PAZ
BIBLIOGRAFIA
01- Alerta - pág. 123 02 - Amizade - pág. 112
03 - Boa Nova - pág. 34 04 - Calma - toda a obra
05 - Caminho, Verdade e vida - pág. 121 06 - Cartas e crônicas - pág. 85
07 - Contos desta e doutras vidas - pág. 143 08 - Moral Espírita - pág. 50
09 - Do país da luz - vol. 4 - pág. 126 10 - Falando à Terra - pág. 29, 30
11 - Fonte Viva - pág. 185, 279, 305 12 - Livro da esperança - pág. 17, 77
13 - Mediunidade - pág. 154 14 - O Espírito da Verdade - pág. 44
15 - O Evangelho Seg. o Espiritismo - cap. IX

16 - O Livro dos Espíritos - q. 257, 671,..

17 - O Sermão da Montanha - pág. 35 18 - Palavras de vida eterna - pág. 107 (45)
19 - Pão Nosso - pág. 141 20 - Poetas redivivos - pág. 101
21 - Renúncia - pág. 20 22 - Seareiros de volta - pág. 173
23 - Veladores da luz - pág. 16, 33, 37 24 - Vinhas de luz - pág. 143, 223
25 - Leis Espirituais, pág. 95  

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PAZ– COMPILAÇÃO

03 - BOA NOVA - HUMBERTO DE CAMPOS - PÁG. 34

ÍTEM 4 - A FAMÍLIA ZEBEDEU - (...) Jesus com um sorriso de benignidade acrescentou: — A paz da consciência pura e a resignação suprema à vontade de meu Pai são do meu reino; mas os homens costumam falar de uma paz que é ociosidade de espírito e de uma resignação que é vício do sentimento. Trago comigo as armas para que o homem combata os inimigos que lhe subjugam o coração e não descansarei enquanto não tocarmos o porto da vitória. Eis por que o meu cálice, agora, tem de transbordar de fel, que são os esforços ingentes que a obra reclama. E, como se quisesse pormenorizar os esclarecimentos, prosseguiu:— Há homens poderosos no mundo que morrem comodamente em seus palácios, sem nenhuma paz no coração, transpondo em desespero e com a noite na consciência os umbrais da eternidade; há lutadores que morrem na batalha de todos os momentos, muita vez vencidos e humilhados, guardando, porém, completa serenidade de espírito, porque, em todo o bom combate, repousaram o pensamento no seio amoroso de Deus. Outros há que aplaudem o mal, numa falsa atitude de tolerância, para lhe sofrer amanhã os efeitos destruidores. Os verdadeiros discípulos das verdades do céu, esses não aprovam o erro, nem exterminam os que os sustentam.

Trabalham pelo bem, porque sabem que Deus também está trabalhando. O Pai não tolera o mal e o combate, por muito amar a seus filhos. Vê, pois, Zebedeu, que o nosso reino é de trabalho perseverante pelo bem real da Humanidade inteira. Enquanto os dois apóstolos fitavam em Jesus os olhos calmos e venturosos, Zebedeu o contemplava como se tivesse à sua frente o maior profeta do seu povo.— Grande reino! — exclamou o velho pescador e, dando expansão ao entusiasmo que lhe enchia o coração, disse, ditoso:-Senhor! Senhor! trabalharemos convosco, prega o vosso Evangelho, aumentaremos o número dos seguidores!...Ouvindo estas últimas palavras, o Mestre elucidou, ênfase nas suas expressões: Ouve, Zebedeu! nossa causa não é a do número; verdade e do bem. É certo que ela será um dia a do mundo inteiro, mas, até lá, precisamos esmagar do mal sob os nossos pés. Por enquanto, o pertence aos movimentos da iniquidade.

Á mentira e a tirania exigem exércitos e monarcas, espadas e riquezas imensas para dominarem as criaturas. O amor, porém, a de toda a glória e de toda a vida, pede um e sabe ser feliz. A impostura reclama interminável defensores, para espalhar a destruição; basta, no entanto, um homem bom para ensinar a verdade de exaltar-lhe as glórias eternas, confortando a infinita legião de seus filhos. Quem será maior perante Deus? dão que se congrega para entronizar a tirania, esmagando os pequeninos, ou um homem sozinho e bem-intencionado que com um simples sinal salva uma barca de pescadores? Empolgado pela sabedoria daquelas considerações, Zebedeu perguntou: Senhor, então o Evangelho não será bom para todos? Em verdade — replicou o Mestre —, a mensagem Nova é excelente para todos; contudo, nem todos homens são ainda bons e justos para com ela. É por isso que o Evangelho traz consigo o fermento da renovação e é ainda por isso que deixarei o júbilo e a energia como se as melhores armas aos meus discípulos.

Exterminando o mal e cultivando o bem, a Terra será para nós um campo de batalha. Se um companheiro cair na luta, foi o mal que tombou, nunca o irmão que, para nós outros, estará sempre de pé. Não repousaremos até ao dia da vitória final. Não nos deteremos numa falsa contemplação de Deus, à margem do caminho, porque o Pai nos falará através de todas as criaturas trazidas à boa estrada; estaremos juntos na tempestade, porque aí a sua. voz se manifesta com mais retumbância. Alegrar-nos-emos nos instantes transitórios da dor e da derrota, porque aí o seu coração amoroso nos dirá: "Vem, filho meu, estou nos teus sofrimentos com a luz dos meus ensinos!" Combateremos os deuses dos triunfos fáceis, porque sabemos que a obra do mundo pertence a Deus, compreendendo que a sua sabedoria nos convoca para completá-la, edificando o seu reino de venturas sem-fim no íntimo dos corações. Jesus guardou silêncio por instantes. João e Tiago se lhe aproximaram, magnetizados pelo seu olhar enérgico e carinhoso. Zebedeu, como se não pudesse resistir à própria emotividade, fechara os olhos, com o peito oprimido de júbilo.

Diante de si, num vasto futuro espiritual, via o reino de Jesus desdobrar-se ao infinito. Parecia ouvir a voz de Abraão e o eco grandioso de sua posteridade numerosa. Todos abençoavam o Mestre num hino glorificador. Até ali, seu velho coração conhecera a lei rígida e temera Jeová com a sua voz de trovão sobre as sarças de fogo; Jesus lhe revelara o Pai carinhoso e amigo de seus filhos, que acolhe os velhos, os humildes e os derrotados da sorte, com uma expressão de bondade sempre nova. O velho pescador de Cafarnaum soltou as lágrimas que lhe rebentavam do peito e ajoelhou-se. Adiantando-se-lhe, Jesus exclamou:— Levanta-te, Zebedeu! os filhos de Deus vivem de pé para o bom combate! Avançando, então, dentro da pequena sala, o pai dos apóstolos tomou a destra do Mestre e a umedeceu com as suas lágrimas de felicidade e de reconhecimento, murmurando:— Senhor, meus filhos são vossos. Jesus, atraindo-o docemente ao coração, lhe afagou os cabelos brancos, dizendo:— Chora, Zebedeu! porque as tuas lágrimas de hoje são formosas e benditas!... Temias a Deus; agora o amas; estavas perdido nos raciocínios humanos sobre a lei; agora, tens no coração a fonte da fé viva!

