OBSESSÃO
BIBLIOGRAFIA
01- A agonia das religiões - pág. 26 02 - A alma é imortal - pág. 42
03 - A evolução anímica - pág. 211 04 - A GÊnese- cap. XIV, 45
05 - A loucura sob novo prisma - pág. 129 06 - A mediunidade sem lágrimas - pág. 87, 95
07 - A prece segundo o Evangelho - pág. 24 08 - A tragédia de Santa Maria - pág. 168
09 - Ação e reação - pág. 54, 117,221 10 - Alerta- pág. 23
11 - Almas que voltam - pág. 64 12 - Após a tempestade - pág. 92
13 - Auto desobsessão - pág. 21, 40 14 - Cartas e crônicas - pág. 39
15 - Celeiro de bênçãos - pág.158

16 - Chão de flores - pág. 52

17 - Contos desta e doutras vidas - pág. 177 18 - Contos e apólogos - pág. 69
19 - Conversa firme - pág. 116 20 - Da alma humana - pág. 231
21 - Depois da morte - pág.191 22 - Devassanto o invisível - pág. 179
23 - Doenças da alma - pág. 68 24 - Dramas da obsessão - pág. 19, 25
25 - Estudando a Mediunidade - pág. 67, 108 26 - Estude e viva - pág. 120, 134, 160
27 - Estudos Espíritas - pág.143 28 - Evolução em dois mundos - pág. 115
29 - Lampadário Espírita - pág. 123 30 - O Consolador - pág. 99,218
31 - O Evangelho S. o Espiritismo - cap. 28 32 - O Livro dos Médiuns- cap.XXIII
33 - O que é o Espiritismo - pág. 111, 175 34 - Pão nosso - pág. 75, 77
35 - Pontos e contos - pág. 41 36 - Segue-me - pág. 169
37 - Seara dos médiuns - pág. 59, 1771, 181 38 - Universo e vida - pág. 87
39 - Plantão da paz - pág. 82 40 - Florações Evangélicas - pág. 235
41 - Oferenda - pág. 131 42 - Temas da vida e da morte - pág. 153
43 - Correnteza de luz - pág. 143, 149  

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

OBSESSÃO - HENRY
OBSESSÃO E DESOBSESSÃO - PROFILAXIA E TERAPÊUTICA ESPÍRITAS

OBSESSÃO – COMPILAÇÃO

01- A agonia das religiões -J. Herculano Pires - pág. 26

(...) Não seria mais certo tentarmos a revisão dos conceitos religiosos que nos deram a herança de tantos fracassos e tão espantosa expansão do materialismo e do ateísmo no mundo? Todas as grandes religiões afirmam a onipresença de Deus no Universo. Não obstante, todas consideram o mundo (criado por Deus) como profano, região em que as trevas dominam e o Diabo faz a incessante caçada das almas de Deus. É curioso lembrar que nos tempos mitológicos o mundo era considerado sagrado, a vida uma bênção, os prazeres naturais e as leis da procriação eram graças concedidas pelos deuses aos homens.

O monoteísmo judaico, desenvolvido pelo Cristianismo, impregnou o mundo com a onipresença de Deus e o mundo tornou-se profano. Se Deus está presente num grão de areia, numa folha de relva, num fio dos nossos cabelos e numa pena das asas de um pássaro, como, apesar dessa impregnação divina, o homem se defronta com a impureza do mundo? Por que estranho motivo necessitamos de ritos especiais para purificar a inocência de uma criança, se Deus está presente no seu olhar puro e límpido, no seu choro, na meiguice do seu rostinho ainda não marcado pelo fogo das paixões terrenas? E porque precisa o cadáver de recomendação, com aspersão de água benta, se a ressurreição dos mortos se faz, como ensina o Apóstolo Paulo na I Epístola aos Coríntios e como Jesus exemplificou na sua própria morte, no corpo espiritual e não no corpo material?

São esses e outros muitos problemas acumulados nos erros milenares dos teólogos que levam o homem contemporâneo à descrença e ao materialismo, ao ateísmo e ao niilismo. São todos esses erros que colocam as religiões em crise e as levarão à morte sem ressurrei-cão. Considerando-se, porém, esse estranho panorama religioso da Terra numa perspectiva histórica, à luz da razão, compreende-se facilmente que os erros de ontem, até hoje sustentados pelas religiões, foram úteis e necessários nos tempos de ignorância, em que os problemas espirituais não podiam ser colocados em termos racionais. Há justificativas válidas para o passado religioso, mas não justificativas possíveis para o seu presente contraditório e absurdo. A tese, mais do que absurda, do Cristianismo Ateu, com que teólogos rebeldes procuram hoje remendar as vestes esfarrapadas das igrejas, só vem acrescentar maior confusão ao momento de agonia das religiões envelhecidas.

O problema da experiência de Deus poderia ser resolvido com um mínimo de reflexão. Se Deus está em nós, e por isso somos deuses em potência, segundo a própria expressão evangélica, porque necessitamos de uma busca artificial de Deus para termos a experiência da sua realidade? Se fomos criados por Deus e se Deus pôs em nós a sua marca, como afirmou Descartes — a idéia de Deus em nós, que é inata — já não trazemos, ao nascer, a experiência de Deus? E se, no desenvolver da vida humana, o homem nada mais faz do que cumprir um desígnio de Deus, assistido pelos Anjos Guardiães, porque tem ele de buscar a Deus através de uma prática artificial e egoísta, procurando preservar-se sozinho num mundo em que a maioria se perde irremediavelmente?

Moisés supunha ter ouvido o próprio Deus no Sinai, mas o Apóstolo Paulo explicou que Deus lhe falara através de mensageiros, que são anjos. As pessoas que buscam hoje a experiência de Deus em audiência privada serão mais dignas do que Moisés, não estarão sujeitas a ouvir a voz de um anjo, que tanto pode ser bom quanto mau, pois as próprias igrejas admitem que os anjos decaídos andam à solta pela Terra procurando roubar para o Inferno as almas de Deus? Quem estará livre, na sua piedosa tarefa de salvar-se a si mesmo, de ser tentado pelo Diabo, que tentou o próprio Jesus nas suas meditações solitárias no Deserto?

As práticas místicas do passado não servem para a era da razão, em que nos encontramos na antevéspera da era do espírito. Orar e meditar é evidentemente um exercício religoso respeitável e necessário em todos os tempos. A oração nos liga aos planos superiores do espírito e a meditação sobre questões elevadas desenvolve a nossa capacidade de compreensão espiritual. Mas o dogma da experiência de Deus através de um pretensioso colóquio direto e pessoal com a Divindade é uma proposição egoísta e vaidosa. Se Deus é o Absoluto e nós somos relativos, a humildade não nos aconselha a ter mais cautela em nossas relações pessoais com a Divindade? São muitos os casos de perturbações mentais, de obsessões perigosas, de lamentáveis desequilíbrios psíquicos decorrentes de exageradas pretensões das criaturas humanas no campo das práticas religiosas.

A História das Religiões é marcada por terríveis experiências nesse sentido. Basta lembrarmos os casos de perturbações coletivas em conventos e mosteiros da Idade Média, onde os excessos de misticismo transformaram criaturas piedosas em vítimas de si mesmas, sujeitando-as não raro à própria condenação da igreja a que pertenciam e a que procuravam servir. Os dogmas de fé, que formam a estrutura conceptual das igrejas, são as pedras de tropeço do seu caminho evolutivo. Partindo do princípio de que a Revelação Divina é a própria palavra de Deus dirigida aos homens, as igrejas se anquilosaram em seus dogmas intocáveis, pois a exegese humana não poderia alterar as ordenações ao próprio Deus. Na verdade, a alteração se verificou em vários casos, apesar disso, mas decisões conciliares puseram a última pá de cimento nos erros cometidos.

As estruturas eclesiásticas tornaram-se rígidas e as igrejas confirmaram, no seu espírito, a ossatura de pedra de suas catedrais. Vangloriam-se ainda hoje da sua imutabilidade, num mundo em que tudo evolui sem cessar. Os resultados dessa atitude ilusória e pretensiosa só poderiam ser nefastos, como vemos atualmente no lento e doloroso processo de agonia das religiões. Incidiram assim no pecado do apego, contra o qual os Evangelhos advertiram os homens. Apegaram-se de tal maneira à própria vida, que perderam a vida em abundância que Jesus prometeu aos que se desapegasse. As liberalidades atuais chegaram demasiado tarde.

A palavra dogma é grega e seu sentido original é opinião. Adquiriu em filosofia e religião o sentido de princípio doutrinário. Nas Escrituras religiosas aparece algumas vezes com o sentido de édito ou decreto de autoridades judaicas ou romanas. Entre o dogma religioso e o filosófico há uma diferença fundamental. O dogma religoso é de fé, principio de fé que não pode ser contraditado, pois provém da Revelação de Deus. O dogma filosófico é racional, dogma de razão, ou seja, princípio de uma doutrina racionalmente estruturada. O sentido religioso superou os demais por motivo das consequências muitas vezes desastrosas da sua rigidez e imutabilidade. Se falarmos, por exemplo, em dogmática, esse termo é geralmente entendido como designando a estrutura dos dogma s fundamentais de uma religião. Por isso, a adjetivação de dogmática, que implica também o masculino como nas expressões: pessoa dogmática, posição dogmática ou homem dogmático, significa intransigência de opiniões. (...)


04 - A Gênese - - Allan Kardec - cap. XIV, 45

OBSESSÕES E POSSESSÕES.
45.-Os maus Espíritos pululam ao redor da Terra, em consequência da inferioridade moral de seus habitantes. Sua ação malfazeja faz parte dos flagelos aos quais a Humanidade está exposta neste mundo. A obsessão, que é um dos efeitos desta ação, como as doenças e todas as atribulações da vida, deve, pois, ser considerada como uma prova ou uma expiação, e aceita como tal.

A obsessão é a ação persistente que um mau Espírito exerce sobre um indivíduo. Ela apresenta caracteres muito diferentes, desde a simples influência moral, sem sinais exteriores sensíveis, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais. Ela oblitera todas as faculdades mediúnicas; na mediunidade auditiva e psicográfica, se traduz pela obstinação de um Espírito em se manifestar com a exclusão de todos os outros.

A aptidão de certas pessoas para línguas que elas sabem, por assim dizer, sem tê-las aprendido, não tem outra causa do que uma lembrança intuitiva daquilo que souberam numa outra existência. O exemplo do poeta Méry, narrado na revista Espírita de novembro de 1864, página 328, disso é uma prova. É evidente que se o Sr. Méry fora médium em sua juventude, teria escrito em latim tão facilmente quanto em francês, e ter-se-ia apregoado o prodígio.

46. - Do mesmo modo que as doenças são o resultado das imperfeições físicas, que tornam o corpo acessível às influências perniciosas exteriores, a obsessão é sempre o de uma imperfeição moral, que dá presa á um mau Espírito. A uma causa física, opõe-se uma força física; a uma causa moral, é necessário se opor uma força moral. Para se preservar das doenças, fortifica-se o corpo; para se garantir da obsessão, é necessário fortificar a alma; daí, para o obsidiado, a necessidade de trabalhar no seu próprio melhoramento, o que, o mais frequentemente, basta para desembaraçá-lo do obsessor, sem o socorro de pessoas estranhas. Esse socorro se torna necessário quando a obsessão degenera em subjugação e em possessão, porque então o paciente perde, às vezes, a sua vontade e o seu livre arbítrio.

