10 - COMÉRCIO LEGAL DE TÓXICOS

1 - ÉTER

O éter é o anestésico mais conhecido universalmente e, como tal geralmente é administrado por via respiratória. O éter comumente é usado nos hospitais, farmácias e mesmo nos lares é o sulfúrico (C2H5)2O. Seu uso médico atual restringe-se quase somente a antisséptico externo. É uma substância orgânica, líquida, incolor, volátil e inflamável.

Seu uso foi largamente difundido pelos foliões há algumas décadas, como acessório dos festejos carnavalesco, adicionando-se-lhe perfume e contido em bisnagas, metálicas ou de vidro. Os usuários do éter buscam seus efeitos calmante e refrescantes, ambos ilusórios pois, sua ação no sistema nervoso central pode causar parada cardíaca ou parada respiratória, levando à morte.

2 - "COLA DE SAPATEIRO"

Foi após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que a grande onda de drogas começou a açoitar os Estados Unidos e outros países ocidentais. A expansão da bioquímica e da farmacologia foi tão grande depois da guerra que, novas drogas eram lançadas no mercado, cada vez mais consumidor. A geração mais velha aderiu às pilulas tranquilizantes; os jovens, ao contrário, estavam ávidos por descobrir substâncias que alterassem a mente, proporcionando êxtase.

Os universitários, com assombroso afinco nas pesquisas e com as facilidades ao seu alcance, descobriram as últimas novidades no setor. Descobriram a possibilidade de cheirar cola de celulose e algumas tintas, e, identificando os elementos intoxicantes desses compostos, passaram a procurá-los em outros compostos. Cogitaram alguns governos em suprimir o mercado tais tóxicos. Contudo, seu emprego industrial era (como ainda é) tão vasto que tais projetos foram abandonados.

A chamada "cola de sapateiro" é um produto tóxico, que contém o solvente tolueno. Além disso, esse solvente tem emprego industrial na preparação de vários compostos entre eles o TNT (trinitrotolueno), explosivo muito usado em demolições. O tolueno é uma substância orgânica líquida e incolor derivada do benzeno. É extremamente cancerígeno e alucinógeno. É o mais barato dos solventes.

Nos Estados Unidos e Europa existem leis limitando seu uso nas colas em 4%. No Brasil ele é usado na proporção de 25%..! A cola de sapateiro, manuseada por operários, por tapeceiros, além dos próprios sapateiros, provoca sérios problemas de saúde: tonturas, enjôo e até câncer. Os menores abandonados que cheiram a cola tóxica (clientes clandestinos do produto), geralmente ficam drogados, com mudanças de comportamento, em processos de alucinação, não raras vezes realizando ações criminosas, sempre violentas.

Mas há esperanças: O Grupo Amazonas, fabricante de solados de borracha e poliuretano (faturamento anual, no início dos anos 90 de Cr$ 20,4 bilhões), através de uma de suas 12 divisões, a QUIMICAM, produtora de adesivos, está lançando no mercado 100 produtos de uma família de colas atóxicas que não usam o solvente tolueno.

3- CANETAS TÓXICAS

A "Folha de São Paulo", de 01/Dezembro/90, publicou: "O procurador da República do Paraná, Alcides Alberto Munhoz da Cunha, 42, enviou ontem à tarde ofício à Polícia e Receita Federal do Estado, impedindo a entrada no país das canetas japonesas consideradas tóxicas. O produto é adquirido na fronteira com o Paraguai e a Procuradoria-Geral da República, em Brasília, ordenou que todas as Procuradorias do país determinassem a proibição de sua comercialização. As canetas usam um produto químico, chamado xileno, altamente tóxico e que pode ser fatal, se ingerido."

O xileno é um hidrocarboneto aromático, utilizado como solvente e como intermediário na preparação de ácidos (itálicos) empregados industrialmente em matéria plástica, lacas e vernizes. Éter - Tolueno - Xileno

Três substâncias de emprego benéfico a humanidade, mas cujo uso, em paralelo, mentes doentias desvirtuaram. Mais uma vez comprova-se que o ser humano, não raras vezes, utiliza de forma equivocada, mas consciente, a bênção do livre-arbítrio.) Só mesmo o embotamento da inteligência - esta outra bênção divina—pode explicar, sem no entretanto jamais justificar, tamanho erro, pois:
- em primeiro lugar, porque a utilização de tais produtos como drogas alucinantes ou prazerosas, afeta grave e irremediavelmente a saúde;

- em segundo lugar, a irresponsabilidade desses viciados, onera à família e à sociedade, pelo desgaste e despesas na sua recuperação, além do que tornaram-se improdutivos em quaisquer atividades trabalhistas;

- a terceira — e mais importante das reflexões - diz-nos à razão que tais desatinos trarão pesados débitos para o futuro dos agentes, futuro esse que pelas luzes espíritas ultrapassará a vida presente, projetando-se talvez em até algumas outras existências porvindouras, nas quais nascerão com a saúde já comprometida.

Ao espírita, diante de um toxicômano, é inescapável a caridade de prestar-lhe tais esclarecimentos, convidando-o à AUTO-REFORMA moral, única via para libertação integral do vício.

Grupo Acostumei