VAIDADE
BIBLIOGRAFIA
01- Caminho, verdade e vida - pág. 217 02 - Cartilha da natureza - pág. 151
03 - Depoimentos vivos - pág. 60 04 - Diálogo com as sombras - pág. 191
05 - Do país da luz - vol, IV, pág. 99 06 - Florações evangélicas - pág. 38
07 - Minha doce Casa Espírita - pág. 25 08 - Na Seara do Mestre - pág. 101
09 - Novas mensagens - pág. 39 10 - O exilado - pág. 153, 205
11 - O ser e a serenidade - pág. 118 12 - Os mensageiros - pág. 18,232
13 - Parnaso além túmulo - pág. 246 14 - Pérolas do além - pág. 231
15 - Segue-me - pág. 123

16 - Senzala - pág. 231

17 - Vinha de luz - pág. 41 18 - Vozes do grande além - pág. 232

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VAIDADE – COMPILAÇÃO

01- Caminho, verdade e vida - Emmanuel - pág. 217

101 - TUDO EM DEUS
"Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma." — Jesus. (JOÃO, 5:30)

Constitui ótimo exercício contra a vaidade pessoal a meditação nos fatores transcendentes que regem os mínimos fenômenos da vida.
O homem nada pode sem Deus.

Todos temos visto personalidades que surgem dominadoras no palco terrestre, afirmando-se poderosas sem o amparo do Altíssimo; entretanto, a única realização que conseguem efetivamente é a dilatação ilusória pelo sopro do mundo, esvaziando-se aos primeiros contactos com as verdades divinas.

Quando aparecem, temíveis, esses gigantes de vento espalham ruínas materiais e aflições de espírito; todavia, o mesmo mundo que lhes confere pedestal projeta-os no abismo do desprezo comum; a mesma multidão que os assopra incumbe-se de repô-los no lugar que lhes compete.

Os discípulos sinceros não ignoram que todas as suas possibilidades procedem do Pai amigo e sábio, que as oportunidades de edificação na Terra, com a excelência das paisagens, recursos de cada dia e bênçãos dos seres amados, vieram de Deus que os convida, pelo espírito de serviço, a ministérios mais santos.

Agirão, desse modo, amando sempre, aproveitando para o bem e esclarecendo para a verdade, retificando caminhos e acendendo novas luzes, porque seus corações reconhecem que nada poderão fazer de si próprios e honrarão o Pai, entrando em santa cooperação nas suas obras.

05 - Do país da luz - Fernando Lacerda - vol, IV, pág. 99

XVIII - ANTÔNIO VIEIRA.
Vou hoje tratar da riqueza. Mal vai ao meu propósito assunto em que tanto contrarie o homem: mas de sempre foi meu dever estar em contradição com o homem que em contradição queira estar com a verdade. Vários são os inimigos que em si próprio o homem cria e mantém na Terra.

Há o inimigo carne, que, sendo filho da sua própria carne, o homem perde pela sem razão das suas exigências, pelo desarrazoado de seus apetites, pelo exagero dos seus gozos, pelos prazeres da sua malícia, pelos regalos da sua luxúria, pelas fraquezas da sua continência, pelas fragilidades dos seus raciocínios, pelas teimosias dos seus quereres, pelas manifestações da sua animalidade. Esse inimigo cria o homem em si, em si acalenta e faz medrar e porque o cria e sustenta, por ele tem a dor, porque é a dor alimento de que ele se nutre e fruto que ele produz.

E' tanto mais temível inimigo, quanto mais disfarçado se apresenta ao incauto que em si próprio o alimenta; porque no seu disfarce se lhe apresenta como gozo no amor, necessidade na satisfação, virtude no exemplo e pureza na hipocrisia. A carne o faz sofrer, se tem dor, e na mesma dor o faz blasfemar.

Tem o homem outro inimigo na vaidade. E' a vaidade um fumo vão que o embriaga, fazendo-o crer que por si reuniram as fadas para o fadarem com perfeições que a mais nada foram dadas. A vaidade cega-lhe o entendimento, desvaira-lhe o juízo, mascara-lhe a verdade, corrompe-lhe o afeto, destrói-lhe a bondade. E' a vaidade um demônio que lhe sugestiona a perdição.

