VISÕES
BIBLIOGRAFIA
01- A crise da morte - pág. 63, 88, 93 02 - A vida além do véu - pág. 144. 203
03 - Análise das coisas - pág. 108 04 - Após a tempestade - pág. 48
05 - Auto desobsessão - pág. 36 06 - Caminho, verdade e vida - pág. 271
07 - De Franciscos p/você - pág. 129, 171 08 - Evolução em dois mundos - pág. 70
09 - Hipnotismo e Espiritismo - pág. 11 10 - Joana D'Arc - pág. 233
11 - Magnetismo espiritual - pág. 185, 279 12 - Mãos de luz - pág. 233
13 - Mediunidade - pág. 185 14 - No invisível - pág. 165
15 - O Livro dos Espíritos - q. 246, 429

16 - O Livro dos médiuns - cap. vi

17 - O porquê da vida - pág. 82 18 - Obras póstumas - pág. 47
19 - Os mensageiros - pág. 84 20 - Revista Espírita - 1858 pág. 129
21 - Revista Espírita - 1860 pág. 86 22 - Vida e Atos dos apóstolos - pág. 89, 140

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

VISÕES – COMPILAÇÃO

03 - ANÁLISE DAS COISAS - PAUL GIBIER - pág. 108

(...) Não quero insistir nestas coisas mais do que convém, como também não me esforçarei por acumular provas em seu apoio. Estas provas estão feitas para grande número de sábios ou de conhecedores; e já que o dia de amanhã há de fornecer tantas e tantas provas, não aumentarei este Ensaio com páginas que, desde agora, considero supérfluas. Todavia, no caso que, em nome de não sei que ciência monopolizada e fácil de assustar-se, venham objetar-me serem estes dados anticientíficos, farei notar que Laplace, sendo o mais positivo dos sábios da sua época, parece haver entrevisto a possibilidade da previsão do futuro, como se pode julgar por este extrato da sua Théorie analitique des Próbabilités:

"Uma inteligência, escreve ele na sua Introdução, que por um instante dado conhecesse todas as forças animadoras da Natureza e a situação respectiva dos seres que a compõem, se também fosse bastante vasta para submeter esses dados à análise, abarcaria na mesma fórmula os movimentos dos maiores corpos do Universo e os do mais leve átomo: nada lhe seria incerto, e o juturo, como o passado, estariam presentes aos seus olhos."

Analisemos o pensamento de Laplace. Se bem penetrarmos o sentido do que precede, veremos que este grande e profundo astrônomo e matemático, que repelia a "hipótese" de um Deus pessoal, concebia o Universo exatamente como todos os grandes panteístas; e de modo algum combatia a idéia da presença da Inteligência inefável, nem tampouco a da Energia (anima mundi), no conjunto das coisas. Ele sabia que, uma vez produzida uma vibração, se podia não só admitir que as causas dela existem desde todo o tempo no passado, mas, também, que tal vibração estava inscrita para sempre no futuro, onde a inteligência, de que ele fala, poderia prevê-la por passadas e meio do conhecimento exato das vibrações presentes, cuja consequência forçada ela será no futuro.

E, conforme escreveu um sábio matemático moderno, que já tive ocasião de citar, "esta conclusão não é aplicável somente às vibrações luminosas que nascem na superfície dos corpos, ou à fraquíssima profundidade, mas também às vibrações de toda espécie, que se produzem na sua massa: aquelas, por exemplo, que os nossos mais secretos pensamentos imprimem às moléculas de que o cérebro se compõe: iodos estes movimentos o universo inteiro os sente e conserva."

Haverá necessidade de acrescentar que, desde o momento em que uma inteligência se desliga bastante da matéria onde está provisoriamente encarcerada, a ponto de receber a impressão das vibrações transmitidas pelo éter, será lícito conceber que lhe seja possível perceber, de modo mais ou menos claro, as modificações impressas neste "fluido" universal pelos acontecimentos externos, inclusive os pensamentos, os quais, em outros, dão mo­vimento "às moléculas de que se compõe nosso cérebro"? Assim, ficam explicadas a "sugestão mental", a transmissão de pensamento e a violência, tanto quanto a audição a distância.

Penso não ser inútil insistir no fato de ser mesmo o menor grau de hipnose um começo de desdobramento, que, a princípio, é de alguma sorte todo interno. O espírito e a energia anímica concentram-se no interior e abandonam a periferia, em certa medida, pelo monos. Por isso, vemos o primeiro estado ou de hipnomagnetismo assinalar-se por anestesia da pele e das mucosas. Foi assim que pude, em senhoras muito nervosas atacadas de náuseas incoercíveis, fazer exames prolongados e dos mais complexos, introduzir um instrumento até debaixo das cordas vocais, sem provocar nenhum reflexo, desde que as referidas senhoras estivessem hipnomagnetizadas.

E logo nos primeiros momentos do pseudo-sono, em alguns indivíduos, produz-se a abmaterialização, e então se efetua também, por concomitância, a expansão externa do sensorium verdadeiro, do sentido único. Recentemente, em New York, numa primeira sessão de hipnose, pude obter de um moço, cujas pálpebras estavam fechadas sobre os globos oculares fixos, por contração dos músculos motores dos olhos, para cima e para dentro, como sempre, pude obter que ele me dissesse a cor de dois objetos, duas folhas de papel colocadas na parte superior da sua cabeça. Uma dessas folhas era branca, a outra azul.

O indivíduo estava de costas para a minha secretária, de cuja gaveta eu tirava esses obietos sem fazê-los passar por diante do seu rosto. Na segunda sessão, coloquei meu relógio igualmente sobre a parte superior da sua cabeça: depois de alguns segundos de hesitação, disse-me ele a hora exata. Conhecendo a faculdade que têm os hipnotizados de possuir, em geral, a noção do tempo, eu tinha recuado o ponteiro de vinte minutos. Ao fim de alguns dias, esse moço lia do mesmo modo que a senhora, cuja observação já citei antes.

