O ÓRGÃO FLUÍDICO
BIBLIOGRAFIA
01- A reencarnação - pág. 51 02 - Análise das coisas - pág. 152
03 - Da alma humana - pág. 164 04 - Espírito, perispírito e alma - pág. 189
05 - Fatos Espíritas - pág. 79 06 - Hipnotismo e Espiritismo - pág. 179
07 - História do Espiritismo - pág. 223, 344 08 - Katie King - pág. 81, 108
09 - Mãos de luz - pág. 70, 202 10 - Metapsíquica humana - pág. 144
11 - No limiar do etéreo - pág. 98, 150 12 - No limiar do infinito - pág. 29
13 - O consolador - pág. 35 14 - O Livro dos Espíritos - pág. q. 375a
15 - O que é a morte - pág. 77

16 - Os chakras - pág. 81

17 - Psi quântico - pág. 216 18 - Voltei - pág. 46

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O ÓRGÃO FLUÍDICO – COMPILAÇÃO

01- A reencarnação - Gabriel Delanne - pág. 51

(...) "Eu vi tão bem Katie King, recentemente, quando estava iluminada pela luz elétrica, que me é possível acrescentar alguns traços às diferenças que, em precedente artigo, estabeleci entre ela e sua médium. Tenho a mais absoluta certeza de que a Srta. Cook e Katie são duas individualidades distintas, pelo menos no que lhes concerne aos corpos. Muitos pequenos sinais, que se encontram no rosto da Srta. Cook, não se vêem no de Katie. Os cabelos da Srta.

Cook são de um castanho tão escuro que parecem quase preto; um anel dos de Katie, que tenho diante dos olhos, e que ela me permitiu cortasse do meio de suas luxuriantes tranças, depois de o ter seguido com meus dedos até o alto de sua cabeça e me haver assegurado que ele ai tinha nascido, é de um rico castanho-dourado."

Por mais inverossímeis que possam parecer tais fenômenos, são, entretanto, reais, porque, apesar de sua repugnância instintiva, o Prof. Eichet, depois de haver verificado fenômenos idênticos, foi obrigado a escrever, cinquenta anos depois de William Crookes: "Os espíritas me têm censurado duramente essa palavra — absurdo, e não puderam compreender que eu não me resignasse a aceitar, sem constrangimento, a realidade de tais fenômenos. Mas, para conseguir que um fisiologista, um físico, um químico admitam que saia do corpo humano uma forma que possui circulação, calor próprio e músculos, que exala ácido carbônico, que pesa, que fala, que pensa, é preciso pedir-lhe um esforço intelectual, verdadeiramente muito doloroso.

Sim, é absurdo, mas pouco importa, é verdade." Assim, voltando a William Crookes, a aparição possui coração e pulmões! Estes têm um mecanismo fisiológico que difere do da Srta. Cook, e, sem fazer nenhuma suposição, deve-se deduzir o que daí decorre naturalmente: que se trata de dois organismos diferentes, estando um são e outro enfermo.

Pergunto, com toda a sinceridade, onde se acha o verdadeiro espírito científico? Será com os que inventam as mais fantásticas hipóteses ou com os que jamais vão além do que lhes permite verificar a mais rigorosa observação? Parece-me que a resposta não é duvidosa. É mil vezes mais inverossímil imaginar que Katie é uma criação da Srta. Cook, do que acreditar que ela é o que ela mesmo diz ser, isto é, um Espírito. Verifiquei, eu próprio, em presença do Prof. Richet, que o fantasma de Bien Boa exalava ácido carbônico, pois que, soprando em um balão com uma solução de barita, produziu-se, diante de nossos olhos, um precipitado de carbonato de barita.

Se fossem necessárias outras provas da independência do fantasma, achá-las-íamos nas conversas que Florence Cook mantinha com Katie, durante os últimos tempos de sua mediunidade e no dia de sua última sessão. A menos que tenhamos que sustentar absurdos evidentes, como, por exemplo, que se possa ser, ao mesmo tempo, consciente e inconsciente, e estar, simultaneamente, no próprio corpo e em outro, com idéias inteiramente diversas e com um caráter oposto ao que se possui, o final do relatório de Crookes demonstra, com a mais poderosa evidência, que Katie era uma individualidade distinta da médium e dos assistentes.

