O CUMPRIMENTO DA LEI
BIBLIOGRAFIA
01- O SEGREDO DAS BEM AVENTURANÇAS, pag 1 02 -

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O CUMPRIMENTO DA LEI – COMPILAÇÃO

01 - O CUMPRIMENTO DA LEI

Cumprimento da Lei

Não vim destruir a lei, mas dar-lhe cumprimento.”

Companheiro inúmeros, em rememorando semelhantes palavras do Cristo, decerto, guardarão a idéia fixada simplesmente na confirmação doutrinal do Mestre Divino ante o ensinamento de Moisés.

A lição todavia, é mais profunda.

Sem dúvida, para consolidar a excelência da lei mosaica do ponto de vista da opinião, Jesus poderia invocar a ciência e a filosofia, a religião e a história, a política e a ética social, mobilizando a cultura de seu tempo para grafar novos tratados de revelação superior, empunhando o buril da razão ou o azorrangue da crítica para chamar os contemporâneos ao cumprimento dos próprios deveres, mas compreendendo que o amor rege a justiça na Criação Universal, preferiu testemunhar a lei vigente, plasmando-lhe a grandeza e exatidão no próprio ser, através da ação renovadora com que marcou rota, na expansão da própria luz.

É por isso que, da Manjedoura simples à Cruz morte, vendo-o serviço infatigável do bem, empregando a compaixão genuína por ingrediente inalienável da própria mensagem transformadora, fosse subtraindo a Madalena à fúria dos preconceitos de sua época para soerguê-la à dignidade feminina, ou desculpando Simão Pedro, o amigo timorato que abdicava última hora, fosse esquecendo o gesto impensado de Judas, o discípulo enganado, ou buscando Saulo de Tarso, o, adverssário confesso, para induz-lhe a sinceridade a mais amplo e seguro aproveitamento da vida.

E é ainda aí, fundamentado nesse programa de ação-predicação, com o serviço ao próximo valorizando-lhe o verbo revelador que a Doutrina Espírita, sem molhar palavras no fel do pessimismo ou da rebeldia satisfará correntemente aos princípios estabelecidos, dando de si sem cogitar do próprio interesse, transformando a caridade em mera obrigação para que a justiça não se faça arrogância entre os homens, e elegendo no sacrifício individual pelo bem comum a norma de felicidade legítima para solucionar na melhoria de cada um de nós, o problema de regeneração da humanidade inteira.

Autor: Emmanuel
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

02 - O CUMPRIMENTO DA LEI

Transição e regeneração: o cumprimento da lei do progresso

Todo período de transição possui uma característica marcante: a coexistência de elementos representativos do período atual em que se encontra com elementos que marcam o novo período em que se adentrará. A passagem da Terra, de um mundo de provas e expiações para um mundo de regeneração, é o cumprimento de uma das leis da natureza, a lei do progresso, que postula que tudo se transforma incessantemente, sempre com o objetivo do melhoramento lento e gradual com destino à perfeição. Assim sendo, constatamos sinais inequívocos do mundo de regeneração que se anuncia e ao mesmo tempo convivemos com as velhas estruturas materialistas.

Dentre as evidências que nos permitem falar num ensaio para um mundo regenerado, vemos uma enorme busca por espiritualidade, que se verifica ao longo de toda a pirâmide social. Os mais abastados em termos materiais sentem um vazio existencial causado pela futilidade e pela descartabilidade da sociedade capitalista materialista. Aqueles que se encontram em condição de penúria e miséria se questionam o porquê de tanto sofrimento, buscando respostas existenciais que transcendem nossa precária condição humana. E é somente pelas vias da espiritualidade e da conquista do bem-estar íntimo que será possível o equacionamento desses problemas que afligem o ser humano na atualidade.

Além da questão do desabrochar da espiritualidade, percebemos outros indícios da transição que vivemos, a exemplo do surgimento das instituições protetoras, como as grandes organizações defensoras dos direitos humanos e dos direitos das minorias historicamente excluídas; a repulsa instintiva contra idéias perversas; a diminuição das barreiras com o incrível aumento da comunicação entre os povos, proporcionado pela fantástica Revolução da Informação em escala global; idéias grandes e generosas que dão suporte às reformas úteis que deverão ser levadas a cabo para reestruturar as instituições humanas falidas.

Todos os movimentos progressistas da História, no entanto, sempre encontraram forte oposição naqueles que persistem na defesa das idéias retrógradas interessadas na manutenção do status quo atual das sociedades humanas. Por isso, o choque de pensamento que se trava no contexto da coexistência de elementos novos e reformistas será a grande marca dos tempos que se aproximam. As mudanças que virão sepultar o velho estado de coisas da Terra não serão puramente materiais, mas se processarão, sobretudo no campo das idéias.

Nesse sentido, a mola propulsora da transformação para a regeneração será a aliança da ciência com a religião, que ocorrerá quando a religião, adotando a racionalidade das crenças no lugar do fanatismo cego e da intolerância, verá nascer um renovado tipo de fé religiosa, indestrutível, porque terá origem na fé raciocinada e será revestida com as luzes da razão, rejeitando definitivamente os dogmas aprisionadores do espírito humano.

