Palingenesia
BIBLIOGRAFIA
01- A reencarnação - pág. 21, 305, 310 02 - Da alma Humana - pág. 20
03 - Espírito, perispírito e alma - pág. 194, 196 04 - Forças sexuais da alma - pág. 13
05 - Ide e pregai - pág. 123 06 - O pensamento de Emmanuel - pág. 53
07 - O ser e a serenidade - pág. 46, 79, 113 08 - O ser subconsciente - pág. 34, 37, 201
09 - Palingênese, a grande lei - toda a obra 10 - Parapsicologia hoje e amanhã - pág. 139, 143
11 - Reencarnação - toda a obra 12 - Resumo da Doutrina Espirita - pág. 9, 145, 182
13 - Tramas do destino - pág. 98 14 -

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Palingenesia – COMPILAÇÃO

(PARA SABER MAIS,VIDE NO ÍCONE REFLEXÕES)

01- A reencarnação - Gabriel Delanne - pág. 21, 305, 310

REVISTA HISTÓRICA SOBRE A TEORIA DAS VIDAS SUCESSIVAS

A ÍNDIA: A doutrina das vidas sucessivas ou reencarnação é também chamada PALINGENESIA, de duas palavras gregas - Palin, de novo; gênesis, nascimento. O que há de muito notável é que desde os albores da Civilização, ela foi formulada na Índia, com uma precisão que o estado intelectual dessa época longinqua não fazia pressagiar.

Com efeito, desde a mais alta Antiguidade, os povosda Ásia, e da Grécia acreditavam na imortalidade da alma, e mais ainda, muitos procuravam saber se essa alma fora criada no momento do nascimento ou se existia antes. Lembrarei, ligeiramente, as opiniões dos autores que estudaram a questão.

A Índia é muito provavelmente o berço intelectual da Humanidade e é interessante que se encontrem nos Vedas e no Bhagavad-Gitâ passagens como a que se segue:"A alma não nasce nem morre nunca; ela não nasceu outrora nem deve renascer; sem nascimento, sem fim, eterna, antiga, não morre quando se mata o corpo.

Como poderia aquele que a sabe impecável, eterna, sem nascimento e sem fim, matar ou fazer matar alguém?Assim como se deixam as vestes gastas para usar vestes novas, também a alma deixa o corpo usado para revestir novos corpos. Eu tive muitos nascimentos e também tu, Arjuna; eu as conheço todas, mas tu não as conheces..."

Aqui se afirma, na doutrina védica, a eternidade da alma e sua evolução progressiva pelas reencarnações múltiplas, as quais têm por objeto a destruição de todo o desejo e de todo o pensamento de recompensa pessoal. Com efeito, prossegue ainda o instrutor (é sempre a voz celeste que fala): "Chegadas até mim essas grandes almas que atingiram a per­feição suprema, não entram mais nessa vida perecível, morada dos males. Os mundos voltarão a Brãhma, ó Arjuna, mas aquele que me atingiu não deve mais renascer."

A Pérsia e a Grécia

Encontra-se no Masdeísmo, religião da Pérsia, uma concepção muito elevada, a da redenção final concedida a todas as criaturas, depois de haverem, entretanto, experimentado as provas expiatórias que devem conduzir a alma humana à sua felicidade final. É a condenação de um inferno eterno, que es­taria em contradição absoluta com a bondade do Autor de todos os seres.

Pitágoras foi o primeiro que introduziu na Grécia a dou­trina dos renascimentos da alma, doutrina que havia conhecido em suas viagens ao Egito e à Pérsia. Ele tinha duas doutrinas, uma reservada aos iniciados, que frequentavam os Mistérios, e outra destinada ao povo; esta última deu nascimento ao erro da metempsicose. Para os iniciados, a ascensão era gradual e progressiva sem regressão às formas inferiores, enquanto que ao povo, pouco evolvido, ensinava-se que as almas ruins deviasm renascer em corpos de animais, como o expõe nitidamente, seu discípulo Timeu de Locres na seguinte passagem:

"Pela mesma razão é preciso estabelecer penas passageiras (fundadas na crença) da transformação das almas (ou da metempsicose), de sorte que as almas (dos homens) tímidos passam (depois da morte) para corpos de mulheres, expostas ao desprezo e as injúrias; as almas dos assassinos para os corpos de animais ferozes, a fim de aí receberem punições; as dos impudicos para os porcos e javalis; as dos inconstantes e levianos para os pássa­os que voam nos ares; a dos preguiçosos, dos vagabundos, dos ignorantes e dos loucos para a forma de animais aquáticos."

