RESSURREIÇÃO
BIBLIOGRAFIA
01- A agonia das religiões - pág. 24, 84, 106 02 - A Gênese - cap. XV, 37
03 - Análise das coisas - pág. 130 04 - Antologia do perispírito - ref. 453,903
05 - Antônio de Pádua - pág. 77, 113 06 - Boa Nova - pág. 147(22)
07 - Caminho, Verdade e vida - pág. 149, 151 08 - Celeiro de bênçãos - pág. 23
09 - Curso Dinâmico de Espiritismo - pág. 109 10 - Falando à Terra - pág. 46, 178
11 - Lázaro redivivo - pág. 141, 220 12 - Mediunidade - pág. 38
13 - Nas pegadas do Mestre - pág. 186 14 - O espírito do cristianismo- pág. 100, 173
15 - O Evangelho Seg. o Espiritismo - cap. 4,4

16 - O fim do mundo - pág. 104

17 - O Livro dos Espíritos - q136, 1010 18 - O Redentor - pág. 159
19 - O solar de Apolo - pág. 90 20 - Parábolas e ensinos de Jesus - pág. 313
21 - Pedaços do Cotidiano - pág. 43 22 - Pérolas do Além - pág. 209
23 - Reencarnação - pág. 34, 46 24 - Ressurreição e vida - pág. 178
25 - Síntese de O Novo Testamento - pág. 136, 164 26 - Vida e atos dos apóstolos - pág. 146, 155

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RESSURREIÇÃO – COMPILAÇÃO

 

01 - A AGONIA DAS RELIGIÕES - J. HERCULANO PIRES - PÁG. 24

(...)As práticas místicas do passado provaram mal a sua eficácia. Do Oriente ao Ocidente, multidões de gerações de crentes desfilaram sem cessar, através dos milênios, pelos templos de todas as religiões, convictas de haverem alcançado a salvação pessoal, enquanto hordas ferozes e exércitos em guerras de extermínio brutal cobriam o mundo de ruínas, cadáveres inocentes, sangue e lágrimas. Os que ouviram Deus em audiência particular não se recusaram a pegar em armas para estraçalhar seus irmãos considerados como réprobos e infiéis. Santos Bispos e Padres, pastores calvinistas, crentes populares, fidelíssimos e humildes, não acenderam suas lâmpadas votivas para iluminar as noites trevosas. Preferiram acender fogueiras inquisitórias e, quando o sol raiava, submeter piedosamente os hereges à morte redentora do garrote-vil, réplica religiosa à guilhotina profana.


Lembro-me do episódio histórico de Jerônimo de Praga. Depois de haver assistido, pelas grades da prisão, seu mestre João Huss ser queimado vivo em praça pública, foi também glorificado com a graça especial de uma fogueira semelhante. No momento em que as chamas começavam a iluminar a sua figura estranha, caridosamente amarrada ao palanque do suplício (para salvação de sua alma rebelde) viu uma pobre velhinha aproximar-se da fogueira com uma acha de lenha e atirá-la ao fogo. Era a sua contribuição piedosa para a salvação do ímpio. Jerônimo exclamou apenas "Santa simplicidade!" Pouco depois estava reduzido a cinzas, para glória de Deus, e suas cinzas foram lançadas ritualmente nas águas do Reno. Todas as formas de culto, todos os ritos, todos os sacramentos, todas as cerimônias religiosas, todos os cilícios foram empregados nos milênios sombrios do fanatismo religioso, para a salvação da Humanidade. E eis que agora chegamos a um tempo de descrença generalizada, de materialismo e ateísmo oficializados de hipocrisia pragmática erigida em sustentáculo das religiões fracassadas.

Deus falava diretamente com seu servo Moisés no deserto, falava-lhe cara a cara ordenando matanças coletivas, genocídios tenebrosos destruição total dos povos que impediam o acesso dos hebreus à terra dos cananeus, que seria tomada a fio de espada. Deus continua falando em particular a seus servos em nossos dias, para a sustentação das igrejas enquanto o Diabo não perde tempo e alicia milhões de almas perdidas para as práticas do terrorismo, para a matança de crianças e criaturas inocentes, para assaltos e estupros em toda a face da Terra. A experiência de Deus sustenta os crentes privilegiados e sustenta suas igrejas salvacionistas. E enquanto não chega a salvação, católicos e protestantes matam-se gloriosamente nas lutas fraticidas da Irlanda, em plena era das mais brilhantes conquistas da inteligência humana. Que estranha experiência é essa, que não revela os seus frutos, que não prova a sua eficácia? Deus estaria, acaso, demasiado velho para não perceber a inutilidade dos seus métodos de salvação pessoal em audiências privadas? E os seus servidores, os clérigos investidos de autoridade divina para implantar na Terra o Reino do Céu, porque não avisam o velho monarca da inutilidade milenarmente provada de sua técnica de conta-gotas?


