PRINCÍPIO ESPIRITUAL
BIBLIOGRAFIA
01- A CAMINHO DA LUZ, pag. 31 02 - A EVOLUÇÃO DO PRINCÍPIO INTELIGENTE, pag.19
03 - A GÊNESE, pag. 206 04 - DINÂMICA PSI, pag. 21
05 - DOS FARAÓS À FÍSICA QUÂNTICA, pag. 60 06 - ENSAIO SOBRE A REENCARNAÇÃO, pag. 50
07 - FLORAÇÕES EVANGÉLICAS, pag. 96 08 - OS ANIMAIS TEM ALMA ?, pag. 155

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PRINCÍPIO ESPIRITUAL – COMPILAÇÃO

01 - PRINCÍPIO ESPIRITUAL

1.- A existência do princípio espiritual é um fato que não precisa de demonstração, assim como o princípio material. Se todo efeito tem uma causa, todo efeito inteligente há de ter uma causa inteligente. Vivo, o homem pensa. Logo, há nele algo mais que num corpo sem vida.

2.- O princípio espiritual é o corolário da existência de Deus. Sem esse princípio, Deus não teria razão de ser, visto que não se poderia conceber a soberana inteligência a reinar, pela eternidade, unicamente sobre a matéria bruta. Não se podendo admitir Deus sem os atributos essenciais de justiça e bondade, inúteis seriam essas qualidades, se ele as houvesse de exercitar somente sobre a matéria.

3.- Por outro lado, não se poderia conceber um Deus soberanamente justo e bom, se admitirmos que cria seres inteligentes e sensíveis para lançá-los ao nada, após alguns dias de sofrimento sem compensações. Sem a sobrevivência do ser pensante, os sofrimentos da vida seriam, da parte de Deus, uma crueldade sem objetivo. Eis por que o materialismo e o ateísmo são corolários um do outro. Negando o efeito, não podem eles admitir a causa. O materialismo é, pois, conseqüente consigo mesmo, embora não o seja com a razão.

4 - É inata no homem a idéia da perpetuidade do ser espiritual, que se acha nele em estado de intuição e de aspiração, fazendo-o compreender que somente aí está a compensação às misérias da vida. À essa idéia intuitiva e à força da razão o Espiritismo junta a sanção dos fatos, provando a existência do ser espiritual, sua sobrevivência, sua imortalidade e sua individualidade. Mostra o ser inteligente a atuar fora da matéria, quer depois, quer durante a vida do corpo.

5.- São a mesma coisa o princípio espiritual e o princípio vital?

Partindo, como sempre, da observação dos fatos, diremos que, se o princípio vital fosse inseparável do princípio inteligente, haveria certa razão para que os confundíssemos. Mas, havendo, como há, seres que vivem e não pensam, como as plantas; corpos humanos que ainda se revelam animados de vida orgânica quando já não há qualquer manifestação de pensamento; movimentos vitais independentes de qualquer intervenção da vontade e considerando que, durante o sono, a vida orgânica se conserva em plena atividade, enquanto que a vida intelectual por nenhum sinal exterior
se manifesta, é cabível se admita que a vida orgânica reside num princípio inerente à matéria, independente da vida espiritual, que é inerente ao Espírito. Ora, desde que a matéria tem uma vitalidade independente do Espírito e que o Espírito tem uma vitalidade independente da matéria, evidente se torna que essa dupla vitalidade repousa em dois princípios diferentes.

QUESTÕES PARA ESTUDO

a) Em que se fundamenta Kardec para afirmar a comprovação da existência do princípio espiritual?

b) Por que a sobrevivência desse princípio é inerente à existência de um Deus bom e justo?

c) Que papel desempenha o Espiritismo na comprovação do princípio espiritual e qual a importância disso para o homem?

d) Qual a diferença entre o princípio espiritual e o princípio vital?

02 - PRINCÍPIO ESPIRITUAL

Atuação do Princípio Inteligente não Começa nos Minerais
Dr. Ary Lex

Perguntaram-me se a atuação do princípio inteligente começava a partir dos minerais. Respondi: não. Aos amigos leitores do JE, ante o debate que se abriu em sua edição de agosto/99, com a mesma pergunta, digo, antes de respondê-la que é mister lembrar as características dos seres vivos.

Já há séculos, distribuíram tudo quanto existe na Terra em três reinos: mineral, vegetal e animal. Tentou a vaidade humana criar para o homem um quarto reino - seria o reino hominal, o que não se justifica, pois o homem está enquadrado no reino animal.

SERES BRUTOS E SERES VIVOS - Os vegetais e os animais, dadas as qualidades que os aproximam, podem ser agrupados com o rótulo de seres organizados. Para os cientistas, existe uma barreira intransponível entre os seres brutos (inorgânicos) e os seres vivos, pois as propriedades peculiares à vida só se encontram nos animais e vegetais.

Este é um ponto em que o Espiritismo está inteiramente de acordo com as ciências biológicas. O Espiritismo ensina que a matéria precisa ser impregnada pelo fluido vital para que possa ser utilizada pelo espírito (nos seres inferiores) costuma-se chamar de "princípio espiritual".

