TEMPO
BIBLIOGRAFIA
01- A alma é imortal - pág. 215 02 - A crise da morte - pág. 155
03 - A Gênese - cap. VI,1 04 - A luz da oração - pág. 70
05 - A pluralidade dos M. Habitados - pág.223 06 - A vida além do véu - pág. 87
07 - Ação e reação - pág. 48 08 - Amizade - pág. 28
09 - Ave Cristo - pág. 176 10 - Caminho Verdade e vida- pág. 17
11 - Cartas e crônicas - pág. 51 12 - Conduta Espirita - pág. 131
13 - Da alma Humana - pág. 28 14 - Dinheiro - pág. 78, 109
15 - Emmanuel - pág. 170

16 - Escrínio de luz - pág. 52

17 - Estude e viva - pág. 24, 128 18 - Falando à Terra - pág. 165
19 - Fonte viva - pág. 33 20 - Há dois mil anos - pág. 12
21 - Jesus no lar - pág. 99 22 - Justiça Divina - pág. 170, 191
23 - Na seara do Mestre - pág. 11 24 - O céu e o inferno - pág. 341
25 - O Espírito e o tempo - toda a obra 26 - O Livro dos Espíritos - q. 89, 240, 1005
27 - Obreiros da vida eterna - pág. 171 28 - Palavras de vida eterna - pág. 306
29 - Pontos e Contos - cap. 42, 47 30 - Religião dos Espiritos - pág. 253
31 - Universo e vida - pág. 72 32 - Vozes do grande além - pág. 30, 78, 119

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TEMPO – COMPILAÇÃO

01- A alma é imortal - Gabriel Delanne - pág. 215

O tempo
Aos mesmos resultados chegamos, quando queremos avaliar o tempo. Os períodos cósmicos nos esmagam com um formidável amontoado de séculos. Ouçamos mais uma vez o nosso instrutor espiritual. "O tempo, como o espaço, é uma palavra que se define a si mesma. Mais exata idéia dele se faz, estabelecendo-se a relação que guarda com o todo infinito.

"O tempo é a sucessão das coisas. Está ligado à eternidade, do mesmo modo por que essas coisas se acham ligadas ao infinito. Suponhamo-nos na origem do nosso mundo, naquela época primitiva em que a Terra ainda não se balouçava sob a impulsão divina. Numa palavra: no começo da gênese.

"Aí, o tempo ainda não saiu do misterioso berço da Natureza e ninguém pode dizer em que época de séculos está, pois que o balancim dos séculos ainda não foi posto em movimento. "Mas, silêncio! a primeira hora de uma Terra isolada soa no relógio eterno, o planeta se move no espaço e, desde então, há tarde e manhã. Fora da Terra, a eternidade permanece impassível e imovel, se bem o tempo avance para muitos outros mundos. Na Terra, o tempo a substitui e, durante uma série determinada de gerações, contar-se-ão os anos e os séculos.

"Transportemo-nos agora ao último dia deste mundo, à hora em que, curvado sob o peso da vetustez, a Terra se apagará do livro da vida, para ai não mais reaparecer. Nesse ponto, a sucessão dos eventos se detém, interrompem-se os movimentos terrestres que mediam o tempo e este finda com eles.

"Quantos mundos na vasta amplidão, tantos tempos diversos e incompatíveis. Fora dos mundos, só a eternidade substitui essas efêmeras sucessões e enche, serenamente, da sua luz imóvel, a imensidade dos céus. Imensidade sem limites e eternidade sem limites, tais as duas grandes propriedades da natureza universal.

"Agem concordes, cada uma na sua senda, para adquirirem esta dupla noção do infinito: extensão e duração, assim o olhar do observador, quando atravessa, sem nunca ter de parar, as incomensuráveis distancias do espaço, como o do geólogo, que remonta até muito além dos limites das idades, ou que desce às profundezas da eternidade onde eles um dia se perderão."

Também estes ensinamentos a Ciência os confirma. Malgrado à dificuldade do problema, os físicos, os geólogos hão tentado avaliar os inumeráveis períodos de séculos decorridos desde a formação da nossa Terra e as mais fracas avaliações mostram quão infantis eram os seis mil anos da Bíblia.

Segundo Sir Charles Lyell, que empregou os métodos usados em Geologia — métodos que consistem em avaliar-se a idade de um terreno pela espessura da câmara sedimentada e a rapidez provável da sua erosão —, ao cabo de numerosas observações feitas em todos os pontos do globo, mais de trezentos milhões de anos transcorreram depois da solidificação das camadas superficiais do nosso esferóide.

As experiências do professor Bischoff sobre o resfriamento do basalto, diz Tyndall, parecem provar que, para se resfriar de 2.000 graus a 200 graus centígrados, precisou o nosso globo de 350 milhões de anos. Quanto à extensão do tempo que levou a condensação por que teve de passar a nebulosa primitiva para chegar a constituir o nosso sistema planetário, essa escapa inteiramente à nossa imaginação e às nossas conjeturas. A história do homem não passa de imperceptível ondulação na superfície do imenso oceano do tempo.

03 - A Gênese - Allan Kardec - cap. VI,1

CAPITULO VI URANOGRAFIA GERAL
O espaço e o tempo. -

1. - Várias definições do espaço foram dadas; a principal é esta: o espaço é a extensão que separa dois corpos. De onde certos sofistas deduziram que aí onde não há corpos não haveria espaço; foi sobre o que os doutores em teologia se basearam para estabelecer que o espaço era, necessariamente, finito, alegando que corpos, limitados em certo número, não poderiam formar uma sequência infinita; e que lá, onde os corpos se detém, o espaço se detém também.

