SONHOS
BIBLIOGRAFIA
01- Agonia das religiões - pág. 52 02 - A alma é imortal - pág. 80
03 - A crise da morte - pág. 119 04 - A gênese - cap. XIV, 22 - XV, 3
05 - A levitação - pág. 94 06 - A mediunidade e a lei - pág. 20
07 - A vida além do véu - pág. 203 08 - Alquimia da mente - pág. 111
09 - Análise das coisas- pág. 93, 109 10 - Conduta Espírita - pág. 107
11 - Cromoterapia - pág. 201 12 - Devassando o invisível - pág. 128
13 - Espiritismo e vida eterna- pág. 23, 31 14 - Estamos no além - pág. 141
15 - Grilhões partidos - pág. 129

16 - Mecanismos da mediunidade - pág. 151

17 - Mediunidade - pág. 66, 185 18 - Missionários da luz - pág. 80
19 - No invisível - pág. 156 20 - No mundo maior - pág. 13, 24
21 - O consolador - pág. 43 22 - O Evangelho S.o Espiritismo - cap. XXi, 8
23 - O Livro dos Espíritos- q. 343, 400 24 - O pensamento de Emmanuel - pág. 145
25 - O que é o Espiritismo - pág. 204 26 - Obras Póstumas - pág. 53
27 - Os mensageiros - pág. 199 28 - Palingênese, a grande lei - pág. 87
29 - Resumo da Doutrina Espírita - pág. 18 30 - Saúde e Espiritismo - pág. 86
31 - Estudando a Mediunidade - pág. 98

32– O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR – LÉON DENIS, pág. 85

33 - A mediunidade e a lei - pág. 20 34 - Temas da vida e da morte - pág. 24

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

SONHOS – COMPILAÇÃO

04 - A gênese - Allan Kardec - cap. XIV, 22 - XV, 3

VISÃO ESPIRITUAL OU PSÍQUICA, DUPLA VISTA; SONAMBULISMO; SONHOS

22. O perispírito é o traço de união entre a vida corpórea e a vida espiritual: é por ele que o Espírito encarnado está em contínua relação com os Espíritos; é por ele, enfim, que se cumprem, no homem, fenômenos especiais que não têm a sua causa primeira na matéria tangível, e que, por esta razão, parecem sobrenaturais. É nas propriedades e na irradiação do fluido perispiritual que se deve procurar a causa da dupla vista, ou visão espiritual, que se pode também chamar visão psíquica, da qual muitas pessoas estão dotadas, frequentemente com o seu desconhecimento, assim como da visão sonambúlica.

O perispírito é o órgão sensitivo do Espírito; é por seu intermédio que o Espírito encarnado tem a percepção das coisas espirituais que escapam aos seus sentidos carnais. Pelos órgãos do corpo, a vista, o ouvido e as diversas sensações estão localizadas e limitadas à percepção das coisas materiais; pelo sentido espiritual, ou psíquico, elas estão generalizadas; o Espírito vê, ouve e sente por todo o seu ser o que está na esfera de irradiação de seu fluido perispiritual.

Estes fenômenos são, no homem, a manifestação da vida espiritual; é a alma que age fora do organismo. Na dupla vista, ou percepção pelo sentido psíquico, ele não vê pelos olhos do corpo, se bem que, frequentemente, por hábito, os dirija para o ponto sobre o qual leva a sua atenção; vê pelos olhos da alma, e a prova disto é que vê tudo tão bem com os olhos fechados, e além do alcance de seu raio visual; ele lê o pensamento representado figuradamente no raio fluídico.

23.- Embora, durante a vida, o Espírito esteja preso ao corpo pelo perispírito, ele não é de tal modo escravo que não possa alongar o seu laço e se transportar ao longe, seja na Terra, seja sobre qualquer ponto do espaço. O Espírito não está senão com pesar ligado ao seu corpo, porque a sua vida normal é a liberdade, ao passo que a vida corpórea é a do servo preso à gleba.

O Espírito é, pois, feliz por deixar o seu corpo, como o pássaro deixa a sua gaiola; ele agarra todas as ocasiões para dele se libertar, e se aproveita, por isto, de todos os instantes em que a sua presença não é necessária à vida de relação. É o fenômeno designado sob ò nome de emancipação da alma; sempre ocorre no sono; todas as vezes que o corpo repousa, e que os sentidos estão em inatividade, o Espírito se desliga. (O Livro dos Espíritos, cap.VIII).

Nestes momentos, o Espírito vive da vida espiritual, ao passo que o corpo não vive senão da vida vegetativa; ele está em parte no estado que estará depois da morte; percorre o espaço, conversa com os seus amigos e outros Espíritos livres, ou encarnados como ele.
O laço fluídico que o retém ao corpo não está definitivamente rompido senão na morte; a separação completa não ocorre senão pela extinção absoluta da atividade do princípio vital. Tanto que o corpo viva, a qualquer distância que esteja, o Espírito para ele é instantaneamente chamado, desde que a sua presença seja necessária; ele, então, retoma o curso de sua vida exterior de relação.

Por vezes, ao despertar, conserva uma lembrança de suas peregrinações, uma imagem mais ou menos precisa, que constitui o sonho; dele traz, em todos os casos, intuiçoes que lhe sugerem idéias e pensamentos novos, e justificam o provérbio: A noite traz conselho.
Assim se explicam igualmente certos fenômenos característicos do sonambulismo natural e magnético, da catalepsia, da letargia, do êxtase, etc. e que não são outras do que as manifestações da vida espiritual.

24. - Uma vez que a visão espiritual não se efetua pelos olhos do corpo, é que a percepção das coisas não ocorre pela luz comum: com efeito, a luz material está feita para o mundo material; para o mundo espiritual existe uma luz especial cuja natureza nos é desconhecida, mas que, sem dúvida, é uma das propriedades do fluido etéreo impressionando as percepções visuais da alma.

Há, pois, a luz material e a luz espiritual. A primeira tem focos circunscritos nos corpos luminosos; a segunda tem seu foco por toda a parte: e a razão pela qual não há obstáculos para a visão espiritual; ela não se detém nem pela distância, nem pela opacidade da matéria; a obscuridade não existe para ela. O mundo espiritual é, pois, iluminado pela luz espiritual, que tem seus efeitos próprios, como o mundo material é iluminado pela luz solar.

25. - A alma, envolvida pelo seu perispírito, carrega assim nela seu princípio luminoso; penetrando a matéria, em virtude de sua essência etérea, não há corpos opacos para a sua visão. Entretanto, a visão espiritual não tem nem a mesma extensão, nem a mesma penetração em todos os Espíritos; só os puros Espíritos a possuem em todo o seu poder; nos Espíritos inferiores, ela é enfraquecida pela grosseria relativa do perispírito, que se interpõe como uma espécie de névoa.

Ela se manifesta em diferentes graus nos Espíritos encarnados pelo fenômeno da segunda vista, seja no sonambulismo natural ou magnético, seja no estado de vigília. Segundo o grau de poder da fapuldade, diz-se que a lucidez é mais ou menos grande. E com a ajuda desta faculdade que certas pessoas vêem o interior do organismo e descrevem a causa das doenças.

26. - A visão espiritual dá, pois, percepções especiais que, não tendo por sede os órgãos materiais, se operam em condições diferentes da visão corpórea. Por esta razão, não se podem esperar efeitos idênticos e experimentar pelos mesmos procedimentos. Cumprindo-se fora do organismo, ela tem uma mobilidade que frustra todas as previsões. E necessário estudá-la em seus efeitos e em suas causas, e não por assimilação com a visão comum, que ela não está destinada a suprir, salvo casos excepcionais e que não se poderiam tomar por regra.

27.-A visão espiritual é necessariamente incompleta e imperfeita entre os Espíritos encarnados, e, por consequência, sujeita a aberrações. Tendo a sua sede na própria alma, o estado da alma deve influir sobre as percepções que ela dá. Segundo o grau de seu desenvolvimento, as circunstâncias e o estado moral do indivíduo, ela pode dar, seja no sono, seja no estado de vigília: le a percepção de certos fatos materiais reais, como o conhecimento de acontecimentos que se passam ao longe, os detalhes descritivos de uma localidade, as causas de uma doença, e os remédios convenientes; 2- a percepção de coisas igualmente reais do mundo espiritual, como a visão dos Espíritos; 3e imagens fantásticas criadas pela imaginação, análogas às criações fluídicas do pensamento.

Estas criações estão sempre em relação com as disposições morais do Espírito que as cria. É assim que o pensamento de pessoas fortemente imbuídas e preocupadas de certas crenças religiosas lhes apresenta o inferno, suas fornalhas, suas torturas e seus demônios, tal como as sejam figuradas: às vezes, é toda uma epopéia; os pagãos viam o Olimpo e o Tártaro, como os cristãos viam o inferno e o paraíso. Se, ao despertar, ou ao sair do êxtase, essas pessoas conservam uma lembrança precisa de suas visões, elas as tomam por realidades e confirmações de suas crenças, ao passo que isso não é senão um produto de seus próprios pensamentos. Há, pois, uma escolha muito rigorosa a fazer nas visões extáticas, antes de aceitá-las. O remédio para a demasiada credulidade, sob este aspecto, é o estudo das leis que regem o mundo espiritual.

