SANTOS
BIBLIOGRAFIA
01- AÇÃO E REAÇÃO, pag. 159 02 - AFINAL, QUEM SOMOS?, pag. 100
03 - ALQUIMIA DA MENTE, pag. 289 04 - CONTOS DESTA E DOUTRAS VIDAS, pag. 177
05 - CONTOS E APÓLOGOS, pag. 9 06 - DO PAÍS DA LUZ (Volume I), pag. 123
07 - LUZ ACIMA, pag. 115 08 - O HOMEM NOVO, pg. 28, 38
09 - O SER E A SERENIDADE, pag. 117 10 - PÉROLAS DO ALÉM, pag. 214

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

SANTOS – COMPILAÇÃO

01 - SANTOS

Maria ganhou muitos nomes pelos católicos. Por exemplo: Nossa Senhora de Fátima, pela aparição em Fátima (Portugal); Nossa Senhora Aparecida, por ter sido encontrado uma imagem na cidade de Aparecida durante uma pesca; o título de rainha, etc., são nomes e títulos que a Igreja Católica deu a Maria. Para nós espíritas ela foi aqui na Terra, Maria a mãe de Jesus. Hoje, é um espírito que continua a trabalhar na Seara do Senhor, não mais como mãe, mas como irmã de Jesus e de todos nós, já que aprendemos que somos todos filhos de Deus, e aqui na Terra nós não “somos” mães, filhos, netos, etc., nós “estamos” por um breve tempo desempenhando tais papéis. Temos grande admiração e respeito a este espírito que aceitou a missão de receber o maior espírito que o planeta Terra já recebeu: JESUS. E foi ele que pediu que fossemos "mansos como as pombas, mas prudentes como as serpentes". E nós somos mansos como as pombas e nos esquecemos de ser prudente como a serpente. E tudo que os outros dizem, nós acreditamos. Vejamos que na idade média, a religião tradicional dizia para o povo que o mundo ia acabar. E o povo saía entregando as fazendas, as cabras, as casas, para a religião dominante. Mas, se o mundo ia acabar, porque a religião recebia? E ninguém refletia sobre isto? Mostrando como somos tolos. Temos que pensar no que está sendo apregoado, se faz sentido. E na maioria das vezes, veremos que são coisas ridículas. E os zombeteiros tiram proveito disso, enquanto nós nos conformamos dizemos que isso é das religiões. As pessoas mais atentas dirão: “Tá vendo, o que a religião faz com a cabeça dos outros?” Mas não é a religião, são alguns religiosos encarnados ou desencarnados, ou pseudo religiosos, seria melhor dizer, que se valem do nome da crença, da atitude das pessoas, da imaturidade emocional dos indivíduos, e saem por ai pregando.

J. Raul Teixeira conta, em uma de suas palestras que certa vez, no seu Estado (R.J.), apareceu um indivíduo com um cobertor nas costas, fazendo profecia e dizendo que aquele cobertor havia sido mandado tecer por Maria de Nazaré para ele. E as pessoas iam lá colocar a mão no tal cobertor e queriam levar um pedacinho. E conclui dizendo: “em pleno século 21, é um vexame. Muita gente sofre enganos, é enganada, é iludida, furtada, roubada, porque não amadureceu emocionalmente, intelectualmente, não aprendeu a raciocinar. E estes quesitos não podem ser imputados à Deus, à Jesus e nem à religião, mas sim, aos grupos sócio-econômico, político-econômico, que adotam os nomes das religiões. Bom senso e água fluidificada, não fazem mal a ninguém. É a ingenuidade que faz com que as pessoas busquem este tipo de coisa. Isso vai gerando a ignorância cada vez maior das pessoas. Quando alguém ouve que apareceu Nossa Senhora na janela, o povo todo marcha para lá. Encontraremos universitários ou não, é uma ignorância generalizada. Usemos o raciocínio e perguntemos: “Será que Nossa Senhora não tem mais o que fazer nos páramos celestiais?” ; “Será que para ajudar a humanidade ela precisa vir aqui em São Paulo, Rio de Janeiro, etc.?”; “Por que Maria não apareceria para os povos africanos, japoneses ou da Etiópia?” Por detrás desta psicologia da credulidade tem sempre alguém tirando vantagem. Nós estamos desacostumados a pensar. Nós estamos acostumados a acreditar. Somos pouco criteriosos. O Espiritismo está nos ajudando a pensar, questionar e não aceitar tudo que nos dizem.”