Ouçamos a narrativa comovedora da última entrevista do Espírito com a médium: "Tendo terminado suas instruções, disse Crookes, Katie me fea entrar consigo no gabinete e me permitiu que aí ficasse até o fim. Depois de haver fechado a cortina, conversou comigo durante algum tempo ainda; depois atravessou o aposento para ir até onde a Srta. Cook jazia inanimada no assoalho. Inclinando-se sobre ela, Katie tocou-a e lhe disse: Acorde, Florence. Ê preciso que eu a deixe agora.
(..)

05 - Fatos Espíritas - William Crookes - pág. 79

(...) Durante esses seis últimos meses, a Srta. Cook fez-nos numerosas visitas e demorava-se algumas vezes uma semana em nossa casa; só trazia consigo pequena mala de mão, que não fechava à chave; durante o dia estava em companhia da Sra. Crookes, na minha ou na de algum outro membro da minha família; não dormia só, não tinha ocasião de preparar algo, mesmo de caráter menos aperfeiçoado, que fosse apto para representar o papel de Kátie King.

Eu mesmo preparei e dispus a minha biblioteca, assim como a câmara escura, e, como de costume, depois que a Srta. Cook jantava e conversava conosco, ela se dirigia logo ao gabinete; a seu pedido eu fechava à chave a segunda porta, guardando a chave comigo durante toda a sessão; então, abaixava-se o gás e deixava-se a Srta. Cook na escuridão.

Entrando no gabinete, a Srta. Cook deitava-se no soalho, repousando a cabeça num travesseiro, e logo depois caía em letargia. Durante as sessões fotográficas, Kátie envolvia a cabeça da médium com um chalé, para impedir que a luz lhe caísse sobre o rosto. Várias vezes levantei um lado da cortina, quando Kátie estava em pé, muito perto, e então não era raro que as 7 ou 8 pessoas que estavam no laboratório pudessem ver, ao mesmo tempo, a Srta. Cook e Kátie, à plena claridade da luz elétrica.

Não podíamos então perceber o rosto da médium, por causa do chalé, mas notávamos as suas mãos e pés; vimo-la mover-se, penosamente, sob a influência desta luz intensa, e, por momentos, ouvíamos-lhe os gemidos. Tenho uma prova de Kátie e da médium fotografadas juntamente; mas Kátie está colocada diante da cabeça da Srta;. Cook.

Enquanto eu tomava parte ativa nessas sessões, a confiança que em mim tinha Kátie aumentava gradualmente, a ponto de ela não querer mais prestar-se à sessão, sem que eu me encarregasse das disposições a tomar, dizendo que queria sempre ter-me perto dela e perto do gabinete. Desde que essa confiança ficou estabelecida, e quando ela teve a satisfação de estar certa de que eu cumpriria as promessas que lhe fazia, os fenômenos aumentaram muito em força e foram-me dadas provas que me seriam impossíveis obter se me tivesse aproximado da médium de maneira diferente.

Kátie me interrogava muitas vezes a respeito das pessoas presentes às sessões e sobre o modo de serem colocadas, pois nos últimos tempos se tinha tornado muito nervosa, em consequência de certas sugestões imprudentes, que aconselhavam empregar a força, para tornar as pesquisas mais científicas.

Uma das fotografias mais interessantes é aquela em que estou em pé, ao lado de Kátie, tendo ela o pé descalço sobre determinado ponto do soalho. Vestiu-se em seguida a Srta. Cook como Kátie; ela e eu nos colocamos exatamente na mesma posição, e fomos fotografados pelas mesmas objetivas colocadas perfeitamente como na outra experiência, e alumiados pela mesma luz. Quando os dois esboços foram postos um sobre o outro, as minhas duas fotografias coincidiram perfeitamente quanto ao porte, etc., mas Kátie é maior meia cabeça do que a Senhorita Cook, e, perto dela, parece uma mulher gorda. Em muitas provas, o tamanho do seu rosto e a estatura do seu corpo diferem essencialmente da médium, e as fotografias fazem ver vários outros pontos de dessemelhança.

