TENDÊNCIAS
BIBLIOGRAFIA
01- BUSCA DO CAMPO ESPIRITUAL PELA CIÊNCIA, PAG. 128 02 - DINÂMICA PSI, PAG. 89
03 - EDUCAÇÃO DO ESPÍRITO, PAG. 67 70 04 - EDUCAÇÃO PARA A MORTE, PAG. 48
05 - ENFOQUES CIENTÍFICOS NA DOUTRINA ESPÍRITA, PAG. 38, 83 110 06 - FISIOLOGIA TRANSDIMENSIONAL, PAG. 171
07 - IMPULSOS CRIATIVOS DA EVOLUÇÃO, PAG. 188 08 - PSIQUISMO: FONTE DA VIDA, PAG. 75, 130

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TENDÊNCIAS – COMPILAÇÃO

01 - TENDÊNCIAS

Reminiscências e Tendências

Antes de entrarmos no tema vamos ver o que o dicionário nos traduz:

Reminiscências: Recordação,Memória,lembrança.

Tendência:Vontade natural, que se reflete no comportamento do indivíduo muitas vezes sem a sua consciência.

E vamos encontrar no “O Livro dos Espíritos” Cap V no item entitulado Retorno à Vida Corporal a informação de que todos os homens, trazem de vidas pregressas tendências instintivas que constitue grande parte da atividade mental do homem, de forma inconsciente, incontrolada, impulsiva e muitas vezes irresistível.

Obs.: Qual de nós que nunca, levados por um impulso incontrolável, cometeu um ou outro equívoco?

Quantas vezes um acontecimento pequeno nos trás grandes emoções enquanto outros maiores, nada significam?

Isto porque trazemos reminiscências e tendências de outras encarnações. Defeitos adormecidos em nosso inconsciente que são liberados quando acionados por pequenos fatos que reacendem nossa mente.

Quando Jesus, sabiamente nos disse, Vigiai e Orai... Referia-se a nossa observância diária de nossos pensamentos, gestos e palavras.

No livro de Ney Prieto Peres, objeto de nosso estudo, o autor nos trás dicas, textos e testes interessantes para que possamos identificar este ou aquele “defeito” que ainda não identificamos em nossa personalidade.

Afirma que é muito grande o acervo de experiências marcantes que se gravaram em nosso espírito através de múltiplas reencarnações.

Como se processa

A mente é a central geradora de forças sediada no espírito, nela registram-se as impressões criadas nas experiências vividas em todas as épocas e ali ficam armazenadas como que em um computador. Nossa mente é um magnífico computador!

Estas experiências guardadas podemos traduzir como, emoções, idéias, sons, odores e diversas ações boas ou não vividas em outras encarnações. Quando acionadas a memória adormecida vem à tona e nos levamo-nos por emoções sequer compreendidas. Ex. Um leão...transformar em um leãozinho

Obs.: No Livro “Evolução para o 3º. Milênio” de Carlos Toledo Rizzini no Cap. 5 diz que todo impulso ou desequilibio trata-se de um estado de excitação do Sistema Nervoso Central, que é a um estímulo interno ou externo, o qual poderá ser uma pessoa, uma cena, uma conversa, uma palavra, insultos, bebida...”

Todo tipo de vicio, seja ele o álcool, o fumo, sexualidade exacerbada pode sim terem sido reminscências de nosso passado.

Bebida Imaginem vocês que um homem, encarnou para ressarcir débitos adquiridos em virtude do seu vício do álcool, como ele ainda encarnou sem ter resolvido esta sua problemática ele terá sim tendência a recair no mesmo erro.

Sexo Um homem que têm tendências ao sexo exacerbado igualmente deverá controlar seus impulsos centralizando e liberando suas energias genésicas de uma forma salutar com a prática de esportes, trabalho na caridade, estudos diversos.

Deixamos aqui uma observação para que pais e tutores atentem também para este aspecto educacional, crianças que tenham a libido aflorada prematuramente deverão ser direcionadas corretamente. Estamos em outras épocas, não podemos fechar os olhos aos acontecimentos ou seus tutores , pais e a própria sociedade sofrerá as conseqüências de uma má educação.