Estas experiências começam a revelar-nos fatos mais importantes: provam, pelo menos, que a sensação é independente do sentido especial por meio do qual ela é normalmente transmitida: "o nihil in intellectu quod non prius fuerit in sensu", de Zenon (de Citium) e de Aristóteles, já pode ser discutido sobre outras bases. Embora tenha resolvido não dar neste trabalho lugar preponderante às minhas experiências, vou citar, entretanto, uma que fiz em Paris, em abril de 1887, e que repeti muitas vezes, uma delas diante de uns quarenta amigos, homens cépticos, em reunião especial de um grêmio ao qual pertenço; esse grêmio compõe-se de médicos, engenheiros, literatos e diversos homens de ciência, em cuja presença, alguns dias antes, o Sr. Yves Guyot, hoje ministro das obras públicas, havia feito uma conferência sobre a supressão dos direitos de barreira.

Eis em que consistiu essa experiência, cuja narrativa foi publicada em um jornal provinciano, ao qual foi dirigida por um dos assistentes: "O indivíduo (sujet) era uma moça de seus vinte anos, de origem judaica. Desde que adormeceu, e num estado intermediário de abmaterialização, que não era letargia, nem sonambulismo, nem ainda o êxtase falante, porém antes o que os magnetizadores de profissão denominam sonambulismo lúcido, coloquei um rolo de algodão sobre cada um de seus olhos, mais uma toalha espessa e larga ou um pano atado por detrás da nuca.

À primeira vez que tentei a experiência de que vou falar, fiquei muito admirado do êxito: devo dizer que, então, eu ainda não tinha a experiência que me deram, depois, séries de observações e, devo acrescentá-lo também, estudos sérios e contínuos sobre a questão.
Tomei, à minha biblioteca, o primeiro livro que me caiu nas mãos, abri-o ao acaso, por sobre a cabeça da moça, sem olhar, com a capa voltada para cima, enquanto segurava o texto impresso a dois centímetros mais ou menos dos cabelos da hipnomagnetizada. Ordenei-lhe ler a primeira linha da página que estava à sua esquerda e, após um momento de demora, disse ela: "Ah! sim, estou vendo; esperai". Depois, continuou: "A identidade conduz ainda à unidade, porque se a alma..."

Deteve-se e disse ainda: "Não posso mais, basta; isto me fatiga. Acedi ao seu desejo, sem insistir; virei o livro, que era de filosofia, e a primeira linha, exceto duas palavras, tinha perfeitamente sido vista e lida pelo Invisível abmaterializado da adormecida. Fazendo traçar sobre o pavimento, por terceiro, uma palavra qualquer, com um pedaço de giz, conduzida de um aposento vizinho, com os olhos tapados, a mesma moça lia, sem jamais se enganar, a palavra escrita, contanto que tivesse os pés sobre ela; e acrescentava sempre alguma reflexão perfeitamente justa, por exemplo:

"Como está mal escrito... está às avessas" e voltava-se; ou ainda: "Olhai! é o nome de fulano, com um risco por baixo!" Quando era conduzida — com os olhos tapados e chumaçados, como acima referi — por sobre a palavra escrita no chão, era andando de costas, e conservava a cabeça erguida em posição um pouco forçada, que permitia aos assistentes verificarem a impossibilidade em que estaria, mesmo acordada, de ver sob a venda.

Muitos outros fatos deste género poderia narrar, mas devemos saber limitar-nos à tarefa que nos impusemos. Quis somente demonstrar que o sensus internum podia, em momento e condições dadas, entrar diretamente em relação com o mundo exterior, sem se servir dos canais a que está sujeito em tempo de vida ordinária. Isto já nos não permitirá admitir a existência da inteligência independente da matéria que lhe serve às manifestações do estado comaterial? (...)

06 - Caminho, verdade e vida - Emmanuel - pág. 271

128. - DÁDIVAS ESPIRITUAIS
"E, descendo eles do monte, Jesus lhes ordenou, dizendo: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem ressuscite dentre os mortos".- (Mateus, 17:9)

Se o homem necessita de grande prudência nos atos da vida comum, maior vigilância se exige da criatura, no trato com a esfera espiritual. É o próprio Mestre Divino quem no-lo exemplifica. Tendo conduzido Tiago, Pedro e João às maravilhosas revelações do Tabor onde se transfigurou ao olhar dos companheiros, junto de gloriosos emissários do plano superior, recomenda solícito:

"A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem seja ressuscitado dos mortos". O Mestre não determinou a mentira, entretanto, aconselhou se guardasse a verdade para ocasião oportuna.

Cada situação reclama certa cota de conhecimento. Sabia Jesus que a narrativa prematura da sublime visão poderia despertar incompreensões e sarcasmos nas conversações vulgares e ociosas.

Não esqueçamos que todos nós estamos marchando para Deus, salientando-se, porém, que os caminhos não são os mesmos para todos.

Se guardas contigo preciosa experiência espiritual, indubitavelmente poderás usá-la, todos os dias, utilizando-a em doses apropriadas a fim de auxiliares a cada um dos que te cercam, na posição particularizada em que se encontram; mas não barateies o que a esfera mais alta te concedeu, entregando a dádiva às incompreensões criminosas, porque tudo o que se conquista do Céu é realização intransferível.

12 - Mãos de luz - Barbara Ann Brennan - pág. 233

Capítulo 19 - ALTA PERCEPÇÃO AUDITIVA E COMUNICAÇÃO COM OS MESTRES ESPIRITUAIS

A informação que recebi auditivamente foi, a princípio, de ordem geral, mas depois, com a prática, tornou-se específica. Eu ouvia, por exemplo, palavras de amor e confiança endereçadas à pessoa que tinha vindo à procura de tratamento. Mais tarde, a informação se especificava a ponto de nomear pessoas, as doenças que o paciente tivera ou, em alguns casos, uma dieta, vitaminas, remédios ou drogas que poderiam beneficiá-lo. Muitas pessoas decidiram seguir essas instruções verbais e ficaram boas.

