OBRAS
BIBLIOGRAFIA
01- À luz da oração- pág. 141 02 - A sombra do olmeiro - pág. 130
03 - Agenda cristã- pág. 75, 133 04 - Alerta - pág. 157
05 - Caminho, verdade e vida - pág. 83, 113, 247 06 - Catecismo Espírita - pág. 63
07 - Celeiro de bênçãos - pág. 94 08 - Contos desta e doutras vidas - pág. 39
09 - Contos e apólogos - pág. 55, 85, 145 10 - Dramas da obsessão - pág. 141
11 - Emmanuel - pág. 48 12 - Entre a Terra e o Céu - pág. 79, 217
13 - Falando à Terra - pág. 85, 117 14 - Fonte viva - pág. 27, 29, 55, 63, 67, 81
15 - Jesus no Lar - pág. 55, 115

16 - Joana D'Arc - pág. 46

17 - Lampadário Espírita - pág. 207 18 - Livro da esperança - pág. 168
19 - Maria Dolores - pág. 64 20 - Nas pegadas do Mestre - pág. 29
21 - Nosso Lar - pág. 262 22 - O Consolador - pág. 139
23 - O Espírito da Verdade - pág. 38, 133 24 - O Livro dos Espiritos - q. 9, 16, 123, 315,
25 - Palavras de vida eterna - pág. 23, 39, 206 26 - Pão nosso - pág. 13
27 - Pérolas do Além - pág. 173 28 - Pontos e contos - pág.69
29 - Rumo certo - pág. 123 30 - Seareiros de volta- pág. 33, 35
31- Segue-me - pág. 45, 55, 93 32 - Vinhas de luz - pág. 95
33 - Voltas que a vida dá - pág. 18 34 - Vozes do grande além - pág. 127

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

OBRAS – COMPILAÇÃO

04 - Alerta - Joanna de Ângelis - pág. 157

Afirmas que o aguilhão da dor é uma constante na tua vida, amesquinhando as tuas forças, diminuindo as tuas alegrias. Informas que o desencanto fez moradas nas paisagens mentais da tua existência, tornando-a triste, sem sentido. Revelas que as decepções se somam a cada momento às anteriores, dando-te uma visão deprimente do comportamento social das criaturas humanas.

Esclareces que perdeste as motivações para continuar a jornada e que não raro o desencanto cochicha idéias derrotistas, impelindo-te, de alguma forma, para a direção do autocídio. Armazenas o lado negativo da experiência humana, quase com volúpia, reunindo as observações infelizes e deixando-te engajar no veículo do desequilíbrio.

Para e reflexiona, porém, um pouco, descompromissando-te das aflições que carregas. Observarás que ninguém transita na Terra sem o ônus que a vida cobra, naturalmente, a todos. Uns padecem, crucificados, sem o demonstrarem, transformando os cravos rudes em apoio e sustentação com que se seguram, para alçarem voo às paragens da esperança...

Outros caminham açodados por chagas ocultas sob tecidos custosos, sorrindo, na certeza de que elas se transformarão, hoje ou mais tarde, em rosas abençoadas de que se ornarão um dia. . .Diversos se sentem vitimados por insuspeitada soledade, embora cercados por amigos e bajuladores, sejam invejados, não sorvendo a água lustral do amor nem da fidelidade que dessedentam e nutrem.

Há dores morais sob disfarces numerosos como chagas purulentas guardadas sob ataduras de alto preço, cujos portadores não se deixaram vencer e demonstram, no esforço que empreendem, a alegria pelo superá-los. Evita a auto-compaixão e sai a lutar. Luta é convite à renovação, quanto dor representa espinho que desperta o ser para a valorização dos recursos que todos possuem interiormente, nem sempre correspondendo ao significado que representam.

Quando afligido, medita nas causas profundas e remove-as a esforço. Quando sitiado por todos os lados, por esta ou aquela injunção dolorosa, recorda que do Mundo Espiritual generoso chegarão as respostas, o concurso.. . Abre-te à renovação interior para melhor, realiza uma terapia otimista contigo próprio e descobrirás os tesouros que jazem sem ser utilizados em ti, aguardando a aplicação enobrecida que os multiplicará em bênçãos para o teu próprio lucro.

