OFENSAS
BIBLIOGRAFIA
01- Alerta - pág. 15 02 - Ceifa de Luz - pág. 171
03 - Celeiro de bênçãos - pág. 88 04 - Coragem - pág. 56, 138
05 - De Francisco para você - pág. 232 06 - Encontro marcado - pág. 55
07 - Entre a Terra e o céu - pág. 134 08 - Passos da vida - pág. 17
09 - Pérolas do Além - pág. 176 10 - Repositório de sabedoria - pág. 112

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

OFENSAS – COMPILAÇÃO

01- Alerta - Joanna de Ângelis - pág. 15

O teu agressor, talvez, noutra circunstância, levantará a voz em tua defesa. O teu adversário, possivelmente, em situação diferente, será o amigo que te distenderá a mão em socorro.

O teu caluniador, quiçá, em posição diversa, virá em teu auxílio. O teu inimigo, certamente, passada a injunção de agora, ser-te-á devotado benfeitor.

O teu acusador, superado o transe que o amargura,far-se-á o companheiro gentil da tua jornada. Perdoa-os, portanto, hoje que se voltaram contra tua pessoa, levantando dificuldades no caminho pelo qual avanças.

Perdoa as suas ofensas sem impores quaisquer condições, sequer aclarando incompreensões e dirimindo equívocos. O perdão deve assentar-se no esquecimento da ofensa, no repúdio total ao mal, sem exigências.

Não sabes como se encontra aquele que se ergue para ferir-te, acusar-te. Ignoras como vive intimamente quem se fez inimigo revel. Desconheces a trama em que tombou o companheiro, a ponto de voltar-se contra ti.

Ainda não experimentaste a dolorosa aflição que padece o outro - o que está contrário a ti e te flecha com petardos venenosos, amargurando-te as horas....

É certo que nada justifica a atitude inimiga, a posição agressiva, a situação adversária. No entanto, se fosses ele, talvez agisse da mesma forma ou pior.

Para evitar que isso te aconteça, exercita o perdão, preparando-te para não tombares na rampa por onde outros escorregaram. Quem perdoa ofensas adquire paz e propicia paz.

Quem esquece o mal de que foi vítima, vitaliza o bem de que necessita. Nunca te faças inimigo de ninguém, nem aceites o desafio dos que se te fazem inimigos, sintonizando na faixa deles.

Se não conseguires superar a injunção penosa, que os teus inimigos criam, ora por eles e pensa neles com paz no coração. O inimigo é alguém que enfermou...

Recorda de Jesus que, mesmo vítima indébita, perdoando, rogou ao Pai que a todos perdoasse, porque "eles não sabiam o que estavam a fazer".

02 - Ceifa de Luz - Emmanuel - pág. 171

49 - ANTE OFENSAS
"Porque
vos digo que se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no Reino dos Céus." — JESUS. (Mateus, 5:20.)

A fim de atender à recomendação de Jesus —"amai-vos uns aos outros como eu vos amei" — , não te colocarás tão-somente no lugar do irmão necessitado de socorro material para que lhe compreendas a indigência com segurança; situar-te-ás também na posição daquele que te ofende para que lhe percebas a penúria da alma, de modo a que lhe estendaso concurso possível.


Habitualmente aquele que te fere pode estar nos mais diversos graus de dificuldade e perturbação. Talvez esteja: no clima de enganos lastimáveis dos quais se retirará, mais tarde, em penosas condições de arrependimento; sofrendo a pressão de constrangedores processos obsessivos; carregando moléstias ocultas; evidenciando propósitos infelizes sob a hipnose da ambição desregrada, de que se afastará, um dia, sob os desencantos da culpa; agindo com a irresponsabilidade decorrente da ignorância; satisfazendo a compulsões da loucura ou procedendo sem autocrítica, em aflitivo momento de provação.

Por isso mesmo, exortou-nos Jesus a amar os inimigos e a orar pelos que nos perseguem e caluniam. Isso porque somos inconsequentes toda vez que passamos recibo a insultos e provocações com os quais nada temos que ver.

Se temos o espírito pacificado no dever cumprido, a que título deixar a estrada real do bem, a fim de ouvir as sugestões das trevas nos despenhadeiros do mal? Além disso, se estamos em paz, à frente de irmãos nossos, envolvidos em sombra ou desespero, não seria justo nem humano agravar-lhes o desequilíbrio com reações impensadas, quando os sãos, perante Jesus, são chamados a socorrer os doentes, com a sincera disposição de compreender e servir, aliviar e auxiliar.