06 - CARTAS E CRÔNICAS - IRMÃO X - PÁG. 85

ÍTEM 19 - Em torno da paz: O relógio tilintou, marcando oito horas, quando Anacleto Silva acordou na manhã clara. Lá fora, o Sol prometia calor mais intenso e a criançada disputava bagatelas como vaga chilreante de passarinhos. Anacleto estirou-se no leito, relaxando os nervos, e, porque iniciaria o trabalho às nove, antes de erguer-se tomou o Evangelho e leu nos apontamentos do Apóstolo João, capítulo catorze, versículo vinte e sete, as sublimes palavras do Celeste Amigo: A paz vos deixo, a minha paz vos dou. Não vo-la dou à maneira do mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize. — «Alegro-me na certeza de que a paz do Senhor envolve o mundo inteiro. Onde estiver, receberei o amor do Cristo, que assegura a tranquilidade, em torno do meu caminho. Sei que a presença de Jesus abrange toda a Terra e que a sua influência nos governa os destinos. Desfrutarei, assim, a paz entre as criaturas. O Eterno Benfeitor está canalizando todas as mentes para a vitória da paz.

Por isso, ainda mesmo que os homens me ofendam, neles procurarei enxergar meus irmãos que o Divino Poder está transformando para a harmonia geral. Regozijo-me na convicção de que o Príncipe da Paz orienta as nações e que, desse modo, me garantirá o bem-estar. Recolherei do Céu a bênção da calma e permanecerei nos alicerces do entendimento e da retidão, junto da Humanidade. Louvo o Senhor pela paz que me envia hoje, esperando que Ele me sustente em sua paz, agora e em todos os dias de minha vida.» Após monologar, fervoroso, levantou-se feliz, mas, findo o banho rápido, verificou que a fina calça com que lhe cabia comparecer no escritório sofrera longo corte de faca. Subitamente transtornado, chamou pela esposa, em voz berrante. Dona Horacina veio, aflita, guardando nos braços uma pequerrucha doente. Viu a peça maltratada e alegou, triste:


— Que pena! Os meninos estão à solta, e eu ocupada com a pneumonia da Sônia. Longe de refletir na grave enfermidade da filhinha de meses, Anacleto vociferou:— Que pena? é tudo o que você encontra para dizer? Ignora, porventura, que esta roupa me custou os olhos da cara?A senhora, sem revidar, dirigiu-se a velho armário e trouxe-lhe um costume semelhante ao que fora dilacerado. Pouco depois, ao café, notando a ausência do leite, Anacleto reclamou, irritadiço.— Sim, sim — explicou a dona da casa —, não pude enfrentar a fila... Era preciso resguardar a pequena. Silva enguliu alguns palavrões que lhe assomavam à boca e, quando abriu a porta, na expectativa do lotação, eis que o sogro, velhinho, lhe aparece, de chapéu à destra encarquilhada, rogando, humildemente:— Anacleto, perdoe-me a intromissão; contudo, é tão grande a nossa dificuldade hoje em casa que venho pedir-lhe quinhentos cruzeiros por empréstimo...— Ora, ora. .. — respondeu o genro, evidenciando cólera injusta — onde tem o senhor a cabeça? Se eu tivesse quinhentos cruzeiros no bolso, não sairia agora para encarar a onça da vida. Nisso um carro buzinou à reduzida distância, passando, porém, de largo, sem atender-lhe ao sinal.


Anacleto, em desespero, bradou, contundente:— Malditos! como seguirei para a repartição? Malditos ! malditos!...Outro carro, no entanto, surgiu rápido, e Silva acomodou-se, enfim. Mas, enquanto o veículo deslizava no asfalto, confrontou a própria conduta com as afirmações que fizera ao despertar, e só então reconheceu que ele, tão seguro em exaltar a harmonia do mundo, não suportara sem guerra uma calça rasgada; tão convicto em prometer a si mesmo o equilíbrio no Senhor, não se conformara ante a refeição incompleta; tão pronto em proclamar o seu prévio perdão às ofensas humanas, não soubera acolher com gentileza a solicitação de um parente infeliz, e tão solene em asseverar-se nos alicerces do entendimento, não hesitara em descer da linguagem nobre para a que condiz com a gíria que amaldiçoa... E, envergonhado por haver caído tão apressadamente da serenidade à perturbação, começou a perceber que, entre ele e a Humanidade, surgia o lar, reclamando-lhe assistência e carinho, e que jamais receberia a paz do Cristo por fora, sem se dispor a recolhê-la por dentro.

07 - CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA - IRMÃO X - PÁG. 143

ÍTEM 31 - A campanha da paz: Estabelecidos em Jerusalém, depois do Petencostes, os discípulos de Jesus, sinceramente empenhados à obra do Evangelho, iniciaram as campanhas imprescindíveis às realizações que o Mestre lhes confiara. Primeiro, o levantamento de moradia que os albergasse. Entremearam possibilidades, granjearam o apoio de simpatizantes da causa, sacrificaram pequenos luxos, e o teto apareceu, simples e acolhedor, onde os necessitados passaram a receber esclarecimento e consolação, em nome do Cristo. Montada a máquina de trabalho, viram-se defrontados por novo problema. As instalações demandavam expressivos recursos. Convocações à solidariedade se fizeram ativas. Velhos cofres foram abertos, canastras rojaram-se de borco, entornando as derradeiras moedas, e o lar da fraternidade povoou-se de leitos e rouparia, candeias e vasos, tinas enormes e variados apetrechos domésticos. Os filhos do infortúnio chegaram em bando.


Obsidiados eram trazidos de longe, velhinhos que os descendentes irresponsáveis atiravam à rua engrossavam a estatística dos hóspedes, viúvas acompanhadas por filhinhos chorosos e magricelas aumentavam na instituição, dia a dia, e enfermos sem ninguém arrastavam-se na direção da pousada de amor, quando não eram encaminhados até aí em padiolas, com as marcas da morte a lhes arroxearem o corpo enlanguescido. Complicaram-se as exigências da manutenção e efetuaram-se coletas entre os amigos. Corações generosos compareceram. Remédios não escassearam e as mesas foram supridas com fartura. Obrigações dilatadas reclamaram concurso humano. Os continuadores de Jesus apelaram das tribunas, solicitando braços compassivos que lavassem os doentes e distribuíssem os pratos. Cooperadores engajaram-se gratuitamente e formaram-se os diáconos prestimosos.


Criancinhas começaram a despontar na estância humilde e outra espécie de assistência se impôs, rápida. Era necessário amontoar o material delicado em que os recém-nascidos, à maneira de pássaros frágeis, pudessem encontrar o aconchego do ninho. Senhoras abnegadas esposaram compromissos. A legião protetora do berço alcançou prodígios de ternura. E novas campanhas raiavam, imperiosas. Campanhas para o trato da terra, a fim de que as despesas diminuíssem. Campanhas para substituir as peças inutilizadas pelos obsessos, quando em crises de fúria. Campanhas para o auxílio imediato às famílias desprotegidas de companheiros que desencarnaram. Campanhas para mais leite em favor dos pequeninos. Entretanto, se os apóstolos do Mestre encontravam relativa facilidade para assegurar a mantença da casa, reconheciam-se atribulados pela desunião, que os ameaçava, terrível. Fugiam da verdade. Levi criticava o rigor de Tiago, filho de Alfeu. Tiago não desculpava a tolerância de Levi. Bartolomeu interpretava a benevolência de André como sendo dissipação.