Porque a Espiritualidade Permite nossa recaída Como prova a espiritualidade poderá testá-lo ou não... E poderá ele falir ou não... Não existe uma fórmula mágica capaz de identificar isto ou aquilo...Muitas vezes o próprio espírito escolhe difíceis provas e a Espiritualidade nos intui a buscarmos caminhos retos mas muitas vezes preferimos outros atalhos ...

À Prática de Esportes Certa ocasião, perguntaram a Chico Xavier sobre a razão da prática de esportes como o futebol e Emmanuel respondeu que como o homem tem ainda instintos e energias não tão salutares dentro de si e faz-se necessário sua liberação. Sabiamente a espiritualidade intui e promove à prática de esportes de forma à “gastar” estas energias.

Voltando aos impulsos instintivos, podemos exemplificar com inúmeros exemplos nos livros de A.Luiz que afirma que nosso antagonistas invisíveis sabem muito bem onde somos mais fracos e nos estimulam para que caiamos no erro novamente.

No livro Sexo e Destino o personagem Cláudio é levado à prática de incesto com a própria filha recebendo influência direta de um espíritos obsessor.

Como nos livramos de tais influenciações Quanto mais elevado for nossos pensamentos menos somos influenciados de forma equivocada. Mas para isto faz-se necessário contínuo exercício de elevação vibracional. Somos influenciados tanto p/ o bem quanto para o mal. No caso de inclinações negativas, se não trabalharmos isto cometeremos os mesmos erros com certa freqüência.

Obs.: O espírito Emmanuel, no livro Leis de Amor, explica o sofrimento humano à luz da Doutrina Espírita nos mostrando que para cada atitude equivocada teremos mais adiante um desafio a se resolver - Fazendo-se valer a lei da Causa e Efeito.

I-No que diz respeito as Causas espirituais das doenças

Emmanuel afirma que grande maioria das doenças tem a sua causa espiritual. Qdo o espírito age erradamente, nesse ou naquele setor da experiência evolutiva o leva a determinadas enfermidades.

Muitas vezes o Espírito, antes de reencarnar-se visando à própria melhoria, escolhe ter esta ou aquela dificuldade de ordem física para que tenha sucesso na atual encarnação.
Exs.:

1.Alcoólatra da vida pretérita / Problema no fígado hoje

2,Oradores que influenciam outros negativamente / Deficiências auditivas e verbal a fim de garantir q/ele não recaia no mesmo erro.

3.Abusos de ordem sexual / Inibições de ordem genésicas a fim de conter nossos impulsos inferiores.

Mas nem sempre o Espírito requisita determinadas enfermidades há ainda numerosos casos de doenças compulsórias, impostas pela Lei Divina.

II – Emmanuel tb explica razão de tantos sofrimentos de ordem familiar:

Lembrando que no Mundo o lar é a primeira escola de reabilitação e reajuste, onde iremos aprender e ensinar , dividir para multiplicar...

1.Quase sempre, os pais ausentes de hoje são aqueles filhos do passado que desprezamos com total intolerância.

2.O marido desleal, em muitas circunstâncias, é o mesmo esposo do pretérito, que desrespeitamos com exemplos menos felizes.

3.Os parentes abnegados, em que nos escoramos, são os amigos de outras eras, com os quais já construímos os sólidos alicerces da amizade e do entendimento, proporcionando-nos o reconforto da segurança recíproca.

“Cada elo de simpatia ou cada sombra de desafeto, que surpreendemos na família ou na atividade profissional, são forças do passado a nos pedirem mais amplas afirmações de trabalho na vitória do bem.” Emmanuel

Vamos então nos armarmos de coragem, perseverança e fé de que tudo concorre para nossa evolução mas cabe a cada um de nós fazermos a nossa parte para que o mundo se torne mais suave e nossa vida mais feliz!