A obsessão é, quase sempre, o fato de uma vingança exercida por um Espírito, e que, o mais frequentemente, tem a sua fonte nas relações que o obsidiado teve com ele numa precedente existência. Nos casos de obsessão grave, o obsidiado está como envolvido e impregnado com um fluido pernicioso, que, neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele. É deste fluido que é necessário desembaraçar-se; ora, um mau fluido não pode ser repelido por um mau fluido. Por uma ação idêntica à de um médium curador, no caso de doença, é necessário expulsar o fluido mau com a ajuda de um fluido melhor.

Isto é a ação mecânica, mas que nem sempre basta; é necessário também, e sobretudo, agir sobre o ser inteligente com o qual é preciso ter o direito de falar com autoridade, e esta autoridade não é dada senão pela superioridade moral; quanto maior é esta, tanto maior é a autoridade. Ainda não é tudo: para assegurar a libertação, é necessário levar o Espírito perverso a renunciar aos seus maus desejos; é preciso fazer nascer nele o arrependimento e o desejo do bem, com a ajuda de instruções habilmente dirigidas, nas evocações particulares feitas com vista à sua educação moral; então pode-se ter a doce satisfação de livrar um encarnado e converter um Espírito imperfeito.

A tarefa se torna mais fácil quando o obsidiado, compreendendo a sua situação, traz o seu concurso de vontade e de prece; assim não o é quando este, seduzido pelo Espirito enganador, se ilude sobre as qualidades de seu dominador, e se compraz no erro em que este último o mergulha; porque, então, longe de secundar, ele repele toda a assistência. É o caso da fascinação, sempre infinitamente mais rebelde do que a mais violenta subjugação. (O Livro dos Médiuns, cap. XXIII). Em todos os casos de obsessão, a prece é o mais poderoso auxiliar para agir contra o Espírito obsessor.

47. -Na obsessão, o Espírito age exteriormente com a ajuda de seu perispírito, que ele identifica com o do encarnado; este último se encontra então como numa rede e constrangido a agir contra a sua vontade. Na possessão, em lugar de agir exteriormente, o Espírito livre se substitui, por assim dizer, ao Espírito encarnado; faz eleição de domicílio em seu corpo, sem, contudo, que este o deixe definitivamente, o que não pode ocorrer senão na morte. A possessão é, pois, sempre temporária e intermitente, porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um Espírito encarnado, tendo em vista que a união molecular do perispírito e do corpo não se opera senão no momento da concepção. (Cap. XI, n818).

O Espírito, na posse momentânea do corpo, dele se serve como de seu próprio; fala por sua boca, vê pelos seus olhos, age com os seus braços, como o faria quando vivo. Não e mais como na mediunidade falante, onde o Espírito encarnado fala transmitindo o pensamento de um Espírito desencarnado; é este último, ele mesmo, quem fala e age, e se foi conhecido quando vivo, será reconhecido pela sua linguagem, pela sua voz, pelos seus gestos e até pela expressão de sua fisionomia.

48. - A obsessão é sempre o fato de um Espírito malfazejo. A possessão pode ser o fato de um bom Espirito que quer falar e, para fazer mais impressão sobre os seus ouvintes, empresta o corpo de um encarnado, que este lhe empresta voluntariamente, como empresta a sua roupa. Isto se faz sem nenhuma perturbação ou mal-estar, e, durante esse tempo, o Espírito se encontra em liberdade, como no estado de emancipação, e, o mais frequentemente, se coloca ao lado de seu substituto para escutá-lo.

Quando o Espírito possuidor é mau, as coisas se passam de outro modo; ele não empresta o corpo, dele se apodera se o titular não tem força moral para lhe resistir. Fá-lo por maldade contra este, que tortura e martiriza de todas as maneiras, até querer fazê-lo perecer, seja por estrangulamento, seja empurrando-o para o fogo ou outros lugares perigosos. Servindo-se dos membros e dos órgãos do infeliz paciente, blasfema, injuria e maltrata aqueles que o cercam; entrega-se a excentricidades e atos que tem todos os caracteres da loucura furiosa.

Os fatos deste gênero, em diferentes graus de intensidade, são muito numerosos, e muitos dos casos de loucura não têm outra causa. Frequentemente, a isso se juntam desordens patológicas que não são senão consecutivas, e contra as quais os tratamentos médicos são impotentes, enquanto subsiste a causa primeira. O Espiritismo, fazendo conhecer esta fonte de uma parte das misérias humanas, indica o meio de remediá-las: o meio é agir sobre o autor do mal que, sendo um ser inteligente, deve ser tratado pela inteligência.

49. -A obsessão e a possessão, o mais frequentemente, são individuais, mas, às vezes, são epidêmicas. Quando uma nuvem de maus Espíritos se abate sobre uma localidade, é como quando uma tropa de inimigos vem invadi-la. Neste caso, o número de indivíduos atingidos pode ser considerável.

10 - Alerta - Joanna de Ângelis - pág. 23

4. OBSESSÃO E JESUS
A idéia enfermiça, sem contornos definidos alcança os painéis mentais, sutilmente. Aceita, desenvolve características, apresenta-se com maior riqueza de detalhes, estabelece o contato através do qual se originam as penosas fixações, lamentáveis quão perniciosas. .
Se recusada, apaga-se em névoa diluente para repetir-se com maior intensidade até alcançar correspondente vibratório na mente receptora, que passa, a largo prazo, a submeter-se ao impositivo que termina por dominar. . .

A obsessão é enfermidade generalizada, que grassa entre os homens, em decorrência do comércio psíquico, infeliz quão desesperador.
Desde que o agente obsessivo é persistente no plano negativo a que se afervora, este muda de técnica toda vez que repudiado, mantendo rigoroso cerco em torno de quem lhe padece a influência, até dobrar a vontade resistente, caso esta não se fortaleça nos valores morais e espirituais que constituem defesa e vitalidade contra essa terrível chaga devastadora.

Mentes viciadas com mais facilidade aceitam as sugestões morbíficas que lhes são insufladas dentro do campo em que melhor se expressam: desconfiança, ciúme, ódio, desvario sexual, dependência alcoólica ou toxicômana, gula, maledicência. . .Temperamentos arredios, suspeitosos, são mais acessíveis em razão de melhor agasalharem as induções equivalentes, que se lhes associam em forma de perfeita sintonia.

Caracteres violentos, apaixonados, mais fortemente se fazem maleáveis em decorrência do espírito rebelde que nesse corpo habita, dissimulando as chispas que lhes acendem as labaredas do incêndio interior, a exteriorizar-se como fogaréis destruidores. . .
Personalidades ociosas são mais susceptíveis em razão da mente vazia sempre acolher o que lhe apraz, deixando-se conduzir pela personalidade dos seus afins desencarnados.

Desnecessário reafirmar que, não apenas além-da-morte, se encontram os perturbadores, desde que a obsessão campeia, igualmente, entre os transeuntes do corpo, obedecendo ao mesmo processo de sintonia mental, por cultivo das mesmas paixões inferiores. A ação do pensamento otimista e sadiamente operante; o labor fraternal de solidariedade; a preocupação edificante em favor do próximo; os serviços humílimos ou grandiosos a benefício dos outros; o interesse honesto pelo bem-estar alheio constituem a terapia preventiva quanto curadora contra a obsessão.

A prece — o hábito de orar —, gerando um clima de paz; a leitura elevada, que cria clichês psíquicos superiores; a meditação em torno das questões enobrecedoras da vida; o diálogo edificante impedem qualquer intercâmbio perturbante, verdadeiros antídotos que se fazem à obsessão, por constituírem meios de elevação vibratória na qual não vigem as interferências maléficas, as parasitoses e as vampirizações prejudiciais que somente têm curso em faixas mentais semelhantes.

Ademais, o exercício de tais métodos libera qualquer tombado nas malhas apertadas da alienação obsessiva de perniciosos efeitos na Terra.. Na condição de Terapeuta Divino prescreveu Jesus, contra os flagelos da obsessão: "Fazer ao próximo somente o que desejar que este lhe faça", porquanto, assim procedendo, o amor que nos dedicamos a nós mesmos, automaticamente se dilatará em relação ao nosso próximo, desfazendo as matrizes do mal que ainda se demoram fixadas em muitos dos seres que pululam em torno da Terra, ao mesmo tempo auxiliando-os a despertarem para o bem e para a felicidade.


14 - Cartas e crônicas -Irmão X - pág. 39

8. OBSESSÃO PACÍFICA
Quando encontrei o meu amigo Custódio Saquarema na Vida Espiritual, depois da efusão afetiva de companheiros separados desde muito, a conversa se dirigiu naturalmente para comentários em torno da nova situação. Sabia Custódio pertecente a família espírita e, decerto, nessa condição, teria ele retirado o máximo de vantagens da existência que vinha de largar. Pensando nisso, arrisquei uma pergunta, na expectativa de sabê-lo com excelente bagagem para o ingresso em estâncias superiores.

Saquarema, contudo, sorriu, de modo vago, e informou com a fina autocrítica que eu lhe conhecia no mundo: — Ora, meu caro, você não avalia o que seja obsessão disfarçada, sem qualquer mostra exterior. Terra me devolveu para cá, na velha base do «ganhou mas não leva». Ajuntei muita consideração e muito dinheiro; no entanto, retorno muito mais pobre do que quando parti, no rumo da reencarnação...

Percebendo que não me dispunha a interrompê-lo, continuou:— Você não ignora que renasci num lar espírita, mas, como sucede à maioria dos reencarnados, trazia comigo, jungidos ao meu clima psíquico, alguns sócios de vícios e extravagâncias do passado, que, sem o veículo de carne, se valiam de mim para se vincularem às sensações do plano terrestre, qual se eu fora uma vaca, habilitada a cooperar na alimentação e condução de pequena família. .. Creia que, de minha parte, havia retomado a charrua física, levando excelente programa de trabalho que, se atendido, me asseguraria precioso avanço para as vanguardas da luz.

Entretanto, meus vampirizadores, ardilosos e inteligentes, agiam à socapa, sem que eu, nem de leve, lhes pressentisse a influência... E sabe como? _ ?... — Através de simples considerações íntimas — prosseguiu Saquarema, desapontado. — Tão logo me vi saído da adolescência, com boa dose de raciocínios lógicos na cabeça, os instrutores amigos me exortaram, por meus pais, a cultivar o reino do espírito, referindo-se a estudo, abnegação, aprimoramento, mas, dentro de mim, as vozes de meus acompanhantes surgiam da mente, como fios dágua fluindo de minadouro, propiciando-me a falsa idéia de que eu falava comigo mesmo:

«Coisas da alma, Custódio? Nada disso. A sua hora é de juventude, alegria, sol... Deixe a filosofia para depois...» Decorrido algum tempo, bacharelei-me. As advertências do lar se fizeram mais altas, conclamando-me ao dever; entretanto, os meus seguidores, até então invisíveis para mim, revidavam também com a zombaria inarticulada: «Agora? Não é ocasião oportuna. De que maneira harmonizar a carreira iniciante com assuntos de religião? Custódio, Custódio!... Observe o critério das maiorias, não se faça de louco!...» Casei-me e, logo após, os chamados à espiritualização recrudesceram, em torno de mim.