André considerava Bartolomeu viciado em sovinice. Se João, muito jovem, fosse visto em prece, na companhia de irmãs caídas em desvalimento diante dos preconceitos, era indicado por instrumento de escândalo. Se Filipe dormia nos arrabaldes, velando agonizantes desfavorecidos de arrimo familiar, regressava sob a zombaria dos próprios irmãos que não lhe penetravam a essência das atitudes. Com o tempo, grassaram conflitos, despeites, queixumes, perturbações. Cooperadores insatisfeitos com as próprias tarefas invadiam atribuições alheias, provocando atritos de consequências amargas, junto dos quais se sobrepunham os especialistas do sarcasmo, transfigurando os querelantes em trampolins de acesso à dominação deles mesmos. Partidos e corrilhos, aqui e ali. Cochichos e arrufos nos refeitórios, nas cozinhas enredos e bate-bocas. Discussões azedavam o ambiente dos átrios. Fel na intimidade e desprezo por fora, no público que seguia, de perto, as altercações e as desavenças.


Esmerava-se Pedro no sustento da ordem, mas em vão. Aconselhava serenidade e prudência, sem qualquer resultado encorajador. Por fim, cansado das brigas que lhes desgastavam a obra e a alma, propôs reunirem-se em oração, a benefício da paz. E o grupo passou a congregar-se uma vez por semana, com semelhante finalidade. Apesar disso, porém, as contendas prosseguiam, acesas. Ironias, ataques, remoques, injúrias...Transcorridos seis meses sobre a prece em conjunto, uma noite de angústia apareceu, em que Simão implorou, mais intensamente comovido, a inspiração do Senhor. Os irmãos, sensibilizados, viram-no engasgado de pranto. O companheiro fiel, rude por vezes, mas profundamente afetuoso, mendigou o auxílio da Divina Misericórdia, reconhecia a edificação do Evangelho comprometida pelas rixas constantes, esmolava assistência, exorava proteção... Quando o ex-pescador parou de falar, enxugando o rosto molhado de lágrimas, alguém surgiu ali, diante deles, como se a parede, à frente, se abrisse por dispositivos ocultos, para dar passagem a um homem.


À luz mortiça que bruxuleava no velador, Jesus, como no passado, estava ali, rente a eles... Era ele, sim, o Mestre!... Mostrando o olhar lúcido e penetrante, os cabelos desnastrados à nazarena e melancolia indefinível na face calma, ergueu as mãos num gesto de bênção!...Pedro gemeu, indiferente aos amigos que o assombro empolgava:— Senhor, compadece-te de nós, os aprendizes atormentados!... Que fazer, Mestre, para garantir a segurança de tua obra? Perdoa-me se tenho o coração fatigado e desditoso!...— Simão — respondeu Jesus, sem se alterar —, não me esqueci de rogar para que nos amássemos uns aos outros...— Senhor — tornou Cefas —, temos realizado todo o bem que nos é possível, segundo o amor que nos ensinaste. Nossas campanhas não descansam... Temos amparado, em teu nome, os aleijados e os infelizes, as viúvas e os órfãos...— Sim, Pedro, todas essas campanhas são aquelas que não podem esmorecer, para que o bem se espalhe por fruto do Céu na Terra; no entanto, urge saibamos atender à campanha da paz em si mesma...


— Senhor, esclarece-nos por piedade!... Que campanha será essa ?!...Jesus, divinamente materializado, espraiou o olhar percuciente na diminuta assembléia e ponderou, triste:— O equilíbrio nasce da união fraternal e a união fraternal não aparece fora do respeito que devemos uns aos outros... Ninguém colhe aquilo que não semeia... Conseguiremos a seara do serviço, conjugando os braços na ação que nos compete; conquistaremos a diligência, aplicando os olhos no dever a cumprir; obteremos a vigilância, empregando criteriosamente os ouvidos; entretanto, para que a harmonia permaneça entre nós, é forçoso pensar e falar acerca do próximo, como desejamos que o próximo pense e fale sobre nós mesmos...E, ante o silêncio que pesava, profundo, o Mestre rematou:— Irmãos, por amor aos fracos e aos aflitos, aos deserdados e aos tristes da Terra, que esperam por nós a luz do Reino de Deus, façamos a campanha da paz, começando pela caridade da língua.

09 - DOS PAÍS DA LUZ - FERNANDO LACERDA - ESPÍRITOS DIVERSOS - PÁG. 126

ÍTEM XXIV - Victor Hugo: A PAZ: Proclamei em tempo a extinção das fronteiras, a extinção da guerra, o reinado da paz universal no século XX. Estava cego e louco, quando sonhei a paz entre os homens, na Terra. Para haver paz no mundo era necessário não haver homens, não haver feras, não haver aves, não haver flores, não haver vida. A vida é a luta, a luta é a ambição, é a guerra. Há a guerra nas raças, nas nações, nas tribos, nas famílias, nos cérebros, nos corações. Há guerra entre os animais e entre os elementos. O homem luta, mas também luta o mar, também luta o vento, também luta o fogo. Para viver, luta a ave, luta a fera, luta o roble, luta a flor. A paz é a tranquilidade e a tranquilidade jamais existirá sobre a Terra. O movimento é a lei. O que parar entra na paz, mas entra no aniquilamento. Pois se há guerra dentro dos corações, fronteiras entre os corações, como não haverá fronteiras entre os homens e entre os povos? Foi uma linda utopia que sonhei!


A Paz existe: mas, como o reino do Mestre, o seu lugar não é nesse mundo. A paz reside no amor universal, mas o amor em que a paz vive é a antítese de todos os sentimentos que pululam no coração humano, como os cogumelos em montureira. O amor não é a paixão, origem de tantas guerras, origem de tantos males, que desencadeia as tempestades na vida, como o vento as desencadeia no oceano. O amor, em que a paz canta o seu hino, é o oásis onde o viandante, sequioso de bondade, mitiga a sua sede; onde o desgraçado, ansioso de perdão, encontra o seu sossego; onde o infeliz, faminto de carinho, satisfaz a sua fome. E' o céu azul que cobre o deserto da vida, onde o orgulho, o egoísmo, a vaidade, o ódio, não são estrelas que norteiam o incauto viajante humano. Todo homem ama e proclama a igualdade: mas não quer outra coisa que a desigualdade. Para ele, a igualdade consiste só em ser igual aos superiores. Trazê-los até ao seu nível, quando não pode subir até ao deles. Se não pode ser o que são os outros, deseja que os outros sejam o que ele é, mas só no respeitante àqueles que com a sua inveja consagra superiores. Com os que a sua fatuidade desdenha de inferiores, não quer igualdade. Para com estes, a igualdade é só uma palavra; para com os outros, é um direito e desenvolve a guerra, para que seja um fato.


Para isso luta incessantemente. Faz a guerra, como faz a intriga; semeia a morte, como espalha a desonra; destrói tronos, como aniquila famílias. Ama, despreza, ambiciona, odeia, com a idéia fixa de atingir a meta apetecida. O homem cria um âmbito ao seu cérebro e não acolhe dentro dele senão as idéias, os princípios e os fatos, que estejam acordes com a sua vontade. Forma um círculo ao seu coração, onde não deixa entrar sentimentos que se não casem com os seus, nem personalidades que lhe não satisfaçam o gosto. Organiza a casa, onde não deixa entrar senão quem quer; a família, onde não tem senão quem lhe convém; a tribo, onde não vive senão quem compartilha os mesmos interesses; a igreja, onde só comungam os mesmos crentes; as raças, onde só se aglomeram os mesmos povos, presos por laços étnicos, fatores mesológicos, secularmente conservados, e pela força dos mesmos interesses e das mesmas necessidades, artificialmente criados e desenvolvidos. Prendem-se pelas mesmas qualidades e pelos mesmos defeitos; pelas mesmas virtudes e pelos mesmos vícios. A afinidade cria-lhes a simpatia. Fora dessa afinidade está a desunião.


