SOFRIMENTO
BIBLIOGRAFIA
01- A reencarnação na Bíblia - pág. 44 02 - Ave cristo - pág. 129
03 - Caminho, verdade e vida - pág. 67, 293 04 - Chão de flores - pág. 47, 135
05 - Convites da vida - pág. 26 06 - Coragem - pág. 18
07 - Emmanuel - pág. 39 08 - Expiação - toda a obra
09 - Falando à Terra - pág. 158 10 - Florações Evangélicas - pág. 117
11 - Justiça Divina - pág. 115 12 - Lampadário Espírita - pág. 143, 199
13 - Messe de amor - pág. 47,13 14 - O Espírito da Verdade - pág. 63, 155,159
15 - O grande enigma - pág. 111

16 - O Livro dos Espiritos - q. 133a, 255,727,933,970

17 - O que é a morte - pág. 168 18 - Os funerais da santa sé - pág. 69, 146
19 - Pérolas do Além - pág. 220 20 - Rumo Certo - pág. 56
21 - Rumos libertadores - pág. 69,142 22 - Segue-me - pág. 75
23 - Vinhas de luz - pág. 173 24 - Vozes do grande além - pág. 104
25 - Nascer e renascer - pág. 63  

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SOFRIMENTO – COMPILAÇÃO

01- A reencarnação na Bíblia - Herminio C. Miranda - pág. 44

O REAJUSTE
Se o erro não for resgatado em uma existência, é claro que o será em outra, não no inferno por uma condenação eterna, igualmente inadmissível da parte de Deus, nem na penitenciária provisória do purgatório, mas numa oportunidade subsequente, aqui mesmo, onde e quando for possível reunir as condições exigidas para o exercício do ajuste perante a lei desrespeitada.

Cada um responde inapelavelmente, pois, pelos seus erros, cuja responsabilidade é intransferível. Seria muito cômodo, mas desastroso para o equilíbrio ético do universo, que cada um pudesse cometer à vontade seus crimes e deixá-los para serem resgatados, na dor, pelos seus descendentes.

Pode-se argumentar aqui: "sim, mas para estes há o inferno, onde o sofrimento é eterno". Novamente errado. Em primeiro lugar, porque isto se choca frontalmente com a doutrina do amor e do perdão que Jesus ensinou repetidamente. Se ao homem ele recomendou que perdoasse setenta vezes sete, como admitir que Deus não perdoe uma só vez, por mais grave que seja a ofensa ? Por outro lado, o perdão divino não nos põe a salvo da responsabilidade pelo crime cometido.

O perdão é realmente divino, como diz o provérbio, mas a lei exige de cada um o resgate, o reparo, e a consciência nos impele à aceitação, ainda que relutante, dos sofrimentos decorrentes e que, muitas vezes, ficaram como opção final e única aberta à nossa libertação e pacificação. A bondade de Deus está não apenas em conceder invariavelmente o perdão, mas também em proporcionar as oportunidades de ajuste.

Resta, ainda, outro aspecto importante e nem sempre lembrado: por que cobrar com a "punição eterna" o pecado que, afinal de contas, seria resgatado por netos e bisnetos? E mais ainda: se o criminoso tem o seu crime cobrado aos seus descendentes, infere-se que está redimido e, portanto, poderia ser encaminhado ao céu . ..Veja, pois, o leitor a que escalada de incongruências nos leva uma premissa falsa, uma única, ou seja, a de que nossos descendentes podem pagar pelos nossos erros.

NASCER DE NOVO
Resta, portanto, a alternativa válida de que quando o ajuste não pode ser realizado numa vida, ele se transfere para nova existência na carne daquele mesmo ser espiritual que errou e não de outro. É este, pois, o sentido da afirmativa de que a "iniquidade dos pais" é cobrada pela lei divina "na terceira ou na quarta geração". Ou seja, aquele que cometeu o erro irá nascer de novo — em outro corpo físico, em outra época, com outro nome, em outra existência, portanto — a fim de resgatar as suas culpas.

Só raramente tal renascimento ou reencarnacão ocorre logo na segunda geração. Seria necessário, para isto, que o indivíduo morresse ainda relativamente jovem e se reencarnasse imediamente, ainda como filho ou filha do cônjuge sobrevivente. Exemplifiquemos para maior clareza. João e Maria são casados. Suponhamos que João morra ainda jovem em consequência de um acidente. Maria, viúva, casa-se pouco depois com Pedro e começa a ter filhos com o novo esposo. Entre esses poderá renascer o "falecido" João, agora como filho daquela que foi sua própria esposa, ou seja, na segunda geração, segundo a linguagem bíblica.

O mais comum, porém, é que tais renascimentos ocorram, como diz o Decálogo, na terceira ou na quarta geração ou, mesmo, muito mais tarde e não necessariamente no mesmo grupo familiar. Depreende-se, pois, que quem escreveu o texto do Primeiro Mandamento tinha plena consciência do mecanismo das vidas sucessivas, ou seja, sabia que o Espírito costuma renascer três ou quatro gerações adiante, a fim de resgatar seus erros ou dar prosseguimento às suas tarefas.

A severa linguagem da época atribuía ao próprio Deus um propósito punitivo, o que é falso, mas ensinava também que a oportunidade do reajuste ocorreria nas gerações ou renascimentos seguintes, quando aqueles mesmos espíritos voltariam animando a personalidade de netos e bisnetos. Não há dúvida, pois, de que o Decálogo consagra logo no seu Primeiro Mandamento estes três princípios fundamentais: a responsabilidades pessoal de cada um, o resgaste pela expiação e a reencarnação.

