VIRTUDES
BIBLIOGRAFIA
01- A Gênese - cap. XV, 11 02 - Agenda cristã - pág. 85, 95,107
03 - Amizade - pág. 80 04 - Boa nova - pág. 133
05 - Caminho verdade e vida - pág. 63, 155 06 - Contos desta e doutras vidas - pág. 43
07 - Coragem - pág. 151 08 - Cromoterapia - pág. 26
09 - Depois da morte - pág. 33 10 - Dinheiro - pág. 35
11 - Espírito e vida - pág. 44, 71 12 - Estude e viva - pág. 166
13 - Justiça divina - pág. 23 14 - Lampadário espírita - pág. 207, 228
15 - Na era do espírito - pág. 98

16 - Nas pegadas do Mestre - pág. 18, 141

17 - No mundo maior - pág. 59,222 18 - O consolador - pág. 150
19 - O espírito da verdade - pág. 46, 48, 61, 101 20 - O Evangelho S.o Espiritismo - pág. 154, 265
21 - O grande enigma - pág. 231 22 - O Livro dos Espíritos - q. 893, 918
23 - O mestre na educação - pág. 94 24 - Oferenda - pág. 93
25 - Os funerais da santa sé - pág. 72, 155 26 - Os mensageiros - 86
27 - Palavras de vida eterna - pág. 260 28- Rumo certo - pág. 23, 79
29 - Seareiros de volta - pág. 94 30 - Universo e vida - pág. 87

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VIRTUDES – COMPILAÇÃO

01- A Gênese - Allan Kardec - cap. XV, 11

CURAS - PERDA DE SANGUE.
10. - Então, uma mulher, enferma com uma perda de sangue há doze anos, - que muito sofrera nas mãos de vários médicos, e que, tendo gasto todos os seu bens, com ele não recebera nenhum alivio, mas se achava cada vez pior, - tendo ouvido falar de Jesus, veio na multidão por trás, e tocou as suas vestes; porque ela dizia: Se eu puder tocar somente as suas vestes, estarei curada. - No mesmo instante, a fonte do sangue que ela perdia secou, e sentiu em seu corpo que estava curada dessa doença.

No mesmo instante Jesus, conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra, retornou para o meio da multidão e disse: Quem tocou as minhas vestes? - Seus discípulos lhe disseram: Vedes que a multidão vos comprime de todos os lados, e perguntais quem vos tocou? - E ele olhava tudo ao seu redor para ver aquela que o tocara.

Mas essa mulher, que sabia o que se passara com ela, tomada de medo e de pavor, veio se lançar aos seus pés, e lhe declarou toda a verdade. - E Jesus lhe disse: Minha filha, a vossa fé vos salvou; ide em paz, e sede curada de vossa doença. (São Marcos, cap. V, v. de 25 a 34).

11.- Estas palavras: "Conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra, são significativas; elas exprimem o movimento fluídico que se operou de Jesus para a mulher enferma; ambos sentiram a ação que acabara de se produzir. É notável que o efeito não foi provocado por nenhum ato da vontade de Jesus; ele não fez nem magnetização e nem imposição das mãos. A irradiação fluídica normal bastou para operar a cura.

Mas por que essa irradiação se dirigiu para essa mulher, antes que para os outros, uma vez que Jesus não pensava nela, e que estava cercado pela multidão?

A razão disso é bem simples. O fluido, sendo dado como matéria terapêutica, deve atingir a desordem orgânica para repará-la; pode ser dirigido sobre o mal pela vontade do curador, ou atraído pelo desejo ardente, a confiança, em uma palavra, a fé do enfermo. Com relação à corrente fluídica, o primeiro fato tem o efeito de uma bomba premente e o segundo de uma bomba aspirante. Algumas vezes, a simultaneidade dos dois efeitos é necessária, outras vezes, um só basta; foi o segundo que ocorreu nesta circunstância.

Jesus tinha, pois, razão em dizer: "A vossa fé vos salvou."Compreende-se aqui que a fé não é a virtude mística, tal como certas pessoas a entendem, mas uma verdadeira força atrativa, ao passo que aquele que não a tem opõe à corrente fluídica uma força repulsiva, ou pelo menos uma força de inércia, que paralisa a ação. Segundo isto, compreende-se que dois enfermos atingidos pelo mesmo mal, estando em presença de um curador, um pode ser curado e o outro não. Está aí um dos princípios mais importantes da mediunidade curadora e que explica, por uma causa muito natural, certas anomalias aparentes. (Cap. XIV, n5 31,32,33).

CEGO DE BETSAIDA.
12. - Tendo chegado a Betsaida, levaram-lhe um cego que lhe pedia para tocá-lo.
E, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da povoação; colocou-lhe saliva sobre os olhos, e lhe tendo imposto as mãos, perguntou-lhe se via alguma coisa.-Esse homem, olhando, lhe disse: Vejo andar homens que parecem árvores. -Jesus lhe colocou ainda uma vez mais as mãos sobre os olhos, e ele começou a ver melhor; e, enfim, foi de tal modo curado, que via distintamente todas as coisas.

Em seguida, ele o mandou para a sua casa, e lhe disse: Ide para a vossa casa; e se entrardes na povoação, não digais a ninguém o que vos ocorreu. (São Marcos, cap. VIII, v. de 22 a 26).