A melhor maneira que conheço de intensificar a Alta Percepção Auditiva consiste em ficar sentado à espera de orientação. Pegue lápis e papel, sente-se numa posição de meditação confortável, concentre-se e eleve a consciência. Formule uma pergunta em sua mente o mais claramente possível. Em seguida, focalize o desejo de conhecer a verdade acerca da pergunta, seja qual for a resposta. Feito isso, escreva a pergunta no papel. Deixe a caneta e o papel ao alcance da mão. Focalize e silencie a mente.

Espere que lhe chegue uma resposta. Depois de algum tempo em silêncio, começará a recebê-la, em forma de imagens, sentimentos, conceitos gerais, palavras ou até de cheiros. Escreva a resposta, seja ela qual for. Você talvez ache que o que está escrevendo não tem importância, mas continue escrevendo. A forma pela qual sobrevêm a informação pode variar. Não se preocupe com isso e escreva. A escrita acabará orientando a informação de modo que ela se transforme em sons. Concentre-se em ouvir diretamente as palavras que lhe chegam. Pratique, pratique, pratique.

Escreva tudo o que ouvir. Não deixe nada de fora. Depois que acabar de escrever, ponha o papel de lado, pelo menos por quatro horas. Volvido esse tempo, leia o que escreveu. Você o achará interessante. Tenha sempre um caderno de apontamentos para esse fim. Depois de ter feito isso todas as manhãs, ao nascer do sol, durante três meses, a informação verbal me chegava tão depressa que eu mal tinha tempo de pô-la por escrito. A voz me sugeriu que eu comprasse uma máquina de escrever. Logo depois, porém, eu já não conseguia escrever à máquina com rapidez suficiente.

A voz sugeriu que eu comprasse um gravador. Comprei-o. A princípio, foi-me difícil passar da escrita para o enunciado das palavras em voz alta. O som da minha voz interferia com a quietude que eu, a esse tempo, conseguira impor à minha mente. Com a prática, tornei-me clara outra vez. O passo seguinte foi fazer o mesmo para outra pessoa, e, em seguida, diante de um grupo. Isso era particularmente embaraçoso, porque a canalização verbal trabalha de modo que o canalizador só pode ouvir as primeiras palavras do que vai dizer. Faz-se mister muita fé para saltar no começo de uma sentença e permitir que flua o resto desconhecido.

A experiência de obter acesso à informação por via verbal leva, inevitavelmente, à pergunta: "Quem está falando?" Sem dúvida alguma ouço uma voz. Mas trata-se de uma voz inventada por mim, ou ela tem outra origem? Qual é a melhor maneira de descobri-lo? Pergunte à voz. Eu perguntei. E ela me respondeu: "Meu nome é Heyoan, seu guia espiritual." Que quer dizer Heyoan? "O vento sussurrando a verdade através dos séculos." De onde vem ele? "Do Quênia."

É verdade que já tive visões de espíritos e anjos antes disso, mas eu as classificara de visões. Agora elas falavam comigo. Logo pude sentir-lhes o toque e, às vezes, quando as via na sala, sentia uma fragrância maravilhosa. Seria uma metáfora ou a realidade? Toda a minha realidade pessoal me chega através dos sentidos, e agora que eles se dilataram, existe para mim uma realidade maior, mais ampla. Outras pessoas que têm as percepções dos sentidos dilatadas experimentam-na também. Para mim, isso é real. Você só poderá decidir com a sua experiência.

Receber informações de um guia não é o mesmo que solicitar informações a uma pesssoa mais sábia e mais adiantada do que você. A informação que lhe chega está além da sua compreensão, mas, se você permitir que ela continue a chegar, acabará por compreendê-la. A canalização de um guia pode proporcionar informações que vão além da mente linear e toca as pessoas muito profundamente; alcançam a alma, ultrapassando as limitações humanas. De ordinário, no início de uma leitura, o meu guia Heyoan fala, o que quer dizer que estou conseguindo um acesso direto passivo. Depois, a certa altura da sessão, Heyoan sugere que o paciente faça perguntas para esclarecer as coisas.

Tenho para mim que essa é a melhor sequência, porque os guias, de hábito, sabem mais do que nós localizar os problemas. Passam diretamente por baixo da defesa do indivíduo e chegam ao âmago da questão. Por conseguinte, quando Heyoan principia uma leitura, não perdemos tempo indo à informação mais profunda, que está esperando para ajudar-nos.

Também faço perguntas a Heyoan durante as leituras. Costumo fazê-las em silêncio. Peço um quadro da situação ou de qualquer parte do corpo, ou solicito a descrição de determinado problema. Posso até fazer perguntas como esta: "Isso é câncer?" Por via de regra, recebo respostas muito específicas, mas as coisas nem sempre são fáceis assim, sobretudo se eu, preocupada com a natureza da resposta, bloquear a informação que está chegando. Preciso, então, reconcentrar-me para prosseguir. Agora é a sua vez de tentá-lo.

Exercícios para Receber Orientação Espiritual

Sente-se numa postura de meditação, com as costas retas, mas com um pequeno oco na parte mais estreita das costas. Sente-se numa cadeira, utilizando o espaldar para descansar ou, se prefere a posição do ioga, sente-se numa almofada colocada no chão e cruze as pernas. Certifique-se de que a posição assumida é confortável para você.

1. Se for do tipo cinestésico, feche os olhos e acompanhe simplesmente a respiração, à medida que ela flui para dentro e para fora do corpo. De vez em quando, pode querer repetir um lembrete para si mesmo: "Seguindo a respiração até o centro." Com o olho da mente, acompanhe a respiração pelo interior do corpo e por todo o trajeto até o seu centro. Seus sentidos podem acentuar-se, e você talvez queira seguir o fluxo de energia através do corpo.

2. Se for do tipo visual, imagine um tubo dourado subindo e descendo pela espinha, onde está a principal corrente de força da aura. Visualize uma bola aurialva acima da cabeça. Enquanto respira tranquilamente, a bola desce devagar pelo tubo e, entrando na parte central do corpo, chega ao plexo solar. A seguir, contemple o crescimento da bola de ouro, qual um sol, no interior do plexo solar.

