35 - ÚTIL

O TRABALHO E O SENTIDO DE UTILIDADE

Ao contrário de outras doutrinas que pintam a felicidade suprema como a contemplação ociosa, o Espiritismo nos ensina que o trabalho é o maior gozo do Espírito e que a eternidade será preenchida de ação permanente no bem.

Durante muitos milênios, o trabalho no mundo foi considerado uma punição ou uma obrigação apenas para escravo. Progressivamente, a humanidade foi abolindo privilégios e exaltando o trabalho.

Hoje, reconhece-se até mesmo a sua função pedagógica e terapêutica. Em nossos dias, ele é considerado, pelo menos teoricamente, um dever social de todas as pessoas em idade e condições de assumir uma atividade. Eis, porém, o problema central: o trabalho hoje é identificado com função produtiva, com serviço remunerado.

Mas há aqueles que trabalham apenas nominalmente e açambarcam o resultado financeiro de outros, que trabalham de fato. E, ainda, pela urgência de sobrevivência, pela persistência de muitas formas de exploração e pela desorientação vocacional de muitos, o trabalho é associado às idéias de obrigatoriedade maçante, dever imposto, carga pesada.

É na Educação que devem começar a se desenvolver outras noções de trabalho. Ele deveria ser sempre associado à idéia de utilidade. Se assim fosse, ali muitas atividades consideradas lucrativas, do ponto de vista financeiro, desapareciam da face da Terra. O trabalho também deve dar prazer (pela atividade e si e pelo gosto de ser útil ao próximo - condição inteiramente moral) e corresponder às tendências individuais daquele que o faz. Deve desenvolver de algum modo (moral e/ ou intelectualmente) aquele que trabalha.

Assim, a recompensa financeira pode ou não ser conseqüência, dependendo das circunstâncias e necessidades. Se no maior período da vida, para a maioria dos seres humanos, haverá a necessidade de um serviço remunerado, já que a nossa organização social ainda necessita do dinheiro, que esse serviço possa estar dentro das condições de trabalho mencionadas.

Mas, o conceito de trabalho muito mais amplo e não deve ser visto apenas como estar numa fábrica, num escritório ou no exercício de uma atividade considerada profissional. Há o trabalho espiritual, em todos os campos religiosos. (A pior degeneração das religiões ter estabelecido o profissionalismo religioso - a remuneração por atividades espirituais.

Paulo de Tarso foi o exemplo contrário dessa atitude, pois como tecelão exerceu seu apostolado, sem jamais aceitar que a comunidade o sustentasse E, no Espiritismo, por enquanto, graças a Deus, ainda estamos guardando es preceito e todo cuidado é pouco para que ele não seja banido do movimento espírita).

Há o trabalho de assistência fraternal (tudo aquilo que Jesus considerou como obrigação moral de seus seguidores, assistir doentes, presos, necessitados ... ); o trabalho doméstico (que deve ser compartilhado por todos os membros da família, principalmente numa estrutura em que homens e mulheres trabalham fora); o trabalho da Educação de filhos e tutelados e todo e qualquer tempo que se dedica ao próximo. Além disso, trabalhos intelectuais e artístico com propostas idealistas e nobres, por vezes podem não dar nenhum fruto financeiro àqueles que os produzem, permanecendo porém como contribuições essenciais à evolução da humanidade.

Desde a primeira infância - época em que justamente o trabalho não deve ser remunerado e muito menos explorado - deve-se procurar associá-lo à criação, ao gosto de produzir, ao prazer de servir ao próximo e de se sentir útil, uso e ao desenvolvimento das próprias potencialidades ...

Dora Incontri

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