PERTURBAÇÕES MORAIS
BIBLIOGRAFIA
01- A TRAGÉDIA DE SANTA MARIA, pag. 168 02 - APÓS A TEMPESTADE, ap. 92
03 - DEPOIS DESTA VIDA, pag. 14 04 - DO PAÍS DA LUZ (Volume I), pag. 119
05 - FONTE VIVA, pag. 187 06 - LAÇOS DE AFETO, pag. 122
07 - LAMPADÁRIO ESPÍRITA, pag.53 08 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS q. 163
09 - PÉROLAS DO ALÉM, pag. 192 10 - VOZES DO GRANDE ALÉM, pa. 26,136

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PERTURBAÇÕES MORAIS – COMPILAÇÃO

01 - PERTURBAÇÕES MORAIS

O texto foi escrito em 1865, mas é espantosamente atual.
Para reflexão de todos os espíritas.

Jamais uma doutrina filosófica dos tempos modernos causou tanta emoção quanto o Espiritismo e nenhuma foi atacada com tamanha obstinação. É prova evidente de que lhe reconhecem mais vitalidade e raízes mais profundas que nas outras, já que não se toma de uma picareta para arrancar um pé de erva. Longe de se apavorarem, os espíritas devem regozijar-se com isto, pois prova a importância e a verdade da Doutrina. (...)

Vide, na história do mundo, se uma única idéia grande e verdadeira deixou de triunfar, o que quer que tenham feito para entravá-la. (...)

Entretanto, a luta está longe de terminar; ao contrário, é de esperar que tome maiores proporções e um outro caráter. Seria por demais prodigioso e incompatível com o estado atual da Humanidade que uma doutrina, que traz em si o germe de toda uma renovação, se estabelecesse pacificamente em alguns anos.

Ainda uma vez, não nos lamentemos; quanto mais rude for a luta, mais estrondoso será o triunfo. (...)

Já tentaram muitas vezes, e o farão ainda, comprometer a Doutrina, impelindo-a por uma via perigosa ou ridícula, para a desacreditar. Hoje é semeando a divisão de modo sub-reptício, lançando o pomo de discórdia, na expectativa de fazer germinar a dúvida e a incerteza nos espíritos, provocar o desânimo, verdadeiro ou simulado e levar a perturbação moral entre os adeptos. Mas não são adversários confessos que assim agiriam. O Espiritismo, cujos princípios têm tantos pontos de semelhança com os do Cristianismo, também deve ter os seus Judas, para que tenha a glória de sair triunfando dessa nova prova. (...)

Nosso dever é premunir os espíritas sinceros contra as armadilhas que lhes são estendidas. Quanto aos que nos abandonaram, para os quais esses princípios eram muito rigorosos, neste como em vários outros pontos, é que sua simpatia era superficial e não do fundo do coração, não havendo nenhuma razão para nos prendermos a eles. Temos que nos ocupar com coisas mais importantes que a sua boa ou má vontade a nosso respeito. (...)

Quem quer que ponha o seu ponto de vista fora da estreita esfera do presente não é mais perturbado pelas mesquinhas intrigas que se agitam à sua volta. É o que nos esforçamos para fazer, e é o que aconselhamos aos que querem ter a paz da alma neste mundo. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. II, n. 5.)

Como todas as idéias novas, a idéia espírita não podia deixar de ser explorada por gente que, não tendo alcançado êxito em nada por má conduta ou por incapacidade, estão à espreita do que é novo, na esperança de aí encontrar uma mina mais produtiva e mais fácil; se o sucesso não corresponde à sua expectativa, não o atribuem a si mesmos, mas à coisa, que declaram má. Tais pessoas só têm de espíritas o nome. Melhor do que ninguém, pudemos ver essa manobra, tendo sido muitas vezes o alvo dessas explorações, às quais não quisemos dar a mão, o que não nos valeu amigos.

(...) O Espiritismo, repetimos, ainda tem de passar por rudes provas e é aí que Deus reconhecerá seus verdadeiros servidores, por sua coragem, firmeza e perseverança. Os que se deixarem abalar pelo medo ou por uma decepção são como esses soldados, que só têm coragem nos tempos de paz e recuam ao primeiro tiro. Entretanto, a maior prova não será a perseguição, mas o conflito das idéias que será suscitado, com cujo auxílio esperam romper a falange dos adeptos e a imponente unidade que se faz na Doutrina.

Esse conflito, embora provocado com má intenção, venha dos homens ou dos maus Espíritos, é, contudo, necessário e, ainda que causasse uma perturbação momentânea em algumas consciências fracas, terá por resultado definitivo a consolidação da unidade. Como em todas as coisas, não se deve julgar os pontos isolados, mas ver o conjunto. É útil que todas as idéias, mesmo as mais contraditórias e as mais excêntricas, venham à luz; provoquem o exame e o julgamento, e, se forem falsas, o bom senso lhes fará justiça. (...)

(...) Os impacientes, que não sabem esperar o momento propício, comprometem a colheita como comprometem a sorte das batalhas.

Entre os impacientes, sem dúvida alguns há de muito boa-fé e que gostariam que as coisas andassem ainda mais depressa; assemelham-se a essas criaturas que julgam adiantar o tempo adiantando o relógio.(...)

(...) O Espiritismo marcha em meio a adversários numerosos que, não o tendo podido tomar à força, tentam tomá-lo pela astúcia; insinuam-se por toda parte, sob todas as máscaras e até nas reuniões íntimas, na esperança de aí surpreender um fato ou uma palavra que muitas vezes terão provocado, e que esperam explorar em seu proveito. Comprometer o Espiritismo e torná-lo ridículo, tal é a tática, com o auxílio da qual esperam desacreditá-lo a princípio, para mais tarde terem um pretexto para mandar interditar, se possível, o seu exercício público. É a armadilha contra a qual devemos nos precaver, porque é estendida de todos os lados, e na qual, sem o querer, são apanhados os que se deixam levar pelas sugestões dos Espíritos enganadores e mistificadores.

O meio de frustrar essas maquinações é seguir o mais exatamente possível a linha de conduta traçada pela Doutrina; sua moral, que é a sua parte essencial, é inatacável, não dá ensejo a nenhuma crítica fundada e a agressão se torna mais odiosa. Achar os espíritas em falta e em contradição com seus princípios seria uma boa sorte para os seus adversários; assim, vede como se empenham em acusar o Espiritismo de todas as aberrações e de todas as excentricidades pelas quais não poderia ser responsável. A Doutrina não é ambígua em nenhuma de suas partes; é clara, precisa, categórica nos mínimos detalhes; só a ignorância e a má-fé podem enganar-se sobre o que ela aprova ou condena. É, pois, um dever de todos os espíritas sinceros e devotados repudiar e desaprovar abertamente, em seu nome, os abusos de todo gênero que pudessem comprometê-la, a fim de não lhes assumir a responsabilidade. Pactuar com os abusos seria acumpliciar-se com eles e fornecer armas aos adversários.