28. - Os sonhos propriamente ditos apresentam as três naturezas de visões descritas acima. É às duas primeiras que pertencem os sonhos de previsões, pressentimentos e advertências; é na terceira, quer dizer, nas criações fluídicas do pensamento que se pode encontrar a causa de certas imagens fantásticas, que nada têm de real com relação à vida material, mas que têm, para o Espírito, uma realidade por vezes tal que o corpo lhe sofre o contra-golpe, e que se tem visto os cabelos embranquecerem sob a impressão de um sonho. Estas criações podem ser provocadas: pelas crenças exaltadas; por lembranças retrospectivas; pelos gostos, os desejos, as paixões, o medo, os remorsos; pelas preocupações habituais; pelas necessidades do corpo, ou um embaraço nas funções do organismo; enfim, por outros Espíritos, com um fim benevolente ou malévolo, segundo a sua natureza.


10 - Conduta Espírita - André Luiz - pág. 107

30. PERANTE OS SONHOS
Encarar com naturalidade os sonhos que possam surgir durante o descanso físico, sem preocupar-se aflitivamente com quaisquer fatos ou idéias que se reportem a eles. Há mais sonhos na vigília que no sono natural. Extrair sempre os objetivos edificantes desse ou daquele painel entrevisto em sonho. Em tudo há sempre uma lição.

Repudiar as interpretações supersticiosas que pretendam correlacionar os sonhos com jogos de azar e acontecimentos mundanos, gastando preciosos recursos e oportunidade da existência em preocupação viciosa e fútil. Objetivos elevados, tempo aproveitado.

Acautelar-se quanto às comunicações inter vivos, no sonho vulgar, pois, conquanto o fenômeno seja real, a sua autenticidade é bastante rara. O Espírito encarnado é tanto mais livre no corpo denso, quanto mais escravo se mostre aos deveres que a vida lhe preceitua.

Não se prender demasiadamente aos sonhos de que recorde ou às narrativas oníricas de que se faça ouvinte, para não descer ao terreno baldio da extravagância. A lógica e o bom senso devem presidir a todo raciocínio.

Preparar um sono tranquilo pela consciência pacificada nas boas obras, acendendo a luz da oração, antes de entregar-se ao repouso normal. A inércia do corpo não é calma para o Espírito aprisionado à tensão.

Admitir os diversos tipos de sonhos, sabendo, porém, que a grande maioria deles se originam de reflexos psicológicos ou de transformações relativas ao próprio campo orgânico. O Espírito encarnado e o corpo que o serve respiram em regime de reciprocidade no reino das vibrações. "E rejeita as questões loucas..." - Paulo ( II Timóteo, 2:23)

19 - No invisível - Léon Denis - pág. 156

Parte 2, cap. 13 pág. 156. – (...) O sonho ordinário, puramente cerebral é simples repercussão de nossas disposições físicas ou de nossas preocupações morais. É também o reflexo das impressões físicas e imagens arquivadas no cérebro durante a vigília. (...)
Por último vêm os sonhos profundos, ou sonhos etéreos, o Espírito se subtrai à vida física, desprendendo-se da matéria, percorre a superfície da Terra e a imensidade, onde procura os seres amados, seus parentes, seus amigos, seus guias espirituais. Vai, não raro, ao encontro das almas humanas, como ele desprendidas da carne durante o sono, com as quais se estabelece uma permuta de pensamentos e desígnios.

Dessas práticas conserva o Espírito impressões que raramente afetam o cérebro físico, em virtude de sua impotência vibratória. Essas impressões se gravam, todavia, na consciência, que lhes guarda os vestígios, sob a forma de intuições, de pressentimentos, e influem, mais do que se poderiam supor, na direção da nossa vida, inspirando os nossos atos e resoluções (...).

21 - O consolador - Emmanuel - pág. 43

Perg. 49 - Como devemos conceituar o sonho?
- Na maioria das vezes, o sonho constitui atividade reflexa das situações psicológicas do homem no mecanismo das lutas de cada dia, quando as forças orgânicas dormitam em repouso indispensável. Em determinadas circunstâncias, contudo, como nos fenômenos premonitórios, ou nos de sonambulismo, em que a alma encarnada alcança elevada porcentagem de desprendimento parcial, o sonho representa a liberdade relativa do espírito prisioneiro da Terra, quando, então, se poderá verificara comunicação "inter vivos", e, quanto possível, as visões proféticas, fatos esses sempre organizados pelos mentores espirituais de elevada hierarquia, obedecendo a fins superiores, e quando o encarnado em temporária liberdade pode receber a palavra e a influência diretas de seus amigos e orientadores do plano invisível.

22 - O Evangelho S.o Espiritismo - Allan Kardec - cap. XXi, 8

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS - OS FALSOS PROFETAS
LUÍS Bordeaux, 1861

8. Se alguém vos disser: "O Cristo está ali", não o procureis, ao contrário, ponde-vos em guarda, porque são numerosos os profetas. Então não vedes quando as folhas da figueira começam a embranquecer; não vedes os numerosos rebentos ansiando pela época da floração; e o Cristo não vos disse: "Conhece-se árvore pelos seus frutos?" Se, pois, os frutos são amargos, considerais a árvore má; mas se são doces e saudáveis dizeis: "Nada tão puro poderia sair de um tronco mau."

É assim, meus irmãos, que deveis julgar: são as obras que devem ser examinadas. Se os que se dizem revestidos do poder divino revelam todos os sinais de semelhante missão, ou seja, se eles possuem, no mais alto grau, as virtudes cristãs e eternas: a caridade, o amor, a indulgência, a bondade que concilia todos os corações, e se, confirmando as palavras, lhes juntam os atos, então poderemos dizer: Estes são realmente os enviados de Deus.

Mas desconfiai das palavras melífluas, desconfiai dos escribas e dos fariseus, que pregam nas praças públicas, vestidos de longas vestes. Desconfiai dos que pretendem estar na posse exclusiva e única da verdade! Não, não, o Cristo não está lá, porque aqueles que ele envia, para propagar a sua santa doutrina e regenerar o seu povo, são sempre, a seu próprio exemplo, mansos e humildes de coração, de tudo o mais; os que devem, por seus exemplos e seus conselhos, salvar a Humanidade, que corre para a perdição e se desvia por caminhos tortuosos, serão, antes de mais nada, inteiramente modestos e humildes.

Todo aquele que revela um átomo de orgulho, fugi dele como de uma lepra contagiosa, que corrompe tudo o que toca. Lembrai-vos de que cada criatura traz na fronte, mas sobretudo nos atos, a marca de sua grandeza ou de sua decadência. Avançai, pois, meus queridos filhos, marchai sem vacilações sem segundas intenções, na bendita caminhada que empreendei! Avançai, avançai sempre, sem nenhum temor, e afastai corajosamente tudo o que poderia dificultar a vossa marcha para o objetivo eterno. Viajores, não estareis mais do que um breve tempo nas trevas e dores da prova, se vossos corações se deixarem levar por esta doutrina, que vem revelar-vos as leis eternas, satisfazendo toda aspirações da vossa alma diante do infinito!

Sim, desde já podereis corporificar esses silfos alígeros, perpassam nos vossos sonhos, e que, tão efêmeros, só podiam do vosso espírito, sem nada dizerem ao vosso coração. Agora, amigos, a morte desapareceu, cedendo lugar ao anjo radioso conheceis, o anjo do reencontro e da reunião. Agora, vós que cumpristes a tarefa que o Criador vos deu, nada mais tendes temer da sua justiça, porque ele é pai e perdoa sempre aos filhos desgarrados, que clamam por misericórdia. Continuai, portanto, avançai sem cessar! Que a vossa divisa seja a do progresso constante em todas as coisas, até chegardes ao termo feliz em que vos esperam, afinal, todos aqueles que vos precederam.

CARACTERES DO VERDADEIRO PROFETA
ERASTO, Paris, 1862|
9. Desconfiai dos falsos profetas! Esta recomendação em todos tempos, mas sobretudo nos momentos de transição que, como neste, se elabora uma transformação da Humanidade Porque nesses momentos uma multidão de ambiciosos e farsantes arvoram em reformadores e messias. Ê contra esses impostores se deve estar em guarda, e o dever de todo homem honesto é desmascará-los.

Perguntareis, sem dúvida, como se pode conhece-los e eis aqui os seus sinais: Não se confia o comando de um exército senão a um general hábil e capaz de o dirigir. Acreditais que Deus seja menos prudente que os homens? Ficai certos de que Ele só confia missões importantes aos que sabe que são capazes de cumpri-las, porque as grandes missões são pesados fardos, que esmagariam os carregadores demasiado fracos. Como em todas as coisas, também nisto o mestre deve saber mais do que o aluno. Par fazer avançar a Humanidade, moral e intelectualmente, são necessários homens superiores em inteligência e moralidade!

Eis porque são sempre espíritos já bastante avançados, que fizeram suas provas em outras existências, os que se encarnam para essas missões; pois se não forem superiores ao meio em que devem agir, nada poderão fazer. Assim sendo, concluireis que o verdadeiro missionário de Deus deve tu que o é pela sua superioridade, pelas suas virtudes, pela sua grandeza pelos resultados e pela influência moralizadora de suas obras. Tirai ainda esta outra consequência: se ele estiver, pelo seu caráter, pelas suas idéias, pela sua inteligência, abaixo do papel que se arroga, ou do personagem cujo nome utiliza, não passa de um farsante de baixa classe, que não sabe sequer imitar o seu modelo.

