OVÓIDES
BIBLIOGRAFIA
01- A crise da morte - pág. 83 02 - Antologia do perispírito - ref. 1073
03 - Correlações espirito -matéria - pág. 22 04 - Diconário Enc.Ilustrado - pág. 47
05 - Evolução em dois mundos - pág. 91, 117 06 - Libertação - pág. 84, 95, 115
07 - O livro dos Médiuns - cap. I, 56 08 - O ser e a serenidade - pág. 101
09 - Obsessão e desobsessão - pág. 81 10 - Pão nosso - pág. 75
11 - Saúde e Espiritismo - pág. 180, 182 12 - Universo e vida - pág. 80, 98
13 - Vampirismo- cap. II, pág. 15 14 -

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OVÓIDES – COMPILAÇÃO

05 - Evolução em dois mundos - André Luiz - pág. 91, 117

MONOIDEÍSMO E REENCARNAÇÃO — Ressurgir na própria taba e renascer na carne, cujas exalações lhe magnetizam a alma, constituem aspiração incessante do selvagem desencarnado. Estabelece-se nele o monoideísmo pelo qual os outros desejos se lhe esmaecem no íntimo.

Pela oclusão de estímulos outros, os órgãos do corpo espiritual se retraem ou se atrofiam, por ausência de função, e se voltam, instintivamente, para a sede do governo mental, onde se localizam, ocultos e definhados, no fulcro dos pensamentos em circuito fechado sobre si mesmos, quais implementos potenciais do germe vivo entre as paredes do ovo.

Em tais circunstâncias, se o monoideísmo é somente reversível através da reencarnacão, a criatura humana desencarnada, mantida a justa distância, lembra as bactérias que se transformam em esporos quando as condições de meio se lhes apresentam inadequadas, tomando-se imóveis e resistindo admiravelmente ao frio e ao calor, durante anos, para regressarem ao ciclo de evolução que lhes é peculiar, tão logo se identifiquem, de novo, em ambiente propício.

Sentindo-se em clima adverso ao seu modo de ser, o homem primitivo, desenfaixado do envoltório físico, recusa-se ao movimento na esfera extrafísica, submergindo-se lentamente, na atrofia das células que lhe tecem o corpo espiritual, por monoideísmo auto-hipnotizanfe, provocado pelo pensamento fixo-depressivo que lhe define o anseio de retorno ao abrigo fisiológico.

Nesse período, afirmamos habitualmente que o desencarnado perdeu o seu corpo espiritual, transubstanciando-se num corpo ovóide, o que ocorre, aliás, a inúmeros desencarnados outros, em situação de desequilíbrio, cabendo-nos notar que essa forma, segundo a nossa maneira atual de percepção, expressa o corpo mental da individualidade, a encerrar consigo, conforme os princípios ontogenéticos da Criação Divina, todos os órgãos virtuais de exteriorização da alma, nos círculos terrestrês e espirituais, assim como o ovo, aparentemente simples, guarda hoje a ave poderosa de amanhã, ou como a semente minúscula, que conserva nos tecidos embrionários a árvore vigorosa em que se transformará no porvir.

FORMA CARNAL — Todavia, assim como o germe para desenvolver-se no ovo precisa aquecer-se ao calor da ave que o acolha maternalmente ou do ambiente térmico apropriado, no recinto da chocadeira, e assim como a semente, para liberar os princípios germinativos do vegetal gigantesco em que se converterá, não prescinde do berço tépido no solo, os Espíritos desencarnados, sequiosos de reintegração no mundo físico, necessitam do vaso genésico da mulher que com eles se harmoniza, nas linhas da afinidade e, conseqüentemente, da herança, vaso esse a que se aglutinam, mecanicamente, e onde, conforme as leis da reencarnacão, operam em alguns dias todas as ocorrências de sua evolução nos reinos inferiores da Natureza.

Assimilando recursos orgânicos com o auxílio da célula feminina, fecundada e fundamentalmente marcada pelo gene paterno, a mente elabora, por si mesma, novo veículo fisiopsicossomático, atraindo para os seus moldes ocultos as células físicas a se reproduzirem por cariocinese, de conformidade com a orientação que lhes é imposta, isto é, refletindo as condições em que ela, a mente desencarnada, se encontra.

Plasma-se-lhe, desse modo, com a nova forma carnal, novo veículo ao Espírito, que se refaz ou se reconstitui em formação recente, entretecido de células sutis, veículo este que evoluirá igualmente depois do berço e que persistirá depois do túmulo.

DESENCARNAÇÃO NATURAL — Por milênios consecutivos o homem ensaia a desencarnação natural, progredindo vagarosamente em graus de consciência, após a decomposição do corpo somático. Recordando as anteriores comparações com o domínio dos insetos, a matriz uterina oferece-lhe novas formas e, assim como a larva se alimenta, assegurando a esperada metamorfose, a alma avança em experiência, enquanto no corpo carnal, adquirindo méritos ou deméritos, segundo a própria conduta, e entregando-se em em seguida, no fenômeno da morte ou histólise do invólucro de matéria física, à pausa imprescindível nas próprias atividades ou hiato de refazimento, que pode ser longo ou rapido, para ressurgir, pela histogênese espiritual, senhoreando novos órgãos e implementos necessários aos seu novo campo de ação, demorando-se nele, à medida dos conhecimentos conquistados na romagem humana.