Jesus, o Terapeuta por excelência, em momento algum queixou-se, lamentou-se, deteve-se na observação deprimente. Saudando a vide como dádiva de Deus, ensinou-nos que no amor, mediante a ação positiva, estão os recursos de felicidade que a todos libertam de qualquer mazela, de toda limitação e enfermidade.

05 - Caminho, verdade e vida - Emmanuel - pág. 83, 113, 247

34 - COMER E BEBER
"Então, começareis a dizer: Temos comido e bebido na tua presença e tens ensinado nas nossas ruas." — Jesus. (LUCAS, 13:26.)
O versículo de Lucas, aqui anotado, refere-se ao pai de família que cerrou a porta aos filhos ingratos.
O quadro reflete a situação dos religiosos de todos os matizes que apenas falaram, em demasia, reportando-se ao nome de Jesus. No dia da análise minuciosa, quando a morte abre, de novo, a porta espiritual, eis que dirão haver "comido e bebido" na presença do Mestre, cujos ensinamentos conheceram e disseminaram nas ruas.

Comeram e beberam apenas. Aproveitaram-se dos recursos egoisticamente. Comeram e acreditaram com a fé intelectual. Beberam e transmitiram o que haviam aprendido de outrem. Assimilar a lição na existência própria não lhes interessava a mente inconstante.
Conheceram o Mestre, é verdade, mas não o revelaram em seus corações. Também Jesus conhecia Deus; no entanto, não se limitou a afirmar a realidade dessas relações. Viveu o amor ao Pai, junto dos homens.

Ensinando a verdade, entregou-se à redenção humana, sem cogitar de recompensa. Entendeu as criaturas antes que essas o entendessem, concedeu--nos supremo favor com a sua vinda, deu-se em holocausto para que aprendêssemos a ciência do bem. Não bastará crer intelectualmente em Jesus. É necessário aplicá-lo a nós próprios.

O homem deve cultivar a meditação no círculo dos problemas que o preocupam cada dia. Os irracionais também comem e bebem. Contudo, os filhos das nações nascem na Terra para uma vida mais alta.

49 - SABER E FAZER
"Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes." — Jesus. (JOÃO, 13:17.)
Entre saber e fazer existe singular diferença. Quase todos sabem, poucos fazem. Todas as seitas religiosas, de modo geral, somente ensinam o que constitui o bem. Todas possuem serventuários, crentes e propagandistas, mas os apóstolos de cada uma escasseiam cada vez mais.

Há sempre vozes habilitadas a indicar os caminhos. É a palavra dos que sabem. Raras criaturas penetram valorosamente a vereda, muita vez em silêncio, abandonadas e incompreendidas. É o esforço supremo dos que fazem.

Jesus compreendeu a indecisão dos filhos da Terra e, transmitindo-lhes a palavra da verdade e da vida, fez a exemplificação máxima, através de sacrifícios culminantes. A existência de uma teoria elevada envolve a necessidade de experiência e trabalho. Se a ação edificante fosse desnecessária, a mais humilde tese do bem deixaria de existir por inútil.

João assinalou a lição do Mestre com sabedoria. Demonstra o versículo que somente os que concretizam os ensinamentos do Senhor podem ser bem-aventurados. Aí reside, no campo do serviço cristão, a diferença entre a cultura e a prática, entre saber e fazer.


116 - AGIR DE ACORDO
"Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis e desobedientes, e reprovados para toda boa obra." — Paulo. (TITO, 1:16.)
O Espiritismo, em sua feição de Cristianismo redivivo, tem papel muito mais alto que o de simples campo para novas observações técnicas da ciência instável do mundo. A Terra, até agora, no que se refere às organizações religiosas, tem vivido repleta dos que confessam a existência de Deus, negando-O, porém, através das obras individuais.

O intercâmbio dos dois mundos, visível e invisível, de maneira direta objetiva esse reajustamento sentimental, para que a luz divina se manifeste nas relações comuns dos homens. Como conciliar o conhecimento de Deus com o menosprezo aos semelhantes?

As antigas escolas religiosas, à força de se arregimentarem como agrupamentos políticos do mundo,, sob o controle do sacerdócio, acabaram por estagnar os impulsos da fé, em exterioridades que aviltam as forças vivas do espírito.

A doutrina consoladora da sobrevivência e da comunicação entre os habitantes da Terra e do Infinito, com bases profundas e amplas no Evangelho, floresce entre as criaturas com características de nova revelação, para que o homem seja, nas atividades vulgares, real afirmação do bem que nasce da fé viva.