Tem-se, ainda, definido o espaço: o lugar onde se movem os mundos, o vazio no qual atua a matéria, etc. Deixemos nos tratados, onde repousam, todas essas definições, que não definem nada. O espaço é um desses termos que representam uma idéia primitiva e axiomática, evidente por si mesma, e que as diversas definições, que dela se pode dar, não servem senão para obscurecer. Todos sabemos, o que é o espaço e não quero senão estabelecer a sua infinidade, a fim de que os nossos estudos ulteriores não tenham nenhuma barreira a opor-se às investigações de nosso objetivo.

Ora, digo que o espaço é infinito, pela razão de que é impossível supor-lhe algum limite, e que, malgrado a dificuldade que temos em conceber o infinito, todavia, nos é mais fácil ir eternamente no espaço, em pensamento, do que nos deter num lugar qualquer, depois do qual não encontraremos nenhuma extensão a percorrer.

Para figurarmos o infinito do espaço, enquanto o façamos com as nossas faculdades limitadas, suponhamos que, partindo da Terra, perdido no meio do Infinito, junto de um ponto qualquer do Universo, e isso com a velocidade prodigiosa da centelha elétrica, que transpõe milhares de léguas a cada segundo, apenas deixamos este globo, tendo percorrido milhões de léguas, encontramo-nos em um lugar de onde, a Terra, não nos aparece mais senão sob o aspecto de uma pálida estrela.

Um instante depois, em seguindo sempre a mesma direção, chegamos perto das estrelas longínquas que distinguis, com dificuldade, da vossa estação terrestre; e, dali, não somente a Terra está perdida para os vossos olhares, nas profundezas do céu, mas, ainda, mesmo o vosso Sol, em seu esplendor, está eclipsado pela extensão que nos separa dele.

Animados, sempre, com a mesma velocidade da luz, transporemos sistemas de mundos a cada passo que avancemos na extensão, ilhas de luz etérea, caminhos estelares, paragens suntuosas, onde Deus semeou os mundos com a mesma profusão que semeou as plantas nas pradarias terrestres.

Ora, faz apenas alguns minutos que caminhamos, e já centenas de milhões e de milhões de léguas nos separam da Terra, milhares de mundos passaram sob os nossos olhares, e, todavia, escutai! Não avançamos, em realidade, um único passo no Universo.

Se continuarmos, durante anos, séculos, milhares de séculos, milhões de períodos cem vezes seculares e, incessantemente, com a mesma velocidade da luz, não teremos avançado mais! e isso de qualquer lado que formos, e para qualquer ponto que nos dirijamos, desde esse grão invisível que deixamos e que se chama a Terra.

Eis o que é o espaço!

2. -O tempo, como o espaço, é uma palavra definida por si mesma; dele se faz uma idéia, mais justa, estabelecida na sua relação com o todo infinito. O tempo é a sucessão das coisas; está ligado à eternidade, do mesmo modo que essas coisas estão ligadas ao infinito. Suponhamos a origem do nosso mundo, nessa época primitiva em que a Terra não oscilava, ainda, sob o divino impulso; em uma palavra, no começo da Gênese. Aí o tempo não havia, ainda, saído do misterioso berço da Natureza; e ninguém pode dizer a que época de séculos estávamos, uma vez que o pêndulo dos séculos não estava, ainda, em movimento.

Mas silêncio! a primeira hora de uma Terra isolada soa ao timbre eterno, o planeta se move no espaço, e, desde então, há entardecer e manhã. Além da Terra, a eternidade permanece impassível e imóvel, embora o tempo caminhe para muitos outros mundos. Sobre a Terra, o tempo a supre, e, durante uma sequência determinada de gerações, contar-se-áo os anos e os séculos.

Transportemo-nos, agora, ao último dia desse mundo, na hora em que, curvada sob o peso da sua velhice, a Terra se apagará do livro da vida para não mais reaparecer. Aqui a sucessão dos acontecimentos se detêm; os movimentos terrestres que mediam o tempo se interrompem, e o tempo acaba, com eles.

Esta simples exposição das coisas naturais que dão nascimento ao tempo o sustentam e o deixam estender, basta para mostrar que, visto sob o ponto de vista que devemos nos colocar, para os nossos estudos, o tempo é uma gota d'água que cai da nuvem no mar, e cuja queda é medida.

Tantos mundos na vasta extensão, quantos os tempos diversos e incompatíveis. Fora dos mundos, só a eternidade supre essas sucessões efêmeras, e enche, mansamente, com a sua luz imóvel, a imensidade dos céus. Imensidade sem fronteiras e eternidade sem limites, tais são as duas propriedades da natureza universal.

O olhar do observador que atravessa, sem jamais encontrar parada, as distâncias incomensuráveis do espaço, e do geólogo que remonta mais além dos limites das idades, ou que descem às profundezas da eternidade largamente aberta, onde se perderão, um dia, agem de acordo, cada um em sua senda, para adquirir esta dupla noção do infinito: a extensão e duração.

Ora, conservando essa ordem de idéias, ser-nos-á fácil conceber que o tempo, não sendo senão o produto das coisas transitórias, e dependendo, unicamente, das coisas que o medem, se, tomando os séculos terrestres por unidades, nós os amontoamos milhares sobre milhares, para deles formar um número colossal, esse número não representaria senão um ponto da eternidade: do mesmo modo que as milhares de léguasjuntando com as milhares de léguas, não são senão um ponto na extensão.

Assim, por exemplo, estando os séculos fora da vida etérea da alma, poderíamos escrever um número tão grande quanto o equador terrestre, e nos supor envelhecidos desse número de séculos, sem que, na realidade, nossa alma conte um dia a mais; e, acrescentando a esse número indefinível de séculos, uma série longa, como daqui ao Sol, de números semelhantes, ou mais consideráveis ainda, imaginando viver durante a sucessão prodigiosa de períodos seculares, representados pela adição de tais números, quando chegássemos ao tempo, o amontoado incompreensível de séculos que pesasse sobre as nossas cabeças seria como se nada fosse: permaneceria sempre, diante de nós, a eternidade toda inteira.

