POLIGAMIA
BIBLIOGRAFIA
01- As margens do Eufrates - pág. 65 02 - Curso Dinâmico de Espiritismo - pág. 185
03 - E a vida continua - pág. 123 04 - Evolução em dois mundos - pág. 139
05 - Forças sexuais da alma - pág. 17 06 - Nosso Lar - pág. 207
07 - O alvorecer da espiritualidade - pág. 65 08 - O Livro dos Espiritos - q. 700
09 - Revista Espírita - 1858 - pág. 12 10 - Saúde e Espiritismo - pág. 285
11 - Sexo e destino - pág. 283 12 - Sexo e evolução - pág. 124, 263
13 - Sexo sublime tesouro - pág. 84 14 - Vida e sexo - pág. 26, 81
15 - As leis morais - pág. 79  

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POLIGAMIA – COMPILAÇÃO

04 - Evolução em dois mundos - André Luiz - pág. 139

POLIGAMIA E MONOGAMIA — O instinto sexual, então, a desvairar-se na poligamia, traça para si mesmo largo roteiro de aprendizagem a que não escapará pela matemática do destino que nós mesmos criamos. Entretanto, quanto mais se integra a alma no plano da responsabilidade moral para com a vida, mais apreende o impositivo da disciplina própria, a fim de estabelecer, com o dom de amar que lhe é intrínseco, novos programas de trabalho que lhe facultem acesso aos planos superiores.

O instinto sexual nessa fase da evolução não encontra alegria completa senão em contato com outro ser que demonstre plena afinidade, porquanto a liberação da energia, que lhe é peculiar, do ponto de vista do governo emotivo, solicita compensação de força igual, na escala das vibrações magnéticas.

Em semelhante eminência, a monogamia é o clima espontâneo do ser humano, de vez que dentro dela realiza, naturalmente, com a alma eleita de suas aspirações a união ideal do raciocínio e do sentimento, com a perfeita associação dos recursos ativos e passivos, na constituição do binário de forças, capaz de criar não apenas formas físicas, para a encarnação de outras almas na Terra, mas também as grandes obras do coração e da inteligência, suscitando a extensão da beleza e do amor, da sabedoria e da glória espiritual que vertem, constantes, da Criação Divina.

08 - O Livro dos Espiritos - Allan Kardec - questão. 700

POLIGAMIA
Perg. 700 - A igualdade numérica aproximada entre os sexos é um indício da proporção em que eles se devam unir?
- Sim, pois tudo tem um fim na Natureza.

O Espiritismo é teleológico, tanto do pontode vista físico quanto do ético; as coisas materiais e os fatos morais, o mundo e o homem, tudo tem uma finalidade, mas não de ordem antropológica. Muitas vezes ela contraria ou escapa ao pensamento do homem. Isso deu motivo à reação antiteleológica da Filosofia moderna. A Ciência, por sua vez, tratando apenas do plano objetivo, não viu mais que "um ângulo do quadro da Natureza" e restringiu-se às "condições das coisas e dos fatos. Henri Bergson, porém, em L'Evolution Creatice desenvolveu a teoria do elã vital, segundo a qual todo o curso da evolução, partindo da matéria mais densa, dirige-se à liberação da consciência no homem, aparecendo este como o fim último da vida da Terra. Essa é a tese espírita da evolução, até os limites da vida terrena. Mas o Espiritismo vai além, admitindo a "escala dos mundos", pela da qual a evolução se processa no infinito, sempre com a finalidade da perfeição. (N.do T.)

Perg. 701 - Qual das duas, a poligamia ou a monogamia, é a mais conforme à lei natural? - A poligamia é uma lei humana, cuja abolição marca um progresso social. O casamento, segundo as vistas de Deus, deve fundar-se na afeição dos seres que se unem. Na poligamia não há verdadeira afeição não há mais do que sensualidade.

Se a poligamia estivesse de acordo com a lei natural devia ser universal, o que, entretanto, seria materialmente impossível em virtude da igualdade numérica dos sexos. A poligamia deve ser considerada como um uso ou uma legislação particular, apropriada a certos costumes e que o aperfeiçoamento social fará desaparecer pouco a pouco.

