REFORMA ÍNTIMA
BIBLIOGRAFIA
01- A CLARIVIDÊNCIA,pag. 86 02 - AGENDA CRISTÃ, pag. 9, 13, 21, 91, 147
03 - ALERTA, pag. 139 04 - AUTO DESOBSESSÃO, pag. 25
05 - CAMINHO VERDADE E VIDA, pag. 29, 51,167 06 - CEIFA DE LUZ, 91, 185
07 - CURSO DINÂMICO DE ESPIRITISMO, pag. 35 08 - DEPOIS DA MORTE, pag. 32, 50
09 - REFORMA ÍNTIMA SEM MARTÍRIO, pag. 29, 114 10 - RENOVAR-SE E VIVER, toda a obra

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

REFORMA ÍNTIMA – COMPILAÇÃO

01 - REFORMA ÍNTIMA

1. Dores do Martírio

Quem está na reforma interior tem um Referencial fundamental para se autoanalisar ao longo da caminhada educativa, um termômetro das almas que se aprimoram; inevitavelmente, quem se renova alcança a maior conquista das pessoas livres e felizes:

O prazer de viver.

2. Ética da Transformação

Entretanto, para levar o homem ao aprimoramento, o autodescobrimento exige uma nova ética nas relações consigo e com a vida:

É a ética da transformação, sem a qual a incursão no mundo íntimo pode estacionar em mera atitude de devassar a subconsciência sem propósito de mudança para melhor.

3. Projeto de Vida

Uma semana na Terra é composta por dez mil e oitenta minutos. Tomando por base noventa minutos como tempo habitual de uma atividade espiritual voltada para a aquisição de noções elevadas, e ainda levando em conta que raramente alguém ultrapassa o limite de duas ou três reuniões semanais,encontramos um coeficiente de no máximo duzentos e setenta minutos de preparo para implementação da renovação mental, ou seja, pouco menos de três por cento do volume de tempo de uma semana inteira.

4. O Que Procede do Coração

Frágil padrão de validação da conduta espírita tem tomado conta dos costumes entre os idealistas. Enraizou-se o axioma “espírita faz isso e não faz aquilo” que tenta enquadrar o valor das ações em estereótipos
de insustentável bom senso.

5. Sábia Providência

A natureza nos leva ao esquecimento do passado exatamente para aprendermos a descobrir em nosso mundo interior as razões profundas de nossos procedimentos, através da análise dos pendores e impulsos,
interesses e atrações que formam o conjunto de nossas reações denominadas tendências.

6. O Grande Aliado

Ao invés de ser contra o que fomos, precisamos aprender uma relação pacífica de aceitação sem conformismo a fim de fazer do “homem velho” um grande aliado no aperfeiçoamento.

7. Sexualidade e Hipnose Coletiva

(...) um “turbilhão energético” provido de vida e movimento permeia por toda a psicosfera do orbe. Qual se fosse uma serpente sedutora criada pelas emanações primitivas, resulta das atitudes perante a
sexualidade entre todas as comunidades.

8. Arrependimento Tardio

Se não existisse trabalho redentor na vida espiritual, as almas teriam que reencarnar com brevidade porque não suportariam o nível mental das recordações e perturbações do arrependimento.

9. “Espíritas não praticantes?”

Estejamos convictos de um ponto em matéria de melhoria espiritual: só faremos e seremos aquilo que conseguimos, nem mais nem menos. O importante é que sejamos o que somos, sem essa necessidade
injustificável de ficar criando rótulos para nossos estilos ou formas de ser.

10. Reflexo-Matriz

Os reflexos são como “personalidades indutoras” estabelecendo o automatismo dos sentimentos externados em atitudes e palavras. Nesse circuito vivemos e decidimos, progredimos ou estacionamos.

11. A Arte de Interrogar

Será muito simplismo a atitude de responsabilizar obsessores e reencarnações Passadas como causa daquilo que sentimos, e que não conseguimos explicar com maior lucidez. Em alguns casos chega a ser mesmo um ato de invigilância.