É assim que a consciência nascente do homem pratica as lições da vida, no plano espiritual, pela desencarnação ou libertação da alma, como praticou essas mesmas lições da vida no plano físico, pelo renascimento ou internação do elemento espiritual na matéria densa, evoluindo, degrau a degrau, desde a excitabilidade rudimentar das bactérias até o automatismo perfeito dos animais superiores em que se baseia o domínio da inteligência. (...)

"PARASITAS OVÓIDES" — Inúmeros infelizes, obstinados na idéia de fazerem justiça pelas próprias mãos ou confiados a vicioso apego, quando desafivelados do carro físico, envolvem sutilmente aqueles que se lhes fazem objeto da calculada atenção e, auto-hipnotizados por imagens de afetividade ou desforço, infinitamente repetidas por eles próprios, acabam em deplorável fixação mo-noideística, fora das noções de espaço e tempo, acusando, passo a passo, enormes transformações na morfologia do veículo espiritual, porquanto, de órgãos psicossomáticos retraídos, por falta de função, assemelham-se a ovóides, vinculados às próprias vítimas que, de modo geral, lhes aceitam, mecanicamente, a influenciação, à face dos pensamentos de remorso ou arrependimento tardio, ódio voraz ou egoísmo exigente que alimentam no próprio cérebro, através de ondas mentais incessantes.

Nessas condições, o obsessor ou parasita espiritual pode ser comparado, de certo modo, à Sacculina carcini, que, provida de órgãos perfeitamente diferenciados na fase de vida livre, enraiza-se, depois, nos tecidos do crustáceo hospedador, perdendo as características morfológicas primitivas, para converter-se em massa celular parasitária.

No tocante à criatura humana, o obsessor passa a viver no clima pessoal da vítima, em perfeita simbiose mórbida, absorvendo-lhe as forças psíquicas, situação essa que, em muitos casos, se prolonga para além da morte física do hospedeiro, conforme a natureza e a extensão dos compromissos morais entre credor e devedor.

PARASITISMO E REENCARNAÇÃO — Nas ocorrências dessa ordem, quando a decomposição da vestimenta carnal não basta para consumar o resgate preciso, vítima e verdugo se equiparam na mesma gama de sentimentos e pensamentos, caindo, além-túmulo, em dolorosos painéis infernais, até que a Misericórdia Divina, por seus agentes vigilantes, após estudo minucioso dos crimes cometidos, pesando atenuantes e agravantes, promove a reencarnação daquele Espírito que, em primeiro lugar, mereça tal recurso.

E, executado o projeto de retorno do beneficiário, a regressar do Plano Espiritual para o Plano Terrestre, sofre a mulher, indicada por seus débitos à gravidez respectiva, o assédio de forças obscuras que, em muitas ocasiões, se lhe implantam no vaso genésico por simbiontes que influenciam o feto em gestação, estabelecendo-se, desde essa hora inicial da nova existência, ligações fluídicas através dos tecidos do corpo em formação, pelas quais a entidade reencarnante, a partir da infância, continua enlaçada ao companheiro ou aos companheiros menos felizes, que integram com ela toda uma equipe de almas culpadas em reajuste.

Desenvolve-se-lhe, então, a meninice, cresce, reinstrui-se e retorna à juvenilidade das energias físicas, padecendo, porém, a influência constante dos assediantes, até que, frequentemente por intermédio de uniões conjugais, em que a provação emoldura o amor, ou em circunstâncias difíceis do destino, lhes ofereça novo corpo na Terra, para que, como filhos de seu sangue e de seu coração, lhes devolva em moeda de renúncia os bens que lhes deve, desde o passado próximo ou remoto.

Em tais fatos, vamos anotar situações quase idênticas às que são provocadas pelos parasitas heteroxênicos, porquanto, se os adversários do Espírito reencarnado são em maior número, atuam, muitos deles, à feição dos tripanossomas, tomando os filhos de suas vítimas e afins deles próprios, por hospedeiros intermediários das formas-pensamentos deploráveis que arremessam de si, alcançando em seguida, a mente dos pais ou hospedeiros definitivos, a inocular-lhes perigosos fluidos sutis, com que lhes infernizam as almas, muitas vezes até à ocasião da própria morte. (..)

06 - Libertação -André Luiz - pág. 84, 95, 115

Gúbio estampou na fisionomia significativa expressão e ajuntou:- Quem se atreveria a nomear um anjo de amor para exercer o papel de carrasco? Ao demais, como acontece na Crosta Planetária, cada posição, além da morte, é ocupada por aquele que a deseja e procura. Vagueei o olhar, em derredor, e confrangeu-se-me toda a alma. Na comunidade das vítimas, arrebanhadas aos magotes, como se fossem animais raros para uma festa, predominavam a humildade e a aflição; mas, entre as sentinelas que nos rodeavam, a peçonha da ironia transbordava.

