PENSAMENTO
BIBLIOGRAFIA
01- A crise da morte - pág. 34, 66, 95, 126 02 - A divina epopéia - pág. 12
03 - A força do pensamento - toda a obra 04 - A Gênese - cap. XIV, 13
05 - Ação e reação - pág. 56, 70 06 - Almas que voltam - pág. 64
07 - Antologia do Perispírito - ref. 118, 227 08 - Celeiro de bênçãos - pág. 29
09 - Coragem - pág. 35 10 - Da alma humana - pág. 226, 234
11 - Deus na natureza - pág. 217, 244 12 - Emmanuel - pág. 155
13 - Espírito e vida - pág. 68 14 - Estude e viva - pág. 128, 200
15 - Estudando a mediunidade- pág. 167

16 - Falando à terra - 98, 101, 147

17 - Fonte viva - pág. 179, 337 18 - Formas de pensamento - toda a obra
19 - Libertação - pág. 29, 84 20 - Mediunidade e Evolução - pág. 121
21 - Nas pegadas do Mestre - pág. 266 22 - Nos domínios da mediunidade - pág. 17, 117
23 - Nosso lar - pág. 203 24 - O consolador - pág. 44
25 - O Espírito da Verdade - pág. 101, 142 26 - O Evangelho S. o Espiritismo - cap. VIII, 5
27 - O fenômeno espírita - pág. 78 28 - O gênio céltico e o mundo invisível - pág. 225, 260
29 - O Livro dos Espíritos - q. 89, 283, 419, 456, 833 30 - O Livro dos Médiuns - q 282, 331, 335
31 - O pensamento de Emmanuel - pág. 29 32 Obras póstumas - pág. 107, 113
33 - Pão nosso - pág.41, 45 34 - Palingênese, a grande lei - pág. 65
35 - Pensamento e vontade- toda a obra 36 - Temas da vida e da morte - pág. 31, 35

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

PENSAMENTO – COMPILAÇÃO

05 - Ação e reação - André Luiz - pág. 56, 70

(..) O esclarecimento se me deparava como oportuna chave para a solução de muitos enigmas, no capítulo da obsessão, em que os doentes começam atormentando a si mesmos e acabam atormentados por seres que se afinam com o desequilíbrio que lhes é próprio.
Hilário, que observava atentamente o duelo íntimo entre a enferma prostrada e a forma-pensamento que se lhe superpunha à cabeça, falou comovido:

— Lembro-me de haver manuseado, há muitos anos, na Terra, um livro da autoria de Collin de Plancy, aprovado pelo arcebispo de Paris, trazendo a descrição minuciosa de diversos demônios, e creio haver visto uma figura gravada nessa obra, semelhante à que temos sob nossa direta observação. Silas adiantou, confirmando:

— Isso mesmo. É o demônio Belfegor, segundo as anotações de Jean Weier, que imprevidentes autoridades da Igreja permitiram se espalhasse nos círculos católicos. Conhecemos o livro a que se refere. Tem criado empecilhos tremendos a milhares de criaturas que inadvertidamente acolhem tais símbolos de Satanás, oferecendo-os a Espíritos bestializados que os aproveitam para formar terríveis processos de fascinação e possessão. Refletia quanto ao problema dos moldes mentais na vida de cada um de nós, quando o Assistente, certo me surpreendendo a indagação, acentuou bem-humorado:

— Aqui, é fácil reconhecer que cada coração edifica o inferno em que se aprisiona, de acordo com as próprias obras. Assim, temos conosco os diabos que desejamos, segundo o figurino escolhido ou modelado por nós mesmos. O serviço assistencial, porém, exigia cautelosa atenção e, por isso, removemos a enferma para o aposento limpo e bem-posto que a esperava.

Decorridos alguns minutos, voltamos ao átrio, então descongestionado e silencioso. Apenas algumas sentinelas da noite velavam, infatigáveis e atentas. Os tormentos entrevistos compeliam-me a pensar. Muito já estudara acerca de pensamento e fixação mental, todavia, a angústia daquelas almas recém-desencarnadas me infundia compaixão e quase terror. Confiei ao amigo que nos acompanhava, bondoso, a indefinível tortura de que me via objeto e o Assistente esclareceu com sabedoria:

— Em verdade, estamos ainda longe de conhecer todo o poder criador e aglutinante encerrado no pensamento puro e simples, e, em razão disso, tudo devemos fazer por libertar os entes humanos de todas as expressões perturbadoras da vida íntima. Tudo o que nos escravize à ignorância e à miséria, à preguiça e ao egoísmo, à crueldade e ao crime é fortalecimento da treva contra a luz e do inferno contra o Céu.

E talvez porque desejasse ardentemente mais alguma anotação, em torno do transcendente assunto, Silas ajuntou: — Recorda-se de haver lido alguma memória, alusiva às primeiras experiências de Marconi, nos albores do telégrafo sem fio? — Sim — respondi —, lembro-me de que o sábio, ainda muito jovem, se consagrou ao estudo das observações de Henrique Hertz, o grande engenheiro alemão que realizou importantes experiências sobre as ondulações elétricas, comprovando as teorias da identidade da transmissão entre a eletricidade, a luz e o calor irradiante, e sei que, certa feita, tomando-lhe o oscilador e conjugando-o com a antena de Popoff e com o receptor de Branly, no jardim da casa paterna, conseguiu transmitir sem fio os sinais do alfabeto Morse.

Mas... que tem isso a ver com o pensamento? O Assistente sorriu e falou:— A referência é significativa para as nossas considerações. Além dela, volvamos à televisão, uma das maravilhas da atualidade terrestre...E acrescentou:— Reporto-me ao assunto para lembrar que na radiofonia e na televisão os eletrons que carreiam as modulações da palavra e os elementos da imagem se deslocam no espaço com velocidade igual à da luz, ou seja, a trezentos mil quilômetros por segundo.

Ora, num só local podem funcionar um posto de emissão e outro de recepção, compreendendo-se que, num segundo, as palavras e as imagens podem ser irradiadas e captadas, simultaneamente, depois de atravessarem imensos domínios do espaço, em fração infinitesimal de tempo. Imaginemos agora o pensamento, força viva e atuante, cuja velocidade supera a da luz. Emitido por nós, volta inevitavelmente a nós mesmos, compelindo-nos a viver, de maneira espontânea, em sua onda de formas criadoras, que naturalmente se nos fixam no espírito quando alimentadas pelo combustível de nosso desejo ou de nossa atenção.