06 - Coragem - Espíritos Diversos - pág. 18

3. CULTIVANDO PACIÊNCIA
Cultivando paciência: Se você foi vítima de preterição em serviço, reconhecerá que isso aconteceu, em favor da sua elevação de nível; se perdeu o emprego, ante a perseguição de alguém que lhe cobiçou o lugar, creia que alcançará outro muito melhor; se um companheiro lhe atravessou o caminho atrapalhando-lhe um negócio, transações mais lucrativas apareceráo, amanhã em seu benefício.

Se determinada criatura lhe tomou a residência, manejando processos inconfessáveis, em futuro próximo, terá você moradia muito mais confortável; se um amigo lhe prejudica os interesses, subtraindo-lhe oportunidade de progresso e ajustamento econômico, guarde a certeza de que outras portas se lhe descerrarão mais amplas aos anseios de paz e prosperidade.

Se pessoas queridas lhe menosprezam a confiança, outras afeições muito mais sólidas e mais estimáveis surgirão a caminho, garantindo-lhe a segurança e a felicidade.

Mas nunca pretiras, não persigas, não atrapalhes, não desconsideres, não menosprezes e nem prejudiques a ninguém, porque sofrer é muito diferente de fazer e a dívida é sempre uma carga dolorosa para quem a contrai.
Albino Teixeira

07 - Emmanuel - Emmanuel - pág. 39

A NECESSIDADE DA EXPERIÊNCIA :
Em vossos dias, a luta a cada momento recrudesce sobre a face do mundo; inúmeras causas a determinam e Deus permite que ela seja intensificada, em benefício de todos os seus filhos. Todas as classes são obrigadas a grandes trabalhos, mormente aos trabalhos intelectuais, porquanto procuram, com afinco, a solução da crise generalizada em todos os países.

Ponderando a grande soma dos males atuais, buscam elas remédios para as suas preocupações, espantadas com a situação econômica dos povos, cuja precariedade recai sobre a vida das individualidades, multiplicando as suas angústias na luta pelo pão cotidiano.

O quadro material que existe na Terra não foi formado pela vontade do Altíssimo; ele é o reflexo da mente humana, desvairada pela ambição e pelo egoísmo. O Céu admite apenas que o mundo sofra as consequências de tão perniciosos elementos, porque a experiência é necessária como chave bendita que descerra as portas da compreensão. Cada um, pois, medite no quinhão de responsa-bilidades que lhe toca e não evite o trabalho que eleva para as Alturas.

O MOMENTO DAS GRANDES LUTAS
Há quem despreze a luta, mergulhando em nociva impassibilidade, ante os combates que se travam no seio de todas as coletividades humanas; a indiferença anula na alma as suas possibilidades de progresso e oblitera os seus germens de perfeição, constituindo um dos piores estados psíquicos, porque, roubando à individualidade o entusiasmo do ideal pela vida, a obriga ao estacionamento e à esterilidade, prejudiciais em todos os aspectos à sua carreira evolutiva.

Semelhante situação não se pode, todavia, eternizar, pois para todos os espíritos, talhados todos para o supremo aperfeiçoamento, raia, cedo ou tarde, o instante da compreensão que os impele a contemplar os altos cimos... A alma estacionária, até então refratária às pugnas do progresso, sente em si a necessidade de experiências que lhe facultarão o meio de alcançar as culminâncias vislumbradas. .. Atira-se aí à luta com devoção e coragem. Vezes inúmeras fracassa em seus bons propósitos, porém, é nesse turbilhão de incessantes combates que ela evoluciona para a perfeição infinita, desenvolvendo as suas possibilidades, aprimorando os seus poderes, enobrecendo-se, enfim.

OS PLANOS DO UNIVERSO SÃO INFINITOS

Para os desencarnados da minha esfera, o primeiro dia do Espírito é tão obscuro como o primeiro dia do homem o é para a Humanidade. Somente sabemos que todos nós, indistintamente, possuímos germens de santidade e de virtude, que podemos desenvolver ao infinito.

Podendo conhecer a causa de alguns dos fenômenos do vosso mundo de formas, não conhecemos o mundo causal dos efeitos que nos cercam, os quais constituem para vós outros, encarnados, matéria imponderável em sua substância.

Se para o vosso olhar existem seres invisíveis, também para o nosso eles existem, em modalidade de vida que ainda estudamos nos seus primórdios, porquanto os planos da evolução se caracterizam pela sua multiplicidade dentro do Infinito.

Aqui reconhecemos quão sublime é a lei de liberdade das consciências e dessa emancipação provém a necessidade da luta e do aprendizado.

O PROGRESSO ISOLADO DOS SERES

A Ciência, a Arte, a Cultura, a Virtude, a Inteligência não constituem patrimônios eventuais do homem, conforme podeis observar; semelhantes atributos só se revelam, na Terra, nos organismos dos gênios, os quais representam a súmula de extraordinários esforços individuais, em existências numerosas de sacrifício, abnegação e trabalho constantes.

Todos os seres, portanto, laboram insuladamente, na aquisição dessas prerrogativas, de acordo com as suas vocações naturais, dentro das lutas planetárias. Paulatinamente, vencem imperfeições, aparam arestas, aniquilam defeitos em suas almas, norteando-as para o progresso, último objetivo de todas as nossas cogitações comuns.

O FUTURO É A PERFEIÇÃO

Integrada no conhecimento de suas próprias necessidades de aprimoramento, a alma jamais abandona a luta. Volta às existências preparatórias do seu futuro glorioso. Reúne-se aos seres que lhe são afins, desenvolvendo a sua atividade perseverante e incansável nos carreiros da evolução.