02 - TENDÊNCIAS

Por Denizard de Souza

O tema da contemporaneidade ou atualidade cultural, representa um grande desafio à compreensão histórica e social de uma época. Afinal, trata-se da tentativa de “decifrar” os caminhos sociais e as tendências culturais de um período histórico, que em boa medida é organizado no seu contexto de espaço e tempo.

Tal empreendimento de estudo, diz respeito à necessidade de compreendermos o “momento histórico” em que vivemos e as diferentes modalidades de organização da vida nos mundos sociais contemporâneos ao nosso.

Neste sentido, o contemporâneo é sempre plural, porquanto as tendências culturais de uma sociedade não se repetem necessariamente noutro contexto, podendo inclusive a pluralidade significar diferentes ritmos históricos, econômicos, sociais, comportamentais e éticos.

Pode parecer estranho, falar de atualidades culturais em termos de tendências plurais, sobretudo nestes tempos de globalização econômica e comunicacional, mas é exatamente dessa forma que vamos debater este assunto neste artigo.

Se a questão da cultura contemporânea é uma preocupação generalizada da humanidade que experimenta o impacto das mudanças econômicas, tecnológicas, políticas e sociais, não pode ser menos relevante para nós espíritas, sobretudo quando consideramos que Allan Kardec, ao organizar o sistema teórico-metodológico do Espiritismo no século XIX, manteve um diálogo cultural intenso com as principais tendências filosóficas e científicas do seu tempo bem como propôs que o Espiritismo “lançasse luz sobre todas as questões da economia social”.

Kardec em “O que é o Espiritismo” e na Revista Espírita analisou inúmeros problemas filosóficos do seu tempo e esclareceu questões práticas, sociais, buscando apresentar a “Solução de alguns problemas com Auxílio da Doutrina Espírita”. (O Que é o Espiritismo, cap.III, Allan Kardec).

As formas de organização do mundo social contemporâneo e as práticas culturais do nosso tempo têm sido definidas de muitas maneiras: pós-modernidade, sociedades-em-rede, sociedade pós-industrial, sociedade da informação e do conhecimento, sociedades de consumo, sendo que, tais denominações foram elaboradas no contexto das mudanças porque passa o mundo em vias de globalização.

É possível identificar no contexto da globalização econômica, o esvaziamento político-social de algumas categorias tipicamente modernas: o “estado-nação”, que enfraquecido, perde em controle econômico e fonte social de identidades coletivas; a crise da ciência moderna, enquanto razão universal, face à diversidade de tradições culturais não-ocidentais; o deslocamento do eixo da economia industrial para o âmbito da “Informação”. O que se observa é um esforço dos cientistas sociais e historiadores em compreender as conseqüências políticas, culturais e éticas da formação de uma sociedade mundial.

A cultura contemporânea em sua complexidade é simultaneamente tecnocientífica e mística, global e local, tecnológica e tradicional, democrática e fundamentalista, racional e dogmática. Assim sendo, ela reflete as novas maneiras de “organizar os mundos sociais” os quais estão ideologicamente fragmentados, esteticamente plurais, voltados ao espírito de “seita” em desfavor da “Religião oficial”, economicamente integrados, interligados pelo regime tecnológico da comunicação em redes, com a hegemonia crescente da cultura de consumo e finalmente vivendo a crise de valores da atualidade: a perda das referências nacionais, ideológicas, religiosas, filosóficas, políticas e éticas do nosso tempo. Nestas rápidas considerações temos algumas características do cenário cultural contemporâneo.

O Espiritismo nasceu com a modernidade, no berço cultural da nova civilização industrial e democrática, na França da segunda metade do século XIX e por conseqüência disso traz em sua identidade a marca cultural desse contexto, sua síntese e superação.

Graças ao espírito transcendental do pensamento de Kardec, a metodologia original que desenvolveu no estudo dos fenômenos espirituais (Análise Sintética, interface entre racionalidade e transcendência, verificação experimental e diálogo transcendental com os espíritos, análise dos fatos mediúnicos e interpretação complexa dos fenômenos espirituais, em suas múltiplas dimensões), foi possível ao construtor do Espiritismo uma atitude intelectual autônoma face às limitações do materialismo filosófico e científico (Marxismo e Positivismo), ao dogmatismo religioso e a crença tradicionalista na fé cega (Cristandade tradicional).

