SEDE DA ALMA
BIBLIOGRAFIA
01- Antônio de Pádua - pág. 165 02 - Auto desobsessão - pág. 12
03 - Deus na Natureza - pág. 214, 228, 311 04 - Estudos espíritas - pág. 43
05 - Forças sexuais da alma - pág. 14 06 - Gestação sublime intercâmbio - pág. 82
07 - Hipnotismo e espiritismo - pág. 255 08 - Mãos de luz - pág. 228
09 - O Livro dos Espíritos - q. 141 a 146 10 - O que é espiritismo - pág. 194
11 - Obreiros da vida eterna - pág. 211 12 - Palingênese, a grande lei - pág. 63, 76, 85
13 - Saúde e espiritismo - pág. 58 14 - Vozes do grande além - pág. 74

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SEDE DA ALMA – COMPILAÇÃO

03 - Deus na Natureza - Camille Flammarion - pág. 214, 228, 311

(...)
Alberto, um anatomista de Bonn, dissecou cérebros de pessoas que se haviam entregado a trabalhos intelectuais durante alguns anos, e achou em todos uma substância muito consistente e a massa parda, bem como os sulcos, assaz desenvolvidos. Se, por outro lado, observamos com Spurzein, Gall e Laváter, que a cultura das faculdades superiores do espírito se nos imprime no crânio e no semblante; se visitarmos o Museu de Antropologia de Paris e notarmos, através da coleção de crânios do abade Frère, que os progressos da Civilização redundaram na elevação da parte anterior e na depressão da occipital, poderemos tirar destes fatos uma conclusão diametralmente oposta à dos adversários, para afirmar que o pensamento rege a substância cerebral.

Não temos aí, claro como o dia, o trabalho do espírito sobre a matéria? E as conclusões não derivam de si mesmas para abrir passagem triunfal à nossa doutrina? A propósito de conclusões, não podemos eximir-nos de admirar a facilidade com que se pode tirar dos mesmos fatos conclusões inteiramente contrárias: tudo depende da disposição de espírito e haveria que desesperar dos progressos da teoria, se a maioria dos homens tivesse o caráter mal formado. Verificariam, por exemplo, em experiências com alienados, que alguns haviam recuperado a consciência e a razão pouco antes de morrer.

Concluíram os espiritualistas que as almas desses infelizes voltavam, após longo isolamento, ao conhecimento de si mesmas e ao predomínio do corpo, sendo-lhes permitido, nesse transe supremo, abrirem os olhos da consciência ao passarem desta para a outra vida. Os materialistas, ao invés, aproveitaram o fato pró domo sua, alegando que a aproximação da morte liberta o cérebro das influências tórpidas e mórbidas do corpo. Mais do que se imagina, a própria Anatomia fisiológica se embaraça, no concernente à loucura em relação com o estado do cérebro.

Enquanto uns, como os citados, muito vêem; outros, não menos hábeis, nada encontram. Assim, o alienista Leuret declara que nenhuma alteração cerebral se encontra, senão nos casos em que a demência é precedida de qualquer outra enfermidade, e que essas alterações são tão variáveis e diferentes que não autorizam apresentadas, afirmativamente, como verdadeiras causas. Assim também, a propósito das anfratuosidades há pouco referidas, poder-se-ia não ver mais que efeitos. Quando nossos adversários acrescentam que os casos de demência protestam contra a existência da alma, não estão melhor aparelhados para defender o seu sistema. Duas hipóteses se apresentam para explicar a loucura. Ou há, ou não há uma lesão no cérebro.

No primeiro caso, a falha do instrumento não demonstra a inexistência do artista; e, no segundo, o problema fica pertencendo à ordem mental. Melhor ainda: o primeiro caso pode enquadrar-se no segundo, se admitirmos, qual sugere a experiência, que a loucura — seja a causada por uma dor súbita, por um grande susto ou por desesperação profunda — tem, em todos estes casos, sua fonte no ser mental, que reage contra o estado normal do cérebro e lhe acarreta qualquer alteração. Ainda aqui, é evidente, que quem sofre é o ser pensante, a determinar no organismo um distúrbio correspondente ao sofrimento. E de fato, tem-se verificado que as alterações só se encontram nas loucuras antigas, com se o espírito aí fora o que é por toda a parte — o movimentador da substância.