Aninha-se a vaidade no coração humano, fazendo daí corte onde vive com a sua interminável corte de aias e pajens. Essas aias e esses pajens em serviço da vaidade se chamam cegueira, fatuidade, egoísmo, perversidade, descaroabilidade, ambição, exagero, altiveza, petulância, orgulho, injustiça, inveja. De todos se utiliza a vaidade no momento próprio, de todos é ela escrava simulando ser senhora.

O homem, a quem a vaidade domina, é cego, quando não vê a verdade nem os que lha pregam; é fátuo, quando se supõe modelo de perfeições só para ele forjadas na forja do Criador; egoísta, quando crê que tudo a ele é devido pela superioridade inata na sua pessoa inconfundível; perverso em negar aos outros as qualidades que a sua cegueira lhe não deixa enxergar.

Descaroável no seu tratamento àqueles em quem desdenha méritos e virtudes que não quer reconhecer; ambicioso, quando, para alimentar a vaidade que serve, tudo acha mesquinho e parco, tudo vê desluzido e pobre e tudo quer e almeja com insofrida incontinência; ridículo, quando, desconhecendo o barro frágil em que o seu pedestal assenta, repta os outros a quem ligeiro sopro basta para o derrubar; exagerado, quando se pretende impor, manifestando virtudes que não possui, poder que não tem.

Altivo, quando se pavoneia perante os seus iguais, empertigado em prosápias que imagina possuir, despedindo do olhar raios de Jove com que anseia fulminar aqueles míseros mortais de diversa argila a que a sua semi-divindade foi moldada; petulante, quando a si arroga direitos de menosprezar as qualidades e méritos alheios que a sua ignorância lhe não deixa apreciar e que a sua inconsciência lhe faz malbaratar em arremedos de inópia desdenhosa; orgulhoso, quando, na crença do seu exagerado valor, pretende impôr-se como coisa em que Deus pôs o diadema de todas as perfeições.

O condão de todas as virtudes, a força de todos os poderes, o uso de todos os direitos, a súmula de toda a superioridade terrena; injusto, quando nega aos outros o que em si só crê existir; quando malsina, ofende, desdenha, amesquinha e despreza qualidades, virtudes, saberes, luzes, ações, bondades e direitos que todos os outros seus irmãos possuem e em regular uso humano revelam no bem comum e na equidade da justiça; invejoso, quando vê, reconhece ou aprecia coisa de que outrem tenha propriedade e que em si não possa fazer recair em privança daquele que legitimamente a mantém.

Blasfemo, quando na sua vaidade nega a fonte de todo o seu poder, a origem de toda a sua vida, a existência da sua própria individualidade, só para sentir em si prazer de negar coisa que lhe seja superior, onde a sua ambição não chega, que o seu orgulho não atinge, que o seu poder não domina, que a sua ignorância não aprecia, que a sua pequenez não concebe, que a sua insciência não admite.

Esses dois inimigos do homem, um está na carne, outro está no espírito; e, como anel que os dois prende e confunde, um terceiro inimigo a si próprio inventou, que, não estando nele, é mais poderoso, mais insofrido e mais para temer de que aqueles que em si alimenta: — é o inimigo que daqueles é serventuário e senhor, que àqueles dá manutenção e força: — a riqueza.

Só a riqueza dá à carne o conforto, o prazer, a nediez, a sensualidade, a tentação; só a riqueza dá à vaidade alimento para manter-se, trono para ser adulada, roupagem para se entrajar, aprumo para se impor. Sem a riqueza, nem as carnes são regaladas, nem a vaidade é turibulada. Dá a riqueza ao homem as armas que ele não possui; empresta talento que Deus lhe não deu, qualidades que a Virtude lhe negou, benemerências que a Bondade lhe não ofereceu, belezas que a Perfeição lhe não doou; encobre-lhe defeitos que a Imperfeição lhe assinalou, mascara-lhe vícios que o Desregramento lhe deu; dissimula fraquezas que a Baixeza lhe imprimiu.