Daí, a necessidade imperiosa de nos situarmos nos ideais mais nobres e nos propósitos mais puros da vida, porque energias atraem energias da mesma natureza, e, quando estacionários na viciação ou na sombra, as forças mentais que exteriorizamos retornam ao nosso espírito, reanimadas e intensificadas pelos elementos que com elas se harmonizam, engrossando, dessa forma, as grades da prisão em que nos detemos irrefletidamente, convertendo-se-nos a alma num mundo fechado, em que as vozes e os quadros de nossos próprios pensamentos, acrescidos pelas sugestões daqueles que se ajustam ao nosso modo de ser, nos impõem reiteradas alucinações, anulando-nos, de modo temporário, os sentidos sutis.

E, depois de ligeira pausa, concluiu: — Eis por que, efetuada a supressão do corpo somático, no fenômeno vulgar da morte, a criatura desencarnada, movimentando-se num veículo mais plástico e influenciável, pode permanecer longo tempo sob o cativeiro de suas criações menos construtivas, detendo-se em largas faixas de sofrimento e ilusão com aqueles que lhe vivem os mesmos enganos e pesadelos.

A explicação não podia ser mais clara. Calamo-nos, Hilário e eu, dominados por igual sentimento de respeito e reflexão. Silas percebeu-nos a atitude interior e generosamente convidou-nos ao descanso em que, por algumas horas, conseguiríamos repousar e... pensar.


09 - Coragem - Espíritos Diversos - pág. 35

10. NOSSA CASA
A mente é a casaviva onde cada um de nós reside, segundo as nossas próprias concepções. A imaginação é o arquiteto de nosso verdadeiro domicílio. Se julgarmos que o ouro precisa erigir-se em material único adequado à nossa construção, cedo sofremos a ventania destruidora ou enregelante da ambição e da inveja, do remorso e do tédio, que costuma envolver a fortuna, em seu castelo de imprevidência.

Se supomos que o poder humano deve ser o agasalho exclusivo de nosso espírito, somos apressadamente defrontados pela desilusão que habitualmente assinala a fronte das criaturas enganadas pelos desvarios da autoridade. Se encontrarmos alegria na crítica ou na leviandade, naturalmente nos demoramos em cárceres de perturbação e maledicência. Moramos, em espírito, onde projetamos o pensamento.

Respiramos o bem ou o mal, de acordo com as nossas preferências na vida. Na Terra, muitas vezes temos a máscara física emoldurada em honrarias e esplendores, conservando-nos intimamente em deploráveis cubículos de padecimentos e trevas.

Só o trabalho incessante no bem pode oferecer-nos a milagrosa química do amor para a sublimação do lar interno. Por isso mesmo, disse Jesus: -"meu Pai trabalha até hoje e eu trabalho também". Idealizemos mais luz para o caminho.

Abracemos o serviço infatigável aos semelhantes e a nossa experiência, de alicerces na Terra, culminará, feliz e vitoriosa, nos esplendores do Céu. Emmanuel

11 - Deus na natureza - Camille Flammarion - pág. 217, 244

Há muito tempo que o geólogo Agassiz emitiu este conceito, frequentemente justificado: Todas as vezes que um fato novo se revela no campo da Ciência, logo o averbam de apócrifo; depois, que é contrário à religião; e, por fim, que há muito era sabido. Efetivamente, a verdade tem duas espécies de adversários: os cépticos do materialismo, e os cépticos do dogma.

Se, com razão, nos admiramos de ver os fisiologistas, adoradores da matéria, ousadamente proclamarem com entonos de autoridade e certeza que o homem, bem como o parque integral da vida planetária, não passam de produtos da matéria cega, com mais razão devemos estranhar ainda exista, em nossos tempos, espíritos cultos, e mesmo célebres, que se deixem ficar completamente fora do movimento das ciências fisico-químicas, a ponto de fazerem objeções mais banais ao que essas ciências apresentam ao idealismo, sem se precatarem das modificações necessárias e derivadas desse movimento em todas as concepções do humano pensamento.

Assim, temos ainda hoje sábios, filósofos, teólogos, metafísicos e pensadores, cujos nomes poderíamos aqui alinhar se houvesse oportunidade, que nos falam de Deus, da Providência, da prece, da alma, da vida futura e presente, das relações da Divindade com o mundo, das causas finais, da marcha dos acontecimentos, da independência do espírito, das fórmulas de culto, das entidades espirituais, etc., no mesmo sentido e nos mesmos termos da escolástica do século XVI. Os palradores anquilosados desta espécie, são ainda mais curiosos e inexplicáveis do que os precedentes.

Em os ouvindo afirmar, em tom magistral, as proposições mais contestáveis; em lhes observando a ignorância das rudes dificuldades que espíritos mais clarividentes tão penosamente venceram; em defrontá-los na sua verve inesgotável e na calma ingênua com que asseguram a inexpugnabilidade das suas pretensas verdades; — dir-se-ia estarem eles verdadeiramente adormecidos nesse ano memorável em que Copérnico, já moribundo, recebia o primeiro exemplar do seu De Revòlutionibus — para só acordarem hoje, na inconsciência das revoluções operadas.

Sendo numerosos, ai de nós! esses espíritos, e porque ainda lhes gravite em torno um número considerável de partidários, é bom dar a todos uma idéia dos fatos que lhes deveriam interessar, mostrando-lhes não ser a eles que incumbe guardar o depósito crescente do tesouro humano, uma vez que persistem adormecidos no seu triste letargo. Todos os que descrevem, minudentes, a natureza e as funções da alma; que explicam perfeitamente em que momento e por qual meio ela se incorpora no ventre materno e a portapor onde se escapa com o derradeiro suspiro; como comparece ela perante Deus e recebe, no outro mundo.

O prêmio ou castigo temporário ou eterno de seus atos neste mundo; que evidenciam o processo de comunicação com o Criador que a estimam completamente independente do organismo e regendo a matéria mediante idéias traz consigo ao encarnar, e que pode dominar essa matéria como coisa estranha, perseguindo o corpo com o recusar-lhe em jejuns, macerações abstinências, a satisfação das próprias necessidades que expõem minuciosamente a história da alma, puro espírito baixado à Terra como a um vale de provações; — numa palavra, enfim, todos quantos, em qualquer religião, em qualquer qualquer país gastam a sua eloquência tempo a propor soluções que nada resolvem e símbolos que nada significam; — esses, repito, devem ser convidados a meditar as observações de ano em ano carreadas pelo progresso das ciências positivas.