04 - Coragem - Espíritos Diversos - pág. 56, 138

16. SE CRÊS EM DEUS
Se crês em Deus, por mais te ameacem os anúncios do pessimismo, com relação a prováveis calamidades futuras, conservarás o coração tranquilo, na convicção de que a Sabedoria Divina sustenta e sustentará o equilíbrio da vida, acima de toda perturbação.

Se crês em Deus, em lugar nenhum experimentarás solidão ou tristeza, porque te observarás em ligação constante com todo o Universo, reconhecendo que laços de amor e de esperança te identificam com todas as criaturas.

Se crês em Deus, nunca te perderás no labirinto da revolta ou da desesperação, ante golpes e injúrias que se te projetem na estrada, porquanto interpretarás ofensores e deliquentes, na condição de infelizes, muito mais necessitados de bondade e proteção que de fel e censura.

Se crês em Deus, jornadearás na Terra sem adversários, de vez que, por mais se multipliquem na senda aqueles que te agridam ou menos prezem, aceitarás inimigos e opositores, à conta de irmãos nossos, situados em diferente pontos de vista.

Se crês em Deus, jamais te faltarão confiança e trabalho, porque te erguerás, cada dia, na certeza de que dispõe da bendita oportunidade de comunicação com os outros, desfrutando o privilégio incessante de auxiliar e abençoar, entender e servir.

Se crês em Deus, caminharás sem aflição e sem medo, nas trilhas do mundo, por maiores surjam perigos e riscos a te obscurecerem a estrada, porquanto, ainda mesmo à frente da morte, reconhecerás que permaneces com Deus, tanto quanto Deus está sempre contigo, além de provação e sombras, limitações e mudanças, em plenitude de vida eterna.

Emmanuel

44. NA HORA DA PACIÊNCIA
Quando os acontecimentos surjam convulsionados compelindo-te a seguir para a frente, como se estivesse sob tormenta de fogo... Quandoa manifestação da crueldade te faça estremecer de sofrimento.

Quando o assalto das trevas te deixe as forças transidas de aflição... Quando o golpe em teu prejuízo haja partido das criaturas a que mais te afeiçoas...

Quando a provação apareça, a fim de demorar-se longo tempo contigo, em função de doloroso burilamento... Quando a ignorância te desafie, ameaçando-te o trabalho.

Quando o afastamento de amigos queridos te imponha solidão e desencanto... Quando contratempos e desarmonia no lar te forcem a complicadas travessias de angústia...

Quando a tentação te induza à revolta e revide, na hora em que a injúria te cruze os passos...Quando enfim, todas as tuas idéias e aspirações alusivas ao bem se mostrem supostamente asfixiadas pela influência transitória do mal...

Então haverás chegado ao teste mais importante do cotidiano, a configurar-se no testemunho da paciência. Saberás desculpar e abençoar, agir e construir em paz nessa preciosa quão difícil oportunidade de elevação, que a experiência te aponta à frente.

E não digas que a serenidade expresse fraqueza, ante os cultores da violência, qual se não tivesse brio para a reação necessária, porque é preciso muito mais combatividade interior para dominar-se alguém ao colher ofensas e esquecê-las do que para assacá-las ou devolvê-las, a detrimento do próximo.

Capacitemo-nos de que entre agredir e suportar, o equilíbrio e a força de espírito residem com a paciência sempre capaz de aguentar e compreender, servir e recomeçar, incessantemente, o trabalho do bem nas bases do amor para que a vida permaneça, sem qualquer solução de continuidade, em luminosa e constante ascensão.

Emmanuel

07 - Entre a Terra e o céu - André Luiz - pág. 134

19 - DOR E SURPRESA
-Júlio! Júlio! comparece, covarde!... - bramia o enfermeiro, possesso.
E percebendo talvez a simpatia que Amaro nos conquistara, à face da serenidade com que suportava a situação, prosseguiu, invocando, revel: - Comparece para desmascarar o patife que procura comover-nos! Júlio, odeio-te! Mas é necessário apareças! Acusa teu desalmado assassino!...

O Ministro procurava contê-lo, bondoso, mas Silva, como potro indomesticado, gesticulava a esmo e continuava, conclamando:- Júlio!... Júlio!... Sim, Júlio não respondeu à chamada, entretanto, alguém surgiu, surpreendendo-nos a atenção. A irmã Blandina, em pessoa, qual se fora nominalmente intimada, estacou junto de nós. Envolvidos na doce luz que nos banhou, de improviso, aquietamo-nos, perplexos, à exceção de Clarêncio que se mantinha calmo, como se aguardasse semelhante visita.