O homem põe em tudo a nota do exclusivismo. Isolado, é exclusivo dos seus pensamentos e da sua vontade; membro de qualquer grêmio, é exclusivo da sua coletividade. Fora de si ou fora do seu grêmio, considera estar o inimigo. Creio que a descrença na imortalidade é por não poder fazer dela uma pertença do seu individualismo. Foi sempre assim, através das eras. Enquanto fera, como as feras, defendia o seu patrimônio com os dentes e com as garras. Homem, fêz-se pior do que elas e passou a defendê-lo à pedra, a pau, a ferro, a pólvora e a bombas. Como se isso não bastasse, fez da palavra espada de acerado gume, da imprensa catapulta de vitupérios. Para ele, não há continentes nem mares, distâncias nem obstáculos, que impeçam a satisfação da sua vontade. O que pode conquistar, conquista; o que fica fora da garra, suprime. Suprime a alma e suprime Deus, porque lhe escapam à influência. Nega, enquanto não avassala. Na ânsia de domínio e de conquista, tem percorrido os tempos em fora, desde as selvas e as cavernas à conquista do ar, com esses enormes condores de madeira e tela.

A ânsia da conquista é o gérmen do progresso. Nessa ânsia está a ambição; nessa ambição, o fermento da luta. Eu disse que o homem nega, enquanto não avassala. Assim é. Há, na humanidade, como nos elementos, duas forças que se repelem e que estão condenadas, pela lei universal, a caminharem eternamente a par. São o fluxo e o refluxo; a ação e a reação; a atração e a repulsão, a simpatia e a antipatia; a inércia e o movimento. Obedecem à lei do equilíbrio, à lei da conservação. Obedecendo a essa lei, parte da humanidade, no desejo insofrido de ir plus ultra, atira-se, cega e apaixonada, aos mares desconhecidos, aos sertões ínvios, aos ares instáveis, às crateras rugidoras, aos fundos dos abismos, ao centro da terra, aos céus incomensuráveis, aos arcanos da Natureza, aos perigos dos laboratórios, à conquista da pedra filosofal, aos segredos da morte: é a ação, é o movimento, é o fluxo. A outra parte estaciona, ri, persegue, nega: é a reação, a inércia, o refluxo.

Enquanto a primeira se sacrifica e abnega na perscruta, a outra recolhe-se e aferra-se ao concebido e ao existente. Não crê em mais do que no que possui. Tem negado sempre, tem reagido sempre. Negou Cristo, negou Galileu, nega Deus, nega o Progresso. Mas, quando o princípio negado passa a ser um fato conquistado, apossa-se dele, avassala-o, ama-o, conserva-o, defende-o com raiva e com ciúme, como a leoa ama e defende os filhos. Enquanto os pioneiros do Infinito caminham, rastejam, voam, na busca, eternamente insatisfeita, do mais além, relegando, com desdém, ao passado, o que momentos antes era a sua suprema aspiração, os outros, herdeiros do seu trabalho, negadores estimulantes do seu ideal, ficam na adoração estática do que antes repudiaram. Como tudo está belamente organizado! Como tudo está regradamente estabelecido! Assim, como há-de deixar de existir a luta? Para ela, apura-se, constantemente, eternamente, a argúcia, o engenho, a audácia, a paciência. Semeia-se a desordem, defende-se a ordem, espalha-se a intriga, espalha-se a dissolução, o dinheiro, a desonra, a morte.

A luta é a paixão humana. O que não custe luta, não tem valor. A essa paixão, como a um minotauro fabuloso, o homem dá como alimento todos os seus sentimentos, todas as suas fantasias, todas as suas ilusões, toda a sua vida. Em homenagem a essa deusa de todos os tempos, ele enaltece, deslumbra, trucida, queima, arrasa. Faz-se Aníbal e faz-se Francisco de Assis; faz-se Pedro, o Eremita, e faz-se Paulo de Tarso, e faz-se Napoleão. Faz-se hipócrita como a hiena, herói como o leão, político como a raposa, paciente como o asno. Finge Demócrito, quando é Heráclito; pretende voar como ícaro, quando se sente preso como Prometeu. O homem é a maior de todas as criações de Deus. No homem, consubstanciou Ele todas as virtudes, todos os defeitos das outras criações. Tem a s2imulação e o veneno da áspide, como a agilidade e a força dos felinos; a acuidade e a audácia da águia, como a paciência e a penetração da toupeira. Tem a insídia e a traição dos mares e, como os mares, tem a limpidez e a vastidão. Possui a cólera dos vulcões e a beleza das flores; ilumina como a luz e cega como a escuridão. Igual a tudo que é grande no mundo, é mais completo, mais perfeito do que tudo, porque tem a inteligência a guiar-lhe a bondade e a maldade; a dor a corrigr-lhe eternamente a alma, a perdurar-lhe eternamente a vida. Se é mais perfeito, também é suscetível de ser mais mau.

A inteligência, que lhe dignifica as qualidades e quase as diviniza, também lhe apura e refina os defeitos. E — ai de mim! — sucede que é quase sempre para o mal que ela se desenvolve, numa acuidade suprema. Um cérebro inerte e pastoso, no uso das faculdades normais, toma uma feição sutil e arguta, atinge o máximo da sua potência especulativa, quando propende ao exercício do mal, em qualquer das suas infinitas manifestações. O homem na Terra, enquanto for assim, nunca terá a paz. E foi sempre assim e assim será eternamente. A paz será, pois, um eterno sonho, um simpático devaneio de espíritos altruístas que passam pela estrada da vida terrena calcando espinhos, com os olhos fitos nas estrelas que lhes sorriem do espaço infinito em que se acastelam. E' aí o produto do meio. Como o carvalho dá só glande, a terra uá só esse homem. Não peçam ao carvalho rosas, nem à terra anjos. Aí a guerra é uma consequência necessária da vida. Tudo luta para viver, até as plantas, até as aves, até as águas, até os ventos, até a morte. O homem, pois, não pode furtar-se à condição geral, ao fatal destino da missão terrena.

E, como não pode deixar de haver guerra, não pode deixar de haver fronteiras. A fronteira é o limite que o poder do homem não pode ultrapassar, ou, pelo menos, que não pode ultrapassar quando quer. Esse limite está posto à sua inteligência, à sua vontade, à sua ambição, aos seus interesses. E' a barreira que procura destruir a cada instante, obtendo um novo conhecimento para o seu saber, um novo estímulo para o seu querer, um novo triunfo para o seu desejo e um novo quinhão para o seu pecúlio. A fronteira de uma nação representa o limite máximo a que atingiu a expansibilidade de um povo no momento histórico em que as suas forças atingem o máximo potencial. Aí, pela energia da sua expansão e da repulsão estranha, se fixou o seu domínio temporário, esperando acontecimentos que, diminuindo uma daquelas forças, produzam o desequilíbrio que permita modificar o ser das coisas e deslocar o limite. E, como é com a fronteira das nações, na ordem física dos Estados, é com a fronteira física da família, na ordem normal das civilizações, das raças e dos cérebros.

