QUARTA DIMENSÃO
BIBLIOGRAFIA
01- AS CASAS MAL ASSOMBRADAS, pag. 206 02 - ENSAIO SOBRE A REENCARNAÇÃO, pag. 99
03 - FENÔMENOS DE TRANSPORTE, pag. 92, 115 04 - GUIA DO ESPIRITISMO, pag. 151, 173
05 - PARAPSICOLOGIA EXPERIMENTAL, pag. 36 06 - PSI QUÂNTICO, pag. 63,69, 94

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QUARTA DIMENSÃO – COMPILAÇÃO

01 - QUARTA DIMENSÃO

Espíritos, Arte e a Quarta Dimensão
Bryan Clair, professor de matemática da Saint Louis University,
publicado na edição de setembro de Strange Horizons


No meio do século dezenove, Henry Slade de Albion, Michigan, era notório como um médium espírita. Suas sessões e psicografias eram suficientemente impressionantes a ponto de nobres europeus convidarem-no a suas cortes, e foi em seu tour pela Europa na década de 1870 que ele convenceu um punhado de notáveis cientistas alemães da realidade do mundo espiritual. O Dr. J. C. F. Zöllner de Leipzig publicou um relato das demonstrações de Slade em seu livro de 1878 Transcendental Physics [Física Transcendental], afirmando que as impossibilidades físicas deveriam ter sido causadas por seres espirituais vivendo na quarta dimensão.

A resenha humorosa do Atlantic Monthly de 1881 de seu trabalho diz:

Uma pessoa abre este trabalho de Zöllner com grande interesse, na expectativa de algo significativo e mais edificante que os enfadonhos relatos de batidas na mesa e as insanas conversações de grandes homens que, ao entrar no Nirvana, aparentemente esqueceram tudo que aprenderam neste mundo e não têm nada melhor a fazer que mover mobília de câmara. Infelizmente, esta esperança não é realizada.

Não obstante, o livro de Zöllner e a controvérsia que gerou conduziu a uma onda de interesse popular na quarta dimensão que durou até pleno século 20.
Assim, o que exatamente Slade fez? Junto com uma torrente de psicografia, aparições e barulhos misteriosos, ele realmente tomou a atenção de Zöllner fazendo nós aparecerem em um laço de corda, como mostrado abaixo. Tente isto por si mesmo, e você descobrirá que só pode ser feito ao arrebentar a corda. Embora a corda real ficasse debaixo da mesa, Zöllner observou o selo de cera durante a sessão inteira e ficou convencido da alegação de Slade de intervenção espiritual.


Zöllner projetou vários desafios físicos para Slade, para testar sua hipótese de quarta dimensão. Para entender os desafios (e como as respostas de Slade quase completamente falham em superá-los), nós precisamos primeiramente entender a quarta dimensão.
Matematicamente, "dimensão" se refere ao número de coordenadas necessárias para descrever um ponto, ou equivalentemente os graus de liberdade de movimento em um espaço. Uma linha é unidimensional porque um ponto na linha precisa de apenas uma coordenada para sua descrição. Você poderia dizer "droga, há cem pessoas na minha frente", o que descreve muito bem sua triste posição em um fila em linha. Como outro exemplo, o volume do som é um conceito unidimensional. Um volume particular precisa de apenas um número para ser descrito, possivelmente da escala científica do decibel, ou talvez na escala do controle de volume de seu som, "gire até 10".
Um espaço bidimensional precisa de dois números para cada ponto. O plano chato e infinito da geometria ginasial é o exemplo principal, com cada ponto recebendo uma coordenada x e y. A superfície de uma esfera também é bidimensional; por exemplo, pontos na Terra são descritos por longitude e latitude. Embora nós passemos a maior parte de nossos dias vagando pela superfície bidimensional da Terra, nosso espaço é na realidade tridimensional, o que significa que podemos nos mover em três eixos, Norte-Sul, Leste-oeste e cima-baixo. Descrever pontos no espaço requer três coordenadas: para localizar um avião, você precisa de longitude e latitude, mais a elevação.

Pergunta: De que dimensão é o "espaço de cores"? Isto é, quanto coordenadas são necessárias para descrever uma cor? (Isto é especialmente interessante porque há muitos modos diferentes de descrever cor, contudo todas têm o mesmo número de coordenadas!)

O próximo passo é a quarta dimensão. Matematicamente, não é nenhum problema definir o espaço quadri-dimensional, ou "hiperespaço". É apenas um espaço abstrato que precisa de quatro coordenadas para descrever cada um de seus pontos, que funciona muito bem para cálculos mas não é de muita ajuda em visualização. Tentar pensar em quatro dimensões é um desafio sério, e exige uma coleção complicada de muletas mentais para fazer algum progresso.
A muleta mais efetiva é a analogia com uma dimensão menor, um truque aperfeiçoado no romance Flatland [algo como 'Planolândia'], escrito pelo ministro religioso do século XIX E. A. Abbott. O livro é a história de A. Square [Um. Quadrado], que mora em um mundo de duas dimensões. O sr. Square descreve o mundo dele com alguma crítica não muito sutil à sociedade vitoriana, e então é visitado por uma esfera da terceira dimensão.