O QUE É SANTO NA VISÃO ESPÍRITA? André Luiz responde: “É um atributo dirigido a determinadas pessoas que aparentemente atenderam, na Terra, à execução do próprio dever.” Os santos são chamados pela Doutrina Espírita de socorristas, e estes trabalham e não querem outro pagamento a não ser adquirir vontade de serem bons e servos de Jesus. Trabalham por toda parte, nos umbrais, nos postos de socorro e também ajudam os encarnados e muitas vezes, atendem os chamados de fé em nome das diversas entidades conhecidas na Terra (Maria, Jesus, Expedito, etc.). Há grande concentração de socorristas em lugares de romaria onde muitos oram e fazem pedidos. Estes abnegados trabalhadores atendem em nome de Nossa Senhora, dos diversos santos, de Jesus, etc. Os bons acodem sempre. Se os pedidos são mais complexos, são encaminhados a ministérios próprios e analisados pelos que lá trabalham. Para serem atendidos, são levados em conta alguns critérios como: “O que pede é bom para ele?” As vezes, pede-se uma graça que seria um bem no momento, e causa de dor no futuro; pedem fim de sofrimentos, doenças e às vezes não se pode interromper o curso de seu resgate; também é levado em conta, se ao receber a graça, a pessoa melhora se voltando mais ao “Pai”. Se aprovado, vão os socorristas e ajudam a pessoa, não importando a eles para quem foi feito o pedido, embora, há equipes que trabalham atendendo os pedido à Nossa Senhora, santos do lugar, etc . . . Podemos também ser atendidos pelos próprios santos, que nada são que servos de Jesus.

O ESPÍRITA FAZ PROMESSA? Não. Promessa é costume dos católicos. Nós espíritas não barganhamos com Deus, Maria ou qualquer outro "santo". Por exemplo, há quem vá a Aparecida do Norte para agradecer a Nossa Senhora (Maria) por um pedido alcançado como se ela estivesse lá. Caminham quilômetros, carregam cruzes, velas, sobem ladeiras de joelhos, etc. Nós espíritas questionamos: "será que ela não ficaria mais contente se fizessem algo por alguém para retribuir o que "ela" fez?" O sacrifício que Maria, Deus, Jesus e os benfeitores espirituais querem de nós é o da alma e não a do corpo físico. É a reforma íntima onde nos despojamos dos sentimentos, atitudes e palavras inferiores. Estes Espíritos de grande evolução que viveram e vivem conosco neste planeta devem ser exemplos para que sigamos seus ensinamentos na prática e não para virarem "santos(as)" para que, depois de sua desencarnação fiquemos pedindo, pedindo e pedindo. Aliás, eles também fazem seus pedidos e nós não lhes damos ouvidos. Perguntemos: "Como estamos tratando nossos familiares, nossos colegas de escola ou trabalho?" "Nós perdoamos ou revidamos as ofensas?" "Respeitamos os mais velhos, os animais, as crianças, o próximo e a nós mesmos?" Enquanto isso, muitos comercializam o nome de Maria e sua falsa imagem, pois ela era simples como o filho, não usaria coroa de ouro e não aceitaria estar vestida com roupa cuja franja é de ouro 14 K, as lantejoulas vieram da Tchecoslovaquia, o veludo é inglês e sua imagem é guardada em uma caixa de ouro. Precisamos lembrar que Jesus repreendeu o comércio no templo religioso. Este é o que o espírita pensa, sem querer impor ou ir contra quem pensa e age de maneira diferente.

OS ESPÍRITAS ACREDITAM EM MILAGRE? As curas realizadas por Jesus, por exemplo, foram consideradas pelo povo como milagres, no sentido que a palavra tinha na época: o de coisa admirável, prodígio. Atualmente, o Espiritismo esclarece que os fenômenos de curas se dão pela ação fluídica, transmissão de energias, intervenção no perispírito, e permite examinar e compreender as curas realizadas por médiuns (espíritas ou não); por pessoas dotadas de excelente magnetismo; ou direto pelos socorristas (santos) desencarnados. Essa explicação não diminui nem invalida as curas admiráveis, feitas por Jesus; pelo contrário, leva-nos a reconhecer que Jesus tinha alto grau de sabedoria e ação, para poder acionar assim as leis divinas e produzir tais fenômenos. Os fatos como milagres nada mais são do que fenômenos; fenômenos que estão dentro das leis naturais; são efeitos cuja causa escapa à razão do homem comum. Podem ocorrer sempre que se conjuguem os fatores necessários para isso.