Por outro lado, enquanto os adversários deduzem da descrição anatômica do cérebro que a faculdade de pensar não é mais que propriedade de movimentos do conjunto, nós vemos, na multiplicidade mesma desses movimentos, uma submissão do cérebro à grande lei da divisão do trabalho, por dar a cada órgão a sua função, de acordo com a respectiva situação, estrutura, composição, forma, peso, tamanho. Vemos, nessa variedade de efeitos, um argumento a prol da independência da alma, de vez que a hipótese desses fisiologistas não pode, de maneira alguma, conciliar uma tal complexidade dinâmica do cérebro com a simplicidade necessária e reconhecida, do ser intelectual. Falaremos, daqui a pouco, especialmente da simplicidade do ser pensante, pois que nos resta algo dizer ainda, sobre as relações de cérebro e alma.

As comparações de crânios encontrados em antigos cemitérios de Paris, desde quando o prefeito de Napoleão III promoveu a remodelação da cidade, e, em particular, a diferença entre crânios das valas comuns e dos túmulos particulares, estabeleceram novamente que os indivíduos votados às ciências e artes possuem uma capacidade cerebral maior que a dos simples operários. As mesmas escavações revelaram que a capacidade craniana dos parisienses aumentara, de Filipe-Augusto para cá. A capacidade craniana do negro livre é maior que a do escravo. Eis um fato significativo que poderia (em dada circunstância) ser invocado a favor da liberdade.

Tendo provas de que as impressões exteriores influem no pensamento, temo-las por igual de que o pensamento domina os próprios sentidos. Quantas criaturas não vemos por aí, cujo cérebro e cujo corpo padecem enfermidade lenta e rebelde, arrostando uma existência de misérias e dores e conservando, sem embargo, fortaleza de ânimo, e guardando a flor da virtude, sobranceiras à torrente de lodo que as arrasta, e vencendo pela grandeza do caráter os elos da adversidade? Negaríeis, também, que haja dores morais que residem, lacerantes, nas profundezas insondáveis da alma?

— Dores íntimas, não causadas por acidentes físicos, nem por enfermidade exterior, nem por alteração do cérebro, mas, tão só, por uma causa incorpórea, qual a perda de um pai, a morte de um filho, a infidelidade de um ente amado, a ingratidão de um protegido, a traição de um amigo; ou ainda pelo quadro de um infortúnio, pela derrota de uma causa justa, pelo contágio de idéias malsãs; por multidão de causas, enfim, que nada têm de comum com o mundo da matéria e não se medem geométrica e quimicamente, mas constituem o domínio do mundo intelectual?

Não vemos assim, mesmo sob o seu aspecto físico, a influência do espírito sobre o corpo? As paixões refletem-se no semblante. Se empalidecemos de medo, é que este sentimento, manifestando-se por um movimento do cérebro, retrai os vasos capilares da face. Se a cólera ou a vergonha purpureiam-nos o rosto, é que os movimentos engendrados dilatam os ditos vasos, conforme o indivíduo. Mas aqui, é ainda o espírito que desempenha o principal papel. Se alguma vez corastes à impressão subitânea de um olhar feminino (não há desdouro em confessá-lo), não sentistes que a indiscreta impressão se transmitia ao cérebro por intermédio dos olhos e daí descia ao coração para remontar ao rosto?

Procurai analisar essa sucessão, e mesmo que não coreis tomado de qualquer súbito temor, aplicai a mesma análise e concluireis que, sem o quererdes, as impressões vos passam céleres pela mente, antes que se traduzam exteriormente. O mesmo se verifica com os sentimentos; é no peito e não na cabeça que uma inexprimível sensação de plenitude ou de vácuo se manifesta, quando, em certas horas de melancolia, o pensamento se nos desprende e voa para o ser amado, Mas, como essa sensação não se produz senão depois de pensarmos, é evidente que, ainda aqui, o espírito representa o papel primacial. Sob outros aspectos, um súbito terror se comunica ao coração e acelera ou retarda o pulso, podendo mesmo -paralisá-lo numa síncope.

A tristeza e a alegria produzem lágrimas. O trabalho mental fatiga o cérebro, o sangue se empobrece, a fome se faz sentir. Todas estas, e grande número de observações outras, induzem-nos a crer que o pensamento, ser imaterial, tem sede no cérebro, o qual lhe serve tanto para receber os despachos do mundo exterior como para levar-lhe suas ordens. E de resto, nós já sabemos que o cérebro e a medula mais não são que poderosos feixes de fibras nervosas, nervos que partem desse veio, irradiando em todos os sentidos para a superfície do corpo, e nos quais existe uma corrente análoga à corrente elétrica. Os nervos são fios telegráficos que transmitem à consciência as impressões do interior, enquanto os músculos executam as ordens do cérebro.

