REAJUSTE
BIBLIOGRAFIA
01- A reencarnação na Bíblia - pág. 45 02 - Após a tempestade - pág. 79
03 - Confidências de um inconfidente - pág. 166 04 - Do país da Luz - vol. 1 pág. 218
05 - Encontro de paz - pág. 97 06 - Estudando a Mediunidade - pág. 114
07 - Laços Eternos - toda a obra 08 - O Espírito da Verdade - pág. 102
09 - O Evangelho S.o Espiritismo - cap. XII, 5 10 - Pão Nosso - pág. 77
11 - Pedaços do cotidiano - pág. 161 12 - Pérolas do além - pág. 20
13 - Reparando erros - toda a obra 14 - Intervalos - pág. 104
15 - Mãos unidas - pág. 48 16 - Vozes do Grande Além- 59

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REAJUSTE – COMPILAÇÃO

01- A reencarnação na Bíblia - Herminio C. Miranda - pág. 45

O REAJUSTE
Se o erro não for resgatado em uma existência, é claro que o será em outra, não no inferno por uma condenação eterna, igualmente inadmissível da parte de Deus, nem na penitenciária provisória do purgatório, mas numa oportunidade subsequente, aqui mesmo, onde e quando for possível reunir as condições exigidas para o exercício do ajuste perante a lei desrespeitada.

Cada um responde inapelavelmente, pois, pelos seus erros, cuja responsabilidade é intransferível. Seria muito cômodo, mas desastroso para o equilíbrio ético do universo, que cada um pudesse cometer à vontade seus crimes e deixá-los para serem resgatados, na dor, pelos seus descendentes.

Pode-se argumentar aqui: "sim, mas para estes há o inferno, onde o sofrimento é eterno". Novamente errado. Em primeiro lugar, porque isto se choca frontalmente com a doutrina do amor e do perdão que Jesus ensinou repetidamente. Se ao homem ele recomendou que perdoasse setenta vezes sete, como admitir que Deus não perdoe uma só vez, por mais grave que seja a ofensa ? Por outro lado, o perdão divino não nos põe a salvo da responsabilidade pelo crime cometido.

O perdão é realmente divino, como diz o provérbio, mas a lei exige de cada um o resgate, o reparo, e a consciência nos impele à aceitação, ainda que relutante, dos sofrimentos decorrentes e que, muitas vezes, ficaram como opção final e única aberta à nossa libertação e pacificação. A bondade de Deus está não apenas em conceder invariavelmente o perdão, mas também em proporcionar as oportunidades de ajuste.

Resta, ainda, outro aspecto importante e nem sempre lembrado: por que cobrar com a "punição eterna" o pecado que, afinal de contas, seria resgatado por netos e bisnetos? E mais ainda: se o criminoso tem o seu crime cobrado aos seus descendentes, infere-se que está redimido e, portanto, poderia ser encaminhado ao céu... Veja, pois, o leitor a que escalada de incongruências nos leva uma premissa falsa, uma única, ou seja, a de que nossos descendentes podem pagar pelos nossos erros.

06 - Estudando a Mediunidade - Martins Peralva - ág. 114

XX - Reajustamento
O capítulo «Forças viciadas» registra interessantíssimas observações de André Luiz numa casa de pasto igual a tantas outras que se espalham por todas as cidades, onde o fumo e o álcool, aliados a indébitos prazeres e a condenáveis excessos, contribuem para que muita gente permaneça longos anos sob o guante de entidades vampirizantes. «A casa de pasto regurgitava...Muita alegria, muita gente.

As emanações do ambiente produziam em nós indefinível mal-estar. Junto de fumantes e bebedores inveterados, criaturas desencarnadas, de triste feição, se demoravam expectantes. Algumas sorviam as baforadas de fumo arremessadas ao ar, ainda aquecidas pelo calor dos pulmões que as expulsavam, nisso encontrando alegria e alimento. Outras aspiravam o hálito de alcoólatras impenitentes.»