A riqueza fá-lo aspirar a deleites que a moral condena, cometer atos que a justiça reprova, desejar coisas que a razão repele. A riqueza dá-lhe pasto a todos os vícios, vício em todas as virtudes. Desconhece a riqueza a Humildade, despreza a Piedade e humilha a Caridade. E, sendo a riqueza assim ninho de todas as perversidades, gérmen de toda a perdição, origem de todos os males, pode na riqueza haver salvação?

Disse o Mestre que ninguém pode servir a dois senhores, e que se não pode servir a Deus e à riqueza. Igualou assim, na sua ação sobre o homem, Deus e Riqueza. Os dois pôs em antagonismo. Não pode servir o homem a Deus e à Riqueza? E porquê? Porque em Deus está a salvação e a Perdição na Riqueza; e não se pode amar a salvação servindo a perdição.

E não haverá salvação na Riqueza? Disse o Mestre que mais fácil é fazer passar um calabre pelo fundo de uma agulha que um rico entrar no reino dos Céus. Mas, se é assim, pode um rico entrar nos Céus. E qual será o caminho que o rico aos Céus pode conduzir? E' a própria riqueza. Nela tem a perdição e nela tem a salvação. Pode a riqueza inspirar ao mal, como inspirar ao bem. Já conhecemos nós como é ela o instrumento da Perdição, vamos ver agora como pode ser o instrumento da Salvação.

E' a riqueza como Jano: em ter duas caras. Jano podia olhar para o passado e para o futuro; a riqueza pode olhar para o mal e para o bem. Era Jano o deus da paz, o regente da abundância; pode a riqueza ser a deusa da felicidade, a regente da caridade. E' a riqueza como certa ordem de remédios que produzem o mal e produzem o bem. Aplicados em conta, são veículos da saúde; aplicados em demasia, conduzem ao sofrimento e à morte. (...)

08 - Na Seara do Mestre - Vinícius - pág. 101

Vaidade
Vantías vanitatum, et omnia vanitas, ECLESIASTES
Este mundo, como planeta de categoria inferior, é um grande palco de vaidades onde se entrechocam as vítimas daquele mal. Dizemos — vítimas — porque realmente o são todos os que se deixam enredar nas malhas urdidas pelas múltiplas modalidades em que o orgulho se desdobra.

A vaidade sempre produz resultado oposto àquele a que suas vítimas aspiram, confirmando destarte a sábia assertiva do Mestre: Os que se exaltam serão humilhados. Se meditássemos na razão por que Jesus, no Sermão do Monte, primeiro contacto que teve com o povo, iniciou aquela prédica dizendo — bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus —, ficaríamos sabendo que a soberba, sob seus vários aspectos, constitui a pedra de tropeço que embarga nossos passos na conquista dos bens imperecíveis consubstanciados no reino de Deus.

Geralmente se costuma glosar em todos os tons a vaidade da mulher. E que diremos da do homem? A vaidade da mulher está na periferia, é inócua, quase inocente. Seus efeitos recaem sobre ela própria, não afeta terceiros; demais, o tempo mesmo se incumbe de corrigi-la, mostrando-lhe a ingenuidade de sua presunção.

E a do chamado sexo forte? Realmente, ao menos nesse particular a denominação assenta-lhe perfeitamente. A vaidade do homem é profunda, radica-se nos refolhos recônditos do seu coração. E' cruel, é feroz e sinistra em seus malefícios, cujos efeitos, por vezes, separam amigos, destroem povos e arruinam nações. A vaidade do homem tem feito correr rios de sangue e torrentes de lágrimas, estendendo o negro véu da orfandade sobre milhares de seres que mal haviam iniciado a existência.

Para comprovarmos o asserto, temos o testemunho da história do passado e a do presente. Que fizeram os tiranos ditadores de ontem e de hoje? Que fator, senão a vaidade, preponderou no ânimo dos Napoleões, dos Júlios Césares, dos Hitlers e dos Mussolinis, levando-os a desencadearem conflagrações, cada um na sua época, tripudiando sobre a vida humana, direito, a liberdade e a justiça? Diante, pois, dos flagelos e das hecatombes deflagradas pela vaidade masculina, que representam o "baton", o "rouge", o esmalte, as "permanentes"? Coisas infantis, íngenuidades!