Palavrões eram desferidos, desrespeitosamen-te, a esmo. À frente de vasta tribuna vazia e sob as galerias laterais abarrotadas de povo, compacta multidão se amontoava, irreverente. Alguns minutos decorreram, desagradáveis e pesados, quando absorvente vozerio se fez ouvido: - Os magistrados! os magistrados! Lugar! lugar para os sacerdotes da justiça!

Procurei a paisagem exterior, curiosamente, tanto quanto me era possível, e vi que funcionários rigorosamente trajados à moda dos lictores da Roma antiga, carregando a simbólica machadinha (fasces) ao ombro, avançavam, ladeados por servidores que sobraçavam grandes tochas a lhes clarearem o caminho. Penetraram o átrio em passos rítmicos e, depois deles, sete andores, sustentados por dignitários diversos daquela corte brutalizada, traziam os juizes, esquisitamente ataviados.

Que solenidade religiosa era aquela? As poltronas suspensas eram, em tudo, idênticas à "sédia gestatória" das cerimônias papalinas.
Varando, agora, o recinto, os lictores passaram o instrumento simbólico às mãos e alinharam-se, corretos, perante a tribuna espaçosa, sobre a qual resplandecia alarmante facho de luz. Os julgadores, por sua vez, desceram, pomposos, dos tronos içados e tomaram assento numa espécie de nicho a salientar-se de cima, inspirando silêncio e temor, porque a turba inconsciente, em redor, calou-se de súbito.

Tambores variados rufaram, como se estivéssemos numa parada militar em grande estilo, e urna composição musical semi-selvagem acompanhou-lhes o ritmo, torturando-nos a sensibilidade. Terminado aquele ruído, um dos julgadores se levantou e dirigiu-se à massa, aproximadamente nestes termos: - "Nem lágrimas, nem lamentos. Nem sentença condenatória, nem absolvição gratuita. Esta casa não pune, nem recompensa. A morte é caminho para a justiça. Escusado qualquer recurso à compaixão, entre criminosos.

Não somos distribuidores de sofrimento, e, sim, mordomos do Governo do Mundo. Nossa função é a de selecionar delinquentes, a fim de que as penas lavradas pela vontade de cada um sejam devidamente aplicadas em lugar e tempo justos. Quem abriu a boca para vilipendiar e ferir, prepare-se para receber, de retorno, as forças tremendas que desencadeou através da palavra envenenada. Quem abrigou a calúnia, suportará os gênios infelizes aos quais confiou os ouvidos.

Quem desviou a visão para o ódio e para a desordem, descubra novas energias para contemplar os resultados do desequilíbrio a que se consagrou, espontaneamente. Quem utilizou as mãos em sementeiras de malícia, discórdia, inveja, ciúme e perturbação deliberada, organize resistência para a colheita de espinhos.

Quem centralizou os sentidos no abuso de faculdades sagradas espere, doravante, necessidades enlouquecedoras, porque as paixões envilecentes, mantidas pela alma no corpo físico, explodem aqui, dolorosas e arrasadoras. A represa por longo tempo guarda micróbios e monstros, segregados a distância do curso tranquilo das águas; todavia, chega um momento em que a tempestade ou a decadência surpreendem a obra vigorosa de alvenaria e as formas repelentes, libertadas, se espalham e crescem em toda a extensão da corrente.

Seguidores do vício e do crime, tremei! Condenados por vós mesmos, conservais a mente prisioneira das mais baixas forças da vida, à maneira do batráquio encarcerado no visco do pântano, ao qual se habituou no transcurso dos séculos!..." Nesse ponto, o orador fez pausa e reparei os circunstantes. Olhos esgazeados pelo pavor jaziam abertos em todas as máscaras fisionômicas.

O juiz, por sua vez, não parecia respeitar o menor resquício de misericórdia. Mostrava-se interessado em criar ambiente negativo a qualquer espécie de soerguimento moral, estabelecendo nos ouvintes angustioso temor. Prolongando-se o intervalo, enderecei com o olhar silenciosa interrogação ao nosso orientador, que me falou quase em segredo:- O julgador conhece à saciedade as leis magnéticas, nas esferas inferiores, e procura hipnotizar as vítimas em sentido destrutivo, não obstante usar, como vemos, a verdade contundente.

- Não vale acusar a edilidade desta colônia -prosseguiu a voz trovejante -, porque ninguém escapará aos resultados das próprias obras, quanto o fruto não foge às propriedades da árvore que o produziu. Amaldiçoados sejam pelo Governo do Mundo quem nos desrespeite as deliberações, baseadas, aliás, nos arquivos mentais de cada um.

