PENA DE MORTE
BIBLIOGRAFIA
01- Após a tempestade - pág. 72 02 - Cartas e Crônicas - pág. 93
03 - Depois da morte - pág. 232 04 - Dos hippies aos probl.do mundo - pág. 48
05 - Espiritismo e criminologia - pág. 155 06 - O Livro dos Espíritos - q. 760
07 - O Mestre na Educação - pág. 110 08 - Religião dos Espíritos - pág. 125
09 - Revista Espírita 1866 - pág. 277 10 - Revista Espirita 1867 - pág. 75
11 - Sexo sublime tesouro - pág. 152 12 - Vida e obra de Bezerra de Menezes - pág. 53

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PENA DE MORTE – COMPILAÇÃO

01- Após a tempestade - pág. 72 - Pena de morte - Joanna de Ângelis

Em razão do crescente surto da delinqüência na sua multiplicidade chocante, que se espalha na Terra, de forma avassaladora, em que o crime se impõe desarvorado, esmagando as florações da esperança e da bondade, legisladores de toda parte voltam a interrogar e sugerir quanto à necessidade da aplicação da pena capital diante de determinados desrespeitos ao código dos direitos do homem, à sua vida e liberdade ...

O problema, porém, não obstante a gravidade de que se reveste, não poderá ser solucionado por processos análogos que defluem da violência do próprio crime ulteriormente pelo Estado tornado legal. Lactâncio, cognominado o Cícero cristão, já enunciava no século III que "a eliminação da vida de um homem é sempre uma afronta a Deus".

A vida é patrimônio por demais precioso para ser ceifada seja por quem seja. A ninguém, individual ou representativamente pelo Estado, cabe o direito de eliminar o homem, mesmo quando este delinqüiu da forma mais grotesca ou vil. Se o Estado o fizer, torna-se igual ao delinqüente que roubou à vítima sua vida.

Em cada criminoso vige um alienado necessitado de assistência competente de modo a reorganizar as paisagens íntimas por meio de terapêutica especializada, a fim de se tornar cidadão útil a si mesmo e à comunidade onde se encontra situado pelos impositivos da vida.

A tarefa que compete às leis é a de eliminar o crime, as causas que o fomentam, não o equivocado criminoso. A morte do delinqüente não devolve a vida da vítima. Ao invés da preocupação de matar, encontrar recursos para estimular a vida. Educar, reeducar, são impositivos inadiáveis; matar, não. Tenhamos tento! Não há, no Evangelho, um só versículo que apóie a pena de morte.

Quando o homem cai nas malhas do crime e culmina sua ação nefanda no extermínio de vidas ou atenta contra a propriedade por meios da violência, justo que seja cerceado do convívio social, a fim de tratar-se, corrigir-se, resgatar as faltas cometidas, mediante processos compatíveis com as conquistas da moderna civilização.

De forma alguma a pena de morte faz diminuir a incidência da criminalidade. Ao contrário, torna-a mais violenta e selvagem, fazendo que o tresloucado agressor, que sabe o destino que lhe está reservado, mais açuladas tenha as paixões destruidoras arrojando-se irremissivelmente nos dédalos das alucinações dissolventes.

Compete ao Estado deixar sempre acessível a porta para o ensejo de reparação ao sicário impiedoso ou ao flagelo humano que se converteu em vândalo desavisado. Se o Estado ceifa a vida de um cidadão, não tem o direito de exigir que outros a respeitem.

A morte não destrói a vida. Libertando-se o criminoso do domicílio carnal, intoxicado pelo ódio dos instantes finais, vincula-se psiquicamente àqueles que lhe infligiram tal punição, mantendo comunhão mental de rebeldia por meio da qual mais torpes e sombrias ficam as paisagens huumanas ...

Processo bárbaro, a pena de morte é tratamento da impiedade e do primitivismo que aniquila a esperança por antecipação, marcando a data da punição destruidora, fora de qualquer possibilidade redentora, que há de desaparecer da legislação terrena.

O criminoso não fugirá à consciência nem à injunção reparadora pelas Supremas Leis da Vida. Justo, portanto, facultar ao revel ensancha de recompor-se e reparar quanto possível os males perpetrados.

Nesse sentido, a Penologia dispõe de salutares programas de redenção para os transgressores da ordem e do direito, trânsfugas do dever e da responsabilidade, nossos irmãos atormentados da senda evolutiva. Obviamente a questão se situa na anterioridade da alma, no seu processo depurador. ..

Necessário implantar na Terra, quanto antes, as condições morais saudáveis de que nos fala o Evangelho, a fim de auxiliarmos tais espíritos enfermos que retomam para reajustarem-se, defrontando desafetos e adversários que a morte aniquilou, tornando-os irmãos e amigos.

Sem dúvida as condições sociais que promovem o crime e fomentam a existência dos criminosos devem merecer melhor tratamento humano, a fim de que aqueles que vivem nos escabrosos e sórdidos guetos de miséria conheçam dignidade e sejam com honradez considerados.

Aristóteles, na sua Política, preceituava que o homem, para ser virtuoso, necessitava possuir alguns bens do espírito, do corpo e das coisas exteriores, sem os quais germes criminógenos poderiam levá-lo ao desequilíbrio.