Outra consideração a fazer é a de que a maior parte dos verdadeiros missionários de Deus ignoram que o sejam. Realizam aquilo para que foram chamados, graças ao poder do seu próprio gênio, secundados pelo poder oculto que os inspira e os dirige, à sua revelia, e sem que o tivessem premeditado. Numa palavra: os verdadeiros profetas se revelam pelos seus atos e são descobertos pelos outros, enquanto os falsos profetas se apresentam por si mesmos como enviados de Deus. Os primeiros são humildes modestos; os segundos, orgulhosos e cheios de si, falam com arrogância, no todos os mentirosos, parecem sempre receosos de não serem aceitos.

Já se viram desses impostores apresentarem-se como apóstolos do Cristo, outros como o próprio Cristo, e, para vergonha da Humanidade, encontraram pessoas bastante crédulas para aceitarem as suas imposturas. Em observação bem simples, entretanto, bastaria para abrir os olhos aos cegos: se o Cristo reencarnasse na Terra, o faria com todo o seu poder e Iodas as suas virtudes, a menos que se admita, o que seria absurdo, ele houvesse degenerado. Ora, da mesma maneira que se tirarmos a isto um dos seus atributos, já não teremos Deus, se tirarmos uma só das virtudes do Cristo, não mais o teremos. Esses que se apresentam como o Cristo revelam todas as suas virtudes?

Eis a questão. Observai-os, sondai-lhes os pensamentos e os atos, e verificareis que lhes faltam sobretudo as qualidades distintivas do Cristo: a humildade e a caridade, enquanto lhes sobram as que Ele não tinha: a cupidez e o orgulho. Notai ainda que neste momento existem, em diversos países, muitos pretensos Cristos, como há também numerosos e pretensos Elias, supostos São João ou São Pedro, e que necessariamente não podem ser todos verdadeiros. Podeis estar certos de que são exploradores da credulidade, que acham cômodo viver às expensas daqueles que lhes dão ouvidos. Desconfiai, portanto, dos falsos profetas, sobretudo numa época de renovação, porque muitos impostores se apresentarão como enviados de Deus. São os que buscam uma vaidosa satisfação sobre a terra, mas podeis estar certos de que uma terrível justiça os espera!

Lembrete:

Devemos estar com atenção redobrada quando ao dormirmos chegam na calada da noite, se desdobrando entre as trevas, aqueles espíritos inferiores por não aceitar a sua condição simplória, não querem que também evoluamos, então, procuram se confundir com os nossos guias espirituais denotando suas asquerosas artimanhas, usando todo o seu talento (sempre para o mal, que ótimo aproveitamento seria se fosse para o bem), misturando demoniacamente meias verdades com coisas esdruxulas tentando contaminar nossas mentes, inserindo coisas indescritíveis para que desviemos de nossos caminhos. Procuremos conversar todas as noites com nosso Guia e reconhecê-lo, pois, ele só nos dará boas condutas, ótimos pensamentos, etc.. Aquele que só tem boa conduta, pratica o bem, ora sempre e ajuda os seus semelhantes em boas obras, os espíritos inferiores não encontram guarida, então, vão se embora. Sempre ao dormir devemos orar agradecendo ao nosso Pai tudo aquilo que temos (bom ou mau pois, é a nossa cruz) e solicitar ao nosso Guia Espiritual (Anjo da Guarda) que queremos dormir para o bem e desejamos fazer cursos ( reuniões de esclarecimentos, de orientação e reconforto, etc...).

23 - O Livro dos Espíritos -Allan Kardec - questões. 343, 400

Perg. 343 - Os Espíritos amigos, que nos seguem durante a vida são, por vezes, os que vemos em sonho, que nos testemunham a sua afeição e que se nos apresentam com feições desconhecidas?
- Muito frequentemente o são; eles vêm visitar-vos, como ides ver um prisioneiro nas grades.

Perg. 400 - O Espírito encarnado permanece voluntariamente no envoltório corporal?
- É como perguntar se o prisioneiro está satisfeito sob as chaves. O Espírito encarnado aspira incenssantemente à libertação, e quanto mais grosseiro é o envoltório, mais deseja ver-se desembaraçado.

Perg. 401 - Durante o sono, a alma repousa como o corpo?
- Não, o Espírito jamais fica inativo. Durante o sono, os liames que o unem ao corpo se afrouxam e o corpo não necessita do Espírito. Então ele percorre o espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos.

Perg. 402 - Como podemos avaliar a liberdade do Espírito durante o sono?
- Pelos sonhos. Sabei que, quando o corpo repousa, o Espírito dispõe de mais faculdades que no estado de vigília. Tem a lembrança do passado e, às vezes, a previsão do futuro; adquire mais poder e pode entrar em comunicação com os outros Espíritos, seja deste mundo, seja de outro. Frequentemente dizes: "Tive um sonho bizarro, um sonho horrível, mas que não tem nenhuma verossimilhança". Enganas-te. É quase sempre uma lembrança de lugares e de coisas que viste ou que verás numa outra existência ou em outra ocasião. O corpo estando adormecido, o Espírito trata de quebrar as suas cadeias para investigar no passado ou no futuro. (...)
O sonho é a lembrança do que o vosso Espírito viu durante o sono; mas observai que nem sempre sonhais, porque nem sempre vos lembrais daquilo que vistes, ou de tudo o que vistes. Isso porque não tendes a vossa alma em todo o seu desenvolvimento; frequentemente não vos resta mais do que a lembrança da perturbação que acompanha a vossa partida e a vossa volta,a que se junta a lembrança do que fizeste ou do que vos preocupa no estado de vigília. Sem isto, como explicaríeis esses sonhos absurdos, a que estão sujeitos tanto os mais sábios quanto os mais simples? Os maus Espíritos também se servem dos sonhos para atormentar as almas fracas e pusilâmes.

Perg. 404 - Que pensar da significação atribuída aos sonhos?
- Os sonhos não são verdadeiros, como entendem os ledores da sorte, pelo que é absurdo admitir que sonhar com uma coisa anuncia outra. Eles são verdadeiros no sentido de apresentarem imagens reais para o Espírito, mas que, frequentemente, não têm relação com o que se passa na vida corpórea. Muitas vezes, ainda, como já dissemos, são uma recordação. (...)

Perg. 405 - Frequentemente se vêem em sonhos coisas que parecem pressentimentos e que não se cumprem; de onde vêm elas? - Podem cumprir-se para o Espírito, se não se cumprem para o corpo. Quer dizer que o Espírito vê aquilo que deseja, porque vai procurá-lo. Não se deve esquecer que, durante o sono, a alma está sempre mais ou menos sob a influência da matéria e, por conseguinte, não se afasta jamais completamente das idéias. Disso resulta que as preocupações da vigília podem dar, àquilo que se vê, a aparência do que se deseja ou do que se teme. A isso é que realmente se pode chamar um efeito da imaginação. Quando se está fortemente preocupado com uma idéia, liga-se a ela tudo o que se vê.

Perg. 406 - Quando vemos em sonho pessoas vivas, que conhecemos perfeitamente, praticarem atos em que absolutamente não pensam, não é isso um efeito de pura imaginação? - Em que absolutamente não pensam? Como o sabes? Seus Espíritos podem visitar o teu, como o teu pode visitar os delas, e nem sempre sabes o que pensam. Além disso, frequentemente aplicais a pessoas que conheceis, e segundo os vossos desejos, aquilo que se passou ou se passa em outras existências.

24 - O pensamento de Emmanuel - Martins peralva - pág. 145

22 - SONO E SONHOS
P. — Acontece com frequência verem-se em sonho coisas que parecem um pressentimento, que, afinal, não se confirma. A que se deve atribuir isto?
R. — Pode suceder que tais pressentimentos venham a confirmar-se apenas para o Espirito. Quer dizer que este viu aquilo que desejava, foi ao seu encontro. É preciso não esquecer que, durante o sono, a alma está mais ou menos sob a influência da matéria e que, por conseguinte, nunca se liberta completamente de suas idéias terrenas, donde resulta que as preocupações do estado de vigília podem dar ao que se vê a aparência do que se deseja ou do que se teme.
Item 405

Em determinadas circunstâncias, contudo, como nos fenômenos premonitórios, ou nos de sonambulismo, em que a alma encarnada alcança elevada percentagem de desprendimento parcial, o sono representa a liberdade relativa do Espírito prisioneiro da Terra, quando, então, se poderá verificar a comunicação "íntervivos"...
EMMANUEL


Durante o sono, emancipa-se o Espírito, parcialmente, do corpo, e ingressa no mundo espiritual, para uma vivência autêntica, real, de duração mais ou menos longa. É nesse estado que ocorrem os sonhos, para os quais oferece o Espiritismo interessantes e sensatas explicações. No livro "Estudando a Mediunidade", há um estudo mais circunscrito do assunto, cabendo-nos, agora, desenvolvê-lo um pouco mais, em função dos legítimos interesses da alma.

Reuniões maravilhosas se realizam na Espiritualidade, enquanto dormimos, com o objetivo do esclarecimento, da orientação, do reconforto.Tais reuniões constituem a demonstração cabal do interesse constante de Jesus, através de seus Mensageiros, pela nossa melhoria, pelo nosso progresso. Com base nos ensinos da Codificação e dos Instrutores Espirituais, podemos nós, os encarnados, conhecer um pouco das características dessas admiráveis assembléias.