Você pode querer que o crescimento da bola de ouro no plexo solar continue. Deixe-a, primeiro, encher-lhe o corpo de luz dourada. Depois, deixe-a encher-lhe o campo áurico de luz dourada. Deixe-a expandir-se até encher a sala em que você está. Se estiver meditando num círculo de pessoas, veja as suas bolas de ouro dilatarem-se, criando um anel de ouro, que enche a sala.

Deixe o anel expandir-se, ficar maior do que a sala, do tamanho do prédio em que você está, da área que circunda o prédio, da cidade, do estado, do país, do continente, da terra, e além. Faça-o devagar. Movimente a consciência para expandir a bola áurea de luz para fora, rumo à lua e às estrelas. Encha o universo de luz dourada brilhante. Veja-se como parte desse universo, identificando com ele e, portanto, identificado com Deus.

Agora, mantenha a luz igualmente brilhante e traga-a de volta, passo a passo, exatamente como a levou para fora. Encha o seu ser de toda essa luz e conhecimento do universo. Faça-o manso, manso, passo a passo, de volta ao ponto de partida Sinta a carga tremenda que o seu campo áurico tem agora. Você também trouxe de volta ao seu campo o conhecimento de que se identifica com o Criador.

3. Se for do tipo auditivo, pode querer simplesmente usar um mantra para meditar. Pode querer usar um nome sagrado à guisa de mantra, como Om, SatNam, Jesus ou "Fique quieto e conheça que sou Deus". Ou pode querer fazer soar uma nota. Há dias em que preciso fazer um esforço maior para concentrar-me, de sorte que uso uma combinação das meditações acima a fim de livrar a mente da sua tagarelice. Em outros dias a única coisa de que preciso é um mantra.

Para outras meditações e práticas destinadas a fazê-lo entrar nesse estado tranquilo de auto-aceitação e aumentar a sua sensibilidade, recomendo com empenho os exercícios constantes do livro Voluntary Controls, de Jack Schwarz, que contém toda uma série de exercícios desse tipo, ajustados à mente ocidental, e muito eficazes. Agora que se acha concentrado e aquietou a mente, você está pronto para sentar-se e receber orientação espiritual. (...)

14 - No invisível - Léon Denis - pág. 165

XIV - VISÃO E AUDIÇÃO PSÍQUICAS NO ESTADO DE VIGÍLIA
A visão e audição psíquicas em estado de vigília estão ligadas aos fenômenos de exteriorização, neste sentido: necessitam de um começo de desprendimento no percipiente. Não se trata mais de fatos fisiológicos ou de manifestações do ser vivo, a distância, e sim de uma das formas de mediunidade.

Na visão espírita, a alma do sensitivo já se acha parcialmente exteriorizada, isto é, fora do organismo material. Sua faculdade própria de visão se vem acrescentar ao sentido físico da vista. Às vezes a substituição deste pelo sentido psíquico é completa. Demonstra-o o fato de, em certos casos, o médium ver com os olhos fechados. Fui muitas vezes testemunha desse fenômeno.

Convém ter o cuidado de distinguir a clarividência da visão mediúnica. Acontece que sonâmbulos muito lúcidos, no que se refere aos seres e às coisas deste mundo, são inteiramente cegos a respeito de tudo o que concerne ao mundo dos Espíritos. Prende-se isso à natureza das irradiações fluídicas de seu invólucro exteriorizado e ao modo peculiar de adestramento a que os submete o magnetizador.

É o que distingue o estado de simples lucidez do de mediunidade. Neste último caso, já não é o magnetismo humano que intervém. O vidente se acha sob a influência do Espírito que sobre ele opera, visando produzir determinada manifestação. Provocando o estado de semi-desprendimento, faculta ao sensitivo a visão espiritual. O sentido psíquico, como vimos, é muito mais sutil que o sentido físico; pode distinguir formas, radiações, combinações da matéria que a vista normal não seria capaz de perceber.

Para tornar mais distinta sua aparição, o Espírito muitas vezes recorre a um começo de materialização. Objetiva-se mediante as forças hauridas nos assistentes. Nessas condições, sua forma fluídica penetra no campo visual do médium e pode mesmo, em certos casos, impressionar a placa fotográfica. Os videntes descrevem os Espíritos com particularidades que são outros tantos elementos de comprovação. Depois vem a fotografia confirmar, ao mesmo tempo, a fidelidade da descrição e a identidade dos Espíritos que se manifestam. Estes são muitas vezes desconhecidos dos médiuns.

No grupo de estudos psíquicos de Tours, de 1897 a 1900, possuíamos três médiuns videntes, auditivos e de incorporação. Antes de adormecerem, feita a obscuridade, eles divisavam, ao pé de cada um dos dos assistentes, Espíritos de parentes ou de amigos que conheciam, ou que descreviam minuciosamente quando os conheciam pela primeira vez. Nesse caso, a descrição era tal que, conforme a atitude ou o vestuário conheciam facilmente a personalidade do manifestante. Além disso, os médiuns ouviam e e transmitiam a linguagem dos Espíritos e os desejos que estes formulavam.

A impressão produzida nos videntes variava de modo muito sensível, conforme o desenvolvimento das faculdades mediúnicas ou o adiantamento dos Espíritos. Onde uns só distinguiam um ponto brilhante, uma chama, outro via uma forma radiosa. O mesmo acontecia com a audição, que variava de intensidade e precisão conforme os sensitivos. Quando um não percebia mais que um vago som, uma simples vibração, outro escutava uma harmonia doce e penetrante que o comovia até às lágrimas.

O estado de adiantamento do Espírito, como o sabemos, se revela, à primeira vista, no Espaço, pelo brilho ou obscuridade do seu invólucro. Em nossas experiências, já os videntes reconheciam o grau de elevação pela intensidade de suas irradiações. Muitas vezes fizemos este reparo: médium acordado, com os olhos abertos, percebia um certo número de Espíritos de todas as ordens. Fechados os olhos, distinguia somente alguns deles, os mais adiantados, aqueles cujas irradiações sutis — a exemplo dos raios X em relação as placas fotográficas — podiam, através das pálpebras cerradas, influenciar o sentido visual.

