RENOVAÇÃO
BIBLIOGRAFIA
01- A CONSTITUIÇÃO DIVINA, pag. 51 02 - ALMAS EM DESFILE, pag. 34
03 - AOS MÉDIUNS, pag. 66 04 - CAMINHO VERDADE E VIDA, pag. 29, 173
05 - CHÃO DE FLORES, pag. 141 06 - CORAGEM, pag. 49, 145
07 - EMMANUEL, pag. 163 08 - ENCONTRO MARCADO, pag. 25, 61
09 - ESTUDE E VIVA, pag. 116 10 - JESUS NO LAR, pag. 107

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

RENOVAÇÃO – COMPILAÇÃO

01 - RENOVAÇÃO

Renovação em Amor

"E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem”.

- PAULO (II Tessalonicenses, 3:13.).

Quando as crises te visitem, ante os problemas humanos, é justo medites nos princípios de causa e efeito, tanto quanto é natural reflitas no impositivo de burilamento espiritual, com que somos defrontados, entretanto, pensa igualmente na lei de renovação, capaz de trazer-nos prodígios de paz e vitória sobre nós mesmos, se nos decidimos a aceitar, construtivamente, as experiências que se nos façam precisas.

Se atingiste a integração profunda com as bênçãos da vida, considera a tarefa que a Divina Providência te confiou.

Deus não nos envia problemas de que não estejamos necessitados.

Aceitação e paciência, sem fuga ao trabalho, são quase sempre a metade do êxito em qualquer teste a que estejamos submetidos, em nosso proveito próprio.

Se qualquer tempo é suscetível de ser ocasião para resgate e reajuste, todo dia é também oportunidade de recomeçar, reaprender, instruir ou reerguer.

O amor que estejamos acrescentando à obrigação que nos cabe cumprir, é sempre plantação de felicidade para nós mesmos.

Onde estiveres e como estiveres, nas áreas da dificuldade, dá-te à serenidade e ao espírito de serviço e entenderás, com facilidade, que o amor cobre realmente a multidão de nossas faltas, apressando, em nosso favor, a desejada conquista de paz e libertação.

Autor: Emmanuel

02 - RENOVAÇÃO

REFORMA ÍNTIMA? Renovação Espiritual!


Há quem não aprecie a palavra REFORMA no conceito de renovação espiritual necessário a cada um de nós. No entanto, esta palavra define muito bem o que deveríamos (e viemos) fazer de nossas vidas:

REFORMA = Mudança para melhor; modificação, reorganização, substituição de objetos fora de uso.

Vejo a reforma íntima como quem vê a reforma de uma casa. Ao desejar uma casa melhor, por vezes mudamos uma parede ou outra de lugar, outras vezes mudamos os móveis, pintamos de outra cor, mudamos o telhado, trocamos uma porta ou janela de lugar. Mas quase sempre ela nos lembra como foi. Quando a casa está em péssimo estado, não raro derrubamos todas as suas paredes e começamos do zero. Porém, freqüentemente, aproveitamos boa parte das estruturas da fundação que possuía.

Assim é a nossa REFORMA ÍNTIMA, a qual nos remete à renovação espiritual. Temos uma história milenar que nos "construiu" como somos hoje. Instintos que se transformaram em defeitos, defeitos que se fizeram virtudes… Há em nós paredes boas, que podemos manter, e outras nem tanto, que devemos derrubar e reconstruir da forma correta. NÃO PODEMOS IGNORAR e simplesmente apagar quem fomos, nossa história, o que sentimos, pensamos, aprendemos, vivenciamos, conquistamos em milênios de reencarnações.

Porque é tão difícil fazer REFORMA ÍNTIMA?

Não é porque não lembramos do passado. Mas porque NÃO QUEREMOS CONHECÊ-LO. Não queremos usar de coragem, vontade, usar precioso tempo fazendo uma "nova planta" para seguir. Precisamos, como arquitetos e engenheiros da própria alma, analisar o que nos faz mal, nos estagna, nos atrasa, faz sofrer, o que pode ser melhorado. É preciso, para tanto, ter CORAGEM para quebrar paradigmas, ousadia para fazer diferente.

Um dos melhores conceitos que já vi sobre como e porque reformar-se, encontrei em um livro fora da Doutrina Espírita: O MONGE E O EXECUTIVO - uma história sobre a essência da liderança, de James C. Hunter.

Fala-nos Hunter, sobre a DISCIPLINA que precisamos ter para fazer coisas, conquistar coisas, sejam materiais, sejam morais. A disciplina, segundo ele, serve para que, treinando insistentemente e sem esmorecimento, exercitando o fazer diferente do nosso natural (aquilo que ainda é idéia e não prática), acabaremos por TORNAR NATURAL o que foi arduamente disciplinado em nós: habituamo-nos a ser o que devemos ser.

Há, segundo este material, QUATRO ESTÁGIOS necessários para adquirir novos hábitos ou habilidades, e estes estágios nos mostram os graus de dificuldade que vivenciamos para proceder com nossa REFORMA ÍNTIMA. Vejamos:

ESTÁGIO UM - Inconsciente e Sem Habilidade.
É o estágio ANTES de começar nosso exercício disciplinar. É a etapa inconsciente ou desinteressada de agir, reflete despreparo para mudar.

ESTÁGIO DOIS - Consciente e Sem Habilidade.
É o estágio em que AINDA não desenvolvemos a prática, embora tenhamos adquirido a consciência de que é preciso adquirir um novo comportamento. É a fase antinatural de quem tenta, mas ainda não consegue fazer bem o que se propõe.

ESTÁGIO TRÊS - Consciente e Habilidoso.
É o estágio em que estamos ADQUIRINDO experiência, exercitamos o novo comportamento tantas vezes que passamos a fazê-lo de forma mais confortável, a prática se torna mais fácil e menos antinatural. Pegamos o "jeito da coisa".

ESTÁGIO QUATRO - Inconsciente e Habilidoso.
É o estágio AUTOMÁTICO, quando o comportamento tornou-se natural, não precisamos mais pensar para fazer. É a incorporação do novo comportamento aos hábitos cotidianos, ou seja, incorporação da conquista à nossa natureza.

É isso o que Jesus pediu para nós fazermos, em tantas de suas orientações. Achamos difícil porque queremos caminhos fáceis, mas toda conquista demanda esforço, o qual demanda vontade.

Enfim, REFORMA ÍNTIMA é a reconstrução de nosso caráter, tornando-o cristão, divino, aproveitando as bases que temos. Não é, em tempo algum, ignorar nosso EU PASSADO, renascendo como um EU NOVO.

Deixem suas opiniões, comentários e dúvidas.

Vania Loir@ Vasconcelos

03 - RENOVAÇÃO

Muitos são os motivos que nos levam à Casa Espírita: Pelo amor, pela dor, convite de alguém, hoje pela razão, etc...

