RADIAÇÃO
BIBLIOGRAFIA
01- Antologia do perispírito - ref. 940 02 - Ciência e Espiritismo - pág. 86
03 - Desenvolvimento mediúnico - pág. 21 04 - Dic. Encic. Ilustrado - pág. 231
05 - Hipnotismo e Espiritismo - pág. 172 06 - Mãos de luz - pág. 202, 287
07 - Mediunidade - pág. 171 08 - Memórias de um suicida - pág. 85, 117
09 - Os funerais da Santa Sé - pág. 241 10 - Universo e Vida - pág. 69, 90

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RADIAÇÃO – COMPILAÇÃO

09 - Os funerais da Santa Sé - Guerra Junqueiro - pág. 241

Mesmo depois de proclamada a República, quando seu nome andava nas combinações para a presidência, nem assim teve orgulho fátuo, e continuou subindo as escadarias dos ministérios para pedir quase que exclusivamente em favor de campônios, para defender direitos ameaçados de humildes lavradores, principalmente pêlos de Barca de Alva, a quem se afeiçoara devido à abnegação com que trabalharam nas paludosas terras adquiridas pelo Poeta. Era muitas vezes a tiritar com febre que preparavam os futuros vinhedos que tantos cuidados deram a Guerra Junqueiro, vítima também das sezões do local.

De uma feita, telegrafou a António José de Almeida, recusando projetada manifestação e dizendo-lhe que em torno do seu nome, ele, Guerra Junqueiro, queria paz, silêncio, esquecimento. Quando se proclamou a República, Junqueiro esteve para ser nomeado ministro plenipotenciário na Espanha. Em tal sentido, chegou mesmo a dar uma entrevista ao "Imparcial", de Madrid.

Optando depois pela Legação na Suíça, Guerra Junqueiro o fez no confessado intuito de escrever a sua anunciada obra filosófica — "Unidade do Ser", o que não realizou durante a permanência no cargo, 1911-1913, talvez porque, aparentemente, lhe faltasse o sossego de espírito necessário, de vez que se preocupava bastante com as coisas de Portugal, inclusive com os seus interesses particulares ligados às colheitas de Barca de Alva, às quais não deixava de assistir.

Foi a única função pública que exerceu, não aceitando depois nenhuma outra. E tê-la-ia, porque o verdadeiro marco inicial da vitória republicana nasceu de uma atitude de Guerra Junqueiro, por ocasião das eleições para deputados, em 26 de novembro de 1899.
Estando a cidade do Porto sob cordão sanitário, devido a um surto de peste bubônica, ainda assim foram procedidas as eleições. Guerra Junqueiro escreveu vibrantíssimo e belo manifesto em favor dos candidatos republicanos, que foram eleitos.

Predestinado a realizar a renovação religiosa do seu tempo, Guerra Junqueiro, com a intuição iluminada das verdades que deviam constituir as muralhas a assentar sobre as ruínas dos erros e fetichismos destruídos, investiu de alvião (com esse alvião simbólico de que tanto falam agora seus versos mediúnicos) contra o edifício dos velhos preconceitos.

Ele não visava a Igreja do Cristo, de instituição divina, mas o arremedo criado pelas deturpações meio pagãs, infiltradas por meio de ritos na antiga e majestosa simplicidade do culto cristão. Ele não alvejava os homens sinceros e bons, que fulgem singulares no meio do mercantilismo religioso de todos os tempos, porém, apenas os que faziam do Evangelho de Jesus a tabuleta reclamista destinada a atrair e explorar os ignorantes e os crédulos.

Dentro do clero português distinguia e homenageava as figuras dignas de respeito pelas virtudes pessoais, e, quando houve de emitir opinião sobre as reformas políticas que atingiam a Igreja Católica, pleiteou um regímen de liberdade à altura de uma organização que assegurasse o saneamento do clero nacional. Por intermédio de Bernardino Machado tudo envidou para que a chamada lei da separação da igreja ficasse escoimada dos defeitos que os ódios lhe haviam introduzido; mas, ouvindo as suas paixões e interesses, os políticos e o clero se desavieram e lutaram acesamente.