Quanto à ciência, passará a reconhecer a ligação fundamental das leis do mundo material com as leis do mundo espiritual, abandonando definitivamente o paradigma materialista que sustentou o pensamento científico por séculos, e promovendo a integração dos conceitos religiosos com os fundamentos científicos. Portanto, cairão os dogmas, o materialismo e a incredulidade, pois haverá o suporte sólido da razão a guiar a ação e a fé humanas, como magistralmente sintetizou Allan Kardec: “Fé inabalável só o é aquela que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade”.

Enfim, a Terra verá surgir uma nova era de progresso moral quando livrar-se terminantemente do ranço materialista e quando a lei do mais forte for substituída pela fraternidade universal, dando lugar a sociedades humanas regidas por uma ordem social harmônica e justa, pautadas pela cooperação entre os homens e pela prática integral e irrestrita da Caridade na sua mais pura expressão cristã.

Leonardo Queiroz Leite

02 - O CUMPRIMENTO DA LEI

Os Codificadores
Antonio Paiva Rodrigues

“Quando vier o Espírito da Verdade, que procede do Pai, dará testemunho de mim, e vós também dareis porque estais comigo desde o começo”.

(João XV, 26-27.).

Assim como não existem duas “leis” em vigor uma, em oposição à outra, também não podem existir dois “testamentos” em validade, ambos contradizendo-se, defraudando-se, aniquilando-se.

Existe a lei, existem os profetas; existiram os profetas e existiram a lei e os profetas. Jesus não veio revogar a lei e os profetas, mas cumprir; lembrar o cumprimento da lei, trabalhar pelo cumprimento da lei, ensinar o cumprimento da lei, impor o cumprimento da lei. Jesus é a luz do mundo: essa luz ilumina a lei, distingue-a do que não é lei, orientando todas as almas de um modo racional, inteligível, para cumprirem a lei, obedecerem à lei, praticarem as ordenações da lei. Jesus é o caminho, a verdade e a vida: sendo sua principal missão cumprir a lei, a lei deve, forçosamente, limitar-se, circunscrever-se ao caminho que ele personificou, à verdade de que ele foi o paradigma, a vida de que deu o mais vivo exemplo.

A lei foi dada por intermédio de Moisés, mas a graça e a verdade da compreensão da lei foi dada por Jesus Cristo; ele é a luz e a verdade. A lei não é de Moisés: se fosse, passaria com Moisés, como a lei de Moisés do dente por dente, olho por olho passou, para não mais voltar; não só desapareceram dela o i e o til, como também todo valor, toda potência, todos os caracteres.

Todo o mundo admira a moral evangélica; todos proclamam a sua sublimidade e a sua necessidade; mas muitos o fazem confiando naquilo que ouviram, ou apoiados em algumas máximas que se tornaram proverbiais, pois poucos a conhecem a fundo, e menos ainda a compreendem e sabem tirar-lhe as conseqüências. A razão disso está, em grande parte, nas dificuldades apresentadas pela leitura dos Evangelhos, ininteligível para a maioria. A forma alegórica, o misticismo intencional da linguagem, faz que a maioria o leia por desencargo de consciência e por obrigação, como lê as preces sem as compreender, o que vale dizer sem proveito.

Os preceitos de moral espalhado no texto, misturado com as narrativas, passam desapercebidos. Torna-se impossível aprender o conjunto e fazê-lo objeto de leitura e meditação separadas.

Diante de belos ensinamentos de nosso Mestre Jesus Cristo, tentaremos agora, na nossa simplicidade e talvez ignorância, falar alguns fatos relacionados, com os Codificadores da Doutrina Espírita surgida em 18 de abril de 1857 com o lançamento do Livro dos Espíritos, por Allan Kardec. Ao publicar “O Livro dos espíritos”, Allan Kardec estava com 53 anos de idade, pois nasceu em Lyon, na França, às 19 horas do dia 03 de outubro de 1804.

Seu pai, Jean-Baptista Rivail, que era juiz, e sua mãe Jeanne-Louise Duhamel, prendada senhora lionesa, o educaram dentro das melhores possibilidades da época. Aos dez anos, já era aluno do Instituto de Yverdon, famoso educandário da Suíça, onde foi discípulo do extraordinário pedagogo Johannes Heinrich Pestalozzi, considerado por muitos como o “educador da humanidade”. Esta experiência pedagógica foi de alta valia para a elaboração dos livros da Codificação. Casou-se com Amélie –Gabriel Boudet, parisiense, professora de Letras e Belas Artes, a quem o Espiritismo muito deve, pois colaborou com Kardec e o apoiou em sua bela missão. Nela se aplicaria o jargão popular de que: “Atrás de um grande homem sempre existe uma grande mulher”. Em 08 de maio de 1852, publicou-se, em Nova York, o primeiro periódico espírita: o “Spiritual Telegraph”. Em 1853, já existiam nos Estados Unidos centenas de publicações de diferentes orientações, algumas com edições de mais de dez mil exemplares. Foi também em Nova York que se constituiu a primeira sociedade espírita, em 10 de junho de 1854, da qual faziam parte, entre outros personagens, o juiz da Suprema Corte daquele estado, John W. Edmonds, e o Governador Tallmadge, de Wisconsin. Essa sociedade foi a responsável pela edição do jornal “The Cristian Spiritualist”.

