SEXO NOS ESPÍRITOS
BIBLIOGRAFIA
01- O Livro dos Espíritos - questões 200 a 202 02 - Sexo e evolução - pág. 34
03 - Macho fêmea- pág. 35 04 - Forças sexuais da alma - toda a obra
05 - Saúde e Espiritismo - pág. 277  

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O SEXO ALÉM DA MORTE

 

SEXO NOS ESPÍRITOS – COMPILAÇÃO

01- O Livro dos Espíritos -Allan Kardec - questões: 200 a 202

Perg. 200 - Os Espíritos têm sexo?
- Não como o entendeis, porque os sexos dependem da constituição orgânica. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos.

Perg. 201 - O Espírito que animou o corpo de um homem pode animar de uma mulher, numa nova existência, e vice-versa?
Sim, pois são os mesmos Espíritos que animam os homens e as mulheres.

Perg. 202 - Quando somos Espíritos, preferimos encarnar num corpo de homem ou de mulher?
- Isso pouco importa ao Espírito; depende das provas que ele tiver de sofrer.

Os Espíritos encarnam-se homens ou mulheres, porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais e novas ocasiões de adquirir experiências. Aquele que fosse sempre homem, só saberia o que sabem os homens.

02 - Sexo e evolução - Walter Barcelos- pág. 34

2 - O SEXO NA VIDA UNIVERSAL
"O sexo, portanto, como qualidade positiva ou passiva dos princípios e dos seres, é manifestação cósmica em todos os círculos evolutivos."— André Luiz (25.13)
2.1 — Espiritismo e a ignorância sexual
. O Espiritismo veio na época predita por Jesus, a fim de recordar e reavivar todos os seus ensinamentos, que foram esquecidos, e esclarecer muitos outros pontos importantíssimos no campo do conhecimento espiritual, que a Humanidade tinha condições de receber.

Dentre os vários assuntos esclarecidos pela nova doutrina, temos o tema sexo, sobre o qual os Espíritos nos oferecem um riquíssimo material para estudos, dissipando dúvidas, incertezas e preconceitos, clareando os caminhos ainda sombrios da afetividade humana.
Diante do que o Espiritismo nos oferece na atualidade, no campo do esclarecimento sexual, a visão das criaturas humanas sobre a missão sagrada do sexo ainda é muito limitada e obscura, reinando profunda ignorância. Para a maioria dos homens, o conhecimento sobre sexo está restrito às suas manifestações primárias, onde surgem o desequilíbrio, a viciação e a devassidão moral.

É o que nos fala o Espírito André Luiz: "Não podemos, dessa forma, limitar às loucuras humanas a função do sexo, pois seríamos tão insensatos quanto alguém que pretendesse estudar o sol apenas por uma réstia de luz filtrada pela fenda de um telhado." Na quase totalidade, conhecemos atualmente o sexo, tal como alguém que se gabasse de conhecer uma imensa floresta, por ter analisado tão-somente algumas humildes ervas encontradas em seus primeiros passos na mata virgem.

Não devemos restringir as funções sagradas do sexo às manifestações biofisiológicas e aos desequilíbrios comuns da afetividade humana. Para estudar e compreender sexo com Doutrina Espírita, é necessário deslocarmos nossa visão do campo estritamente fisiológico e projetá-la no campo ilimitado do Espírito imortal.

2.2 — O Sexo na Vida Universal
Sexo é fundamento da Vida Universal. Encontra-se nas origens da própria vida, a qual é emanada do Criador. É o que nos esclarece o Espírito André Luiz: "Criação, vida e sexo são temas que se identificam essencialmente entre si, perdendo-se em suas origens no seio da Sabedoria Divina." A energia sexual está intimamente ligada a todo princípio de vida, em todos os graus evolutivos, tanto no planeta Terra como em todos os recantos do Universo.

O sexo, na essência, é energia divina. Força da vida, encontra-se na base de todos os processos de evolução dos seres. Elucida-nos o Espírito Emmanuel:"(...) Os estímulos genésicos (...) são ingredientes da vida e da evolução, criados pela mesma Providência Divina para a sustentação e a elevação de todos os seres"

2.3 — Magnetismo, atração sexual e evolução
A evolução de todos os seres está condicionada aos recursos do sexo, que se desenvolvem e se aperfeiçoam, no curso dos milênios, impulsionados pela Lei de Deus, que é a de progresso para todos os seres do Universo. É através dos recursos magnéticos do sexo que as criaturas humanas e todos os seres dos reinos inferiores se atraem uns aos outros, formando os casais e conseqüentemente as famílias, garantindo a preservação da vida no planeta e no Universo. Fala-nos o iluminado Espírito Emmanuel: "A energia sexual, como recurso da lei de atração, na perpetuidade do Universo, é inerente à própria vida, gerando cargas magnéticas em todos os seres, à face das poten-cialidades criativas de que se reveste."

2.4 — Sexo: Energia Divina
O sexo é energia da própria vida. Todos nós somos chamados a administrá-la em nós mesmos e somos responsáveis pelo que fazemos com ela. A energia sexual está tão ligada às profundezas da vida, que nos diz André Luiz: "Examinado como força atuante da vida, à face da criação incessante, o sexo, a rigor, palpitará em tudo, desde a comunhão dos princípios subatômicos à atração dos astros porque, então, expressará força de amor, gerada pelo amor infinito de Deus."

A energia divina do sexo, expressando força de amor gerada pelo amor infinito de Deus, tanto existe na lei de atração entre os elementos químicos quanto no magnetismo planetário de atração, que dá harmonia aos mundos no espaço cósmico. Sentimos dificuldades de entender a grandeza do sexo na Vida Universal, em virtude de reduzirmos suas funções unicamente a determinados órgãos e sensações do corpo físico.

Encontramo-nos ainda muito distanciados das belezas das leis divinas em nossa própria vida afetiva. Se as águas de um rio, em quase toda a sua extensão, são poluídas, colocando em risco a vida dos animais e do próprio homem, que dela se servem, não podemos dizer o mesmo com relação à sua nascente, cujas águas serão naturalmente claras e puras. Assim devemos ver também a energia sexual que, no seu estado de maior pureza, faz parte das forças que proporcionam o equilíbrio da vida universal.

A grandeza chega a tal ponto que os Espíritos se referem também à energia sublimada de nosso Mestre e Senhor Jesus-Cristo, pelas palavras de André Luiz: "E a própria influência do Cristo, que se deixou crucificar em devotamento a nós outros, seus tutelados na Terra, para fecundar de luz a nossa mente, com vistas à divina ressurreição, não será, na essência, esse mesmo princípio, estampado no mais alto teor de sublimação?"

O sexo na Terra não será sempre o que sentimos, vivemos e experimentamos, na ignorância de paixões e vícios, pois a Lei de Deus, que é de progresso para todos, nos favorecerá sempre para conquistarmos valores mais altos, de relacionamento afetivo, na construção de nossa verdadeira felicidade.

3 - A SEDE REAL DO SEXO
"Sexo é espírito e vida, a serviço da felicidade e da harmonia do Universo."— Emmanuel
A energia sexual que, na essência, é energia divina, tendo como base a lei de atração, manifesta-se em todos os seres, garantindo a perpetuidade da vida no Universo, promovendo em toda parte a evolução, o progresso e a felicidade.
3.1 — Definição de sexo
A definição primária da palavra sexo, segundo o dicionário é: "Diferença física e constitutiva do homem e da mulher, do macho e da fêmea." Esta definição é baseada unicamente no aspecto físico, diferenciando a condição orgânica do masculino e do feminino.

3.2 — Constituição da criatura humana
Para a Doutrina Espírita, a criatura humana não é somente matéria, pois ela é formada de corpo físico, corpo espiritual e espírito. Destes três, o espírito é o comandante, o gerente absoluto, da organização psicossomática. Quem sobrevive após a morte e a destruição do corpo é o Espírito, com sua sensibilidade e os recursos morais, intelectuais, caráter e hábitos.

Cada criatura humana é, na Terra, o que realmente o Espírito já acumulou em si mesmo, na fieira das reencarnações, sendo o corpo instrumento transitório para a romagem terrena. As qualidades do Espírito não são o produto do mecanismo do corpo físico, através de glândulas e hormônios. Como nos diz o Espírito André Luiz: "A personalidade não é obra da usina interna das glândulas, mas produto da química mental."

