SEXUALIDADE
BIBLIOGRAFIA
01- A educação Seg. o Espiritismo - pág. 263 02 - Cristo espera por ti - pág. 322
03 - Mãos de luz - pág. 123 04 - Pinga fogo com Chico Xavier - pág. 54
05 - Saúde e Espiritismo - pág. 74, 95, 281 06 - Sexo e evolução - pág. 43, 133
07 - Evolução em dois Mundos - pág. 135 08 - Técnica da mediunidade - pág. 88, 155
09 - Curso Din. de Espiritismo - pág. 139
SEXUALIDADE À LUZ DA D.E.

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SEXUALIDADE – COMPILAÇÃO

05 - Saúde e Espiritismo - A.M.E. Brasil - pág. 74, 95, 28

A - Concepção Holistica da Sexualidade na Perspectiva Espírita (Dr. Alberto de Almeida - A.M.E.-RIO)

Em O Livro dos Espíritos lê-se na pergunta 200: "Tem sexos os Espíritos?" Respondem os imortais: "Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na concordância dos sentimentos".

A energia sexual é inerente ao ser espiritual, se estruturando com o passar do tempo na longa viagem evolutiva do princípio anímico. Desde "o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou por ser átomo ", o potencial sexual vem se desenvolvendo pelos reinos da Natureza Cósmica.

Desse modo, está no Mineral desde a intimidade do átomo nas forças de interação atômica, até a força gravitacional sustentando os sistemas planetários na composição da harmonia das galáxias. No Vegetal, essa força se apresenta mais expressiva mediante a polarização sexual, quando o princípio germinativo é permutado através do vento, dos insetos etc.

Avançando para o reino Animal, a sexualidade ganha novas dimensões, exteriorizando-se na sua feição instintual com os caracteres morfológicos e funcionais que consagram o macho e a fêmea.

Já no Homem, a estruturação da energia criadora alcança nova amplitude ao se manifestar, de vez que ela deve estar conectada à razão, às emoções e à moral, a fim de atingir suas finalidades sublimes.

Portanto, a energia sexual incorpora novos atributos à medida que jornadeia da atração-mineral para a sensibilidade-vegetal, e desta ao instinto-animal, a fim de desaguar no sentimento-hominal.

No espírito encarnado, portanto, as forças sexuais se mostram bem complexas nas suas funções :
a) A reprodução: através dela, o sexo assegura a perpetuação da espécie, a estruturação do corpo físico, a constituição da família, a viabilização da Lei da Reencarnação.

b) A permuta de energias entre os parceiros da comunhão sexual, seja física ou espiritual.

Pela troca energética entre o casal, a sexualidade assume manifestação mais refinada, pois que ela se exterioriza de forma sutil como alimento magnético de sustentação das almas que se enlaçam num relacionamento sexual baseado na confiança e na fidelidade, no amor e no discernimento.

É nessa circunstância que se compreende a responsabilidade recíproca daqueles que assumem um compromisso afetivo, tendo em vista a presença do circuito de forças fluídicas que se estabelece, quer a comunhão afetiva alcance a dimensão física, quer se limite apenas à esfera psíquica, tal como sucede nas relações amorosas em que, por algum motivo, não há o sexo propriamente dito.

Possível, portanto, se torna compreender a precariedade das relações estritamente genitais, posto que se assenta somente no corpo físico, deixando um grande vazio para as almas, a despeito de atingirem o orgasmo; sentem o prazer biológico, porém não experimentam o êxtase do amor, manifesto na complementação magnética plenificadora dos seres.

Fácil também é perceber o desperdício das energias de vida pela masturbação; os prejuízos da prostituição, dos encontros promíscuos, do sexo sem respeito.

c) A canalização da energia criadora para obras beneméritas do conhecimento e da estesia, da assistência social e do amor, na ampliação e concretização do progresso da humanidade. Quando por qualquer motivo, a energia sexual não dispõe da possibilidade de expressão pela via genitálica, ainda assim ela não se extingue, nem desaparece.


Esse potencial criador pode ser bloqueado pela castração indevida e gerar distúrbios de diferentes matizes para o ser, todavia, se canalizado adequadamente, é fator de saúde integral, incrementando a evolução do Espírito. Por isso, a alma
que vive em abstenção sexual pela castidade com equilíbrio pode e deve sublimar a sua energia procriadora para outras modalidades de expressão criativa, através da sua orientação para as ações no campo da cultura e da arte, da intelectualidade e do sentimento, da filantropia e da caridade, contribuindo para a expansão do bem, do belo e do bom na Terra.

A energia sexual jamais poderá ser aniquilada, seja por imposição religiosa, seja por trauma psicológico, podendo, contudo, ser transmutada agenciando as grandes construções do Espírito na escalada da evolução sem fim.

A Doutrina Espírita apresenta a sexualidade despida da conotação religiosa dogmática que consagrou o sexo pecaminoso, sujo, proibido e demoníaco; todavia também não legitima a postura da sociedade contemporânea que forjou o sexo objeto de consumo, libertino, vulgar.

A perspectiva espiritista é da energia criadora, que necessita estar balizada pela razão e sentimento, pelo respeito e entendimento, pela fidelidade e amor, a fim de engendrar a plenitude e a paz. Um sexo para a vida, e não uma vida para o sexo.
Emmanuel sintetiza com sabedoria o pensamento espírita: -"Não proibição, mas educação. Não abstinência imposta, mas emprego digno com devido respeito aos outros e a si mesmo. Não indisciplina, mas controle. Não impulso livre, mas responsabilidade.

Fora disso é teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência. Sem isso, será enganar-nos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra de sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas, pelos mecanismos da reencarnação, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um".

O Espiritismo resgata a visão crística da sexualidade bem definida no célebre encontro com uma mulher: -"...disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. E na Lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes? Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: -Aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire a pedra.

...Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Então lhe disse Jesus: Nem eu tão pouco te condeno: vai, e não peques mais".
Na atualidade a proposta espírita é a da compreensão amorosa e educativa do ser humano. Nem apedrejamento, nem conivência culposa; nem julgamento arbitrário, nem a omissão da indiferença.

Só o amor desvelado por Jesus é suficientemente forte para controlar e direcionar o impulso sexual, na edificação da felicidade permanente. Cristo ao indagar, por três vezes, se Pedro O amava, nos permitiu refletir simbolicamente sobre o amadurecimento do nosso potencial afetivo-sexual. Didaticamente situaríamos em três níveis esse crescimento:

a) o primeiro traduz um amor infantil, caracterizado pelo apego, desejo e posse; é a paixão egóica; o sexo é instintivo, egoísta, "para mim";

b) o segundo revela um amor adulto, que experimenta o carinho, a solidarização; o ego está bem estruturado; o sexo é sentimento, partilha, "comigo";

c) o terceiro descortina um amor sábio, expressando desapego, renúncia, sacrifício; há a transcendência do ego; o sexo é sublimação, doação, "a partir de mim."

Daí precisarmos amar um pouco mais a cada dia, para lograrmos cristificar nossa sexualidade.

B - Estudo Sexualidade: Equilíbrio e Desvio
Umberto Ferreira - Medico clínico geral com experiência na área de saúde mental. Professor de Fisiologia da Universidade Federal de Goiás e Mestre em Fisiologia. Presidente do Conselho Deliberativo da Federação Espírita do Estado de Goiás, e trabalhador do Grupo Espírita Consolador. Presidente da Associação Médico Espírita do Estado de Goiás. Autor dos livros: Esclarecendo os Jovens; Vida Conjugal; Esclarecendo os Desencarnados; e Relacionamento entre Pais e Filhos.

Embora as manifestações do instinto sexual se façam no corpo físico, o seu controle é atributo do espírito, através da mente. Eis o que nos fala André Luiz: "O instinto sexual vem das profundezas da vida, quando agrupamentos de mônadas celestes se reuniram magneticamente umas às outras para a obra multimilenária da evolução". A sede real do sexo não se acha, dessa maneira, no veículo físico, mas sim na entidade espiritual, em sua estrutura complexa.

O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações, transcendendo quaisquer impositivos da forma em que se exprime..." (Evolução em Dois Mundos, 1ª parte; cap. XVIII) A Doutrina Espírita nos ensina que o casamento, a "união de dois seres" representa "um progresso na marcha da Humanidade". (O Livro dos Espíritos- questão 695) Na poligamia, entendida como a união de uma pessoa com duas ou mais e, portanto, englobando a prostituição e o sexo livre, "não há afeição real, mas apenas sensualidade". E o casamento deve se fundamentar na "afeição dos seres que se unem". (O Livro dos Espíritos-questão 701)

Emmanuel nos adverte que "relações sexuais, no entanto, envolvem responsabilidade". (Vida e Sexo, cap. 19) André Luiz nos ensina que "a monogamia é o clima espontâneo do ser humano, de vez que dentro dela realiza, naturalmente, com a alma eleita de suas aspirações a união ideal do raciocínio e do sentimento..." (Evolução em Dois Mundos, cap. XVIII)

Com base nesses ensinamentos, podemos concluir que a condição ideal para a prática equilibrada do sexo é numa união permanente (casamento) e responsável e que tenha como laço firme, a unir o casal, o sentimento. Para a prática equilibrada do sexo, é indispensável respeitar as leis biológicas e morais que regulam a vida.

É, portanto, necessário respeitar a finalidade de cada órgão, determinada pela sabedoria do Criador, utilizando, nas relações sexuais, apenas aqueles órgãos que tem essa finalidade. Além disso, o sexo deve ser um complemento do amor, e não o objetivo maior de uma união. É necessário acrescentar que a prática do sexo, de maneira equilibrada, requer respeito e consideração, de tal forma que uma pessoa não use outra como objeto de seus desejos sexuais. Não vale, portanto, o entendimento de que entre quatro paredes tudo é válido.