Falar de Fénelon, Erasto, Santo Agostinho, São Luiz, Lacordaire, François-Nicolas-Madalaine, Sansão, Delphine de Giardin, François de Genêve, Um anjo da Guarda, Bernadim, Espírito da Verdade, Adolfo-Bispo de Alger, Ferdinando-Bourdeaux, João Evangelista, Um Espírito Protetor, Vianey (Cura D’Ars), Lázaro, Um Espírito Amigo, Hahnemann, Simeon, Paulo, João (Bispo de Bordeaux), José-Espírito Protetor (Indulgência), Dufétre - Bispo de Ners, Emmanuel, Pascal, Espírito Protetor, Elisabeth de Françe, Lamennais, Jules de Oliveira, Adolfo-bispo de Alger, Francisco Xavier -Bordeaux, Irmã Rosália, São Vicente de Paula, Cáritas, Michel (A piedade), Guia Protetor, M. Espírito Protetor, Cheverus, Georges, Simeão, Constantino, Henré Heine, Luis, V. Monod, Sócrates, Platão, Franklin, Emmanuel Suwenderborg, Zéfiro entre outros.

Como podemos notar pela descrição alguns espíritos fizeram questão de se identificar, outros não. Não poderemos jamais esquecer a figura de Jackie Andrews Davis, grande médium americano, que quatro anos antes de Kardec lançar a primeira obra da Codificação, ele prediz dizendo: Isto em 1854, que quatro anos depois surgiria no mundo uma doutrina que iria revolucionar, e esta doutrina receberia o nome de “Espiritismo”. Kardec ou Hippolyte-Leon Denizard Rivail lançou o Livro dos espíritos em 18 de abril de 1857, o Livro dos Médiuns em 15 de janeiro de 1861, O Evangelho Segundo o Espiritismo, em 29 de abril de 1864, O Céu e o Inferno, em primeiro de agosto de 1865, Gênesis em seis de janeiro de 1868.

A Revista Espírita em primeiro de janeiro de 1858, Obras Póstumas lançada depois de seu desencarne, em 1890. Rivail, aconselhado por um amigo espiritual, usou o pseudônimo de Allan Kardec, seu nome de encarnação vivida na Gália, onde foi um sacerdote Druida, para publicar esse livro e o adotou em suas obras espirituais.

Kardec trabalhou na Codificação e na implantação do Espiritismo desde maio de 1855, quando viu pela primeira vez a realização de fenômenos extraordinários, até sua desencarnação, no dia 31 de março de 1869, aos 65 anos, em conseqüência de um aneurisma cerebral. Seu sepultamento, realizado no dia dois de abril, no Cemitério Montmarte, o mais antigo de Paris, acompanhado por mais de duas mil pessoas.

Seus restos mortais foram transferidos para o Cemitério de Père Lachaise, onde repousam até hoje, num túmulo em forma de dólmem, três pedras perpendiculares sobre a qual repousa uma quarta, de seis toneladas, que serve de teto, onde, no bordo frontal está gravada a frase: “Nascer, Morrer, Renascer Ainda e Progredir Sempre-Tal é a Lei”, que retrata muito bem, a síntese da filosofia da encarnação. Os franceses enveredaram pelo chamado Espiritismo Científico; abandonaram, negaram os aspectos filosóficos e religiosos da Doutrina e distanciou-se dos caminhos propostos pelos espíritos na Codificação. Outro fato que merece destaque: O Livro dos espíritos em seu lançamento continha apenas 501 questionamentos e respostas, a 30 de março de 1860 ele ficou pronto com 1.018 perguntas e respostas; quando da sua tradução para o português com aquele jeitinho brasileiro, aumentaram para 1.019 questões. Será que Kardec onde estava ou está concordou com esta alteração? Quem teria sido o autor intelectual dessa façanha, em livro ditados por espíritos Superiores e que é à base da sustentação de uma doutrina, não deve ser alterado de forma alguma. Na minha opinião achei esta atitude de um mau gosto sem precedentes.