O tempo não é senão uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias; a eternidade não é suscetível de nenhuma medida do ponto do vista da duração; para ela, não há nem começo e nem fim: é presente para ela. Se os séculos dos séculos são menos do que um segundo em relação à eternidade, o que é a duração da vida humana?


05 - A pluralidade dos M. Habitados - Camille Flammarion - pág.223

(...) Pode-se afirmar que todo homem, qualquer que seja, que pretenda seriamente definir a humanidade de uma outra terra, caracterizar suas condições de existência, fazer conhecer seu estado físico, intelectual ou moral, explicar SIM a natureza e sua maneira de ser; pode-se afirmar, dizíamos, que todo homem que emite tais pretensões está no erro mais vão. Tanto quanto proclamamos com a certeza de uma convicção inabalável a verdade da pluralidade dos Mundos, igualmente repudiamos o título de colonizador de planetas. E sustentamos que, no estado atual de nossos conhecimentos, é impossível encontrar a solução do problema.

Nosso estudo fisiológico mostrou o quanto as produções da Natureza cá embaixo estão em correlação com o estado da Terra, o quanto os diversos seres que habitam o mundo estão em harmonia com os meios em que vivem, e exemplos não deixaram de estabelecer a incontestável verdade desta proposição. Aqui seria o lugar de acrescentar que produções desta natureza podem variar e variam, segunde degraus de uma escala incomensurável. A começar de mínimos detalhes de nosso organismo, não há um só que tenha sua razão de ser e sua utilidade na economia viva, e até os apêndices que parecem os mais insignificantes, tudo tem seu papel no organismo individual.

Alterai um elemento na física terrestre, subtraí uma força à sua mecânica, fazei em nosso mundo uma modificação qualquer em sua natureza íntima, e eis o que resultará: as condições de habitabilidade uma vez modificadas, a habitação atual dará lugar a uma outra. Atenuai sucessivamente a intensidade da luz solar até torná-la igual, por exemplo, à que é na superfície de Urano ou de Netuno, e logo em seguida nossos olhos perderão a acuidade de ver sem ofuscamento os objetos expostos à nossa iluminação atual. Aumentai, ao contrário, esta intensidade, e não veremos mais claramente em plena luz do dia.

Fazei com que o som não se propague mais no ar, e nossas gerações futuras não possuirão senão surdos-mudos, falando a linguagem dos sinais. Somos carnívoros e herbívoros ao mesmo tempo: imaginai uma transformação lenta e progressiva em nosso regime alimentar, e uma transformação correlativa se operará em nosso mecanismo orgânico.

O mundo caminha por oscilações, e seus elementos variam entre dois limites extremos em torno de uma posição média, é a lei da vida; ela é reconhecida em tudo, desde a revolução do pólo terrestre em torno do pólo da eclíptica, em 25.765 anos, até os períodos diurnos e horários da agulha imantada. Se a vida em cada globo depende da soma dos elementos especiais em cada mundo, ela varia como este mundo, entre esses limites extremos, além dos quais ela se extinguiria, e entre os quais ela sofre modificações graduais.

Se a vida é inerente à própria essência da matéria, ela é suscetível de uma diversidade ainda maior que no caso precedente; pois ela aparece inevitavelmente, quaisquer que sejam as condições acidentais que sofram certos mundos ou certas regiões nos mundos. Seja como for, as modificações causadas nas condições de vida reagem sobre o organismo dos indivíduos e sobre a geração das espécies.

O raciocínio que sustentamos agora relativamente a essas modificações e à sua influência sobre nós mesmos pode ser continuado e aplicado a todos os nossos órgãos, a todos os nossos sentidos, a todos os nossos membros, a todas as partes internas e externas de nosso corpo; pode-se assegurar que estes órgãos existem tais ou quais, em nós, porque preenchem tais ou quais papéis, e inferir que são completamente outros em outros mundos, onde as mesmas funções não podem ser preenchidas, e mesmo que não existem, onde não têm nenhum papel a desempenhar.

É o modo pelo qual procede a Natureza, alhures, tal como aqui; é o modo que ela seguiria, se as condições terrestres viessem a sofrer uma alteração que não fosse violenta o suficiente para destruir a habitação da Terra; é o modo que seguiu outrora para a sucessão das espécies na superfície de nosso globo durante seus períodos primitivos; e é provavelmente o modo que segue atualmente para a manutenção da vida na Terra e nos outros mundos.

Para raciocinar sobre a criação na superfície dos planetas, e para emitir alguns julgamentos sobre as formas de que a vida lá pode se revestir, seria necessário pelo menos ter um princípio absoluto como base. Com o auxílio deste princípio absoluto, poder-se-ia, dentro de certos limites, comparar e concluir. Mas que temos de absoluto, em toda a extensão de nossos conhecimentos? Diremos melhor: o que há de absoluto na física?—Nada! O Universo tem como dimensão o espaço: o que é o espaço?

— O indefinido; ou melhor, para evitar qualquer sofisma, o espaço é um infinito. Ora, em termos absolutos, não há menos espaço daqui até Roma que daqui até Sírius, pois a distância daqui até Sírius não é parte maior do infinito que a distância daqui até Roma; se, tomando a Terra como ponto de partida, viajamos durante cem mil anos com a velocidade da luz rumo a um ponto qualquer do céu, chegando ao termo, não teríamos avançado, na verdade, um só passo no espaço. . . Sob um outro aspecto, o do tempo, consideremos a extensão absoluta da sucessão das coisas; esta extensão é a duração eterna.