Em existências obscuras, ao sopro das adversidades, amontoa os seus tesouros imortais, simbolizados nas lições que aprende, devotadamente, nos sofrimentos que lhe apuram a sensibilidade. Cada etapa alcançada é um ciclo de dores vencidas e de perfeições conquistadas.

O QUE SIGNIFICAM AS REENCARNAÇÕES

Cada encarnação é como se fora um atalho nas estradas da ascensão. Por esse motivo, o ser humano deve amar a sua existência de lutas e de amarguras temporárias, porquanto ela significa uma bênção divina, quase um perdão de Deus.

A golpes de vontade persistente e firme, o Espírito alcança elevados pontos na sua escalada, nos quais não mais estacionará no caminho escabroso, mas sentirá cada vez mais a necessidade de evolução e de experiência, que o ajudarão a realizar em si as perfeições divinas.


11 - Justiça Divina - Emmanuel - pág. 115

Por nós mesmos - Reunião pública de 11-8-61 19 Parte, cap. VII, § 18
Quando a morte do corpo terrestre nos conduz à sociedade dos Espíritos, muitas vezes somos cercados pelo amor puro, a mergulhar-nos em divino clarão.

Antigos afetos, que o tempo não nos riscou da memória, ressurgem, de improviso, envolvendo-nos na melodia da ventura ideal; amigos, a quem supúnhamos haver servido com algum pequenino gesto beneficente, repontam do dia novo, descerrando-nos os braços; sorrisos espontâneos, por flores de carinho, desabrocham em semblantes nimbados de esplendor.

Quase sempre, contudo, ai de nós!... Reconhece-mo-nos no festival da alegria perfeita, à feição de lodo movente, injuriando o carro solar. Quanto mais a bondade fulgura em torno, mais nos oprime o peso da frustração.

Temos o peito, qual violino de barro, que não consegue responder ao arco de estrelas que nos tange as cordas desafinadas, e, do coração, semelhante a címbalo morto, apenas arrancamos lágrimas de profundo arrependimento para chorar.

Lamentamos então as lutas recusadas e as oportunidades perdidas! Deploramos a passada rebeldia, ante os apelos do bem que nos teriam conquistado merecimento, e a fuga deliberada aos testemunhos de humildade que nos haveriam propiciado renovação.

Sentimo-nos amparados por indizíveis exaltações dei claridade e ternura; no entanto, por dentro, carregam os ainda remorso e necessidade.

É assim que nos excluímos, por nós mesmos, da assembléia gloriosa, suplicando o retorno às arenas do mundo, até que a reencarnação nos purifique, nas aquisições de experiência e valor.

Alma que choras na teia física, louva o tronco de sofrimento a que te encontras temporariamente agrilhoada na Terra!
Abençoa os espinhos que te laceram. Abençoa o pranto que te lava os escaninhos do ser.

Executa com paciência o trabalho que a vida te pede, porque, um dia, os companheiros amados que te precederam na vanguarda de luz estarão contigo, em preces de triunfo, a desatarem-te as últimas algemas, de modo a que lhes partilhes os cânticos de vitória, na grande libertação.

12 - Lampadário Espírita - Joanna de Ângelis - pág. 143, 199

34. BEM E MAL SOFRER
Afasta a nuvem cinzenta do pessimismo e da queixa, enquanto a dor se demora contigo, concedendo ao sol da esperança a oportunidade de fulgir ante os teus olhos acostumados às sombras das recriminações. Enquanto não te disponhas ao combate contra a autopiedade e a autoflagelação por morbidez, ninguém poderá fazer nada por ti.

Observa o vôo ligeiro da ave colorida, o desabrochar de uma flor, a vitória da germinação de uma semente, o canto de delicado filete dágua na frincha da rocha, o triunfo da árvore, o milagre do pão, o deslumbramento do nascente, o ritmo da vida nos insetos, nos animais, em toda parte, e encontrarás as mãos divinas agindo, produzindo, zelando . . .

A inteligência e o «dom» do raciocínio não te foram concedidos através das múltiplas etapas da evolução para que somente reclames, amaldiçoes, azorragues . . . Não lances invectivas contra isto ou aquilo, antes faze algo para corrigir seja o que for que não esteja certo. Se o dever que reclamas nos outros se corporificasse em teus atos, outros possivelmente aprenderiam contigo otimismo e ação, produzindo para melhorar todas as coisas que podem e devem ser melhoradas.

Quando te entregas ao desânimo e o espalhas, conspiras contra a ordem natural, o equilíbrio e o progresso da vida. E' pernicioso mal sofrer, malbaratando a oportunidade de aproveitar bem a lição do sofrimento. Procuras sofismar quanto ao bem e ao mal, tentando fugir à responsabilidade.

O bem é tudo quanto estimula a vida, produz para a vida, respeita e dignifica a vida. O mal é toda ação mental, física ou moral que atinge a vida perturbando-a, ferindo-a, matando-a. Se cultivas os cogumelos do pessimismo, respiras, evidentemente, em clima de sombras morais e umidade psíquica asfixiante.

Inadvertidamente enfermas e por irresponsabilidade laboras e colaboras no mal. Tens nos olhos duas estrelas engastadas no céu da face. Põe-nos a derramar a claridade da visão feliz pela senda por onde segues, apesar de estares sofrendo. Utiliza as mãos no algo produzir, embora sob acúleos de dores .