E o que acontece? Assistimos palestras, recebemos o passe, tomamos água fluidificada e vamos embora. Somos espíritas apenas dentro da Casa Espírita, estas atitudes irão se repetir por longo tempo. Mas à medida que vamos estudando e compreendendo melhor os ensinamentos espíritas, sentimos que necessitamos nos integrar mais nas ações de reforma moral da sociedade, e nada melhor para fazermos isso do que iniciando por nós mesmos, ou seja, que sejamos espíritas na convivência com o mundo, e isso nos leva à nossa reforma moral.

Todo espírita estudioso caminha neste sentido, porque compreende que o Espiritismo como filosofia busca atingir o seu mais nobre objetivo, que é a reforma moral da criatura.

A grande maioria dos livros escritos pelas vias mediúnicas são ricos de ensinamentos e verdadeiros tratados de saúde mental, com uma terapia baseada no Evangelho de Jesus e na Codificação Kardequiana.

Livros como: “Auto Conhecimento”, “O Homem Integral”, “O Ser Consciente”, “Espelho D’alma”, “Momentos de Renovação” e outros não necessariamente espíritas, nos indicam a importância da Reforma Íntima, ou renovação de atitudes, como fator essencial para alcançarmos o progresso moral e espiritual, visando à nossa felicidade relativa.

Duas afirmativas nos chamam à reflexão:

1. Renovação de atitudes...

Um jovem foi ao médico, queixando-se de dores abdominais. Tendo sido atendido pelo médico, este atencioso, realizou exames, fez entrevistas, e ao final chegou ao diagnóstico: Cirrose hepática, doença do fígado por ingestão de bebida alcoólica. Enfermidade conhecida e facilmente tratável, receitou um tratamento, onde o paciente deveria tomar uma medicação, fazer caminhadas diárias, ao final da caminhada realizar algumas ginásticas. O paciente saiu satisfeito pois veria-se livre de suas dores. Ao final de um mês, retornou novamente o paciente ao consultório médico, onde o doutor o atendeu solícito.

Há doutor! O tratamento não deu resultado, pois continuo a sentir dores. O profissional estranhou, pois tinha confiança em seu diagnóstico, mas voltou a examiná-lo.

- O senhor tomou o remédio que lhe receitei? Sim senhor doutor, certinho, três vezes ao dia!

- O senhor fez as caminhadas para melhorar a circulação? Cinco quilômetros todos os dias doutor!

- O senhor fez as ginásticas como recomendado? Uma hora diária após as caminhadas doutor!

- O senhor parou de beber? Não doutor... doutor continua doendo...

A medicina terrena trata das enfermidades do corpo físico, o Espiritismo trata das enfermidades do espírito (estando ele encarnado ou não). O médico nos escuta, analisa, faz exames e nos recomenda um tratamento. A Casa Espírita, nos escuta, analisa, consola, e também nos recomenda mudanças de atitudes; mas esta vai mais além em nosso benefício, pois nos fornece o passe magnético, a água fluidificada e em alguns casos tratamentos de desobssessões.

Mas assim como no caso do paciente enfermo, se quisermos melhorar, cumpre que façamos a nossa parte mudando as nossas tendências negativas, ou ficaremos indefinidamente tomando remédios, realizando caminhadas, fazendo ginásticas, recebendo passes, tomando água fluidificada...

Emmanuel, em uma de suas mensagens no diz: “O pastor conduz o seu rebanho, mas são as ovelhas que andam com as próprias pernas”.

2. Felicidade relativa...(Em virtude da afirmativa de Jesus – “A felicidade não é deste mundo” Bíblia/Eclesiastes, Evangelho Segundo o Espiritismo/ Capítulo V, item 20). Analisando esta afirmativa do Cristo apenas pela letra que mata e não pelo espírito que vivifica, muitos apressados, inimigos do estudo e cultores do negativismo atribuem que estamos na Terra para sofrer, que este é um vale de lágrimas, aqui só há dores e aflições, etc. Semelhantes afirmativas são no mínimo equivocadas e inconseqüentes, pois espalham o desânimo, pessimismo, descrença, resignação incondicional. A nossa razão nos mostra que podemos e temos momentos felizes mesmo no estágio evolutivo em que nos encontramos, pois quem não fica feliz com um casamento? O nascimento do primeiro filho? Uma formatura? O primeiro emprego? No aniversário, receber aquele presente tão esperado? Jesus, profundo conhecedor, não iria contrariar as Leis Naturais, negando estes fatos. Ele se referia tão somente à felicidade plena, que é atributo apenas dos Mundos Felizes e Angélicos.

Sabemos então que para evoluirmos espiritualmente temos que realizar a nossa Reforma Íntima, mas algumas perguntas nos assaltam:

· O que é Reforma Íntima? Ela deve ser compreendida como a chave mestra para o sucesso de sua melhora interior e, conseqüentemente, da sua felicidade exterior.

· Para que serve? Renovar as esperanças interiores tendo por meta o fortalecimento da fé, a solidificação do amor, a incessante busca do perdão, o cultivo dos sentimentos positivos e a finalização no aperfeiçoamento do ser.

· O que fazer? Realizar atos isolados, no dia-a-dia levando-nos a melhorar as nossas atitudes, alterando para melhor a nossa conduta aproximando-a tanto quanto possível do ideal cristão.

· Por onde começar? Pela auto crítica.

· Como fazer a reforma íntima? Bem .....

(Cairbar Schutel – “Fundamentos da Reforma Íntima” Abel Glaser).

Embora uma linha de pensadores espíritas entenda que os meios de o conseguir é obra e esforço de cada um, as obras literárias estão repletas de indícios e dicas.

Em “O Livro dos Espíritos” no capítulo Conhecimento de si mesmo, à pergunta 919, Allan Kardec questiona aos Espíritos:

- Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?

“Um sábio da antigüidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.”

Allan Kardec, profundo conhecedor das deficiências humanas, investiga mais a fundo no desdobramento da questão acima.

919a) - Conhecemos toda a sabedoria desta máxima, porém a dificuldade está precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo?

“Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar...(SANTO AGOSTINHO).( O Livro dos Espíritos - Allan Kardec)

Parece resultar daí que o conhecimento de si mesmo é, a chave do progresso individual.

(esta é uma tarefa que compete a cada um individualmente).

Ocorre-nos lembrar de Benjamin Franklin, Estadista, escritor e inventor norte americano (inventor do para-raio, Boston 17-01-1706 - Filadélfia 17-04-1790).

Benjamin Franklin era um tipógrafo na Filadélfia homem fracassado e cheio de dívidas, achava que tinha aptidões comuns mas acreditava que seria capaz de adquirir os princípios básicos de viver com êxito, se pudesse apenas encontrar o método certo. Método este encontrado e relatado em seu livro a “Autobiografia de Benjamin Franklin” (1771-1788).