Ora, cem bilhões de séculos e um segundo são dois termos equivalentes na duração eterna. O absoluto não existe na física, tudo é relativo. Se, por um fenômeno qualquer, a Terra toda, com sua população, se reduzisse progressivamente ao tamanho de uma bola de bilhar; se todos os elementos que caracterizam o corpo, o peso, a densidade, a força orgânica, o movimento, a intensidade da luz e das cores, o calórico etc., se atenuassem na mesma proporção; se o sistema do mundo sofresse uma modificação proporcional a esta diminuição do globo terrestre; em uma só palavra, se todos os objetos que nossos sentidos percebem sofressem esta diminuição mantendo entre eles as mesmas relações, ser-nos-ia impossível perceber esta imensa transformação.

Seria um mundo dos liliiputianos; as altas cadeias do Himalaia e nossas montanhas dos Alpes seriam reduzidas ao tamanho de grãos de cinza; nossos bosques, nossos parques, nossas casas, nossos apartamentos seriam menos que tudo o que conhecemos atualmente, e nós estaríamos do tamanho dos animais que chamamos de microscópicos; a Terra inteira poderia caber na mão de um homem do nosso tamanho atual; tudo seria transformado; e definitivamente, nada teria mudado para nós; nosso tamanho seria sempre de seis pés (nosso metro continuaria a ser a décima milionésima parte de um quarto do meridiano terrestre), nossas cidades e nossos campos, nossos portos e nossos navios conservariam as mesmas relações entre si, os objetos se apresentariam a nossos olhos sob o mesmo ângulo em que se apresentam atualmente, e todas as proporções continuariam as mesmas, e por mais maravilhosa que fosse, a metamorfose passaria desapercebida.

Se se considera estas idéias muito ousadas, responderemos que, por um lado, são uma verdade matemática, e por outro desfrutam de uma notoriedade muito antiga em filosofia. Seria irrazoável, em nossa opinião, afirmar que elas sejam a expressão de realidades existindo em qualquer lugar do espaço: não é provável que a natureza tenha gerado esse mundos do tamanho de átomos; mas por vezes é útil apresentar exemplos exagerados para combater opiniões fundamentalmente errôneas. Muitos escritores, e dos mais renomados não contentes em formular simplesmente estas idéias, consideraram-nas como representando um estado de coisas vigente na criação.

Citaremos aqui Jean Bernouilli e Leibniz; o que o primeiro escrevia ao segundo numa dissertação sob o infinitamente pequeno e o infinitamente grande na vida. "Imaginai que um grãozinho de pimenta, no qual se percebe, por meio do microscópio, milhões de anímálculos tenha suas partes proporcionais em tudo às partes de nosso mundo, quer dizer seu Sol, suas estrelas fixas, seus planetas com os satélites, sua Terra, com suas montanhas, seus campos, suas florestas, seus rochedos, seus rios, seus lagos, seus mares e seus diversos animais; julgais que os habitantes desse grãozinho de pimenta, esses piperícolas, que perceberiam todos os objetos sob o mesmo ângulo visual, e, em consequência, com o mesmo tamanho que vemos os nossos não conseguiriam imaginar que fora de seu grão não existe nada, pelo mesmo direito com que pensamos que nosso mundo encerra todas as coisas?

Pois que razão, ou que experiência teriam eles que os persuadiria do contrário, e que fizesse conhecer a esses pequeninos animais que existe outro mundo incomparavelmente maior que o deles, com habitantes incomparavelmente maiores que os deles? Ora, creio que possa existir na natureza animais que sejam em tamanho, também superiores a nós e a nossos animais ordinários, como nós e nossos animais somos superior aos animálculos. Vou ainda mais longe, e digo que podem existir animais incomparavelmente maiores que estes; e coloco outros tantos degraus subindo quantos encontrei ao descer, pois não vejo por que nós e nossos animais deveríamos instituir o degrau mais elevado."

— "Quanto a mim", respondia-lhe Leibniz, "não receio asseverar que haja no Universo animais que estejam, em tamanho, tanto acima dos nossos quanto os nossos estão acima dos animálculos que se descobrem só com o auxílio de um microscópio; pois a natureza não conhece ponto final. Reciprocamente pode acontecer, e mesmo deve acontecer, que haja nos pequenos grãos de poeira, nos menores átomos, mundos que não sejam Inferiores ao nosso em beleza e em variedade."

Estas assertivas podem parecer singulares; o positivismo de nosso século nos manteve em guarda contra elas. Poucos filósofos as aceitam hoje em dia; todavia, em princípio, elas são cientificamente admissíveis, pois as deduções a que elas nos levam repousam sobre fatos incontestáveis de micrografia e de análise.

Digamos mais, afirmemos tudo, e não receemos colocar como princípio a relatividade essencial das coisas. Por que não dizê-lo? A ciência humana toda, do alfa ao ômega de nossos conhecimentos, é apenas o estudo das relações. Não há um só ponto absoluto no edifício de nossas ciências, por mais maravilhoso que isto possa parecer.

A mente humana procura conhecer relações; eis tudo o que pode ousar; cada um de seus conceitos se encontra no meio de uma linha que se perde no alto e embaixo, no infinitamente grande e no Infinitamente pequeno: é na medida do infinito que reside toda a ciência, e é a comparação das coisas a uma unidade arbitrária tomada como base que resulta o valor de nossos conhecimentos. A física do Universo, sob a correlação de forças que sem cessar transformam sua ação através da substância, não poderia nos fornecer um só elemento em repouso que pudéssemos tomar como ponto de partida absoluto em nossas pesquisas sobre a natureza. (...)

10 - Caminho Verdade e vida - Emmanuel - pág. 17

1. O TEMPO
"Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz." - Paulo (Romanos, 14:6)
A maioria dos homens não percebe ainda os valores infinitos do tempo. Existem efetivamente os que abusam dessa concessão divina. Julgam que a riqueza dos benefícios lhes é devida por Deus. Seria justo, entretanto, interrogá-los quanto ao motivo de semelhante presunção.

Constituindo a Criação Universal patrimônio comum, é razoável que todos gozem as possibilidades da vida; contudo, de modo geral, a criatura não medita na harmonia das circunstâncias que se ajustam na Terra, em favor de seu aperfeiçoamento espiritual. É lógico que todo homem conte com o tempo mas, se esse tempo estiver sem luz, sem equilíbrio, sem saúde, sem trabalho?