03 - O CUMPRIMENTO DA LEI

Artigos Espíritas

Extraído da obra
Miguel Vives y Vives - O Tesouro dos Espíritas

1ª Parte

Miguel Vives y Vives
II
O espírita perante o Evangelho

Para alcançar o grau de moralidade de que necessita, a fim de bem cumprir a sua missão, ter paz na Terra e conseguir alguma felicidade no espaço, o espírita deve cumprir a lei divina. E onde está essa lei? No Evangelho do Senhor. Portanto, o espírita deve saber de memória a sua parte moral, tanto quanto possível, pois como aplicará a lei, se não a souber? Como usá-la, se não a recorda?
O espírita deve gravar na sua alma a grande figura do Senhor. Deve ter-lhe respeito e gratidão. E não deve esquecer-se de que somente por Ele se vai ao Pai. Assim, para o espírita, o Evangelho não pode ser letra morta, mas a lei moral vigente em todos os tempos, em todas as idades. Porque a lei proclamada pelo grande Mestre não sofrerá modificações em sua parte moral. E do seu cumprimento depende o nosso progresso espiritual, a nossa paz e a nossa felicidade na Terra e no espaço.

Temos o costume, bastante generalizado, de relegar ao esquecimento o que mais nos interessa. O mundo quase sabe de memória as palavras do Senhor, mas constantemente as olvida. Sabe-se que o Senhor disse que devemos amar-nos como irmãos. O homem menos instruído sabe que o Senhor acrescentou que devemos amar os nossos inimigos, bendizer os que nos maldizem, orar pelos que nos perseguem e caluniam, pagar o mal com o bem. A Humanidade, que sabe todas essas coisas, por acaso as tem cumprido? Não. E qual tem sido a conseqüência dessa falta de cumprimento? As guerras, as discórdias, as infâmias, e tantos outros males que seria difícil enumerar.

Explica-se que os homens tenham esquecido esses mandamentos pela ignorância da vida no Além, por seu atraso. Mas, e os espíritas? Temos nós cumprido esses mandamento? Não. Se contamos algumas exceções, no geral estes ensinos têm sido letra morta. Será, por acaso, que não sabemos o que nos espera e a responsabilidade que temos no cumprimento desses mandamentos? Vem o Espiritismo derrogar ou cumprir a lei do Senhor? Não vem derrogá-la, mas cumpri-la. Então, por que nós, os espíritas, vivemos tão fora dos ensinos do Senhor e Mestre?

Que o “amarás a teu inimigo, pagarás o mal com o bem, orarás pelos que te perseguem e caluniam” não são práticas muito arraigadas entre os espíritas, está evidente a plena luz. Consulte cada espírita a sua conduta na vida pública e privada, e logo verá quantas vezes deixou de cumprir esses ensinos. Consulte a própria consciência, e veja o que se passou na vida familiar, nas suas relações sociais, ou dentro dos Centros Espíritas, e verá que mesmo excluindo os demais, se houvesse pessoalmente cumprido esses preceitos, talvez houvesse evitado desgostos, rixas, dissensões e muitas outras coisas, em todos esses lugares.

Tudo isso, muitas vezes, sem má-fé, mas apenas por falta de estar apercebido. Assim, uma falta produziu outra e o resultado foi a queda. Como assinalei anteriormente, é necessário estarmos apercebidos, termos a lei divina sempre presente, em todas as circunstâncias de nossa existência planetária.

É verdade que haverá muitas exceções entre os espíritas, que não terão do que se acusar. Muitos mais haverá, porém, que estão incluídos no que acabo de dizer. É quase perdoável que a Humanidade tenha deixado de cumprir o que o Senhor manda no seu Evangelho, apesar de que o nosso juízo a respeito não a exime da responsabilidade que contraiu. Porém, que entre os espíritas, em sua maioria, haja tão pouca atenção para o cumprimento da lei divina, proclamada pelo Senhor, é uma falta grave, que, se não procurarmos remediar, acarretará ao nosso meio muitas perturbações e será causa de novas expiações.

Não pode ser em vão que o Pai nos enviou o maior Espírito que já veio à Terra. Nem em vão que esse elevadíssimo Espírito foi ultrajado, depois de haver provado sua grande missão através de seus feitos e de sua doutrina. Não pode ser um vão que Allan Kardec e os Espíritos de Luz no-lo apontaram como o nosso modelo. Ele é o caminho, a verdade e a vida. Fora dos seus ensinamentos não há salvação possível. Por isso, compreendendo a importância do Evangelho, Allan Kardec esclareceu algumas parábolas e conceitos, para que estivessem ao alcance de todas as inteligências, participando desses esclarecimentos, de maneira muito direta, elevados Espíritos, que ditaram comunicações de ordem moral, tocando-nos a alma. Dessa maneira, se nós, espíritas, fizermos omissão, daí resultando uma falha de perfeição moral em nosso meio, não podemos culpar a ninguém, senão à nossa própria indolência, à nossa ingratidão.

Há também a falta de reconhecimento de um fato culminante, como a vinda do Senhor à Terra, e de reconhecimento da sua lei, da sua abnegação, do seu sacrifício e do seu amor para com todos os seus irmãos. Se a nossa indiferença é tanta, que apenas lembramos a lei proclamada e selada com sangue no Calvário, o que esperamos alcançar? Que fará o espírita que se esquece da lei? Em que fonte beberá? Onde encontrará o consolo de que necessita, para suportar os embates da vida? A quem apelará, quando estiver no mais rijo das provas? Quem lhe servirá de modelo? Está provado, até à evidência, que, se o Senhor veio à Terra, foi para servir-nos de guia. E quem o seguir não se perderá no caminho da existência terrena. Porque Ele é o caminho, a verdade e a vida.