O impulso poligâmico do homem não é um instinto biológico, mas um simples resquício das fases anteriores de sua evolução. Não sendo irracional nem controlado pelas leis naturais das espécies animais, ele tem o dever moral de refrear esse impulso e sublimar a sua afetividade por meio do amor conjugal e familiar. É pela razão e pelo livre-arbítrio que ele se controla, elevando-se conscientemente acima das exigências biológicas e das ilusões sensoriais. Se esse controle lhe parece difícil, maior é a sua necessidade de evolução nesse campo e também porque "o mérito do bem está na dificuldade", como se vê na perg. 646 (N.do T)

12 - Sexo e evolução - Walter Barcellos - pág. 124, 263

11.2 - A POLIGAMIA NO CURSO DA HISTÓRIA
No mundo primitivo, a poligamia era um costume natural, onde os homens conviviam maritalmente com várias mulheres. Nos dia atuais, o amor livre é ainda a recordação da poligamia dos tempos primitivos, com mudança somente quanto à forma. Atualmente, devemos entender por poligamia todo relacionamento sexual da pessoa, na condição de solteiro ou de casado, do homem ou da mulher, na busca de prazeres sexuais sem responsabilidades, com variação de parceiro ou parceira. Não somente a juventude se envereda pelo mundo livre das relações sexuais, pois os adultos, quando resvalam para a prática das relações extraconjugais, estão vivendo também a poligamia. Quanto às nossas recordações poligâmicas, diz-nos o Espírito Emmanuel:

"Que a tentação de retorno aos sistemas poligâmicos pode ocorrer habitualmente com qualquer pessoa, na Terra; é mais que natural — é justo. Em circunstâncias numerosas, o pretérito pode estar vivo nos mecanismos mais profundos de nossas inclinações e tendências." Na prática do amor livre, que é poligamia, dizem os Espíritos em obra básica da Codificação:
"(...) Na poligamia, não há afeição real: há apenas sensualidade."

11.3 - • Ausência dos valores do sentimento

No amor livre, sendo a satisfação do instinto sexual o objetivo único, procura-se fazer sempre do parceiro ou parceira mero instrumento do prazer sensual. Na busca incessante das sensações inferiores, as criaturas desinteressam-se pelos valores do sentimento, os quais são os únicos que poderão formar uma união ideal, que trará a paz, a alegria e a segurança relativas para a dupla de corações. A prática do amor livre pode atender à volúpia dos desejos e sensações inferiores da criatura, mas não fará bem para a alma de ninguém, pois todo coração somente alimentará alegria, através da afeição que garanta a estabilidade emocional e psíquica.

11.4 — Responsabilidade afetiva e Justiça Divina
Quer nas relações afetivas da vida conjugal legalizada, quer na ligação amorosa, destituída de vínculos jurídicos, a responsabilidade ante a Justiça Divina é a mesma, de um para com o outro. O que as leis humanas não analisam, não exigem e não punem, a Justiça Divina, ao contrário, analisa, pesa, exige e pune com segurança e sem falhas. Há um código de Leis Divinas regendo profundamente a vida moral das criaturas humanas, desde os mínimos atos, dando a cada um de acordo com suas obras praticadas por pensamentos, sentimentos, palavras e atos.

Com a prática das relações sexuais sem os valores afetivos enobrecidos, as criaturas valorizam e buscam somente o corpo físico do outro, desprezando-lhe a alma e desconhecendo as leis morais que regem este relacionamento. A criatura humana não é somente corpo físico, pois é muito mais alma, sentimento, coração e consciência.

E esses sagrados valores internos da pessoa que dizemos amar, nós comumente os tratamos muito mal, danificando o altar interior do parceiro sem saber que estamos realmente ferindo é a nós mesmos, através da consciência culpada. O mentor espiritual de Chico Xavier com muita sabedoria nos faz entender: "Cada Espírito detém consigo o seu íntimo santuário, erguido ao amor, e Espírito algum menoscabará o 'lugar sagrado' de outro Espírito, sem lesar a si mesmo."