Cumpre ainda assinalarmos aqui que os edificantes exemplos de humildade registados nos Evangelhos não tiveram nos homens os seus protagonistas, mas nas mulheres. Haja vista a atitude de Maria de Nazaré, já quando recebeu a investidura de Mãe do Cristo de Deus, já no que respeita à compostura em que se manteve, acompanhando o desenrolar dos acontecimentos que se relacionavam com seu Filho, da manjedoura à cruz.

A figura quase apagada em que Maria se conservou é o pedestal de glória em que refulge seu adamantino Espírito, justificando assim a justeza e a propriedade da sentença do Senhor: Os que se humilham serão exaltados.

Dizem que as guerras também contribuem para a obra da evolução. E' certo que Deus sabe tirar das próprias loucuras, que os homens cometem, os meios de corrigi-los e aperfeiçoá-los; todavia, não é menos certo que Deus não precisa nem necessita de tais insânias para realizar seus desígnios.

A guerra, portanto, sendo uma calamidade, uma infração monstruosa das leis humana e divina, nada pode apresentar que a justifique. Como fruto do atraso moral, da cegueira espiritual e da vaidade dos homens, está condenada e proscrita pela consciência cristã revivida e proclamada pela Terceira Revelação.

13 - Parnaso além túmulo - Espíritos Diversos - pág. 246

TUDO VAIDADE

Na Terra a morte é o trágico resumo
De vanglórias, de orgulhos e de raças;
Tudo no mundo passa, como passas,
Entre as aluviões de cinza e fumo.

Todo o sonho carnal vaga sem rumo,
Só o diamante do espírito sem jaças
Fica indene de todas as desgraças,
De que a morte voraz faz seu consumo.

Nesse mundo de lutas fraticidas,
A vida se alimenta de outras vidas,
Num contínuo combate pavoroso;

Só a Morte abre a porta das mudanças
E concretiza as puras esperanças
Nos países seráficos do gozo!

15 - Segue-me - Emmanuel - pág. 123

PÁGINA DO NATAL
"Luz para alumiar as nações". (Lucas, 2:32)
Há claridades nos incêndios destruidores que consomem vidas e bens. Resplendor sinistro transparece nos bombardeios que trazem a morte. Reflexos radiosos surgem do lança-chamas. Relâmpagos estranhos assinalam a movimentação das armas de fogo.

No Evangelho, porém, é diferente. Comentando o Natal assevera Lucas que o Cristo é a Luz para alumiar as nações. Não chegou impondo normas ao pensamento religioso.

Não interpelou governantes e governados sobre processos políticos. Não disputou com os filósofos quanto às origens do homem. Não concorreu com os cientistas na demonstração de aspectos parciais e transitórios da vida. FEZ LUZ NO ESPÍRITO ETERNO.

Embora tivesse o ministério endereçado aos povos do mundo, não marcou a sua presença com expressões coletivas de poder, quais exército e sacerdócio, armamentos e tribunais.

Trouxe claridade para todos, projetando-a de Si mesmo. Revelou a grandeza do serviço à coletividade por intermédio da consagração pessoal ao Bem Infinito.

Nas reminiscências do Natal do Senhor, meu amigo, medita no próprio roteiro. Tens suficiente luz para marcha? Que espécie de claridade acendes no caminho?

Foge ao brilho fatal dos curtos-circuitos da cólera, não te contentes com a lanterninha da vaidade que imita o pirilampo em vôo baixo dentro da noite, apaga a labareda do ciúme e da discórdia que atira corações aos precipícios do crime e do sofrimento.

Se procuras o Mestre Divino e a experiência cristã lembra-te de que, na Terra, há clarões que ameaçam, perturbam, confundem e anunciam arrasamento...

Estarás realmente cooperando com o Cristo, na extinção das trevas, acendendo em ti mesmo aquela sublime luz para alumiar!

17 - Vinha de luz - Emmanuel - pág. 41

15. NÃO ENTENDEM
"Querendo ser doutores da lei, e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam". - Paulo (I Timóteo, 1:7)
Em todos os lugares surgem multidões que abusam da palavra. Avivam-se discussões destrutivas, na esfera da ciência, da política, da filosofia, da religião. Todavia, não somente nesses setores da atividade intelectual se manifestam semelhantes desequilíbrios.