Você pode imaginar um ser bidimensional como sendo uma ameba presa em uma placa de microscópio, ou como uma mancha de tinta movendo-se em um pedaço de papel. Freqüentemente é mais fácil imaginá-lo como bem achatado e vivendo na superfície de uma mesa. Usemos esta analogia para explicar os feitos de Slade de destreza quadri-dimensional. Considere um desafio para um médium espírita bidimensional. Nós lhe apresentamos uma faixa de elástico e uma moeda de um centavo, e o desafiamos a pôr o centavo dentro do elástico. Você também pode jogar este jogo, mas como um ser bidimensional você precisará manter o centavo e o elástico na mesa todo o tempo, sem poder levantá-los. Claramente, não pode ser feito. Porém, usando a terceira dimensão você pode levantar uma parte do elástico para cima da mesa, deslizá-lo para cima do centavo e então devolvê-la a como estava. O ser bidimensional veria parte do elástico misteriosamente desaparecer e então reaparecer no outro lado do centavo.

Pergunta: Como um ser bidimensional saberia que o centavo estava de fato dentro do elástico?

Agora nós temos algumas das ferramentas para ajudar-nos a entender os desafios de Slade. Em sessões adicionais, os "espíritos" de Slade faziam anéis de madeira desaparecer de cima da mesa e reaparecer em volta da perna da mesa, queimaduras aparecer em intestinos de porco mantidos debaixo da mesa e conchas de caracol se teleportarem da mesa para o chão.
O experimento mental do elástico e o centavo mostra exatamente como o truque de anel ao redor da mesa de Slade poderia funcionar se o médium tivesse acesso à quarta dimensão. Ele simplesmente "levantaria" o anel para a quarta dimensão e o colocaria "de volta" ao redor da mesa. Mas colocar anéis ao redor da uma mesa não é o que Zöllner tinha desafiado Slade a fazer! Na realidade, Slade devia unir dois anéis de madeira um ao outro. Os anéis eram de madeiras diferentes, cada um esculpido de um único pedaço. Dois anéis unidos assim são fisicamente impossíveis de criar, assim sua existência forneceria evidência excelente para a quarta dimensão. Colocá-los em volta do pé da mesa, embora impressionante, pode ser for
jado.

Assim são os outros feitos de Slade. Sua façanha inicial, amarrar nós em uma volta fechada de corda, também poderia ser feita com quatro dimensões: mova parte da corda de nosso espaço tridimensional, mova-a pela outra parte da corda, então traga-as de volta a este mundo. Mas Zöllner estava obviamente suspeitando do truque de corda, porque o segundo desafio dele para Slade era amarrar um nó em uma volta fechada cortada da bexiga de um porco. Ao contrário da volta lacrada de corda que poderia ser trocada ou falsificada, Slade não tinha nenhum modo de criar um nó em qualquer pedaço contínuo de carne de porco. Ele tinha três escolhas: cortar a volta e correr o risco de ser desmascarado, realmente usar a quarta dimensão, ou alegar que os espíritos não estavam dispostos a fazer isso. Sem surpresa, ele escolheu a última opção.
O feito final de Slade era teleportar algumas conchas de caracol. Novamente, a quarta dimensão é um modo bom de fazer este tipo de coisa. Você move a concha para a quarta dimensão, a transporta para onde quer que vá e então a joga de volta ao nosso prosaico espaço tridimensional. A analogia bidimensional deve ajudar a tornar isto claro, já que um ser tridimensional poderia erguer um objeto para fora do plano, movê-lo e então devolvê-lo ao plano. Mas novamente, isto não era o que Zöllner havia pedido. Na realidade, o desafio de Zöllner para Slade era pegar conchas de caracol que tinham espirais girando no sentido horário e transformá-las em conchas de caracol com espirais no sentido anti-horário.
Muito tempo antes, em 1827, o matemático Möbius, da famosa "tira de Möbius", percebeu que uma viagem pela quarta dimensão poderia transformar um objeto em sua própria imagem espelho. Para entender, nós voltamos à analogia bidimensional. Tome um símbolo que parece errado em um espelho, como um N, e recorte de um pedaço de papel. Se você colocá-lo em uma mesa, descobrirá que não há nenhum modo de virar o N ao contrário apenas deslizando o papel pela mesa. Mas se você se permitir uma terceira dimensão, pode simplesmente erguer o N, virá-lo e colocá-lo de volta na mesa. A versão quadridimensional funciona do mesmo modo. Você poderia usar a quarta dimensão, por exemplo, para transformar um sapato direito em um sapato esquerdo.