Benjamin Franklin, em sua juventude era um homem de muita inteligência e perspicácia, apesar de ter estudado apenas até o segundo ano primário. Era hávido por conhecimento e lia muito, estudava e escrevia ensaios e poesias. Estudava sobre tudo que lhe interessava, principalmente sobre os grandes vultos da história de todos os tempos. Por isso mesmo tinha uma grande cultura e um conceito moral muito rígido, e cobrava-se muito, bem como, cobrava aos outros a mais correta e ilibada conduta. Em suas reuniões sociais, tecia críticas francas e ácidas sobre todos os deslizes de seus colegas, sentindo um prazer mórbido em derrotar verbalmente aos seus oponentes, fato que ao longo do tempo foi deixando-o só e isolado nas reuniões a que eram “obrigados” a convidá-lo pelo seu cargo político.

Sentindo o peso deste isolamento, em conversa com um amigo muito chegado, comentou esta aversão das pessoas de seu convívio.

Tendo sido localizada a causa deste sentimento de aversão, com uma tenacidade que só as almas valorosas possuem, empreendeu luta acirrada ao combate às suas imperfeições.

Mas por mais que se esforçasse, controlava uma imperfeição mas caía invariavelmente em outra, quando esta outra recebia a sua atenção novo deslize fazia-o tropeçar, e a situação não avançava. Era como se estivesse tentando reter água com as mãos que, não obstante, escorria por entre seus dedos.

O isolamento continuava e até acentuava-se.

Lembrando-se das habilidades bélicas de Napoleão Bonaparte, que adotava a estratégia de “dividir para vencer”, de espírito inventivo, Franklin imaginou um método tão simples, porém tão prático, que qualquer pessoa poderia empregá-lo.

Franklin escolheu treze princípios que julgava ser necessário ou desejável aprender e procurar praticar. Escreveu-os em pequenos pedaços de cartolina, com breve resumo do assunto, e dedicou uma semana da mais rigorosa atenção a cada um desses princípios separadamente. Desse modo, pode percorrer a lista toda em treze semanas, e repetir o processo quatro vezes por ano.

Quando passava ao princípio seguinte não esquecia os anteriores, e cada vez que se pegava em falha, fazia uma pequena marca no verso do cartão, assim no retorno àquele princípio dedicava maior atenção e esforço.

Manteve em segredo o que estava fazendo, pois receava que os outros se rissem dele. (é triste constatar que até aos dias de hoje nos vangloriamos de atos incorretos, falcatruas, engodos, vícios que cometemos, mas temos vergonha de admitirmos que estamos tentando melhorar praticando alguma virtude).

Ao fim de um ano Franklin havia completado quatro cursos, e constatou que já buscava com naturalidade o controle de suas falhas, apesar de estar longe de dominar com perfeição qualquer daqueles princípios.

Este procedimento deu tão certo que Franklin utilizou-o ao longo de toda a sua vida, embora mudando os princípios uma vez já tendo controlado aquela deficiência combatida.

Os treze princípios de Benjamin Franklin eram

(Autobiografia de Benjamin Franklin): (tais como escreveu e na ordem que lhes deu)

Temperança – Não coma até o embotamento; não beba até a exaltação.
Silêncio – Não fale sem proveito para os outros ou para si mesmo; evite a conversação fútil.
Ordem- Tenha um lugar para cada coisa; que cada parte do trabalho tenha seu tempo certo.
Resolução – Resolva executar aquilo que deve; execute sem falta o que resolve.
Frugalidade – Não faça despesa sem proveito para os outros ou para si mesmo; ou seja nada desperdice.
Diligência – Não perca tempo; esteja sempre ocupado em algo útil; dispense toda atividade desnecessária.
Sinceridade – Não use de artifícios enganosos; pense de maneira reta e justa, e, quando falar, fale de acordo.
Justiça – A ninguém prejudique por mau juízo, ou pela omissão de benefícios que são dever.
Moderação – Evite extremos; não nutra ressentimentos por injúrias recebidas tanto quanto julga que o merecem.
Asseio – Não tolere falta de asseio no corpo, no vestuário, ou na habitação.
Tranqüilidade – Não se perturbe por coisas triviais, acidentes comuns ou inevitáveis.
Castidade – Evite a prática sexual sem ser para a saúde ou procriação; nunca chegue ao abuso que o enfraqueça, nem prejudique a sua própria saúde, ou a paz de espírito ou reputação de outrem.
Humildade – Imite Jesus e Sócrates.
A quantos desejarem experimentá-lo, sugere-se analisarem-se, buscando aquelas deficiências mais comuns e corriqueiras, que sabemos possuir, ou as qualidades que não temos mas que gostaríamos de ter, adaptando o método às necessidades e interesses de cada um. Ao alcançar uma conquista, alterar a meta, buscando por outra, que vão surgindo ao longo do tempo, mas cuidando sempre para que não incorram em recaída.

Este não é o primeiro e nem será o último método inventado, que visa à melhoria das pessoas através da reforma íntima, mas com certeza, nos aponta mais uma alternativa palpável e simples, que está ao alcance de quantos tiverem a coragem e a vontade firme de empreender esta luta íntima na escalada evolutiva.

Não é um caminho fácil. Não existe caminho fácil. Mas é um caminho seguro.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no capítulo XVII, SEDE PERFEITOS, Allan Kardec escreveu:

“Reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que emprega para domar as suas más inclinações”.

Na Bíblia em “O Novo Testamento”, Tiago em suas epístolas nos adverte: “Fé sem obras é estéril”.

Que Jesus nos ilumine e guie.

Muita paz.

Bibliografia:
O Evangelho Segundo o Espiritismo. (Allan Kardec).
O Livro dos Espíritos. (Allan Kardec).
O Homem Integral.( Divaldo Pereira Franco – Joanna de Angelis).
Autobiografia de Benjamin Franklin.
Fundamentos da Reforma Íntima. (Abel Glaser – Cairbar Schutel)

04 - RENOVAÇÃO

01.Gostaria de saber como os centros espíritas podem trabalhar os problemas sociais, sem cair no assistencialismo, considerando a dificuldade enfrentada por estas agremiações, principalmente no que concerne à escassez de voluntários e de recursos. (índice)

Resposta: Em primeiro lugar, creio que os centros espíritas devem estabelecer uma escala de prioridade para suas atividades, a partir da constatação de que a cultura espírita deve ocupar o topo dessa escala. Se a escassez de colaboradores é uma tônica, tanto maiores serão as razões para essa priorização, entendendo que o trabalho social pode ser desenvolvido pelos freqüentadores, individualmente, nas inúmeras instituições e ONGs que se voltam para isso de uma forma organizada e segura. Além do mais, as atividades assistenciais que por ventura sejam consideradas necessárias ao centro, devem ser vistas como experiências enriquecedoras e de alto grau de responsabilidade, em vista do que a sua adoção sem os devidos cuidados não apenas se torna comprometedora da própria instituição quanto para aqueles que vão ser assistidos. Compartilho a opinião de Herculano Pires, quando chama a atenção os prejuízos advindos desse desejo de praticar o assistencialismo ainda sob o efeito de uma visão religiosa salvacionista, de modo que, diz ele, muitos espíritas mal se estruturam culturalmente na doutrina e já partem para as atividades assistenciais, não realizando bem nem uma coisa nem outra, além de deformarem a visão espírita de mundo, de vida e de espiritualidade. Por outro lado, ao adotarem o assistencialismo, direcionam para ele todos os seus recursos humanos e financeiros, deixando à míngua as atividades culturais, em Espiritismo muito mais importantes porque são elas que darão as bases para um mundo novo.