Allan Kardec escreveu: "Mudando de sexo, poderá, então, sob essa impressão e em sua nova encarnação, conservar os gostos, as inclinações e o caráter inerente ao sexo que acaba de deixar. Assim se explicam certas anomalias aparentes, notadas no caráter de certos homens e de certas mulheres". (Revista Espírita, 1866) Emmanuel afirma: "Em circunstâncias numerosas, o pretérito pode estar vivo nos mecanismos mais profundos de nossas inclinações e tendências". E mais "Através da poligamia, o espírito assinala a si próprio longa marca em existências e mais existências sucessivas de reparação e aprendizagem, em cujo transcurso adquire a necessária disciplina do seu mundo emotivo". (Vida e Sexo)

C - Orgasmo e Fatores Psicofisiológicos que o Influenciam

O relacionamento conjugal é influenciado por diversos fatores, entre eles os de natureza sexual. Verdadeiras crises surgem na vida a dois por falta de um ajustamento sexual adequado e isto acontece frequentemente por desconhecimento dos fatores psicofisiológicos que influenciam o orgasmo.

Visando conhecer melhor o comportamento dos brasileiros relativamente à sua sexualidade, particularmente o orgasmo, orientamos uma pesquisa na comunidade goianiense, que resultou na dissertação de mestrado da professora Maria Elisa Borges e que foi apresentada na Universidade Federal de Goiás (Estudo Descritivo do Orgasmo na Comunidade Goianense).

Da referida pesquisa, extraímos alguns dados para fundamentar nosso estudo. Com relação ao sexo masculino, o estudo revelou que 1,67% nunca conseguiu atingir o orgasmo, 3.35% apresenta dificuldade de ereção e 14,53% tem ejaculação precoce, 4.49% teve queda no desempenho sexual devido ao uso abusivo de bebida alcoólica e 11,73% devido a situação financeira difícil. A vasectomia levou a melhora no desempenho sexual em 6,70% e a piora em 1,12% dos homens. O uso de preservativos foi responsável por queda no desempenho sexual, ou dificuldade de se atingir o orgasmo em 11,17% dos homens.

Com relação ao sexo feminino, o estudo revelou que 8,26% das mulheres que mantém relacionamento a dois nunca sentiu orgasmo e 23,52% raramente consegue sentir; 26,27% alega que só consegue atingir o orgasmo quando apaixonada pelo parceiro; 15,04% refere queda no desempenho sexual após o parceiro deixar de ser carinhoso; 9,30% relata dificuldade atingir o orgasmo depois que o parceiro interrompeu o diálogo. Quanto à menopausa, 3,39% relata queda no desempenho sexual após este evento, enquanto que 4,02% alega que o seu desempenho sexual melhorou depois desta fase. Agressão física foi responsável por dificuldade de se atingir o orgasmo cm 8,26% das mulheres e agressão moral, em 16,10%. Por outro lado, violência sexual foi responsável pela impossibilidade do se chegar ao orgasmo em 2,97% das mulheres pesquisadas.

A laqueadura de trompas foi responsabilizada por melhora no desempenho sexual em 7,20% das mulheres e por piora em 2,33%. Queda no desempenho sexual foi atribuída pelas mulheres que participaram da pesquisa a infidelidade do parceiro em 13,77%, abuso de bebida alcoólica em 10,59%, situação financeira ruim em 9,74%, excesso de trabalho em 13,13%. Um dado significativo da pesquisa é o de que 20,76% das mulheres alega simular o orgasmo para evitar conflitos na vida conjugal. Os dados deste estudo não apresentam diferenças significativas em relação aos da bibliografia nacional e internacional; ao contrário, em muitos itens coincidem totalmente, o que mostra que o comportamento do homem e da mulher residentes em Goiás não é diferente do restante do Brasil e dos outros países.

O estudo não mostrou diferença estatisticamente significativa entre católicos, evangélicos e espíritas, com relação à influência dos fatores pesquisados. Esses dados são do interesse do Movimento Espírita porque são causadores de muitos conflitos conjugais, com reflexo na família como um todo. Essas pessoas, frequentemente, buscam as casas espíritas na esperança de encontrar explicações e solução para tais problemas. E é ideal que o Espiritismo lhes proporcione os esclarecimentos adequados, o consolo e os ajude a harmonizar o lar.

Por outro lado, com estudos, palestras, seminários e outros recursos podem as casas espíritas proporcionar aos frequentadores e pessoas em geral conhecimento mais detalhado sobre a sexualidade e os diversos fatores de ordem fisiológica e psicológica que interferem no desempenho sexual, com os objetivos de manter a harmonia no lar e prevenir os conflitos que, muitas vezes, levam à separação dos casais, com prejuízos para eles mesmos e para os filhos.

Chamamos a atenção para o fato de 20% das mulheres terem que fingir que sentem orgasmo, para evitar problemas com o marido ou parceiro. São duzentas mulheres em mil que têm vida conjugal. É um número muito alto. E é um sacrifício muito grande durante um tempo tão longo. Com mais esclarecimentos sobre os aspectos fisiológicos e psicológicos da sexualidade da mulher e com uma melhor educação sexual, tais sacrifícios poderiam ser evitados e medidas adequadas poderiam ser adotadas visando ao ajustamento sexual.

Se a prática equilibrada do sexo começa com a disciplina mental, os desvios resultam da rendição da mente às manifestações do instinto sem que a pessoa atente para as leis biológicas e morais, adquirindo condicionamento e viciações, dos quais têm dificuldade de se libertar. E isso é tanto mais sério, quanto menos adiantados os Espíritos e quanto mais dominados pela matéria, que lhes aguça os apetites inferiores. Tal situação é agravada pelo egoísmo que facilita as ações do homem em franco desrespeito ao semelhante, usando-o como objeto de seus desejos inferiores.

Também contribui para esse comportamento contrário às leis divinas o atraso moral de muitos Espíritos, no campo do sentimento, que os torna insensíveis ao sofrimento do semelhante, especialmente da mulher. Outros agravantes são as influências que essas pessoas sofrem de espíritos atrasados, igualmente dominados pelos desejos inferiores, que os induzem a tais comportamentos, explorando as suas tendências inferiores, com o propósito de torná-los insaciáveis em seus desejos.

06 - Sexo e evolução - Walter Barcelos - pág. 43, 133

12. SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA
"MOCIDADE É AMOR. ENTRETANTO, SE O AMOR NÃO SE EQUILIBRA NA SUBLIMAÇÃO DA ALMA, CEDO SE TRANSFORMA EM PAIXÃO INFELIZ". EMMANUEL

A adolescência é o período que se estende desde a puberdade - 12-13 anos, até atingir o estado adulto pleno - 22-25 anos. É variável entre os pesquisadores da personalidade juvenil, em virtude das diferenças na idade emocional e mental nos adolescentes. Período da existência que se caracteriza por transformações acentuadas de comportamento, acompanhando as mutações físicas, apresenta, muitas vezes, dificuldades de relacionamento com os pais e problemas complexos no caráter e no sentimento, desafiando orientadores e psicólogos.

12.1 — Sexualidade e reencarnação. Impulsos sexuais na infância

Somente com a chave da reencarnação é possível explicar os problemas intrincados da personalidade humana, principalmente nas fases da infância e da adolescência. Na infância, o Espírito reencamado encontra-se na situação de hipnose terapêutica — sono profundo, do qual vai acordando, gradativamente, com o passar dos dias e dos anos. Este sono é tão profundo para fins de renovação que, mesmo na fase da adolescência, ele se repercute, pois o Espírito ainda não se revelou com todas as suas características, no processo da existência humana.

Todo Espírito reencarnado, a partir dos primeiros dias de vida, vai readquirindo, gradativamente, sua personalidade real — um enorme acervo de emoções, instintos e paixões, que construiu por si mesmo nas existências passadas. Explica-nos o lúcido Espírito Emmanuel: "Toda criatura consciente traz consigo, devidamente estratificada, a herança incomensurável das experiências sexuais, vividas nos reinos inferiores da Natureza."

A nossa sexualidade, hoje, é o resultado de milênios de experiências vivenciadas — não somente na condição humana, mas também nas fases da vida animal, incorporadas, século a século, como patrimônio imperecível, na zona instintiva do ser. Não se pode observar e analisar uma criança ou um adolescente tão-somente pelas suas experiências na atual reencarnação, pois, as influências recebidas agora são apenas pequena fração que vai somar-se ao grande celeiro de recursos do Espírito, acumulados em milênios. As influências dos pais e educadores, hoje, são importantes, na medida em que trabalham por recuperar, reeducar e iluminar o campo do caráter e do sentimento da criança e do jovem.

A criança, ao nascer, já traz em si uma riqueza imensa de emoções, impulsos sexuais e paixões, muitas vezes em situações infelizes, que irão emergir, ao longo dos anos, de acordo com o desenvolvimento do organismo físico. É o que nos fala Emmanuel:"(...) surpreenderemos na criança todo o equipamento dos impulsos sexuais prontos à manifestação, quando a puberdade lhe assegure mais amplo controle do carro físico".

12.2 — Os problemas psicológicos do adolescente

O Espírito, ao sair da fase infantil e penetrar na adolescência, passa a apresentar mudanças bruscas e imprevisíveis no seu comportamento, em virtude do fardo de estímulos sexuais que já carrega em si mesmo, como herança de si próprio, oriunda de séculos de experiência. Na fase da adolescência, o organismo passa a dar melhores condições para a manifestação mais profunda da alma. Começa a funcionar com mais intensidade o instinto sexual. A libido, de que fala a Psicanálise, não é nada mais do que a carga dos impulsos sexuais arquivados no Espírito imortal.