Quando surgiu a lei Afonso Costa (decreto de 20-4-1911), e foi publicado o protesto coletivo dos bispos portugueses (22 de maio), Guerra Junqueiro, que havia profligado duramente tal lei — classificando-a de estúpida —, disse sem embargo, do clero: "Os padres são de lama, e o Afonso Costa supôs que fossem de coisa mais imunda e malcheirosa." Mas essas suas opiniões radicais sobre os vícios e corruptelas do catolicismo romano em Portugal não sofriam de exagero, nem tinham, como alguns supunham, eiva de ódios pessoais.
Um episódio, narrado pelo insuspeitíssimo Dr. Cândido de Figueiredo, o erudito filólogo, dará testemunho em favor das atitudes profligantes de Guerra Junqueiro.

O ilustre escritor e gramático foi, como se sabe, casado em primeiras núpcias com a poetisa setubalense, Mariana Angélica de Andrade. Para realizar o consórcio, o Dr. Cândido de Figueiredo houve de anular as ordens eclesiásticas menores que havia recebido, e como o processo dependesse de encaminhamento ao papa, e de grandes dispêndios, o interessado dirigiu-se a um velho amigo, o Bispo de Viseu, Alves Martins, o qual prometeu auxílio pronto no caso, enviando para Roma informações categóricas sobre a justiça da pretensão.

Disse depois o Bispo a Cândido de Figueiredo: — Você tem razão, e Roma não lhe deve recusar o Breve de dispensa. Mas, se você fosse rico, devia ir lá pessoalmente, porque, creia uma coisa: se você levasse consigo uma burra de dinheiro, traria de lá licença para casar... com a própria burra. Foi contra esse clero romanizado que Guerra Junqueiro escreveu as sátiras tremendas da "Velhice do Padre Eterno".

Foi desse clero amoldado aos processos inescrupulosos do Vaticano que Guerra Junqueiro disse (a propósito da agitação dos católicos romanos contra a lei da separação da Igreja do Estado): "O padre português não tem convicções. Em se tratando da barriga, tanto lhe faz que as pessoas da Santíssima Trindade sejam 3 ou 300..."

Guerra Junqueiro possuía ignotas intuições geniais, fruto da sua mediunidade, despercebida dele próprio. Assim, dentro da cerebração de poeta, fulgiam idéias novas, levando-o a cogitações de ordem científica, que, afinal, coincidiam com os problemas mais transcendentes da vida, e que procurou, em vão, deixar solucionados. Lançando nos versos as teses das verdades eternas que regem a vida do Espírito, sentiu que precisava fixar em trabalho de maior fôlego e sólida base científica as conclusões filosóficas decorrentes das ideias gerais contidas nessas rimas. Leu, estudou afincada-mente, reunindo a mais completa biblioteca sobre Biologia então existente em Portugal.

Concebeu escrever a "Unidade do Ser", e para isso coligiu apontamentos que encheram 4.000 folhas de papel almaço. Não chegou a realizar o intento; mas, quando vierem a lume esses escritos, ver-se-á decerto a potência das concepções, e talvez quanto perdeu o mundo na irrealização de tal propósito instrutivo e revelador. Muita gente ignora que as hoje vitoriosas teorias sobre o poder curativo dos raios ultravioleta tiveram em Guerra Junqueiro um indiscutível precursor. Em 1898, quando seus vinhedos foram atacados pela infecção da "maromba", começou a estudar os meios profiláticos então em uso, verificando a ação mais ou menos fulminante das cores do espectro solar sobre os parasitas dos vegetais. E desde logo, de experiência em experiência, chegou à verdade daquele seu verso que falava nas pulverizações balsâmicas da luz...

E descobriu que os raios ultravioleta eram os mais enérgicos e eficientes no combate, na ação bactericida. O Dr. Bettencourt Rodrigues ("Medicina e Médicos", ed. Lúmen, Lisboa, 1922, cap. XXTC) dá detalhada notícia dos estudos precursores de Guerra Junqueiro, e transcreve trechos epistolares que atestam a sólida cultura científica do Poeta. Desses estudos tirou importantes conclusões sobre a ação radioativa, tendo publicado importante artigo, em 1904, em "La Revue", de Paris, sobre o "Rádio e a radiação universal", e, em 1910, a "Teoria de certas ações radiobiológicas". Compareceu mesmo a um conclave científico, em Paris, onde expôs as notáveis convicções a que havia chegado sobre esses problemas da alta indagação científica.

Invulgar era a cultura filosófica de Guerra Junqueiro, e se os frutos do profundo estudo que fizera não vieram a lume, foi porque ele perquiria o problema do Além, em busca da fórmula que resolvesse a grande equação da vida espiritual, universalizada, não se preocupando que o mundo lhe conhecesse os irrevelados trabalhos atestantes da cultura científica que acumulara. Aqueles que conheceram e supuseram Guerra Junqueiro apenas — poeta, precisam saber que, sem abandonar as musas, seu intelecto se enriqueceu de valiosos cabedais cientí-fico-filosóficos, tornando-o digno de figurar, se o quisesse, entre os homens de ciência da época.