14 - Fonte viva - Emmanuel - pág. 27, 29, 55, 63, 67, 81

7 - PELOS FRUTOS
"Por seus frutos os conhecereis" - Jesus (Mateus, 7:16)

Nem pelo tamanho. Nem pela configuração. Nem pelas ramagens. Nem pela imponência da copa. Nem pelos rebentos verdes. Nem pelas pontas ressequidas. Nem pelo aspecto brilhante. Nem pela apresentação desgradável.

Nem pela vetustez do tronco. Nem pela fragilidade das folhas. Nem pela casca rústica ou delicada. Nem pelas flores perfumadas ou inodoras. Nem pelo aroma atraente.

Nem pelas emanações repulsivas. Árvore alguma será conhecida ou amada pelas aparências exteriores, mas sim pelos frutos, pela utilidade, pela produção. Assim também nosso espírito em plena jornada...

Ninguém que se consagre realmente à verdade dará testemunho de nós pelo que parecemos, pela superficialidade de nossa vida, pela epiderme de nossas atitudes ou expressões individuais percebidas ou apreciadas de passagem, mas sim pela substância de nossa colaboração no progresso comum, pela importância de nosso concurso no bem geral.

-Pelos frutos os conhecereis- disse o Mestre. - Pelas nossas ações seremos conhecidos- repetiremos nós.

8 - OBREIROS ATENTOS
"Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, esse tal será bem-aventurado em seus feitos" - (Tiago, 1:25)

O discípulo da Boa Nova, que realmente comunga com o Mestre, antes de tudo compreende as obrigações que lhe estão afetas e rende sincero culto à lei de liberdade, ciente de que ele mesmo recolherá nas leiras do mundo o que houver semeado. Sabe que o juiz dará conta do tribunal, que o administrador responderá pela mordomia e que o servo se fará responsabilizado pelo trabalho que lhe foi conferido.

E, respeitando cada tarefeiro do progresso e da ordem, da luz e do bem, no lugar que lhe é próprio, persevera no aproveitamento das possibilidades que recebeu da Providência Divina, atencioso para com as lições da verdade e aplicado às boas obras de que se sente encarregado pelos Poderes Superiores da Terra.

Caracterizando-se por semelhante atitude, o colaborador do Cristo, seja estadista ou varredor, está integrado com o dever que lhe cabe, na posição de agir e servir, tão naturalmente quanto comunga com o oxigénio no ato de respirar.

Se dirige, não espera que outros lhe recordem os empreendimentos que lhe competem. Se obedece, não reclama instruções reiteradas, quanto às atribuições que lhe são deferidas na disposição regimental dos trabalhos de qualquer natureza. Não exige que o governo do seu distrito lhe mande adubar a horta, nem aguarda decretos para instruir-se ou melhorar-se.

Fortalecendo a sua própria liberdade de aprender, aprimorar-se e ajudar a todos, através da inteira consagração aos nobres deveres que o mundo lhe confere, faz-se bem-aventurado em todas as suas ações, que passam a produzir vantagens substanciais na prosperidade e elevação da vida comum.

Semelhante seguidor do Evangelho, de aprendiz do Mestre passa à categoria dos obreiros atentos, penetrando em glorioso silêncio nas reservas sublimes do Celeste Apostolado.


20. DIFERENÇA
"Crês que há um só Deus: fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem." — (TIAGO, 2:19.)
A advertência do apóstolo é de essencial importância no aviso espiritual. Esperar benefícios do Céu é atitude comum a todos. Adorar o Senhor pode ser trabalho de justos e injustos.

Admitir a existência do Governo Divino é traço dominante de todas as criaturas. Aceitar o Supremo Poder é próprio de bons e maus. Tiago foi divinamente inspirado neste versículo, porque suas palavras definem a diferença entre crer em Deus e fazer-Lhe a Sublime Vontade.

A inteligência é atributo de todos. A cognição procede da experiência. O ser vivo evolve sempre e quem evolve aprende e conhece. A diferenciação entre o gênio do mal e o gênio do bem permanece na direção do conhecimento. O demônio, como símbolo de maldade, executai os próprios desejos, muita vez desvairados e escuros.!