Os períodos de transição são sempre difíceis de passar. O Espiritismo está nesse período; atravessa-o com tanto menos dificuldade quanto mais os seus adeptos forem prudentes. Estamos em guerra; lá está o inimigo a espiar, prestes a explorar o menor passo em falso em seu proveito, e disposto a meter o pé na lama, se o puder.

Contudo, não nos apressemos em lançar pedras e suspeições com muita leviandade, sobre aparências que poderiam ser enganosas; a caridade, aliás, faz da moderação um dever, mesmo para os que estão contra nós. A sinceridade, todavia, mesmo em seus erros, tem atitudes de franqueza com as quais não é possível equivocar-se, e que a falsidade jamais simulará completamente, porquanto, mais cedo ou mais tarde, deixa cair a máscara. Deus e os bons Espíritos permitem que ela se traia por seus próprios atos. Se uma dúvida atravessa o Espírito, deve ser apenas um motivo para se guardar reserva, o que pode ser feito sem faltar às conveniências. (Fonte: KARDEC, Allan. Revista Espírita, junho de 1865, ed. Feb, p. 254-260, Nova tática dos adversários do Espiritismo, Allan Kardec.)

02 - PERTURBAÇÕES MORAIS

Perturbação Espírita

1. PERTURBAÇÃO ESPÍRITA (Não é um estado de demência, mas sim de torpor, confusão que a maioria das pessoas passam, quando ocorre a transição da vida corporal p/ a vida espiritual) DEUS TEM ESTRADAS ONDE O MUNDO NÃO TEM CAMINHOS. MEIMEI

2. Por que a nossa relação com o fenômeno natural chamado “morte” ainda é tão difícil, mesmo sabendo que NINGUÉM MORRE? Ainda é difícil para a maioria das pessoas aceitar que ela é benéfica, é um FENÔMENO NATURAL DO CAMINHO DE ASCENSÃO; LIVRO: OBREIROS DA VIDA ETERNA. Temos é que acabar com os atavismos Religiosos, e parar de vê-la como um Homem de capa preta e foice que nos Persegue.

3. Por que no momento do desencarne há perda de lucidez e memória tornando tudo muito confuso? O Espírito, isento da vestimenta física, fica como que atordoado ao entrar numa dimensão diferente daquela que estava vivenciando. Muitos dizem-se penetrar num túnel escuro. As sensações dos que desencarnaram com pureza de consciência são completamente opostas das daqueles que morreram apegados aos bens materiais. É que os primeiros se preparam para o porvir; os demais, encastelaram-se na superficialidade da matéria.

4. Divaldo Franco lamentava que milionário foi enterrado junto com um carro de 1 milhão de dólares, e ele passava por sérias dificuldades financeiras; mas Joanna(espírito) disse ao seu tutelado: “Aqui na esfera espiritual ele ainda está andando a pé.”

5. Considerando que vivemos num mundo inferior, qual seria o meio termo para usufruir dos bens materiais necessários para nossa sobrevivência sem ficarmos apegados a eles após a morte? Quando conseguirmos compreender que a matéria é uma ferramenta para desenvolvermos os nossos potenciais intelecto-morais, ou seja, para nos ajudar a crescer; Não é só um meio de usufruir e sim evoluir, desde que eu me torne o seu senhor e não o seu escravo.
6.
7. O que tem grande influência na duração desta perturbação? O conhecimento do Espiritismo é importantíssimo; Contudo, a prática do bem e a consciência pura são os que exercerão maior influência benéfica no retorno ao mundo dos Espíritos. (LE 165) OBS: Segundo Emmanuel a finalidade desta atual encarnação é a alfabetização das Leis Divinas, aprendendo a priorizar o dever em detrimento do prazer.

8. A duração da perturbação que se segue à morte do corpo varia muito; pode ser de algumas horas, meses e até anos. Ex. Do suicida de samaritana que está no Livro Ceu e Inferno . ..... Onde estais agora? R.: Eu não sei... Dizei-me, onde estou. Estais numa assembléia de pessoas que se ocupam de estudos espíritas e que são benevolentes convosco. R.: Dizei-me se vivo... Eu sufoco no caixão. Sua alma, embora separada do corpo, está ainda completamente mergulhada no que se poderia chamar de turbilhão da matéria corpórea; as idéias terrestres estão ainda vivazes; ele não se crê desencarnado.
9.

10. Perturbação “post-mortem” “ Lamentavelmente, enquanto encarnado, não conheci o Espiritismo. Se o tivesse conhecido, minha perturbação após a morte não se prolongaria por tanto tempo e seria menos dolorosa”. Van Durst

11. Implodindo a lápide tumular e vencendo as brumas da morte, Marcelin Berthelot , célebre químico francês (1827-1907), rigoroso e frio pesquisador da matéria (enquanto encarnado), um dos criadores da termoquímica, vem, pela luminosa e incomparável mediunidade de Chico Xavier dizer: “ (...) Hoje sei palidamente que podemos começar a compreender o que Jesus quis dizer ao afirmar: “ Vim para que tenham Vida, e a tenham com abundância” (Jo, 10:10.); “ Deus não é Deus dos mortos, mas dos Vivos”. (Mt. 22:32.) E o que o profeta Ezequiel disse: “Deus não quer a morte do pecador, mas a sua salvaçào.”
12.

13. O que ensina a regra 10/90 de Stephen Covei (consultor de empresa nos EUA) 10% do que nos acontece está fora do nosso controle; 90% do que nos acontece está sob nosso controle; Se alguém disser algo negativo sobre você, não seja uma esponja. Deixe a crítica escorrer como a água no vidro. Você não tem de deixar o comentário negativo afetá-lo! Reaja corretamente e não arruinará seu dia. Uma reação errada pode resultar em perder um amigo, ser despedido, ficar estressado etc.

14. A Doutrina Espírita nos ajuda a consolidar nossa Fé; Nos sustenta não só pela esperança, mas sim pela confiança dos que aguardam o nascer do sol, mesmo após uma noite com grande tempestade. Mostrando com a concordância dos fatos, a lógica, a justiça e a bondade de Deus. FIM

03 - PERTURBAÇÕES MORAIS

As causas da obsessão variam, de acordo com o caráter do Espírito.

Ás vezes, uma vingança que este toma de um indivíduo de quem guarda queixas da sua vida presente ou do tempo de outra existência.

Muitas vezes, também, não há mais do que o desejo de fazer mal:

o Espírito, como sofre, entende de fazer que os outros sofram;

encontra uma espécie de gozo em os atormentar, em os vexar, e a impaciência que por isso a vítima demonstra mais o exacerba, porque esse é o objetivo que colima, ao passo que a paciência o leva a cansar-se. Com o irritar-se e mostrar-se despeitado, o perseguido faz exatamente o que quer o seu perseguidor.