Tudo obedece à lei do fluxo e refluxo, na eterna instabilidade. A mesma lei que faz girar perpetuamente os mundos, moverem-se incessantemente os mares, agitarem-se eternamente os ventos, faz girar permanentemente o sangue nas artérias, agitarem-se os pensamentos e as idéias no cérebro e os sentimentos no coração do homem. Não pode haver utopias que derruam fatos. As mais belas teorias esbarram contra a materialidade das coisas, como a luz esbarra contra a materialidade de um rochedo. O homem, que é aí material, está aí fatalmente subordinado à exigência da matéria. Não pode subtrair-se à sua ação, por mais radiantes conquistas que fantasie, por mais deslumbrantes doutrinas que o ceguem. As mais belas e grandiosas cogitações estão à mercê de uma dor intestinal.
Pode sonhar uma era de fraternidade universal, como suprema aspiração das almas cândidas, que essa fraternidade há de encontrar sempre como obstáculo o insuperável interesse. Não poderão conjugar-se nunca, em absoluto, o interesse material de dois homens, nem de dois povos, como se não harmonizarão nunca, em absoluto, dois pontos de vista, dois gostos, duas aspirações, duas fisionomias, duas gotas de água.

Podem-se inventar as mais estranhas teorias, fundar as mais consoladoras religiões, desenvolver as mais sãs filosofias, acumular a mais vivificante ciência, que nunca se atingirá a aspirada perfectibilidade moral que permita relegar a luta como uma execrável recordação da animalidade, nem subverter a fronteira como um ominoso obstáculo à solidariedade humana. E não será assim, porque não pode ser assim. E' da ordem das coisas nesse mundo. Pesa sobre a Terra, como se fosse uma condenação. E' a lei da necessidade, é a origem fecunda do trabalho, a seiva rica da energia. Nunca o homem poderá desprender-se aí dessa grilheta, mau grado a todas as suas pretensões de independência. Quem for prudente e sábio tem ao seu alcance a maneira de dar-se à ilusão de vencer o meio e parecer dominar o indomável, conservando-se ao de cima dos acontecimentos, como um náufrago com um cinto de salvação se conserva sobre a crista das ondas revoltas. E' ter a virtude de regrar as suas exigências, de dominar as suas ambições, como um cavaleiro domina um cavalo e um maquinista que freio da máquina.

A sabedoria faz o cavalo dócil e a máquina obediente; a prudência faz a ambição razoável e a vida equilibrada. Quem não seja ambicioso não conhece o limite do seu poder, nem experimenta, com dureza, as consequências da luta. Esse não conhecerá fronteiras, porque não esbarrou com o limite além do qual não pode passar, nem conhecerá os efeitos da guerra, porque as suas exigências o não levaram a ir contender com outrem. Será modesto nas suas exigências, mas mau grado a tudo, para impor a si essa modéstia, como contrapendor da ambição, terá de estabelecer luta contra si próprio. Para que a sabedoria triunfe, tem de lutar contra a ignorância, como para que triunfe a virtude é indispensável que seja vencido o vício. Para que uma de duas forças, que entre si colidem, se imponha, tem de sair triunfante do choque. Desse choque, no homem, é que pode sair a perfeição de caráter, como da luta entre a maldade e a bondade é que pode sair a perfeição da alma. Mas sempre a luta, sempre a guerra, nos sentimentos como nos interesses, nas paixões como nas virtudes, nos homens como nas feras, nas nações como nos elementos.

Para que houvesse a paz entre os homens, era indispensável que não houvesse a fome. Ora, a fome é a suprema lei fisiológica da vida. Ela sobreleva a do amor, que é a da procriação; a do instinto, que é a da defesa. E' a lei da conservação do eu, é a lei da renovação individual. E' o móbil de todas as ações das organizações viventes. E' ela que faz com que a raiz de uma árvore derrube um edifício, para ir haurir alimento; que o homem seja capaz de comer a carne apodrecida de outro homem, para não morrer; que o leão entre no aduar e que as açucenas e os lírios levem as suas raízes em busca da podridão. Ela faz que no mar os peixes se devorem e nas selvas os animais se cacem. Em tudo que vive põe ela o selo do seu poder. Faz mover o homem, sob a pita do seu açoite, como o zíngaro faz dançar o urso, sob a ameaça do seu cajado. E' pela fome que se domam os leões, as focas e os homens.

Ora, enquanto houver células vivas, nesse mundo, há de haver a fome, porque a célula, o bacilo, o cedro e o elefante carecem de renovação constante, para se manterem. Essa renovação é a luta, sempre a luta. A fome, contorcionando os estômagos nos seus movimentos independentes de triturador mecânico, cria, incessantemente, a necessidade de buscar com que o alimentar; e é esta necessidade que impõe, como consequência irremediável, o esforço para o alcançar. Esta necessidade cria outra — a de cada um se defender do companheiro para conservar o que conquiste. Esta defesa impõe o limite onde cada um — homem ou povo — pode chegar, ou onde o deixam chegar — e aí está a fronteira — quer ela tenha a consistência espiritual de um preconceito, que se chame Honra, quer a espessura gigantesca de uma muralha da China, que se chame Força. A paz, o desconhecimento da guerra, o desaparecimento da fronteira, a unificação do idioma, a extinção da fome, só se encontrarão nas regiões da luz, que Deus destina ao homem bondoso e perfeito, como prêmio precioso à sua mais bela e mais santificada Conquista.

Ainda para essa conquista é indispensável a luta. E' a da guerra feita ao orgulho, à maldade, à ambição desmedida, ao vício, à vaidade à inveja, à ingratidão, a maledicência, enfim, a toda essa legião interminável de paixões e sentimentos maus que fazem arteiramente ninho no coração e no cérebro do homem incauto ou imprevidente, como as víboras sob as folhas douradas caídas no solo. Para essa luta não carece o homem da azagaia, do zulo, do raio de Vulcano, nem do couraçado inglês. Todas as armas, todos os arsenais, todos os exércitos se resumem numa fornia concreta, única base das religiões, princípio das filosofias, aspiração das ciências, a virtude das virtudes, tributo máximo do amor a Deus: — a prática do Bem!