Pergunta: Você poderia usar a quarta dimensão para transformar uma luva direita em uma luva esquerda. Mas você já pode fazer isto virando a luva ao avesso. Qual é a diferença?

Em 1909 a Scientific American promoveu uma competição de ensaios para explicar a quarta dimensão, e muitos dos ensaios se focalizaram em reversões de espelho. Substâncias químicas isômeras como a dextrose e levulose (literalmente açúcares destros e canhotos) foram apresentadas como evidência para a existência da quarta dimensão na escala molecular, e um entusiasta de Zöllner alegou que caracóis horários e anti-horários são produzidos por uma reversão hiperespacial, completamente até os seus "sucos".
H. G. Wells usou o fenômeno de espelhamento em "A História de Plattner" de 1896, que é sobre um homem que acidentalmente se lança a uma distância curta na quarta dimensão. O homem se encontra em um mundo esverdeado povoado por espíritos de humanos mortos, e pode ver imagens lânguidas do reino terrestre sobrepostas nesta sua nova realidade. Depois de uma semana ele consegue voltar para casa, mas se tornou sua própria imagem espelho, como comprovado por fotografias, sua escrita e mais surpreendentemente seu coração, que agora bate do lado direito de seu peito.
"A História de Plattner" não foi o único aparecimento da quarta dimensão na literatura do período. É a ciência por trás de A Máquina de Tempo, e também o lar para o anjo que cai na Terra em Uma Visita Maravilhosa, os primeiros dois romances de Wells. É referida jocosamente em "O Fantasma de Canterville" de Oscar Wilde de 1887, sobre um espírito inglês que é desprezado pelos novos donos americanos de sua mansão ancestral. E Os Herdeiros de Joseph Conrad de 1901 é sobre humanos quadri-dimensionais destituídos de consciência que assumem o controle da terra.
Como muitos dos Vitorianos, eu tive minha primeira exposição à idéia da quarta dimensão através da ficção científica, em A Wrinkle In Time de Madeleine L’Engle e suas seqüências. Nestes romances, Charles Wallace, Meg e Calvin "tesseram" entre mundos, viajando pela quarta dimensão. A palavra "tesserar" [tesser] significa quatro, e aparece na palavra "tesseract", que é o análogo quadridimensional do cubo.

Pergunta: Há dois pontos no segmento, quatro segmentos no quadrado, e seis quadrados no cubo. Quantos cubos devem estar no hipercubo?

O tesseract, ou "hipercubo", é o objeto quadri-dimensional mais acessível, assim vale a pena tentar entendê-lo. Nós trabalhamos através de raciocínio indutivo, começando com um ponto e arrastando-o para traçar um segmento. Então arrastamos o segmento para traçar um quadrado, e arrastamos o quadrado para formar um cubo. O próximo passo é arrastar o cubo em uma quarta direção, perpendicular a todas as extremidades do cubo, resultando em um tesseract ou "hipercubo". O último passo, como sempre, é difícil de imaginar porque requer a quarta dimensão. Nós adquirimos uma noção com alguns desenhos: Usando perspectiva podemos desenhar um cubo de forma um pouco diferente. Fazendo uma projeção semelhante ao hipercubo conduz à imagem tridimensional abaixo. Sua mente reconstrói a imagem de um cubo muito facilmente em uma imagem mental de "cubo". Faça o mesmo com o hipercubo e você deverá ter uma imagem tridimensional satisfatória de um cubo dentro de outro, com cantos conectados por linhas. Porém, esta é só uma imagem do hipercubo, projetada em nosso espaço usando perspectiva. O cubo menor no meio é menor porque está mais longe, naquela quarta direção. Para adquirir um senso ainda melhor do hipercubo, brinque com esta imagem estereográfica em movimento.

