PACIÊNCIA
BIBLIOGRAFIA
01- A educação S.o Espiritismo - pág. 74 02 - Agenda cristã - pág. 39, 93, 97
03 - Alerta - pág. 44 04 - Calma - toda a obra
05 - Cartas e crônicas - pág. 13 06 - Celeiro de bênçãos - pág. 155
07 - Contos e apólogos- pág. 77 08 - Convites da vida - pág. 110
09 - Coragem - pág. 17, 129, 137 10 - Depois da morte- pág. 279
11 - Do país da luz - vol. iv pág. 274 12 - Escrínio de luz - pág. 131
13 - Espírito e vida - pág. 131 14 - Estude e viva- pág. 188
15 - Jesus no lar - pág. 199

16 - Justiça divina - pág. 151

17 - No mundo maior - pág. 123 18 - O espirito da verdade - pág. 20, 119, 159
19 - O Evangelho S.o Espiritismo - cap. ix, 7 20 - O Livro dos Espíritos, q 530,707,740,862
21 - Palavras de vida eterna - pág. 204 22 - Pão nosso- pág. 25. 27
23 - Seara dos médiuns - pág. 128, 223 24 - Segue-me - pág. 47, 165
25 - Mãos unidas - pág. 31, 130 26 - Oferenda - pág. 149
27 - Bênção de paz - pág. 147  

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PACIÊNCIA – COMPILAÇÃO

03 - Alerta - Joanna de Ângelis - pág. 44

11. PACIÊNCIA E CARIDADE
Aturdem-te os comentários malsãos que são entretecidos contra a tua pessoa, ferindo-te as mais caras aspirações. Sofres o aguilhão das dificuldades e malícias que são postas no teu caminho, atingindo as carnes da tua alma. Padeces a incompreensão gratuita de pessoas bem formadas, que se deixam anestesiar pelos vapores da antipatia e voltam a sua animosidade contra ti, não descansando na faina de sensibilizar-te.

Experimentas angústia, quando te informas dos problemas inconsequentes que são criados, envolvendo teu nome e tua ação em rudes colocações ou informes pejorativos. Gostarias, talvez, de caminhar sem tropeço, desconhecendo impedimentos. Todavia, não te olvides que te encontras na Terra e este é o campo ao qual foste chamado para o serviço.

Além de auxiliar-te a desenvolver a paciência e exercitar-te a humildade correta, propicia-te o desapego aos transitórios conceitos do mundo. Nem mesmo Jesus, impoluto e incorruptível, experimentou uma trajetória de exceção, padecendo azorragues de todo tipo e qualidade, a fim de ensinar-nos coragem e valor.

Diante das dores que te chegam oriundas das mais variadas géneses, vive a caridade da paciência. Caridade para com aqueles que te não compreendem e paciência ante a prova. Desprezado e estigmatizado pela intolerância e insistência dos que preferem perseguir a servir, adestra-te na caridade da paciência.

Caridade difícil é desculpar o ofensor e tê-lo em conta de enfermo, necessitado da tua amizade e consideração. Ao mesmo tempo, é caminho iluminativo para tuas aspirações, através de paciência com perseverança no dever.

São caridade a doação de amor, a transferência de recursos e moedas para amenizar provações e dores, os socorros fraternos da sopa e do pão, todavia, a paciência em relação aos que se obstinam em dificultar-nos a marcha no bem, buscando o Pai, constitui a excelente caridade moral de que todos necessitamos, desde que, ontem por certo, tenhamos delinqüido, aprendendo, agora, a reparar, ou estejamos a equivocar-nos necessitando, por nossa vez, da doação da benevolência do nosso próximo.

A caridade da paciência é das mais expressivas virtudes que o cristão autêntico deve cultivar. Jesus, esperando-nos e amando-nos sem cansaço, até hoje, oferece-nos o exemplo sublime e sem retoques da caridade pela paciência.

05 - Cartas e crônicas - Irmão X - pág. 13

2 - As três orações
Instado pela assembléia de amigos a falar sobre a resposta do Criador às preces das criaturas, respondeu o velho Simão Abileno, instrutor cristão, considerado no Plano Espiritual por mestre do apólogo e da síntese:

— Repetirei para vocês, a nosso modo, antiga lenda que corre mundo nos contos populares de numerosos países... Em grande bosque da Ásia Menor, três árvores ainda jovens pediram a Deus lhes concedesse destinos gloriosos e diferentes. A primeira explicou que aspirava a ser empregada no trono do mais alto soberano da Terra; após ouvi-la, a segunda declarou que desejava ser utilizada na construção do carro que transportasse os tesouros desse rei poderoso, e a terceira, por último, disse então que almejava transformar-se numa torre, nos domínios desse potentado, para indicar o caminho do Céu.

Depois das preces formuladas, um Mensageiro Angélico desceu à mata e avisou que o Todo-Misericordioso lhes recebera as rogativas e lhes atenderia às petições. Decorrido muito tempo, lenhadores invadiram o horto selvagem e as árvores, com grande pesar de todas as plantas circunvizinhas, foram reduzidas a troncos, despidos por mãos cruéis.