Como o maior percentual de Espíritos da Terra se acha ainda imperfeito, é lógico que, ao renascer na vida física, cada ser é obrigado a manifestar as qualidades e imperfeições que traz em si mesmo. O autor de "Vida e Sexo" esclarece: "(...) é impelido naturalmente a carregar o fardo dos estímulos sexuais, muita vez destrambelhados, que lhe enxameiam no sentimento, reclamando educação e sublimação".

Os problemas psicológicos de solução difícil nos jovens adolescentes são o resultado das transgressões morais e dos abusos sexuais de vidas passadas, que naturalmente surgem no hoje, requisitando reeducação, a fim de aprender a dirigir suas próprias emoções e desejos.

12.3 — Epífise —glândula da vida mental

As recordações profundas da alma que são arquivadas no mundo mental têm o comando de uma glândula muito importante no corpo espiritual — a epífise, ou glândula pineal. A ciência terrena pouco sabe ainda acerca das funções desta glândula. A epífise é um pequeno corpo glandular, situado na parte central do cérebro. Acredita-se que sua função seja a de frear a ação dos órgãos reprodutores na fase infantil, perdendo tal função, com a normalização da atividade sexual na criatura adulta.

Para a Doutrina Espírita, a epífise tem funções importantíssimas, ainda desconhecidas pela própria Ciência humana. A glândula do corpo físico é dirigida pela correspondente do corpo espiritual. O organismo físico é uma cópia imperfeita do corpo espiritual. Ensinamentos maravilhosos recebemos do Espírito André Luiz, nesta dissertação sobre a epífise: "É a glândula da vida mental. Ela acorda no organismo do homem, na puberdade, as forças criadoras e, em seguida, continua a funcionar, como o mais avançado laboratório de elementos psíquicos da criatura terrestre. (...) Ela preside aos fenômenos nervosos de emotividade, como órgão de elevada expressão no corpo etéreo."

A epífise, como centro importante do corpo espiritual, é ligada à mente, através de forças eletro-magnéticas e funciona como válvula de escapamento do celeiro de emoções, instintos e paixões, registrados ordenadamente no arquivo sublime da sub-consciência. A retomada plena da sexualidade dá-se mais ou menos, aos quatorze anos, apresentando sintomas íntimos os mais variados por parte de cada jovem. O autor de "Missionários da Luz" descreve as funções da epífise:

"Aos quatorze anos, aproximadamente, de posição estacionária, quanto às suas atribuições essenciais, recomeça a funcionar no homem reencarnado. O que representava controle é fonte criadora e válvula de escapamento. A glândula pineal reajusta-se ao concerto orgânico e reabre seus mundos maravilhosos de sensações e impressões na esfera emocional. Entrega-se a criatura à recapitulação da sexualidade, examina o inventário de suas paixões vividas noutra época, que reaparecem sob fortes impulsos. (...)

Na qualidade de controladora do mundo emotivo, sua posição na experiência sexual é básica e absoluta." Cada jovem adolescente é um Espírito reencarnado que não propriamente inicia, mas recomeça sua vida sexual, no ponto em que deixou suas experiências de vidas passadas. O despertar sexual do adolescente é a recapitulação, através de impulsos, desejos e emoções fortes, das paixões vividas nas encarnações passadas.

A epífise controla o mundo emocional, e sua influência na vida sexual da criatura humana é poderosíssima, porque cada Espírito herda de si mesmo e cada um somente dá aquilo que já construiu de bom ou de mal, de nobre ou inferior, de vício ou de virtude, ou o que armazenou em si mesmo, na forma de reflexos condicionados.

12.4 — Desregramentos emocionais e o desgaste da epífise

Em virtude de nosso infeliz comportamento afetivo em vidas pretéritas, causamos sérios prejuízos a nós mesmos, desregulando a usina maravilhosa do controle das emoções, criando problemas graves e sofrimentos para a encarnação futura. Somos filhos de nossas próprias obras. Ao médico espiritual André Luiz esclarece um Instrutor:

"Lamentavelmente divorciados da lei do uso, abraçamos os desregramentos emocionais, e daí, meu caro amigo, a nossa multimi-lenária viciação das energias geradoras, carregados de compromissos morais, com todos aqueles a quem ferimos com os nossos desvarios e irreflexões."

Os desatinos do sentimento praticados nas vidas anteriores, surgem, hoje, em nosso psiquismo, na forma de desequilíbrios, enfermidades e inibições. Toda vez que prejudicamos alguém, realmente estamos ferindo a nós mesmos. Abusos, leviandade e falsidade na vida afetiva e sexual deixam marcas profundas na estrutura sensível da alma, danificando e desregulando o funcionamento do importante centro de controle que é a epífise.

As funções dessa glândula no crescimento mental do homem são relevantes, cujos recursos devem ser preservados por nós, como nos diz um dos Instrutores do médico espiritual:"— Segregando 'unidades-forças' — continuou —, pode ser comparada a poderosa usina, que deve ser aproveitada e controlada, no serviço de iluminação, refinamento e benefício da personalidade e não relaxada em gasto excessivo do suprimento psíquico, nas emoções de baixa classe."

12.5 — Secreções elétricas da epífise e a prática dos esportes pela juventude. A beleza física e os desregramentos emocionais

Os cientistas e estudiosos materialistas de todo o mundo, percebendo os efeitos danosos para o organismo, em virtude do saturamento das forças nervosas, e no intuito de preservar, na estrutura fisiológica, a juventude, a plástica e a eugenia, recomendaram, acertadamente, a prática dos esportes como medida de saúde, principalmente para os jovens:

"(...) Contra os perigos possíveis, na excessiva acumulação de forças nervosas, como são chamadas as secreções elétricas da epífise, aconselharam aos moços de todos os países o uso do remo, da bola, do salto, da barra, das corridas a pé. Desse modo, preservavam-se os valores orgânicos, legítimos e normais, para as funções da hereditariedade."

A ciência terrena, ainda incapaz de ver a alma no corpo, permanece com as medidas que procuram atender da melhor maneira possível ao organismo humano, garantindo a saúde física, o equilíbrio psíquico, o porte atlético e a beleza da forma, com indiferença quase que completa pelos valores morais para a personalidade juvenil.

Estagia a juventude nos respeitáveis, organizados e belos estabelecimentos de ensino do mundo, no desenvolvimento da cultura, da inteligência nos diversos ramos do conhecimento humano, acrescidos das atividades desportivas, mas lamentavelmente distanciada de um trabalho de orientação no campo do caráter e do sentimento. A medida para resguardar a saúde da juventude ainda é insuficiente:

"(...) A medida, embora satisfaça em parte, é, contudo, incompleta e defeituosa. Incontestavelmente, a ginástica e o exercício controlados são fatores valiosos de saúde; a competição esportiva honesta é fundamento precioso de socialização; no entanto, podem circunscrever-se a meras providências, em benefício dos ossos e, por vezes, degeneram-se em elástico das paixões menos dignas."
O brilhantismo da inteligência, o cérebro enobrecido pela cultura, o corpo esculturado pelos exercícios e competições esportivas não são suficientes para dar equilíbrio, alegria e paz reais à alma da juventude.

A medida é incompleta e defeituosa, porque atende ao corpo, mas não dá equilíbrio à personalidade espiritual. É o que nos fala o mentor espiritual Telésforo, nas palavras do Espírito André Luiz:"(.-.) à medida que se suprimem sofrimentos do corpo, multiplicam-se aflições da alma (...). Atendido, porém, o corpo revelará as necessidades da alma (...)".

Intensificam-se no mundo as atividades respeitáveis dos esportes, promovendo junto aos jovens a saúde, o vigor físico, a alegria, a confraternização cultural, mas ao mesmo tempo proliferam também os desmandos do prazer sexual irresponsável, levando a mocidade aos desregramentos das emoções, dos vícios do álcool e dos tóxicos, com prejuízos enormes para a família e a sociedade, retardando o progresso espiritual da Humanidade. (...)

07 - Evolução em dois Mundos - André Luiz - pág. 135

XVIII - Sexo e corpo espiritual
HERMAFRODITISMO E UNISSEXUALIDADE
— Examinando o instinto sexual em sua complexidade nas linhas multiformes da vida, convém lembrar que, por milênios e milênios, o princípio inteligente se demorou no hermafroditismo das plantas, como, por exemplo, nos fanerógamos, em cujas flores os estames e pistilos articulam, respectivamente, elementos masculinos e femininos.

Nas plantas criptogâmicas celulares e vasculares ensaiara longamente a reprodução sexuada, na formação de gamelos (anterozóides e oosfera) que muito se aproximam aos dos animais e cuja fecundação se efetua por meios análogos aos que observamos nestes últimos seres.

Depois de muitas metamorfoses que não cabem num estudo sintético quanto o nosso, caminhou o elemento espiritual, na reprodução monogônica, entre as vastas províncias dos protozoários e metazoários, com a divisão e gemação entre os primeiros, correspondendo à cisão ou estrobilação entre os segundos. Longo tempo foi gasto na evolução do instinto sexual em vários tipos de animais inferiores, alternando-se-lhe os estágios de hermafroditismo com os de unissexualidade para que se lhe aperfeiçoassem as características na direção dos vertebrados.

HERMAFRODITISMO POTENCIAL
— Gradativamente, aparecem novos fatores de diferenciação, guardando-se, no entanto, os distintivos essenciais, como podemos identificar, ainda agora, no sapo macho adulto um hermafrodita potencial, apesar dos sinais masculinos com que se apresenta, sabendo-se que carrega na região do seu testículo, positivamente acrescido, um ovário elementar aderente, o conhecido corpo de Bidder. Se extirparmos o testículo, o ovário atrofiado começa a funcionar, por atuação da hipófise, conforme experimentos comprovados, convertendo-se num ovário adulto.