11.5 — No relacionamento sexual, tratamos a pessoa amada como se fosse um objeto

A pregação sistemática do materialismo para a liberação sexual, sem compromissos e responsabilidades, está estimulando as criaturas a se tratarem mutuamente como se fossem "coisas", ou seja, a vida afetiva e sexual entre o homem e a mulher nada tem a ver com a vida pessoal de ambos. Isto é um grande engano.

Nenhuma criatura é um objeto, um boneco ou um autômato. Vida sexual implica participação afetiva profunda das criaturas, decretando variações múltiplas e imprevisíveis na vida sentimental, emocional e psicológica, para níveis mais elevados ou menos elevados moralmente. Crescem assustadoramente os desastres morais na vida afetiva entre o homem e a mulher, seja na união conjugal ou fora dela; em virtude do despreparo espiritual surgem os sintomas enfermiços: desentendimentos, discussões, inimizades, perseguições, crueldade, infidelidade, separação, abandono, assassínios e suicídios.

No relacionamento afetivo entre o homem e a mulher, ambos são responsáveis pelos danos que venham a causar à vida íntima do outro, os quais serão cobrados, ceitil por ceitil, pela Justiça Divina. Quanto ao respeito à consciência de cada um, Emmanuel disserta:
"Conferir pretensa legitimidade às relações sexuais irresponsáveis seria tratar 'consciências', qual se fossem 'coisas', e, se as próprias coisas, na condição de objetos, reclamam respeito, que se dirá do acatamento devido à consciência de cada um?"

11.6 — Compromisso sexual cria leis do coração
É indispensável compreendamos que qualquer comunhão afetiva e sexual cria um pacto de uma consciência para outra com responsabilidades bem definidas para ambos. Teremos que responder por todos os prejuízos físicos, financeiros e principalmente morais, psicológicos e espirituais que aplicamos ao parceiro ou à parceira, de imediato ou a longo prazo.

Todo relacionamento sexual, sem o cultivo constante e crescente do amor espiritualizado, possui probabilidades de criar, mais cedo ou mais tarde, problemas gravíssimos de difícil solução. O amor-paixão não sabe caminhar todo o tempo nos trilhos da disciplina, da harmonia, do respeito, da assistência mútua e da gratidão, pois, com o desejo dominando os sentimentos, a criatura humana busca sempre a satisfação de si mesma, não se importando com a vida interior do outro. Esclarece Emmanuel:

"(...) os deveres assumidos, no campo do amor, ante a luz do presente, devem prevalecer, acima de quaisquer anseios inoportunos, de vez que o compromisso cria leis do coração e não se danificarão os sentimentos alheios sem resultados correspondentes na própria vida". (...)

14 - Vida e sexo - Emmanuel - pág. 26, 81

5 - Energia sexual
«Pergunta — E' a mesma a força que une os elementos da matéria nos corpos orgânicos e nos inorgânicos ?»
«Resposta — Sim, a lei de atração é a mesma para todos.» Item n.° 60, de «O LIVRO DOS ESPÍRITOS».

A energia sexual, como recurso da lei de atração, na perpetuidade do Universo, é inerente à própria vida, gerando cargas magnéticas em todos os seres, à face das potencialidades criativas de que se reveste. Nos seres primitivos, situados nos primeiros degraus da emoção e do raciocínio, e, ainda, em todas as criaturas que se demoram voluntariamente no nível dos brutos, a descarga de semelhante energia se opera inconsideradamente. Isso, porém, lhes custa resultados angustiosos a lhes lastrearem longo tempo de fixação em existências menos felizes, nas quais a vida, muito a pouco e pouco, ensina a cada um que ninguém abusa de alguém sem carrear prejuízo a si mesmo.

À medida que a individualidade evolui, no entanto, passa a compreender que a energia sexual envolve o impositivo de discernimento e responsabilidade em sua aplicação, e que, por isso mesmo, deve estar controlada por valores morais que lhe garantam o emprego digno, seja na criação de formas físicas, asseguradora da família, ou na criação de obras beneméritas da sensibilidade e da cultura para a reprodução e extensão do progresso e da experiência, da beleza e do amor, na evolução e burilamento da vida no Planeta.