(..) Quando encontramos um morto de cada vez, é fácil conceder-lhe sepultura condigna, mas, se os cadáveres são contados por multidões, nada nos resta senão adotar uma vala comum. Todos os Espíritos renascem nos círculos carnais para destruirem os ídolos da mentira e da sombra e entronizarem, dentro de si mesmos, os princípios da sublimação vitoriosa para a eternidade, quando não se encontram em simples estrada evolutiva; contudo, nas
demonstrações de ordem superior que lhes cabem, preferem, na maioria das ocasiões, adorar a morte na ociosidade, na ignorância agressiva ou no crime disfarçado, olvidando a gloriosa imortalidade que lhes compete atingir.

Ao invés de estruturarem destino santificante, com vistas ao porvir infinito, menosprezam oportunidades de crescimento, fogem ao aprendizado salutar e contraem débitos clamorosos, retardando a obra de elevação própria. E se eles mesmos, senhores de preciosos dons de inteligência, com todo o acervo de revelações religiosas de que dispõem para solucionar os problemas da alma, se confiam voluntariamente a semelhante atraso, que nos resta fazer senão seguir nas linhas de paciência por onde se regula a influenciação dos nossos benfeitores? Sem dúvida, esta paisagem é inquietante e angustiosa, mas compreensível e necessária.

Perguntei-lhe se naqueles sítios purgatoriais não havia companheiros amigos, detentores da missão de consolar, ao que o nosso Instrutor respondeu afirmativamente.- Sim - disse -, esta imensa coletividade, dentro da qual preponderam individualidades que pelo sofrimento contínuo se caracterizam pelo comportamento sub-humano, não está esquecida. A renúncia opera com Jesus, em toda parte. Agora, todavia, não dispomos de ensejos para a identificação de missionários e servidores do bem. Vamos ao estudo que nos interessa de mais perto. Descemos alguns metros e encontramos esquálida mulher estendida no solo.

Gúbio nela fixou os olhos muito lúcidos e, depois de alguns momentos, recomendou-nos seguir-lhe a observação acurada.- Vês, realmente, André? - inquiriu, paternal. Percebi que a infeliz se cercava de três formas ovóides, diferençadas entre si nas disposições e nas cores, que me seriam, porém, imperceptíveis aos olhos, caso não desenvolvesse, ali, todo o meu potencial de atenção.

- Reparo, sim - expliquei, curioso -, a existência de três figuras vivas, que se lhe justapõem ao perispírito, apesar de se expressarem por intermédio de matéria que me parece leve gelatina, fluida e amorfa. Elucidou Gúbio, sem detença: - São entidades infortunadas, entregues aos propósitos de vingança e que perderam grandes patrimônios de tempo, em virtude da revolta que lhes atormenta o ser.

Gastaram o perispírito, sob inenarráveis tormentas de desesperação, e imantam-se, naturalmente, à mulher que odeiam, irmã esta que, por sua vez, ainda não descobriu que a ciência de amar é a ciência de libertar, iluminar e redimir. Auscultamos, de mais perto, a desventurada criatura. Assumiu Gúbio a atitude do médico ante a paciente e os aprendizes. (..)


10 - Pão nosso - Emmanuel - pág. 75

32 - CADÁVERES

"Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias."- (Mateus, 24:28)
Apresentando a imagem do cadáver e das águias, referia-se o Mestre à necessidade dos homens penitentes, que precisam recursos de combate à extinção das sombras em que se mergulham.

Não se elimina o pântano, atirando-lhe flores. Os corpos apodrecidos no campo atraem corvos que os devoram. Essa figura, de alta sinificação simbológica, é dos mais fortes apelos do Senhor, conclamando os servidores do Evangelho aos movimentos do trabalho santificante.

Em vários círculos do Cristianismo renascente surgem os que se queixam, desalentados, da ação de perseguidores, obsessores e verdugos visíveis e invisíveis. Alguns aprendizes se declaram atados à influência deles e confessam-se incapazes de atender aos designios de Jesus.

Conviria, porém, muita ponderação, antes de afirmativas desse jaez, que apenas acusam os próprios autores. É imprescindível lembrar que as aves impiedosas se ajuntarão em torno de cadáveres ao abandono. Os corvos se aninham noutras regiões, quando se alimpa o campo em que permaneciam.

Um homem que se afirma invariavelmente infeliz fornece a impressão de que respira num sepulcro; todavia, quando procura renovar o próprio caminho, as aves escuras da tristeza negativa se afastam para mais longe.

Luta contra os cadáveres de qualquer natureza que se abriguem em teu mundo interior. Deixaque o divino sol da espiritualidade te penetre, pois, enquanto forem ataúde de coisas mortas, serás seguido, de perto, pelas águias da destruição.