E A VIRGINDADE DE MARIA? A virgindade perene de Maria, defendida pelos teólogos medievais, mesmo os mais ilustres como Agostinho e Tomás de Aquino, entranhou-se de tal forma na mente popular que se incorporou ao seu nome. Os fiéis evocam a Virgem Maria. No entanto, a virgindade da mãe de Jesus, que teria sido preservada mesmo depois do parto, contraria os textos evangélicos, onde está registrado que ela teve outros filhos. Em Mateus (13:53-56) diz o povo, em Nazaré, onde Jesus acabara de fazer uma pregação: Não é este o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? E suas irmãs, não moram conosco? Então, de onde vem tudo isso? Pretendem os teólogos que os enunciados irmãos de Jesus eram primos ou, então, filhos de um primeiro casamento de José. Mera especulação. Por outro lado, Lucas foi o único evangelista a registrar o episódio da anunciação. Médico grego, discípulo do apóstolo Paulo, não conviveu com Jesus. Escreveu seu Evangelho com base na tradição oral ( transmissão oral de fatos ), décadas mais tarde. Jesus tornara-se uma figura mitológica, e nada melhor para exaltar o homem mito do que situá-lo como filho de uma virgem. Outro motivo ponderável para que se optasse pela virgindade de Maria: o sexo.

O simbolismo sobre o suposto pecado cometido por Adão e Eva resultou na perda do paraíso, como encontra-se no Livro Gênese, do Velho Testamento. Sexo, portanto, era sinônimo de pecado. Os casais eram orientados a buscar a comunhão carnal apenas com o objetivo de procriação. Os teólogos, buscavam fórmulas para que o sexo, que não podiam proibir, sob pena de extinguirem a raça humana, fosse minimizado na vida familiar e exercitado não como parte da comunhão afetiva, mas exclusivamente para a procriação.

O sexo era vedado aos domingos, dias consagrados ao Senhor; no jejum de quarenta dias, antes da Páscoa; vinte dias antes do Natal; dias antes de Pentecostes; três ou mais dias antes de receber a comunhão; durante o período menstrual, semanas entes e depois do parto . . . Quanto menos tempo disponível, menos pecado. Para conter os fiéis apregoava-se que o sexo nos períodos proibidos gera filhos deficientes físicos e mentais e doenças como a lepra e a tuberculose. Vítimas inocentes das supostas artes do original casal, estamos todos maculados pelo seu “pecado”. Todos menos Maria. Por graça de exceção ela teria nascido pura, imaculada. A idéia da “imaculada conceição” gerou um problema para os teólogos. Segundo o dogma do pecado original experimentamos a morte por causa dele. Então, se Maria nasceu sem essa mácula não poderia morrer. Resolveu-se a questão com outro dogma: a assunção de Maria. Ela não morreu. Foi arrebatada aos céus em corpo e espírito! Não há limites para a fantasia quando renunciamos à lógica e ao bom senso.

Kardec situa Maria como a imaculada, não sob o ponto de vista físico, mas espiritualmente. Porque para nós espírita SEXO não é pecaminoso. Pecaminoso é a maneira que alguns utilizam o SEXO.
Porque este foi feito para gerar vida, e muitos acham que a vida foi feita para o sexo. Se sexo fosse errado, Deus teria arrumado outro meio para que seus filhos fossem gerados na Terra. Portanto, para nós espíritas, Maria será sempre um grande espírito, tenha ela sido virgem ou não.

DE QUEM É A FOTO ACIMA? É de Maria, ditada por Emmanuel ao pintor Vicente Avela através da mediunidade de Chico Xavier. Em uma rápida entrevista, Chico frisou que a fisionomia de Maria é tal qual Ela é conhecida quando suas visitas às esferas espirituais mais próximas e perturbadas da crosta terrestre; como a Legião dos Servos de Maria que agem na instituição em amparo aos suicidas que está detalhado no livro Memórias de um suicida.

OBSERVAÇÃO: NÃO SOMOS CONTRA QUEM PENSA E AGE DE MANEIRA CONTRÁRIA, COLOCAMOS AQUI O QUE NÓS ESPÍRITAS PENSAMOS SOBRE MARIA E COMO A RESPEITAMOS.

02 - SANTOS

Santo Agostinho e o Espiritismo
Sérgio Biagi Gregório


1. INTRODUÇÃO

Quem foi Santo Agostinho? O que nos deixou quando esteve encarnado? Qual a sua importância na codificação da Doutrina Espírita? As suas comunicações têm algum ranço do catolicismo? Para melhor conhecer esse Espírito, anotaremos os seus dados biográficos, os livros que publicou e as comunicações mediúnicas arroladas nas obras espíritas.

