a Jung a construção de interessantes explicações de muitos fenômenos psicopatológicos, incluindo as neuroses, afastando-se das idéias freudianas que tudo localizavam na infância. Ampliando os conceitos das neuroses chega a admitir uma espécie de amestralidade dos arquétipos neste contexto, coisa, aliás, que ficou muito a desejar. Tudo isso porque o método psicanalítico e os de psicanálise conduzem ao conhecimento das estruturas psíquicas, jamais a um vibrante método de analises do psiquismo como métodos de pesquisa antropológica. É bem verdade que diante de um melhor conhecimento poderemos ter melhores possibilidades de tratamento. A sondagem em uma boa trilha pode levar ao tratamento, mas ela, por si só, não é método terapêutico.

Se atentarmos para os arquétipos, a personalidade Maná, o relacionamento com as neuroses e tantas outras explosões do inconsciente na zona consciente, anotadas por Jung, quer as de caráter hígido e as conotações patológicas, chegamos à conclusão de quanto os conceitos da Doutrina Espírita asseguram melhor compreensão e avaliação da zona inconsciente que, em última análise, representa o espírito.

Os arquétipos junguianos, nas malhas estruturais do inconsciente coletivo, só podem mostrar, autêntico sentido, se dermos a eles a natural formação arquimilenar ao lado da constante construção maturativa nas experiências das etapas reencarnatórias. Quando Ramon Sarró conclama que o arquétipo não pode ser a decantação de vivências de nossos antepassados pré-históricos e que somente a imaginação poderá assim concebê-los, é por ter ficado num grande impasse ao perceber, no arquétipo, a história da humanidade. Podemos mesmo afirmar: os arquétipos são as construções adquiridas nas imensas etapas reencarnatórias, às expensas das diversas personalidades corpóreas que vamos desfilando pela vida afora.

Por tudo, achamos que Jung foi um dos grandes missionários da psicologia: muito fez e mostrou, tentou muitas vezes aproximar-se da metafísica, naquilo que a ciência do seu tempo podia suportar. Se hoje retomarmos à psicologia de Jung e conceituamos as zonas do psiquismo, colocando os arquétipos sob forma de núcleos em potenciação e os situando numa zona específica denominada de inconsciente passado, e admitindo a esses núcleos um constante burilamento e crescimento diante das experiências milenares das reencarnações, cremos que melhor atenderemos à psicologia. Diante da imortalidade do inconsciente ou zona espiritual e da comunicabilidade dos Espíritos em face dos fenômenos mediúnicos com suas múltiplas facetas, melhor entenderemos os complexos afetivos e a personalidade Maná tão bem equacionados por Jung. Com isso, poderemos ajudar a construção da psicologia com as exigências próprias de cada época, compreendendo os lidadores e construtores onde os lugares de Freud e Jung já estão reservados.

A Doutrina Espírita, perante as aquisições e pesquisas dos dias atuais, lastreada nas experiências de todas as épocas, possui condições de oferecer ao homem aturdido de nossos tempos um caminho bem autentico, sem afastá-lo de suas verdades científicas. A Doutrina Espírita se faz, por excelência, dinâmica, acompanhando o pensamento humano, dando-lhe, entretanto, lógica e fé raciocinada como elementos indispensáveis para o surgimento do homem novo. O homem novo, que nada mais seria do que a velha estrutura, mais bem burilada e temperada nos contratempos e gratificações psicológicas, em novos corpos, mais ágeis, exigindo, principalmente das estruturas espirituais, temas da evolução, o esclarecimento das estruturas espirituais.

Fonte: Enfoques científicos na Doutrina Espírita, Jorge Andréa.

04 - NÚCLEOS EM POTENCIAÇÃO

A alimentação dos espíritos

Há um consenso nas informações dos amigos espirituais no que tange a este assunto. Embora a essência espiritual não tenha forma, pois é o princípio inteligente, os espíritos de mediana evolução ou seja aqueles relacionados ao nosso planeta, possuem um corpo espiritual anatomicamente definido e com fisiologia própria.

Nos planos espirituais temos notícia por inúmeros médiuns confiáveis, como Chico Xavier, Divaldo Franco, entre outros, da organização de comunidades sociais que os espíritos constituem, às vezes assemelhadas às terrestres.

