TRANSE
BIBLIOGRAFIA
01- A reencarnação na bíblia - pág. 13 02 - Antologia do perispírito - ref. 743
03 - Correlações espírito matéria- pág. 21 04 - Da alma humana - pág. 131
05 - Desenvolvimento mediúnico - pág. 22,25 06 - Doenças da alma - pág. 47
07 - Espírito, perispírito e alma - pág. 112 08 - Guia do Espiritismo - pág. 53
09 - Hipnotismo e mediunidade - pág. 164 10 - Hipóteses em parapsicologia - pág.166
11 - No invisível - pág. 349 12 - No limiar do etéreo - pág. 157
13 - O trabalho dos mortos - pág. 53 14 - Parapsicologia hoje e amanhã - pág. 126
15 - Recordações da mediunidade - pág. 130

16 - Ressurreição e vida - pág. 201, 291

17 - Resumo da Doutrina Espírita - pág. 32, 45 18 - Saúde e Espiritismo - pág. 122
19 - Xenoglossia - pág. 44 20 -

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

TRANSE – COMPILAÇÃO

01- A reencarnação na bíblia - Hermínio C.Miranda - pág. 13

O PROFETA
Não é, porém, para assustar o leitor e nem para impressioná-lo que estamos aqui a projetar imagens de um conflito nuclear. Propositadamente deixamos no texto duas palavras-chave: apocalíptica e profético. Tomemos essas chaves, abramos as portas e penetremos no vestíbulo de uma especulação.

Suponhamos que algum profeta antigo, vidente, sensitivo ou médium — chame-o como quiser — tivesse tido a visão antecipada da "hora final" há cerca de dois mil anos. Como iria ele relatar o que viu ? Nada sabe ele de energia nuclear. Não pode, sequer, imaginar que estranhos aparelhos metálicos mais pesados do que o ar sejam capazes de voar a incrível velocidade, com enorme estrondo e melhor do que pássaros e gafanhotos. Desconhece explosivos poderosos, radiações mortíferas, radares vigilantes e computadores obedientes.

E, no entanto, o profeta precisa contar tudo o que viu, pois assim lhe ordenaram. Para que haveriam de mostrar-lhe o que está para acontecer senão para que ele informasse aos homens dos trágicos acontecimentos que os aguardam ? Por isso, ao retornar de seu "arrebatamento em espírito ao céu" — isto que hoje se chama transe — o profeta está bem consciente de que tem de descrever, o melhor que puder, suas enigmáticas visões. Para ele próprio, elas são incompreensíveis e até absurdas, mas ele sabe, sem saber por que, que, para alguém, em algum tempo, em algum lugar, suas visões seriam claras como a água da fonte.

Era preciso, pois, traduzir todas aquelas imagens puramente visuais em símbolos gráficos. Não há palavras apropriadas para descrevê-las e, mais sério ainda, o profeta nem mesmo sabe o que se passou ante seus aturdidos olhos — sabe apenas que, um dia, aquilo seria uma trágica e implacável realidade. Então, ele sentou-se pensativo, desenrolou o pergaminho diante de si, tomou do estilete, mergulhou-o no tinteiro de pedra e começou assim:

— Eu, João, vosso irmão e companheiro nas tribulações, na realeza e na paciência por Jesus, estava na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Num domingo, fui arrebatado em espírito, e ouvi, por trás de mim, voz forte como trombeta, que dizia: "O que vês, escreve-o num livro e manda-o às sete igrejas . . ."

Por que remeter o mesmo relato a sete igrejas diferentes ? Era para que se multiplicassem por sete as chances de sobrevivência do texto que precisava vencer a inexorável passagem dos séculos. Bastava que dois deles, apenas, fossem preservados e um poderia servir para conferir o outro. Em último caso, bastaria um só. O importante era que a mensagem resistisse ao tempo para que, na época certa, produzisse o resultado para o qual estava sendo elaborada.

Assim nasceu o Apocalipse ou Revelação, com as misteriosas visões de João, o Discípulo Amado, o Apóstolo, o Vidente de Patmos, o Profeta do Apocalipse Abrimos este estudo com a exata "tradução" em linguagem moderna do mesmíssimo texto escrito por Joao em Patmos, ao findar-se o primeiro século da era cristã. Vamos reler, para confrontar, o relato de João tal como se encontra no Capítulo 9, versículos 1 a 12--Tocou o quinto anjo a sua trombeta. Vi, então na estrela que caíra do céu sobre a terra.

