PERDÃO
BIBLIOGRAFIA
01- A reencarnação na Bíblia - pág. 44 02 - Alerta - pág. 15
03 - Almas em desfile - pág. 163 (16) 04 - Antologia da Espiritualidade - pág. 35, 59
05 - As margens do Eufrates - pág. 199 06 - Ave Luz - pág. 218
07 - Boa Nova - pág. 68 (10) 08 - Catecismo Espírita - pág. 31 (14ª)
09 - Ceifa de Luz - pág. 21, 85 10 - Celeiro de Bênçãos - pág. 37, 81
11 - Chão de Flores - pág. 28, 53, 71 12 - Convites da vida - pág. 123
13 - Coragem - pág. 129 14 - Cristo espera por ti - pág. 278
15 - Depressão - pág. 131, 139

16 - Escrínio de Luz- pág. 113, 135

17 - Estude e Viva - pág. 157, 188 18 - Falando à Terra - pág. 197
19 - Florações Evangélicas - pág. 157 20 - Fonte Viva - pág. 303
21 - Jesus no Lar - pág. 151, 179 22 - Justiça Divina - pág. 79, 155
23 - Lázaro Redivivo - pág. 15 24 - Manual e Dic. Básico do Espiritismo - pág. 84
25 - Maria Dolores - pág. 101 26 - Na Seara do Mestre - pág. 172
27 - Nas pegadas do Mestre - pág. 37 28 - O Consolador - pág. 190
29 - O Espírito da Verdade - pág. 77, 115 30 - O Pensamento de Emmanuel - pág. 153
31 - Palavras de Vida Eterna - pág. 139 32 - Pérolas do Além - pág. 190
33 - Repositório de sabedoria - pág. 140 34 - Sintese de O Novo Testamento - pág. 64, 142
35 - Indulgência - pág. 42 36 - Refúgio - pág. 23
37 - Trevo de idéias - pág. 51 38 - Atitudes para vencer

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

PERDÃO– COMPILAÇÃO

02 - ALERTA - JOANNA DE ÂNGELIS - PÁG.1 - O PERDÃO DAS OFENSAS

O teu agressor, talvez noutra circunstância, levantará a voz em tua defesa. O teu adversário, possivelmente, em situação diferente, será o amigo que te distenderá a mão em socorro. O teu caluniador, quiçá, em posição diversa, virá em teu auxílio. O teu inimigo, certamente, passada a injunção de agora, ser-te-á devotado benfeitor. O teu acusador, superado o transe que o amargura, far-se-á o companheiro gentil da tua jornada. Perdoa-os, portanto, hoje que se voltaram contra tua pessoa, levantando dificuldades no caminho pelo qual avanças. Perdoa as suas ofensas sem impores quaisquer condições, sequer aclarando incompreensões e dirimindo equívocos. O perdão deve assentar-se no esquecimento da ofensa, no repúdio total ao mal, sem exigências.

Não sabes como se encontra aquele que se ergue para ferir-te, acusar-te. Ignoras como vive intimamente quem se fez inimigo revel. Desconheces a trama em que tombou o companheiro, a ponto de voltar-se contra ti. Ainda não experimentaste a dolorosa aflição que padece o outro - o que está contrário a ti e te flecha com petardos venenosos, amargurando-te as horas... É certo que nada justifica a atitude inimiga, a posição agressiva, a situação adversária. No entanto, se fosses ele, talvez agisses da mesma forma ou pior. Para evitar que isso te aconteça, exercita o perdão, preparando-te para não tombares na rampa por onde outros escorregaram..

Quem perdoa ofensas adquire paz e propicia paz. Quem esquece o mal de que foi vítima, vitaliza o bem de que necessita. Nunca te faças inimigo de ninguém, nem aceites o desafio dos que se te fazem inimigos, sintonizando na faixa deles. Se não conseguires superar a injunção penosa, que os teus inimigos criam, ora por eles e pensa neles com paz no coração. O inimigo é alguém que enfermou... Recorda de Jesus que, mesmo vítima indébita, perdoando, rogou ao Pai, que a todos perdoasse, porque, "eles não sabiam o que estavam a fazer".

07 - BOA NOVA - HUMBERTO DE CAMPOS - PÁG. 68 ÍTEM 10 - O PERDÃO

As primeiras peregrinações do Cristo e de seus discípulos, em torno do lago, haviam alcançado inolvidáveis triunfos. Eram doentes atribulados que agradeciam o alívio buscado ansiosamente; trabalhadores humildes que se enchiam de santas consolações ante as promessas divinas da Boa Nova. Aquelas atividades, entretanto, começaram a despertar a reação dos judeus rigoristas, que viam em Jesus um perigoso revolucionário. O amor que o profeta nazareno pregava vinha quebrar antigos princípios da lei judaica. Os senhores da terra observavam cuidadosamente as palestras dos escravos, que permutavam imenso júbilo, proveniente das esperanças num novo reino que não chegavam a compreender. Os mais egoístas pretendiam ver no profeta generoso um conspirador vulgar, que desejava levantar as iras populares contra a dominação de Herodes; outros presumiam na sua figura um feiticeiro incomum, que era preciso evitar.

Foi assim que a viagem do Mestre a Nazaré redundou numa excursão de grandes dificuldades, provocando de sua parte as observações quase amargas que se encontram no Evangelho, com respeito ao berço daqueles que o deveriam guardar no santuário do coração. Não foram poucos os adversários de suas idéias renovadoras que o precederam na cidade minúscula, buscando neutralizar-lhe a ação por meio de falsas notícias e desmoralizá-lo, argumentando com informações mal alinhavadas de alguns nazarenos. Jesus sentiu de perto a delicadeza da situação que se lhe criara com a primeira investida dos inimigos gratuitos de sua doutrina; mas, aproveitou todas as oportunidades para as melhores ilações na esfera do ensinamento.