14 - O ESPÍRITO DA VERDADE - ESPÍRITOS DIVERSOS - PÁG. 44

ÍTEM 15 - COLHER E GARGANTA: cap. IX — Item 2
Imaginemos a língua como sendo a colher do sentimento.
Mentalizemos o ouvido por garganta da alma.
Tudo o que falamos é ingrediente para a digestão espiritual.
Bondade é pão invisível.
Gentileza é água pura.
Otimismo é reconstituinte.
Consolação é analgésico.
Esclarecimento construtivo é vitamina mental.
Paciência é antitóxico.
Perdão é cirurgia reajustante.
Queixa é vinagre.
Censura é pimenta.
Crueldade é veneno.
Calúnia é corrosivo.
Conversa inútil é excedente enfermiço.
Maledicência é comida deteriorada.
Falando, edificamos.
Falando, destruímos.
Falando, ferimos.
Falando, medicamos.
Falando, curamos.
Disse o Divino Mestre: "Bem-aventurados os pacificadores. .."
Usemos para com os outros o alimento da paz, porque, estendendo paz aos outros, asseguramos paz a nós mesmos. E, com a paz, conseguiremos possuir espaço e tempo terrestres, em dimensões maiores, para que aprendamos e possamos, realmente, servir.
Hilário Silva

16 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - ALLAN KARDEC - QUESTÕES: 257, 671, 789, 919, CONCL. IX

Perg. 789. O progresso reunirá um dia todos os povos da Terra numa só nação?— Não em uma só nação, o que é impossível, pois da diversidade dos climas nascem costumes e necessidades diferentes, que constituem as nacionalidades. Assim serão sempre necessárias leis apropriadas a esses costumes e a essas necessidades. Mas a caridade não conhece latitudes e não faz distinção dos homens pela cor. Quando a lei de Deus constituir por toda parte a base da lei humana, os povos praticarão a caridade de um para outro, como os indivíduos de homem para homem, vivendo felizes e em paz, porque ninguém tentará fazer mal ao vizinho ou viver as suas expensas. A Humanidade progride por intermédio dos indivíduos que se melhoram pouco a pouco e se esclarecem; quando estes se tornam numerosos, tomam a dianteira e arrastam os outros. De tempos em tempos surgem os homens de gênio, que lhe dão um impulso; e depois, homens investidos de autoridade, instrumentos de Deus, que em alguns anos a fazem avançar de muitos séculos.


O progresso dos povos faz ainda ressaltar a justiça da reencarnação. Os homens de bem fazem louváveis esforços para ajudar uma nação a avançar moral e intelectualmente; a nação transformada será mais feliz neste mundo e no outro, compreende-se; mas, durante a sua marcha lenta através dos séculos, milhares de indivíduos morrem diariamente, e qual seria a sorte de todos esses que sucumbem durante o trajeto? Sua inferioridade relativa os priva da felicidade reservada aos que chegam por último? Ou também a sua felicidade é relativa? A justiça divina não poderia consagrar semelhante injustiça. Pela pluralidade das existências, o direito à felicidade é sempre o mesmo para todos, porque ninguém é deserdado pelo progresso. Os que viveram no tempo da barbárie, podendo voltar no tempo da civilização, no mesmo povo ou em outro, é claro que todos se beneficiam da marcha ascendente.


Mas o sistema da unicidade da existência apresenta neste caso outra dificuldade. Com esse sistema, a alma é criada no momento do nascimento, de maneira que um homem é mais adiantado que outro porque Deus criou para ele uma alma mais adiantada. Por que esse favor? Que mérito tem ele, que não viveu mais do que o outro, e geralmente menos, para ser dotado de uma alma superior? Mas essa não é a principal dificuldade. Uma nação passa, em mil anos, da barbárie à civilização. Se os homens vivessem mil anos, poderia conceber-se que, nesse intervalo, tivessem tempo de progredir; mas diariamente morrem criaturas em todas as idades, renovando-se sem cessar, de maneira que dia a dia as vemos aparecerem e desaparecerem. No fim de um milênio não há mais traços dos antigos habitantes; a nação, de bárbara que era, tornou-se civilizada; mas quem foi que progrediu? Os indivíduos outrora bárbaros? Esses já estão mortos há muito tempo. Os que chegaram por último? Mas se a sua alma foi criada no momento do nascimento, essas almas não existiriam no tempo da barbárie e é necessário admitir, então, que os esforços desenvolvidos para civilizar um povo têm o poder, não de melhorar as almas imperfeitas, mas de fazer Deus criar outras almas mais perfeitas.


Comparemos esta teoria do progresso com a que nos foi dada pelos Espíritos. As almas vindas no tempo da civilização tiveram a sua infância como todas as outras, mas já viveram e chegam adiantadas, em consequência de um progresso anterior; elas vêm atraídas por um meio que lhes é simpático e que está em relação com o seu estado atual. Dessa maneira, os cuidados dispensados à civilização de um povo não têm por efeito determinar a criação futura de almas mais perfeitas, mas atrair aquelas que já progrediram, sejam as que já viveram nesse mesmo povo, em tempos de barbárie, sejam as que procedem de outra parte. Aí temos ainda a chave do progresso de toda a Humanidade.

Quando todos os povos estiverem no mesmo nível quanto ao sentimento do bem, a Terra só abrigará bons Espíritos, que viverão em união fraterna. Os maus, tendo sido repelidos e deslocados, irão procurar nos mundos inferiores o meio que lhes convém, até que se tornem dignos de voltar ao nosso meio, transformados. A teoria vulgar tem ainda esta consequência: os trabalhos de melhoramento social só aproveitam às gerações presentes e futuras; seu resultado é nulo para as gerações passadas, que cometeram o erro de chegar muito cedo e só avançaram na medida de suas forças, sob a carga dos seus atos de barbárie.Segundo a doutrina dos Espíritos, os progressos ulteriores aproveitam igualmente a essas gerações, que revivem nas condições melhores e podem aperfeiçoar-se no seio da civilização.

Perg. 790. A civilização é um progresso, ou, segundo alguns filósofos, uma decadência da Humanidade!— Progresso incompleto, pois o homem não passa subitamente da infância à maturidade.
Perg. 790-a. E' razoável condenar-se a civilização? -Condenai antes os que abusam dela e não a obra de Deus.
Perg. 791. A civilização se depurará um dia, fazendo desaparecer os males que tenha produzido?— Sim, quando o moral estiver tão desenvolvida quanto a inteligência. O fruto não pode vir antes da flor.
Perg. 792. Por que a civilização não realiza imediatamente todo o bem que ela poderia produzir?- Porque os homens ainda não se encontram em condições, nem dispostos a obter esse bem.
Perg. 792-a. Não seria ainda porque, criando necessidades novas, ela excita novas paixões?- Sim, e porque todas as faculdades do Espírito não progridem ao mesmo tempo; é necessário tempo para tudo. Não podeis esperar frutos perfeitos de uma civilização incompleta.
Perg. 793. Por que sinais se pode reconhecer uma civilização completa?- Vós a reconhecereis pelo desenvolvimento moral. Acreditais estar muito adiantados por terdes feito grandes descobertas e invenções maravilhosas; porque estais melhor instalados e melhor vestidos que os vossos selvagens; mas só tereis verdadeiramente o direito de vos dizer civilizados, quando houverdes banido de vossa sociedade os vícios que a desonram e quando passardes a viver como irmãos, praticando a caridade cristã. Até esse momento não sereis mais do que povos esclarecidos, só tendo percorrido a primeira fase da civilização.