Ora, Dubois-Reymond mostrou que toda atividade nervosa manifestada nos músculos, a título de movimento, e no cérebro a título de sensação, é seguida de uma alteração da corrente neuro-elétrica. Mas dizer, com o mesmo Dubois, que a consciência não passa de produto da transmissão desses movimentos, é cometer uma ingenuidade, como se pretendêssemos que a correspondência telegráfica diariamente trocada entre os gabinetes de Londres e Paris tivessem por causa a passagem de uma nuvem tempestuosa, ou de uma bobina de indução para o manipulador, e que o receptor de si mesmo recambiasse a resposta dos despachos inteligentes. Proclamar que não há no homem mais que um produto da matéria, assimilá-lo a um composto químico e deduzir que o pensamento é uma produção química de certas combinações materiais, é um erro monstruoso.

Todos sabemos que o pensamento não é ingrediente de oficina. Espírito e matéria são entidades tão estranhas uma à outra, que, todas as línguas, de todos os tempos, sempre as conceituaram diametralmente opostas. As leis e forças espirituais existem independentemente das corporais. A força de vontade é bem distinta da força muscular. A ambição difere da fome, o desejo distingue-se da sede. Onde encontrareis as leis morais que regem a consciência? Que o crânio caucásico seja oval, o mongol redondo e o negro alongado, em que-é que o sentir humano se associa às fibras granulares ou cilíndricas? Que têm de comum as noções de justo e injusto com o ácido carbônico?

Em que um triângulo, um círculo, um quadrado, podem afetar a bondade, a generosidade, a coragem? Seria justo dizer que Cronwell tinha 2,231 Byron 2,238 e Cuvier 1,829 gramas de inteligência, por serem tais os pesos de seu cérebro? Na verdade, quando se procura sondar o assunto a fundo, fica-se admirado de ver que homens de pensamento tenham chegado a confundir num só objeto o mundo espiritual e o material. (...)

04 - Estudos espíritas - Joanna de Ângelis - pág. 43

5 - CORPO SOMÁTICO

CONCEITO
— Genericamente, corpo é toda e qualquer quantidade de matéria, limitada, que impressiona os sentidos físicos, expressando-se em volume, peso... Aglutinação de moléculas — orgânicas ou inorgânicas — que modelam formas animadas ou não, ao impulso de princípios vitais, anímicos e espirituais. Estágio físico por onde transita o elemento anímico na longa jornada em que colima a perfeição, na qualidade de espírito puro...

O corpo humano, em razão de mutações, transformações, adaptações, condicionamentos filogenéticos e mesológicos, serve de domicílio temporário ao espírito que, através dele, adquire experiências, aprimora aquisições, repara erros, sublima aspirações. Alto empréstimo divino, é o instrumento da evolução espiritual na Terra, cujas condições próprias para as suas necessidades fazem que a pouco e pouco abandone as construções grosseiras e se sutilize, conseguindo plasmar futuros contornos e funções futuras, mediante o comportamento a que vai submetido no suceder dos tempos. Por enquanto, serve também de laboratório de experiências pelas quais os Construtores da Vida, há milênios, vêm desenvolvendo possibilidades superiores para culminarem em conjunto ainda mais aprimorado e sadio.

Formado por trilhões e trilhões de células de variada constituição, apresenta-se como o mais fantástico equipamento de que o homem tem notícia, graças à perfeição dos seus múltiplos órgãos e engrenagens, alguns dos quais, auto-suficientes, como o aparelho circulatório, que elabora até mesmo o de que se faz preciso para o seu funcionamento e produtividade. Atendido por notáveis complexos elétricos e eletrônicos, é auto-reparador, dispondo dos mais perfeitos arquivos de microfotografia, nos centros da memória, que, se pudessem ser equiparados a uma construção com as atuais técnicas de miniaturízação com que se elaboram os computadores, esses departamentos mnemônicos ocupariam uma área de aproximadamente 160.000 quilômetros cúbicos, tão-somente para os bilhões de informações de uma única reencarnação...

Ele pode, no entanto, mediante o perispírito que lhe vitaliza muitas evocações, reter e traduzir programações referentes a incontáveis jornadas pretéritas do Espírito em ascensão para Deus. Aparelhado para as diversas atividades que se lhe fazem mister, dispõe do quanto lhe é imprescindível para as transformações e renovações que o mantêm com equipagem em funcionamento harmônico. Qualquer ultraje que sofra se lhe imprime por processos muito sutis, incorporando-o aos tecidos constitutivos da sua eficiência em gravames e ofensas que o transtornam, como cobrador honesto junto ao condutor leviano que o dirige em regime inadiável de urgência...