A História está cheia de fenômenos de visão e de aparição. Na Judéia, a sombra de Samuel exorta Saul. No mundo latino, aparecem fantasmas a Numa, Brutus e
Pompeu. Os anais do Cristianismo são ricos em fatos desse gênero. Na Idade Média os mais notáveis fenômenos de visão e audição conhecidos são os de Joana d'Arc. A essa virgem incomparável, o mais portentoso dos médiuns que já produziu o Ocidente, é que se deverá sempre recorrer, toda vez que se quiser citar brilhantes provas da intervenção do mundo invisível em nossa História.

A vida inteira da heroína está cheia de aparições e vozes, sempre idênticas, e que jamais são desmentidas. Nos vales de Domrémy, nos campos de batalha, em presença de seus arguidores de Poitiers e dos juízes de Ruão, por toda parte a assistem e inspiram os Espíritos.
Suas "vozes" ressoam-lhe aos ouvidos, marcando sua tarefa cotidiana e imprimindo à sua vida uma direção precisa e um glorioso objetivo. Elas anunciam acontecimentos que, sem exceção, se realizam.

Em seu doloroso encarceramento, essas vozes a encorajam e consolam: "Leva tudo com paciência; não te inquietes com o teu martírio; chegarás por fim ao reino do paraíso". E os juizes, a quem ela comunica esses colóquios, aparecem desassossegados com semelhante predição, cujo sentido compreendem. A todas as perguntas pérfidas, insidiosas, que lhe dirigem, as vozes ditam a resposta, e, se esta se fez esperar, ela o declara: "Louvar-me-ei em meu conselho."

Quando as vozes se calam, abandonada a si mesma, ela não é mais que uma mulher; fraqueja, se retrata, se submete. Durante a noite, porém, a voz se faz novamente ouvir. E ela o repete aos seus juízes: "A voz me disse que era pecado abjurar; o que eu fiz está bem feito." (...)

15 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - questões: 246, 429

Perg. 246 - Os Espíritos precisam de luz para ver?
- Vêem pela luz própria, sem necessidade de luz exterior; para eles não há trevas, a não ser aquelas em que podem encontrar-se por expiação.
Perg. 248 - O Espírito vê as coisas tão distintamente como nós?
- Mais distintamente, porque a sua vista penetra o que a vossa não pode penetrar; nada aobscurece.
Perg. 249a - A Faculdade de ouvir, como a de ver, está em todo o seu ser?
- Todas as percepções são atributos do Espírito e fazem parte do seu ser. Quando ele se reveste de corpo material, elas se manifestam pelos meios orgânicos, mas, no estado de liberdade, não estão mais localizadas.
Perg. 429 - Como o sonâmbulo pode ver através dos corpos opacos?
- Não há corpos opacos, senão para os vossos órgãos grosseiros. Já dissemos que, para o Espírito, a matéria não oferece obstáculos, pois ele a atravessa livremente. Com frequência ele vos diz que vê pela testa, pelo joelho, etc.. porque vós, inteiramente imersos na matéria, não compreendeis que ele possa ver sem o auxílio dos órgãos, e ele mesmo, pela vossa insistência, julga necessitar desses órgãos. Mas, se o deixásseis livre, compreenderíeis que vê por todas as partes do corpo, ou, para melhor dizer, é fora do corpo que ele vê.

16 - O Livro dos médiuns - Allan Kardec - cap. vi

2ª PARTE — CAPÍTULO VI - MANIFESTAÇÕES VISUAIS

100. De todas as manifestações espíritas, as mais interessantes são sem dúvida aquelas pelas quais os Espíritos podem se tornar visíveis. Pela explicação desse fenômeno veremos que ele, como os outros, nada tem de sobrenatural. Damos inicialmente as respostas dos Espíritos a respeito do assunto.

1. Os Espíritos podem se tornar visíveis?
— Sim, sobretudo durante o sono. Entretanto, certas pessoas o vêem no estado de vigília, mas isso é mais raro.
Nota — Enquanto o corpo repousa, o Espírito se desprende dos laços materiais, fica mais livre e pode mais facilmente ver os outros Espíritos e entrar em comunicação com eles. O sonho é uma recordação desse estado, Quando não nos lembramos de nada, dizemos que não sonhamos, mas a alma não deixou de ver e de gozar da sua liberdade. Tratamos aqui mais particularmente das aparições no estado de vigília. — Sobre o estado do Espírito durante o sono, ver n.° 409 de O Livro dos Espíritos.

2. Os Espíritos, que se manifestam pela visão, pertencem a uma determinada categoria?
— Não; podem pertencer a todas as categorias, das mais elevadas às mais inferiores.

3. É permitido a todos os Espíritos se manifestarem visivelmente?
— Todos o podem, mas nem sempre tem a permissão nem o desejo de fazê-lo.

4. Com que fim os Espíritos se manifestam visivelmente?
— Isso depende; segundo sua natureza, o fim pode ser bom ou mau.

5. Como pode ser permitido, quando o fim é mau?
- É então para por à prova aqueles que os vêem. A intenção do Espírito pode ser má, mas o resultado pode ser bom.

6. Qual o objetivo dos Espíritos que se fazem ver com má intenção?
- Assustar e muitas vezes vingar-se.
6a. Qual o objetivo dos Espíritos que aparecem com boa intenção?
- Consolar os que lamentam a sua partida; provar-lhes que continuam a existir e estão perto deles; dar conselhos e, algumas vezes, pedir assistência para si mesmos.

7. Que inconveniente haveria em ser permanente e geral a possibilidade de ver os Espíritos? Não seria essa uma forma de tirar a dúvida aos Incrédulos?
- Estando o homem constantemente cercado de Espíritos, o fato de vê-los sem cessar o perturbaria, constrangendo-o nas suas atividades, e lhe tiraria a iniciativa na maioria dos casos, enquanto que, julgando-se só, pode agir com mais liberdade. Quanto aos incrédulos, dispõem de muitos meios para se convencerem, caso queiram aproveitá-los e se não estiverem cegos pelo orgulho. Sabes de pessoas que viram e nem por isso acreditam, pois dizem que se trata de ilusões. Não te inquietes por essa gente, de que Deus se encarrega.