Algumas destinam-se a determinados grupos de criaturas ainda no corpo físico, que, prevalecendo-se da bênção do repouso orgânico, deslocam-se, tão logo adormecem, para locais já do seu conhecimento, verdadeiros tabernáculos espirituais, geralmente acompanhadas de amigos generosos. Pela intercessão desses Benfeitores, podem comparecer criaturas não integrantes de tais grupos.

Outras, não comparecem: desviam-se, tão logo adormecem, para outros ambientes, qual se verifica na Terra, onde o indivíduo pode modificar, por vontade própria ou por indução de terceiros, o roteiro planejado ao sair de casa. No entanto, no estado de vigília, ao despertar, devido à reduzida potencialidade do aparelho cerebral, conserva, apenas, a essência dos ensinos, sem os pormenores. Os efeitos dessas reuniões, benéficos e salutares, presididas por Sábios Instrutores, fazem-se notados no ou nos dias seguintes.

Labores diuturnos são reiniciados em clima de esperanças e bom ânimo. Idéias se renovam, com o acréscimo de novos valores educativos. Alívio e repouso dão sentido diferente à existência. Contrariamente, almas ainda apegadas às expressões grosseiras da vida participam de reuniões de nível inferior, em zonas próximas à crosta terrena, com entidades do mesmo tipo vibratório.

Extravasam-se, então, em vários rumos, durante o sono, certos impulsos e tendências, sentimentos e propósitos, levando o Espírito parcialmente desprendido a determinado comportamento que, em estado normal, isto é, na vigília, não teria coragem de adotar. Com o relaxamento das defesas próprias, de ordem moral, de sentido ético, exteriorizam-se sentimentos diversos, contidos na vida física pela responsabilidade social ou religiosa, pelas ocupações de rotina e por deveres outros, inerentes ao mundo contingente.

Verdade é que o livre-arbítrio humano funciona, igualmente, durante o sono, encaminhando-se o Espírito para os lugares de sua preferência. A este respeito, dizem os Instrutores Espirituais que todos somos "chamados" a cooperar na obra divina — no caso, renovando-nos, individualmente, para que os reflexos atinjam as comunidades — contudo, a condição de "escolhidos" depende, em princípio, de nós próprios.

Devotamento ao bem, persistência na melhoria dos sentimentos, fidelidade aos princípios superiores e operosidade no campo de trabalho que a Misericórdia Divina nos reservou, na gleba terrestre, eis os fatores que nos levarão a viver, durante o sono, com a dignidade compatível com o que temos aprendido na abençoada escola do Espiritismo.

"A ordem é atestado de elevação",
ensina Emmanuel — e, dentro de tal formulação, a disciplina espiritual permite que encarnados aplicados e assíduos adquiram, nas assembléias do Espaço, o direito de consulta construtiva, em torno de temas fundamentais ao progresso humano.

Já com alunos transitórios, levados mais pela intercessão caridosa, que afinam pelo diapasão comum da pura curiosidade, o problema é diferente: desfrutam, apenas, da concessão da frequência. A Espiritualidade Superior esmera-se no aproveitamento do tempo, que não pode, nem deve sofrer prejuízos. Muitas atitudes nossas, felizes ou infelizes, aqui no plano físico, resultam do que por nós foi observado nas assembléias espirituais superiores, ou nas promovidas por entidades inferiorizadas.

Segundo os princípios do livre-arbítrio, e ante a compreensão de que cada mente escolherá situações e equacionará problemas de acordo com a própria preferência, durante o sono terá o homem aqueles sonhos que representam e traduzem a sua vivência mento-psíquica na atualidade, ressalvando-se, é bem de ver, em nome da boa doutrina, os casos de revivescência de cenas e quadros plasmados na tela perispirital em existências pretéritas.

25 - O que é o Espiritismo - Allan Kardec - pág. 204

Perg. 136 - Qual o estado da alma durante o sono? - No sono é só o corpo que repousa, mas o Espírito não dorme. As observações práticas provam que, nessas condições, o Espírito goza de toda a liberdade e da plenitude das suas faculdades; aproveita-se do repouso do corpo, dos momentos em que este lhe dispensa a presença, para agir separadamente e ir aonde quer. Durante a vida, qualquer que seja a distância a que se transporte, o Espírito fica sempre preso ao corpo por um cordão fluídico, que serve para chamá-lo, quando a sua presença se torna necessária. Só a morte rompe esse laço.

Perg. 137 - Qual a causa dos sonhos? - Os sonhos são o resultado da liberdade do Espírito durante o sono; às vezes, são a recordação dos lugares e das pessoas que o Espírito viu ou visitou nesse estado.

Perg. 138 - Donde vêm os pressentimentos? - São recordações vagas e intuitivas do que o Espírito aprendeu em seus momentos de liberdade e algumas vezes avisos ocultos dados por Espíritos benévolos.

26 - Obras Póstumas - Allan Kardec - pág. 53

O sono faculta aos Espíritos encarnados o meio de se estarem sempre em comunicação com o mundo espiritual é o que leva os Espíritos superiores a consentir sem grande repulsa em se encarnarem entre vós. Deus quis que durante o seu contato com o vício, pudessem ir retemperar-se na fonte do bem, a fim de que aqueles, que vêm instruir os outros, não sucumbam também. O sono é uma porta que Deus lhes abriu para se comunicarem com os amigos do céu, é o recreio depois do trabalho enquanto esperam a grande libertação final, que deve restituí-los ao seu verdadeiro ambiente.

O sonho é a recordação do que vosso Espírito viu durante o sono, mas notai que nem sempre vos lembrais do que vistes, ou de quanto vistes. Essa recordação não está na vossa alma em todo o seu desenvolvimento; muitas vezes é apenas uma lembrança da perturbação que experimenta à partida ou do que vos preocupa no estado de vigília; a não ser assim, como explicaria os sonhos absurdos que todos têm tantos os homens mais sábios, como os mais simples? Os maus Espíritos servem-se também dos sonhos para atormentarem as almas fracas e pusilânimes.

A incoerência de certos sonhos explica-se pela recordação imperfeita e incompleta dos fatos e cenas, que foram presentes em sonho, da mesma forma que seria incoerente uma narração em que se trocassem frases, visto não darem os fragmentos uma significação racional.

27 - Os mensageiros - Francisco C. Xavier - pág. 199

38. Atividade Plena. No salão acolhedor de Dona Isabel, permanecíamos em plena atividade. Lá fora, começara o aguaceiro forte, mas tínhamos a nítida impressão de grande distância da chuva torrencial. Logo às primeiras horas da madrugada, o movimento intensificou-se. Muita gente ia e vinha.

-Numerosos irmãos – explicou o orientador – encontram-se neste pouso de trabalho espiritual, na esfera a que os encarnados chamariam sonho. Não é fácil transmitir mensagens de teor instrutivo, nessa tarefa, utilizando lugares comuns, contaminados de matéria mental menos digna. Nas oficinas edificantes, porém, onde conseguimos acumular maiores quantidades de forças positivas de espiritualidade superior, é possível prestar grandes benefícios aos que se encontram encarnados no planeta.

Acentuei minhas observações, verificando que muitas das pessoas recém-chegadas pareciam convalescentes, titubeantes... Algumas se mantinham de pé, sob o amparo de braços carinhosos. Eram os amigos encarnados a se valerem do desprendimento parcial, pelo sono físico, que se reuniam a nós, aproveitando o auxílio de entidades generosas e dedicadas.

Reconhecia, entretanto, que a maior parte não entendia, com precisão, o que se lhes desejava dizer. Muitos pareciam doentes, incompreensivos. Sorriam infantilmente, revelando boa vontade na recepção dos conselhos, mas grande incapacidade de retenção. Eu estudava os quadros ambientes, com justa estranheza. Sempre cuidadoso, Aniceto veio ao encontro de nossa perplexidade.

-Os Espíritos encarnados – disse -, tão logo se realize a consolidação dos laços físicos, ficam submetidos a imperiosas leis dominantes na Crosta. Entre eles e nós existe um espesso véu. É a muralha das vibrações. Sem a obliteração temporária da memória, não se renovaria a oportunidade.

Se o nosso campo lhes fora francamente aberto, olvidariam as obrigações imediatas, estimariam o parasitismo, prejudicando a própria evolução. Eis porque raramente estão lúcidos ao nosso lado. Na maioria dos casos, junto de nós, permanecem vacilantes, enfraquecidos...

31 – ESTUDANDO A MEDIUNIDADE – MARTINS PERALVA, pág. 98

Sonho Comum: são aqueles em que o nosso Espírito, desligando-se parcialmente do corpo, se vê envolvido e dominado pela onda de imagens e pensamentos, seus e do mundo exterior, uma vez que vivemos num misterioso turbilhão das mais desencontradas idéias. (cap. 17. pág. 98)

Sonho Espírita: Nos sonhos Espíritas a alma, desprendida do corpo, exerce atividade real e afetiva, facultando meios de encontrarmo-nos com parentes, amigos, instrutores e, também com os nossos inimigos, desta e de outras vidas. (cap. 17. pág. 99)
Sonho reflexivo: Por reflexivo, categorizamos os sonhos em que a alma, abandonando o corpo físico, registra as impressões e imagens arquivadas no subconsciente e plasmadas na organização perispiritual.