Não obstante a oportunidade da indagação, importa considerar que muito raros são aqueles que valorizam o dia, multiplicando-se em toda a parte as fileiras dos que procuram aniquilá-lo de qualquer forma. A velha expressão popular "matar o tempo" reflete a inconsciência vulgar, nesse sentido.

Nos mais obscuros recantos da Terra, há criaturas exterminando possibilidades sagradas. No entanto, um dia de paz, harmonia e iluminação, é muito importante para o concurso humano, na execução das leis divinas. Os interesses imediatistas do mundo clamam que o "tempo é dinheiro", para, em seguida, recomeçarem todas as obras incompletas na esteira das reencarnações...

Os homens, por isso mesmo, fazem e desfazem, constroem e destroem, aprendem levianamente e recapitulam com dificuldade, na conquista da experiência. Em quase todos os setores de evolução terrestre, vemos o abuso da oportunidade complicando os caminhos da vida; entretanto, desde muitos séculos, o apóstolo nos afirma que o tempo deve ser do Senhor.

11 - Cartas e crônicas - Irmão X - pág. 51

11 - Serviço e tempo
A senhora Juvercina Trajano era um prodígio de minudências. Aos quase sessenta de idade, reafirmava a sua condição de missionária do Cristo, no amparo à infância, com particularidades preciosas de informação. Espírita fervorosa, sabia-se reencarnada para o desempenho de grande tarefa. Cabia-lhe socorrer crianças desprotegidas. Antevia a obra imensa. Mentalizava-se rodeada de pequeninos a lhe rogarem ternura. Enternecia-se ao narrar as próprias recordações da sua vida de Espírito, antes do berço, pois Dona Juvercina chegava a lembrar-se do tempo em que se via, no Plano Espiritual, preparando a existência física em que se reconhecia habilitada ao grande empreendimento.

Revia-se em companhia de vários benfeitores desencarnados, visitando instituição assistencial de zonas inferiores e anotando dezenas de Espíritos, positivamente desorientados e infelizes, aos quais prestaria auxílio eficiente, depois de reinstalada na Terra. E a senhora Trajano explicava, vezes e vezes, para os amigos admirados:— Torno a ver o sítio escuro e esquisito, como se fosse agora... Um vale extenso, repleto de almas agoniadas, necessitando retomar a experiência do mundo, à feição de alunos aguardando ansiosamente os benefícios da escola. Creiam que ouço ainda a voz do instrutor paternal que me dizia ser o Irmão Ambrósio, a falar-me confiantemente:

— «Sim, minha irmã, você renascerá na Terra com a missão de patrocinar crianças em abandono, será benfeitora maternal dos filhinhos da expiação e do sofrimento.. . Deste recanto de aprendizado, partirão oitenta Espíritos transviados, mas sequiosos de esclarecimento e de amor, ao encontro de seus braços... Você organizará para eles um lar regenerador. Não lhe faltarão recursos para situá-los no ambiente preciso. Volte à Terra e trabalhe. . .

Compreenda que para assegurar os alicerces de sua obra, você carregará a responsabilidade sobre o reajuste de oitenta irmãos nossos, desorientados e enfermos que tomarão, depois de você, o corpo carnal para o esforço restaurativo. . . Seguirão eles, a pouco e pouco, sob nossa vigilância, na direção de seu carinho!...»

A senhora Trajano alinhava reminiscências, entre entusiasmada e comovida. E, realmente, desde os trinta e dois de idade, iniciara, com êxito, a construção de um lar para os rebentos do infortúnio. O empreendimento, lançado por ela em terreno fértil, encontrara a melhor acolhida. Corações nobres haviam chegado, colocando-lhe nas mãos os recursos imprescindíveis. Facilidades, ofertas, dinheiro e cooperação.

Em cinco anos, erguera-se o vasto domicílio, simples sem penúria e confortável sem excesso. Juvercina, todavia, se fizera exigente e, por isso, conquanto a casa se patenteasse digna e pronta, prosseguia descobrindo detalhes que considerava de especial importância. Nunca se sentia com bastante conforto para albergar as dezenas de crianças desventuradas que lhe batiam às portas. Depois do edifício acabado, quis aumentá-lo.

Efetuados numerosos acréscimos, reclamou mais terras. Compradas as terras, decidiu a formação de pomares. Multiplicaram-se campanhas, projetos, apelos e doações. Mas não ficou nisso. Resolveu modificar, por várias vezes, o sistema de água, a iluminação, a estrutura das paredes, os tetos e os pisos. Deliberou experimentar sementeiras diferentes, em hortas e jardins, reformando-as, insatisfeita. Quando tudo fazia prever a inauguração, solicitou varandas e pérgulas, além de galpões e caprichosas calçadas.

Se a obra não se alterava por dentro, surgiam as novidades de fora. E vinte e seis anos passaram na expectativa... Todo esse tempo se desdobrara em pormenores e pormenores, quando, na reunião mediúnica semanal de que era ela companheira solícita, compareceu, por um dos médiuns psicofônicos, o Irmão Ambrósio em pessoa. Partilhando a surpresa dos circunstantes, Dona Juvercina chorou, empolgada. Aquela voz... Conhecia aquela voz...

O mensageiro exortou-a ao cumprimento da promessa e explanou, com elegância e beleza, sobre as necessidades da infância, no estágio da reencarnação terrestre. Juvertina escutou e escutou, mas, percebendo que a palavra do instrutor continha para ela expressiva inflexão de advertência, indagou, respeitosa, quando o comunicante se dispunha a despedir-se:

— Irmão Ambrósio, não estarei sendo leal a mim mesma? O irmão admite que me mantenho fiel às obrigações que abracei? O interlocutor fixou inesquecível gesto de brandura e respondeu com a bondade de um pai que aconselha uma filha:— Sim, minha irmã, você tem sido muito exata no programa traçado, tem trabalhado e sofrido pela obra, mas não se esqueça do tempo... As horas são empréstimos preciosos!...