A civilização tem os seus graus, como todas as coisas. Uma civilização incompleta é um estado de transição que engendra males especiais, desconhecidos no estado primitivo, mas nem por isso deixa de constituir um progresso natural, necessário, que leva consigo mesmo o remédio para aqueles males. À medida que a civilização se aperfeiçoa, vai fazendo cessar alguns dos males que engendrou, e esses males desaparecerão com o progresso moral. De dois povos que tenham chegado ao ápice da escala social, só poderá dizer-se o mais civilizado, na verdadeira acepção do termo, aquele em que se encontre menos egoísmo, cupidez e orgulho; em que os costumes sejam mais intelectuais e morais do que materiais; em que a inteligência possa desenvolver-se com mais liberdade; em que existam mais bondade, boa-fé, benevolência e generosidade recíproca; em que os preconceitos de casta e de nascimento sejam menos enraizados, porque eles são incompatíveis com o verdadeiro amor do próximo; em que as leis não consagrem

18 - PALAVRAS DE VIDA ETERNA - EMMANUEL - PÁG. 107

NO SUSTENTO DA PAZ - "Vivei em paz uns com os outros". — Paulo. - (I TESSALONICENSES, 5:13.)
Costumamos referir-nos à guerra, qual se ela fosse um fenômeno de teratologia política, exclusivamente atribuível aos desmandos de ditadores cruéis, quando todos somos intimados pela vida ao sustento da paz. Todos agimos uns sobre os outros e, ainda que a nossa influência pessoal se nos figure insignificante, ela não é menos viva na preservação da harmonia geral. A floresta é um espetáculo imponente da natureza, mas não se agigantou sem o concurso de sementes pequeninas. Nossa deficiência de análise, quanto à contribuição individual no equilíbrio comum, nasce, via de regra, da aflição doentia com que aguardamos ansiosamente os resultados de nossas ações, sequiosos de destaque pessoal no imediatismo da Terra; isso faz com que procedamos, à maneira de alguém que se decidisse a levantar uma casa com total menosprezo pelas pedras, tijolos, parafusos e vigas, aparentemente sem importância, quando isoladamente considerados, mas indispensáveis à construção.


Habituamo-nos, frequentemente, a maldizer o irmão que se fez delinquente, com absoluta descaridade para com a debilitação de caráter a que chegou, depois de longo processo obsessivo que lhe corroeu a resistência moral, quase sempre após fugirmos da providência fraterna ou da simples conversação esclarecedora, capazes de induzi-lo à vitória sobre as tentações que o levaram à falta consumada. Lideramos reclamações contra o estridor de buzinas na via pública e não nos pejamos das maneiras violentas com que abalamos os nervos de quem nos ouve. Todos somos chamados à edificação da paz que, aliás, prescinde de qualquer impulso vinculado às atividades de guerra e que, paradoxalmente, depende de nossa luta por melhorar-nos e educar-nos, de vez que paz não é inércia e sim esforço, devotamento, trabalho e vigilância incessantes a serviço do bem. Nenhum de nós está dispensado de auxiliar-lhe a defesa e a sustentação, porquanto, muitas vezes, a tranquilidade coletiva jaz suspensa de um minuto de tolerância, de um gesto, de uma frase, de um olhar...Não te digas, pois, inabilitado a contribuir na paz do mundo. Se não admites o poder e o valor dos recursos chamados menores no engrandecimento da vida, faze um palácio diante de vigorosa central elétrica e procura dotá-lo de luz e força sem a tomada.

ÍTEM 46 - NA TAREFA DA PAZ - "...A minha paz vos dou..." — Jesus. - (JOÃO, 14:27.)
Todos ambicionam a paz. Raros ajudam-na. Que fazes por sustentá-la? Recorda que a segurança dos aparelhos mais delicados depende, quase sempre, de parafusos pequeninos ou de junturas inexcedivelmente singelas. Não haverá tranquilidade no mundo, sem que as nações pratiquem a tolerância e a fraternidade. E se a nação é conjunto de cidades, a cidade é um agrupamento de lares, tanto quanto o lar é um ninho de corações. A harmonia da vida começará, desse modo, no íntimo de nossas próprias almas ou toda harmonia aparente na paisagem humana será sempre simples jogo de inércia. Comecemos, pois, a sublime edificação no âmago de nós mesmos.
Não transmitas o alarme da crítica, nem estendas o fogo da crueldade. Inicia o teu apostolado de paz, calando a inquietação no campo do próprio ser. Onde surjam razões de queixa, sê a cooperação que restaura o equilíbrio; onde medrem espinhos de sofrimento, sê a consolação que refaz a esperança. Detêm-te na Tolerância Divina e renova para todas as criaturas de teu círculo as oportunidades do bem. Reafirma o compromisso de servir, silenciando sempre onde não possas agir em socorro do próximo. Ao preço da própria renunciação, disse-nos o Senhor:— "A minha paz vos dou". E para que a paz se faça, na senda em que marchamos, é preciso que à custa de nosso próprio esforço se faça a paz em nós, a fim de que possamos irradiá-la, em tudo, no amparo vivo aos outros.

ÍTEM 47 - ESTEJAMOS EM PAZ - "Paz seja convosco". — Jesus. - (JOÃO, 20:19.)
Rujam tempestades em torno de teu caminho, tranquiliza o coração e segue em paz na direção do bem. Não carregues no pensamento o peso morto da aflição inútil. Refugia-te na cidadela interior do dever retamente cumprido e entrega à Sabedoria Divina a ansiedade que te procura, à feição de labareda invisível. Se alguém te recusa, aquieta-te e ora em favor dos irmãos desorientados e infelizes. Se alguma circunstância te contraria, asserena tua alma e espera que os acontecimentos te favoreçam. Lembra-te de que és chamado a viver um só dia de cada vez, sempre que o Sol se levante. E por mais amplas se te façam as possibilidades, tomarás uma só refeição e vestiras um só traje de cada vez nas tarefas de cada dia.

Embora te atormentes pela claridade diurna, a alvorada não brilhará antes da hora prevista, e embora te interesses pelo fruto de determinada árvore, não chegarás a colhê-lo, antes do justo momento. A pretexto, porém, de garantir a própria serenidade, não te demores na inércia. Mentaliza o bem e prossegue na construção do melhor, como quem sabe que a colheita farta pede terra abençoada pela charrua. Sejam quais forem as tuas dificuldades, lembra-te de que a paz é a segurança da vida. Não nos esqueçamos de que, na hora da Manjedoura, as vozes celestiais, após o louvor aos Céus, expressaram votos de paz à Terra e, depois da ressurreição, voltando, gloriosamente, ao convívio das criaturas, antes de qualquer plano de trabalho disse Jesus aos discípulos espantados:
— "A paz seja convosco".

19 - PÃO NOSSO - EMMANUEL - PÁG. 141

ÍTEM 65 - TENHAMOS PAZ - "Tende paz entre vós." — Paulo. - (I TESSALONICENSES, 5:13.)
Se não é possível respirar num clima de paz perfeita, entre as criaturas, em face da ignorância e da belicosidade que predominam na estrada humana, é razoável procure o aprendiz a serenidade interior, diante dos conflitos que buscam envolvê-lo a cada instante. Cada mente encarnada constitui extenso núcleo de governo espiritual, subordinado agora a justas limitações, servido por várias potências, traduzidas nos sentidos e percepções. Quando todos os centros individuais de poder estiverem dominados em si mesmos, com ampla movimentação no rumo do legítimo bem, então a guerra será banida do Planeta. Para isso, porém, é necessário que os irmãos em humanidade, mais velhos na experiência e no conhecimento, aprendam a ter paz consigo. Educar a visão, a audição, o gosto e os ímpetos representa base primordial do pacifismo edificante.

Geralmente, ouvimos, vemos e sentimos, conforme nossas inclinações e não segundo a realidade essencial. Registramos certas informações, longe da boa intenção em que foram inicialmente vazadas, e, sim, de acordo com as nossas perturbações internas. Anotamos situações e paisagens com a luz ou com a treva que nos absorvem a inteligência. Sentimos com a reflexão ou com o caos que instalamos no próprio entendimento. Eis por que, quanto nos seja possível, façamos serenidade em torno de nossos passos, ante os conflitos da esfera em que nos achamos. Sem calma, é impossível observar e trabalhar para o bem. Sem paz, dentro de nós, jamais alcançaremos os círculos da paz verdadeira.