No entanto, o mesmo não aconteceu a seus discípulos. Filipe e Simão Pedro chegaram a questionar seriamente com alguns senhores da região, trocando palavras ásperas, em torno das edificações do Messias. As gargalhadas irônicas, as apreciações menos dignas lhes acendiam no ânimo propósitos impulsivos de defesas apaixonadas. Não faltavam os que viam no Senhor um servo ativo do espírito do mal, um inimigo de Moisés, um assecla de príncipes desconhecidos, ou de traidores ao poder político de Ântipas. Tamanhas foram as discussões em Nazaré, que os seus reflexos nocivos se faziam sentir fortemente sobre toda a comunidade dos discípulos. Pedro e André advogavam a causa do Mestre com expressões incisivas e sinceras. Tiago aborrecia-se com a análise dos companheiros. Levi protestava, expressando o desejo de instituir debates públicos, de maneira a evidenciar-se a superioridade dos ensinos do Messias, em confronto com os velhos textos.

Jesus compreendeu os acontecimentos e, calmamente, ordenou a retirada, afastando-se da cidade com tranquilo sorriso. Não obstante a determinação e apesar do regresso a Cafarnaum, a maioria dos apóstolos prosseguiu em discussão, estranhando que o Mestre nada fizesse, reagindo contra as envenenadas insinuações a seu respeito.Daí a alguns dias, obedecendo às circunstâncias ocorrentes naquela situação, Pedro e Filipe procuraram avistar-se com o Senhor, ansiosos pela claridade dos seus ensinos.

— Mestre, chamaram-vos servo de Satanás e reagimos prontamente! — dizia Pedro, com sinceridade ingênua.
— Observávamos que por vós mesmo nunca oporíeis a contradita — ajuntava Filipe, convicto de haver prestado excelente serviço ao Mestre bem-amado — e por isso revidamos aos ataques com a maior força de nossas expressões.Não obstante o calor daquelas afirmativas, Jesus meditava com uma doce placidez no olhar profundo, enquanto os interlocutores o contemplavam, ansiando pela sua palavra de franqueza e de amor.Afinal, saindo de suas reflexões silenciosas, o Mestre interrogou:

— Acaso poderemos colher uvas nos espinheiros? De modo algum me empenharia em Nazaré numa contradita estéril aos meus opositores. Contudo, procurei ensinar que a melhor réplica é sempre a do nosso próprio trabalho, do esforço útil que nos seja possível. Nesse particular, não deixei de operar na minha esfera de ação, de modo a produzir resultados a nossa excursão à cidade vizinha, tornando-a proveitosa, sem desdenhar as palavras construtivas no instante oportuno. De que serviriam as longas discussões públicas, inçadas de doestos e zombarias? Ao termo de todas elas, teríamos apenas menores probabilidades para o triunfo glorioso do amor e maiores motivos para a separatividade e odiosas dissensões. Só devemos dizer aquilo que o coração pode testificar mediante atos sinceros, porque, de outra forma, as afirmações são simples ruído sonoro de uma caixa vazia.

— Mestre — atalhou Filipe, quase com mágoa —, a verdade é que a maioria de quantos compareceram às pregações de Nazaré falava mal de vós! — Mas, não será vaidade exigirmos que toda gente faça de nossa personalidade elevado conceito? — interrogou Jesus com energia e serenidade. — Nas ilusões que as criaturas da Terra inventaram para a sua própria vida, nem sempre constitui bom atestado da nossa conduta o falarem todos bem de nós, indistintamente. Agradar a todos é marchar pelo caminho largo, onde estão as mentiras da convenção. Servir a Deus é tarefa que deve estar acima de tudo e, por vezes, nesse serviço divino, é natural que desagrademos aos mesquinhos interesses humanos. Filipe, sabes de algum emissário de Deus que fosse bem apreciado no seu tempo? Todos os portadores da verdade do céu são incompreendidos de seus contemporâneos. Portanto, é indispensável consideremos que o conceito justo é respeitável, mas, antes dele, necessitamos obter a aprovação legítima da consciência, dentro de nossa lealdade para com Deus.

— Mestre — obtemperou Simão Pedro, a quem as explicações da hora calavam profundamente —, nos acontecimentos mais fortes da vida, não deveremos, então, utilizar as palavras enérgicas e justas? — Em toda circunstância, convém naturalmente que se diga o necessário, porém, é também imprescindível que não se perca tempo.Deixando transparecer que as elucidações não lhe satisfaziam plenamente, perguntou Filipe: — Senhor, vossos esclarecimentos são indiscutíveis; entretanto, preciso acrescentar que alguns dos companheiros se revelaram insuportáveis nessa viagem a Nazaré: uns me acusaram de brigão e desordeiro; outros, de mau entendedor de vossos ensinamentos. Se os próprios irmãos da comunidade apresentam essas falhas, como há de ser o futuro do Evangelho? O Mestre refletiu um momento e retrucou:

— Estas são perguntas que cada discípulo deve fazer a si mesmo. Mas, com respeito à comunidade, Filipe, pelo que me compete esclarecer, cumpre-me perguntar-te se já edificaste o reino de Deus no íntimo do teu espírito.— É verdade que ainda não — respondeu, hesitante, o apóstolo.— De dentro dessa realidade, podes observar que, se o nosso colégio fosse constituído de irmãos perfeitos, teria deixado de ser irrepreensível pela adesão de um amigo que ainda não houvesse conquistado a divina edificação.Ambos os discípulos compreenderam e se puseram a meditar, enquanto o Cristo continuava:

— O que é indispensável é nunca perdermos de vista o nosso próprio trabalho, sabendo perdoar com verdadeira espontaneidade de coração. Se nos labores da vida um companheiro nos parece insuportável, é possível que também algumas vezes sejamos considerados assim. Temos que perdoar aos adversários, trabalhar pelo bem dos dos nossos inimigos, auxiliar os que zombam da nossa fé.Nesse ponto de suas afirmativas, Pedro atalhou-o, dizendo:— Mas, para perdoar não deveremos aguardar que o inimigo se arrependa? E que fazer, na hipótese de o malfeitor assumir a atitude dos lobos sob a pele da ovelha?