3.3 — União Fisiológica
Para entendermos melhor o assunto "sexo" com Doutrina Espírita, é necessário não limitarmos a sua função sagrada simplesmente à união fisiológica. Segundo André Luiz, "(...) na Terra é vulgar a fixação do magno assunto no equipamento genital do homem e da mulher. Contudo, é preciso não esquecer que mencionamos o sexo como força de amor nas bases da vida, totalizando a glória da Criação".

O sexo, para a maioria esmagadora das criaturas humanas, está restrito à função dos órgãos genésicos. É muito natural esta visão, em virtude da profunda ignorância humana com relação ao Espírito. Sexo não é somente o prazer de minutos e a permuta de células sexuais.

3.4 — O Espiritismo e os impulsos sexuais

O Espiritismo, pelos seus ensinamentos libertadores, veio descortinar horizontes novos para a afetividade humana, elevando-a a níveis mais altos de relacionamento, na esfera do Espírito. O campo de participação do sexo na vida é imenso e profundo, mas somos ainda humildes aprendizes na escola do amor, a fim de percebermos os maravilhosos mundos novos das emoções santificadoras que a Lei de Deus nos facultará alcançar quando o desejarmos sinceramente.

A infelicidade na área do comportamento sexual entre os cônjuges decorre do fato de a maioria deles teimar em permanecer nos impulsos primários, desinteressados de vivenciar os valores mais nobres do Espírito.

3.5 — Sexo no corpo físico e no Espírito
Os Espíritos trataram muito rapidamente do assunto sexo em "O Livro dos Espíritos", deixando para mais tarde a ampliação desses ensinamentos, os quais foram complementados ricamente, através das obras psicografadas pelo médium Francisco Cândido Xavier e outros.

Em "O Livro dos Espíritos" temos a interessante pergunta de na 200: "Têm sexo os Espíritos?"Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na concordância dos sentimentos." Se atentarmos bem para a resposta dos Espíritos Superiores, iremos observar que eles não responderam com um simples "não". Mas sim: "não como o entendeis". É, portanto, uma negação que traz também uma afirmação implícita, que poderia ser traduzida assim: "os Espíritos têm sexo, mas não como vocês o conceituam na Terra". Os Espíritos têm sexo, mas não de acordo com a concepção de sexo das criaturas humanas. O que precisamos saber é discernir entre o sexo enquanto na vida corpórea e o sexo na vida espiritual.

Os Espíritos realmente não têm o sexo como o da organização física, pois no corpo espiritual não possuem o mecanismo de fecundação com possibilidades para a reprodução entre si. Os Espíritos, só Deus cria. Vejamos as palavras elucidativas do escritor J. Herculano Pires:"No sentido orgânico, biofisiológico, os Espíritos não têm sexo, pois não possuem corpo material e não se reproduzem." Recordemos também as palavras seguras do insigne Codificador, Allan Kardec: "Os sexos só existem no organismo. São necessários à reprodução dos seres materiais, mas os Espíritos, sendo criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros, razão por que os sexos seriam inúteis no mundo espiritual."

Se os Espíritos não têm o sexo biofisiológico semelhante ao experimentado na Terra, o que será então o sexo nos Espíritos, quando libertos do corpo físico e em plena atividade no mundo espiritual?

3.6 — A individualidade do Espírito após a morte
Para compreendermos a questão do sexo nos Espíritos é preciso formarmos a convicção de que eles, após o fenômeno da desencarnação, conservam as suas características. O Espírito na vida espiritual não é um fantasma, uma sombra, um ser vazio. Ele leva consigo tudo que realizou, aprendeu e conquistou nas experiências da vida corpórea, seja no campo do intelecto ou do sentimento, e isso é o que vai caracterizá-lo no mundo espiritual.

Em "O Livro dos Espíritos", temos a seguinte pergunta: "A alma, após a morte, conserva a sua individualidade? "Sim; jamais a perde. Que seria ela, se não a conservasse?" O sexo nos Espíritos não é de ordem biofisiológica, mas sim de vida psíquica, como nos esclarece o Espírito André Luiz: "A sede real do sexo não se acha, dessa maneira, no veículo físico, mas sim na entidade espiritual, em sua estrutura complexa." Ainda o mesmo Espírito reafirma:"O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações (...)."

O corpo não comanda a mente, e sim esta é que administra profundamente a organização do corpo espiritual e do corpo físico. A sexualidade da criatura humana, antes de tudo, nasce do arquivo mental. Os órgãos genitais masculinos e femininos são instrumentos do Espírito, através da ação mental. Perdendo o corpo físico, o Espírito nada perde de imediato, de sua sexualidade, de suas características, de sua maneira de ser.

3.7 — Subconsciência: arquivo profundo da personalidade
A mente é o equipamento sublime do Espírito, resultado de milênios incontáveis de evolução incessante, onde estão gravados, de maneira indelével, todos os recursos psicológicos de nossa personalidade: caráter, cultura, hábitos, aptidões, sensibilidade, desejos, virtudes, vícios, amor, paixões etc. Os recursos mentais variam de Espírito para Espírito, em função do livre-arbítrio de cada um no aproveitamento das experiências, na existência terrena.

Tudo que praticamos: pensando, falando, sentindo e agindo, na fieira das reencarnações, é arquivado, na forma de reflexos nos escaninhos de nossa mente, na sua zona mais profunda, que é a sub-consciência, estruturando assim a nossa individualidade.
A subconsciência, explica-nos o Espírito Emmanuel:

"(...) é o acervo de experiências realizadas pelo ser em suas existências passadas. O Espírito, no labor incessante de suas múltiplas existências, vai ajuntando as séries de suas conquistas, de suas possibilidades, de seus trabalhos; no seu cérebro espiritual organiza-se, então, essa consciência profunda, em cujos domínios misteriosos se vão arquivando as recordações (...)".

Se a mente é a sede real do sexo, pode-se entender daí como é o sexo nos Espíritos. Realmente, os Espíritos não podem reproduzir-se, mas conservam, no seu maravilhoso arquivo mental, todos os reflexos resultantes de suas atividades praticadas aqui na Terra, na sucessão das reencarnações, vivenciando as funções masculinas ou femininas que o corpo físico lhes ofereceu. É o que André Luiz nos reporta:

"Na Esfera da Crosta, distinguem-se os homens e mulheres segundo sinais orgânicos, específicos. Entre nós, prepondera ainda o jogo das recordações da existência terrena, em trânsito, como nos achamos, para regiões mais altas."O mesmo afirmava também o Codificador, Allan Kardec, comentando o problema da influência da experência física na vida espiritual e vice-versa. A influência que se transfere para a vida espiritual que o Codificador analisa, são as mesmas recordações guardadas na mente, ditas por André Luiz:

"Se essa influência se repercute da vida corporal à vida espiritual, o mesmo se dá quando o Espírito passa da vida espiritual para a corporal. Numa nova encarnação trará o caráter e as inclinações que tinha como Espírito."

3.8 — Departamento das almas femininas e masculinas na cidade espiritual "Nosso Lar"
Se o caráter dos sexos não continuasse em realidade na vida espiritual, como uma expressão particular e mais profunda de cada Espírito, não veríamos trechos nas obras de André Luiz, como estes: "As almas femininas não podem permanecer inativas aqui. É preciso aprender a ser mãe, esposa, missionária, irmã."

"Eu não sabia explicar a grande atração pela visita ao departamento feminino das Câmaras de Retificação." "— Reservam-se estas câmaras — explicou o companheiro bondosamente — apenas a entidades de natureza masculina." O Espírito continua, além-túmulo, com suas tendências de homem ou de mulher, pois elas estão guardadas na MENTE. A atração entre os sexos continua no Plano Espiritual, pois permanece também o namoro, o noivado e o casamento nas sociedades espirituais. Vejamos a admiração do Espírito André Luiz em presenciando um casamento no Mundo Espiritual:

"Não tinha, no mundo, a menor idéia de que pudéssemos cogitar de uniões matrimoniais, depois da morte do corpo. Quando assisti a festividades dessa natureza, em "Nosso Lar", confesso que minha surpresa raiou pela estupefação."

3.9 — A identificação sexual do Espírito nas comunicações psicofônicas
Notemos também que o escritor espiritual André Luiz nos adverte quanto à necessidade, quando no intercâmbio com os Espíritos, no trabalho de desobsessão, de deduzirmos qual o sexo que tal Espírito possui na Terra, pois este permanece com as mesmas características em sua estrutura psicológica, como vemos neste trecho:

"Os médiuns esclarecedores, pelo que ouçam do manifestante necessitado, deduzam qual o sexo a que ele tenha pertencido, para que a conversação elucidativa se efetue na linha psicológica ideal (...)." A sexualidade continua profundamente viva em cada Espírito. A nossa personalidade, hoje, tanto no plano físico como no espiritual, é resultado das funções executadas nos milênios, através dos recursos abençoados do sexo, que a Providência Divina nos oferece para a nossa evolução. O sexo, portanto, está na base da formação das características de nossa individualidade.