32– O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR – LÉON DENIS, pág. 85

Sonho Premonitório: (...) São os sonhos premonitórios, complexo de imagens e visões que se referem a acontecimentos futuros e cuja exatidão é ulteriormente verificada. Parecem indicar que a alma tem o poder de penetrar o futuro ou que este lhe é revelado por inteligências superiores. (cap. 5, pág. 85)

Segundo os antigos, existem duas espécies de sonhos: o sonho propriamente dito, em grego “onar”, é de origem física, e o sonho “repar”, de origem psíquica. Encontra-se esta distinção em Homero, que representa a tradição popular, assim como em Hipócrates, que é representante da tradição científica. Muitos ocultista modernos adotam definições análogas. Em tese geral, segundo eles dizem, o sonho propriamente dito seria um sonho produzido mecanicamente pelo organismo, e o sonho psíquico um produto da clarividência adivinhadora; ilusório um verídico outro.

É, porém, às vezes, muito difícil estabelecer uma limitação nítida a distinta entre essas duas classes de fenômenos. O sonho vulgar parece devido a vibração cerebral automática, que continua a produzir-se no sono, quando a alma está ausente. Estes sonhos são, muitas vezes absurdos; mas este mesmo absurdo é uma prova de que a alma está fora do corpo físico e deixou de regular-lhe as funções. Com menos facilidade nos lembramos do sonho psíquico, porque não impressiona o cérebro físico, mas somente o corpo psíquico, veículo da alma, que esta exteriorizada no sono.

33 - A MEDIUNIDADE E A LEI - CARLOS IMBASSAHY - PÁG. 20

Ponto interessante é o que se refere aos sonhos. Tratando de um, declara o jurista, que esse "encontra explicação mais razoável na doutrina da Igreja do que na teoria espírita". E acrescenta: - "Se o promotor A. empregasse o seu tempo em leituras sadias, já teria de há muito aprendido com Monsenhor Alberto Farges (Les Phénomênes Mystiques, pág. 386), que a doutrina da Igreja admite, tanto os sonhos sobrenaturais como os naturais, porquanto "há sonhos de tal modo bem seguidos, circunstanciados e palpáveis, que eles parecem uma advertência do céu. Deles existem alguns que se dirigem para o futuro, e que parecem verificados, com precisão, pelos acontecimentos". Não há necessidade, assim, de recorrer às teorias extravagantes de Allan Kardec para explicar aquilo que a doutrina católica do governo direto do mundo e dos homens pela Providência Divina justifica de maneira bem mais coerente, racional e lógica. Porque hão de os Espíritos falar-nos em sonhos se eles não podem vir a nós sem permissão de Deus? Porque atribuimos à intervenção de um Espírito certo aviso generoso que, sem autorização de Deus, não nos poderia ser dado, segundo confessa o próprio Allan Kardec?"

Há uma série de interrogações que passaram, provavelmente, despercebidas ao digno escritor: -Como é que se vai saber quando determinado sonho é espírita ou uma advertência do Céu? - Porque seria mais coerente, racional e lógico que o sonho não fôsse de natureza espírita? Como estremar os sonhos? Porque os de natureza espírita não seriam advertências do Ceú? Porque os de advertência do Céu não seriam de natureza espírita? Porque os Espíritos que nos falam em sonho não têm a permissão de Deus? Como se sabe quando há ou não há essa permissão? Quem dela é o intérprete, e a que título? Como poderá haver sonhos, sem permissão divina?

Deixemos o interrogatório e vamos aos fatos. Os sonhos, ou muitos deles se enquadram na categoria dos fatos supranormais. Alguns têm como causadores, no plano invisível, os Espíritos dos mortos. Se o Espírito é um vulto da Igreja, o caso não muda de aspecto. A forma, o processo, o escopo, a finalidade é a mesma, quer se trate de santo ou defunto não santificado. Os sonhos de caráter supranormal se enquadram nos fenômenos psíquicos.

Muitos há onde é evidente a intervenção do morto, visto que é ele que aparece ao adormecido, e aconselha, e prescreve, e cura. Não atinamos, porém, com a razão de se aceitar tal fenômeno como uma advertência do Céu, e tal outro, nas mesmíssimas circunstâncias, e com os mesmíssimos resultados, como um crime. Não percebemos também os limites que separam a ação celestial da criminosa, em matéria de sonhos.

Quando a Metapsíquica ventila o assunto, engloba certos sonhos na categoria dos fatos supranormais. A Ciência ainda não desvendou o processo que faça descobrir a gênese divina do sonho. Falta-lhe a medida que os devotos aplicam no caso. Difícil nos é perceber onde está o dedo de Deus e onde se escondem as artes do Malévolo.

Mas vamos supor, com a brilhante plêiade dos defensores das coisas santas e das coisas da lei, que havia, ali, no sonho relatado, uma advertência do Céu, e não, provavelmente, a do demônio, que deve ser recebida pelos espiritistas. Vamos crer que o Céu se meteu especialmente, e de caso pensado, naquele sonho, deixando os outros às costas de Satanás.

Ora, o que é certo é que qualquer que seja o sonho, e qualquer que seja a sua origem, divina, humana ou demoníaca, se ele estabelece processo de cura, este será ensinado, transmitido, apresentado, aplicado pelo sonhador. É o vivo que terá que ditar o medicamento,ou transmitir a receita, ou veicular o recado, ou aplicar o passe, ou fazer a reza, ou dizer, enfim, o que sonhou. Mas isto é o que a lei veda, tratando-se de cura, pelo menos com os aspectos que ela estabelece. Ela não indaga se é morto o curador ou se o aviso surgiu das mansões celestiais. Aviso do Céu, do defunto, ou do diabo, não pode ele ser traduzido em récipe, não deve produzir efeitos curativos. Fora do médico é como fora da Igreja, não há salvação. Tal é a lei; tal é o princípio.

NOTA: Este é o princípio de todo Católico Apostólico Romano, mas, nós Espíritas, seguimos Jesus: "Fora da Caridade não há salvação".

Veríamos, portanto, com os previdentes rigores do Código e as advertências oportunas do jurista, impossibilitada a veneranda, respeitável e santa mãe do Dr. A., de socorrer o filho. Há pior, ainda. Se os snhos se amiudassem e as curas também, teríamos que vê-la, não só proibida de curar o caro rebento, como ainda nas mãos da polícia. E qualquer outra em suas condições, por mais fortes e veementes que fôssem à violência dos esbirros, às humilhações do processo, à penalidade do ergástulo.

34 - TEMAS DA VIDA E DA MORTE - MANOEL P. DE MIRANDA - PÁG. 23

VIDA, SONO E SONHO
Já se disse, e com muita propriedade, que o sono é uma forma de morte. Assim, diariamente, o homem, ao deitar-se, realiza, mesmo que inconscientemente, um treino para esse fenômeno biológico terminal. À semelhança da morte, em que o Espírito só se liberta com facilidade do corpo mediante conquistas anteriores de desapego e renúncia, reflexões e desinteresse pelas paixões mais vigorosas, no sono há uma ocorrência equivalente, pois que o ser espiritual possui maior ou menor movimentação conforme as suas fixações e conquistas.

O Espírito sempe está em ação até onde podemos concebê-la. A inatividade não se encontra presente nas Leis da Vida. Mesmo nos momentos de repouso, o Espírito se movimenta atraído por aquilo que mais lhe diz respeito. O sono é, portanto, uma necessidade para o refazimento orgânico, o restabelecimento de energias do corpo, o reequilíbrio das funções que o acionam.

Assim que o corpo adormece, e, às vezes, mesmo antes do sono total, afrouxam-se os liames que atam o Espírito à matéria, e ele se desprende, parcialmente, rumando para os lugares e pessoas aos quais se vincula. Graças a essa movimentação, quando retoma ao domicílio carnal traz as impressões e lembranças que imprime no cérebro, constituindo-lhe o complexo capítulo dos sonhos. Detendo-nos apenas nos fenômenos oníricos de ordem espiritual, estes preservam uma correlação entre o estado de evolução do ser e os acontecimentos de que participa.

Num valhacouto de vadios, os que ali se encontram comprazem-se nos mesmos gostos que os reúnem. O mesmo ocorre num recinto reservado à cultura ou às artes, à fé ou ao trabalho. Há leis de afinidades que respondem pelas aglutinações sócio-morais-intelectuais, reunindo os seres conforme os padrões e valores nos quais se demoram. Parcialmente liberto pelo sono, o Espírito segue na direção dos ambientes que lhe são agradáveis durante a lucidez física ou onde gostaria de estar, caso lhe permitissem as possibilidades normais.

Em tal circunstância, pode viajar com os seres amados, que reencontra além da cortina carnal, participando dos seus estudos e realizações, aprendendo lições que lhe ficarão em gérmen, penetrando, inclusive, nos registros do passado como do futuro. Disso decorre a aquisição de informes que desconhecia, como pode prever fatos porvindouros, dando margem às retrocognições e precognições, do agrado dos modernos pesquisadores das ciências paranormais. Ao mesmo tempo, defronta conhecidos nos mesmos redutos para onde vai ou se deixa conduzir, estabelecendo admiráveis fenômenos de comunicação entre vivos na esfera física.