A era tecnológica, mais preocupada com os valores objetivos e os da indústria do supérfluo e da inutilidade, vem esquecendo os legítimos ideais do homem, seus pendores espirituais, suas realizações éticas, seus sonhos e ideais de enobrecimento.

Emulando para as aquisições de fora, facultando comodidade e prazer imediatos, faz anular a felicidade no seu sentido profundo, que independe das conquistas transitórias para as realizações essenciais e imorredouras do ser. .. Aos cristãos legítimos cabe o indeclinável labor de persistir na bondade, na eqüidade, na paciência.

A perseverança no amor, talvez com resultados demorados, consegue a modificação da face externa das coisas e da intimidade humana para as realizações do enobrecimento. Matar, jamais!

Um crime não pode ser solucionado por meio de outro, dê-se-lhe o nome ou a posição legal que se lhe queira dar: jamais terá validade moral. Diante, portanto, da agressividade, revida com a tolerância. Ante a ira, resposta com a benevolência. Junto ao ódio, dissemina o amor.

Ao lado da hostilidade sistemática, propõe o perdão indistinto. Perante o acusador gratuito oferece a paciência gentil, tradutora da inocência. Só o bem tem existência real e permanente. Consegue triunfar, por fim, mesmo quando aparentemente campeia e domina o mal.

Não engrosses as fileiras dos que, violentos, pensam em eliminar ...São capazes, também, na sua revolta, de cometer crimes equivalentes àqueles para os quais, veementemente, pedem a punição capital do infrator. Ignoras tuas forças. Não sabes como te portarias na posição daquele que agora é o algoz.

Esparze e semeia o amor, sim, criando condições joviais e felizes para todos, oferecendo o teu precioso contributo - mesmo que seja a coisa mais insignificante - a fim de modificar o estado atual do mundo, e o crime baterá em retirada, constituindo no futuro triste sombra do passado, conforme nos promete Jesus.

02 - Cartas e Crônicas - Irmão X - pág. 93

21 - Acerca da pena de morte
Indaga você como apreciam os desencarnados a instituição da pena de morte, e acrescenta: — «não será justo subtrair o corpo ao espírito que se fez criminoso? será lícito permitir a comunhão de um tarado com as pessoas normais ?» E daqui poderíamos argumentar: — quem de nós terá usado o corpo como devia? quem terá atingido a estatura espiritual da verdadeira humanidade para considerar-se em plenitude de equilíbrio?

A execução de uma sentença de morte, na maioria dos casos, é a libertação prematura da alma que se arrojou ao despenhadeiro da sombra. E sabemos que só a pena de viver na carne é suscetível de realizar a recuperação daqueles que se fizeram réus confessos diante dos tribunais humanos. Não vale afugentar moscas sem curar a ferida. Eliminar a carne não é modificar o espírito.

Um assassinado, quando não possui energia suficiente para desculpar a ofensa e esquecê-la, habitualmente passa a gravitar em torno daquele que lhe arrancou a vida, criando os fenômenos comuns da obsessão; e as vítimas da forca ou do fuzilamento, do machado ou da cadeira elétrica, se não constituem padrões de heroísmo e renunciação, de imediato, além-túmulo, vampirizam o organismo social que lhes impôs o afastamento do veículo físico, transformando-se em quistos vivos de fermentação da discórdia e da indisciplina.

O tribunal terrestre jamais decidirá, com segurança, sobre a extinção do crime, sem o concurso ativo do hospital e da escola. Sem o professor e sem o médico, O juiz de sã consciência viverá sempre atormentado pela obrigação de prender e condenar, descendo da dignidade da toga para ombrear com os que se dedicam à flagelação alheia. A função da justiça penal, dentro da civilização considerada cristã, é, acima de tudo, reeducar.

Sem o entendimento fraterno na base de nossas relações uns com os outros, não nos distanciaremos do labirinto de talião, que pretende converter o mundo em eterno sorvedouro de males renascentes. Jesus, o divino libertador, veio quebrar as algemas que nos jungiam aos princípios do castigo igual à culpa. A educação é a mola do processo de redimir a mente cristalizada nas trevas.

Organizar a penitenciária renovadora, onde o serviço e o livro encontrem aplicação adequada, é a solução para o escuro problema da criminalidade, entre os homens, mesmo porque o melhor desforço da sociedade, contra o delinquente, é deixá-lo viver, na reparação das próprias faltas. Cada espírito respira no céu ou no inferno que formou para si mesmo...

Aqui, temos o «campo dos efeitos», e aí, no mundo, o «campo das causas». E enquanto a alma se demora no «campo das causas», há sempre oportunidade de consertar e reajustar, melhorando as consequências. Não é morrendo que encontraremos facilidade para a reconciliação. E' aprendendo com as rudes lições do educandário de matéria densa que se nos apuram as qualidades morais para a ascensão do espírito.

Ninguém, pois, precisará inquietar-se, provocando essa ou aquela reivindicação pela violência. A lei da harmonia universal funciona em todos os planos da vida, encarregando-se de tudo restaurar no momento oportuno. Quanto ao ato de condenar, quem de nós se revelará em condições de exercer semelhante direito?

