VIOLÊNCIA
BIBLIOGRAFIA
01- A agonia das religiões - pág. 115 02 - A educação da nova era - pág. 38
03 - A mansão Renoir - pág. 262 04 - Alerta - pág. 81
05 - Antologia do perispírito - ref. 294 06 - Após a tempestade - pág. 40
07 - Chico e Emmanuel - pág. 21 08 - Coragem - pág. 52
09 - Inquisição, A época das trevas - toda a obra 10 - Lázaro redivivo - pág. 204
11 - O consolador - pág. 95 12 - O Evangelho S.o Espiritismo - pág. cap. IX
13 - O Livro dos Espíritos - q. 161 14 - Pérolas do além - pág. 236
15 - Quando voltar a primavera - pág. 84

16 - Respositório de sabedoria - pág. 284

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VIOLÊNCIA – COMPILAÇÃO

01- A agonia das religiões - J. Herculano Pires - pág. 115

CAPÍTULO - XIV O PROBLEMA DA VIOLÊNCIA
Chamamos Civilização do Espírito aquela em que os poderes espirituais regerão a vida social. Para isso é necessário que a sociedade seja constituida por seres morais, criaturas formadas nos princípios da moral-consciencial. Essa moral corresponde ao que Hubert considera as exigências da consciência. Não se trata, pois, de um conceito de moral metafísica, de uma formulação utópica de sonhadores.

Mesmo que o fosse, a definição da utopia por Karl Mannheim nos socorreria quanto à sua validade. Se as utopias são, como quer Mannheim, percepções antecipadas de realidades futuras — possibilidade provada pelas pesquisas parapsicológicas — nem assim estaríamos tratando de hipóteses vazias. Mas quando aludimos à consciência estamos pisando na terra e não olhando para o céu. A consciência é um dado positivo, uma realidade antropológica e social que ninguém se atreveria a contestar. Ela rege a nossa vida, o nosso comportamento nas relações humanas e por isso se projeta de maneira inegável no plano do sensível.

Sabemos que a consciência varia de graus no tocante à sua estrutura e à sua coerência. E sabemos também quais os perigos concretos de uma consciência imatura, ainda não suficientemente definida, e portanto frouxa ou incoerente, contraditória, que pode produzir catástrofes no âmbito da sua influência ou do seu domínio. As variações da moral entre os grupos humanos e as próprias civilizações decorrem mais da posição da consciência dominante na sociedade do que dos fatores mesológicos e suas consequências econômicas. No plano religioso a consciência é um fator determinante da realidade religiosa. A consciência judaica de Saulo de Tarso fez dele um perseguidor sanguinário dos cristãos primitivos, o lapidador cruel de Estevão.

Mas, ao ajustar a sua consciência aos princípios cristãos, ele se transformou no Apóstolo dos Gentios e no maior propagador do Cristianismo. As exigências da consciência são sempre as mesmas em todos os homens. As variações de graus e de coerência decorrem do processo de maturação e das condições de meio e educação. A consciência amadurece na proporção em que as experiências vão revelando ao espírito o seu anseio latente de transcendência. A vontade de potência, de Nietzshe, é o primeiro impulso que leva o homem, ainda na selva, a querer sobrepujar os outros, elevar-se acima das condições gerais do meio.

Esse impulso se prolongará no processo evolutivo. O homem se envaidece com a sua capacidade de subjugar os outros, de mandar, de impor medo, respeito, submissão aos demais. Sua consciência se abre no plano individual, fechada nos limites de si mesma. É o reconhecimento do seu poder que naturalmente o embriaga e o levará a excessos perigosos. Mas na proporção em que os liames do clã se desenvolvem, o parentesco, a simpatia e as afinidades se revelam, a embriaguez do poder vai sendo atenuada, contida pela percepção dos limites inevitáveis. Depois, o esgotamento progressivo das forças físicas e o perigo das doenças, das competições com iguais ou mais fortes, e por fim a certeza da morte irão abatendo a sua arrogância.