Não seria mais certo tentarmos a revisão dos conceitos religiosos que nos deram a herança de tantos fracassos e tão espantosa expansão do materialismo e do ateísmo no mundo? Todas as grandes religiões afirmam a onipresença de Deus no Universo. Não obstante, todas consideram o mundo (criado por Deus) como profano, região em que as trevas dominam e o Diabo faz a incessante caçada das almas de Deus. É curioso lembrar que nos tempos mitológicos o mundo era considerado sagrado, a vida uma bênção, os prazeres naturais e as leis da procriação eram graças concedidas pelos deuses aos homens. O monoteísmo judaico, desenvolvido pelo Cristianismo, impregnou o mundo com a onipresença de Deus e o mundo tornou-se profano. Se Deus está presente num grão de areia, numa folha de relva, num fio dos nossos cabelos e numa pena das asas de um pássaro, como, apesar dessa impreg­nação divina, o homem se defronta com a impureza do mundo? Por que estranho motivo necessitamos de ritos especiais para purificar a inocência de uma criança, se Deus está presente no seu olhar puro e límpido, no seu choro, na meiguice do seu rostinho ainda não marcado pelo fogo das paixões terrenas? E porque precisa o cadáver de recomendação, com aspersão de água benta, se a ressurreição dos mortos se faz, como ensina o Apóstolo Paulo na I Epístola aos Coríntios e como Jesus exemplificou na sua própria morte, no corpo espiritual e não no corpo material?


São esses e outros muitos problemas acumulados nos erros milenares dos teólogos que levam o homem contemporâneo à descrença e ao materialismo, ao ateísmo e ao niilismo. São todos esses erros que colocam as religiões em crise e as levarão à morte sem ressurreicão. Considerando-se, porém, esse estranho panorama religioso da Terra numa perspectiva histórica, à luz da razão, compreende-se facilmente que os erros de ontem, até hoje sustentados pelas religiões, foram úteis e necessários nos tempos de ignorância, em que os problemas espirituais não podiam ser colocados em termos racionais. Há justificativas válidas para o passado religioso, mas não justificativas possíveis para o seu presente contraditório e absurdo. A tese, mais do que absurda, do Cristianismo Ateu, com que teólogos rebeldes procuram hoje remendar as vestes esfarrapadas das igrejas, só vem acrescentar maior confusão ao momento de agonia das religiões envelhecidas.


O problema da experiência de Deus poderia ser resolvido com um mínimo de reflexão. Se Deus está em nós, e por isso somos deuses em potência, segundo a própria expressão evangélica, porque necessitamos de uma busca artificial de Deus para termos a experiência da sua realidade? Se fomos criados por Deus e se Deus pôs em nós a sua marca, como afirmou Descartes — a idéia de Deus em nós, que é inata — já não trazemos, ao nascer, a experiência de Deus? E se, no desenvolver da vida humana, o homem nada mais faz do que cumprir um desígnio de Deus, assistido pelos Anjos Guardiães, porque tem ele de buscar a Deus através de uma prática artificial e egoísta, procurando preservar-se sozinho num mundo em que a maioria se perde irremediavelmente? Moisés supunha ter ouvido o próprio Deus no Sinai, mas o Apóstolo Paulo explicou que Deus lhe falara através de mensageiros, que são anjos. As pessoas que buscam hoje a experiência de Deus em audiência privada serão mais dignas do que Moisés, não estarão sujeitas a ouvir a voz de um anjo, que tanto pode ser bom quanto mau, pois as próprias igrejas admitem que os anjos decaídos andam à solta pela Terra procurando roubar para o Inferno as almas de Deus? Quem estará livre, na sua piedosa tarefa de salvar-se a si mesmo, de ser tentado pelo Diabo, que tentou o próprio Jesus nas suas meditações solitárias no Deserto?


As práticas místicas do passado não servem para a era da razão, em que nos encontramos na antevéspera da era do espírito. Orar e meditar é evidentemente um exercício religoso respeitável e necessário em todos os tempos. A oração nos liga aos planos superiores do espírito e a meditação sobre questões elevadas desenvolve a nossa capacidade de compreensão espiritual. Mas o dogma da experiência de Deus através de um pretensioso colóquio direto e pessoal com a Divindade é uma proposição egoísta e vaidosa. Se Deus é o Absoluto e nós somos relativos, a humildade não nos aconselha a ter mais cautela em nossas relações pessoais com a Divindade? São muitos os casos de perturbações mentais, de obsessões perigosas, de lamentáveis desequilíbrios psíquicos decorrentes de exageradas pretensões das criaturas humanas no campo das práticas religiosas. A História das Religiões é marcada por terríveis experiências nesse sentido. Basta lembrarmos os casos de perturbações coletivas em conventos e mosteiros da Idade Média, onde os excessos de misticismo transformaram criaturas piedosas em vítimas de si mesmas, sujeitando-as não raro à própria condenação da igreja a que pertenciam e a que procuravam servir.