Nota — Haveria tanto inconveniente em estarmos sempre na presença dos Espíritos, como em vermos o ar que nos cerca ou as miríades de mimais microscópicos que pululam ao nosso redor. Do que devemos concluir que o que Deus faz é bem feito e que Ele sabe melhor do que nós o que nos convém.

8 . Se a visão dos Espíritos tem inconvenientes, por que é permitida em muitos casos?
- Para dar uma prova de que nem tudo morre com o corpo e de que a alma conserva a sua individualidade após a morte. Essa visão passageira é suficiente para dar a prova e atestar a presença dos amigos ao vosso lado, não tendo os inconvenientes da visão incessante.

9. Nos mundos mais adiantados que o nosso a visão dos Espíritos é mais frequente?
— Quanto mais o homem se aproxima da natureza espiritual, mais facilmente entra em relação com os Espíritos. Ê a grosseria do vosso corpo torna difícil e mais rara a percepção dos seres etéreos.

10. É racional assustar-se com a aparição de um Espírito?
— Aquele que refletir a respeito há de compreender que um Espírito, seja qual for, é menos perigoso que um vivo. Os Espíritos, aliás, estão por toda parte e não tens a necessidade de vê-los para saber que podem ficar ao teu lado. O Espírito que desejar prejudicar alguém pode fazê-lo ser visto, e até com mais segurança. Ele não é perigoso por ser Espírito, mas pela influência que pode exercer no pensamento do homem, desviando-o é do bem e impelindo-o ao mal.

Nota — As pessoas que têm medo da solidão, e do escuro, raramente compreendem a causa do seu pavor. Elas não saberiam dizer do que têm medo, mas certamente deviam recear-se mais de encontrar homens do que Espíritos, porque um malfeitor é mais perigoso em vida do que após a morte. Uma senhora de nosso conhecimento teve uma noite, em seu quarto, uma aparição tão bem definida que acreditou estar na presença de alguém e sua primeira sensação foi de pavor. Certificando-se de que ali não havia nenhuma pessoa, disse a si mesma: Parece que se trata apenas de um Espírito; posso dormir tranquila. (...)

17 - O porquê da vida - Léon Denis - pág. 82

Carta de um Espírito bem-aventurado a seu amigo, da Terra, sobre a primeira visão do Senhor
Querido amigo.
Das mil coisas a respeito das quais desejara falar-te, apenas me ocuparei por esta vez de uma única, que te interessará mais do que todas as outras. Para isso foi mister licença especial, pois os Espíritos nada podem fazer sem permissão. ( Por toda parte e em todos os degraus da escala da Criatura, há somente uma vontade diretriz. O mundo dos Espíritos, sociedade muito semelhante à nossa em certos pontos, está submetido a leis que não permitem a ninguém desviar-se do plano da harmonia geral).

Vivem exclusivamente na vontade do Pai Celestial, que transmite suas ordens a milhões de seres como se fossem um só, e responde instantaneamente a uma infinidade de matérias, aos milhões inumeráveis de criaturas que se dirigem a Ele. Como te farei compreender o modo pelo qual cheguei a ver o Senhor? Oh! foi muito diferente daqueles que vós os mortais podeis imaginar.

Depois de muitas aparições, instruções, explicações e gozos, quo me foram concedidos por graça do Senhor, atravessei uma região bem-aventurada ou éden, em companhia de outros Espíritos que já se haviam elevado pouco mais ou menos ao mesmo grau de perfeição que eu.

Ao lado uns dos outros, em doce e agradável harmonia, formando como que uma leve nuvenzinha, gozávamos o mesmo sentimento de atração, a mesma propensão para um alvo elevadíssimo e passeávamos por aquele sítio encantador. Ligávamo-nos cada vez mais uns aos outros, e, à medida que nos adiantávamos, nos sentíamos mais íntimos, mais livres, mais alegres, mais aptos para gozar, e dizíamos: Oh! como é bom e misericordioso Aquele que nos criou! Aleluia ao Criador! O Amor é que nos criou! Aleluia ao Amor!

Animados por tais sentimentos, seguimos nosso vôo e paramos ao pé de uma fonte. Ali, sentimos que alguém anunciava a sua presença como que pelo roçar de uma leve brisa: era um ser angélico e nele havia alguma coisa imponente que atraiu nossa atenção. Uma luz deslumbrante, até certo ponto semelhante à dos Espíritos bem-aventurados, nos inundou. Este é também dos nossos, pensamos simultaneamente e como por intuição. Então desapareceu a luz e no mesmo instante nos pareceu que estávamos privados de alguma coisa.

Que ser tão belo, dissemos, que donaire majestoso e ao mesmo tempo que graça tão infantil! Que doçura e que majestade! Enquanto assim falávamos, uma forma graciosa, emergindo de deliciosa ramagem, apareceu-nos de repente e dirigiu-nos afetuosa saudação.
Nenhuma semelhança havia entre a precedente aparição e o recém-vindo, pois este tinha alguma coisa de superiormente elevado e, ao mesmo tempo, inexplicável.

— Sede bem-vindos, irmãos! — disse ele, e então respondemos: — Bem-vindo sejas tu, bendito do Senhor! O céu se reflete em tua face e dos teus olhos se irradia o amor de Deus.— Quem sois? — perguntou o desconhecido.— Somos alegres adoradores do Amor todo-poderoso — respondemos. — Quem é o Amor todo-poderoso? — redarguiu ele com sua inimitável graça. — Não conheces então o Amor todo-poderoso? — lhe repliquei eu por todos. — Conheço-o, em verdade — disse o desconhecido com voz cada vez mais melíflua.