Gabriel Delanne, em seu livro A Evolução Anímica, explica a diferenciação entre seres brutos e vivos com uma clareza meridiana. Mas em que qualidade reside a diferença entre eles? Podemos responder que não há uma qualidade que, sozinha, permita distinguir os minerais dos seres vivos, mas um conjunto de caracteres o permite: forma, propriedades físico-químicas, metabolismo, irritabilidade e evolução.

a) FORMA: Geralmente os seres brutos não têm forma própria, ao passo que os vivos possuem forma específica. Por exemplo: quando falamos "areia", não estamos determinando forma alguma, nem quantidade; quando dizemos "mosca", estamos nos referindo a um ser que tem forma e tamanho certos. Se a areia tivesse um principio inteligente ou espiritual, ele corresponderia a um grão de areia ou a toda a areia do litoral?

b) PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS: Os mineiras apresentam composição química simples, sendo as moléculas formadas de poucos átomos, ao passo que a substância viva é complexa. Suas moléculas possuem milhares de átomos, como o caso da hemoglobina e das proteínas em geral. A composição dos seres brutos, além de simples, é estável, enquanto que a instabilidade caracteriza os vivos, pois a matéria organizada está em constante renovação.

Mas não é só. Para haver vida, é preciso haver protoplasma, componente das células, formado principalmente por proteínas. Na Terra, só pôde surgir a vida no momento em que, na atmosfera, por meio das descargas elétricas, uniram-se metano, amônia, água e hidrogênio, formando-se os primeiros aminoácidos (Experiências de Urey e Miller). Estes se combinaram, formando proteínas, as quais se aglomeraram nos coacervados e estes originaram células (Oparim, cientista russo). Todas as células têm cromossomos e ADN, que não existem nos minerais.

c) IRRITABILIDADE: Frente aos estímulos do meio exterior, os seres vivos reagem, por meio de movimentos, produção de secreções, reações agressivas ou tantas outras. Os minerais não têm irritabilidade: podemos bater numa pedra, aquecê-la, dar choques elétricos, que não teremos resposta alguma.

d) METABOLISMO: O ser vivo retira do meio ambiente os alimentos de que necessita, incorporando-os ao seu organismo (anabolismo). No desgaste vital, decompõem-se substâncias do seu corpo, produzindo-se resíduos, que são eliminados (catabolismo). A glicose é queimada, produzindo energia, gás carbônico e água. Os minerais não têm metabolismo. Uma pedra do pico do Jaraguá, lá está, do mesmo jeito, há muitos milhões de anos.

e) EVOLUÇÃO: Todo ser vivo nasce, cresce, vive, reproduz-se e morre. Os minerais não apresentam esse ciclo vital: eles não nascem e nem morrem - sua duração é ilimitada. Imaginemos, por um desvario da imaginação, que um bloco de granito tivesse um princípio espiritual. Coitado dele - ficaria preso, imutável, sem evoluir, durante muitos milhões de anos.

Imagine mais, se cada átomo ou partícula atômica componente do bloco tivessem também um agente estruturador, como se diz atualmente, a comandar-lhe o equilíbrio intimo - coitado deles.

Uma das leis que o Espiritismo prega é a sublime lei da Evolução: todos os seres evoluem permanentemente, desde a ameba até o homem; todos eles, através de múltiplas vivências no mundo físico, estão se aperfeiçoando, estão aprendendo, estão plasmando corpos cada vez mais perfeitos, enquanto o espírito vai progredindo sempre. A evolução da forma é concomitante com a evolução do espírito.

Delanne, em seu livro A Evolução Anímica, cap. 1, A Vida, diz: "Organização e evolução não podem ser compreendidas só pelo jogo das leis físico-químicas. Os materialistas, com o negarem a existência da alma, privam-se voluntariamente de noções indispensáveis à compreensão dos fenômenos vitais do ser animado; e os filósofos espiritualistas por sua vez, empregando o senso intimo como instrumento único de investigação, não conheceram a verdadeira natureza da alma; de sorte que, até agora não lhes foi possível conciliar numa explicação comum, os fenômenos físicos e os mentais".

Continua Delanne: "No mundo inorgânico, tudo é cego, passivo, fatal; jamais se verifica progresso; não há mais que mudanças de estados, que em nada modificam a natureza íntima da substância".

AS FRONTEIRAS DA VIDA - Embora sejam tão evidentes essas diferenças entre os seres brutos e os seres vivos, podem surgir certas dúvidas. Quantas vezes já foram a nós trazidas estas objeções: e os cristais, que têm formas próprias, serão vivos? E os vírus?

Realmente, os cristais têm formas características: as suas moléculas se agregam formando cubos, pirâmides de bases hexagonais ou octogonais, e assim por diante. Porém aqui a única semelhança é a forma, mas esta é conseqüência apenas de leis físicas de atração, que levam as moléculas do cristal a se agruparem formando figuras geométricas. Os cristais não têm nenhuma das outras qualidades dos seres vivos: são formados geralmente de moléculas pequenas; não nascem, nem crescem, nem morrem, permanecendo indefinidamente, até que um agente externo dissolva as moléculas no líquido que os abriga. Não reagem aos estímulos externos, não têm metabolismo e não evoluem.