Arrastadas para fora do ambiente familiar, ainda mesmo com os braços decepados, elas confiaram nas promessas do Supremo Senhor e se deixaram conduzir com paciência e humildade. Qual não lhes foi, porém, a aflitiva surpresa!...

Depois de muitas viagens, a primeira caiu sob o poder de um criador de animais que, de imediato, mandou convertê-la num grande cocho destinado à alimentação de carneiros; a segunda foi adquirida por um velho praiano que construía barcos por encomenda; e a terceira foi comprada e recolhida para servir, em momento oportuno, numa cela de malfeitores.

As árvores amigas, conquanto separadas e sofredoras, não deixaram de acreditar na mensagem do Eterno e obedeceram sem queixas às ordens inesperadas que as leis da vida lhes impunham... No bosque, contudo, as outras plantas tinham perdido a fé no valor da oração, quando, transcorridos muitos anos, vieram a saber que as três árvores haviam obtido as concessões gloriosas solicitadas. ..

A primeira, forrada de panos singelos, recebera Jesus das mãos de Maria de Nazaré, servindo de berço ao Dirigente Mais Alto do Mundo; a segunda, trabalhando com pescadores, na forma de uma barca valente e pobre, fora o veículo de que Jesus se utilizou para transmitir sobre as águas muitos dos seus mais belos ensinamentos; e a terceira, convertida apressadamente numa cruz em Jerusalém, seguira com Ele, o Senhor, para o monte e, ali, ereta e valorosa, guardara-lhe o coração torturado, mas repleto de amor no extremo sacrifício, indicando o verdadeiro caminho do Reino Celestial...

Simão silenciou, comovido.E, depois de longa pausa, terminou, a entremostrar os olhos marejados de pranto:
— Em verdade, meus amigos, todos nós podemos endereçar a Deus, em qualquer parte e em qualquer tempo, as mais variadas preces; no entanto, nós todos precisamos cultivar paciência e humildade, para esperar e compreender as respostas de Deus.

09 - Coragem - Espíritos Diversos - pág. 17, 129, 137

3 - CULTIVANDO PACIÊNCIA

Cultivando paciência:
- Se voce foi vítima de preterição em serviço, reconhecerá que isso aconteceu, em favor da sua elevação de nível;
- Se perdeu o emprego, ante a perseguição de alguém que lhe cobiçou o lugar, creia que alcançará outro muito melhor;
- Se um companheiro lhe atravessou o caminho, atrapalhando-lhe um negócio, transações mais lucrativas aparecerão, amanhã em seu benefício;
- Se determinada criatura lhe tomou a residência, manejando processos inconfessáveis, em futuro próximo, terá você moradia muito mais confortável;
- Se um amigo lhe prejudica os interesses, subtraindo-lhe oportunidades de progresso e ajustamento econômico, guarde a certeza de que outras portas se lhe descerrão mais amplas aos anseios de paz e prosperidade;
- Se pessoas queridas lhe menosprezam a confiança, outras afeições muito mais sólidas e mais estimáveis surgirão a caminho, garantindo-lhe a segurança e a felicidade;
- Mas nunca pretiras, não persigas, não atrapalhes, não desconsideres, não menosprezes e nem prejudiques a ninguém, porque sofrer é muito diferente de fazer sofrer é sempre uma carga dolorosa para quem a contrai.

Albino Teixeira.

42 - PASSO DE LUZ

Nas tribulações ou discórdias que nos agravem os problemas da vida, recordemos a necessidade de certo donativo, talvez dos mais difícieis na beneficência da alma; - o primeiro passo para o reajuste da harmonia e da segurança. Isso significa para nós um tanto mais de amor, ainda mesmo quando nos vejamos ilhados no espinheiro vibratório da incompreensão.

Por vezes, é o lar em tumulto reclamando a tranquilidade, à face do desentendimento entre criaturas queridas. Noutras circunstâncias, são companheiros respeitáveis, em conflito uns com os outros.

Em algumas situações, é o estopim curto da agressividade exagerada nesse ou naquele amigo, favorecendo a explosão da violência.
Em muitos lances do caminho, é o sofrimento de algum coração brioso e nobre, mas ainda tisnado pelo orgulho-a ferir-se.

Nessas horas, quando a sombra se nos estende a vida, em forma de perturbação ou desafio a lutas maiores, bem-aventurados sejam todos aqueles que se decidam ao primeiro passo da benevolência e da humildade, da tolerância e do" perdão, auxiliando-nos na recomposição do caminho.

Onde estiveres, com quem seja, em qualquer tempo e tanto quanto puderes, dá de ti mesmo esse acréscimo de bondade, recordando o acréscimo de misericórdia, que todos recebemos de Deus, a cada trecho da vida. Alguém nos injuria? Suportar com mais paciência.
Aparece quem nos aflija? Disciplinar-nos sempre mais na compreensão das lutas alheias

Surjem prejuízos? Trabalhar com mais vigor. Condenações contra nós? Abençoar e servir constantemente.
Em todas as situações, nas quais o mal entreteça desequilíbrio, tenhamos a coragem do primeiro passo, em que a serenidade e o amor, a humildade e a paciência nos garantam de novo a harmonia do Bem.

Emmanuel

44 - NA HORA DA PACIÊNCIA

Quando os acontecimentos surjam convulsionados compelindo-te a seguir para a frente, como se estivesses sob tormenta de fogo... Quando a manifestação da cruedade te faça estremecer de sofrimento.