24 - VINHAS DE LUZ - EMMANUEL - PÁG. 143,

ÍTEM 65 - CULTIVA A PAZ - "E, se ali houver algum filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, ela voltará para vós." — Jesus. ( lucas, 10:6.)
Em verdade, há muitos desesperados na vida humana. Mas quantos se apegam, voluptuosamente, à própria desesperação? quantos revoltados fogem à luz da paciência? quantos criminosos choram de dor por lhes ser impossível a consumação de novos delitos? quantos tristes escapam, voluntariamente, às bênçãos da esperança? Para que um homem seja filho da paz, é imprescindível trabalhe intensamente no mundo íntimo, cessando as vozes da inadaptação à Vontade Divina e evitando as manifestações de desarmonia, perante as leis eternas. Todos rogam a paz no Planeta atormentado de horríveis discórdias, mas raros se fazem dignos dela. Exigem que a tranquilidade resida no mesmo apartamento onde mora o ódio gratuito aos vizinhos, reclamam que a esperança tome assento com a inconformação e rogam à fé lhes aprove a ociosidade, no campo da necessária preparação espiritual.

Para esmagadora maioria dessas criaturas comodistas a paz legítima é realização muito distante. Em todos os setores da vida, a preparação e o mérito devem anteceder o benefício. Ninguém atinge o bem-estar em Cristo, sem esforço no bem, sem disciplina elevada de sentimentos, sem iluminação do raciocínio. Antes da sublime edificação, poderão registrar os mais belos discursos, vislumbrar as mais altas perspectivas do plano superior, conviver com os grandes apóstolos da Causa da Redenção, mas poderão igualmente viver longe da harmonia interior, que constitui a fonte divina e inesgotável da verdadeira felicidade, porque se o homem ouve a lição da paz cristã, sem o propósito firme de se lhe afeiçoar, é da própria recomendação do Senhor que esse bem celestial volte ao núcleo de origem, como intransferível conquista de cada um.

25 - LEIS ESPIRITUAIS - EUNILTO DE CARVALHO - PÁG. 95

"Busque a paz e siga-a." ( I Pedro, 3:11)

Todas as criaturas buscam a paz, mas poucas sabem como buscá-la e muito menos como encontrá-la. Paz não é apenas satisfação dos nossos desejos materiais,é, acima de tudo, a saúde e a alegria do Espírito.

A paz legítima resulta do equilíbrio entre os nossos desejos e os propósitos da vida, na posição em que nos encontramos.

Somos Espíritos eternos, criados por Deus, destinados à felicidade e à perfeição. A finalidade principal da vida não é acumular bens materiais, mas evoluir em todos os sentidos.

A vida é uma missão, e qualquer outra definição deixa a desejar.

Temos a missão de viver, para evoluirmos e fazermos evoluir as pessoas que nos rodeiam e até mesmo as coisas materiais que nos servem de instrumentos.

A paz não resulta de bens materiais, de acúmulo de dinheiro, de posição social e financeira, mas resulta, sim, da vivência em harmonia com as leis divinas.

Existem duas espécies de paz: a paz exterior e a paz profunda.

A paz exterior é a paz aparente, dependente de aquisições materiais para a sua manifestação; portanto, é temporária, é ilusória, é efêmera. A paz profunda é a paz interior, que resulta do equilíbrio, da harmonia e, sobretudo, da vivência da lei do amor.

Para estabelecermos a paz em nossa vida é indispensável sabermos que Deus é a fonte eterna de todos os bens, a inteligência suprema e causa primária do Universo.

A lei que rege os nossos destinos é a lei do amor a Deus, a todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. E nesta lei está o segredo da paz profunda, interior, eterna, real e concreta.

Para vivermos em paz, é necessário que a compaixão e a bondade sigam os nossos passos e que possamos assumir o compromisso de evitar a exasperação.

Todos os aflitos, desesperados, coléricos, trazem as marcas da ilusão, porque são vítimas da própria ilusão.

Para atingirmos a paz profunda é indispensável pensarmos, sentirmos e agirmos na paz, para nós e para todas as criaturas.

Deus é amor, e a lei que rege o Universo é a lei do amor, é a lei do equilíbrio e da harmonia.

Pense na harmonia e no equilíbrio dos movimentos do planeta que nos acolhe a existência; no equilííbrio e na harmonia do funcionamento dos nossos órgãos vitais para a manutenção da vida.

Deseje a paz em sua vida, não de maneira passiva, consciente que a paz não é indolência do corpo e sim tranqüilidade e alegria do Espírito. Pense na grandiosidade e na beleza infinita da vida, no amor de Deus, na providência divina e na harmonia da sua própria vida orgânica.

Desvencilhe-se dos impulsos negativos que o induzem a destruir a paz interior. Aprenda a viver com a paz aliada à disciplina. Levante-se pela manhã com tranqüilidade, formulando desejo sincero de paz para você, para seu local de trabalho, para sua famíília e para toda a humanidade.

Movimente-se com paz, trabalhe tranqüilo; retorne a seu lar com tranqüilidade e, ao fim do dia, agradeça a Deus pela bênção da vida, do trabalho e do progresso.

Aprenda a relaxar-se, induzindo o seu subconsciente a tranqüilizar todos os seus órgãos, todos os seus músculos, enfim todo o seu ser.

Respire profundamente e, ao insuflar seus pulmões de ar, mentalize a paz penetrando em seu ser, por meio do ar que você respira.

Analise sua vida de relação com todas as criaturas, sua maneira de pensar, de sentir e de agir. É inútil buscarmos a paz, acreditando na guerra, na mentira, no orgulho e na vaidade.

Procure, conscientemente, agir para com o próximo, utilizando a regra infalível do equilíbrio e da paz ensinada pelo Mestre dos mestres que é Jesus:

"Amai o próximo como a vós mesmos. Fazei aos outros o que gostaríeis que os outros vos fizessem". (Mateus. 22: 34-40)

Busque a paz na dignidade de pensar, de sentir e agir.

Associe-se ao lazer sadio para relaxar as tensões do dia-a-dia.

Aprenda a tranqüilizar-se em todas as circunstâncias da vida.

Encare-se como Espírito eterno, criado por Deus, destinado à felicidade e à perfeição, vivendo, temporariamente, no mundo físico com a finalidade de evoluir; a única maneira de evoluir é amando a Deus e o próximo.

Analise, detalhadamente, a sua vida. Como você pensa? Como você administra os seus sentimentos? Como você age em relação ao próximo? O que você pensa da vida, de Deus e do mundo?

Desenvolva a fé, a coragem, a inteligência, o bom senso, e, acima de tudo, o otimismo.

Sinta, deseje e busque a paz.

Tenha calma. O progresso necessita de ordem, harmonia e tranqüilidade. Não tenha ansiedade sobre os resultados de qualquer trabalho ou esforço.

Todas as vezes em que tiver oportunidade, relaxe sua mente e seu corpo, colocando-o na posição mais cômoda possível.

Durante o trabalho, evite a ansiedade e a precipitação. conservando o seu coração no mais profundo desejo de paz.

Viva na paz perfeita que resulta da absoluta confiança de que tudo acontece para o nosso bem.