POSSESSÃO
BIBLIOGRAFIA
01- A Gênese - cap. xiv, 45; xv,29 02 - A levitação - pág. 69
03 - A mediunidade sem lágrimas - pág. 93 04 - Antologia do perispirito - ref. 335,441
05 - Auto desobsessão - pág. 21, 29 06 - Ide e pregai - pág. 57
07 - No mundo maior- pág. 108 08 - Nos domínios da mediunidade - pág. 260
09 - O espírito do cristianismo - pág. 260 10 - O Livro dos Espíritos - q. 473
11 - O Livro dos Médiuns - pág. q. 241 12 - O que é fenômeno mediúnico - pág. 76
13 - O que é espritismo - pág. 176 14 - Obras Póstumas - pág. 67
15 - Os inocentes - toda a obra

16 - Passes e curas espirituais - pág. 150

17 - Resumo da doutrina espírita - pág. 184 18 - Sexo e destino - pág. 82, 126
19 - Sobrev.e Comun.dos Espíritos - pág. 263, 294 20 - Vencendo a morte e a obsessão - pág. 140

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POSSESSÃO – COMPILAÇÃO

01- A Gênese - Allan Kardec - cap. xiv, 45; xv,29

OBSESSÕES E POSSESSÕES.
45. - Os maus Espíritos pululam ao redor da Terra, em consequência da inferioridade moral de seus habitantes. Sua ação malfazeja faz parte dos flagelos aos quais a Humanidade está exposta neste mundo. A obsessão, que é um dos efeitos desta ação, como as doenças e todas as atribulações da vida, deve, pois, ser considerada como uma prova ou uma expiação, e aceita como tal.

A obsessão é a ação persistente que um mau Espírito exerce sobre um indivíduo. Ela apresenta caracteres muito diferentes, desde a simples influência moral, sem sinais exteriores sensíveis, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais. Ela oblitera todas as faculdades mediúnicas; na mediunidade auditiva e psicográfica, se traduz pela obstinação de um Espírito em se manifestar com a exclusão de todos os outros.

46. - Do mesmo modo que as doenças são o resultado das imperfeições físicas, que tornam o corpo acessível às influências perniciosas exteriores, a obsessão é sempre o de uma imperfeição moral, que dá presa a um mau Espírito. A uma causa física, opõe-se uma força física; a uma causa moral, é necessário se opor uma força moral.

Para se preservar das doenças, fortifica-se o corpo; para se garantir da obsessão, é necessário fortificar a alma; daí, para o obsidiado, a necessidade de trabalhar no seu próprio melhoramento, o que, o mais frequentemente, basta para desembaraçá-lo do obsessor, sem o socorro de pessoas estranhas. Esse socorro se torna necessário quando a obsessão degenera em subjugação e em possessão, porque então o paciente perde, às vezes, a sua vontade e o seu livre arbítrio.

A obsessão é, quase sempre, o fato de uma vingança exercida por um Espírito, e que, o mais frequentemente, tem a sua fonte nas relações que o obsidiado teve com ele numa precedente existência. Nos casos de obsessão grave, o obsidiado está como envolvido e impregnado com um fluido pernicioso, que, neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele. É deste fluído que é necessário desembaraçar-se; ora, um mau fluido não pode ser repelido por um mau fluido. Por uma ação idêntica à de um médium curador, no caso de doença, é necessário expulsar o fluido mau com a ajuda de um fluido melhor.

Isto é a ação mecânica, mas que nem sempre basta; é necessário também, e sobretudo, agir sobre o ser inteligente com o qual é preciso ter o direito de falar com autoridade, e esta autoridade não é dada senão pela superioridade moral; quanto maior é esta, tanto maior é a autoridade. Ainda não é tudo: para assegurar a libertação, é necessário levar o Espírito perverso a renunciar aos seus maus desejos; é preciso fazer nascer nele o arrependimento e o desejo do bem, com a ajuda de instruções habilmente dirigidas, nas evocações particulares feitas com vista à sua educação moral; então pode-se ter a doce satisfação de livrar um encarnado e converter um Espírito imperfeito.

A tarefa se torna mais fácil quando o obsidiado, compreendendo a sua situação, traz o seu concurso de vontade e de prece; assim não o é quando este, seduzido pelo Espirito enganador, se ilude sobre as qualidades de seu dominador, e se compraz no erro em que este último o mergulha; porque, então, longe de secundar, ele repele toda a assistência. E o caso da fascinação, sempre infinitamente mais rebelde do que a mais violenta subjugação. (O Livro dos Médiuns, cap. XXIII). Em todos os casos de obsessão, a prece é o mais poderoso auxiliar para agir contra o Espírito obsessor.