Meus solertes exploradores, porém, comentaram, vivazes: «Não ceda, Custódio! E as responsabilidades de família? E' preciso trabalhar, ganhar dinheiro, obter posição, zelar por mulher e filhos...» A morte subtraiu-me os pais e eu, advogado e financista, já na idade madura, ainda ouvia os Bons Espíritos, por intermédio de companheiros dedicados, requisitando-me à elevação moral pela execução dos compromissos assumidos; todavia, na casa interna se empoleiravam os argumentos de meus obsessores inflexíveis: «Custódio, você tem mais que fazeres. .. Como diminuir os negócios? E a vida social? Pense na vida social. ..Você não está preparado para seara de fé...»

Em seguida, meu amigo, chegaram a velhice e a doença, essas duas enfermeiras da alma, que vivem de mãos dadas na Terra. Passei a sofrer e desencantar-me. Alguns raros visitantes de minha senectude, transmitindo--me os derradeiros convites da Espiritualidade Maior, insistiam comigo, esperando que eu me consagrasse às coisas sagradas da alma; no entanto, dessa vez, os gritos de meus antigos vampirizadores se altearam, mais irônicos, assoprando-me sarcasmo, qual se fora eu mesmo a ridicularizar-me: «Você, velho Custódio?! Que vai fazer você com Espiritismo?

E' tarde demais. . . Profissão de fé, mensagens de outro mundo.. . Que se dirá de você, meu velho? Seus melhores amigos falarão em loucura, senilidade. . . Não tenha dúvida. . . Seus próprios filhos interditarão você, como sendo um doente mental, inapto à regência de qualquer interesse econômico. .. Você não está mais no tempo disso...»Saquarema endereçou-me significativo olhar e rematou:
— Os meus perseguidores não me seviciaram o corpo, nem me conturbaram a mente. Acalentaram apenas o meu comodismo e, com isso, me impediram qualquer passo renovador. Volto da Terra, meu caro, imitando o lavrador endividado e de mãos vazias que regressa de um campo fértil, onde poderia ter amealhado inimagináveis tesouros...

Sei que você ainda escreve para os homens, nossos irmãos. Conte-lhes minha pobre experiência, refira-se, junto deles, à obsessão pacífica, perigosa, mascarada... Diga-lhes alguma coisa acerca do valor do tempo, da grandeza potencial de qualquer tempo na romagem humana!...

Abracei Saquarema, de esperança voltada para tempos novos, prometendo atender-lhe a solicitação. E aqui lhe transcrevo o ensinamento pessoal, que poderá servir a muita gente, embora guarde a certeza de que, se eu andasse agora reencarnado na Terra e recebesse de alguém semelhante lição, talvez estivesse muito pouco inclinado a aproveitá-la.

17 - Contos desta e doutras vidas - Irmão X - pág. 177

38. Decisão nas trevas
ORGANIZADOR DE OBSESSÕES — Garoa companheiros, atualmente o nosso problema intricado é o Espiritismo. Ensinamentos renovadores em toda parte, horizontes claros na mente humana. ..UM OBSERVADOR DAS TREVAS — Isso mesmo. Verdadeira lástima!
ORGANIZADOR DE OBSESSÕES — Os espíritas criam atmosfera semelhante à que se conheceu nos tempos do Cristo. Não se conformam à fé expectante dos santuários. Não há meio de isolá-los nas preces inativas. Por mais sugiramos encantamentos com melodias e aromas, rituais e painéis, mais se afastam das seduções magnéticas, atirando-se ao exercício do bem.

Ao invés de arcas místicas, preferem tijolos para casas beneficentes. Em vez de se ajoelharem, caminham... Trocam perfumados unguentos por suor desagradável, desde que possam servir aos semelhantes. Quadro igual ao da época de Jesus, em que se realizavam caravanas de socorro aos infelizes, onde os infelizes estivessem. Sabem vocês que tudo isso ocorre em prejuízo nosso, de vez que precisamos das energias do homem, tanto quanto o homem necessita dos recursos do boi. (O gênio das sombras piscou os olhos.) Indispensável encontrar o processo de esmagá-los, destruí-los...

UM OBSESSOR EXALTADO — Convém a guerra declarada, provocação de recinto em recinto. ..ORGANIZADOR DE OBSESSÕES — Bobagem! Perseguição é benefício aos perseguidos. Deve ser feita apenas em nossa própria família, quando quisermos acordar um companheiro e torná-lo mais vantajoso...UM OBSESSOR VIOLENTO — Pode-se promover o extermínio de todos eles... Desastres, envenenamentos ... Um veículo motorizado é a morte de galochas, um medicamento mal dosado patrocina a desencarnação por descuido...

ORGANIZADOR DE OBSESSÕES — Morte assim não resolve. (Sorriu, brejeiro.) Vocês sabem que desde a crucificação de Jesus não valem vítimas públicas. Vítimas são cartazes de propaganda para as idéias que representam. Que adiantaria retirar essa gente do corpo físico ? Engrossaria aqui a fileira dos que nos combatem. Imperioso inventar diferentes empresas de anulação. UM MALFEITOR RECRUTA — Penso que seria ótimo se conseguíssemos formar falanges e falanges de obsessores, capazes de invadir os lares e as instituições espíritas, gerando a loucura em massa.

ORGANIZADOR DE OBSESSÕES — Medida contraproducente. As perturbações multiplicadas induziriam os espíritas a mais amplos estudos e observações dos princípios que abraçam... E vocês não desconhecem que o Espiritismo, quanto mais observado, mais luz fornece ao pensamento... Ora, é claro que a luz não nos permite o serviço da sombra... UM OBSESSOR CONFUSIONISTA — Será possível engenhar novos truques, novas mistificações. ..

ORGANIZADOR DE OBSESSÕES — Tolice! Isso traria mais estudo... UM MALFEITOR ANTIGO — Calúnias e discórdias, críticas e escárnios nunca foram empregados em vão...ORGANIZADOR DE OBSESSÕES — Tudo isso é técnica superada. O povo em si quer rendimento de boas obras. Toda pessoa injuriada vence facilmente essas tramóias, desde que se conserve trabalhando... UM OBSESSOR FABRICANTE DE DÚVIDAS — A melhor providência seria, decerto, a dúvida. As maiores cerebrações caem pela incerteza, imitando árvores poderosas quando sufocadas pela erva-de-passarinho...

Procuremos atrasar o passo dos espíritas, instilando-lhes a vacilação em matéria de fé... Bastará um tanto mais de trabalho em nossas organizações e desconfiarão da Providência Divina e da imortalidade da alma, acabando com a mediunidade e arquivando as doutrinas pregadas por eles mesmos...ORGANIZADOR DE OBSESSÕES — A idéia é interessante, mas o tiro sairia pela culatra. Sobrariam aqueles de ânimo inquebrantável que, estimulados pela dúvida, se decidiriam por mais ampla incursão nos domínios da realidade e, quando se pronunciassem, depois de mais amplas visões da vida, atrairiam multidões contra o nosso próprio esforço.

UM VAMPIRIZADOR EXPERIENTE — Tenho um projeto que me parece viável. Será fácil treinar alguns milhares de companheiros para a hipnose em larga escala e faremos que os espíritas se acreditem santos de carne e osso. Mobilizaremos legiões de amigos nossos que lhes assoprem lisonja ao coração, ocupando a mediunidade, seja na palavra falada ou escrita, para a sustentação de elogios mútuos. Faremos que se suponham heróis e reis, místicos e fidalgos reencarnados com títulos honoríficos, garantidos nos mundos superiores, como os beatos do tempo antigo se julgavam donos de poltronas cativas no reino dos Céus.

Depois dessa primeira fase, estarão dispostos a serem bonzinhos, a viverem na santa paz com todos. Não mais abraçarão problemas; considerarão a análise desnecessária; não estimarão perder a companhia dos desencarnados ou encarnados que os bajulem; ao invés de canseira, a serviço dos outros, mergulharão a existência em meditações no colchão de molas, esperando que os anjos lhes emprestem asas para a ascensão aos Espaços Felizes; usarão o silêncio para que a verdade não os incomode e aproveitarão a palavra, quando se trate de dourar a mentira que os favoreça.

Cada qual, assim, passará a viver entronizado na pequenina corte dos adoradores que lhes mantenham as ilusões. Colocarão considerações terrestres muito acima dos patrimônios espirituais, para não ferirem a claque dos amigos que os incensem; abominarão desgostos e aborrecimentos; nada quererão com discernimento e raciocínio; dirão que o mal será apagado pela bondade de Deus e não se lembrarão de que Deus espera por eles para que o bem triunfe do mal, estirando-se em meditações inoperantes acerca dos milênios vindouros; fugirão do mundo para não perderem a veste imaculada; detestarão qualquer empreendimento que vise a movimentar as ideias espíritas nas praças do mundo, a fim de não sofrerem incompreensões e desgastes...

Em suma, há religiões que possuem santos de pedra ou gesso, mas nós, com a hipnose na base da ação, acabaremos improvisando neles santos de carne e osso por fora, conquanto prossigam na condição de homens e mulheres por dentro... Creio que, desse modo, enquanto estiverem preocupados em preservar a postura e a mascara dos santos, não disporão de tempo algum para os interesses do espírito'...ORGANIZADOR DE OBSESSÕES — Excelente! Excelente! (O Chefe mostrou largo sorriso de satisfação.) Até que enfim! até que enfim!... Mãos à obra!...
MILHARES DE MALFEITORES E OBSESSORES — Muito bem!... Muito bem!...

21 - Depois da morte - Léon Denis - pág.191

(...) Sabemos, entretanto, que esse mundo oculto reage constantemente sobre o mundo corpóreo. Os mortos influenciam os vivos, os guiam e inspiram à vontade. Os Espíritos atraem-se em razão de suas afinidades. Os que despiram as vestes carnais assistem os que ainda estão com elas. Estimulam-nos no caminho do bem; porém, mais vezes ainda, nos impelem ao do mal.

Os Espíritos superiores só se manifestam nos casos em que sua presença é útil e pode facilitar o nosso melhoramento. Fogem das reuniões bulhentas e só se dirigem a homens animados de intenções puras. Pouco lhes convêm as nossas regiões obscuras. Desde que podem, voltam para os meios menos carregados de fluidos grosseiros, mas, apesar da distância, não cessam de velar pelos seus protegidos.

Os Espíritos inferiores, incapazes de aspirações elevadas, comprazem-se em nossa atmosfera. Mesclam-se em nossa vida e, preocupados unicamente com o que cativava seu pensamento durante a existência corpórea, participam dos prazeres e trabalhos daqueles a quem se sentem unidos por analogias de caráter ou de hábitos. Algumas vezes mesmo, dominam e subjugam as pessoas fracas que não sabem resistir às suas influências.