Como preâmbulo aos nossos comentários, bastam as transcrições acima. Por elas podemos concluir quanto à influência, benéfica ou maléfica, dos ambientes que frequentamos. Milhares de criaturas encarnadas, homens e mulheres, ficam, sem que disso se apercebam, à mercê de tais entidades, dominadas, como vivem, pelo álcool e pelo fumo.

Como o objetivo essencial deste livro é o de focalizar assuntos relacionados com o mediunismo, lembramos a importância ambiencial para o obreiro da seara mediúnica. O médium que preza a faculdade que Deus lhe concedeu e que deseja converter-se em servidor operoso, não deve habituar-se aos ambientes viciosos, onde os frequentadores, encarnados e desencarnados, pela expressão inferiorizada dos seus sentimentos, constituam ameaça ao seu equilíbrio interior.

Mesmo aqueles medianeiros que se caracterizam por relativa segurança, sofrem os reflexos vibratórios de semelhantes ambientes.
Devemos considerar que é o médium, em tese, uma criatura falível, igual a todos nós. A circunstância, mesma, de ter mais apurada sensibilidade, torna-o mais acessível às influenciações psíquicas .

A «casa mental» do medianeiro deve estar sempre custodiada pelo amor e pela sabedoria, pela moral e pela compreensão. Somente o obreiro que já se realizou a si mesmo, através da faculdade bem desenvolvida e cristãmente educada, saberá resguardar-se com êxito. Somente o medianeiro portador de apreciáveis valores morais poderá, sem prejuízos, neutralizar as influenciações perniciosas.

Recorrendo ao Evangelho, fonte de toda a sabedoria, mencionaremos, por oportuna, aquela passagem em que Jesus, estando em Betsaida, cura um cego e depois lhe recomenda, incisivo: «Absolutamente não entres na aldeia.» O médium que deseja preservar o seu equilíbrio, deve ser cuidadoso na escolha dos ambientes que lhe convêm.

Sempre que possível, seria de toda a conveniência que o trabalhador da seara mediúnica preferisse os seguintes ambientes:
a ) — O próprio lar, que ele deve converter num santuário de compreensão;
b) — Os grupos espíritas bem orientados, onde Jesus e Kardec sejam permanente bússola;
c) — O convívio com companheiros sinceros e cheios de boas intenções;
d) — Reuniões com pessoas bem intencionadas e de sentimentos elevados, onde as conversações edificantes contribuam para a manutenção do seu equilíbrio íntimo.

Somente o imperativo do serviço assistencial deve levar o médium a ambientes mal assistidos. Somente o imperativo da fraternidade deve justificar a presença do obreiro do mediunismo cristão em ambientes duvidosos, onde as paixões e os sentimentos inferiores constituam o "dolce far niente" dos seus frequentadores. O médium, a benefício de si mesmo e da obra, deve escolher ambientes onde as suas forças morais se consolidem e os propósitos superiores lhe sejam estímulo ao estudo e ao trabalho com Jesus.

Conhecemos companheiros com apreciáveis qualidades de abnegação e boa vontade que, tentando ajudar em determinados ambientes, passaram a ser vítimas de entidades cruéis, das quais, para se desvencilharem, muito esforço e muita oração foram necessários. Guardando no coração a fragilidade que constitui, ainda, o nosso apanágio, foram terrivelmente envolvidos pelas forças viciadas, em cujos domínios quiseram penetrar .

Somente os vanguardeiros valorosos, que já se fizeram portadores de valiosas aquisições espirituais, devem comparecer à retaguarda, onde hostes tenebrosas implantam o seu reinado de sombra. Em primeiro lugar, a autopreparação pelo trabalho comum e pela renovação. Em segundo, os grandes encargos que pedem experiência e fortaleza.

Consoante acentuamos no início deste capítulo, há milhares de criaturas prisioneiras dessas entidades. São os fumantes e bebedores impenitentes que se entregam, desordenadamente, ao vício. São os que se entregam a condenáveis excessos em qualquer setor da atividade humana. Os que bebem passam a ser, na oportuna definição de um nosso confrade, «canecos de Espíritos».