Os dogmas de fé, que formam a estrutura conceptual das igrejas, são as pedras de tropeço do seu caminho evolutivo. Partindo do princípio de que a Revelação Divina é a própria palavra de Deus dirigida aos homens, as igrejas se anquilosaram em seus dogmas intocáveis, pois a exegese humana não poderia alterar as ordenações ao próprio Deus. Na verdade, a alteração se verificou em vários casos, apesar disso, mas decisões conciliares puseram a última pá de cimento nos erros cometidos. As estruturas eclesiásticas tornaram-se rígidas e as igrejas confirmaram, no seu espírito, a ossatura de pedra de suas catedrais. Vangloriam-se ainda hoje da sua imutabilidade, num mundo em que tudo evolui sem cessar. Os resultados dessa atitude ilusória e pretensiosa só poderiam ser nefastos, como vemos atualmente no lento e doloroso processo de agonia das religiões. Incidiram assim no pecado do apego, contra o qual os Evangelhos advertiram os homens. Apegaram-se de tal maneira à própria vida, que perderam a vida em abundância que Jesus prometeu aos que se desapegassem. As liberalidades atuais chegaram demasiado tarde.


A palavra dogma é grega e seu sentido original é opinião. Adquiriu em filosofia e religião o sentido de princípio doutrinário. Nas Escrituras religiosas aparece algumas vezes com o sentido de édito ou decreto de autoridades judaicas ou romanas. Entre o dogma religioso e o filosófico há uma diferença fundamental. O dogma religoso é de fé, princípio de fé que não pode ser contraditado, pois provém da Revelação de Deus. O dogma filosófico é racional, dogma de razão, ou seja, princípio de uma doutrina racionalmente estruturada. O sentido religioso superou os demais por motivo das consequências muitas vezes desastrosas da sua rigidez e imutabilidade. Se falarmos, por exemplo, em dogmática, esse termo é geralmente entendido como designando a estrutura dos dogmas fundamentais de uma religião. Por isso, a adjetivação de dogmática, que implica também o masculino, como nas expressões: pessoa dogmática, posição dogmática ou homem dogmático, significa intransigência de opiniões.(...)

06 - BOA NOVA - HUMBERTO DE CAMPOS - PÁG.147

ÍTEM 22 - A MULHER E A RESSURREIÇÃO: As águas alegres do Tiberíades se aquietavam, lentamente, como tocadas por uma força invisível da Natureza, quando a barca de Simão, conduzindo o Senhor, atingiu docemente a praia. O velho apóstolo, abandonando os remos, deixava transparecer nos traços fisionômicos as emoções contraditórias de sua alma, enquanto Jesus o observava, adivinhando-lhe os pensamentos mais recônditos.— Que tens tu, Simão? — perguntou o Mestre, com o seu olhar penetrante e amigo. Surpreendido com a palavra do Senhor, o velho Cefas deu a perceber, por um gesto, os seus receios e as suas apreensões, como se encontrasse dificuldade em esquecer totalmente a lei antiga, para penetrar os umbrais da idéia nova, no seu caminho largo de amor, de luz e de esperança.— Mestre — respondeu com timidez —, a lei que nos rege manda lapidar a mulher que perverteu a sua existência.
Conhecendo, por antecipação, o pensamento do pescador e observando os seus escrúpulos em lhe atirar uma leve advertência, Jesus lhe respondeu com brandura: — Quase sempre, Simão, não é a mulher que se perverte a si mesma: é o homem que lhe destrói a vida. — Entretanto — tornou o apóstolo, respeitosamente —, os nossos legisladores sempre ordenaram severidade e rispidez para com as decaídas. Observando os nossos costumes, Senhor, é que temo por vós, acolhendo tantas meretrizes e mulheres de má vida, nas pregações do Tiberíades...


— Nada temas por mim, Simão, porque eu venho de meu Pai e não devo ter outra vontade, a não ser a de cumprir os seus desígnios sábios e misericordiosos. Assim falou o Mestre, cheio de bondade, e, espraiando o olhar compassivo sobre as águas, levemente encrespadas pelo beijo dos ventos do crepúsculo, continuou, num misto de energia e doçura:— Mas, ouve, Pedro! A lei antiga manda apedrejar a mulher que foi pervertida e desamparada pelos homens; entretanto, também determina que amemos os nossos semelhantes, como a nós mesmos. E o meu ensino é o cumprimento da lei, pelo amor mais sublime sobre a Terra. Poderíamos culpar a fonte, quando um animal lhe polui as águas? De acordo com a lei, devemos amar a uma e a outro, seja pela expressão de sua ignorância, seja pela de seus sofrimentos. E o homem é sempre fraco e a mulher sempre sofredora!...O velho pescador recebia a exortação com um brilho novo nos olhos, como se fora tocado nas fibras mais íntimas do seu espírito.— Mestre — retrucou, altamente surpreendido —, vossa palavra é a da revelação divina. Quereis dizer, então, que a mulher é superior ao homem, na sua missão terrestre?