2. DADOS BIOGRÁFICOS

Agostinho (354-430 d.C.) nasceu em Tagaste, norte da África, quando o Império Romano estava sendo destruído pelas invasões bárbaras. Seu Pai, Patrício, era pagão; sua mãe, Mônica, posteriormente Santa Mônica, era cristã. Aos 16 anos, foi estudar direito em Cartago, mas em 375 começou a se dedicar à filosofia, como resultado da leitura de Hortêncio, de Cícero. Converteu-se ao Maniqueísmo e tornou-se professor de retórica em Roma, em 383. De Roma, foi para Milão, onde se viu tomado pelo carisma do bispo cristão Ambrósio. Por algum tempo, atraiu-o o neoplatonismo, mas depois de longa e dolorosa luta tornou-se cristão em 386, recebendo o batismo de Ambrósio na Páscoa de 387. Sua intenção era levar uma vida “monástica”, mas em 391 foi ordenado, contra a sua vontade, bispo de Hipona (hoje Annaba, na Argélia). Foi bispo durante trinta e quatro anos, tempo em que escreveu copiosamente, combateu heresias e viveu em comunidade com outros cristãos. Aos 76 anos de idade, foi morto Hipona, durante cerco da cidade pelos vândalos. (Raeper, 1997, p. 25)

3. AS DUAS PRINCIPAIS OBRAS DEIXADAS POR SANTO AGOSTINHO

3.1. CONFISSÕES

As Confissões de Santo agostinho, iniciada em 391 e concluída em 400, é uma obra fascinante. São treze livros, dos quais 9 auto-biografados e 4 teologais. Nela se apresenta como o Filho Pródigo e a Ovelha Perdida do Evangelho de Lucas – perdido e depois encontrado, tal como o apóstolo Paulo.

Procura mostrar pelo seu exemplo o que pode a graça para os mais desesperados dos pecadores. Com admirável franqueza e contrição confessa os desregramentos de sua mocidade (teve inclusive um filho bastardo, Adeodato), sempre atribuindo a si mesmo as tendências perversas e a Deus os progressos de seu espírito para o bem. Foi um homem em permanente batalha contra as suas próprias emoções e fraquezas.

Discute também questões acerca do tempo e a presença do mal no mundo.

3.2. CIDADE DE DEUS

Os principais temas são: a vontade humana, as relações entre teologia e razão e divisão da história entre as duas cidades – dos homens e de Deus.

O pensamento político contido na Cidade de Deus forja-se no encontro de duas tradições: a da cultura greco-romana e a das Escrituras judaico-cristãs. Da Antigüidade grega Agostinho retém as idéias de Platão (República e Leis). Traça, assim, os planos de uma cidade ideal, a Cidade de Deus, em contrapartida com a da cidade terrestre, em que predomina a guerra, a injustiça, o egoísmo etc. Para ele, a verdadeira administração de uma cidade deve estar baseada na justiça, e esta por sua vez na caridade, ensinada por Cristo.

4. ORIGENS DO PENSAMENTO DE SANTO AGOSTINHO

Santo Agostinho usou a filosofia a serviço da teologia, adotando as idéias platônicas e neoplatônicas e as moldando de acordo com a sua visão de mundo. Da mesma forma que Platão, acreditava que a alma habitava um corpo. Dizia: “O homem é uma alma racional habitando um corpo mortal”.

Em relação ao platonismo, o posicionamento de Santo Agostinho não é meramente passivo, pois o reinterpreta para conciliá-lo com os dogmas do cristianismo, convencido de que a verdade entrevista por Platão é a mesma que se manifesta plenamente na revelação cristã. Assim, apresenta uma nova versão da teoria das idéias, modificando-a em sentido cristão, para explicar a criação do mundo. Deus cria as coisas a partir de modelos imutáveis e eternos, que são as idéias divinas. Essas idéias ou razões não existem em um mundo à parte, como afirmava Platão, mas na própria mente ou sabedoria divina, conforme o testemunho da Bíblia. (Rezende, 1996, p. 77 e 78).