Nas reencarnações sucessivas essas experiências se renovam, mas o impulso de transcendência se acentua, levando-o, a procurar outros meios de superação: o poder social, a hipocrisia, a estratégia das posses materiais e das posições de mando. Só lentamente, ao longo do tempo, sujeito às reações que o enredam em situações difíceis, muitas vezes torturantes, sua consciência começa a abrir-se para o respeito dos outros.. A interação social, na recíproca das obrigações e das necessidades, na transformação dos instintos em sentimentos, irá pouco a pouco despertando-o para novas dimensões conscienciais.

A violência do homem civilizado tem as suas raízes profundas e vigorosas na selva. O homo brutalis tem as suas leis: subjugar, humilhar, torturar, matar. O seu valor está sempre acima do valor dos outros. A sua crença é a única válida. O seu modo de ver o mundo e os homens é o único certo. O seu deus é o único verdadeiro. Só o que é bom para ele é bom para a comunidade. Os que se opõem aos seus desígnios devem ser eliminados pelo bem de todos. A violência é o seu método de ação, justificado pelo seu valor pessoal, pela sua capacidade única de julgar. Tece ele mesmo a trama de fogo do seu futuro nas encarnações dolorosas que terá de enfrentar. As religiões da violência fizeram de Deus uma divindade implacável e os livros básicos de suas revelações estão cheios de homicídios e genocídios em nome de Deus.

Não obstante, misturam-se às ordenações violentas estranhos preceitos de amor e bondade. São as lições de consciências desenvolvidas lutando para despertar as que, endurecidas no apego a si mesmas, asfixiam os germes do altruísmo nas garras do egoísmo. É um espetáculo dantesco o de uma alma vigorosa dotada de intelecto capaz de entender as suas próprias contradições, mas empenhada em negar a sua condição humana, rebaixando-se aos brutos ao invés de buscar a elevação moral a que se destina. Nos momentos de transição, como este que estamos vivendo, a violência desencadeada exige a oposição vigorosa e sacrificial dos que já atingiram o desenvolvimento consciencial da civilização.

A cumplicidade com as práticas de violência, por parte de consciências esclarecidas, retarda a evolução coletiva e rebaixa o cúmplice a posições indignas. O mesmo acontece no tocante à aceitação de princípios errôneos por conveniência. O espírito se coloca então em luta consigo mesmo, negando o seu próprio desenvolvimento consciencial e ateando em si mesmo a fogueira dos remorsos futuros. A Civilização do Espírito se torna, assim, o resultado de um parto doloroso. Mas, como todos os partos, tem de ser feito.E se acaso for possível o aborto, a civilização se fechará sobre si mesma e todos os responsáveis mergulharão com ela nas trevas da miséria moral.

As fases de transição, na evolução dos mundos, são também fases de julgamento individual das criaturas que os habitam. Daí o mito do Juízo Final, em que todos serão julgados. Mas não haverá um Tribunal Divino nas nuvens, porque esse tribunal está naturalmente instalado na consciência de cada indivíduo. A presença do julgador é onímoda e fatal, porque cada qual será juiz implacável e inevitável de si-mesmo. A agonia das religiões é a agonia de um mundo. Por isso a Terra inteira participa dessa mesma agonia. A queda dos deuses mitológicos do mundo clássico foi também a queda dos grandes impérios.

Em vão César procurou desligar-se de Júpiter e aceitar o Deus Único. A conversão do Império foi a sua própria morte. A Idade Média procurou restabelecer o reino da violência em nome de Jesus. Durou um milênio, pois a integração dos bárbaros na ordem cristã exigia uma reelaboração demorada e um reajuste penoso das contradições culturais. O Renascimento marcou o advento do que parecia ser, na verdade, uma civilização cristã. Mas os resíduos da violência continuaram a fermentar nas novas estruturas sócio-culturais. A prova histórica de que a carga de violência era enorme está hoje aos nossos olhos, na explosão de violências em toâos os níveis do mundo contemporâneo.