— Uma e outro são iguais perante Deus — esclareceu o Cristo, amorosamente — e as tarefas de ambos se equilibram no caminho da vida, completando-se perfeitamente, para que haja, em todas as ocasiões, o mais santo respeito mútuo. Precisamos considerar, todavia, que a mulher recebeu a sagrada missão da vida. Tendo avançado mais do que o seu companheiro na estrada do sentimento, está, por isso, mais perto de Deus que, muitas vezes, lhe toma o coração por instrumento de suas mensagens, cheias de sabedoria e de misericórdia. Em todas as realizações humanas, há sempre o traço da ternura feminina, levantando obras imperecíveis na edificação dos espíritos. Na história dos homens, ficam somente os nomes dos políticos, dos filósofos e dos generais; todos eles são filhos da grande heroína que passa, no silêncio, desconhecida de todos, muita vez dilacerada nos seus sentimentos mais íntimos ou exterminada nos sacrifícios mais pungentes. Mas, também Deus, Simão, passa ignorado em todas as realizações do progresso humano e nós sabemos que o ruído é próprio dos homens, enquanto que o silêncio é de Deus, síntese de toda a verdade e de todo o amor.


Por isso, as mulheres mais desventuradas ainda possuem no coração o gérmen divino, para a redenção da humanidade inteira. Seu sentimento de ternura e humildade será, em todos os tempos, o grande roteiro para a iluminação do mundo, porque, sem o tesouro do sentimento, todas as obras da razão humana podem parecer como um castelo de falsos esplendores. Simão Pedro ouvia o Mestre, tomado de profundo enlevo e santificado fervor admirativo.— Tendes razão, Senhor! — murmurou, entre humilde e satisfeito.— Sim, Pedro, temos razão — replicou Jesus, com bondade. E será ainda à mulher que buscaremos confiar a missão mais sublime na construção evangélica dentro dos corações, no supremo esforço de iluminar o mundo. O apóstolo do Tiberíades ouvira as derradeiras palavras do Divino Mestre, tomado de surpresa. Conservou-se, no entanto, em silêncio, ante o sorriso doce do Messias. Muito distante, o último beijo do Sol punha um reflexo dourado no leque móvel das águas que as correntes claras do Jordão enriqueciam. Simão Pedro, fatigado do labor diário, preparou-se para descansar, com sua alma clareada pelas novas revelações da palavra do Senhor, as quais, cheias de luz e esperança divinas, dissipavam as obscuridades da lei de Moisés.


Dois dias eram passados sobre o doloroso drama do Calvário, em cuja cruz de inominável martírio se sacrificara o Mestre, pelo bem de todos os homens. Penosa situação de dúvida reinava dentro da pequena comunidade dos discípulos. Quase todos haviam vacilado na hora extrema. O raciocínio frágil do homem lutava por compreender a finalidade daquele sacrifício. Não era Jesus o poderoso Filho de Deus que consolara os tristes, ressuscitara mortos, sarara enfermos de doenças incuráveis? Por que não conjurara a traição de Judas com as suas forças sobrenaturais? Por que se humilhara assim, sangrando de dor, nas ruas de Jerusalém, submetendo-se ao ridículo e à zombaria? Então, o emissário do Pai Celestial deveria ser crucificado entre dois ladrões?! Enquanto essas questões eram examinadas, de boca em boca, a lembrança do Messias ficava relegada a plano inferior, olvidada a sua exemplificação e a grandeza dos seus ensinamentos. O barco da fé não soçobrara inteiramente, porque ali estavam as lágrimas do coração materno, trespassado de amarguras. O Messias redivivo, porém, observava a incompreensão de seus discípulos, como o pastor que contempla o seu rebanho desarvorado.

Desejava fazer ouvida a sua palavra divina, dentro dos corações atormentados; mas, só a fé ardente e o ardente amor conseguem vencer os abismos de sombra entre a Terra e o Céu. E todos os companheiros se deixavam abater pelas idéias negativas. Foi então, quando, na manhã do terceiro dia, a ex-pecadora de Magdala se acercou do sepulcro com perfumes e flores. Queria, ainda uma vez, aromatizar aquelas mãos inertes e frias; queria, uma vez mais, contemplar o Mestre adorado, para cobri-lo com o pranto do seu amor purificado e ardoroso. No seu coração estava aquela fé radiosa e pura que o Senhor lhe ensinara e, sobretudo, aquela dedicação divina, com que pudera renunciar a todas as paixões que a seduziam no mundo. Maria Madalena ia ao túmulo com amor e só o amor pode realizar os milagres supremos. Estupefata, por não encontrar o corpo, já se retirava entristecida, para dar ciência do que verificara aos companheiros, quando uma voz carinhosa e meiga exclamou brandamente aos seus ouvidos:— Maria!...Ela se supôs admoestada pelo jardineiro; mas, em breves instantes reconhecia a voz inesquecível do Mestre e lhe contemplava o inolvidável sorriso. Quis atirar-se-lhe aos pés, beijar-lhe as mãos num suave transporte de afetos, como faziam nas pregações do Tiberíades; porém, com um gesto de soberana ternura, Jesus a afastou, esclarecendo:


— Não me toques, pois ainda não fui a meu Pai que está nos céus!...Instintivamente, Madalena se ajoelhou e recebeu o olhar do Mestre, num transbordamento de lágrimas de inexcedível ventura. Era a promessa de Jesus que se cumpria. A realidade da ressurreição era a essência divina, que daria eternidade ao Cristianismo. A mensagem da alegria ressoou, então, na comunidade inteira. Jesus ressuscitara! O Evangelho era a verdade imutável. Em todos os corações pairava uma divina embriaguez de luz e júbilos celestiais. Levantava-se a fé, renovava-se o amor, morrera a dúvida e reerguera-se o ânimo em todos os espíritos. Na amplitude da vibração amorosa, outros olhos puderam vê-lo e outros ouvidos lhe escutaram a voz dulçorosa e persuasiva, como nos dias gloriosos de Jerusalém ou de Cafarnaum. Desde essa hora, a família cristã se movimentou no mundo, para nunca mais esquecer o exemplo do Messias. A luz da ressurreição, através da fé ardente e do ardente amor de Maria Madalena, havia banhado de claridade imensa a estrada cristã, para todos os séculos terrestres. É por isso que todos os historiadores das origens do Cristianismo param a pena, assombrados ante a fé profunda dos primeiros discípulos que se dispersaram pelo deserto das grandes cidades para pregação da Boa Nova, e, observando a confiança serena de todos os mártires que se têm sacrificado na esteira infinita do Tempo pela idéia de Jesus, perguntam espantados, como Ernest Re-nan, numa de suas obras:— Onde está o sábio da Terra que já deu ao mundo tanta alegria quanto a carinhosa Maria de Magdala?

16 - O FIM DO MUNDO - CAMILLE FLAMMARION - PÁG. 104

CAPITULO VI - A crença no fim do mundo através dos tempos : "Je vis dans Ia nuée un clairon monstrueux. Et cê clairon semblait, au seuil profond dês cieux. Calme, attendre lê souffle immense de 1'Archange". VICTOR HUMO, ia Trompette du Jugement.
Importa fazer aqui ligeira pausa no turbilhão dos acontecimentos que nos empolgam, a fim de comparar esta nova expectativa do fim do mundo a todas as precedentes, bosquejando a traços rápidos a história curiosa desse evento, através de todos os tempos. De resto, no mundo inteiro, em todas as línguas, não se falava, agora, de outra coisa. Os discursos dos eminentes sacerdotes prosseguiram na capela Sixtina e desfecharam na interpretação resumida pelo cardeal arcebispo de Paris, quanto ao dogma — Credo resurrectionem camis. O sequente et vitam alternam ficara tacitamente relegado à perspicácia dos futuros astrônomos e psicólogos. Esses discursos haviam, de algum modo, historiado a doutrina cristã do fim do mundo, em todos os tempos. Estudo curioso, por isso que representa ao mesmo tempo a história do pensamento humano, em face do seu próprio e definitivo destino. Julgamos, assim, dever aqui expô-lo em capítulo especial. Deixamos por instantes o papel de narrador do século XXV, para regressar à nossa época e resumir a crença dos tempos anteriores.


Séculos houve, de fé ardente e profunda, nos quais — importa considerar —, fora da doutrina cristã, todas as religiões abriram a mesma porta para o desconhecido, no extremo limite da jornada terrena. E' a porta do Dante na Divina Comédia, posto que todas não- houvessem imaginado, para além dessa porta simbólica, o paraíso, o inferno e o purgatório dos cristãos. Zoroastro e o Zendavestá ensinavam que o mundo devia perecer de ignição. A mesma idéia se encontra na epístola de S. Pedro. Parecia que as tradições de Noé e do Deucalião indicavam uma primeira destruição pela água e a segunda pelo elemento contrário. Entre os Romanos, Lucrécio, Cícero, Virgílio, Ovídio, têm a mesma linguagem e anunciam a destruição final pelo fogo. No capítulo anterior, vimos que, no pensamento de Jesus, a geração a que se dirigia não deveria morrer antes da catástrofe anunciada. São Paulo, o verdadeiro fundador do Cristianismo, apresenta a crença na ressurreição e no próximo fim do mundo, como dogma fundamental da nova Igreja. E chega mesmo a repeti-lo oito ou nove vezes, em sua 1ª Epístola aos Coríntios.