Em seu cérebro germinaram e abortaram sínteses admiráveis, que ele teria desenvolvido magistralmente, se houvesse conhecido as doutrinas que explicam as incógnitas de tais sínteses (fórmulas das verdades universais) e que o Poeta não conseguiu encontrar. "A vida — é o Amor e a Dor. Procurar as suas leis, e/s tudo. Hoje a verdadeira definição da — Matéria é: associação de energias (radiação universal, desassociação dos átomos).

A ciência futura será portanto o estudo das energias cósmicas. O homem é o universo reduzido. Se cada um pudesse deixar-se narrar, teríamos a mais maravilhosa história do mundo. Na criatura, a razão é nada; o que é grande é o inconsciente." O Espiritismo ter-lhe-ia dado a explanação dessas verdades, que ele angustiadamente, em vão, buscou durante toda a vida. Mas, por um estranho, misterioso, inexplicável eclipse espiritual, Guerra Junqueiro não admitia o Espiritismo, e considerava as experiências célebres de William Crookes frutos de ilusão, por inverossímeis.

Curiosa incoerência de concepção, decerto, porque Guerra Junqueiro tem versos e conceitos, idéias e afirmativas, que são lidimamente espíritas, externadas em linguagem que o próprio Allan Kardec teria empregado. Mais ainda: nas conclusões filosóficas atingidas por Guerra Junqueiro só existe um vácuo, que o seu saber, as suas perquirições não conseguiram preencher: a sucessão das vidas. Colocada nesse imenso vazio a doutrina da Reencar-nação, Guerra Junqueiro teria chegado triunfante à meta almejada, teria compreendido — como e por que — o "Prometeu" se desacorrenta, se liberta e segue o "Caminho do Céu".

Mas, verdade, verdade, os altos e recônditos desígnios se realizam sempre, e a seu tempo, e a razão de todas as coisas nos é dada, na hora exata. Aparentemente, é estranho, inexplicável que Guerra Junqueiro não realizasse a sua tarefa total, deixando inacabada a porção mais admirável, mais fecunda, mais evangelizadora da sua obra poética.

Ele, que viera pregar um Evangelho rimado a toda a gente, não pôde escrever, vivo na Terra, os versículos do seu novo testamento cristão simbolizado naquelas cruzes de que falam quatro versos dos que deixou rascunhados no "Prometeu" (sermão de S. Paulo):
Cruzes, cruzes sem fim, de cedro ou de granito, de topo em topo e monte em monte e serra em serra, como braços de angústia abraçando o infinito, como punhais de dor apunhalando a terra...(..)

10 - Universo e Vida - Espírito Áureo - pág. 69, 90

V - ENERGIA E EVOLUÇÃO
Façamos agora ligeira interrupção no curso normal de nosso estudo, para algumas considerações oportunas, relativas à energia, no campo da evolução.
1. ENERGIA MENTAL
A desagregação atômica por meio de explosão nuclear é apenas uma das formas de conversão da matéria em energia. A Natureza utiliza permanentemente muitos outros processos para essa transformação, sendo a radiação um dos mais estudados pelo homem terreno. A ciência oficial de nossos dias já conhece algo sobre as propriedades da matéria e da energia, quando elas são conversíveis entre si, o que importa dizer: da mesma natureza essencial. Existem, porém, aspectos elementares da estrutura da energia que permanecem desconhecidos da ciência terrestre. Esta lhe identifica variadas formas de manifestação, mas ainda ignora por completo suas formas não conversíveis em matéria, embora já comece a desvendar os segredos da antimatéria.

Inclui-se dentre os mais comuns e constantes tipos de energia não adensável-a energia mental propriamente dita, da qual o pensamento é a mais elevada expressão. No entanto, ela é capaz de agir sobre as diversas formas de energia reconversível, de impressioná-las e transformá-las, através de radiações de potência ainda não humanamente detectável, mas de alto e efetivo poder, traduzível em fenômenos eletromagnéticos inapreciáveis.