Nossa esperança é a de que essa explosão seja a catarse final. O homo brutalis vai desaparecer. Mas para isso é necessário o despertar de novas dimensões na consciência atual. Não será sustentando e justificando as estruturas religiosas envelhecidas, submissas às ordenações do passado bíblico, que facilitaremos o advento da nova era. Muito menos pela negação da própria essência, do homem, através de ideologias materialistas. A busca da intimidade pessoal com Deus, em termos fantasiosos, ou a negação de Deus em nome de uma razão ilógica são formas contraditórias de asfixia da consciência. A rejeição do Evangelho ou a manutenção de sua interpretação sectária equivalem igualmente à negação dos valores espirituais do homem.

A estrutura moral da consciência está delineada de maneira indelével nas páginas do ensino moral de Jesus. Temos de aprofundar o seu estudo e procurar aplicá-lo em nossa vivência social. A civilização Cristã vai sair agora do tubo de ensaio, concretizar-se na forma real de uma Civilização do Espírito, em que os princípios espirituais se encarnarão nas normas de conduta, nas formas de comportamento do Novo Homem. O problema das relações humanas, colocado em forma de etiqueta nas velhas civilizações nobiliárquicas do Oriente e do Ocidente, formalizado ao extremo nos tempos feudais, e convertido em protocolo de conveniências no mundo moderno e contemporâneo, terá de voltar ao ponto de partida dos ensinos e dos exemplos de Jesus.

A regra áurea do amor prevalecerá num mundo regido pela moral consciencial. Porque a primeira exigência da consciência humana é a do amor ao próximo, desprezada e amesquinhada nas sociedades mercenárias a ponto de levar-nos ao seu contrário o ódio, essa cegueira do espírito, que gera e sustenta a violência no mundo. O pragmatismo das sociedades contemporâneas coisificou o homem, o que vale dizer que o nadificou no plano moral. Pior do que a nadifirarfín teoria de Sartre, é essa nadificação em vida que reduz a criatura humana a objeto de uso. O homem retorna a condição dos instrumentos vocais de Cícero, um instrumento vocais de Cícero, um instrumento que fala.

Pode ser incluído entre os úteis ou amanuais de Heidegger, objetos manuseáveis. O public-relations de hoje é o fâmulo medieval aprimorado pela técnica, domesticado para sorrir e curvar-se em todas as ocasiões, pois o que importa é sempre o lucro, o que vale é a relação social em termos de vantagens, sempre que possível, pecuniárias. Esse aviltamento total do homem abriu as comportas da violência represada debilmente pelas barreiras artificiais da civilização. Como estamos vendo no panorama mundial da atualidade, com exemplos gritantes diariamente divulgados pelos meios de comunicação, a besta-fera das selvas arrombou as jaulas convencionais e tripudia sobre a fragilidade humana.

Contra essa realidade exasperante de nada valem os sermões, as pregações, as ladainhas e outras preces labiais. O mesmo indivíduo que se ajoelha diante das imagens, nos templos suntuosos, volta ao seu posto de mando para ordenar torturas canibalescas. Está certo que Deus o aprova, pois age em defesa da civilização cristã, aviltando aqueles pelos quais o Cristo morreu, segundo lembrou Stanley Jones. No começo do século, Léon Tolstoi já advertia que estamos numa era de nova antropofagia, então requintada pelas técnicas modernas. Hoje, na era tecnológica, os instrumentos de opressão, tortura e aniquilamento do homem atingiram a máxima perfeição diabólica. Tudo isso porque? Porque a deformação da mente e o aviltamento da conciência desumanizou o homem.

Seria loucura responsabilizar unicamente as religiões por essa calamidade. Mas seria hipocrisia querer isentá-las de culpa. Elas se apegaram à matéria em nome do espírito e asfixiaram este em suas estruturas pragmáticas. Cabe-lhes pelo menos metade da culpa, pois que se fizeram mestras e orientadoras da civilização, participando ativamente dos maiores desmandos através dos séculos, quando não os dirigia. Estatizando-se ou não, todas elas trocaram o mandato divino pelos poderes de César. E se não se aniquilaram mutuamente, não foi por piedade, mas porque jogaram habilmente a sua sorte sobre a túnica do crucificado e os dados romanos favoreceram a todas.