5. FÉ, RAZÃO E REVELAÇÃO

Deixou formulado indicando o caminho para a sua solução – o problema das relações entre a Razão e Fé, que será o problema fundamental da escolástica medieval. Ao mesmo tempo demonstra claramente sua vocação filosófica na medida em que, ao lado da fé na revelação, deseja ardentemente penetrar e compreender com a razão o conteúdo da mesma. Entretanto, defronta-se com um primeiro obstáculo no caminho da verdade: a dúvida cética, largamente explorada pelos acadêmicos. Como a superação dessa dúvida é condição fundamental para o estabelecimento de bases sólidas para o conhecimento racional, Santo Agostinho, antecipando o cogito cartesiano, apelará para as evidências primeiras do sujeito que existe, vive, pensa e duvida.

6. SANTO AGOSTINHO E O ESPIRITISMO

6.1. INSTRUÇÕES MEDIÚNICAS DADAS POR SANTO AGOSTINHO

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo encontra-se algumas comunicações deste insigne Espírito. São elas: Os Mundos de Expiações e de Provas, Mundos Regeneradores e Progressão dos Mundos (Cap. 3, 13 a 19), O Mal e o Remédio (Cap. 4, 19), O Duelo (Cap. 12, 11 e 12), A Ingratidão dos Filhos e os Laços de Família (Cap. 14, 9) e Alegria da Prece (Cap. 27, 23).

Em O Livro dos Médiuns há anotações Sobre o Espiritismo (Cap. 31, 1) e Sobre as Sociedades Espíritas (Cap. 31, 16).

6.2. O PONTO DE VISTA DO ESPÍRITO ERASTO

O Espírito Erasto, discípulo de São Paulo, em uma de suas comunicações enfatiza:

1) Santo Agostinho é um dos maiores divulgadores do Espiritismo; ele se manifesta quase que por toda parte.

2) Como muitos, ele também foi arrancado do paganismo.

3) Em meio de seus excessos, sentiu o alerta dos Espíritos superiores: a felicidade se encontra alhures e não nos prazeres imediatos.

4) Depois de ter perdido a sua mãe, disse: “Eu estou persuadido de que minha mãe voltará a me visitar e me dar conselhos, revelando-me o que nos espera a vida futura”.

5) Hoje, vendo chegada a hora para a divulgação da verdade que ele havia pressentido outrora, se fez dela o ardente propagador, e se multiplica, por assim dizer, para responder a todos aqueles que o chamam. (Kardec, 1984, cap. 1, item 11, p. 41)

6.3. NOTA DE ALLAN KARDEC

Santo agostinho veio destruir aquilo que edificou? Não. Ele agora vê com os olhos do espírito; sua alma liberta da matéria entrevê novos horizontes, que lhe propiciam compreender o que não compreendia antes. Sobre a Terra, julgava as coisas segundo os conhecimentos que possuía, mas, quando uma nova luz se fez para ele, pode julgá-las mais judiciosamente. “Foi assim que mudou de idéia sobre sua crença concernente aos Espíritos íncubos e súcubos e sobre o anátema que havia lançado contra a teoria dos antípodas”. Com uma nova luz pode, sem renegar a sua fé, fazer-se propagador do Espiritismo, porque nele vê o cumprimento das coisas preditas. Proclamando-o, hoje, não faz senão nos conduzir a uma interpretação mais sã e mais lógica dos textos. (Kardec, 1984, cap. 1, p. 42)

7. CONCLUSÃO

A reflexão sobre a vida deste filósofo e religioso da época patrística nos revela que o progresso espiritual é uma constante. Será que o Espírito estaria pensando da mesma maneira, depois da sua experiência como católico? Não seria mais racional crer que ele tenha sido bafejado pelas luzes da verdade?

8. VOCABULÁRIO

Antípoda – Habitante que, em relação a outro do globo, se encontra em lugar diametralmente oposto.

Cícero (106-43)– Brilhante orador e político romano que se inspirava no ecletismo – a busca de um acordo entre os ensinamentos das escolas platônica, aristotélica, hedonista etc.

Íncubo – Demônio masculino que, segundo velha crença popular, vem pela noite copular com uma mulher, perturbando-lhe o sono e causando-lhe pesadelos.

Maniqueísmo – Seita persa que afirmava ser o Universo dominado por dois grandes princípios opostos, o bem e o mal, mantendo uma incessante luta entre si. doutrina que reduz a realidade à oposição irredutível de dois princípios contraditórios, o Bem e o Mal, aos quais correspondem as realidades espirituais e materiais.

Neoplatonismo – Movimento filosófico do período greco-romano desenvolvido por pensadores inspirados em Platão. Entre os neoplatônicos, citam-se Plotino (205-270), Proclo (411-485). O neoplatonismo se espalhou por diversas cidades do Império Romano, sendo marcado por sentimentos religiosos e crenças místicas.