— Pedro, o perdão não exclui a necessidade da vigilância, como o amor não prescinde da verdade. A paz é um património que cada coração está obrigado a defender, para bem trabalhar no serviço divino que lhe foi confiado. Se o nosso irmão se arrepende e procura o nosso auxílio fraterno, amparemo-lo com as energias que possamos despender; mas, em nenhuma circunstância cogites de saber se o teu irmão está arrependido. Esquece o mal e trabalha pelo bem. Quando ensinei que cada homem deve conciliar-se depressa com o adversário, busquei salientar que ninguém pode ir a Deus com um sentimento de odiosidade no coração. Não poderemos saber se o nosso adversário está disposto à conciliação; todavia, podemos garantir que nada se fará sem a nossa boa-vontade e pleno esquecimento dos males recebidos. Se o irmão infeliz se arrepender, estejamos sempre dispostos a ampará-lo e, a todo momento, precisamos e devemos olvidar o mal. Foi quando, então, fez Simão Pedro a sua célebre pergunta:

— "Senhor, quantas vezes pecará meu irmão contra mim, que lhe hei de perdoar? Será até sete vezes?" Jesus respondeu-lhe, calmamente:— Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Daí por diante, o Mestre sempre aproveitou as menores oportunidades para ensinar a necessidade do perdão recíproco, entre os homens, na obra sublime da redenção. Acusado de feiticeiro, de servo de Satanás, de conspirador, Jesus demonstrou, em todas as ocasiões, o máximo de boa-vontade para com os espíritos mais rasteiros de seu tempo. Sem desprezar a boa palavra, no instante oportuno, trabalhou a todas as horas pela vitória do amor, com o mais alto idealismo construtivo. E no dia inesquecível do Calvário, em frente dos seus perseguidores e verdugos, revelando aos homens ser indispensável a imediata conciliação entre o espírito e a harmonia da vida, foram estas as suas últimas palavras — "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem!..."

08 - CATECISMO ESPÍRITA - ELISEU RIGONATTI - PÁG. 28 14ª. LIÇÃO: O PERDÃO

Sejamos misericordiosos como é misericordioso Nosso Pai que está nos céus, ensinou-nos Jesus.
Ser misericordioso significa saber perdoar as ofensas que recebemos, o mal que nos fizerem, ou o prejuízo que nos causarem.
A mais bela coisa que podemos mostrar a Deus é nosso coração livre de ódios ou de qualquer ressentimento contra nossos irmãos.
Se alguém nos fizer alguma injustiça ou injúria, se não procederem bem para conosco, tenhamos a coragem necessária para perdoar e esquecer.

Repilamos com todas as forças de nosso espírito as ideias de ódio ou de vingança.
O ódio é um dos mais baixos sentimentos que um espírito pode abrigar.
Quem guarda ódio aparta-se da caridade e afasta-se do amor. O ódio leva à vingança que é um ato mesquinho e indigno.
Infeliz de quem odeia, infeliz de quem se vinga! Séculos de sofrimento, reencarnações dolorosas o esperam até que aprenda a transformar o ódio em amor e a vingança em perdão.

O perdão consiste em não tirarmos, nem por palavras nem por atos, a mais pequena desforra da pessoa que nos ofendeu; não guardar o menor rancor e esquecer completamente a má ação que nos fez. E se um dia o nosso ofensor precisar, devemos ser os primeiros a favorecê-lo.

Quem perdoa pratica a caridade duas vezes: uma vez para consigo mesmo porque fica com a consciência tranquila; e outra vez, para com seu próximo porque não o deixa ter pensamentos de ódio e lhe dá uma prova de amor.
Perdoando nós conquistamos amigos e livramo-nos de inimigos.

Devemos perdoar tantas vezes quantas formos ofendidos.
Pedro perguntou a Jesus quantas vezes deveríamos perdoar; seriam até sete vezes? Jesus respondeu: — Não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete vezes.

17 - ESTUDE E VIVA - EMMANUEL E ANDRÉ LUIZ - PÁG. 156, 157 - NO EXAME DO PERDÃO

Observemos o ensinamento do Cristo, acerca do perdão. Note-se que o Senhor afirma, convincente:
— «Se o vosso irmão agiu contra vós...» Isso quer dizer que Jesus principia considerando-nos na condição de pessoas ofendidas, incapazes de ofender; ensina-nos a compreender os semelhantes, crendo-nos seguros no trato fraternal. Nas menores questões de ressentimento, sujeitemo-nos a desapaixonado auto-exame.Quem sabe a reação surgida contra nós terá nascido de ações impensadas, desenvolvidas por nós mesmos ?

Se do balanço de consciência estivermos em débito para com os outros, tenhamos suficiente coragem de solicitar-lhes desculpas, diligenciando sanar a falta cometida e articulando serviço que nos evidencie o intuito de reparação. Se nos sentimos realmente feridos ou injustiçados, esqueçamos o mal. Na hipótese de o prejuízo alcançar-nos individualmente e tão-somente a nós, reconheçamo-nos igualmente falíveis e ofertemos aos nossos inimigos imediatas possibilidades de reajuste. Se, porém, o dano em que fomos envolvidos atinge a coletividade, cabendo à justiça e não a nós o julgamento do golpe verificado, é claro que não nos compete louvar a leviandade. Ainda assim, podemos reconciliar-nos com os nossos adversários, em espírito, orando por eles e amparando-os, por via indireta, a fim de que se valorizem para o bem geral nas tarefas que a vida lhes reservou.

De qualquer modo, evitemos estragar o pensamento com o vinagre do azedume. Nem sempre conseguimos jornadear, nas sendas terrestres, junto de todos, porquanto, até que venhamos a completar o nosso curso de autoburilamento no instituto da evolução universal, nem todos renasceremos simultaneamente numa só família e nem lograremos habitar a mesma casa.

Sigamos, assim, de nossa parte, vida afora, em harmonia com todos, embora não possamos a todos aprovar, entendendo e auxiliando, desinteressadamente, aqueles diante dos quais ainda não possuímos o dom de agradar em pessoa, e rogando a Bênção Divina para aqueles outros junto de quem não nos será lícito apoiar a delinquência ou incen­tivar a perturbação.
Memorandos:

— A balança do bem não tem cópia.— A vontade adoece, mas nunca morre. - Quem compensa mal com mal, atinge males maiores.
- O amor real transpira imparcialidade. - O sofrimento acorda o dever. - O remédio excessivo faz-se veneno.
- Somos todos familiares de Jesus. - Nenhum enfeite disfarça a culpa. - A vida não cansa o coração humilde.
- Toda convicção merece respeito. - Só a consciência tranquila dá sono calmo. - Emoções e idéias não existem a sós.
- Mediunidade, na essência, é cooperação mútua. - Para o cristão não existem dores alheias, porque as dores da coletividade pertence a ele próprio.
- Do erro nasce a correção. - Lábios vigilantes não alerdeiam vantagens. - A caridade é o pensamento vido do Evangelho.