Essa é basicamente a energia que organiza o tecido perispiritual e, de resto, todos os campos vibratórios que envolvem o espírito humano e nos quais este se movimenta nas dimensões extrafísicas. É também ela o fulcro de que se origina a energização das idéias, corporificando-as em formas-pensamentos, suscetíveis, como já sabem os pesquisadores do psiquismo, de serem temporárias, mas poderosamente vivificadas, dirigidas e até mesmo materializadas, através dê processos de densificação bem mais comumente utilizados do que vulgarmente se presume.

É, contudo, bem mais importante assinalarmos o fato de que essa energia mental retrata sempre, como imagens vivas, as emoções e os sentimentos do Espírito humano, encarnado ou desencarnado, condensando e expressando automaticamente, e com rigorosa exati-dão, toda e qualquer emoção ou sentimento de qualquer ente espiritual, sob as mais nítidas e diferenciadas características de forma, cor, som, densidade, peso específico, velocidade, frequência vibratória e capacidade de permanência.

Isso significa que as emoções e os sentimentos humanos impregnam e magnetizam o campo energético das vibrações do pensamento, por via de um processo de superenergização, no qual uma espécie de energia mais quintessenciada e poderosa ativa, colora e qualifica outra espécie de energia, sem com ela fundir-se ou confundir-se, e sem que haja entre elas a possibilidade de mútua conversão.

Jean-Jacques Rousseau percebeu isso intuitivamente, embora de modo evidentemente imperfeito, quando afirmou a precedência do sentimento sobre a razão. Foi, entretanto, o Divino Mestre quem revelou tal verdade de forma inconfundível, ao alicerçar todo o seu ensino e exemplificação no sentimento do Amor — resumo, como explicou, de "toda a Lei e de todos os Profetas".

Os estudos de Darwin sobre a evolução das espécies abriram caminho a grandes avanços do conhecimento humano no campo da hierarquia das complexidades, que acompanham os processos de aprimoramento dos organismos. Sabe-se hoje que essa crescente complexidade é consequência de funções novas, nascidas de novas necessidades e geradoras de novos poderes. É também assim na ordem da evolução anímica, onde o Espírito, ao desenvolver a sua própria mente, amplia e diversifica sua estrutura, seu espaço e seu tempo individuais, crescendo para Deus, no seio do Universo Infinito.

Quanto mais o ser espiritual se sublima, mais recursos desenvolve, em formas cada vez mais altas e nobres de energia sutil, tanto mais poderosas e excelsas, quanto menos densas e mais diferenciadas das formas materializáveis de energia.

Eis por que o Espiritismo Evangélico sobrepõe o esforço de santificação, isto é, de sublimação moral dos sentimentos humanos, a todo e qualquer processo de evolução meramente intelectiva. É que o aprimoramento da inteligência, sob todas as formas, sendo embora imperativo inderrogável da Eterna Lei, é mais fácil de ser realizado, e de modo menos suscetível a erros e quedas, quando produzido sob o ascendente do sentimento enobrecido, que é a força diretriz de todas as energias e potencialidades do Espírito.

2. RADIAÇÕES LUMINOSAS

Mesmo que potentes radiações luminosas, que são ondas eletro-magnéticas, incidam sobre um corpo, delas este somente reterá a quantidade que lhe permitir o seu próprio poder de absorção, embora também seja verdade que parte do poder absorvente de qualquer material depende igualmente do comprimento de onda da radiação incidente.

No campo psicoperispirítico, prevalece realidade similar, pois o poder de atuação energética de um espírito sobre outro subordina-se a dupla condição, isto é, ao comprimento de onda da radiação luminosa do atuante e à capacidade de absorção do atuado, sendo fundamental não perdermos de vista que em todos os fenômenos desse tipo o regime inelutável é o das trocas, cujo escopo natural é sempre o do equilíbrio.

Explicaremos noutro capítulo por que razão nos referimos à atuação energética de natureza luminosa, de um espírito sobre outro, mas adiantamos que a luz é a mais nobre das formas de energia. Precisaremos, porém, considerar mais detidamente esse assunto, pois também a luz apresenta variações importantes de tipo e natureza, na hierarquia dos valores do Universo. Retomando, porém, o que dissemos no parágrafo anterior, assinalamos que é aquele o princípio que preside à capacidade de ajudar ou de ferir, e a de ser alguém ajudado ou ferido.

Na Natureza, a justiça se realiza de forma automática e perfeita, nos exatos termos do nível evolutivo de cada ser e dos seres que com ele se relacionam. O poder de Deus é onímodo, onipresente e eternamente atuante no Universo, porque está nele imanente, não podendo ser traído ou alterado por nenhuma força e por nenhum ser da Criação.