3.10 — Personalidade sexual: soma de milénios de experiências
O mentor espiritual Emmanuel esclarece-nos:
"(...) Toda a estrutura psicológica, em que se nos erguem os destinos, foi manipulada com os ingredientes do sexo, através de milhares de reencarnações".

3.11 —A sexualidade nos órgãos genitais
Os órgãos genitais não são os elementos básicos para definir a sexualidade das criaturas humanas, pois eles são instrumentos passivos, obedecendo ao comando mental. Não são eles que decretam a nossa sexualidade, mas sim a nossa estrutura psicológica. É o que nos explica André Luiz:

"O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações, transcendendo quaisquer impositivos da forma em que se exprime."
Nossos desejos, sonhos, ideais, sensibilidade, hábitos, aptidões, impulsos afetivos, tendências e reações íntimas, tanto na feminilidade quanto na masculinidade, continuam conosco na vida espiritual, pois estão registrados na mente.

3.12 — Homossexualidade: o sexo é mental
Uma prova de que o sexo é mental está no problema da homossexualidade. Se o sexo não fosse mental, não haveria razão para a homossexualidade. O Espírito, voltando à Terra em um novo corpo físico em desacordo com as características marcantes guardadas na mente, é o que explica o fenômeno do homossexualismo. A morfologia do corpo não se superpõe aos poderes da mente, mas sujeita-se às suas ordens. André Luiz dilata o nosso conhecimento a respeito, dizendo:

"(...) o sexo, analisado na essência, é a soma das qualidades femininas ou masculinas que caracterizam a mente, razão por que é imprescindível observá-lo, do ponto de vista espiritual, enquadrando-o na esfera das concessões divinas que nos cabe movimentar com respeito e rendimento na produção do bem". Na vida espiritual, cada Espírito será, em matéria de masculinidade ou de feminilidade, definido de conformidade com as qualidades que forem predominantes no seu campo mental.

O Espírito, no curso das reencarnações, precisa habitar em corpo de homem ou de mulher, para a aquisição das experiências que lhe possibilitarão alcançar a perfeição. E o que "O Livro dos Espíritos" nos esclarece na pergunta: "Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou de uma mulher? "Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar."

Não há problema para o Espírito encarnar em corpo de homem ou de mulher. O que o governa é a necessidade de experimentar as provas e obedecer à lei do progresso que o impulsiona a melhorar sempre. O mestre Allan Kardec também nos ensina: "É com o mesmo objetivo que os Espíritos se encarnam nos diferentes sexos; aquele que foi homem, poderá renascer mulher e aquele que foi mulher poderá nascer homem, a fim de realizar os deveres de cada uma dessas posições e sofrer-lhes as provas."

O Espírito precisa passar pelas experiências dos dois sexos, porque o campo de aprendizado de cada um é diferente. Nenhum Espírito chegará ao porto da perfeição, sem antes ter acumulado em sua estrutura psíquica as qualidades de ambos os sexos.

3.13 — Caráter psicológico predominante
Esta alternância do Espírito, ora em corpo de homem, ora em corpo de mulher, não é automática e nem uniforme: varia de Espírito para Espírito. Na maioria dos casos, permanece o Espírito longo tempo nas experiências de homem ou de mulher, consolidando características bastante fortes, na sua estrutura mental. É o que nos explica ainda Allan Kardec:

"(...) pode acontecer que o Espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, o que faz que, durante muito tempo, possa conservar, no estado de Espírito, o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa". Na atualidade, diz-nos com outras palavras o Espírito André Luiz: "Considerando-se que o sexo, na essência, é a soma das qualidades passivas ou positivas do campo mental do ser, é natural que o Espírito acentuadamente feminino se demore séculos e séculos, nas linhas evolutivas da mulher e que o Espírito marcadamente masculino se detenha por longo tempo nas experiências do homem".

A sexualidade em cada criatura humana será sempre a soma das experências adquiridas em corpo de homem e de mulher, embora uma delas seja o percentual maior no campo mental, determinando a condição de masculinidade ou feminilidade.

3.14 — Evolução incessante da estrutura psicológica sexual
Como somos chamados pela Lei de Deus ao aperfeiçoamento incessante, é natural que não vamos permanecer com a nossa vida mental estacionada e limitada indefinidamente em seu poder. A modificação das funções do Espírito na escola terrena, habitando em corpo de homem ou de mulher, faz com que a estrutura mental vá assimilando valores novos e transformando a sua personalidade, com o passar dos séculos.

A posição mental de cada Espírito na feminilidade ou na masculinidade não é fixa, mas, transitória, porque evolui sempre. Como nos diz Emmanuel: "(...) Espíritos que aspiram a realizar tarefas específicas na elevação de grupamentos humanos, reencarnam "em vestimenta carnal oposta à estrutura psicológica pela qual transitoriamente se definem"."

Com o revezamento das experiências, cada vez mais acentuadas, de homem ou de mulher, na rota dos milênios, o Espírito vai acumulando as qualidades dos dois sexos, fazendo que a entidade imortal enriquecida apresente características femininas e masculinas, não na organização física, mas na sua estrutura psicológica, manifestando virtudes de ambos os sexos, mas com predominância de uma delas.

É o que aprendemos com Emmanuel: "(...) através de milênios e milênios, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciada, em quase todas as criaturas".

3.15 — A bissexualidade na estrutura psicológica do Espírito
As ciências psicológicas da atualidade não conseguem determinar uma personalidade com normalidade integral, no sentido de feminilidade ou de masculinidade, em grande parte das criaturas humanas. O fenômeno da bissexualidade é a pessoa apresentar em sua personalidade, em seus hábitos, em suas aptidões e tendências, qualidades tanto femininas quanto masculinas. Quanto mais virtudes de ambos os sexos possuir o Espírito, maior será o seu grau de evolução na hierarquia espiritual.

Desenvolve o nosso entendimento o Instrutor do Espírito André Luiz: "(...) na Crosta Planetária, os temas sexuais são levados em conta, na base dos sinais físicos que diferenciam o homem da mulher e vice-versa; no entanto, ponderou que isso não define a realidade integral, porquanto, regendo esses marcos, permanece um Espírito imortal, com idade às vezes multimilenária, encerrando consigo a soma de experências complexas, o que obriga a própria Ciência terrena a proclamar, presentemente, que masculinidade e feminilidade totais são inexistentes na personalidade humana, do ponto de vista psicológico.

Homens e mulheres, em espírito, apresentam certa percentagem mais ou menos elevada de características viris e feminis em cada indivíduo, o que não assegura possibilidades de comportamento íntimo normal para todos, segundo a conceituação de normalidade que a maioria dos homens estabeleceu para o meio social".

3.16 — Aquisição de qualidades
André Luiz nomeia as qualidades a serem adquiridas, tanto na masculinidade quanto na feminilidade: "Compreendemos, destarte, que na variação de nossas experiências adquirimos, gradativamente, qualidades divinas, como sejam a energia e a ternura, a fortaleza e a humildade, o poder e a delicadeza, a inteligência e o sentimento, a iniciativa e a intuição, a sabedoria e o amor, até lograrmos o supremo equilíbrio em Deus."

Na sucessão ininterrupta das reencarnações, o Espírito é chamado pela Lei de Evolução a conquistar qualidades divinas, executando funções tanto na condição de feminilidade quanto de masculinidade. O Espírito não pode ficar estacionado numa única característica, pois ficará sempre deficiente e não se alçará a voos mais altos, na caminhada de ascensão para Deus.

Se o Espírito tem característica marcadamente feminina e não reencarnar em corpo de homem, para novas experiências, ficará impossibilitado de enriquecer de virtudes que somente em corpo de homem poderá o Espírito adquirir, e assim também no caso inverso.

Para o Espírito chegar à perfeição, é necessário que acumule qualidades que ambos os sexos oferecem, no campo da existência humana.

3.17 — Perfeição do Espírito e os característicos sexuais
À medida que o Espírito vai alcançando graus mais altos na hierarquia do aperfeiçoamento espiritual, vai ele perdendo as características acentuadas dos dois sexos, porque elas vão se fundindo para surgirem muito mais belas e superiores às qualidades humanas. É o que afirma André Luiz:

"Quanto à perda dos característicos sexuais, estamos informados de que ocorrerá, espontaneamente, quando as almas humanas tiverem assimilado todas as experiências necessárias à própria sublimação, rumando após milênios de burilamento, para a situação angélica, em que o indivíduo deterá todas as qualidades nobres inerentes à masculinidade e à feminilidade, refletindo em si, nos degraus avançados da perfeição, a glória divina do Criador.

