OCIOSIDADE
BIBLIOGRAFIA
01- A mansão Renoir - pág. 168 02 - Caminho, verdade e vida - pág. 189
03 - Cartilha da Natureza - pág. 7, 11, 141 04 - Contos e apólogos - pág. 161, 173
05 - Coragem - pág. 111, 150 06 - Espírito e vida - pág. 37
07 - Há dois mil anos - pág. 32 08 - Jesus no lar - pág. 55,159
09 - Justiça Divina - pág. 166 10 - Luz acima - pág. 17
11 - O céu e o inferno - pág. 367 12 - O Evangelho S.o Espiritismo - cap. XXVIII, 4
13 - O Livro dos Espíritos - q.21, 113, 562, 564, 574, 678 14 - Otimismo - pág. 87
15 - Pérolas do Além - pág. 174, 196

16 - Pontos e contos - pág. 221

17 - Reencarnação e vida - pág. 245 18 - Renovar-se e viver - pág. 31
19 - Revista espírita- 1858, 1865 - pág.169 20 - Sem medo de ser feliz
21 - Roteiro - pág. 87 22 - Voltas que a vida dá - pág. 26

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

OCIOSIDADE – COMPILAÇÃO

02 - Caminho, verdade e vida - Emmanuel - pág. 189

87. POR QUE DORMIS?
"E disse-lhes: Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação." - Lucas, 22:46
Nos ensinos fundamentais de Jesus, é imperioso evitar as situações acomodatícias, em detrimento das atividades do bem. O Evangelho de Lucas, nesta passagem, conta que os discípulos "dormiam de tristeza", enquanto o Mestre orava fervorosamente no Horto. Vê-se, pois, que o Senhor não justificou nem mesmo a inatividade oriunda do choque ante as grandes dores.

O aprendiz figurará o mundo como sendo o campo de trabalho do Reino, onde se esforçará, operoso e vigilante, compreendendo que o Cristo prossegue em serviço redentor para o resgate total das criaturas. Recordando a prece em Getsemani, somos obrigados a lembrar que inúmeras comunidades de alicerces cristãos permanecem dormindo nas convivências pessoais, nos mesquinhos interesses, nas vaidades efêmeras.

Falam do Cristo, referem-se à sua imperecível exemplificação, como se fossem sonâmbulos, inconscientes do que dizem e do que fazem, para despertarem tão-só no instante da morte corporal, em soluções tardios. Ouçamos a interrogação do Salvador e busquemos a edificação e o trabalho, onde não existem lugares vagos para o que seja inútil e ruinoso à consciência.

Quanto a ti, que ainda te encontras na carne, não durmas em espírito, desatendendo aos interesses do Redentor. Levanta-te e esforça-te, porque é no sono da alma que se encontram as mais perigosas tentações, através de pesadelos ou fantasias.

05 - Coragem - Espíritos diversos - pág. 111, 150

35. PARA LIBERTAR-NOS
A preguiça conserva a cabeça desocupada e as mãos ociosas. A cabeça desocupada e as mãos ociosas encontram a desordem. A desordem cai no tempo sem disciplina. O tempo sem disciplina vai para a invigilância. A invigilância patrocina a conversação sem provisão.

A conversação sem proveito entretece as sombras da cegueira de espírito. A cegueira de espírito promove o desequilíbrio. O desequilíbrio atrai o orgulho. O orgulho alimenta a vaidade. A vaidade agrava a preguiça.

Como é fácil de perceber, a preguiça é suscetível de desencadear todos os males, qual a treva que é capaz de induzir a todos os erros. Compreendamos, assim, que obsessão, loucura, pessimismo, delinquência ou enfermidade podem aparecer por autênticas fecundações da ociosidade, intoxicando a mente e arruinando a vida.

E reconheçamos, de igual modo, que o primeiro passo para libertar-nos da inércia será sempre: trabalhar.

Emmanuel

48. HORA DIFÍCIL
Os amigos espirituais auxiliam aos companheiros encarnados na Terra, em toda parte e sempre. Sobretudo, com alicerces na inspiração e no concurso indireto. Serviço no bem do próximo, todavia, será para todos eles o veículo essencial. Contato fraterno por tomada de ligação.