Os que fumam passam a ser, naturalmente, alimentadores de entidades infelizes que se comprazem, jubilosas, em sorver-lhes «as baforadas de fumo arremessadas ao ar, ainda aquecidas pelo calor dos pulmões». E assim permanecem até que um dia, fustigados pela Dor, dominados pela exaustão e vencidos pela monotonia de uma existência tristemente vegetativa, despertam para um tipo de vida mais consentânea com a dignidade da pessoa humana.

A Misericórdia Divina funciona, desde o princípio, junto a todas as criaturas. «Chegará o dia em que a própria Natureza lhes esvaziará o cálice.» «Há mil processos de reajuste.» Para melhor compreensão do estudo, segundo a diretiva que traçamos para este trabalho, organizamos o gráfico seguinte, no qual apresentamos modestos apontamentos relativos ao modo pelo qual a criatura será compelida, mais cedo ou mais tarde, ao necessário reajuste :

PROCESSOS
DE
REAJUSTE
COERCITIVOS CANSAÇO
AFLIÇÕES
SOFRIMENTO
CÁRCERE
   
EXPONTÂNEOS BOA VONTADE
ACANHAMENTO
ESFORÇO
   
EXPIATÓRIOS MONGOLISMO
PARALISIA
HIDROCEFALIA
CEGUEIRA
IDIOTISMO

Em certos casos, nos processos que denominamos de «coercitivos», a própria criatura se cansará, um dia, da monotonia de uma vida superficial, para não dizer de uma vida futilizada. Como decorrência do reconhecimento da inutilidade do sistema de vida, sobrevirão, fatalmente, o esgotamento e o cansaço. O homem despertará, então, ante a realidade de sua destinação superior, dentro da Eternidade.

Essa destinação falar-lhe-á, em silêncio, no altar da própria consciência, do imperativo de valorização do tempo que o Senhor da Vida lhe concedeu, com a atual experiência reencarnatória. Então, sob o amparo de abnegados servidores do Cristo, iniciará, esperançoso, o trabalho de auto-renovação... De modo geral, entretanto, as aflições e sofrimentos são sempre os grandes amigos da criatura fútil ou desviada.

As grandes provas, as lutas acerbas, em que colhemos aquilo que semeamos, funcionam, testemunhando a harmonia da Lei Divina, à maneira de abençoadas trombetas concitando-nos à grande batalha contra nós mesmos, a fim de vencermos os inimigos que pelejam contra o nosso coração, querendo perturbar a marcha ascensional do Espírito eterno.

A guisa de exemplificação, sugerimos a leitura do capítulo «Proteção educativa», do livro «Pontos e Contos», de Irmão X. Quantas vezes, também, entre as grades de uma prisão, almas empedernidas se reajustam devidamente, retornando depois à sociedade, de onde foram banidas, agora, entretanto, na condição de elementos regenerados e úteis!

Como vemos, diversos e variados são os fatores psicológicos que cooperam nos serviços de reajuste espiritual, libertando milhares de criaturas da nefasta influenciação de Espíritos menos esclarecidos. Referindo-nos aos processos coercitivos, catalogamos, em síntese, o cansaço e o sofrimento, a aflição e o cárcere.

Entre os espontâneos, lembramos a boa vontade, a vergonha e o esforço do próprio indivíduo. Algumas vezes o sentimento de dignidade dirige-se à consciência do homem transviado, compelindo-o à compostura e ao reajuste. Entre os processos expiatórios, mencionamos as re-encarnações dolorosas, expressando-se por vários tipos de enfermidades, todas elas inibitórias da plena manifestação da inteligência.

Sugerimos, como exemplo, profundamente elucidativo, a leitura, ainda, no livro «Pontos e Contos», do capítulo «Grande cabeça». O mongolismo, a paralisia, a hidrocefalia, a cegueira e o idiotismo são formas compulsórias de reajustes expiatórios . Criaturas que abusaram da relativa liberdade que o Senhor da Vida lhes concedeu, voltam, depois, ao vaso físico, pela reencarnação, em situações realmente dolorosas, a fim de que, no capítulo do sofrimento, aprendam a valorizar o tesouro da vida.