Esses Espíritos agem, não raro por ódio e inveja do bem;

daí o lançarem suas vistas malfazejas sobre as pessoas mais honestas. Um deles se apegou como "tinha" a uma honrada família do nosso conhecimento, à qual, aliás, não teve a satisfação de enganar. Interrogado acerca do motivo por que se agarrara a pessoas distintas, em vez de o fazer a homens maus como ele, respondeu: estes não me causam inveja.

Outros são guiados por um sentimento de covardia, que os induz a se aproveitarem da fraqueza moral de certos indivíduos, que eles sabem incapazes de lhes resistirem. Um destes últimos, que subjulgava um rapaz de inteligência muito apoucada, interrogado sobre os motivos dessa escolha, respondeu:

Tenho grandíssima necessidade de atormentar alguém;

uma pessoa criteriosa me repeliria;

ligo-me a um idiota, que nenhuma força me opõe.

Sob o ponto de vista global, podemos afirmar que as causas da obsessão se alicerçam em nossas imperfeições, quais sejam:

vícios,

paixões exacerbadas,

perversões sexuais,

crimes,

ganância,

apegos excessivos à pessoas e objetos,

que nos colocam em estado de sintonia vibratória com os espíritos desencarnados em função da afinidade moral, estando então o Ser sujeito a reajustes e resgates específicos.

Na visão de Emmanuel e Scheila, apresentadas através das obras psicografadas por Francisco C. Xavier, as possíveis causas de obsessão são:

a cabeça e mãos desocupadas;

a palavra irreverente;

a boca maledicente;

a conversa inútil e fútil, prolongada;

a atitude hipócrita;

o gesto impaciente;

a inclinação pessimista;

a conduta agressiva;

o apego demasiado a coisas e pessoas;

o comodismo exagerado;

a solidariedade ausente;

tomar os outros por ingratos ou maus;

considerar nosso trabalho excessivo;

o desejo de apreço e reconhecimento;

o impulso de exigir dos outros mais do que de nós mesmos;

fugir para o álcool ou drogas estupefacientes.

Na análise do Livro dos Médiuns, feita por Ney Prieto Peres (Boletim MEDNESP n.º 2 – dezembro de 1992), são apontadas as seguintes causas de obsessão:

vingança de espíritos contra pessoas que lhes fizeram sofrer nessa ou em vias anteriores;

Desejo simples de fazer os outros sofrerem, por ódio, inveja, covardia;

Para usufruir dos mesmos condicionamentos que tinham quando na vida física, induzem seus afins a cometê-los;

Apegos às pessoas pelas quais nutriam grandes paixões quando em vida;

Por interesses em destruir, desunir, dominar, provocar o mal, manter distúrbios, partindo de espíritos inteligentes das hostes inferiores.

Na avaliação de nosso mentor espiritual André Luiz (Evolução Em Dois Mundos, psicografado por Francisco C. Xavier, 11ª edição, 1989, pg. 130) caminhamos pelo universo “sentidos e reconhecidos pelos nossos afins, temidos e hostilizados ou amados e auxiliados pelos irmãos que caminham em posição inferior à nossa. Isto porque exteriorizamos, de maneira invariável, o reflexo de nós mesmos, nos contatos de pensamento a pensamento, sem necessidade das palavras para simpatias ou repulsões fundamentais.” O mesmo mentor, (Mecanismos da Mediunidade – Francisco C. Xavier – Waldo Vieira, 13ª edição, 1994, pg., 82-83) nos diz “É o pensamento contínuo fluxo energético, incessante, revestido de poder criador inimaginável, (...). A corrente mental, segundo anotamos, vitaliza particularmente todos os centros da alma e, conseqüentemente todos os núcleos endócrinos e junturas plexiformes da usina física, em cuja urdidura dispõe o Espírito de recursos para os serviços da emissão e recepção ou exteriorização dos próprios pensamentos e assimilação dos pensamentos alheios.”

Indoval Moreli Heiderick - e-mail: clotildes@escelsa.com.br

Zulmira (encarnada) - Odila (desencarnada)

... Foi então que Zulmira, dominada pelo arrependimento e atormentada pela noção de culpa, desceu, em espírito, ao padrão vibratório de Odila que a seguia, em silêncio, revoltada.

Enquanto se mantinha com a paz de consciência, defendia-se naturalmente contra a perseguição invisível, como se morasse num castelo fortificado,
mas, condenando a si mesma, resvalou em deplorável perturbação, à maneira de alguém que desertasse de uma casa iluminada, embrenhando-se numa floresta de sombra.
[4 - página 32] - André Luiz

É de importância vital aos que lidam com o tratamento da obsessão, descobrir as causas que levaram o paciente a cair sob o domínio do Espírito_obsessor que o atormenta. Sabemos, através dos ensinamentos de Allan_Kardec, que no fundo de todas as perturbações espirituais residem as fraquezas morais do perturbado, as imperfeições da alma que são as portas de entrada para a influência estranha.

Algo parecido acontece com as doenças do corpo físico: quando elas se instalam no organismo, a causa está geralmente nas fraquezas da estrutura orgânica.

Em estudos realizados no Grupo Espírita Bezerra de Menezes, na cidade de São José do Rio Preto, SP, onde foram examinados mais de 7 mil casos de anormalidades comportamentais, causadas por Espíritos ou não, se classificou as causas da obsessão como sendo provenientes de quatro fontes distintas:

Causa moral Há duas situações que podem levar um paciente a ser vítima da obsessão de fundo moral: o Espírito imaturo e o Espírito mal orientado. No primeiro caso, o da imaturidade espiritual, encontram-se pacientes poucos adiantados moralmente, com o psiquismo ainda dominado por pensamentos inferiores. A conduta dessas pessoas em torno de ações e pensamentos inferiores atrai Espíritos imperfeitos que se afinizam com elas. No começo da relação, verifica-se tão somente uma interferência em algumas atitudes do indivíduo. Mais tarde, aparece um delicado mecanismo de interinfluenciação, onde as vontades e os desejos são trocados entre perturbado e perturbador.
A seguir, a vontade do obsediado vai aos poucos sendo substituída pela do obsessor, instalando-se o fenômeno obsessivo. Este tipo de obsessão é comum e há situações em que seus portadores nem percebem que dividem sua vida mental com um Espírito inferior. Nesse tipo de obsessão não há grande chance de sucesso no tratamento. O que se pode conseguir é uma melhoria relativa, pois não há como mudar bruscamente o estado evolutivo de uma pessoa, fazendo-a entender conceitos que ainda não tem condições de conceber.
Na segunda situação, a do Espírito mal orientado, encontram-se os pacientes que tiveram educação deficitária no lar, na religião ou na escola. A inferioridade do mundo terreno, seus costumes e sistemas educativos estimulam no ser humano o desenvolvimento das paixões e o afastam de Deus. Estruturas psicológicas mal orientadas provocam nas pessoas condutas desregradas, levando-as a sintonizar com Espíritos inferiores. Pelo mesmo mecanismo citado acima, forma-se o processo obsessivo de fundo moral. Nesses casos, o tratamento será mais fácil, pois trata-se de um problema que uma simples orientação bem conduzida pode resolver.