Os fogos de artifício traçam no céu desenhos interessantes, de variadas cores e tamanhos. Vamos dizer que têm vida porque plasmaram figuras?

Quanto aos vírus, o problema já é mais difícil. Vejamos um resumo do que nos ensina Luc Montagner, um dos maiores virologistas do mundo, que conseguiu identificar o vírus da AIDS (Vírus e Homens, Luc Montagner. Tradução de Maria Luiza Borges - Jorge Zahar Editor -1995). Diz ele: "No fim do século XIX, quando a origem bacteriana das doenças infecciosas foi reconhecida, o termo vírus ou vírus filtrantes passou a ser aplicado a agentes transmissíveis, que são invisíveis ao microscópio e passam através dos filtros de porcelana, que retêm as bactérias. Foi assim que se demonstrou a origem viral de doenças que afetam plantas, como o mosaico do tabaco, e outras responsáveis por doenças animais e humanas, como a gripe, a poliomielite, a varíola etc.. A invenção do microscópio eletrônico permitiu observá-los diretamente".

Continua Montagner: "Os vírus são seres vivos? Não exatamente, porque só existem no interior das células de que são parasitas. O programa genético está inscrito na banda magnética formada pelo ARN ou pelo ADN. Ele é centenas de milhares de vezes mais curto que aquele que contém o programa genético da célula. Para poder sobreviver no exterior da célula, o vírus está encerrado numa casca de proteínas, a qual por vezes está cercada por um invólucro de lipídios".

Penetrando célula, o vírus começa a se reproduzir, usando o material da própria célula. Enzimas especificas produzem milhares de cópias do ADN, cujo mecanismo não citaremos, por desnecessário. Todas elas são mensagens que dirigem a síntese das proteínas virais. Formam-se nossos vírus, que saem das células, indo infectar outras.

Estudando esses fatos, os biologistas e infectologistas ficaram na dúvida se poderiam ou não considerar os vírus como seres vivos. Primeiro, porque só conseguem viver dentro de células, reproduzindo-se às custas do material destas. Segundo porque não têm as demais características dos seres vivos.

A CODIFICAÇÃO E OS NEGOCODIFICADORES - Kardec, em O Livro dos Espíritos, livro I, cap. IV, Principio Vital, comentando a questão 71, explica: "Podemos fazer a seguinte distinção: 1o) os seres inanimados, formados somente de matéria, sem vitalidade, nem inteligência: são os corpos brutos; 2o) os seres animados não pensantes, formados de matéria e dotados de vitalidade, mas desprovidos de inteligência; 3o) os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade e tendo ainda um principio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar".

Na resposta à questão 136-a, os Espíritos disseram que "a vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo sem vida orgânica". Portanto, o principio espiritual não pode habitar um mineral.

Como introdução ao estudo do Princípio Vital, a partir da questão 60, Kardec escreve que "os seres orgânicos são os que trazem em si mesmos uma fonte de atividade intima, que lhes da a vida: nascem, crescem, reproduzem-se e morrem. Compreendem os animais e as plantas. Os seres inorgânicos são os que não possuem vitalidade nem movimentos próprios, sendo formados apenas pela agregação da matéria: os minerais, a água, o ar etc..."

Apesar de Kardec e Delanne ensinarem, de maneira tão peremptória, que o principio espiritual não habita o mineral, por este não lhe oferecer as condições de utilização ou de agitabilidade... idéias orientais, infiltradas no movimento espírita, vêm lançando a confusão neste terreno.

Dizem, por exemplo, que tudo no Universo tem vida, desde o átomo até as estrelas; que em tudo há a manifestação divina, através de um princípio espiritual, que impregna toda a matéria. Não, não e não. O átomo, a molécula, os minerais, a água, o ar, estão simplesmente sujeitos à leis físicas, não às leis do Espírito. Não queiramos ver nas leis de tração, que regem o Universo do átomo às estrelas, qualquer coisa de espiritual.

Também nas afinidades químicas, como a que faz os átomos de cloro buscarem uma combinação com os de sódio, formando o cloreto de sódio, ou sal de cozinha. Nessa combinação não há amor ou afinidade psíquica, como dizem os sonhadores, mas simplesmente afinidade química.

Mas não são só os orientais, nas suas meditações nos píncaros do Himalaia, que dizem isto. Infelizmente, pensadores do mais alto gabarito estão querendo fazer uma simbiose entre idéias desses religiosos místicos em êxtase com a física quântica. Tais pensadores lembra a atuação de um "agente estruturador externo ao Universo material, para que se forme a mais elementar das subpartículas atômicas", dando origem ao átomo. Por exemplo, diz Carlos de Brito Imbassahy, em A Bioenergia no Campo do Espírito, item 2.1, que experiências no acelerador do LEP mostravam "que algo comandava as ações dessas partículas, como se tivessem uma alma ou espírito próprio, evidentemente distinto do que se considera alma animal".

Haverá, então, dois dirigentes da estruturação material, um que agiria nos átomos e outro nos seres vivos? Não, o assunto já é complexo demais; não vamos complicar mais ainda. Essas são elucubrações teóricas de mentes cultas e avançadas, mas inteiramente destoantes dos ensinos da Codificação. Mineral não tem vida, não abriga nenhum princípio espiritual.