13.- Aqui, o efeito magnético está evidente; a cura não foi instantânea, mas gradual e em consequência de uma ação firme e reiterada, embora mais rápida do que na magnetização comum. A primeira sensação deste homem foi bem aquela que sentem os cegos em recobrando a luz; por um efeito de óptica, os objetos parecem de um tamanho desmesurado.

PARALÍTICO.
14. - Jesus, tendo subido num barco, tornou a atravessar o lago e veio para a cidade (Cafarnaum). - E como se lhe apresentassem um paralítico, deitado sobre um leito, Jesus, vendo a sua fé, disse a esse paralítico: Meu filho, tende confiança, os vossos pecados estão perdoados.

Imediatamente, alguns dos escribas disseram para si mesmos: Este homem blasfema. - Mas Jesus, tendo conhecido o que pensavam, lhes disse: Por que tendes maus pensamentos em vossos corações? - Porque o que é mais fácil dizer: Os vossos pecados estão perdoados, ou dizer: Levantai-vos e andai? - Ora, a fim de que saibais que o Filho do homem tem sobre a Terra o poder de perdoar os pecados: Levantai-vos, disse então ao paralítico; carregai o vosso leito, e com ele ide para a vossa casa.

O paralítico se levantou imediatamente e se foi para a sua casa. - E o povo, vendo o milagre, se encheu de medo e rendeu glória a Deus por ter dado um tal poder aos homens. (São Mateus, cap. IX, v. de 1 a 8).

04 - Boa nova - Humberto de Campos - pág. 133

20 - MARIA DE MAGDALA
Maria de Magdala ouvira as pregações do Evangelho do Reino, não longe da Vila principesca onde vivia entregue a prazeres, em companhia de patrícios romanos, e tomara-se de admiração profunda pelo Messias. Que novo amor era aquele apregoado aos pescadores singelos por lábios tão divinos? Até ali, caminhara ela sobre as rosas rubras do desejo, embriagando-se com o vinho de condenáveis alegrias. No entanto, seu coração estava sequioso e em desalento.

Jovem e formosa, emancipara-se dos preconceitos férreos de sua raça; sua beleza lhe escravizara aos caprichos de mulher os mais ardentes admiradores; mas seu espírito tinha fome de amor. O profeta nazareno havia plantado em sua alma novos pensamentos. Depois que lhe ouvira a palavra, observou que as facilidades da vida lhe traziam agora um tédio mortal ao espírito sensível. As músicas voluptuosas não encontravam eco em seu íntimo, os enfeites romanos de sua habitação se tornaram áridos e tristes. Maria chorou longamente, embora não compreendesse ainda o que pleiteava o profeta desconhecido.

Entretanto, seu convite amoroso parecia ressoar-lhe nas fibras mais sensíveis de mulher. Jesus chamava os homens para uma vida nova. Decorrida uma noite de grandes meditações e antes do famoso banquete em Naim, onde ela ungiria publicamente os pés de Jesus com os bálsamos perfumados de seu afeto, notou-se que uma barca tranquila conduzia a pecadora a Cafarnaum. Dispusera-se a procurar o Messias, após muitas hesitações. Como a receberia o Senhor, na residência de Simão? Seus conterrâneos nunca lhe haviam perdoado o abandono do lar e a vida de aventuras.

Para todos, era ela a mulher perdida que teria de encontrar a lapidação na praça pública. Sua consciência, porém, lhe pedia que fosse. Jesus tratava a multidão com especial carinho. Jamais lhe observara qualquer expressão de desprezo para com as numerosas mulheres de vida equívoca que o cercavam. Além disso, sentia-se seduzida pela sua generosidade. Se possível, desejaria trabalhar na execução de suas idéias puras e redentoras. Propunha-se a amar, como Jesus amava, sentir com os seus sentimentos sublimes. Se necessário, saberia renunciar a tudo. Que lhe valiam as jóias, as flores raras, os banquetes suntuosos, se, ao fim de tudo isso, conservava a sua sede de amor?!...

Envolvida por esses pensamentos profundos, Maria de Magdala penetrou o umbral da humilde residência de Simão Pedro, onde Jesus parecia esperá-la, tal a bondade com que a recebeu num grande sorriso. A recém-chegada sentou-se com indefinível emoção a estrangular-lhe o peito.

Vencendo, porém, as suas mais fortes impressões, assim falou, em voz súplice, feitas as primeiras saudações:
— Senhor, ouvi a vossa palavra consoladora e venho ao vosso encontro!... Tendes a clarividência do céu e podeis adivinhar como tenho vivido! Sou uma filha do pe­cado. Todos me condenam. Entretanto, Mestre, observai como tenho sede do verdadeiro amor!... Minha existência, como todos os prazeres, tem sido estéril e amargurada. ..

As primeiras lágrimas lhe borbulharam dos olhos, enquanto Jesus a contemplava, com bondade infinita. Ela, porém, continuou:— Ouvi o vosso amoroso convite ao Evangelho! Desejava ser das vossas ovelhas; mas, será que Deus me aceitaria? O Profeta nazareno fitou-a, enternecido, sondando as profundezas de seu pensamento, e respondeu, bondoso: — Maria, levanta os olhos para o céu e regozija-te no caminho, porque escutaste a Boa Nova do Reino e Deus te abençoa as alegrias! Acaso, poderias pensar que alguém no mundo estivesse condenado ao pecado eterno? Onde, então, o amor de Nosso Pai?