Quantos de nós não somos malfeitores indiscutíveis, simplesmente por não encontrar a presa, no instante preciso da tentação? quantos delitos teremos perpetrado em pensamento? Só a educação, alicerçada no amor, redimir-nos-á a multimilenária noite da ignorância.

Se você demonstra interesse tão grande na regeneração dos costumes, defendendo com tamanho entusiasmo a suposta legalidade da pena de morte, vasculhe o próprio coração e a própria consciência e verifique se está isento de faltas. Se você já superou os óbices da animalidade, adquirindo a grande compreensão a preço de sacrifício, estimaria saber se terá realmente coragem para amaldiçoar os pecadores do mundo, atirando-lhes «a primeira pedra».

03 - Depois da morte - Léon Denis - pág. 232

XXXVI — OS ESPÍRITOS INFERIORES
O Espírito puro traz em si próprio sua luz e sua felicidade, que o seguem por toda parte e lhe integram o ser. Assim também o Espírito culpado consigo arrasta a própria noite, seu castigo, seu opróbrio. Pelo fato de não serem materiais, não deixam de ser ardentes os sofrimentos das almas perversas. O inferno é mais que um lugar quimérico, um produto de imaginação, um espantalho talvez necessário para conter os povos na infância, porém que, neste sentido, nada tem de real. É completamente outro o ensino dos Espíritos sobre os tormentos da vida futura; aí não figuram hipóteses.

Esses sofrimentos, com efeito, são-nos descritos por aqueles mesmos que os suportam, assim como outros vêm patentear-nos a sua ventura. Nada é imposto por uma vontade arbitrária; nenhuma sentença é pronunciada. O Espírito sofre as consequências naturais de seus atos, que, recaindo sobre ele próprio, o glorificam ou acabrunham. O ser padece na vida de além-túmulo não só pelo mal que fez, mas também por sua inação e fraqueza. Enfim, essa vida é obra sua: tal qual ele a produziu. O sofrimento é inerente ao estado de imperfeição, mas atenua-se com o progresso e desaparece quando o Espírito vence a matéria.

A punição do Espírito mau continua não só na vida espiritual, mas, ainda, nas encarnações sucessivas que o levam a mundos inferiores, onde a existência é precária e a dor reina soberanamente; mundos que podemos qualificar de infernos. A Terra, em certos pontos de vista, deve entrar nessa categoria. Ao redor desses orbes, galés rolando na imensidade, flutuam legiões sombrias de Espíritos imperfeitos esperando a hora da reencarnação.

Vimos quanto é penosa, prolongada, cheia de perturbação e angústia, a fase do desprendimento corporal para o Espírito entregue às más paixões. A ilusão da vida terrena prossegue para ele durante anos. Incapaz de compreender o seu estado e de quebrar os laços que o tolhem, nunca elevando sua inteligência e seu sentimento além do círculo estreito de sua existência, continua a viver, como antes da morte, escravizado aos seus hábitos, às suas inclinações, indignando-se porque seus companheiros parecem não mais vê-lo nem ouvi-lo, errante, triste, sem rumo, sem esperança, nos lugares que lhe foram familiares.

São as almas penadas, cuja presença já de há muito se tem suspeitado em certas residências, e cuja realidade é demonstrada diariamente por muitas e ruidosas manifestações. A situação do Espírito depois da morte é resultante das aspirações e gostos que ele desenvolveu em si. Aquele que concentrou todas as suas alegrias, toda a sua ventura nas coisas deste mundo, nos bens terrestres, sofre cruelmente desde que disso se vê privado. Cada paixão tem em si mesmo a sua punição. O Espírito que não soube libertar-se dos apetites grosseiros e dos desejos brutais torna-se destes um joguete, um escravo.

Seu suplício é estar atormentado por eles sem os poder saciar. Pungente é a desolação do avarento, que vê dispersar-se o ouro e os bens que amontoou. A estes se apega apesar de tudo, entregue a uma terrível ansiedade, a transportes de indescritível furor. Igualmente digna de piedade é a situação dos grandes orgulhosos, dos que abusaram da fortuna e de seus títulos, só pensando na glória e no bem-estar, desprezando os pequenos, oprimindo os fracos. Para eles não mais existem os cortesãos servis, a criadagem desvelada, os palácios, os costumes suntuosos. Privados de tudo o que lhes fazia a grandeza na Terra, a solidão e o abandono esperam-no no espaço. Se as massas novamente os seguem é para lhes confundir o orgulho e acabrunhá-los de zombarias.

Mais tremenda ainda é a condição dos Espíritos cruéis e rapaces, dos criminosos de qualquer espécie que sejam, dos que fizeram correr sangue ou calcaram a justiça aos pés. Os lamentos de suas vítimas, as maldições das viúvas e dos órfãos soam aos seus ouvidos durante um tempo que se lhes afigura a eternidade. Sombras irônicas e ameaçadoras os rodeiam e os perseguem sem descanso. Não pode haver para eles um retiro assaz profundo e oculto; em vão, procuram o repouso e o esquecimento. A entrada numa vida obscura, a miséria, o abatimento, a escravidão somente lhes poderão atenuar os males.