Em certos casos, seu império torna-se tal que podem impelir suas vítimas ao crime e à loucura. É nesses casos de obsessão e possessão, mais comuns do que se pensa, que encontramos a explicação de numerosos fatos relatados pela História. Há perigo para quem se entrega sem reservas às experimentações espíritas. O homem de coração reto, de razão esclarecida e madura, pode daí recolher consolações inefáveis e preciosos ensinos.

Mas aquele que só fosse inspirado pelo interesse material ou que só visse nesses fatos um divertimento frívolo tornar-se-ia fatalmente o objeto de uma infinidade de mistificações, joguete de Espíritos pérfidos que, lisonjeando suas inclinações, seduzindo-o por brilhantes promessas, captariam sua confiança, para, depois, acabrunhá-lo com decepções e zombarias.

É, portanto, necessária uma grande prudência para se entrar em relação com o mundo invisível. O bem e o mal, a verdade e o erro nele se misturam, e, para distingui-los, cumpre passar todas as revelações, todos os ensinos pelo crivo de um julgamento severo. Nesse terreno ninguém deve aventurar-se senão passo a passo, tendo nas mãos o facho da razão.

Para expelir as más influências, para afastar a horda dos Espíritos levianos ou maléficos, basta tornar-se senhor de si mesmo, jamais abdicar o direito de verificação e de exame; é bastante procurar, acima de tudo, os meios de se aperfeiçoar no conhecimento das leis superiores e na prática das virtudes. Aquele cuja vida for reta, e que procure a verdade com o coração sincero, nenhum perigo tem a temer. Os Espíritos de luz distinguem, vêem suas intenções, e assistem-no.

Os Espíritos enganadores e mentirosos afastam-se do justo, como um exército diante de uma cidadela bem defendida. Os obsessores atacam de preferência os homens levianos que descuram das questões morais e que em tudo procuram o prazer ou o interesse. Laços cuja origem remonta as existências anteriores unem quase sempre os obsidiados aos seus perseguidores invisíveis. A morte não apaga as nossas faltas nem nos livra dos inimigos.

Nossas iniquidades recaem, através dos séculos, sobre nós mesmos, e aqueles que as sofreram perseguem-nos, às vezes, com seu ódio e vingança, de além-túmulo. Assim o permite a justiça soberana. Tudo se resgata tudo se expia. O que, nos casos de obsessão e de possessão, parece anormal, iniquo muitas vezes não é senão a consequência das espoliações e das infâmias praticadas no obscuro passado.

26 - Estude e viva - Emmanuel e André Luiz - pág. 120, 134, 160

Lugar para ela
Todos nós precisamos da verdade, porque a verdade é a luz do espírito, em torno de situações, pessoas e coisas; fora dela, a fantasia é capaz de suscitar a loucura, sob o patrocínio da ilusão. Entretanto, é necessário que a caridade lhe comande as manifestações para que o esclarecimento não se torne fogo devorador nas plantações da esperança.

Todos nós precisamos da justiça, porque a justiça é a lei, em torno de situações, pessoas e coisas; fora dela, a iniquidade é capaz de premiar o banditismo, em nome do poder. Entretanto, é necessário que a caridade lhe presida as manifestações para que o direito não se faça intolerância, impedindo a recuperação das vítimas do mal.

Todos nós precisamos da lógica, porque a lógica é a razão em si mesma, em torno de situações, pessoas e coisas; fora dela, a paixão é capaz de gerar o crime, à conta de sentimento. Entretanto, é necessário que a caridade lhe inspire as manifestações, para que o discernimento não se converta em vaidade, obstruindo os serviços da educação.

Todos nós precisamos da ordem, porque a ordem é a disciplina, em torno de situações, pessoas e coisas; fora dela, o capricho é capaz de estabelecer a revolta destruidora, sob a capa dos bons intentos. Entretanto, é necessário que a caridade lhe oriente as manifestações para que o método não se transforme em orgulho, aniquilando as obras do bem.

Cultivemos a verdade, a justiça, a lógica e a ordem, buscando a caridade e reservando, em todos os nossos atos, um lugar para ela, porquanto a caridade é a força do amor e o amor é a única força com bastante autoridade para sustentar-nos a união fraternal, sob a raiz sublime da vida pórticos do Espiritismo a divisa inolvidável, destinada a quantos lhe abraçam as realizações e os princípios: - Fora da caridade não há salvação
.

Em torno da obsessão
O êxito do pensamento positivo depende do trabalho positivo. O projeto de edifício importante reunirá planos magníficos, hauridos nas mais avançadas práticas da Civilização; no entanto, para que se concretize, reclama o emprego de material adequado, a fim de que a obra não se transfigure em joguete de forças destrutivas.

Numa construção de cimento armado, ninguém se lembrará de colocar varas de madeira em lugar das estruturas de ferro e nem de substituir a pedra britada por taipa de mão. Para que o trabalho se defina dentro das linhas determinadas, as substâncias devem estar nas condições certas e nas posições justas. Idênticos princípios regem o plano da alma.

Se aspiramos ao erguimento de realizações que nos respondam ao elevado gabarito dos ideais, é forçoso selecionar os ingredientes que nos constituem a vida íntima, cultivando o bem nas menores manifestações. Qualquer ação oposta comprometerá a estabilidade da organização que pretendamos efetuar. À vista disso, cogitemos de sanear emoções, idéias, palavras, atitudes e atos, por mínimos que sejam.

Todos nos referimos ao perigo dos agentes do mal que nos ameaçam; no entanto, os agentes do mal apenas dominam onde lhes favoreçamos a intromissão. E a intromissão deles, via de regra, se verifica principiando pela imprudência da brecha ...

Hoje, uma queixa; amanhã, um momento de azedume; cedo, uma discussão temerária; mais tarde, uma crise de angústia perfeitamente removível através do serviço; agora, um comentário deprimente; depois, um minuto de irritação; e, por fim, a enfermidade, a delinquência, a perturbação, e, às vezes, a morte prematura.

O desastre grande, quase sempre, é a soma dos descuidos pequenos. Estejamos convencidos de que, nos processos de obsessão, acontece também assim.

Na cura da obsessão

Reconhecer no obsidiado, seja ele quem for, um familiar doente a quem se deve o máximo de consideração e assistência. Equilibrar a palavra socorredora, dosando consolo e esclarecimento, brandura e energia.

Não desconsiderar as necessidades do corpo ante os desbarates da alma, conjugando os recursos da medicação e do passe, da higiene e da prece. Incluir o trabalho por agente curativo, de acordo com as possibilidades e forças do paciente.

Abolir as sugestões de medo no trato com o obsesso, evitando encorajar ou consolidar o assalto de entidades menos felizes. Tratar os Espíritos perturbados que, porventura, se comuniquem no ambiente do enfermo, não à conta de verdugos e sim na categoria de irmãos credores de assistência e piedade.

Impedir comentários em torno da conversação desequilibrada ou deprimente dos desencarnados infelizes. Policiar modos e frases que exteriorize, convencendo-se de que o obsidiado, não raro, representa, só por si, toda uma falange de Inteligências necessitadas de reconforto e direção, conquanto invisíveis aos olhos comuns.

Evitar suscetibilidades perante supostas ofensas no clima familiar do obsidiado, entendendo que uma obsessão instalada em determinado ambiente assemelha-se, às vezes, a um quisto no corpo, deitando raízes em direções variadas. Compreender ao invés de emocionar-se.

Abster-se de tabus e rituais, cujos efeitos nocivos permanecerão na mente do obsidiado depois da própria cura. Solicitar a cooperação de amigos esclarecidos que possam prestar auxílios ao doente. Controlar-se.

Desinteressar-se com os sucessos da cura, tendo em mente que lhe cabe fazer o bem com discrição e humildade. Ensinar, mas igualmente exercer a caridade, observando que, em muitos casos, o obsidiado e os que lhe compõem a equipe doméstica são pessoas necessitadas até mesmo do alimento comum.

Suprimir, quanto possível, os elementos que recordem tristeza ou desânimo, aflição ou tensão no trabalho que realiza. Não atribuir a si os resultados encorajadores do tratamento, menosprezando a ação oculta e providencial dos Bons Espíritos.

Educar o obsidiado nos princípios espíritas, encaminhando-o a um templo doutrinário em que possa assimilar as lições lógicas e simples do Espiritismo . Socorrer sem exigir.

Amparar o companheiro necessitado, sem propósitos de censura, ainda mesmo que surjam motivos aparentes que o induzam a isso, recordando que Jesus-Cristo, o iniciador da desobsessão sobre a Terra, curava os obsidiados sem ferir ou condenar a nenhum.


Na hora da fadiga
Quando o cansaço te procure no serviço do bem, reflete naqueles irmãos que suspiram pelo mínimo das facilidades que te enriquecem as mãos. Pondera não apenas as dificuldades dos que, ainda em plenitude das forças físicas, se viram acometidos por lesões cerebrais, mas também no infortúnio dos que se acham em processos obsessivos, vinculados às trevas da delinquência.

Observa não somente a tortura dos paralíticos, reclusos em leitos de provação, mas igualmente a dor dos que não souberam entender a função educativa das lutas terrestres e caminham, estrada afora, de coração enrijecido na indiferença.

Considera não apenas o suplício dos que renasceram em dolorosas condições de idiotia, reclamando o concurso alheio nas menores operações da vida orgânica, mas também o perigoso desequilíbrio daqueles que, no fastígio do conforto material, resvalam em ateísmo e vaidade, fugindo deliberadamente às realidades do espírito.

Medita não somente na aflição dos que foram acidentados em desastres terríveis, mas igualmente na angústia dos que foram atropelados pela calúnia, tombando moralmente em revolta e criminalidade, por não saberem assimilar o benefício do sofrimento.

Quando a fadiga te espreite a esfera de ação, pensa naqueles companheiros ilhados em padecimentos do corpo e da alma, a esperarem pelo auxílio, ainda que ligeiro, de teu pensamento, de tua palavra, de tua providência, de tuas mãos...

Se o desânimo te ameaça, examina se o abatimento não será unicamente anseio de repousar antes do tempo, e se te reconheces conscientemente dotado de energias para ser útil, não te confies à inércia ou à lamentação.

Quando a fadiga apareça, recorda que alguém existe, a orientar-te e a fortalecer-te na execução das tarefas que o Alto te confiou; alguém com suficiente amor e poder, a esperar-te os recursos e dons na construção da Vida Melhor... Esse alguém é Jesus, a quem aceitamos por Mestre e que, certa feita, asseverou, positivo, à frente dos seguidores espantados por vê-lo a servir num dia consagrado ao descanso: — «Meu Pai trabalha até hoje e eu trabalho também».

Doenças - fantasmas
Somos defrontados com frequência por aflitivo problema cuja solução reside em nós. A ele debitamos longas fileiras de irmãos nossos que não apenas infelicitam o lar onde são chamados à sustentação do equilíbrio, mas igualmente enxameiam nos consultórios médicos e nas casas de saúde, tomando o lugar de necessitados autênticos .