Por isso, todo espírita há de ser admirador do Mestre; deve estudar as suas palavras, a sua moral, a sua lei, os seus sacrifícios, a sua abnegação, o seu amor, a sua prudência e, sobretudo, a sua elevadíssima missão, já que esta contém dois pontos essenciais, que são de importância capital para o curso de nossa existência terrena.

Afirmei que era necessário conhecer a lei divina para cumpri-la. Isto é a primeira coisa que o espírita deve fixar em sua mente, para seguir o caminho de justiça e de amor. Mas há, na missão do Senhor, outro objetivo de capital interesse para o bem do nosso espírito, que é o consolo, a resignação e a paciência que o seu sacrifício nos pode inspirar.

Todos estamos na Terra para ser provados, e muitos em expiação. Passam-se às vezes anos em que a prova não é dura, nem a expiação é forte. Mas, quando a prova é daquelas que esmagam o espírito e a expiação é tão dolorosa que mal a suportamos, então é de grande utilidade recordar, não só os mandamentos, mas também o sofrimento e a resignação do Senhor. Devemos lembrá-lo, então, perante o tribunal dos escribas e fariseus; quando estava na prisão; quando o coroavam de espinhos; quando o ataram à coluna e o flagelavam; quando levava a cruz às costas; quando se viu desnudo e só no Calvário; quando o estenderam na cruz e lhe cravaram os pés e as mãos; quando foi erguido no madeiro, desfigurado, ensangüentado, e em meio de tanta aflição deu mostras de resignação e calma superiores, e ainda de que amava e perdoava, como se tivesse sido tratado com a maior consideração e respeito.

A recordação desses grandes feitos nos induzirá à resignação, a sofrer as grandes dores sem nos queixarmos, a suportar as grandes provas com ânimo sereno. Isto fará que procedamos como espíritas. E não somente podemos tirar proveito dessas lembranças, mas ainda, se unirmos à recordação o amor ao Senhor, a admiração e a súplica, identificando-nos com Ele, poderemos receber grande proteção do Alto, e às vezes a sua própria influência. Por que não? Não ouviu Ele a mulher pecadora? Não curou os cegos, os mudos e os leprosos? Não há exemplos de que, nos séculos já passados, muitos foram amparados diretamente por Ele?

Os apóstolos e os mártires do cristianismo foram protegidos por Ele: Teresa de Ávila, Juan de La Cruz, Pedro Alcântara e muitos outros tiveram a incomparável sorte de falar com Ele, de vê-lo, de receber suas instruções e consolos. E pensais, porventura, que esse elevadíssimo Espírito nos abandonou e está hoje indiferente às nossas súplicas e às nossas lágrimas? Acreditais que Ele, na sua glória, trata apenas de passar o tempo gozando da bem-aventurança, sem praticar a sacrossanta caridade, que tanto praticou enquanto estava aqui? Acreditais que Ele só se interessa por viver entre Espíritos de grande luz, deixando abandonados a nós que o amamos, que pensamos e confiamos nele? Não acreditais nisso, irmãos! Ele não abandonará os seres que vivem na Terra e que o tomam por exemplo. Não abandonará os que nele confiam como não abandonará os cristãos sinceros de todas as épocas.

Dirão alguns, consigo mesmos, que na Terra não há ninguém digno de tanta proteção. E por que não? Quem deixaria de visitar um criminoso arrependido, que suplicasse proteção, pedisse um conselho, uma palavra de amor, um olhar de carinho? Quem deixaria de atender as súplicas de um enfermo, de um inválido, de uma criança perdida num despovoado? Quem negaria a mão ao que cai, ao desfalecido, ao moribundo? Quem negaria um pedaço de pão ao que morre de fome, ou um copo d’água ao que morre de sede, ou não arrombaria uma janela para propiciar ar ao que morre asfixiado? Pois se nós, sendo maus, não sabemos nem podemos negar a proteção em todos esses casos, como quereis que o Mestre de bondade, o Grande, que tudo fez por amor e abnegação, o que disse: “deixai vir a mim os pequeninos, porque deles é o Reino dos Céus”, o que deu saúde aos enfermos, paz aos corações aflitos, o que tanto sofreu para dar-nos exemplo, como quereis que Ele não ouça as nossas súplicas? Como poderá Ele deixar de atendê-las, quando partem de almas arrependidas, que clamam por misericórdia e proteção, se Ele é amor, se é a caridade mais pura que já existiu em nosso planeta?