Patrística – Dá-se ao nome de patrística à fase de fundamentação e da fixação dos dogmas cristãos. Essa grande obra foi realizada pelos primeiros padres da Igreja, nos primeiros séculos da era cristã. Eles buscavam estabelecer e explicar a doutrina cristã, mostrando que ela era perfeitamente digna de ser aceita pelas autoridades romanas e pelo povo em geral.

Súcubo - Demônio feminino que, segundo velha crença popular, vem pela noite copular com um homem, perturbando-lhe o sono e causando-lhe pesadelos.

9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

RAEPER, W. e SMITH, L. Introdução ao Estudo das Idéias: Religião e Filosofia no Presente e no Passado. Tradução de Adail Ubirajara Sobral. São Paulo: Loyola, 1997.REZENDE, A. (Org.). Curso de Filosofia: para Professores e Alunos dos Cursos de Segundo Grau e de Graduação. 6. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1996. KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.

03 - SANTOS

Cada um dos 16 orixás - as entidades cultuadas no candomblé e na umbanda - corresponde a um ou mais santos católicos. Dá para explicar essa ligação contando um pouco da história do período colonial no Brasil. Naquela época, chegaram ao país os primeiros africanos de origem iorubá, um povo que ocupava a região onde hoje ficam Nigéria, Benin e Togo. A religião dos iorubás era o candomblé, mas eles aportaram no Brasil como escravos e não podiam cultuar suas divindades livremente - você sabe, a religião oficial do país era (e é) o catolicismo. Por causa dessa proibição, os escravos começaram a associar suas divindades com os santos católicos para exercerem sua fé disfarçadamente. Como os santos católicos são bem numerosos, existem divindades que são identificadas com mais de um santo. Por exemplo: Oxóssi, o rei da caça, é associado a São Jorge e a São Sebastião. "Essa relação com um ou outro santo depende da região do país, variando de acordo com a popularidade do santo no local", diz o sociólogo Reginaldo Prandi, autor do livro Mitologia dos Orixás. Claro que a associação não é exata: ao contrário dos santos católicos, os orixás são entidades com virtudes e defeitos, e seus seguidores acreditam que eles conhecem o destino de cada um dos mortais. Bom, só faltou falar um pouquinho da relação dos orixás com a umbanda, uma religião genuinamente brasileira, surgida na década de 30 no Rio de Janeiro a partir da combinação de elementos do candomblé, do catolicismo e do espiritismo. Assim como o candomblé, a umbanda também cultua os orixás. Mas os umbandistas representam essas divindades com imagens diferentes, além de cultuarem outros três espíritos, o preto-velho, o caboclo e a pomba-gira. Nenhum deles aparece no candomblé.

Altar democrático Veja como as cinco principais entidades do candomblé e da umbanda se relacionam com as católicas

ORIXÁ: Iemanjá

SANTA CATÓLICA: Nossa Senhora da Conceição

Iemanjá é a deusa dos grandes rios, mares e oceanos. Na umbanda, ela é cultuada como mãe de muitos orixás e identificada com Nossa Senhora da Conceição ? uma das manifestações católicas da Virgem Maria, mãe de Jesus. No candomblé, ela é representada como uma negra e usa roupas africanas

ORIXÁ: Iansã

SANTA CATÓLICA: Santa Bárbara

Esposa de Xangô, a Iansã do candomblé e da umbanda é a deusa dos raios, dos ventos e das tempestades. Na doutrina católica, ela corresponde a Santa Bárbara ? também uma protetora contra raios, tempestades e trovões

ORIXÁ: Xangô

SANTO CATÓLICO: São Jerônimo e São João

Tanto para o candomblé quanto para a umbanda, Xangô é o deus do trovão e da justiça. Ele é associado a dois santos católicos: São Jerônimo, que no final do século 4 traduziu alguns livros da Bíblia do hebraico e do grego para o latim, ou São João, que pregava a conversão religiosa e batizou Jesus

ORIXÁ: Ogum

SANTO CATÓLICO: Santo Antônio e São Jorge

Para a umbanda e o candomblé, Ogum é o orixá da guerra, capaz de abrir caminhos na vida. Por isso, costuma ser identificado com Santo Antônio, o "santo casamenteiro", ou com São Jorge, santo guerreiro que é representado matando um dragão

ORIXÁ: Oxalá

SANTO CATÓLICO: Jesus

Na umbanda e no candomblé, Oxalá é a divindade que criou a humanidade ? por isso, ele se equivale a Jesus, uma das manifestações do Deus triuno do catolicismo (pai, filho e espírito santo). Além de ter modelado os primeiros seres humanos, Oxalá também inventou o pilão para preparar inhame e é considerado o criador da cultura material.