E acrescentou sob o espanto geral:— Trinta Espíritos necessitados de recondução e assistência, dos oitenta que você se comprometeu a socorrer e reeducar, são agora delinquentes de novo... Dois são obsidiados perigosos na via pública, seis estão fichados por doentes mentais em penitenciárias e os restantes vinte e dois se encontram, internados em diversas cadeias.

12 - Conduta Espirita - André Luiz - pág. 131

38. PERANTE O TEMPO
Em nenhuma condição, malbaratar o tempo com polêmicas e conversações estéreis, ocupações fantasistas e demasiado divertimento. Desperdiçar tempo é esbanjar patrimônio divino.

Auto disciplinar-se em todos os cometimentos a que se proponha, revestindo-se do necessário discernimento. "Fazer muito" nem sempre traduz "fazer bem".

Fugir de chorar o passado, esforçando-se por reparar toda ação menos correta. O passado é a raiz do presente, mas o presente é a raiz do futuro.

Afastar aflições descabidas com referência ao porvir, executando honestamente os deveres que o mundo lhe designa no minuto que passa. O "amanhã" germinará das sementes do "hoje".

Quanto possível, plasmar as resoluções do bem no momento em que surjam, de vez que, posteriormente, o campo da experiência pode modificar-se inteiramente. Ajuda menos, quem tarde serve.

Ainda que assoberbado de realizações e tarefas, jamais descurar o bem que posa fazer em favor dos outros. Quando procuramos o bem, o próprio bem nos ensina a encontrar o "tempo de auxiliar".

"Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo sempre está pronto." - Jesus (João, 7:6)

15 - Emmanuel - Emmanuel - pág. 170

Pergunta: O espaço e o tempo serão apenas formas viciosas do intelecto, ou terão uma expressão objetiva no esquema da realidade pura? E, neste último caso, quais serão as relações fundamentais entre espaço e tempo?

Resposta: No esquema das realidades eternas e absolutas, tempo e espaço não têm expressões objetivas; se são propriamente formas viciosas do vosso intelecto, elas são precisas ao homem como expressões de controle dos fenômenos da sua existência. As figuras, em cada plano de aperfeiçoamento da vida, são correspondentes à organização através da qual o Espírito se manifesta.

17 - Estude e viva - Emmanuel e André Luiz - pág. 24, 128

Hoje e nós
Tempo e nós, vida e alma. Nós e hoje, alma e vida. Tempo, capital inesgotável ao nosso dispor. Hoje, cheque em branco que podemos emitir, sacando recursos, conforme a nossa vontade.

Comparemos a Providência Divina a estabelecimento bancário, operando com reservas ilimitadas, em todos os domínios do mundo. Pela Bolsa de Causa e Efeito, cada criatura retém depósito particular, com especificação de débitos e haveres, nitidamente diversos, mas, pela Carteira do Tempo, todas as concessões são iguais para todos.

Para sábios e ignorantes, felizes ou menos felizes, a hora se constitui do valor matemático e invariável de sessenta minutos. Hoje é a partícula de crédito que possuis, em condomínio perfeito com todos aqueles que conheces e desconheces, que estimas ou desestimas, dom que te cabe, a fim de angariares novos dons.

Aproveita, assim, o agora em renovação e promoção. Renovação é progresso, promoção é serviço. Não te prendas ao passado por aquilo que o passado te apresenta de cadeias e sombras e nem te transtornes pelo futuro por aquilo que o futuro encerre de fantasia ou de incerteza.

Pelas forças do espírito, estamos enredados aos pensamentos do pretérito, à feição do corpo físico que permanece saturado de agentes da hereditariedade. Conquanto vinculados aos nossos ancestrais, nenhum de nós é chamado à Terra para reproduzir a existência deles, e, por muito devamos às idéias dos instrutores que nos estenderam auxílio, estamos convocados a expressar as nossas.

Respeitemos quantos nos ajudaram e dignifiquemos os pioneiros do bem que nos prepararam caminho; no entanto, sejamos nós próprios.

Espíritos eternos, saibamos construir a nossa felicidade pelo atendimento às leis de amor e justiça. Esquecer o mal e fazer o bem, estudar e realizar, trabalhar e servir, renovar e aperfeiçoar sempre e infatigavelmente. Para isso, refutamos: o ontem ter-nos-á trazido a luz da experiência e o amanhã decerto que nos sugere luminosa esperança. A melhor oportunidade, entretanto, não se chama ontem nem amanhã. Chama-se hoje. Hoje é o dia.

Em tudo
Em tudo o aprendiz do Evangelho encontra ensejo de empregar a orientação da fraternidade pura.
Escolhendo métodos para estudo.
Mantendo persistência no serviço em favor do próximo.
Elegendo a serenidade por norma de cada dia.

Burilando ideais sadios na ação de interesse geral.
Aplicando teoria e prática do bem nas tarefas mais simples.
Anotando por si mesmo a verificação das próprias deficiências.

Exprimindo gratidão operante.
Sustentando intenções nobres constantemente.
Defendendo a valorização efetíva das qualidades respeitáveis dos companheiros que o cercam.

Apresentando a doação espontânea de concurso pessoal a benefício dos outros.
Portanto, jamais percamos a visão central da meta superior a que nos dirigimos.
Com Jesus, estamos empenhados em trabalho ideal de equipe, no esforço máximo de construtividade pela eficiência da alma no culto do amor vivo e pela criação da felicidade para todas as criaturas.


Na hora da crítica
Salientamos a necessidade de moderação e equilíbrio, ante os momentos menos felizes dos outros; no entanto, há ocasiões em que as baterias da crítica estão assestadas contra nós.