11 - Saúde e Espiritismo - A.M.E. Brasil - pág. 180, 182

PSICOPATOLOGIAS DO CORPO ESPIRITUAL (PERISPÍRITO)
Monoideísmo
O homem selvagem emprega a força e a astúcia para dominar os seres inferiores e a natureza à sua volta, mas não tem preparo algum para enfrentar o grande desconhecido que se descortina, para ele, após a morte física. "O espetáculo da vastidão cósmica perturba-lhe o olhar e a visita de seres extraterrestres mesmo benevolentes e sábios, infunde-lhe pavor, crendo-se à frente de deuses bons ou maus, cuja natureza ele próprio se incumbe de fantasiar, na exiguidade das próprias concepções".

Assim, depois do óbito, permanece, tímido, ao pé dos seus, em cuja companhia passa a viver, em outras condições vibratórias, em processos variados de simbiose, ansioso por voltar à existência corpórea. Mantém-se, assim, vinculado à choça, aos seus, e "não tem outro pensamento senão voltar - voltar ao convívio revitalizante daqueles que lhe usam a linguagem e lhe comungam os interesses".

Tal qual as bactérias que se transformam em esporos, quando as condições do meio lhe são adversas, tornando-se imóveis e resistentes ao ambiente, durante anos a fio, assim também, o espírito do selvagem perde os órgãos do corpo espiritual, que se lhe atrofiam por falta de função.

Isso porque estabelece-se em seu íntimo o monoideísmo, a idéia fixa de voltar para a carne, e esse desejo eclipsa todos os demais.
Dá-se, então, o que André Luiz chama de monoideísmo auto-hipnotizante, provocado por pensamento fïxo-depressivo, nascido de sua inadaptação ao mundo extrafísico. Por esse processo, o desencarnado perde o seu corpo espiritual, transformando-se em ovóide, forma pela qual expressa o seu corpo mental.

No monoideísmo, o núcleo da visão profunda, no centro coronário, sofre disfunção específica pela qual o Espírito contemplará tão-so-mente os quadros terríficos relacionados com as culpas contraídas. Tudo o mais ele deixa de observar. Vejamos o caso de Leonardo Pires, desencarnado há vinte anos, vive, agora, na casa da neta, Antonina. Apresenta-se como um velhinho, conforme seus últimos dias terrestres.

A mente dele, porém, está fixada nos lances da última existência, em recordações que o obsecam. Quando jovem, foi empregado do marechal Guilherme Xavier de Souza e, hoje, conserva a mente detida num crime de envenenamento, que cometeu quando integrava as forças brasileiras acampadas em Piraju, no Paraguai. Enciumado, sentindo-se preterido pela mulher leviana com a qual se relacionava, por causa de um colega de farda, Leonardo idealizou o crime e executou-o, utilizando vinho envenenado.

Como as tropas deveriam seguir rumo ao Paraguari, o caso foi encerrado, sem maiores investigações. Leonardo seguiu em frente, convivendo por algum tempo com a mulher que fora pivô do crime, mas, de regresso ao Brasil, casou-se, deixando vários descendentes, entre os quais, Antonina. No leito de morte, reconheceu que a lembrança do crime castigava-lhe o mundo íntimo, centralizando todos os episódios apenas nesse.

No além, o monoideísmo persistiu. Com o olhar de louco, segue a única imagem que se lhe vitaliza, a cada dia, na memória, ao influxo da ; própria consciência que se considera culpada. Como ensinam os Espíritos Reveladores a Allan Kardec : "a lei de Deus está inscrita na consciência". E ninguém pode ludibriá-la, impunemente.

Parasitas Ovóides

Há Espíritos que perdem a forma humana de apresentação do seu Perispírito, surgindo como esferas ovóides. "Pela densidade da mente, saturada de impulsos inferiores, não conseguem elevar-se e gravitam em derredor das paixões absorventes que, por muitos anos, elegeram em centro de interesses fundamentais".

Inúmeros desencarnados, empolgados pela idéia de fazerem justiça com as próprias mãos ou apegados a vícios aviltantes, por repetirem infinitamente, essas imagens degradantes, acabam em deplorável fixação monoideística, fora das noções de espaço e tempo, sofrendo, então, enormes transformações na morfologia do psicossoma. Por falta de função, os órgãos psicossomáticos ficam retraídos, e surge a forma ovóide.

Atingida essa forma permanecem colados àqueles que foram seus sócios nos crimes, obedecendo à orientação das inteligências que os entrelaçam na rede do mal. Por isso servem às empreitadas infelizes nos processos de obsessão.

Nas regiões inferiores, onde André Luiz esteve, em missão de paz, em companhia do instrutor Gúbio, e que estão descritas no extraordinário livro Libertação, grande número de entidades transportavam essas esferas, como se estivessem imantadas às suas próprias irradiações.

O médico desencarnado explicou que esses ovóides são pouco maiores que um crânio humano, variando muito nas particularidades; alguns denunciam movimento próprio, como se fossem grandes amebas, outros parecem em repouso, aparentemente inertes, ligados ao halo vital de outras entidades. Qual a situação psíquica desses ovóides? A maioria deles dorme em estranhos pesadelos, incapazes de exteriorizações maiores.