Suportarás determinadas tarefas sacrificiais com paciência e, através daqueles que se tem beneficiam do esforço, os Mensageiros da Vida Superior te estenderã apoio imprevisto. Darás tua contribuição no trabalho espontâneo, em campanhas diversas, a favor dos necessitados, e, pelos irmãos que te cercam, oferecer-te-ão esperança e alegria.

Visitarás o doente e, utilizando o próprio doente, renovar-te-ão as idéias. Socorrerás os menos felizes, e, por intermédio daqueles que se lhes vinculam pelo destino, descerrar-te-ão, dar-te-ão bondade e simpatia. Ajudarás a criança desprotegida e, mobilizando quantos se lhe interessam pelo destino, descerrar-te-ão vantagens inesperadas.

Desculparás ofensas recebidas e, servindo-se dos próprios beneficiários de tua generosidade e tolerância, surpreender-te-ão com facilidades e bênçãos a te enriquecerem as horas. Permaneça o tarefeiro na tarefa que lhe cabe e os Emissários do Senhor encontrarão sempre meios de lhe prestarem assistência e cooperação.

Entretanto, eles também, os Doadores da Luz, sofrem, por vezes, a intromissão da hora difícil. Quando o obreiro se deixa invadir pelo desânimo, eis que os processos de intercâmbio entram em perturbação e colapso, de vez que, entorpecida a vontade, o trabalhador descamba para a inércia e a inércia, onde esteja, cerra os canais do auxílio, instalando o deserto espiritual.

Emmanuel

08 - Jesus no lar - Néio Lúcio - pág. 55,159

11. O SANTO DESILUDIDO
Inclinara-se a palestra, no lar humilde de Cafarnaum, para os assuntos alusivos à devoção quando o Mestre narrou com significativo tom de voz: - Um venerado devoto retirou-se, em definitivo, para uma gruta isolada, em plena floresta, a pretexto de servir a Deus. Ali vivia, entre orações e pensamentos que julgava irrepreensíveis, e o povo, crendo tratar-se de um santo messias, passou a reverenciá-lo com intraduzível respeito.

Se alguém pretendia efetuar qualquer negócio do mundo, dava-se pressa em buscar-lhe o parecer. Fascinado pela alheia consideração, o crente, estagnado na adoração sem trabalho, supunha dever situar toda gente em seu modo de ser, com a respeitável desculpa de conquistar o paraíso.

Se um homem ativo e de boa-fé lhe trazia à apreciação algum plano de serviço comercial, ponderava, escandalizado:— Ë' um erro. Apague a sede de lucro que lhe ferve nas veias. Isto é ambição criminosa. Venha orar e esquecer a cobiça. Se esse ou aquele jovem lhe rogava opinião sobre o casamento, clamava, aflito:

— É disparate. A carne está submetendo o seu espírito. Isto é luxúria. Venha orar e consumir o pecado. Quando um ou outro companheiro lhe implorava conselho acerca de algum elevado encargo, na administração pública, exclamava, compungido: — É um desastre. Afaste-se da paixão pelo poder. Isto é vaidade e orgulho. Venha orar e vencer os maus pensamentos.

Surgindo pessoa de bons propósitos, reclamando-lhe a opinião quanto a alguma festa de fraternidade em projeto, objetava, irritadiço:
— É uma calamidade. O júbilo do povo é desregramento. Fuja à desordem. Venha orar, subtraindo-se à tentação. E assim, cada consulente, em vista da imensa autoridade que o santo desfrutava, se entristecia de maneira irremediável e passava a partilhar-lhe os ócios na soledade, em absoluta paralisia da alma.

O tempo, todavia, que tudo transforma, trouxe ao preguiçoso adorador a morte do corpo físico. Todos os seguidores dele o julgaram arrebatado ao Céu e ele mesmo acreditou que, do sepulcro, seguiria direto ao paraíso. Com inexcedível assombro, porém, foi conduzido por forças das trevas a terrível purgatório de assassinos. Em pranto desesperado indagou, à vista de semelhante e inesperada aflição, dos motivos que lhe haviam sitiado o espírito em tão pavoroso e infernal torvelinho, sendo esclarecido que, se não fora homicida vulgar na Terra, era ali identificado como matador da coragem e da esperança em centenas de irmãos em humanidade.