Nem sempre, porém, as viagens em corpo espiritual, durante o sono, levam aos ambientes de felicidade e progresso, onde se cultiva o bem, o bom e o belo. Mais facilmente, em razão do hábito dos pensamentos ultrajantes, fesceninos e brutais, os Espíritos que se comprazem com semelhante paisagem moral arrebatam o encarnado e levam-no aos redutos do crime e da perversão, onde se lhes ampliam as percepções negativas. Inspiram-se, ali, naquelas regiões de vandalismo e promiscuidade psíquica, e depois trazem para o comportamento diário as aberrações que buscam.

Crimes vergonhosos e programas vis são concertados nesses ambientes espirituais que pululam nas cercanias da Terra. Urdem-se ali obsessões e vinditas em clima de perversidade sob o comando de mentes implacáveis, que ditam as normas de ação, para que se cumpram os planos nefastos. Quando o Espírito ainda mantém resistências, que o resguardam da vulgaridade e da aberração, retorna desses antros de réprobos e padecem pesadelos horripilantes. Todavia, se já chafurda nos mesmos ignóbeis comércios de insensatez e loucura, volve ao corpo aturdido, embora fixado no que lhe cumpre executar, como autômato que foi — vítima de hipnose profunda.

Esta, porém, não lhe é imposta, pois que foi buscada espontaneamente. O inverso também se dá amiúde, quando o homem aspira aos ideais de enobrecimento da Humanidade, tomando-se instrumento dos promotores da evolução no mundo. Às suas horas de sono são aproveitadas para engrandecimento dos ideais, amadurecimento das aspirações, enriquecimento dos planos do bem. E pelo fato de ter mais aguçadas as faculdades da alma, encontra ímpares satisfações nesses colóquios e visitas, graças aos quais se encoraja e felicita, podendo levar os labores adiante com alta dose de valor, que aos demais surpreende.

Conforme ocorre no fenômeno da morte, no qual a consciência passa por um torpor, perturbação que é variável, de acordo com as conquistas de cada um, a lucidez durante o sono, nas experiências oníricas, está a depender da densidade vibratória das emoções com que se pauta a vida, no cotídiano. Desse modo, um programa bem organizado para antes de dormir constituirá emulação para o Espírito, no ato do desprendimento, transferir-se a regiões felizes e contactar Entidades nobres, conquistando os tesouros da paz, da aprendizagem, da ação relevante, enquanto o corpo repousa.

De bom alvitre, também, que o homem se disponha a cooperar com os Benfeitores da Humanidade nas suas obras fomentadoras do progresso, participando dos seus empenhos com tal ardor que, em retornando ao corpo, permaneça telementalizado por eles, dando curso ao empreendimento na esfera carnal. Diante de realizações enobrecedoras, na Terra, pode o Espírito prosseguir, ao desprender-se pelo sono, sob a tutela dos seus Guias Espirituais, corrigindo enganos e adquirindo mais amplos recursos e entendimento para promover esse trabalho que não deve ser interrompido.

Santa Teresa de Ávila, em desdobramento pelo sono, peregrinou por uma cidade espiritual de sofrimentos, trazendo dali as impressões fortes que foram tomadas como sendo de uma parte do Inferno da teologia católica. Jacob sonhou com o pai, Dante Alighieri, que lhe mostrou o lugar onde guardara os treze cantos do "Céu", que se encontravam desaparecidos. Voltaire concebeu, enquanto dormia e sonhava, todo um canto de La Henriade.

Tartini compôs, dormindo e sonhando, a sua "Sinfonia ao Diabo". Os sonhos narrados na Bíblia se enquadram perfeitamente nessas viagens ao plano espiritual, quando o ser se desprende e registra os fatos que narra posteriormente. O capítulo do sono natural na vida do homem é de muita importância, e está a exigir mais acurado estudo e meditação, a fim de ser aproveitado integralmente em favor do êxito na vilegiatura carnal.

Como um terço da vida física é dedicado ao sono, imenso patrimônio logrará quem converta esse tempo ou parte dele no investimento do progresso, em favor da libertação que lhe credenciará, para uma existência plena, um futuro ditoso. Se alguém diz como e o que sonha, é fácil explicar-lhe como vive nas suas horas diárias. Dorme-se, portanto, como se vive, sendo-lhe os sonhos o retrato emocional da sua vida moral e espiritual.

35 - ESPIRITISMO APLICADO - ELISEU RIGONATTI

A - O SONO

Entre nós e os espíritos desencarnados há perfeito intercâmbio de idéias, de ensinamentos e de auxílio. Esse intercâmbio se processa comumente através do sono.

Durante as horas de sono, podemos passar para o mundo espiritual e estarmos juntos com os espíritos desencarnados.

Duas são as finalidades do sono: proporcionar ao corpo oportunidade de recuperar energias e libertar parcialmente nosso espírito, facultando-lhe novas experiências. Enquanto dormimos, nosso espírito pode afastar-se de nosso corpo, ficando preso a ele apenas por um laço fluídico.

POSIÇÃO DO ESPIRITO ENCARNADO DURANTE O SONO

Uma vez que o sono nos liberta parcialmente da matéria, abrindo-nos as portas do mundo espiritual, é importante que aproveitemos bem estas horas de liberdade.

Vejamos em quais posições pode colocar-se o espírito nas horas em que seu corpo dorme.

Há espíritos que, parcialmente libertos do corpo pelo sono, conservam toda a lucidez; compreendem que estão no mundo espiritual e dedicam estas horas a estudos e a trabalhos espirituais; assim ganham tempo, porque quando desencantarem encontrarão prontos esses trabalhos.

Outros espíritos continuam durante o sono a tratarem de seus negócios e a preocuparem-se com seus problemas materiais, exatamente como quando acordados. Esses espíritos em nada se beneficiam dos momentos de liberdade espiritual que o sono lhes concede.

Alguns espíritos ficam perturbados, sonolentos e não se afastam do pé do leito onde repousam seus corpos.

Enfim, há espíritos que dão azo a seus instintos baixos e procuram os lugares do vício e mesmo do crime.

0 sono favorece o encontro dos espíritos encarnados com os desencarnados. Assim o encarnado pode encontrar-se com seus entes queridos já desencarnados, de cujo encontro lhe advém grande consolo.

Os doentes que sofrem sem esperanças de cura para seus corpos, e muitas vezes segregados do convívio de seus familiares, nas horas de sono haurem forças para suportar seus padecimentos com paciência e resignação.

Os encarcerados, enquanto seus corpos dormem, podem perfeitamente procurar a companhia de espíritos mais elevados, os quais lhes ensinarão os meios de se regenerarem e corrigirem seus erros; desse modo ganharão tempo, pois que, verificarão mais tarde terem executado grande parte do trabalho regenerativo.

A nós, espíritos encarnados desejosos do progresso espiritual, o sono concede excelentes oportunidades. Instrutores espirituais mantêm escolas onde congregam, todas as noites, um número considerável de espíritos encarnados semilibertos pelo sono, e lhes ministram lições, ensinamentos e conselhos.

PREPARAR-SE PARA BEM DORMIR

E útil que nós nos preparemos para bem dormir. Um bom sono concede maior liberdade ao nosso espírito, permitindo-nos aproveitar melhor nossa estada no mundo espiritual.

Para termos um bom sono, isto é, um sono que ajude o nosso espírito desprender-se com facilidade do corpo, é preciso que prestemos atenção no seguinte: o mal e os vícios seguram o espírito preso à Terra. E quem se entregar ao mal e aos vícios durante o dia, embora seu corpo durma à noite, seu espírito não terá forças para subir; e ficará perambulando por aqui, correndo o risco de ser arrastado por outros espíritos viciosos e perversos.

A excessiva preocupação com os negócios materiais também dificulta o espírito a desprender-se da Terra; e mesmo enquanto o corpo dorme. Continua o espírito a pensar exclusivamente em seus problemas materiais, alheio ao proveito espiritual que poderia conseguir naquelas horas de liberdade.

O bem e a virtude nos levarão, através do sono, às colônias espirituais onde fruiremos a companhia de mentores elevados; receberemos bom ânimo para a luta diária; ouviremos lições enobrecedoras; e poderemos dedicar-nos a ótimos trabalhos.

Compreendemos agora que é de grande valia a maneira pela qual passaremos o dia; cultivemos bons pensamentos, falemos boas palavras e pratiquemos bons atos; cumpramos rigorosamente nossos deveres; não alimentemos ambições excessivas, nem desejos de realização difícil; evitemos a ira, o rancor, o ódio, a maledicência; conservemo-nos tranquilos, cheios de confiança na Providência Divina. E assim preparados, contentes, iremos a noite ao mundo espiritual. E de manhã, ao retomarmos nosso veículo físico, elevemos ao Senhor nossa prece agradecida pela noite que nos conce-deu de repouso ao nosso corpo e de liberdade ao nosso espírito.

B - O SONHO

Praticamente vivemos duas vidas: uma quando nosso corpo repousa e outra quando ele está em atividade.

O espírito, semiliberto pelo sono, recebe impressões: vê, ouve, fala, age, move-se, usando de facilidades, tais como: maior visão, maior percepção mental, maior compreensão; por vezes, maior lembrança do passado, maior mobilidade; possibilidade de encontros com espíritos que conheceu em encarnações anteriores; assiste a cenas que se desenrolam em esferas espirituais próximas à Terra; vai a lugares aos quais só pode ter acesso como espírito; e executa tarefas de seu interesse.

Contudo, ao regressarmos ao nosso corpo físico, esquecemos os nossos atos espirituais, ficando a nossa memória adormecida com relação â nossa vida de semiliberdade. Isto se deve a que nosso corpo funciona como um redutor da capacidade perceptiva do espírito, particularmente o cérebro, em virtude de suas lentas e pequenas vibrações.