Define-se também, em face dessa realidade, o princípio do mérito, porquanto o poder de dar e receber, de agir e de sofrer ação, de auxiliar e de ser auxiliado é sempre rigorosa, natural e automaticamente limitado pela real condição evolutiva de cada ser. Vale considerar, neste capítulo, que as radiações eletromagnéticas chamadas de energia radiante não compreendem tão-só a energia da luz visível, senão também as radiações gama, ultravioleta e infravermelha, as ondas de rádio, os raios X e a energia calorífica irradiada.

Assim não fosse, qualquer pessoa poderia ver, a olho nu, no mundo dos encarnados, o próprio halo, ou campo eletromagnético, e o das demais pessoas, identificando de pronto a condição espiritual de cada um, pela simples coloração de sua luz, embora a atmosfera vital de cada ser esteja também impregnada de outras importantes qualidades dinâmicas.

Cumpre, aliás, ter-se em conta que o mundo particular de cada indivíduo é, de certo modo, o que a Física atual denomina, a nosso ver impropriamente, de sistema isolado, que é, por definição, aquele que não troca energia com outro sistema. Ressalvando que somente noutro capítulo examinaremos esse tema, de magna importância, por estar ligado intimamente ao princípio da conservação da energia, deixamos claro que a idéia do sistema isolado não tem, nesta nossa comparação, nenhum sentido de isolamento real ou de refrangibilidade.

Visa apenas a dar idéia dum pequeno universo individuado, pois cada ser é realmente como um pequeno mundo a mover-se no grande sistema de seres a que pertence. Dissemos que o mundo particular de cada indivíduo é, de certo modo, um sistema isolado, porque, em se tratando do espírito encarnado e do desencarnado ainda presos às faixas da evolução terrestre, a lei da equivalência de matéria e energia, expressa na fórmula einsteiniana E = me2, onde E é a quantidade de energia equivalente à massa m, sendo c a velocidade da luz, se aplica plenamente.

Como temos, aqui, de ser concisos, deixaremos para mais tarde outras considerações. No entanto, como falamos, linhas acima, em energia calorífica irradiada, ou seja, calor transmitido por meio de irradiação, lembramos que a propagação do calor de um corpo para outro pode processar-se sem que haja necessidade de meio material, bastando se observe, nesse particular, que o calor do Sol, emitido a milhões de quilômetros de distância, chega à Terra depois de atravessar vastas regiões não ocupadas por matéria. Com maior razão, a luz espiritual, a manifestar-se na irradiação das mentes angélicas, prescinde de qualquer veículo material para espraiar-se e atuar em todas as dimensões do Universo.

3. TRANSFORMADORES DE ENERGIA

Exposto às radiações luminosas do Sol, o silício puro absorve fótons que removem os seus elétrons atômicos, os quais, liberados, produzem uma corrente elétrica. Esse processo de funcionamento das baterias solares faz lembrar, de algum modo, aspectos infinitamente superiores, mas até certo ponto tecnicamente assemelhados, da evolução. Submetidos aos raios da experiência, os espíritos compostos, isto é, não puros, que se movem nas faixas da evolução terrestre, absorvem progressivamente quanta de luz, que vão removendo elementos da carga psíquica do ser, os quais, liberados, geram, através das correntes elétricas que produzem, campos magnéticos específicos.

Estruturando desse modo a própria aura, os espíritos criam a atmosfera psíquica que os envolve e penetra; atmosfera carregada de eletricidade e magnetismo, de raios, ondas e vibrações. Trata-se de efetivo e poderoso campo de forças, gerado por circuitos eletro-magnéticos fechados, nos quais se fazem sentir os parâmetros de resistência, indutância e capacitância, asseguradores de compensação, equilíbrio e acúmulo de energias de sustentação.

É assim que o campo de forças da própria aura delimita o mundo individual de cada espírito; mas não somente o delimita, como também o caracteriza, porque possui peso específico determinado, densidade própria e condições peculiares de coloração, sonoridade, velocidade eletrônica e ritmo vibratório. A mente espiritual é o seu fulcro, sua geratriz e seu núcleo de comando, através de todas as transformações que experimenta, inclusive as que decorrem das reciclagens biológicas provocadas pelos fenômenos da morte física, da reencarnação, da ovoidização, da regressão temporal e outros.