Nunca viste a primavera dar flores sobre uma casa em ruínas? As ruínas são as criaturas humanas; porém, as flores são as esperanças em Deus. Sobre todas as falências e desventuras próprias do homem, as bênçãos paternais de Deus descem e chamam. Sentes hoje esse novo Sol a iluminar-te o destino! Caminha agora, sob a sua luz, porque o amor cobre a multidão dos pecados. A pecadora de Magdala escutava o Mestre, bebendo-lhe as palavras. Homem algum havia falado assim à sua alma incompreendida. Os mais levianos lhe pervertiam as boas inclinações, os aparentemente virtuosos a desprezavam sem piedade.

Engolfada em pensamentos confortadores e ouvindo as referências de Jesus ao amor, Maria acentuou, levemente:— No entanto, Senhor, tenho amado e tenho sede de amor!...— Sim — redarguiu Jesus —, tua sede é real. O mundo viciou todas as fontes de redenção e é imprescindível compreenda que em suas sendas a virtude tem de marchar por uma porta muito estreita. Geralmente, um homem deseja ser bom como os outros, ou honesto como os demais, olvidando que o caminho onde todos passam é de fácil acesso e de marcha sem edificações. A virtude no mundo foi transformada na porta larga da conveniência própria.

Há os que amam os que lhes pertencem ao círculo pessoal, os que são sinceros com os seus amigos, os que defendem seus familiares, os que adoram os deuses do favor. O que verdadeiramente ama, porém, conhece a renúncia suprema a todos os bens do mundo e vive feliz, na sua senda de trabalhos para o difícil acesso às luzes da redenção. O amor sincero não exige satisfações passageiras, que se extinguem no mundo com a primeira ilusão; trabalha sempre, sem amargura e sem ambição, com os júbilos do sacrifício. Só o amor que renuncia sabe caminhar para a vida suprema!...

Maria o escutava, embevecida. Ansiosa por compreender inteiramente aqueles ensinos novos, interrogou atenciosamente:— Só o amor pelo sacrifício poderá saciar a sede do coração? Jesus teve um gesto afirmativo e continuou:— Somente o sacrifício contém o divino mistério da vida. Viver bem é saber imolar-se. Acreditas que o mundo pudesse manter o equilíbrio próprio tão-só com os caprichos antagônicos e por vezes criminosos dos que se elevam à galeria dos triunfadores? Toda luz humana vem do coração experiente e brando dos que foram sacrificados. Um guerreiro coberto de louros ergue os seus gritos de vitória sobre os cadáveres que juncam o chão; mas, apenas os que tombaram fazem bastante silêncio, para que se ouça no mundo a mensagem de Deus.

O primeiro pode fazer a experiência para um dia; os segundos constróem a estrada definitiva na eternidade. Na tua condição de mulher, já pensaste no que seria o mundo sem as mães exterminadas no silêncio e no sacrifício? Não são elas as cultivadoras do jardim da vida, onde os homens travam a batalha?!... Muitas vezes, o campo enflorescido se cobre de lama e sangue; entretanto, na sua tarefa silenciosa, os corações maternais não desesperam e reedificam o jardim da vida, imitando a Providência Divina, que espalha sobre um cemitério os lírios perfumados de seu amor!...

Maria de Magdala, ouvindo aquelas advertências, começou a chorar, a sentir no íntimo o deserto da mulher sem filhos. Por fim, exclamou:— Desgraçada de mim, Senhor, que não poderei ser mãe!...Então, atraindo-a brandamente a si, o Mestre acrescentou:— E qual das mães será maior aos olhos de Deus? A que se devotou somente aos filhos de sua carne, ou a que se consagrou, pelo espírito, aos filhos das outras mães?

Aquela interrogação pareceu despertá-la para meditações mais profundas. Maria sentiu-se amparada por uma energia interior diferente, que até então desconhecera. A palavra de Jesus lhe honrava o espírito; convidava-a a ser mãe de seus irmãos em humanidade, aquinhoando-os com os bens supremos das mais elevadas virtudes da vida. Experimentando radiosa felicidade em seu mundo íntimo, contemplou o Messias com os olhos nevoados de lágrimas e, no êxtase de sua imensa alegria, murmurou comovidamente:

— Senhor, doravante renunciarei a todos os prazeres transitórios do mundo, para adquirir o amor celestial que me ensinastes!... Acolherei como filhas as minhas irmãs no sofrimento, procurarei os infortunados para aliviar-lhes as feridas do coração, estarei com os aleijados e leprosos...Nesse instante, Simão Pedro passou pelo aposento, demandando o interior, e a observou com certa estranheza. A convertida de Magdala lhe sentiu o olhar glacial, quase denotando desprezo, e, já receosa de um dia perder a convivência do Mestre, perguntou com interesse:

— Senhor, quando partirdes deste mundo, como ficaremos? Jesus compreendeu o motivo e o alcance de sua pa­lavra e esclareceu:
— Certamente que partirei, mas estaremos eternamente reunidos em espírito. Quanto ao futuro, com o infinito de suas perspectivas, é necessário que cada um tome sua cruz, em busca da porta estreita da redenção, colocando acima de tudo a fidelidade a Deus e, em segundo lugar, a perfeita confiança em si mesmo.