Causa cármica – Classificam-se como obsessões cármicas os casos obsessivos relacionados com as vidas passadas de um paciente em desequilíbrio. Carma é um termo que se refere à bagagem histórica do Espírito. É o produto de todas as encarnações vividas pela entidade. A palavra "carma" é de origem sânscrita (uma das mais antigas línguas da Índia), e significa "ação". Pode-se dizer, a grosso modo, que o carma é a ação do Espírito em toda sua trajetória evolutiva, desde sua primeira encarnação.
Denominam-se obsessões de "causa cármica", aquelas em que as perseguições observadas são oriundas do relacionamento entre obsediado e obsessor, ocorridas em vidas passadas, neste ou noutros mundos. É um tipo de obsessão provocada pela desarmonia de conduta entre duas ou mais criaturas, gerando ódios, ressentimentos e vinganças que podem se estender às suas vidas futuras. A lei de ação e reação, ou causa e efeito, regula estes processos de ajuste entre as partes envolvidas, permitindo que as conseqüências deste plantio mal feito dêem seus frutos com vistas ao aprendizado de todos.
O comprometimento no passado, através das ligações vibratórias, atrai o desafeto desencarnado que, vendo consumida a fase de infância de seu inimigo, inicia sua influência maléfica sobre ele. No passar dos anos instala-se a obsessão, apresentando maior ou menor gravidade, segundo as circunstâncias que cercam cada caso.

Contaminações Em A Gênese, Capítulo XIV, Allan Kardec fez um importante estudo sobre os fluidos espirituais. Examinando suas colocações, pode-se concluir que os ambientes materiais possuem uma espécie de atmosfera espiritual criada pelas pessoas que vivem em relação com eles.
Entende-se daí, que os centros espíritas, os terreiros_de_Umbanda, as Igrejas, os lares, os locais de trabalho e de diversões, constituem-se em verdadeiros núcleos de magnetismo espiritual, criados pelos pensamentos dos que os freqüentam. Aprendemos que nesses ambientes constituídos por pessoas mais ou menos imperfeitas, associam-se Espíritos desencarnados com tendências afins.
Nas investigações em torno da obsessão, realizadas no Grupo Espírita Bezerra de Menezes, verificou-se que freqüentadores de ambientes espirituais onde predominam a presença de Espíritos inferiores (terreiros primitivos, centros espíritas desajustados ou templos de seitas estranhas), podem ficar contaminados com sua influência. Tal domínio se forma em virtude da sintonia mental dos freqüentadores, com os Espíritos que habitualmente vão ali. Denominou-se essas obsessões de "contaminações".
Nos casos dos terreiros ditos de Umbanda, os consulentes - como são chamados ali os necessitados - quase sempre vão solicitar ajuda para a solução de seus problemas materiais e amorosos. Nesses ambientes, geralmente predominam interesses imediatistas, ligados à vida material e ninguém costuma tratar das questões morais relativas ao futuro do indivíduo como Espírito imortal.
Os Espíritos inferiores que militam nesses ambientes ajudam as pessoas interferindo em suas vidas, causando-lhes contrariedades ou efeitos materiais que iludem os que não possuem conhecimento da verdade ensinada pelo Consolador. Quando o freqüentador se afasta desses lugares, a influência dos maus Espíritos nem sempre cessa. Ao notarem que estão perdendo suas vítimas, podem instalar a desarmonia emocional e mesmo material na vida dos envolvidos.
As obsessões causadas por contaminações são mais freqüentes do que se imagina. Na região de São José do Rio Preto, SP, por exemplo, perfazem 40% do total dos casos examinados. As contaminações também podem ocorrer através das atividades de centros espíritas mal orientados. Quando pessoas novatas, sem estudo ou preparo, são colocadas em reuniões mediúnicas para exercitar suas faculdades, é muito comum caírem sob o domínio de Espíritos inferiores, terminando como vítimas da obsessão. Grupos espíritas dominados por entidades ignorantes e malévolas são verdadeiros focos de contaminação espiritual, que prejudicam os que ali vão buscar ajuda e orientação para suas vidas.

Auto-obsessão Na auto-obsessão, a mente da pessoa enferma encontra-se numa condição doentia semelhante às neuroses. É uma situação onde ela atormenta a si mesmo com pensamentos dos quais não consegue se livrar. Há casos mais graves em que o paciente não aceita que seu mal resida nele mesmo.
As causas deste tipo de obsessão residem nos problemas anímicos do paciente, ou seja, nos seus dramas pessoais, dessa ou de outras encarnações. São traumas, remorsos, culpas e situações provindas da intimidade do seu ser, que prejudicam-lhe a normalidade psicológica.

Quando se examina esses casos mediunicamente, pode-se encontrar Espíritos atrasados ou sofredores associados à vida mental dos doentes. Mas, as comunicações indicam que eles estão ali por causa da sintonia mental com o obsediado. Agravam seu mal, mas não são os causadores dele.
A causa central desse tipo de obsessão reside no paciente, que se auto-atormenta, numa espécie de punição a si mesmo. A mente de um auto-obsediado é fechada em si mesma e é preciso abri-la para a vida exterior, se quisermos ajudá-lo.
A psicoterapia convencional pode e deve ser utilizada no tratamento da auto-obsessão. Juntando-se a ela a terapia espírita, fundamentada na evangelização e no ascendente moral, pode-se obter resultados satisfatórios. O tratamento abrirá a prisão psíquica em que o indivíduo vive, libertando-o da escravidão mental.

José Queid Tufaile Huaixan

03 - PERTURBAÇÕES MORAIS

Vampirismo Sexual
(S.C.E)
Vampirismo é um tipo de obsessão no campo das viciações sensoriais e essa denominação decorre de sua principal característica, que é a sucção de energias vitais da vítima por esses obsessores

Equipe Consciência Espírita

Em seu livro Mediunidade, no capítulo VIII, o jornalista, escritor, filósofo e professor J. Herculano Pires, tratando dos problemas da obsessão, faz referências à existência de certas formas de vampirismo, como a sexual, que viola princípios morais e religiosos. Estudada pelos estudiosos e pesquisadores, mas muito pouco tratada no espiritismo em virtude do escândalo que provoca, muitas vezes causando perturbações a criaturas simples ou excessivamente sensíveis.

As três categorias de obsessão

Para compreendermos esse delicado e urgente assunto é necessário conhecer algo do mecanismo das perturbações espirituais. “A obsessão é uma infestação da alma, semelhante à infecção do corpo carnal, produzida por vírus e bactérias”, compara o professor. Kardec classificou a obsessão em três categorias: obsessão simples, subjugação e fascinação. “O primeiro tipo se caracteriza por perturbações mentais e alterações de comportamento, sem muita gravidade. O segundo, pelo domínio do corpo, produzindo-lhe os chamados tiques nervosos e sujeitando-o a atitudes ridículas em público. O terceiro consiste no domínio hipnótico de corpo e alma, através de um processo de fascinação que deforma a personalidade”, lembra Herculano Pires.