É de assinalar que Heródoto, falando, entre os gregos, da doutrina dos egípcios, tivesse pressentido a necessidade da passagem da alma através da fieira animal, atribuindo-lhe, porém, um caráter de penalidade, que confirmou o erro da metempsicose. O "Pai da História" acreditava, entretanto, que as almas puras podiam evolver em outros astros do Céu. Diz-se que os hierofantes de Mitra, entre os persas, repre­sentavam as transmigrações das almas nos corpos celestes, sob o símbolo misterioso de uma escala ou escada com sete pontas, cada uma de metal diferente, que representavam os sete astros, aos quais eram dedicados os dias da semana, mas dispostos em ordem inversa, conforme relata Celso: Saturno, Vénus, Jú­piter, Mercúrio, Marte, a Lua e o Sol.

Havia, pois, na antiguidade grega, dois ensinos, um para a multidão, outro para os homens instruídos, aos quais se revelava a verdade, depois que eles tinham passado pela iniciação, a que chamavam Mistérios. Aristófanes e Sófocles denominam os Mistérios de esperanças da morte. Dizia Porfírio: "Nossa alma deve ser, no momento da morte, tal como era durante os mistérios, isto é, isenta de paixões, de inveja, de ódio e de cólera." Vê-se qual era a importância moral e civilizadora dos Mis­térios. Com efeito, ensinava-se secretamente:

1.° — A Unidade de Deus;
2.° — A pluralidade dos mundos e a rotação da Terra, tal como foi afirmada mais tarde por Copérnlco e Gallleu;
3.° — A multiplicidade das existências sucessivas da alma.

Platão adota a idéia pitagórica da Palingenesla. Ele fundou-a em duas razões principais, expostas no Phedon. A primeira é que, na Natureza, a morte sucede à vida, e, sendo assim, é lógico admitir que a vida sucede à morte, porque nada pode nascer do nada, e se os seres que vemos morrer não devessem mais voltar à Terra, tudo acabaria por se absorver na morte.

Em segundo lugar, o grande filósofo baseia-se na reminiscência, porque, segundo ele, aprender é recordar. Ora — declara —, se nossa alma se lembra de já haver vivido, antes de descer ao corpo, por que não acreditar que, em o deixando, poderá ela animar sucessivamente muitos outros? Elevando-se ainda mais, Platão afirma que a alma, desem­baraçada de suas imperfeições, aquela que se ligou a divina virtude, torna-se, de alguma sorte, santa, e não vem mais à Terra.

Mas, antes de chegar a esse grau de elevação, as almas giram durante mil anos no Hades, e, quando têm de voltar, bebem as águas do Letes, que lhes tiram a lembrança das existências passadas.

A Escola Neoplatônica
A Escola Neoplatônica de Alexandria ensina a reencarnação, precisando, ainda, as condições, para a alma, dessa evolução progressiva.
Plotino, o primeiro de todos, trata muitas vezes de tal questão no curso de suas "Enéadas". É dogma — diz ele — de toda Antiguidade e universalmente ensinado, que, se a alma é condenada a expiá-las, recebendo punições em infernos tenebrosos; depois, é obrigada a passar a outro corpo, para recomeçar suas provas. No livro IX da segunda "Enéada", ele afirma ainda mais seu pensamento, na seguinte frase: "A providência dos deuses assegura a cada um de nós a sorte que lhe convém e que é harmónica com seus antecedentes, conforme suas vidas sucessivas."

Aí já se vê toda a doutrina moderna sobre a evolução do princípio inteligente que se eleva gradativamente até o ápice da espiritualidade. Porfirio não crê na metempsicose, ainda mesmo como punição das almas perversas e, segundo ele, a reencarnação só se opera no gênero humano. Não havia pois, penas eternas para os adeptos de Pitágoras Todas as almas deviam chegar a uma redenção final próprios esforços.