Ocorrência inversa é verificável em cinco a dez por cento de galinhas adultas, isto é, nos indivíduos psiquicamente dispostos, das quais, se retirarmos o ovário esquerdo, também consíderavelmente desenvolvido, o ovário direito, rudimentar, transubstancia-se num testículo que se vitaliza e cresce, na sua parte medular, até então inibida pelos estrogênios do ovário esquerdo. Nesse fenômeno, aumenta-se-lhes a crista, cantam tipicamente à maneira do galo e adotam-lhe a conduta sexual masculina.

Registamos esses fatos para demonstrar que entre todos os vertebrados e muito particularmente no homem, herdeiro das mais complicadas experiências psíquicas, nos domínios da reencamacão, apenas os caracteres morfológicos dos implementos sexuais estão submetidos aos princípios da genética. Isso porque não é só a figuração das glândulas sexuais que se mostra bi-potencial até certo ponto, pois todo o cosmo orgânico é suscetível de reagir aos hormônios do mesmo sexo ou do sexo contrário, segundo as disposições psíquicas da personalidade.

AÇÃO DOS HORMÔNIOS
— Atingindo inequívoco progresso em seus estímulos, o corpo espiritual, desde a protoforma psicossômica nos animais superiores até o homem, conforme a posição da mente a que serve, determina mais ampla riqueza hormonal. As glândulas sexuais que então mobiliza são mais complexas. Exercem a própria ação pelos hormônios que segregam, arrojando-os no sangue, hormônios esses, femininos ou masculinos, que possuem por arcabouço da constituição química, em que se expressam, o núcleo ciclo-pentano-peridrofenantreno, filiando-se ao grupo dos esteróis.

Os hormônios estrogênicos, oriundos do ovário, mantêm os caracteres femininos secundários, e os androgênicos, segregados pelo testículo, sustentam os caracteres masculinos da mesma ordem. Produzem ações estimulantes e inibitórias, todavia, como atendem necessariamente a impulsos e determinações da mente, por intermédio do corpo espiritual, incentivam o desenvolvimento ou a maneira de proceder da espécie, mas não os origina. Por isso, nenhum deles possui ação monopolizadora no mundo orgânico, não obstante patentearem essa ou aquela influência de modo mais amplo.

Ainda em razão do mesmo princípio que lhes vige na formação, pelo qual obedecem às vibrações incessantes do campo mental, os hormônios não se armazenam: transformam-se rapidamente ou sofrem apressada expulsão nos movimentos excretórios. Entendendo-se os recursos da reprodução como engrenagens e mecanismos de que o Espírito em evolução se vale para a plasmagem das formas físicas, sem que os homens lhe comprovem, de modo absoluto, as qualidades mais íntimas, é fácil reconhecer que as glândulas sexuais e seus hormônios exibem efeitos relativamente específicos.

Inegavelmente, o ovário e os hormônios femininos se responsabilizam pelos distintivos sexuais femininos, mas podem desenvolver alguns deles no macho, prevalecendo as mesmas diretrizes para o testículo e os hormônios que lhe correspondem.

Isso é claramente demonstrável nos experimentos de castração, enxertos e injeções hormonais, porquanto, apesar de a ação sexual específica do testículo e do ovário apresentar-se como fato indiscutível, a gônada, refletindo os estados da mente, herdeira direta de experiências inumeráveis, eventualmente produz certa quantidade de hormônios heterossexuais e, da mesma sorte, ainda que os hormônios sexuais se afirmem com atividade específica intensa, em determinados acontecimentos realizam essa ou aquela ação em órgãos do sexo oposto. Esses são os efeitos heterossexuais ou bissexuais das glândulas ou dos hormônios.

ORIGEM DO INSTINTO SEXUAL
— Todas as nossas referências a semelhantes peças do trabalho biológico, nos reinos da Natureza, objetivam simplesmente demonstrar que, além da trama de recursos somáticos, a alma guarda a sua individualidade sexual intrínseca, a definir-se na feminilidade ou na masculinidade, conforme os característicos acentuadamcnte passivos ou claramente ativos que lhe sejam próprios.

A sede real do sexo não se acha, dessa maneira, no veículo físico, mas sim na entidade espiritual, em sua estrutura complexa. E o instinto sexual, por isso mesmo, traduzindo amor em expansão no tempo, vem das profundezas, para nós ainda inabordáveis, da vida, quando agrupamentos de mônadas celestes se reuniram magneticamente umas às outras para a obra multi-milenária da evolução, ao modo de núcleos e eletrões na tessitura dos átomos, ou dos sóis e dos mundos nos sistemas macro cósmicos da Imensidade.

Por ele, as criaturas transitam de caminho a caminho, nos domínios da experimentação multifária, adquirindo as qualidades de que necessitam; com ele, vestem-se da forma física, em condições anômalas, atendendo a sentenças regeneradoras na lei de causa e efeito ou cumprindo instruções especiais com fins de trabalho justo.

O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações, transcendendo quaisquer impositivos da forma em que se exprime, não obstante reconhecermos que a maioria das consciências encarnadas permanecem seguramente ajustadas à sinergia mente-corpo, em marcha para mais vasta complexidade de conhecimento e emoção.

EVOLUÇÃO DO AMOR
— Entretanto, importa reconhecer que à medida que se nos dilata o afastamento da animalidade quase absoluta, para a integração com a Humanidade, o amor assume dimensões mais elevadas, tanto para os que se verticalizam na virtude como para os que se horizontalizam na inteligência.

Nos primeiros, cujos sentimentos se alteiam para as Esferas Superiores, o amor se ilumina e purifica, mas ainda é instinto sexual nos mais nobres aspectos, imanizando-se às forças com que se afina em radiante ascensão para Deus. Nos segundos, cujas emoções se complicam, o amor se requinta, transubstanciando-se o instinto sexual em constante exigência de satisfação imoderada do "eu".

De conformidade com a Psicanálise, que vê na atividade sexual a procura incessante de prazer, concordamos em que uns, na própria sublimação, demandam o prazer da Criação, identificando-se com a Origem Divina do Universo, enquanto que outros se fixam no encalço do prazer desenfreado e egoístico da auto-adoracão. Os primeiros aprendem a amar com Deus. Os segundos aspiram a ser amados a qualquer preço.

A energia natural do sexo, inerente à própria vida em si, gera cargas magnéticas em todos os seres, pela função criadora de que se reveste, cargas que se caracterizam com potenciais nítidos de atração no sistema psíquico de cada um e que, em se acumulando, invadem todos os campos sensíveis da alma, como que a lhe obliterar os mecanismos outros de ação, qual se estivéssemos diante de usina reclamando controle adequado.

Ao nível dos brutos ou daqueles que lhes renteiam a condição, a descarga de semelhante energia se efetua, indiscriminadamente, através de contatos, quase sempre desregrados e infelizes, que lhes carreiam, em consequência, a exaustão e o sofrimento como processos educativos.'

POLIGAMIA E MONOGAMIA
— O instinto sexual, então, a desvairar-se na poligamia, traça para si mesmo largo roteiro de aprendizagem a que não escapará pela matemática do destino que nós mesmos criamos. Entretanto, quanto mais se integra a alma no plano da responsabilidade moral para com a vida, mais apreende o impositivo da disciplina própria, a fim de estabelecer, com o dom de amar que lhe é intrínseco, novos programas de trabalho que lhe facultem acesso aos planos superiores.

O instinto sexual nessa fase da evolução não encontra alegria completa senão em contato com outro ser que demonstre plena afinidade, porquanto a liberação da energia, que lhe é peculiar, do ponto de vista do governo emotivo, solicita compensação de força igual, na escala das vibrações magnéticas.

Em semelhante eminência, a monogamia é o clima espontâneo do ser humano, de vez que dentro dela realiza, naturalmente, com a alma eleita de suas aspirações a união ideal do raciocínio e do sentimento, com a perfeita associação dos recursos ativos e passivos, na constituição do binário de forças, capaz de criar não apenas formas físicas, para a encarnação de outras almas na Terra, mas também as grandes obras do coração e da inteligência, suscitando a extensão da beleza e do amor, da sabedoria e da glória espiritual que vertem, constantes, da Criação Divina.

ALIMENTO ESPIRITUAL
— Há, por isso, consórcios de infinita gradação no Plano Terrestre e no Plano Espiritual, nos quais os elementos sutis de comunhão prevalecem acima das linhas morfológicas do vaso físico, por se ajustarem ao sistema psíquico, antes que as engrenagens da carne, em circuitos substanciais de energia.

Contudo, até que o Espírito consiga purificar as próprias impressões, além da ganga sensória!, em que habitualmente se desregra no narcisismo obcecante, valendo-se de outros seres para satisfazer a volúpia de hipertrofiar-se psiquicamente no prazer de si mesmo, numerosas reencarnações instrutivas e reparadoras se lhe debitam no livro da vida, porque não cogita exclusivamente do próprio prazer sem lesar os outros, e toda vez que lesa alguém abre nova conta resgatável em tempo certo.

Isso ocorre porque o instinto sexual não é apenas agente de reprodução entre as formas superiores, mas, acima de tudo, é o reconstituinte das forças espirituais, pelo qual as criaturas encarnadas ou desencarnadas se alimentam mutuamente, na permuta de raios psíquico-magnéticos que lhes são necessários ao progresso.

Os espíritos santificados, em cuja natureza superevolvida o instinto sexual se diviniza, estão relativamente unidos aos Espíritos Glorificados, em que descobrem as representações de Deus que procuram, recolhendo de semelhantes entidades as cargas magnéticas sublimadas, por eles próprios liberadas no êxtase espiritual.

De outro lado, as almas primitivas comumente lhe gastam a força em excessos que lhes impõem duras lições. Entre os espíritos santificados e as almas primitivas, milhões de criaturas conscientes, viajando da rude animalidade para a Humanidade enobrecida, em muitas ocasiões se arrojam a experiências menos dignas, privando a companheira ou rompendo a comunhão sexual que lhes alentava a euforia, e, se as forças sexuais não se encontram suficientemente controladas por valores morais nas vítimas, surgem, frequentemente, longos processos de desespero ou de delinquência.