Ouve em derredor! Há mutilados esperando tuas mãos e teus pés, cegos do corpo e cegos da razão, necessitados dos teus olhos e da claridade do teu discernimento, mais sofredores do que tu próprio. Acalma o vozerio agitado da tua mente alvoroçada pela revolta, ou desperta-a, adormentada que se encontre nos tecidos da comodidade, da preguiça ou do cansaço de sofrer, e escutarás, sim, mil vozes, algumas tão debilitadas pela fraqueza que será mister um grande esforço para identificá-las, chorando e rogando socorro baixinho às fortunas que possuis no corpo e no espírito e teimas por desperdiçar, ignorando-as.

Não te revoltes no crisol das dores, mesmo que sejam dores reais. A dor chega para que o espírito triunfe sobre ela, ao invés de ser por ela esmagado. Mas se tuas legítimas aflições forem muito grandes e esmagadoras, evoca Jesus, quando na via dolorosa, esmagado sob a cruz, e no entanto aconselhando e advertindo as «mulheres piedosas de Jerusalém», ou cravejado, logo depois, no madeiro de infâmia, convocando dois estranhos e desafortunados salteadores, neles semeando as esperanças do Reino de Deus, instantes antes do «momento extremo», e refaze as tuas forças, reconsidera a situação, recompõe os «joelhos desconjuntados» e avança, confiante, cantando a certeza de que, após a partida libertadora, uma madrugada sublime te alcançará, fazendo-te ditoso por fim, vitorioso com o bem.

49 - Sofrendo, mas confiante -
Respondendo à indagação do Codificador do Espiritismo sobre «onde está escrita a lei de Deus», os Embaixadores dos Céus foram taxativos: — «Na consciência.» Considerando a legitimidade de tão incisiva quanto concisa resposta, tranquiliza-te de referência às aflições que te dilaceram a esperança e ralam os teus sentimentos.

Insiste trabalhando no bem, mesmo que observes o tumulto da turbamulta em maldição contra todos e tudo, qual se se encontrasse imantada por forças poderosas do aniquilamento. Encontram-se, sim, manipulados esses espíritos desenfreados por outros espíritos do mesmo jaez que se desnudaram da carne e com os quais mantêm comércio de íntima identificação psíquica, comprazendo-se, enlouquecidos.

Despertarão depois do chamado de Deus, através da própria consciência.
Talvez não os vejas modificados, nem os observes melhorados, mas isto pouco importa. Basta que despertem; e tal despertamento será inevitável. Rememorando tuas lutas, desfilam pela mente em agonia, ardendo em febre de sofrimento íntimo, os ingratos, os traidores, os caluniadores, os perversos, os perseguidores que agora, de longe, esqueceram do quanto lhes deste, do carinho com que os honraste sem que o merecessem e experimentas uma angústia tão grande que te faz temer pelo próprio equilíbrio, pela razão. Aguarda um pouco mais.

A nuvem plúmbea que obscurece o sol do teu discernimento, enquanto sofres, passará. Suporta um pouco mais. Não planeies para o futuro, nem penses como viverás os dias que virão, a sós, em abandono, sorvendo fel sob chuva de sarcasmo e zombaria dos que ficaram ao teu lado, embora longe de ti.

Vive o agora, atravessa o hoje fazendo o melhor cada dia. A eternidade é a vitória do tempo sobre o próprio tempo... O universo resulta do «milagre» do substrato do átomo... O espaço é cabedal da molécula...Toda a vida física na Terra teve início no gelatinoso protoplasma ...

No entanto, graças ao segundo-a-segundo, manifestam a glória da Criação. O ingrato é um doente que enlouqueceu ao fugir do teu aconchego. O traidor que procura esquecer, está enganado, enganando-se cada vez mais. O caluniador queixa-se, queimando-se no ácido da infâmia que espalha.

O perverso jornadeia em soledade incomparável sob tormentos atrozes. O perseguidor está fugindo de si próprio, enquanto se esconde avinagrando o próximo. Infelizes, estão procurando esquecer. Mas lembrarão; a memória os trairá quando a consciência fizer que releiam as leis de Deus nela insculpidas de maneira inamovível.

Apiada-te, desde agora, pois que perlustras a senda espinhosa que conduz à plena paz; e eles?... Como puderam aqueles ingratos, traidores, caluniadores, perversos e perseguidores anular na mente o que viram, o que receberam, o que tiveram, o que experimentaram ao convívio com o Mestre Divino nos cenários incomparáveis da Galiléia romântica e nobre ou na áspera Judeia fria e severa ?!... No entanto, não foram os estranhos, os que apenas foram informados sobre o Rabi, que traçaram as linhas do martírio do Justo...

Os falsos representantes do povo que armaram as ciladas e engendraram a crucificação conheciam-no, sabiam a verdade. Todavia... Jesus, porém, sabia com mais segurança que neles estavam escritas as leis do Pai e que, cada um, a seu turno, retornaria à senda para recuperar o tempo perdido, libertando-se da crueldade que os malsinava.
Conforta-te, ante a lembrança e evocação d'Ele e esquece-os. Romperam os laços contigo e, mesmo sofrendo, estás livre deles, os trânsfugas, para rumares na direção da Grande Luz.

16 - O Livro dos Espiritos - Allan Kardec - questões. 133a, 255, 727, 933 ,970

Perg. 133 - Os Espíritos que, desde o princípio, seguiram o caminho do bem, têm necessidade da encarnação?
- Todos são criados simples e ignorantes e se instruem por meio das lutas e tribulações da vida corporal. Deus, que é justo, não podia fazer felizes a alguns, sem penas e sem trabalhos, e por conseguinte sem mérito.