19 - FLORAÇÕES EVANGÉLICAS - JOANA DE ÂNGELIS- PÁG. 157

PERDOAR

Sim, deves perdoar ! Perdoar e esquecer a ofensa que te colheu de surpresa, quase dilacerando a tua paz. Afinal, o teu opositor não desejou ferir-te realmente e, se o fez com essa intenção, perdoa ainda, perdoa-o com maior dose de compaixão e amor. Ele deve estar enfermo, credor, portanto, da misericórdia do perdão.

Ante a tua aflição, talvez ele sorria. A insanidade se apresenta em face múltipla e uma delas é a impiedade, outra o sarcasmo, podendo revestir-se de aspectos muito diversos.

Se ele agiu cruciado pela ira, sacando as armas da calúnia e da agressão, foi vitimado por cilada infeliz da qual poderá sair desequilibrado ou comprometido organicamente. Possivelmente, não irá perceber esse problema, senão mais tarde.

Quando te ofendeu deliberadamente, conduzindo o teu nome e o teu caráter ao descrédito, em verdade se desacreditou ele mesmo. Continuas o que és e não o que ele disse a teu respeito.

Conquanto justifique manter a animosidade contra a tua pessoa, evitando a reaproximação, alimenta miasmas que lhe fazem mal e se abebera da alienação com indisfarçável presunção.

Perdoa, portanto, seja o que for e a quem for. O perdão beneficia aquele que perdoa, por propiciar-lhe paz espiritual, equilíbrio emocional e lucidez mental.

Felizes são os que possuem a fortuna do perdão para a distender largamente, sem parcimônia. O perdoado é alguém em débito; o que perdoou é Espírito em lucro.

Se revidas o mal és igual ao ofensor, se perdoas, estás em melhor condição; mas se perdoas e amas aquele que te maltratou, avanças em marcha invejável pela rota do bem. Todo agressor sofre em si mesmo. É um Espírito envenenado, espargindo o tóxico que o vitima. Não desças a ele senão para o ajudar.

Há tanto tempo não experimentavas aflição ou problema - graças à fé clara e nobre que enflora em tua alma - que te desacostumaste ao convívio do sofrimento. Por isso, está considerando em demasia o petardo com que te atingiram, valorizando a ferida que podes de imediato cicatrizar.

Pelo que se passa contigo, medita e compreenderás o que ocorre com ele, o teu ofensor. O que te é inusitado, nele é habitual. Se não permitires a ira ou a rebeldia - perdoarás!

A mão que, em afagando a tua, crava nela espinhos e urze que carrega, está ferida ou se ferirá simultaneamente. Não lhe retribuas a atitude, usando estiletes de violência para não aprofundares as lacerações.

O regato singelo, que tem o curso impedido por calhaus e os não pode afastar, contorna-os ou pára, a fim de ultrapassá-los e seguir adiante. A natureza violentada pela tormenta responde ao ultraje reverdecendo tudo e logo multiplicando flores e grãos. E o pântano infeliz, na sua desolação, quando se adorna de luar, parece receber o perdão da paisagem e a benéfica esperança da oportunidade de ser drenado brevemente, transformando-se em jardim.

Que é o Consolador, que hoje nos conforta e esclarece, conduzindo uma plêiade de Embaixadores dos Céus para a Terra, em missão de misericórdia e amor, senão o perdão de Deus aos nossos erros, por intercessão de Jesus?!

Perdoa, sim, e intercede ao Senhor por aquele que te ofende, olvidando todo o mal que ele supõe ter-te feito ou que supões que ele te fez e, se o conseguires, ama-o, assim mesmo como ele é.

Não vos digo que perdoeis até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes. Mateus: 18:22

A misericórdia é o complemento da brandura, porquanto aquele que não for misericordioso não poderá ser brando e pacífico. Ela consiste no esquecimento e no perdão das ofensas. Cap. X - ítem 4

20- FONTE VIVA - EMMANUEL - PÁG. 303, ÍTEM 135 -
DESCULPA SEMPRE

"Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai Celestial vos perdoará." — Jesus. (MATEUS, 6:14.)
Por mais graves te pareçam as faltas do próximo, não te detenhas na reprovação.
Condenar é cristalizar as trevas, opondo barreiras ao serviço da luz. Procura nas vítimas da maldade algum bem com que possas soerguê-las, assim como a vida opera o milagre do reverdecimento nas árvores aparentemente mortas. Antes de tudo, lembra quão difícil é julgar as decisões de criaturas em experiências que divergem da nossa! Como refletir, apropriando-nos da consciência alheia, e como sentir a realidade, usando um coração que não nos pertence? Se o mundo, hoje, grita alarmado, em derredor de teus passos, faze silêncio e espera...A observação justa é impraticável quando a neblina nos cerca.

Amanhã, quando o equilíbrio for restaurado, conseguirás suficiente clareza para que a sombra te não altere o entendimento.
Além disso, nos problemas de crítica, não te suponhas isento dela.
Através da nociva complacência para contigo mesmo, não percebes quantas vezes te mostras menos simpático aos semelhantes!
Se há quem nos ame as qualidades louváveis, há quem nos destaque as cicatrizes e os defeitos.
Se há quem ajude, exaltando-nos o porvir luminoso, há quem nos perturbe, constrangendo-nos à revisão do passado escuro. Usa, pois, a bondade, e desculpa incessantemente. Ensina-nos a Boa Nova q
ue o Amor cobre a multidão dos pecados.
Quem perdoa, esquecendo o mal e avivando o bem, recebe do Pai Celestial, na simpatia e na cooperação do próximo, o alvará da libertação de si mesmo, habilitando-se a sublimes renovações.