Imagens de perspectiva parecem naturais a nós em parte porque estamos acostumados a olhar para elas, especialmente como fotografias, e em parte porque nosso olho funciona de uma maneira semelhante. Mas na realidade a perspectiva resulta em tremenda distorção de imagens. Objetos próximos são mostrados grotescamente grandes enquanto objetos distantes ficam minúsculos. No começo do século 20, um grupo de pintores conduzido por Picasso e Braque conduziram uma cruzada contra a perspectiva tradicional. Eles defenderam não apenas que a perspectiva destrói a proporção, mas que na realidade nós não vemos como uma máquina fotográfica — nós vemos com dois olhos, e nossos olhos se movem para entender uma cena.
Embora muitos outros fatores tenham estado envolvidos, uma das idéias instrumentais no desenvolvimento do Cubismo era que a quarta
dimensão poderia fornecer um ponto de vista para observar as formas não distorcidas de objetos. Para entender como isto poderia ser verdade, imagine uma criatura bidimensional olhando para um quadrado. Já que a criatura está no mesmo plano que o quadrado, pode ver no máximo apenas uma ou duas extremidades do quadrado, e ver do canto em diante, a medida de ângulo seria difícil de determinar. Ela teria que deduzir a forma como sendo um quadrado. De fato, em Flatland de Abbot, as distinções de classe entre os seres 2-D estavam baseadas em medidas de ângulos, e um homem com ângulos irregulares poderia disfarçar seu status de classe mais baixo escondendo um lado de seu corpo. Em nosso mundo tridimensional você pode olhar para um cubo de lado, mas só sabe é um cubo quando o vira em suas mãos ou caminha ao redor dele. Para superar isto, os Cubistas tentaram retratar todos os lados de um objeto de uma só vez, como se vistos da quarta dimensão.
Aqui estão dois bons exemplos desta técnica, um por Picasso, que nunca reconheceu explicitamente a influência da quarta dimensão, e um por Jean Metzinger, que claramente a declarou como sua meta.

Em ambos, você pode ver a semelhança entre as figuras facetadas e os planos angulares de um hipercubo, e a xícara de chá em "Le Gouter" é uma demonstração perfeita de pontos de vista múltiplos combinados para dar uma impressão completa de um objeto. Como outro exemplo de cubismo quadridimensional, veja o "Nu Descendo uma Escadaria, N.2" de Marcel Duchamp. Há uma figura um tanto robótica mostrada em várias fases de descida, como se nós estivéssemos vendo múltiplas exposições. Neste quadro, Duchamp (que era o maior defensor da quarta dimensão no mundo da arte) considera a quarta dimensão como tempo.

De forma interessante, esta idéia foi um dos triunfos da teoria de Einstein da relatividade, mas os documentos da relatividade foram publicados em 1916, quatro anos depois de "Nu Descendo"! Duchamp, embora um artista brilhante, não estava se antecipando à física moderna. Ele estava simplesmente seguindo a vanguarda de cientistas que, desde a metade do século XIX, usaram o tempo como outra muleta mental para compreender o hiperespaço.
Esta muleta de tempo funciona assim: Tome seu objeto quadridimensional e corte-o em uma sucessão de três fatias dimensionais. Duchamp explica,

A sombra lançada por uma figura quadridimensional em nosso espaço é uma sombra tridimensional. . . por analogia com o método pelo qual os arquitetos representam o plano de cada andar de uma casa, uma figura quadridimensional pode ser representada (em cada um de seus andares) através de seções tridimensionais. Estas seções diferentes serão ligadas umas às outras pela quarta dimensão.

Agora imagine as fatias exibidas como um filme, usando o fluxo de tempo para "ligá-las umas às outras". O exemplo clássico disto, usado em Flatland de Abbott, é imaginar uma bola atravessando um plano. Um ser no plano veria primeiro um ponto minúsculo, a "fatia" superior da bola. Enquanto a bola se movimenta para cima, o observador 2D vê o ponto crescer em um círculo maior e maior. Quando a bola tiver passado pelo plano até a metade, o círculo será tão grande quanto possível, e então o observador o verá encolher a um ponto e desaparecer.

Da mesma maneira que não podemos jogar futebol com um frisbee, um atleta quadridimensional precisaria de uma "hiperesfera" em vez de uma bola. E se ele a chutasse pelo seu quarto, você veria um objeto do tamanho de uma ervilha, que cresceria rapidamente ao tamanho de um melão, flutuaria, encolheria de volta a uma ervilha e desapareceria.
Capturar este tipo de filme era a meta do artista italiano Boccioni que se vangloria:

Parece claro a mim que esta sucessão não será encontrada na repetição de pernas, braços e faces, como muitas pessoas têm estupidamente acreditado, mas é alcançada pela busca intuitiva da forma única que dá continuidade no espaço. . . . Se com intuição artística for possível chegar ao conceito da quarta dimensão, somos nós Futuristas que estamos chegando lá primeiro.

Ironicamente, como a teoria de Einstein de relatividade foi aceita no começo dos anos 20, sua definição elegante do espaço-tempo quadridimensional matou o romance entre o público e a quarta dimensão do espaço. Agora que os físicos estavam tratando o velho tempo como uma quarta dimensão, especulações sobre "outras" direções misteriosas pareciam absurdas, e a quarta dimensão desapareceu da arte e literatura.
O movimento de arte surrealista foi uma das poucas reaparições do hiperespaço. As associações espirituais e a irracionalidade da quarta dimensão tradicional devem ter atraído Salvador Dali, que usou muitas imagens e alusões à quarta dimensão, como por exemplo em "Crucificação (Corpus Hypercubicus)" e "À Procura da Quarta Dimensão".