Perg. 133a - Mas, então, de que serve aos Espíritos seguirem o caminho do bem, se isso não os isenta das penas da vida corporal?
- Chegam mais depressa ao alvo. Além disso, as penas da vida são frequentemente a consequência da imperfeição do Espírito. Quanto menos imperfeito ele for, menos tormentos sofrerá. Aquele que não for invejoso, nem ciumento, nem avarento ou ambicioso, não passará pelos tormentos que se originam desses defeitos.

Perg. 255 - Quando um Espírito diz que sofre, de que natureza é o seu sofrimento?
- Angústias morais, que o torturam mais dolorosamente que os sofrimentos físicos.

Perg. 727 - Se não devemos criar para nós sofrimentos voluntários que não são de nenhuma utilidade para os outros, devemos no entanto preservar-nos dos que prevemos ou dos que nos ameaçam?
- O instinto de conservação foi dado a todos os seres contra os perigos e os sofrimentos. Fustigai o vosso Espírito e não o vosso corpo, mortificai vosso orgulho, sufocai o vosso egoísmo, que se assemelha a uma serpente a vos devorar o coração, e fareis mais pelo vosso adiantamento do que por meio de rigores que não mais pertencem a este século.

Perg. 933 - Se é homem, em geral, o artífice e dos seus sofrimentos materiais, sê-lo-á também dos sofrimentos morais?
- Mais ainda, pois os sofrimentos materiais são às vezes independentes da vontade, enquanto o orgulho ferido, a ambição frustrada, a ansiedade da avareza, a inveja, o ciúme, todas as paixões, enfim, constituem torturas da alma. Inveja e ciúme! Felizes os que não conhecem esses dois vermes vorazes. Com a inveja e o ciúme não há calma, não há repouso possível. Para aquele que sofre desses males, os objetos da sua cobiça, do seu ódio e do seu despeito se erguem diante dele como fantasmas que não o deixam em paz e o perseguem até no sono. O invejoso e o ciumento vivem num estado de febre contínua. É essa uma situação desejável? Não compreendeis que, com essas paixões, o homem cria para si mesmo suplícios voluntários e que a Terra se transforma para ele num verdadeiro inferno?

Perg. 970 - Em que consistem os sofrimentos dos Espíritos inferiores?
- São tão variados quanto as causas que os produzem, e proporcionais ao grau de inferioridade, com os gozos são proporcionais ao grau de superioridade. Podemos resumí-los assim: cobiçar tudo o que lhes falta para serem felizes: mas não poder obtê-lo; ver a felicidade e não poder atingí-la, ciúme, raiva, desespero, decorrentes de tudo o que os impede de ser felizes; remorsos e uma ansiedade moral indefinível. Desejam todos os gozos e não podem satisfazê-los. É isso o que os tortura.

23 - Vinhas de luz - Emmanuel - pág. 173

80. COMO SOFRES?

"Mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte." — Pedro. (I PEDRO, 4:16.)
Não basta sofrer simplesmente para ascender à glória espiritual. Indispensável é saber sofrer, extraindo as bênçãos de luz que a dor oferece ao coração sequioso de paz.
Muita gente padece, mas quantas criaturas se complicam, angustiadamente, por não saberem aproveitar as provas retificadoras e santificantes?

Vemos os que recebem a calúnia, transmitindo-a aos vizinhos; os que são atormentados por acusações, saltam; e os que pretendem eliminar enfermidades reparadoras, com as desesperação. Quantos corações se transformam em poços envenenados de ódio e amargura, porque pequenos sofrimentos lhes invadiram o círculo pessoal? Não são poucos os que batem à porta da desilusão, da descrença, da desconfiança ou da revolta injustificáveis, em razão de alguns caprichos desatentidos.

Seria útil sofrer com a volúpia de estender o sofrimento aos outros? não será agravar a dívida o ato de agressão ao credor, somente porque resolveu ele chamar-nos a contas?

Raros homens aprendem a encontrar o proveito das tribulações. A maioria menespreza a oportunidade de edificação e, sobretudo, agrava os próprios débitos, confundindo o próximo e precipitando companheiros em zonas perturbadas do caminho evolutivo.

Todas as criaturas sofrem no cadinho das experiências necessárias, mas bem poucos espíritos sabem padecer como cristãos, glorificando a Deus.

25 - NASCER E RENASCER - EMMANUEL - PÁG. 63

ACEITEMOS A DOR: Aceitemos realmente a dor na condição de apoio celeste com que a Divina Providência nos enriquece o caminho. Toda a natureza para ajudar a experiência do homem, alimentando-o e amparando-o, padece constantes dilacerações. Para transformar-se em sementeira proveitosa, morre o grão esquecido no solo.

Para converter-se a espiga em farinha, humilha-se, asfixiada, sob a mó que a tritura. Para dar-se em pão abençoado à mesa, submete-se a farinha à elevada tensão do forno. Para servir no levantamento do edifício, sofre a pedra a pressão do martelo. Para oferecer-se em beleza e brilho, obedece o seixo bruto ao buril que o aprimora.

Para responder às necessidades do conforto, desce o tronco aos insultos da lâmina. Para contribuir no progresso, encontra o metal as injúrias do fogo. A responsabilidade na oficina do caráter, é luz que engrandece todo espírito que lhe atende as obrigações. Não lamentes a dificuldade e nem amaldiçoes o sofrimento que porventura te busquem. Não temas a dor, na escola da vida, e recolhe, em silêncio, as bênçãos de que se faz emissária. Não te enganes com as aparências.