Mas a fotografia é tão impotente para representar a beleza perfeita do rosto de Kátie, quanto as próprias palavras o são para descrever o encanto de suas maneiras. A fotografia pode, é verdade, dar um desenho do seu porte; mas como poderá ela reproduzir a pureza brilhante de sua tez ou a expressão sempre cambiante dos seus traços, tão móveis, ora velados pela tristeza, quando narra algum acontecimento doloroso da sua vida passada, ora sorridente, com toda a inocência de uma menina, quando reúne os meus filhos ao redor de si, e os diverte contando-lhes episódios das suas aventuras na Índia ?

Vi tão bem Kátie, recentemente, quando estava alumiada pela luz elétrica, que me é possível acrescentar alguns traços às diferenças que, em precedente artigo, estabeleci entre ela e a médium. Tenho a mais absoluta certeza de que a Senhorita Cook e Kátie são duas individualidades distintas, pelo menos no que diz respeito aos seus corpos. Vários pequenos sinais, que se acham no rosto da Srta. Cook, não existem no de Kátie. A cabeleira da Srta. Cook é de um castanho tão forte que parece quase preto; um cacho da cabeleira de Kátie, que tenho à vista, e que ela me permitira cortar de suas tranças luxuriantes, depois de ter seguido com os meus próprios dedos até ao alto da sua cabeça e de haver convencido de que ali nascera, é de um rico castanho dourado.

Uma noite, contei as pulsações de Kátie; o pulso batia regularmente 75, enquanto o da Srta. Cook, poucos instantes depois atingia a 90, seu número habitual. Auscultando o peito de Kátie, eu ouvia um coração bater no interior, e as suas pulsações eram ainda mais regulares, que as do coração da Senhorita Cook, quando, depois da sessão, ela me permitia igual verificação.

Examinados da mesma forma, os pulmões de Kátie mostraram-se mais sãos que os da médium, pois, no momento em que fiz a experiência, a Senhorita Cook seguia tratamento médico por motivo de grave bronquite. Os leitores acharão, sem dúvida, interessante que as suas narrações e as do Sr. Ross Church, acerca da aparição de Kátie, venham reunir-se às minhas, pelo menos as que posso publicar.

Quando chegou o momento de Kátie nos deixar, pedi-lhe o obséquio de ser eu o último a veria. Chamou ela a si cada pessoa da sociedade e lhes disse algumas palavras em particular, deu instruções gerais sobre nossa direção futura e sobre a proteção a dispensar à Srta. Cook. Dessas instruções, que foram estenografadas, cito o seguinte: "O Sr. Crookes sempre agiu muito bem, e é com a, 'maior confiança que deixo Florence em suas mãos, perfeitamente convicta de que não faltará à confiança que tenho nele. Em, todas as circunstâncias imprevistas, o Sr. Crookes poderá agir melhor do que eu mesma, porque tem mais força".

Tendo terminado suas instruções, Kátie convidou-me a entrar no gabinete com ela, e permitiu-me ficar nele até o fim. Depois de fechada a cortina, conversou comigo durante algum tempo, em seguida atravessou o quarto para ir até a Srta. Cook, que jazia inanimada no soalho; inclinando-se para ela, Kátie tocou-a e disse-lhe: "Acorda, Florence, acorda! É preciso que eu te deixe agora!"

A Srta. Cook acordou e, em lágrimas, suplicou a Kátie que ficasse algum tempo ainda: "Minha cara, não posso; a minha missão está cumprida; Deus te abençoe!" respondeu Kátie, e continuou a falar à Srta. Cook. Durante alguns minutos conversaram juntas, até que enfim as lágrimas da Senhorita Cook a impediram de falar. Seguindo as instruções de Kátie, precipitei-me para suster Cook, que ia cair sobre o soalho e que soluçava convulsivamente. Olhei ao redor de mim, mas Kátie, com o seu vestido branco, tinha desaparecido. Logo que a Senhorita Cook ficou bastantemente calma, trouxeram luz, e a conduzi para fora do gabinete.