08 - O Espírito da Verdade - Espíritos Diversos - pág. 102

41 - A TOMADA ELÉTRICA - Cap. VIII — Item 7
De volta à reencarnaçao, em breve tempo, sou trazido ao vosso recinto de oração e fraternidade por benfeitores e amigos para que algo vos fale de minha história — amargo escarmento aos levianos do ouvido e aos imprudentes da língua. Sem ornato verbal de qualquer natureza, em minha confissão dolorosa, passo diretamente ao meu caso triste, à maneira de um louco que retorna ao juízo, depois de haver naufragado na vileza de um pântano.

Há alguns anos, em minha derradeira romagem na Terra, era eu simples comerciário de hábitos simples. Com pouco mais de trinta anos, desposei Marina, muito mais jovem que eu, e, exaltando a nossa felicidade, construímos nosso paraíso doméstico, numa casa pequena de movimentado bairro do Rio.

Nossa vida modesta era um cântico de ventura, entretecido de esperanças e preces; todavia, porque fosse, de ordinário, desconfiado e inquieto, amava minha esposa com doentia paixão. Marina era muito moça, quase menina... Estimava as cores festivas, o cinema, a vida social, a gargalhada franca e, por guardar temperamento infan-til, a curto espaço teve o nome enliçado à maledicência que fustiga a felicidade, como a sombra persegue a luz.

Em torno de nós, fez-se o "disse-me-disse". Se tomávamos um bonde, éramos logo objeto de olhares assustadiços, enquanto se cochichava, lembrando-se-nos o nome... Se passávamos numa praça, éramos, quase sempre, seguidos de assovios discretos... Começaram para mim os recados escusos, os telefonemas inesperados, as cartas anônimas e os conselhos de família, reunindo várias acusações.

— "Marina desertara dos compromissos do lar."— "Marina era ingrata e infiel."— "Marina respirava numa poça de lama." — "Marina tornara-se irregular." Muita vez, minha própria mãe, zelosa de nosso nome, chamava-me a brios, indicando-me providências. Amigos segredavam-me anedotas irreverentes com sentido indireto.

Lutas enormes do sentimento ditavam-me desesperados conflitos. Acabou-se em casa a alegria espontânea. Debalde, a companheira se inocentava, alertando-me o coração; entretanto, densas trevas possuíam-me o raciocínio, induzindo-me a criar assombrosos quadros em torno de faltas inexistentes.

Como se eu fora puro, exigia pureza em minha mulher. Qual se fosse santo, reclamava-lhe santidade. Deplorável cegueira humana! Foi assim que, numa tarde inesquecível para o remorso que me vergasta, tilintou o telefone, buscando-me para aviso. Três horas da tarde... Anuncia-me alguém ao cérebro atormentado que um estranho se achava em meu aposento íntimo. Desvairado, tomei de um revólver e busquei minha casa.

Sem barulho, penetrei nossa câmara e, de olhos embaciados no desespero, vi Marina curvada, ao lado de um homem que se curvava igualmente a dois passos de nosso leito. Não tive dúvida e alvejei-os, agoniado... Vi-lhes o sangue a misturar-se, enquanto me deitavam olhares de imensa angústia, e, porque não pudesse, eu mesmo, resistir a tamanha desdita, estilhacei meu crânio, com bala certa, caindo, logo após, para acordar no túmulo, agarrado a meu corpo, mazelento e fedentinoso, que servia de engorda a vermes famintos.

Em vão, busquei desvencilhar-me do arcabouço de lama, a emparedar-me na sombra. Gargalhadas irônicas de Espíritos infelizes cercavam -me a prisão. Descrever minha pena é tarefa impossível no vocabulário dos homens, porque o verbo dos homens não tem bastante força para pintar o inferno que brame dentro da alma.