ENFERMIDADES DO INSTINTO SEXUAL
— As cargas magnéticas do instinto, acumuladas e desbordantes na personalidade, à falta de sólido socorro íntimo para que se canalizem na direção do bem, obliteram as faculdades, ainda vacilantes, do discernimento e, à maneira do esfaimado, alheio ao bom senso, a criatura lesada em seu equilíbrio sexual costuma entregar-se à rebelião e à loucura em síndromes espirituais de ciúme ou despeito. À face das torturas genésicas a que se vê relegada, gera aflitivas contas cármicas a lhe vergastarem a alma no espaço e a lhe retardarem o progresso no tempo.

Daí nascem as psiconeuroses, os colapsos nervosos decorrentes do trauma nas sinergias do corpo espiritual, as fobias numerosas, a "histeria de conversão", a "histeria de angústia", os "desvios da libido", a neurose obsessiva, as psicoses e as fixações mentais diversas que originam na ciência de hoje as indagações e os conceitos da psicologia de profundidade, na esfera da Psicanálise, que identifica as enfermidades ou desajustes do instinto sexual sem oferecer-lhes medicação adequada, porque apenas o conhecimento superior, gravado na própria alma, pode opor barreiras à extensão do conflito existente, traçando caminhos novos à energia criadora do sexo, quando em perigoso desequilíbrio.

Desse modo, por semelhantes ruturas dos sistemas psicossomáticos, harmonizados em permutas de cargas magnéticas afins, no terreno da sexualidade física ou exclusivamente psíquica, é que múltiplos sofrimentos são contraídos por nós todos, no decurso dos séculos, porquanto, se forjamos inquietações e problemas nos outros, com o instinto sexual, é justo venhamos a solucioná-los em ocasião adequada, recebendo por filhos e associados de destino, entre as fronteiras domésticas, todos aqueles que constituímos credores do nosso amor e da nossa renúncia, atravessando, muitas vezes, padecimentos inomináveis para assegurar-lhes o refazimento preciso.

Compreendamos, pois, que o sexo reside na mente, a expressar-se no corpo espiritual, e consequentemente no corpo físico, por santuário criativo de nosso amor perante a vida, e, em razão disso, ninguém escarnecerá dele, desarmonizando-lhe as forças, sem escarnecer e desarmonizar a si mesmo.

09 - Curso Dinâmico de Espiritismo - J. Herculano Pires - pág. 139

XIX — AMOR, SEXUALIDADE E CASAMENTO
No Espiritismo o problema do amor implica a relação direta do homem com Deus. Criador e criatura se religam no desenvolvimento humano da lei de adoração. Quanto mais o homem desenvolve as suas potencialidades existenciais, o seu potencial ôntico, mais ele se aproxima de Deus, mais o sente e mais o compreende. Nunca houve nem poderia haver um rompimento total e definitivo entre Criador e criatura. No próprio dogma da queda a expulsão do homem da face de Deus é apenas temporária. Por isso o Espirismo é Religião, mas não é Igreja.

A diferença entre Igreja e Religião é a mesma que existe entre alma e corpo. O homem perde o corpo na morte, mas não perde a alma. A Religião anunciada por Jesus não possui corpo, é alma pura, que sobrevive por si mesma. No diálogo com a Mulher Samaritana Jesus desprezou o Templo de Jerusalém e o Templo do Monte Gerasin, referindo-se apenas à Religião Livre do Futuro. Porque a relação religiosa é puramente espiritual. A Religião não depende de formalismos, sacramentos, instituições e órgãos.

É subjetiva e se define como o Amor a Deus. Essa relação direta exclui naturalmente todas as formas de discriminação, pois seu objetivo é a unidade. Quando uma criatura se liga a Deus, liga-se ao mesmo tempo a todas as criaturas e a todo o Universo, integra-se na realidade absoluta. Tudo o mais são coisas humanas, pertence à diáspora, ou seja, ao tempo do exílio, em que o homem se afastou de Deus. Esta simplificação da Religião só ocorre na máxima complexidade, que é o mergulho do homem em sua essência, proveniente de Deus e que é o próprio Deus em nós. Exemplifiquemos humanamente esta questão.

Conta-se que um sábio indiano mandou três filhos estudar na Inglaterra. Quando voltaram diplomados perguntou ao primeiro: "O que é Deus"? O rapaz fez uma longa e confusa digressão a respeito. O segundo vacilou em sua explicação e disse que precisava estudar mais o assunto. O terceiro calou-se e seus olhos se encheram de estranha névoa luminosa. O pai disse aos três; por ordem das perguntas: Você, meu filho, procurou Deus nas teologias e não conseguiu achá-lo; você, meu segundo filho, está tateando no escuro como um cego; e você, meu filho, que não me respondeu, encontrou Deus e nele mergulhou de tal maneira que não pode traduzi-lo em palavras. Você não perdeu tempo com as coisas exteriores e por isso foi o único que realmente aprendeu o que é Deus".

A contradição máxima complexidade e máxima simplicidade não é contradição, mas fusão. A complexidade infinita das coisas e dos seres no Universo aturde o homem que busca Deus, mas ao encontrá-lo o homem percebe de pronto que toda a complexidade se funde na Existência Única de Deus. É como o marinheiro que navegou por muitos mares, surpreso com as variedades e as diferenciações formais de todos eles, mas ao terminar a sua navegação constata que todos os mares não são mais do que o Grande Mar.

A religião em Espírito e Verdade é esse Mar Total em que todos mares e todas as águas se reúnem numa coisa só. Todas as religiões nasceram da mediunidade, que é o fundamento de todas as religiões, que por sua vez se fundem na Religião em essência que é a Religião do Espírito ou o Espiritismo. Nela não se precisa de coisas específicas, pois todas as coisas se fundem numa só — o Amor a Deus.

Um jovem e uma jovem se amam e o amor que os atrai é o Amor de Deus nas criaturas. A bênção do amor já os ligou e eles não necessitam de palavras, ritos ou sacramentos para se unirem, pois unidos já estão. Se não houver amor entre eles, não estão unidos e de nada valera a união formal por meios sacramentais. É por isso que no Espiritismo não há sacramentos nem formalismo algum, pois tudo depende, em todas as circunstâncias, da essência única — e única verdadeira — que é o Amor.

Mas o Espiritismo reconhece a necessidade humana de disciplinação social, e por isso recomenda apenas o casamento civil. Ainda por isso o Espiritismo reconhece a necessidade do divórcio, pois no plano ilusório da matéria as criaturas se confundem e misturam sexualidade e desejo com o Amor. Jesus, respondendo aos judeus por que motivo Moisés permitia o divórcio, disse-lhes: "Por causa da dureza dos corações, mas no princípio não foi assim". Kardec explica que, no princípio da humanidade o amor era espontâneo, livre de injunções estranhas, e então não era necessário o divórcio.

O Espirismo não faz casamentos nem divórcios, nem as anulações de casamento que a Igreja faz, pois esses problemas pertencem às leis humanas. Da mesma maneira o Espiritismo não faz batizados — pois o batismo é do espírito — nem recomenda defuntos ou distribui bênçãos, pois todas essas coisas não são feitas pelos homens e sim por Deus. Todos os sacramentos e formalismos são substituídos no Espiritismo pela prece, que serve em todas as ocasiões da vida e da morte, pois é um momento de ligação do homem com Deus, o diálogo com o Outro, como queria Kierkegaard. Toda intervenção humana interesseira e venal é substituída pela serena confiança nas bênçãos gratuitas do Céu. Nesse ato humano de louvor ou de súplica, desprovido de aparatos exteriores, a presença da Divindade é o cumprimento da promessa de Jesus, sem nenhuma evocação formal.

A solidariedade espiritual se revela no esforço de transcendência vertical das criaturas, conscientes da lei da sublimação. Não há fórmulas orais nem gestos, nem signos ou mitos na tranquila vibração das consciências na intimidade de todos e de cada um. A prece espontânea brota das profundezas do ser com a naturalidade de uma flor que desabrocha. Não é um ato da vontade, mas um aflorar do espírito. Não é uma ficha arrancada do arquivo da memória, mas um impulso do coração. As raízes latinas: prex, precis, determinaram no tempo, através de séculos e milênios, a forma leve e suave da palavra portuguesa prece, que soa nos lábios como um bater secreto de asas minúsculas.

Prefere-se prece à oração, porque a primeira condiz e se harmoniza com o ato interior e invisível com que a alma se lança na transcendência. Há um mistério sutil nessa escolha intuitiva desse par de sílabas poéticas que repercutem nos corações como o perpassar de uma brisa entre pétalas. Não tentamos fazer poesia nem divagar, mas descobrir através de imagens e palavras, o imponderável do instante da prece.

Os que não se contentam com esse sopro do espírito, esse pneuma grego, esse frêmito inaudível, captado mais pela alma do que pelos ouvidos, preferindo orações extensas e grandíloquas, estão ainda imantados aos formalismos sacramentais. Nada revela mais claramente a natureza intimista da religião espiritual do que essa preferência espírita pela prece. Livrar a criatura do peso da matéria, para que ela possa elevar-se a Deus no silêncio de si mesmo é a finalidade da prece.

Do problema da prece temos de passar à questão sexual, o que não seria recomendável ainda há pouco tempo. O tabu sexual fechava todas as passagens a atrevimentos dessa espécie. As marcas da era fálica haviam aterrorizado o Cristianismo Primitivo, que teve de lutar tenazmente contra a depravação romana e do paganismo em geral. As epístolas de Paulo nos mostram o desespero do Apóstolo ante o comportamento animal dos conversos em certas igrejas, particularmente na de Corinto. Isso impediu o Apóstolo, já assustado com a corrupção grega e romana no próprio Judaísmo, a tomar uma atitude radical no tocante ao sexo.