E, como essas observações precisamente a base das conclusões materialistas, temos o duplo dever de as expor preliminarmente a fim de julgar depois se as conclusões legitimamente concluídas. Em regra, os homens que encaram desdém e displicência quaisquer questões, pretendem opinar com maior segurança, simplesmente porque, não as tendo profundado, são e que existe um plano definido, uma certa lei que então não fora notada, de vez que as investigações se haviam limitado quase exclusivamente ao homem.
Dá-se com os naturalistas o mesmo que com os homens pouco versados em Arquitetura, os quais, no meio da profusão de elementos que sobrecar­regam um estilo, não podem decifrar o plano fun­damental .
Segundo as últimas investigações, estas cir­cunvoluções cerebrais teriam capital importância e delas trataremos antes de nos ocuparmos com as relações de peso e volume.
Na opinião de Gratiolet, esta conformação ce­rebral é peculiar ao macaco e ao homem, e existe ao mesmo tempo nas túnicas cerebrais, quando sur­gem, uma ordem geral, uma disposição típica e co­mum às duas espécies.
"Essa uniformidade na disposição das pregas cerebrais, no homem e nos símios, diz este fisio-logista, merece a mais acurada atenção dos filóso­fos. Há também um tipo particular de pregas nos makis, nos ursos, felinos, caninos, etc.; enfim, para todas as famílias animais. Cada qual tem suas ca­racterísticas, sua norma, e em cada grupo podemos facilmente reunir as espécies pela só confrontação das túnicas cerebrais".
Parece que o pensamento é proporcional ao número e à irregularidade das circunvoluções. O homem, o orangotango e o chimpanzé, têm circun­voluções no lobo médio, ao passo que nas outras espécies de macacos e nos outros animais esse lobo é absolutamente liso.
A figura desses sulcos e dos que descrevem meandros irregulares nos outros lobos, é tanto mais irregular, quanto mais caracterizado o pensamento. Os animais gregários como a foca, os elefantes,, cavalos, renas, carneiros, golfinhos, apresentam um desenho menos regular que o dos mtros animais. Deste ponto de vista, o que sobr ítudo distingue o cérebro humano do simiesco, é qi e, entre as cir-cunvoluões que se dirigem do lobc occipital para o temporal, duas há, no homem, ue não se en­contram no macaco, sendo este u n dos maiores contrastes que separam os dois cér ibros (47).
Nas espécies animais e na huirana, a superio­ridade da inteligência parece tantc mais elevada, quanto mais sinuosas sejam as anf:-atuosidades do cérebro, mais profundos os sulcos < mais numero­sas as impressões e ramificações, a assimetria e irregularidade. As estrias, muito v síveis no cére­bro do adulto, não se evidenciam 10 da criança. O cérebro de Beethoven apresentav i anfratuosida-des duplamente mais profundas q ic os cérebros comuns (48).
Poderão alguns anatomistas responder que grandes animais muito broncos, taiu como o asno, o carneiro, o boi, apresentam ma or número de circunvoluções que animais de ma:or inteligência quais o cão, o castor, o gato. Mas é preciso não esquecer os matemáticos e considen r que os volu­mes são, entre eles, como os cubos ios diâmetros; ao passo que as superfícies são co no os quadra­dos entre si. O volume do corpo que aumenta, cres­ce mais rapidamente que a sua super ície. Baseemo--nos num exemplo: uma esfera, con 2 metros de diâmetro, mede 12m,566 de superfíc e e 4m,188 de volume; uma esfera de 3 metros de diâmetro mede 28m,275 de superfície e 14n>,: 13 de volume. O volume do cérebro do tigre está para o seu corpo na mesma razão que o do gato;mas a perfície é proporcionalmente menor e, para atingir um igual desenvolvimento, é preciso que ela se re­traia e se enrole.
Estas circunvoluções têm, sem dúvida, a sua importância, mas era natural se imaginasse que o peso comparativo do cérebro das diferentes es­pécies deve ter não menor importância, e que as suas variantes na espécie humana devem ser toma­das em consideração.
De fato, parece que os seus efeitos estejam em proporção com a massa. Assim é que, na crian­ça e no velho, ele é menor que no homem maduro. A alma da criança como que se desenvolve, à me­dida que aumenta a substância cerebral.
O peso normal de um cérebro humano é de três a três meia libras (49)
O peso do cérebro dos cretinos desce, por ve­zes, a uma libra (453 gramas) .
O de Cuvier pesava mais de 4 libras.
O tamanho, a forma, o arranjo da composição do cérebro, são também invocados pêlos anatomis­tas como correlates à inteligência. (..)

 

(..) Proclamar que não há no homem mais que um produto da matéria, assimilá-lo a um composto químico e deduzir que o pensamento é uma produção química de certas combinações materiais, é um erro monstruoso. Todos sabemos que o pensamento não é ingrediente de oficina. Espírito e matéria são entidades tão estranhas uma à outra, que, todas as línguas, de todos os tempos, sempre as conceituaram diametralmente opostas.

As leis e forças espirituais existem independentemente das corporais. A força de vontade é bem distinta da força muscular. A ambição difere da fome, o desejo distingue-se da sede. Onde encontrareis as leis morais que regem a consciência? Que o crânio caucásico seja oval, o mongol redondo e o negro alongado, em que é que o sentir humano se associa às fibras granulares ou cilíndricas? Que têm de comum as noções de justo e injusto com o ácido carbônico? em que um triângulo, um círculo, um quadrado, podem afetar a bondade, a generosidade, a coragem?

Seria justo dizer que Cronwell tinha 2,231, Byron 2,238 e Cuvier 1,829 gramas de inteligência, por serem tais os pesos de seu cérebro? Na verdade, quando se procura sondar o assunto a fundo, fica-se admirado de ver que homens de pensamento tenham chegado a confundir num só objeto o mundo espiritual e o material. Também perguntamos se esses experimentalistas aprofundaram bem o sentido de suas palavras ao anunciarem proposições tais como as basilares de suas doutrinas:

— Todas as faculdades que denominamos atri­butos da alma não passam de funções da substância cerebral. Os pensamentos estão para o cérebro, mais ou menos como a bílis para o fígado e a urina para os rins — A secreção do fígado, dos rins — diz outro escritor que não ousa atingir inteiramente a mes­ma comparação — verifica-se à nossa revelia e produz uma matéria palpável, ao passo que a ati-vidade cerebral não se pode verificar sem a cons­ciência integral e esta não segrega substância, mas forças.