— Ah! se dignos fôssemos de vê-lo, de ouvir sua voz! Mas não nos consideramos bastante purificados para contemplar diretamente a mais santa pureza! A estas palavras, ouvimos atrás de nós soar uma voz que nos disse: "Estais purificados e lavados de toda a mácula. Estais declarados justos por Jesus-Cristo e pelo espírito de Deus vivo!" Uma felicidade inexplicável se apossou de nós e no mesmo instante desejamos volver para o sítio donde vinha aquela voz, a fim de adorarmos de joelhos o nosso invisível interlocutor.

Que sucedeu! Cada um de nós ouviu instantaneamente um nome que nunca ouvíramos pronunciar, e cada um compreendeu e reconheceu que era seu nome que fora designado pela voz do desconhecido. Espontaneamente, com a velocidade do raio, todos, como um só, nos voltamos para o adorável interlocutor, e, então, ele assim nos falou com indizível graça: "Encontrastes o que procuráveis. Quem me vê, vê o Amor todo-poderoso. Conheço os meus e os meus me conhecem. Dou as minhas ovelhas a vida eterna e elas não perecerão na eternidade. Ninguém poderá arrancá-las das minhas mãos e das mãos de meu Pai, pois Ele e eu somos um."

Como explicar-te, por palavras, a doce, suprema felicidade de que nos sentimos possuídos quando ele, que a cada momento se fazia mais luminoso, mais gracioso e mais sublime, estendeu-nos seus braços e pronunciou estas palavras, que soarão eternamente para nós, sem que haja poder algum capaz de apagá-las de nossos ouvidos e de nossos corações: "Vinde, eleitos de meu Pai; tomai posse do reino que vos foi designado desde o princípio dos séculos." Depois abraçou-nos simultaneamente e desapareceu.

Ficamos silenciosos e sentimo-nos estreitamente unidos por toda a eternidade, fundimo-nos suavemente na verdadeira felicidade. O Ser Infinito veio unificar-se conosco e, ao mesmo tempo, tornou-se nosso todo, nosso céu, nossa vida em sua mais real expressão. Mil novas vidas pareciam animar-nos. Nossa existência anterior desvaneceu-se; estávamos como que nascendo para uma vida nova, prelibando a imortalidade, isto é, havia em nós uma superabundância a voz.

Ah! se eu pudesse comunicar-te, mesmo que fosse somente diminuta, parte da nossa entusiástica adoração!Deus existe! Nós existimos! Por si, só Ele é tudo! Seu ser é vida e amor! O que vê, vive e ama, é inundado dos eflúvios da imortalidade e do amor que são emitidos de sua divina face. Vimos- te, ó todo-poderoso Amor! Tu te manifestaste aos nossos olhos sob a forma humana, tu, Deus dos deuses, e, entretanto, não foste Homem nem Deus, tu Homem-Deus! Só te revelaste como amor, e te mostraste todo-poderoso somente como amor! Tu nos sustentas por tua onipotência para impedir que a força de teu amor, embora suavizado, nos absorva!

És tu a quem glorificam os céus, tu, oceano de bem-aventurança e onipotência, tu, que encarnado entre os homens vieste regenerá-los e que, derramando teu sangue, suspenso da cruz, te revelaste humano? Oh! sim, és tu! glória de todos os seres! Ser, diante de quem se inclinam todas as naturezas que desaparecem à tua vista para serem chamadas a viver em ti! Da tua irradiação desperta-se a vida em todos os mundos, do teu peito desprende-se o amor!

Tudo isto, querido amigo, é apenas uma pequeníssima migalha, caída da farta messe das inefáveis felicidades com que me alimentei então. Aproveita essas minhas comunicações e bem depressa outras te serão dadas. Ama e serás amado, pois só o amor pode fazer a felicidade. Oh ! Querido amigo, é pelo amor somente que me posso aproximar de ti, comunicar contigo e mais depressa conduzir-te ao manancial da vida. Deus e o Céu vivem no amor, como vivem na face e no coração de Jesus-Cristo. Segundo a vossa cronologia terrestre, escrevo esta a 13 de novembro de 1798. Makariosenagape. (...)

18 - Obras póstumas - Allan Kardec - pág. 47

MANIFESTAÇÕES DE ESPÍRITOS - CARÁTER E CONSEQUÊNCIAS RELIGIOSAS DE MANIFESTAÇÕES DE ESPÍRITOS
1. As Almas ou Espíritos dos homens, que viveramna terra, constituem o mundo invisível no espaço que nos cerca. Resulta daí que, desde que há Espíritos e que, se estes têm o poder de se manifestar, deveriam tê-lo em todo tempo. Ultimamente porém as manifestações de Espíritos têm adquirido enorme desenvolvimento e maior autenticidade, sem dúvida por querer a Providência curar a chaga da incredulidade e do materialismo por evidentes provas, permitindo aos que deixaram a terra virem comprovar a sua existência e revelar-nos as condições felizes ou penosas em que vivem.

2. O mundo visível, sendo envolvido pelo invisível, com a qual vive em perpétuo contato, age incessantemente sobre ele e recebe dele a reação. Esta reciprocidade é origem uma multidão de fenômenos, considerados sobrenaturais, se lhes ignorar a causa. A ação e a reação de um mundo sobre outro é uma da leis, uma das forças da natureza, necessárias à harmonia universal, como por exemplo a lei de atração. Se aquela força deixasse de obrar, perturbar-se-ia a ordem universal, como em um maquinismo, de que se tirasse uma roda. Não têm portanto, o caráter de sobrenatural os fenômenos produzido por semelhante força ou lei da natureza, julgados tais por não se lhes conhecer a causa, como acontece com certos efeito da luz, da eletricidade, etc.

3. Todas as religiões têm por base a existência de Deu e por objetivo o futuro do homem depois da morte. Esse futuro, que é de interesse capital, está necessariamente ligado à existência do mundo invisível; e é por isso que em todos os tempos a humanidade tem feito do conhecimento desse mundo o principal objeto dos seus estudos e preocupações. A sua atenção era naturalmente arrastada para todo o fenômeno indicativo daquele mundo, e nenhum há tão positivo como o das manifestações dos Espíritos, pelas quais os seus habitantes nos revelam a sua existência. É por isso que os fenômenos se tornaram a base da maior parte dos dogmas das religiões.