Depois de saudar-nos, Blandina rogou, humilde:- Irmãos, por amor a Jesus, atendei!... Temos Júlio, sob a nossa guarda. Acha-se doente, aflito... Vossos apelos individuais alteram-lhe o modo de ser... Poderia colocar-se mentalmente ao vosso encontro, contudo, atravessa agora difíceis provas de reajuste... Venho implorar -vos caridade!... Compadecei-vos de quem hoje se esforça por olvidar o que foi ontem para regenerar-se amanhã, com eficiência!...

Havia tanta aflição e tanta ternura naquela rogativa que a vibração do ambiente modificou-se, de súbito. Comecei a entender com mais clareza a trama obscura do romance vivo que abordávamos. Júlio, o menino doente, era o companheiro que voltava na condição de filho do amigo com quem outrora se desaviera... Não pude, porém, alongar divagações, porque Silva, provavelmente revoltado contra a emoção que nos senhoreava o espírito, passou a reclamar, de novo:

- Anjo ou mulher, não lutarei contra o sortilégio! Não lutarei! mas preciso arrojar este bandido ao despenhadeiro que merece por suas deslavadas mentiras!... Que Júlio permaneça no céu ou no inferno, sob a custódia dos arcanjos ou dos demônios, todavia, exijo que a verdade surja, inteira!... Recorro ao testemunho de Lina! que Lina compareça! que ela deponha! Se nos achamos aqui, convocados pelo destino que nos algema uns aos outros, que a pérfida mulher seja ouvida igualmente... Nosso instrutor, assumindo a chefia espiritual do grupo, convidou com energia e brandura:

- Lina encontra-se não longe de nós. Entremos. A determinação foi obedecida. Na penumbra do quarto que já conhecíamos, a segunda esposa de Amaro jazia subjugada pela outra. Enquanto Odila se nos afigurava mais rancorosa e mais dura, Zulmira revelava-se mais abatida. Clarêncio enlaçou Mário, como um pai que recolhe um filho, carinhosamente, e, apontando a enferma, esclareceu, generoso:
- Amigo, acalma-te! Lina Flores, atualmente, padece na forja da luta e do sacrifício, a fim de recuperar-se.

Apaga a labareda de ódio que te requeima o coração! Deixa que nova compreensão te beneficie a alma ulcerada!... Não nos cabe prejudicar o caminho de quem procura a regeneração que lhe é necessária!... Ante o olhar de Mário, espantadiço e agoniado, o Ministro considerou: - Lina, hoje, com imensas dificuldades, tenta alcançar a altura do casamento digno e, superando tremendos obstáculos, constrói os alicerces da missão de maternidade para a qual se encaminha... Ajudemo-la com as nossas vibrações de compreensão e carinho. Quando amamos realmente, antes de tudo é a felicidade da criatura amada que nos interessa...

Nosso grupo avançou algo mais. Junto de nós, Blandina mantinha-se em prece. O orientador abeirou-se da doente, com atenção respeitosa, e mostrou-lhe o rosto ossudo e triste ao enfermeiro que, ao reconhecê-la, bradou, aterrado: - Zulmira! Zulmira, então, é Lina que volta? O Ministro acariciou-lhe a cabeça e informou, conciso: - Sim, regressou em companhia de Armando, em dolorosas reparações. O consórcio para eles não foi o castelo de flores de laranjeira, mas sim uma associação de interesses espirituais para o trabalho regenerativo. Armando, em luta no plano da vida real para reerguer--se, aceitou o compromisso de reconduzi-la à dignidade feminina, amparando-lhe as angústias silenciosas...

Estupefato, Silva exclamou, cambaleante: - Quer dizer então que Zulmira me traiu duas vezes? - Não te refiras à traição - corrigiu Clarêncio, sem alterar-se -, é imprescindível compreender! Armando, ontem, escutou apelos inferiores, incompatíveis com as responsabilidades de que se via depositário. Hoje, é compelido a responder, embora constrangido, a requisições de natureza edificante, às quais, em verdade, não lhe será lícito fugir. Lina Flores reclama alguém que a recambie ao serviço renovador, a fim de que se habilite a auxiliar Júlio, devidamente. Todos somos devedores uns dos outros.

As almas aprimoram-se, grupo a grupo, à maneira de pequenas constelações, gravitando em torno do Sol Magno, Jesus-Cristo!... Como um astro que se distancia do núcleo em que se integra, abandonaste a órbita de velhos companheiros de evolução, caindo, pelas vibrações de afetividade e ódio, no centro de forças em que Leonardo Pires e Lola Ibarruri aguardam-te a precisa cooperação, de modo a se liberarem perante a Lei. Amaro, noutro tempo, separou Zulmira e Júlio, estabelecendo espinheiros dilacerantes entre os dois...