Através da poligamia, o espírito assinala a si próprio longa marcha em existências e mais existências sucessivas de reparação e aprendizagem, em cujo transcurso adquire a necessária disciplina do seu mundo emotivo. Fatigado de experimentos dolorosos, nos quais recolhe o fruto amargo da delinquência ou do desespero que haja estabelecido nos outros, reconhece na monogamia o caminho certo de suas manifestações afetivas. Atento a isso, identifica na criatura que se lhe afina com os propósitos e aspirações o parceiro ou a parceira ideais para a comunhão sexual, suscetível de lhe granjear o preciso equilíbrio e capaz de lhe revitalizar as forças com que se põe no encalço do trabalho imprescindível à própria evolução.

Em nenhum caso, ser-nos-á lícito subestimar a importância da energia sexual que, na essência, verte da Criação Divina para a constituição e sustentação de todas as criaturas. Com ela e por ela é que todas as civilizações da Terra se levantaram, legando ao homem preciosa herança na viagem para a sublimação definitiva, entendendo-se, porém, que criatura alguma, no plano da razão, se utilizará dela, nas relações com outra criatura, sem consequências felizes ou infelizes, construtivas ou destrutivas, conforme a orientação que se lhe dê.

19 - Amor livre
«Pergunta — Qual das duas, a poligamia ou a monogamia, é mais conforme à lei da Natureza?»
«Resposta — A poligamia é lei humana cuja abolição marca um progresso social. O casamento, segundo as vistas de Deus, tem que se fundar na afeição dos seres que se unem. Na poligamia, não há afeição real: há apenas sensualidade.» Item n.° 701, de «O LIVRO DOS ESPÍRITOS».


Comenta-se a possibilidade de legalização das relações sexuais livres, como se fora justo escolher companhias para a satisfação do impulso genésico, qual se apontam iguarias ou vitaminas mais desejáveis numa hospedaria. Relações sexuais, no entanto, envolvem responsabilidade. Homem ou mulher, adquirindo parceira ou parceiro para a conjunção afetiva, não conseguirá, sem dano a si mesmo, tão-sòmente pensar em si.

Referentemente ao assunto, não se trata exclusivamente da ligação em base do matrimônio legalmente constituído. Se os parceiros da união sexual possuem deveres a observar entre si, à face de preceitos humanos, voluntariamente aceitos, no plano das chamadas ligações extralegais acham-se igualmente submetidos aos princípios das Leis Divinas que regem a Natureza. Cada Espírito detém consigo o seu íntimo santuário, erguido ao amor, e Espírito algum menoscabará o "lugar sagrado" de outro Espírito, sem lesar a si mesmo.

Conferir pretensa legitimidade às relações sexuais irresponsáveis seria tratar "consciências" qual se fossem "coisas", e se as próprias coisas, na condição de objetos, reclamam respeito, que se dirá do acatamento devido à consciência de cada um? E' óbvio que ninguém se lembrará, em são juízo, de recomendar escravidão às criaturas claramente abandonadas ou espezinhadas pelos próprios companheiros ou companheiras a que se entregaram, confiantes; isso, no entanto, não autoriza ninguém a estabelecer liberdade indiscriminada para as relações sexuais que resultariam unicamente em licença ou devassidão.

Instituído o ajuste afetivo entre duas pessoas, levanta-se, concomitantemente, entre elas, o impo sitivo do respeito à fidelidade natural, ante os compromissos abraçados, seja para a formação do lar e da família ou seja para a constituição de obras ou valores do espírito. Desfeitos os votos articulados em dupla, claro que a ruptura corre à conta daquele ou daquela que a empreendeu, com o aceite compulsório das consequências que advenham de semelhante resolução.

Toda sementeira se acompanha de colheita, conforme a espécie. E' razoável nos lembremos disso, porquanto o autor ou autora da defecção havida, ante os princípios de causa e efeito, é considerado violador de almas, assumindo com as vítimas a obrigação de restaurá-las, até o ponto em que as injuriou ou prejudicou, ainda mesmo quando na conceituação incompleta do mundo essas criaturas tenham sido encontradas supostamente já prejudicadas ou injuriadas por alguém.