O Espírito, em chegando à perfeição, não apresentará, portanto, características masculinas ou femininas, como as conhecidas na Terra, mas, sim, a síntese gloriosa dessas virtudes desenvolvidas infinitamente, em plenitude de luz, sabedoria e amor.

03 - Macho fêmea - Francisco A. Gabilan - pág. 35


Cap. 6 — Os Sexos para os Espíritos
Vejamos o primeiro passo. Já dissemos atrás que somente poderemos cuidar das chamadas anormalidades se antes conhecermos a sexualidade e os sexos em sua entendida normalidade. E, como a matéria é aqui analisada à luz do entendimento Espírita, será necessário buscar as informações necessárias nos livros básicos da Doutrina. E o mais básico de todos - de conceitos e teses que se constituirão em alicerce para todo o desenvolvimento da Doutrina nas obras subsequentes - é O Livro aos Espíritos. E onde buscaremos a resposta à pergunta padrão feita por todos nós e que também Kardec havia feito aos próprios Espíritos:

- Têm sexos os Espíritos? A resposta é NÃO, mas de modo algum é uma negativa isolada e peremptória. Ninguém poderia dar-se por satisfeito somente com essa partícula negativa, pois que poderia induzir a erros. A Resposta exata é: - Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização.

Lembremo-nos que no cap. 4, atrás, foi destacada a importância de que a referência aos sexos estava no plural. Pois então: a pergunta de Kardec foi feita no plural, obviamente referindo-se aos sinais distintivos morfológicos dos seres, ou seja, o que define que alguns sejam homens (sexo masculino) e outros mulheres (sexo feminino). Tivesse ele querido perguntar se os Espíritos tinham sexualidade distintiva, instinto sexual, potencialidade, e teria usado no singular - sexo -, e, dessa forma, generalizaria como todos nós fazemos, referindo-nos à sexualidade simplesmente como "sexo".

E isto resta claro quando ele formula as duas questões seguintes (201 e 202), referindo-se a homem e a mulher em ambas: na primeira, perquirindo quanto à probabilidade de ter um ou o outro sexo em nova existência; na segunda, qual o sexo em que preferiria o Espírito reencarnar.

Não foi por outra razão que os Espíritos responderam: não têm sexos, como o entendemos - aqui, no plano físico -, pois os sexos estão adequados a um organismo material complexo, o corpo físico, como um todo. Em uma palavra: os Espíritos não têm aparelhamento sexual, nem dele não necessitam, já que não têm mais corpo físico denso, mas... Daí, nós sairmos por aí afirmando que os Espíritos não em sexo, no sentido de sexualidade, de potencialidade, vai uma diferença muito grande.

Quanto a sexos, para colocarmos a questão em seus devidos lugares, perguntamos: quem são os Espíritos? Não somos nós mesmos, quando desenfeixados do corpo físico, agora encarnados? Logo, os Espíritos não são um género à parte na Natureza -um tertius genus. E nós possuímos sexos: ora estamos animando um corpo feminino (com aparelhamento sexual e organismo de fêmea), ora animando um corpo masculino (como aparelhamento e organismo morfológico de macho).

Pois é exatamente o que os Espíritos responderam a Kardec na questão 201 quando perquiridos: "Em nova existência, pode Expressão latina: Terceiro gênero, além dos dois existentes o Espírito que animou o corpo de um homem animar o de uma mulher e vice-versa?" Resposta: "Decerto; SÃO OS MESMOS os Espíritos que animam os homens e as mulheres."

Logo, é fácil deduzir que, podendo o Espírito ora animar-se como homem, ora como mulher - assumindo na matéria morfologia de macho ou de fêmea, masculina ou feminina, e assim agindo e atuando — em verdade ele não é assexuado, sem sexo (no singular: sem sexualidade); não tem o aparelhamento sexual (sexos), mas tem as duas potencialidades (é bipotencial), que pode desenvolver em conformidade com seus interesses e necessidades reencarnatórias, ou melhor, segundo "as provas por que haja de passar". Essa é a exata resposta que os Espíritos deram, na questão 202, quando perguntados por Kardec: "Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher"

— "Isso pouco importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar."
Assim, encarnando ora revestidos em uma morfologia, ora em outra, os sexos são necessários para a reprodução dos seres orgânicos, logo para a reencarnação de Espíritos. Se é uma necessidade, é um imperativo das Leis Naturais, das Leis Divinas — que são eternas, imutáveis, irrevogáveis e perfeitas, como o próprio Criador. Daí a pergunta que já se fez e que é mister responder detalhadamente: por que a Criação gerou suas criaturas dependentes do sexo, que provoca tantos desequilíbrios? A resposta está na evolução do instinto sexual e dos sexos. Esse o segundo passo, uma história mais longa e não menos interessante, sobretudo importante.

04 - Forças sexuais da alma - toda a obra

ÊXTASE SEXUAL: CHAMAMENTO REENCARNATÓRIO, MATERNIDADE, CONSTRUÇÃO DA ALMA
Pelos conceitos emitidos até o momento podemos aquilatar da importância da energética sexual nos respaldes da própria vida. Energia criativa, por excelência, tem tido por parte da ciência avaliações bastante superficiais. Entretanto, lembramos que Freud percebeu alguns de seus ângulos mais profundos, como, também, alguns de seus desvios; seus estudos atingiram exclusivamente a zona física, não conseguindo penetrar a grande fonte em que a vida se esteia.

Apesar de tudo, mesmo com as avaliações psicológicas mais superficiais que são as mais comuns, ficamos diante de um imenso quadro ainda por ser equacionado e definido. As manifestações sexuais da zona física, ligadas à zona do psiquismo consciente, já nos fornece um manancial bastante expressivo de análises. Se tentarmos traduzir o êxtase sexual, manifestação magnética desenvolvida pelo encontro dos dois pólos (masculino e feminino), ficamos reduzidos na avaliação, devido aos ainda limitados campos perceptivos de nossa intelectualidade. Será que o êxtase sexual teria a finalidade de atender aos sentidos e assegurar a reprodução? Será que funcionaria como exclusivo mecanismo de conservação da espécie? Será que a descarga energética propiciada pelo êxtase sexual visaria, com exclusividade, um "bem-estar bioquímico"? Ou será que o êxtase sexual construiria algo mais além da finalidade evolutiva?

Acreditamos que o êxtase sexual, esta grande reação da vida, além de atender a necessidade procriativa, seria um mecanismo de profundas trocas energéticas entre dois seres. As polaridades sexuais necessitam do intercâmbio para complemento mútuo. As forças sexuais da organização física encontram-se ora na posição masculina, ora na feminina, com finalidade de se juntarem pelo desenvolvimento evolutivo. Seriam pólos em constante atração um pelo outro, a fim de se construírem energetica-mente. Tudo se iria fazendo de modo que, pelas vivências reencarnatórias, tanto o setor masculino quanto o feminino fossem adquirindo independência pela ampliação das aptidões.

O homem no início da sua evolução vive pelos sentidos materiais. A pouco e pouco, as fontes profundas do espírito vão-se deixando mostrar diante das forças sexuais em evidência. Quanto mais evoluídos os seres, mais conscientes do processo espiritual em atividade; isto é, quando o amor se desenvolve com profundidade espiritual, o vórtice do êxtase sexual permitiria uma construção específica, entre o homem e a mulher, onde as suas respectivas fontes seriam locupletadas e abastecidas. Quando o relacionamento entre o homem e a mulher representa apenas um encontro superficial e de simples descargas de energias, o resultado ficará na superfície, na zona física, sem atingir as forças profundas da alma, porque as suas finalidades foram superficiais e sem a construção espiritual que o amor sério e harmónico pode propiciar.

Compreender um mecanismo desse quilate e entender a sua finalidade não será somente consequência de intelectualidade e cultura, mas, possivelmente, o resultado de um processo maturativo alcançado por evolução. Em "A Grande Síntese", no capítulo As vias da evolução humana, informa-nos P. Ubaldi: "Os instintos inferiores, as paixões tempestuosas, são o antagonista na grande luta interior. As grandes renúncias — pobreza, castidade, obediência — são os decisivos embates dos quais a animalidade sai desfalecida, mas que, convém lembrar, só poderão ter valor quando se souber ao mesmo tempo reconstruir, substituindo aqueles instintos e paixões por mais altas qualidades: amores, domínios e paixões mais espirituais; de outro modo, o ser perder-se-á no vácuo de uma infrutífera asfixia. Se ao ser se impõe uma morte no nível animalidade, deveis oferecer-lhe um renascimento no nível espiritualidade. As paixões são grandes forças que não deveis tentar destruir, mas utilizá-las e elevá-las, porque na evolução tudo procede por continuidade."