Por muito tempo, amarguei meu cálice de aflição e pavor, até que mãos amigas me afastaram, por fim, do cárcere de lodo. Vim, então, a saber que Marina, sem culpa, fora sacrificada em minhas mãos de louco. Esposa abnegada e inocente que era, simplesmente pedira a um companheiro da vizinhança consertasse, em nosso quarto humilde, a tomada elétrica desajustada, a fim de passar a roupa que me era precisa para o dia seguinte.

Transido de vergonha e enojado de mim, antes de suplicar perdão às minhas pobres vítimas, implorei, humilhado, a prova que me espera...E é assim que, falando às almas descuidadas que cultivam na Terra o vício da calúnia, venho dizer a todas, na condição de um réu, que para me curar da própria insensatez roguei ao Pai Celeste e me foi concedida a bênção de meio século de doença e martírio, luta e flagelação na dor de um corpo cego. Julio

09 - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - cap. XII, 5

5.OS INIMIGOS DESENCARNADOS
O espírita tem ainda outros motivos de indulgência para com os inimigos. Porque sabe, antes de mais nada, que a maldade não é o estado permanente do homem, mas que decorre de uma imperfeição momentânea, e que, da mesma maneira que a criança se corrige dos seus defeitos, o homem mau reconhecerá um dia os seus erros e se tornará bom. Sabe ainda que a morte só pode livrá-lo da presença material do seu inimigo, e que este pode perseguí-lo com o seu ódio, mesmo depois de haver deixado a Terra.

Assim, a vingança assassina não atinge o seu objetivo, mas, pelo contrário, tem por efeito produzir maior irritação, que pode prosseguir de uma existência para outra. Cabia ao Espiritismo provar, pela experiência e pela lei que regem as relações do mundo visível com o mundo invisível, que a expressão: "extinguir o ódio com o sangue" é radicalmente falsa, pois a verdade é que o sangue conserva o ódio do além-túmulo. Ele dá, por conseguinte, uma razão de ser efetiva e uma utilidade prática ao perdão, bem como à máxima do Cristo: "Amai os vossos inimigos".

Não há coração tão perverso que não se deixe tocar pelas ações, mesmo a contragosto. O bom procedimento não dá, pelo menos, nenhum pretexto a represálias, e com ele se pode fazer, de um inimigo, um amigo antes e depois da morte. Com o mau procedimento, ele se irrita e é então que serve de instrumento à justiça de Deus, para punir aquele que não perdoou.

6. Pode-se, pois, ter inimigos entre os encarnados e os desencarnados. Os inimigos do mundo invisível manifestam sua malevolência pelas obsessões e subjugações, a que tantas pessoas estão expostas, e que representam uma variedade das provas da vida. Essas provas, como as demais, contribuem para o desenvolvimento e devem ser aceitas com resignação, como uma consequência da natureza inferior do Globo terrestre: se não existissem homens maus na Terra, não haveria Espíritos maus ao redor da Terra.

Se devemos portanto, ter indulgência e benevolência para os inimigos encarnados, igualmente as devemos ter para os que estão desencarnados. Antigamente, ofereciam-se sacrifícios sangrentos para apaziguar os deuses infernais, que nada mais eram do que os Espíritos maus. Aos deuses infernais sucederam os demônios, que são a mesma coisa. O Espiritismo vem provar que esses demônios, que não são mais do que as almas de homens perversos, que ainda não se despojaram dos seus instintos materiais; que não se pode apaziguá-los senão pelo sacrifício dos maus sentimentos, ou seja, pela caridade; e que a caridade não tem apenas o efeito de impedí-los de fazer o mal, mas também de induzí-los ao caminho do bem e contribuir para a sua salvação.

É assim que a máxima: "Amai os vossos inimigos não fica circunscrita ao círculo estreito da Terra e da vida presente, mas integra-se na grande lei da solidariedade e da fraternidade universais.