A sua valorização através das aspirações nobres vitaliza-o e equilibra-o com imperceptíveis melhoramentos que o mantêm e sustentam. No conjunto endocrínico, por exemplo, sincroniza os mais perfeitos sistemas de elaboração de hormônios de que se tem conhecimento. O cérebro — ainda por desbravar — só paulatinamente vai sendo utilizado, dispondo de áreas ainda não acionadas, que são reservas formidandas para o futuro do homem... Preciosas redes de capilares, microscópicos, colocados nas junções das artérias e das veias são deslumbrantes implementos de integração perfeita, realizando a sustentação das células, ajudando a eliminação dos tóxicos e sustentando os diversos departamentos vitais com o oxigênio salutar.

Não obstante a sua insignificância aparente, são peças porosas que facultam ao oxigênio penetrá-los num sentido, enquanto por outro eliminam os produtos colaterais nitrogenados do metabolismo proteínico, culminando pelo preciosismo com que deixa passar uma substância aquosa que renova o banho líquido de que se nutrem as células, graças ao qual sobrevivem e se multiplicam... Os departamentos dos sentidos, em câmaras excepcionais, recebem, traduzem e respondem todas as mensagens que lhes chegam, com a velocidade do pensamento, catalogando e descrevendo informações novas com que enriquece o patrimônio das suas aquisições.

Mesmo quando, conscientemente, a memória não procede aos registros ou os sentidos parecem não os captar, a maquinaria sublime os anota e transfere para o subconsciente, que os armazena em depósitos especiais, dotados da capacidade de trazê-los de volta, oportunamente, ao celeiro da consciência atual sob estímulos próprios... Preservá-lo é mais do que dever — significa elevado compromisso de que ninguém se liberará levianamente ante a própria e a Consciência Cósmica, que tudo rege e conduz com suprema sabedoria e perfeição.

HISTÓRICO
— Modernos biólogos e geneticistas fascinados com as conquistas do engenho atual, diante do corpo, sugerem, precipitados uns, levianos outros, alterações singulares e sonham com as possibilidades de poderem intervir, a golpe de audácia, na sua estrutura, interferindo no processo genético, por meios artificiais, em busca de resultados surpreendentes... Interpretando erradamente o conceito do Cristo de que somos deuses, pretende o homem, que crê, brincar de divindade, ele que, brincando, fomenta a guerra, a destruição, o egoísmo, por ainda não saber, sequer, brincar como homem. Os não crentes se refugiam na negação e propõem aventuras.

Difícil uma análise histórica, em síntese sobre o homem, um exame da sua organização somática pelos milênios incontáveis, desde as formas primárias em que a vida se manifestou no Orbe quando os "fascículos de luz" da Divindade começaram a adensar-se nas manifestações iniciais da matéria viva...O naturalista honesto, no entanto, fixado à complexa documentação paleontológica, embriológica, como a da Anatomia Comparada, apresenta o lêmure como o mais velho espécime conhecido, dentre os símios, do qual surgiu o platirrino, e, posteriormente, o catarrino que, em se bifurcando, deu origem ao antropopiteco, o erectus, que serviu de tronco ao ramo de que nasce o homem.

Antes, porém, distintas raças serviram de moldes ascendentes para a formação paulatina da organização do Homo sapiens. Foram elas as de Grimaldi (demonstrada através de dois esqueletos negróides, que foram descobertos na Riviera Italiana, próximo a Grimaldi); as do Cro-Magnon (quando encontraram os ossos de quatro homens, dolicocéfalos, com expressiva estatura, que teriam habitado grande parte da Europa. Esse achado ocorreu no ano de 1868, na Dordonha, próximo a Eyzies, na França); e as de Chancelade (consideradas como do período Magdaleniano, que teria dado origem aos esquimós). Não obstante os antropólogos divergirem entre si, apresentando novos grupos e subgrupos em que sustentam as teorias esposadas, são aquelas as melhormente aceitas pela generalidade dos estudiosos do assunto.

Em 1950 Mayr sugeriu uma nova classificação para os hominídeos fósseis, simplificando, assim, as anteriores num único Homo, que se distribuiu em 3 classes: transvaalensis, erectus e sapiens, facultando novas pesquisas e valiosas anotações corroboradoras. De Lineu, a Cuvier, a Blumenbach, as classificações se estereotiparam, cabendo ao sábio de Gõttingen, baseado na Antropologia Física, poder oferecer maior contribuição ao pensamento moderno, especialmente através dos estudos craniológicos, a que empregou seus melhores esforços... Simultaneamente, desde os primórdios do pensamento filosófico, o problema da evolução mereceu as mais expressivas contribuições.