02.Você acha que temos em nosso meio fundamentalistas espíritas? Onde buscar o equilíbrio? (índice)

Resposta: Os segmentos sociais compostos por indivíduos que adotam posturas e comportamentos extremistas refletem uma realidade da própria sociedade. Não é possível viver em sociedade sem participar dela e receber os seus reflexos. Os espíritas são, antes de tudo, seres sociais, influenciados pelo sistema político e econômico, profundamente envolvidos e em boa medida frutos da sociedade. Ao reunirem-se sob a denominação espírita, são estimulados ao progresso sob a visão de mundo da doutrina, visão essa tão abrangente e tão complexa que não pode ser assimilada, apreendida, senão na aplicabilidade dos conhecimentos no mundo da vida, portanto, no mundo social, onde cada um de fato cresce e se realiza. O traço comum dos espíritas expressa-se pela adoção das idéias, do pensamento espírita; fora disso, são eles seres sociais comuns, viventes da diversidade, portanto expressando o comportamento comum dos grupos outros aos quais se filiam ou pelos quais são influenciados. Temos, sim, fundamentalistas no meio espírita como os temos nos demais ambientes da sociedade. Há entre nós aqueles que, apesar dos preceitos espíritas, ainda aceitam e estão dispostos a praticar o fundamentalismo na adoção da pena de morte, na extinção de grupos sociais com os quais não se afinam ou acreditam que são nocivos a um mundo de paz etc. Mas há um outro tipo de fundamentalismo ainda mais nocivo e perigoso, porque não se expressa abertamente, não é facilmente visível, ou seja, são espíritas que praticam o fundamentalismo nas instituições, nos centros, no ambiente familiar ou profissional, nas agremiações políticas ou esportivas, enfim. Sob a influência de uma ética utilitarista, onde os fins justificam os meios, acreditam que o diálogo e a ação democrática participativa são perigosos para a paz, para o equilíbrio, de modo que eliminam qualquer possibilidade de sua implantação nos ambientes onde estão estabelecidos em nível de comando. Expressam-se, inclusive, nas atividades mediúnicas, seja em termos de abordagem dos Espíritos comunicantes, controlando-os em suas manifestações verbais e gestuais, seja inibindo os médiuns com regras esdrúxulas, seja, enfim, permitindo da fenomenologia apenas aqueles tipos de mediunidade que entendem boas.


03.Por que, mesmo com os conhecimentos adquiridos através da Doutrina Espírita, não há no meio social uma modificação real e palpável de comportamento? (índice)

Resposta: A sabedoria grega inscreveu pela voz de um dos seus mais ilustres filósofos a afirmação de que a única coisa permanente no mundo é a mudança. O mundo contemporâneo parece acreditar nisso cada vez mais e as próprias partículas atômicas dão mostram de alteração constante de posição, sob o olhar do observador. O espiritismo contempla como uma das razões para a conquista da paz e da felicidade a mudança comportamental a partir de uma alteração de base, a ser realizada ao nível do pensamento. Estamos convivendo com isso no ambiente dos centros e do espaço familiar e onde mais o conhecimento espírita é cultivado e difundido como meio de progresso sócio-humano. Trata-se de uma aposta no ser humano, na sua capacidade de construir o mundo que deseja habitar, a sociedade aperfeiçoada, justa, as instituições capazes de dar suporte político, segurança, o ambiente científico sem niilismo e sem comprometimento com os interesses grupais e econômicos, instrumentalizado o bastante para garantir o progresso e dar origem à tecnologia indispensável à vida e à saúde, ao bem-estar sem diferenciação classista. Apesar disso e embora todos os aspectos positivos dessa visão espírita de mundo, a realidade nos obriga a perceber que as mudanças, sejam de caráter social, geral, seja de caráter individual, que entre nós chamamos Reforma Íntima, não são facilmente alcançadas em termos de tempo.O idealismo nos coloca na contingência de desejar não apenas que o mundo demonstre concretamente que está progredindo, mas também que os indivíduos comprometidos com as causas nobres nos dêem provas de sua evolução; no entanto, há uma impossibilidade prática nisso uma vez que todo progresso, individual e coletivo, submete-se à criação de condições para solução de problemas complexos, que envolvem o ambiente em que se vive, saúde, habitação, educação, e os processos de relacionamento e interatividade humana. Explica-se assim porque somos impacientes com o próximo em suas dificuldades de viver o ideal e nos tornamos não raras vezes sentinelas de sua vida, vigiando os seus passos e comportamento à espera de cobrar-lhe o compromisso, quando na verdade, tanto quanto ele, estamos todos submetidos às condições de uma sociedade de consumo que não dominamos e sobre a qual temos muito pouca condição de posicionar. A conclusão possível é que o mundo progride mas em condições tais e de certa forma tão lentas que só é possível ter desse progresso uma visibilidade clara depois que as conquistas se firmaram, distanciados do tempo de sua realização.


04.De uma maneira distorcida que seja, já vem sendo veiculado de forma natural a questão da reencarnação. Qual o motivo, então, de vermos, ao invés de uma renovação sócio-cultural, estamos vivenciando períodos aonde a violência vem sendo maior? (índice)

Resposta: Um pouco da resposta possível a essa questão creio haver adiantado nas questões anteriores. A princípio, não basta a informação como condição para mudança cultural. Conhecer a procedência da reencarnação, sua importância e sua lógica podem levar ou não as pessoas a se aprofundarem no assunto e assumirem as implicações que conduzam à mudança individual e coletiva, reduzindo os índices de violência, mas não será isso algo que possa ser alcançado em tempo e em condições adversas, como as que temos atualmente em nossa sociedade. Se de um lado há esforço por parte de segmentos comprometidos com a importância de uma situação de paz para o ser humano, de outro a própria sociedade está estruturada de forma a privilegiar valores que quase nunca se ligam às reais necessidades humanas, entre os quais os que advém do atendimento ao consumo e os que atendem à competição exacerbadora da personalidade. O conhecimento do Espiritismo se torna um grande fator positivo nessa selva imensa de contradições e diversidade de condições de vida, mas o seu sucesso só poderá ser alcançado se aliarmos a esse conhecimento o esforço da mudança na sociedade, de maneira que o contexto possa favorecer as mudanças. Sem pensarmos em condições sociais favoráveis, não haverá muita esperança para a evolução individual e social.