Que vem a ser segregar forças? Picaríamos gratos a quem nô-lo explicasse. Porque não segregar horas ou quilómetros? Mas, ouçamos ainda:— O que denominamos quantidade consciencial, é determinado pelos elementos constitutivos do sangue. Uma prova de que a produção de forças mentais depende diretamente de permutas químicas, está em que os produtos usados pelo sangue, e filtrados nos rins, variam segundo a natureza do trabalho cerebral.

— O pensamento é um dinamismo da matéria. Movimentos materiais, ligados nos nervos a correntes elétricas, são percebidos no cérebro como sensação e esta sensação é o conhecimento de si mesmo, é a consciência. A vontade é a expressão necessária de um estado do cérebro, produzida por influências exteriores. Não há livre arbítrio. (Moleschott — "Kreislaf dês Lebens", H, 156, 181.)
— A mesma relação existe (segundo Huschke) entre o pensamento e as vibrações elétricas dos filamentos do cérebro, qual a da cor com as vibrações do éter.— O pensamento é uma secreção do cérebro, já o dissera Cabanis há mais de meio século.— Todos os atos humanos são frutos fatais da substância cerebral, afirmava Taine ainda há pouco; vício e virtude valem por vitríolo e açúcar.

A estas, juntaremos uma última proposição, que parece formulada para explicar todas as outras: é a de Nicole, quando assevera justamente que as maiores tolices encontram sempre inteligências a elas proporcionadas. Kant tivera a lembrança de substituir a realidade do mundo exterior pelas idéias puramente subjetivas do espírito, e em compensação o autor de Koerper und Geist, Sr. H. Scheffler, ensaia explicar a gênese do espírito pela matéria. Não! lhe citaremos o processo, um tanto trabalhado, mas o testemunho crítico que lhe concedeu o defensor atual do animismo, Sr. Tissot. "Nesta hipótese — di-lo este — é uma força da matéria, não uma simples força, mas uma resultante das forças simples da matéria, reunidas para (quanto mistério nestas duas palavras!) formar o organismo humano. (..)

14 - Estude e viva - Emmanuel e André Luiz - pág. 128, 200

Na hora da crítica
Salientamos a necessidade de moderação e equilíbrio, ante os momentos menos felizes dos ou­tros; no entanto, há ocasiões em que as baterias da crítica estão assestadas contra nós.
Junto de amigos quanto de opositores, ouvi­mos objurgatórias e reprimendas e, não raro, tom­bamos mentalmente em revolta ou depressão.
Azedume e abatimento, porém, nada efetuam de construtivo. Em qualquer dificuldade, irrita­ção ou desânimo apenas obscurecem situações ou complicam problemas.
Atingidos por acusação e censura, convém es­tabelecer minucioso auto-exame. Articulemos o in­tervalo preciso, em nossas atividades, a fim de orar e refletir, vasculhando o imo da própria alma. Analisemos, sem a mínima compaixão por nós mes­mos, todos os acontecimentos que nos ditam a orien­tação e a conduta, sopesando fatos e desígnios que motivaram as advertências em lide, com rigorosa sinceridade. Se o foro íntimo nos aponta falhas de nosso lado, tenhamos suficiente coragem a fim de repará-las, seja solicitando desculpas aos ofendidos ou dilingenciando meios de sanar os prejuízos de que sejamos causadores.

Entanto, se nos indentificamos atentos ao dever que a vida nos atribui, que a se intenção e comportamento nos deixam seguros quanto ao caminho exato que estamos trilhando em proveito geral e não em exclusivo proveito próprio, saibamos acomodar-nos à paz e à conformidade. E, embora reclamação e tumulto nos cerquem, prossigamos adiante, na execução do trabalho que nos compete, sem desespero, e sem mágoa, convencidos de que, acima do conforto e sermos imediatamente compreendidos, vige a tranquilidade da consciência, no cumprimento de nossas obrigações


Três conclusões
O tempo concedido ao Espírito para uma encarnação, por mais longo, é sempre curto, comparado ao serviço que somos chamado! Importante, assim, o aproveitamento das horas. Meditemos no gasto excessivo de forças em que nos empenhamos levianamente no trato com assuntos da repartição de outrem. Quantos milhares de minutos e de frases esbanjamos por década, sem a mínima utilidade ventilando temas e questões que não nos dizem respeito? Para conjurar essa perda inútil, reflitamos em três conclusões de interesse fundamental.

O que os outros pensam — Aquilo que os outros pensam é idéia deles. Não podemos usufruir-Ihes a cabeça para imprimir-lhes as interpretações que são capazes diante da vida. Um indígena e um físico contemplam a luz, mantendo conceitos absolutamente antagônicos entre si.

Acontece o mesmo na vida moral. Precisamos nutrir o cérebro de pensamentos limpos, mas não está em nosso poder exigir que os semelhantes pensem como nós.

O que os outros falam
— A palavra dos amigos e adversários, dos conhecidos e desconhecidos, é criação verbal que lhes pertence.
Expressam-se como podem e comentam as ocorrências do dia-a-dia com os sentimentos dignos ou menos dignos de que são portadores. Efetivamente, é dever nosso cultivar a conversação criteriosa; contudo, não dispomos de meios para interferir na manifestação pessoal dos entes que nos cercam, por mais caros nos sejam.

O que os outros fazem
— A atividade dos nossos irmãos é fruto de escolha e resolução que lhes cabe. Sabemos que a Sabedoria Divina não nos criou para cópias uns dos outros. Cada consciência é domínio à parte. As criaturas que nos rodeiam decerto que agem com excelentes intenções, nessa ou naquela esfera de trabalho, e, se ainda não conseguem compreen­der o mérito da sinceridade e do serviço ao próximo, isso é problema que lhes compete e não a nós.

Fácil deduzir que não podemos fugir da ação nobilitante, a benefício de nós mesmos, mas não nos compete impor nas decisões alheias, que o próprio Criador deixa livres. À vista disso, cooperemos com os outros e recebamos dos outros o auxílio de que carecemos, acatando a todos, mas sem que possam pensar, falar e fazer. Em suma, respeito para os outros e obrigação para nós.

Ambiente espiritual
Há, sem dúvida, uma tarefa especial, particu­larmente destinada aos espíritas, à margem das obrigações que lhes são peculiares: a formação de ambiente adequado ao trabalho edificante dos Bons Espíritos. Conscientes de que somos sustentados por legiões de instrutores, domiciliados em planos sublimes, e informados de que eles se propõem amparar a Humanidade, será justo relegar tão-somente a médiuns e fenômenos a cooperação com eles? Aliás, é necessário considerar que a mediunidade deve ser laboriosamente burilada, a fim de refleti-los, e que os fenómenos quase sempre se perdem na cinza da dúvida ou na corrente tumultuaria da discussão.