Em verdade, não fosse a infidelidade de Kardec aos cânones do materialismo científico (filosofia da “ciência positiva”) e da religião tradicional, não seria possível o conhecimento de síntese da realidade que o Espiritismo proporciona. Neste aspecto da integração de linguagens científicas, filosóficas, religiosas, morais e espirituais, Kardec soube está à frente de seu tempo, transcender o contexto cultural da racionalização positivista.

Em outras palavras, o Espiritismo foi elaborado com um modelo de racionalidade aberta, progressiva, que soube integrar, conhecimentos científicos da época e paradigmas futuros. A partir disso, vejamos como é possível examinar o caráter de atualidade, aplicabilidade e contemporaneidade do Espiritismo. A Doutrina Espírita em sua abrangência é uma visão de complexidade da teia da vida, da espécie humana, da individualidade espiritual e do universo.

Neste sentido, o Espiritismo reúne dimensões de análise de diferentes culturas e períodos históricos da humanidade: da modernidade ocidental aplica a Racionalidade experimental, da Hermenêutica define o objeto de fé do Espiritismo, da Tradição cultural da Grécia Antiga explica a Imortalidade da alma, a Reencarnação, o Autoconhecimento, das Tradições milenares do oriente, converte o “Karma” determinista em Lei dinâmica da evolução, do Iluminismo torna transcendente as leis sociais do progresso, do extraordinário legado do Cristo recebeu a Lei universal do Amor e da herança espiritual da mediunidade A Comprovação e uma Interpretação inovadora destes grandes Fundamentos da Sabedoria Universal. Pelo visto, o Espiritismo está equipado para lidar com as questões e desafios do mundo contemporâneo.

A Física contemporânea identificou os limites da “ciência moderna” no esgotamento de seu paradigma unidimensional da matéria. A atualidade científica ou tecnológica trabalha na criação de equipamentos visando o aproveitamento e o controle de padrões de energia (“sutis”) da estrutura subatômica da matéria (universo quântico). Trata-se da desconstrução do velho materialismo científico, da superação da concepção Newton - cartesiana de mundo.

O Espiritismo na atualidade, através dos avanços da Transcomunicação instrumental (utilização de equipamentos eletrônicos para captar energias de planos espirituais) e por meio da investigação científica dos “Campos bio-magnéticos estruturadores das formas biológicas”, pode ser estudado em interface com a pesquisa da Física contemporânea e da biologia molecular, que há muito fez a integração entre o conceito de “unidades biológicas” e os “sistemas de auto-organização”, orientados por códigos e informações.

Em outro campo da cultura contemporânea, a opinião pública mundial redefiniu a perspectiva puramente econômica da idéia de progresso e luta por um desenvolvimento social sustentável, que integre de forma harmônica todos os componentes do ambiente social e natural nos benefícios do progresso.

O Espiritismo aplica o conceito reencarnacionista de forma ecológica, uma vez que demonstra a unidade das várias personalidades reencarnantes na individualidade espiritual, ou seja, estabelece um sentido de solidariedade entre as gerações, porquanto ao invés de usarmos os recursos do meio ambiente de forma sustentável visando os nossos descendentes, o fazemos visando a comunidade espiritual da qual participamos e que retorna para “herdar” no tempo e no espaço, os recursos do meio ambiente, “esgotados” ou “sustentados” conforme o uso.

O mundo contemporâneo assistiu estupefato os últimos ataques terroristas no WTC, indivíduos de tal modo “integrados na consciência coletiva” (“fanático-religiosa” de seu grupo), matam-se e assassinam milhares de pessoas “em nome de valores fundamentalistas”. Por outro lado, a aliança da OTAN, “capitalista-democrática”, emprega a retaliação em forma de bombardeio aéreo, provocando destruição e morte.