Junto de amigos quanto de opositores, ouvimos objurgatórias e reprimendas e, não raro, tombamos mentalmente em revolta ou depressão.

Azedume e abatimento, porém, nada efetuam de construtivo. Em qualquer dificuldade, irritação ou desânimo apenas obscurecem situações ou complicam problemas.

Atingidos por acusação e censura, convém estabelecer minucioso auto-exame. Articulemos o intervalo preciso, em nossas atividades, a fim de orar e refletir, vasculhando o imo da própria alma. Analisemos, sem a mínima compaixão por nós mesmos, todos os acontecimentos que nos ditam a orientação e a conduta, sopesando fatos e desígnios que motivaram as advertências em lide, com rigorosa sinceridade.

Se o foro íntimo nos aponta falhas de nosso lado, tenhamos suficiente coragem a fim de repará-las, seja solicitando desculpas aos ofendidos ou diligenciando meios de sanar os prejuízos de que sejamos causadores. Entanto, se nos identificamos atentos ao dever que a vida nos atribui, se intenção e comportamento nos deixam seguros, quanto ao caminho exato que estamos trilhando em proveito geral e não em exclusivo proveito próprio, saibamos acomodar-nos à paz e à conformidade.

E, embora reclamação e tumulto nos cerquem, prossigamos adiante, na execução do trabalho que nos compete, sem desespero e sem mágoa, convencidos de que, acima do conforto de sermos imediatamente compreendidos, vige a tranquilidade da consciência, no cumprimento de nossas obrigações .

Três conclusões
O tempo concedido ao Espírito para uma reencarnação, por mais longo, é sempre curto, comparado ao serviço que somos chamados a realizar. Importante, assim, o aproveitamento das horas. Meditemos no gasto excessivo de forças em que nos empenhamos levianamente no trato com assuntos da repartição de outrem.

Quantos milhares de minutos e de frases esbanjamos por década, sem a mínima utilidade, ventilando temas e questões que não nos dizem respeito ? Para conjurar essa perda inútil, refutamos em três conclusões de interesse fundamental.

O que os outros pensam — Aquilo que os outros pensam é idéia deles. Não podemos usufruir-Ihes a cabeça para imprimir-lhes as interpretações que são capazes diante da vida. Um indígena e um físico contemplam a luz, mantendo conceitos absolutamente antagônicos entre si.

Acontece o mesmo na vida moral. Precisamos nutrir o cérebro de pensamentos limpos, mas não está em nosso poder exigir que os semelhantes pensem como nós.

O que os outros falam — A palavra dos amigos e adversários, dos conhecidos e desconhecidos, é criação verbal que lhes pertence.
Expressam-se como podem e comentam as ocorrências do dia-a-dia com os sentimentos dignos ou menos dignos de que são portadores.

Efetivamente, é dever nosso cultivar a conversação criteriosa; contudo, não dispomos de meios para interferir na manifestação pessoal dos entes que nos cercam, por mais caros nos sejam. O que os outros fazem — A atividade dos nossos irmãos é fruto de escolha e resolução que lhes cabe.

Sabemos que a Sabedoria Divina não nos criou para cópias uns dos outros. Cada consciência é domínio à parte.
As criaturas que nos rodeiam decerto que agem com excelentes intenções, nessa ou naquela esfera de trabalho, e, se ainda não conseguem compreender o mérito da sinceridade e do serviço ao próximo, isso é problema que lhes compete e não a nós.

Fácil deduzir que não podemos fugir da ação nobilitante, a benefício de nós mesmos, mas não nos compete impor nas decisões alheias, que o próprio Criador deixa livres.

A vista disso, cooperemos com os outros e recebamos dos outros o auxílio de que carecemos, acatando a todos, mas sem perder tempo com o que possam pensar, falar e fazer. Em suma, respeito para os outros e obrigação para nós.

19 - Fonte viva - Emmanuel - pág. 33

10 - CERTAMENTE
"Certamente cedo venho." — (APOCALIPSE, 22:20.)
Quase sempre, enquanto a criatura humana respira na carne jovem, a atitude que lhe caracteriza o coração para com a vida é a de uma criança que desconhece o valor do tempo.

Dias e noites são curtos para a internação em alegrias e aventuras fantasiosas. Engodos mil da ilusão efêmera lhe obscurecem o olhar e as horas se esvaem num turbilhão de anseios inúteis. Raras pessoas escapam de semelhante perda.

Geralmente, contudo, quando a maturidade aparece e a alma já possui relativo grau de educação, o homem reajusta, apressado, a conceituação do dia. A semana é reduzida para o que lhe cabe fazer.

Compreende que os mesmos serviços, na posição em que se encontra, se repetem a determinados meses do ano, perfeitamente recapitulados, qual ocorre às estações de frio e calor, floração e frutescência para a Natureza.

Agita-se, inquieta-se, desdobra-se, no afã de multiplicar as suas forças para enriquecer os minutos ou ampliá-los, favorecendo as próprias energias. E, comumente, ao termo da romagem, a morte do corpo surpreende-o nos ângulos da expectativa ou do entretenimento, sem que lhe seja dado recuperar os anos perdidos.

Não te embrenhes, assim, na selva humana, despreocupado de tua habilitação à luz espiritual, ante o caminho eterno. No penúltimo versículo do Novo Testamento, que é a Carta do Amor Divino para a Humanidade, determinou o Senhor fosse gravada pelo apóstolo a sua promessa solene: — "Certamente, cedo venho." Vale-te, pois, do tempo e não te faças tardio na preparação.