O que somo nós, senão criminosos arrependidos, mulheres extraviadas que voltam ao redil, enfermos de corpo e espírito, crianças desamparadas no deserto da vida, que clamamos: “Senhor, Senhor, apiedai-vos de nós, que sucumbimos!” Ah, meus irmãos, não duvideis! O Senhor ama a Humanidade terrena. Ele a quer, trabalha com fervor pelo seu progresso e protege aos que o invocam com sinceridade. Temos exemplos do que afirmamos, e todo aquele que siga as pegadas do Senhor, amando-o e cumprindo as suas leis, poderá tê-los.
Por isso entendemos que o espírita há de amar o Senhor; deve admirá-lo e segui-lo até aonde lhe for possível, em suas leis e em seus exemplos; pois assim evitará quedas que poderão ser muito graves, e que lhe podem acarretar a tribulação nesta vida e o sofrimento no espaço. Fim

04 - O CUMPRIMENTO DA LEI

COMENTÁRIO: NÃO VIM DESTRUIR A LEI

A Doutrina Espírita por ocasião do lançamento do Evangelho Segundo o Espiritismo, estava em seu terceiro livro da Codificação, conjunto de obras que se compõe de cinco livros lapidares básicos e estruturais desta. Antes do Evangelho, os dois livros foram : O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns. O primeiro trazendo toda a Filosofia Espírita, o segundo codificando o intercâmbio mediúnico e toda a teoria da prática da comunicação com o mundo espiritual.

Precisamos prestar muita atenção ao estudarmos este primeiro capítulo do Evangelho, onde poderemos ter uma idéia muito profunda da perspicácia de Allan Kardec, e da extrema lição que Jesus nos legou dizendo que viera dar cumprimento à Lei e aos profetas. Reflitamos juntos então o texto. Inicialmente como nos dando um roteiro de vida, cita com muita profundidade as três revelações quais sejam: Moisés, Jesus e a Doutrina Espírita como o Consolador prometido. Moisés traz-nos a lembrança dos 10 Mandamentos e de um Deus duro, que era necessário para a personalidade da época.

Cristo traz-nos a sua sabedoria intensa quando diz que veio cumprir a Lei e os Profetas, fazendo na verdade todo um desenvolvimento e um novo direcionamento, endereçando a humanidade ao amor fraternal, esta que estava assustada pelos desmandos de uma política autoritária e violenta da época. Além da decadência moral dos impérios e da sociedade em geral. Em decorrência dos ensinamentos de Jesus e em Seu próprio dizer, vem o Espiritismo, o Paracleto, o Consolador prometido, o Espírito de Verdade que ficará entre nós por toda a eternidade. Se as duas Revelações anteriores julgou Deus enviá-la por intermédio de duas personalidades marcantes da História, esta terceira confiou inteiramente aos Espíritos e nos homens para que pudessem por si só como a emancipá-los progredirem em comum numa interação Espírito-Matéria.

Concluí ainda demonstrando de maneira lúcida e cristalina que a Ciência e a Religião devem andar juntas e serem coerentes para que se possa saber a verdade e não acreditar dogmaticamente por indução de uma personalidade muitas vezes fanática. Nem a Ciência nem a Religião podem andar separadas mas sim cada uma dar de si em favor da razão e da lógica. E temos visto até o momento, o Espiritismo e a Ciência andarem lado a lado um afirmando o outro. Isto porque se os homens nos desvendam a Natureza, e se acham doutos, vem a espiritualidade por todos os pontos da Terra demonstrar a real verdade, mostrando lhes que tudo está na natureza e com esforço próprio só fazem revelar o que a natureza contém.

Porque dissemos que Allan Kardec fora perspicaz e muito feliz na colocação deste capítulo como o início da obra? Basta ver o dizer de Jesus : Não vim destruir a Lei mas dar-lhe cumprimento. O que nos orienta que se queremos merecer a melhora e aprimorar nosso entendimento, necessário se faz melhorarmo-nos e aos nossos antes e cumprir humildemente o que nos é dado realizar seja
pelas convenções sociais, seja pelo Evangelho.

Para construirmos um prédio novo no local do antigo não é preciso desprezar-lhe a estrutura básica sendo de boa qualidade, mas acrescentar-lhe a melhora. Não precisamos destruir o homem para educá-lo, só acrescentar o que lhe faz falta. E este aspecto, colocado como primeiro capítulo deste guia de condução moral e intelectual, como a dizer-nos que o Espiritismo veio dar cumprimento à Lei e às crenças demonstrando tudo de maneira simples e profunda com o objetivo de mostrar-nos a vida no porvir. Consolando-nos , dando novas esperanças e alegrias a todos os que se propuserem a seguir o exemplo de Jesus.

2- MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO

Pilatos, tendo entrado de novo no palácio e feito vir Jesus à sua presença, perguntou-lhe: És o rei dos judeus? - Respondeu-lhe Jesus: Meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste
mundo, a minha gente houvera combatido para impedir que eu caísse nas mãos dos judeus; mas, o meu reino ainda não é aqui. Disse-lhe então Pilatos: És rei? - Jesus lhe respondeu: Tu o dizes;
sou rei; não nasci e não vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade. Aquele que pertence á verdade escuta a minha voz. (S. JOÃO, cap. XVIII, vv. 33, 36 e 37.)