05.Muito se fala e se faz no campo da assistência social, a fim de poder amenizar as desigualdades. No entanto, tais atividades geralmente ofertam o "peixe" pronto, quando seria talvez mais adequado ensinar a pescar. Como você compreende essa área assistencialista que deveria ajudar na renovação , mas , se mata a fome, também contribui para uma manutenção do mesmo estado social? (índice)

Resposta: Vivemos no Espiritismo brasileiro a contradição fundamental do interesse pelas questões sociais, que possibilita a prática da caridade, com o desinteresse muito grande pelas questões culturais. Ainda que a prática da caridade atenda apenas, em muitos casos, uma solução paliativa da consciência ainda presa à idéia ultrapassada de caridade, o movimento espírita como um todo ainda dá mais valor a essa prática do que à disseminação do conhecimento e à criação de condições para que o conhecimento possa de fato ser apreendido e tornar-se ferramenta para o progresso humano e social. Daí porque se dá o peixe, para alívio da consciência, e não se ensina a pescar, porque a consciência ainda não considera o ensinar a pescar tão ou mais necessário que o dar o peixe. Por conseqüência disso, temos uma situação social que se mantém grave em decorrência de fatores como o desinteresse, a indiferença para com os problemas culturais.


06.Onde e de que forma deve ser a atuação dos espíritas para que haja uma renovação junto à sociedade? De que forma se daria essa renovação cultural através do Espiritismo? (índice)

Resposta: A partir do entendimento que o homem não apenas é um ser social, mas que só se concretiza a partir da atuação social. O Espiritismo promove o caminho de volta para o social que as filosofias religiosas dominantes negaram, pois desenvolveram uma consciência para a eleição de um plano de felicidade para além do mundo material, eleição essa que ainda atende a muitos interesses e que domina indivíduos e coletividades, fazendo com que haja pouco interesse em agir socialmente neste mundo. Uma vez que a perspectiva real de felicidade aponta apenas para uma vida futura, os indivíduos assim convencidos deixam de possuir razões suficientes para trabalhar pelo bem comum; concentram-se apenas em seus objetivos individuais de realização. Sob o ponto de vista de que essa realização é impossível se não se estabelecer a partir do aqui e agora, os indivíduos terão maiores e melhores razões para lutar em prol da coletividade, sabendo que é na realidade social que poderá aspirar à sua própria felicidade. A idéia de futuro com o Espiritismo se altera profundamente exatamente porque traz à consideração que esse futuro não é a promessa que se realizará a partir de ações de outros, mas resultará do agir do próprio indivíduo no contexto onde está inserido. Ou todos seremos felizes juntos não ninguém será feliz sozinho. A felicidade egoística, do indivíduo por si e para si, é fragmentária, parcial e volátil; não possui consistência e nem permanência e está muito na razão direta do próprio sistema social, onde as realizações têm que ser adquiridas no mercado de bens de consumo e, portanto, precisam ser compradas diariamente porque senão fazem perder o sentimento de poder e de realização que é prometido em cada aquisição. Como a capacidade de compra e mesmo de satisfação com o produto adquirido é também frágil, porque aquilo que se adquire já vem combinado com a saturação, a felicidade se torna então sem completude e acaba por se mostrar impossível. A idéia de felicidade coletiva se opõe ao egoísmo individual e, portanto, deverá se opor também ao sistema dominante de consumo como idéia central de conquista do prazer. Os espíritas não podem deixar de pensar nisso.


07.Como você encara o que Kardec inseriu na 5ª ed. de O Livro dos Médiuns, cap. III, item 35 na renovação sócio-cultural, ante a terrível reação que os espíritas "evangélicos" fazem a esta declaração do codificador por ter excluído o Evangelho das obras básicas do Espiritismo? Gostaria de lembrar que a referida ed. do Livro dos Médiuns ocorreu em 1868 e a seleta que Kardec fez da Revue Spirite é posterior, até ao livro Gênese, portanto, tida como sendo a 4ª obra básica. (índice)

Resposta: Remontar a essa questão exigiria um esforço de interpretação histórica longo, que entendo desnecessário diante de tudo o que está colocado por Kardec em termos de unidade da filosofia espírita. Houvesse esse aspecto ou não, em nada diminuiria as interpretações que se dão a partir da leitura e do estudo dos livros básicos do Espiritismo, uma vez que está mais ou menos aceite nos dias atuais que o produto de um livro não está naquilo que o autor coloca, mas nos sentidos que se formam a partir da recepção. A questão da recepção, hoje tão considerada nos estudos de Comunicação, é tão interessante que, ao mesmo tempo em que encontramos críticos apontando para possível pouca consideração em Relação ao Evangelho Segundo o Espiritismo, também os encontramos advogando contra o possível excesso de valor atribuído a esse livro. Uma análise criteriosa, no entanto, mostrará que certamente Kardec dava peso relativo a cada fragmento de sua obra, considerando o seu valor como livro isolado e como parte de um todo. Não há porque, entendemos, entrar nessas discussões de maneira ortodoxa, preconceituosa, apenas com a intenção de defender gostos particulares ou interesses difusos.


08.Como tratar assuntos de dogmas como casamentos, batismos etc. para os espíritas que insistem nessa necessidade, mesmo sabendo que às vezes eles têm um aspecto apenas social? (índice)

Resposta: O pensamento espírita se sustenta através de uma lógica interna de fundamental importância para a sua apreensão, mas precisa contar com outros fatores para se estabelecer como prática renovadora do social. Muitas vezes, deve-se ao desprezo com que se vê certas realidades culturais a pouca eficiência que se obtém na difusão do pensamento espírita. É preciso pensar em estruturas mentais, em arquétipos culturais e em realidades sociais para entender o que ocorre com aqueles que assumem a condição de espírita na sua realidade social objetiva, no chamado mundo da vida, onde de fato vão produzir sentidos. Assim, acredito que esses e outros temas, conseqüentes do modo como são recebidos por cada indivíduo, só podem ser vistos e tratados de forma aberta, democrática, dialógica, sob a ética do respeito à vontade e decisão de cada um, uma vez que se o Espiritismo conduz à compreensão de que esses ritos sociais são produtos da cultura humana e se encontram sob essa forma na consciência de cada um, também não obriga a que cada um os abandone e adote outro comportamento em relação a eles. Se isso não significa adoção dos ritos e das cerimônias nas atividades cotidianas dos centros e sociedades espíritas, também não implica a sua classificação como ponto de condenação daqueles que os desejam adotar e seguir, seja ou não culminando com sua eliminação do meio onde nos encontramos e reunimos como espíritas.