Referimo-nos às criaturas menos vigilantes, sempre inclinadas ao exagero de quaisquer sintomas ou impressões e que se tornam doentes imaginários, vítimas que se fazem de si mesmas nos domínios das moléstias-fantasmas.

Experimentam, às vezes, leve intoxicação, superável sem maiores esforços, e, dramatizando era demasia pequeninos desajustes orgânicos, encharcam-se de drogas, respeitáveis quando necessárias, mas que funcionam à maneira de cargas elétricas inoportunas, sempre que impropriamente aplicadas.

Atingido esse ponto, semelhantes devotos da fantasia e do medo destrutivo caem fisicamente em processos de desgaste, cujas consequências ninguém pode prever, ou entram, modo imperceptível para eles, nas calamidades sutis da obsessão oculta, pelas quais desencarnados menos felizes lhes dilapidam as forças.

Depois disso, instalada a alteração do corpo ou da mente, é natural que o desequilíbrio real apareça e se consolide, trazendo até mesmo a desencarnação precoce, em agravo de responsabilidade daqueles que se entibiam diante da vida, sem coragem de trabalhar, sofrer e lutar.

Precatemo-nos contra esse perigo absolutamente dispensável. Se uma dor aparece, auscultemos nossa conduta, verificando se não demos causa à benéfica advertência da Natureza.

Se surge a depressão nervosa, examinemos o teor das emoções a que estejamos entregando as energias do pensamento, de modo a saber se o cansaço não se resume a um aviso salutar da própria alma, para que venhamos a clarear a existência e o rumo.

Antes de lançar qualquer pedido angustiado de socorro, aprendamos a socorrer-nos através da auto-análise, criteriosa e consciente.
Ainda que não seja por nós, façamos isso pelos outros, aqueles outros que nos amam e que perdem, inconsequentemente, recurso e tempo valiosos, sofrendo em vão com a leviandade e a fraqueza de que fornecemos testemunho.

Nós que nos esmeramos no trabalho desobsessivo, em Doutrina Espírita, consagremos a possível atenção a esse assunto, combatendo as doenças-fantasmas que são capazes de transformar-nos em focos de padecimentos injustificáveis a que nos conduzimos por fatores lamentáveis de auto-obsessão.

27 - Estudos Espíritas - Joanna de Ângelis - pág.143

19 - OBSESSÃO
CONCEITO — Distúrbio espiritual de longo curso, a obsessão procede dos painéis íntimos do homem, exteriorizando-se de diversos modos, com graves consequências, em fornia de distonias mentais, emocionais e desequilíbrios fisiológicos. Inerentes à individualidade que lhe padece o constrangimento, suas causas se originam no passado culposo, em cuja vivência o homem, desatrelado dos controles morais, arbitrariamente se permitiu consumir por deslizes e abusos de toda ordem, com o comprometimento das reservas de previdência e tirocínio racional.

Amores exacerbados, ódios incoercíveis, dominação absolutista, fanatismo injustificável, avareza incontrolável, morbidez ciumenta, abusos do direito como da força, má distribuição de valores e recursos financeiros, aquisição indigna da posse transitória, paixões políticas e guerreiras, ganância em relação aos bens perecíveis, orgulho e presunção, egoísmo nas suas múltiplas facetas são as fontes geratrizes desse funesto condutor de homens, que não cessa de atirá-los nos resvaladouros da loucura, das enfermidades portadoras de síndromes desconhecidas e perturbantes do suicídio direto ou indireto que traz novos agravamentos àquele que se lhe submete, inerme, à ação destrutiva.

Parasita pertinaz, a obsessão se constitui de toda idéia que se fixa de fora para dentro — como na hipnose, por sugestão consciente ou não, como pela incoercível persuasão de qualquer natureza a que se concede arrastar o indivíduo. Ou, de dentro para fora, pela dominadora força psíquica que penetra e se espraia, no anfitrião que a agasalha e sustenta, vencendo-lhe as débeis resistências. Originária, às vezes, da consciência perturbada pelas faltas cometidas nas existências passadas, e ainda não expungidas — renascendo em forma de remorsos, recalques, complexos negativos, frustrações, ansiedades —, impõe o auto-supliciamento, capaz, de certo modo, de dificultar novos deslizes, mas ensejando, infelizmente, quase sempre, desequilíbrios mais sérios...

Possuindo o homem os fatores predisponentes para o seu surgimento e fixação (os débitos exarados na mente espiritual culpada), faculta uma simbiose entre as mentes, encarnadas ou desencarnadas, mas de maior incidência na esfera entre o Espírito desatrelado do carro somático e o viandante da névoa carnal, constituindo tormento de larga expansão que, não atendido convenientemente, termina por atingir estados desesperadores e fatais.

Sendo, todavia, a morte, apenas um corolário da vida, em que aquela confirma esta, compreensível é que o intercâmbio incessante prossiga, não obstante a ausência da forma física. Viajando pelo perispírito, veículo condutor das sensações físicas na direção do Espírito e, vice-versa, mensageiro das respostas ou impulsos deste no rumo do soma, esse corpo semimaterial, depositário das forças impregnantes das células, constitui excelente campo plástico de que se utiliza a Lei para os imprescindíveis reajustes daqueles que, por distração ou falta de siso, desrespeito ou abuso, ambição ou impiedade se atrelaram às malhas da criminalidade.

O comércio mental funciona em regime de amplas perspectivas, seja no plano físico, seja nas esferas espirituais; ou reciprocamente.
Não sendo necessário o cérebro para que a mente continue o seu ministério intelectual, constituindo o encéfalo tão-somente o instrumento de exteriorização física, mentes e mentes ligam-se e se desligam em conúbios contínuos, incessantes, muito mais do que seria de supor-se. O que é normal entre os homens não muda após o decesso corporal.

Há sempre alguém pensando noutrem. O estabelecimento dos contactos como a continuidade deles é que podem dar curso aos processos obsessivos ou lenificadores, consoante seja a fonte emissora. Através da Física Moderna, em ligeiro exame, podemos constatar que, à medida que a matéria foi perquirida, experimentou desagregação, até quase total extinção da idéia de estrutura.

Dos conceitos medievais aos hodiernos, há abismos de conhecimento, viandando da constituição bruta à quintessência. Em consequência, a Terra e tudo que nela se encontra ora se converte em ondas, raios, mentes, energias...Da idéia simples, que insiste, perseverante, à fascinação estonteante, contínua, até à subjugação vencedora, a obsessão é, em nossos dias, o mais terrível flagelo com que se vê a braços a Humanidade...

Espocando em condições próprias, quais cogumelos bravos e venenosos, multiplica-se assustadoramente, conclamando-nos todos à terapêutica imediata, cuidadosa, e a medidas preventivas, inadiáveis, antes que os palcos do mundo se convertam em cenários nefandos de horror e desastre.

DESENVOLVIMENTO
A História é testemunha de obsessões cruéis.
Atormentados de todo porte desfilaram através dos tempos, vestindo indumentárias masculinas e femininas, em macabros festivais, desde as guerras sanguissedentas a que se entregavam às dominações mefíticas, cuja evocação produz estupor nas mentes desacostumadas à barbárie.

Não somente, todavia, nos recuados tempos do passado. Não há muito, a Humanidade foi testemunha da fúria obsessiva dos apaniguados do racismo hediondo, que nos campos de concentração de diversas nações modernas praticaram os mais selvagens e frios crimes contra o homem e a sociedade, conseqüentemente contra Deus.

Isto porque a obsessão não se desenvolve somente nos chamados meios vis, em que imperam a ignorância, o primitivismo, o analfabetismo, os sofrimentos cruciais. Medra, também, e muito facilmente, entre os que são fátuos, os calculistas e imediatistas, neles desdobrando, em virtude das condições favoráveis da própria constituição espiritual, os sêmens da perturbação que já conduzem interiormente.

Estigma a pesar sobre cabeças coroadas, a medrar em berços de ouro e nácar, a fustigar conquistadores, a conduzir perversos- esteve nos fastos históricos aureolada de poder e ovacionada pela febre da loucura, condecorando homicidas e destruindo-os depois, homenageando bárbaros e destroçando-os, em voragens nas quais se consumiam, em espetáculos inesquecíveis pela aberração de que davam mostras.

Ferrete cravado em todos aqueles que um dia se mancomunaram com o crime, aparece nas mentes e corpos estiolados, arrebentando-se em expressões teratológicas dolorosas, exibindo as feridas da incúria e da alucinação.

Não apenas no campo psíquico a obsessão desarticulou, no passado, heróis e príncipes, dominadores e dominados, mas, também, nas execrações físicas de que não se podiam furtar os criminosos, jugulando-os às jaulas em que se fazia necessário padecerem para resgatar.

Hoje, em pleno século da tecnologia, em que os valores éticos sofrem desprestígio, a benefício dos valores sem valor, irrompe a obsessão caudalosa, arrastadora, arrancando o homem das estrelas para onde procura fugir, a fim de fixá-lo ao solo que pensa deixar e que se encontra juncado de cadáveres, maculado de sangue, decorrência de suas múltiplas e incessantes desídias.

OBSESSÃO E JESUS
— Ensinando mansuetude e renúncia, quando o mundo se empolgava nas luzes de Augusto; precedido pelos arregimentadores da paz e da concórdia, que mergulharam na carne para lhe prepararem o advento, Jesus viveu, todavia, os dias em que a força estabelecia as bases do direito e o homem era lacaio das paixões infrenes, vitimado pelas loucas ambições da prepotência e das guerras...

Embora as luzes do pensamento filosófico de então, a especarem em vários rincões, o ser transitava, ainda, das expressões da selvageria à civilidade, acobertado por vernizes tênues de cultura, em que o orgulho vão mantinha supremacia, dividindo as criaturas em castas e sub-castas, a expensas de preconceitos muito enganosos.

A Sua mensagem de amor, no entanto, sobrepairou além e acima de todas as conceituações que chegaram antes, e a força do Seu verbo, na exemplificação tranquila quão eloquente de que se fez expoente, abalou a pouco e pouco os falsos alicerces da Terra, injetando estrutura salutar e poderosa sobre a qual ergue, há vinte séculos, o Reino da Plenitude...

Nunca se escutara voz que se Lhe semelhasse. Jamais se ouviu canção que transfundisse tal esperança. Outra vez não voltaria o murmúrio sublime de tão comovedora musicalidade...Ninguém que fizesse o que Ele fez. Nenhuma dádiva que suplantasse a que Ele distribuiu.

Pelo tanto que é, tornou-se também o Senhor dos Espíritos, penetrando os meandros das mentes obsidiadas e arrancando de lá as matrizes fixas, por meio das quais os Espíritos impuros se impunham àqueles que lhes estavam jugulados pelos débitos pesados do pretérito.

Não libertou, no entanto, os obsidiados sem lhes impor a necessidade de renovação e paz, por meio das quais encontrariam o lenitivo da reparação da consciência maculada pelas infrações cometidas. Nem expulsou, desapiedadamente, os cobradores inconscientes. Antes entregou-os ao Pai, a Quem sempre exorava proteção, em inigualável atitude de humildade total.