ALTERAÇÕES E DEFORMAÇÕES DO CORPO ESPIRITUAL

Ao lado de espíritos que já conquistaram belas vestes de apresentação, encontramos outros cujos psicossomas revestem-se de verdadeiras deformidades. No livro Libertação, André Luiz teve oportunidade de constatar, de forma inesperada, um caso com essas alterações.

A senhora de um médico revelava extremo cuidado com a aparência externa, apresentando-se sempre muito bem penteada e maquiada, no entanto, o médico desencarnado teve oportunidade de vê-la como autêntica bruxa, igual à dos contos infantis, quando, pela ação do sono, o seu Perispírito desprendeu-se do corpo físico. As aparências enganam.

Em Evolução em Dois Mundos, André Luiz utiliza a nomenclatura corrente no mundo espiritual para designar as diversas alterações do psicossoma, consequentes a patologias mentais diferentes. Adinamia seria a queda mental no remorso; Hiperdinamia a patologia consequente aos delírios da imaginação, provocando hipo ou hipertensão no movimento circulatório das forças que o mantêm.

Utiliza também a denominação Miopraxia do Centro Genésico Atonizado para designar a patologia do organismo sutil no caso do aborto provocado, que seria a arritmia do chacra responsável pela organização das energias sexuais.

Em Ação e Reação, nos trabalhos de socorro da Mansão Paz, estabelecimento situado nas regiões inferiores, mas que permanece sob a jurisdição da cidade Nosso Lar, foi recolhido um desencarnado, cujo rosto era disforme, todos os traços se confundiam, qual se fosse uma esfera estranha e, além disso, seus braços e pernas eram hipertrofiados, enormes. Depois de consultá-lo, o instrutor Druso afirmou que o desencarnado em questão encontrava-se sob terrível hipnose, tendo sido conduzido a essa posição por adversários temíveis, que, decerto, para torturá-lo, fixaram-lhe a mente em alguma penosa recordação.

Era Antônio Olímpio, o fazendeiro que assassinara os dois irmãos e; cujo crime passou despercebido da justiça humana. Sua história está também no estudo da fixação mental. Em Libertação, porém, os relatos reportam-se a zonas muitíssimo inferiores, as regiões infernais. Lá estão presentes a velhice, a moléstia, o desencanto, o aleijão, as deformidades de toda a sorte e os ovóides.

O Perispírito de todos os habitantes dessas regiões é opaco, como o corpo físico, e pode sofrer ainda alterações mais profundas, deixando sua forma humana, para apresentar-se como a de um animal. É o fenômeno conhecido, genericamente, como Zoantropia, mas que tem na Licantropia - transformação em lobo - o processo mais conhecido.

Nas regiões inferiores, uma mulher é julgada por um tribunal constituído de entidades inteligentes e perversas. Diante dos juizes, confessou que matou quatro filhinhos, e contratou o assassinato do próprio marido, entregando-se depois às "bebidas de prazer", mas nunca pôde fugir da própria consciência.

Através de olhar temível, o juiz sentenciou-a, dizendo que ela não passava de uma loba. A mulher desencarnada passou a modificar-se, paulatinamente, diante da sentença repetida várias vezes, chegando ao resultado final da licantropia. Segundo explicações espirituais, ela não passaria por essa humilhação se não a merecesse.

A renovação mental, porém, depende dela. Deus mantém a senda redentora sempre aberta a seus filhos. Tornou-se clássica na literatura espiritualista o caso de Nabucodonosor, rei cruel e despótico, que viveu, sentindo-se como animal, durante sete anos. Diz a Bíblia (Dn 4.33) que "o seu corpo foi molhado de orvalho do céu, até que lhe cresceu pelo como as penas da águia e suas unhas como as das aves".

12 - Universo e vida - Espírito Áureo - pág. 80, 98

INFECÇÃO E PURGAÇÃO
Acionados os mecanismos do gravador comum, a fita magnética vai sendo sensibilizada pelas vibrações sonoras que nela se registram. Quando termina a gravação, se se quer ouvir o que foi gravado, deve-se reenrolar a fita em sentido contrário.
Mutatis mutandis, ocorre também assim com os registros da memória. Nela se vão gravando automaticamente todos os acontecimentos da vida, até que o choque biológico da desencarnação desata os mecanismos de revisão e arquivamento de todas as experiências gravadas ao longo da etapa existencial encerrada.

Acontece que nem sempre todas as experiências então revistas podem ser simplesmente arquivadas na memória profunda da mente, por não haverem sido por esta absorvidas. São os casos pendentes, ainda não encerrados, que traduzem, na maioria das vezes, realidades que a consciência não consegue aceitar.

Essa rejeição consciencial gera conflito mental interno, ou indigestão psíquica, provocando no espírito o reconhecimento do erro e o consequente remorso, ou, o que é pior, a orgulhosa ou cega ratificação do erro, causadora de revolta e empedernimento.