Todos nós estamos convocados a colaborar com os Mensageiros do Senhor, notadamente no sentido de preparar-lhes ambiente favorável à manifestação . Para isso, principiemos pol banir do cérebro toda idéia de crueldade, violência, pessimismo, azedume. .. Diante de qualquer pessoa, sintamo-nos à frente de criatura irmã que aguarda de nossa parte o amor com que fomos quinhoados pela Providência Divina.

No repouso ou na atividade no lar ou na via pública, atendamos à harmonizacão e à serenidade. Conversando, evitemos imagens de irritação ou maledicência. Fujamos de repisar comentários em torno de escândalos e crimes, detendo-nos em casos escabrosos apenas o tempo imprescindível ao esclarecimento da verdade, sem converter a sinceridade em botija de fel. Comuniquemos alegria e confiança aos que convivem conosco. Tenhamos a coragem de praticar o bem que apregoamos, buscando com diligência a ocasião de servir.

Se surge o impositivo de alguma retificação, em nosso círculo de trabalho, coloquemo-nos no lugar do corrigido para que a brandura nos aconselhe, e, doando algo, situemo-nos na posição de quem recebe, para que a vaidadade não se nos insinue na plantação de solidariedade.

É forçoso recordar, sobretudo, que os alicerces de qualquer ambiente espiritual começam nas forças do pensamento.
Todos nós, os desencarnadosfe encarnados que nos vinculamos à seara espírita cristã, contamos com o apoio dos Instrutores da Vida Maior. Isso é mais que natural, ante as necessidades que nos assinalam a senda, mas não nos será lícito esquecer que eles também esperam por nosso auxílio, a fim de que possam mais amplamente auxiliar.

Influenciações espirituais sutis
Sempre que você experimente um estado de espírito tendente ao derrotismo, perdurando há várias horas, sem causa orgânica ou moral de destaque, avente a hipótese de uma influeneiação espiritual sutil. Seja claro consigo para auxiliar os Mentores Espirituais a socorrer você. Essa é a verdadeira ocasião da humildade, da prece, do passe. Dentre os fatores que mais revelam essa condição da alma, incluem-se:

— dificuldade de concentrar idéias em motivos otimistas;
— ausência de ambiente íntimo para elevar os sentimentos em oração ou concentrar-se em leitura edificante;
— indisposição inexplicável, tristeza sem razão aparente e pressentimentos de desastre imediato;
— aborrecimentos imanifestos por não encontrar semelhantes ou assuntos sobre quem ou o que descarregá-los;
— pessimismos sub-reptícios, irritações surdas. queixas, exageros de sensibilidade e aptidão a condenar quem não tem culpa;
— interpretação forçada de fatos e atitudes suas ou dos outros, que você sabe não corresponder à realidade;
— hiperemotividade ou depressão raiando na iminência de pranto;
— ânsia de investir-se no papel de vítima ou de tomar uma posição absurda de automartírio;
— teimosia em não aceitar, para você mesmo, que haja influenciação espiritual consigo, mas, passados minutos ou horas do acontecimento, vêm-lhe a mudança de impulsos, o arrependimento, a recomposição do tom mental e, não raro, a constatação de que é tarde para desfazer o erro consumado.

São sempre acompanhamentos discretos e eventuais por parte do desencarnado e imperceptíveis ao encarnado pela finura do processo. O Espírito responsável pode estar tão inconsciente de seus atos que os efeitos negativos se fazem sentir como se fossem desenvolvidos pela própria pessoa. Quando o influenciador é consciente, a ocorrência é preparada com antecedência e meticulosidade, às vezes, dias e semanas antes do sorrateiro assalto, marcado para a oportunidade de encontro em perspectiva, conversação, recebimento de carta, clímax de negócio ou crise imprevista de serviço.

Não se sabe o que tem causado maior dano à Humanidade: se as obsessões espetactilares, individuais e coletivas, que todos percebem e ajudam a desfazer ou isolar, ou se essas meio-obsessões de quase-obsidiados, despercebidas, contudo bem mais frequentes, que minam as energias de uma só criatura incauta, mas influenciando o roteiro de legiões de outras. Quantas desavenças, separações e fracassos não surgem assim ? Estude em sua existência se nessa última quinzena você não esteve em alguma circunstância com características de influeneiação espiritual sutil. Estude e ajude a você mesmo.

35 - PENSAMENTO E VONTADE - ERNESTO BOZZANO - TODA A OBRA

AS FORÇAS IDEOPLÁSTICAS

Nada mais importante para a pesquisa científica e a especulação filosófica, do que a demonstração apoiada em fatos, da seguinte proposição: - pode um fenômeno psicológico transformar-se em fisiológico; o pensamento pode fotografar-se e concretizar-se em materialização plástica, tanto quanto criar um organismo vivo. De outro modo falando, nada é tão importante para a Ciências e para a Filosofia, como averiguar que a "força do pensamento e a vontade" são elementos plásticos e organizadores.

Efetivamente, a evidência de tal fato coloca o investigador diante de um ato criador, legítimo quão verdadeiro, que o leva, consequentemente, a identificar a individualidade humana, pensante, com a Potência primordial, que tem no Universo a sua realização. Grandiosa concepção esta, do Supremo Ser, que me reservo para desenvolvermais de espaço e oportunidade. Antes de tudo, a propósito advertir que a idéia de um pensamento e de uma vontade, substanciais e objetiváveis, não é nova.

Os filósofos alquimistas dos séculos XVI e XVII, Vanini, Agrippa, Van Helmont, já atribuíam ao magnetismo emitido pela vontade o resultado de seus amuletos e encantamentos. O desejo realiza-se na idéia, disse-o Van-Helmont -, idéia que não é vã, mas uma idéia-força, que realiza o encantamento.

Aí temos, pois, já formulada com três séculos de antecedência, a famosa teoria de Fouillée sobre as "IDÉIAS-FORÇAS", e de maneira até mais completa, de vez que admitindo a objetivação. Van-Helmont chegou mesmo a formular nitidamente a teoria das "formas-pensamento", da ideoplastia, da força organizadora; ao demais, atribuindo-lhes existência efêmera, porém, ativa. É assim que, escreve ele:

"O que denomino ESPIRITO DO MAGNETISMO, não são espíritos que nos venham do céu e muito menos do inferno, mas provenientes de um princípio inerente à criatura humana, tal como a faísca que da pedra se desprende. Graças à vontade, o organismo também pode desprender uma pequena parcela de ESPÍRITOS que reveste forma determinada, transformando-se em SER IDEAL. A partir desse momento, esse ESPÍRITO VITAL se torna em coisa como que intermediária do ser corpóreo e dos seres incorpóreos. Assim, é que pode locomover-se à vontade, não mais submisso às limitações de tempo e espaço.