É esta uma doutrina emlnente moral, pois que incita o homem a libertar-se voluntariamente dos vícios e das más paixões, para aproximar-se progressivamente da fonte de todas as virtudes.A justiçade Deus não é a justiça dos homens. O homem define a justiça sob o ponto de vista de sua vida atual e de seu estado presente. Deus a define relativamente às nossas existências sucessivas e universalidade de nossas vidas.

Assim, as penas que nos afligem, são, muitas vezes, castigos de um pecado de que a alma se tornou culpada em vida anterior. Algumas vezes, Deus nos oculta a razão delas; não devemos, porém, deixar de atribui-las à sua justiça. Assim, segundo Jâmblico, não há acaso nem fatalidade, mas , uma justiça inflexével que regula a existência de todos os seres se vêem acabrunhados de aflições, não é em virtude de uma decisão arbitrária da divindade, mas consequência inelutável das faltas cometidas anteriormente.

Ver-se-á, mais que volta à Terra aceita, por vezes livremente, penosas provas, não já como castigo, mas para chegar mais depressa a um grau superior de sua evolução.

A JUDÉIA:
Entre os hebreus, a idéia das vidas anteriores era geralmente admitida. "Elias, diz o apóstolo S. Jaques, não era diferente do que somos; não teve um decreto de predestinação diferente do que possuímos; apenas, sua alma, quando Deus a enviou à Terra, tinha chegado a um grau muito eminente de perfeição, que lhe atraiu, em sua nova vida, graças mais eficazes e mais elevadas".

A crença nos renascimentos da alma encontra-se indicada de maneira velada na Bíblia ( Isaías, cap. XXIV, v 19, e Job, cap. XIV,vv 10 e 14), porém muito mais explicitamente nos Evangelhos, como é fácil verificar das passagens que se seguem. Com efeito, os judeus acreditavam que a volta de Elias à Terra devia preceder a do Messias. É esta a razão por que, nos Evangelhos, quando seus discípulos perguntaram a Jesus se Elias voltara, ele lhes respondeu afirmativamente:

"Elias já vio e não o reconheceram, antes fizeram-lhe tudo quanto quiseram". E os discípulos compreenderam, diz o Evangelista, que era de João que ele falava. Outra vez, tendo encontrado em seu caminho um cego de nascença, que mendigava, seus discípulos lhe perguntaram: se foram os pecados que ele cometera ou os de seus pais a causa da cegueira; acreditavam, por consequência, que ele podia ter pecado antes de haver nascido.

Jesus não estranha semelhantes pergunta, e sem os desenganar, como parece que o faria se estivessem em erro, contentou-se em responder-lhes: -"Não foi este homem quem pecou nem seus pais, mas é para que as obras de Deus se manifestem nele". (João, 9:2). No Evangelho de São João, um senador judeu, o fariseu Nicodemos, pede a Jesus explicações sobre o dogma da vida futura. Jesus responde: -"Em verdade, em verdade vos digo, ninguém verá o reino de Deus, sem nascer de novo".

Nicodemos, perturbado por esta resposta, porque a tomou em seu sentido material, indagou: "Como pode um homem nascer sendo velho?" Pode, porventura, entrar no seio de sua mãe e nascer segunda vez? Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade vos digo, que se ninguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus; não vos maravilheis de vos dizer que é necessário nascer de novo; o espírito sopra onde quer e ouvis sua voz, mas não sabeis de onde vem nem para onde vai. -Como pode ser isto? Jesus respondeu: -Como? Sois mestres em Israel e ignorais estas coisas?".

Esta última observação do Cristo mostra bem que ele se surpreendeu não conhecesse um mestre em Israel a reencarnação, porque era ela ensinada como doutrina secreta aos intelectuais da época. Uma das provas que se pode apresentar é a de que existiam ensinos ocultos ao comum dos homens, e que foram compilados nas diferentes obras que constituem a "Cabala".

No ensino secreto, reservado aos iniciados, proclamava-se a imortalidade da alma, as vidas sucessivas e a pluralidade dos mundos habitados. Encontram-se estas doutrinas no "Zohar", redigido por Simão bem Yochai, provavelmente no ano de 121 de nossa era, mas conhecido na Europa somente em fins do século terceiro. (...)