Nada iguala a vergonha, o terror da alma que, diante de si, vê elevar-se sem cessar as suas existências culpadas, as cenas de assassínios e de espoliação, pois se sente descoberta, penetrada por uma luz que faz reviver as suas mais secretas recordações. A lembrança, esse aguilhão incandescente, a queima e despedaça.

Quando se experimenta esse sofrimento, devemos compreender e louvar a Providência Divina, que, no-lo poupando durante a vida terrena, nos dá assim, com a calma de espírito, uma liberdade maior de ação, para trabalhar­mos em nosso aperfeiçoamento. Os egoístas, os homens exclusivamente preocupados com seus prazeres e interesses, preparam também um penoso futuro. Só tendo amado a si próprios, não tendo ajudado, consolado, aliviado pessoa alguma, do mesmo modo não encontram nem simpatias nem auxílios nem socorro nessa nova vida. Insulados, abandonados, para eles o tempo corre uniforme, monótono e lento. Experimentam triste enfado, uma incerteza cheia de angústias.

O arrependimento de haverem perdido tantas horas, desprezado uma existência, o ódio dos interesses miseráveis que os absorveram, tudo isso devora e consome essas almas. Sofrem na erraticidade até que um pensamento caridoso os toque e luza em sua noite como um raio de esperança; até que, pelos conselhos de um Espírito, rom­pam, por sua vontade, a rede fluídica que os envolve e decidam-se a entrar em melhor caminho.

A situação dos suicidas tem analogia com a dos criminosos; muitas vezes, é ainda pior. O suicídio é uma covardia, um crime cujas consequências são terríveis. Segundo a expressão de um Espírito, o suicida não foge ao sofrimento senão para encontrar a tortura. Cada um de nós tem deveres, uma missão a cumprir na Terra, provas a suportar para nosso próprio bem e elevação. Procurar subtrair-se, libertar-se dos males terrestres antes do tempo marcado é violar a lei natural, e cada atentado contra essa lei traz para o culpado uma violenta reação. O suicídio não põe termo aos sofrimentos físicos nem morais.

O Espírito fica ligado a esse corpo carnal que esperava destruir; experimenta, lentamente, todas as fases de sua decomposição; as sensações dolorosas multiplicam-se, em vez de diminuírem. Longe de abreviar sua prova, ele a prolonga indefinidamente; seu mal-estar, sua perturbação persistem por muito tempo depois da destruição do invólucro carnal. Deverá enfrentar novamente as provas às quais supunha poder escapar com a morte e que foram geradas pelo seu passado. Terá de suportá-las em piores condições, refazer, passo a passo, o caminho semeado de obstáculos, e para isso sofrerá uma encarnação mais penosa ainda que aquela à qual pretendeu fugir.

São espantosas as torturas dos que acabam de ser supliciados, e as descrições que delas nos fazem certos assassinos célebres podem comover os corações mais duros, mostrando à justiça humana os tristes efeitos da pena de morte. A maioria desses infelizes acha-se entregue a uma excitação aguda, a sensações atrozes que os tornam furiosos. O horror de seus crimes, a visão de suas vítimas, que parecem persegui-los e trespassá-los como uma espada, alucinações e sonhos horrendos, tal é a sorte que os aguarda.

Muitos, buscando um derivativo a seus males, lançam-se aos encarnados de tendências semelhantes e os impelem ao crime. Outros, devorados pelo fogo inextinguível dos remorsos, procuram, sem tréguas, um refúgio que não podem encontrar. Sob seus passos, ao seu redor, por toda parte, eles julgam ver cadáveres, figuras ameaçadoras e lagos de sangue.

Os Espíritos maus sobre os quais recai o peso acabrunhador de suas faltas não podem prever o futuro; nada sabem das leis superiores. Os fluidos que os envolvem privam-nos de toda relação com os Espíritos elevados que queiram arrancá-los à sua inércia, às suas inclinações, pois isso lhes é difícil por causa de sua natureza grosseira, quase material, e do limitado campo de suas percepções; resulta daí uma ignorância completa da própria sorte e uma tendência para acreditarem que são eternos os seus sofrimentos. Alguns, imbuídos ainda de prejuízos católicos, supõem e dizem viver no inferno.

Devorados pela inveja e pelo ódio, muitos, a fim de se distraírem de suas aflições, procuram os homens fracos e inclinados ao mal. Apegam-se a eles e insuflam-lhes funestas aspirações. Destes excessos, porém, advêm-lhes, pouco a pouco, novos sofrimentos. A reação do mal causado prende-os numa rede de fluidos mais sombrios. As trevas se fazem mais completas; um círculo estreito forma-se e à sua frente levanta-se o dilema da reencarnação penosa, dolorosa.

Mais calmos são aqueles a quem o arrependimento tocou e que, resignados, vêem chegar o tempo das provas ou estão resolvidos a satisfazer a eterna justiça. O remorso, como uma pálida claridade, esclarece vagamente sua alma, permite que os bons Espíritos falem ao seu entendimento, animando-os e aconselhando-os.