Quando o assalto das trevas te deixe as forças transidas de aflição. Quando o golpe em teu prejuízo haja partido das criaturas a que mais te afeiçoas.

Quando a provação apareça, a fim de demorar-se longo tempo contigo, em função de doloroso burilamento...Quando a ignorância te desafie, ameaçando-te o trabalho. . .

Quando o afastamento de amigos queridos te imponha solidão e desencanto. . .Quando contratempos e desarmonia no lar te forcem a complicadas travessias de angústia. ..

Quando a tentação te induza à revolta e revide, na hora em que a injúria te cruze os passos...Quando, enfim, todas as tuas idéias e aspirações alusivas ao bem se mostrem supostamente asfixiadas pela influência transitória do mal...

Então haverás chegado ao teste mais importante do cotidiano, a configurar-se no testemunho da paciência. Saberás desculpar e abençoar, agir e construir em paz nessa preciosa quão difícil oportunidade de elevação, que a experiência te aponta à frente.

E não digas que a serenidade expresse fraqueza, ante os cultores da violência, qual se não tivesses brio para a reação necessária, porque é preciso muito mais combatividade interior para dominar-se alguém ao colher ofensas e esquecê-las do que para assacá-las ou devolvê-las, a detrimento do próximo.

Capacitemo-nos de que entre agredir e suportar, o equilíbrio e a força de espírito residem com a paciência sempre capaz de aguentar e compreender, servir e recomeçar, incessantemente, o trabalho do bem nas bases do amor para que a vida permaneça, sem qualquer solução de continuidade, em luminosa e constante ascensão.
EMMANUEL

10 - Depois da morte - Léon Denis - pág. 279

XLVIII — DOÇURA, PACIÊNCIA, BONDADE
Se o orgulho é o germe de uma multidão de vícios, a caridade produz muitas virtudes. Desta derivam a paciência, a doçura, a prudência. Ao homem caridoso é fácil ser paciente e afável, perdoar as ofensas que lhe fazem. A misericórdia é companheira da bondade.
Para uma alma elevada, o ódio e a vingança são desconhecidos.

Paira acima dos mesquinhos rancores, é do alto que observa as coisas. Compreende que os agravos humanos são provenientes da ignorância e por isso não se considera ultrajada nem guarda ressentimentos. Sabe que perdoando, esquecendo as afrontas do próximo aniquila todo germe de inimizade, afasta todo motivo de discórdia futura, tanto na Terra como no espaço.

A caridade, a mansuetude e o perdão das injúrias tornam-nos invulneráveis, insensíveis às vilanias e às perfídias: promovem nosso desprendimento progressivo das vaidades terrestres e habituam-nos a elevar nossas vistas para as coisas que não possam ser atingidas pela decepção.

Perdoar é o dever da alma que aspira à felicidade. Quantas vezes nós mesmos temos necessidade desse perdão? Quantas vezes não o temos pedido? Perdoemos a fim de sermos perdoados, porque não poderíamos obter aquilo que recusamos aos outros. Se desejamos vingar-nos, que isso se faça com boas ações. Desarmamos o nosso inimigo desde que lhe retribuímos o mal com o bem.

Seu ódio transformar-se-á em espanto e o espanto, em admiração. Despertando-lhe a consciência obscurecida, tal lição pode produzir-lhe uma impressão profunda. Por esse modo, talvez tenhamos, pelo esclarecimento, arrancado uma alma à perversidade.

O único mal que devemos salientar e combater é o que se projeta sobre a sociedade. Quando esse se apresenta sob a forma de hipocrisia, simulação ou embuste, devemos desmascará-lo, porque outras pessoas poderiam sofrê-lo; mas será bom guardarmos silêncio quanto ao mal que atinge nossos únicos interesses ou nosso amor-próprio.

A vingança, sob todas as suas formas, o duelo, a guerra, são vestígios da selvageria, herança de um mundo bárbaro e atrasado. Aquele que entreviu o encadeamento grandioso das leis superiores, do princípio de justiça cujos efeitos se repercutem através das idades, esse poderá pensar em vingar-se?

Vingar-se é cometer duas faltas, dois crimes de uma só vez; é tornar-se tão culpado quanto o ofensor. Quando nos atingirem o ultraje ou a injustiça, imponhamos silêncio à nossa dignidade ofendida, pensemos nesses a quem, num passado obscuro, nós mesmos lesamos, afrontamos, espoliamos, e suportemos então a injúria presente como uma reparação. Não percamos de vista o alvo da existência que tais acidentes poderiam fazer-nos olvidar.

Não abandonemos a estrada firme e reta; não deixemos que a paixão nos faça escorregar pêlos declives perigosos que poderiam conduzir-nos à bestialidade; encaminhemo-nos com ânimo robustecido. A vingança é uma loucura que nos faria perder o fruto de muitos progressos, recuar pelo caminho percorrido.

Algum dia, quando houvermos deixado a Terra, talvez abençoemos esses que foram inflexíveis e intolerantes para conosco, que nos despojaram e nos cumularam de desgostos; abençoá-los-emos porque das suas iniqüidades surgiu nossa felicidade espiritual. Acreditavam fazer o mal e, entretanto, facilitaram, nosso adiantamento, nossa elevação, fornecendo-nos a ocasião de sofrer sem murmurar, de perdoar e de esquecer.