A matéria, como ensina Kardec, é apenas substância usada pelos Espíritos para sua trajetória no mundo terreno. Não evolui, não tem individualidade ou personalidade. Não queiramos inovar, em terreno tão escorregadio. "

"7o. JORNAL ESPÍRITA, SETEMBRO DE 1999 - EM DEBATE"

03 - PRINCÍPIO ESPIRITUAL

Evolução do Princípio Inteligente - Espiritismo e Evangelho

A existência do princípio espiritual é uma realidade; do mesmo modo que podemos demonstrar a realidade da matéria, pelos efeitos demonstramos a existência do princípio espiritual, pois sem ele, o próprio Criador não teria razão de ser. Como entender um ser superior, com atributos superiores, a governar somente sobre a matéria? Como compreender que a Inteligência Suprema, que é a própria Sabedoria, iria criar seres inteligentes, sensíveis, e depois lançá-los ao nada, após alguns anos de sofrimento sem compensações, e deleitar-se com a sua criação como faz um artista menor.

Sem a sobrevivência do ser pensante, os sofrimentos da vida seriam, da parte de Deus, uma crueldade sem objetivo.

Por ser uma centelha divina, e possuir a imortalidade em sua intimidade, é inata no homem a idéia da perpetuidade do ser pensante, e essa perpetuidade seria inútil, não fosse a evolução. Evolução essa que fica clara na resposta dada pelos espíritos a Kardec na questão 607 de O Livro dos Espíritos. Quando questionados sobre a origem dos Espíritos, nos afirmam que antes de conquistar as faculdades inerentes ao homem atual, o Espírito estagia numa série de existências que precedem o período a que chamamos humanidade, e continuam: Já não dissemos que tudo em a natureza se encadeia e tende para a unidade? Nesses seres, cuja totalidade estais longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, e individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer. É de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito.

Martins Peralva, no livro O Pensamento de Emmanuel, narra, desta forma, a longa viagem feita pela mônada divina, ou princípio espiritual:

Na fase preambular, a mônada luminosa, que mais tarde será Espírito, ser inteligente, vai sendo envolvida, como energia divina, em fluidos pesados. Perde sua luminosidade, condensa-se no reino mineral.

Energia - Suas transformações

a) Condensada, na pedra;

b) Incipiente, na planta;

c) Primária nos irracionais

d) Contraditória, nos homens de mediana evolução

e) Excelsa, nas almas sublimadas

Peralva, ainda na obra citada, exibe um gráfico (figura 1), que foi transmitido ao médium Chico Xavier pelo seu mentor Emmanuel nos orientando sobre a trajetória evolutiva do ser espiritual

A palavra “estágio”, na linha horizontal, significa séculos e milênios nas faixas respectivas; a palavra “evolução”, na vertical, a marcha ascensional, a transição de uma para outra faixa evolutiva.

Assim ajustando-se às vibrações dos minerais, em cujo berço hibernam por milhões e milhões de anos, as “mônadas luminosas” são trabalhadas nos padrões da atração, preparando-se para novas conquistas, em termos de “sensação” no campo dos vegetais.

Os reinos mineral e vegetal, como institutos de recepção da onda criadora da vida, preparam as bases de onde os elementos espirituais partem para as faixas animais em que o instinto, trabalhando o seu psiquismo, os habilitam, lenta e gradativamente, para o ingresso nas trilhas da humanidade, onde, já usufruindo de “pensamento contínuo” elaboram em processo crescente, os valores da razão e da inteligência.[1]

Concluindo, deixamos a palavra com o nosso mentor André Luiz, segundo psicografia de Waldo Vieira, no livro Evolução em Dois Mundos:

É assim que dos organismos monocelulares aos organismos complexos, em que a inteligência disciplina as células, colocando-as a seu serviço, o ser viaja no rumo da elevada destinação que lhe foi traçada do Plano Superior, tecendo com os fios da experiência a túnica da exteriorização, segundo o molde mental que traz consigo, dentro das leis de ação, reação e renovação em que mecaniza as próprias aquisições, desde o estímulo nervoso à defensiva imunológica, construindo o centro coronário, no próprio cérebro, através da reflexão automática de sensações e impressões, em milhões e milhões de anos, pelo qual, com o Auxílio das Potências Sublimes que lhe orientam a marcha, configura os demais centros energéticos do mundo íntimo, fixando-os na tessitura da própria alma.

Contudo, para alcançar a idade da razão, com o título de homem, dotado de raciocínio e discernimento, o ser, automatizado em seus impulsos, na romagem para o reino angélico, despendeu para chegar aos primórdios da época quaternária, em que a civilização elementar do sílex denuncia algum primor de técnica, nada menos de um bilhão e meio de anos. Isso é perfeitamente verificável na desintegração natural de certos elementos radioativos na massa geológica do globo. E entendendo-se que a Civilização aludida floresceu há mais ou menos duzentos mil anos, preparando o homem, com a benção do Cristo, para a responsabilidade, somos induzidos a reconhecer o caráter recente dos conhecimentos psicológicos, destinados a automatizar na constituição fisiopsicossomática do espírito humano as aquisições morais que lhe habilitarão a consciência terrestre a mais amplo degrau de ascensão à Consciência Cósmica.