Infelizmente para o profeta, os discípulos, aos quais assegurara que não morreriam antes do advento, sucumbiram uns após outros, de morte comum. São Paulo, que não conhecera pessoalmente a Jesus, mas que era o mais ativo apóstolo da igreja nascente, acreditava vivesse ele mesmo até o dia da grande aparição. Contudo, todos faleceram e o predito fim do mundo, com a volta definitiva do Messias, não se realizou. Nem por isso a crença desapareceu. Deixava-se, apenas, de interpretar à letra a predição do Mestre, para buscar-lhe o espírito. Contudo, nãa deixou de ser um grande golpe na crença evangélica.. . Passaram a amortalhar piedosamente os mortos, a encerrá-los em sarcófagos, sobre os quais inscreviam epitáfios que diziam ali dormirem eles até o dia da ressurreição. Jesus deveria voltar "breve", a fim de julgar "os vivos e os mortos". A senha de identificação dos cristãos era Maran atha, que se traduz por —o Senhor virá. Os apóstolos Pedro e Paulo morreram, provavelmente, no ano 64, durante a horrível carnificina ordenada por Nero, após o incêndio de Roma, engendrado por ele e depois atribuído aos cristãos, para ensejar-se o gozo de novos suplícios. S. João escreveu o Apocalipse em 69. Uma onda de sangue se espalha sob o reinado do verdugo. Dir-se-ia que o martírio era o galardão da virtude.

O Apocalipse parece escrito no âmbito da alucinação coletiva e prefigura em Nero o anticristo, precursor da volta do Messias. Surgem os prodígios de toda a parte Cometas, estrelas cadentes, chuva de sangue, monstros, tremores de terra, fome, peste e, sobretudo, a guerra dos Judeus e a queda de Jerusalém. Nunca— poder-se-á talvez dizer — se acumularam tantos horrores em tão curto período de anos. (64 a 69). Porque o mesmo Senhor do céu descerá com algazarras, e com voz de Arcanjo, e com a trombeta de Deus: e os que em Cristo morreram, primeiro ressuscitarão: — Depois nós outros, que ficarmos vivos, seremos com eles juntamente arrebatados, "saindo" ao encontro do Senhor em o ar: e assim estaremos sempre com o Senhor. — Assim, que uns aos outros consolai-vos com estas palavras. A pequena igreja de Jesus parecia estar completamente dispersada. Em Jerusalém fora, impossível permanecer. O Terror de 1793 e a Comuna de 1871 nada representam ao lado da guerra civil da Judéia. A família de Jesus teve de fugir da cidade santa. Jaques, irmão de Jesus, fora assassinado. Falsos profetas surgiam para que se completasse a profecia. O Vesúvio elaborava a tremenda erupção de 79, e já em 63 Pompéia tinha sido abalada, por um tremor de terra.


Patentes estavam, pois, todos os prenúncios do fim do mundo. O Apocalipse o confirma, Jesus vai repontar num trono de nuvens, os mártires serão os primeiros a ressuscitar. O anjo julgador aguarda apenas a ordem de Deus. Mas, após a tempestade veio a bonança, terminou a guerra dos Judeus, o templo de Jerusalém não mais se reconstruirá, Nero sucumbe com a revolução de Galba, Vespasiano e Tito promovem a paz (ano 71) e... o mundo não acabou. Impôs-se, desde então, uma nova interpretação evangélica. O advento do Cristo foi procrastinado para quando se consumasse a derrocada do velho mundo romano, oferecendo, assim, tal ou qual margem aos comentadores. A catástrofe final permanecia como infalível, mesmo próxima, in novíssimo die, embora atufada de nuvens imprecisas, que lhe tiram todo o sentido literal, e mesmo espiritual, das profecias. Não obstante, continua-se a esperar. Santo Agostinho consagra o XX capítulo de a Cidade de Deus (ano 426), a pintar a renovação do mundo, a ressurreição, o juízo final e a Nova Jerusalém. O livro XXI reporta-se à descrição do fogo eterno. O bispo de Cartago, diante do fracasso de Roma e do império, presume assistir ao primeiro ato do drama. (...)

17 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - ALLAN KARDEC - QUESTÕES - 136, 1010

Perg. 136 - A alma é independente do princípio vital? - O corpo não é mais que o envoltório, sempre o repetimos.
Perg. 136a - O corpo pode existir sem a alma? - Sim, e não obstante, desde que o corpo deixa de viver, a alma o abandona. Antes do nascimento, não há uma união decisiva entre a alma e o corpo, ao passo que, após o estabelecimento dessa união, a morte do corpo, rompe os liames que a unem a ele, e a alma o deixa. A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo sem vida orgânica.


Perg. 1010 - O dogma da ressurreição da carne é a consagração da reencarnação ensinada pelos Espíritos ?— Como quereis que seja de outro modo? Dá-se com essa expressão o que se dá como tantas outras, que só parecem desarrazoadas aos olhos de certas pessoas que a tomam ao pé da letra e por isso são levadas a incredulidade. Dai-lhe, porém, uma interpretação lógica e esses a que chamais livres-pensadores a admitirão sem dificuldades, precisamente porque raciocinam. Não vos enganeis, esses livres-pensadores nada mais procuram do que crer; eles têm, como os outros, mais talvez do que os outros, ansiedade pelo futuro, mas não podem admitir o que é absurdo para a Ciência. A doutrina da pluralidade das existências se conforma a justiça de Deus; somente ela pode explicar o que sem ela é inexplicável. Como quereríeis que esse princípio não estivesse na religião!