Apesar disso, os que O cercavam, fizeram-se por diversas vezes instrumento de obsessões temporárias, a fim de que pudéssemos compreender, mais tarde, a nossa própria fragilidade, afastando assim pretensões e regimes de exceção. Enérgico ou meigo, austero ou gentil, cônscio da Sua missão, ensinou que a terapêutica mais poderosa contra obsessões e desgraças é a do amor, pela vivência da caridade, da renúncia e da auto-sublimação.

Prevendo o futuro de dores que chegaria mais tarde, facultou-nos o Consolador para que todos que "nele cressem não perecessem, mas tivessem a vida eterna". Enquanto as luzes da cultura parecem esmaecidas pelo sexo em desconcerto, de que se utilizam os Espíritos infelizes para maior comércio com os homens; pelos estupefacientes e alucinógenos em báratro assustador, que facultam mais amplas possibilidades ao conúbio entre os Espíritos dos dois lados da vida.

Pela aflição na conquista da posse, que estimula o exercício exagerado de paixões de vário porte; pela fuga espetacular à responsabilidade, que engendra o desrespeito e acumplicia o homem às torpes vantagens da carne ligeira; pela desesperação do gozo de qualquer matiz, que abre as comportas do vampirismo destruidor, o Consolador chega lucilando ao mundo e acenando novos métodos de paz para os que sofrem, e esses sofredores somos quase todos nós. Obsidiados, obsessões, obsessores!

Ei-los em toda parte, para quem os pode identificar. Em arremedos de gozadores, padecem ultrizes exulcerações íntimas. Sorrindo, têm a face em esgares. Dominando, se revelam vencidos por incontáveis mazelas que brotam de dentro e se exteriorizam mais tarde em feridas purulentas, nauseantes...

Mais do que nunca, a oração do silêncio e a voz da meditação, no rumo da edificação moral, se fazem tão necessárias! Abrir a mente à luz e o coração ao amor, albergando a família padecente dos homens, de que fazemos parte, é o impositivo do Cristo para todos os que crêem e, especialmente, para os espiritistas, que possuímos os antídotos eficazes contra obsessões e obsessores, com o socorro aos obsidiados e seus perseguidores, sob a égide de Jesus.

39 - PLANTÃO DA PAZ - EMMANUEL - PÁG. 82

OBSESSÃO VISTA DE CIMA

Para mencionar o sofrimento dos amigos espirituais quando impelidos a deixar, temporariamente, o convívio dos entes amados, com moradia transitória na Terra, recorramos às lições vivas da experiência. Mãe abnegada albergava no colo o filho querido..Flor de seu sangue, assegurou-lhe proteção, orvalhando-lhe a vida com as lágrimas de suas dores e de suas alegrias esmaltadas de aflição. Nunca lhe viu tristeza no semblante que não se lhe anuviasse o pensamento.

De quantos sacrifícios entreteceu as lides cotidianas, para que o rebento de suas aspirações crescesse feliz, ninguém soube, a não ser a Bondade Divina, no equilíbrio da consciência. Jamais relacionou os sonhos asfixiados no nascedouro para que não lhe faltasse assistência; os pesadelos que lhe enregelavam o coração ao vê-lo abatido; as privações do corpo e da alma, em repetição constante, a fim de que a mais leve sombra não lhe tisnasse o ambiente, os dias atormentados, de cativeiro doméstico, e os plantões noturnos, em solidão e serviço, que ela agredecia aos Céus, para não se lhe apartar do sorriso confiante...

Em troca, não lhe pedia nem homenagens, nem tributos, nem o ouro da Terra, nem espetáculos de grandeza. Por toda a retribuição, ao cuidados da existência inteira, rogava-lhe apenas bondade e retidão, de modo a ser cada vez mais digno e mais feliz. O filho, entretanto, bandeando-se para a ilusão, em plenitude do livre arbítrio, resvalou na armadilha da criminalidade, sendo internado, imediatamente, na prisão para o corretivo necessário; e, desde então, ele que se habituara ao tépido arminho de invariável dedicação, conquanto seguido de longe pela ternura materna, passou a receber o trato frio e, por vezes agressivo de carcereiros indiferentes.

Reflitamos no martírio das milhares de mãe, afetuosas e devotadas, constrangidas pela força da lei e entregar os filhos estremecidos ao clima afogueante de calabouços e penitenciárias, e compreenderemos, sem palavras, o súplicio dos espíritos generosos, ao verem amigos e companheiros da Terra retidos na grilheta invisível da obsessão.

40 - FLORAÇÕES EVANGÉLICAS - JOANNA DE ÂNGELIS- PÁG. 235

SEXO E OBSESSÃO

Espíritos perturbados em si mesmos reencarnam-se, anatematizados por desequilíbrios físicos e psíquicos que procedem das lembranças negativas e dos erros anteriormente praticados. Espíritos inquietos reemboscam-se na indumentária fisiológica, açulados por falsas necessidades a que se atiraram, impensadamente, nas existências passadas.

Espíritos aturdidos recomeçam a experiência carnal sob o guante de paixões que devem superar, e derrapam nas experiências comprometedoras em que mais se infelicitam. Espíritos ansiosos vitalizam as idéias que os atormentam e estabelecem conexões enfermiças com outras mentes, engendrando dramas obsessivos de consequências lastimáveis.

Espíritos viciados se recondicionam no corpo somático e se permitem acumpliciamento com outros seres reencarnados, em ultrizes processos de vampirização recíproca, em que desarticulam os centros genésicos, passando a experimentar desditas inenarráveis. Estatísticas eficientes realizadas do lado de cá informam que os processos infelizes da criminalidade e do desespero procedem invariavelmente do ódio.

Merece, porém, examinar, que o ódio resulta das frustrações afetivas, das ansiedades incontidas do egoísmo exacerbado, da maledicência sinistra, da ira frequente, das ambições desmedidas, dos amores alucinados que se conjugam em nefandos conciliábulos de imprevisíveis resultados.

Por isso, o amor é fundamental na vida de todos. E por ser o sexo a fonte poderosa que faculta a perpetuação da espécie, entre os homens, invariavelmente vai confundindo nos delineamentos afetivos, como fator essencial para a comunhão, senão o único meio de exteriorização do amor. Diariamente milhões de criaturas mal informadas ou desavisadas, fascinadas pelas ilusões do prazer, arrojam-se a despenhadeiros da loucura, por frustrações e desassossegos sexuais. Sublime campo de experiências superiores normalmente se converte em paul sombrio de miasmas asfixiantes e tóxicos nefastos.

Através dele, todavia, o Espírito que recomeça a caminhada na Terra encontra o regaço materno mãos vigorosas da paternidade, os braços fraternos transformados em asas de socorro, o ósculo da amizade pura e a certeza do reequilíbrio na oportunidade nova, como porta abençoada para a própria redenção.

Não o esqueças propositadamente nos cometimentos humanos em que te encontras. Não o espicaces levianamente, buscando as expressões da violência. Sublima-o pela continência, mediante a correção do comportamento, através da disciplina mental. Não esperes a senectude para que te apresentes sereno.

Muitas pessoas idosas expressam amarguras, que decorrem das frustrações coercitivas a que se viram impelidas; outras se caracterizam conduzindo excessivas doses de pudor, após a travessia lamentável pelos perigosos rios do uso desequilibrado, de que se arrependem dolorosamente, descambando para a aversão sistemática; diversas fingem ignorá-lo, após perderem as exigências naturais pelo cansaço e disfunção que a velhice impõe...

Muito males, que não podem ser catalogados facilmente, decorrem de íntimas inquietações nos departamentos do sexo atribulado, desde os dias da juventude...Em razão disso, ama, quanto te permitam as forças. Não esperes, porém, que o ser amado seja compelido a responder-te às aspirações. Provavelmente esse Espírito está vinculado a outro Espírito e chegaste tarde, não te sendo facultado desatrelá-lo das ligações a que se permitiu prender espontaneamente.

Se chegas antes, não o atormentes com exigências, porque é possível que o compromisso dele esteja à frente. Se te aproximas tardiamente e desfazes os laços que já mantém, não fruirás a felicidade, e se impedes que marche na direção das tarefas para as quais reencarnou sofrerás, mais tarde, o travo da desilusão, quando passe o infrene desejo imediato...

Entrega o teu amor à vida e envolve-o nas vibrações da ternura que felicita e dulcifica aquele que ama, quanto o que é amado. Se, todavia, não possuíres forças para o cometimento não te permitas a conjectura de sonhos escravocratas. Antes, ora e roga o socorro do Alto que os anjos guardiães vigilantes te distendam compassivas e bálsamo tranquilizador. O teu íntimo amor resplandecerá um dia, a superação do tormento sexual, em paisagem festa em que o teu Espírito cantará a música da liberdade e da paz. Há mentes ociosas, na Erraticidade, atormentadas e sedentas, vitimadas por paixões que ainda não se aplacaram, que estão realizando incessante comércio obsessivo com os que se permitem, na Terra alucinações sexuais e os desavisos afetivos.

Em conúbios terríveis atiram-se com virulência, explorando os centros genésicos dos encarnados e esfacelando neles a esperança e a alegria de viver. Sutilmente instilam os pensamentos depressivos ou açulam falsas necessidades, absorvendo, por processos muito complexos, as expressões do prazer fugidiço e instalando as matrizes de desequilíbrio irreversíveis. Vigia a mente e controla o sexo.

Quando pensamentos inusitados te sombrearem os painéis mentais com idéias infelizes; quando afetos dúlcidos se transformarem nos recessos do teu coração em fornalha de desejos; quando a ternura com que envolves os a quem estimas ou amas se te apresentar ardente ou angustiante; quando passares a sofrer dolorosas constrições na organização genésica, tem cuidado! Certamente estarás obsidiado por outros Espíritos, encarnados de mente vigorosa ou desencarnados infelizes, em trama contínua para te arrojarem nos despenhadeiros da alucinação.

Levanta o pensamento a Jesus e a Ele te entrega em regime de total doação, certo de que o Vencedor de todos os embates te ajudará a sair da constrição cruel, encaminhando-te na direção da harmonia. Para tanto, ora e trabalha pelo bem comum, e o bem de todos te oferecerá o lenitivo e a força para a libertação a que aspiras.

"Pois do coração procedem maus pensamentos, homicídios, adultérios, fornicações, furtos, falso testemunhos, blasfêmias. Mateus, 15-19.

Ide, portanto, meus filhos bem-amados, caminhai sem tergiversações, sem pensamentos ocultos, na rota bendita que tomastes. Ide, ide sempre, sem temor; afastai cuidadosamente tudo o que vos possa entravar a marcha para o objetivo eterno. Cap. XXI, ítem 8.