04 - Dos hippies aos problemas do mundo - Francisco Cândido Xavier - pág. 48

10 - A pena de morte
ALMIR: A pergunta seguinte cabe a Saulo Go­mes.
SAULO: Em pelo menos dez estados dos Estados Unidos da América do Norte, ainda no Oriente Médio, em execuções recentes, produto das guerras e aqui no Brasil, em consequência de problemas políticos, nós temos um dos mais debatidos temas do mundo jurídico universal: a pena de morte. Como vêem os espíritos que lhe iluminam e lhe acompanham, como vê, você, Chico Xavier, com a autoridade e responsabilidade a aplicação da pena de morte, por qualquer que seja o motivo em qualquer parte do mundo?

CHICO XAVIER: Nosso Emmanuel que está presente nos pede considerarmos, já que a personalidade de Nosso Senhor Jesus Cristo está recebendo o enfoque de nossos pensamentos e de nossas palavras, ele nos convida a recordarmos com a máxima veneração pelas nossas leis e pelas autoridades que as expõem ele nos solicita recordarmos, na condição de cristãos, a parábola do Bom Samaritano, um ensinamento considerado antigo, mas há dentro dele uma nota de profunda significação.

É que, dentro da parábola, existem as qualificações, menos uma: um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu em poder de malfeitores que o feriram e o deixaram sem qualquer comiseração. Em seguida passou um religioso, que o viu e seguiu adiante. Em seguida veio um levita, que o viu também e passou adiante. Em seguida veio um samaritano, considerado homem até mesmo sem qualquer qualificação religiosa, mas era um samaritano e fez ali o papel da caridade, do amor que devemos uns aos outros.

Em seguida aparece um hospedeiro. Todos os que apareceram foram qualificados peio Senhor menos a vítima: a vítima era um homem. E o homem, seja quem seja, merece o nosso respeito. Os últimos, que estão nas prisões, por crimes catalogados em nosso Código Penal, eles são doentes, naturalmente que a Justiça exerce a função de medicina espiritual. Cada sentença é uma cirurgia no corpo espiritual daquele que necessitou da segregação para ser convenientemente tratado.

Mas, nós somos cristãos. Não podemos censurar ninguém, mas devemos pedir a Deus para que os nossos magistrados, os responsáveis pelos nossos tribunais de Justiça se compadeçam de nós e que ninguém morra em nome da Justiça. Porque nós todos somos irmãos. O cárcere que evoluiu tanto depois de Jesus. Nós temos penitenciárias que são verdadeiras escolas. Conheço pessoalmente a penitenciária de Neves, a 18 quilómetros da terra em que eu nasci, que honra o Governo do Estado de Minas Gerais.

Nós devemos acreditar que a Justiça terá recursos para criar sentenças de tratamento espiritual, para segregar a nós outros, quando nós estivermos em desacordo com os princípios de fraternidade e de respeito, que nos regem uns diante dos outros. Mas a pena de morte( vide itens 760 a 766 de O Livro dos Espíritos) é alguma coisa que merece a nossa oração, pelos nossos magistrados, para que eles não percam a alma cristã, o coração cristão, que lutamos tanto para edificar.

Dizemos isto respeitando as determinações da Justiça em nossos tribunais. Mas a vítima era um homem, um homem que na parábola não se sabia quem era, se ele era abastado ou menos abastado, se ele era amadurecido, se era jovem, se ele era um elemento da sexualidade dita normal ou uma criatura filiada a conflitos sexuais muito grandes, nós não sabemos a que raça pertencia aquele homem, de onde é que ele vinha, a que família pertencia, o que ele buscava.

A vítima era um homem. E aqueles que estão considerados fora da lei são doentes que a Justiça saberá tratar, para devolver ao equilíbrio e à normalidade. Mas, a vítima, na parábola, podia ser um de nós.

06 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - Questões: 760 a 765

VII - PENA DE MORTE
Perg. 760. - A pena de morte desaparecerá um dia da kgislação humana?
— A pena de morte desaparecerá incontestavelmente e sua supressão assinalará um progresso da Humanidade. Quando os homens forem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida na Terra. Os homens não terão mais necessidade de ser julgados pelos homens. Falo de uma época que ainda está muito longe de vós. O progresso social ainda deixa muito a desejar, mas seríamos injustos para com a sociedade moderna se não víssemos um progresso nas restrições impostas à pena de morte entre os povos mais adiantados e à natureza dos crimes aos quais se limita a sua aplicação. Se compararmos as garantias de que a justiça se esforça para cercar hoje o acusado, a humanidade com que o trata, mesmo quando reconhecidamente culpado, com o que se praticava em tempos que não vão muito longe, não poderemos deixar de reconhecer a via progressiva pela qual a Humanidade avança.

Perg. 761. - A lei de conservação dá ao homem o direito de preservar a sua própria vida; ao aplica ele esse direito, quando elimina da sociedade um membro perigoso?
— Há outros meios de se preservar do perigo, sem matar. É necessário, aliás, abrir e não fechar ao criminoso a porta do arrependimento.

Perg. 762. - Se a pena de morte pode ser banida das sociedades civilizadas, não foi entretanto uma necessidade em tempos menos adiantados?
— Necessidade não é o termo. O homem sempre julga uma coisa necessária, quando não encontra nada melhor. Mas, à medida que se esclarece, vai compreendendo melhor o que é justo ou injusto e repudia excessos cometidos nos tempos de ignorância, em nome da justiça.