04 - PRINCÍPIO ESPIRITUAL

Princípio Inteligente e sua evolução

Os Espíritos respondem a Kardec na questão 540 do O Livro dos Espíritos "que tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo".

Na questão 609, respondem que "há sempre anéis que ligam as extremidades das cadeias dos seres e dos acontecimentos".

Vamos encontrar na "A Gênese" cap. X, item 3, a colocação de Allan Kardec: "a formação dos primeiros seres vivos pode ser deduzida, por analogia, da mesma lei segundo a qual foram formados, e formam-se todos os dias, os corpos inorgânicos".

À medida que nos aprofundamos nas leis da natureza, vemos seu mecanismo, que a primeira vista parece tão complicado, simplificar-se e confundir-se na grande lei de unidade que preside a todas as obras da criação. Compreenderemos isto melhor quando tomarmos conhecimento da formação dos corpos inorgânicos, que é seu primeiro passo.

Dr. Jorge Andréa, em seu livro "Impulsos Criativos da Evolução", no cap. I, no item que aborda o período pré-cambrico da era arqueozóica coloca que "o mineral possui tanto a vida quanto o vegetal e o animal. O Princípio Unificador, a essência que preside as formas e o metabolismo da flora e da fauna, existe também no reino mineral, presidindo as forças de atração e repulsão em que átomos e moléculas se unificam e equilibram. No mesmo livro, no cap. II, na 9a parte, Dr. Jorge Andréa, coloca: "como fase inicial, o Princípio Inteligente estaria, como sempre,em sua específica e superior dimensão, a influenciar as organizações atômico-moleculares do reino mineral. Seria como um eixo energético "intrometido" no âmago dos átomos e moléculas, convidando-os à união. O eixo energético, como Princípio Inteligente, com suas vibrações, criaria o campo de agregação refletido nas forças de atração e coesão, a determinar a concentração das energias e respectiva condensação nos átomos e arrumações moleculares. Do simples fenômeno químico até as manifestações humanas, existe o Princípio-Unificador ou Espiritual regendo e orientando; claro que sob apresentações variáveis, abastecendo-se e ampliando-se a medida que a escala evolutiva avança. Dr. Jorge Andrea coloca no livro o depoimento da pesquisadora da NASA Lelia Coyne afirmando que a vida na Terra teria começado nos estratos de fina argila primitiva, inclusive do bioquímico Cairns Smith, que esposa a mesma opinião, foi o pioneiro quando em 1960 lançou a referida teoria. Sedimentou-se no fato de que a argila está em constantes mudanças ligadas as variações do meio ambiente, de modo a permitir condições de transmutação do inorgânico em orgânico. Para Lelia Coyne a argila, ante a análise microscópica, mostra que os cristais de sua organização muito se assemelham a de certas estruturas vivas: eles se autoduplicam, aceleram as reações químicas e servem de catalisadores.

Os primeiros seres vivos, surgidos dos minerais apresentavam-se ainda cristalizáveis, como os vírus. Em seguida surgem os primeiros seres unicelulares realmente livres, que se multiplicam na temperatura tépida dos oceanos: as amebas e as bactérias primitivas. Os seres iniciais se moviam ao longo das águas onde encontrariam o oxigênio necessário à vida. Quando ocorre a morte, a estrutura biológica se desintegra, e cada mônada espiritual retorna em outro corpo e vai adquirindo todas as propriedades biológicas fundamentais, como movimento e reprodução. Passam-se os séculos a mônada espiritual estagia em outras formas; contínuas metamorfoses se sucedem e séculos incontáveis se passam na nossa história. A vida na água nos leva aos peixes que se transformam em anfíbios. Posteriormente os répteis, as aves dentadas e os mamíferos. Mamíferos quadrúpedes e depois bípedes.

Kardec na "A Gênese" cap. X, item 24, coloca que "entre o reino vegetal e o reino animal não há delimitação nitidamente traçada. Nos extremos dos dois reinos estão os zoófitos ou animais-planta cujo nome indica que possuem algo de um e de outro reino; é o traço de união. Como os animais, as plantas nascem, crescem, nutrem-se, respiram, reproduzem-se e morrem. Como eles, para viverem têm necessidade de luz, de calor, e de água". No mesmo cap. X - gênese orgânica, itens 26 e 27- prossegue Kardec: "no ponto de vista corpóreo o Homem pertence a classe dos mamíferos dos quais só se distingue na forma exterior. Quanto ao mais possui a mesma composição química que todos os animais, os mesmos órgãos, as mesmas funções, nutrição idêntica de respiração, de secreção, de reprodução.

Nasce, vive, morre nas mesmas condições, e, quando morre, seu corpo se decompõe como o de tudo quanto vive. Não há em seu sangue, em sua carne, seus ossos, um átomo diferente dos que se encontram no corpo dos animais. Na classe dos mamíferos, o Homem pertence à ordem dos humanos. Antes dele vêm os quadrúmanos (animais de quatro mãos) ou macacos, dos quais alguns como o orangotango, o chimpanzé, tem certas atitudes humanas". Os primeiros Homens da Terra.