O Espiritismo desde o seu nascedouro assumiu uma visão hermenêutico-libertária da experiência da fé. Nas palavras do sábio francês, Allan Kardec, “O Espiritismo dirige-se àqueles que não crêem ou duvidam, e não aos que têm fé e aos quais essa fé é suficiente; não diz a quem quer que seja que renuncie às suas crenças para seguir as nossas, e nisto é conseqüente com os princípios de tolerância e de liberdade de consciência que professa”. (Revista Espírita, 1863, pág.367, Allan Kardec).

Como se vê, na posição adotada pelo codificador do Espiritismo há mais de 138 anos atrás, a Doutrina Espírita não tem pretensões conversionistas nem salvíficas muito menos assume uma perspectiva etnocêntrica. Ou seja, a visão espírita reconhece o significado da fé para àqueles que a professam e vivenciam, valorizando portanto a liberdade de consciência, a tolerância e a pluralidade das crenças, como algo saudável e desejável.

O Espiritismo oferece elementos de mudança do comportamento face à “cultura de consumo” da atualidade. Tal tipo de cultura é organizada como “vitrine social”, na qual os signos (“marcas de consumo”) simulam “qualidades estéticas, traços de personalidade, estilo de vida e valores morais”, que não apenas reproduzem o ciclo da economia capitalista como também constituem mundos sociais de aparência, sem valores éticos de profundidade.

No dizer de Kardec “a importância dada aos bens terrenos está sempre em razão inversa da fé na vida futura”. (Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec) Neste caso, o Espiritismo ao descrever, demonstrar, explicar e esclarecer, por meio da mediunidade, a vida futura, suas nuanças, a relação com a vida presente, o estado do ser humano espiritual, vivendo e agindo após a morte física; torna-se este conhecimento, convertido em prática social, um poderoso agente de transformação dos valores, crenças, estilos de vida, hábitos e comportamentos sociais.

Pelo que vimos, o Espiritismo em sua abrangência de abordagem das questões contemporâneas, sócio-espirituais, não dissocia o plano material do espiritual. Ao contrário, os estuda como sendo níveis ou aspectos de uma mesma realidade, contínua, interdependente, histórico-sócio-espiritual, evolutiva e mantida em processo de integração e desenvolvimento pelas Leis que regem a vida universal.

Bibliografia

ANDRADE, Hernani Guimarães. Psi Quântico, Uma Extensão dos Conceitos Quânticos e Atômicos à Idéia do Espírito, São Paulo, Ed. Pensamento, 1986.
CANCLINI, Néstor Garcia. Consumidores e Cidadãos, Conflitos multiculturais da globalização, Rio de Janeiro, Editora UFRJ, Quarta edição, 1999.
DOYLE, Arthur Conan. História do Espiritismo, São Paulo, Ed. Pensamento, 1995.
FEATHERSTON, Mike. Cultura de Consumo

03 - TENDÊNCIAS

Os Bons Espíritas

4 – O Espiritismo bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, conduz forçosamente aos resultados acima, que caracterizam o verdadeiro espírita, como o verdadeiro cristão, pois um e outro são a mesma coisa. O Espiritismo não cria uma nova moral, mas facilita aos homens a compreensão e a prática da moral do Cristo, ao dar uma fé sólida e esclarecida aos que duvidam ou vacilam.

Muitos, porém, dos que crêem na realidade das manifestações, não compreendem as suas conseqüências nem o seu alcance moral, ou, se os compreendem, não os aplicam a si mesmos. Por que acontece isso? Será por uma falta de precisão da doutrina? Não, porque ela não contém alegorias, nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações. A clareza é a sua própria essência, e é isso que lhe dá força, para que atinja, diretamente a inteligência. Nada tem de mistérios, e seus iniciados não possuem nenhum segredo que seja oculto ao povo.

Seria necessária, então, para compreendê-la, uma inteligência fora do comum? Não, pois vêem-se homens de notória capacidade, que não a compreendem, enquanto inteligências vulgares, até mesmo de jovens que mal saíram da adolescência, apreendem com admirável justeza as suas mais delicadas nuanças. Isso acontece porque a parte, de qualquer maneira, material da ciência, não requer mais do que os olhos para ser observada, enquanto a parte essencial exige um certo grau de sensibilidade, que podemos chamar de maturidade do senso moral, maturidade essa independente da idade e o grau de instrução, porque é inerente ao desenvolvimento, num sentido especial, do espírito encarnado.