Observando que Maria, ainda opressa pelo olhar estranho de Simão Pedro, se preparava a regressar, o Mestre lhe sorriu com bondade e disse:— Vai, Maria!... Sacrifica-te e ama sempre. Longo é o caminho, difícil a jornada, estreita a porta; mas, a fé remove os obstáculos... Nada temas: é preciso crer somente! Mais tarde, depois de sua gloriosa visão do Cristo ressuscitado, Maria de Magdala voltou de Jerusalém para a Galiléia, seguindo os passos dos companheiros queridos. A mensagem da ressurreição espalhara uma alegria infinita.

Após algum tempo, quando os apóstolos e seguidores do Messias procuravam reviver o passado junto ao Tiberíades, os discípulos diretos do Senhor abandonaram a região, a serviço da Boa Nova. Ao disporem-se os dois últimos companheiros a partir em definitivo para Jerusalém, Maria de Magdala, temendo a solidão da saudade, rogou fervorosamente lhe permitissem acompanhá-los à cidade dos profetas; ambos, no entanto, se negaram a anuir aos seus desejos. Temiam-lhe o pretérito de pecadora, não confiavam em seu coração de mulher. Maria compreendeu, mas lembrou-se do Mestre e resignou-se.

Humilde e sozinha, resistiu a todas as propostas condenáveis que a solicitavam para uma nova queda de sentimentos. Sem recursos para viver, trabalhou pela própria manutenção, em Magdala e Dalmanuta. Foi forte nas horas mais ásperas, alegre nos sofrimentos mais escabrosos, fiel a Deus nos instantes escuros e pungentes. De vez em quando, ia às sinagogas, desejosa de cultivar a lição de Jesus; mas as aldeias da Galiléia estavam novamente subjugadas pela intransigência do judaísmo. Ela compreendeu que palmilhava agora o caminho estreito, onde ia só, com a sua confiança em Jesus.

Por vezes, chorava de saudade, quando passeava no silêncio da praia, recordando a presença do Messias. As aves do lago, ao crepúsculo, vinham pousar, como outrora, nas alcaparreiras mais próximas; o horizonte oferecia, como sempre, o seu banquete de luz. Ela contemplava as ondas mansas e lhes confiava suas meditações.

Certo dia, um grupo de leprosos veio a Dalmanuta. Procediam da Iduméia aqueles infelizes, cansados e tristes, em supremo abandono. Perguntavam por Jesus Nazareno, mas todas as portas se lhes fechavam. Maria foi ter com eles e, sentindo-se isolada, com amplo direito de empregar a sua liberdade, reuniu-os sob as árvores da praia e lhes transmitiu as palavras de Jesus, enchendo-lhes os corações das claridades do Evangelho.

As autoridades locais, entretanto, ordenaram a expulsão imediata dos enfermos. A grande convertida percebeu tamanha alegria no semblante dos infortunados, em face de suas fraternas revelações a respeito das promessas do Senhor, que se pôs em marcha para Jerusalém, na companhia deles. (...)

05 - Caminho verdade e vida - Emmanuel - pág. 63, 155

24 O TESOURO ENFERRUJADO
"O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram." — (TIAGO, 5:3.)
Os sentimentos do homem, nas suas próprias ideias apaixonadas, se dirigidos para o bem, produziriam sempre, em consequência, os mais substanciosos frutos para a obra de Deus. Em quase toda parte, porém, desenvolvem-se ao contrário, impedindo a concretização dos propósitos divinos, com respeito à redenção das criaturas.

De modo geral, vemos o amor interpretado tão-somente à conta de emoção transitória dos sentidos materiais, a beneficência produzindo perturbação entre dezenas de pessoas para atender a três ou quatro doentes, a fé organizando guerras sectárias, o zelo sagrado da existência criando egoísmo fulminante. Aqui, o perdão fala de dificuldades para expressar-se; ali, a humildade pede a admiração dos outros.

Todos os sentimentos que nos foram conferidos por Deus são sagrados. Constituem o ouro e a prata de nossa herança, mas como assevera o apóstolo, deixamos que as dádivas se enferrujassem, no transcurso do tempo. Faz-se necessário trabalhemos, afanosamente, por eliminar a "ferrugem" que nos atacou os tesouros do espírito. Para isso, é indispensável compreenda­mos no Evangelho a história da renúncia perfeita e do perdão sem obstáculos, a fim de que estejamos caminhando, verdadeiramente, ao encontro do Cristo.

70 - PODERES OCULTOS
"E onde quer que ele entrava, fosse nas cidades, nas aldeias ou nos campos, depunham os enfermos nas praças e lhe rogavam que os deixas­se tocar ao menos na orla de seu vestido; e todos os que nele tocavam, saravam." — (Marcos, 6:56.)

Não raro, surgem nas fileiras espiritualistas estudiosos afoitos a procurarem, de qualquer modo, a aquisição de poderes ocultos que lhes confira posição de evidência. Comumente, em tais circunstâncias, enchem-se das afirmativas de grande alcance.

O anseio de melhorar-se, o desejo de equilíbrio, a intenção de manter a paz, constituem belos propósitos; no entanto, é recomendável que o aprendiz não se entregue a preocupações de notoriedade, devendo palmilhar o terreno dessas cogitações com a cautela possível. Ainda aqui, o Mestre Divino oferece a melhor exemplificação.