02 - QUARTA DIMENSÃO

Pineal - A União do Corpo e da Alma
Paula Calloni de Souza

Freqüentemente, a glândula pineal surge como o centro de nosso relacionamento com outras dimensões, e tem sido assim nas mais variadas correntes religiosas e místicas, há milhares de anos. O especialista no assunto, dr. Sérgio Felipe de Oliveira, conversou conosco sobre o assunto, mostrando os avanços da ciência no sentido de desvendar esse mistério.

O mistério não é recente. Há mais de dois mil anos, a glândula pineal, ou epífise, é tida como a sede da alma. Para os praticantes da ioga, a pineal é o ajna chakra, ou o “terceiro olho”, que leva ao autoconhecimento. O filósofo e matemático francês René Descartes, em Carta a Mersenne, de 1640, afirma que “existiria no cérebro uma glândula que seria o local onde a alma se fixaria mais intensamente”.

Atualmente, as pesquisas científicas parecem ter se voltado definitivamente para o estudo mais atento desta glândula. Estaria a humanidade próxima da comprovação científica da integração entre o corpo e o que se chamaria de alma? Haveria um órgão responsável pela interação entre o homem e o mundo espiritual? Seria a mediunidade, de fato, um atributo biológico e não um conceito religioso, como postulou Allan Kardec?

Para responder a estas e outras perguntas, a revista Espiritismo & Ciência conversou com o psiquiatra e mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo, dr. Sérgio Felipe de Oliveira. Diretor-clínico do Instituto Pineal Mind, e diretor-presidente da AMESP (Associação Médico-Espírita de São Paulo), Sérgio Felipe de Oliveira é um dos maiores pesquisadores na área de Psicobiofísica da USP, e vem ganhando destaque nos meios de comunicação com suas pesquisas acerca do papel da glândula pineal em fenômenos como a mediunidade.

Fale um pouco sobre seu trabalho à frente da AMESP e do Instituto Pineal Mind.

A AMESP é uma associação de utilidade pública que reúne médicos dedicados ao estudo da relação entre a medicina e a espiritualidade. O Pineal Mind é minha clínica, um instituto de saúde mental, onde fazemos pesquisas e atendemos psicoses, síndromes cerebrovasculares, ansiedades, depressão, psicoses infantis, uso de drogas e álcool. Temos um setor de psiconcologia (psicologia aplicada ao câncer) e estudamos também os aspectos psicossomáticos ligados à cardiologia, etc. Agora, particularmente nas pesquisas comportamentais, eu estudo os estados de transe e a mediunidade. Mas não pesquiso só a glândula pineal; ela é o que eu pesquiso no cérebro, interessado em entender a relação entre corpo e espírito.

O que é psicobiofísica?

É a ciência que integra a psicologia, a física e a biologia. Na biologia, estudamos o lobo frontal, responsável pela crítica da razão; mas o cérebro funciona eletricamente – aí entra a física, que serve de substrato para o pensamento crítico, que é o psicológico.

Quando surgiu seu interesse no aprofundamento do estudo da pineal?

Foi por volta de 1979/80, quando eu estava estudando a obra de André Luiz, psicografada por Chico Xavier. Em Missionários da Luz, a pineal é claramente citada. Nesta mesma época, eu já pleiteava o curso de Medicina. No colégio, estudando Filosofia, fiquei impressionado com a obra de Descartes, que dizia que a alma se ligava ao corpo pela pineal. Quando entrei na faculdade, corri atrás destas questões, do espiritual, da alma e de como isso se integra ao corpo.

O que é a glândula pineal, onde está localizada e qual a sua função no organismo?

A pineal está localizada no meio do cérebro, na altura dos olhos. Ela é um órgão cronobiológico, um relógio interno. Como ela faz isso? Captando as radiações do Sol e da Lua. A pineal obedece aos chamados Zeitbergers, os elementos externos que regem as noções de tempo. Por exemplo, o Sol é um Zeitberger que influencia a pineal, regendo o ciclo de sono e de vigília, quando esta glândula secreta o hormônio melatonina. Isso dá ao organismo a referência de horário. Existe também o Zeitberger interno, que são os genes, trazendo o perfil de ritmo regular de cada pessoa. Agora, o tempo é uma região do espaço. A dimensão espaço-tempo é a quarta dimensão. Então, a glândula que te dá a noção de tempo está em contato com a quarta dimensão. Faz sentido perguntarmos: “Será que a partir da quarta dimensão já existe vida espiritual?” Nós vivemos em três dimensões e nos relacionamos com a quarta, através do tempo. A pineal é a única estrutura do corpo que transpõe essa dimensão, que é capaz de captar informações que estão além dessa dimensão nossa. A afirmação de Descartes, do ponto em que a alma se liga ao corpo, tem uma lógica até na questão física, que é esta glândula que lida com a outra dimensão, e isso é um fato.

Outros animais possuem a epífise? Ela está relacionada à consciência?