O diamante no lodo não deixa de ser diamante, sem perder o valor que lhe é próprio, diante da vida. A criatura em sofrimento não deixa de ser criação de Deus, sem perder a imortalidade que lhe é própria, à frente do Universo. Que a tentação de retorno aos sistemas poli-gâmicos pode ocorrer habitualmente com qualquer pessoa, na Terra, é mais que natural — é justo. Em circunstâncias numerosas, o pretérito pode estar vivo nos mecanismos mais profundos de nossas inclinações e tendências.

Entretanto, os deveres assumidos, no campo do amor, ante a luz do presente, devem prevalecer, acima de quaisquer anseios inoportunos, de vez que o compromisso cria leis no coração e não se danificarão os sentimentos alheios sem resultados correspondentes na própria vida. Observem-se, nos capítulos do sexo, os desígnios superiores da Infinita Sabedoria que nos orienta os destinos e, nesse sentido, urge considerar que a Vontade de Deus, na essência, é o dever em sua mais alta expressão traçado para cada um de nós, no tempo chamado "hoje". E se o "hoje" jaz viçado de complicações e problemas, a repontarem do "ontem", depende de nós a harmonia ou o desequilíbrio do "amanhã".

15 - AS LEIS MORAIS - RODOLFO CALLIGARIS - PÁG. 79

Qual desses três estados o mais conforme à lei de Deus?
À luz do Espiritismo, se adotado para escapar às canseiras e responsabilidades da família, o celibato a contraria frontalmente, pois revela forte egoísmo.

Quanto ao celibato de religiosos (praticado, aliás, desde a mais remota antiguidade, entre persas e babilônicos, monges budistas e iniciados essênios, etc.), conservado em nossos dias como uma disciplina no seio da Igreja Católica Romana, tanto em suas ordens masculinas como femininas, não há como deixar de reconhecer que foi, é e será, sempre, altamente meritório, desde que, renunciando às satisfações e ao aconchego doméstico, o (a) celibatário (a) alimente o sincero propósito de melhor servir à coletividade.

Com efeito, os sacrifícios daqueles sacerdotes e freiras que, observando a castidade, se mostram capazes de total devotamento ao próximo, seja na assistência espiritual, nas tarefas educacionais, nos serviços hospitares, em asilos, creches, orfanatos e em misteres outros, em que dão o máximo de si sem pensar em si, constituem exemplos grandiloquentes de amor sublimado, que os eleva muito acima da craveira comum dos terrícolas.

Contudo, nem assim pode o celibato ser considerado o estado ideal, dadas as condições e as finalidades da vida neste mundo. A poligamia, por sua vez, é um costume que, introduzido em certa época, por motivos econômicos (o aumento de braços para o trabalho grátis nos clãs), já não se justifica.

É verdade que ainda se mantém nas populações muçulmanas do Norte da África e em grande parte da Ãsia, pela predominância do apetite carnal sobre o senso moral de homens ricos, que se dão ao luxo de sustentar várias esposas e numerosa prole, mas tende a desaparecer, pouco a pouco, com o aperfeiçoamento das instituições.

Tanto não corresponde aos desígnios da Providência que jamais foi possível generalizar-se, face à relativa igualdade numérica dos sexos.

A ordem natural e inerente à espécie humana é, incontestavelmente, a monogamia, visto que, tendo por base a união constante dos cônjuges, permite se estabeleça entre ambos uma estreita solidariedade, não só nas horas de regozijo como nos momentos difíceis e dolorosos .

É ainda por esse modo que os pais podem dar aos filhos tudo o de que eles necessitam para um desenvolvimento normal, sem problemas de personalidade.

As demais formas de associação dos seres, conquanto possam ter sido autorizadas ou consentidas durante algum tempo, em determinadas circunstâncias da evolução social, de há muito que se tornaram condenáveis pelos códigos de Direito dos povos de cultura mais avançada, notadamente no mundo ocidental.

Forçoso concluir, então, ser o casamento monogâmico o instituto que melhor satisfaz aos planos de Deus, no sentido de preparar a família para uma convivência de paz, alegria e fraternidade, estado esse que há-de estender-se, no futuro, à Humanidade inteira.
(L.E. - Cap. IV, q. 695 e seguintes)