Agora, cabe-lhe reuni-los no carinho familiar, para que na posição de mãe e filho se reajustem na afeição santificadora... Antigamente, isolaste Leonardo da afetuosa assistência de Lola, criando embaraços asfixiantes à própria marcha... Prepara-te na fé para congregá-los, de novo, no templo doméstico, igualmente na condição de filho e mãe, de maneira a se redimirem para a bênção do amor puro... Nossas ações são pesadas na Justiça Divina... Não podemos enganar o Supremo Senhor. Nossos débitos, por isso mesmo, devem ser resgatados, ceitil a ceitil...

A ligeira preleção trouxera-nos enorme proveito. Amaro dobrara a cerviz, revelando-se disposto a obedecer aos ditames de natureza superior, fossem como fossem. Silva, no entanto, não parecia desperto para as verdades que Clarêncio pronunciara. Hipnotizado na contemplação da mulher querida, demonstrava-se indiferente. Depois de fitá-la, absorto, entre o carinho e a aversão, quebrou a quietude que envolvera o recinto, rugindo, desesperado: - Não posso modificar-me, desgraçado de mim!... Odiarei! odiarei a infame que voltou!... Somente a vingança me convém, não quero perdoar! não quero perdoar!...

Novamente enraivecido e inquieto, como fera solta, erguia os punhos cerrados contra a desditosa mulher que jazia no leito, em lastimável prostração. Seu veículo espiritual rodeava-se agora de um halo cinzento-escuro, que despedia raios desagradáveis e perturbantes. Nosso orientador libertou-o da influência magnética com que lhe tolhia as energias. Tão logo se reconheceu sem o controle que lhe sofreava os movimentos, Silva retrocedeu, exclamando: - Não suporto mais! não suporto mais!...E correu para o seio da noite.

Clarêncio recomendou-nos seguir-lhe o passo, enquanto prestaria assistência ao ferroviário e à esposa, em colaboração com Blandina. O enfermeiro, decerto -informou o Ministro prestimoso -, retomaria o corpo denso em aflitivas condições de saúde. Passes anestesiantes deviam favorecê-lo. Não podia lembrar a experiência grave daquela hora. A aventura provocada pela insistência mental dele mesmo era suscetível de perigosas consequências. Num átimo, Hilário e eu achamo-nos ao lado de Silva, que aderia ao envoltório de carne com o automatismo da molécula de ferro, atraída pelo imã. Examinamo-lo, atentamente. O peito arfava-lhe, sibilante.

O coração acusava-se desgovernado, sob o império de insopitável arritmia. De imediato, entramos em ação, sossegando-lhe o campo mental, quanto possível, através de sedativos magnéticos. Ainda assim, apesar dos passes, pelos quais foi completamente envolvido de energias revigoradoras, o moço acordou agoniado, hesitante e trêmulo, como se estivesse fugindo de medonhas tempestades no mundo íntimo. Semi-inconsciente, despendeu vários minutos para identificar-se. O pensamento surgia-lhe atormentado, nebuloso...

Tentou locomover-se, mas não conseguiu. Sentia-se chumbado à cama, quase na situação de um cadáver repentinamente desperto.
Buscou alinhar recordações, contudo, não pôde. Sabia tão-somente que atravessara grande pesadelo cujas dimensões lhe não cabiam na memória. Suarento, aflito, sentia-se morrer... Instintivamente orou, suplicando a Proteção Divina. Bastou essa atitude dalma para ligar-se, com mais facilidade, aos fluidos restauradores que lhe administrávamos. Pouco a pouco, readquiriu os movimentos livres e levantou-se, ingerindo uma pílula calmante.

Amedrontado, sentou-se no leito e, mergulhando a cabeça nas mãos, falou, sem palavras, de si para consigo: - "Estou evidentemente conturbado. Amanhã, consultarei um psiquiatra. É a minha única solução." Sim - concordei comigo mesmo -, o ódio gera a loucura. Quem se debate contra o bem, cai nas garras da perturbação e da morte. Com semelhante raciocínio, afastei-me. Clarêncio aguardava-nos. Era preciso continuar na lição.

LEMBRETE:

1° - Toda ofensa - friamente exumada - é tão exclusivamente um arranhão provocado em nossa vaidade pessoal, alimento para o amor-próprio doentiamente acalentado, um convite para que o nosso orgulho venha a explodir ruidosamente. Roque Jacintho

2° - (...) é fruto da ignorância ou, mais propriamente, da ausência de luz espiritual (...) Emmanuel

3° - OFENSOR é uma pessoa, que Deus manda de imprevisto, para ver nossa atitude, no ensino de Jesus-Cristo. Fco. C. Xavier

Edivaldo