Deu-se a ela a chave do poço do Abismo. Abriu o poço do Abismo e subiu do poço uma fumarada como a de um forno grande e o sol e o ar se escureceram com a fumarada do poço. Da fumarada saíram gafanhotos sobre a terra e lhes foi dado o poder que têm os escorpiões da terra E lhes foi dito que não causassem dano à erva da terra nem a nada verde e nem a nenhuma árvore, mas somente aos homens que não trouxessem na fronte o sinal de Deus.

Foi-lhes dado não o poder para matá-los mas para atormentá-los durante cinco meses. O tormento era semelhante ao da picada do escorpião em alguém. E naqueles dias os homens buscarão a morte e não a encontrarão, desejarão morrer e a morte fugirá deles. A aparência desses gafanhotos era semelhante ao de cavalos aparelhados para a guerra; sobre suas cabeças traziam coroas que pareciam de ouro; seus rostos eram como rostos humanos; tinham cabelos de mulheres e seus dentes eram como os do leão; tinham couraças como couraças de ferro e o ruído de suas asas era como o estrondo de carros de muitos cavalos que correm em combate; e tinham caudas parecidas com a dos escorpiões com aguilhões em suas caudas e o poder de causar danos aos homens durante cinco meses. Tem sobre si, como rei, ao Anjo do Abismo, chamado em hebraico Abadon e em grego Apolion. O primeiro. Ai!, já passou. Veja que atrás vêm contudo outros dois.

05 - Desenvolvimento mediúnico - Paulo Alves de Godoy - pág. 22,25, Vol. II, pág. 165

5 — O TRANSE MEDIÚNICO
No processo de cura, o que se realiza é a reeducação da onda mental do paciente. O hipnotizador desencadeia o processo induzindo fatores reequilibrantes; mas é a onda do hipnotizado que, refazendo-se, recompondo-se com valores estimulantes, reestabelece o equilíbrio da região afetada que, após a cura, volta a apresentar-se sadia e harmônica.

Após a cura, "... se o paciente prossegue submisso ao hipnotizador, sustentando-se entre eles o intercâmbio seguro, dentro de algum tempo ambos se encontrarão em circuito mediúnico perfeito".

A onda mental do magnetizado "... devidamente ajustada ao cérebro em que se apoia. . . passará a refletir a onda mental a que livremente se submete, absorvendo-lhe as inclinações e os desígnios." E aí, segundo o grau de passividade, que poderá atingir até o do sonambulismo " . . .sob a indução do hipnotizador. . . " o passivo "... verá e ouvirá de acordo com a orientação particular a que se sujeita.

Mas o transe poderá ser alcançado mesmo sem a presença do hipnotizador, desde que o sujet prossiga "... interessado no progresso de suas conquistas espirituais. . . ". Basta que se consagre às lembranças dos fenômenos vividos, para que isto sirva de estímulo à produção do reflexo condicionado específico e caia em hipnose, letargia, catalepsia ou sonambulismo, nos quais entrará "... em contato com entidades encarnadas ou desencarnadas de sua condição. . . ", uma vez que o intercâmbio é feito em regime de sintonia. Um hotentote nada teria a dizer a um sábio, nem este poderia oferecer-lhe algo acima dos interesses mentais daquele. ([2], Cap. 1)

Além disso, poderia ".. provocar, por si mesmo, certa categoria de fenômenos físicos, mediante a aplicação de energia acumulada, com o que se explicam as ocorrências do faquirismo oriental, nas quais a própria vontade do operador, parcial ou integralmente separado do corpo somático, exerce determinada ação sobre as células físicas ou extrafísicas estabelecendo acontecimentos inabituais para o mundo rotineiro dos cinco sentidos.

08 - Guia do Espiritismo - Angelo de Micheli - pág. 53

O TRANSE
Este termo tem suas raízes no latim transire (passar). Na realidade, quer ressaltar a passagem entre duas ou mais diferentes condições psíquicas. O termo "transe" vem da língua inglesa e pode ser traduzido como o conceito de "Êxtase". Ele indica a condição de transe: aquele estado especial no qual se encontram os indivíduos dotados de capacidade para realizar manifestações paranormais.

Podem existir na pessoa características comuns ao sono hipnótico ou ao sonambúlico, uma vez que se observa um distanciamento progressivo do mundo das sensações. Pode-se falar, maij que de "transe", de condições que levam o indivíduo ao estado de "transe".
O entrar em "transe" de um médium não é simples como ligar um interruptor: é uma relação ou contato com uma dimensão diferente ou, de qualquer maneira, com uma visão diferem ir da realidade. São necessários diversos elementos para facilitar ofenômeno que se deseja produzir.