Silenciou Jesus, mas João, muito admirado, considerou:— Mestre, jamais poderia supor que a devoção excessiva conduzisse alguém a infortúnio tão grande! O Cristo, porém, respondeu, imperturbável:

— Plantemos a crença e a confiança entre os homens, entendendo, entretanto, que cada criatura tem o caminho que lhe é próprio. A fé sem obras é uma lâmpada apagada. Nunca nos esqueçamos de que o ato de desanimar os outros, nas santas aventuras do bem, é um dos maiores pecados diante do Poderoso e Compassivo Senhor.

37. O FILHO OCIOSO
Reportava-se a pequena assembléia a variados problemas da fé em Deus, quando Jesus, tomando a palavra, narrou, complacente: - Um grande Soberano possuía vastos domínios. Terras, rios, fazendas, pomares e rebanhos eram incontáveis em seu reino prodigioso. Vassalos inúmeros serviam-lhe a casa, em todas as direções. Alguns deles nunca se perdiam dos olhos do Senhor, de maneira absoluta de tempos em tempos, visitavam-lhe a residência, ofereciam-lhe préstimos ou traziam-lhe flores de ternura, recebendo novos roteiros de trabalho edificante.

Outros, porém, viviam a bel-prazer nas florestas imensas. Estimavam a liberdade plena com declarada indisciplina. Eram verdadeiros perturbadores do vasto império, porquanto, ao invés de ajudarem a Natureza, desprezavam-na sem comiseração. Matavam animais pelo simples gosto da caça, envenenavam as águas para assassinarem os peixes em massa, perseguiam as aves ou queimavam as plantações dos servos fiéis, não obstante saberem, no intimo, que deviam obediência ao Poderoso Senhor.

Um desses servidores levianos e ociosos não regateava sua crença na existência e na bondade do Rei. Depois de longas aventuras na mata, exterminando aves indefesas, quando o estômago jazia farto, costumava comentar a fé que depositava no rico Proprietário de extenso e valioso domínio. Um Soberano tão previdente quanto aquele que soubera dispor das águas e das terras, das árvores e dos rebanhos, devia ser muito sábio e justiceiro — explanava consciente. Sutilmente, todavia, escapava-lhe a todos os decretos.

Pretendia viver a seu modo, sem qualquer imposição, mesmo daquele que lhe confiara o vale em que consumia a existência regalada e feliz. Decorridos muitos anos, quando as suas mãos já não conseguiam erguer a menor das armas para perturbar a Natureza, quando os olhos embaciados não mais enxergavam a paisagem com a mesma clareza da juventude, inclinando-se-lhe o corpo, cansado e triste, para o solo, resolveu procurar o Senhor, a fim de pedir-Ihe proteção e arrimo.

Atravessou lindos campos, nos quais os servos leais, operosos e felizes, cultivavam o chão da propriedade imensa e chegou ao iluminado domicílio do Soberano. Experimentando aflitivo assombro, reparou que os guardas do limiar não lhe permitiam o suspirado ingresso, porque seu nome não constava no livro de servidores ativos. Implorou, rogou, gemeu; no entanto, uma das sentinelas lhe observou:

— O tempo disponível do Rei é consagrado aos cooperadores.— Como assim? — bradou o trabalhador imprevidente. — Eu sempre acreditei na soberania e na bondade do nosso glorioso ordenador... O guarda, contudo, redarguiu, sem pestanejar:— Que te adiantava semelhante convicção, se fugiste aos decretos de nosso Soberano, gastando precioso tempo em perturbar-lhe as obras ? O teu passado está vivo em tua própria condição. ..