Apesar dessa voracidade mundana, almas valentes como a de Lutero, humildes e piedosas como a de Francisco de Assis, irredutíveis como a de John Huss, límpidas como a de Maria D'Ageada sacrificaram-se para tentar salvá-la e insuflar-lhes a seiva cristã de seus novos exemplos. Os mártires da fé não foram apenas perseguidos e esmagados pelos ímpios. Dentro de suas próprias confissões religiosas, nos calabouços medievais que refletiam o Inferno na Terra, e até mesmo no mundo moderno, apesar dos trágicos exemplos históricos, em nações profundamente marcadas pelo fogo do fanatismo religioso, milhares de mártires continuaram sofrendo as ameaças e os castigos do Deus bíblico implacável, através de seus estranhos e temíveis capatazes.

Ainda não surgiu, infelizmente, o gênio da Psicologia que deverá, mais cedo ou mais tarde, realizar a análise assombrosa dos complexos sem nome de misticismo, sadismo e barbárie que Freud apenas aflorou em suas pesquisas da libido. Será um balanço apocalíptico da escatologia das religiões da violência. Não proponho estes problemas em tom de acusação, mas de análise. Os maiores mártires, na verdade, foram os próprios carrascos, que aviltaram primeiro a si-mesmos, condenando-se perante o tribunal da consciência, cujas auto-sentenças brotam como labaredas das próprias entranhas do criminoso, digno de piedade e perdão como todas as criaturas humanas.

Minha intenção é apenas a de prevenir, sacudir e acordar os que continuam errando, na vaidosa ilusão de uma investidura divina contrária aos princípios funda­mentais do Evangelho. A imortalidade do ser é a sua própria e irreversível condenação, ante as leis de Deus inscritas em sua consciência. A vantagem do Espiritismo, entre todas as doutrinas filosóficas do nosso tempo, é a de colocar os problemas do homem, mesmo no campo religioso, em termos de razão e naturalidade, eliminando os resíduos do sobrenatural que pesaram esmagadoramente sobre o passado, sem cair no ceticismo e no agnosticismo. Essa posição suis generis do Espiritismo permite-lhe preparar o homem atual para uma existência normal e digna no futuro, desde que os espíritas, tão sobrecarregados de heranças religiosas deformantes, não venham a cair nas mesmas e nefastas ilusões da investidura divina e da institucionalização hierárquica das religiões da violência.

Não escrevi este ensaio com fins proselitistas, pois uma doutrina aberta, sem finalidades salvacionistas, fundada em métodos científicos de observação e pesquisa, como o próprio Kadec afirmou, não é uma caçadora de adeptos. O que lhe interessa não é combater as religiões ou tirar de suas fileiras os que nelas se sentem bem, mas apenas oferecer aos homens de bom-senso uma visão realista e por isso mais ampla e mais profunda do homem e do seu destino no espaço e no tempo. Só essa compreensão racional e superior do Universo, em que o homem aparece integrado nas leis naturais, poderá modificar a mentalidade confusa e contraditória do nosso tempo e preparar-nos para a Era Cósmica, na qual a Terra só poderá entrar com a Civilização do Espírito.

Nessa civilização, que será a única digna dessa classificação, a única civilização autêntica, os homens estarão investidos do único mandato realmente divino (considerando-se o divino como uma categoria superior à do humano) que decorre das exigências de sua consciência moral. René Hubert interpreta a Educação, no seu Traité de Pedagogie Generale, como um processo que tem por finalidade estabelecer na Terra a solidariedade de consciências, da qual resultará uma estrutura política e social que ele chama de República dos Espíritos. É essa República, em que a rés não se limita às coisas materiais, mas se estende sobretudo às consciências, proclamando o primado do espírito no planeta, que o Espiritismo pretende atingir pelo trabalho e a compreensão dos homens. Porque a tarefa é nossa e não de entidades mitológicas de qualquer espécie.