12.. Ser Melhor

O conjunto dos ensaios espíritas é um roteiro completo para todos os perfis de necessidades no aperfeiçoamento da humanidade. Tomar todo esse conjunto como regras para absorção instantânea é demonstrar uma visão dogmática de crescimento, gerando aflições e temores, perfeccionismo e ansiedade, que são desnecessários no aperfeiçoamento das oportunidades.

13. Meditação da Amizade Com o Homem Velho

A inimizade com o homem velho é extremamente prejudicial ao desenvolvimento dos valores divinos, porque gastamos toda energia para combater-nos e não para talhar virtudes e conquistar nossa sombra.

14. Imunidade Psíquica

É uma criação de almas superiores em favor da obra do bem que todos, pouco a pouco, estamos construindo na Terra. Chama-se “imunizador psíquico”. Composto de material rarefeito, mas de alta potência irradiadora de ondas mentais de curta frequência, é um aparelho de defesa mental que concede ao médium melhores recursos no desempenho de sua missão.

15. Diálogo Sobre Ilusão

Autoilusão é aquilo que queremos acreditar sobre nós mesmos, mas não corresponde à realidade do que verdadeiramente somos, é a miragem de nós próprios ou aquilo que imaginamos que somos.

16. Lições Preciosas com Dr. Inácio

O imaginário dos espíritas sobre a vida além da morte, apesar de ser rico em informações, anda distante daquilo que realmente vem sucedendo a quantos são envolvidos por fora pelas claridades do espiritismo, mas que descuidam do serviço de se iluminarem por dentro.

17. Por que Melindramos?

Contudo, larga diferença vai entre a ofensa natural e o melindre, que é a reação neurótica às ofensas. Melindre é o estado afetivo doentio de fragilidade, que dilata a proporção e natureza das agressões que
sofremos do meio.

18. Fé nas Vitórias

Costuma-se observar na atualidade uma “neurotização” da proposta de renovação interior. Muita impaciência e severidade têm acompanhado esse desafio, levando ao perfeccionismo por falta de entendimento
do que seja realmente a reforma íntima.

19. Angústia da Melhora

Os conflitos criam as tensões no mundo íntimo em razão da contraposição entre esses três fatores: o que a criatura gostaria, o que ela deve e aquilo que ela consegue.

20. Imprudência no Trânsito

A postura ética do homem de bem perante as leis civis deve ser a da integridade moral.
A direção de um veículo motorizado é uma arte, e como tal deve ser conduzido: à arte

21. Depressões Reeducativas

Semelhantes depressões, portanto, são os resultados mais torturantes da longa trajetória no egoísmo, porque o núcleo desse transtorno chama-se desapontamento ou contrariedade, isto é, a incapacidade de viver e conviver com a frustração de não poder ser como se quer e ter que aceitar a vida como ela é, e não como se gostaria que fosse.

22. A velha Ilusão das aparências

Hipocrisia é o hábito humano adquirido de aparentar o que não somos, em razão da necessidade de aprovação do grupo social em que convivemos. Intencional ou não, é um fenômeno profundo nas suas raizes emocionais e psíquicas, que envolve particularidades específicas a cada criatura (...)

23. Só o bem repara o mal

Particularmente, a maioria de nós, que somos atraídos para a necessidade imperiosa de renovação perante a vida nas linhas do bem, quando no retorno à escola terrena, carregamos na intimidade uma pulsante
aspiração de nos transformarmos, em razão das angústias experimentadas pelas duras revelações descerradas pela desencarnação.

24. Ícones

Contudo, esse processo de integração gera um doloroso sentimento de perda, necessário ao progresso. Perde-se o velho para construir o novo. Na verdade efetuamos uma reconstrução marcada por etapas desafiantes. Perde-se a “velha identidade” e não se sabe como construir “o que se deve ser agora”, a “nova identidade” de respeitar a vida.

25. Fé e Singularidade

Fé raciocinada é um fenômeno psicológico e emocional construído a partir do desejo autêntico e perseverante de compreender o que nos cerca – conquista somente possível através da renovação do entendimento e da forma de sentir a vida.