47. -Na obsessão, o Espírito age exteriormente com a ajuda de seu perispírito, que ele identifica com o do encarnado; este último se encontra então como numa rede e constrangido a agir contra a sua vontade. Na possessão, em lugar de agir exteriormente, o Espírito livre se substitui, por assim dizer, ao Espírito encarnado; faz eleição de domicílio em seu corpo, sem, contudo, que este o deixe definitivamente, o que não pode ocorrer senão na morte. A possessão é, pois, sempre temporária e intermitente, porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um Espírito encarnado, tendo em vista que a união molecular do perispírito e do corpo não se opera senão no momento da concepção. (Cap. XI, n818).

O Espírito, na posse momentânea do corpo, dele se serve como de seu próprio; fala por sua boca, vê pelos seus olhos, age com os seus braços, como o faria quando vivo. Não e mais como na mediunidade falante, onde o Espírito encarnado fala transmitindo o pensamento de um Espírito desencarnado; é este último, ele mesmo, quem fala e age, e se foi conhecido quando vivo, será reconhecido pela sua linguagem, pela sua voz, pelos seus gestos e até pela expressão de sua fisionomia.

48. - A obsessão é sempre o fato de um Espírito malfazejo. A possessão pode ser o fato de um bom Espírito que quer falar e, para fazer mais impressão sobre os seus ouvintes, empresta o corpo de um encarnado, que este lhe empresta voluntariamente, como empresta a sua roupa. Isto se faz sem nenhuma perturbação ou mal-estar, e, durante esse tempo, o Espírito se encontra em liberdade, como no estado de emancipação, e, o mais frequentemente, se coloca ao lado de seu substituto para escutá-lo.

Quando o Espírito possuidor é mau, as coisas se passam de outro modo; ele não empresta o corpo, dele se apodera se o titular não tem força moral para lhe resistir. Fá-lo por maldade contra este, que tortura e martiriza de todas as maneiras, até querer fazê-lo perecer, seja por estrangulamento, seja empurrando-o para o fogo ou outros lugares perigosos. Servindo-se dos membros e dos órgãos do infeliz paciente, blasfema, injuria e maltrata aqueles que o cercam; entrega-se a excentricidades e atos que tem todos os caracteres da loucura furiosa.

Os fatos deste gênero, em diferentes graus de intensidade, são muito numerosos, e muitos dos casos de loucura não têm outra causa. Frequentemente, a isso se juntam desordens patológicas que não são senão consecutivas, e contra as quais os tratamentos médicos são impotentes, enquanto subsiste a causa primeira. O Espiritismo, fazendo conhecer esta fonte de uma parte das misérias humanas, indica o meio de remediá-las: o meio é agir sobre o autor do mal que, sendo um ser inteligente, deve ser tratado pela inteligência.

49. -A obsessão e a possessão, o mais frequentemente, são individuais, mas, às vezes, são epidêmicas. Quando uma nuvem de maus Espíritos se abate sobre uma localidade, é como quando uma tropa de inimigos vem invadi-la. Neste caso, o número de indivíduos atingidos pode ser considerável.

13 - O que é espritismo - Allan Kardec - pág. 176

ESCOLHOS DA MEDIUNIDADE
70. Um dos maiores escolhos da mediunidade é a obsessão, isto é, o domínio que certos Espíritos podem exercer sobre os médiuns, impondo-se-lhes sob nomes apócrifos e impedindo que se comuniquem com outros Espíritos. É também um obstáculo que se depara a todo observador novato e inexperiente que, não conhecendo os caracteres desse fenômeno, pode ser iludido pelas aparências, como aquele que, desconhecendo a medicina, pode enganar-se sobre a causa e natureza de qualquer mal.

Se o estudo prévio, neste caso, é útil para o observador, mais indispensável é ao médium, a quem fornece os meios de prevenir um inconveniente que lhe poderia trazer bem desagradáveis consequências. Assim, é pouca toda a recomendação para que o estudo preceda à prática.

71. A obsessão apresenta três graus principais bem característicos: a obsessão simples, n fascmação e a subjugação. No primeiro, o médium tem perfeitamente consciência de não obter coisa alguma boa; ele não se ilude acerca da natureza do Espírito que se obstina em se lhe manifestar, e do qual deseja desembaraçar-se. Este caso não oferece gravidade alguma: é um simples incômodo, do qual o médium se liberta, deixando momentaneamente de escrever. O Espírito, cansando-se de não ser ouvido, acaba por se retirar.