Perg. 1010a. - Então a Igreja, pelo dogma da ressurreição da carne, ensina a doutrina da reencamação? - Isso é evidente. Essa doutrina é a consequência de muitas coisas passaram despercebidas e que não se tardará a compreender nesse ido; dentro em pouco se reconhecerá que o Espiritismo ressalta a-cada passo do próprio texto das Escrituras Sagradas. Os Espíritos não vêm, portanto, subverter a religião, como pretendem alguns, mas vêm, pelo contrário, confirmá-la, sancioná-la por meio de provas irrecusáveis. E corno é chegado o tempo de substituir a linguagem figurada, falam sem alegorias, dando às coisas um sentido claro e preciso que não possa ser objeto de nenhuma falsa interpretação. Eis porque dentro de algum tempo tereis mais pessoas sinceramente religiosas e crentes do que as tendes hoje. São Luís.

A Ciência demostra a impossibilidade da ressurreição segundo a idéia vulgar. Se os despojos do corpo humano permanecessem homogêneos, embora dispersados e reduzidos a pó, ainda se conceberia a sua reunião em determinado tempo; mas as coisas não se passam assim. O corpo é formado por elementos diversos; oxigênio, hidrogênio, azoto, carbono etc. Pela decomposição, esses elementos se dispersam, mas vão servir à formação de novos corpos, e isso de tal maneira que a mesma molécula, por exemplo, de carbono, entrará na composição de muitos milhares de corpos diferentes (não falamos senão dos corpos humanos, sem contar os dos animais). Dessa maneira um indivíduo pode ter em seu corpo moléculas que pertenceram aos homens dos primeiros tempos. E essas mesmas moléculas orgânicas que absorveis nos vossos alimentos provêm talvez do corpo de um indivíduo que conhecestes, e assim por diante. Sendo a matéria de quantidade definida e suas transformações em número indefinido, como poderia cada um desse corpos reconstituir-se com os seus mesmos elementos? Há nisso uma impossibilidade material. Não se pode, portanto, racionalmente admitir a ressurreição da carne, senão como uma figura simbolizando o fenômeno da reencarnação. E então nada há que choque a razão, nada que esteja em contradição com os dados da Ciência.

25 - SÍNTESE DE O NOVO TESTAMENTO - MÍNIMUS - PÁG. 136, 164

A ressurreição de Lázaro. (Jo., 11:1 a 57; 12:9 a 11)
Estava doente um homem chamado Lázaro, da aldeia de Betânia, onde residiam Maria e Marta, sua irmã. Maria era a que derramara bálsamo perfumado sobre o Senhor e lhe enxugara os pés com os seus cabelos. Lázaro, o que estava enfermo, era seu irmão. Suas irmãs mandaram dizer a Jesus: — Senhor, eis que está doente aquele a quem amas. — Ao receber a notícia, disse Jesus: — "Esta doença não é para a morte, mas para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado". Ora, Jesus estimava a Marta e a sua irmã e a Lázaro. Entretanto, sabendo-o doente, demorou-se ainda dois dias no lugar onde estava. Depois, passado esse tempo, disse a seus discípulos: — "Voltemos para a Judeia". — Perguntaram-lhe os discípulos: — Mestre, ainda agora queriam os judeus apedrejar-te, e voltas para lá? — Respondeu Jesus: — "Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia não tropeça, porque vê a luz deste mundo; mas se alguém andar de noite, tropeça, porque lhe falta a luz".


— Falou-lhes assim e depois lhes disse: — "Nosso amigo Lázaro dorme profundamente, mas vou despertá-lo do seu sono". — Observaram-lhe, então, os discípulos:— Senhor, se ele dorme, ficará bom. Jesus tinha falado da morte de Lázaro; mas eles supunham que falasse do repouso do sono. Disse-lhes, pois, Jesus abertamente: — "Lázaro morreu; e por vossa causa eu me alegro de não me achar lá, para que creais; mas vamos ter com ele". Disse então Tomé, chamado Dídimo, aos seus condiscípulos: — Vamos também nós, para morrermos com ele. Ao chegar, Jesus o encontrou já com quatro dias de túmulo. Ora, Betânia distava de Jerusalém cerca de três quilômetros; e muitos judeus tinham vindo ter com Marta e Maria para as consolar da morte de seu irmão. Marta, quando soube que Jesus vinha, saiu-lhe ao encontro, ficando Maria em casa. Disse então Marta a Jesus:— Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. E mesmo agora sei que tudo o que pedires a Deus, Deus o concederá. — Respondeu-lhe Jesus: — "Teu irmão há-de ressurgir". — Eu sei, replicou Marta, que ele há-de ressuscitar na ressurreição, no último dia.