Ninguém reuniu sobre a Terra tão elevadas expressões de recursos desconhecidos quanto Jesus. Aos doentes, bastava tocar-lhe as vestiduras para que se curassem de enfermidades dolorosas; suas mãos devolviam o movimento aos paralíticos, a visão aos cegos.

Entretanto, no dia do Calvário, vemos o Mestre ferido e ultrajado, sem recorrer aos poderes que lhe constituíam apanágio divino, em benefício da própria situação. Havendo cumprido a lei sublime do amor, no serviço do Pai, entregou-se à sua vontade, em se tratando dos interesses de si mesmo. A lição do Senhor é bastante significativa.

É compreensível que o discípulo estude e se enriqueça de energias espirituais, recordando-se, porém, de que, antes do nosso, permanece o bem dos outros e que esse bem, distribuído no caminho da vida, é a voz que falará por nós a Deus e aos homens, hoje ou amanhã.

07 - Coragem - Espíritos Diversos - pág. 151

49. O QUE IMPORTA
Não importa: que a ventania da incompreensão nos zurza o caminho; que a ignorância nos apedreje; que a injúria nos aponte ao descrédito; que a maledicência nos receba a jorros de lama; que a intriga nos envolva em sombra; que a perseguição nos golpeie; que a crítica arme inquisições para condenar-nos.

Que os obstáculos se multipliquem, complicando-nos a jornada; que a mudança de outrem nos relegue ao abandono; ou que as trevas conspirem incessantemente no objetivo de perder-nos.

Importa nos agasalhemos na paciência; que nos apliquemos à desculpa incondicional; que nos resguardemos na humildade, observando que só temos e conseguimos aquilo que a Divina Providência nos empreste ou nos permita realizar; que nos cabe responder ao mal com o bem, sejam como sejam as circunstâncias; e que devemos aceitar a verdade de que cada coração permanece no lugar em que se coloca e que, por isso mesmo, devemos acima de tudoa, conservar a consciência tranquila.

Trabalhar sempre e abençoar a todos, procurando reconhecer que todos somos de Deus e todos estamos em Deus, cujas leis nos julgarão a todos, amanhã e sempre, segundo as nossas próprias obras.
Emmanuel

09 - Depois da morte - Léon Denis - pág. 33

(..) "Há, porém, um mistério maior ainda. Para atingir a perfeição, cumpre conquistar a ciência da Unidade, que está acima de todos os conhecimentos; é preciso elevar-se ao Ser divino, que está acima da alma e da inteligência. Esse Ser divino está também em cada um de nós: "Trazes em ti próprio um amigo sublime que não conheces, pois Deus reside no interior de todo homem, porém poucos sabem achá-lo. Aquele que faz o sacrifício de seus desejos e de suas obras ao Ser de que procedem os princípios de todas as coisas, obtém por tal sacrifício a perfeição, porque, quem acha em si mesmo sua felicidade, sua alegria, e também sua luz, é um com Deus.

Ora, fica sabendo, a alma que encontrou Deus está livre do renascimento e da morte, da velhice e da dor, e bebe a água da imortalidade." Krishna falava na sua missão e da sua própria natureza em termos sobre os quais convém meditar. Dirigindo-se aos seus discípulos, dizia:

"Tanto eu como vós temos tido vários nascimentos. Os meus só de mim são conhecidos, porém vós nem memo os vossos conheceis. Posto que, por minha natureza, eu não esteja sujeito a nascer e a morrer, todas as vezes que no mundo declina a virtude, e que o vício e a injustiça a superam, torno-me então visível; assim me mostro, de idade em idade, para salvação do justo, para castigo do mau, e para restabelecimento da verdade.

"Revelei-vos os grandes segredos. Não os digais senão àqueles que os podem compreender. Sois os meus eleitos: vedes o alvo, a multidão só descortina uma ponta do caminho." Por essas palavras a doutrina secreta estava fundada. Apesar das alterações sucessivas que teve de suportar, ela ficará sendo a fonte da vida em que, na sombra e no silêncio, se inspiram todos os grandes pensadores da antiguidade.

A moral de Krishna também era muito pura: "Os males com que afligimos o próximo perseguem-nos, assim como a sombra segue o corpo. — As obras inspiradas pelo amor dos nossos semelhantes são as que mais pesarão na balança celeste. — Se convives com os bons, teus exemplos serão inúteis; não receeis habitar entre os maus para os reconduzir ao bem. — O homem virtuoso é semelhante a uma árvore gigantesca, cuja sombra benéfica permite frescura e vida às plantas que a cercam."

Sua linguagem elevava-se ao sublime quando falava da abnegação e do sacrifício:"O homem de bem deve cair aos golpes dos maus como o sândalo que, ao ser abatido, perfuma o machado que o fere." Quando os sofistas pediam que explicasse a natureza de Deus, respondia-lhes: "Só o infinito e o espaço podem compreender o infinito. Somente Deus pode compreender a Deus." Dizia ainda:

"Nada do que existe pode perecer, porque tudo está contido em Deus. Visto isso, não é alvitre sábio chorarem-se os vivos ou os mortos, pois nunca todos nós cessaremos de subsistir além da vida presente." Sobre a comunicação dos Espíritos:

"Muito tempo antes de se despojarem de seu envoltório mortal, as almas que só praticaram o bem adquirem a faculdade de conversar com as almas que as precederam na vida espiritual." É isto o que, ainda em nossos dias, afirmam os brâmanes pela doutrina dos Pitris, mesmo porque, em todos os tempos, a evocação dos mortos tem sido uma das formas da sua liturgia. (...)