Para termos uma idéia aproximada da capacidade perceptiva do Espírito, figuremos uma escala de percepções espirituais, graduada de zero a cem.

Quando acordados, isto é, inteiramente ligados ao corpo, nossa capacidade de percepção espiritual se reduz a zero; raros encarnados conseguem perceber alguma coisa do mundo espiritual que os cerca.

Quando semilibertos do corpo pelo sono, nossas percepções espirituais se ampliam, variando na escala de um a noventa e nove, dependendo de nosso maior ou menor adiantamento espiritual.

E finalmente quando desencarnarmos e passarmos a viver definitivamente como espíritos, nossa percepção espiritual será completa.

De nossas alividades no mundo espiritual enquanto nosso corpo repousa, gerarn-se os sonhos, das quais são uma lembrança perfeita.

Nem sempre sonhamos, isto é, nem sempre guardamos a lembrança do que se passou conosco durante o sono. Isto porque ao reentrar no corpo, ficamos com nossa capacidade de percepção espiritual reduzida a zero e, por conseguinte, não podemos lembrar-nos do que houve conosco, quando estávamos fora do corpo.

Os sonhos, cuja lembrança nítida guardamos, são raros; comumente nos ficam fragmentos deles e muitas vezes visões que não conseguimos compreender.

A - Para melhor compreensão dos sonhos e de seus fragmentos, agrupemos nosso comportamento como espíritos enquanto nosso corpo dorme, em oito categorias:

1º - Conselhos que recebemos de nossos amigos espirituais.
2º— Trabalhos enobrecedores que executamos no mundo espiritual.
3º— Estudos, viagens.
4º— Reuniões com amigos espirituais.
5º— Encontro com inimigos espirituais, se os tivermos.
6º ~ Continuação do trabalho material.
7º— Satisfação de baixas paixões e de vícios.
8º - Estado de entorpecimento.

1º - Conselhos que recebemos de nossos amigos espirituais

Semilibertos do corpo, recebemos com facilidade as impressões espirituais. Dessa oportunidade se valem nossos amigos do espaço para dar-nos conselhos e sugestões úteis ao desenvolvimento de nossa encarnação. Procuram afastar-nos do mal, fortalecem-nos moralmente e apontam-nos a maneira certa de respeitarmos as leis divinas. Ao despertarmos, embora não nos lembremos deles, ficam, contudo, no fundo de nossa consciência, em forma de intuições, como que idéias inatas.

2º - Trabalhos enobrecedores que executamos no mundo espiritual

Podemos dedicar os momentos de semiliberdade à execução de tarefas espirituais, sob a direção de elevados mentores. A vantagem para os encarnados que assim aproveitam as horas de sono é grande: ganham forças para os embates da vida, além de, ao desencarnarem, encontrarem muita coisa pronta, o que lhes permitirá um progresso mais rápido.

Acontece muitas vezes acordarmos com uma deliciosa sensação de bem-estar, de contentamento e de alegria. Isto acontece por termos sabido usar bem de nossa estada no mundo espiritual, executando trabalhos de real valor; daí é que provém essa satisfação íntima.

Contudo, não raras vezes despertamos tristes e com uma espécie de ressentimento no fundo de nosso coração. 0 motivo dessa tristeza sem causa aparente é que nos são mostradas as provas e as expiações que nos caberão na vida, as quais teremos de suportar. E conquanto sejamos confortados por nossos benfeitores, não deixamos de nos entristecer e ficarmos um tanto apreensivos.

3º - Estudos e viagens

Há espíritos encarnados que, ao penetrarem no mundo espiritual através do sono, entregam-se aos estudos de sua predileção; e por isso têm sempre idéias novas no campo de suas atividades terrenas. Outros valem-se da facilidade de locomoção para realizarem viagens de observação, não só na terra, como também às esferas espirituais que lhe são vizinhas.

4º - Reuniões com amigos espirituais

Assim como visitamos nossos amigos encarnados, também podemos ir visitar nossos amigos desencarnados e com eles passarmos momentos agradáveis, enquanto nosso corpo físico repousa; disso nos resulta grande conforto.

5º - Encontro com inimigos

É comum o sono favorecer o encontro de inimigos para explicações recíprocas. Esses inimigos podem ser da encarnação atual ou de encarnações antigas.

Os mentores espirituais procuram aproximar os inimigos, a fim de Induzi-los ao perdão mútuo. Extinguem-se assim muitos ódios e grande número de inimigos se tornam amigos, o que lhes evitará sofrimentos. E a maior e melhor percepção de que goza o espírito semiliberto pelo sono, facilita a extinção de ódios e a correção de situações desagradáveis e por vezes dolorosas.

B - Continuação de trabalhos materiais

Considerável porcentagem de encarnados, ao entregarem seu corpo físico ao repouso, continuam, sono a dentro, com suas preocupações materiais. Não aproveitam a oportunidade para se dedicarem um pouco à vida eterna do espírito. E estudam os negócios que pretendem realizar, completamente alheios aos verdadeiros interesses de seus espíritos; e nada veêm e nada percebem do mundo espiritual no qual ingressam por algumas horas.

C - Satisfação de paixões baixas e de vícios

Há encarnados que ao se verem semilibertos do corpo de carne pelo sono, procuram os lugares de vícios, com o fito de darem expansão a suas paixões inferiores, na ânsia de satisfazerem seus vícios e seu sensualismo. Outros se entregam mesmo ao crime, perturbando e influenciando perniciosamente suas vítimas, tornando-se instrumentos da perversidade.

D - Estado de entorpecimento

São comuns os encarnados cujos espíritos não se afastam do lado do corpo, enquanto este repousa; ficam entorpecidos junto ao leito, como que adormecidos também.

Das ocupações a que nós nos entregarmos durante a semiliberdade que o sono nos concede, depende nosso estado quando acordados. Nós ficamos impregnados com os fluidos que encontramos nos lugares onde estivemos como espíritos, durante o sono; se frequentamos lugares puros, ou se nos tivermos dedicado a trabalhos nobres, voltaremos impregnados de bons fluidos que nos darão ânimo, saúde, coragem e alegria de viver; porém, se como espíritos semilibertos. frequentarmos antros de vícios ou se gastarmos o tempo na satisfação de nossos desejos inferiores, voltaremos como nosso perispírito carregado de fluidos impuros que muito influirão sobre nossa saúde corporal.

Estamos agora com base para compreendermos a questão dos sonhos: o sonho é uma parte mínima de nossas ocupações como espíritos semilibertos pelo sono e da qual nós nos recordamos ao despertar.

Se nós nos lembrássemos inteiramente de como empregamos nossas hora de semiliberdade, verificaríamos que todas as noites sonhamos, isto é, vimos ou fizemos qualquer coisa. A rigor, portanto, sonhamos em todas as horas de nosso sono, uma vez que nosso espírito não permanece inativo. Contudo, damos o nome de sonho apenas à parte dos acontecimentos que conseguimos reter ao voltar ao nosso corpo físico.

Nosso cérebro é um redutor da capacidade perceptiva de nosso espírito; e reduzindo-lhe a zero a percepção espiritual, reduz-lhe também a zero a memória espiritual.

0 cérebro é um instrumento que permite ao espírito a percepção das coisas materiais somente, e guarda-lhes a lembrança; ainda não desenvolveu a parte mediante a qual terá a percepção e a memória das coisas espirituais. Ao voltar o espírito para o corpo, sua memória espiritual deixa de funcionar, para só lembrar-se das coisas materiais, isto é, daquilo que lhe chegou através do cérebro. Por esta razão é que não nos lembramos de nossa atividade durante a semiliberdade que o sono nos concede.

E - A LEMBRANÇA DOS SONHOS

Sabemos que nem tudo de nossa estada no plano espiritual por meio do sono, fica esquecido ao acordarmos. Frequentemente trazemos de lá imagens, cenas, fatos e idéias que formam aquilo a que denominamos sonhos. 0 sonho é, por conseguinte, um reflexo fragmentário de nossa vida fora do corpo e fixamo-lo por analogia, por símbolos e por intuições.

Entretanto, para que sonhemos, isto é, para que lembremo-nos de qualquer fato que presenciamos no plano espiritual, é necessário que tal fato nos tenha impressionado fortemente a fim de que nosso espírito possa conservá-lo na mente, ainda quando envolto na matéria.

F - Analogia

Quando o espírito semiliberto do corpo pelo sono observa uma cena, um acontecimento, ou nele tomar parte, ao voltar para o corpo trazendo a lembrança, traduz o que viu por imagens que lhe são familiares. Procede, nesse caso, como uma criança que ao descrever para um adulto um fato que presenciou, serve-se de sua reduzida compreensão infantil. Daí as descrições por vezes cômicas, absurdas, incompreensíveis, retorcidas que as crianças fazem. Elas viram o fato mas não possuem recursos para se expressarem convenientemente. Assim o espírito, ao regressar ao corpo, não tem possibilidades de se lembrar fielmente do que viu; e o pouco do que se recorda, que constitui o sonho propriamente dito, sofre a distorção do cérebro e é traduzido pelas imagens comuns ao estado de acordado. Por exemplo, a lembrança da rapidez com que o espírito se movimenta no espaço é reproduzida no cérebro por uma queda de grande altura. Se um inimigo desta ou de outras encarnações nos persegue em nossa semiliberdade, parecer-nos-á que sonhamos termos sido perseguidos por alguém.