Se insisto na tônica do Cristianismo não é por menosprezo às demais correntes de pensamento religioso, mas porque a experiência histórica, apesar de todos os pesares já anteriormente referidos, prova que somente ele mostrou-se capaz de reformular o mundo em sua globalidade. As energias espirituais e a orientacão racional do ensino moral do Cristo, encerrado no complexo de mitos dos Evangelhos já estão, segundo entendo, os elementos que podem e realmente já estão balizando o futuro da humanidade terrena. O importante é chegarmos a esse futuro pelos meios adequados, com o mínimo de conflitos criminosos e o máximo de compreensão racional dos nossos objetivos. Como observou Gandhi em suas memórias, os meios que nos podem levar à verdade e à dignidade só podem ser verdadeiros e dignos. Esses meios não precisam da justificação dos fins, pois justificam-se por si mesmos.

02 - A educação da nova era - Dora Incontri- pág. 38

IV - A CRIANÇA HOJE
Se educar já é em si mesma uma tarefa intrincada, educar no momento atual é problema multiplicado por mil. Primeiro, pelas forças contrárias da massaficação, comentadas no capítulo anterior. Segundo, pelas modificações que a condição infantil vem sofrendo nas últimas décadas. Décadas atrás, as meninas de 14 anos andavam às voltas com bonecas e os meninos empinavam papagaio.

A pureza das crianças era um fato. Seu horizonte não ultrapassava os tranquilos livros didáticos e os brinquedos inocentes. Por isso também, para educá-las, bastava um olhar enviezado dos pais. Viviam num mundo à parte dos adultos e o chinelo e o Papai Noel exerciam sobre elas, grande poder de coerção.

Mas aquele mundo infantil de quietude e sonho desmoronou sob o impacto da era da eletrônica. Hoje, ser criança não significa absolutamente ser um anjo de candura, distante da maldade dos homens. A televisão e a internet invadiram os lares e as crianças despertam cedo para a realidade. São logo arrancadas do seu universo de fantasia, estimuladas pela violência e pelos apelos precoces do sexo.

Os meios de comunicação mudaram a infância. E se por um lado, chocaram-na contra a rudeza de um mundo conturbado, deram-lhe maior perspicácia e agudeza de espírito. As informações que uma criança tem hoje, nossos avós demoravam uma vida toda para adquirir. E e esse grau de conhecimentos a torna mais curiosa e aberta a outras conquistas. O período de inocência e tranquilidade infantil está tendendo a diminuir sempre mais. Cada vez mais cedo e com maior intensidade, as inquietações da adolescência brotam, acrescidas pelos múltiplos e desencontrados apelos das revistas pornográficas, da mídia eletrônica, das drogas, do consumismo, do mau gosto e da vulgaridade.

Seria possível e mesmo desejável uma volta aos padrões antigos? A verdade é que não podemos barrar a avalanche da evolução. Diziam os Espíritos a Kardec que, em mundos mais adiantados, o período de infância é bem mais curto que o terrestre; às vezes até ausente. Não estaremos caminhando para isso? Porém, se a oposição ao progresso é loucura, lavarmos as mãos diante dele é irresponsabilidade. É nosso dever controlá-lo, direcioná-lo e moldá-lo conscientemente. E na questão da infância, há muito o que fazer nesse sentido.

Seria desejável - e essa é uma meta a ser atingida a longo prazo - que as crianças só recebessem do mundo que as cerca, mensagens boas e construtivas. Ao invés, hoje, elas são bombardeadas dia e noite pela violência e pela sensualidade desenfreada. Só pode caber aos pais, a tarefa de amortizar essa deseducação constante por que a infância passa.

Não se pense, porém, que isso seja de fácil execução. Não basta dar meia dúzia de sermões bem feitos para se educar uma criança. Há que se acompanhá-la a cada passo, em casa, na escola, no lazer, observando seu comportamento, estando sempre a par do que acontece à volta e dentro dela. Não retirá-la do mundo, mas estar com ela nesse mundo, explicando e solidificando princípios, muitas vezes não encontráveis lá fora.

As crianças devem conhecer pouco a pouco a realidade como ela é, mas entendê-la sob o prisma de uma Educação equilibrada, que lhes dará inclusive instrumentos para modificá-la. Mas para estar com a criança no mundo e orientá-la pelos tropeços da realidade, é preciso que os pais, em primeiro lugar, conheçam muito bem esse mundo. A falta de informação é fatal em nossos dias. Quem vive alienado, estagnado e desatualizado, enclausurado em seus afazeres diários, nunca poderá permanecer à testa da Educação dos próprios filhos.