26. Disciplina dos Desejos

Falamos, pensamos e até agimos no bem em muitas ocasiões, mas nem sempre sentimos o bem que advogamos, estabelecendo “hiatos de afeto” no comprometimento com a causa, atraindo desmotivação, dúvida, preguiça, perturbação e ausência de identificação com as responsabilidades assumidas.

27. Pressões por Testemunho

Tornando-se alvo de alguma trama dos adversários, funciona como uma isca atraindo para muito perto da sua vida mental os desencarnados que, sem perceberem, emaranham-se em uma “teia de irradiações poderosas”, permitindo-nos uma ação mais concreta em comparação a muitas das incursões nos vales sombrios.

28. A Força do Bem

Os homens costumam ver os espíritos onde eles não estão, e onde eles estão não costumam ser vistos pelos homens!...

29. Psicosfera

Tomando por comparação as teias dos aracnídeos, criadas para capturar alimentação e se defenderem, a mente humana, de modo similar, tem seu campo mental de absorção e defesa estabelecido pelo
teor de sua “radiação moral”: são as psicosferas.

30. Conclave de líderes

Cumprindo mais uma de nossas programações no Hospital Esperança, reunimos influente grupo encarnado de pouco mais de mil formadores de opinião no movimento espírita. Trouxemo-los para uma breve e oportuna advertência

02 - REFORMA ÍNTIMA

Reforma Íntima
Paulo Antonio Ferreira

A vida não é uma coisa fácil de se viver. É algo muito complexo e difícil de ser transmitido por palavras, além de se constituir em uma imensidade de situações com uma infinidade de nuances.

Na falta de uma educação adequada na infância, feita por pais que já tenham atingido um grau de evolução incomum, a maioria de nós cresce sem entender a vida, sem compreender as razões que estão por trás das atitudes das pessoas e, pela ausência de referências sobre como devemos agir, sem capacidade de escolher a atitude correta para cada situação.

Na juventude a maioria passa por problemas de adaptação ao mundo, acabando por criar um sentimento de revolta contra os pais e contra a sociedade. Os colegas possuem os mesmos problemas e com eles os jovens podem se sentir à vontade, passando assim a servirem de modelos uns para os outros, aprendendo mecanismos de defesa mais fáceis de compreender como a ironia, a hostilidade e a violência. Procuram referências de comportamento na televisão, nos livros, nos filmes e nas notícias de jornais, embora esta não seja a melhor forma de aprender. Aos poucos começam a achar que seus pais sabem ainda menos do que eles, que estão atrasados em relação ao que se passa no mundo de hoje.

Ao enfrentarem mais tarde a competição no trabalho, pressionados pela profissão que abraçam, a tendência será de que, colocando então uma prioridade menor na compreensão da vida, muitos problemas existenciais acabem ficando sem solução. Ao se acomodarem terminarão como seus pais, sem condição de passar a seus filhos um entendimento maior da vida, e esse estado de coisas tende a se perpetuar por milênios.

Se a vida nos pressionar, poderemos precisar do auxílio de um profissional que nos orientará em seções de Análise. Porém a Psicologia poderá contribuir apenas com o conhecimento dos traumas e recalques não resolvidos de nossa presente existência. Modernamente alguns Psicólogos e Terapeutas já estão trabalhando com A Terapia de Vidas Passadas (TVP) onde os traumas ocorridos em outras vidas poderão ser trabalhados, trazidos para o consciente e eventualmente suplantados. Alguns porém não recomendam esse tratamento devido ao risco de encontrar pessoas não preparadas a realizá-lo corretamente.

O Espiritismo parece trazer a contribuição definitiva pela compreensão de como se processa a evolução espiritual através de sucessivas encarnações, trazendo respostas para todas as nossas questões existenciais. Fornece ainda métodos para a solução de muitos de nossos problemas, como por exemplo o Tratamento Mediúnico, a Apometria e a Reforma Íntima. Neste artigo vamos considerar apenas a Reforma Íntima, pois os outros dois métodos citados poderão ser conhecidos teoricamente na literatura espírita, sendo sua prática feita nos Centros Espíritas por médiuns devidamente treinados. Mesmo a Reforma Íntima necessita, para sua consolidação, de um estudo da Doutrina Espírita que será tanto mais efetivo quando realizado nos Centros Espíritas. Entretanto, sendo um conhecimento básico que será útil no dia a dia de todas as pessoas, e por exigir principalmente uma vontade firme de se regenerar, daremos aqui algumas noções deste procedimento.