É, ainda, através de sua aura que o espírito assimila, armazena e exterioriza os princípios cósmicos de que fundamentalmente se alimenta, funcionando nisso como transformador por excelência de energia, para si e para os seus semelhantes, pois cada espírito respira e vive em faixas vibratórias comuns a todas as mentes a que se liga, no plano evolutivo que lhe é próprio. Em verdade, cada espírito é qual complexa usina integrante de vasta rede de outras inúmeras usinas, cujo conjunto se auto-sustenta, como um sistema autônomo, a equilibrar-se no infinito mar da evolução.

Via das trocas incessantes que dinamicamente se processam nesses circuitos de energia viva, manifestam-se os fenômenos da afinidade e os da mediunidade espontânea, a produzirem estímulos de influenciação, fecundação ideológica e atração psíquica, responsáveis pela sequência evolucionária dos sistemas anímicos, no seio da vida universal. Ninguém, portanto, se prejudica a si mesmo sem lesar a todos quantos se lhe associam na grande economia da vida; e, do mesmo modo, todo aquele que se melhora, enriquece e ascende, beneficia direta e eficazmente a todos os seus companheiros de jornada espiritual.

O fenômeno do eco não se restringe à reflexão de um som; é também, na esfera dos pensamentos e dos sentimentos, repercussão de idéias e emoções, na geração infinita de recursos novos e de forças vivas, de efeitos certos, seja nas semeaduras de dor, seja nas plantações sublimes de alegria.

4. TEMPO E VELOCIDADE

Só as poderosíssimas energias de natureza divina que estruturam a mente espiritual são capazes de renovar-se sem desagregar-se,
assegurando vida eterna individuada ao espírito e garantindo-lhe permanência e evolução infinitas. Tudo mais, no universo das formas e das substâncias, se transforma contínua e estruturalmente, sob a tensão das forças pulsantes que impõem inestancável renovação, através de processos dinâmicos de desagregação e de sempre novas agregações elementais que respondem pela conservação, em regime de equilíbrio de trocas, de todos os tipos e estados da energia.

Entendido isso, pode-se compreender que, se a morte não existe no Universo, em termos de niilismo, existe nos de transmutação incessante, significando sempre o fim de cada processo temporal, fim que é também, em si mesmo, novo começo, na química das transformações. Havendo, pois, para tudo quanto é temporal, começo e fim, há, igualmente, para tudo quanto é temporal, nascimento e morte. Daí podermos dizer que o tempo é, por definição, a trajetória de uma onda eletromagnética, do seu nascimento até a sua morte. Por isso ele é uma das dimensões fixas do nosso Universo, porque estável é, em nosso plano, a velocidade das ondas eletromagnéticas.

O tempo, porém, somente pode existir em sistemas isolados, ou fechados, e tem a natureza de cada sistema. Como tudo, no macro e no microcosmo, e em todos os Universos, são sistemas, somente em termos de Divindade podemos imaginar a intemporalidade absoluta, que é o conceito extremado e perfeito de eternidade. Fora disso, no mundo das mensurações, qualquer que seja o nível, o tempo existirá, com suas cargas eletromagnéticas identificáveis, dimensionáveis, limitadas e, portanto, sujeitas a sofrer a ação das ondas mentais superiores.

A rigor, cada mente, à medida que se expande ou se contrai, em sua marcha evolutiva, estrutura e dimensiona o seu espaço e o seu tempo, na exata correspondência dos ritmos vitais que lhe são próprios. É claro que, assim como só pouco a pouco o espírito vai-se libertando dos automatismos, à medida que desenvolve valores conscienciais e capacidade de autogoverno, também se acomodará inconscientemente ou semi-inconscientemente às suas faixas de tempo e espaço, até atingir estágios superiores de conhecimento e poder.

Cada ser vive e atua em faixas próprias de frequência vibratória, na comunhão com os seus afins, forjando a própria economia energética na incessante permuta de forças alimentares, transformadoras e conservadoras, dos mais diferentes tipos e condições. Articulando tecidos de força que o envolvem, o espírito constrói, através de sinergias funcionais, o cosmo individual em que se move e por cujo equilíbrio responde. E como a energia é tão suscetível de sublimar-se como de degenerar, pode a mente provocar, mesmo inconscientemente, não apenas explosões nucleares incontroladas em sua própria aura, mas igualmente implosões atômicas destruidoras em seu corpo espiritual, criando pus energético, com que intoxica o seu mundo individual e contamina as noures a que se ajusta.