A paciência é a qualidade que nos ensina a suportar com calma todas as impertinências. Consiste em extinguirmos toda sensação, tornando-nos indiferentes, inertes para as coisas mundanas, procurando nos horizontes futuros as consolações que nos levam a considerar fúteis e secundárias todas as tribulações da vida material.

A paciência conduz à benevolência. Como se fossem espelhos, as almas reenviam-nos o reflexo dos sentimentos que nos inspiram. A simpatia produz o amor; a sobranceria origina a rispidez. Aprendamos a repreender com doçura e, quando for necessário, aprendamos a discutir sem excitação, a julgar todas as coisas com benevolência e moderação.

Prefiramos os colóquios úteis, as questões sérias, elevadas; fujamos às dissertações frívolas e bem assim de tudo o que apaixona e exalta. Acautelemo-nos da cólera, que é o despertar de todos os instintos selvagens amortecidos pelo progresso e pela civilização, ou, mesmo, uma reminiscência de nossas vidas obscuras. Em todos os homens ainda subsiste uma parte de animalidade que deve ser por nós dominada à força de energia, se não quisermos ser submetidos, assenhoreados por ela.

Quando nos encolerizamos, esses instintos adormecidos despertam e o homem torna-se fera. Então, desaparece toda a dignidade, todo o raciocínio, todo o respeito a si próprio. A cólera cega-nos, faz-nos perder a consciência dos atos e, em seus furores, pode induzir-nos ao crime.

Está no caráter do homem prudente o possuir-se sempre a si mesmo, e a cólera é um indício de pouca sociabilidade e muito atraso. Aquele que for suscetível de exaltar-se, deverá velar com cuidado as suas impressões, abafar em si o sentimento de personalidade, evitar fazer ou resolver qualquer coisa quando estiver sob o império dessa terrível paixão.

Esforcemo-nos por adquirir a bondade, qualidade inefável, auréola da velhice, a bondade, doce foco onde se reaquecem todas as criaturas e cuja posse vale essa homenagem de sentimentos oferecida pêlos humildes e pêlos pequenos aos seus guias e protetores.

A indulgência, a simpatia e a bondade apaziguam os homens, congregando-os, dispondo-os a atender confiantes aos bons conselhos; no entanto, a severidade dissuade-os e afugenta. A bondade permite-nos uma espécie de autoridade moral sobre as almas, oferece-nos mais probabilidade de comovê-las, de reconduzi-las ao bom caminho.

Façamos, pois, dessa virtude um archote com o auxílio do qual levaremos luz às inteligências mais obscuras, tarefa delicada, mas que se tornará fácil com um sentimento profundo de solidariedade, com um pouco de amor por nossos irmãos.

15 - Jesus no lar - Néio Lúcio - pág. 199

47 - O EDUCADOR CONTURBADO
Comentava André, o apóstolo prestativo, as dificuldades para afeiçoar-se às verdades novas, quando Jesus narrou para a edificação de todos: - Um homem, singularmente forte, que se especializara em variados serviços de reparação e reajustamento, foi convidado por um anjo a consertar um aleijado que aspirava ao ingresso no paraíso e aceitou a tarefa.

Avizinhou-se do enfermo, de martelo em punho e, não obstante os gritos e lágrimas que a sua obra arrancava do infeliz, aprimorando-o, dia a dia, cumpriu o prometido. Ó mensageiro divino, satisfeito, rogou-lhe a contribuição no aperfeiçoamento de uma velha coxa que desejava ardentemente a entrada na Corte Celeste.

O trabalhador robusto, indiferente aos gemidos da anciã, impôs-lhe a disciplina curativa e, gradativamente, colocou-a em condições de subir às Esferas Sublimes. O ministro do Alto, jubiloso, solicitou-lhe o concurso no refazimento de um homem chagado e aflito que anelava a beatitude edênica. O consertador não hesitou.

Absolutamente inacessível aos petitórios do infortunado, queimou-lhe as úlceras com atenção e rigor, pondo-o em posição de elevar-se. Terminada a tarefa, o anjo retornou e requisitou-lhe a cooperação em benefício de um jovem perdido em maus costumes. O restaurador tomou o rapaz à sua conta e deu-lhe trabalho e contenção, com tamanho tirocínio, que, em tempo breve, a tarefa se fazia completa.

E, assim, o emissário de Cima pediu-lhe colaboração em diversos casos complexos de reestruturação física e moral, até que, um dia, o emérito educador, entediado da existência imperfeita na Terra, implorou ao administrador angélico a necessária permissão para seguir em companhia dele, na direção do Céu. O embaixador sublime revistou-o, minuciosamente, e informou que também ele devia preparar-se com vistas ao grande cometimento; mostrou-lhe os pés irregulares, os braços deficientes e os olhos defeituosos e rogou, dessa vez, reajustasse ele a si mesmo, a fim de elevar-se.