Pelo que hoje conhecemos do mecanismo das energias, das suas atrações e repulsões, das suas emissões e recepções, não podemos deixar de computar o imenso valor construtivo da dinâmica sexual. Claro que estamos a referir os casos harmônicos, ajustados, bem-intencionados e sem desequilíbrios de qualquer natureza, entre dois seres de sexos diferentes. Desse entrosamento grandioso, por ser, por excelência, benéfico e construtivo, haveria muito mais do que uma atração mútua com finalidade de abastecimento. As emissões de energias, que o êxtase sexual oferece, poderiam muito bem ser um campo atrativo para os espíritos necessitados de reencarnação. Não queremos dizer que os vórtices do êxtase sexual representem uma porta aberta ao mergulho espiritual nas armilas carnais, mas, sim, um campo específico de irradiações, como se fora um foco atrativo a convidar almas afins que estivessem em sintonia com os pais para, dentro de estruturas dinâmicas apropriadas, envolverem-se no complexo fenômeno da reencarnação.

Quando o êxtase sexual não pudesse responder pelo processo reencarnatório, como sói acontecer em muitos casos pelo esgotamento procriativo feminino, ou lesões físicas que prejudiquem o processo, buscaria despertar nos cônjuges a abertura de outros campos mentais, de um amor mais purificado pelo degrau alcançado, onde a fraternidade teria lugar de destaque. E aqueles que, por motivos vários não tivessem o encontro sexual físico, mas apresentassem condições espirituais bem desenvolvidas na própria alma, conduziriam essas energias criativas para o bem, para as virtudes, para a educação dos filhos da vida e outros movimentos fraternos, a fim de drenarem os seus potenciais acumulados. As forças do bem desenvolvidas entre os seres representam benesses a enaltecer, continuamente, o amor autêntico que se encontra acima de qualquer exteriorização, porém sustentando os imperecíveis valores que dignificam a vida.

André Luiz, no capítulo sobre sexo, em seu livro "No Mundo Maior", dá-nos a seguinte referência: "Convictos desta realidade universal, não podemos esquecer que nenhuma exteriorização do instinto sexual na Terra, qualquer que seja a sua forma de expressão, será destruída, senão transmudada no estado de sublimação. As manifestações dos próprios irracionais participam do mesmo impulso ascensional. Nos povos primitivos, a eclosão sexual primava pela posse absoluta. A personalidade integralmente ativa do homem dominava a personalidade totalmente passiva da mulher.

"O trabalho paciente dos milênios transformou, todavia, essas relações. A mulher-mãe e o homem-pai deram acesso a novos sopros de renovação do espírito. Com bases nas experiências sexuais, a tribo converteu-se na família, a taba metamorfoseou-se no lar, a defesa armada cedeu ao direito, a floresta selvagem transformou-se na lavoura pacífica, a heterogeneidade dos impulsos nas imensas extensões de território abriu campo à comunhão dos ideais na pátria progressista, a barbárie ergueu-se em civilização, os processos rudes da atração transubstanciaram-se nos anseios artísticos que dignificam o ser, o grito elevou-se ao cântico; e, estimulada pela força criadora do sexo, a coletividade humana avança, vagarosamente embora, para o supremo alvo do divino amor. Da espontânea manifestação brutal dos sentidos menos elevados a alma transita para gloriosa iniciação.

"Desejo, posse, simpatia, carinho, devotamento, renúncia, sacrifício, constituem aspectos dessa jornada sublimadora. Por vezes, a criatura demora-se anos, séculos, existências diversas de uma estação a outra. Raras individualidades conseguem manter-se no posto da simpatia, com o equilíbrio indispensável. Muito poucas atravessam a província da posse sem duelos cruéis com os monstros do egoísmo e do ciúme, aos quais se entregam desvairadamente. Reduzido número percorre os departamentos do carinho sem se algemar, por largo trecho, aos gnomos do exclusivismo. E, às vezes, só após milênios de provas cruciantes e purificadoras, consegue a alma alcançar o zênite luminoso do sacrifício para a suprema libertação, no rumo de novos ciclos de unificação com a Divindade.

"O êxtase do santo foi, um dia, mero impulso, como o diamante lapidado — gota celeste eleita para refletir a claridade divina — viveu na aluvião, ignorado entre seixos brutos. Claro está que, assim como se submete o diamante ao disco do lapidário, para atingir o pedestal da beleza, assim também o instinto sexual, para coroar-se com as glórias do êxtase, há que dobrar-se aos imperativos da responsabilidade, as exigências da disciplina, aos ditames da renúncia."

É pela difusão de energias criativas, onde o manancial sexual de profundidade encontra-se acoplado e fazendo parte de sua estrutura, que o ser tem oportunidade de manifestar o êxtase de doação e de entender o valor construtivo das realizações na esfera do espírito. Doar energias, de modo fraterno, positivo e sem preocupações da oferta, a possibilitar a abertura dos campos da vida numa recepção de vitalidade constante e renovações perenes. Quanto mais oferecermos um trabalho íntegro com doações de amor, nos campos positivos do bem, mais seremos reabastecidos por envolventes energias, tanto mais construtivas quanto mais efetivas forem as doações.

Pela conceituação em pauta, podemos avaliar da importância das atitudes que o ser humano necessita desenvolver para sua construção espiritual. Devemos anotar, também, as respostas negativas em face dos desequilíbrios desenvolvidos. A vida é ordem e harmonia. Viver em desarmonia é semear a desordem e o caos, com as reações-respostas que as ações desencadearam. Enquanto estivermos no charco só veremos turvações e respiraremos os gases resultantes das decomposições; quanto mais buscarmos as fontes cristalinas, mais perceberemos a pureza e a beleza da luz, embora, na luta, o sacrifício possa construir o lírio com toda a sua sutileza, perfume e beleza, cujas raízes encontram-se implantadas na lama.

"O cativeiro nos tormentos do sexo não é problema que possa ser solucionado por literatos ou médicos a agir no campo exterior: é questão da alma, que demanda processo individual de cura, e sobre esta só o espírito resolverá no tribunal da própria consciência. É inegável que todo auxílio externo é valioso e respeitável, mas cumpre-nos reconhecer que os escravos das perturbações do campo sensorial só por si mesmos serão liberados, isto é, pela dilatação do entendimento, pela compreensão dos sofrimentos alheios e das dificuldades próprias, pela aplicação, enfim, do "amai-vos uns aos outros" assim na doutrinação, como no imo da alma, com as melhores energias do cérebro e com os melhores sentimentos do coração." (André Luiz.)

Uma das grandes construções de que o ser pode participar é a do processo procriativo, pela oferta de um corpo ao espírito necessitado de experiências e realizações. Imaginemos a importância de nossa participação nesse grande movimento da vida e quanto teremos que responder quando agredimos o processo procriativo com a nossa desvairada interferência. O nosso livre-arbítrio, a interferir no processo procriativo, deverá ser sempre equilibrado e amparado pelos motivos ajustados e bem equacionados da ciência.

É o caso de se perguntar: será preferível um espírito reencarnar num lar pobre com as habituais dificuldades de subsistência, absorvendo nos escolhos e tropeços pela vida forças e hábitos de lutas onde os pais participem com integralidade, ou ficar o espírito aturdido e acoplado à mãe que lhe fechou os canais, criando, nesta simbiose, neuroses e psicoses de variados matizes? Os espíritos quando vêm para a reencarnação, na maioria das vezes, muito antes do processo de gestação evidenciar-se, de há muito já estão em sintonia com o cadinho materno.

Sabemos, e temos como certo, que a ciência com os seus métodos se vai aperfeiçoando e haverá, sem sombras de dúvidas, de futuro, uma sociedade mais bem arregimentada. Porém, nas fases transitórias, a fim de que a organização social alcance outros degraus éticos e de moral elevada, haverá distúrbios e desentendimentos, representando a procura do autêntico caminho. Nessas fases, a dor é a bandeira desfraldada a ser colhida por todo aquele que se encontre em dívidas presentes ou pregressas, na tonalidade que tenha a capacidade de suportar e relacionado ao grau de responsabilidade com o qual esteja comprometido.