Com Heráclito, firmou-se o conceito dialético do Mundo, inspirado na filosofia grega, que tudo reduzia a incessantes transformações, mediante as quais as espécies vivas eram mutáveis. Lucrécio, ao apresentar o seu De Natura Rerum descreveu poeticamente a Natureza e se tornou o precursor legítimo do Darwinismo, por meio da "seleção natural" e da "luta pela vida". Mais tarde, Buffon afirmou os princípios evolucionistas em oposição ao fixismo criacionista, facultando a Lamarck estabelecer a teoria dos seres vivos, donde se originou o Transformismo. Darwin, porém, culminou as pesquisas, já iniciadas, tornando-se o grande sistematizador e legítimo expositor da "concepção transformista da Natureza".

Hegel, simultaneamente, estabeleceu uma dialética concorde com tais princípios, em bases idealistas, cabendo a Spencer uma visão mais ampla da evolução, que definiu como sendo "Uma integração da matéria e uma dissipação concomitante do movimento, durante a qual a matéria passa de uma homogeneidade indefinida e incoerente a mesmo tempo, o movimento mantido e uma transformação paralela." O pensamento hegeliano sustentou a teoria do materialismo dialético, então vigente. Logo depois, a teoria mutacionista propôs conceitos por meio dos quais as mutações, que seriam rápidas transformações, se fariam transmitir por hereditariedade, nunca, porém, provocadas pela ação mesológica, assim podendo facilitar, promover ou impedir as mesmas mutações, fazendo surgir, então, novos caracteres e ensejando a "seleção natural" darwiniana, na qual alguns caracteres sobreviveriam, enquanto outros desapareceriam.

Os favoráveis à sobrevivência da espécie seriam, então, mantidos pela hereditariedade...Indubitavelmente que os conceitos evolucionistas não podem hoje ser negados, graças à monumental comprovação da Ciência atual, nos vários campos em que se expressa. Merece examinar, porém, que ao princípio espiritual, nas sucessivas reencarnações, se deve a transmissão às formas mais grosseiras, das necessidades psíquicas, que impõem o surgimento de órgãos e caracteres novos a se transmitirem por hereditariedade e se fixarem, prosseguindo o processus evolutivo incessantemente.

A princípio, o Espírito se encontrava em atrasada expressão, utilizando-se da forma símio em transição para fixar-lhe implementos novos, desde que a função precede o órgão e aquela procede do Espírito, que modela as formas próprias, de que precisa para crescer e produzir experiências não conhecidas.
A medida que as formas se aprimoravam, Espíritos mais bem credenciados impuseram-lhe atributos outros que constituíram, através dos milênios múltiplos e sucessivos, o corpo que hoje ainda serve de temporária morada para as edificações das futuras formas, com que a Humanidade progredirá no porvir, sob condições mais felizes, seguras e harmônicas. Ao Espírito, que é o ser, se devem as exteriorizações somáticas que constituem o não ser.

CONCLUSÃO
— Vasilhame sublime, é o corpo humano o depositário das esperanças e o veículo de bênçãos, que não pode ser desconsiderado levianamente. Seja cárcere sombrio — na limitação em que retém o Espírito déspota, que dele se vale para a expiação; seja conjunto harmônico de formas — na distinção de traços com que faculta o aproveitamento das oportunidades; seja grabato de meditação — nas constrições paralíticas em que impõe profundas reflexões morais; seja cela de alucinação — nos desvarios da mente ultrajada; seja celeiro de sabedoria — no qual se edificam os monumentos da Cultura, da Arte, do Pensamento, da Ciência, da Fé, do Amor —, é sempre o santuário de recolhimento que o Excelso Criador nos concede, a fim de galgarmos os degraus da escada ascensional, desde as baixadas primeiras aos esplendores espirituais que nos estão destinados. Amá-lo, preservá-lo e utilizá-lo com nobreza é a tarefa que nos cabe desempenhar incessantemente, sem cansaço, para o próprio bem.

ESTUDO E MEDITAÇÃO
:
"O homem surgiu em muitos pontos do globo ?
"Sim e em épocas várias, o que também constitui uma das causas da diversidade das raças. Depois, dispersando-se os homens por climas diversos e aliando-se os de uma aos de outras raças, novos tipos se formaram."
A - Estas diferenças constituem espécies distintas? - Certamente que não; todos são da mesma família. Porventura as múltiplas variedades de um mesmo fruto são motivo para que elas deixem de formar uma só espécie? ( O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 53).