A fascinação obsessionál é muito mais grave, porque nela o médium é completamente iludido. O Espírito que o domina apodera-se de sua confiança, a ponto de impedi-lo de julgar as comunicações que recebe, fazendo-lhe achar sublimes os maiores absurdos. O caráter distintivo deste género de obsessão é provocar no médium uma excessiva suscetibilidade e levá-lo a não acreditar bom, justo e verdadeiro senão o que ele escreve; a repelir e, mesmo, considerar mau todo conselho e toda observação crítica, preferindo romper com os amigos a convencer-se de que está sendo enganado; a encher-se de inveja contra os outros médiuns cujas comunicações sejam julgadas melhores que as suas; a querer impor-se nas reuniões espíritas, das quais se afasta quando não pode dominá-las. Essa atuação do Espírito pode chegar ao ponto de ser o indivíduo conduzido a dar os passos mais ridículos e comprometedores.

72. Um dos caracteres distintivos dos maus Espíritos é a imposição; eles dão ordens e querem ser obedecidos; os bons nunca se impõem; dão conselhos, e, se não são atendidos, retiram-se. Resulta daí que a impressão que em nós produzem os maus Espíritos é sempre penosa, fatigante e muitas vezes desagradável; ela provoca uma agitação febril, movimentos bruscos e desordenados; a dos bons, pelo contrário, é calma, branda e agradável.

73. A subjugação obsessional, designada outrora sob o nome de possessão, é um constrangimento físico exercido sempre por Espíritos da pior espécie e que pode ir à neutralização do livre-arbítrio do paciente. Ela se limita, muitas vezes, a simples impressões desagradáveis; porém, muitas vezes provoca movimentos desordenados, atos insensatos, gritos, palavras injuriosas ou incoerentes, de que o subjugado, às vezes, compreende o ridículo, mas não pode abster-se. Este estado difere essencialmente da loucura patológica com que erradamente a confundem, pois na possessão não há lesão orgânica alguma; sendo diversa a causa, outros devem ser também os meios de curá-la.
A aplicação do processo ordinário das duchas e tratamentos corporais poderá, muitas vezes, determinar o aparecimento de uma verdadeira loucura, onde só havia uma causa moral.

74. Na loucura propriamente dita, a causa do mal é interna; importa restituir o organismo ao seu estado normal; na subjugação, essa causa é externa, e tem-se necessidade de libertar o doente de um inimigo invisível, não lhe opondo remédios materiais, porém uma força moral superior à dele. A experiência prova que nunca, em tal caso, os exorcismos produziram resultado satisfatório: antes agravaram que minoraram a situação.

Indicando a verdadeira fonte do mal, só o Espiritismo pode dar os meios de combatê-lo, fazendo a educação moral do Espírito obsessor; por conselhos prudentemente dirigidos, chega-se a torná-lo melhor e a fazê-lo renunciar voluntariamente à atormentação do enfermo, que então fica livre. (O Livro dos Méãnms, n." 279. — Revue Spvrite, fevereiro, março e junho de 1864. — La jeune obsédée de Mairmmde.)

75. A subjugação obsessional é ordinariamente individual; quando, porém, uma falange de Espíritos maus se lança sobre uma povoação, ela pode apresentar caráter epidêmico. Foi um fenômeno desse gênero que se verificou ao tempo do Cristo; só um poder moral superior podia então domar esses entes malfazejos, designados sob o nome de demônios, e restituir a calma às suas vítimas.

76. Um fato importante a considerar-se é que a obsessão, qualquer que seja a sua natureza, é independente da mediunidade, e que ela se encontra, de todos os graus, principalmente do último, em grande número de pessoas que nunca ouviram falar de Espiritismo.
De fato, os Espíritos, tendo existido em todos os tempos, têm sempre exercido a mesma influência; a mediunidade não é uma causa, mas simples modo de manifestação dessa influência; pelo que podemos dizer com certeza que todo médium obsidiado sofre de um modo qualquer e, muitas vezes, nos atos mais comuns da sua vida, os efeitos dessa influência que, sem a mediunidade, se manifestaria por outros efeitos, muitas vezes atribuídos a enfermidades misteriosas, que escapam às investigações da medicina. Pela mediunidade o ente maléfico denuncia a sua presença; sem ela, é um inimigo oculto, de quem se não desconfia.