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O QUE É
A Reforma Íntima é um processo contínuo de auto-análise, de conhecimento de nossa intimidade espiritual, libertando-nos de nossas imperfeições e permitindo-nos atingir o domínio de nós mesmos.

O QUE SE PODE TRANSFORMAR INTIMAMENTE
Podemos e devemos substituir nossos defeitos como, o Orgulho, a Inveja, o Ciúme, a Agressividade, o Egoísmo ou Personalismo, a Maledicência, e a Intolerância por virtudes, tais como a Humildade, a Resignação, a Sensatez, a Generosidade, a Afabilidade, a Tolerância e o Perdão.

QUANTO TEMPO?
Algumas pessoas que estão iniciando estes estudos imaginam que bastará a primeira leitura para ficarem livres de todos os seus defeitos. Ao verificarem na vida prática que não houve nenhuma mudança, desanimam e abandonam seu propósito inicial de se reformarem. Porisso devemos dizer, logo de início, que este estudo é para a vida toda. A leitura deste artigo e dos livros da referência permitirá a você conhecer o assunto, mas sua reforma total só virá depois que você começar a identificar estes defeitos em cada situação da vida e aprender aos poucos a prática das virtudes que irão substituí-los. Portanto, esta leitura é importantíssima pois com ela você começará a pensar no assunto. Continue estudando sempre e no futuro, quando a vida já tiver lhe ensinado bastante, você ainda verá que a cada dia, um dado defeito, considerado como vencido, retorna com nova roupagem em outra situação, surpreendendo-o.

COMO FAZER
O Conhecer a si mesmo é o primeiro passo para a reforma. A melhor maneira de fazê-lo é pelo estudo de dois excelentes livros, o primeiro de Ney Prieto Peres1 da Editora Pensamento e o segundo um novo lançamento da Editora O Clarim, de Abel Glaser2, pelo Espírito Caibar Schutel. E, sem dúvida, o estudo da Doutrina Espírita e sua prática em Centros Espíritas, que seguem a Doutrina de Allan Kardec, será de fundamental importância para a realização dessa reforma.

Lembre-se que temos a tendência natural de sempre justificar nossos defeitos com racionalismos. São artimanhas e tramas inconscientes, muitas delas sugeridas por espíritos inferiores que desejam ver a nossa queda. Portanto conheça a fundo esses defeitos em todas as suas particularidades, em como eles o afetam, localizando as ocasiões em que estamos mais vulneráveis à sua manifestação. Procure então se afastar desses momentos propícios em que eles se manifestam, para não ser mais envolvido por seus tentáculos, nem cair nas suas teias.

Um terceiro ponto importante é que precisamos contar com as quedas. Até que cresçamos espiritualmente somos como crianças aprendendo a andar. São as quedas que fortalecem nossa vontade, e nos ensinam a ter persistência. Nós somos aquilo que conseguimos realizar e não aquilo que prometemos. Através as quedas aprendemos mais sobre nós mesmos e podemos aperfeiçoar o modo de evitá-las. Mas se cairmos porque nos falta vontade de acertar estaremos no caminho descendente e, de queda em queda, nos enfraqueceremos. Percebem a sutileza? A criança aprende a andar porque está determinada a fazê-lo. Não desanime, levante-se logo e siga em frente tranqüilamente, sem se martirizar, com conhecimento de causa, na firme determinação de não mais errar.

Por último recomendamos que em cada minuto de sua vida, antes de iniciar qualquer ação, você faça este exercício de se perguntar sempre:

Isto que estou fazendo agora seria bem aceito entre os bons Espíritos?
Se for, o procedimento é correto; se não for descontinue imediatamente o que iria fazer e não pense mais nisso. Nas situações em que ficar em dúvida, por não saber o que os bons Espíritos pensam a respeito, lembre-se de estudar as obras espíritas.