04 - SANTOS

O Espiritismo
Escrito por Jabesmar A. Guimarães
I. DEFINIÇÕES

A. Espiritismo - "Doutrina fundamentada na crença da existência, manifestações e ensino dos espíritos". Crêem que ao morrer o espírito do homem fica aguardando o momento de reencarnar, neste ínterim, o espírito pode manter comunicação com os vivos através de um médium.

B. Médium - Pessoa que possui a capacidade de ser intermediária entre os mortos e os vivos, sendo para isso incorporados pelo suposto espírito de alguém que já morreu e deseja se expressar. Os médiuns são indispensáveis à produção dos fenômenos espirituais.

II. ORIGENS

A. Indígena - Crêem no deus Omã, deus este inacessível, longínquo. Devido a isto eles arranjaram intermediários, que são os espíritos dos ancestrais. São animistas, isto é, atribuem alma/espírito a objetos naturais (inanimados) e fenômenos a eles relacionados.

B. Africana - Crêem no deus Olurum, deus inacessível, totalmente transcendental. Também arranjaram como intermediários os espíritos dos ancestrais. São a mais forte influência no espiritismo brasileiro.

C. Catolicismo Medieval - Criam num Deus iracundo (pronto para matar), vingativo, inacessível etc.. Por medo de Deus arranjaram intermediários que são os santos católicos. O catolicismo português que foi trazido para o Brasil veio impregnado de superstições e crendices.

Os padres portugueses apenas cristianizaram os índios e negros, estes, com muita astúcia, deram um golpe de mestre naquele tipo de catolicismo, pois para cada santo católico que lhes era imposto, arranjaram um correspondente aos espíritos que adoravam. Assim os negros dançavam livremente (para os espíritos) suas danças religiosas tribais, pois o faziam diante de um altar aparentemente católico erigido na senzala . Os brancos pensavam que eles dançavam em homenagem à virgem e aos santos, que na realidade não passavam de disfarce para o culto aos orixás. Com o passar dos tempos o "sincretismo" entre as crenças católicas e africana foi sendo tolerada pelos portugueses.

III. GRUPOS PRINCIPAIS

A. Candomblé - As entidades principais do candomblé são Oxum, Iemanjá e Ogum. A doutrina do candomblé é simples: cada pessoa tem um "santo" ou "anjo da guarda" que pode ser usado para diversos fins (nem sempre benéficos), mas apenas os médiuns podem comunicar-se com eles. Os médios são denominados "ialorixás", conforme a língua a africana, ou pai/mãe de santo. Estes utilizam diversos apetrechos tidos como mágicos (búzios) para desempenhar suas funções. Uma parte importante do candomblé são os rituais, normalmente acompanhados de bebida, batucada, canto, dança, sacrifícios de sangue às "entidades" e as lavagens cerimoniais com o sangue dos sacrifícios.

B. Umbanda - As entidades da umbanda são os Orixás, também chamados de espíritos desencarnados (caboclos, pretos velhos, crianças etc.). Nos sacrifícios há preferência por sangue.

É a forma mais popular de espiritismo brasileiro, foi fundada nos anos vinte por um ex-kardecista que se propôs harmonizar o melhor do candomblé e do kardecismo.

A doutrina umbandista é similar ao ensino kardecista (reencarnação, caridade etc.), mas a umbanda observa também alguns ritos do candomblé (canto, bebida, batucada e sacrifício de aniamais). O despacho (encantamentos acompanhados por aparato "mágico" , ou seja, galinha, cachaça, charuto, cigarro, farofa etc.) é deixado em encruzilhadas e cemitérios com o propósito de obter cura, sorte, felicidade amorosa, vingança etc.

Os médiuns da umbanda dizem ter um espírito que os guia. Esse espírito é "incorporado" (baixa) durante as cerimônias e sua função básica é predizer o futuro e curar enfermidades.

C. Quimbanda - Na quimbanda os Exus são adorados e servidos com o intuito de se alcançar alguma vantagem sobre o inimigo, até mesmo algo imoral como conquistar a mulher de outro, desmanchar noivados, causar a morte etc. Os Exus têm sede de sangue. Neste ramo do espiritismo os seus freqüentadores têm conhecimento de que se trata de magia negra e que os exus são espíritos das trevas.