21 - Jesus no lar - Néio Lúcio - pág. 99

22 - O talismã divino
Entabularam os familiares interessante palestra, acerca das faculdades sublimes de que o Mestre dava testemunho amplo, curando loucos e cegos, quando Isabel, a zelosa genitora de João e Tiago, indagou, sem preâmbulos:

— Senhor, terás contigo algum talismã de cuja virtude possamos desfrutar? algum objeto mágico que nos possa favorecer? Jesus pousou na matrona os olhos penetrantes e falou, risonho:

— Realmente, conheço um talismã de maravilhoso poder. Usando-lhe os milagrosos recursos,
é possível iniciar a aquisição de todos os dons de Nosso Pai. Oferece a descoberta dos tesouros do amor que resplandecem ao redor de nós, sem que lhes vejamos, de pronto, a grandeza.

Descortina o entendimento, onde a desarmonia castiga os corações. Abre a porta às revelações da arte e da ciência. Estende possibilidades de luminosa comunhão com as fontes divinas da vida. Convida à bênção da meditação nas coisas sagradas. Reata relações de companheiros em discordância.

Descerra passagens de luz aos espíritos que se demoram nas sombras. Permite abençoadas sementeiras de alegria. Reveste-se de mil oportunidades de paz com todos. Indica vasta rede de trilhos para o trabalho salutar. Revela mil modos de enriquecer a vida que vivemos.

Facilita o acesso da alma ao pensamento dos grandes mestres. Dá comunicações com os mananciais celestes da intuição.— Que mais? — disse o Senhor, imprimindo ênfase à pergunta.

E após sorrir, complacente, continuou:— Sem esse divino talismã, é impossível começar qualquer obra de luz e paz na Terra. Os olhos dos ouvintes permutavam expressões de assombro, quando a esposa de Zebedeu inquiriu, espantada:

— Mestre, onde poderemos adquirir semelhante bênção? Dize-nos. Precisamos desse acumulador de felicidade. O Cristo, então, acrescentou, bem-humorado: — Esse bendito talismã, Isabel, é propriedade comum a todos. É «a hora que estamos atravessando»...

Cada minuto de nossa alma permanece revestido de prodigioso poder oculto, quando sabemos usá-lo no Infinito Bem, porque toda grandeza e toda decadência, toda vitoria e toda ruína são iniciadas com a colaboração do dia.

E diante da perplexidade de todos, rematou: -O tempo é o divino talismã que devemos aproveitar.


22 - Justiça Divina - Emmanuel - pág. 170, 191

Corações venerados
Reunião pública de 10-11-61 1ª Parte, cap. XI, item 12
à medida que os anos terrestres te alongam a experiência, registras, com mais intensidade, na câmara da memória, a presença dos que partiram.

Ah! os mortos que te guiaram ao bom caminho!... São eles as vozes do passado que te chegam, puras, ao coração. Lembram-te o berço perdido, junto às maternas canções que te embalavam para o repouso, os ensinamentos do lar que te guardavam a meninice, o carinho dos irmãos que beijavas na alegria transparente da infância, o sorriso dos mais velhos que te abençoavam em oração !...

Falam-te dos passos cambaleantes da idade tenra, das primeiras garatujas que traçaste na escola, dos afetos da juventude, dos laços inolvidáveis dos quais te despediste, chorando, na hora extrema!...

Não te rendas, contudo, ao desespero, se o frio da ausência parece constituir a única resposta da vida aos anseios que te fluem da inquietação.

Deixa que a prece te converta o espinheiral da saudade em jardim de esperança, porque, todos eles, os corações venerados que te precederam no portal da grande sombra, aguardam-te jubilosos, no imenso país da luz.

Entretanto, para que lhes partilhes o banquete de paz e amor, é necessário perlustres a senda de trabalho e abnegação que te abriram aos pés.

Abraça-lhes o exemplo de sacrifício com que te iluminaram o entendimento e pede-lhes para que te inspirem a caminhada. Não temas, sobretudo, o avanço das horas.

O tempo que traz o inverno cinzento e triste é o mesmo que acende os lumes e ostenta as flores da primavera. A existência, no plano físico, é comparável à travessia de grande mar. O corpo é a embarcação.

A morte é o porto de acesso a lides renovadoras. Tudo o que fazes segue à frente de ti, esperando-te, além, na estação de destino. Vive, assim, a realizar o melhor que puderes, de vez que, se te consagras ao bem, em verdade não fugirás à passagem da noite, mas todos aqueles que, um dia, te conduziram ao bem ser-te-ão novas luzes no instante do alvorecer.


Diante do tempo
- Reunião pública de 15-12-61 19 Parte, cap. V, item 5
Contempla o mundo a que voltaste, através da reencarnação, para resgatar o passado e construir o futuro. Sol que brilha, nuvem que passa, vento que ondula, terra expectante, árvore erguida, fonte que corre, fruto que alimenta e flor que perfuma utilizam a riqueza das horas para servir.

Aproveita, igualmente, os minutos, para fazeres o melhor. Perdeste nobres aspirações em desenganos esmagadores; no entanto, as esperanças renascem no coração dilacerado, à maneira de rosas sobre ruínas.

Perdeste créditos valiosos na insolvência passageira que te aflige o caminho; todavia, o trabalho dar-te-á recursos multiplicados para conquistas novas.

Perdeste felizes ocasiões de prosperidade e alegria, à vista da calúnia com que te ferem, mas, no culto da tolerância, removerás a maledicência, demandando níveis mais altos.

Perdeste familiares queridos que te largaram à solidão; no entanto, recuperá-los-ás tão logo consigas sazonar os frutos do entendimento, na esfera da própria alma.

Perdeste afetos sublimes na fronteira da morte; todavia, reaverás todos eles, um dia, quando te sentires de espírito libertado, nos planos da Grande Luz.

Perdeste dons preciosos, na enfermidade que te flagela, mas o próprio corpo físico é santuário que se refaz. Observa, contudo, o que fazes do tempo e vale-te dele para instalar bondade e compreensão, discernimento e equilíbrio, em ti mesmo, porque o dia que deixas passar, vazio e inútil, é, realmente, um tesouro perdido que não mais voltará.