É com essa lama psicofísica, dotada de forças físico-químicas e eletromagnéticas degeneradas, que inteligências pervertidas constróem a argamassa de regiões e até de impérios infernais, onde a matéria mental apodrecida e a energia de baixo teor vibratório obedecem a princípios de equilíbrio corrompidos por diferenciações inomináveis, sob o comando de mentes enlouquecidas no mal. É bem verdade que, agindo em nome do Amor Divino, o Pensamento Crístico intervém diretamente, de ciclo em ciclo, provocando desastres eletromagnéticos desintegradores dessas construções e gerando condições constritivas que forçam a eclosão de circunstâncias regeneradoras em multidões de espíritos prisioneiros dessas esferas fluídicas infelizes; mas, sem embargo disso, o tempo agiria por si mesmo, no esgotamento, embora a longuíssimos prazos, desses fulcros insólitos de degenerescência.

Opostamente a tudo isso, a ação contínua de ondas mentais de alta frequência provoca desintegrações em cadeia, suscetíveis de aniquilar o corpo espiritual dos seres que alcançam as mais altas faixas da evolução terrestre, determinando maior velocidade ao seu pensamento, que passa a vibrar em ritmos ainda insuspeitados pela ciência terrestre, que julga serem os 300 mil quilômetros por segundo a velocidade constante de qualquer espécie de luz. Se isso é verdadeiro no que tange a todos os tipos de ondas eletromagnéticas conhecidas pelo homem, também é certo que, no reino das vibrações supracósmicas, atuam ondas mentais de insuspeitada curteza, emanadas de mentes angélicas e crísticas, cuja frequência vibratória escapa inteiramente à nossa capacidade atual de investigação.

5. CIÊNCIA E VIDA

Não temos a menor pretensão de parecer que sabemos mais ou melhor seja o que for, mas é preciso reconhecer que, defrontando realidades de outro nível, não podemos limitar-nos a premissas e conceituações ainda condicionadoras da ciência oficial, que, por exemplo, só pode considerar, até agora, como fontes luminosas, os objetos visíveis. Vivendo em plano vibratório diferenciado, é natural tenhamos outra visão da realidade global, naturalmente muito limitada, porém significativamente mais ampla.

E, todavia, com grande interesse que acompanhamos o desenvolvimento da ciência terrestre, e, ainda agora, saudamos o advento da electronografia, dos cientistas Dumitrescu e Camarzan, louvando--Ihes o esforço para analisar os diversos campos elétricos e magnéticos do corpo humano. São realmente valiosos os progressos que têm sido obtidos pelos pesquisadores terrestres, sendo de nosso dever assinalar, com alegria, o êxito dos cientistas Valentina e Semyon Kirlian, da Universidade Alma Ata, que conseguiram fotografar as radiações luminosas a que os parapsicólogos atuais denominam bioplasma.

Novos dados, de outros setores da Física, continuarão a abrir campos de interesse à aplicação humana e certamente não se limitarão à descoberta de "superátomos" pesados, como os que receberam, recentemente, os números atômicos 116, 124 e 126, descobertos pelos físicos Gentry e Cahill, da equipe do Professor Dirac, no Instituto de Pesquisas de Tallahassee, na Flórida. Nosso desiderato é chamar a atenção para outros ângulos e consequências daquilo que o saber humano vai conquistando, na Terra, de sorte a auxiliar os companheiros em romagem na crosta planetária, no seu esforço para entender sempre melhor as realidades do espírito imortal.

Assim, se é certo que a Mecânica Quântica já assentou idéias nítidas sobre a dupla natureza ondulatória-corpuscular da luz, cujas ondas há muito se verificou serem transversais e não longitudinais; se também já está claro que é na variação alternada das intensi-dades dos vetores campo elétrico e campo magnético que consistem as vibrações luminosas, e que circuitos elétricos oscilantes emitem ondas eletromagnéticas invisíveis; se já se sabe, além disso, que a emissão e a absorção de energia se fazem pulsativamente, por múltiplos inteiros da quantidade fundamental a que Planck denominou de quantum e que Einstein rebatizou de fóton, quando se trata de luz; apesar de tudo isso, ainda é estranho ao conhecimento da Física oficial que, além das faixas de frequências das ondas conhecidas por radiações ultravioleta, radiações X, radiações gama e radiações cósmicas, pulsam no Universo as radiações mentais, as angélicas, as crísticas e, sobretudo, as radiações divinas.