O anjo identifica-se com os desígnios do Eterno; e cumpre-os onde se encontra. Recorda, pois, que não basta a escola religiosa a que te filias para que o problema da felicidade pessoal alcance a solução desejada. Adorar o Senhor, esperar e crer n'Ele são atitudes características de toda a gente.

O único sinal que te revelará a condição mais nobre estará impresso na ação que desenvolveres na vida, a fim de executar-lhe os desígnios, porque, em verdade, não adianta muito ao aperfeiçoamento o ato de acreditar no bem que virá do Senhor e sim a diligência em praticar o bem, hoje, aqui e agora, em seu nome.

24 - PELAS OBRAS
"E que os tenhais em grande estima e amor por causa da sua obra."—Paulo. (l TESSALONICENSES, 5:13.)
Esta passagem de Paulo, na Primeira Epístola aos Tessalonicenses, é singularmente expressiva para a nossa luta cotidiana. Todos experimentamos a tendência de consagrar a maior estima apenas àqueles que leiam a vida pela cartilha dos nossos pontos de vista.

Nosso devotamento é sempre caloroso para quantos nos esposem os modos de ver, os hábitos enraizados e os princípios sociais; todavia, nem sempre nossas interpretações são as melhores, nossos costumes os mais nobres e nossas diretrizes as mais elogiáveis.

Daí procede o impositivo de desintegração da concha do nosso egoísmo para dedicarmos nossa amizade e respeito aos companheiros, não pela servidão afetiva com que se liguem ao nosso roteiro pessoal, mas pela fidelidade com que se norteiam em favor do bem comum.

Se amamos alguém tão-só pela beleza física, é provável encontremos amanhã o objeto de nossa afeição a caminho do monturo. Se estimamos em algum amigo apenas a oratória brilhante, é possível esteja ele em aflitiva mudez, dentro em breve.

Se nos consagramos a determinada criatura só porque nos obedeça cegamente, é provável estejamos provocando a queda de outros nos mesmos erros em que temos incidido tantas vezes.

É imprescindível aperfeiçoar nosso modo de ver e de sentir, a fim de avançarmos no rumo da vida superior. Busquemos as criaturas, acima de tudo, pelas obras com que beneficiam o tempo e o espaço em que nos movimentamos, porque, um dia, compreenderemos que o melhor raramente é aquele que concorda conosco, mas é sempre aquele que concorda com o Senhor, colaborando com ele, na melhoria da vida, dentro e fora de nós.

15 - Jesus no Lar - Néio Lúcio - pág. 55, 115

11 - O SANTO DESILUDIDO
Inclinara-se a palestra, no lar humilde de Cafarnaum, para os assuntos alusivos à devoção, quando o Mestre narrou com significativo tom de voz:

- Um venerado devoto retirou-se, em definitivo, para uma gruta isolada, em plena floresta, a pretexto de servir a Deus. Ali vivia, entre orações e pensamentos que julgava irrepreensíveis, e o povo, crendo tratar-se de um santo messias, passou a reverenciá-lo com intraduzível respeito. Se alguém pretendia efetuar qualquer negócio do mundo, dava-se pressa em buscar-lhe o parecer. Fascinado pela alheia consideração, o crente, estagnado na adoração sem trabalho, supunha dever situar toda gente em seu modo de ser, com a respeitável desculpa de conquistar o paraíso.

Se um homem ativo e de boa-fé lhe trazia à apreciação algum plano de serviço comercial, ponderava, escandalizado:— Ë' um erro. Apague a sede de lucro que lhe ferve nas veias. Isto é ambição criminosa. Venha orar e esquecer a cobiça. Se esse ou aquele jovem lhe rogava opinião sobre o casamento, clamava, aflito:

— É disparate. A carne está submetendo o seu espírito. Isto é luxúria. Venha orar e consumir o pecado. Quando um ou outro companheiro lhe implorava conselho acerca de algum elevado encargo, na administração pública, exclamava, compungido:— Ê' um desastre. Afaste-se da paixão pelo poder. Isto é vaidade e orgulho. Venha orar e vencer os maus pensamentos.

Surgindo pessoa de bons propósitos, reclamando-lhe a opinião quanto a alguma festa de fraternidade em projeto, objetava, irritadiço:
— É uma calamidade. O júbilo do povo é desregramento. Fuja à desordem. Venha orar, subtraindo-se à tentação. E assim, cada consulente, em vista da imensa autoridade que o santo desfrutava, se entristecia de maneira irremediável e passava a partilhar-lhe os ócios na soledade, em absoluta paralisia da alma.