21 - JESUS NO LAR - NÉIO LUCIO - pág. 151, 179 - PÁG. 151, ÍTEM 35 - A NECESSIDADE DE ENTENDIMENTO


Um dos companheiros trazia ao culto evangélico enorme expressão de abatimento. Ante as indagações fraternas do Senhor, esclareceu que fora rudemente tratado na via pública. Vários devedores, por ele convidados a pagamento, responderam com ingratidão e grosseria. Não se internou o Cristou através da consolação individual, mas exortando evidentemente todos os companheiros, narrou benevolente:— Um grande explicador dos textos de Job possuía singulares disposições para os serviços da compreensão e da bondade, e, talvez por isso, organizou uma escola em que pontificava com indiscutível sabedoria.

Amparando, certa ocasião, um aprendiz irrequieto que frequentes vezes se lamuriava de maus tratos que recebia na praça pública, saiu pacientemente em companhia do discípulo, pelas ruas de Jerusalém, implorando esmolas para determinados serviços do Templo.
A maioria dos transeuntes dava ou negava, com indiferença, mas, numa esquina movimentada, um homem vigoroso respondeu-lhes à rogativa com aspereza e zombaria.

O mestre tomou o aprendiz pela mão e ambos o seguiram, cuidadosos. Não andaram muito tempo e viram-no cair ao solo, ralado de dor violenta, provocando o socorro geral. Verificaram, em breve, que o irmão irritado sofria de cólicas mortais.
Demandaram adiante, quando foram defrontados por um cavalheiro que nem se dignou responder-lhes à súplica, endereçando-lhes tão-sòmente um olhar rancoroso e duro.

Orientador e tutelado acompanharam-lhe os passos, e, quando a estranha personagem alcançou o domicílio que lhe era próprio, repararam que compacto grupo de pessoas chorosas o aguardava, grupo esse ao qual se uniu em copioso pranto, informando-se os dois de que o infeliz retinha no lar uma filha morta.

Prosseguiram esmolando na via pública e, a estreito passo, receberam fortes palavrões de um rapaz a quem se haviam dirigido. Retraíram-se ambos, em expectativa, verificando, depois de meia hora de observação, que o mísero não passava de um louco.
Em seguida, ouviram atrevidas frases de um velho que lhes prometia prisão e pedradas; mas, decorridas algumas horas, souberam que o infortunado era simplesmente um negociante falido, que se convertera de senhor em escravo, em razão de débitos enormes.

Como o dia declinasse, o respeitável instrutor convocou o discípulo ao regresso e ponderou:
— Guardaste a lição? Aceita a necessidade do entendimento por sagrado imperativo da vida. Nunca mais te queixes daqueles que exibem expressões de revolta ou desespero nas ruas. O primeiro que nos surgiu; à frente era enfermo vulgar; o segundo guardava a morte em casa; o terceiro padecia loucura e o quarto experimentava a falência. Na maioria dos casos, quem nos recebe de mau-humor permanece em estrada muito mais escura e mais espinhosa que a nossa.

E, completando o ensinamento, terminou o Senhor, diante dos companheiros espantados:
— Quando encontrarmos os portadores da aflição, tenhamos piedade e auxiliemo-los na reconquista da paz íntima. O touro retém os chifres, por não haver atingido, ainda, o dom das asas. Reclamamos, cornumente, contra a ovelha que nos perturba o repouso, balindo, atormentada; todavia, raramente nos lembramos de que o pobre animal vai seguindo, sob laço pesado, a caminho do matadouro.

PÁG. 179, ÍTEM 42 - A MENSAGEM DA COMPAIXÃO
Dentro da noite clara, a assembléia familiar em casa de Pedro centralizara-se no exame das dificuldades no trato com as pessoas. Como estender os valores da Boa Nova? como instalar o mesmo dom e a mesma bênção em mentalidades diversas entre si? Findo o longo debate fraternal, em que Jesus se mantivera em pesado silêncio, João perguntou-lhe, preocupado: - Senhor, o que fazer diante da calúnia que nos dilacera o coração?— Tem piedade do caluniador e trabalha no bem de todos — respondeu o Celeste Mentor, sorrindo —, porque o amor desfaz as trevas do mal e o serviço destrói a ideia desrespeitosa.

— Mestre — ajuntou Tiago, filho de Zebedeu —, e como agir perante aquele que nos ataca, brutalmente?
— Um homem que se conduz pela violência — acentuou o Cristo, bondoso —, deve estar louco ou envenenado. Auxiliemo-lo a refazer-se.— Senhor — aduziu Judas, mostrando os olhos esfogueados —, e quando o homem que nos ofende se reveste de autoridade respeitável, qual seja a dum príncipe ou dum sacerdote, com todas as aparências do ordenador consciente e normal?
— A serpente pode ocultar-se num ramo de flores e há vermes que se habituam nos frutos de bela apresentação. O homem de elevada categoria que se revele violento e cruel é enfermo, ainda assim. Compadece-te dele, porque dorme num pesadelo de escuras ilusões, do qual será constrangido a despertar, um dia. Ampara-o como puderes e marcha em teu caminho, agindo na felicidade comum.
— Mestre, e quando a nossa casa é atormentada por um crime? como procederei diante daquele que me atraiçoa a confiança, que me desonra o nome ou me ensanguenta o lar?

— Apiada-te do delinquente de qualquer classe — elucidou Jesus — e não desejes violar a Lei que o próximo desrespeitou, porque o perseguidor e o criminoso de todas as situações carrega consigo abrasadora fogueira. Uma falta não resgata outra falta e o sangue não lava sangue. Perdoa e ajuda. O tempo está encarregado de retribuir a cada criatura, de acordo com o seu esforço.
— Mestre — atalhou Bartolomeu —, que fazer do juiz que nos condena com parcialidade?
— Tem compaixão dele e continua cooperando no bem de todos os que te cercam. Há sempre um juiz mais alto, analisando aqueles que censuram ou amaldiçoam e, além de um horizonte, outros horizontes se desdobram, mais dilatados e luminosos.
— Senhor — indagou Tadeu —, como proceder diante da mulher que amamos, quando se entrega às quedas morais? Jesus fitou-o, com brandura, e inquiriu, por sua vez:

— Os sofrimentos íntimos que a dilaceram, dia e noite, não constituirão, por si só, aflitiva punição?
Fêz-se balsâmico silêncio no círculo doméstico e, logo ao perceber que os aprendizes haviam cessado as interrogações, o Senhor concluiu:
— Se pretendemos banir os males do mundo, cultivemos o amor que se compadece no serviço que constrói para a felicidade de todos. Ninguém se engane. As horas são inflexíveis instrumentos da Lei que distribui a cada um, segundo as suas obras. Ninguém procure sanar um crime, praticando outros crimes, porque o tempo tudo transforma na Terra, operando com as labaredas do sofrimento ou com o gelo da morte.