04 - Forças sexuais da alma -Jorge Andréa- pág. 13

INTRODUÇÃO
Nos dias de hoje, as explicações mais acessíveis sobre o destino humano recaem no espiritualismo, pela incapacidade que o setor materialista apresenta de uma resposta lógica ou, pelo menos, algo que satisfaça o pensamento inquieto do mundo moderno. O destino humano fica, assim, atado ao problema sobrevivência, onde a energética espiritual imortal, de período em período, variável com a evolução de cada ser, retorna ao mundo corpóreo, arcabouço ideal à evolução da individualidade.

Sem esse pensamento ficamos em campo reduzidíssimo e sem explicações para os problemas que estão reclamando uma resposta. A individualidade açambarcaria uma totalidade, seria o ser integral construído através de imensas vivências nos campos físicos (personalidades) que ocupa. A energética espiritual, individualidade ou espírito, pelo mecanismo palingenético, será responsável pela formação de todo o arcabouço corpóreo que lhe atenderá um respectivo período.

O que vale dizer, ser o espírito o Élan Vital que se responsabiliza pela onda morfogenética da espécie a que pertence. Entendemos como espírito, ou zona inconsciente, a conjuntura energética que comandaria a arquitetura física através das telas sensíveis dos núcleos celulares. O espírito representaria o campo organizador biológico, encontrando nas estruturas da glândula pineal os seus pontos mais eficientes de manifestações.

A glândula pineal seria realmente o casulo das energias do inconsciente, a sede do espírito, pela possibilidade de ser a zona medianeira de transição entre o energético e o físico. Descartes, em sua época, já afirmava, em concordância com os filósofos de Alexandria, que a alma era o hóspede misterioso da glândula pineal. Além do mais, a biologia nos informa sobre as correlações do sexo e glândula pineal, onde alguns psicologistas perceberam os seus desvios; porém, as analises e estudos realizados ficaram na superfície do psiquismo (zona consciente), sem a devida penetração nas telas do espírito.

Os grandes vórtices energéticos do inconsciente estariam nos vórtices de caráter sexual, da mais alta importância na construção evolutiva do espírito, quando devidamente conduzidos. Haverá sem­pre possibilidade de alcançarmos as dimensões superiores, em busca do que é mais divino e puro através da segura construção dessas ilhas dinâmicas do inconsciente, quando o setor sexual se expande harmoniosamente na esfera física.

Estando na profundidade do espírito os vórtices dinâmicos do sexo, é claro que a definição sexual de uma determinada personalidade (corpo físico) será consequência das necessidades que a individualidade (espírito ou zona inconsciente) reclama para se construir. É de tal ordem o comando energético dos vórtices que podemos denominar de sexuais, que Freud criou a sua psicologia, unicamente com eles, e Jung fez um interessante estudo de análise psicológica limitando-os a determinados setores e catalogando os responsáveis arquétipos (anima-feminino, para a personalidade masculina e animus-masculino, para a personalidade feminina), em suas naturais oposições, próprias da psicologia junguista.

Entendemos que os vórtices das energias sexuais do inconsciente vêm de núcleos em potenciação (focos energéticos do inconsciente e responsáveis pela orientação da zona consciencial) como que aderidos energeticamente as emanações de uma força criativa (zona central do inconsciente ou espírito); por isso, bastante potentes, apresentando caráter construtivo, por excelência. São vórtices que se responsabilizam pelo amor em todos os graus e variedades que cada ser possa apresentar. É nessa região do inconsciente, pela sutileza das energias aí contidas, como, também, pelas máximas expres­sões do psiquismo humano, que se alojaria a essên­cia da vida, o EU, o centro da Individualidade.

O despertar das "razões internas", refletidas no denominado "encontro consigo mesmo", poderá dar-se através do desenvolvimento harmônico e equilibrado do sexo. Assim, as expressões sexuais serão as mais significativas da esfera vital do ser quando ligadas, pela nobreza e qualificativos, à esfera das emoções mais puras. O sexo em seus diversos graus e matizes está ligado aos sentimentos nobres da alma, embora em suas realizações, no terreno físico, à zona consciente. A glândula pineal seria o campo medianeiro de todo esse mecanismo.

O vórtice espiritual das energias sexuais em suas manifestações no corpo físico, nos animais superiores até o homem, necessitariam da glândula pineal como uma zona adaptatória ou de filtragem. A glândula pineal deve ser considerada a glândula da vida psíquica; a glândula que ilumina toda a cadeia orgânica, orientando as glândulas de secreção interna através das estruturas da hipófise. Freud, no estudo da patologia psíquica, percebeu os desvios das energias do inconsciente que se dariam pelas telas da glândula pineal, porém homologou as suas pesquisas exclusivamente como resultantes das estruturas físicas cerebrais; não mergulhando na essência espiritual, os seus pensamentos limitaram-se aos símbolos e efeitos de superfície. Jung foi um pouco mais longe quando percebeu o majestoso oceano das energias do inconsciente.