Todos os animais têm essa glândula; ela os orienta nos processos migratórios, por exemplo, pois ela sintoniza o campo magnético. Nos animais, a glândula pineal tem fotorreceptores iguais aos presentes na retina dos olhos, porque a origem biológica da pineal é a mesma dos olhos, é um terceiro olho, literalmente.

Esta glândula seria resquício de algum órgão que está se atrofiando, ou estaria ligada a uma capacidade psíquica a ser desenvolvida?

Eu acredito que a pineal evoluiu de um órgão fotorreceptor para um órgão neuroendócrino. A pineal não explica integralmente o fenômeno mediúnico, como simplesmente os olhos não explicam a visão. Você pode ter os olhos perfeitos, mas não ter a área cerebral que interprete aquela imagem. É como um computador: você pode ter todos os programas em ordem, mas se a tela não funciona, você não vê nada. A pineal, no que diz respeito à mediunidade, capta o campo eletromagnético, impregnado de informações, como se fosse um telefone celular. Mas tudo isso tem que ser interpretado em áreas cerebrais, como por exemplo, o córtex frontal. Um papagaio tem a pineal, mas não vai receber um espírito, porque ele não tem uma área no cérebro que lhe permita fazer um julgamento. A mediunidade está ligada a uma questão de senso-percepção. Então, a ela não basta a existência da glândula pineal, mas sim, todo o cone que vai até o córtex frontal, que é onde você faz a crítica daquilo que absorve. A mediunidade é uma função de senso (captar)-percepção (faz a crítica do que está acontecendo). Então, a mediunidade é uma função humana.

A pineal converte ondas eletromagnéticas em estímulos neuroquímicos? Isso é comprovado cientificamente?

Sim, isso é comprovado. Quem provou isso foram os cientistas Vollrath e Semm, que têm artigos publicados na revista científica Nature, de 1988.

A parapsicologia diz que estes campos eletromagnéticos podem afetar a mente humana. O dr. Michael Persinger, da Laurentian University, no Canadá, fez experiências com um capacete que emite ondas eletromagnéticas nos lobos temporais. As pessoas submetidas a essas experiências teriam tido “visões” e sentiram presenças espirituais. O dr. Persinger atribui esses fenômenos à influência dessas ondas eletromagnéticas. O que o senhor teria a dizer sobre isso?

Veja, o espiritual age pelo campo eletromagnético. Então, dizer que este campo interfere no cérebro não contraria a hipótese de uma influência espiritual. Porque, se há uma interferência espiritual, esta se dá justamente pelo campo eletromagnético. Quando se fala do espiritual, em Deus, a interferência acontece na natureza pelas leis da própria natureza. Se o campo magnético interfere no cérebro, a espiritualidade interfere no cérebro PELO campo magnético. Uma coisa não anula a outra. Pelo contrário, complementam-se.

A mediunidade seria atributo biológico e não um conceito religioso? Existe uma controvérsia no meio científico a esse respeito?

A mediunidade é um atributo biológico, acredito, que acontece pelo funcionamento da pineal, que capta o campo eletromagnético, através do qual a espiritualidade interfere. Não só no espiritismo, mas em qualquer expressão de religiosidade, ativa-se a mediunidade, que é uma ligação com o mundo espiritual. Um hindu, um católico, um judeu ou um protestante que estiver fazendo uma prece, está ativando sua capacidade de sintonizar com um plano espiritual. Isso é o que se chama mediunidade, que é intermediar. Então, isso não é uma bandeira religiosa, mas uma função natural, existente em todas as religiões. E isso deve acontecer através do campo magnético, sem dúvida. Se a espiritualidade interfere, é pelo campo eletromagnético, que depois é convertido, pela pineal, em estímulos eletroneuroquímicos. Não existe controvérsia entre ciência e espiritualidade, porque a ciência não nega a vida após a morte. Não nega a mediunidade. Não nega a existência do espírito. Também não há uma prova final de que tudo isto existe. Não existe oposição entre o espiritual e o científico. Você pode abordar o espiritual com metodologia científica, e o espiritismo sempre vai optar pela ciência. Essa é uma condição precípua do pensamento espírita. Os cientistas materialistas que disserem “esta é minha opinião pessoal”, estarão sendo coerentes. Mas se disserem que a opção materialista é a opinião da ciência, estarão subvertendo aquilo que é a ciência. A American Medical Association, do Ministério da Saúde dos EUA, possui vários trabalhos publicados sobre mediunidade e a glândula pineal. O Hospital das Clínicas sempre teve tradição de pesquisas na área da espiritualidade e espiritismo. Isso não é muito divulgado pela imprensa, mas existe um grupo de psiquiatras lá defendendo teses sobre isso.

Como são feitas as experiências em laboratório?