Em que te servia a confiança no Senhor, se nunca vieste a Ele, trazendo um minuto de colaboração a benefício de todos? Observa-se, logo, que a tua crença era simples meio de acomodar a consciência com os próprios desvarios do coração. E o servo, já comprometido pelos atos menos dignos, e de saúde arruinada, foi constrangido a começar toda a sua tarefa, de novo, de maneira a regenerar-se.

O Mestre calou-se, durante alguns momentos, e concluiu: — Aqui temos a imagem de todo ocioso filho de Deus. O homem válido e inteligente que admite a existência do Eterno Pai, que lhe conhece o poder, a justiça e a bondade, através da própria expressão física da Natureza, e que não o visita em simples oração, de quando em quando, nem lhe honra as leis com o mínimo gesto de amparo aos semelhantes, sem o mais leve traço de interesse nos propósitos do Grande Soberano, poderá retirar alguma vantagem de suas convicções inúteis e mortas?

Com essa indagação que calou nos ouvidos dos presentes, o culto evangélico da noite foi expressivamente encerrado


09 - Justiça Divina - Emmanuel - pág. 166

SIRVAMOS SEMPRE - REUNIÃO PÚBLICA DE 6.11.61 - 1ª PARTE, CAP. vii, 16
Não apenas nos dias de arrependimento e reparação. Em todas as circunstâncias, o serviço é o antídoto do mal. Caíste na trama de enganos terríveis e arrepiaste caminho, sonhando reabilitar-te. Não desperdices a riqueza das horas, amontoando lamentações. Levanta-te e serve nos lugares onde esparziste a sombra dos próprios erros, e granjearás, na humildade, apoio infalível ao reajuste.

Arrostas duros problemas na vida particular. Livra-te do fardo inútil da aflição sem proveito. Reanima-te e serve, no quadro de provações em que te situas, e a diligência funcionará, por tutora prestigiosa, abrindo-te a senda ao concurso fraterno.

Padeces obscura posição no edifício social. Segue imune ao micróbio da inveja. Movimenta-te e serve no anonimato e o devotamento surgir-te-á por luminosa escada à subida. Sofres o assalto de calúnias ferozes.

Esquece a vingança, que seria aviltamento em ti mesmo. Silencia e serve, olvidando as ofensas, e conquistarás, no perdão com atividade no bem, escudo invencível contra os dardos da injúria.

Suportas afrontoso assédio de Espíritos inferiores, inclinando-te à queda na obsessão. Abstém-te da queixa improfícua. Resiste e serve, dedicando-te ao socorro dos que choram em dificuldades maiores, e surpreenderás, na beneficência, o acesso à simpatia e à renovação dos próprios adversários.

Preguiça é ópio das trevas. Os que não trabalham transformam-se facilmente em focos de tédio e ociosidade, revolta e desespero, desequilíbrio e ressentimento, pessimismo e loucura.

Sirvamos sempre. Quem busca realmente servir, nunca dispõe de motivos para se arrepender.

13 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - questões: 21, 113, 562, 564, 574, 678

Perg. 21 - A matéria existe desde toda a eternidade, como Deus, ou foi criada por Ele num certo momento?
- Só Deus o sabe. Há, entretanto, uma coisa que a vossa razão deve indicar: é que Deus, modelo de amor e de caridade, jamais esteve inativo. Qualquer que seja a distância a que possais imaginar o início da sua ação, podereis compreendê-lo um segundo na ociosidade?

Perg. 113 - Primeira Ordem - Espíritos puros - primeira classe: Classe única: Percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria. Havendo atingindo a soma de perfeições de que é suscetível a criatura, não têm mais provas nem expiações a sofrer. Não estando mais sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis, vivem a vida eterna, que desfrutam no seio de Deus. (...)

Perg. 562 - Os Espíritos da ordem mais elevada, nada mais tendo a adquirir, entregam-se a um repouso absoluto ou têm ainda ocupações? - Que querias que eles fizessem por toda a eternidade? A eterna ociosidade seria um suplício eterno.