D. Kardecismo - As entidades se apresentam como espíritos evoluídos ou em evolução, que precisam de "doutrina" . Na maioria dos cultos eles são invocados para prestar caridade, seja pelo curandeirismo ou através de "mensagens" que visam "iluminar" os adeptos.

As entidades se apresentam como espíritos evoluídos ou em evolução, que precisam de "doutrina" . Na maioria dos cultos eles são invocados para prestar caridade, seja pelo curandeirismo ou através de "mensagens" que visam "iluminar" os adeptos.

De acordo com a doutrina kardecista, todas as pessoas são constituídas de três elementos: o corpo físico, alma/espírito e o "corpo" espiritual (peri-espírito). O corpo espiritual é a parte que liga a alma/espírito ao corpo físico. Esse peri-espírito é semi-material, sendo visível em certas condições.

Para eles a reencarnação é a convicção de que a alma/espírito "evolui" passando por diversos testes e provas até atingir o estado de perfeição. Para eles Cristo é apenas um dentre os espíritos que adquiriram a perfeição. O pecado é, portanto, expiado através de sucessivas encarnações. A "caridade" é o princípio moral mais estimulado. "Sem caridade não há salvação".

Na atividade dos médiuns se destacam: a cura através de "passes" (tratamento magnético) e a psicografia (Chico Xavier).

Segundo a Bíblia quem são estes espíritos?

Isaías 14:12-14; II Pedro 2:4; Judas 6; Tiago 2:19

IV. CAUSAS DA EXPANSÃO DO ESPIRITISMO NO BRASIL

Dizem as pessoas: "você é médium, precisa desenvolver a sua mediunidade;
Saudades de parentes falecidos;
Fachada cristã (falam de Cristo);
É uma religião mais cômoda (é amoral e também nega e existência do inferno, pecado original etc).
Promessas de cura;
A curiosidade sobre o futuro etc.

V. O QUE A BÍBLIA DIZ A RESPEITO DO ESPIRITISMO?

Levítico 19:26,28,31 - É chamado de contaminação (ver também 20:1-8);
Deuteronômio 18:9-12 - Deus não faz diferença entre magia negra (Macumba, Quimbanda) e Magia Branca (Espiritismo Kardecista).
Isaías 2:6 - Corrupção do Oriente; 8:19 - Deus faz uma interrogação irônica: "a favor dos vivos se consultarão os mortos?";
Zacarias 10:2 - É chamado de consolação vazia;
Malaquias 3:5 - Deus será testemunha veloz contra os que o praticam;
Atos 8:19 - Ilusão (Prática da magia - no original grego, feitiçaria);
Atos 16:16 - Fonte de lucro - Adivinhação;
Atos 19:19 - A queima de material espiritualista é visto como o prevalecer da Palavra de Deus;
I Coríntios 10:19,20 - Quanto a ídolos.
Gálatas 5:19-21 - A feitiçaria é incluída entre as obras da carne (Trevas);
Apocalipse 21:8 - Os feiticeiros serão lançados no lago de fogo;
Apocalipse 22:15 - Os feiticeiros ficarão de fora.
V. CONCLUSÃO

A religiosidade popular é, em última instância, a tentativa do homem manipular o seu deus tentando controlar o seu destino e obter favores através de trocas (oferendas) com os espíritos. Podemos dizer, sem medo de errar que a rigor o Brasil é um país Católico/Espírita, pois grande parte dos católicos não praticantes (que forma a maioria dos católicos brasileiros) também vão aos centros espíritas. Infelizmente este é o quadro da religiosidade brasileira. O sincretismo religioso ainda é muito forte e em alguns lugares (Bahia por exemplo) é até mesmo incentivada pelos religiosos que, pelo medo de perder os adeptos nominais, são coniventes com a situação.

Esta grande massa forma um campo missionário de milhões de almas que estão iludidas e precisam saber que o único meio de salvação é através da aceitação da obra vicária que o Senhor Jesus Cristo efetuou na cruz. Cabe a nós, os cristãos nascidos do alto pelo poder de Deus, envidar esforços para alcançar esta grande massa que têm sido iludida pelo inimigo das almas.

Se você leitor se sentiu tocado a examinar a sua condição espiritual, volte a página de estudos e clique no link como obter a salvação. Lá tem versículos bíblicos que o ajudarão a entender a sua situação e a obra maravilhosa que Cristo efetuou a favor da sua salvação.

O COMPORTAMENTO DE UM HOMEM REFLETE O OBJETO DA SUA ADORAÇÃO!