Seria por intermédio dessa glândula que os fatores propulsores da evolução espiritual (renúncia, uso equilibrado do sexo, tolerância, bondade, abnegação e disciplina emotiva por excelência) alcançariam índices bastante apreciáveis. A glândula pineal seria a tela medianeira onde o espírito encontraria os meios de aquisição dos seus íntimos valores, por um lado, e, pelo outro, forneceria as condições para o crescimento mental do homem, num verdadeiro ciclo aberto, inesgotável de possibilidades e potencialidades.

O sexo estaria ligado às mais nobres funções de sentimentalidade, havendo verdadeira entrosagem em todos os planos da vida, onde o próprio prazer do ato sexual deve representar, quando bem dirigido, poderosa construção para o EU, tanto maior quanto mais visado for o ato procriativo. Não se pode deixar de afirmar, com razão, que a evolução espiritual estará também ligada à utilização equilibrada do sexo. Quando o prazer se rebaixa e é de-armonicamente dirigido, o sexo regride, desenvolve-se naquilo que é exclui degrada-se.

Daí, a necessidade de uma educação e conduta bem orientada para não haver confusões (tão comuns pelas nossas heranças religiosas) e para
não considerarmos imoral tudo que diz respeito ao sexo. Atentemos, também, que o sexo ainda não é moral devido a nossa evolução. Devemos aprender a andar corretamente em seguras direções. Ninguém nasce de espírito evoluído caminhando sem tropeços, na estrada estreita e correta da evolução. Os erros são muitas vezes necessários, porém, que sejam corrigidos imediatamente.

Até a queda, que vai além do erro, é admissível quando se cai "para frente" e se deseja levantar ganhando algum terreno e o aprendizado da lição. Não estamos defendendo erro das baixezas instintivas, mas, sim admitindo experiências no setor humano. O sexo bem dirigido (tendência à monogamia ou sinônimo de ascensão, de conquista evolutiva. O sexo mal dirigido (tendência à poligamia ou renúncia sem sentido, sem aplicaçao das energias acumuladas nos setores de construtivas atividades) é desarmonia e motivo de queda. Não é a renúncia e ausência de sexo físico que eleva. O sexo deve ser observado e equilibradamente utilizado nas fases da vida: mocidade, maturação e velhice. Mesmo quando não há mais necessidade do contato sexual (da complementação física), o sexo continua presente, desenvolvendo funções mais altas e com maior significado — a fase física foi suplantada. A castidade quando alcançada deverá ser sempre sem tormentos, em qualquer organização física suplantamos todas as fases do sexo, em suas harmoniosas vivências, atingiremos, na posição espiritual, degrau mais significativos, para nós desconhecidos, de uma fase supersexual. (...)

06 - O pensamento de Emmanuel - Martins Peralva - pág. 53

7 - PALINGENESIA
P. — Qual o fim objetivado com a reencarnação ?
R. — Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a Justiça?Item 167
Não encomendes, pois, embaraços e aversões à loja do futuro, porque, a favor de nossa pró­pria renovação, concede-nos o Senhor, cada manhã, o sol renascente de cada dia.Emmanuel

O apreciador de assuntos transcendentes encontrará, em o Novo Testamento, diversas passagens em que Jesus se refere à reencarnação em termos tão claros que ninguém, em sã consciência, lhes pode atribuir ambígua interpretação. Dentre elas, é extraordinário, a nosso ver, o formoso diálogo do Celeste Benfeitor com Nicodemos, que culmina na asserção "necessário vos é nascer de novo".

Deparou a reencarnação, em seu caminho, o que se nos afigura natural, tremendos obstáculos.E não temos dúvidas de que os encontrará sempre, até que se afirme, plenamente, no consenso universal, impondo-se, como já acontece esporadicamente, pelas constatações irretorquíveis. Perquirições científicas, criteriosas, umas, apaixonadas, outras.Obstáculos religiosos e objeções filosóficas. Preconceitos sócio-raciais.