O tempo, todavia, que tudo transforma, trouxe ao preguiçoso adorador a morte do corpo físico. Todos os seguidores dele o julgaram arrebatado ao Céu e ele mesmo acreditou que, do sepulcro, seguiria direto ao paraíso. Com inexcedível assombro, porém, foi conduzido por forças das trevas a terrível purgatório de assassinos.

Em pranto desesperado indagou, à vista de semelhante e inesperada aflição, dos motivos que lhe haviam sitiado o espírito em tão pavoroso e infernal torvelinho, sendo esclarecido que, se não fora homicida vulgar na Terra, era ali identificado como matador da coragem e da esperança em centenas de irmãos em humanidade. Silenciou Jesus, mas João, muito admirado, considerou:

— Mestre, jamais poderia supor que a devoção excessiva conduzisse alguém a infortúnio tão grande! O Cristo, porém, respondeu, imperturbável: — Plantemos a crença e a confiança entre os homens, entendendo, entretanto, que cada criatura tem o caminho que lhe é próprio. A fé sem obras é uma lâmpada apagada. Nunca nos esqueçamos de que o ato de desanimar os outros, nas santas aventuras do bem, é um dos maiores pecados diante do Poderoso e Compassivo Senhor.

17 - Lampadário Espírita - Joanna de Ângelis - pág. 207

A problemática da vivência evangélica dia-a-dia se nos afigura de profunda magnitude, exigindo de todos nós os mais acendrados esforços para materializar, através dos atos, as legítimas aspirações do nosso mundo mental. Sitiados por complexa maquinaria promotora do desequilíbrio de multíplices facetas, não raro encontramos refúgio para o culto da sobriedade e da harmonia.

Por isso mesmo, quando desatentos das nossas responsabilidades, somos arrastados pelo rio caudaloso do desassossego para despertarmos logo após em idêntica paisagem à daqueles que não firmaram compromisso com as realidades espirituais. Assim considerando, é de bom alvitre recordarmos vez que outra as lamentosas advertências de Jesus, perfeitamente cabíveis em nosso comportamento:

«Mas ai de vós que sois ricos, porque já recebestes a vossa consolação! «Ai de vós os que agora estais fartos, porque tereis fome! «Ai de vós os que agora rides, porque haveis de lamentar e chorar! «Ai de vós quando todos vos louvarem, porque assim vossos pais trataram os falsos profetas.»

A árvore altaneira atinge a cumeada da montanha após vencidas mil tormentas. O rio alcança o oceano depois de longo e difícil curso. O sol beneficia a Terra, vencidas diversas atmosferas. O homem sensato lobriga a paz, ultrapassadas com perícia amorosa as inúmeras barreiras, mediante incessante luta.

Repontam seduções fáceis e fascínios às miríades pelo caminho ao teu alcance... Diante das vacuidades atraentes que logo se desvanecem, vigia e persevera na sã conduta. Na corrida louca da posse e do triunfo ilusório, recobra alento e trabalha o íntimo com a vigilância.

Verbalmente convocado ao tumulto ou à desordem no lugar onde fulgem as jóias enganosas da sagacidade que triunfa, silencia a cobiça e medita. Ante o êxito sobre as bases da ignorância ou do crime, envolve o coração atormentado nos tecidos da prece, e asserena-te.

Estás informado do amanhã que a todos indubitavelmente nos alcançará; já experimentaste mais de uma vez o sabor dulcíssimo da felicidade legítima — aquela que não se faz acompanhar da inquietação nem do receio de perdê-la —. Meditaste em torno de outras vidas que te embelezaram as horas juvenis, oferecendo rotas à tua madureza.

Persevera, ainda e agora, insiste na vivência evangélica. Trabalhando na gleba redentora, vês os que passam ociosos, invejados. Recolhes-te, então, ao exame das próprias dores e sofres, como se fosses desditoso... Pouco te importem as dificuldades de agora.
Não te deixes seduzir pelos tecidos luzidios que cobrem corpos inclinados para baixo.. .

Prossegue fiel, sem lamentos, e transforma a cruz das tuas provações em duas asas sublimes, para, terminada a tarefa na noite aflitiva, poderes desferir glorioso voo em ressurreição luminosa.