Viciações sensoriais

No caso do vampirismo trata-se de “um tipo de obsessão no campo das viciações sensoriais e essa denominação decorre de sua principal característica, que é a sucção de energias vitais da vítima por esses obsessores”. Já no vampirismo sexual a ligação perturbadora por parte do obsedado se dá com espíritos inferiores que se deixaram arrastar nos delírios da sensualidade e continuam nessa situação após a morte.

Modalidade grave de perturbação espiritual, “o vampirismo sexual pode reduzir o obsedado à inutilidade, afetando -lhe o cérebro e o sistema nervoso, tirando-lhe toda disposição para atividades sérias” . Traduz-se em incontáveis “casos de sexualidade mórbida, exasperada pela atividade dos vampiros”, enfatiza.

Uma parceria sinistra

Para mostrar a complexidade do problema, que acomete tant o héteros quanto homossexuais, o professor Herculano Pires relata um fato ocorrido com um jovem recém saído da adolescência. O caso foi testemunhado por ele próprio e bem ilustra o quanto o vampirismo é uma parceria sinistra.
Conta ele:
“Um jovem de pouco mais de vinte anos procurou-nos para expor o seu caso. Começou dizendo em lágrimas, de mãos trêmulas: ‘Sou um desgraçado que goza mais do que muitos rapazes felizes. Toda noite sou procurado em meu leito por uma deidade loira e belíssima, extremamente amorosa, que se entrega a mim. É uma criatura espiritual, bem sei, e não quero aceitá-la, mas não posso repeli-la. Após, ela desaparece como nos contos de fadas e eu me levanto e grito por ela em tamanho desespero que acordo os vizinhos. Todos pensam que sou um sonâmbulo ou um louco.

Ajude-me, por piedade!’”

Relata o professor que o caso vinha de longe, desde os 16 anos. A jovem lhe aparecera pela primeira vez como sua filha de outra encarnação. Na verdade, “essa referência filial era um embuste”, observa o professor, um engodo “destinado a aumentar as sensações com o excitante do pecado. Seis anos depois o reencontro por acaso. Fugira envergonhado pela confissão e com medo de que o libertássemos da obsessão. Mas já parecia um velho, cada vez mais trêmulo e de cabelos precocemente grisalhos.

Prometeu ir ao centro que lhe indicamos, mas não foi. O vampirismo o exauria e deve tê-lo levado a morte precoce.” Esclarece o professor que casos desta espécie são mais freqüentes do que
geralmente supomos, mas permanec em em sigilo. “A situação de ambivalência da vítima auxilia o vampirismo destruidor” , lamenta. Tendências, desvios e provações

Segundo Herculano Pires, tendências e desvios sexuais têm procedências diversas e suas raízes genésicas podem vir de profundida des insondáveis. Ele pondera que “a própria filogênese do sexo, que começa aparentemente no reino mineral, passando ao vegetal e ao animal, para depois chegar no homem, apresentando enorme variação de formas, inclusive a autogênese dos vírus e das células e a bissexualidade dos hermafroditas, justifica o aparecimento de desvios sexuais congênitos”.

Mais próximos de nós nas linhas de hereditariedade germinal cita “os ritos da virilidade de antigas civilizações entre as quais a Grécia e a Roma arcaicas, onde em várias épocas esses ritos vigoraram de maneira obrigatória, como em Esparta, onde os efebos, adolescentes, deviam receber a virilidade transmitida por homens adultos e viris através da prática homossexual”.

No entender de Herculano Pires esses episód ios fornecem elementos possíveis de explicação para o fenômeno dos desvios sexuais, uma vez que as sensações dessas experiências vivenciadas, além da hereditariedade filogenética, se gravam, de maneira mais ou menos intensa, nas estruturas supersensíveis do perispírito, projetando-se em formas dinâmicas na memória profunda ou inconsciente. “Essas formas sensoriais podem aflorar na afetividade atual, atraídas por sensações afins, no processo do associacionismo sensorial. Tudo, isso, entretanto, não elimina a tendência à normalidade da espécie, principalmente num sistema básico como a da reprodução”, reflete Herculano.

Influências espirituais perturbadoras no homossexualismo adquirido. Para o filósofo, no entanto, a maioria dos casos do chamado homossexualismo adquirido, senão todos, provém de atuação obsessiva de entidades atormentadas, entregues aos desvarios dos instintos inferiores, que potencializam as tendências de suas vítimas. Mas acrescenta: “a responsabilidade não é só dessas entidades, é também das vítimas que, de uma forma ou de outra, se deixaram dominar pelos primeiros impulsos obsessivos ou até mesmo provocaram a aproximação das entidades” .

Em vários casos dessa natureza há ainda os motivos de provação, “decorrentes de atrocidades praticadas no passado pelas vítimas atuais, que são agora colocadas na mesma posição em que colocaram criaturas inocentes em encarnações anteriores”, segundo os mecanismos de ação e reação das leis divinas. É necessário transcender a visão parcial e materialista dos problemas sexuais, que tem suas raízes no espírito reencarnado.

“A lei de causa e efeito, o carma da terminologia indiana, colhe suas vítimas geralmente no período da adolescência, quando essas ocorrências são mais favorecidas pela crise de transição da idade. Mas também há casos ocorridos na idade madura e na velhice, dependentes, ao que parece de crises típicas desses períodos. Nos casos chamados de perversão constitucional a presença dos obsessores não está excluída, pois eles são fatalmente atraídos e ligam-se às vítimas excitando-lhes as sensações e agravando-lhes a perturbação”, observa o professor Herculano Pires.

Uma vez que as tendências anormais (estando elas enraizadas no espírito reencarnado) aparecem como conseqüências de faltas ou crimes dos indivíduos que as sofrem, sempre com a finalidade de superá -las na encarnação presente, a meta deve ser jamais entregar -se ao dar vazão deliberada a essas tendências e desvios. O vampirismo cessa no momento em que o obsedado se dispõe a
reintegrar-se em si mesmo.

E aqui, uma importante observação é feita por Herculano: “a objeção psiquiátrica e psicológica de que a repressão produz recalques, frustrações, traumas e outras conseqüências desastrosas para o indivíduo provêm da visão parcial do problema no camp o materialista. Todas as vitórias do homem no sentido de seu ajustamento às condições normais da espécie são recompensadas com a tranqüilidade proporcionada pelo ajuste, eliminando a inquietação do desajuste. Um ser bem integrado em sua espécie corresponde à ordem natural da realidade e às exigências de transcendência de sua própria existência”.

Nesse sentido, orienta o professor que “o vampirismo cessa no momento em que o obsedado se dispõe a reintegrar -se em si mesmo, na posse de sua personalidade, não aceitando sugestões e infiltrações de vontade estranha em sua vontade pessoal e soberana”.