Barreiras humanas que ruirão, no entanto, à medida que os fatos, comprovados pela Ciência e por todos observados, desmoralizarem a negação, ridiculizarem a oposição por sistema, liquidarem as distorções de exegese. Negar a lógica da reencarnação, tentando esconder-lhe as fulgurações misericordiosas, será, no porvir, tão insensato quanto negar a presença do homem na ribalta do mundo.

Ninguém pode esconder esta verdade: as idéias reencarnacionistas, por mais consentâneas com a razão, ganham terreno no pensamento humano, mercê da ampliação dos valores culturais. As indagações da Filosofia, as pesquisas da Ciência e as conjeturas da Religião vão conduzindo o espírito do homem para inequívocas, insofismáveis conclusões ligadas ao problema do Amor e da Justiça de Deus.

O Pai não teria nosso carinho e nossa gratidão se, para O entendermos, não nos tivessem fornecido a chave das vidas sucessivas.
Conceitos clássicos, a respeito da Vida, do Homem e do seu destino dentro da Eternidade não podem escapar a reformulações baseadas na filosofia espírita, levando as criaturas mais aferradas às religiões tradicionalistas, ou os céticos inveterados, a meditarem, mais profundamente, sobre problemas do cotidiano que, sem a hermenêutica reencarnacionista, jamais seriam explicados. As diversidades na paisagem humana. As diferenciações culturais.

O gênio e o idiota. Os desequilíbrios psicofísicos. Os seres anatomicamente bem conformados. Os fenómenos de teratologia, perene desafio à medicina. Os contrastes raciais. Sociais. Econômicos. Todas essas aparentes anomalias nos conduziriam a um Deus cruel, impiedoso, frio, pior do que os homens menos justos, não existisse a reencarnação, que a tudo aclara, que a tudo torna simples. Na mais longínqua antiguidade, encontramos o pensamento reencarnacionista iluminando civilizações.

Na índia, com os Vedas, há milhares de anos. Bramanismo e Budismo dão-lhe curso glorioso. O Egito, na opinião de muitos orientalistas, absorveu do povo hindu a civilização e a fé, incorporando ao seu patrimônio cultural a pluralidade das existências. Na Grécia, a par dos poemas órficos, Platão, o amado discípulo de Sócrates, conclama: "Almas divinas! Entrai em corpos mortais; ide começar uma nova carreira. Eis aqui todos os destinos da vida. Escolhei livre­mente; a escolha é irrevogável. Se for má, não acuseis por isso a Deus." Nele encontramos, ainda, o "aprender é recordar", evidente alusão às vidas preexistentes.

Na Gália, com os druidas.No Cristianismo e, mais tarde, nas mais notáveis figuras do Catolicismo: Agostinho, Gregório de Nice, Clemente de Alexandria, Orígenes e outros. Em todos, a Lei sábia, equânime, infalível, plenificada de Amor e Justiça Incorruptível, nas oportunidades de redenção e aperfeiçoamento. Vem, pois, a reencarnação, de muito longe, no tempo e no espaço.

De muito longe, qual viajor incansável, consciente, a excursionar de maneira estupenda, imbatível, desafian­do os temporais do preconceito e diluindo as sombras da intolerância. O Espiritismo, desenvolvendo, em nossos dias, as ideias contidas em "O Evangelho segundo o Espiritismo" e em "O Livro dos Espíritos", através do labor mediúnico de Francisco Cândido Xavier, faz com que o princípio reencarnacionista brilhe no coração da Humanidade, empolgue consciências, ocupe lugar de excepcional relevo nas galerias culturais e no pensamento de eminentes homens do nosso século.

A admissão de outros planetas habitados, por exemplo, cria mais um ponto de conexão entre a Ciência clássica e o ensino palingenésico, sabido como é que a evolução, para se completar, envolve conhecimentos e virtudes que num só mundo, como a Terra, ou numa só encarnação, não podem ser obtidos. Bem pouco tempo, mesmo que centenárias fossem todas as existências, para uma bagagem, de saber e moral, que assegure ao Espírito a condição de perfeito.