Concentremo-nos em nosso interior e procuremos melhorar nosso espírito eterno, esquecendo o que esta sociedade transitória estabeleceu como "normal" para nós. Lutemos o bom combate e não a luta mesquinha dos materialistas. A humanidade continuará ainda por muito séculos como é agora, mas nós que já cansamos de ver o sangue correr nestes dois últimos milênios, que já sentimos o amor que nos é transmitido pelos Espíritos em nossos corações, que estamos aqui para a realização de nossos últimos resgates, que já começamos a compreender as palavras de nosso querido amigo e mestre Jesus, nós não precisamos participar dessa insensatez, nós podemos fazer a nossa pequena parte vivendo com Jesus, com caridade, realizando a transformação no íntimo de cada um, fazendo a Alquimia moderna de transformar chumbo em ouro.

"Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para dominar suas más inclinações."

(Allan Kardec. "O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XVII. Sedes Perfeitos. Os bons Espíritas.)

Referências:
1"Manual Prático do Espírita" de Ney Prieto Peres, da Editora Pensamento.

2"Fundamentos da Reforma Íntima" de Abel Glaser pelo Espírito Caibar Schutel, da Editora O Clarim.

02 - REFORMA ÍNTIMA

Bases para nossa Reforma Íntima

A maior dificuldade para se fazer a tão falada Reforma Íntima é justamente saber o que devemos nos reformar – o que está de errado em nós? A partir daí então, devemos passar para outra grande dificuldade que é praticar a Reforma em nossa personalidade, em nosso modo de agir e até mesmo no pensar.

Porém essa semana em uma vídeo-palestra de Raul Teixeira pela Federação Espírita do Paraná consegui um roteiro para nossa reforma íntima:

1) Falar sempre de forma INATACÁVEL;

2) Não tomar nada como pessoal;

3) Não fazer suposições ;

4) Fazer o melhor que pudermos com o máximo de nós.

Parece simples, mas não é:

Quantas vezes não comentamos sobre alguém, atacando aquela pessoa com suas más características, más tendências ou condutas; quantas vezes não agredimos diretamente o próximo, geralmente um familiar ou companheiro?

Quantas vezes recebemos críticas que poderiam ser usadas para o nosso melhoramento e levamos para o lado pessoal ficando ainda magoado com aquela pessoa.

Quantas vezes criamos suposições a respeito das pessoas e quando verificamos é algo totalmente diferente.

Quantas vezes deixamos a preguiça adiar projetos, ou entramos em atividades sem a dedicação merecida resultando fracassos profissionais e pessoais!

Independente de crença somos convidados para nossa evolução diariamente em nossas relações na família e no trabalho. Exerçamos nossas vivências diárias para benefício próprio, não atacando ninguém de forma verbal, não tomando nada como pessoal, sem fazer suposições, fazendo sempre o melhor que pudermos sem ultrapassar nossos limites.

“Ante as dificuldades do cotidiano, exerçamos a paciência, não apenas em auxílio aos outros, mas igualmente a favor de nós mesmos.” (Emmanuel. Livro Encontro Marcado.)

LINKS:

http://www.raulteixeira.com/

http://www.feparana.com.br/

Apontamentos:
Reforma Íntima – Ato de busca da elevação moral do indivíduo promovido pelo próprio ser.
Orgulho – Defeito muito grave de difícil auto-detecção. Geralmente ocorre quando somos intolerantes e não aceitamos nenhuma crítica ou quando revidamos uma agressão para não ouvir comentário do tipo “o que os outros irão pensar se eu não revidar”, por exemplo.
Egoísmo – O Maior dos defeitos. Deriva-se dele a maioria dos outros defeitos da humanidade. Dificulta muito a nossa posição mental de estarmos “no lugar do próximo” para diante de nossas ações verificar se agimos corretamente, dentre outras.
Religiões – A maior virtude de uma Religião seria promover o melhoramento individual de cada seguidor, fazendo cada um levantar a sua espada contra seus próprios defeitos.