O disciplinador começou a obra de auto-aprimoramento, esperançoso e otimista; entretanto, o seu antigo martelo lhe feria agora tão rudemente a própria carne que ele, ao invés de consertar os pés, os braços e os olhos, caiu a contorcer-se no chão, desditoso e revoltado, proferindo blasfêmias e vomitando injúrias contra Deus e o mundo, quase paralítico e quase cego.

Ele mesmo não suportara o regime de salvação que aplicara aos outros e o próprio anjo amigo, ao reencontrá-lo, com extrema dificuldade o identificou, tão diferente se achava.

Findo o longo exame a que submeteu o infortunado, o mensageiro do Eterno não teve outro recurso senão confiá-lo a outros educadores para que o reajustamento necessário se fizesse, com o mesmo rigor salutar com que funcionara para os outros, a fim de que o notável consertador se aperfeiçoasse, convenientemente, para, então, ingressar no Paraíso.

Diante da estranheza que senhoreara o ânimo dos presentes, o Senhor concluiu:— Usemos de paciência e amor em todas as obras de corrigenda e aprendamos a suportar as medidas com que buscamos melhorar a posição daqueles que nos cercam, porque para cada espírito chega sempre um momento em que deve ser burilado, com eficiência e segurança, para a Luz Divina.

16 - Justiça divina - Emmanuel - pág. 151

JORNADA ACIMA - Reunião pública de 13-10-61 1ª Parte, cap. VI, item 13

Ergue a flama da fé na imortalidade, e caminha!
Os que desertaram da confiança gritar-te-ão impropérios, entrincheirados na irresponsabilidade que lhes serve de esconderijo.
Demagogos do desânimo, dirão, apressados, que o mundo nunca se desvencilhará da lei de Caim; que os tigres da inteligência continuarão devorando os cordeiros do trabalho; que a mentira, na História, prosseguirá entronizando criminosos na galeria dos mártires; que a perfídia se anteporá, indefinidamente, à virtude; que a mocidade é carne para canhões e prostíbulos; que as mães amamentam para o sepulcro; que as religiões são fábulas piedosas para consumo de analfabetos; que as tenazes da guerra te constringirão a cabeça, sufocando-te a voz no silêncio do horror...

Tentarão, decerto, envolver-te na nuvem do pessimismo, induzindo-te a esquecer o presente e o futuro, na taça de tranquilidade e prazer em que anestesiam o pensamento.

Contudo, reflete levemente e perceberás que os trânsfugas do dever, acolhidos à negação e infantilizados no medo, simplesmente desfrutam a paz dos entrevados e a alegria dos loucos.

Ora por eles, nossos irmãos que ainda não amadureceram o entendimento para a altura da vida, e segue adiante. Na escuridão mais espessa, acende a chama da prece, e, onde todos se sentirem desalentados, fala, sem revolta, a palavra de esperança que desenregele os corações mumificados no desconsolo.

Um gesto de bondade sobre a agonia de alguém que oscila, à beira do abismo, e uma gota de bálsamo espremida com amor numa ferida que sangra bastam, muitas vezes, para renovar multidões inteiras.

Sobretudo, nos mais aflitivos transes da provação, não percas a paciência. Não consegues emendar os companheiros desarvorados, mas podes restaurar a ti mesmo.

Embora contemplando assaltos e violências, ruínas e escombros, avança jornada acima, apagando o mal e fazendo o bem.
Criatura alguma, na Terra, escapará da grandeza fatal da justiça e da morte; no entanto, sabemos todos que a justiça, por mais dura e terrível, é sempre a resposta da Lei às nossas próprias obras, e que a morte, por mais triste e desconcertante, é sempre o toque de ressurgir.

18 - O espirito da verdade - Espíritos Diversos - pág. 20, 119, 159

68 - PROVAS DECISIVAS - Cap. V — Item 19
Clamas contra o infortúnio que te visita e desespera-te, sem reação construtiva, ante as horas de luta. Falaram-te do Senhor e dos aprendizes abnegados que o seguiram, nas horas primeiras, na senda marginada de prantos e sacrifícios... Queres, porém, comungar-lhe a paz e viver em menor esforço...

Todavia, quase todos os grandes vultos da Humanidade, em todas as épocas e em todos os povos, passaram pelo tempo das provas decisivas. Senão observemos: Cervantes ficou paralítico da mão esquerda e esteve preso sob a acusação de insolvente, mas sobrepairou acima da injúria e legou um tesouro à literatura da Terra.

Bernard Palissy experimentou tamanha pobreza que chegou, em certo momento, a queimar a mobília da própria casa, a fim de conseguir suficiente calor nos fornos em que fazia experiências; contudo, atingiu a perfeição que desejava em sua obra de ceramista.

Shakespeare sentiu-se em tão grande penúria, que se achou, um dia, a incendiar um teatro, tomado de desespero; entretanto, superou a crise e deixou no mundo obras-primas inesquecíveis.

Victor Hugo esteve exilado durante dezoito anos; todavia, nunca abandonou o trabalho e depôs o corpo físico, no solo de sua pátria, sob a admiração do mundo inteiro.

Faraday, na mocidade, foi compelido a servir na condição de ajudante de ferreiro, de modo a custear os próprios estudos; no entanto, converteu-se num dos físicos mais respeitados por todas as nações.