Voltamos à "A Gênese" e, portanto, a Allan Kardec, cap. XI, sobre as hipóteses da origem do corpo humano, da semelhança de forma exterior, entre o corpo do homem e do macaco, diz-no o mestre que alguns fisiologistas, concluíram que o primeiro é apenas uma transformação do segundo... "Sendo essa vestidura mais apropriada as suas necessidades e mais adequada ao exercício de suas faculdades, do que o corpo de qualquer outro animal". Os Espíritos respondem a Kardec nas questões 607 este tópico... "O Princípio Inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra então no período da humanização, começando a ter consciência do seu futuro..." E a pergunta 609 uma parte da resposta... "durante algumas gerações, pode ele (Espírito) conservar vestígios mais ou menos pronunciados do estado primitivo, porquanto nada se opera na natureza por brusca transição. Há sempre anéis que ligam as extremidades da cadeia dos seres e dos acontecimentos..."

Emmanuel em "A Caminho da Luz" fala sobre "A Grande Transição". "Os séculos correram o seu velário de experiências penosas sobre a fronte dessas criaturas de braços alongados e de pêlos densos, até que um dia as hostes dos invisíveis operaram uma definitiva transição no CORPO PERISPIRITUAL pré-existente, dos homens primitivos, nas regiões siderais e em certos intervalos de suas reencarnações". Eis a resposta que a ciência buscava desde Charles Darwin, quando escreveu a famosa teoria sobre a origem das espécies; o elo perdido seria o espécime intermediário entre o macaco e o homem pithecânthropus erectus, cujos fósseis foram encontrados em Java em 1894. Ainda sobre os primeiros homens é a ciência se pronunciando: o antropólogo americano Donald Johanson achou em 1974 no deserto africano de Afar, na Etiópia, um punhado de ossos de antepassados do homem, que viveram há cerca de 3,3 milhões de anos, revolucionou todas as teses sobre a origem e a evolução da Humanidade. Johanson mostrou que o homem primeiro aprendeu a andar sobre dois pés para em seguida experimentar o progresso cerebral.

Carl Sagan, em "Os Dragões do Éden", pag. 80, afirma baseado em diversos estudos que há cerca de 3 milhões de anos existiu uma série de indivíduos bípedes, com grande variedade de volume craniano, 700 centímetros cúbicos, 200 a mais do que o chimpanzé moderno.

Em "A Gênese" cap. VI, referente a criação universal, Kardec fala sobre a formação dos Espíritos e sua adaptação a matéria: "O Espírito não chega a receber a iluminação divina que lhe dá o livre-arbítrio e a consciência, sem haver passado pela série divinamente fatal dos seres inferiores, entre os quais se elabora lentamente a obra da sua individualização".

Para completar, Emmanuel em "A Caminho da Luz" nos ensina: ... "vamos encontrar os primeiros antepassados do homem terrestre sofrendo os processos de aperfeiçoamento da natureza e os ascendentes dos símios que ainda existem no mundo, tiveram a sua evolução em pontos convergentes e daí o parentesco sorológico entre o organismo do homem moderno e o do chimpanzé da atualidade ..."

Extraordinárias experiências foram realizadas sobre os homens do sílex, do tipo de Neanderthal, até fixarem no "primata" as características aproximadas do homem futuro. Surgem os primeiros selvagens de compleição melhorada, uma transformação visceral verificara-se, como? Perguntaríamos.

Muito naturalmente. Também as crianças têm os defeitos da infância corrigidos pelos pais, sem que na maioridade elas se lembrem disso. Como prova dessa transformação, com o macaco que se transformou em humano, através dos experimentos do plano maior, temos os cientistas do campo da genética que modificam genes para auxiliar a Humanidade.

Em "A Gênese" (pág. 213 - ed. FEB) : "O espírito macaco, que não foi aniquilado, continuou a procriar, para seu uso, corpos de macaco, do mesmo modo que o fruto da árvore silvestre reproduz árvores dessa espécie...".

Dr.Ricardo Di Bernardi, no livro "Reencarnação e Evolução das Espécies" cap. IX, 5o parágrafo, cita : "ao falarmos em evolução e surgimento do "Homo sapiens", faz-se necessário colocar o pensamento de Darwin a respeito. No seu livro The Descent of Man, Darwin descreveu cuidadosamente homens e macacos como tendo evoluído separadamente a partir de um tronco comum primitivo

Centro Espírita Nosso Lar - Casas André Luiz
fev/2000 Conselho Doutrinário

Bibliografia

Livro dos Espíritos - Allan Kardec

A Gênese - Allan Kardec

Impulsos Criativos da Evolução - Jorge Andrea

A Caminho da Luz - Emmanuel

Reencarnação e Evolução das Espécies - Ricardo Di Bernardi

05 - PRINCÍPIO ESPIRITUAL

SOCIEDADE ESPÍRITA DE COTIA - SEC

ÁREA DE ENSINO
Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – ESDE
607, quando questionados sobre a origem dos Espíritos, estes nos afirmam que antes de conquistar as faculdades inerentes ao homem atual, o Espírito estagia “numa série de existências que precedem o período a que chamamos humanidade”. E continuam:

“Já não dissemos que tudo em a natureza se encadeia e tende para a unidade? Nesses seres, cuja totalidade estais longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer. É de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra então no período da humanização, começando a ter consciência do seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus atos. (...)