Mais tempo, menos tempo, perderão completamente o respeito das crianças, que são bastante espertas para verem que os pais são uns bobalhões. Mesmo havendo conhecimento de causa por parte dos pais, para que uma Educação de equilíbrio e uma orientação firme na percepção das coisas possam se efetivar, é indispensável uma palavra-chave no relacionamento familiar: diálogo. Sem isso, só pode haver imposição cega ou indiferença culposa.

04 - Alerta - Joanna de Ângelis - pág. 81

26. VIOLÊNCIA E JESUS
Diante da agressividade que te vigia, impiedosa, exerce o equilíbrio, guardando serenidade. Em todos os trâmites da vida, Jesus é o modelo e guia em quem encontramos a diretriz de segurança. Acicatado pela impiedade farisaica, Ele preconizou o amor indistinto. Perseguido pela malta irresponsável, Ele recomendou o perdão.

Instado a aceitar a justiça arbitrária, Ele propôs a resignação e a humildade. Antes, porém, em todos os Seus passos, vemos Sua vida assinalada pela total abnegação, com que estabeleceu, na Terra, o primado do Espírito Imortal. Quando a fome angustiava a multidão, Ele transformou peixes e pães em abundante repasto para todos.

Quando defrontou a mulher equivocada, que lhe foi trazida para lapidação, Ele ensinou misericórdia. Insulado, na soledade, buscou Deus. Abandonado pelos comensais do seu afeto, volveu a demonstrar fidelidade ao amor. Traído por um amigo, distendeu a Sua magnanimidade como lição de complacência. Nunca receitou a violência.

A violência, nos quadros do Cristianismo, não vige, em página alguma. Quando hoje, a Terra em aturdimento estertora sob os guantes da agressividade e da violência, que se transformam em lobos ferozes, apavorando os homens, Jesus prossegue o modelo. Não te deixes engalfinhar na luta da arbitrária justiça pelas próprias mãos. Toda violência oculta um ser enfermo, que extrapola da sua dor para a agressão infeliz.

Somente o amor em plenitude e a paz em profundidade podem constituir antídotos eficazes para minimizar a força hiante que avassala o mundo e expulsar este adversário, que se disfarça: o egoísmo! Nenhuma medida existe, a curto prazo, para deter a onda desencadeada pela invigilância desde há muito.

A tarefa que te cumpre realizar é a da educação das gerações moças pelo exemplo de total dignificação humana sob as bênçãos do Senhor. Nenhuma pena capital pode erradicar a paixão ultriz que vige no homem. A tomada de atitude arbitrária mais açula a insânia do pervertido, enquanto que a solidariedade, destruindo o caldo de cultura criminógena, que fecunda, que enlouquece, é o recurso para diminuir e neutralizar a ação do mal que se espraia pelo mundo.

Quem tem Jesus no coração não tomba nas ciladas da impiedade, pois "somente lobos caem nas armadilhas para lobos". Não te deixes atemorizar pela onda de desespero, armando-te de violência para revidar golpe por golpe. O cristão se arma de paz e de amor para atender à luta que vem sendo desencadeada, concitando à misericórdia e ao perdão, em qualquer conjuntura anárquica e perturbadora da atualidade.

Sê tu quem ama, quem confia e quem realiza a resistência pacífica, a fim de mudar a paisagem da Terra e plantar no coração humano o Triunfador Invencível da Cruz. A violência é sempre sem Jesus. Jesus nunca em clima de violência.

08 - Coragem - Espíritos Diversos - pág. 52

15 - PARA RENOVAR-NOS
Não espere viver sem problemas, de vez que problemas são ingredientes de evolução, necessários ao caminho de todos. Ante os próprios erros, não descambe para o desculpismo e sim enfrente as consequências deles, a fim de retificar-se, como quem aproveita pedras para construção mais sólida.