Os direitos do ser espiritual em evolução

Uma vez que tanto lutamos por fazer valer os direitos humanos, Herculano vai além, conclamando os espíritas a refletirem s obre a problemática do vampirismo, implícito nos lamentáveis desvios da sexualidade que, desafortunadamente, vem drenando moral e espiritualmente indivíduos e famílias inteiras em todos os segmentos da sociedade contemporânea: “Cabe aos espíritas, que conhecem a outra face da existência, medir a distância qualitativa entre o entregar -se às forças negativas do passado, como escravos de uma situação miserável entre os homens, e o ato de empossar-se nos seus direitos de criatura humana em evolução, avançando na direção dos anseios superiores da sua consciência humana”.

E acrescenta: “A psiquiatria materialista, que desconhece os processos dinâmicos do espírito, pode considerar esses casos como irremediáveis e recorrer ao processo escuso de normalizar o anorma l. Mas o espiritismo nos fornece os recursos do esclarecimento científico e racional do problema”.

Auxílio dos centros e grupos espíritas idôneos

O professor Herculano Pires nos leva a refletir que “nos centros e grupos espíritas bem orientados, as perturbações espirituais de ordem sexual são tratadas de maneira especial, em pequenas reuniões privativas, com médiuns que disponham de condições para enfrentar o problema. Como no caso das obsessões alcoólicas, toxicômanas e outras do mesmo gênero, é necessário o máximo cuidado na seleção das pessoas que vão tratar do assunto e o maior sigilo e respeito, a fim de evitar -se o prejuízo dos comentários negativos, que influem fatalmente sobre o caso, provocando agravamentos inesperados da situação das vítimas”.

Despertando a vontade anestesiada

Herculano ainda relata um penoso caso por ele acompanhado de homossexualidade adquirida em que o obsedado reintegrou -se após dez anos de luta solitária, conscientizando-se de seu problema, esforçando-se em superá-lo através da terapêutica espírita e do recolhimento fortalecedor da prece. Segundo relatou ao professor, sua mãe, já desencarnada, o auxiliava através de aparições periódicas, sem nada dizer, mas de olhos cheios de lágrimas.

“Graças a essa ajuda materna consegui u despertar a sua vontade anestesiada e livrar-se das tentações vampirescas”. Comenta ainda Herculano que esse companheiro tornou -se espírita e casou-se. Hoje freqüenta regularmente um centro espírita em São Paulo e se interessa especialmente pelos casos de vampirismo. “Quer pagar com o seu auxílio aos outros o benefício imenso que recebeu. Ninguém sabe nada do seu passado infeliz e todos o consideram e estimam. Não foi esse o caso de Madalena, que Jesus socorreu e transformou na primeira testemunha da sua ressurreição?” questiona o professor.

Conclusão

Referindo-se aos recursos espíritas nos casos de vampirismo, conclui Herculano que graças a essa luz divina no campo da comunicação — que é a mediunidade — “as mães sofredoras, que deixaram filhos no mun do em resgates dolorosos, conseguem socorrê -los e libertá-los de provas esmagadoras, que os homens, em geral, só sabem aumentar e agravar” . E dirigindo-se aos médiuns que laboram anônima e desinteressadamente nas casas espíritas, enfatiza: “Os médiuns precisam conhecer esses episódios emocionantes, para compreenderem o esplendor secreto de sua missão e a utilidade superior e humilde do mediunato que lhes foi concedido. Chegou a hora em que esses fatos secretos devem ser proclamados de cima dos telhados, segundo a previsão de Jesus registrada nos Evangelhos.

04 - PERTURBAÇÕES MORAIS

Encostos, obsessões, perturbações. Lei de afinidades.
Escolher boas companhias, evitar as más companhias

Segundo a tradição religiosa, anjos são seres incorpóreos e imateriais, puros Espíritos que atuam como emissários divinos.

Mas há também o anjo mau, o diabo, rebelado contra o Criador que, obstinado, intenta nossa perdição. Ver-nos em tormentos eternos seria sua mais gloriosa realização.

Aparentemente este tinhoso é mais arguto e capaz do que seu benevolente irmão. Basta observar como se disseminam facilmente na sociedade terrestre a ambição, a desonestidade, o vício, a mentira, a violência e tantos outros males que fazem a confusão do Mundo.

O tempo desgastou essas idéias.

Elas serviram aos interesses do passado, mas não atendem à racionalidade do presente quando, antes de crer, o Homem cogita de compreender.

Impossível aceitar um Deus de misericórdia infinita, como revela Jesus, que não ofereça infinitas oportunidades de reabilitação para os demônios e suas vítimas.

Como pode o Pai amoroso da expressão evangélica confinar seus filhos em grotesco e irremediável inferno, que contraria a dinâmica evolutiva do Universo?

Admitamos que assim seja.

Que existam anjos e demônios a disputarem nossa Alma.

Como se estabelece a comunicação entre eles e nós?

Como assimilamos sua influência?

Forçosamente há um mecanismo distinto da palavra escrita e falada. São seres espirituais agindo sobre indivíduos de carne e osso.

Inútil especular a respeito do assunto, enveredando pelo terreno enganoso da fantasia. Imperioso pesquisar, a partir do elemento visível aquele que sofre a influência.

É o que faz a Doutrina Espírita, demonstrando a existência da Mediunidade, o sexto-sentido, que nos permite contatar o Mundo Espiritual, assim como o tato, o paladar, a audição, a visão e o olfato nos colocam em contato com o mundo físico.

O Espiritismo vai além.

Submetendo o fenômeno mediúnico a rigorosos métodos de experimentação, o que lhe permite superar crendices, mitos e superstições, demonstra que anjos e demônios são apenas homens desencarnados, as Almas dos mortos, agindo de conformidade com suas tendências.

São regidos, entretanto, por leis divinas que mais cedo ou mais tarde nos conduzirão todos à perfeição.

Esse o objetivo de Deus que, como ensinava Jesus, não quer perder nenhum de seus filhos.

Torcicolo mental

A contração dos músculos cervicais impõe dolorida torção ao pescoço. O paciente vê-se na contingência de não mover a cabeça, assumindo postura rígida, divertida para os que a apreciam, mas penosa para ele. Popularmente chama-se torcicolo.

A obsessão é uma espécie de torcicolo mental. O indivíduo sente-se dominado por determinados pensamentos ou sentimentos, como se sofresse uma paralisia da vontade que lhe impõe embaraços à apreciação serena e saudável das conjunturas existenciais.

O pensamento emperra num círculo vicioso, como um disco com defeito nos sulcos, a repetir indefinidamente pequeno trecho da gravação.

Resumindo: obsessão é idéia fixa.

Eventualmente passamos todos por momentos obsessivos.

A dona de casa que interrompe o passeio, atormentada pela possibilidade de ter deixado o ferro ligado...