A vida futura

Por tais palavras, Jesus claramente se refere à vida futura, que ele apresenta, em todas as circunstâncias, como o fim a que se destina a Humanidade e como devendo ser o objeto das principais preocupações do homem na Terra. Todos os seus ensinamentos se referem a esse grande princípio.
* * *
Esse dogma pode ser considerado como o ponto principal do ensinamento do Cristo. É ele que deve ser o objetivo de todos os homens; só ele justifica as anormalidades da vida terrena e se harmoniza com a justiça de Deus.
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Jesus ajustando seu ensino com o estado dos homens de sua época, não julgou conveniente dar-lhes luz completa, percebendo que eles ficariam deslumbrados, visto que não a compreenderiam. Limitou-se a apresentar a vida futura apenas como um princípio, uma lei da Natureza de cuja ação ninguém pode fugir.
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Todo cristão necessariamente crê na vida futura; mas, a idéia que muitos fazem dela é ainda vaga, incompleta e, por isso mesmo, falsa em muitos pontos. Para grande número de pessoas, é apenas uma crença, sem nenhuma certeza absoluta, e daí as dúvidas e até mesmo a incredulidade.
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Com o Espiritismo, a vida futura deixa de ser simples artigo de fé, mera hipótese; torna-se uma realidade material, que os fatos demonstram, porque são testemunhas oculares os que a descrevem nas suas fases todas e em todos as seus detalhes, e de tal modo que, além de impossibilitarem qualquer dúvida a esse propósito, facultam à mais simples inteligência a possibilidade de imaginá-la sob seu verdadeiro aspecto.
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O ponto de vista
A idéia clara e precisa que se faça da vida futura proporciona inabalável fé no futuro, fé que acarreta enormes conseqüências sobre a moralização dos homens, porque muda completamente o ponto de vistasob o qual encaram a vida terrena.
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05 - O CUMPRIMENTO DA LEI

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAPÍTULO I - NÃO VIM DESTRUIR A LEI

1 – Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim para destruí-los, mas para dar-lhes cumprimento. Porque em verdade vos digo que o céu e a terra não passarão, até que não se cumpra tudo quanto está na lei, até o último jota e o último ponto.
( Mateus, V: 17-18).

O título do capítulo indica o seu objetivo, ou seja compreender que os ensinos de Jesus não contrariam as leis naturais ou divinas, embora contrariem as leis dos homens.
Para isso, Kardec decidiu estabelecer raciocínios em torno das três revelações: Moisés, Cristo e o Espiritismo.

Lembremo-nos que a palavra revelação significa " ato ou efeito de revelar, ou de revelar-se. Manifestação, prova, testemunho..." Revelar quer dizer " tirar o véu a; descobrir, declarar, fazer conhecer, divulgar.

Kardec considerou como revelações divinas e maiores na história da humanidade terrena os ensinos de Moisés, de Jesus e do Espiritismo.

Inicia seu estudo por Moisés, a primeira grande revelação, visto que sempre, em todas as épocas e em todos os lugares, em todos os povos há revelações divinas através de Homens que se manifestam à frente do seu tempo, em conhecimentos e vivências.

Iniciando pois, os raciocínios em torno de Moisés, ele esclarece a existência de duas partes bem distintas nas suas leis: a lei de Deus, recebida no monte Sinai e a lei civil ou disciplinar, estabelecida por Moisés, portanto, lei humana, necessária à aquele povo, à aquela situação, à aquela época.

A primeira é para todos os tempos, para toda a humanidade da Terra, mudando-se apenas a sua aplicação e vivência na medida da evolução da inteligência, da sensibilidade e da moral dos homens.

A segunda é sempre variável, transformando-se, conforme mudam-se os costumes e hábitos dos homens que compõem essa comunidade, esse povo para o qual essas leis foram feitas. Assim, toda mudança realizada pela maioria dos homens de uma nação, transforma-se em lei civil, como mostra claramente a história de cada nação.

A lei de Deus está demonstrada nos Dez Mandamentos:

Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás deuses estrangeiros diante de mim. Não farás para ti imagens de escultura, nem figura alguma de tudo o que há em cima do céu, e do que há embaixo na terra, nem de coisa que haja nas águas, debaixo da terra. Não adorarás, nem lhes darás culto.

Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.

Lembra-te de santificar o dia de Sábado

Honrarás a teu pai e a tua mãe, para teres uma dilatada vida sobre a terra que o Senhor teu Deus te há de dar.

Não matarás.

Não cometerás adultério.

Não furtarás.

Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

Não desejarás a mulher do próximo. Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem outra coisa alguma que lhe pertença.

Estes mandamentos constituíram-se na base da justiça da legislação humana, na base do amor que viria mais tarde, caracterizando a revelação de Jesus.
A primeira revelação buscou auxiliar os homens no desenvolvimento da justiça no relacionamento entre os mesmos.