77. Os que repelem tudo que não afete os nossos sentidos, não admitem essa causa oculta; mas, quando a Ciência tiver saído da senda materialista, reconhecerá na ação do mundo invisível que nos cerca, e no meio do qual vivemos, um poder que reage sobre as coisas físicas, assim como sobe as morais; será um novo caminho aberto ao progresso e a chave de grande número de fenômenos até hoje mal compreendidos.

78. Como a obsessão nunca pode ser produto de um bom Espírito, torna-se um ponto essencial o saber reconhecer-se a natureza dos que se apresentam.
O médium não esclarecido pode ser enganado pelas aparências, mas o prevenido percebe o menor sinal suspeito, e o Espírito, vendo que nada pode fazer, retira-se. O conhecimento prévio dos meios de distinguir os bons dos maus Espíritos é, pois, indispensáveis ao médium que se não quer expor a cair num laço. Ele o é também ao simples observador, que pode, por esse meio, apreciar o justo valor do que vê e ouve. (O Livro dos Médiuns, cap. XXIV)

LEMBRETE:

1° - Na possessão, em vez de agir exteriormente, o Espírito atuante se substitui, por assim dizer, ao Espírito encarnado; toma-lhe o corpo para domicílio, sem que este, no entanto, seja abandonado pelo seu dono, pois que isso só se pode dar pela morte. A possessão, conseguintemente, é sempre temporária e intermitente, porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um encarnado, pela razão de que a união molecular do perispírito e do corpo só se pode operar no momento da concepção. Allan Kardec

2° - Dava-se outrora o nome de possessão ao império exercido por maus Espíritos, quando à influência deles ia até à aberração das faculdades da vítima. A possessão seria, para nós, sinônimo da subjugação. Por dois motivos deixamos de adotar esse termo: primeiro porque implica a crença de seres criados para o mal e perpetuamente votados ao mal, enquanto que não há senão seres mais ou menos imperfeitos, os quais todos podem melhorar-se; segundo, porque implica igualmente a idéia de apoderamento de um corpo por um Espírito estranho, de uma espécie de coabitação, ao passo que o que há é apenas constrangimento (...) Allan kardec

3° - (...) a subjugação, quando no paroxismo, é que vulgarmente dão o nome de possessão. É de notar-se que, nesse estado, o indivíduo tem muitas vezes consciência de que o que faz é ridículo, mas é forçado a fazê-lo, tal como se um homem mais vigoroso do que ele o obrigasse a mover, contra a vontade, os braços, as pernas e a língua. Allan Kardec

4° - O Espiritismo considera na gênese do fenômeno da possessão a faculdade mediúnica desgovernada e trata o caso pelo processo do diálogo com o Espírito possessor, buscando compreender suas razões para esclarecê-lo e libertá-lo da sua própria ignorância e confusão mental. Herminio C. Miranda

5° - A possessão de que falam os Evangelhos nos casos que relatam não era mais do que subjugação. Jesus se servia sempre das expressões em uso, de acordo com os preconceitos e as tradições, a fim de ser compreendido e, mais ainda, escutado. Independentemente da obsessão e da subjugação, quer corporal apenas, quer corporal e moral, há os casos a que podeis chamar possessão, em que o Espírito do obsessor se substitui ao do encarnado no seu corpo, a fim de servir-se deste como se lhe pertencera. Tais casos são muito raros. J. B. Roustaing ( É a possessão demonstrada no Catolicismo Romano)

6° - No caso de possessão, o domínio é mais completo. O Espírito obsessor COMO QUE SE SUBSTITUI AO DO ENCARNADO NO SEU CORPO, donde, por ASSIM DIZER, EXPULSA O OUTRO, para servir-se desse corpo, como se lhe pertencera (mas, o que há é somente um constrangimento), ficando a este ligada a vítima, apenas por um cordão fluídico, com o auxílio do perispírito.Combinando os fluídos do seu perispírito com os do perispírito do encarnado, o mau Espírito se introduz no instrumento corpóreo deste último e lhe imprime uma ação que é efeito daquela combinação fluídica. Essa substituição tanto pode dar-se no estado de vigília, como no de sonambulismo do encarnado. Antonio Luiz Sayão

MAIS UMA VEZ, VOLTAMOS A DIZER: " NA DÚVIDA, DEVEMOS BEBER A ÁGUA PURA", PARA ISTO SEMPRE DEVEMOS RETORNAR A FONTE, ISTO É, A CODIFICAÇÃO.

Edivaldo Fontana