O motorista que retorna ao automóvel estacionado para confirmar que acionou o alarme anti-furto...

A mãe noviça que acorda o bebê para verificar se está respirando...

Instala-se a obsessão quando não conseguimos superar nossas preocupações, assumindo um comportamento insólito e compulsivo, como lavar as mãos dezenas de vezes diariamente, a cada contato com objetos ou pessoas.

Em "O Livro dos Médiuns", no capítulo XXIII, Allan Kardec usa o mesmo termo para definir a influência espiritual inferior :

"Entre os escolhos que apresenta a prática do Espíritismo, cumpre se coloque na prímeíra linha a obsessão, ísto é, o domínio que alguns Espírítos logram adquirir sobre certas pessoas. Nunca é praticada senão pelos Espírítos inferiores, que procuram dominar. Os bons Espírítos nenhum constrangimento infligem. Aconselham, combatem a influência dos maus e, se não os ouvem, retiram-se. Os maus, ao contrário, se agarram àqueles de quem podem fazer suas presas. Se chegam a dominar algum, ídentificam-se com o Espíríto deste e o conduzem como se fora verdadeira criança."

O termo obsessão tem uma extensão mais abrangente, já que em qualquer lugar ou atividade podemos ser envolvidos por influências espirituais desajustantes.

Kardec deixa isso bem claro, ao destacar no referido capítulo as motivações dos obsessores:

"As causas da obsessão variam, de acordo com o caráter do Espíríto. É, às vezes, uma vingança que este toma de um invidíduo de quem guarda queíxas do tempo de outra existência. Muitas vezes, também, não há maís do que o desejo de fazer mal,- o Espíríto, como sofre, entende de fazer que os outros sofram, encontra uma espécie de gozo em os atormentar, em os vexar, e a ímpacíência que por ísso a vítima demonstra maís o exacerba, porque esse é o objetivo que colima, ao passo que a paciência o leva a cansar-se. Com o irritar-se, o mostrar-se despeitado, o perseguido faz exatamente o que quer o seu perseguidor. Esses Espíritos agem, não raro, por ódío e inveja do bem; daí o lançarem suas vistas malfazejas sobre as pessoas mais honestas. (..) ".

Obsessão simples

Kardec emprega a expressão simples, ao enunciar o primeiro tipo de obsessão, para situá-lo como algo comum, frequente, a que poucas pessoas se furtam, como ocorre com determinadas indisposições orgânicas.

Quanto às suas consequências, distanciam-se da simplicidade, assumindo, não raro, proporções devastadoras.

Podemos usar aquele adjetivo também para caracterizar a estratégia dos obsessores.

Eles simplesmente incursionam na mente da vítima, sugerindo pensamentos que visam acentuar suas preocupações, fobias, dúvidas, temores...

Resultado: uma extrema excitação que desajusta os centros nervosos. Isso não só lhe ameaça a estabilidade física e psíquica como a leva a adotar uma conduta irregular, ridícula, desarrazoada.

Como conseguem realizar semelhante proeza os assaltantes do além?

É simples:

Apenas exploram as deficiências morais da vítima, a fim de submetê-la à tensão e precipitá-la no desajuste.

Quanto mais longe conseguirem levar esse processo, mais amplo será o seu domínio.

Quanto mais o obsidiado render-se às suas sugestões, mais enleado estará.

Aproximando-se de um comerciante o obsessor infiltra-se em sua mente com dúvidas assim:

"Fechou a porta do estabelecimento?"

"O movimento do dia foi devidamente trancado no cofre?"

"Desligou a luz?"

"Verificou as janelas?"

Rendendo-se às primeiras sugestões, que logo serão seguidas de outras, infindavelmente, o comerciante breve estará repetindo intermináveis cuidados e verificações.

Conduta irregular, absurda - ele sabe disso mas não consegue evitar, porquanto está sendo explorada sua grande fixação: o apego aos bens materiais.

Se os interesses do comerciante fossem menos comprometidos com a avareza; se suas motivações girassem em torno de temas mais edificantes, aquelas idéias jamais seriam assimiladas. Não haveria nem sintonia nem receptividade para elas.

Importante destacar que o obsessor somente consegue semear a obsessão no campo fértil formado pelo objeto de nossas cogitações, de nossos desejos, quando exacerbados.

Por isso, a obsessão simples começa geralmente como simples auto-obsessão.

Empolgamo-nos com idéias infelizes e acabamos envolvidos com perseguidores invisíveis que acentuam nossa infelicidade.

Hemorragia espiritual

Sentia fraqueza. Mais que isso, lassidão. Dores nas pernas, inapetência... Vontade irresistivel de amontoar-se num canto, descansar...

Foi ao médico.

O exame de sangue revelou a causa: anemia.

Outros testes identificaram a origem: imperceptível e persistente hemorragia intestinal, produzida por ulceração indolor.

Por ali derramava-se sua vitalidade.

Algo semelhante ocorre com a vítima da obsessão simples.

Assimilando as sugestões do obsessor relacionadas com a saúde, os negócios, os sentimentos ou envolvendo problemas existenciais, o obsidiado passa agir sob forte tensão, perdendo energias como se sofresse uma insidiosa hemorragia espiritual.

Por outro lado, há Espíritos presos às impressões da vida material que literalmente sugam as energias de suas vítimas com o propósito de se revitalizarem.

Resultado:

Esgotamento nervoso, caracterizado por palpitações, angústia, dificuldade de concentração, desânimo. O obsidiado experimenta a sensação de carregar sobre os ombros os males do Mundo.

Alguém informa:

-É encosto! Procure o Centro Espírita.

Definição equivocada. O obsessor não está “encostado" em sua vítima. Apenas pressiona seu psiquismo pelo pensamento, explorando-lhe as mazelas.

A obsessão simples origina-se, não raro, na influência exercida por Espíritos que não intentam prejudicar. Perplexos no Além, recém-chegados das lides humanas, agarram-se às pessoas com as quais tenham afinidade, particularmente familiares, impondo-lhes o reflexo de seus desajustes.

Sustentam, assim, o que poderíamos denominar "obsessão pacífica".

Acompanhando o "encostado" são beneficiados no Centro Espírita, onde ouvem preleções nas reuniões públicas ou são encaminhados às reuniões mediúnicas que funcionam à maneira de prontos-socorros, desfazendo-se a ligação.

Por essa razão ouvimos frequentemente comentários assim:

-Eu me sentia péssimo quando fui ao Centro. Idéias infelizes, horrível sensação de opressão. Agora estou muito bem. Foi como se tirassem com a mão.

A influência maior

No livro "Libertação", psicografia de Francisco Cândido Xavier, o Espírito André Luiz reporta-se à experiência de uma senhora perseguida por dois obsessores que tinham duplo propósito:

Comprometer sua tarefa como médium e conturbar o trabalho de seu marido, dedicado dirigente espírita.