Reforma íntima

R iqueza de atitudes boas
E studo sobre si e o próprio caráter
F erramentas de luz e amor em cada gesto
O ração e vigilância constantes
R esistência ás tentações
M entalização do belo e do que é bom e positivo
A mor a si mesmo

I ntimidade em resguardo das sombras
N ecessária compreensão do que significa o próximo
T rabalho de renovação de valores
I nteriorização do bem em substituição ao mal
M ovimento seguro na direção da luz
A mor, agora, ao próximo

Ademário da Silva

03 - REFORMA ÍNTIMA

A reforma íntima deve ser compreendida como a chave mestra para o sucesso de sua melhora interior e, conseqüentemente, de sua felicidade exterior. O leitor pode notar que há mais vantagem em sacrificar-se no presente para que seu futuro seja efetivamente melhor, afinal a reforma íntima é temporária e serve à evolução do Espírito, imortal, permitindo-lhe o ingresso em planos espirituais mais elevados.

Lapidar os próprios sentimentos é tarefa árdua, mormente para o encarnado que não os têm em relativo desenvolvimento, nem tampouco em contínuo exercício. Reforma íntima sem amor no coração é, no entanto, uma falácia. Aprender a cultivá-la verdadeiramente é um exercício significativo de abnegação e submissão a Deus.

O egoísmo, por seu lado, é a raiz de todos os males morais que existem no homem, fonte de todos os seus desvios e vícios de comportamento e causa primária das suas tendências negativas de toda ordem porque ele é a negativa do mandamento maior: “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.”

Todos são capazes de vencer o mal que há no âmago individual e coletivo. O amor opera autênticas modificações positivas no ser humano e na humanidade. Portanto, ainda que não exista fórmula mágica para tal, há caminhos práticos a seguir. É justamente o objetivo desta obra: demonstrá-los.

O processo de reforma íntima é, por certo, demorado e delicado. Necessita de determinação e interesse permanente daquele que o abraça para que alcance bons frutos. O saldo positivo exige exercício de paciência, tolerância, desprendimento, perdão, compreensão e amor nas relações humanas.

A reforma íntima e seus fundamentos representam verdadeira luz no imo da alma a todo encarnado que pretende desenvolver-se espiritualmente ao longo da sua trilha pela crosta terrestre. Começar a reforma interior pelos problemas mais simples é uma das fórmulas indicadas. Depois, com naturalidade, os desvios mais complexos vão sendo enfrentados e vencidos. Tudo a seu tempo e à sua hora. Sem precipitação mas com determinação o homem alcança seus objetivos.

Abraçar, pois, essa proposta de modificação no comportamento deve ser a meta do espírita. E como afirma o Codificador no item 4 do capítulo XVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, “reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar sua inclinações más.” A exemplo das obras anteriores de Alvorada Nova, não sou o criador deste livro, ocupando apenas o lugar de coordenador e organizador material do seu delineamento.

1- Reforma íntima é o renovar das esperanças interiores, tendo por meta o fortalecimento da fé, a solidificação do amor, a incessante busca do perdão, o cultivo dos sentimentos positivos e a finalização no aperfeiçoamento do ser.

2- É o esforço que o ser humano faz para melhorar-se moralmente.

3- Sua base de apoio fundamental são os ensinamentos de Jesus, que representam um roteiro luminoso rumo à conquista de um grau mais elevado na cadeia universal evolutiva.

4- Tem por sede, e momento principal, as passagens pelo plano material, ao longo das reencarnações.

5- A Doutrina Espírita tem por missão esclarecer o significado exato e a essencialidade da reforma íntima a todos os encarnados dispostos a apreendê-la.

6- Múltiplas reencarnações, ao longo de milênios, são palco das aguerridas batalhas consigo mesmo em busca do incremento do lado cristão que todos possuem.

7- A perfeição será atingida e o aperfeiçoamento, um dia, será completo. Nessa aura de felicidade ver-se-á envolvido o Espírito, já não mais considerado ser humano, pois acima disso.

8- Aproveitar estágio por estágio, reencarnação por reencarnação, passo por passo, é a fórmula indicada para galgar os níveis que conduzem à plenitude.