10 - Pão Nosso - Emmanuel - pág. 77

33. TRABALHEMOS TAMBÉM

"E dizendo: Varões, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões". - Atos, 14:15
O grito de Paulo e Barnabé ainda repercute entre os aprendizes fiéis. A família cristã muita vez há desejado perpetuar a ilusão dos habitantes de Listra. Os missionários da Revelação não possuem privilégios ante o espírito de testemunho pessoal no serviço. As realizações que poderíamos apontar por graça ou prerrogativa especial, nada mais exprimem senão o profundo esforço deles mesmos, no sentido de aprender e aplicar com Jesus.

O Cristo não fundou com a sua doutrina um sistema de deuses e devotos, separados entre si; criou vigoroso organismo de transformação espiritual para o bem supremo, destinado a todos os corações sedentos de luz, amor e verdade. No Evangelho, vemos Madalena arrastando dolorosos enganos, Paulo perseguindo ideais salvadores, Pedro negando o Divino Amigo, Marcos em luta com as próprias hesitações; entretanto, ainda aí, contemplamos a filha de Magdala, renovada no caminho do Redentor, o grande perseguidor convertido em arauto da Boa Nova, o discípulo frágil conduzido à glória espiritual e o companheiro vacilante transformado em evangelista da Humanidade inteira.

O Cristianismo é fonte bendita de restauração de alma para Deus. O mal de muitos aprendizes procede da idolatria a que se entregam, em derredor dos valorosos expoentes da fé viva, que aceitam no sacrifício a verdadeira fórmula de elevação; imaginam-nos em tronos de fantasia e rojam-se-lhes aos pés, sentindo-se confundidos, inaptos e miseráveis, esquecendo que o Pai concede a todos os filhos as energias necessárias à vitória.

Naturalmente, todos devemos amor e respeito aos grandes vultos do caminho cristão; todavia, por isto mesmo, não podemos olvidar que Paula e Pedro, como tantos outros, saíram das fraquezas humanas para os dons celestiais e que o Planeta Terreno é uma escola de iluminação, poder e triunfo, sempre que buscamos entender-lhe a grandiosa missão.

14 - INTERVALOS - EMMANUEL - PÁG. 103

RETIFICAR: Corrige amando para que a chama de teu auxílio não se apague ao golpe rijo do desespero. Não prescindirás da bondade e da tolerância na retificação dos elementos mais simples. O próprio ato de remendar a peça de roupa humilde, recuperada para servir-te, reclama desvelo justo.

Lembra-te de que o cirurgião recorre à anestesia para atender ao órgão doente e recorda que o artista trabalhando a pedra obscura, não a golpeia sem amor, a fim de que o buril, manejado com sabedoria e ternura, dela arranque a obra-prima que lhe expressará o sonho de perfeição e beleza.

Se realmente amas aquele que a sombra afeia e desfigura, não cobrí-lo-ás de impropérios e maldições, porquanto, condenar quem já é de si mesmo desorientado e infeliz é o mesmo que precipitar o viajante inseguro no abismo das trevas ou acelerar a agonia do enfermo arrrojando-o ao visco da morte.

Não basta sentir o veneno do mal e perceber-lhe a influência. É imprescindível descobrir o antídoto do bem para administrá-lo, sem alarme, na hora certa.

Diante dos corações que reconheces transviados em pedregoso caminho, estende em silêncio os braços amigos para que a fraternidade exalte o ministério da salvação, sem os remoques da crueldade que apenas conseguem piorar as moléstias do espírito, assim como a imprudência do enfermeiro alarga a ferida que as suas mãos se propunham a curar.

Guarda a certeza de que à frente do nevoeiro não vale gritar para que a sombra se extinga. É necessário o socorro da paciência com a firme disposição de acender nova luz.

15 - MÃOS UNIDAS - EMMANUEL - PÁG. 48

RESGATE E RENOVAÇÃO: A reencarnação não seria caminhada redentora se já houvesse atendido a todas as exigências do aprimoramento espiritual. Enquanto na escola, somos chamados ao exercício das lições. Ante a Lei do Renascimento, surpreenderás no mundo dificuldades e lutas, espinhos e tentações.