4 Havendo o homem tido em todos os tempos a intuição de um poder superior, foi induzido a atribuir a açao direta dessa potência os fenômenos cuja causa lhe era desconhecida, considerando-os prodígios e efeitos supernaturais. Essa tendência é pelos incrédulos considerada obra do amor do homem pelo maravilhoso, mas não lhe procuram os motivos. Se dessem a esse trabalho, reconheceriam que o amor do maravilhoso procede da intuição mal definida de uma ordem de coisas extracorporais. . . . .

Com o progresso da ciência e o conhecimento das leis da Natureza. aqueles fenômenos têm, pouco a pouco, passado ao domínio do maravilhoso ao dos efeitos naturais; e por isso o que se supunha outrora sobrenatural não o é mais atualmente, nem mais o será de ora em diante.

Os fenômenos dependentes da manifestação dos Espíritos forneceram, pela sua própria natureza, um contingente aos fatos considerados maravilhosos; devia porém chegar o tempo em que fosse conhecida a lei, que os rege, e eles entrassem como quaisquer outros na ordem dos fatos naturais. Esse tempo chegou e o Espiritismo fazendo conhecer aquela lei, trouxe a chave da maior parte das passagens das " Escrituras sagradas", que aludiam a ela e os fatos reputados.

5. O caráter de um fato miraculoso é ser insólito e excepcional; é ser uma derrogação das leis da natureza. Desde que um fenômeno se reproduza em identidade de condições, é porque obedece a uma lei e portanto não é miraculoso. Essa lei pode ser ignorada, mas nem por isso deixa de existir, competindo ao tempo torná-la conhecida. O movimento do sol, ou antes da terra, parado por ordem do Josué, seria um verídico milagre, por ser uma manifesta derrogação da lei, que rege o movimento dos astros; se porém o mesmo fato se reproduzisse, em dadas condições, e porque obedeceria a uma lei e deixaria de ser um milagre. (...)

II - MANIFESTAÇÕES VISUAIS:
16. Por sua natureza, e no estado normal, o perispírito é invisível e por este lado se confunde com uma multidão de fluídos, que sabemos existir, conquanto não possamos vê-los; entretanto pode, como certos fluídos, sofrer modificações que o tornem perceptível à vista quer seja por uma espécie de condensação, quer por uma alteração na composição molecular. Pode até adquirir as propriedades de um corpo sólido e tangível, sem deixar a propriedade de voltar instantaneamente ao seu primitivo estado etéreo e invisível.

É comparável esse fenômeno ao do vapor, que passa de invisível, tornando-se líquido ou sólido e vice-versa. Esses diferentes estados do perispírito são dependentes da vontade do Espírito e não de causa física exterior, como acontece com o vapor. Quando o Espírito se mostra, é porque colocou o perispírito no estado necessário para tornar-se visível.

A vontade só nem sempre basta, e é preciso, para que o perispírito passe por aquela modificação, um concurso das circunstâncias independentes dele; é mister além disso, que o Espírito tenha a permissão de se tornar visível, o que nem sempre lhe é concedido, ou não o é senão em especiais circunstâncias, por motivos que não podemos apreciar.

Outra propriedade do perispírito, que procede de sua natureza etérea, é a penetrabilidade; a matéria não lhe opõe obstáculos e ele a atravessa, como a luz atravessa os corpos transparentes. É por isso que não há fechaduras para os Espíritos, que visitam os prisioneiros reclusos em um cárcere, com a mesma facilidade com que se aproximam de quem está no campo a céu aberto.

17. As manifestações visuais mais comuns dão-se durante o sono, em sonhos, são as visões. As aparições propriamente ditas dão-se no estado de vigília, quando se está no pleno uso da liberdade e das faculdades. Realizam-se geralmente sob a forma vaporosa e diáfana, na maior parte das vezes vaga e indecisa, não passando de uma nuvem esbranquiçada, cujos contornos se desenham lentamente.

Noutros casos, as formas são bem acentuadas, distinguindo-se os mínimos traços do rosto, de modo a se poder fazer, com a maior precisão, uma perfeita descrição. Os gestos e o aspecto são semelhantes aos do Espírito, quando encarnado.

18. Podendo tomar todas as aparências, o Espírito apresenta-se sob a que melhor pode torná-lo conhecido se esse for o seu desejo; e tanto que, apesar do Espírito não conservar as enfermidades corpóreas, apresenta-se aleijado, coxo, ferido, com cicatrizes, se tanto for necessário para provar a sua identidade. O mesmo quanto ao traje; o daqueles, que já nada conservam das misérias da terra, compõe-se, ordinariamente, de uma túnica de longas pregas flutuantes e cabeleira ondulante e graciosa.

Muitas vezes os Espíritos se apresentam com os predicados característicos de sua elevação com uma auréola e asas, que nos fazem considerá-los como anjos de aspecto luminoso e resplandecente, ao passo que outros se apresentam com os característicos das suas ocupações terrestres: assim o guerreiro poderá aparecer com a sua armadura, o sábio com os seus livros, o assassino com um punhal, etc...

Os Espíritos superiores apresentam figura bela, nobre e serena, os mais inferiores alguma coisa de feroz e bestial, e algumas vezes ainda apresentam os sinais dos crimes que cometeram e dos castigos que sofreram. Para eles é castigo o acreditar que aquela aparência é a realidade, isto é, que são o que mostram.

19. O Espírito, que quer ou pode aparecer, reveste algumas vezes forma ainda mais clara; toma as aparências de um corpo sólido, a ponto de produzir perfeita ilusão, fazendo crer que é um ser corpóreo. Em alguns casos e em dadas circunstâncias, a tangibilidade pode tornar-se real, isto é, podemos tocar-lhes, apalpá-los, sentir a mesma resistência e o mesmo calor, como se fora um corpo vivo, o que não o priva de desfazer-se com a rapidez do relâmpago.

Pode pois acontecer estarmos em presença de um Espírito, conversarmos com ele e ficarmos na ilusão de que estamos tratando com um homem. (...)