O falso conceito judeu da pureza (mais racial e religioso do que moral), provocava os seus brios de antigo Doutor da Lei contra o perigo da época. Das reações de Paulo e do puritanismo hipócrita dos fariseus teria de nascer uma era antifálica e anti-sensual, volta para o extremo oposto da castidade forçada e do celibato sacrificial. Foi tão violenta essa reação que nem mesmo os exemplos de mentalidade aberta do Cristo puderam atenuá-la. Não somente o sexo, como instrumento de perdição, mas a própria sexualidade foram condenadas sumariamente. Por pouco a prática judaica da circuncisão, que alguns apóstolos mais afoitos, como Pedro, exigiam dos conversos pagãos, não se transformou na castração árabe dos haréns.

É significativo o fato de Paulo, depois da circuncisão que praticou recusar-se a continuar circuncidado e até mesmo a batizar com água.
Houve também, como teria de haver, reações contrárias a essa posição extremada, com liberalidades também extremada, que mais tarde resultariam no episódio dos Libertinos do Século XX, católicos e protestantes rejeitados pelas idéias renascentistas, precursores da fase atual de libertinagem que abalaram o mundo. A pornografia assustadora de hoje, que fomenta a indústria as perversões sexuais em revistas, jornais, cartazes, cinema e televisão, é por sua vez um novo eclodir da sensualidade sem freios, desvirtuando o sentido natural da sexualidade. São esses os balanços de um barco de loucos atirado à fúria de tempestades marítimas, à semelhança do Barco dos Mortos de Traven.

A contra-reação da moral vitoriana inglesa nada mais fez do que preparar a sua própria explosão, na fase atual do homossexualismo europeu desenfreado, que parece vingar a prisão de Oscar Wild em Reading. A sexualidade afrontada encontrou em Marcuse o seu defensor filosófico, mas em termos exagerados. Desde o século passado o Espiritismo colocou nos fundamentos de toda a realidade terrena a questão do princípio vital, elemento mantenedor de toda a vida planetária.

A sexualidade, que não é o sexo, mas a potência sexual geradora e mantenedora de vida, é a carga de energia vital do planeta, distribuída nos indivíduos de todas as espécies. Na era fálica essa força era cultuada mas não havia libertinagem nem pornografia nesse culto, pois não se considerava o sexo como pecado, mas como instrumento sagrado de reprodução da espécie. Na Suméria os casais se uniam nos altares dos templos, na presença de sacerdotes que os abençoavam para a fecundação. Esse senso da dignidade do sexo perdeu-se nas civilizações teocráticas, esmagado sob as condenações do gozo, que impediam a alma de alcançar a salvação.

Marcuse tem razão ao defender a teoria das civilizações suicidas, que condenam o sexo e a ele se entregam na exclusiva busca do prazer, desenvolvendo a indústria aviltante do gozo sexual, que reduz o sexo a instrumento de loucura e perversão. A colocação espírita desse problema é clara e precisa como vemos no capítulo sobre a Lei de Reprodução, do O Livro dos Espíritos:
— "As leis e costumes humanos que objetivam ou têm por efeito obstar a reprodução são contrários à lei natural?: Tudo o que entrava a marcha da Natureza é contraria à lei geral".

Todas as espécies devem reproduzir-se, mesmo as que parecem daninhas. O equilíbrio mesológico se faz segundo as leis biomesológicas de cada área específica: o campo, o cerrado, a floresta, as águas, as cidades e assim por diante. Há espécies daninhas que são sobrevivências de formas em extinção ou mutação, para adaptações a condições novas que estão surgindo.(..)

10 - SEXUALIDADE

1. Sexualidade à luz da Doutrina Espírita

2. O sexo na vida Universal Sexo é fundamento a vida universal. Encontra-se nas origens da própria vida, a qual é emanada ao criador. A energia sexual está intimamente ligada a todo princípio e vida em todos os graus evolutivos, tanto no planeta Terra, como em todos os cantos do Universo. O sexo é essência, é energia Divina. Força da vida, encontra-se na base de todos os processos de evolução dos seres.

3. Sexo: Energia Divina “ Examinado como força atuante na vida, à face da criação incessante, o sexo, a rigor, palpitará em tudo, desde a comunhão dos princípios subatômicos à atração dos astros porque, então expressará força de amor, gerada pelo amor infinito de Deus.” ( André Luíz) Nos encontramos ainda muito distanciados das belezas das leis Divinas em nossa própria vida afetiva.

4. Definição de sexo A definição primária de sexo segundo o dicionário é: Diferença física e constitutiva do homem e da mulher, do macho e da fêmea com relação a sua função reprodutora. Sensualidade, volúpia. Órgãos genitais externos.

5. Constituição humana Para a Doutrina Espírita a criatura humana não é somente matéria, pois ela é formada de corpo físico, perispiritual e espiritual Destes três o espírito é o comandante, o gerente absoluto da organização psicossomática (corpo). Quem sobrevive após a morte e a destruição do corpo é o espírito com sua sensibilidade e recursos morais, intelectuais, caráter e hábitos. Somos aqui na Terra o que o espírito já acumulou em si através das reencarnações.

6. União fisiológica “ (...)na Terra é vulgar a fixação do magno assunto no equipamento genital do homem e da mulher. Contudo, é preciso não esquecer que mencionamos o sexo como força e amor nas bases da vida, totalizando a glória da criação.” (André Luiz) O sexo para a maioria esmagadora das criaturas humanas, está restrito a função dos órgãos genésicos. É muito natural esta visão em virtude da própria ignorância humana com relação do espírito. Sexo não é só o prazer de minutos e a permuta de células sexuais.

7. Sexo no corpo físico e no Espírito L.E. Tem sexo os Espíritos? “ Não como entendeis, pois que os sexos dependem da organização(corpo). Há entre eles amor e simpatia, mas baseado na concordância dos sentimentos.” A pergunta poderia ser traduzida assim: “ Os Espíritos tem sexo, mas não como vocês conceituam na Terra.” Não de acordo com a concepção de sexo das criaturas humanas.

8. Os Espíritos realmente não têm o sexo como o da organização física, pois no corpo espiritual não possuem o mecanismo de fecundação com possibilidades para a reprodução em si. Os Espíritos só Deus cria. “ Os sexos só existem no organismo (físico). São necessários à reprodução dos seres materiais, mas os Espíritos sendo criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros, razão porque os sexos seriam inúteis no mundo espiritual.” (Kardec)

9. A individualidade do Espírito após a morte (...) Os Espíritos após a desencarnação conservam as suas características. Ele leva consigo tudo que realizou, aprendeu e conquistou nas experiências da vida corpórea, seja no campo do intelecto ou do sentimento, e isso é o que vai caracterizá-lo no mundo espiritual. “ O sexo é portanto mental em seus impulsos e manifestações.” ( André Luiz)

10. A sexualidade nos órgãos genitais Os órgãos genitais não são elementos básicos para definir a sexualidade nas criaturas humanas, pois elas são instrumentos passivos obedecendo ao comando mental. Não são eles que decretam a nossa sexualidade, mas sim a nossa estrutura psicológica. “ O sexo é portanto mental em seus impulsos e manifestações transcendendo quaisquer impositivos da forma em que se exprime”. ( André Luiz)

11. Na vida sexual cada Espírito será, em matéria de masculinidade ou de feminilidade, definido e conformidade com as qualidades que forem predominantes no seu campo mental. O Espírito, no curso das reencarnações precisa habitar em corpo de homem ou de mulher para a aquisição de experiências que lhe possibilitarão alcançar a perfeição. Nenhum Espírito poderá chegar ao porto da perfeição, sem antes ter acumulado em sua estrutura psíquica as qualidades de ambos os sexos.

12. O sexo é mental Uma prova de que o sexo é mental está no problema da homossexualidade. Do ponto de vista espiritual todos os nossos atos são analisados e julgados pela Justiça maior do Universo – A Justiça Divina. Todo pensamento, ato ou palavra que venha desvirtuar a Lei Natural será sem dúvida uma atitude criminosa. Este ato trará consequências desarmoniosas na estrutura delicada e sensível da nossa vida mental, da nossa organização perispirítica e principalmente na intimidade de nossa consciência, provocando enfermidades estranhas, sejam elas físicas ou psíquicas.

13. Os abusos sexuais sejam praticados por herossexuais, homossexuais ou bissexuais, têm seus resultados infelizes, em nós mesmos e em nossos destinos, a longo prazo, de conformidade com a nossa teimosia em permanecermos nos erros. “ Aplica a bondade e a compreensão toda vez que alguém se levante contra alguém, porque em matéria de sexo, com raras exceções todos trazemos heranças dolorosas de existências passadas, dívidas à resgatar e problemas à resolver.

14. E continua... “ Muitos daqueles que apontam desdenhosamente, os irmãos caídos em desequilíbrio emotivo,imaginando-se hoje anichados na virtude, são apenas devedores em moratória, que enfrentarão amanhã aflitivas tentações, quando soar o momento de reencontrarem os seus credores de outras eras.” Recordemos sto. Agostinho: “Deus não aceita o pecado, mas ama o pecador”.

15. Perfeição do Espírito e os característicos sexuais À medida que o Espírito vai avançando graus mais altos na hierarquia do aperfeiçoamento espiritual, vai ele perdendo as características acentuadas dos dois sexos, porque elas vão se fundindo para surgirem muito mais belas e superiores às qualidades humanas. Na síntese gloriosa dessas virtudes desenvolvidas infinitamente em plenitude de luz, sabedoria e amor.