Mas, não se veja em tudo isso a consequência de poderes demoníacos, quando apenas se trata de uma faculdade espiritual do homem, a ele estreitamente ligada. Até aqui, hesitei no revelar ao mundo este grande mistério, graças ao qual fica o homem sabendo que tem ao alcance da mão uma energia obediente À VONTADE, ligada ao seu potencial imaginativo, capaz de atuar exteriormente e influir sobre pessoas distantes, muito distantes mesmo".

Convém insistir nesta circunstância, a saber: que as afirmativas de Van-Helmont a respeito das propriedades objetiváveis do pensamento e da vontade não eram meramente intuitivas, mas fundadas na observação de fenômeno incontestes, aos quais muitas vezes assistiam esses pioneiros do ocultismo, posto que maturados não fôssem os tempos para interpretar devidamente o que empiricamente constantavam.

Também não é menos verdade que, entre os alquimistas de há três séculos, encontramos já devidamente formuladas as propriedades dinâmicas do pensamento e da vontade, propriedades que, em nossos dias, apenas começamos a estudar com métodos rigorosamente científicos. Resta-me agora, prevenir os meus leitores de que os materiais, por mim recolhidos a propósito, são tão abundantes que um grande volume se me importa para desenvolver o assunto de modo completo.

Vejo-me destarte, obrigado a apresentar um resumo substancial de cada uma das categorias em que se subdivide o tema. A primeira dessas categorias é de todos familiar e por isso limitarei a esflorá-la concisamente. Refiro-me às provas de natureza indutiva, que as experiências de sugestão hipnótica podem fornecer, a prol da hipótese de um pensamento objetivável. Apenas, para bem elucidar o assunto, suponho necessário precedê-lo de algumas noções gerais, quanto à significação que devemos ligar ao vocabulário "imagens" do ponto de vista psicológico.

Denominamos IDÉIAS ou IMAGEM, à lembrança de uma ou de muitas sensações, simples ou associadas. Todo e qualquer pensamento não é mais que um fenômeno de memória, que se resume no despertar ou no reproduzir de uma sensação anteriormente percebido. Existem tantos agregados de imagens, quantos os sentidos que possuímos. Assim, temos grupos de imagens visuais, auditivas, táteis, olfativas, gustativas, motrizes, etc... Aí temos imagens que, ao mesmo tempo que as sensações, constituem a matéria prima de todas as operações intelectuais.

Memória, raciocínio, imaginação, são fenômenos psíquicos que, em última análise, consistem no grupar e coordenar imagens, em lhes apreender as conexões, constituídas, a fim de as retocar e agrupar em novas correlações, mais ou menos originais ou complexas, segundo a maior ou menor potência intelectual dos indivíduos. Taine disse: "Assim como o corpo é um polipeiro de células, assim o espírito é um polipeiro de imagens".

Pensava-se outrora que as idéias não tinham correlativo fisiológico, isto é, que um substrato físico não lhes foram necessário para manifestarem-se no meio físico. Hoje, pelo contrário, está provado que as idéias ocupam no cérebro as mesmas localizações das sensações. Noutros termos: está provado não ser o pensamento senão uma sensação renascente de modo espontâneo, e que, portanto, ele - o pensamento - é de natureza mais simples e mais fraca que a impressão primitiva, ainda que capaz de adquirir, em condições especiais, uma intensidade suficiente para provocar a ilusão objetiva daquilo com que sonhamos.

Mas, o pensamento não é unicamente a ressurreição de sensações anteriores: a faculdade imaginativa domina o homem; é graças a ela que as imagens se combinam entre si, a fim de criarem outras imagens. Por ai se prova existir na inteligência uma iniciativa individual própria, assim como relativa liberdade em face dos resultados da experiência. E isto devido a duas faculdades outras, superiores, da inteligência: - abstração e comparação. Segue-se que a imaginação, a abstração e a comparação dominam as manifestações do espírito, delas decorrendo todos os inventos e descobertas, inspirações e criações do gênio.

Isto posto, notarei que um primeiro índice da natureza objetivável das imagens se depara na maneira como se comportam elas nas manifestações do pensamento. Subentendido fica que nos estribamos nos conhecimentos novos sobre o assunto, os quais levam a modificar o ponto de vista até agora mantido, quanto aos modos funcionais da inteligência. Sem estes conhecimentos oriundos das investigações metapsíquicas, não poderíamos, certamente, atribuir aos diversos modismos funcionais, que realizam as imagens, tanto na vigília como no sono natural, a significação que, entretanto, de direito lhe conferimos. (...)

36 - TEMAS DA VIDA E DA MORTE - MANOEL P. DE MIRANDA- PÁG. 31, 35

PENSAMENTO E EMOÇÕES:
As emoções constituem capítulo da vida humana, que prossegue merecendo acuradas reflexões, de modo a canalizá-las com a segurança e eficiência indispensáveis aos resultados salutares para os quais se encontram na organização fisiopsíquica de cada criatura. Refletindo o estado espiritual em que transitam os homens, invariavelmente manifestam-se em desgoverno levando a paroxismos e desajustes de demorada regularização.

Dirigindo o comportamento, fazem que se transite de uma para outra com sofreguidão, em ânsia contínua, que termina por exaurir aquele que se lhes submetem sem o controle necessário. Estimulando o egoísmo, impõem a satisfação pessoal sob os altos custos da inquietação e da insegurança íntima, em face dos novos desejos de gozos insaciáveis, que terminam por constituir característica predominante da conduta individual.

Essa busca irrefreável do prazer, que se torna dependência viciosa, fomenta gozos que depois, invariavelmente, se convertem em dores. Entre as mais desgastantes, assume preponderância a ansiedade, que parece imprescindível à vida, qual ocorre com o sal para o paladar de inúmeros alimentos. Pessoas há que não passam sem os condicionamentos das emoções, vivificando a ansiedade que as consome em flamas de angústia.