09 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - q. 141 a 146


Perg. 141 - Há qualquer coisa de certo na opinião dos que pensam que a alma é externa e envolve o corpo?
- A alma não está encerrada no corpo, como o pássaro numa gaiola. Ela irradia e se manifesta no exterior, como a luz através de um globo de vidro ou como o som em redor de um centro sonoro. É por isso, que se pode dizer que ela é externa, mas não como um envoltório do corpo. A alma tem dois envoltórios: um, sutil e leve, o primeiro, que chamas perispírito; o outro, grosseiro, material e pesado que é o corpo.

Perg. 142 - Que dizer da teoria segundo a qual, na criança, a alma vai se completando a cada período da vida?
- O Espírito é apenas um: inteiro na criança, como no adulto; são os órgãos, instrumentos de manifestação da alma, que se desenvolvem e se completam. Isto é ainda tomar o efeito pela causa.

Perg. 143 - Por que todos os Espíritos não definem a alma da mesma maneira?
- Os Espíritos não são todos igualmente esclarecidos sobre essas questões. Há Espíritos ainda limitados, que não compreendem as coisas abstratas, como as crianças entre vós. Há também Espíritos pseudo-sábios que, para se imporem, como acontece ainda entre vós, fazem rodeios de palavras. Além disso, mesmo os Espíritos esclarecidos podem exprimir-se em termos diferentes, que no fundo têm o mesmo valor, sobretudo
quando se trata de coisas que a vossa linguagem é incapaz de esclarecer; há então necessidade de figuras, de comparações, que tomais pela realidade.

Perg. 144. Que se deve entender por alma do mundo ?
— O princípio universal da vida e da inteligência, de que nascem as individualidades. Mas os que se servem dessa expressão, frequentemente não se entendem. A palavra alma tem aplicação tão elástica que cada um a interpreta de acordo com as suas fantasias. Têm-se às vezes atribuído uma alma à Terra, e por ela é necessário entender o conjunto dos Espíritos abnegados que dirigem as vossas ações no bom sentido, quando os escutais, e que são de certa maneira os lugares-tenentes de Deus junto ao vosso globo.

Perg. 145. Como é que tantos filósofos antigos e modernos têm longamente discutido sobre a Ciência psicológica, sem chegar à verdade?
Esses homens eram os precursores da doutrina espírita eterna, e prepararam o caminho. Eram homens e puderam enganar-se, porque tomaram pela luz as suas próprias ideias; mas os seus mesmos erros, por meio dos prós e contras de suas doutrinas, servem para evidenciar a verdade. Aliás, entre esses erros se encontram grandes verdades, que um estudo comparativo vos fará compreender.

Perg. 146. A alma tem, no corpo, uma sede determinada e circunscrita?
— Não. Mas ela se situa mais particularmente na cabeça, dos grandes gênios e de todos aqueles que usam bastante o pensamento; e no coração dos que sentem bastante, dedicando todas as suas ações à humanidade.

Perg. 146-a. Que pensar da opinião dos que situam a alma num centro vital?
— Que o Espírito se encontra de preferência nessa parte do vosso organismo, que é o ponto a que se dirigem todas as sensações. Os que a situam naquilo que consideram como o centro da vitalidade, a confundem com o fluido ou princípio vital. Não obstante, pode-se dizer que a sede da alma se encontra mais particularmente nos órgãos que servem para as manifestações intelectuais e morais.

10 - O que é espiritismo - Allan Kardec - pág. 194

Perg. 108 - Qual é a sede da alma?
- A alma não está, como geralmente se crê, localizada num particular do corpo; ela forma como o perispírito um conjunto fluídico, penetrável, assimilando-se ao corpo inteiro, com o qual ela constitui um ser complexo, do qual a morte não é, de alguma sorte, mais que um desdobramento. Podemos figuradamente supor dois corpos semelhantes na forma, um encaixado no outro confundidos durante a vida e separados depois da morte. Nessa ocasião um deles é destruído, ao passo que o outro subsiste. Durante a vida a alma age mais especialmente sobre os órgãos do pensamento e do sentimento. Ela é, ao mesmo tempo, interna e externa, isto é, irradia exteriormente, podendo mesmo isolar-se do corpo, transportar-se ao longe e aí manifestar sua presença, como o provam a observação e os fenômenos sonambúlicos.

13 - Saúde e espiritismo - A.M.E. Brasil - pág. 58

A ativação e despertamento dos chacras permitiriam o conhecimento e a entrada em dimensões mais altas, conferindo poder para suportar e dar vida às mais baixas dimensões. Essa conversão de energia é também destacada por Vivekananda. O homem tende a lançar a energia sexual originária da ação animal para o cérebro a fim de armazená-la ali em forma de energia espiritual (Ojas). "Todos os bons pensamentos, toda oração converte uma parte daquela energia em Ojas e ajuda a dar-nos poder espiritual" (1985:46).
b) Centros de consciência.