Perg. 763. - A restrição dos casos em que se aplica a pena de morte é um índice do progresso da civilização?
— Podes duvidar disso? Não se revolta o teu Espírito lendo os relatos morticínios humanos que antigamente se faziam em nome da justiça freqüentemente, em honra à Divindade; das torturas a que se submetia o condenado, e mesmo o acusado, para lhe arrancar, a peso de sofrimento, a confissão de um crime que ele muitas vezes não havia cometido? Pois bem; se tivesses vivido naqueles tempos acharias tudo natural talvez, tivesses feito o mesmo. E assim que o que parece justo numa época parece bárbaro em outra. Somente as leis divinas são eternas. As leis humanas modificam-se com o progresso. E se modificarão ainda, até que sejam colocadas em harmonia com as leis divinas. Definição perfeita da concepção espírita da moral. Os princípios verdadeiros de moral são de natureza eterna, e os costumes dos povos se modificam pela da evolução, em direção daqueles princípios. A sociologia materialista, tratando apenas dos costumes, criou o falso conceito de relatividade da moral, já em declínio, entretanto, no pensamento moderno. O homem intui cada vez de maneira mais clara as leis divinas da moral, na proporção em que progride. Os seus costumes se depuram e a sua moral se harmoniza com essas leis superiores. (N. do T.)

Perg. 764. - Jesus, disse: "Quem matar pela espada, perecerá pela espada . Essas palavras não representam a consagração da pena de talião? E a morte impaste ao assassino não é a aplicação dessa pena?
— Tomai tento! Estais equivocados quanto a estas palavras, como acerca de muitas outras. A pena de talião é a justiça de Deus; é ele quem a aplica. Todos vós sofreis a cada instante essa pena, porque sois punidos naquilo em que pecais, nesta vida ou numa noutra. Aquele que fez sofrer o seu semelhante estará numa situação em que sofrerá o mesmo. É este o sentido das palavras de Jesus. Pois não vos disse também: "Perdoai aos vossos inimigos"? E não vos ensinou a pedir a Deus que perdoe as vossas ofensas da maneira que perdoastes, ou seja, na mesma proporção em que houverdes perdoado? Compreendei bem isso.

Perg. 765. - Que pensar da pena de morte imposta em nome de Deus ?
— Isso equivale a tomar o lugar de Deus na prática da justiça. Os que agem assim revelam quanto estão longe de compreender a Deus e quanto ( têm ainda a expiar. É um crime aplicar a pena de morte em nome de Deus, e os que o fazem são responsáveis por esses assassinatos.

07 - O Mestre na Educação - Pedro de Camargo (Vinícius) - pág. 110

25 - CLAMA SEM CESSAR
À página 29, do livro de Amado Nervo, "Plenitud", encontramos, no capítulo intitulado "Todos têm fome", os seguintes comentários acerca da precariedade humana:"Bem sabes que neste orbe, todos têm fome: fome de pão, fome de luz, fome de paz, fome de amor.
Este é o mundo dos famintos. A fome de pão, melodramática e ruidosa, é a que mais comove, porém não é a mais digna de comiseração.

Que me dizes, por exemplo, da fome de amor? Que me dizes, daquele que deseja que o queiram, e passa pela vida, sem que ninguém lhe conceda uma migalha de carinho? E o faminto de luz? Imagina a fome de um pobre Espírito que anseia por conhecimentos e se choca sempre contra o granito que serve de pedestal à Esfinge?

E a fome de paz que atormenta o peregrino inquieto, forçado a sangrar os pés e o coração por ínvios caminhos? Todos os homens têm fome, e todos nós estamos, por isso, em condições de exercer a caridade. Aprende, pois, a conhecer a fome do que te procura, tomando sempre em consideração esta advertência: com exceção da fome de pão, todas as demais se escondem. Quanto mais angustiosas, mais ocultas." Muita sabedoria esta página encerra. Notemos que a fome do corpo é uma, enquanto que a do Espírito assume várias modalidades, cada qual a mais dolorosa e de efeitos mais alarmantes e extensivos.

A fome de pão restringe-se ao indivíduo, não contamina terceiros, enquanto que as diversas espécies de fome espiritual generalizam suas consequências comprometendo a coletividade. Tempos atrás os jornais noticiaram um crime deveras impressionante pelas suas proporções e pela maneira trágica de que se revestiu. Um pai de família, depois de assassinar um seu patrício, eliminou a esposa e três filhos menores, suicidando-se em seguida. Notícias dessa categoria são mais ou menos comuns nestes tempos.

É mesmo raro o dia em que a imprensa deixa de registrar casos semelhantes. Como se explica, ou melhor, qual a causa de tais tragédias? Incontestavelmente a causa está na carência de luz, na miséria espiritual que lavra na sociedade em que vivemos; está, positivamente, no descaso em que permanece a educação dos sentimentos, a formação do caráter e da consciência moral do indivíduo. Se os protagonistas das tragédias sanguinolentas tivessem recebido desde a infância uma educação conveniente, procurando despertar em suas almas a noção da responsabilidade e o senso da justiça, por certo não se sentiriam capazes de ferir e matar.