Em algumas pessoas, os laços materiais são ainda muito fortes, para que o espírito se desprenda das coisas terrenas. O nevoeiro que as envolve impede-lhes a visão do infinito. Eis por que não conseguem romper facilmente com os seus gostos e os seus hábitos, não compreendendo que possa haver nada melhor do que aquilo que possuem. A crença nos Espíritos é para elas um simples fato, que não modifica pouco ou nada as suas tendências instintivas. Numa palavra, não vêem mais do que um raio de luz, insuficiente para orientá-las e dar-lhes uma aspiração profunda, capaz de modificar-lhes as tendências. Apegam-se mais aos fenômenos do que à moral, que lhes parece banal e monótona. Pedem aos Espíritos que incessantemente as iniciem em novos mistérios, sem indagarem se tornaram dignas de penetrar os segredos do Criador. São, afinal, os espíritas imperfeitos, alguns dos quais estacionam no caminho ou se distanciam dos seus irmãos de crença, porque recuam ante a obrigação de se reformarem, ou porque preferem a companhia dos que participam das suas fraquezas ou das suas prevenções. Não obstante, a simples aceitação da doutrina em princípio é um primeiro passo, que lhes facilitará o segundo, numa outra existência.

Aquele que podemos,com razão, qualificar de verdadeiro e sincero espírita, encontra-se num grau superior de adiantamento moral. O Espírito já domina mais completamente a matéria e lhe dá uma percepção mais clara do futuro; os princípios da doutrina fazem vibrar-lhe as fibras, que nos outros permanecem mudas; numa palavra: foi tocado no coração, e por isso a sua fé é inabalável. Um é como o músico que se comove com os acordes; o outro, apenas ouve os sons. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações. Enquanto um se compraz no seu horizonte limitado, o outro, que compreende a existência de alguma coisa melhor, esforça-se para se libertar, e sempre o consegue, quando dispõe de uma vontade firme.

04 - TENDÊNCIAS

No atual estágio que atravessa o nosso planeta, onde quer que existam seres humanos convivendo, haverá uma relação de poder, existirá uma escala hierárquica, acatada de comum acordo ou imposta segundo os valores e tradições da cultura do lugar e da instituição a que se pertença.
De acordo com a Codificação, a única sujeição que deve existir é a de natureza intelecto - moral. Os caracteres intelectuais se revelam no conhecimento doutrinário e os morais na aplicação desse mesmo conhecimento, dentro e fora do centro espírita.
O escritor Hermínio C. Miranda (livro Diálogo com as Sombras) recorda que: "Liderar é coordenar esforços, não impor condições." E prossegue dizendo: "Num grupo espírita, todos são de igual importância." Quando assumimos uma função no centro espírita que freqüentamos e com o qual nos sintonizamos, não devemos confundir-nos com ela, que é temporária e circunstancial. Cada um de nós é um espírito imortal- eis o que "somos" de fato. A função exercida é aquela em que "estamos".

Transcrito do livro Centro Espírita - Tendências e Tendenciosidades de Cezar Braga capítulo I