Os chacras, além de centros energéticos, são centros de consciência. Geralmente, pensamos no cérebro como único centro onde a nossa consciência está ancorada. A Filosofia Yogue sabe que esta não é a única forma de consciência. Os chacras são penetrados por energias sutis e cada um desses pontos torna-se sede da consciência, sede da alma. Essa visão psicológica dos chacras como centros foi admitida por Jung não só em seus Fundamentos de Psicologia Analítica (1972:26), como em conversa com Miguel Serrano (1970:71.Conf. Jung, 1996:85). Segundo Jung, o centro da consciência sofreu variações na história da humanidade, chamando a atenção que, ainda hoje, os índios Pueblos situavam no coração o centro de consciência (1972:6s). M. Vera Bührmann (cit. por Dossey, 1989:85) reproduz a assertiva de um nativo da tribo xhosa, da África do Sul, Mongezi Tiso:

"Os brancos pensam que o corpo todo é controlado pelo cérebro. Temos uma palavra, umbelini [os intestinos]: estes é que controlam o corpo. Meus umbelini me dizem o que vai acontecer: você nunca experimentou isso?". Jung chegou mesmo a indicar o grau de consciência que teria cada um deles, como veremos abaixo. A referência aos chacras como centros de consciência, permite-nos entender melhor uma passagem de O Livro dos Espíritos, que, literalmente entendida, já se mostrava defasada na época de sua recepção. Na questão de n° 146, Allan Kardec registrou o ensinamento dos Espíritos sobre a sede da alma:

"146 - A alma tem uma sede determinada e circunscrita corpo?
R. - Não, mas ela está mais particularmente na cabeça dos grandes génios, em todos aqueles que pensam muito, e no coração naqueles que sentem muito e cujas ações dizem respeito a toda a humanidade.
- Que se deve pensar da opinião daqueles que colocam a alma num centro vital?
R - Quer dizer que o Espírito habita de preferência nessa parte do vosso organismo, pois que ali desembocam todas as sensações.

Aqueles que a colocam no que eles consideram como o centro de vitalidade a confundem com o fluido ou princípio vital. Pode, todavia, dizer-se que a sede da alma está mais particularmente nos órgãos que servem às manifestações intelectuais e morais." Modernas pesquisas estão a indicar a existência de mais de um cérebro. Além do cérebro anatômico, encerrado no crânio, existe um outro cérebro funcional, constituído de tecidos e substâncias que desempenham funções semelhantes às daqueloutro. O sangue que percorre todo o organismo produz substâncias idênticas às produzidas pelo cérebro anatômico, entre as quais endorfinas, analgésicos naturais, possuindo as suas células centros receptores de hormônios e substâncias químicas, idênticos aos que o cérebro possui.

Por outro lado, substâncias que pareciam ser exclusivas do trato intestinal G-I, foram descobertas também no cérebro anatômico: o polipipeptídeo intestinal vasoativo (PIV), a colecistoquinina (CCK-8), a gastrina, a substância P, a neurotensina, encefalinas, a insulina, o glucagon, a bombesina, a secretina, a somatostatina, o hormônio liberador de tirotrofina (HLT) etc. (vide Larry Dossey, 1989:87).
Dossey reporta-se às pesquisas pioneiras de Candale B. Pert, assinalando que "cada sítio receptor que ela tem observado no cérebro também é encontrado nos monócitos, um tipo de célula branca do sangue, que tem um papel fundamental no sistema imunológico" (idem:86). Além disso, ela verificou que certas substâncias químicas que afetam a emoção também controlam o trajeto e a migração dos monócitos.

A equipe de Pert notou que essas células do sistema imunológico não possuem apenas receptores para vários neuropeptídeos que controlam o estado de espírito no cérebro como também sintetizam essas substâncias; e que todo o revestimento do trato intestinal, do esôfago até o intestino grosso, está forrado de células que contêm neuropeptídeos e seus receptores. "Parece-me inteiramente possível para mim" diz Pert, "que a abundância de receptores seja a razão por que o grande número de pessoas sente emoções nos intestinos - elas tem sensações nos intestinos'" (idem:86). Há muito mais, e o livro de Larry Dossey deverá ser consultado.