As sessões, quase diárias, com que a Srta. Cook me favoreceu ultimamente, muito esgotaram as suas forças, e desejo patentear, o mais possível, os obséquios que lhe devo pelo seu empenho em me ajudar nas experiências. A qualquer prova que eu propusesse, concordava ela em submeter-se com a maior boa vontade; a sua palavra é franca e viva e vai diretamente ao assunto. Nunca vi a menor coisa que pudesse assemelhar-se à mais ligeira aparência do desejo de enganar. Na verdade, não creio "que ela pudesse levar uma fraude a bom fim, porque, se o tentasse, seria prontamente descoberta, por ser completamente estranho à sua natureza tal modo de proceder.

E quanto a imaginar que uma inocente colegial de 15 anos tenha sido capaz de conceber e de pôr em prática durante três anos, com grande êxito, tão gigantesca impostura como esta, e que durante esse tempo se tenha submetido a todas as condições que dela se exigiram, que tenha suportado as pesquisas mais minuciosas, quê tenha consentido em ser examinada a cada momento, fosse antes, fosse depois das sessões; que tenha obtido ainda mais êxito na minha própria casa do que na casa de seus pais, sabendo que ia para ali, expressamente com o fim de se submeter a rigorosos ensaios científicos, quanto a imaginar que a Kátie King dos três últimos anos é o resultado de uma impostura, isso faz mais violência à razão e ao bom senso, do que crer que Kátie King é o que ela própria afirma ser. (...)

07 - História do Espiritismo - Arthur Conan Doyle - pág. 223, 344

E não havia um caso que ele não fosse capaz de dar as mal; seguras provas. Seu relato foi recebido com incredulidade, mas agora já produz menor descrença. Mas Olcott dominava o assunto e, tomando suas precauções, preveniu, assim como prevenimos, a crítica daqueles que, não tendo estado presentes, preferem dizer que os que estavam ou foram enganados ou eram malucos. Diz ele: "Se alguém lhes fala de crianças carregadas por senhoras que saem da cabine, ou de moças de formas flexíveis, cabelos dourados e pequena estatura, de velhas e velhos apresentando-se em corpo inteiro e falando conosco, de criançolas, vistas aos pares, simultaneamente com outras formas e roupas diferentes, de cabeças calvas, de cabelos grisalhos, de feias cabeças negras de cabelos encarapinhados, de fantasmas imediatamente reconhecidos como amigos, e fantasmas que falam de modo audível línguas estranhas que o médium desconhece — sua indiferença não se altera. . .

A credulidade de alguns homens de ciência, também, seria ilimitada — antes prefeririam acreditar que uma criança possa, levantar uma montanha sem uma alavanca do que um Espírito possa levantar um peso." Mas, de lado o céptico irredutível, que ninguém convence, e que, no último dia classificará o Anjo Gabriel como uma ilusão de ótica, há algumas objeções muito naturais que um novato pode fazer honestamente e um pensador honesto pode responder. Podemos aceitar uma lança de nove pés como sendo um objeto espiritual? Que dizer dessas roupagens? De onde vêm elas?

A resposta se encontra, até onde podemos entender as coisas, nas admiráveis propriedades do ectoplasma. E' a mais proteica substância, capaz de ser moldada instantaneamente em qualquer forma, e o poder de moldagem é a vontade do Espírito, dentro ou fora de um corpo. Tudo pode ser instantaneamente feito com ele, desde que assim o decida a inteligência predominante. Em todas as sessões dessa natureza parece que se acha presente um ser espiritual controlador, que comanda as figuras e confecciona o programa. Às vezes fala e dirige abertamente. Outras vezes fica calado e se manifesta apenas por atos. Como ficou dito, muitas vezes os controles são índios Peles-Vermelhas, que parecem ter em sua vida espiritual uma afinidade especial com os fenómenos físicos.