Exploravam-lhe as vacilações, incutindo-lhe a convicção de que as manifestações que transmitia eram fruto de sua própria mente.

Ao mesmo tempo atiçavam nela tendências ao ciúme, sugerindo que o marido usava sua posição para seduzir mulheres.

Eles entravam em contato com ela durante as horas de sono, quando as criaturas humanas experimentam o que Allan Kardec define como "emancipação da Alma".

Enquanto nosso corpo dorme, transitamos pelo Além, em contato com Espíritos que guardam afinidade conosco.

O marido, homem disciplinado e esclarecido, amigo das virtudes evangélicas, afasta-se do veículo físico e desenvolve atividades de aprendizado e trabalho, junto de benfeitores espirituais.

A esposa, imatura, frágil em suas convicções e dominada por impulsos exclusivistas, é presa fácil das sombras. Os obsessores conversam com ela, confundindo-a em relação ao seus compromissos mediúnicos e à fidelidade do marido.

Ao despertar, aquelas "orientações" repercutem em seu psiquismo, inspirando-lhe desânimo e indignação.

André Luiz presencia uma dessas sessões de aliciamento para a perturbação e registra o deplorável estado da médium ao despertar.

"Oh! Como sou infeliz! - bradou, angustiada - estou sozinha, sozinha!"

O marido, inspirado por benfeitor espiritual, tem imenso trabalho para pacificá-la.

Esse episódio oferece-nos uma visão mais ampla do "modus faciendi", a maneira de agir dos obsessores.

Geralmente imaginamos esses amigos da desordem colados às vítimas. Quais inarredáveis mastins a lhes morderem os calcanhares, exacerbam suas dúvidas, exploram suas mazelas, com o propósito de aprisioná-las na perturbação.

Não é bem assim.

A influência maior ocorre durante o sono.

Sem a proteção da armadura de carne que inibe as percepções espirituais das criaturas humanas, os obsessores conversam à vontade com elas.

Apresentando-se, não raro, como "amigos" e "protetores", conquistam sua confiança. Como se programassem sua mente, incutem-lhes idéias infelizes que martelarão seu cérebro durante a vigília, emergindo na forma de dúvidas, temores, angústias, impulsos desajustados e depressão.

Seria equívoco situar as horas de sono como páginas em branco na existência humana.

São páginas escritas com tinta invisível, tão importantes quanto aquelas que escrevemos na vigília, com insuspeitada e ampla influência sobre nossos estados de ânimo, nossas idéias e sentimentos.

Imperioso, portanto, que não durmamos espiritualmente, enquanto acordados fisicamente.

Proclama a sabedoria popular:

"Díze-me com quem andas e te direi quem és"

Algo semelhante podemos dizer em relação ao trânsito no Além durante as horas de sono:

“Dize-me como és e te direi com quem andas”

Uma lenda hindu

Um homem necessitado era dono de um burro que lhe prestava grandes serviços. Mas, porque não tivesse recursos, enfraqueceu-se o animal por falta de forragem. Passeando, porém, a distância de casa, o homem achou um tigre morto. E teve uma idéia. Cobriria o humilde cooperador com a pele do tigre e soltá-lo-ia cada noite nas terras dos fazendeiros vizinhos. Visto disfarçado em tigre, o burrico seria respeitado, e assim aconteceu. O muar fartava-se de cevada e, manhãzinha, era recolhido pelo dono à pequena estrebaria. O burro, nesse regime, fez-se nédio, contente da vida. Mas, surgiu uma noite em que jumentas vararam a paisagem, zurrando, zurrando... E o burro, acordado nas afinidades do instinto, zurrou e zurrou também... Os fazendeiros, com isso, descobriram a farsa e mataram-no a cacetadas, rasgando-lhe toda a pele.. .

Nome, forma, gesto, fama e autoridade são aspectos na pessoa, sem serem, de modo algum, a pessoa em si.

Se vocês quiserem realmente conhecer benfeitores e malfeitores, sábios e ignorantes, sãos e doentes, encarnados e desencarnados, escutem, com atenção, a fala de cada um.

O guarda chuva protetor

Leontino não estava conseguindo...

Espírito desencarnado, assediava José Onofre, pretendendo vingar-se de passadas ofensas.

Localizara-o em nova jornada na carne e pretendia infernizar-lhe a existência, envolvendo-o na obsessão.

No entanto, o antigo desafeto resistia às suas investidas, conservando-se perfeitamente ajustado.

Resolveu apelar para um companheiro mais tarimbado... Procurou Quirino, especialista em atazanar pessoas, usando de extrema sutileza em suas investidas, alguém que a tradição religiosa definiria como um ser demoníaco.

Nada disso. Era apenas um transviado filho de Deus que não se dera ainda ao trabalho de avaliar a semeadura de espinhos que vinha efetuando, os quais fatalmente colheria um dia, em penosos reajustes.

O experiente obsessor ouviu-lhe as frustrações e indagou:

- Identificou-lhe as fraquezas?

- Sim.

- E quais são?

- Certa tendência à tristeza, caráter introvertido; alguma preocupação com a saúde; eventuais crises de afetividade no lar; gosta de aperitivos e não é insensível aos encantos femininos.

- Então, não conseguiu puxar esses fios para enovelá-lo?

- Bem que tentei, mas sem resultado. Não tem tempo para render-se às próprias mazelas. Vinculado a um Centro Espírita, ocupa todas as suas horas livres em serviços diversos-. visita doentes, atende necessitados, cuida de crianças, faz plantão no albergue, aplica passes magnéticos, participa de reuniões mediúnicas. O homem não pára! Simplesmente não sobra espaço em sua mente para infiltração de idéias obsessivas.

Quirino franziu o cenho.

-Quando nossas presas encasquetam a idéia de que devem ocupar o tempo ajudando o semelhante fica difícil. Buscou o ataque por vias indiretas?

-Sim, sim, segui fielmente nossos programas. Explorei as tendências neuróticas da esposa, criando-lhe embaraços no lar; provoquei problemas financeiros, complicando seus negócios; envolvi o filho com drogas; semeei desentendimentos no Centro Espírita; acentuei seus males físicos, mas o homem é uma rocha. Situa-se inabalável, confiando-se à proteção divina.

Leontino suspirou, completando:

- Simplesmente José Onofre recusa-se a uma reação negativa que me dê ensejo para atingi-lo. O que você me aconselha?

- Desista.

- Ora essa! É tudo que tem a dizer?

- Estou apenas sendo realista. O problema é que seu desafeto abriu o guarda-chuva protetor. Você pode fazer desabar sobre ele tempestades existenciais violentas. Não logrará atingi-lo.

-E o que vem a ser essa proteção?

- A prática do bem aliada à confiança em Deus. É preciso esperar torcendo para que ele se decida a fechar o guarda-chuva.

Fonte:

Quem tem medo da obsessão – Richard Simonetti

A vida escreve – Hilário Silva- Chico Xavier/Waldo Vieira