Mas o que terá isto a ver com o duplo etérico, o corpo astral etc.? É preciso não esquecer que o reconhecimento de um cérebro funcional, extracraneano, conduz-nos a estabelecer não somente uma mente não-localizada, como ainda mais a reconhecer paralelamente a função dos chacras como centros de consciência. Isto ainda fica mais claro quando afirma André Luiz que o "corpo espiritual, que dá forma aos elementos celulares, está fortemente radicando no sangue". Essa lição coincide com a de Rudolf Streiner,o criador do Antroposofia: "o sangue é, praticamente, o fluido vital". (...)

14 - Vozes do grande além - Diversos Espíritos - pág. 74

16 - AUTOFLAGELAÇÂO
Depois de prolongada ausência, o Espírito Dias da Cruz compareceu em nosso grupo, na noite de 29 de setembro de 1955, e, controlando as faculdades do médium, pronunciou notável estudo em torno da autoflagelacão, estudo esse que passamos a apresentar.
Meus amigos:
Embora não nos seja possível, por enquanto, apreciar convosco a fisiologia da alma, como seria desejável, de modo a imprimir ampla clareza ao nosso estudo, para breve comentário, em torno da flagelação que muitas vezes impomos, inadvertidamente, a nós mesmos, imaginemos o corpo terrestre como sendo a máquina da vida humana, através da qual a mente se manifesta, valendo-se de três dínamos geradores, com funções específicas, não obstante extremamente ligados entre si por fios e condutos, de variada natureza.

O ventre é o dínamo inferior. O tórax é o dínamo intermediário. O cerebelo é o dínamo superior. O primeiro recolhe os elementos que lhe são fornecidos pelo meio externo, expresso na alimentação usual, e fabrica uma pasta aquosa, adequada à sustentação do organismo. O segundo recebe esse material e, combinando-o com os recursos nutritivos do ar atmosférico, transmuta-o em líquido dinâmico.

O terceiro apropria-se desse líquido, gerando correntes de energia incessante. No dínamo-ventre, detemos a produção do quilo. No dínamo-tórax, presenciamos a metamorfose do quilo em glóbulo sanguíneo. No dínamo-cerebelo, reparamos a transubstanciação do glóbulo sanguíneo em fluido nervoso. Na parte superior da região cerebral, temos o córtex encefálico, representando a sede do espírito, algo semelhante a uma cabine de controle, ou a uma secretária simbólica, em que o «eu» coordena as suas decisões e produz a energia mental com que governa os dínamos geradores a que nos reportamos.

O ser humano, desse modo, em sua expressão fisiológica, considerado superficialmente, pode ser comparado a uma usina inteligente, operando no campo da vida, em câmbio de emissão e recepção. Concentramos, assim, força mental em ação contínua e despendemo-la nos mínimos atos da existência, através dos múltiplos fenômenos da atenção com que assimilamos as nossas experiências diuturnas, atuando sobre as criaturas e coisas que nos cercam e sendo por elas constantemente influenciados.

Toda vez, contudo, em que nos tresmalhamos na cólera ou na crueldade, contrariando os dispositivos da Lei de Deus, que é amor, exteriorizamos correntes de enfermidade e de morte, que, atingindo ou não o alvo de nossa intemperança, se voltam fatalmente contra nós, pelo princípio inelutável da atração que podemos observar no imã comum.

Em nossas crises de revolta e desesperação, de maledicência e leviandade, provocamos sobre nós verdadeira tempestade magnética que nos desorganiza o veículo de manifestação, seja nos círculos espirituais em que nos encontramos, ou, na Terra, enquanto envergamos o envoltório de matéria densa, sobre a qual os efeitos de nossas agressões mentais, verbais ou físicas, assumem o caráter de variadas moléstias, segundo o ponto vulnerável de nossa usina orgânica, mas particularmente sobre o mundo cerebral em que as vibrações desvairadas de nossa impulsividade mal dirigida criam doenças neuro-psíquicas, de diagnose complexa, desde a cefalalgia à meningite e desde a melancolia corriqueira à loucura inabordável.

Toda violência praticada por nós, contra os outros, significa dilaceração em nós mesmos. Guardemo-nos, assim, na humildade e na tolerância, cumprindo nossos deveres para com o próximo e para com as nossas próprias almas, porque o julgamento essencial daqueles que nos cercam, em verdade, não nos pertence.

Desempenhando pacificamente as nossas obrigações, evitaremos as deploráveis ocorrências da autoflagelação, em que quase sempre nos submergimos nas trevas do suicídio indireto, com graves compromissos. Preservando-nos, pois, contra semelhante calamidade, não nos esqueçamos da advertência do nosso Divino Mestre no versículo 41, do capítulo 26, das anotações do apóstolo Mateus: — «Orai e vigiai, para não entrardes em tentação.»
Dias da Cruz