12 - Estude e viva - Emmanuel e André Luiz - pág. 166

Emergência
Perfeitamente discerníveis as situações em que resvalamos, imprevidentemente, para o domínio da perturbação e da sombra.

Enumeremos algumas delas com as quais renteamos claramente, com o perigo da obsessão:cabeça desocupada; mãos improdutivas; palavra irreverente; conversa inútil; queixa constante; opinião desrespeitosa; tempo indisciplinado; atitude insincera; observação pessimista; gesto impaciente; conduta agressiva; comportamento descaridoso; apego demasiado; decisão facciosa; comodismo exagerado.

Sempre que nós, os lidadores encarnados e desencarnados com serviço na renovação espiritual, nos reconhecermos em semelhantes fronteiras do processo obsessivo, proclamemos o estado de emergência no mundo íntimo e defendamo-nos contra o desequilíbrio, recorrendo à profilaxia da prece.

Imagens

Egoísmo, gás mortífero, tende sempre a ocupar todo o espaço que se lhe oferece. Intoxica e faz sofrer. Lisonja, beberagem da invigilância, adapta-se ao recipiente da intenção que a conserva. Embriaga e cria a frustração.

Sinceridade, aço moral, demonstra forma determinada e resistência própria. Útil às construções duradouras.
Construções materiais — tatuagens efêmeras na crosta ciclópica do Planeta.
Construções espirituais — duradouros aperfeiçoamentos na estrutura íntima do Espírito.

Da semente brota a haste da planta. Do ovo nasce o corpo do animal. Da consciência desabrocha a diretriz do destino. Bem, calor da Vida. Há bons e maus condutores de calor. A condutibilidade do bem, entre os homens, demonstra o valor de cada um.

Virtudes aparentes: metais comuns no homem, que se alteram ante a ventania das ilusões terrenas.
Virtudes reais: metias preciosos no Espírito, que não se corrompem ante as lufadas das tentações humanas, sustentando a vida eterna.

13 - Justiça divina - Emmanuel - pág. 23


VIRTUDE SOLITÁRIA - Reunião pública de 30-1-61 1ª Parte, cap. III, item 8
Há quem deseje tranquilidade ideal na Terra, com a pretensão de fugir ao erro. Casa branca no aclive da serra, com o vale rente. Fontes claras, correndo perto, e jardim florido. Clima doce e perfume da natureza. Nenhum aborrecimento. Nenhum cuidado. Falta alguma.

Problema algum. Solidão saborosa em que o morador consiga estirar-se, inerte, em poltronas e redes. No entanto, é no trato da luta que as forças se enrijam e as qualidades se aperfeiçoam. Considerando-se que o mal é a experiência inferior nos quadros da experiência mais nobre, é no serviço do amparo mútuo e da tolerância recíproca que havemos de transformá-lo em bem duradouro, como se tomássemos as nossas próprias sombras de ontem para conver­tê-las na luz de hoje.

Livres, estamos interligados perante a Lei, para fazer o melhor, e, escravizados aos compromissos expiatórios, estaremos acorrentados uns aos outros no instituto da reencarnação, segundo a Lei, para anular o pior que já foi feito por nós mesmos nas existências passadas.

Ninguém progride sem alguém. Abençoemos, assim, as provações que nos abençoam. Trabalho é ascensão. Dor é burilamento. Toda adversidade avisa, todo sofrimento instrui, todo pranto lava, toda dificuldade esclarece e toda crise seleciona. Virtude solitária é pão na vitrine. Competência no palanque é usura da alma. Todos somos alunos na escola da vida. E ninguém consegue aprender sem dar a lição.

14 - Lampadário espírita - Joanna de Ângelis - pág. 207, 228

51 - Vivência evangélica
A problemática da vivência evangélica dia-a-dia se nos afigura de profunda magnitude, exigindo de todos nós os mais acendrados esforços para materializar, através dos atos, as legítimas aspirações do nosso mundo mental. Sitiados por complexa maquinaria promotora do desequilibrio de multíplices facetas, não raro encontramos refúgio para o culto da sobriedade e da harmonia.

Por isso mesmo, quando desatentos das nossas responsabilidades, somos arrastados pelo rio caudaloso do desassossego para despertarmos logo após em idêntica paisagem à daqueles que não firmaram compromisso com as realidades espirituais. Assim considerando, é de bom alvitre recordarmos vez que outra as lamentosas advertências de Jesus, perfeitamente cabíveis em nosso comportamento:

«Mas ai de vós que sois ricos, porque já recebestes a vossa consolação! «Ai de vós os que agora estais fartos, porque tereis fome! «Ai de vós os que agora rides, porque haveis de lamentar e chorar! «Ai de vós quando todos vos louvarem, porque assim vossos pais trataram os falsos profetas.» A árvore altaneira atinge a cumeada da montanha após vencidas mil tormentas.

O rio alcança o oceano depois de longo e difícil curso. O sol beneficia a Terra, vencidas diversas atmosferas. O homem sensato lobriga a paz, ultrapassadas com perícia amorosa as inúmeras barreiras, mediante incessante luta. Repontam seduções fáceis e fascínios às miríades pelo caminho ao teu alcance...Diante das vacuidades atraentes que logo se desvanecem, vigia e persevera na sã conduta.