Almas que transitaram por aqui e por mundos equivalentes, realizam, atualmente, em planos estelares, fecundas experiências, aprimorando manifestações de Amor, no rumo da universalização para a qual estamos marchando, ao ritmo penoso de provas acerbas.
O consenso da maioria, em nossa época, representa atualização da tese reencarnacionista. Indivíduos ferrenhos inclinam-se a aceitá-la por único recurso capaz de logicamente explicar o mundo e a vida, os seres e a evolução que lhes compete efetivar, ao preço de consecutivas experiências e laboriosas acumulações de ordem moral e cultural.

Para que se harmonizem Amor de Deus e fenômenos humanos, em suas múltiplas manifestações, necessária se torna a aceitação do postulado básico, pedra angular da filosofia espírita: "Necessário vos é nascer de novo", preceito evangélico que a Doutrina dos Espíritos realça, em páginas indeléveis. Os salutares efeitos da reencarnação se fazem sentir no passo-a-passo, no dia-a-dia da existência.

Nos lares que se organizam e se sustentam nas motivações reencarnacionistas, apesar da distonia de seus componentes, misericordiosamente reunidos no cadinho da vivência em comum, entre as quatro paredes de uma casa, para que se reestruture o passado. Nos grupos de trabalho que se esforçam na compreensão mútua, ao preço da contenção de impulsos, a fim de que obras respeitáveis não sofram solução de continuidade.

Fenômenos os mais surpreendentes, no campo social, reformulando estruturas antigas, aclaram-se, tão logo lhes apliquemos o prisma reencarnacionista. Com a explicação das vidas e noutros mundos, em perfeito encadeamento, tudo se faz claro, tudo se torna simples. Teimam alguns homens não aceitar a reencarnação. Mas, em cada ser humano que pense com isenção, sem má-fé, nem preconceito o imperativo é formal: reencarnação, reencarnação...

Assim o cremos. Por ela, o triunfo espiritual de todos nós. Leiamos Allan Kardec, em o Evangelho Segundo o Espiritismo": "Com a reencarnação e o progresso a que dá lugar, todos os que se amaram na Terra e no Espaço e juntos gravitam para Deus. Se alguns fraquejam no caminho, esses retardam o seu adiantamento e a sua felicidade, mas não há para eles « perda de toda esperança". Ajudados encorajados pelos que os amam, que se sairão do lodoçal em que se enterraram.

Com a reencarnação, finalmente, há perpétua solidariedade entre encarnados, e desencarnados, e daí o estreitamento dos laços de afeição.Escreve o mestre lionês, em "O Livro dos Espíritos": "Todos os Espíritos tendem para a perfeição e Deus lhes faculta os meios de alcançá-la, proporcionando-lhes as provações da vida corporal. Sua justiça, porém, lhes concede realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova".

Emmanuel concita-nos no sentido de que, entendendo a vida e os problemas a ela afetos, busquemos o farol doamor e do entendimento do bom ânimo e da paz, da solidariedade e do amparo aos que partilham, conosco, os caminhos evolutivos: "Não encomendes, pois, embaraços e aversões à loja do futuro, porque, a favor de nossa própria renovação, concede-nos o Senhor, cada manhã, o sol renascente de cada dia". O sentido de eternidade do Evangelho reside na própria afirmativa do Divino Mestre: "Passarão o céu e a terra, porém jamais passarão as minhas palavras."

"O Evangelho segundo o Espiritismo", como repositório das lições morais do Cristo e pelo exame que faz, em alguns capítulos, do problema reencarnacionista, desafia o tempo. Sintetiza leis que se não derrogam. E a própria Lei de Amor que, na Terra e em todos os mundos, rege o destino das humanidades, conduzindo o Espírito imortal às culminâncias da luz. "O Livro dos Espiritos", condensando a filosofia do Espiritismo, oferece a chave explicativa dos aparentemente inexplicáveis fenômenos humanos.

Emmanuel, popularizando o ensino evangélico-doutrinário, supre a humanidade, em nossos dias e para o futuro, do alimento espiritual de que tanto carecemos. O mais evidente testemunho do prestígio e atualidade desses livros é a sua preferência, pelo público brasileiro, dentre as demais obras da Codificação.

Se houvesse superação de seus ensinos; ou se fossem livros que não atendessem às profundas necessidades humanas, estariam, decerto, nas prateleiras das livrarias, desestimulando os editores e entristecendo-nos a todos. Edições esgotam-se, vertiginosamente, tão logo entregues ao mercado, constituindo, inclusive, lisonjeiro registro quando surge a reclamação de que ambos estão em falta nas livrarias.