Com o abuso na aplicação dos anticoncepcionais, a maternidade recebe um forte golpe pelas restrições de mecanismos altamente valorosos para a evolução individual e coletiva. Sem contarmos o aborto delituoso, a constituir crime dos mais graves, com severas respostas espirituais para aqueles que fugiram às suas responsabilidades, o fechamento das portas reencarnatórias, pelo uso indevido dos contraceptivos, contribui para desorientação das energias desencadeadas pelo êxtase sexual.

O contacto sexual, desenvolvendo energias imensas entre os cônjuges, de suas muitas finalidades teria o fim precípuo da atração do espírito reencarnante. Haveria, desse modo, o chamamento para aquele que, sintonizado com os pais, pudesse encontrar o "caminho" na nova mudança dimensional — motivo da realização evolutiva individual e do ciclo familiar. Se os canais destinados à maternidade são neutralizados e fechados, é claro que haverá distúrbios, principalmente no psiquismo de profundidade, isto é, na zona inconsciente ou espiritual, onde as energias emitidas por essas fontes não encontram correspondência em seu ciclo. Se o espírito encarnado emite energias para a sua própria matéria, esta também forneceria energias a serem aproveitadas pela zona espiritual após devida metabolização, isto é, após adaptações.

Havendo quebra desses mecanismos, por causas diversas (pílulas anticoncepcionais, aborto delituoso), é lógico que um dos fatores mais expressivos da vida entre em colapso, com as consequências daí advindas. As energias em desalinho encravam-se na tecitura espiritual do culpado, refletindo, de futuro, as desarmonias como processo compensatório. Somente a dor, com o chamamento de suas vibrações, teria a possibilidade de limpar os campos doentes do espírito desencadeados pelas infelizes atitudes dos que transgrediram a Grande Lei. A organização do corpo físico, ainda constituído exaustor ideal para o equilíbrio: daquele que se encontra, temporariamente, desarmonizado.

Diante dessa assertiva, devemos compreender a importância e o necessário cuidado avaliativo do setor sexual, e da conduta que devemos manter diante da lógica de um entendimento mais correto possível. Com os nossos atos menos felizes, estribados em opiniões sem critérios e sem sedimento, não enganaremos senão a nós mesmos. As leis são justas e perfeitas. Os homens, ainda ignorantes das grandes finalidades da vida, encontram-se limitados e, apesar de suas avaliações superficiais, unilateralizadas e sem profundidade, desejam traçar rumos e ditar normas como inconcussas verdades a serem seguidas. Léon Denis, um dos grandes vexilários da Doutrina Espírita, afirmava que "o lar abençoado por uma prole é templo dos pais e altar dos filhos, escola em que a humanidade cresce, guindando o ser ao ápice da destinação para a qual evolute: a perfeição".

O êxtase sexual não pode significar apenas um prazer para os sentidos na faixa da psique de superfície ou zona consciencial. É claro que representa um atrativo, uma necessidade e exigência do movimento glandular da arquitetura física. Os seus campos de influência terão que transcender a dimensão do nosso entendimento na matéria. Vórtices de tal quilate devem alcançar as zonas nobres e desconhecidas do psiquismo de profundidade, onde as delicadas e ainda incompreensíveis organizações da alma se dessedentam. Esses importantes vórtices energéticos, desencadeados pelo contacto sexual na zona material, devem atravessar todos os campos do psiquismo à procura de sua zona central, o inconsciente puro (capítulo I). E, nesses momentos inavaliáveis pelos sentidos, inenarráveis pelas emoções, fica o ser procurando o que há de mais nobre no universo onde vive e convive. Fica ansiando, em êxtase, pela Grande Energia, pela Inteligência Máxima, pelo próprio Deus a manifestar seus incalculáveis eflúvios pelas zonas profundas do psiquismo, na energia crística vibrante que carregamos no inconsciente puro.

A utilização ou não do sexo na zona física deve obedecer a condições. Quem não estiver preparado, pela própria evolução, não poderá dispensar ou afugentar o mecanismo sexual da zona física. Quem ainda não tiver suplantado as fases sexuais, nas suas duas polaridades, não terá condições de afastar-se das necessárias realizações na romagem física. Entretanto, a castidade pode ser desenvolvida, pela construção das energias sexuais no bem, quando essas forças da alma estiverem mais maduras para um direcionamento mais bem adequado.

O sexo é organização específica por onde os mecanismos de sublimação podem dar-se e, também, por onde o amor favorece os impulsos que buscam sempre o equilíbrio das emoções. Na ausência de responsabilidade, onde viceja o campo negativo da libertinagem, o amor é desequilíbrio, é animal e puramente selvagem. O sexo só evolui para o bem e a sua maior construção é quando se projeta além da mente de superfície e busca, no comando mais nobre das emoções, as vivências mais avançadas do espírito. Os que ainda vicejam nas paixões animais, elaborando vícios dos sentidos, encontrarão respostas na patologia sexual, tendo muito a lutar e a caminhar para equilíbrio de suas organizações que, por sua vez, é liberação. Somente na conduta do bem poderá o homem participar da harmonia que busca e anseia.

É no relacionamento sexual equilibrado, sem a busca constante do orgasmo passageiro, cansativo e atordoante, que as almas se refazem, tornam-se autênticas em estado rítmicos de espiritualização. Pelo relacionamento harmônico o ser atenderia ao espírito reencarnante, como, também, à alma do cônjuge ou participante, sem reflexos de lesões no corpo físico e no perispírito. Ás forças sexuais bem dirigidas amparam as criações de ordem física, intelectual, sentimental e espiritual. As forças do sexo, desenvolvidas em todo o seu estuário — da parte física à zona espiritual —, pelas permutas harmônicas renovam os campos do espírito e oferecem lampejos e impulsos para as grandes construções humanas. Os que se encontram em fases involutivas, cortejando a sensualidade barata na vulgarização dos sentidos, destroem o seu potencial de forças criadoras, aumentando os campos de amoralidade.

As grandes realizações estão sedimentadas na responsabilidade do amor-equilíbrio. As mais expressivas construções na vida artística e literária têm oferecido excelsos exemplos nesse sentido. Dante, sem a inspiração de sua Beatriz, possivelmente não teria elaborado a Divina Comédia. A força criativa do sexo é de tal ordem que pode ser também transferida, em casos específicos, aos campos do martírio e da renúncia com apagamento da personalidade. Nos atos de autêntico heroísmo, em muitas circunstâncias, poderá haver reflexos dessas energias profundas do psiquimo, que somente a integridade de seus eflúvios seria capaz de motivar.

Na ausência de amor, nas baixezas da libertinagem encontram-se os móveis de destruição, inclusive a decadência da grei e dos povos. Os que se perderam através das forças sexuais desequilibrantes incorporarão, nas futuras reencarnações, energias destoantes diversas, onde a frigidez sexual, sem explicações científicas para determinados seres, representa uma resposta; existindo casos, pelas informações espirituais, em que o parceiro de outrora está quase sempre presente como cônjuge necessitado e exigente.

Nos dias presentes, de evidentes reajustes cármicos, os reflexos destoantes na organização sexual, como reações-respostas da Lei, são gritantes. O número de homens e mulheres que estão demonstrando essas reações, na frigidez sexual sem causas orgânicas apreciáveis, é bem maior do que se possa aquilatar. O cônjuge, tanto masculino quanto feminino, não tendo condições de entendimento com a frigidez sexual do parceiro, inquieta-se e desorganiza-se em face dos sentidos, pelas vorazes forças instintivas sempre a solicitar o que não lhe pode ser dado. Em vista desses graves desajustes, somente o conhecimento da posição cármica, pela análise e devida avaliação, propiciará, para o casal em desajuste, um caminho adequado num processo terapêutico de equilíbrio.

Quase sempre o abrir das comportas instintivas, sem medidas e mesmo cultivando distonias, constitui grave erro para aquele que devia preservar o património das suas forças criativas. Com seus desequilíbrios arrastam o parceiro, prejudicando e atingindo os componentes sexuais que se encontram relacionados com toda a estrutura de ligação com o casal. Por tudo, compreendemos a necessidade de utilização das vibrações sexuais (com ou sem utilização direta dos órgãos sexuais), com equilíbrio e disciplina, para que haja reservas energéticas imensamente benéficas ao metabolismo psíquico. É bem oportuna a referência de um amigo espiritual:

"A castidade funciona como depósito de reservas energéticas, castidade que não pode ser considerada somente como a falta de exercício sexual, mas como método e disciplina. Castidade que não é ausência; castidade que é apenas equilíbrio. Porque, na permuta das emoções, as almas também se completam, os corpos se renovam; porque não somente o processo físico, mas também a dissociação energética que se interpenetra nos homens, nos seres, produz essa dissociação, o intercâmbio mantenedor da própria vida. Na atualidade espiritualista, na impossibilidade de convocar o homem a uma disciplina que seria a ideal, é mister convocá-lo aos exercícios mentais, para que, por intermédio deles, possa ele manter a linha direcional de sua mente, voltada para os deveres espirituais e complementada pela função equilibrada." Assim, situemos o sexo na arquitetura do psiquismo como um dos pilares criativos da vida.