Na corrida louca da posse e do triunfo ilusório, recobra alento e trabalha o íntimo com a vigilância. Verbalmente convocado ao tumulto ou à desordem no lugar onde fulgem as jóias enganosas da sagacidade que triunfa, silencia a cobiça e medita. Ante o êxito sobre as bases da ignorância ou do crime, envolve o coração atormentado nos tecidos da prece, e asserena-te.

Estás informado do amanhã que a todos indubitavelmente nos alcançará; já experimentaste mais de uma vez o sabor dulcíssimo da felicidade legítima — aquela que não se faz acompanhar da inquietação nem do receio de perdê-la. Meditaste em torno de outras vidas que te embelezaram as horas juvenis, oferecendo rotas à tua madureza. Persevera, ainda e agora, insiste na vivência evangélica .

Trabalhando na gleba redentora, vês os que passam ociosos, invejados. Recolhes-te, então, ao exame das próprias dores e sofres, como se fosses desditoso... Pouco te importem as dificuldades de agora.

Não te deixes seduzir pelos tecidos luzidios que cobrem corpos inclinados para baixo... Prossegue fiel, sem lamentos, e transforma a cruz das tuas provações em duas asas sublimes, para, terminada a tarefa na noite aflitiva, poderes desferir glorioso vôo em ressurreição luminosa.

18 - O consolador - Emmanuel - pág. 150

VIRTUDE
Perg. 253 — A virtude é concessão de Deus, ou é aquisição da criatura?
— A dor, a luta e a experiência constituem uma oportunidade sagrada concedida por Deus às suas criaturas, em todos os tempos; todavia, a virtude é sempre sublime e imorredoura aquisição do espírito nas estradas da vida, incorporada eternamente aos seus valores, conquistados pelo trabalho no esforço próprio.

Perg. 254 — Que é a paciência e como adquiri-la?
— A verdadeira paciência é sempre uma exteriorização da alma que realizou muito amor em si mesma, para dá-lo a outrem, na exemplificação.
Esse amor é a expressão fraternal que considera todas as criaturas como irmãs, em quaisquer circunstâncias, sem desdenhar a energia para esclarecer a incompreensão, quando isso se torne indispensável.

É com a iluminação espiritual do nosso íntimo que adquirimos esses valores sagrados da tolerância esclarecida. E, para que nos edifiquemos nessa claridade divina, faz-se mister educar a vontade, curando enfermidades psíquicas seculares que nos acompanham através das vidas sucessivas, quais sejam as de abandonar­mos o esforço próprio, de adotarmos a indiferença e de nos queixarmos das forças exteriores, quando o mal reside em nós mesmos.

Para levarmos a efeito uma edificação tão sublime, necessitamos começar pela disciplina de nós mesmos e pela continência dos nossos impulsos, considerando a liberdade do mundo interior, de onde o homem deve dominar as correntes da sua vida.
O adágio popular considera que "o hábito faz a segunda natureza" e nós devemos aprender que a disciplina antecede a espontaneidade, dentro da qual pode a alma atingir, mais facilmente, o desiderato da sua redenção.

Perg. 255 — Devemos nós, os espiritistas, praticar so­mente a caridade espiritual, ou também a material?
— A divisa fundamental da codificação kardequiana, formulada no "fora da caridade não há salvação", é bastante expressiva para que nos percamos em minuciosas considerações.
Todo serviço da caridade desinteressada é um reforço divino na obra da fraternidade humana e da redenção universal.

20 - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - pág. 154, 222

A VIRTUDE - FRANÇOIS-NICOLAS-MADELEINE Paris, 1863
8. A virtude, no seu grau mais elevado, abrange o conjunto, de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. Ser bom, caridoso, trabalhador, sóbrio, modesto, são as qualidades do homem virtuoso. Infelizmente, são quase sempre acompanhadas de pequenas falhas morais, que as deslustram e enfraquecem.

Aquele, que faz alarde de sua virtude não é virtuoso, pois lhe falta a principal qualidade: a modéstia, e sobra-lhe o vício mais oposto: o orgulho. A virtude realmente digna desse nome não gosta de exibir-se. Temos de adivinhá-la, mas ela se esconde na sombra, foge à admiração das multidões. São Vicente de Paulo era virtuoso. O digno Cura d'Ars era virtuoso. E assim muitos outros, poucos conhecidos mundo, mas conhecidos de Deus.

Todos esses homens de bem ignoravam que eram virtuosos. Deixavam-se levar pela corrente das suas santas inspirações, e praticavam o bem com absoluto desinteresse e completo esquecimento de si mesmos. É para essa virtude, assim compreendida e praticada, que vos convido, meus filhos. Para essa virtude realmente cristã e verdeiramente espírita, que eu vos convido a consagrar-vos. Mas afastai de vossos corações o sentimento do orgulho, da vaidade, do amor próprio, que deslustram sempre as mais belas qualidades.

Não imiteis esse homem que se apresenta como modelo e se gaba das próprias qualidades, para todos os ouvidos tolerantes. Essa virtude de ostentação esconde, quase sempre, uma infinidade de pequenas torpezas odiosas fraquezas. O homem que se exalta a si mesmo, que eleva estátuas à sua rópria virtude, em princípio aniquila, por essa única razão, todos méritos que efetivamente podia ter.