Não perca tempo e serenidade, perante as prováveis decepções da estrada, porquanto aqueles que supõem decepcionar-nos estão decepcionando a si mesmos. Reflita sempre antes de agir, a fim de que seus atos sejam conscientizados.

Não exija perfeição nos outros e nem mesmo em você, mas procure melhorar-se quanto possível. Simplifique seus hábitos. Experimente humildade e silêncio, toda vez que a violência ou a irritação apareçam em sua área.

Comunique seus obstáculos apenas aos corações amigos que se mostrem capazes de auxiliar em seu benefício com discrição e bondade.

Diante dos próprios conflitos, não tente beber ou dopar-se, buscando fugir da própria mente, porque de toda ausência indébita você voltará aos estragos ou necessidades que haja criado no mundo íntimo, a fim de saná-los.

Lembre-se de que você é um espírito eterno e se você dispõe da paz na consciência estará sempre inatingível a qualquer injúria ou perturbação.

André Luiz.

11 - O consolador - Emmanuel - pág. 95

Perg. 150 - É possível que os espiritista venham a sofrer perturbações depois da morte?
- A morte não apresenta perturbações à consciência reta e ao coração amante da verdade e do amor dos que viveram na Terra tão somente para o cultivo da prática do bem, nas suas variadas formas e dentro das mais diversas crenças. Que o espiritista cristão não considere o seu título de aprendiz de Jesus como um simples rótulo, ponderando a exortação evangélica - "muito se pedirá de quem muito recebeu", preparando-se nos conhecimentos e nas obras do bem, dentro das experiências do mundo para a sua vida futura, quando a noite do túmulo houver descerrado aos seus olhos espirituais a visão da verdade, em marcha para as realizações da vida imortal.

Perg.- A morte violenta proporciona aos desencarnados sensações diversas da chamada "morte natural"?
- A desencarnação por acidentes, os casos fulminantes de desprendimento proporcionam sensações muito dolorosas à alma desencarnada, em vista da situação de surpresa ante os acontecimentos supremos e irremediáveis. Quase sempre, em tais circunstâncias, a criatura não se encontra devidamente preparada e o imprevisto da situação lhe traz emoções amargas e terríveis. Entretanto, essas surpresas tristes não se verificam para as almas, no caso das enfermidades dolorosas e prolongadas, em que o coração e o raciocínio se tocam das luzes das meditações sadias, observando as ilusões e os prejuízos do excessivo apego à Terra, sendo justo considerarmos a utilidade e a necessidade das dores físicas, nesse particular, porquanto somente com o seu concurso precioso pode o homem alijar o fardo de suas impressões nocivas do mundo, para penetrar tranquilamente os umbrais da vida do Infinito.

12 - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - cap. IX

INJÚRIAS E VIOLÊNCIAS
1 - Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a Terra. (Mateus, V: 4)
2 - Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. (Mateus, V:9)
3 - Ouvistes que foi dito aos antigos. Não matarás, e quem matar será réu no juízo. Pois eu vos digo que todo o que se ira contra o seu irmão será réu no juízo; e o que disser a seu irmão: "racca", será réu no conselho; e o que disse: és louco, merecerá a condenação do fogo do inferno (Mateus, V:21-22).

4 - Por estas máximas, Jesus estabeleceu como lei a doçura, a moderação, a mansuetude, a afabilidade e a paciência. E, por consequência, condenou a violência, a cólera, e até mesmo toda expressão descortês para com os semelhantes. RACCA era entre os hebreus uma expressão de desprezo, que significava HOMEM RELES, e era pronunciada cuspindo-se de lado. E Jesus vai ainda mais longe, pois ameaça com o fogo do inferno aquele que disser a seu irmão: És louco.

É evidente que nesta, como em qualquer circunstância, a intenção agrava ou atenua a falta. Mas por que uma simples palavra pode ter tamanha gravidade, para merecer tão severa reprovação? É que toda palavra ofensiva exprime um sentimento contrário à lei de amor e caridade, que deve regular as relações entre os homens, mantendo a união e a concórdia. É um atentado à benevolência recíproca e à fraternidade, entretendo o ódio e a animosidade. Enfim, proque depois da humildade perante Deus, a caridade para com o próximo é a primeira lei de todo cristão.