9- Estudar a reforma íntima, levar o encarnado a compreender-se melhor e também o semelhante, avaliar suas ações e reações, tocar profundamente seus sentimentos, enxergar suas deficiências, propor soluções, calcular projetos para essa busca cristã, debater dilemas, resolver problemas, solucionar dúvidas, levantar questões e atingir um ponto a mais no seu esclarecimento humano é a meta desta obra.

04 - REFORMA ÍNTIMA

VIVER A PERDA

Lidar com a perda nem sempre é algo fácil de se fazer, visto que é algo que temos de lidar com os nossos mais primitivos sentimentos de desamparo e vulnerabilidade. Mas como e o que fazer diante da situação inevitável de lidar com a perda do objeto amado?

Muitas vezes criamos espelhos das nossas relações pessoais no nosso inconsciente de forma fantasiosa, criamos um ser amado que não existe e jamais existirá no mundo real e, no entanto, trazemos para o mundo real toda a carga de demanda emocional e frustração para com o nosso ser amado. Alguns estudiosos do assunto dizem que quanto mais se ama mais se sofre, porém, como um sentimento tão sublime quanto o amor pode causar tantos danos? Certamente, encontraremos a resposta na forma com que construímos e administramos esse sentimento. Freud dizia nos idos de 1913 que “Nunca estamos tão mal protegidos contra o sofrimento como quando amamos, nunca estamos tão irremediavelmente infelizes como quando perdemos a pessoa amada ou o seu amor”.

Precisamos reconhecer em nós os sentimentos que nos são característicos, conhecer os eventos que desencadeiam as nossas mais primitivas e elaboradas emoções, conhecer em nós mesmos os efeitos físicos que os sentimentos nos causam, enfim, ter consciência corporal dos sentidos.

Quando uma pessoa perde uma pessoa amada dizemos que o sentimento característico é o sentimento da dor e quando há a ameaça da perda, dizemos que há a angústia diante da ameaça da perda, como se o nosso corpo já preparasse todas as nossas ferramentas conscientes e inconscientes, para lidar com a possível ameaça a nossa harmonia estrutural.. Mas e quando a perda vem de forma abrupta e irreparável como na experiência da morte de um ente querido? Essa dor que não pôde ser amortecida e de certa forma preparada pela angústia, causará no indivíduo que a experimenta a dor traumática que desestrutura o sujeito, de tal modo que não consiga, no nível consciente, experenciá-la e resignificá-la de forma a se restabelecer de prontidão, ficando efetivamente um trauma, podendo, inclusive fazer da dor física um sintoma da dor emocional.

Há, portanto, urgência no conhecimento daquilo que se sente para que possamos reconhecer os momentos em que estamos na condição de ajudar a dor do outro ou na condição de receber auxilio. Há de se reconhecer à existência daquilo que o psicanalista J-D Nasio, intitula de Dor de Amar, que de acordo com o autor, essa dor é o afeto que traduz na consciência a reação defensiva do eu quando, sendo comocionado[1], ele luta para se reencontrar, neste caso, segundo o autor, a dor é uma reação.

Diante dessa dor, que não pode ser representada em sua totalidade em palavras, o indivíduo sob risco de se esgotar psiquicamente e emocionalmente, concentra suas forças em um só ponto: a representação do amado perdido. A partir desse momento a consciência do sujeito fica inteiramente ocupada em manter viva a imagem daquele que se foi, até mesmo colorindo de cores mais vivas e positivas o amado perdido daquelas que anteriormente se tinha consciência.

Esse artifício desempenha papel primordial em preservar o sujeito do esgotamento de suas emoções atirando-a em um luto patológico que causaria dados incalculáveis a sua vida.

Elisabeth Kübler-Ross, médica suíça que se dedicou aos cuidados paliativos e desenvolveu a teoria da morte e o morrer[2], apresentou cinco fases no processo de assimilação da angústia da perda ou da perda abrupta, em outras palavras, do luto, são elas:

1. Negação – Serve de amortecedor para o impacto da perda até que a pessoa tenha condições minimamente razoáveis de lidar com o ocorrido.