Perg. 574 - Qual pode ser a missão de pessoas voluntariamente inúteis na Terra?
- Há efetivamente pessoas que só vivem para si mesmas e não sabem tornar-se úteis para nada. São pobres seres que devemos lamentar, porque expiarão cruelmente sua inutilidade voluntária. Seu castigo começa frequentemente desde este mundo, pelo tédio e o desgosto da vida.

Perg. 678 - Nos mundos mais aperfeiçoados, o homem é submetido à mesma necessidade de trabalho?
- A natureza do trabalho é relativa à natureza das necessidades; quanto menos necessidades materiais, menos material é o trabalho. Mas não julgueis, por isso, que o homem permanece inativo e inútil: a ociosidade seria um suplício, ao invés de ser um benefício.

21 - Roteiro - Emmanuel - pág. 87

17 - EVANGELHO E TRABALHO

A GLORIFICAÇÃO do trabalho é serviço evangélico. Antecedendo a influência do Mestre, a Terra era vasto latifúndio povoado de senhores e escravos. O serviço era considerado desonra. Dominadas pelo princípio da força, as nações guardavam imensa semelhança com as tabas da comunidade primigênia.

O destaque social resultava da caça. Erguiam-se os tronos, quase sempre, sobre escuros alicerces de rapinagem. Os favores da vida pertenciam aos mais argutos e aos mais poderosos. Qualquer infelicidade econômica redundava em compulsório cativeiro.

Trabalho era sinônimo de aviltação. Os espíritos mais nobres, na maioria das vezes, demoravam-se na subalternidade absoluta, suando e gemendo para sustentar o carro purpúreo dos opressores. Em todas as cidades, pululavam escravos de todos os matizes e somente a eles era conferido o dever de servir, como austera punição.

Roma imperial jazia repleta de cativos tomados ao Egito e à Grécia, à Gália e ao Ponto. Só na revolução de Espártaco, no ano de 71, antes da era cristã, foram condenados à morte trinta mil escravos na Via Ápia, cuja única falta era aspirar ao trabalho digno em liberdade edificante. Com Jesus, no entanto, nova época surge para o mundo.

O ministério do Senhor é, sobretudo, de ação e movimento. Levanta-se o Mestre com o dia e devota-se ao bem dos semelhantes pela noite a dentro. Médico — não descansa no auxílio efetivo aos doentes. Professor — não se fatiga, repetindo as lições. Juiz — exemplifica a imparcialidade e a tolerância. Benfeitor — espalha, sem cessar, as bênçãos do amor infinito.

Sábio — coloca a ciência do bem ao alcance de todos. Advogado — defende os interesses dos fracos e dos humildes. Trabalhador divino — serve a todos, sem reclamação e sem recompensa. O exemplo do Cristo é sublime e contagiante. Cada companheiro de apostolado ausenta-se, mais tarde, do comodismo para ajudar e ensinar em seu nome, rasgando horizontes mais vastos à compreensão da vida, em regiões distantes do berço que os vira nascer.

Mais tarde, em Roma, o desejo de auxílio mútuo entre os cristãos atinge inconcebíveis realizações no capítulo do trabalho. Pessoas convertidas ao Evangelho se consagram, inteiramente, ao serviço com o objetivo de amparar os companheiros necessitados. Espalham-se aprendizes da Boa Nova nas atividades da indústria e da agricultura, das artes e das ciências, da instrução e do comércio, da enfermagem e da limpeza pública, disputando recursos para o auxílio aos associados de ideal, na servidão ou na indigência, no sofrimento e nas prisões.

Há quem jejue por dois e três dias seguidos, a fim de economizar dinheiro para os serviços de assistência ao próximo, sob a direção do pastor.O trabalho passa, então, a ser interpretado por bênção divina. Paulo de Tarso, transferindo-se da dignidade do Sinédrio para o duro labor do tear, confeccionando tapetes para não ser pesado a ninguém e garantindo, por esse modo, a sua liberdade de palavra e de ação, é o símbolo do cristão que educa e realiza, demonstrando que à claridade do ensino deve aliar-se a glória do exemplo.

E, até hoje, honrando no trabalho digno a sua norma fundamental de ação, o Cristianismo é a força libertadora da Humanidade, nos quadrantes do mundo inteiro.