Quando te vejas no usufruto dessa ou daquela promoção, atento às circunstâncias do mundo, às imposições dos que te cercam ou às convenções em que a existência se te condiciona, escolhe a senda da abnegação, em auxílio aos outros, porque o Senhor nos ensinou, em espírito e verdade, que somente a preço do esforço máximo pela vitória do bem com o esquecimento de todo egoísmo, é que escalaremos o monte da paz com a nossa própria renovação.

26 - ESPIRITISMO APLICADO - ELISEU RIGONATTI

O SOFRIMENTO

O tão debatido problema do sofrimento humano só pode ser compreendido à luz dos ensinamentos do Espiritismo.

Quando Jesus foi preso, um dos que estavam com ele, metendo a mão à espada, desembainhou-a e ferindo a um servo do sumo pontífice lhe cortou uma orelha. Então lhe disse Jesus: Mete a tua espada no seu lugar; porque todos os que tomarem a espada, morrerão à espada.

E quando pronunciava o Sermão da Montanha, Jesun afirmou: ... e com a medida com que medirdes, vos medirão também a vós.

Resumidas, essas lições de Jesus significam: Aquilo que fizerdes aos outros, isso mesmo receberás.

Assim é fácil compreendermos que sejam colhldos pela dor os que não mantêm um reto proceder. Porém quantas vezes vemos criaturas, cujas vidas são irrepreensíveis, às voltas com o sofrimento; e outras, que vivem afastadas do bem, parecerem bafejadas pela boa sorte. Diante disso a revolta costuma aninhar-se no coração dos sofredores.

Nenhum sofredor se revoltaria, se todos fossem convenientemente esclarecidos. Os sofredores podem ser divididos em dois grupos. Num grupo situam-se os que, diante da afirmativa evangélica, procuram compreender as causas de seus sofrimentos. E como mantêm o coração humilde e resignado perante os desígnios do Altíssimo, intuitivamente percebem a justiça que se cumpre e daí Ihes advém grande conforto moral. Ao outro grupo pertencem os sofredores revoltados. Estes, insurgindo-se contra o corretivo que lhes é imposto pelas leis divinas, tornam-se surdos às intuições confortadoras que lhes dirigem seus amigos do plano espiritual e cegos ao influxo benéfico dos ensinamentos evangélicos; e assim anulam a cura que o sofrimento traria a seus espíritos doentes.

Completando as lições de Jesus, vem agora o Espiritismo com novas lições de grande alcance para todos os que sofrem e também para os que desejam evitar sofrimentos futuros.

Lembremo-nos constantemente de que uma vida ou uma reencarnação que passamos aqui na terra, é o reflexo e a consequência de nossas vidas ou reencarnações passadas, principalmente da última. Do mesmo modo, nossa futura reencarnação será consequência e reflexo da atual.

Eis porque há pessoas que nada de mal fizeram na vida presente e sofrem; é porque se hoje são bondosas já foram más no passado e arcam agora com as consequências do mal que espalharam. Dessa maneira, devemos ter piedade das pessoas que praticam o mal e ficam impunes; nas reencarnações futuras envergarão os corpos dos sofredores e então prestarão contas das más ações que tiverem cometido.

Nós somos os construtores de nosso próprio Destino. Este, segundo nossas obras, poderá ser uma aurora de luz, ou o catre doloroso do sofrimento. A esse respeito, eis como se expressa um generoso mentor da espiritualidade:

" Nas estradas em que buscamos a luz da salvação, encontramos os mais díspares seres humanos. Ali, depara-se-nos um homem impiedoso, detentor de sólida fortuna; acolá, debate-se um justo entre a fome e a enfermidade que parecem intermináveis. Num mesmo lar nascem santos e ladrões. Há pais excelentes cujos filhos são indesejáveis, monstruosos. Uma via pública exibe jovens elegantes e miseráveis criaturas que se arrastam entre a lepra e a cegueira. Poderíamos admitir que o Criador, magnânimo e sábio, deixasse de ser pai para ser um experimentador desalmado? Não admitamos esse absurdo teológico, mas ponderemos na verdade de que se cumpre desde agora o "a cada um segundo suas obras", dos ensinamentos de Jesus. Na obra divina, infinita e eterna, cada filho tem responsabilidades próprias. A criatura se engrandecerá ou submeter-se-á ao rebaixamento, conforme utilize as possibilidades recebidas. No caminhar de cada dia, podemos observar os que ascendem apesar dos dolorosos testemunhos, os que estacionam em receios inúteis, os que resgatam e os que contraem novas dívidas.

Diante de tão nobres palavras, doravante encaremos o sofrimento como uma escada de misericórdia por cujos degraus subiremos às esferas felizes.

A - A LEI DO CHOQUE DE RETORNO

Convençamo-nos de uma verdade: o que fizera de bom, de virtuoso, de honesto, de benéfico aos outros, voltará a nossas mão em forma de saúde, bem-estar, conforto, alegria, felicidade, facilidade de viver, estancando assim a fonte de sofrimentos. E o que fizermos de mau, vicioso, de desonesto e de prejudicial aos nossos semelhantes, do mesmo modo virá ter conosco, gerando-se dissabores.

E a lei do choque de retorno que se enuncia assim: "Tuas ações, depois de atingirem o objetivo para o qual as criaste, voltarão a ti próprio, produzindo em ti mesmo os mesmos efeitos".