E que direi daquele cujo valor se reduz a parecer o que não é? Compreendo perfeitamente que aquele que faz o bem sente uma satisfação íntima, no fundo coração. Mas desde o momento em que essa satisfação se exteoriza, para provocar elogios, degenera em amor-próprio.

Ó vós todos, a quem a fé espírita reanimou com os seus raios, que sabeis quanto o homem se encontra longe da perfeição, jamais vos entregueis a essa estultícia! A virtude é uma graça, que desejo para todos os espíritas sinceros, mas com esta advertência: Mais vale menos virtudes na modéstia, do que muitas no orgulho. Foi pelo orgulho que as Humanidades se perderam sucessivamente. E' pela humildade que elas um dia deverão redimir-se.

22 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - questões. 893, 918

Perg. 893 - Qual a mais meritória de todas as virtudes?
- Todas as virtudes têm o seu mérito, porque todas são indícios de progresso no caminho do bem. Há virtude sempre que há resitência voluntária ao arrastamento das más tendências; mas a sublimidade da virtude consiste no sacrifício do interesse pessoal para o bem do próximo, sem segunda intenção. A mais meritória é aquela que se baseia na caridade mais desinteressada.

Perg. 894 - Há pessoas que fazem o bem por um impulso espontâneo, sem que tenham de lutar com nenhum sentimento contrário. Têm elas o mesmo mérito daquelas que têm de lutar contra a sua própria natureza e conseguem superá-la?
- Os que não têm de lutar é porque já realizaram o progresso: lutaram anteriormente e venceram; é por isso que os bons sentimentos não lhes custam nenhum esforço e suas ações lhes parecem tão fáceis: o bem tornou-se para eles um hábito. Deve-se honrá-los como a velhos guerreiros que conquistaram suas posições. Como estais ainda longe da perfeição, esses exemplos vos espantam pelo contraste e os admirais tanto mais porque são raros. Mas sabei que, nos mundos mais avançados que o vosso, isso que entre vós é exceção se torna regra. O sentimento do bem se encontra por toda a parte e de maneira espontânea, porque são mundos habitados somente por bons Espíritos e uma única intenção má seria neles uma exceção monstruosa.

30 - Universo e vida - Espírito Áureo - pág. 87

12. VIRTUDE E CONHECIMENTO
É certo que os valiosíssimos estudosdeFraunhofer e de Fresnel, a respeito da difração da ondas eletromagnéticas, jamais visaram a expolações filosóficas, tampouco o cálculo das "curvas de vibração" através da "espiral de Cornu". Todavia,nada nos impede anotar, a respeito, uma ou outra particularidade, para dela extrairmos certos conceitos que nos interessam mais de perto. Vejamos, por exemplo, o fato, aparentemente sem maiores implicações, de que, no próprio centro de sombra que algum pequeno
objeto circular projeta sobre um anteparo, sempre se observa a existência dum minúsculo ponto iluminado.

O fenômeno desperta nos físicos terrenos um interesse meramente técnico, ligado aos processos naturais da difração da luz; nós, porém, vemos nele pálida imagem do que se verifica no reino das vibrações de natureza mais sutil, atingindo vastos setores da vida espiritual. A Luz Divina também se "difrata", ao encontrar a resistência duma mente que provisoriamente se lhe mostre refratária; mas, ainda assim, revela-se presente e ativa no próprio núcleo da sombra que tal ser projeta de si mesmo.

Essa verdade exemplifica por que jamais é vã qualquer emissão de luz espiritual sobre quem quer que seja, por mais empedernido no mal e aparentemente infenso ao bem esse alguém seja. O Amor é Luz Divina que não se perde jamais. É claro que, em qualquer plano, os fenômenos têm a sua hierarquia. Quando se observa a difração de raios X, pelos átomos duma rede cristalina, percebe-se complexa superposição de efeitos de interação, que conduzem a espalhamento, e de efeitos de interferência provocados por trens de ondas.

Tudo isso, e muito mais, se observa, por igual, noutro nível, na física transcendente, a lembrar-nos de que a Lei da Vida é fundamentalmente a mesma em toda parte. Consideremos agora este outro assunto, dentro da mesma ordem de idéias: — na técnica das práticas magnetistas, são comumente usados passes transversais e passes longitudinais, conforme o caso e o que se pretende, porque, dentre outras razões, as ondas transversais e as longitudinais diferem umas das outras pela relação entre a sua direção de propagação e a do movimento das partículas do meio em que se movem.

Numa onda transversal, as duas direções são perpendiculares, enquanto numa onda longitudinal elas são coincidentes. As ondas transversais podem ser polarizadas; nunca, porém, as longitudinais. Já as ondas que se propagam na água não são transversais, nem longitudinais, o que explica a facilidade com que aquela pode ser "fluidificada", isto é, magnetizada, pois num meio líquido podem propagar-se ondas de pressão de grande intensidade e muito velozes.

Não fosse o despreparo moral em que a nossa Humanidade ainda se compraz, os Poderes de Cima já teriam desvelado, através de seus missionários, inumeráveis conhecimentos e recursos novos de técnica científica, capazes de outorgar maiores poderes de ação ao homem terrestre. Enquanto, porém, as criaturas da Crosta, e de suas adjacências, não assimilarem, na prática, a Lei do Amor, os recursos ao seu dispor continuarão sendo basicamente apenas aqueles suscetíveis de agir sobre as formas físicas, e não sobre as estruturas mais profundas do espírito imortal.