Reencontrarás afetos que a união de milênios tornou inesquecível, mas igualmente rentearão contigo velhos adversários, não mais armados pelos instrumentos do ódio aberto, e sim trajados noutra roupagem física, devidamente acolhidos à tua convivência dificultando-te os passos, através da aversão oculta.

Saberás o que seja tranquilidade a amenidade do clima social que te envolve com os mais elevados testemunhos de apreço e respirarás, muitas vezes, no ambiente convulsionado de provações entre as paredes fechadas do reduto doméstico. Entenderás, porém, que somos trazidos a viver, uns à frente dos outros, para aprender a amar-nos reciprocamente como filhos de Deus.

Perceberás, pouco a pouco, segundo os princípios de causa e efeito, que as mãos que te apedrejam são aquelas mesmas que ensinastes a ferir o próximo, em outras eras, quando o clarão da verdade não te havia iluminado o discernimento e reconhecerás nos lábios que te envenenam com apontamentos caluniosos aqueles mesmos que adestrastes na injustiça, entre as sendas do passado, a fim de te auxiliarem no louvor à condenação.

Ergues-te hoje sobre a estima dos corações com os quais te harmonizaste pelo dever nobremente cumprido, entretanto, sofres o retorno das crueldades que te caracterizavam em outras épocas por intermédio das ciladas e injúrias que te espezinham o coração.

Considera, porém, o apelo do amor a que somos convocados dia por dia e dissolve na fonte viva da compaixão o fel da revolta e a nuvem do mal. Aceita no educandário da reencarnação a trilha de acesso ao teu próprio ajustamento com a vida, amando, entendendo e servindo sempre.

Se alguém te compreende, ama e abençoa. Se alguém te injuria, abençoa e ama ainda. Seja qual seja o problema, nunca lhe conferirás solução justa se não te dispuseres a amar e abençoar. Onde estiveres, ama e abençoa sem restrições ante a consciência tranquila e conquistarás sem delongas o domínio do bem que vence todo mal.

16 - VOZES DO GRANDE ALÉM - ESPÍRITOS DIVERSOS - PÁG. 59

RESGATE

Meus amigos: o texto que nos serviu de meditação nesta noite foi aquele das palavras de nosso Divino Mestre: -"Concilia-te depressa como teu adversários, enquanto estás a caminho com ele". Certamente por isso determinam nossos orientadores algo vos fale de minha agoniada experiência. Há dois anos, precisamente, tomei contacto convosco. Nessa época, não passava de um infeliz psicopata, fora do corpo físico.Triste duende da aflição na noite da angústia, carregava comigo todos os remanescentes da queda moral a que me despenhara.

Com o auxílio da palavra edificante e da oração fervorosa, senti que o Evangelho do Cristo me transformava...Clareou-se-me a vida íntima e, amparado por braços amigos, fui conduzido a uma instituição de saúde espiritual. Por dez meses consecutivos, submeti-me a tratamento.

Revigorado, compareci diante de observadores e analistas de nosso plano, junto dos quais o serviço de socorro iniciado em vosso templo, a meu benefício, encontrou a continuação necessária. Subordinado a operações magnéticas, minha memória religou-se ao passado próximo e revi-me na existência última, encerrada há trinta anos.

Nos primeiros lustros do século corrente, era eu um rapaz egoísta e leviano, amigo da aventura e adversário do trabalho. Desposei uma jovem rica e inexperiente, com o simples propósito de surripiar-lhe a herança, já que o velhinho, que me seria sogro por alguns dias, abeirava-se do sepulcro, por ocasião de meu matrimônio.

Filha única e órfã de mãe, após o decesso do genitor minha mulher viu-se dona de considerável fortuna, que tratei de chamar a mim.
Valendo-me de uma procuração que me permitia atuar com plenos poderes, vendi-lhe as propriedades e reuni, em meu nome, a importância de novecentos contos de réis, e abandonei-a, fugindo para a Europa.