Por essa maneira de ver, avaliemos a importância do contingente dinâmico sexual no processo evolutivo dos seres. Podemos, também, aquilatar por que Freud percebeu essas forças, embora só as correlacionasse na zona mais periférica ou do corpo físico. Os seus estudos estavam afeitos à zona material e, como tal, não pôde dar o grande mergulho na essência do espírito e sentir as forças supersexuais que carregamos. Jung, que deu mais importância ao inconsciente no sentido de defini-lo em "proporções coletivas", ofereceu uma psicologia de maior profundidade, traduzindo essas forças sexuais na dualidade: animus x anima. Os estudos desse investigador teriam maior alcance e seriam mais bem compreendidos se na sua psicologia fosse incluído o mecanismo palingenético, mecanismo que proporcionaria a simplificação de muitos de seus conceitos.

Gostaríamos de lembrar que as forças PSI-sexuais, em seus pontos mais centrais do psiquismo, em plena zona espiritual, sendo impessoais e de totalidade, não apresentam as múltiplas variações com que se refletem na periferia corpórea. E um dos fatores dessa diversificação de apresentação, que mais influência determina na exteriorização do próprio sexo (masculino ou feminino), seria o arcabouço psicológico de cada ser. Sabemos das inúmeras variações, que vão ao infinito, dos indivíduos, embora possamos arregimentá-los, segundo o seu desenvolvimento espiritual, em infranormais, normais e supranormais.

Se a estes tipos acrescentarmos fatores de introversão e extroversão, próprios do pensamento junguista e como os mais expressivos no biótipo psicológico, esbarraremos numa extensa variedade de apresentação sexual no corpo físico, mesmo obedecendo à influência direta da faixa PSI-sexual de sua própria necessidade. Consideremos, ainda, as etapas da vida (infância, adolescência, idade adulta e velhice), os fatores do meio ligados à alimentação, às influências barométricas, educação intelectual e sentimental, realmente, chegaremos à conclusão de um difícil enquadramento, onde cada indivíduo terá o seu próprio aspecto, por apresentar, também, sua própria condição evolutiva.

A potencialidade bissexual
que possuímos na intimidade da alma, quando em canalização normal, na periferia consciencial, traduz a sua tendência e grau na adequada e necessária faixa física. Entretanto, podemos computar variações de acordo com a idade do indivíduo, cuja personalidade pode modificar, em parte, as tendências internas sem que isto represente variações apreciáveis. É o caso de certas pessoas, em idade avançada, que apresentam rasgos emotivos com decisões mais apropriadas ao sexo oposto. Por isso, o homem velho pode apresentar-se mais delicado, sentimental e mais submisso; acontecendo o contrário com a mulher idosa que pode refletir um pouco dos ímpetos e arrogâncias do sexo masculino.

Além dessas apresentações das energias sexuais, absolutamente normais, sofrendo pequenas variações de escoamento na zona consciente, existiriam outras oscilações também consideradas normais, onde o indivíduo revelará, pelas atitudes emocionais, acúmulo de tendências opostas reprimidas. Estas últimas variações são perfeitamente percebidas na escolha entre cônjuges em que, na maioria das vezes, a atração entre ambos está ligada a uma desconhecida imposição; é como se houvesse entre os dois sexos a necessidade de uma complementação emocional. Cremos que as ligações sexuais entre cônjuges seriam mais pulsões psíquicas de atração (simpatia, entendimento íntimo), como uma necessidade de complemento construtivo, onde outras faixas de vibrações da vida entrariam em jogo.

Diante dessa conceituação, podemos dizer que a energética sexual na fonte interna ou espiritual seria unificada por uma totalização integral, na periferia a variação seria imensa nas suas personificações. O escoamento periférico dessas energias variariam em face da tela consciente de manifestação relacionada diretamente ao tipo psicológico. Qualquer que seja a posição individual evolutiva (infranormais, normais e supranormais), nos tipos introvertidos a drenagem dessas energias seria maior do que nos extrovertidos. Sabemos que o introvertido contém-se em face do objeto, solicita maior teor emocional, enquanto que o extrovertido logo se identifica com o objeto, não necessitando de maior carga emocional das correntes PSI-sexuais em deságüe. Esse mecanismo está bem compreendido na conhecida lei de dualidade ou dos contrários, onde haverá sempre necessidade de equilíbrio entre os pólos do manancial energético.

Os indivíduos em suas próprias apresentações estarão, quanto às energias sexuais, ora mais na profundidade, ora em plena periferia consciencial. Alguns não conseguem sentir o manancial interno como um deságüe natural de energias que busca a tela consciente; por isso, situam-se superficialmente, vivenciando as condições que os sentidos corpóreos solicitam. São indivíduos que vivem mais o sexo fisiológico, sem o cultivo emocional de complemento; vivem exclusivamente para os solicitantes instintos. Claro que, também, existem os casos intermediários em que o indivíduo já sente a necessidade de ampliar a faixa energética sexual para além de uma função física.

Os que se encontram mais nos campos da profundidade espiritual, por terem suplantado as vivências periféricas, são os mais evoluídos, os que já sublimaram o sexo periferia. Diferem muito dos que vivem exclusivamente na periferia (a maioria da humanidade), ainda sem as condições evolutivas de sublimação e suplantação por maturação. Para os dois tipos humanos, os de profundidade e os de superfície, a força criativa da vida, envolvendo fortes conteúdos de sexualidade, manifesta-se na faixa evolutiva em que se encontra o indivíduo. Na força criativa sexual de profundidade estaria um Francisco de Assis esparzindo amor universal e, na periferia, um D. Juan no amor carnal egoísta.

Na profundidade espiritual estaria um Ghandi oferecendo-se em holocausto pela liberdade do homem; na periferia, um Napoleão marchando com seus soldados em busca da conquista egoísta de um império. Nas profundezas do inconsciente, como vivência, estaria Atenas no século de Péricles a fornecer os pensamentos mais expressivos da Filosofia, e na periferia consciencial estaria Esparta, com sua rígida disciplina, a buscar o desenvolvimento dos músculos e a demonstração da força física dos homens.

05 - Saúde e Espiritismo - A.M.E. Brasil - pág. 277

Concepção Holística da Sexualidade na Perspectiva Espírita
Alberto de Almeida ** Médico e terapeuta com especialização em Homeopatia, Programação Neurolinguistica, Terapia Regressiva a Vivências Passadas e Psicologia Transpessoal.
Em O Livro dos Espíritos lê-se na pergunta 200: "Tem sexos os Espíritos?" Respondem os imortais: "Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na concordância dos sentimentos".
A energia sexual é inerente ao ser espiritual, se estruturando com o passar do tempo na longa viagem evolutiva do princípio anímico. Desde "o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou por ser átomo ", o potencial sexual vem se desenvolvendo pelos reinos da Natureza Cósmica.

Desse modo, está no Mineral desde a intimidade do átomo nas forças de interação atômica, até a força gravitacional sustentando os sistemas planetários na composição da harmonia das galáxias. No Vegetal, essa força se apresenta mais expressiva mediante a polarização sexual, quando o princípio germinativo é permutado através do vento, dos insetos etc.

Avançando para o reino Animal, a sexualidade ganha novas dimensões, exteriorizando-se na sua feição instintual com os caracteres morfológicos e funcionais que consagram o macho e a fêmea. Já no Homem, a estruturação da energia criadora alcança nova amplitude ao se manifestar, de vez que ela deve estar conectada à razão, às emoções e à moral, a fim de atingir suas finalidades sublimes.

Portanto, a energia sexual incorpora novos atributos à medida que jornadeia da atração-mineral para a sensibilidade-vegetal, e desta ao instinto-animal, a fim de desaguar no sentimento-hominal. No espírito encarnado, portanto, as forças sexuais se mostram bem complexas nas suas funções :

a) A reprodução: através dela, o sexo assegura a perpetuação da espécie, a estruturação do corpo físico, a constituição da família, a viabilização da Lei da Reencarnação.

b) A permuta de energias entre os parceiros da comunhão sexual, seja física ou espiritual.