De qualquer modo, a rejeição consciencial tem como inelutável consequência a não assimilação das concentrações energéticas correspondentes às formas-pensamentos que duplicam os fatos, mantendo-os "vivos" e atuantes na aura do espírito, à maneira de tumores autônomos, simples ou em rede, a afetarem o corpo espiritual e o lesarem.

No caso do remorso, o tumor se transforma em abscesso energético, a exigir imediata drenagem; no caso do empedernimento, o tumor cria carnicão e se estratifica, realimentado pela continuidade dos pensamentos-força da mente, arrastando o espirito a longas incursões nos despenhadeiros da revolta, onde não raro se transforma transitoriamente em demônio, a serviço mais ou menos prolongado das Trevas.

As operações de drenagem psíquica são dolorosas e variam de tempo e intensidade, caso por caso, mas resultam sempre na recuperação relativa do espírito para futuras retificações de conduta, sem prejuízo da continuidade, a breve trecho, de sua marcha evolutiva ascensional.

Quando a revolta se cristaliza no monoideísmo, onde as idéias fixas funcionam como escoadouros de energia, em excessivo dispêndio de forças vitais, pode o espírito chegar facilmente à perda do psicossoma, ovoidizando-se, caso em que se reveste tão-só da túnica energética mental, à maneira de semente em regime de hibernação.

Chegue ou não a esse extremo, o espírito responderá, naturalmente, perante si mesmo, pelos fulcros de lesões mento-psicofísicas que gera, para seu próprio prejuízo, imediato e futuro.

No que tange à drenagem a que nos referimos, importa consideremos que o pus energético a ser expelido decorre das transformações psicofísico-químicas das energias degeneradas que foram segregadas pela mente e incorporadas à economia vital do ser, representando forças ídeo-emotivas de teor e peso específicos.

Necessário entendamos que as formas-pensamentos nem sempre são concentrações energéticas facilmente desagregáveis. Conforme a natureza ídeo-emotíva de sua estrutura e a intensidade e constância dos pensamentos de que se nutrem, podem tornar-se verdadeiros carcinomas, monstruosos "seres" automatizados e atuantes, certamente transitórios, mas capazes, em certos casos, de subsistir até por milénios inteiros de tempo terrestre, antes de desfazer-se.

A expiação, de que fala a Doutrina Espírita, não é senão a purgação purificadora do mal que infeccionou o espírito. Este, através dela, restaura a própria saúde e se liberta das impurezas que o afligem e lhe retardam a felicidade.

Notemos, porém, que os mecanismos expiatórios não obedecem a uma fórmula única. Se a dor dissolve o mal, o amor consegue transformá-lo.

Lembremo-nos de que tudo o que existe é suscetível de servir ao bem, sob o comando soberano da mente espiritual. O mal, seja qual for a sua natureza, é sempre apenas uma degenerescência do bem (*), porque a essência de toda a Criação repousa na Suprema Perfeição do Amoroso Criador dos Universos.

13 - Vampirismo - José Herculao Pires - cap. II, pág. 15

PARASITAS E VAMPIROS
A economia da Natureza nos revela a unidade funcional de todos os processos vitais. A Natureza, em sua infinita variedade de coisas e seres, não esbanja energias e formas, conteúdos e continentes, em suas estruturações. Do reino vegetal ao reino animal o processo criador é uno, obrigando-nos a uma concepção monista do Universo. A Fisiologia da Natureza, segundo a lei da diferenciação na unidade, mostra-se estruturada e funcionalizada, pêlos mesmos sistemas adaptados a cada reino.

Da seiva do vegetal ao sangue dos animais e do homem, das estruturas óticas inferiores às superiores, a organização é a mesma. Dos sistemas de motilidade e percepção e de alimentação e assimilação das plantas ao homem o sistema de funcionalidade só varia no tocante às adaptações específicas. Da mesma maneira e pela mesma razão, o parasitismo vegetal se desenvolve na direção do parasitismo animal e do vampirismo hominal-espiritual.

E assim como o parasitismo influi no desenvolvimento das plantas e no comportamento dos animais, o vampirismo influi no comportamento humano individual e social. Entre os vários elementos, coisas e seres que agem sobre o comportamento humano, o mais perturbador e o que mais profundamente ameaça as estruturas físicas e espirituais do ser humano é o vampirismo, porque é a atuação consciente de um ser sobre o outro, para deformar-lhe os sentimentos e as idéias, conturbar-lhe a mente e levá-lo a práticas e atitudes contrárias ao seu equilíbrio orgânico e psíquico.

No parasitismo, mesmo no espiritual, há uma tendência de acomodação do parasita na vítima. A lei é a mesma do parasitismo vegetal e animal. A entidade espiritual parasitária procura ajustar-se ao parasitado, na posição de uma subpersonalidade afim. Ambos vivem em sintonia, mas o parasita às custas das energias do parasitado, cujo desgaste naturalmente aumenta de maneira progressiva. Ambos ganham e perdem nessa conjugação nefasta.