É a lei do choque de retorno que não deixa nada impune. Nossos menores e quase despercebidos atos são castigados ou recompensados por ela. E explica-se, por conseguinte, porque há pessoas que na atual reencarnação nada de mal fizeram e estão a braços com o sofrimento, algumas visitadas por ele desde o berço. É a lei do choque de retorno que está funcionando: cometeram no passado ações que não deviam e recebem agora, em si próprios, os efeitos que produziram nos outros.

E sabedoria, portanto, acionarmos a lei do choque de retorno sempre a nosso favor. E para isso é preciso que sejamos bondosos para com todos.

B - CAUSAS DO SOFRIMENTO

Quanto às causas que dão origem ao sofrimento podemos resumi-las em três grupos que são:

1º— 0 mal que fizemos ou viermos a fazer aos outros.

2º - 0 mal que fizemos ou viermos a fazer a nós próprios.

3º—Nossa indiferença pelo progresso.

C - O mal que fizemos aos outros

Há inúmeras maneiras de fazermos o mal aos outros: a maledicência, a calúnia, os prejuízos que lhes causamos, a vida que lhes tiramos, enfim, todos os atos que causarem sofrimentos e perturbações a nossos semelhantes, uma vez praticados por nós, colocam-nos na dependência dolorosa da lei do choque de retorno. E uma vez que movimentamos essa lei pelo lado do mal, ela nos devolverá o mal que tivermos feito aos outros, quer nesta ou nas reencarnações futuras. Daí a necessidade imperiosa de jamais prejudicarmos os outros, nem por palavras, nem por atos; porque o prejuízo que causarmos aos outros, redundará em nosso próprio prejuízo. E assim aqueles que sofrem, se examinarem o seu padecer à luz do choque de
retorno, facilmente descobrirão em que erraram outrora para serem punidos hoje.

O mal que fizemos a nós mesmos

Não é, contudo, somente o mal que causamos aos outros, a origem de nosso sofrimento; há também o mal que causamos a nós próprios.

Nosso corpo é um instrumento de trabalho que nos foi concedido pelo Altíssimo; por conseguinte, é nosso dever conservá-lo carinhosamente.

Sempre que estragamos nosso corpo pelos vícios, pela incontinência, pela luxúria, pelos excessos, estamos sujeitos a receber na reencarnação seguinte um corpo doentio, a refletir o desgaste inútil a que submetemos o corpo de nossa reencarnação anterior.

E aqueles que deliberadamente destroem seus corpos, isto é, suicidam-se, abrem uma fonte de tormentos para si, não só no mundo espiritual, como também na futura reencarnação.

D - Nossa indiferença pelo progresso

Outro mal de não menos lamentável consequência que cometemos contra nós próprios é nossa indiferença pelo nosso progresso espiritual. Como já sabemos, somos espíritos imortais, fadados a progredir sempre, a crescer espiritualmente. E quando adormecemos na matéria, tratando apenas do corpo, esquecidos de cuidarmos do espírito, o sofrimento vem despertar-nos para a realidade.

Há duas espécies de aprendizado: o aprendizado pacífico e o aprendizado doloroso.

0 aprendizado pacífico é quando aprendemos de boa vontade, procurando por todos os meios o nosso progresso espiritual. Para isso aceitamos o Evangelho e procuramos aprender através dele como viver de conformidade com as leis divinas.

0 aprendizado doloroso se dá quando permanecemos indiferentes ao estudo e à aplicação das leis divinas, unicamente preocupados com a vida material e cultivando o egoísmo. Nesse caso, somente o sofrimento é o remédio indicado para nos colocar no caminho certo.

Os indiferentes ao bem e ao mal encerram-se numa concha de comodismo, destruidor de suas forças espirituais; e assim não sobem, não progridem; espiritualmente falando, adquirem como que a imobilidade da pedra. Pertencem eles à classe dos indivíduos a que Jesus se refere, quando diz: "Quem comigo não ajunta, espalha".

Realmente, a indiferença ao bem, conquanto não pratiquem o mal, faz com que espalhem, percam, as excelentes oportunidades de ascensão que a misericórdia divina colocou em seu caminho.

Por isso é útil analisarmos nossa vida atual, para verificarmos se não estamos adormecidos para as verdades espirituais, para o altruísmo, para a solidariedade e para a fraternidade para com todos os nossos semelhantes.

E se estivermos adormecidos, é bom acordarmos logo antes que o sofrimento funcione como um despertador.

E - O SOFRIMENTO QUANTO AO TEMPO

Quanto ao tempo, as causas do sofrimento podem ser atuais ou remotas.

São causas atuais do sofrimento aquelas que deram origem a ele na presente encarnação, por exemplo: ambição desenfreada, vícios, e excessos de toda a sorte que arruínam a saúde; a ira que nos faz cometer atos impensados, etc.

A causa do sofrimento é remota quando não conseguimos encontrá-la na presente reencarnação; ela se situa então na reencarnação ou nas reencarnações anteriores. Tal acontece com as pessoas que já nascem sofrendo, aleijadas, com doenças incuráveis, etc, e outras pessoas de bom comportamento e que, de um momento para outro, inexplicavelmente, se vêem a braços com cruéis padecimentos. E a lei do choque de retorno que lhes devolve o sofrimento que semearam no passado, como nos devolverá no futuro o mal que cometermos no presente.

F - O SOFRIMENTO QUANTO AS PESSOAS

Quanto às pessoas, o sofrimento pode ser individual, coletivo, próprio, reflexo, moral e material.

O sofrimento é individual quando sofremos sozinhos.

O sofrimento é coletivo quando ele se abate sobre uma nação ou sobre um povo, fazendo com que a coletividade passe por uma grande prova, apesar de todos os esforços para desviá-la.