O amor à casa reflete-se também, e principalmente, no amor aos companheiros de causa. De acordo com o escritor Pedro Demo (livro Pobreza Política), participação implica em legitimidade, ou seja, terem o direito de opinar, sugerir e fazer as devidas críticas os que, legitimamente, estão empenhados nos labores do centro. Essa participação, contudo, deve ter o sentido de adicionar elementos para a reflexão do grupo, sem a pretensão de que tudo o que falarmos seja acolhido como o único caminho a ser seguido. Participação implica também em representatividade, pois os que assumiram de boa vontade funções na diretoria, conselhos, departamentos, etc., falam representando os setores aos quais estão vinculados.
Pode haver legitimidade sem representatividade: A pessoa representa a si mesma e não qualquer departamento. Suas credenciais são os seus esforços em prol da harmonia do grupo e do bom funcionamento do centro espírita como um todo.
Pode haver representatividade sem legitimidade: A pessoa tem algum cargo ou função no centro espírita, mas apenas faz parte, pois muito pouco ou quase nada realiza.
Será sempre de bom alvitre sondar as expectativas, impressões e percepções dos que permanecem à margem dos trabalhos sem maiores comprometimentos. Não para fazer um Espiritismo à moda deles ou de quem quer que seja, mas porque o nosso objetivo será sempre o de incluir, aproximar, desfazendo qualquer sentido de casta ou grupo hierárquico, dentro deste recanto de convivência fraterna que é o centro espírita.

Transcrito do livro Centro Espírita - Tendências e Tendenciosidades de Cezar Braga capítulo II

Divaldo Pereira Franco (livro Diálogo), dialogando com dirigentes e trabalhadores espíritas, analisou o fenômeno da liderança autocrática e afirmou categoricamente: "Parece-me que alguns líderes, em nosso labor, ou melhor, certos trabalhadores mais interessados, ainda não compreenderam que se devem apagar para que apareçam as metas, para que a Doutrina brilhe." Complementando o que disse o médium baiano, Ivan René Franzolim (livro Como Administrar Melhor o Centro Espírita Através das Pessoas) afirma que administrar não pode mais ser confundido com mandar. Ninguém é dono do poder dentro do movimento espírita, porque esse não tem a mesma conotação daquele exercido e legitimado nas diversas instituições do mundo, até mesmo em algumas de caráter religioso. Precisamos evitar certos vezos(costumes) que acabam nos levando a criar padrões hierárquicos e normas baseadas em nossa própria maneira de encarar a vida. Criamos uma segunda doutrina, a doutrina dos espíritas em detrimento da Doutrina dos Espíritos, inclusive atribuindo a Kardec e aos Espíritos Superiores, coisas que eles nunca disseram ou jamais teriam dito.
"A autoridade do presidente é puramente administrativa. Dirigirá as deliberações do comitê(assembléia/conselho), cuidará da execução dos trabalhos e do despacho dos negócios, mas, fora das atribuições que lhe são conferidas pelos estatutos, não poderá tomar nenhuma decisão sem consultar o comitê(assembléia/conselho). Desse modo, evitam-se os possíveis abusos, os motivos de ambição, os pretextos de intriga e inveja e a supremacia que desagrada." Se Allan Kardec fala de ambição, intriga e inveja, não é apenas por conhecer a natureza humana, como por certo a conhecia. Mas por saber que esses sentimentos sempre estiveram presentes nas instituições que o homem criou, determinando, muitas vezes, a derrocada delas.
Ao mesmo tempo, é também muito triste constatar que existem companheiros que assumem uma postura democrática aparente. Abrem espaços para um suposto trabalho em equipe, mas permanecem nos bastidores do centro espírita manipulando os companheiros de ideal. A questão é que todo um trabalho pode ser comprometido quando nos calamos, devendo falar e omitimo-nos, devendo participar. Ficamos a distância, criticando alguém e ou uma situação que poderia estar diferente, se usássemos de sinceridade.

05 - TENDÊNCIAS

Vida, Pendores e Tendências

Em cada existência, o espírito necessita de uma quota bastante longa de tempo para realizar seu período de aprendizagem evolutiva e deve aproveitar todos os minutos, horas e dias para aperfeiçoar seus conhecimentos, assim como, desvencilhar-se das más tendências e maus pendores, haurindo aos poucos as virtudes de Deus, que o levarão ao poço da iluminação espiritual. Do mesmo modo, quando desencarnamos, mesmo não podendo fugir ao destino pessoal de cada um, construindo pessoalmente através de múltiplas experiências, é computado tudo o que é vivido e plasmado nas entranhas do coração que, de alguma forma, é o órgão físico mais sensível, retratando com precisão as emoções experimentadas pelo espírito.