Hertz enfrentou imensa falta de recursos e foi vendedor de revistas para sustentar-se; entretanto, venceu as dificuldades e tornou-se um dos maiores cientistas mundiais. De igual modo, entre os espíritas as condições de existência terrestre não têm sido outras.

Na França, Allan Kardec sofreu, por mais de uma década, insultuoso sarcasmo da maioria dos contemporâneos; contudo, jamais desanimou, entregando à posteridade o luminoso patrimônio da Codificação.

Na Espanha, Amália Domingo Sóler, ainda em plenitude das forças físicas, tolerou o suplício da fome, na flagelação da cegueira; todavia, nunca duvidou da Providência Divina, consagrando ao pensamento espírita a riqueza de suas páginas imortais.

No Brasil, Bezerra de Menezes, abdicando das fulgurações da política humana e, não obstante a posição de médico ilustre, partiu da Terra, em extrema necessidade material, o que não impediu a sua elevação ao título de Apóstolo. Em razão disso, não te deixes vencer pelos obstáculos.

A resignação humilde, a misturar lágrimas e sorrisos, anseios e ideais, consolações e esperanças, constrói sobre a criatura invisível auréola de glória que se exterioriza em ondas de simpatia e felicidade.

Quando o carro de tua vida estiver transitando pelo vale da aflição, recorda a paciência e continua trabalhando, confiando e servindo com Jesus.
LAMEIRA DE ANDRADE

21 - Palavras de vida eterna - Emmanuel - pág. 204

94 - BENEFICÊNCIA E PACIÊNCIA
"A caridade é paciente e benigna..." — Paulo. (I CORÍNTIOS, 13:4.)
Beneficência, sim, para com todos:
Prato dividido.
Veste aos nus.
Remédio aos doentes.

Asilo aos que vagueiam sem teto.
Proteção à criança desamparada.
Auxílio ao ancião em desvalimento.
Socorro às viúvas.

Refúgio aos indigentes.
Consolo aos tristes.
Esperança aos que choram.
Entretanto, é preciso estender a bondade igualmente noutros setores:
Compreensão em família. Trabalho sem queixa.

Cooperação sem atrito. Pagamento sem choro.
Atenção a quem fale, ainda mesmo sem qualquer propósito edificante.
Respeito aos problemas dos outros. Serenidade nas horas difíceis. Silêncio às provocações. Tolerância para com as idéias alheias. Gentileza na rua.
A beneficência pode efetuar prodígios, levantando a generosidade e conquistando a gratidão; contudo, em nome da caridade, toda beneficência, para completar-se, não pode viver sem a paciência.


22 - Pão nosso - Emmanuel - pág. 25. 27

7 - SEMENTE
"E, quando semeias, não semeias o corpo simples que há de nascer, mas o simples grão de trigo ou de outra qualquer semente. - Paulo (I Corintios, 15:37)

Nos serviços da Natureza, a semente reveste-se, aos nossos olhos, do sagrado de sacerdotisa do Criador e da Vida.
Gloriosa herdeira do poder divino, coopera na evolução do mundo e transmite silenciosa e sublime lição, tocada de valores infinitos à criatura.

Exemplifica sabiamente a necessidade dos pontos de partida, as requisições justas de trabalho, os lugares próprios, os tempos adequados.

Há homens inquietos e insaciados que ainda não conseguiram compreendê-la. Exigem as obras de um dia para outro, impõe medidas tirânicas pela força das ordenações ou das armas ou pretendem trair as leis profundas dá Natureza; aceleram os processos da ambição, estabelecem domínio transitório, alardeiam mentirosas conquistas, incham-se e caem, sem nenhuma edificação santificadora para si ou para outrem.

Não souberam aprender com a semente minúscula que lhes dá trigo ao pão de cada dia e lhes garante a vida, em todas as regiões de luta planetária. Saber começar constitui serviço muito importante.

No esforço redentor, é indispensável que não se percam de vista as possibilidades pequeninas: um gesto, uma palestra, uma hora, uma frase pode representar sementes gloriosas para edificações imortais. Imprescindível, pois, jamais desprezá-las.

8 - ANSIEDADES
"Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós." — (I PEDRO, 5:7.)
As ansiedades armam muitos crimes e jamais edificam algo de útil na Terra.
Invariavelmente, o homem precipitado conta com todas as probabilidades contra si.
Opondo-se às inquietações angustiosas, falam as lições de paciência da Natureza, em todos os setores do caminho humano.

Se o homem nascesse para andar ansioso, seria dizer que veio ao mundo, não na categoria de trabalhador em tarefa santificante, mas por desesperado sem remissão.

Se a criatura refletisse mais sensatamente reconheceria o conteúdo de serviço que os momentos de cada dia lhe podem oferecer e saberia vigiar, com acentuado valor, os patrimônios próprios.

Indubitável que as paisagens se modificarão incessantemente, compelindo-nos a enfrentar surpresas desagradáveis, decorrentes de nossa atitude inadequada, na alegria ou na dor; contudo, representa impositivo da lei a nossa obrigação de prosseguir diariamente, na direção do bem.

A ansiedade tentará violentar corações generosos, porque as estradas terrenas desdobram muitos ângulos obscuros e problemas de solução difícil; entretanto, não nos esqueçamos da receita de Pedro.