41 - OFERENDA - JOANNA DE ÂNGELIS - PÁG. 131

TERAPÊUTICA DESOBSESSIVA

Desde que já consegues raciocinar com alguma clareza, após a grande crise psíquica que te conduzia à alucinação ou ao desencanto na depressão infeliz, faz-se indispensável que te revistas de maior soma de vigilância, a fim de que precates contra a recidiva, voltando a cair no lamentável processo de aflição desnecessária. De início evita as cômodas expressões: "não posso", "não suporto fazer isso", "não gosto desta terapèutica", ou outras que levam à fuga da responsabilidade.

Valoriza o esforço. A "lei do trabalho" é impositivo divino a que ninguém se pode furtar. Ninguém te indaga se a medicação ser-te-á ou não agradável. Aplicar-te-ão as que se fizerem necessárias à tua recuperação. Desde que estás em condições de logicar, és convidado a cooperar no tratamento, mesmo que o paladar se te afigure momentaneamente amargo, já que será através dele que cobrarás a saúde perdida.

Pessoa alguma poderá ir contigo além do lugar onde queiras estacionar. Se não fizeres da tua parte, o que podes e deves realizar, os teus melhores afetos não conseguirão preencher as lacunas dos teus deveres, assumindo o compromisso que só a ti é lícito sofrer. Vigia a mente, que está saindo do letargo ou da exaltação, dependento do tipo de sofrimento que experimentas.

És o condutor da tua vida e, portanto, senhor da vontade. Exercitando a mente, esta te atenderá mediante processo natural de sedimentação dos impulsos, da fixação das mensagens que mandas, positivas, a fim de lograres adaptar-te, novamente, aos hábitos, dos quais te afastaste há pouco.

Estuda páginas edificantes e otimistas, a fim de que consigas imprimir clichês mentais idealistas que funcionarão como o estímulo de que necessitas. Exercita os membros no trabalho. A praxiterapia te dará motivação para que a "hora vazia" não se te constitua motivo de desfalecimento ou queda nos abismos da desordem mental.

Lembra-te dos que sofrem mais e esforça-te pelo recuperar as forças, a fim de os ajudar, mais tarde, agora que conheces por experiência pessoal o significado da alineação transitória. Porfia na prece. Ela dar-te-á alimento espiritual, criando ao teu derredor psicosfera superior, que impedirá a presença ou a insistência do perseguidor desencarnado.

Concatena idéias e formula planos edificantes, através dos quais sentirás o alento para te libertares da canga perturbadora. Busca a conversação agradável. O mutismo levar-te-á a um estado de letargia mental, tornando-te presa fácil dos desajustes emocionais. Sê gentil, não implicando por nada ou com ninguém, mesmo que no íntimo te insurjas contra isto ou aquilo.

A humildade e a submissão dão valor moral e fazem que granjeies mérito perante a Vida, conseguindo a libertação. Atende à medicação se estiveres sob cuidados especializados, porque a ciência tem a sua inspiração divina a serviço do homem enfermo.

Se a fluidoterapia, seja pelo passe, pela água magnetizada, pelo serviço de socorro ao desencarnado que te aflige, é te ofertada, embora tenha reserva para com esta metodologia, ajuda a quem te ajuda, abre-te em aceitação mental, esforçando-te por sintonizar com o labor, a fim de que impregnes das forças com que te socorrem generosamente.

Há muitas outras sugestões valiosas que funcionam como terapêutica anti-obsessiva, que não foram referidas e nem aqui poder-se-ia incluir todas. No entanto, estas prescritas, se forem observadas, os resultados felizes se farão com brevidade e a paz volver-te-á em forma de harmonia mental.

Disse Jesus: "Àquele que crê tudo é possível", o que podemos interpretar como àquele que se esforça, porque crê, os resultados salutares são possíveis e imediatos.

42 - TEMAS DA VIDA E DA MORTE - MANOEL P. DE MIRANDA- PÁG. 153

FENÔMENOS OBSESSIVOS

As obsessões de ordem espiritual, na qual se expressam, em pugna lamentável, homens e Espíritos, têm curso, normalmente, demorado. Obedecendo, a gêneses que procedem de reencarnações anteriores, traduzem-se por ódios furibundos; amores apaixonados, em situações frustrantes; cobiças exacerbadas; desforços bem programados numa esteira de incidentes que se sucedem sob chuvas de fé e azorragues de loucura.

Em todos os casos, o encarnado possui os condicionamentos que propiciam o nefando intercâmbio que, muitas vezes, não se interrompe com a morte física. Porque a divina justiça se encontra insculpida na consciência da criatura, o delinquente ou réprobo proporciona os recursos predisponentes ou preponderantes para o conúbio devastador.

Preferências iguais assinalam o perseguidor e o perseguido, porque do mesmo nível de evolução moral. Temperamentos fortes, em face das aquisições negativas a que se dedicaram, identidade de interesses mesquinhos, decorrentes da viciação a que se entregaram, facultam ligações de igualdade fluídica, entrelaçando os litigantes no mesmo halo de comunhão, ampliando-se a interdependência na razão direta em que o hospedeiro se entrega ao albergado psíquico, interdependência que sempre, quando não cuidada, termina na osmose parasitária aniquiladora.

Desde que conhecidos e afins psiquicamente, o enfermo encarnado recusa a ajuda que lhe é oferecida, assimilando, prazerosamente, as induções que lhe chegam por via telepática e que incorpora aos hábitos aos quais submete. Quando a perturbação é causada por antagonista que ignora as técnicas de vampirismo — no caso das obsessões simples — fazem-se mais fáceis as psicoterapias libertadoras. Todavia, à medida que evolui o processo desagregador da personalidade, o algoz se adestra em mecanismos controle da vontade da sua vítima, muitas vezes sob orientação de impenitentes perseguidores outros, que comprazem em produzir aflições nos homens.

São, então, armadas ciladas contínuas, e inumeráveis tentações se apresentam, disfarçadas, arrojando os incautos em compromissos mais graves, de lesa consciência, graças aos quais perde os contactos com os possíveis recursos de auxílio que são propiciados pela Providência. Obnubila-se a razão, que se turba, fixando-se nas faixas da vinculação nefasta, não deixando claros mentais para as intuições lenificadoras, nem campo para as recapitulações positivas que dulcificam o sentimento, favorecendo a captação das idéias benéficas.

As obsessões enxameiam por toda parte e os homens terminam por conviver, infelizes, com essas psicopatologias para as quais, fugindo à sua realidade, procuram as causas nos traumas, nos complexos, nos conflitos, pressões sociais, familiares e econômicas, como mecanismo de fuga aos exames de profundidade da gênese real tão devastadora enfermidade.

Não negando a preponderância de todos esses fatores que desencadeiam problemas de comportamento psicológico, afirmamos que eles, antes de constituírem causa dos distúrbios são, em si mesmos, efeito de atitudes transatas, que o Espírito imprime na organização fisiopsíquica ao reencarnar-se, porquanto é sempre colocado no grupo familiar com o qual se encontra enredado, por impositivo de ressarcimento de dívidas, para o equilíbrio evolutivo.

Enquanto o homem não for estudado na sua realidade profunda — ser espiritual que é, preexistente ao corpo e a ele sobrevivente -, muito difíceis serão os êxitos da ciência médica, na área da saúde mental. As doenças psíquicas, entre as quais se destacam, pela alta incidência, as obsessões, continuarão ainda a perseguir o homem.

Todo comportamento que se exacerba ou se deprime, exaltando paixões e comandando desregramentos, fomentando ódios e distonias, guardam, na sua raiz, graves incidências obsessivas que merecem cuidados especiais. É indispensável que a compreensão das finalidades da vida comande o pensamento do homem, oferecendo-lhe as seguras diretrizes para precatar-se contra essa epidemia voluptuosa, ao mesmo tempo armando os cultores das ciências da alma com os valiosos instrumentos para a terapia de profundidade, na qual ambos os enfermos — obsessor e obsidiado — sejam amparados, apaziguando-se e produzindo no bem, em favor de si mesmos e da comunidade em geral.

Não desejamos transferir para os Espíritos turbados ou maus as ocorrências desditosas na Terra, isentando os homens da responsabilidade que lhes cabe. Afirmamos que partilham os desencarnados, mais do que se pensa, dos sucessos e acontecimentos humanos negativos, por assimilação e vinculação, nos quais se comprazem os encarnados, que lhes oferecem os meios e a sintonia para que tenham lugar esses fatos reprováveis.

É certo que, no sentido inverso, o intercâmbio com as Entidades evoluídas também se faz amiúde, num programa de amor e socorro ao ser humano, como expressão do divino auxílio. Como, todavia, as manifestações mais primárias predominam nas atividades terrestres a incidência se descubra como é, filha de Deus e resolva-se a atender ao chamado paterno, avançando na Sua direção pelas vias do amor.

43 - CORRENTEZA DE LUZ - J. RAUL TEIXEIRA (ESPÍRITO CAMILO) - PÁG. 143, 149

REUNIÃO DE DESOBSESSÃO

Sendo a reunião mediúnica UM SER COLETIVO, como assinala o notável Allan Kardec, não padece dúvida o fato de que todos os componentes das reuniões têm o fato de que todos os componentes das reuniões têm responsabilidades específicas e gerais sobre a sua realização. Embora conheçamos reuniões mediúnicas de diversos matizes, aquela denominada DE DESOBSESSÃO guarda em si peculiaridades que merecem observadas.

O evento mediúnico destinado à desobsessão carecerá de um pugilo de criaturas dispostas ao desempenho, à dedicação, às renúncias variadas, para que o labor alcance o seu desiderato feliz. Não será pelo motivo de ser uma tarefa mediúnica, que todo e qualquer médium, ainda que psicofônico ou psicógrafo, ou vidente ou de outra modalidade qualquer, terá acesso a ela, sem mais nem menos. Sabemos de um sem-número de médiuns, portadores de amplas faculdades, mas que não guardam cuidados com a própria conduta, tornando-se veículos de más comunicações, eivadas dos condicionamentos capazes de perturbar todo o labor.

Desses médiuns descuidados, invigilantes, destacamos aqueles cuja língua é uma verdadeira chibata, pespegando golpes sobre a vida alheia ou tornando o esforço mediúnico da equipe de domínio público, sem atender à discrição que a atividade exige. Não é que haja segredos, mas vale o respeito aos dramas e conflitos dos encarnados quanto dos desencarnados sofredores. Outros médiuns adeptos dos alcoólicos e dos tabacos, do "garfo nervoso" ou da pornografia costumam estabelecer intercâmbio psíquico com Entidades da mesma craveira moral, o que seria transtorno dispensável para o trabalho da desobsessão.

Não é que a reunião deva comportar criaturas santificadas, porque isso seria impraticável. Entretanto, poderão ser encontrados os que, não se comprazendo com tais dislates, lutam pela sua transformação moral, nos esforços por dominar suas más inclinações, como o Codificador define os espíritas verdadeiros. Muitos médiuns, abrasados por perturbações libidinosas, ao invés de se impor peleja de renovação por disciplinar os impulsos de "homem velho", dão vazão aos instintos grosseiros, o que se faz elemento de descompasso, quando no bojo de semelhantes atividades desobsessivas.