A sociedade comum, em quase todo o mundo, é campo de batalha, nesse particular, em vista da condenável influência dos que se impõem por doutores em informações descabidas. Pretensiosas autoridades nos pareceres gratuitos, espalham a perturbação geral, adiam realizações edificantes, destroem grande parte dos germens do bem, envenenam fontes de generosidade e fé e, sobretudo, alterando as correntes do progresso, convertem os santuários domésticos em trincheiras da hostilidade cordial.

São esses envenenadores inconscientes que difundem no solo da vida, e quem determina isto ou aquilo está consolidando a semeadura.

Muitos espíritos nobres são cultivadores das árvores da verdade, do bem e da luz; entretanto, em toda parte movimentam-se também os semeadores do escalracho da ignorância, dos cardos da calúnia, dos espinhos da maledicência.

Através deles opera-se a perturbação e o estacionamento. Abusam do verbo, mas pagam a leviandade a dobrado preço, porquanto, embora desejem ser doutores da lei e por mais intentem confundir-lhe os parágrafos e ainda que dilatem a própria insensatez por muito tempo, mais se aproximam dos resultados de suas ações, no círculo das quais, essa mesma lei lhes impõe as realidades da vida eterna, através da desilusão, do sofrimento e da morte.

18 - Vozes do grande além - Espíritos diversos - pág. 232

56. PALAVRAS DE ALERTA.

Atingiram a fase terminal da nossa reunião de 12 de julho de 1956, quando, trazido por nossos benfeitores, compareceu em nosso recinto o Espírito J.C. que foi festejado e discutido médium de materializações nos arraiais espíritas do Brasil. Usando o canal psicofônico, J.C. recentemente desencarnado, evidenciava grande tortura íntima, ofertando-nos grave advertência que, sinceramente, nos impele a demorada meditação.

Sou um médium desencarnado, pedindo ajuda para os médiuns que ainda se encontram no corpo físico...um companheiro que baixou, ferido à retaguarda, rogando socorro para aqueles soldados que ainda perseveram na frente. Isso, porque a frente vive superlotada de inimigos ferozes...inimigos que são a vaidade e o orgulho, a ignorância e a fragilidade moral, a inconformação e o egoísmo, a rebeldia e a ambição desregrada, a se ocultarem na cidadela de nossa alma, e que, muitas vezes, são reforçados em seu poder de assalto por nossos próprios amigos, porquanto, a pretexto de afetividade e devoção carinhosa, muitos deles nos comprometem o trabalho e, quase sempre, levianos e infantis, nos conduzem à ruína da sagrada esperança com que renascemos na experiência terrestre.

Sou o companheiro J. C., que muitos de vós conhecestes. A jornada foi curta, mas acidentada e difícil. E, trazendo comigo os sinais da imensa luta, a se exprimirem por remorsos e lágrimas, apelo para vós outros, a fim de que haja em nós todos, médiuns, doutrinadores, tarefeiros e beneficiários da Causa Espírita, uma noção mais avançada de nossas responsabilidades, diante do Cristo, nosso Mestre e Senhor.

Comecei retamente a empreitada, mas era demasiadamente moço e sem qualquer instrução que me acordasse a visão íntima para as consequências que me adviriam do cumprimento feliz ou infeliz das minhas obrigações. Meus recursos medianímicos eram realmente os da materialização e, com eles, denodados benfeitores das esferas mais elevadas tutelavam-me a existência; entretanto, fugi ao estudo, injustificavelmente entediado das lições alusivas aos meus deveres e minha culpa foi agravada por todos aqueles amigos que, na sede inveterada de fenômenos, me alentavam a ignorância, como se eu não tivesse o compromisso de acender uma luz no coração para que a romagem fosse menos árdua e o caminho menos espinhoso.

Com semelhante leviandade, surgiram as exigências — exigências altamente remuneradas, não pelo dinheiro fácil, mas pela notoriedade social, pelas relações prestigiosas e por todas as situações que nos estimulam a vaidade — quais se fôssemos donos das riquezas que nos bafejam o espírito, ainda imperfeito, em nome de Nosso Pai.