William Eddy, o médium principal desses fenómenos, parece nada haver sofrido quanto à saúde e à força, naquilo que em geral é um processo de exaustão. Crookes constatou como ficava Home "como que desfalecido no chão, pálido e sem fala." Entretanto Home não era um rude camponês, mas um inválido sensitivo e artista. Parece que Eddy comia pouco, mas fumava continuamente. Nas sessões eram empregados a música e o canto, porque de longa data foi observado que há uma íntima conexão entre as vibrações musicais e os resultados psíquicos. Também se verificou que a luz branca é prejudicial aos resultados, o que agora é explicado pelo efeito dissociativo que a luz exerce sobre o ectoplasma. Muitas cores têm sido examinadas com o fito de evitar a completa escuridão.

Mas, se se pode confiar no médium a escuridão é mais favorável, especialmente aos fenômenos de fosforescência e de atos de luz, que se contam entre os mais belos fenômenos. Se se empregar luz, a mais tolerada é a vermelha. Nas sessões de Eddy havia uma luz atenuada de uma lâmpada velada. Seria cansativo para o leitor entrar em detalhes sobre os vários tipos que apareceram nessas interessantes reuniões. Madame Blavatsky, então uma criatura desconhecida em New York, tinha vindo observar as coisas. Naquela época ainda não havia ela desenvolvido a linha teosófica do seu pensamento e era uma espiritista ardorosa.

O Coronel Olcott e ela se encontravam pela primeira vez na casa da fazenda de Vermont, onde começou uma amizade que produziria no futuro estranhos desenvolvimentos. Em sua homenagem, ao que parece, apareceu um séquito de imagens russas, mantendo com ela uma conversação nessa língua. A principal figura, entretanto, era um chefe índio, chamado Santum, e uma índia de nome Honto, que se materializaram tão completamente e tantas vezes que a assistência seria desculpada por esquecer que estava tratando com Espíritos. Tão grande foi o contacto, que Olcott mediu Honto numa escala pintada ao lado da porta da cabine.

Tinha um metro e sessenta centímetros. Certa vez expôs o seio e pediu a uma senhora presente que observasse as batidas do coração. Honto era leviana, gostava de dançar, de cantar, de fumar e exibir sua rica cabeleira negra aos assistentes. Santum, por outro lado, era um guerreiro taciturno, de um metro e noventa centímetros. O médium tinha apenas um metro e setenta e cinco centímetros.
Digno de menção é o fato de o índio usar sempre um polvarinho de chifre, que lhe fora dado então por um dos assistentes. Estava pendurado na cabine e lhe fora dado quando estava materializado.

Alguns dos Espíritos de Eddy falavam, outros não, e a fluência variava muito. Isto concordava com a experiência do que aprender quando maneja esse simulacro de si própria e que aqui, como alhures, a prática vale muito. Ao falar, essas figuras movem os lábios exatamente como faziam em vida. Também foi mostrado que a sua respiração em água de cal produz a reação característica de dióxido de carbono. Diz Olcott: "Os próprios Espíritos dizem que têm de aprender a arte de se materializar, como a gente procederia com qualquer outra arte".

A princípio apenas podem moldar mãos, como no caso dos Davenport, das Fox e outros. Muitos médiuns jamais vão além desse estágio. Entre os numerosos visitantes da casa de Vermont naturalmente alguns havia que assumiam uma atitude hostil. Nenhum destes, entretanto, parece ter dominado inteiramente o assunto. Um dos que mais chamavam a atenção foi um tal Dr. Beard, médico de New York, que, apenas com uma sessão, sustentava que todas as figuras eram disfarces do próprio William Eddy. Para sustentar esse ponto de vista nenhuma prova foi produzida, mas apenas a sua opinião pessoal; e ele declarava ser capaz de produzir os mesmos resultados com aparelhos de teatro do custo de três dólares.