A inconsciência da responsabilidade e a incompreensão da lei de consequência armam o braço do criminoso, encorajando-o à prática dos maiores delitos. O crime, pois, sob seus aspectos variados, resulta de uma falha moral, de um nível baixo de espiritualidade, de um desequilíbrio psíquico em suma, que só a educação bem compreendida e convenientemente ministrada pode solucionar. Infelizmente, o critério generalizado sobre a educação e seus efeitos está longe de corresponder à realidade na sociedade contemporânea. Muita gente descrê do valor da educação, porque não pode verificar os seus resultados imediatos. Quer milagres.

A educação representa um fator natural na esfera do espírito, como sói acontecer à germinação da semente no plano terreno. Não se trata de faquirismo, mas do preparo e cultivo do solo que, após os devidos cuidados, produzirá frutos de acordo com a sementeira feita. Os homens são apressados. Querem tudo para o momento. Prever para prover, não entra em suas cogitações. Em todos os setores de atividade verifica-se o açodamento com que pretendem resolver problemas, cuja solução depende de medidas preliminares que não foram tomadas.

Entram em ação os processos tumultuários, imediatistas e atrabiliários, que geram confusão, dispêndios inúteis e perda de tempo. Em geral os homens querem fazer alguma coisa que os notabilize. Empreender obras, cujo remate e cujos resultados não sejam para os seus dias, não lhes interessa, considerando que a glória vai caber a outrem. Preferem sempre, por isso, semear couves a plantar carvalhos. Como pretendem combater o crime? Eliminando ou enjaulando o criminoso, o que vale dizer, incidindo em crime igual ou maior, porque premeditado e protegido pela lei. Educar o delinquente leva muito tempo, ao passo que eletrocutá-lo é coisa rápida e sumária. Vê-se logo o resultado.

Mas, que espécie de resultado? O estado de delinquência social, a proliferação do crime por toda parte, nos meios ditos civilizados, atestam bem a eficiência daquela medida. Alegar-se que ninguém tem o direito sobre a vida de outrem, não impressiona os legisladores da pena de morte, por isso que os homens só conhecem o direito e as leis que eles mesmos concebem e decretam. Vejamos o que diz o biologista Alexis Garrei sobre as condições da nossa civilização: "A civilização, tal como a conhecemos, não convém à humanidade; ela não tem base no conhecimento da nossa verdadeira natureza.

É devida ao capricho das descobertas científicas; é fruto dos apetites, das ilusões, dos desejos humanos. Embora construída por nós, ela não se adapta à nossa medida. Que remédio haverá para uma civilização tão desumana? A nossa atividade deve tomar outro rumo: o espiritual. O problema humano encontrará a sua solução no problema da infância e da juventude, pois, na criança, "existe tudo." Educar a infância é semear o bom grão; é preparar uma nova sociedade, é criar um novo mundo onde habitará a justiça; onde reinará a solidariedade, garantindo o pão para todas as bocas, e a fraternidade, a todos oferecendo ensejo de revelarem suas capacidades.

É tempo de reconhecermos essas verdades. O Espiritismo, tendo por escopo principal promover a transformação do indivíduo, não pode permanecer por mais tempo alheio ao processo cuja eficácia é indiscutível na melhoria individual e social: a educação que, iniciada na infância, se transforma, no adulto, em auto-educação, realizando o sábio imperativo evangélico: Sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai que está nos céus.

Léon Denis, o grande apóstolo da Terceira Revelação, proferiu a seguinte sentença: "O Espiritismo será o que os homens o fizerem." Esta frase do eminente e destacado filósofo, com franqueza, impressionou-me mal, durante muito tempo. Eu não me acomodava com o conceito de Denis. Achava que ele foi infeliz naquela expressão, porque, argumentava comigo mesmo: O Espiritismo é a Verdade e a Verdade é o que é e não o que os homens pretendem que seja.

Mais tarde, porém, com a reserva de experiências que fui acumulando, verifiquei que Léon Denis tem toda a razão no que disse a propósito da Doutrina Espírita. Realmente, as coisas se passam neste mundo, tal qual o conceito daquele conspícuo pensador. As palavras são as vestes das idéias. Os homens as interpretam segundo os seus interesses e pendores pessoais, das suas escolas e partidos. É assim que eles mudam as vestiduras de uma idéia para outra, muito diversa, e, insistindo nessa troca, acabam conseguindo que o falso passe como verdadeiro, o irreal como pura evidência. A história humana está repleta de fatos dessa espécie.

Vejamos, por exemplo, o que foi o Cristianismo no seu berço, na sua fonte pulcra e o que é nos dias que correm. Que fizeram os homens do século do Cristianismo? Jesus predicou e deu testemunho de mansuetude, de solidariedade e das relações fraternas que devem servir de norma à vida humana, Partindo da paternidade divina, irmanou raças, nações e povos, abolindo as causas de separação. Fez notar, enfaticamente, que as finalidades do Destino estão na conquista do reino de Deus, que é o da justiça, da liberdade e do amor. Sob a égide de tais postulados, Jesus afirmou: Eu venci o mundo. O que fizeram os homens, repetimos, dessa divina doutrina?