O sofrimento coletivo difere do sofrimento individual no seguinte: o nosso sofrimento, isto é, o sofrimento individual pode ser mitigado pelo menos. Porém o sofrimento coletivo não está ao alcance das pessoas evitá-lo, nem mesmo aliviá-lo.

O sofrimento coletivo preside às transformações necessárias ao progresso das nações; estimula os povos e os desperta para as verdades espirituais, para a retidão e para a solidariedade humana.

E os povos e as nações, tomados em conjunto, também estão sujeitos a lei do choque de retorno; esta lei lhes devolverá os benefícios e os malefícios que tiverem espalhados pela Terra.

O sofrimento é reflexo quando uma ou mais pessoas sofrem por verem outra sofrer. Por exemplo, todos os membros de uma família sofrem, quando um deles é atingido pelo sofrimento.

O sofrimento é moral quando o indivíduo sofre no íntimo de sua consciência. Por exemplo: o remorso, a vergonha, o sofrimento reflexo, são formas de sofrimentos morais.

E por fim o sofrimento é material quando sofremos em nosso próprio corpo os efeitos do sofrimento.

G - O SOFRIMENTO QUANTO AOS EFEITOS

Dois são os efeitos do sofrimento sobre o espírito:

1º - o primeiro é agir como remédio, embora amargo, corrigindo as imperfeições

2º - e curando as doenças de nosso espírito.

Para produzir esse efeito benéfico, o sofrimento deve ser suportado sem revolta, com paciência, coragem e resignação. Nesse caso, quando o sofrimento terminar, teremos saldado nossas dívidas do passado, curado nossas moléstias espirituais e corrigidos nossos erros.

O segundo efeito que o sofrimento pode produzir no espírito, é o de agir como um agravamento de males. Isso acontece quando não suportamos nosso sofrimento com resignção, nem com paciência, nem com coragem, alimentando a revolta em nosso íntimo. Assim procedendo, voltaremos a passar pelo sofrimento até que aprendamos a ser humildes, pacientes e resignados.

Vemos então que depende de nós, exclusivamente, abreviar ou prolongar o nosso sofrimento; a paciência, a resignação e a humildade, encurtam--no; a revolta, o desânimo, a impaciência, agravam-no, prolongando-o mesmo por mais de uma reencarnação.

H - UM PROCESSO DE REAJUSTAMENTO

Agora que conhecemos o porquê do sofrimento, não há mais razões para exclamarmos num gesto de revolta: "Nasci para sofrer". Não. Ninguém nasce para sofrer. Sofremos, sim, para colher o mal que semeamos. Por conseguinte, quem sofre deve exclamar: "Sofro para reajustar-me".

O sofrimento, no fundo, não é nada mais nada menos do que um processo de reajuste; sofrendo, anulamos os maus efeitos da lei do choque de retorno, uma vez que a movimentamos contra nós, pelos maus atos praticados. E se estacionarmos à margem do progresso espiritual, isto é, formos indiferentes, o sofrimento nos estimulará a caminhar, como esporas acicatar-nos para a marcha.

O sofrimento, corrigindo os erros do pretérito, prepara nossa alma para a bondade e para o sentimento da fraternidade que devemos manter para com todos. E também é a porta pela qual ingressamos no planos enobrecidos do Universo.

Contudo, esse preparo e esse ingresso dependerão da aplicação que dermos à nossa presente reencarnação e da maneira pela qual suportarmos o sofrimento: se com resignação, o resultado será um; se com revolta, o resultado será outro.

Diminuiremos ou aumentaremos o nosso sofrimento, segundo o nosso procedimento.

I - A LUTA CONTRA O SOFRIMENTO

Não é proibido lutar contra o sofrimento. E olhando para o passado, vemos a luta ingente que o homem travou para deixar de sofrer.

Dessa lula contra o sofrimento, origina-se o progresso. No terreno material é a multiplicação das comodidades da vida e o procurar o máximo de rendimento com um mínimo de esforços.

No terreno moral é a consecução da virtude, da compreensão mútua, da fraternidade irrestrita, enfim, da extirpação da ignorância.

E quando tivermos acabado com a ignorância das coisas espirituais em que jaz a maioria da humanidade, teremos dado um passo decisivo para banirmos o sofrimento da face da terra.

J - COMO NOS COMPORTAR PERANTE O SOFRIMENTO ALHEIO

Diante do sofrimento alheio, não nos arvoremos em juízes. Como espíritas, sabemos perfeitamente qual a origem do sofrimento.

Entretanto, deparando-se-nos um sofredor, procuremos balsamizar-lhe as feridas, confortá-lo, tudo fazer para amenizar-lhe o sofrimento. Jamais lhe atiremos na face o dizer-lhe que ele sofre porque merece.

Aqueles que lamentam e sofrem e clamam por socorro, não têm forças para livrarem-se sozinhos dos abismos do sofrimento; é nosso dever estender-lhes mão amiga e consoladora.

Ainda aqui o grande, o supremo modelo a seguir é Jesus.

Jesus sabia perfeitamente que os sofredores que o procuravam eram espiritas em resgaste dos males praticados no passado; no entanto, nunca os censurou, nem os reprovou pela maldade antiga, causa de seus sofrimentos no momento. Procurava meigamente auxiliá-los, ampará-los, conforta -los, curá-los, redimi-los. E quando um sofredor queria ajoelhar-se a seus pé para agradecer-lhe a graça recebida, Jesus o advertia com estas palavras:

"Vai e não peques mais para que te não suceda coisa pior."