Tal opinião bem podia ser formulada honestamente numa única sessão, especialmente se esta tivesse sido mais ou menos bem sucedida. Mas é perfeitamente insustentável quando comparada com as das pessoas que assistiram a várias sessões. Assim, o Dr. Hodgson, de Stoneham, em Massachussetts, com mais quatro outras testemunhas, assinam um documento que diz: "Atestamos que... Santum estava do lado de fora, na plataforma, quando um outro índio mais ou menos da mesma estatura saiu e os dois passavam e repassavam um pelo outro, andando para cima e para baixo.

Ao mesmo tempo era mantida uma conversa entre George Dix, Mayflower, o velho Mr. Morse e Mrs. Eaton, dentro da cabine. Nós reconhecemos a voz familiar de cada um". Há muitas testemunhas de fatos semelhantes, além de Olcott; e todos põem a teoria dos disfarces fora de cogitação. E' preciso acrescentar que muitas das formas eram crianças e até crianças de colo. Olcott mediu uma criança cuja altura era de setenta e um centímetros. Poderia acrescentar-se honestamente que uma coisa que preocupa ocasionalmente o leitor é a hesitação de Olcott, além de sua reserva. A coisa era nova para ele e de vez em quando uma onda de receio e de dúvida passava por sua mente e ele pensava que tivesse ido muito longe e que devia contorná-la, caso, de algum modo, mostrassem que ele estava errado.

Assim, diz ele: "As formas que vi em Chittenden, enquanto aparentemente desafiando qualquer outra explicação que não a de uma origem suprasensível, permanecem, do ponto de vista científico como ainda "não provadas". Noutra passagem refere-se a falta de "condições para testes". Esta expressão tornou-se uma espécie de advertência que perde toda significação. Assim, quando se diz ter visto, fora de qualquer dúvida ou engano, o rosto da própria mãe falecida, o oponente replica: "Ah! mas foi sob condições para teste?"

O teste repousa no próprio fenômeno. Quando se pensa que durante dez semanas Olcott pôde examinar a pequena cabine, vigiar o médium, medir e pesar as formas ectoplásmicas, fica-se a pensar o que é que se poderia exigir para fazer prova completa. O fato é que enquanto Olcott escrevia o seu relato veio o suposto desmascaramento de Mrs. Holmes e a parcial retratação de Mr. Dale Owen, o que o levou a tomar essas precauções.

Foi a mediunidade de William Eddy que tomou a forma de materializações. Horace Eddy fez sessões de caráter bem diverso. Em seu caso foi usada uma espécie de tela, em cuja frente ele se sentava com um dos assistentes, ao seu lado, sob boa luz e segurando a sua mão. Do outro lado da tela era colocado um violão ou outro instrumento, que então começava a ser tocado, aparentemente sem executante, enquanto mãos materializadas eram vistas às bordas da cortina. O efeito geral era muito semelhante ao produzido pelos irmãos Davenport, mas era mais impressionante, uma vez que o médium era visto inteiramente e se achava sob controle de um espectador.

A hipótese da moderna ciência psíquica, baseada em muitas experiências, é que faixas invisíveis de ectoplasma, que são antes condutoras de força do que forças elas próprias, são emitidas do corpo do médium e aplicadas sobre o objeto que deve ser manipulado, sendo empregadas para o levantar, para o tocar, conforme um poder invisível o deseje — poder invisível que, conforme pretende o Professor Charles Richet, é um prolongamento da personalidade do médium e, conforme a mais avançada escola, uma entidade independente.

Nada disso era conhecido ao tempo dos Eddys e os fenômenos apresentavam uma indubitável aparência de toda uma série de efeitos sem causa. Quanto à realidade do fato, é impossível ler a minuciosa descrição de Olcott sem ficar convencido de que não poderia haver erro nisso. Esse movimento de objetos a distância do médium, ou telecinésia, para usar a expressão moderna, é um raro fenômeno à luz; mas certa ocasião, numa reunião de amadores que eram espíritas experimentados, o autor viu uma espécie de bandeja de madeira, à luz de uma vela, ser levantada pela borda e responder a perguntas por meio de batidas, quando se achava a menos de dois metros de distância. (...)