Poderíamos fazer muitas observações a respeito dos hábito que um médium tem para alcançar a condição que o leva ao fenômeno, muitas vezes para ele um ritual indispensável. Entre o estado hipnótico e a condição sonambúlica existem as diferenças que examinaremos juntos. O sono hipnótico deve ser obtido por um hipnotizador (no passado esta função era entregue aos magnetizadores, como no caso da famosíssima vidente de Prévost). Poder-se-ia objetar que o estado de sono hipnótico pode ser auto-induzido mas, no caso da auto-hipnose, é necessário um processo de autocondicionamento e uma técnica especial.

O exame objetivo dos fatos nos demonstra como o estado de transe é realizado rapidamente por parte do médium e é, na maior parte dos casos, auto-induzido pelo próprio médium. Quando se estabelece uma relação hipnótica com um indivíduo, a relação torna-se progressiva, cada vez mais profunda, até a exclusão quase total do EU. Este processo se produz progressivamente e sem dificuldade, sobretudo sem dor ou sofrimento por parte da pessoa hipnotizada.

Isso é muito diferente do que acontece no transe, onde o produzir-se e o aprofundar-se (sobretudo na fase inicial) daquela condição especial que foge aos controles e às indagações da ciência comportam uma sensação de sofrimento da pessoa, sobretudo quando a condição de "transe" é profunda, na qual se notam melhor as capacidades e as possibilidades paranormais. Muitas vezes é acompanhada de gemidos, lamentos e eventualmente por movimentos bruscos e desconexos da pessoa que, em certos casos, deve ser ajudada para impedir danos à sua integridade física.

No estado de transe intervém no indivíduo uma modificação, às vezes parcial, mas na maioria das vezes completa, da personalidade que resulta diferente da original, personalidade que pode alternar-se e modificar-se no decorrer de experiências ulteriores. O aspecto deste processo de substituição comporta, por vazes, um crescimento das capacidades do indivíduo, como no caso de personalidades em condições de comunicar mensagens cujo conteúdo se desloca no eixo do tempo, como no caso de ihformações referentes ao passado (conhecido ou não) ou ao futuro, que devem ser consideradas como precognição ou comuções de caráter clarividente.

Consideremos o estado de transe sob o aspecto dos diferentes processos fisiológicos que o acompanham e constituem um lado interessante e que merece observação científica. Podem criar-se modificações nos batimentos cardíacos, uma intensificação de movimentos voluntários e involuntários na respiração. Às vezes podem ocorrer o oposto, isto é, o enfraquecimento da batida cardíaco do ritmo respiratório. Podem verificar-se processos de anestesia parcial ou completa.

Por vezes intervêm fatos que não se enquadram nos fenômenos ordinários, como no caso de D. D. Home, que caiu com o rosto sobre as brasas da lareira e ali ficou durante muito tempo; uma vez levantado e completamente desperto, não apresentava nenhuma queimadura ou abrasão.

Se tais manifestações, que habitualmente acompanham o estado de transe, não podem ser classificadas, é apenas porque não têm uma norma definida, mas representam eventos colaterais à condição de "transe", que a caracterizam e a diferenciam das formas de hipnose. No "transe" existe, em geral, a completa exclusão dos reflexos.

O estudo dos processos fisicopsicológicos foi motivo de interesse de estudiosos famosos: Lombroso, Richet, James e muitos outros, que o leitor encontrará em obras disponíveis em livrarias especializadas. No "transe", como também no estado hipnótico, existem diferentes gradações de profundidade. É impossível fazer uma classificação da profundidade do "transe" uma vez que se trata de uma condição mutável.

As manifestações mais leves são aquelas nas quais se mantém um estado de consciência integral ou parcial e as únicas manifestações externas são o olhar fixo, um alheamento do ambiente, como se ocorresse uma desatenção profunda. As manifestações de transe, completas e totais, são aquelas nas quais intervém uma modificação absoluta do estado de consciência, de modo a produzir alterações da voz, da personalidade e, às vezes, também uma mudança da fisionomia do indivíduo, e é exatamente nesta condição que se produzem os fenômenos mais interessantes (sob o aspecto científico e físico), tais como a desmaterialização de objetos e todos os casos dos fenômenos que entram sob o nome de telecinese e outros.