Mal terminam de lograr a meta perseguida e já se encontram, sôfregas, em batalhas por novas conquistas, transferindo-se de uma realização para novo desejo, com verdadeira volúpia incontrolada. As emoções alimentam-se naqueles que as agasalham e se lhes adaptam aos impositivos caprichosos. Comparemo-las a uma vela cuja finalidade é iluminar. Para o mister, ela gasta combustível, como é fenômeno natural. Preservada para os fins, oferece luz por período largo; no entanto, deixada na direção do ar canalizado, apressa o próprio consumo, e, acesa nas duas extremidades, mais rapidamente se acaba.

Assim também as emoções, que têm finalidade superior, no campo da vida; quando não se submetem à disciplina, exigem carga dupla da energia na qual se sustentam, culminando por destruir a sua fonte geradora. O pensamento, porém, é o agente que as pode conduzir com a proficiência desejada, orientando-as com equilíbrio, a fim de que o rendimento seja positivo, capitalizando valores que merecem armazenados no processo iluminativo para a execução das tarefas nobres.

Esse esforço propicia autoconfiança, harmonia íntima, gerando bem-estar pessoal, que extrapola a área da individualidade e se irradia beneficiando em derredor. Ninguém pode bloquear as emoções ou viver sem elas. Intentar ignorá-las ou pretender esmagá-las é empreendimento inócuo, senão negativo. Toda emoção ou desejo recalcado reaparece com maior vigor, em momentos imprevistos.
Substituir os interesses negativos e viciosos, por outros de caráter mais gratificante quão duradouro, é o primeiro passo, nessa luta de renovação moral e educação emocional.

Porque o pensamento atua no fluido que a tudo envolve, pelo seu teor vibratório produz natural sintonia com as diversas faixas nas quais se movimentam os Espíritos, na esfera física ou na Erraticidade, estabelecendo vínculos que se estreitam em razão da intensidade mantida. Essa energia fluídica, recebendo a vibração mental, assimila o seu conteúdo emocional e transforma-se, de acordo com as moléculas absorvidas, criando uma psicosfera sadia ou enfermiça em volta daquele que a emite e passa a aspirá-la, experimentando o seu efeito conforme a qualidade de que se constitui.

Quando o episódio é de largo trato e o seu teor é pernicioso, culmina por afetar a organização física ou psíquica do agente desencadeador, dando acesso a processos viróticos, psicopatológicos, degenerativos em geral, obsessivos... A tudo envolvendo, essa força é neutra em si mesma; todavia, maleável e receptiva, altera a sua constituição de acordo com os elementos mentais que a interpenetram. Ao pensamento disciplinado, portanto, cabe a árdua tarefa de educar as emoções, gerando fatores de saúde, que contribuem para a harmonia interior, dando margem ao surgimento de fenômenos de paz e confiança.

A ansiedade, responsável pela instabilidade comportamental e pelo humor, cede lugar, quando a fé comanda a onda mental que se dirige a Deus e se afina com as vibrações-resposta do Pensamento Divino. Outro valioso auxiliar para a empresa, é a meditação, que aprofunda os interesses e as aspirações nas realidades metafísicas, eliminando, a pouco e pouco, as impressões mais fortes das sensações primitivas, que normalmente se sobrepõem às emoções, desarticulando-às.

Pensando, o Espírito estabelece o clima no qual se desenvolve e de cuja energia se nutre. Conforme fixe o pensamento, edifica ou destrói, passando de autor a vítima das próprias maquinações. Pelas afinidades de ondas mentais e interesses emocionais, reúnem-se os seres, que elaboram o habitat no qual se demoram.

A direção correta e constante do pensamento esclarecido, que conhece as causas e finalidades da vida, realiza o controle das emoções, tornando os indivíduos nobres e equilibrados, que não se transtornam diante de provocações, nem se apaixonam ante as sensações, ou se descompensam enfrentando o sofrimento. A amargura e a ansiedade não os sitiam, mesmo que, de passagem, deixem ligeiros sinais que a potente luz do amor real e da certeza da fatalidade feliz do bem faz que desapareçam.

PENSAMENTO E PERISPÍRITO:
Portador de expressiva capacidade plasmadora, o perispírito registra todas as ações do Espírito através dos mecanismos sutis da mente que sobre ele age, estabelecendo os futuros parâmetros de comportamento, que serão fixados por automatismos vibratórios nas reencarnações porvindouras. CORPO INTERMEDIÁRIO, entre o ser pensante, eterno (imortal), e os equipamentos físicos, transitórios, por ele se processam as imposições da mente sobre a matéria e os efeitos dela em retorno à causa geratriz.

Captando o impulso do pensamento e computando a resposta da ação, a ele se incorporam os fenômenos da conduta atual do homem, assim programando os sucessos porvindouros, mediante os quais serão aprimoradas as conquistas, corrigidas os erros e reparados os danos destes últimos derivados. Constituído por campos de forças mui especiais, ele irradia vibrações específicas portadoras de carga própria, que facultam a perfeita sintonia com energias semelhantes, estabelecendo áreas de afinidade e repulsão de acordo com as ondas emitidas.

Assim, quando por ocasião da reencarnação o Espírito é encaminhado por necessidade evolutiva aos futuros genitores, no momento da fecundação o gameta masculino vitorioso esteve impulsionado pela energia do perispírito do reencarnante, que naquele espermatozóide encontrou os fatores genéticos de que necessitava para a programática a que se deve submeter. A partir desse momento, os códigos genéticos da hereditariedade, em consonância com o conteúdo vibratório dos registos perispirituais, Vão organizando o corpo que o Espírito habitará.

Como é certo que, em casos especiais, há toda uma elaboração de programa para o reencarnante, na generalidade, os automatismos vibratórios das Leis de Causalidade respondem pela ocorrência, que jamais tem lugar ao acaso. Todo elemento irradia vibrações que lhe tipificam a espécie e respondem pela sua constituição. Espermatozóides e óvulos, em consequência, possuem campo de força específico, que propele os primeiros para o encontro com os últimos, facultando o surgimento da célula ovo.

Por sua vez, cada gameta exterioriza ondas que correspondem à sua fatalidade biológica, na programação genética de que se faz portador. Desse modo, o perispírito do reencarnante sincroniza com a vibração do espermatozóide que possui a mesma carga vibratória, sobre ele incidindo e passando a plasmar no óvulo fecundado o corpo compatível com as necessidades evolutivas, como decorrência das catalogadas ações pretéritas. Equilíbrio da forma ou anomalia, habilidades e destreza, ou incapacidade, inteligência, memória e lucidez, ou imbecilidade, atraso mental, oligofrenia serão estabelecidos desde já pela incidência das conquistas espirituais sobre o embrião em desenvolvimento.