30 - O PENSAMENTO DE EMMANUEL - MARTINS PERALVA - PÁG. 153 ÍTEM 24 O PERDÃO:

P. — Poderemos utilmente pedir a Deus que perdoe as nossas faltas?
R. — Deus sabe discernir o bem do mal; a prece não esconde as faltas. Aquele que a Deus pede perdão de suas faltas só o obtém mudando de proceder. As boas ações são a melhor prece, por isso que os atos valem mais que as palavras. Item 661
A concessão paternal de Deus, no que se refere à reencarnação para a sagrada oportunidade de uma nova experiência, já significa, em si, o perdão ou a magnanimidade da Lei. Emmanuel


Em resposta a Pedro, o velho pescador galileu, informa o Divino Amigo que devemos perdoar não sete vezes, mas até setenta vezes sete. Em outra oportunidade, aconselha conciliação com o adversário enquanto estivermos a caminho com, ele, isto é, enquanto estivermos reencarnados. O perdão, no conceito das religiões não-reencarnacionistas, significa "apagar faltas". Limpar a alma do pecado, ou seja, do mal praticado.

Eximir de responsabilidade. Nos termos do perdão teológico, aquele que ofendeu alguém e recebe absolvições humanas, fica com a estrada livre para novos desatinos. Há, como se vê, nesse tipo de perdão, visível estímulo a novos erros, novos enganos, novas ilusões. O homem sente-se, inevitavelmente, estimulado a novas quedas, novas reincidências, com fatais prejuízos ao processo evolutivo, que se retarda, no tempo.

A conceituação doutrinária do Espiritismo, em torno do tema "perdão", é bem outra. Muito diversa, menos fácil, porém, inegavelmente, mais sensata, mais lógica. O perdão, segundo a Doutrina Espírita, não alarga as portas do erro; pelo contrário, restringe-as, sobremaneira, por apontar responsabilidades para quem estima a leviandade e a injúria, a crueldade e o desapreço à integridade, moral ou física, dos companheiros de luta, na paisagem terrestre.

De acordo com os preceitos espíritas, não há perdão sem reparação consequente, embora os próprios Instrutores de Mais Alto lembrem a palavra evangélica, que nos incentiva à integração com o Bem, no apostolado da fraternidade, através do ensinamento "o amor cobre a multidão dos pecados", que representa a única força "que anula as exigências da Lei de Talião, dentro do Universo Infinito" (Emmanuel).

O perdão que o Espiritismo e os amigos espirituais preconizam em verdade não é de fácil execução. Requer muito boa-vontade. Demanda esforço esforço continuado, persistente. Reclama perseverança. Pede tenacidade. É bem diferente do perdão teológico, que deve ter tido, em algum tempo, sua utilidade. Não se veste de roupagem fantasiosa, não se emoldura de expressões simplesmente verbais. Os postulados espíritas indicam-no por concessão de nova ou novas oportunidades de resgate e reparação dos erros praticados e dos males que deles resultaram.

Elevados Mensageiros do Pai, respondendo ao Mestre lionês, afirmaram que "o arrependimento concorre para a melhoria do Espírito, mas ele tem que expiar o seu passado".Emmanuel assevera, desenvolvendo a tese doutrinária, que "a concessão paternal de Deus, no que se refere à reencarnação para a sagrada oportunidade de uma nova experiência, já significa, em si, o perdão ou a magnanimidade da Lei" ("O Consolador").

André Luiz esclarece que Deus "não castiga e nem perdoa, mas o ser consciente profere para si as sentenças de absolvição ou culpa ante as Leis Divinas" ("O Espírito da Verdade"). Para a alma realmente interessada no perdão que não seja, apenas, um enunciado verbal, sem repercussões íntimas nas fontes augustas do sentimento, o ato de perdoar significa alguma coisa de grandioso e sublime, por isso mesmo difícil de executar. Não se constitui da vã afirmativa: "eu perdôo", permanecendo o coração fechado a qualquer entendimento conciliador e a mente cristalizada nas vibrações menos fraternas.

Não há perdão real, legitimo, definitivo, evangélico, doutrinário, quando o ofendido não se inclina a ajudar o ofensor, a servi-lo cristãmente, a socorrê-lo nas necessidades de qualquer natureza, se preciso. As verdadeiras características do perdão com Jesus, apregoadas pelo Espiritismo, são, realmente, singulares e difíceis:
— esquecimento do mal recebido,
— não nos regozijarmos com os insucessos do ofensor,
— auxiliarmos, discretamente, sempre que possível, ao adversário,
— usarmos a delicadeza sincera, no trato com os que nos magoaram o coração ou feriram a sensibilidade,— vibrarmos, fraternalmente, em favor dos que nos desestimam.

Como se observa, perdoar, segundo o Espiritismo, não é problema a resolver por meio de afirmativas apressadas, sem vivência interior. O maior beneficiário do perdão não é, como parece, aquele que o recebe, mas o que o concede. O que é perdoado, se reconforta, se reanima. O que perdoa, sinceramente, recolhe, dos Céus, as mais profusas bênçãos — bênçãos que nenhum tesouro do mundo pode substituir ou suplantar, tais como:
— conservação da paz interior,
— preservação da saúde,
— alegria de transformar o adversário em amigo, pelo reconhecimento que o perdão desperta e suscita,
— exercitação, cultivo dos mais belos sentimentos da alma humana, tais sejam, por exemplo, a humildade, o altruísmo, a nobreza moral.

Quem não perdoa, permanece ligado ao adversário, encarnado ou desencarnado, pelas faixas escuras do pensamento hostil.
Quem não perdoa, insistindo na mágoa raivosa, permite se estabeleça, entre a sua e a mente do adversário, uma ponte magnética, através da qual circulam, em regime de vaivém, de idas-e-voltas consecutivas, as vibrações do ódio e da vingança.
Quem perdoa, liberta o coração para as mais sublimes manifestações do amor que eleva e santifica. "A alma que não perdoa, retendo o mal consigo, assemelha-se a um vaso cheio de lama e fel." "Jesus aconselhava-nos a perdoar infinitamente, para que o Amor seja em nosso Espírito como Sol brilhando em casa limpa."