Do mesmo modo que no sono hipnótico, no "transe" mediúnico intervém um gradativo aprofundamento deste último, sem que tenha havido o estímulo indutor, como ocorre na hipnose. Por quais razões intervenha este processo automático de aprofundamento e quais são as causas que regulam e estabelecem a mecânica do estado de "transe", não se sabe até hoje. Podemos apenas apresentar hipóteses. Uma delas é a que identifica o estado de transe com o hipnótico. Poderia ser considerada válida, sobretudo no caso de condições especiais de transe.

Afirma-se que, sendo conhecidas as analogias, no que se refere aos primeiros graus de profundidade do "transe", o indivíduo, convencido de que existem nele condições capazes de produzir os fenómenos que deseja obter, consegue estabelecer o início da auto-hipnose. De fato, quando examinamos um estado leve de transe, como no caso da escrita automática, não existe uma grande diferença entre o estado de sono hipnótico parcial e o de "transe". A única diferença perceptível é que, em um caso, o indivíduo é submetido à vontade do hipnotizador, no outro tudo é ocasionado por sua própria vontade.

É interessante citar uma experiência realizada há algumas décadas. O célebre estudioso de fenômenos paranormais, Dr. James, conseguiu hipnotizar a famosa médium Piper, que estava em estado de transe, convencendo-a a obedecer a vontade do hipnotizador.
Esta experiência depõe a favor do fato de que o estado de "transe" é uma condição diferente da hipnótica, porque fica demonstrada a possibilidade de hipnotizar um indivíduo em "transe". Esta consideração me permite afirmar que os dois estados são diferentes um do outro.

Como no estado hipnótico, no "transe" intervém a mesma característica fundamental, isto é, estabelece-se um processo de opressão e de exclusão da psique vigilante do médium. Os fenômenos próprios do "transe", embora tendo aspectos que se aproximam da hipnose, têm classificações diferentes sobretudo se considerados em função das causas que os determinam.

A sugestão do ambiente, o silêncio, a pouca luminosidade, o desejo de poder assistir a efeitos excepcionais, a espera e, às vezes, o próprio ritual que cada médium deseja, constituem a chave que permite ao próprio EU produzir o estado mediúnico. Houve, sobretudo no passado, médiuns que tinham necessidade de cantos propiciatórios, de músicas que tornassem o ambiente mais relaxante.

Como no estado hipnótico é necessária a relação que se estabelece entre o indivíduo hipnotizado e o hipnotizador, assim também, o estado mediúnico necessita de uma relação entre mais pessoas, que reúna todos os membros da corrente ou do grupo. Na verdade, isto justifica o fato de que, em determinadas experiências mediúnicas, seja necessário que se afaste uma pessoa do grupo.

Uma situação semelhante é criada quando chega a comunicação de que um dos componentes da "corrente" deve sair do grupo (talvez por não estar em sintonia com os outros — ou por não responder ao relacionamento que o grupo estabeleceu). O comportamento dos participantes é, às vezes, condicionado por uma fórmula ritual que o médium diz para poder entrar em "transe". O médium procura respeitar aquelas determinadas condições, que ele considera essenciais. (..)

11 - No invisível - Léon Denis - pág. 349

(...) Uma eficaz proteção oculta, vínhamos dizendo, é a condição essencial de bom êxito no domínio da experimentação. Nenhum grupo a poderia dispensar. Os fatos o demonstram, e todos os médiuns que têm publicado suas impressões e memórias o atestam. A Sra. d'Spérance dedica seu livro, "No País das Sombras", a seu guia espiritual, Hummur Stafford, "cuja mão diretora, posto que invisível, e cujos sábios conselhos foram seu amparo e conforto na travessia da vida".

A Sra. Piper, enfraquecida e adoentada pelo contacto de Espíritos inferiores, deveu seu restabelecimento e a boa direção de seus trabalhos à enérgica e vigorosa intervenção dos Espíritos Imperator, Doctor e Rector. Graças a eles, de confusas que eram, as experiências dentro em pouco se tornaram claras, convincentes.

Poder-se-iam multiplicar esses exemplos. Allan Kardec constituiu a doutrina espírita com o auxílio de revelações emanadas de Espíritos superiores. Em nosso próprio grupo, graças à influência de Espíritos elevados, foi que obtivemos os magníficos fenômenos relatados páginas atrás. É verdade que só ao cabo de longo período í de expectação e de perseverantes ensaios é que nos foi prestado esse concurso. Nessa ordem de fatos obtém-se o que se soube merecer por uma paciência posta por muito tempo à prova e por um desinteresse absoluto.