No entanto, são estas últimas as criadoras, alimentadoras, impulsionadoras e equilibradoras de tudo quanto existe. Para o homem terrestre comum, luz são as ondas eletromagnéticas visíveis, cujo comprimento varia entre 8000 A e 4000 A, dependendo do observador. Para os técnicos, são todas as radiações eletro-magnéticas conhecidas, visíveis ou não ao olho humano, desde as infravermelhas até as cósmicas. Para nós, estudantes desencarnados de modesta hierarquia, são todas as oscilações eletromagnéticas que vão das aquém-infravermelhas até as além-cósmicas.

Quando a Física constata que só nos meios homogêneos, e nunca nos anisótropos, a luz se propaga em linha reta em todos os sentidos; quando ressalta que, se o índice de refração do meio variar continuamente, o raio luminoso pode encurvar-se; nós acrescentamos que, mesmo quando o espírito guarda, nos tecidos da alma, barreiras de interceptação infensas à luz do bem, a divina claridade não deixa de abençoar-lhe o mundo íntimo, porque a Sabedoria Celeste dispôs que a interceptação de alguns raios de um feixe luminoso não impede que os demais prossigam livremente o seu trajeto.

Isto posto, entendemos que somente quando o espírito terrestre atinge o grande equilíbrio evolutivo, sua aura consegue constituir-se em meio isótropo, onde a luz espiritual pode propagar-se, com a mesma velocidade, em todas as direções. Não ficamos, porém, nessas assertivas, pois importa considerar que, sem que sua livre adesão o coloque em condições de beneficiar-se com a luz espiritual com que a Divina Bondade permanentemente o atinge, nenhum espírito se furta às próprias trevas. Ao encontrar a superfície de separação de dois meios, o raio luminoso pode refratar-se, mas pode também ocorrer a reflexão total, e, neste último caso, nem sequer passa de um meio para outro.

Chegamos, desse modo, a uma conclusão de sentido moral, que é o que acima de tudo nos importa, pois o conhecimento puro e simples, descomprometido com os augustos propósitos do Senhor, para nada de bom aproveita. Essencialmente, a Lei de Deus, que
dirige a Vida em todos os planos do Universo, é uma só e puramente Amor.


6. IDÉIAS E EMOÇÕES
O homem terrestre um dia aprenderá que uma onda eletro-magnética não se constitui apenas de eletricidade e magnetismo, mas igualmente de forças que, à falta de melhor terminologia, chamaremos de transcendentais. São essas forças que lhe qualificam a natureza e, independentemente da frequência vibratória, definem-Ihe o teor. Aprenderá, ainda mais, que as ondas eletromagnéticas são, na verdade, veículos dessas forças transcendentais; e, mais ainda, que não existem ondas eletromagnéticas que não estejam carregadas dessas forças.

Para efeito didático, podemos considerar essas forças transcendentais como sendo de duas ordens distintas: as ideais, ou neutras, e as emocionais, que podem ser, tanto umas como outras, positivas ou negativas, isto é, integradoras ou desintegradoras. As ideais estão sempre presentes em qualquer onda eletromagnética, qualquer que seja a sua natureza. Naturalmente não mencionamos as forças divinas, ou plasma divino, que é a própria fonte da vida e o fluido sustentador dos Universos, porque nossos humílimos conhecimentos nada podem conceber, por enquanto, sobre o que alguns imaginam ser o pensamento de Deus.

Quanto às forças ideais, expressam-se no pensamento, que é onda eletromagnética emitida pela mente, de modo direto nos seres incorpóreos; ou através do cérebro, quando se trata de seres humanos, encarnados ou desencarnados. Cremos desnecessário esclarecer que as forças ideais, quando carregadas de emoção, tornam-se ideo-emotivas, traduzindo cargas de emoção dotadas de ativo poder.

Quando, por conseguinte, se fala da força do amor, ou da força do ódio, não se está falando de ficções, e sim de ativíssimas realidades. Sentimento é força que se irradia; força viva, cujo poder, maior ou menor, depende do comprimento da onda mental que a conduz.

Enganam-se, portanto, os que supõem que o poder da ação se reduz aos atos físicos visíveis. Pensar é agir, falar é movimentar forças vivas, de consequências por vezes inimagináveis. Compor um artigo, uma carta, um poema ou uma música, produzir um som ou simplesmente divagar idéias, tudo isso é atuar, agir, fazer, emitir e captar forças, agregar e desagregar formas mentais, participar da economia da vida, seja para o bem ou seja para o mal. (..)