Pela troca energética entre o casal, a sexualidade assume manifestação mais refinada, pois que ela se exterioriza de forma sutil como alimento magnético de sustentação das almas que se enlaçam num relacionamento sexual baseado na confiança e na fidelidade, no amor e no discernimento. É nessa circunstância que se compreende a responsabilidade recíproca daqueles que assumem um compromisso afetivo, tendo em vista a presença do circuito de forças fluídicas que se estabelece, quer a comunhão afetiva alcance a dimensão física, quer se limite apenas à esfera psíquica, tal como sucede nas relações amorosas em que, por algum motivo, não há o sexo propriamente dito.

Possível, portanto, se torna compreender a precariedade das relações estritamente genitais, posto que se assenta somente no corpo físico, deixando um grande vazio para as almas, a despeito de atingirem o orgasmo; sentem o prazer biológico, porém não experimentam o êxtase do amor, manifesto na complementação magnética plenifïcadora dos seres. Fácil também é perceber o desperdício dai energias de vida pela masturbação; os prejuízos da prostituição, dos encontros promíscuos, do sexo sem respeito.

c) A canalização da energia criadora para obras beneméritas do conhecimento e da estesia, da assistência social e do amor, na ampliação e concretização do progresso da humanidade. Quando, por qualquer motivo, a energia sexual não dispõe da possibilidade de expressão pela via genitálica, ainda assim ela não se extingue, nem desaparece.

Esse potencial criador pode ser bloqueado pela castração indevida e gerar distúrbios de diferentes matizes para o ser, todavia, se canalizado adequadamente, é fator de saúde integral, incrementando a evolução do Espírito. Por isso, a alma que vive em abstenção sexual pela castidade com equilíbrio pode e deve sublimar a sua energia procriadora para outras modalidades de expressão criativa, através da sua orientação para as ações no campo da cultura e da arte, da intelectualidade e do sentimento, da filantropia e da caridade, contribuindo para a expansão do bem, do belo e do bom na Terra.

A energia sexual jamais poderá ser aniquilada, seja por imposição religiosa, seja por trauma psicológico, podendo, contudo, ser transmutada agenciando as grandes construções do Espírito na escalada da evolução sem fim. A Doutrina Espírita apresenta a sexualidade despida da conotação religiosa dogmática que consagrou o sexo pecaminoso, sujo, proibido e demoníaco; todavia também não legitima a postura da sociedade contemporânea que forjou o sexo objeto de consumo, libertino, vulgar.

A perspectiva espiritista é da energia criadora, que necessita estar balizada pela razão e sentimento, pelo respeito e entendimento, pela fidelidade e amor, a fim de engendrar a plenitude e a paz. Um sexo para a vida, e não uma vida para o sexo. Emmanuel sintetiza com sabedoria o pensamento espírita: "Não proibição, mas educação. Não abstinência imposta, mas emprego digno com devido respeito aos outros e a si mesmo. Não indisciplina, mas controle. Não impulso livre, mas responsabilidade.

Fora disso é teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência. Sem isso, será enganar-nos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra de sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas, pelos mecanismos da reencarnação, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um". O Espiritismo resgata a visão crística da sexualidade bem definida no célebre encontro com uma mulher:
"...disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. E na Lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes?

Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire a pedra....Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Então lhe disse Jesus: Nem eu tão pouco te condeno: vai, e não peques mais".
Na atualidade a proposta espírita é a da compreensão amorosa e educativa do ser humano. Nem apedrejamento, nem conivência culposa; nem julgamento arbitrário, nem a omissão da indiferença.

Só o amor desvelado por Jesus é suficientemente forte para controlar e direcionar o impulso sexual, na edificação da felicidade permanente. Cristo ao indagar, por três vezes, se Pedro O amava, nos permitiu refletir simbolicamente sobre o amadurecimento do nosso potencial afetivo-sexual. Didaticamente situaríamos em três níveis esse crescimento:

a) o primeiro traduz um amor infantil, caracterizado pelo apego, desejo e posse; é a paixão egóica; o sexo é instintivo, egoísta, "para mim";

b) o segundo revela um amor adulto, que experimenta o carinho, a solidarização; o ego está bem estruturado; o sexo é sentimento, partilha, "comigo";

c) o terceiro descortina um amor sábio, expressando desapego, renúncia, sacrifício; há a transcendência do ego; o sexo é sublimação, doação, "a partir de mim." Daí precisarmos amar um pouco mais a cada dia, para lograrmos cristificar nossa sexualidade.

LEMBRETE:

Para cada Mundo é definido um limite de conhecimento e de MORAL, ambos esses, definem uma vibração proposta para estes. Quando um espírito atinge o patamar deste Mundo (averiguando-se a sua vibração); ele está liberado para encarnar em outros Mundos acima do qual ele estava, para dar continuidade a sua evolução espiritual.

Então, nosso Mundo (é um Mundo de Provas e expiações) é considerado o terceiro tipo e com isto não é lhe permitido (aos Espíritos Superiores) a divulgação de todo o conhecimento. Como já foi dito pelos Espíritos, muita luz de uma vez, pode cegar. Os conhecimentos são divulgados conforme o patamar de cada Humanidade (devemos dar um passo de cada vez); assim que ela estiver pronta para receber mais conhecimento, isto será feito pela Governadoria do Planeta.

Em nosso Planeta, também como os demais, existem uma gradação, isto é, uma estrutura do menor para o maior em nossos estados vibratórios no Mundo Espiritual. Devemos entender que nas camadas da nossa atmosfera, existem as localizações em que a vibração é quase tão densa como na superfície, isto porque se quando desencarnamos e encontrássemos tudo muito diferente, poderíamos ficar loucos, devido a tanta mudança. Conforme vamos melhorando o nosso teor vibratório, estaremos em melhores condições de assimilarmos uma mudança mais drástica.

Nas camadas mais próximas da Terra, o cidadão que desencarna, sentirá muito pouco a mudança, o que ele era aqui na superfície, ele por afinidade de pensamentos (ou como disse Jesus, a cada um conforme suas obras) procurará o seu lugar próprio.

Então, nessas camadas, apesar do espírito não ter órgãos sexuais como entendemos, existe sim, sexo entre espíritos como forma de energia. Embora sejamos energia, em nosso mundo temos o nosso perispírito, e, precisamos de energia (ou seja pelos pensamentos ou seja cada ser emite aquilo que possui, pois, expedimos raios, vibranções e ondas.

O problema sexual não se restringe somente à esfera da carne ou à crosta terrestre. Ele vai mais além do comum entendimento humano. Sexo, nas esferas espirituais, não signfica apenas macho e fêmea, órgãos masculinos e órgãos femininos, relações sexuais. Nas esferas mais altas, sexo significa um conjunto de qualidades ou características femininas ou masculinas, positivas ou negativas e neutras, se assim se pode dizer, e o ato sexual pode processar-se num outro campo de vibrações, resultado de transferências que o homem comum ainda não conhece, no campo do amor. Nelas buscam a identificação das almas e a união dos corações. Havendo amor sem sexo.

Os Espíritos, enquanto inteligentes, não têm sexo, da forma como se entende, uma vez que o sexo depende da constituição orgânica. Entre eles existe amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos, na afeição que conseguiram amealhar no transcorrer de outras existências. Os Espíritos, enquanto seres psíquicos, guardam em si uma tendência masculina ou feminina. No entanto, podem por vezes habitar o corpo de um homem ou o corpo de uma mulher; o fato de o Espírito nascer como homem ou como mulher, depende das provas que tenha de vencer, ou das expiações pelas quais tenha que passar.
No decurso do seu processo evolutivo, o Espírito necessita realizar o maior número possível de experiências, para enriquecer-se e atingir o estado de angelitude. Ele precisa, pois, encarnar nas mais diversas posições sociais, intelectuais e morais. Necessita, por isso, passar pela vivência de ambas as polaridades sexuais, sendo levado, portanto, a algumas vezes encarnar como homem e outras como mulher.
Como podem reencarnar-se tanto na polaridade masculina ou feminina, os Espíritos possuem órgãos genitais dos dois sexos em potencial. A ciência através da embriologia, afirma que da oitava semana de vida até a 12ª intraponde a ambos os sexos (o canal é um só), sendo denominada de GÔNADA INDIFERENCIADA ou PRIMORDIAL.
Nunca nos esqueçamos que o SEXO é mental, então a mente é a sede real do sexo.

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