Na experimentação achamo-nos em presença de Inteligências estranhas, de Vontades que muitas vezes sobrepujam a nossa e pouco se inquietam com as nossas exigências e caprichos. Elas perscrutam o nosso foro íntimo, e é preciso saber captar-lhes a confiança e o amparo, mediante intenções puras e generosos propósitos. Essa proteção que pairava sobre o noso grupo e persistiu por todo o tempo em que nos conservamos unidos de coração e em pensamento, eu a tinha encontrado sempre em meu tirocínio de conferencista, e sinto-me feliz em o poder testemunhar aqui, agradecendo-a, de ânimo sincero e comovido, a esses nobres amigos do Espaço, cuja assistência me tem sido tão preciosa nos momentos arriscados.

Mais de uma vez, na ocasião de comparecer perante um público descrente, quase hostil, e de ter que explanar, diante de salas repletas, assuntos assaz controvertidos, encontrei-me nas mais desfavoráveis condições físicas. E de cada vez também, a meu instante apelo, vinham os meus guias invisíveis restituir-me as forças indispensáveis ao desempenho de minha tarefa. Vê-se quão necessária é nas sessões a proteção de um guia sério, valoroso, esclarecido. Quando o guia é inapto, as dificuldades se multiplicam e são numerosas as mistificações.

Os Espíritos levianos se imiscuem com os Espíritos de nossa família, cujas manifestações perturbam. Intrusos, de uma imprudência revoltante, se insinuam às vezes nas reuniões. O professor Falcomer, em sua "Phéno-ménographie", refere um caso em que "a manifestações piedosas sucedeu uma linguagem ímpia ditada por pancadas da mesa, e dirigida a três senhoras e uma mocinha. Era a linguagem de um ser impudente e abjeto, e é impossível transcrevê-la". A mãe do professor e os outros assistentes ficaram seriamente aborrecidos.

A ação de Espíritos malignos e de baixa classe não lança unicamente o ridículo e o descrédito sobre a nossa causa, dela afastando as pessoas escrupulosas e bem educadas; impele ainda os médiuns à fraude e, com o tempo, vem a corromper-lhes o senso e a dignidade. Começam os assistentes rindo e divertindo-se com as respostas cínicas ou extravagantes desses Espíritos; mas, por isso mesmo, os atraem; e esses incômodos visitantes, a quem assim se abre a porta, voltam, agarram-se aos que lhes dão acesso e tornam-se não raro temíveis obsessores. . '

O Espiritismo, por uns considerado perigoso, por outros vulgar e pueril, quase só é conhecido pelo povo sob seus aspectos inferiores. São os fenômenos mais materiais que atraem de preferência a atenção e provocam apreciações desfavoráveis. Esse estado de coisas é devido aos teoristas e vulgarizadores que, vendo no Espiritismo uma ciência puramente experimental, descuram ou repelem por sistema, algumas vezes com desdém, os meios de cultivo e elevação mental indispensáveis para se produzirem manifestações verdadeiramente imponentes entre o estado físico vibratório dos experimentadores e o dos Espíritos suscetíveis de produzir fenómenos de grande alcance, e nada se faz no sentido de atenuar essas diferenças.

Daí a penúria de altas manifestações comparadas à abundância dos fenômenos vulgares. O resultado é que inúmeros críticos, só conhecendo da questão a sua face terra-a-terra, constantemente nos acusam de edificar sobre fatos mesquinhos uma doutrina demasiado ampla. Mais familiarizados com o aspecto transcendental do Espiritismo, reconheceriam que nada exageramos; ao contrário, nos temos conservado abaixo da verdade.

Quaisquer que sejam as relutâncias dos teóricos positivistas e "antimísticos", forçoso será ter em conta as indicações dos homens competentes, sem o que viria a fazer-se do Espiritismo mísera ciência, cheia de obscuri-dades e perigosa para os investigadores. O amor da ciência não basta, disse o professor Falcomer; é indispensável a ciência do amor. Nos fenômenos não temos que nos haver unicamente com elementos físicos, mas com agentes espirituais, com entidades morais, que, como nós, pensam, amam, sofrem. Nas profundezas invisíveis, a imensa hierarquia das almas se desdobra, das mais obscuras às mais radiosas. De nós depende atrair umas e afastar as outras.

O único meio consiste em criarmos em nós, por nossos pensamentos e atos, um foco irradiador de luz e de pureza. Toda comunhão é obra do pensamento. O pensamento é a própria essência da vida espiritual. É força que vibra com intensidade crescente, à medida que a alma se eleva, do ser inferior ao Espírito puro e do Espírito puro até Deus.