Reconhecei a grandeza de Deus nessa admirável harmonia, mediante a qual tudo é solidário na Natureza. Acreditar que Deus haja feito, seja o que for, sem um fim, e criado seres inteligentes sem futuro, fora blasfemar da Sua bondade, que seestende por sobre todas as suas criaturas.”

A questão 611 dessa mesma obra complementa:
“Desde que o princípio inteligente atinge o grau necessário para ser Espírito e entrar no período da humanização, já não guarda relação com o seu estado primitivo e já não é a alma dos animais, como a árvore já não é a semente.” A Formação da vida na Terra A Ciência nos mostra como evoluiu a Terra, através das idades ou eras geológicas, com seus longos e numerosos períodos, cada qual caracterizados por seres vivos com corpos físicos diferentes, multiformes. A vida teve início nas águas, e as algas marinhas são os seres vivos mais antigos que se conhecem. No protoplasma primitivo tiveram início as primeiras células, constitutivas dos primeiros e mais rudimentares animais, os protozoários (amebas, paramécio), que deram saída à marcha ascensional da vida. Os vertebrados incluem o Homem, no grupo dos mamíferos, vindo antes na série evolutiva, os peixes, os anfíbios, os répteis e as aves.

O corpo físico, que hoje ocupamos como elemento de trabalho e progresso, é o produto de uma série de contínuos aperfeiçoamentos conseguidos em milhões de anos de experiências, lutas e vivências na face da Terra – como comprova a ciência oficial. Não esquecendo, entretanto, que o princípio espiritual dirige a evolução biológica (pois a matéria é inerte), cada etapa evolutiva revela a luta permanente em busca de novos estágios, de melhores condições de vida, à base do progresso a que está sujeito toda Criação. Nesse processo, pode o Homem orgulhar-se de ser o seu artífice, pois a bondade de Deus lhe reserva o mérito da obra.

Assim, a evolução se completa do verme ao Homem. Ela é dupla, simultânea, paralela: a das formas físicas, sob a orientação e o comando do princípio espiritual, inteligente. O princípio espiritual, esse sim, é a vida, o movimento, a inteligência. Esse princípio diretriz anima, aliás, todos os seres e coisas, porque não haveria matéria sem ele: os cristais refazendo um ângulo partido, os vegetais que sente estar a meio caminho do reino animal, os microorganismos no campo do automatismo.

Emmanuel, através da mediunidade de Chico Xavier, escreve no livro "A Caminho da Luz" que todo esse processo admirável não foi obra do acaso, resultado de forças cegas, inconseqüentes, e sim, a conseqüência de um trabalho bem elaborado dos Espíritos superiores, responsáveis pelo destino de nosso planeta. Emmanuel nos informa que Jesus (ele mesmo) e sua falange de engenheiros, químicos e biólogos siderais estiveram presentes todo o tempo, acompanhando fase a fase o despertar da vida no planeta.

André Luiz, em "No mundo Maior", sintetiza, de forma magistral, o roteiro do elemento inteligente do universo: “O princípio espiritual, desde o obscuro momento da criação, caminha, sem detença, para frente. Afastou-se do leito oceânico, atingiu a superfície das águas protetoras, moveu-se em direção à lama das margens, debateu-se no charco, chegou à terra firme, experimentou na floresta copioso material de formas representativas, ergueu-se do solo, contemplou os céus e, depois de longos milênios, durante os quais aprendeu a procriar, alimentar-se, escolher, lembrar e sentir, conquistou a inteligência.

Viajou do simples impulso para a irritabilidade, da irritabilidade para a sensação, da sensação para o instinto, do instinto para a razão. Nessa penosa romagem, inúmeros milênios decorreram sobre nós. Estamos em todas as épocas abandonando esferas inferiores a fim de escalonar as superiores. O cérebro é o órgão sagrado da manifestação da mente em trânsito da animalidade primitiva para a espiritualidade humana.”

O pensamento de Léon Denis, de que "a alma dorme na pedra, sonha na planta, move-se no animal e desperta no homem", está plenamente de acordo com o pensamento de André Luiz e Emmanuel, e incorporado ao corpo doutrinário do Espiritismo.

Reino Mineral

Acredita-se que antes de unir-se ao elemento material primitivo do planeta (o "protoplasma", na expressão de Emmanuel), dando início à vida no orbe, o princípio inteligente encontrava-se nos cristais, completando seu estágio de individualização em longuíssimo processo de auto-fixação, ensaiando, aos poucos, os primeiros movimentos internos de organização e crescimento volumétrico. Até hoje constitui fato pouco explicado pela ciência acadêmica, de determinadas substâncias arranjarem-se sob a forma de cristais perfeitamente arrumados segundo linhas geométricas definidas, o que não deixa de ser uma organização, ainda que não um organismo.