Ainda nos atendo ao critério kardecista de valorizarmos um conceito apenas quando houver multiplicidade de fontes sérias, confirmando-o, nos referiremos ao corpo espiritual e sua alimentação.

A energia cósmica que permeia o universo (fluido cósmico) é a matéria prima que sob o comando mental dos espíritos é utilizada para a constituição dos objetos por eles manuseados. Vide em “O Livro dos Médiuns” capítulo “do Laboratório do Mundo Invisível”.

O corpo dos espíritos, já mencionado até pelo apóstolo Paulo e conhecido nas diferentes religiões ou doutrinas, como perispírito, corpo astral, psicossoma e mais de cem sinônimos, é constituído de um tipo de matéria derivada da energia cósmica universal (fluido cósmico universal).

O corpo espiritual apresenta-se moldável conforme as emanações mentais do espírito. Cada espírito apresenta seu perispírito ou corpo espiritual com aspecto correspondente a elevação intelecto-moral. Seu estado psíquico vai determinar a sutilização do seu corpo.

Conforme se tem notícia através de inúmeros autores espirituais, o corpo espiritual apresenta-se estruturado por aparelhos ou sistemas que se constituem de órgãos; estes órgãos são formados por tecidos que, por sua vez, são constituídos por células. Há inclusive patologias celulares tratadas em hospitais da espiritualidade. O chamado mundo espiritual é (no nosso nível) um mundo material de outra dimensão.

As células do corpo espiritual, em nível mais detalhado, são formadas por moléculas que se constituem de átomos. Os átomos do perispírito são formados por elementos químicos nossos conhecidos, além de outros desconhecidos do homem encarnado.

Nas obras de Gustave Geley como de Jorge Andréa há referências mais específicas.

Para não alongarmos estas considerações preliminares, diríamos que o corpo dos espíritos é composto de unidades estruturais que apresentam vibração constante. Sabemos pelos mais elementares princípios da física, que todo corpo em movimento (vibração) no universo gasta energia, logo precisa repô-la o que equivale a se alimentar.

As leis da física não são leis humanas, mas leis divinas (ou naturais) às quais estão sujeitos todos os elementos do cosmo. Há portanto um desgaste energético natural do corpo espiritual pelas suas atividades o que o leva à necessidade de ser alimentado por fontes de energia.

Dependendo do nível evolutivo do espírito, e conseqüente densidade do perispírito, varia a qualidade do alimento ou energia que o mesmo necessita para manter suas atividades. Espíritos superiores simplesmente absorvem do cosmo os elementos energéticos (fluídicos) que necessitam. Ao se colocarem em oração (no sentido mais profundo), sintonizam com níveis energéticos ainda mais elevados (freqüências mais altas) aurindo para si o influxo magnético revitalizador, alimentando suas “baterias” espirituais.

Com relação aos espíritos mais relacionados com a nossa realidade, ou seja que ainda apresentam dificuldades em superar as tendências egoísticas, portanto traduzindo na configuração de seu corpo espiritual uma maior densidade, as necessidades são proporcionalmente mais densas.

Em colônias espirituais, os espíritos precisam da ingestão de alimentos energeticamente mais densos, fazendo-o de forma muito semelhante a nós encarnados. Recomendamos a propósito o estudo mais detalhado da obra “Nosso Lar” de André Luiz, que foi precursora de dezenas de outras onde se faz referência a alimentação, até as mais recentes “Violetas na Janela”, etc.
As unidades energéticas do espírito, ou núcleos em potenciação, com o passar do tempo vão tendo cada vez maior dificuldade de se recarregar quanto mais primitiva for a evolução da entidade espiritual. Ocorre um desgaste progressivo destas unidades energéticas, que passam a vibrar mais lentamente.

À medida que as vibrações se tornam mais lentas pelo desgaste, e há dificuldade de reposição das energias, vai se processando uma neutralização energética com redução progressiva das atividades do espírito. Quando este processo se instala vai determinar um torpor ou sonolência da entidade impelindo-a a reencarnação automática e compulsória.
Dr. Ricardo Di Bernardi -