Lança as inquietudes sobre as tuas esperanças em Nosso Pai Celestial, porque o Divino Amor cogita do bem-estar de todos nós.
Justo é desejar, firmemente, a vitória da luz, buscar a paz com perseverança, disciplinar-se para a união com os planos superiores, insistir por sintonizar-se com as esferas mais altas. Não olvides, porém, que a ansiedade precede sempre a ação de cair.

25 - MÃOS UNIDAS - EMMANUEL - PÁG. 31, 101, 130

PACIÊNCIA SEMPRE: Habitualmente, paciência é um artigo que aspiramos a adquirir de exportação alheia, na loja da vida. Para pesquisar, entretanto, a existência desse talento em nós, urge observar as nossas reações no cotidiano.

Para isso, não é a manifestação menos desejável do próximo que nos favorecerá o estudo preciso e sim o próprio comportamento analisado por nós mesmos. O chefe que se desmandou em gritaria terá encontrado motivos para agir assim, em vista das aflitivas questões que lhe esfogueiam o pensamento.

O subordinado que aderiu à rebeldia, entrou, possivelmente, em perturbação, induzido pelas constrangedoras necessidades materiais que lhe corroem o mundo íntimo. O amigo que se aborreceu indebitamente conosco decerto abraçou semelhante procedimento, impulsionado por lamentáveis equívocos.

O adversário que se fez mais azedo, atirando-nos pesadas injúrias, terá descido a crises mortais de ódio, reclamando, por isso, mais ampla dose de compaixão.

O companheiro que nos espanca mentalmente com o relho da cólera jaz, sem dúvida, ameaçado de colapso nervoso, exigindo o socorro do silêncio e da oração, a fim de não cair em moléstia mais grave. O irmão que abraçou aventuras menos felizes, provavelmente haverá resvalado na sombra de perigosa ação obsessiva, cujos meandros de treva não somos ainda capazes de perceber.

Paciência é tesouro que acumulamos, migalha a migalha de amor e entendimento, perante os outros; para conquistá-lo, no entanto, é forçoso saibamos justificar com sinceridade a irritação e a hostilidade, sempre que surjam naqueles que nos rodeiam.

Em síntese, se desejamos a própria integração com os ensinamentos do Cristo, é imperioso compreender que todos os irmãos destrambelhados em fadiga ou desfalecentes na prova, ainda incientes quanto às próprias responsabilidades, têm talvez razão de perder o próprio equilíbrio, menos nós.

PACIÊNCIA E TRABALHO: Auxílio se baseia na comunicação e toda comunicação a fim de expressar-se roga caminho. Isso transparece dos processos mais simples da vivência comum. O medicamento, via de regra, pede veículo para alcançar os mais entranhados redutos da vida orgânica. Fontes garantem cidades reclamando redes de canalização.

A força elétrica para ser alavanca de atividade e progresso exige fios transmissores. E até mesmo o próprio pensamento materializado, no plano físico, para atingir a mente alheia necessita acomodar-se em estruturas verbais. O amparo do Mundo Superior não foge ao sistema.

Paciência com trabalho é o clima indispensáveis à intervenção da Providência Divina pelos meios imprevisíveis e múltiplos em que a Divina Providência se manifesta. Observa semelhante lição por ti mesmo.

Ante problemas que aparecem se ter perdes no desespero sem pausa ou se recolhes obstáculos cozinhando-os indefinidamente na queixa, nada mais consegues senão tumultuar a própria experiência, impedindo a presença da tranquilidade imprescindível ao apoio da Vida Maior.

Quando sofrimentos e provações te batam à porta, refugia-te na paciência e no trabalho e verificarás que agentes ocultos colaboram eficientemente contigo na supressão de quaisquer dificuldades e sombras.

Lembremo-nos disto: sem paciência com trabalho nenhuma obra de elevação se consolida, mas é importante salientar que o trabalho sem a paciência pode induzir a desequilíbrio, tanto quanto a paciência sem trabalho pode favorecer a ociosidade.

Em todas as circunstâncias, serve e espera sempre sem reclamar e adquirirás a certeza de que com a paciência conjugada ao trabalho oferecerás constantemente o melhor de ti mesmo em louvor do próximo para receber o melhor dos outros, sem nunca atrapalhar o concurso de Deus.

PACIÊNCIA E VIDA: Estudo necessário da paciência: observar cada um de nós face a própria conduta nas relações humanas e no reduto doméstico. Sabemos compreender habitualmente os assaltos morais de inimigos gratuitos, obrigando-nos a refletir quanto à melhor forma de auxiliá-los para que se renovem construtivamente em seus pontos de vista, e, em muitos casos, esbravejamos contra o desagrado de uma criança que a doença incomoda.

Aprendemos a suportar com serenidade e entendimento, prejuízos enormes da parte de amigos, nos quais depositávamos confiança e carinho, buscando encontrar o modo mais seguro de ajudá-los para o resgate preciso e, muitas vezes, condenamos asperamente pequenas despesas naturais de entes queridos, credores insofismáveis de nosso reconhecimento e ternura.