Existem dois tipos: um, que é a experiência de pesquisa das estruturas do cérebro, responsáveis pela integração espírito/corpo; e outra, que é a pesquisa clínica, das pessoas em transe mediúnico. São testes de hormônios, eletroencefalogramas, tomografias, ressonância magnética, mapeamento cerebral, entre outros. A coleta de hormônios, por exemplo, pode ser feita enquanto o paciente está em estado de transe. E os resultados apresentam alterações significativas.

As alterações em exames de tomografia, por exemplo, são exclusivas ou condizentes com outras patologias? O senhor descarta a hipótese de uma crise convulsiva?

Isso é bem claro: a suspeita de uma interferência espiritual surge quando a alteração nos exames não justifica a dimensão ou a proporção dos sintomas. Por exemplo: o indivíduo tem uma crise convulsiva fortíssima, é feito o eletroencefalograma e aparece uma lesão pequena. Não há, então, uma coerência entre o que está acontecendo e o que o exame está mostrando. A reação não é proporcional à causa. A mediunidade mexe com o sistema nervoso autônomo – descarga de adrenalina, aceleração do ritmo cardíaco, aumento da pressão arterial.

Como o senhor diferencia doença mental de mediunidade?

Na doença mental, o paciente não tem crítica da razão; no transe mediúnico, ele tem essa crítica. Quando o médium diz que incorporou tal entidade espiritual, mas que ele, médium, continua sendo determinada pessoa, ele usou a crítica, julgou racionalmente o que aconteceu. Agora, um indivíduo que diz ser Napoleão Bonaparte? Aí ele perdeu a crítica da razão. Essa é a diferença. O que não quer dizer que o indivíduo que esteja em psicose não possa estar em transe também. A mediunidade se instala no indivíduo são, ou pode dar uma dimensão muito maior a uma doença. A mediunidade sempre vai dar um efeito superlativo. Se a pessoa alimenta bons sentimentos, ela cresce. Se ela tem uma doença, aquela doença pode ficar fora de controle.

É verdade que a pineal se calcifica com a meia-idade? E essa calcificação prejudica a mediunidade?

Não, a pineal não se calcifica; ela forma cristais de apatita, e isso independe da idade. Estes cristais têm a ver com o perfil da função da glândula. Uma criança pode ter estes cristais na pineal em grande quantidade enquanto um adulto pode não ter nada. Percebemos, pelas pesquisas, que quando um adulto tem muito destes cristais na pineal, ele tem mais facilidade de seqüestrar o campo eletromagnético. Quando a pessoa tem muito desses cristais e sequestra esse campo magnético, esse campo chega num cristal e ele é repelido e rebatido pelos outros cristais, e este indivíduo então apresenta mais facilidade no fenômeno da incorporação. Ele incorpora o campo com as informações do universo mental de outrem. É possível visualizar estes cristais na tomografia. Observamos que quando o paciente tem muita facilidade de desdobramento, ele não apresenta estes cristais.

As crianças teriam mais sensibilidade mediúnica?

A mediunidade na criança é diferente da de um adulto. É uma mediunidade anímica, é de saída. Ela sai do corpo e entra em contato com o mundo espiritual.

A pineal pode ser estimulada com a entoação de mantras, como pregam os místicos?

A glândula está localizada em uma área cheia de líquido. Talvez o som desses mantras faça vibrar o líquido, provocando alguma reação na glândula. Os cristais também recebem influências de vibração. Deve vibrar o líquor, a glândula, alterando o metabolismo. Teria lógica.

Em que se concentrarão seus próximos estudos?

Estou preparando um estudo sobre Cronogenética da Reencarnação. Mas, sobre isso, falarei mais detalhadamente em 2003, durante o Congresso Médico-Espírita.

03 - QUARTA DIMENSÃO

Johan Karl Friedrich Zöllner


Vida profissional

Friedrich Zöllner, como era mais conhecido, foi um astrofísico famoso e professor da Universidade de Leipzig, Alemanha. Nasceu em Berlim, a 08 de novembro de 1834 e faleceu precocemente em Leipzig, Alemanha, a 25 de abril de 1882, aos 48 anos de idade.

Deixou inúmeros trabalhos na área da astronomia e da física ótica, onde ficou bastante conhecido por suas pesquisas na área da ilusão de ótica. Seu trabalho em ótica, desenvolvido em 1860, foi denominado Ilusão de Zöllner, em que linhas paralelas se mostravam como diagonais. Na área da astronomia ele se destacou provando a teoria de Christian Doppler sobre o efeito do movimento na cor das irradiações eletromagnéticas das estrelas em consequência do desvio das linhas do espectro da luz emitida por estes corpos celestes. Ele inventou um aparelho muito sensível chamado Astrophotometer, capaz de medir essas variações. Em sua homenagem, uma das crateras da lua foi denominada Cratera de Zöllner. Em 1872, foi convidado a ocupar a cadeira de Astrofísica na Universidade de Leipzig.