16. Promiscuidade O heterossexualismo promíscuo costuma ser exaltado pela sociedade machista. Esse procedimento é anormal desde o momento que sabemos da responsabilidade e do discernimento que devem nortear a prática sexual. No mundo afetivo respeitando a Lei Divina de Causa e Efeito, o que concedermos à outrem, receberemos o retorno, partilhando das consequências desencadeadas por nós mesmos.

17. Obsessão sexual Com base na Doutrina Espírita, podemos afirmar que para que haja o processo obsessivo, é condição essencial que exista da parte da vítima uma imperfeição moral, que proporciona ascendência à entidade inferior. Portanto para que a obsessão sexual se estabeleça, é necessário que o obsidiado permita a entrada do obsessor, verificando acentuada afinidade, ligando as duas criaturas, compartilhando ambos dos mesmos propósitos e desejos.

18. Na obsessão sexual, tanto os encarnados quanto as entidades viciadas estão unidos vibratóriamente, entrelaçados em teias , em sinistra simbiose espiritual, atuando os espíritos como verdadeiros vampiros, sugando a substância vital retiradas do campo de força, como também a energia exteriorizada no êxtase sexual.

19. Desequilíbrio sexual O desequilíbrio sexual é uma das causas da alienação mental, seja praticada por hetero, bi ou homossexuais. O prazer sexual desvairado traz perigosas feridas que deixam marcas profundas no corpo e na alma, consequências como as doenças venéreas.

20. Abuso do sexo e expiação “ Qualquer sombra de nossa consciência jaz impressa em nossa vida até que a mácula seja lavada por nós mesmos, com o suor do trabalho ou com o pranto da expiação.” (André Luiz) Nenhum Espírito vive fora do amor de Deus e tampouco dos processos imparciais da Justiça Divina. É da Lei Suprema que cada um receba de acordo com suas obras. Somos vítimas de nossos próprios atos. Não há sofrimento sem causas justas.

21. A Justiça Divina existe não simplesmente para punir e fazer sofrer as criaturas ainda imperfeitas, mas principalmente para a reajustar e iluminar o Espírito culpado. Esses abusos são comuns nas criaturas humanas, pois estamos muitos de nós escravizados ainda às emoções inferiores, à sensualidade, aos desejos imediatistas sem disciplina e responsabilidade.

22. Expiações dolorosas e aperfeiçoamento espiritual Expiações dolorosas, no hoje, redundarão em paz na consciência no amanhã, quando sofremos dentro dos preceitos evangélicos. Nenhum Espírito caminhará para a frente, na senda do aperfeiçoamento espiritual, sem antes saudar suas dívidas com a Justiça Divina.

23. Somente nos esclarecimentos do Evangelho de Jesus, quando buscado com sinceridade, encontraremos os remédios-luzes para a reeducação das energias criadoras do sexo em todos nós, através das disciplinas dos nossos sentimentos, do aperfeiçoamento de nossas afeições, do enriquecimento de valores nobres no coração, resolvendo em definitivo o vaivém dos sentimentos expiatórios.

24. Educação sexual e a conquista do amor espiritualizado Ante os convites inumeráveis do mundo para a porta larga da devassidão sexual, arrastando-nos pela nossa invigilância para vivenciar emoções inferiores, meditemos nos princípios superiores da vida que já iluminam o nosso entendimento e fiquemos com o apóstolo Paulo: Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém. (I Corintos 6,12)

25. Somos livres para fazer o que desejamos, mas, com a Luz do Cristo de Deus, já sabemos que não podemos mais atender aos impulsos da animalidade e, sim, procurar educar nossas energias sexuais para níveis mais elevados de espiritualidade, a fim de que possamos ser mais felizes e mais edificantes em nossos empreendimentos afetivos.

26. O socorro da oração Se ansiamos por ser melhores, se possuímos uma fé, se acreditamos em Deus, elevemos nossas forças mais íntimas na direção da Providência Divina, através dos fios invisíveis, mas poderosos da oração, e estejamos certos de que não nos faltarão recursos superiores para o nosso coração se equilibrar, na estrada segura da afeição espiritualizada, abandonando a idéia do prazer sexual irresponsável. Cuidemos das energias sexuais de nossa alma, iluminando-as com as luzes do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, roteiro único de liberdade dos instintos, afim de construirmos nossa felicidade real, tanto na vida corpórea quanto na vida espiritual, com residência segura em nossa própria consciência do dever afetivo retamente cumprido.

12 - SEXUALIDADE

Eliseu Mota Júnior

Introdução

O tema central da XXI CONRESPI – Confraternização Regional Espírita, realizada em São Carlos no período de 1 a 4 de março de 2003, foi “Sexualidade, uma abordagem espírita”, sendo que tivemos o grato ensejo de proferir a palestra e de participar de animado “pinga fogo” de encerramento, focando o mesmo assunto.

Assim, aproveitando o estudo que realizamos para aquele evento e simultaneamente marcando nosso agradável retorno às páginas da querida RIE, faremos aqui um resumo da pesquisa, mas que, pela exigüidade do espaço e pela nossa conhecida limitação, não tem a mínima pretensão de esgotar um assunto polêmico e sobremaneira complexo como este.

O trabalho aborda, primeiramente, as variadas manifestações sexuais, com base em estudos genéticos, médicos e psicológicos, entra na visão espírita da problemática sexual e chega a modestos e despretensiosos pontos conclusivos, seguindo-se a indicação completa da bibliografia citada no texto.

1. Manifestações sexuais

Vários fatores têm influência mais ou menos decisiva na opção que o indivíduo adota para sua identificação e afirmação sexuais, como os de natureza fisiológica (sexo genético, gonadal e fenotípico), psíquica, familiar, social, médica, religiosa e jurídica. Mas antes disso já houve, no plano espiritual, a escolha feita pelo Espírito, que optou por uma encarnação em corpo masculino ou feminino, com certas variáveis que podem ocorrer por conta do seu passado. Daí falar-se em: a) heterossexuais; b) homossexuais; c) intersexuais, e, d) transexuais. Vejamos alguns detalhes sobre cada uma dessas categorias para, em seguida focarmos o assunto sob o ângulo espírita.

1.1. Heterossexuais — O prefixo grego hetero significa ‘diferente’, e, no campo da sexualidade, indica a pessoa que escolhe outra do sexo oposto não só para relações íntimas, como também para a plenitude do casamento.

Assim, a definição de um indivíduo heterossexual começa a partir da fecundação do óvulo de sua mãe por um espermatozóide do seu pai. Na formação desse embrião, a primeira fase vai determinar se ele será do sexo masculino ou feminino (chamado sexo genético), dependendo da forma pela qual os cromossomos dos gametas dos genitores se unem. Como a mulher é homogamética (XX), cederá sempre um cromossomo X. O homem que, ao contrário, é heterogamético (XY) cederá um cromossomo X ou Y. Disso resultará um ovo XX (feminino) ou XY (masculino) sem contar a possibilidade da ocorrência de erros (como veremos no estudo da intersexualidade).

A fase seguinte, que acontece mais ou menos na oitava semana de gestação, marcará a diferença gonadal do sexo do indivíduo. Assim, presente um cromossomo Y, a gônada se diferencia na direção masculina e o tecido se volta à forma testicular típica; caso o ovo seja XX, o processo caminha para a formação ovariana, mas, tanto num caso como no outro, só estará completo na puberdade, quando terá início o funcionamento dos testículos e dos ovários e o surgimento dos caracteres sexuais secundários[1].

Desse modo, com a clara definição de suas características anatômicas, relativas ao sexo masculino ou feminino, a pessoa heterossexual terá essa opção reforçada pela educação ministrada pelos pais, professores e religiosos, entrará sem traumas na fase do namoro, noivado e casamento, constituindo sua família e gerando filhos.

1.2 Homossexuais — O prefixo grego homo significa ‘mesmo’ ou ‘igual’ e não pode ser confundido com o correspondente latino, que se refere aos primatas (ex. homo erectus; homo sapiens). Assim, homossexuais são pessoas que preferem outras do mesmo sexo para relacionamento íntimo.

Tal como o heterossexual, o homossexual não apresenta problemas na formação fetal, possuindo genitália interna e externa compatíveis com o seu sexo anatômico. Em geral, o homossexual procura esconder sua condição dos amigos e da família, cultivando hábitos relativos ao seu sexo, para evitar o preconceito.

Porém, também há homossexuais, normalmente masculinos mas sem excluir alguns femininos, que não apenas assumem publicamente sua posição, como adotam ainda um comportamento fetichista, usando roupas típicas do outro sexo, incluindo aqui o grupo dos travestis, valendo observar que estes não têm a mínima pretensão de esconder sua condição, tanto pela bizarrice da sua indumentária, quanto pela imitação grotesca das mulheres, não deixando qualquer dúvida no que se refere ao seu sexo verdadeiro.

1.3 Intersexuais — Vimos que normalmente um embrião com cromossomos XY deverá resultar em homem e outro com XX em mulher. Porém, podem às vezes ocorrer erros cromossômicos na formação fetal, que causam hipertrofia na genitália interna e externa da criança, determinando o nascimento dos chamados hermafroditos.

Vale observar que o ‘hermafrodito verdadeiro’ é uma figura mitológica, porque ele teria simultaneamente genitálias masculinas e femininas, internas e externas. Assim, seria capaz de fecundar-se a si próprio, gerar, dar à luz e amamentar uma criança, o que jamais ocorrerá, porque os órgãos masculinos e femininos estão situados em condição de absoluta incompatibilidade com a hipótese figurada.