A tolerância para com superiores e subalternos colegas e associados, familiares e amigos íntimos é realmente o recurso da vida em quese nos erige o metro do burilamento moral. Isso porque, conquanto a beneficência se mostre sempre sublime e respeitável, em todas as suas manifestações e atributos, é sempre muito mais fácil colaborar em campanhas públicas em auxílio da Humanidade ou prestigiar pessoas com as quais não estejamos ligados por vínculos de compromisso e obrigação que tolerar com calma e compreensão, os contratempos mínimos e as diminutas humilhações no ambiente individual.

Paciência por isso mesmo, em sua luminosa autenticidade há de ser aprendida, sentida, sofrida, exercitada e consolidada junto daqueles que nos povoam as áres do dia-a-dia, se quisermos esculpí-la por realização imorredoura no mundo da própria alma.

Preguemos e ensinemos quanto nos seja possível os méritos da paciência, no entanto, examinemos as próprias reações da experiência íntima à frente de quantos nos compartilham a luta cotidiana, na condição de sócios da parentela e do trabalho, do ideal e das tarefas de cada dia e, perguntemos com sinceridade a nós próprios se estamos usando de paciência para com eles e para com todos os outros companheiros da Humanidade, assim como estamos incessantemente tolerados e amparados pela paciência de Deus.

26 - OFERENDA - JOANNA DE ÂNGELIS - PÁG. 149

OPORTUNIDADE DA PACIÊNCIA

Escuda-te na paciência. Ninguém improvisa equilíbrio ou logra paz sem o investimento da perseverança, na vivência dos ideais enobrecedores. A paciência resulta do comportamento ético que a criatura mantêm em relação aos ideais que esposa, fascinada pela significação deles. O cristão, e em particular, o espírita, deve escudar-se na paciência a fim de atingir o êxito nos cometimentos a que se propõe.

Paciência é bênção da vida a quem respeita a vida. Transbordam rios de problemas, ameaçando a barca da tua conduta? Tem paciência Amanhã a situação se terá modificado. Chuvas torrenciais de aflições transformam o teu pomar de alegrias em caos onde abundam destroços?

Tem paciência. O dia novo trará sol amigo e abençoado, que refará a paisagem com o auxílio da tua ação. Enfermidade ultriz surpreende-te os passos quando te candidatas ao apostolado do bem? Tem paciência. O despertar para a verdade, já é vivê-la, e o confiar nela, é dar início à sua realização.

Inimigos gratuítos forcejam a porta das tuas esperanças assacando calúnias e arrojando-te impropérios? Tem paciência. Recolhes hoje as tempestades que semeaste, mas o futuro dar-te-á o fruto da sementeira que agora produzes.

A noite sombreia-se de dificuldades levando-te a conclusões pessimistas? Tem paciência. Além da treva brilha a luz e, longe das tuas percepções débeis, há claridades desconhecidas a apontarem o rumo da vida. Companheiros desertam do ideal que os sustenta? Tem paciência. Eles estão comprometidos com a vida e, não podendo seguí-lo, agora, avança-tu.

Decepções assinalam as tuas atividades, no exercício do bem? Tem paciência. A edificação do reino de Deus exige o trabalho puro e simples, mais a abnegação e o sacrifício com devotamento total. Em todo lugar, em qualquer circunstância, preserva a paciência.

Com paciência observarás a semente intumescer-se na intimidade da terra, o embrião surgir, a plântula desdobrar-se, agigantar-se o vegetal, coroar-se de flores, bendizer-se com frutos e perpetuar-se em sementes novas. Pacientemente, o Pai opera sem descanso e o Mestre trabalha sem descoroçoamento. Não têm pressa na modificação das estruturas dos Orbes, da Terra, do homem.

Esperam e esperam decisões felizes e a dedicação integral de cada qual. Com paciência vencer-te-ás a ti próprio, superando limites, aprimorando aspirações, corrigindo imperfeições e, candidato que és à conquista da paz, chegarás além das sombras físicas, à plenitude da vida liberado e ditoso para a tua glória estelar.

27 - BÊNÇÃO DE PAZ - EMMANUEL - PÁG. 147

PACIÊNCIA E CONSTRUÇÃO

"A caridade é paciente..." - Paulo (I Corintios, 13:4)

Indiscutivelmente não consegues corrigir, como talvez desejes, os desacertos da Humanidade, mas é possível ajustar o próprio coração à lei do amor a fim de que a redenção do mundo encontre em ti mesmo o ponto necessário de expansão. Não julgues, porém, que pressa ou violência sejam climas adequados de ação para a vitória do bem.

Amarás e servirás; entretanto, não só isso: ampararás também. Compreensão pede amadurecimento de raciocínio nos refolhos da alma. Que dizer do lavrador que propiciasse leito e adubo à semente, sob a condição de ser correspondido com o fruto em apenas algumas horas? Do professor que instituísse o apoio da escola exigindo, por isso, que o aluno efetue a conquista de todos os louros culturais numa semana?

Auxilia aqueles a quem amas; no entanto, não lhes solicites espetáculos de entendimento e gratidão que ainda não sejam capazes de oferecer.

Que seria de nós se fôssemos constrangidos a pagar de improviso as contas do amor que temos recebido e com que temos sido sustentados na longa fieira de nossas reencarnações, através dos séculos? Pensa nisso e semeia o bem quanto possas, porque a caridade é paciente e na caridade infatigável se edifica, em favor de nós todos, a paciência de Deus.