O ser humano desleixado e precipitado, geralmente desrespeita as leis divinas que regem a vida cósmica, gerando a curto ou longo prazo, seu próprio carma, estabelecendo limites na lei de ação e reação, que será ativa automaticamente todas às vezes que se fizer necessária, obrigando ao espírito que se entregou à intemperança mental a se corrigir dos seus erros, endireitando suas veredas e seus caminhos, fugindo da conduta arbitrária a que se entregou.

A imprevidência e a irresponsabilidade provocam acidentes, homicídios, intoxicações, assim como, desastres de todos os tipos, que vão se incorporando ao patrimônio cármico do infrator, atordoando a mente humana que, cada vez mais, se afasta da mente divina, sua criadora e orientadora de seus passos na romagem terrena. O combate aos maus pendores e às más tendências deve constituir um código de honra para o espírito imortal, esse viajo r incansável da eternidade que deve carregar sua cruz com coragem e determinação, sem se esmorecer diante dos obstáculos, agindo sempre com lucidez, fé e esperança, aceitando com paciência os reveses normais por que todos passam.

O comportamento pessimista e negativo provoca atitude agressiva, assim como fixação de idéias tormentosas que podem levar o espírito ao desespero e a loucura, assim como idéias altruísticas, limpa nosso cosmo orgânico e espiritual, lavando nossa alma e enriquecendo nossas atividades no campo da carne e do espírito.

Publicado no Jornal Correio Espírita

06 - TENDÊNCIAS

Allan Kardec in "O Evangelho Segundo o Espiritismo ", capítulo XVII, ítem 4, nos diz :

"Reconhece-se o verdadeiro espírita por sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar suas más tendências".

Também em "Obras Póstumas"encontramos referência à Reforma Íntima. Vejamos :

" A questão social não tem, portanto , o seu ponto de partida na forma de tal ou tal instituição ; está inteiramente no aperfeiçoamento moral dos indivíduos e das massas . Aí está o princípio , a verdadeira chave da felicidade da Humanidade, porque então os homens não pensarão mais em se prejudicarem uns aos outros . Não basta colocar um verniz sobre a corrupção , é a corrupção que é preciso extinguir .

O princípio do aperfeiçoamento está na natureza das crenças , porque as crenças são o móvel das ações e modificam os sentimentos ; está também nas idéias inculcadas desde a infância e identificadas com o Espírito , e nas idéias que o desenvolvimento ulterior da inteligência e da razão podem fortificar , e não destruir . Será pela educação , mais ainda do que pela instrução , que se transformará a Humanidade .

O homem que trabalha seriamente pelo seu próprio aperfeiçoamento assegura a sua felicidade desde esta vida ; além da satisfação de sua consciência , isenta-se das misérias , materiais e morais , que são a conseqüência inevitável de suas imperfeições . Terá a calma porque as vicissitudes não farão senão de leve roçá-lo; terá a saúde porque não usará o seu corpo para os excessos ; será rico , porque se é sempre rico quando se sabe contentar-se com o necessário ; terá a paz da alma , porque não terá necessidades fictícias, não será mais atormentado pela sede das honras e do supérfluo , pela febre da ambição , da inveja e do ciúme ; indulgente para com as imperfeições de outrem , delas sofrerá menos ; excitarão a sua piedade e não a sua cólera ; evitando tudo o que pode prejudicar o seu próximo , em palavras e em ações , procurando, ao contrário , tudo o que pode ser útil e agradável aos outros , ninguém sofrerá com o seu contato .

Assegura a sua felicidade na vida futura , porque , quanto mais estiver depurado, mais se elevará na hierarquia dos seres inteligentes , e logo deixará esta Terra de provas por mundos superiores ; porque o mal que tiver reparado nesta vida não terá mais que reparar em outras existências ; porque , na erraticidade, não encontrará senão seres amigos e simpáticos , e não será atormentado pela visão incessante daqueles que teriam do que se lamentar dele ". Allan Kardec in “ Obras Póstumas“, Credo Espírita — Preâmbulo (FEB).