Todas as outras leis, que fazem parte de lei mosaica, foram feitas por Moisés para um povo atrasado, indisciplinado, subordinado durante muito tempo à leis estranhas a sua cultura, com anseios de liberdade, mas também acomodados aos costumes do povo que o subjugava. Se ainda hoje, a maior parte da humanidade procura satisfações imediatas, com dificuldades de trabalhar por resultados a médio e longo prazo, com todo o progresso científico, tecnológico, e também o da moral ( embora bem menor) realizado pela inteligência do homem, imaginemos as dificuldades encontradas por Moisés na condução daquele povo, durante quarenta anos , para chegar à terra prometida !

Precisou então, impôr leis rigorosas e severas para atingir o objetivo que era de todos, mas nem todos estavam preparados para as dificuldades e sacrifícios necessários. Deu a essas leis a autoridade divina para que pudessem aceitá-las. E deu a Deus características de severidade e de rigor terríveis ( Talvez Deus fosse assim também percebido por ele, como saber ? ).
Somente a idéia de um Deus, Senhor dos Exércitos, que castiga seus inimigos e premia seus amigos, severo, terrível na sua vingança, na sua cólera, poderia, pelo temor, conservar a união entre eles em torno do objetivo de chegar à terra prometida, mantendo a sua crença em um Deus único.

As leis de Moisés eram leis humanas adequadas à um povo, naquela época e, portanto, tinham o caráter provisório como toda lei humana.

Mais de mil anos depois, vem Jesus, dizendo que não veio destruir a lei ou os profetas, veio dar- lhes cumprimento.

No capítulo XI deste livro, Kardec transcreve um texto de Mateus, XXII:34-40, no qual Jesus responde aos fariseus que o maior mandamento da lei é " Amarás ao Senhor teu Deus de todo o coração, e de toda a tua alma , e de todo o teu entendimento." "E o segundo, semelhante a este é : Amarás ao teu próximo como a ti mesmo." E acrescenta "Estes dois mandamentos contêm toda a lei e os profetas."

Alterou Jesus os dez mandamentos recebidos por Moisés? Não. Se bem observarmos, os dois primeiros referem-se a Deus, ao relacionamento entre os homens e Deus, aos seus deveres para com Ele; os outros referem-se ao próximo, ou seja ao relacionamento dos homens entre si, estabelecendo os deveres de cada um para com o outro.

Jesus portanto, esclareceu que para o cumprimento verdadeiro desses mandamentos, em toda a sua extensão e profundidade, é necessário amar ao próximo.

Jesus veio para dar cumprimento ao amor e à justiça divina, que não abandona seus filhos, mas os auxilia no seu desenvolvimento intelectual e moral, enviando Espíritos Maiores a fim de despertar a humanidade rebelde que, ainda hoje. tem dificuldade em apreender as leis de Deus. Jesus foi o maior de todos !

Jesus alterou sim (e muito!) as leis civis de Moisés, porque já era hora de iniciar-se na Terra a Era do Espírito, onde os valores espirituais sejam discutidos, analisados, aprendidos e vivenciados. Só então, o mal desaparecerá da Terra e o Bem prevalecerá para sempre.

A grandeza da missão de Jesus é demonstrada nos seus ensinos, na sua vivência de plenitude do amor e da sabedoria, dando aos mandamentos recebidos por Moisés, a amplitude de entendimento não só da justiça, característica da primeira revelação, como do amor, característica da segunda.

Na frase: " O céu e a terra não passarão, até que não se cumpra tudo quanto está na lei, até o último jota e o último ponto.", fica bem expressa a idéia da necessidade do cumprimento da lei divina na Terra em toda a sua pureza e em toda a sua sabedoria. A lei do progresso é inexorável e força tudo e todos ao desenvolvimento do seu potencial.

Assim interpretada, essa vivência de todos nessa lei iguala toda a humanidade no mesmo destino : Deus é Pai de todos, contrariando a idéia de povo eleito acima de outros.

Os ensinos de Jesus são pois, para todos os homens, para todos os tempos, sendo seu entendimento ampliado com o desenvolvimento intelectual e moral dos homens.
Jesus veio ensinar a lei do amor e o caminho a ser trilhado no desenvolvimento desse amor no coração e na inteligência de todos os homens.

Ensinou também, que a verdadeira vida, não se encontra na Terra, onde a lei da destruição é ainda necessária, para que tudo se transforme e evolua. A vida verdadeira, para a qual todos caminhamos é a do Reino de Deus, onde os Espíritos puros vivem a vida espiritual, de amor e trabalho, pois disse Jesus: " Meu Pai trabalha incessantemente e eu também."

Jesus, o Espírito mais perfeito que veio à Terra, falou das leis divinas, muitas vezes claramente, outras de forma mais velada, para que permanecendo nos seus ensinos, pudessem ser, mais tarde, esclarecidas, quando a ciência, fruto da inteligência dos homens permitisse mais e melhor entendimento. Então, o homem, mais esclarecido, mais amadurecido, mais sensível às coisa espirituais, poderia compreender melhor as leis do Pai.

E foi assim que no século XIX surgiu o Espiritismo, cumprindo a promessa de Jesus de enviar outro Consolador, "... que vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito." ( João, XIV: 26)
Leda Ebner