Como a vida de semiliberdade que o espírito vive durante o sono, tem muita coisa que lhe é desconhecida, serve-se da analogia, isto é, procura transformar no que conhece as cenas e fatos presenciados no mundo espiritual.

G - Símbolos

E' comum o sonho traduzir-se por símbolos que não conseguimos entender, a não ser quando se dê o acontecimento com o qual o símbolo tem relação.

Temos amigos espirituais no espaço que se interessam por nós. Quando esses amigos julgam oportuno dar-nos um conselho ou advertir-nos de que, possivelmente, enfrentaremos situações difíceis ou desagradáveis para as quais devemos estar preparados, recorrem eles, comumente aos símbolos. Caso se limitassem a falar-nos em nosso estado de semiliberdade, ao voltarmos ao nosso corpo físico não nos lembraríamos de suas palavras; ou se nos lembrássemos, seriam fragmentos sem significação. Assim, por meio de símbolos que lhes traduzam o pensamento, procuram impressionar-nos fortemente. Nosso espírito, embora no corpo físico, geralmente consegue recordar-se da forte impressão recebida. Para conseguir isso, o amigo espiritual que nos quer avisar, à medida que nos vai falando, vai formando em pensamento uma imagem que é reflelida em nossa mente. Ao acordarmos, trazemos conosco aquele quadro simbólico, o qual nos intriga, por não o compreendermos no momento; isso só se dará quando acontecer o fato relacionado com ele.

Vejamos alguns exemplos que ilustram o que acabamos de expor: Uma pessoa sonhou certa vez que contemplava um rochedo. Eis que a terra tremeu e o rochedo reduziu-se a pó. Envolvendo-a a poeira a ponto de parecer sufocá-la, o medo começou a apossar-se dessa pessoa, quando ouviu uma voz que lhe dizia encorajadoramente: — Sê forte.

Acordou e como de pronto não compreendesse o significado do sonho, não lhe deu maior importância.

Algum tempo depois, essa pessoa sofreu um desastre financeiro; voltou uma tarde para casa carregada de sombrios pensamentos; trancou-se no quarto e, sentada ao pé da cama com a cabeça entre as mãos, entregou-se ao desespero. De súbito ouve distintamente a mesma voz do sonho, que lhe dizia terna e encorajante: — Sê forte. 0 sonho lhe voltou à memória e compreendeu então que um amigo espiritual, pressentindo a situação adversa, quis avisá-la para que se não desesperasse. 0 bom ânimo instalou-se de novo em seu coração aflito e recebeu novas energias para a luta; costumava dizer depois que esse sonho a livrara de cometer uma loucura.

A análise desse sonho simbólico é fácil. 0 amigo espiritual representou a situação financeira dessa pessoa, pelo rochedo. 0 desastre financeiro pelo esfacelamento do rochedo; e recomenda-lhe que seja forte na adversidade. E para que ela compreendesse o significado do sonho, foi preciso que acontecesse o fato ao qual ele se ligava.

Outra pessoa, em sonhos, viu-se atravessando extensa planície, castigada por sol ardente; de momento a momento, deparavam-se-lhe obstáculos; quando julgou estar no fim da travessia, surgiu-lhe pela frente um monte escarpado e põe-se a subir por ele, de arrastão, ferindo-se nas pedras. Ao terminar a subida, aguardava-a uma surpresa agradável: achou-se num bosque fresco e perfumado, onde cantavam pássaros e zumbiam abelhas; um grupo de amigos a recebeu e puseram-se a passear.

Acordou e lembrando-se da visão noturna, pôs-se a meditar sobre ela; não encontrando de pronto a explicação, abandonou-a.

Tempos depois, entrou essa pessoa num período de extremas dificuldades, que se prolongou por anos. Nos momentos em que o desânimo e o desespero a assaltavam, vinha-lhe nítido à memória o sonho que tivera; a travessia da planície ardente e a subida ao áspero monte simbolizavam as dificuldades que experimentava agora; em seguida viriam melhores tempos representados pelo bosque perfumado. De fato, ao período de adversidade, seguiu-se um de paz e felicidades.

E fácil notarmos que se essas duas pessoas, em lugar dos sonhos simbólicos, recebessem de seus amigos espirituais apenas palavras sobre os acontecimentos que as aguardavam, dado a redução da memória que o espírito sofre ao voltar ao corpo, não se lembrariam delas; ao passo que conseguiram reter os símbolos que as impressionaram vivamente.

H - Intuições

Há manhãs em que despertamos com a sensação de termos sorvido calma e felicidade durante a noite. Inexprimível bem-estar se assenhoreia de nosso íntimo; vemos as coisas sob um aspecto otimista; as dificuldades parecem-nos menores.

Outras vezes sucede o contrário: ao despertarmos trazemos sensações desagradáveis; uma ponta de inquietação como que veio conosco de dentro do sono. E embora nosso corpo tenha descansado, sentimos que o espírito passou uma noite agitada. São as intuições, isto é, o pressentimento do que vemos, ouvimos ou fizemos em espírito, aproveitando-nos da semiliberdade que o sono nos concedeu. Nós pressentimos, suspeitamos que algo de bom ou de mau se passou conosco, enquanto o corpo repousava.

E comum tomarmos resoluções completamente diversas daquelas que pretendíamos tomar na véspera; ao acordarmos pensamos de modo diferente daquele que pensávamos ao adormecer. E que durante o repouso do corpo, aproveitamos a oportunidade para consultar nossos amigos espirituais e deles recebermos sugestões e conselhos sobre os assuntos que nos preocupavam; e disso fica-nos a intuição de como agir.

Tal é o mecanismo do sonho e por aí vemos a dupla vida que vivemos: quando acordados, a vida material; e quando o corpo entra em repouso, a vida espiritual.

Viver dignamente uma e outra é o objetivo a que devemos colimar.

I - AS NECESSIDADES DO ESPIRITO

Tal qual o corpo que para crescer e tornar-se forte precisa de alimentos e exercícios adequados, assim também o espírito reclama cuidados para que possa resplandecer ao desencarnar.

0 espírito encarnado, com raras exceções, é qual um chavascal que precisa ser transformado em jardim. E como do chavascal se arrancam as ervas daninhas e nele se semeiam as plantas úteis, também do espírito rude, mau, vicioso, egoísta,
vaidoso, orgulhoso, se extirpam as imperfeições até que ele se transforme em anjo rutilante.

Não há uma receita específica que, aplicada, nos transforme da noite para o dia. A pureza espiritual, que é a perfeição moral, só a alcançaremos pelo trabalho perseverante no bem, de nossa tenacidade em vigiar nossos atos, de nossa persistência em querermos fazer hoje melhor do que ontem. Em suma, é imprescindível que nós nos dediquemos incessantemente ao nosso aperfeiçoamento moral.

Se não há receitas específicas para conseguirmos a perfeição, há, no entanto, diretrizes que bem observadas nos conduzirão a ela. Vejamos um roteiro que nos proporcionará resultados satisfatórios:

I1 - Renunciar

A primeira necessidade da alma é saber renunciar. Certo não se lhe pede a renúncia total das coisas terrenas. Entretanto, renunciar a algumas horas de descanso, por mês, para consagrá-las a um enfermo; renunciar a alguma comodidade para acudir a um companheiro; renunciar a seus vícios, seus maus hábitos; renunciar a vinganças, à maledicência, ao ódio, ao ciúme, à inveja; tudo são exemplos de renúncia que estão ao alcance de qualquer um de nós praticar.

I2 - Regozijo

Outra necessidade do espírito encarnado é regozijar-se sempre. Nosso coração deve pulsar em permanente regozijo. l\lesmo que a adversidade se apodere de nós e nos faça derramar lágrimas de amargo sofrimento, jamais nos entreguemos ao desespero ou ao desânimo. Não alimentemos tristezas; sejamos alegres, reconhecidos a Deus pela reencarnação que nos concedeu para nosso próprio benefício.

I3 - Servir

Servir é outra necessidade do espírito encarnado. Não nos fechemos num círculo de egoísmo feroz. Sirvamos sempre. Aproveitemos todas as ocasiões que se nos apresentarem para sermos úteis aos nossos semelhantes.

E servindo a este ou àquele, não esperemos nem reclamemos recompensa. 0 bem, por pequenino que seja, para que cause satisfação a quem o faz e alegria a quem o recebe, deve ser leito desinteressadamente. E quem serve pelo exclusivo prazer de servir, jamais se defrontará com ingratos.

I4 - Corrigir

Corrijamos nossas próprias imperfeições. Não percamos tempo relacionando erros e deslizes alheios. Lembremo-nos de que não estamos isentos de falhas; por isso não sejamos rigorosos para com as falhas alheias; sejamos, contudo, rigorosos para conosco mesmos.

I5 - Confiança

Confiemos na Providência Divina. Acima de todos os poderes humanos, paira o poder soberano de Deus, em cujas mãos temos necessidade de repousar confiantes. Confiemos em nós mesmos para que, fortificados, vençamos nossas dificuldades. Tenhamos em mente que a dúvida é sempre destrutiva; ao passo que a confiança é construtiva. 0 duvidarmos da bondade de Deus e de sua justiça e de nossas próprias forças, só nos trará tristezas e aborrecimentos. ...