Entretanto, esclarece Matilde Josefina Sutter, citada por Antônio Chaves, que “o número de indivíduos intersexuados não é tão reduzido quanto possa parecer à primeira vista. Somente na Unidade de Intersexo do Hospital Darcy Vargas em São Paulo, no curso de cinco anos se apresentaram 66 casos”. Esse verdadeiro drama vivido pelos hermafroditos é praticamente ignorado pela população. Decerto foi por essa razão que o autor Benedito Rui Barbosa, depois que tomou conhecimento do assunto, popularizou o hermafroditismo com a personagem Buba, interpretada pela atriz Maria Luiza Mendonça, criada por ele na telenovela Renascer.[2]

1.4 Transexuais —Transexuais são pessoas que têm a convicção de pertencer ao sexo oposto, cujas características querem possuir, ou até já obtiveram através de procedimento cirúrgico, de forma artificial e adaptativa.

Note-se que o transexual é muito diferente do intersexual (pseudo-hermafrodito). De fato, este pretende uma definição do seu sexo, por causa da atrofia da genitália. Assim, para que possa recuperar sua auto-estima, regularizar o registro e os documentos e até casar-se, necessita de uma cirurgia reparadora, que é aceita pelo Código de Ética Médica e pela lei. A mesma coisa já não acontece com o transexual, pois se ele é anatomicamente um homem, afirma que sua alma é feminina, e vice-versa. Desse modo, procura esconder sempre seus traços sexuais, usa roupas do seu ‘sexo psíquico’, não é e nem busca um homossexual para relacionamentos e sonha em ser operado para mudar de sexo.

Aliás, essa cirurgia é muito complexa, irreversível e não é legal no Brasil. Em síntese, se o transexual for masculino, o procedimento cirúrgico consiste na amputação do pênis e dos testículos, seguida pela construção de uma vagina artificial, revestida de pele e não de mucosa, o que implica na ausência de elasticidade e de lubrificação. Quanto ao transexual feminino, a cirurgia consistirá no fechamento da vagina, na amputação do clitóris, seguindo-se a implantação do pênis e dos testículos de silicone.

Toda essa artificialidade resultará em inúmeros problemas, a começar pela imperiosa necessidade de tratamento psicoterápico, além das dificuldades inerentes aos registros públicos, pois nem todo juiz está disposto a autorizar a retificação do nome e do sexo da pessoa operada.

Isso tudo sem esquecer que, se o transexual ainda não tem parceiro antes da cirurgia, estará na obrigação moral e legal de revelar-lhe a verdade, sob pena de sérios transtornos no relacionamento futuro.

2. Visão espírita da sexualidade.

O Dr. Geremias Rodrigues Vilella costumava alertar em suas proveitosas palestras, que além do chamado conteúdo personímico, relativo à presente vida de cada pessoa e o único reconhecido pela psicanálise tradicional, o inconsciente tem ainda os seguintes estratos: a) conteúdo pré-anímico do inconsciente – refere-se ao período em que o princípio inteligente estagiou nos reinos mineral, vegetal e nos animais da escala filogenética, e, b) conteúdo anímico do inconsciente – entrando no uso do seu livre-arbítrio, o Espírito humano, como individualidade, inicia sua longa escalada evolutiva, partindo dos seres primitivos, passando por incontáveis experiências como homem e como mulher, até chegar à personalidade atual.

Pois bem, antes de reencarnar, ainda na erraticidade o Espírito, com a orientação dos instrutores espirituais, programa a futura existência carnal, tendo como base o seu passado, conforme vimos acima. No que se refere ao sexo, a ele não faz diferença eleger o corpo de um homem ou de uma mulher, pois o que vai servir-lhe de guia nessa escolha são as provas pelas quais haverá de passar, uma vez que os Espíritos não têm sexo, como o entendemos no mundo corporal, porquanto os sexos dependem da organização; na verdade, reina entre eles amor e simpatia, baseados na concordância dos sentimentos. Acrescenta ainda Allan Kardec que “Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres, porque não têm sexo. Visto que lhes cumpre progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhes proporciona provações e deveres especiais e, com isso, ensejo de ganharem experiência. Aquele que só como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens.”

Durante a fecundação e a gestação, o perispírito dará a conformação física a um feto, masculino ou feminino, em perfeita consonância com os ensinos da genética já vistos. Porém, tudo sob o comando do Espírito reencarnante, que traz a predominância da polaridade do sexo masculino ou feminino bem definido (heterossexualidade); ou os desvios que podem conduzi-lo, dependendo do seu livre-arbítrio, à busca de parceiros do mesmo sexo (homossexualismo); ou a interferência de fatores que irão provocar a atrofia sexual característica dos intersexuados (hermafroditismo), ou, finalmente, a angústia de ser um Espírito, com marcante polaridade masculina, ocupando um corpo feminino, ou vice-versa (transexualismo).

Em uma frase, a posição de hetero, homo, inter ou transexual de uma pessoa, além de fatores genéticos, familiares e sociais, depende sobretudo da sua condição de Espírito imortal, através do seu passado milenar, no qual vivenciou experiências sexuais variadas.

Resumindo tudo isso, o Dr. Hermínio C. Miranda, no livro que concluiu para seu amigo, o saudoso confrade Dr. Deolindo Amorim, assevera, de maneira insofismável, que a “visão espírita da problemática sexual, como um todo, e da homossexualidade em particular, é, portanto, infinitamente mais abrangente, responsável e inteligente do que a visão unilateral que se tem a partir de uma postura meramente organicista, biológica, material. Somos espíritos e estamos num corpo físico. O Espírito não tem sexo, como entendemos, e sim uma poderosa energia criadora suscetível, como toda força natural, ao uso e ao abuso. A cada desvio num sentido há um infalível repuxo noutro. O processo evolutivo lembra o movimento pendular. Quanto mais avança num sentido, mais terá que retroceder no oposto. Quanto mais violenta a ação de ida, mais ampla a reação de volta, até que, eventualmente, com a gradativa redução da periodicidade, a oscilação se extingue e o movimento se aquieta no repouso. É o equilíbrio, é a paz. Não mais será necessário consumir energia para movimentar o mecanismo grosseiro e por isso sobrará energia para as conquistas transcendentais do espírito imortal.”

Conclusão.

O casamento, ou a união permanente entre um homem e uma mulher, é “um progresso na marcha da Humanidade” e portanto há de predominar sobre outros tipos de escolha sexual. Mesmo os celibatários, que escolhem permanecer solteiros apesar de aptos para o casamento, quando o fazem por egoísmo desagradam a Deus e enganam o mundo; mas têm seus méritos quando renunciam à família para se dedicarem, de modo mais completo, ao serviço da Humanidade (O livro dos Espíritos, questões 695, 698 e 699).

Desse modo, ao longo dos tempos as pessoas criaram o costume do namoro e do noivado, antecedendo ao casamento, para que possam conhecer o caráter e a personalidade dos seus futuros cônjuges, e assim acontece ainda entre pessoas estruturadas nessa tradição saudável e de grande utilidade na formação da família.

Entretanto, com a emancipação da mulher, o uso indiscriminado de anticoncepcionais e a liberação dos costumes, têm surgido algumas práticas que são, no mínimo, discutíveis. Uma delas é o “ficar”, palavra que designa o encontro e a permanência de jovens de sexos opostos, que muitas vezes sequer se conhecem, e durante esse “ficar” trocam todo tipo de carícias, podendo variar de um simples beijo até relações sexuais.

Outra novidade é a intensificação do sexo casual, sem nenhum compromisso anterior ou posterior ao ato sexual. Isto era comum entre os homens e agora conta com a adesão de mulheres de todas as idades, motivadas por telenovelas, filmes, livros e revistas pregando a irrestrita igualdade entre os sexos, mas com sentido dúbio e falacioso.

Acrescente-se a isso os altos índices de infidelidade conjugal, masculina e feminina; a insistência na legalização da união de homossexuais; o crescente número de operações para mudança de sexo e a proliferação dos travestis, e não será de assustar que a AIDS e outras moléstias sexualmente transmissíveis estejam dizimando a população, principalmente entre os jovens. Ademais, essa desagregação da família causa problemas de múltipla natureza, desde o aumento da infância abandonada, até o recrudescimento da criminalidade, especialmente do tráfico de drogas, armas e mulheres, dificultando as coisas para as pessoas de bem.

Por isso, é imperioso difundir entre as massas que o casamento, a constituição da família e a fidelidade conjugal ainda são — e serão sempre — as melhores armas contra todos esses males da atualidade. Bem-humorado como era, o prof. Henrique Rodrigues costumava dizer que se “o amor que um torcedor sente por seu clube ou escola de samba, existisse entre um homem e uma mulher, não haveria divórcio. Seu clube favorito pode estar na lanterna, apanhar de todos, servir de alvo para zombarias. O torcedor desse clube sofre calado, humilhado, mas não abandona seu amor por ele. É só perguntar a um corintiano, se seu clube ficou fora do campeonato, se ele vai torcer pelo Palmeiras que está classificado. E a um flamenguista no Rio, que também ficou de fora, se vai torcer por outro clube. Nunca!”

Com isso encerramos essas breves notas sobre a sexualidade humana.

Bibliografia

AMORIM Deolindo. O espiritismo e os problemas humanos. Obra concluída com a colaboração de Hermínio C. Miranda. São Paulo : USE, 1985.

BARROS, Inajá Guedes, Intersexualidade. Retificação de Registro Civil. Quesitos da Curadoria de Família, Justitia, v. 150, abril-junho 1990, págs.12-20.

CHAVES, Antônio. Direito à vida e ao próprio corpo: intersexualidade, transexualidade, transplantes, 2. ed. rev. e ampl. São Paulo, Editora Revista dos Tribunais, 1994.

KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. 28. ed. Tradução de Guillon Ribeiro da 5. ed. francesa. Rio de Janeiro : FEB, 1985.

RODRIGUES, Henrique. Sexo, TVP, clone e outros temas. Capivari : EME, 1998.

VILELLA, Geremias Rodrigues. Palestras públicas, gravadas em vídeo.