Sem descartarmos a hereditariedade nos processos da reencarnação, o seu totalitarismo, conforme pretendem diversos estudiosos da Embriogenia e outras áreas da ciência, não tem razão de ser. Cada Espírito é legatário de si mesmo. Seus atos e sua vida anterior são os plasmadores da sua nova existência corporal, impondo os processos de reabilitação, quando em dívida, ou de felicidade, se em crédito, sob os critérios da Divina Justiça. Certamente, caracteres físicos, fisionômicos e até alguns comportamentais resultam das heranças genéticas e da convivência em família, jamais os de natureza psicológica que afetam o destino, ou de ordem fisiológica no mapa da evolução.

Saúde e enfermidade, beleza e feiúra, altura e pequenez, agilidade e retardamento, como outras expressões da vida física, procedem do Espírito que vem recompor e aumentar os valores bem ou mal utilizados nas existências pretéritas. Além desses, os comportamentos e as manifestações mentais, sexuais, emocionais decorrem dos atos perpetrados antes e que a reencarnação traz de volta para a indispensável canalização em favor do progresso de cada ser. As alienações, os conflitos e traumas, as doenças congênitas, as deformidades físicas e degenerativas, assim como as condições morais, sociais e econômicas, são capítulos dos mecanismos espirituais, nunca heranças familiares, qual se a vida estivesse sob injunções do absurdo e da inconsequência.

A aparente hereditariedade compulsória, assim como a injunção moral atuante em determinado indivíduo, fazendo recordar algum ancestral, explica-se em razão de ser aquele mesmo Espírito, ora renascido no clã, para dar prosseguimento a realizações que ficaram incompletas ou refazer as que foram perniciosas. Motivo este que libera "o filho de pagar pelos pais" ou avós, o que constituiria, se verdadeiro, uma terrível e arbitrária imposição da Justiça que, mesmo na Terra, tem código penalógico mais equilibrado.

Os pensamentos largamente cultivados levam o indivíduo a ações inesperadas, como decorrência da adaptação mental que se permitiu. Desencadeada a ação, os efeitos serão incorporados ao modus vivendi posterior da criatura. E mesmo quando não se convertem em atitudes e realizações por falta de oportunidade, aquelas aspirações mentais, vividas em clima interior, apresentam-se como formas e fantasmas que terão de ser diluídos por meio de reagentes de diferente ordem, para que se restabeleça o equilíbrio do conjunto espiritual.

Conforme a constância mental da idéia, aparece uma correspondente necessidade da emoção. Todos esses condicionamentos estabelecem o organograma físico, mental e moral da futura empresa reencarnacionista a que o Espírito se deve submeter, ante o fatalismo da evolução. O conjunto — Espírito ou mente, perispírito ou psicossoma e corpo ou soma — é tão entranhadamente conjugado da reencamação que, em qualquer período da existência, são articulados ou desfeitos sucessivos equipamentos que procedem da ação de um sobre o outro.

O Espírito aspira e o perispírito age sobre os implementos materiais, dando surgimento a respostas orgânicas ou a fatos que retornam à fonte original, como efeito da ação física que o mesmo corpo transfere para o ser eterno, concedendo-lhe crédito ou débito que se incorpora à economia da vida planetária. O mundo mental, das aspirações e ideais, é o grande agente modelador do mundo físico, orgânico. Conforme as propostas daquele, têm lugar as manifestações neste.

Assim se compreende porque a Terra é mundo de "PROVAS E EXPIAÇÕES", considerando-se que os Espíritos que nela habitam estagiam na sua grande generalidade em faixas iniciais, inferiores, portanto, da evolução. À medida que o ser evolve, melhores condições estatui para o próprio crescimento, dentro do mesmo critério da LEI DO PROGRESSO, que realiza com mais segurança os mecanismos de desenvolvimento, de acordo com as conquistas logradas.

Quanto mais adiantado um povo, mais fáceis e variados são-lhes os recursos para o seu avanço. O pensamento, desse modo, é o agente de grave significado no processo natural da vida, representando o grau de elevação ou inferioridade do Espírito, que, mediante o seu psicossoma ou órgão intermediário, plasma o que lhe é melhor e mais necessário para marchar no rumo da libertação.

LEMBRETE:

1° - (...) É a grande oficina ou laboratório da vida espiritual. Allan Kardec

2° - (..) no mundo espiritual pensamento constitui uma força criadora, por meio da qual todo Espírito existente no "plano astral" pode reproduzir em torno de si o meio de suas recordações. Ernesto Bozzano

3° - O veículo que conduz a prece até ao seu destinatário é o pensamento, o qual se irradia pelo infinito, através de ondulações mentais, à feição das transmissões radiofônicas ou de televisão, que, por meio das ondas eletromagnéticas, cortam o espaço a uma velocidade de 300.000 km por segundo. Rodolfo Caligaris

4° - (...) pensar é vibrar, é entrar em relação com o universo da qual nos pomos em sintonia com os planos da espiritualidade. Rodolfo Caligaris

5° - (...) é a própria essência do mundo espiritual, sendo a forma fluídica apenas o vestuário (...) Léon Denis

6° - O pensamento é uma radiação da mente espiritual, dotada de ponderabilidade e de propriedades quimioeletromagnéticas, constituída por partículas subdivisíveis, ou corpúsculos de natureza fluídica, configurando-se como matéria mental viva e plástica. Partindo da mente, que a elabora, essa radiação se difunde por todo o cosmo orgânico, primeiro através do centro coronário, espraiando-se depois pelo córtex cerebral e pelo sistema nervoso, para afinal atingir todas as células do organismo e projetar-se no exterior. Espírito Áureo

7° - O pensamento é força criadora. Ao influxo dessa força formam-se cenas, criam-se "quadros vivos", volta-se ao passado ou projeta-se no futuro, e, dependendo de sua carga emocional, são emitidas vibrações positivas ou negativas, boas ou más. Suely C. S.

8° - Pensamento é um atributo do Espírito. É uma reflexão, ou um processo mental, criado ou refletido de outrem. Abrange o que sentimos e o que compreendemos. É o resultado de uma operação mental, seja como fruto de um exame, ou de uma reflexão, na meditação ou na imaginação, a respeito de alguma coisa física ou metafísica. Juvanir B. de Souza

9° - O pensamento é, sem dúvida, força criadora de nossa própria alma e, por isto mesmo, é a continuação de nós mesmos. Através dele, atuamos no meio em que vivemos e agimos, estabelecendo o padrão de nossa influência, no bem ou no mal. André Luiz