A volúpia do ouro e do prazer entonteceu-me a consciência. Por cinco anos, mantive-me entre o jogo e a dissipação, até que, finalmente, a miséria e a tuberculose me bateram à porta. Esmagado por atrozes desilusões, regressei ao Brasil, no entanto, surpreendido, vim a saber que minha esposa, «capaz de resistir à extrema pobreza a que fora por mim relegada, confiara-se ao prostíbulo, encontrando a morte num asilo de moléstias contagiosas, poucos dias antes de minha volta ao Rio.

Foi, então, que o remorso terminou a obra que a moléstia começara. Em tempo breve, as aflições conscienciais me deslizaram do vaso físico. Fantasma do arrependimento e da culpa, deambulei sem consolo nas trevas de minha própria vida mental.

Não encontrava outras visões que não fossem aquelas de minha companheira a acusar-me ou de meus erros a se erguerem, indefinidamente, diante de meus olhos. Sofri muito, até que o socorro divino me atingisse o coração desarvorado.

Tornando ao governo próprio e acordado para os deveres do reajuste, vi-me imbuído da sincera disposição de recuperar-me. Esperançoso, perguntei por meu futuro, mas nossos Instrutores foram unânimes em declarar que ninguém avança sem saldar suas dívidas.

Atordoado, perguntava a mim mesmo por onde recomeçar. A verdade, porém, surgia clara aos meus olhos. A esposa desprezada era meu credor número um... Busquei-a, ansiosamente, contudo, mais infortunada que eu mesmo, permanece ainda anestesiada na delinquência, imantada a cúmplices de ações reprováveis, em furnas tenebrosas das regiões inferiores.

Ela, porém, é o meu credor principal, e, em razão disso, é o ponto básico de minha restauração. Implorei o socorro da Compaixão Divina e, por intermédio daqueles heróis da beneficência que nos assistem, obtive permissão para nova romagem de luta, junto daquela que espezinhei.

Tomá-la-ei sob minha responsabilidade e transpor­tá-la-ei para o cadinho da experiência humana, em meus braços, inconsciente qual se encontra. Renasceremos juntos no berço carnal, amparados por um coração materno que já se dispôs a recolher-nos. Seremos irmãos gêmeos, filhos de um parto duplo. Ser-lhe-ei o guardião,o tutor e o amigo.

Em plena meninice, sofrerá ela as inibições orgânicas que, pouco a pouco, interná-la-ão num leito de amargura em que possa retificar os desequilíbrios perispiríticos e, assegurando-lhe a manutenção e o consolo, atenderei à regeneração de que necessito. Conquistarei dificilmente o pão de cada dia para nós ambos.

Renunciarei a quaisquer vantagens nas lides materiais. Nem aspirações mundanas realizadas, nem sonhos de felicidade atendidos, no aprendizado novo que me cabe desenvolver.

Envergarei a túnica do operário desfavorecido e sacrificado, para descobrir no trabalho a essência da redenção. E, devotado e contente, montarei guarda à companheira que caiu por minha culpa.

Ser-me-á irmã torturada e querida, por quem devo adiar a concretização de qualquer esperança, no que se refira à minha ventura pessoal. Entretanto, não lhe sou devedor de simples patrimônio moral, mas, perante as Leis Divinas, devo-lhe, ainda, dinheiro terrestre em moeda brasileira.

Compete-me restituir-lhe a importância que lhe pertencia, acrescida com juros de mora, que pagarei, vintém por vintém, até que nos desvencilhemos do cárcere de nossos débitos, recuperando, enfim, a oportunidade de progredir que, formosa, nos sorria no alvorecer deste século.

Minha palavra, pois, nesta noite, é um adeus e um agradecimento, constituindo igualmente, em nome das Leis de Deus, uma lição que devemos aproveitar. "Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás a caminho com ele". Quem puder compreender, compreenda, porque o tempo funciona para nós todos, dentro dos mesmos princípios.

Envolvendo, assim, os nossos benfeitores em meu agradecimento, espero abraçar-vos, de novo, amanhã, em Plena Eternidade. Que Deus vos abençoe.

P. Brandão