09.O Espírito Emmanuel parece dentre os espíritos que trazem o pensamento das esferas mais altas o mais profético deles. No livro Servidores do Além, lição 1 - Onde o remédio ? , 1ª ed., Ed.IDE, em certo momento afirma:"Todos os pensadores se reúnem para comentar as necessidades dos tempos. Os políticos convocam ministérios e gabinetes, os filósofos aventam teorias novas em sociologia, mas a verdade é que os cataclismos caminham no ar, sem que os poderes humanos consigam determinar-lhe a marcha. Todos os corações sentem que existe algo para acontecer, aguardam angustiados uma novidade nos ares, como se sombrios vaticínios pesassem sobre sua vida de relação e a realidade é que nem os políticos e nem os filósofos, nem os economistas e nem os sociólogos podem dirimir as profecias singulares e dolorosas, impossibilitados de recurso, desconhecendo o remédio necessário à paz coletiva e à prosperidade mundial." No seu entendimento esta " renovação sócio cultural" tem um sentido apocalíptico como diz Emmanuel ou se dará gradualmente? e o Espiritismo dentro deste contexto? (índice)


Resposta: Particularmente, não me alinho àqueles que adotam a interpretação apocalíptica dos textos mediúnicos ou de outros textos, especialmente quando os futuristas se referem a abalos geológicos e os relacionam com a vontade divina. Não conheço o referido artigo atribuído a Emmanuel, mas verifico pelo excerto reproduzido que a referência emmanuelina a cataclismos pode ser interpretada de diversas maneiras, como ocorre em obras abertas. Um exercício interpretativo dos acontecimentos sociais, políticos e econômicos da contemporaneidade parece conduzir de fato a "cataclismos" de variadas formas, apontando para conseqüências duras para a coletividade humana, e eles somente não podem ser evitados porque não há vontade real, vontade política, vontade econômica, vontades que possam nortear ações que modifiquem a situação. Em vista da direção tomada por alguém se pode deduzir para onde vai, desde que se mantenha a direção tomada. Outro tanto não ocorrerá se qualquer outro fator vier modificar a direção. Em questões humanas, estamos quase sempre à mercê dos acontecimentos orientados especialmente por aqueles que exercem através do poder o domínio e podem decidir sobre os destinos.


10.Qual a sua sugestão sobre "como ensinar ao jovem espírita que ele não precisa fazer o que todo mundo faz (sociedade massificada) e que ele pode ser uma peça fundamental da renovação dos nossos "costumes" sociais?" (índice)

Resposta: Acredito que a resposta está contida na própria formulação da pergunta. Ao descobrirmos que podemos ensinar, tomamos consciência de nós mesmos e de nossa posição enquanto críticos da situação, com os olhos voltados para nossa própria trajetória de vida como melhor farol a orientar ações e direções a seguir. Descobrimos que podemos determinar nossos rumos quando nos opomos à situação dominante, mas entendemos, também, que não conseguimos sozinhos atingir qualquer grande meta, o que nos leva a considerar a importância do fazer social. A questão que se coloca, portanto é: como viver em uma sociedade de consumo sem ser consumista? Como estar atravessado diariamente pelas mensagens sem ser totalmente dominados por elas? A partir da nossa própria experiência de vida, como contribuir para que o potencial de renovação social possa ser mais bem desenvolvido e empregado pela juventude? Agindo duplamente: em termos educacionais, por meio do equilíbrio familiar onde os fundamentos da consciência se formam, e da ação da escola no desenvolvimento dos potenciais humanos; e em termos sociais, pela compreensão das forças que dominam o cenário e contribuem para o estabelecimento de uma consciência ajustada às condições impostas. Logo se vê que esse modelo interessa não apenas à juventude, mas a todos, aos espíritas em especial, seja em razão das propostas que formulam para si mesmos em termos de renovação, seja pelo compromisso implícito com o desenvolvimento da sociedade humana.


11.Caro confrade Wilson Garcia. Diante de tantas inovações tecnológicas , científicas e culturais, como sensibilizar os companheiros de ideal espírita, que se esquivam a participarem de estudos, congressos, seminários, leituras , por estarem tão presos a hábitos de sedentarismo mental e pensarem em Espiritismo somente em seu aspecto religioso? (índice)

Resposta: O problema é endêmico. Não há uma só causa nem uma solução única para a questão. Já Herculano Pires apontava para uma das causas ao advertir que a organização do movimento espírita não poderia direcionar-se para o estabelecimento de normas e regras burocráticas, mas para a compreensão de que os espíritas deveriam se reunir para troca de experiências como medida de valorização do saber dos dirigentes e trabalhadores. Esta causa ainda está por ser devidamente considerada, uma vez que se deu prioridade até aqui para eventos que se preocupam mais com o estudo e a adoção de modelos para as atividades variadas, funcionando como desestímulo para o progresso. Por outro lado, as limitações do universo espírita às dimensões físicas dos nossos centros e instituições, comum à maioria e presente também em instituições de grande freqüência coletiva, se incumbem de imprimir a falsa noção de que o espiritismo total de que precisamos pode ser encontrado e vivido ali mesmo, sem necessidade da experiência coletiva ampla. Uma vez que não precisamos buscar alhures nenhum acréscimo e que, diferentemente da vida profissional, nosso crescimento aparentemente não implica em sobrevivência física e familiar, nos satisfazemos com o que temos. Há, no fundo, uma clara noção deficiente dos objetivos do espiritismo, o que conduz a um caminho mais próximo das doutrinas religiosas tradicionais, curiosamente as mesmas que o pensamento espírita deveria renovar. Temos, assim, uma dicotomia entre o que precisamos e o que queremos e, mais uma vez, vale lembrar Herculano Pires quando coloca a maior responsabilidade pela situação nos ombros dos dirigentes, afirmando que o povo simples não tem condição de sozinho resolver problemas dessa ordem, cabendo aos dirigentes o ônus do prejuízo.