— Disse-lhe Jesus: — "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá; crês isto ?" — Sim, Senhor — respondeu ela — eu já creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mun
do. — Tendo dito isto, foi ela chamar a Maria, sua irmã, e lhe disse em particular: — Está aí o Mestre e te chama. Ela, ouvindo isto, levantou-se rapidamente e foi ter com ele, pois Jesus ainda não havia entrado na aldeia,—mas permanecia no lugar onde Marta o encontrara. Os judeus que estavam com Maria, em sua casa, a consolá-la, vendo-a levantar-se depressa e partir, seguiram-na, pensando que ela ia ao túmulo para ali chorar. Quando Maria chegou ao lugar onde estava Jesus, ao vê-lo, se lhe lançou aos pés, dizendo: — Senhor, se tivesses estado aqui, não teria morrido meu irmão. Vendo Jesus que ela chorava e que os judeus que com ela tinham vindo também choravam, gemeu em espírito, inquietou-se e perguntou: — "Onde o pusestes?" — Eles lhe responderam: — Senhor, vem e vê. Jesus chorou. Os judeus, então, diziam: — Vede como ele o amava! — Mas alguns deles disseram: — Não podia este homem, que abriu os olhos ao cego, fazer que estoutro não morresse? — Jesus, gemendo outra vez em si mesmo, foi ao túmulo; era este uma gruta, a cuja entrada estava posta uma pedra.

Jesus disse: — "Tirai a pedra". — Disse-lhe Marta, irmã do morto: — Senhor, ele já cheira mal, pois que está morto há quatro dias. — Respondeu-lhe Jesus: — "Não te disse eu que, se creres, verás a glória de Deus?" — Tiraram, então, a pedra. Jesus, levantando os olhos, disse: — "Pai, graças te dou por me teres ouvido. Eu bem sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causa desta multidão que me cerca, a fim de crerem que tu me enviaste". — Tendo assim falado, bradou em voz alta: — 'Lázaro, sai para fora". Saiu aquele que estivera morto, ligados os pés e as mãos com faixas, e envolto o seu rosto num sudário. — Disse-lhes Jesus: — "Desatai-o e deixai-o ir". — Muitos dos judeus que vieram ter com Maria e viram o que fizera Jesus, creram nele. Alguns deles, porém, foram ter com os fariseus e lhes contaram o que Jesus tinha feito. Então os principais sacerdotes e os fariseus convocaram uma reunião do sinédrio e disseram: — Que faremos nós, pois que esse homem faz muitos sinais? Se o deixarmos assim, todos crerão nele; e virão os romanos e nos tirarão tanto o nosso lugar como a nossa nação. Caifás, porém, um dentre eles, sumo sacerdote naquele ano, disse-lhes: — Vós nada sabeis, nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo, e que não pereça toda a nação.

Ora, ele não disse isto de si mesmo; mas, sendo sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus havia de morrer pela nação; e não somente pela nação, mas também para unificar os filhos de Deus que se dispersaram. Desde aquele dia resolveram tirar-lhe a vida e a de Lázaro. Por isso, já não andava Jesus abertamente entre os judeus, mas retirou-se dali para uma região próxima do deserto, para uma cidade chamada Efraim, e aí ficou com os discípulos. Estando próxima a Páscoa dos judeus, muitos daquela região subiram a Jerusalém, antes da Páscoa, para se purificarem. Procuravam a Jesus e perguntavam uns aos outros, no templo: — Que vos parece? Não virá ele à festa? — Ora, os principais sacerdotes e os fariseus tinham dado ordens para que, se alguém soubesse onde ele estava, o denunciasse, para o prenderem .

Filhos da ressurreição.- (Mat., 22:23 a 33; Mar., 12:18 a 27; Luc., 20:27 a 40)
Naquele dia vieram alguns saduceus, homens que negam a ressurreição, e lhe fizeram esta pergunta: — Mestre, Moisés disse: Se alguém morrer sem deixar filhos, seu irmão casará com a viúva e dará descendência ao falecido. Ora, havia entre nós sete irmãos: o primeiro, depois de casado, morreu, e, não havendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão; do mesmo modo também o segundo e o terceiro, até ao sétimo. Depois de todos eles, morreu a mulher. Na ressurreição, quando tornarem a viver, de qual deles será a mulher? pois os sete casaram com ela. — Respondeu-lhes Jesus: — "Os filhos deste mundo se casam e dão-se em casamento; mas aqueles que forem julgados dignos de alcançar o mundo vindouro e a ressurreição dentre os mortos, não se casam nem se dão em casamento; pois não podem mais morrer, porque são iguais aos anjos dos Céus, e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição. Mas que os mortos ressuscitam, Moisés o indicou na passagem a respeito da sarça, onde se diz que o Eterno é o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob. Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; pois todos vivem para ele". Alguns dos escribas disseram: — Mestre, falaste bem. — Ouvindo isto, o povo se admirava da sua doutrina. E não ousaram mais perguntar-lhe coisa alguma.