Maravilhosos conceitos, extraídos das obras de André Luiz!
Aquele que perdoa dissolve, ainda hoje, e aqui mesmo, os antagonismos, nas águas puras e doces da compreensão.
Quem não perdoa transfere para amanhã, noutras existências, em qualquer parte do Universo Ilimitado, os dolorosos reajustes, que bem se poderiam extinguir na presente reencarnação. Aquele que perdoa, transpõe os pórticos da Espiritualidade, na morte do corpo físico, com a paz na consciência, a luz no Espírito, o consolo no coração. Quem não perdoa, carrega consigo, no mundo extra-corpóreo, a sombra e o remorso.

35 - INDULGÊNCIA - EMMANUEL - PÁG. 42

PERDÃO E VIDA: Perdão é requisito essencial no erguimento da libertação e da paz. Habituamo-nos a pensar que Jesus nos teria impulsionado a desculpar "setenta vezes sete vezes" unicamente nos casos de ofensa à dignidade pessoal ou nas ocorrências do delito culposo, entretanto, o apelo do Evangelho nos alcança em áreas muito mais extensas da vida.

Se somamos as inquietações e sofrimentos que infligimos a nós mesmos por não perdoarmos aos entes amados pelo fato de não serem eles as pessoas que imaginávamos ou desejávamos fossem, surpreenderemos conosco volumosa carga de ressentimento que nada mais é senão peso morto, a impelir-nos para o fogo inútil do desespero. Isso ocorre em todas as posições da vida.

Esquecemo-nos de que nenhum ser existe imobilizado, que todos experimentamos alterações no curso do tempo e não relevamos facilmente os amigos que se modificam, sem refletir que também nós estamos a modificar-nos diante deles. Casamento, companheirismo, equipe, agrupamento e sociedade são instituições nas quais é forçoso que o verbo amar seja conjugado todos os dias.

Na Terra, esposamos alguém e verificamos, muitas vezes, que esse alguém não é a criatura que aguardávamos; entregamo-nos a determinados amigos e observamos que não correspondem ao retrato espiritual que fazíamos deles; ou abraçamos parentes e colegas para a execução de certos empreendimentos e notamos, por fim, que não se harmonizam com os nossos planos de trabalho e passamos a sofrer pela incapacidade de tolerar as condições e realidades que lhes são próprias.

Reflitamos, no entanto, que os outros se alteram à nossa frente, quase sempre na medida em que nos alterarmos para com eles. Necessário compreender que se todos somos capazes de auxiliar a alguém, ninguém, pode mudar ninguém, através de atitudes compulsórias, porquanto cada criatura é uma criação original do Criador.

Aceitemos quantos convivam conosco, tais quais são, reconhecendo que para manter a bênção do amor, entre nós, não nos compete exigir a sublimação alheia e sim trabalhar incessantemente e quanto nos seja possível pela própria sublimação.

36 - REFÚGIO - EMMANUEL - PÁG. 23

PROBLEMA DO PERDÃO

A Divina Tolerância não constitui subversão da ordem no campo da Justiça. O perdão do Senhor é sempre transformação do mal no bem, com a renovação de nossas oportunidades de luta e resgate, no grande caminho da vida.

Vejamos a Terra, em sua função de escola de nossos espíritos endividados e reconheceremos a Bondade Celeste atuando, de mil modos diversos, cada dia, no serviço de reajuste.

Aqui, as feridas do corpo apagam o incêndio que ateávamos no passado, buscando a destruição do próximo. Ali, enfermidades de diagnose obscura regeneram nossos velhos desequilíbrios do estômago ou do sexo.

Além, padecimentos morais inomináveis solucionam compromissos pesados, assumidos por nós mesmos, à frente dos nossos semelhantes. Acolá, na guerra fria da trincheira doméstica, antigos adversário permanecem jungidos uns aos outros, nas férreas teias das circunstâncias que lhes constrangem as almas à experiência comum.

Enquanto houver dívida em nossa marcha, haverá reajustamento pela dor. É que sendo Deus, Amor e Sabedoria, nossas ofensas não Lhe atingem a Magnificência e o Esplendor. Nossas faltas atiradas à face do Todo-Compassivo são como borrifos de lama arrojados ao Sol.

Somos, porém, descendentes de Sua Luz, e, por isso mesmos, a Justiça nos rege. A Bondade Infinita do Criador ou daqueles que O representam nos afaga e desculpa sempre, entretanto, nossa consciência jamais nos perdoa.

A Lei do Eterno Equilíbrio em nós, indicando-nos o caminho da Ascensão quando nos achamos quites com os seus decretos de Bênçãos ou da reabilitação, se nos constituímos seus devedores.

Tenhamos, desta forma, cuidado em não tisnar a alvura de nossa vestimenta interior, ou então, empenhemos nossas melhores energias por refazer-lhe a brancura, porquanto, amanhã, a vida nos pedirá contas do tempo e dos recursos que nos foram emprestados e, não nos ausentaremos do círculo escuro de nossas defecções morais, enquanto não fomos perdoados por nosso tribunal íntimo, de vez que, como criaturas de Deus, desejamos senhorear a Sublime Herança que nos é reservada, não à conta de mendigos ou mercenários da Graça Divina, mas, na posição de Filhos Redimidos de Nosso Pai Celestial.

37 - TREVO DE IDÉIAS - EMMANUEL - PÁG. 51, 60

PERDOA E VIVERÁS

Alguém te haverá ofendido, entretanto, se não perdoa a esse alguém, criarás em ti mesmo as desvantagens do ressentimento, que se te condensarão na própria alma, por determinado ponto enfermiço. Antes de qualquer atitude contra o suposto ofensor, considera que, provavelmente, não terá ele tido qualquer intenção de ferir-te e talvez até mesmo ignore qualquer tópico alusivo ao assunto que te aborrece.