12.Deve o espírita lutar em todos os órgãos sociais e políticos visando sempre o bem estar do cidadão? Deve exercer cargo público, sem misturar é claro, o Trabalho espírita com o trabalho na política? (índice)

Resposta: A presença do espírita na sociedade é não só recomendada como necessária e indispensável. Não no sentido explícito de desempenho de uma missão especial, como se tenta afirmar para coloca-lo numa posição privilegiada de indivíduo superior aos demais por causa da sua condição de espírita, mas como condição essencial para seu próprio progresso. É preciso entender que se a religião tradicional pretendeu separar o homem do social oferecendo a salvação como passaporte para a felicidade, o Espiritismo se apresenta como um caminho de volta, um retorno ao social sob a idéia de que vida em sociedade e progresso são indissociáveis. Quando o espírita assume o equívoco de que sua presença em sociedade é um encargo que se dispõe a suportar porque a sociedade lhe é inferior, assume uma pretensiosa e falsa condição que o ajudará a estacionar ante o progresso. Quando, ao contrário, compreende a importância do social, torna-se um ator eficiente na transformação do meio. Mas, é preciso também compreender que ao assumir compromissos nos diversos campos da sociedade, concomitantemente aos compromissos com o meio espírita que são também compromissos sociais, a única separação possível é aquela em que identifica e compreende cada função que exerce, de modo a não confundi-las na transversalidade das ações. No mais, o saber espírita e o saber especializado se unem em uma cultura que o acompanha em qualquer situação, não sendo possível ser espírita e ser indivíduo, sujeito social em situações distintas.


13.Meu amigo, Wilson. No consolador, através da obra de Kardec, podemos ver inúmeras referencias a uma ordem universal, que reunirá os homens sob uma única verdade. Tenho pensado muito no assunto, e ultimamente tenho observado a globalização como uma das vertentes desta nova ordem. Será que estou certa ao achar que a globalização é um primeiro passo para nós conseguirmos caminhar para um mundo sem barreiras discriminatórias e territoriais? (índice)

Resposta: A questão da globalização tem preocupado intensamente os estudiosos nos diversos campos do saber e não há perspectiva de um consenso sobre o assunto no horizonte próximo. De forma geral, pode-se ver o fenômeno da globalização como uma possibilidade de concretização do ideal da fraternidade, que a tecnologia da informação ajudará a se estabelecer, juntamente com os movimentos em defesa da vida e da cidadania. Ocorre, entretanto, que nos termos econômicos e políticos, a globalização se mostra como um aprofundamento das diferenças, aumentando a distância entre pobres e ricos, seja em termos individuais, seja em termos das nações. Neste aspecto, os números são absurdos. A supremacia econômica implica em supremacia política, e ambas contribuem, na prática, para a cristalização crescente da miséria dos países pobres em benefício do bem-estar dos ricos. Lembre-se que os cerca de 360 homens mais ricos do mundo possuem tanto quanto metade da população mundial, ou seja, todo o dinheiro de três bilhões de pessoas juntas equivale ao que possuem apenas 360 bilionários. Podemos ter esperança com a globalização? Sim, mas não podemos nos enganar com os seus termos, nem sonhar fora da realidade objetiva, dos fatos que aí estão.

14.Wilson, Muita paz! Eu e meu namorado temos conversado bastante sobre a riqueza e as desigualdades sociais e surgiram algumas dúvidas apesar de partirmos de sólidos preceitos espíritas, tais como:·(1) a riqueza e a pobreza são provas/expiações para os espíritos;·(2) nos dias atuais para demonstrar seu desapego aos bens materiais (honestamente adquiridos) não precisa o homem ficar nu em praça pública e distribuir seus bens indo residir em favelas;·(3) há nos dias atuais e sempre houve uma grande desigualdade na distribuição das riquezas. Entretanto, nem todos podem ser proprietários, empresários, coronéis, presidentes, governadores uns comandam outras executam. Porém deve haver justiça do mais forte para com o mais fraco e o salário justo deve ser o resultado do trabalho honesto. Isto posto, gostaria de informações sobre a questão: um espírita que participasse ativamente do movimento espírita e socialmente usufruísse riqueza (empréstimos divinos) poderia gozar das benesses oriundas do seu poder aquisitivo ou seja, gastar o seu salário como bem lhe aprouver ou deveria doar todo seu excedente para os pobres? (índice)

Resposta: Se aceitamos a idéia de que a Terra é um mundo de expiação e prova, devemos entender que todas nossas relações humanas e com a natureza se dão em regime de expiação e prova, não somente a riqueza e a pobreza. Entretanto, as noções de prova e de expiação costumam ser confundidas com medidas que impossibilitam totalmente as realizações em nível de felicidade, conduzindo muitas vezes o raciocínio para situações impositivas de comportamentos. Ora, ao mesmo tempo em que a moral cristã coloca o desprendimento dos bens como uma condição boa, observa que se deve cuidar bem dos "talentos", do patrimônio físico ou intelectual. Ou seja, a centralidade da questão não está em ter ou não ter, mas na consciência que modula o agir do ser humano, que define os critérios do emprego dos talentos e a consciência tem uma parte importante que resulta da formação do indivíduo, pois ela também se forma e se desenvolve a partir do exterior. Em síntese, doar sem critério pode ser tão nocivo quanto usar egoisticamente, e em ambos os casos a distância entre o desejo de ser feliz e a felicidade tende a aumentar.


15.Que relações se pode traçar entre o Espiritismo e o chamado Terceiro Setor?

Resposta: As obras sociais realizadas tradicionalmente pelos espíritas são aquilo que hoje se denomina Terceiro Setor. Talvez, a maior contribuição que a consciência social apresenta hoje para os espíritas é a do emprego dos recursos com racionalidade, tendo em vista os resultados a obter. Nisso, não há dúvida que estamos todos aprendendo muito. Por outro lado, a noção de solidariedade e de compromisso com o outro estão deixando de ser uma atribuição especial das doutrinas espiritualistas, para se tornar uma necessidade do homem comum, diretamente implicada com a noção de bem-estar social. Já não se admite mais o equilíbrio social sem o comprometimento dos indivíduos e das organizações, que se vêm assim motivados a dividir o tempo entre trabalho, lazer e atividade solidária. O outro lado da questão é que o sistema capitalista conduz as empresas a utilizar o chamado compromisso social para manter e ampliar o lucro, fazendo da ação solidária uma bandeira diferencial de seus produtos, muito pouco comprometida com as ações solidárias e verdadeiramente objetivada a manter-se no mercado através da persuasão do consumidor. Em termos objetivos, são mínimas as empresas que possuem de fato a consciência do compromisso social.

16.No mundo atual onde os valores morais são cada vez mais postos de lado, onde só se vê corrupção, ganância, sensualidade, erotismo, vícios, como pode o espiritismo mudar a situação? (índice)

Resposta: Em termos objetivos, o mundo atual não é muito diferente do mundo "não atual", ou seja, do mundo antigo. Mudam-se as condições tecnológicas, os saberes se ampliaram, mas a realidade humana permanece com todas as suas velhas necessidades. O espiritismo é mais um instrumento auxiliar das transformações sociais, uma conquista da civilização que, bem utilizado, produzirá resultados ótimos. Cumpre a nós, espíritas, saber fazê-lo.