Foi membro da Royal Society da Inglaterra, da Real Sociedade Astronômica de Londres, da Academia Imperial de Ciências Físicas e Naturais de Moscou e da Sociedade Científica de Estudos Psíquicos de Paris.

Fenômenos mediúnicos

Desde muito cedo Zöllner se interessou pelos fenômenos mediúnicos. Quando surgiu a oportunidade, em 1875, foi à Inglaterra visitar um dos maiores cientistas da época, William Crookes, que era a maior referência nas pesquisas dos chamados “efeitos mediúnicos” tais como o movimento de objetos sem interferência de uma fonte de energia e da materialização de espíritos. Zöllner buscava uma explicação científica para tais fenômenos.

Após sua visita, desenvolveu uma teoria sobre a ocorrência de tais fenômenos. De acordo com sua teoria, o universo teria, além das três dimensões espaciais euclidianas, uma quarta dimensão pela qual se explicam alguns fenômenos de ordem espírita. De acordo com essa teoria, o fenômeno mediúnico poderia perder sua característica mística e passaria ao domínio da Física e da Filosofia ordinárias.

A 4ª dimensão

Para melhor entendimento do que seja a 4ª dimensão na concepção física atual, admitamos que o espaço possa encurvar-se nas proximidades das grandes massas gravitacionais, o que só poderá fazê-lo no sentido da 4ª dimensão e todos os fenômenos mediúnicos, bem como o deslocamento das entidades espirituais seria efetuado por essa 4ª dimensão. A respeito da teoria da 4ª dimensão, Schiaparelli, famoso astrônomo italiano, escreveu em carta dirigida a Camille Flammarion: “É a mais engenhosa e provável que pode ser imaginada.”

Pesquisas realizadas

Para melhor confirmação de sua teoria, Zöllner realizou inúmeras reuniões com médiuns e pesquisadores em sua própria residência.
Em 1877, recepcionou pela primeira vez em Leipzig, o médium inglês Henry Slade. Este era protagonista de inúmeras manifestações de efeitos físicos. Para analisar a mediunidade de Slade, contou ocasionalmente com a participação de vários outros professores universitários, o que imprimiu maior entusiasmo em suas pesquisas.

Com o trabalho levado a efeito com esse médium, Zöllner fez várias publicações em forma de artigos, em revistas científicas e, posteriormente, em livros versando sobre a “física transcendental”. Além de Slade, Zöllner estudou os fenômenos produzidos por Madame_D'Esperance, protagonista de fenômenos de aparição e de transporte de objetos.

Em março de 1880, o Barão Von Hoffmann convidou o médium inglês William Eglinton para participar de reuniões com Zöllner. Foram ao todo 25 reuniões. Eglinton era médium de efeitos físicos, principalmente materialização e escrita direta. Zöllner mostrou-se muito satisfeito com os resultados das pesquisas e pretendia até publicar outro livro sobre suas experiências, porém faleceu antes disto.

Zöllner foi um grande batalhador da causa espírita notabilizando-se por suas experiências físicas onde a atuação dos espíritos não deixou dúvidas nem incertezas. Sendo físico, utilizou esta ciência para demonstrar a imortalidade e divulgar a interferência dos desencarnados no cotidiano dos encarnados.
Ao propor a teoria da 4ª dimensão para explicar os fenômenos observados, antecipou-se aos físicos atuais e demonstrou como a ciência pode auxiliar a religião e quanto a religião pode ser científica.

Principais obras publicadas

Seu livro mais famoso é: Provas Científicas da Sobrevivência” ou “Física Transcendental.

Outros livros publicados por Zöllner que chamaram a atenção do mundo científico foram:

A Natureza dos Cometas;

Esboços de Fotometria Universal dos Céus Estrelados;

Natureza dos Corpos Celestes.

Ao oferecer seu livro Provas Científicas da Sobrevivência ou Física Transcendental a William Crookes, Zöllner escreveu uma dedicatória muito expressiva da qual extraímos o seguinte trecho:

“Com o mais elevado sentimento de gratidão e reconhecimento pelos serviços prestados por vós a uma nova ciência, eu vos ofereço, respeitabilíssimo colega, o terceiro volume dos meus Tratados Científicos.
Por uma coincidência notável, as nossas investigações científicas se encontraram no mesmo terreno, fornecendo à humanidade admirada uma nova classe de fenômenos físicos que proclamam bem alto e de um modo não mais duvidoso a existência de um outro mundo material de seres inteligentes.

Aceitai, pois, a presente obra como sinal de agradecimento e simpatia, vertidos do coração honesto de um alemão”.

Friedrich Zöllner: astrônomo, físico, professor, cientista, pesquisador, pioneiro da teoria da 4ª dimensão no Universo. É mais um exemplo de que Ciência e Espiritualidade podem caminhar juntas.