O parasitado sofre duplo desgaste de suas energias mentais e vitais e o parasita cai na sua dependência, perdendo a sua capacidade individual de sobrevivência e conservação. A morte do parasitado afeta o parasita, que morre sugestivamente com ele, pois perdeu a capacidade de viver, sentir e pensar por si mesmo. Os casos de pessoas dependentes, excessivamente tímidas, desanimadas, inaptas para a vida normal, essas de que se diz "passaram pela vida, mas não viveram", são tipicamente casos de parasitismo.

As próprias condições orgânicas dessas pessoas, que não reagem devidamente aos socorros medicamentosos, à alimentação e aos estímulos do meio, de práticas espirituais ou físicas, decorrem de deficiências orgânicas, mas também da sobrecarga invisível do parasitismo espiritual. As medicações estimulantes e os tratamentos psicológicos raramente produzem os efeitos desejados. Mas a conjugação desses recursos habituais com o tratamento espiritual para a expulsão do parasita, que representa no organismo da vítima uma forma de subvida consumidora, geralmente produz efeitos surpreendentes.

As causas dessa situação mórbida decorrem de processos kánnicos originados por associações criminosas em vidas anteriores dos comparsas. Os recursos espirituais são os passes espíritas, a frequência regular a reuniões mediúnicas, o estudo e a leitura dos livros espíritas básicos, a prática da prece individual diária pelo parasitado em favor do parasita ou parasitas.

Todas essas providências devem ser orientadas por pessoas conhecedoras do Espiritismo, despretensiosas e dotadas de bom-senso, o que permitirá o controle do processo de cura. Todas as práticas exorcistas, queima de ingredientes, queima de defiimadores, aplicação ginástica de passes formalizados, uso de plantas supostamente milagrosas ou objetos de magia só poderá agravar a situação. O espírito parasitário é uma criatura humana com os direitos comuns da espécie humana e deve ser sempre encarado como parceiro dos sofrimentos do parasitado.

Nesses tratamentos não se deve desprezar o concurso médico, pois os efeitos negativos do parasitismo espiritual, depauperando o organismo da vítima, propiciam também a infiltração dos parasitas do meio físico, que devem ser combatidos com os medicamentos específicos. Embora a ação espiritual das entidades protetoras possa também ajudar o reequilíbrio orgânico, a presença de um médico, se possível espírita, se faz necessária.

Enganam-se os que se voltam contra a Medicina nessas ocasiões, pois as leis e os recursos do meio físico são mais apropriados nesses casos. Cada plano da Natureza tem suas exigências específicas, que precisamos respeitar. Existem também os Espíritos da Natureza, que trabalham no plano físico. Essas entidades semimateriais, de corpos perispiríticos, estão em ascensão evolutiva para o plano hominá. São os chamados elementares da concepção teosófica, derivada das doutrinas espiritualistas da índia. As funções dessas entidades na Natureza são de grande responsabilidade.

O Espiritismo põe sua ênfase no estudo e na investigação dos espíritos humanos, que são os do nosso plano evolutivo, dotado de consciência e inteligência racional mais desenvolvida. Os parasitas já pertencem ao plano humano. São considerados na Teosofia e em outras correntes espiritualistas como larvas astrais. Na verdade não são larvas nem elementares, são entidades que necessitam da ajuda da doutrinação.

Os teosofistas atribuem também as comunicações espíritas aos chamados cascões astrais, que são para eles invólucros espirituais, perispíritos abandonados pêlos mortos e de que se servem os elementares ou espíritos brincalhões para se manifestarem nas sessões mediúnicas como sendo os espíritos desses mortos. A teoria dos cascões foi criada por Mme. Blavatski, após uma sessão mediúnica que assistiu em New York.

O Sr. Sinet declara em seu livro Incidentes da Vida da Sra. Blavatski que ela cometeu então um engano de observação, ao qual nunca mais se referiu. Sinet, teósofo de projeção e companheiro de Bkvatstó, discorda dos teosofistas que continuam a aceitar essa falsa teoria. André Luiz refere-se a ovóides, espíritos que perderam o seu corpo espiritual e se vêem fechados em si mesmos, envoltos numa espécie de membrana.

Isso lembra a teoria de Sartre sobre o em-si, forma anterior do ser espiritual, que a rompe ao se projetar na existência por necessidade de comunicação. A ação vampiresca desses ovóides é aceita por muitos espíritas amantes de novidades. Mas essa novidade não tem condições científicas nem respaldo metodológico para ser integrada na doutrina.

Não passa de uma informação isolada de um espírito. Nenhuma pesquisa séria, por pesquisadores competentes, provou a realidade dessa teoria. Não basta o conceito do médium para validá-la. As exigências doutrinárias são muito mais rigorosas no tocante à aceitação de novidades.

O Espiritismo estaria sujeito a mais completa deformação, se os espíritas se entregassem ao delírio dos caçadores de novidades. André Luiz manifesta-se como um neófito empolgado pela doutrina, empregando as vezes termos que destoam da terminologia doutrinária e conceitos que nem sempre se ajustam aos princípios espíritas. (...)