Abandonaram aqueles sábios preceitos, enveredaram pela estrada do despotismo, empregando a violência ao invés da mansuetude. Ao uso da razão, ao emprego da inteligência entrosada no sentimento, para resolver os seus problemas, o homem preferiu o canhão e as bombas incendiárias que arrasam cidades e talam os campos, esquecidos de que Jesus proclamara ter vencido o mundo utilizando-se, apenas, de forças espirituais.

Alegam, porém, que há casos que só o canhão pode solucionar. Nada obstante, o canhão troa, sinistramente, há séculos e milênios, enchendo o espaço com o eco lúgubre do seu ronco satânico, sem jamais ter resolvido nenhum problema social. Aí estão, de pé, desafiando a sua eficácia, o pauperismo, a doença, a orfandade, a ignorância, o vício e o crime — problemas humanos estes, de ontem, de hoje e de todos os tempos, e, com estes, estão aí, também, os problemas novos — da distribuição da riqueza e da circulação das utilidades da vida. Que conseguiram os canhões? Que têm logrado os estadistas, os sociólogos, os economistas e moralistas que, justificando o emprego da força, pontificaram e pontificam até esta data?

Concluímos, pois, que o Cristianismo não permaneceu o que realmente é, mas ficou sendo o que os homens o fizeram. Cumpre, agora, indagar: Que pretendem os homens fazer do Espiritismo, desviando-o de sua finalidade, precípua e verdadeira, que é, como desdobramento do Cristianismo, acender o facho da luz no interior das consciências, regenerando e reformando o homem através da Educação, tal como exemplificou o Divino Mestre em sua passagem por este mundo?

Espíritas que me ouvis: Voltai vossa atenção para a escola — solução única de todos os problemas, dizendo com Jesus: Deixai vir a mim os pequeninos, porque deles é o reino dos céus.


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PENA DE MORTE - REUNIÃO PÚBLICA DE 10-07-59 - QUESTÃO N° 760
Todos os fundadores das grandes instituições religiosas, que ainda hoje influenciam ativamente a comunidade humana, partiram da Terra com a segurança do trabalhador ao fim do dia.

Moisés, ancião, expira na eminência do Nebo, contemplando a Canaã prometida.
Sidarta, o iluminado construtor do Budismo, depois de abençoada peregrinação entre os homens, abandona o corpo físico, num horto florido de Kuçinagara.

Confúcio, o sábio que plasmou todo um sistema de princípios morais para a vida chinesa, encontra a morte num leito pacífico, sob a vigilância de um neto afetuoso.

E, mais tarde, Maomé, o criador do Islamismo, que consentiu em ser adorado pelos discípulos, na categoria de imortal, sucumbe em Medina, dentro de sólida madureza, atacado pela febre maligna.

Com Jesus, entretanto, a despedida é diferente O divino fundador do Cristianismo, que define a Religião Universal do Amor e da Sabedoria, em plena vitalidade juvenil, é detido pela perseguição gratuita e trancafiado no cárcere. Ninguém lhe examina os antecedentes, nem lhe promove recursos à defensiva.

Negado pelos melhores amigos, encontra-se sozinho, entre juizes astuciosos, qual ovelha esquecida em meio de chacais. Aliam-se o egoísmo e a crueldade para sentenciá-lo ao sacrifício supremo.

Herodes, patrono da ordem pública, chamado a pronunciar-se em seu caso, determina se lhe dê o tratamento cabível aos histriões. Pilatos, responsável pela justiça, abstém-se de conferir-lhe o direito natural.

E, entregue à multidão amotinada na cegueira de espírito, é preferido a Barrabás, o malfeitor, para sofrer a condenação insólita. Decerto, para induzir-nos à compaixão, aceitou Jesus padecer em silêncio os erros da justiça terrestre, alinhando-se, na cruz, entre os injuriados e as vítimas sem razão, de todos os tempos da Humanidade.

Cristãos de todas as interpretações do Evangelho e de todos os quadrantes do mundo, atentos à exemplificação do Eterno Benfeitor, apartai o criminoso do crime, como aprendestes a separar o enfermo da enfermidade! Educai o irmão transviado, quanto curais o companheiro doente!

Desterrai, em definitivo, a espada e o cutelo, o garrote e a forca, a guilhotina e o fuzil, a cadeira elétrica e a câmara de gás dos quadros de vossa penologia, e oremos, todos juntos, suplicando a Deus nos inspire paciência e misericórdia, uns para com os outros, porque, ainda hoje, em todos os nossos julgamentos, será possível ouvir, no ádito da consciência, o aviso celestial do nosso Divino Mestre, condenado à morte sem culpa: - "Quem estiver sem pecado, atire a primeira pedra!".

LEMBRETE:

1° - (...) A PENA DE MORTE é um crime (...) e os que a impõem se sobrecarregam de outros tantos assassínios. Allan Kardec

2° - (...) A morte como castigo para o crime exprime uma conceituação simplista da deliquência, que Jesus, há dois mil anos, situava como enfermidade da alma. O enfermo deve ser medicado, não eliminado. Richar Simonetti