2. Raiva – O sujeito já assimilou o fato (a perda, o diagnóstico e seu prognóstico sem expectativa ou a amputação de um membro, por exemplo) tenta de algum modo culpar algo ou alguém por sua incompreendida situação como meio de encontrar racionalidade a dor.

3. Negociação – No desespero diante do ocorrido e do despreparo emocional para lidar com a perda o sujeito “tenta” barganhar com a espiritualidade algo em troca da restituição daquilo que foi perdido.

4. Depressão[3] – É uma fase de preparação para a fase seguinte, o sujeito tende a se repensar ou repensar a relação com aquele que se foi. Esta é a fase em que o silêncio significa muita coisa, pois está repleto de reflexões que não podem ser verbalizadas em sua totalidade.

5. Aceitação – O sujeito passa a aceitar a sua condição seja do ângulo de quem vive uma doença terminal ou alguém que perde o ser amado.

Inicialmente as fases citadas foram elaboradas para descrever o processo da morte e do morrer, ou seja, para aquele que perde o ser amado e para aquele que vivencia gradualmente a sua morte por uma doença terminal, contudo, com o aprofundar dos estudos sobre essas questões, essas fases são aplicadas nos dia de hoje de uma forma geral a todos os processos de enlutamento, de perda do objeto amado, ex: separações, perda de membros do corpo, doenças incuráveis.

Acontece, de forma gradual, entre um pólo e outro; entre a fase de negação e a fase de aceitação um processo de desinvestimento e outro de superinvestimento. No primeiro, acontece que o sujeito, inconscientemente, retira todo investimento emocional das suas representações e demais vínculos afetivos para superivesti-los intensamente na representação daquele objeto que se perdeu, causando o luto. O psicanalista J-D Nasio[4], conclui que esse esvaziamento súbito causado pelo desinvestimento é tão doloroso quanto o superinvestimento em um único objeto de amor, considero até que a manutenção desse supervinvestimento propicia o desenvolvimento de psicopatologias. Nasio resume a dor de amar como: “o afeto que exprime o esgotamento de um eu inteiramente ocupado em amar desesperadamente a imagem do amado perdido. O langor e o amor se fundem em dor pura”.

Assimilar a perda nem sempre é fácil, ainda mais quando não trabalhamos em nós o desapego ou a crença em formas mais elaboradas e evoluídas de transformação da vida e do sentimento, por isso na nossa sociedade o luto é algo tão complicado de se fazer porque simplesmente não paramos para refletir sobre o processo. Não nos repensamos, diria até que não pensamos sobre a perda. Passamos o tempo nos iludindo com a dor ou com formas de entretenimento e anestesias emocionais que bloqueiam a resignificação da perda.

De acordo com Nasio, o luto é nada mais do que uma lentíssima redistribuição da energia psíquica até então concentrada em uma única representação que era dominante para o sujeito que vivencia a perda. Mas nos dias de hoje, realizar o luto está cada vez mais difícil, as relações são substituídas sem serem repensadas, os sentimentos são mascarados com drogas (lícitas ou ilícitas) e condutas de vida que não lhes permitem a análise minuciosa da ferida.

É como se em um cesto de roupas sujas fossemos empilhando uma roupa suja em cima da outra, considerando cada roupa uma metáfora para cada perda/trauma, por fim o cesto há de transbordar e o sujeito terá de encarar todas aquelas roupas de uma só vez. Assim é quando não pensamos nas nossas relações e não dedicamos espaço e tempo para analisar cada uma delas devidamente ao seu tempo, corremos o risco de ter um transbordamento de sofrimento que imperiosamente fará com que teremos de paralisar a vida para lidar com o acúmulo de emoções que não foram assimiladas ao longo do tempo.

[1] Que sofre as conseqüências de uma comoção.

[2] KÜBLER-ROSS, E. Sobre a morte e o morrer. São Paulo, Martins Fontes, 1992.

[3] Não confundir com a patologia depressão descrita na Classificação Internacional de Doenças – CID 10.

[4] NASIO, Juan-David. A dor de amar. Rio de Janeiro, Jorge Sahar