Concentrando a mágoa contigo, predisporá alma e corpo à doença e ao desequilíbrio. Ainda que não queiras, o ressentimento por ti acalentado estenderá sombra e pesar, no ambiente em que vives, atingindo aqueles que mais amas.

Pessoa alguma consegue prever os males que surgirão nos entes queridos quando se deixam possuir pelo azedume. Recorda que amanhã, é possível que estejas necessitando do perdão de teu imaginário ofensor, por faltas mais graves que hajas cometido em momentos de exagerada impulsividade.

Quando não seja em teu próprio favor, talvez chegue o dia, no qual as circunstâncias te aproximarão desse ou daquele desafeto, a fim de rogar apoio, a benefício de criaturas do teu próprio círculo familiar.

Lembra-te, nas crises da vida, de que o ressentimento nunca rendeu paz ou felicidade para ninguém. O perdão liberta sempre e restaura, em qualquer tempo, as oportunidades favoráveis à nossa marcha nas trilhas da experiência, para que venhamos a descobrir o Reino de Deus que existe e palpita em nós mesmos.

Eis por que Jesus recomendou-nos a todos, através do Apóstolos "Perdoa não sete vezes, mas setenta vezes sete", o que equivale a dizer: "Perdoa e realmente viverás".

PERDÃO E LIBERDADE

Aprendamos a perdoar conquistando a liberdade de servir. É imprescindível esquecer o mal para que o bem se efetue. Onde trabalhes, guarda o entendimento fraterno, a fim de que a sombra não te algeme o espírito ao desespero.

Onde estiveres e onde fores, lembra-te do perdão incondicional, para que o auxílio dos outros te assegure paz à vida. É indispensável que a compreensão reine hoje entre nós, para que amanhã não estejamos encarcerados na rede das sombras.

A morte não é libertação pura e simples. Desencarnar-se a alma do corpo não é exonerar-se dos sentimentos que lhe são próprios. Muitos conduzem consigo, além-túmulo, uma taça de fel envenenado com que aniquilam os melhores sonhos dos que ficaram na Terra e muitos do que ficam na Terra conservam consigo, no coração, um vaso de fogo vivo com que destroem as melhores esperanças dos que demandam o cinzento portal do túmulo.

Não procure para tua alma o inferno invisível do ódio. Acomoda-te com o adversário ainda hoje, procurando entendê-lo e serví-lo, para que amanhã não te matricules em contendas com forças negativas.

Transferir a reconciliação para o caminho da morte é atormentar o caminho da própria vida. Desculpa sempre, reconhecendo que não prescindimos da paciência alheia.

Nem sempre somos nós a vítima real, de vez que, por atitudes imanifestas, induzimos o próximo a agir contra nós, convertendo-nos, ante os tribunais da Justiça Divina, em autores intelectuais dos delitos que passamos a lamentar indebitamente. Toda intolerância é violência. Toda aspereza avinagrada é crueldade. Quase sempre, a crítica é corrosivo do bem, impelindo-nos à revisão de nossas próprias aitudes.

E sabendo que encontraremos na estrada a projeção de nós mesmos, conservemos o perdão por defensor de nossa liberdade, auxiliando agora para que não sejamos depois prejudicados.

 

PERDOAR
CARLOS FERREIRA

É tão bom perdoar! Sentir a vida
Andar em mar de júbilo constante
Ter um idéia boa a cada instante,
Toda azul de luzes revestida.

Deixar nas trevas densas esquecida
A dolorosa ofensa lancinante,
A procurar no amor tonificante
A recompensa, em bênção envolvida.

Ah! É tão ser bom! Sentir vibrando
Na alma o eco do amor que a crença afaga,
Tudo esquecendo e tudo abençoando...

Sorrir à ingratidão por simples paga.
Perdoar... Perdoá-la, mesmo quando
Fino punhal nos crava em viva chaga!

38 - ATITUDES PARA VENCER - J.C.L.

LEVANTE-SE

Confúcio ensina que nossa maior glória não está em não cair, mas em levantar sempre que cairmos.

Não desespere por seus enganos.

O erro faz parte do nosso rocesso de aprendizado. Não é errado errar.

Há um antigo ditado que afirma: "A pessoa que nunca cometeu um erro nunca fez nada".

Embora carreguemos todos os potenciais divinos, Deus nos criou simples e ignorantes.

Para descobrir nossos próprios talentos e capacidades, precisamos agir, realizar, intervir no mundo material.

E' porque ignoramos nossas capacidades e limites, o erro é inevitável e surge como professor e guia do nosso aprendizado.

Ele nos avisa onde precisamos melhorar. Nada além disso.

Thomas Edison, que realizou mais de cem tentativas para descobrir a lâmpada elétrica, quando questionado pelos amigos a respeito de tantos insucessos, respondeu que não eram insucessos e que apenas descobrira maneiras de como não chegar ao objetivo desejado.

Pela lei da reencarnação, Deus nos concede múltiplas oportunidades de recomeçar, o que nos permite concluir que Ele admite o erro como parte do processo de evolução do espírito.

Isso nos leva a pensar que, diante das nossas quedas, devemos evitar duas posições perigosas:

1) A primeira é a de cair e nunca mais se levantar, vale dizer, de ficar permanentemente no chão do orgulho ferido e não ostentar humildade suficiente de levantar, aprender e seguir adiante.

Observe o roteiro proveitoso para as nossas culpas:

LEVANTAR + APRENDER + SEGUIR EM FRENTE

Se permanecer no chão, você não vive.

Se não aprender com os erros, você não corrige.

Se não seguir em frente, a vida não anda.

2) A segunda posição é a de extrema complacência com os nossos erros, permanecendo, indefinidamente no lamaçal dos equívocos.

Há muitas pessoas que sofrem da "síndrome de Gabriela"8, (Refiro-me aos versos da canção Gabriela) referindo-se desta forma a seus erros:

- "Eu nasci assim, vou viver assim, vou ser sempre assim."

Esquecem-se, porém, de que a lei é de evolução, pelo que atrairão para suas vidas pesados sofrimentos correcionais se não se decidirem a mudar.

Seja lá o que de errado que você tenha feito, lembre-se, com o Espírito André Luiz, de que você não é uma entidade angélica e sim uma criatura matriculada na estola humana, mas sempre com a possibilidade de corrigir e recomeçar.

JCl