"O cristal é quase um ser vivente", disse Gabriel Delanne. Naturalmente que não iremos pensar numa inteligência própria da matéria. Todavia, o cientista Jean Emille Charon declarou que "o comportamento das partículas interatômicas revela vida incipiente".

Reino Vegetal e Animal

Após adquirir a capacidade de aglutinar os diversos elementos da matéria em sua peregrinação pelos minerais, o princípio espiritual vai iniciar outra etapa de sua longa carreira evolutiva. Identificamse com os vírus, logo a seguir com as bactérias rudimentares, as algas unicelulares e, sucedendo-as, com as algas pluricelulares. O princípio inteligente passa então a vivenciar as experiências nos vegetais mais complexos, melhor estruturados, onde ele vai adquirir a capacidade de reagir direta ou indiretamente a qualquer mudança exterior (irritabilidade) e depois a faculdade de sentir, captar e registrar as alterações do meio que o cerca (sensação) - conquistas do princípio espiritual em seu percurso pelo reino vegetal.

Mais tarde, assinala-se o ingresso da "energia pensante", no reino animal. O princípio inteligente vai desdobrar-se entre os espongiários, os celenterados, os equinodermos e crustáceos, anfíbios, répteis, os peixes e as aves, até chegar aos mamíferos. Neste imenso percurso, o elemento espiritual estará enriquecendo a sua estrutura energética, aprimorando o seu psiquismo rudimentar e assimilando os valores múltiplos da organização, da reprodução, da memória, da auto-preservação, enfim, dos diversos instintos, preparando-se para a sublime conquista da razão. Afirma-se que a conquista maior do princípio inteligente em sua passagem pelos animais é o instinto.

Denominam-se por instinto as formas de comportamento dos organismos que não são adquiridas durante a vida, mas herdadas. São impulsos naturais involuntários pelos quais os seres executam certos atos de forma mecânica, sem conhecer o fim ou o porquê desses atos (como o gato enterrar suas fezes e urina, ou certos pássaros fazerem seus ninhos de certa forma). No entanto, em muitos animais, especialmente nos animais superiores (macaco, cão, gato, cavalo, burro e o elefante), já se identifica uma inteligência rudimentar. Além dos atos instintivos, observam-se, às vezes, atitudes que demandam certo grau de perspicácia e lucidez.

Seria uma forma primitiva de inteligência relacionada apenas a coisas que importam à auto-preservação do animal. André Luiz diz que nos animais superiores observa-se um pensamento descontínuo e fragmentário, a partir do qual vai desenvolver-se o pensamento contínuo do reino hominal.

Reino Hominal

Afirma André Luiz que, para alcançar a idade da razão, com o título de homem, dotado de raciocínio e discernimento, o ser automatizado em seus impulsos, no caminho para o reino angélico, despendeu nada menos que um bilhão e meio de anos. Com a conquista da razão, aparecem o raciocínio, a lucidez, o livre-arbítrio e o pensamento contínuo. Até então, o progresso tinha uma orientação centrípeta, ou seja, de fora para dentro; o ser crescia pela força das coisas, já que não tinha consciência de sua realidade, nem tampouco liberdade de escolha. Ao entrar no reino hominal, o princípio inteligente - agora sim, Espírito - está apto a dirigir a sua vida, a conquistar os seus valores pelo esforço próprio, a iniciar uma evolução de orientação centrífuga (de dentro para fora).

Mas a conquista da inteligência é apenas o primeiro passo que o Espírito vai dar em sua estada no reino hominal. Ele deverá agora se iniciar na valorosa luta para conquistar os valores superiores da alma: a responsabilidade, a sensibilidade, a sublimação das emoções, enfim, todos os condicionamentos que permitirão ao Espírito alçar-se à comunidade dos Seres Angélicos. Em síntese, no reino mineral, o princípio espiritual refletiria a sua presença nas manifestações das forças de atração e coesão com que as moléculas se ajuntam em característicos sistemas cristalográficos.

No reino vegetal, mostraria maiores aquisições pelo fenômeno de sensibilidade celular. No reino animal, o princípio inteligente somaria novas aquisições refletidas nos instintos. No reino hominal, todo esse cabedal de experiências estaria ampliado pelos novos lastros da conscientização, a carregar consigo, raciocínio, afetividade, responsabilidade e outras tantas condições que caracterizam esta fase. Por fim, nas palavras de Emmanuel, em “O Consolador”

“O mineral é atração. O vegetal é sensação. O animal é instinto. O homem é razão. O anjo é divindade. Busquemos reconhecer a infinidade de laços que nos unem nos valores gradativos da evolução e ergamos em nosso íntimo o santuário eterno da fraternidade universal.”

Bibliografia:

Evolução em Dois Mundos - André Luiz/Chico Xavier - Waldo Vieira
No Mundo Maior - Cap. IV - André Luiz/Chico Xavier
Mecanismos da Mediunidade - André Luiz/Chico Xavier
Espiritismo Básico – Pedro Franco Barbosa
Impulsos Criativos da Evolução - Jorge Andréa
A Caminho da Luz - Emmanuel/Chico Xavier
Evolução Anímica - Gabriel Delanne
Livro dos Espírito – Allan Kardec