E assim, exemplar a exemplar, ou aos montes, vão sendo postos à cabeceira de famílias e mais famílias, espíritas ou não, cultas ou apenas alfabetizadas, que lhes absorvem, sequiosas, todas as noites, como prelúdio do sono, o sublime conteúdo. Benditas as inteligências e os corações desencarnados que os transmitiram, para as sombras da Terra, ausentando-se, temporariamente, em missão sacrificial, dos Celestes Páramos.

Nosso tributo de gratidão a Allan Kardec, valoroso missionário que os corporificou para o mundo sedento de luz. Nosso reconhecimento, na mesma dimensão, às almas generosas e lúcidas que, pelos condutos da mediunldade sublimada, dão-lhes, em nossos dias, incontestável atualidade, possibilitando caírem sobre as pepitas luminosas das obras codificadoras lições refertas de orientação e consolo.

Nossas almas, em comovedora genuflexão, agradecem a Deus e a Jesus. Abençoado o formoso diálogo de Jesus com. Nicodemos e glória a "O Livro dos Espíritos", no dedicar opulentos capítulos à palingenesia.

09 - Palingênese, a grande lei - Jorge Andréa - toda a obra

Prefácio
Toda idéia, antes de pertencer à ciência pelas provas analíticas que ela exige, foi fruto da inspiração numa primeira etapa, da lógica e do raciocínio em uma segunda. Somente após experiências e provas é que a ciência dá o veredito, incluindo em seu terreno a hipótese sob a forma de lei. Consideremos, também, que a ciência moderna já aceita fenômenos aparentemente subjetivos, percebidos unicamente pelos seus efeitos, embora não podendo passar pela comprovação sensorial-analítica. Nos dias de hoje, podemos asseverar que o homem, pela pobreza de seus sentidos, recebe reduzidas informações do ambiente em que vive.

As páginas deste exórdio, conduzidas nas rotas da ciência, possuem, aqui e ali, conceitos novos, ainda não abordados pela biologia. São as dos ao mundo energético, impi los sentidos comuns, no entantí feitamente compreendidos.
Alguns conceitos que abordaremos, concebidos intuitivamente, foram transformados e adaptados ao campo intelectivo, único modo possível de serem apresentados na exposição escrita. Existe igualmente conceitos outros formados através de leituras diversas, tornando-se impossível fazer detalhadas referências de suas respectivas fontes.

Apesar de a Palingênese ser objeto de acurados estudos filosóficos por parte da maioria das seitas e religiões, sob o nome de reencarnação, o nosso escopo não
visa a defender esta ou aquela corrente, e sim procura integrar dentro da biologia, no seu devido lugar, o fenômeno palingenético.

Não desejamos que a biologia se curve perante certos fatos; por enquanto ela terá que calar, como o faz quando nos elevamos um pouco mais em face das últimas razões filosóficas. Sabemos, perfeitamente, que es­tamos escrevendo aos que "sentem" a questão; o nosso ponto de vista — o fenômeno palingenético, capítulo ainda obscuro, visa a abrir novos horizontes em busca de hodiernas visões biológicas arrecadadas à filosofia.

Todo aquele que vislumbra uma rota ou pensa que está caminhando em nova estrada, tem por obrigação comunicar os seus pensamentos à sociedade onde muita. Pietro Ubaldi, conhecido através de suas obras filo­sóficas, traduz a Palingênese como "uma verdade bioló­gica positiva, que hoje pertence já à ciência; é um fato objetivo independente das afirmações de qualquer esco­la ou religião."

Ainda mais: "está em harmonia com as leis da natureza que conhecemos, como a indestrutibilidade da substância, pela qual, se as mudanças se operam só na forma, a personalidade humana poderá mudar, mas não ser destruída. Essa teoria é a ampliação no campo moral da lei de conservação de energia, esta­belecida pêlos físicos."

Consideramos a Palingênese, um processo normal, de lógica evidente e clareza meridiana. O processo palingenético em biologia, além de ser a melhor solução para os mais altos problemas da vida, é o mais completo de condições e praticamente apoiado pela ciência. Sem este conceito que abrange as idéias evolutivas de hoje, só nos resta o acaso que traduz o oposto agnóstico e penumbroso. (...)