17.Como o espiritismo irá contribuir para a renovação sócio cultural, nesta sociedade de hoje com tantos valores invertidos, com a mídia atual deseducando ao invés de formar o cidadão para vida social e cultural saudável?

Resposta: Considero suficientes para essa pergunta as respostas anteriores.


18.Tenho observado que todas as Religiões Protestantes, bem como a Igreja Católica, são radicalmente contrárias à Doutrina Espírita. São unânimes em afirmar que o Espiritismo é demoníaco. Isso não atrapalha o trabalho de renovação sócio-cultural promovido pela Doutrina Espírita? Quantas pessoas poderiam se beneficiar de transformadoras mensagens, e, ao invés disso, temem o Espiritismo por ter obtido informações tão terríveis a seu respeito?

Resposta: Allan Kardec entendia que o espiritismo seria um poderoso auxiliar das religiões, pois oferecia a elas noções mais amplas e seguras da vida, mas as religiões não entenderam assim, pois entenderam que o espiritismo é para elas uma ameaça permanente. Os setores mais ortodoxos dessas religiões permanecem com essa visão e se sentem comprometidos em combater o perigo que supostamente lhes ronda, para proteger os seus fiéis. Por outro lado, os neopentecostais, especialmente aqueles que seguem a linha do bispo Edir Macedo, entendem que estamos numa guerra e guerra não permite pensar em ética. Assim, justificam seus combates às doutrinas que consideram perniciosas aos seus fiéis, entre as quais está o espiritismo. Agora, são esses que ameaçam o espiritismo com a supressão da liberdade, em nome de uma ideologia sectária. Não temos de entrar nessa guerra, mas também não podemos ficar de braços cruzados, em atitude passiva, pois a ameaça à liberdade de qualquer cidadão é mais do que um perigo para o cidadão; trata-se de um perigo para toda a sociedade. Já se disse que o preço da liberdade é a eterna vigilância. Ocorre, por outro lado, que parte da culpa pelo desconhecimento da sociedade em relação ao espiritismo e seus princípios fundamentais cabe aos próprios espíritas, uma vez que de uma parte não apreende devidamente o conhecimento da doutrina e, de outra, não desenvolve um diálogo com a sociedade em nível eficiente.

05 - RENOVAÇÃO

O ESPIRITISMO E A RENOVAÇÃO SOCIAL

Amilcar Del Chiaro Filho – do Correio Fraterno do ABC, julho 1997

A matéria da Rádio Boa Nova, extraída de um jornal diário, contava que: “quase 400 famílias tiravam o seu sustento de um lixão da prefeitura, disputando entre si carne, feijão e outros alimentos”.

Algumas pessoas foram entrevistadas, inclusive adolescentes, e demonstraram naturalidade ante a estranha fonte de alimentos. Talvez possa passar pela cabeça de alguém que essas criaturas estão resgatando o mau uso da fortuna de outras vidas, o que, de maneira alguma, exime a sociedade, como um todo, das suas responsabilidades.

Lembramos que Kardec perguntou aos Espíritos sobre aqueles que morrem de fome por sua própria culpa, por serem preguiçosos, indolentes ou perdulários, e os Espíritos responderam que ainda assim há culpa da sociedade, que deveria educá-los. Vivemos num mundo onde predomina o mal, onde a dualidade riqueza e miséria é impressionante, onde alguns vivem nababescamente, enquanto outros curtem uma miséria extrema, não raro acrescentada pela miséria moral. Jesus de Nazaré veio há dois mil anos trazendo uma nova mensagem, a do Reino de Deus.

As religiões entenderam que esse reino seria no outro mundo, para compensação dos infelizes depois da morte, mas os espíritas compreendem que Jesus de Nazaré não veio requisitar homens para viver no céu, mas sim, ensiná-los a instalar o Reino de Deus na Terra.

Reino de justiça, amor e caridade.

Em A Gênese, Capítulo Os Tempos são Chegados, pinçamos uma extraordinária e lúcida afirmação de Allan Kardec: “Não será o Espiritismo que criará a renovação social, será a maturidade dos homens que fará desta renovação uma necessidade. Pelo seu poder moralizador, pelas suas tendências progressivas , pela amplitude de suas perspectivas, pela generalidade das questões que abarca, o Espiritismo, mais do que qualquer outra doutrina, estará apto a secundar o movimento regenerador.

É por esse motivo que serão contemporâneos. Ele surgiu no momento em que podia ser útil, pois, também para ele, os tempos são chegados. Mais cedo, ele teria deparado com obstáculos intransponíveis, teria inevitavelmente sucumbido, porque os homens, satisfeitos, não sentiam ainda necessidade daquilo que ele proporciona. Hoje, surgido com o movimento das idéias que fermentam, encontra o terreno preparado para recebê-lo.

Os Espíritos cansados da dúvida e da incerteza, assustados com o abismo que se abre diante deles, acolhem-no como a uma tábua de salvação e uma suprema consolação.” Acreditamos que esse pronunciamento de Kardec tem dupla aplicação: por um lado tranqüiliza àqueles que temem que o Espiritismo enverede por uma ação política. Por outro lado, profliga o conservadorismo social do movimento espírita.

Vamos tentar explicar: também não concordamos com o Espiritismo engajado na política, mas sim influindo na ação política, exigindo honestidade, transparência e combatendo a corrupção. Cremos que esta é a obrigação da consciência espírita. O Espiritismo como doutrina é apolítico, mas o espírita não!

Com relação à tendência progressista, temos uma doutrina muito progressista em relação ás existentes, devido a reencarnação, causa e efeito, pluralidade dos mundos habitados, mediunidade, que dão um dinamismo extraordinário ao Espiritismo. Porém o discurso espírita ainda é conservador, centrado na culpa. Sofremos porque pecamos. Comemos o lixo hoje, porque passamos a “caviar” na vida anterior. Temos um inferno no relacionamento familiar porque traímos o cônjuge em outra vida. Ninguém sofre sem merecer...

Esses conceitos são conservadores, pois vêm sendo pregados há milhares de anos, perpetuando os fortes no poder. É por isso que nossa consciência dói, e dói muito, ao ver pessoas comendo lixo e morando em barracos podres. Será que estamos dizendo que Deus é injusto? Não! De maneira alguma, pois o crescimento é um processo que dói. Crescer, evoluir, traz sofrimentos, e Deus determinou que fôssemos os artífices do nosso progresso, construtores de nosso destino (entendamos como destino, aqui, a finalidade maior da vida, que é a perfeição).

Sonhamos com um mundo de igualdade, de paz, de justiça, de fraternidade, mas não podemos pensar que os Espíritos de luz virão construir esse mundo, porque é uma tarefa nossa, dos homens
que aqui vivem, secundados pelas idéias espíritas.