A CÓLERA - Um espirito protetor - Bordeaux, 1863
9. O orgulho vos leva a vos julgardes mais do que sois, a não aceitar uma comparação que vos possa rebaixar, e a vos considerardes, ao contrário, de tal maneira acima de vossos irmãos, seja na finura de espírito, seja no tocante à posição social, seja linda em relação às vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e vos fere. E o que acontece, então? Entregai-vos à cólera.

Procurai a origem desses acessos de demência passageira, que vos assemelham aos brutos, fazendo-vos perder o sangue-frio e a razão; procurai-a, e encontrareis quase sempre por base o orgulho ferido. Não é acaso o orgulho ferido por uma contradita, que vos faz repelir as observações justas e rejeitar, encolerizados, os mais lábios conselhos?

Até mesmo a impaciência, causada pelas contrariedades, em geral pueris, decorre da importância atribuída à personalidade, perante a qual julgais que todos devem curvar-se.

No seu frenesi, o homem colérico se volta contra tudo, à própria natureza bruta, aos objetos inanimados, que espedaça, por não lhe obedecerem. Ah! se nesses momentos ele pudesse ver-se a sangue-frio, teria horror de si mesmo ou se reconheceria ridículo!

Que julgue por isso a impressão que deve causar aos outros. Ao menos pelo respeito a si mesmo, deveria esforçar-se, pois, para vencer essa tendência que o torna digno de piedade.

Se pudesse pensar que a cólera nada resolve, que lhe altera a saúde, compromete a sua própria vida, veria que é ele mesmo a sua primeira vítima. Mas ainda há outra consideração que o deveria deter: o pensamento de que torna infelizes todos os que o cercam. Se tem coração, não sentirá remorsos por fazer sofrer as criaturas que mais ama? E que mágoa mortal não sentiria se, num acesso de arrebatamento, cometesse um ato de que teria de recriminar-se por toda a vida!

Em suma: a cólera não exclui certas qualidades do coração, mas impede que se faça muito bem, e pode levar a fazer muito mal. Isto deve ser suficiente para incitar os esforços por dominá-la. O espírita, aliás, é incitado por outro motivo: o de que ela é contrária à caridade e à humildade cristãs.

HAHNEMANN - PARIS, 1863
10. Segundo a idéia muito falsa de que não se pode reformar a própria natureza, o homem se julga dispensado de fazer esf para se corrigir dos defeitos em que se compraz voluntariamente ou que para isso exigiriam muita perseverança. É assim, por exemplo que o homem inclinado à cólera se desculpa quase sempre o seu temperamento. Em vez de se considerar culpado, atribu falta ao seu organismo, acusando assim a Deus pelos seus próprios defeitos. É ainda uma consequência do orgulho, que se encontra mesclado a todas as suas imperfeições.

Não há dúvida que existem temperamentos que se prestam melhor aos atos de violência, como existem músculos mais flexíveis que melhor se prestam a exercícios físicos. Não penseis, porém, que seja essa a causa fundamental da cólera, e acreditai que Espírito pacífico, mesmo num corpo bilioso, será sempre pacífico, enquanto um Espírito violento, num corpo linfático, não seria mais dócil. Nesse caso, a violência apenas tomaria outro caráter. Não dispondo de um organismo apropriado à sua manifestação, a cólera seria concentrada, enquanto no caso contrário seria expansiva.

O corpo não dá impulsos de cólera a quem não os tem, como não dá outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. Sem isso, onde estariam o mérito e a responsabilidade? O homem que é deformado não pode tornar-se direito, porque o Espírito nada tem com isso, mas pode modificar o que se relaciona com o Espírito, quando dispõe de uma vontade firme.'' A experiência não vos prova, espíritas, até aonde pode ir o poder da vontade, pelas transformações verdadeiramente miraculosas que se operam aos vossos olhos? Dizei, pois, que o homem só permanece vicioso porque o quer, mas que aquele que deseja corrigir-se sempre o pode fazer. De outra maneira, a lei do progresso não existiria para o homem.