A reunião de desobsessão é um labor previamente organizado pelos Nobres Mentores do Invisível, quando o grupo se ajusta para isso, pelo fato de os Emissários da Luz não se envolverem com pilhérias ou brincadeiras de indivíduos estúrdios. É comum que nos períodos próximos às reuniões, os Luminares operem aproximações psíquicas das Entidades que serão atendidas em breve com os médiuns, em geral, com esclarecedores, passistas, facilitando com isso o registro mediúnico de mal-estares, incômodos físicos ou morais, em razão de que tudo isso auxilia o atendimento dos companheiros desencarnados, por serem identificadas as suas tormentas íntimas.

Se os participantes desses misteres não têm o devido controle na autodisciplina, se não se aplicam aos estudos sérios e profundos, se não se esmeram na vigilância cotidiana, padecem a penetração desses infortunados irmãos nos seus psiquismos ou sofrem-lhes as ingerências nos elementos à sua volta, que se fazem presas fáceis desses infelizes, com o fito de perturbar os lidadores. O guarnecimento moral, numa vida saudável, é cobertura de luz contra os possíveis efeitos ruinosos dessas enfermiças presenças.

Para os lidadores da desobsessão, torna-se de bom alvitre os continuados estudos da Doutrina Veneranda, dos tipos comunicantes, tanto quanto de si mesmos, a fim de que a cada dia se transformem em mais aptos cooperadores do Cristo, na lide por afugentar as sombras espessas que teimam em fustigar a Humanidade.

Durante os labores desobsessivos os Seareiros do Bem costumam levar para os locais de trabalho aparatos fluídicos, os mais variados, para o atendimento de uma problemas apresentados por desencarnados em tormenta. Muitos sofredores invisíveis têm necessidade de permanecer no mesmo ambiente das reuniões, após a lide formal, sendo inúmeras vezes atendidos de modo mais direto e profundo pelos componentes da equipe, quando desdobrados pelo comum. Razão temos aí para que os lidadores das reuniões de desobsessão não se imiscuam em agitações folguedos desnecessários, depois das tarefas, procurando manter seu íntimo clima de alegria e de paz até o momento de entregar-se ao repouso.

Na certeza de que Cristo não põe sobre os ombros dos Seus colaboradores fardos por eles insuportáveis, abracemos os compromissos da desobsessão com a devida disposição de ajudar, ajudando-nos, para que construamos o Mundo Novo que queremos, cooperando na drenagem desses pântanos de dor moral, que infestam a uma infinidade de seres encarnados e desencarnados, enleados nas malhas das obsessões infelizes.

Dá tua parte de esforço e guarda a certeza de te tornares operário da caridade, sob a fulgurante condução do Excelente Guia da Humanidade, que é Jesus.

PENITÊNCIA OBSESSIVA

Gravita em torno dos homens essa multidão de testemunhas a acompanhar-lhes os trajetos... Vibram algumas com seus sucessos felizes, locupletando-se outras com o fomento de quedas e dissensões nas existências daqueles que lhes caem nas malhas soezes. É do indivíduo humano o vezo da renitência, da teimosia, quando aconselhado pelo orgulho infelicitador, pela vaidade perturbadora, enfim, pelo egoísmo e seus séquitos, ao revés de ajustar-se à humildade que, em conseguindo abençoar a alma com paz, lhe dá euforia para as atividades do bem, fazendo-a rever os campos minados esperando pela renovação.

Na longa caminhada que os seres devem encetar no panorama evolutivo, não são poucos os que se aglomeram nas praças da inutilidade, das horas vazias, da maledicência francamente desnecessária, dos chamados pequenos vícios, tais como os de pitar, alcoolizar-se socialmente, os das intrigas disfarçadas, os da palavrada portadora de obscenidade, da jocosidade picante que estimula os apetites da licença; ruídos estridentes que se ingerem, à semelhança de verdadeiros tóxicos para a alma, ensejando, desse modo, a agregação de companheiros despegados do corpo somático, que passam a nutrir esses interesses "inocentes", ao mesmo tempo que acham nutrimento nas vibrações levianas, torpes e irresponsáveis, que são liberadas pelos partícipes desses contumazes e estranhos hábitos.

Vivem-se no mundo momentos de tumulto espiritual, quando falanges sombrias investem contra os valores do amor e do bem, atacam os rútilos ensinos do Mestre Jesus, numa atitude enlouquecida de quem deseja, a qualquer preço, apagar da Terra a marca dessa constelação gloriosa dos Servidores do Cristo. Tem-se aí excelente motivação para que os lidadores do Evangelho, os que se alimentam com as fulgurâncias do excelso Espiritismo, nos unamos para refletir o bem em nós mesmos, para que com ele nos fortaleçamos, executando as tarefas, ainda que as mais simples, com bom ânimo e fidelidade.

À frente dessa renitência obsessiva que toma conta dos painéis mentais daqueles que enveredam, invigilantes, por esse submundo de energias viciadas, urge se use de cautela. Aos que entregam à inutilidade os vastos e valiosos recursos de que Deus os dotou, quando poderiam para Deus dirigir-se, utilizando os formidáveis elementos do mundo, ainda fulgem esperanças para o feliz retrocesso, retomando os passos da autodisciplina, com melhor aproveitamento do tempo e dos ensejos que a vida apresenta para a elaboração da saúde moral de que se sente carência.

O que se vê é um processo de pouca vontade para empreender mudanças em si mesmo, fazendo com que cada indivíduo, sem coragem de fazer ainda que sejam pequenos esforços , siga justificando a sua própria perturbação. Mesmo que tenha consciência, a princípio, de que se vale de desculpas inverídicas, o tempo e a continuidade das suas afirmativas vão lhe impondo a certeza de que as suas mentiras são a sua verdade. A fascinação, alicerçada na vaidade e no orgulho, vai minando sempre mais as possibilidades da pessoa, tornando mais enraizados os tormentos obsessivos que, agora, contarão com o caldo tépido das justificativas equivocadas.

Muitos dão preferência ao uso de expressões que bem indicam a sua pouca disposição de transformação superior: "não há nada demais nisso", "todo mundo faz assim", "todo mundo usa isso", enquanto outros preferem: "não sou de ferro", "sou humano ainda", "não sou fanático". Entretanto, surgem os que já se admitem como são, fazendo do seu estado um estado intocável que alimentam afirmando: "comigo é assim...", "quem quiser gostar de mim tem que ser assim", "sou muito bom, mas não me pise no calo...", e seguem desfilando as suas "máximas", mantendo o processo pernicioso de suas renitentes perturbações indefinidamente.

Somente palmilhando os caminhos da operosidade benfeitora, com vontade firme, mantendo a lídima fraternidade, na alegria de viver e na felicidade que promove para os semelhantes, renunciando aos gozos fugidios e desconcertantes, buscando estar em harmonia consigo mesmo, o indivíduo conquistará a chave libertadora para evadir-se das tenazes persistentes, tidas por "coisas à toa", e que não passam de obsessões perigosas, detendo a pessoa indiferente ou irrefletida com relação aos valores reais da existência planetária, ainda que sorrateiras e aparentemente ingênuas.

INFLUÊNCIA PARALISANTE

Sem desconsiderarmos os casos de patologias que agem sobre os centros da motricidade de certos indivíduos, fazendo-os ancilosados, mencionamos um gênero de perturbação obsessiva, que vem, sem dúvida, dominando companheiros desavisados ou desassisados que, gradualmente, se aprofundam em miasmas infelizes, sem que disso se apercebam. Referimo-nos ao que poderíamos chamar de obsessão anestesiante.

É válida a consideração pelos anestésicos, quando eles representam conquistas abençoadas do progresso do mundo, objetivando o impedimento das dores torturantes. Entretanto, identificamos outros tipos de "substâncias", trabalhadas por psiquismos cruéis e infelicitadores que, quando assimiladas pela alma, têm o poder de detê-la na caminhada para a frente.

Variados têm sido os que se deixam conduzir pelas influências narcóticas de muitas mentes atreladas ao mal ou ao marasmo, do Mundo Invisível, naturalmente desleixados com relação à vigilância íntima, realizando seus afazeres, quando os realizam, como quem se desincumbe de um fardo pesado e difícil, mas não como quem participa do alevantamento espiritual da Humanidade. Encontram-se elementos que se acostumaram a deixar tudo para que seja feito amanhã, quando o dia de hoje pede disposição e não adiamento.

Ninguém pode, em sanidade de consciência, afirmar que estará no corpo somático no dia seguinte. Temos aí, então, maior razão para que não retardemos os labores que têm regime de urgência em nossa pauta de tarefas. Diversos irmãos da Terra, portadores de enorme quota de má vontade ou deixando as próprias mentes mergulhadas na displicência, são envolvidos nos vapores letárgicos, paralisantes, que impedem a continuidade dinâmica da obra sob seus cuidados. Há sempre uma providência que se pode procrastinar.

Surgem problemas a solucionar na esfera de renovação do Espírito, sempre postergados, sem que os companheiros se dêem conta de que poderão estar sendo minados por fluidos anestesiantes da vontade. Uma vez que não puderam impedir que muitas criaturas aceitassem e desejassem servir na Seara do Cristo, Entidades do Além, inimigas do progresso e da luz, que não se dão por vencidas com a primeira perda, fazem com que esses mesmos indivíduos não se movimentem no bem, que tem caráter de premência e que depende tão-somente da boa vontade dos lidadores. Estão no movimento do bem, mas não atuam com o bem, o que é sempre lastimável.

Não fazemos apologia das neuroses da pressa. Não estamos aconselhando desequilíbrios e irreflexão, seriamente comprometedores. Estamos, isto sim, conclamando aos que costumam meditar nas questões da alma, para que não se permitam o amolentamento, a preguiça, a pachorra, em pleno labor de Jesus, quando da Terra inteira se erguem gritos de imensa necessidade de equilíbrio e de paz.
É importante cuidar do corpo, repousar, quando os trabalhos imponham desgastes. É da Lei Divina. Se o problema é de enfermidade física ou estafa orgânica ou mental, é justo se providencie o devido tratamento.

O que não nos cabe fomentar ou aplaudir é a postura dos que estão sempre esgotados, por pouco ou nada que façam, exigindo largos períodos de estacionamento, e, quando se decidem por algo fazer, demoram sem rendimento positivo, complicam a atividade geral, francamente embriagados por energias anestesiantes que, ameaçadoramente, têm tomado em seu bojo a muitos seareiros irrefletidos, preparando-lhes grandes tormentos de remorsos e angústias para logo mais, quando a hora propícia e ideal para o trabalho do bem já houver passado.

Quando sintas que, não obstante o repouso, não tens ânimo para as leituras e quefazeres edificantes, ou quando a sonolência tornar-se presença comum em suas horas de estudo ou de necessária atenção aos chamados do Infinito, ergue a tua oração e roga dos Benfeitores Celestes o socorro, a assistência de que careças, a fim de te desviares desses dardos morbíficos que se destinam a retardar a ação do bem na Terra, produzindo narcose nos combatentes invigilantes, exatamente porque esse bem, em última análise, é a atuação de Jesus Cristo reafirmando o Seu amor a todos nós, ovelhas desgarradas do Seu rebanho, da esperança e da ação.