As vibrações do pensamento se propagam através do espaço e sobre nós atraem pensamentos e vibrações similares. Se compreendêssemos a natureza e a extensão dessa força, não alimentaríamos senão altos e nobres pensamentos. Mas o homem se ignora ainda, como ignora as imensas capacidades desse pensamento criador e fecundo que nele dormita e com o qual poderia renovar o mundo. Em nossa fraqueza e inconsciência, atraímos na maior parte das vezes Espíritos maus, cujas sugestões nos perturbam.

É assim que a comunicação espiritual, em consequência de nossa inferioridade, se obscurece e desvirtua; fluidos corrompidos se espalham pela Terra, e a luta entre o bem e o mal se empenha no mundo oculto como no mundo material. Na atração dos pensamentos e das almas consiste integralmente a lei das manifestações psíquicas. Tudo é afinidade e analogia no Invisível. Investigadores que sondais o segredo das trevas, elevai bem alto, pois, os pensamentos, a fim de atrairdes os gênios inspiradores, as forças do bem e do belo.

Elevai-os, não somente nas horas de estudo e experiências, mas frequentemente, a todas as horas do dia, como um exercício regenerador e salutar. Não esqueçais que são esses pensamentos que vão lentamente eterizando e purificando o nosso ser, engrandecendo as nossas faculdades e tornando-nos aptos a experimentar as mais delicadas sensações, fonte de nossas felicidades futuras.

O problema da mediunidade tem permanecido obscuro e incompreendido para a maioria dos psicologistas e teólogos de nossa época. O passado possuía a esse respeito mais lúcidas noções, e mesmo na Idade Média alguns homens herdeiros da sabedoria antiga, apreciaram com justeza essa questão. No século XII, Maimônides, o douto rabino judeu de Córdova, discípulo de Averrhoes, inspirando se nas doutrinas da Cabala, resumia nestes termos a lei da mediunidade:

"O Espírito paira sobre a Humanidade, até encontrar o lugar de sua morada. Nem toda natureza lhe é propícia; sua luz só pousa e permanece no homem prudente, são e esclarecido. Quem quer que aspire às honras do sublime comércio deve consagrar-se a aperfeiçoar sua natureza, por dentro como por fora.

Amigo da solidão, leva consigo os livros sagrados, ali prolonga suas vigílias e meditações, sacia sua alma de ciência e de virtudes. Suas refeições são reguladas; sua comida e bebida, escolhidas, a fim de que em seu corpo sadio e em sua carne convenientemente renovada haja um sangue generoso. Então está tudo pronto: o forte, o precavido, o sábio será profeta ou vidente, desde que o Espírito o encontre em seu caminho." (...)

LEMBRETE:

1° - (..) o estado de transe não significa a supressão, mas interiorização da consciência. Mesmo nos estágios mais profundos, "algo" não se extingue e permanece vigilante, à maneira de sistema secundário, mas ainda ativo. Jayme Cervino

2° - O transe pode ser definido em termos psicológicos e neurofisiologicos. No primeiro caso "é um estado de baixa tensão psíquica, estreitamento do campo de consciência e acesso ao subconsciente", no segundo, a "inibição do córtex cerebral com liberação das estruturas subcorticais que passam a reger a atividade nervosa superior. (...) o transe não se confunde como o sono. No primeiro caso a inibição atinge apenas o córtex cerebral, no segundo se difunde à maior parte do encéfalo (...) Jayme Cervino

3° - O estado de transe é esse grau de sono magnético que permite ao corpo fluídico exteriorizar-se, desprender-se do corpo carnal, e à alma tornar a viver por instante sua vida livre e independente. A separação, todavia, nunca é completa; a separação absoluta seria a morte. Um laço invisível continua a prender a alma ao seu invólucro terrestre (...) Léon Denis

4 ° - O transe é um estado de inconsciência, em que caem certas pessoas anormais. Pode comparar-se à imersão num sono profundo, com breves intervalos de vigília consciente. É, todavia, mais do que o sono, porque é um estado muito mais profundo de inconsciência; a personalidade se retira para mais longe do que no sono e o corpo fica mais insensível. Arthur J. Findlay

5° - É o estado particular em que se acham os "médiuns de incorporação" em seus acessos de possessão, estado sem analogia com outro qualquer dos casos nervosos patológicos que conhecemos (...) Paul Gibier

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