Em vista disso, mais cedo que eu poderia esperar, multidões da sombra, interessadas no descrédito de nossas atividades, cercaram-me o roteiro. E, por mais me alertassem os Instrutores que jamais nos abandonam, as grossas filas de quantos me acenavam com a falsa estimação de meu concurso apagavam-me os gritos da consciência, transferindo-me, assim, à condição de joguete dos encarnados e dos desencarnados, menos apto ao convívio das revelações de nossa Doutrina Consoladora, com o que lhes aceitava, sem relutância, as sugestões magnéticas, agindo ao sabor de caprichos inferiores e delinquentes.

Cabe-me afirmar, com todo o amargor da realidade, que, distraído de mim mesmo, apático e semi-inconsciente, prejudiquei o elevado programa de nossos orientadores; contudo, os atenuantes de minha falta revelaram-se aqui, em meu favor, e a Providência Divina amparou o servo que caiu, desastrado, e que somente não desceu mais intensamente ao bojo das sombras, porque, com a bênção de Jesus, me despedi do mundo em extrema pobreza material, deixando a família em proveitosas dificuldades.

Comecei bem, repito, mas a inexperiência incensada fez-me olvidar o estudo edificante, o trabalho espontâneo de socorro aos doentes, a proteção fraterna aos necessitados e desvalidos e, segregado numa elite de criaturas que me desconheciam a gravidade da tarefa, entreguei-me, sem qualquer defensiva, ao domínio das forças que me precipitaram no nevoeiro.

Com o auxílio do Senhor, porém, antes que a delinquência mais responsável me estigmatizasse o espírito, a mão piedosa da morte física me separou do corpo que eu não soube aproveitar. É por isso que, em vos visitando, qual soldado em tratamento, rogo para que os médiuns encontrem junto de vossos corações não apenas o testemunho das realidades espirituais, tantas vezes doloroso de dar-se e difícil de ser obtido, pelas deficiências e fraquezas de que somos portadores, mas também a partilha do estudo nobre, da fraternidade viva, do trabalho respeitável e da reta consciência...

Que eles sejam recebidos tais quais são...Nem anjos, nem demônios. Nem cobaias, nem criaturas milagreiras. Guardemo-los por irmãos nossos, carregando consigo as marcas da Humanidade, solicitando redenção e sacrifício, abnegação e sofrimento. A árvore para produzir com eficiência deve receber adubo no trato de solo em que o Senhor a fez nascer.

O rio para espalhar os benefícios de que é mensageiro, em nome da Natureza Divina, pode ser retificado e auxiliado em seu curso, mas não pode afastar-se do leito básico. Oxalá possam os médiuns aprender que mais vale ser instrumento das consolações do espírito, na intimidade de um lar, ao aconchego de uma só família, que erigir-se em cartaz da imprensa, submetido a experimentações que, em muitas circunstâncias, acabam em frustração e bancarrota moral.

Saibam todos que mais vale socorrer a chaga de um doente, relegado ao desprezo público, que produzir fenômenos de espetaculares efeitos, cuja fulguração, quase sempre, cega aqueles que os recebem sem o preparo devido. Ah! meus amigos, o Espiritismo é o tesouro de luz de que somos, todos nós, quando entre os homens, carregadores responsáveis, para que a Humanidade se redima! ...

Lembremo-nos de semelhante verdade, para que todos nós, na doutrinação e na mediunidade, na beneficência e no estudo, estejamos de atalaia contra os desastres do espírito, mantendo-nos no serviço constante da humildade e do amor, de modo a vencermos, enfim, a escabrosa viagem para os montes da Luz.

LEMBRETE:

1° - A palavra vaidade possui duas significações: a-qualidade do que é vão, instável, de pouca duração; b-desejo exagerado de atrair a admiração ou as homenagens dos outros. Rodolfo Caligaris

2° - A vaidade na excursão difícil, a que nos afeiçoamos com as nossas tarefas, é o rochedo oculto, junto ao qual a embarcação de nossa fé mal conduzida esbarra com os piratas da sombra, que nos assaltam o empreendimento, buscando estender o nevoeiro do descrédito ao ideal que esposamos, valendo-se, para isso, de nosso próprio desmanzelo. Francisco C. Xavier

3° - A vaidade é um verdugo sutil. Irmão X

Edivaldo